Uma obra técnica e literária


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

Se bem me recordo, foi em janeiro de 2008 que o amigo e parceiro em estudos ambientais, Professor Antônio Carlos Beaumord[1] ou “Tu” (para os mais próximos), fez-me um desafio literário:

Cactos em floração

Cactos em floração

─ “Ricardo, você é escritor. Entãopor que não reúne todas as suas metodologias num único livro? Acho que seria uma bela contribuição para a Universidade”.

─ “Tu, eu precisaria de vários anos de dedicação para realizar esse trabalho. Mas tenho família e, para sobreviver, sou obrigado a fazer consultoria”, respondi-lhe, não sem certa tristeza.

Contudo, a ideia de publicar mais um livro técnico não me saiu mais da cabeça. Até por que, sou um otimista nato. Claro que o “diabinho pousado no ombro esquerdo” não parava de me aporrinhar o ouvido:

“─ No Brasil você não vai ter editora para publicar esse livro! Vai custar muito caro; duvido que você tenha cabeça fria para organizar esse livro…”

Porém, com a crise financeira global iniciada em fins de 2008, o mercado de consultoria no país começou a emagrecer. Senti que a dita “marolinha” era mesmo um longo e devastador tsunami. Pelo menos assim aconteceu com a conta bancária da família.

Com a forte redução dos serviços de consultoria, a única coisa que cresceu em minha vida foi o tempo vago. Confesso que sequer pensei em conseguir uma editora. Segui a ideia do Tu e comecei a organizar o livro. Precisava ocupar meu tempo livre.

Em 2010, exatamente no dia 31 de novembro de 2010, finalizei a obra, ainda que sem revisão. Ficara com 737 páginas A4, distribuídas nos 18 capítulos, que se seguem:

  • Capítulo 1: Conceitos Básicos para Estudos Ambientais.
  • Capítulo 2: Modelo para Identificação da Transformação Ambiental.
  • Capítulo 3: Estabelecimento das Premissas para Estudos Ambientais.
  • Capítulo 4: Caracterização Ambiental de Empreendimentos.
  • Capítulo 5: Programação e Gestão de Atividades de Campo.
  • Capítulo 6: Elaboração de Diagnósticos Ambientais.
  • Capítulo 7: Consolidação das Premissas de Estudos Ambientais.
  • Capítulo 8: Elaboração das Matrizes de Impactos Ambientais.
  • Capítulo 9: Formulação de Prognósticos Ambientais.
  • Capítulo 10: Formulação de Cenários Ambientais.
  • Capítulo 11: Modelo para Avaliação Quantificada de Impactos Ambientais.
  • Capítulo 12: Desenvolvimento e Gestão de Plano Corporativo Ambiental.
  • Capítulo 13: Auditoria de Plano Corporativo Ambiental.
  • Capítulo 14: Modelos para Estudos Preliminares de Viabilidade Ambiental; Estudo de Impacto Ambiental; Relatório de Impacto Ambiental; Programação e Gestão de Audiências Públicas; Elaboração e Gestão de Projetos Ambientais; Levantamento e Gestão de Passivos Ambientais.
  • Capítulo 15: Desenvolvimento e Gestão de Plano Executivo de Gestão Ambiental de Obras.
  • Capítulo 16: Modelos para Elaboração e Gestão de Procedimentos Ambientais; Organização e Operação de Comitês de Gestão Ambiental e da Sustentabilidade; Organização e Operação de Ouvidoria Ambiental; Código de Conduta Ambiental; Gestão de Licenças Ambientais; Elaboração de Termos de Referência.
  • Capítulo 17: Aprendizado com a consultoria.
  • Capítulo 18: Estudo Preliminar de Viabilidade Ambiental do Planeta Terra.

O acaso e a amizade

Em 2011, executava um projeto de gestão ambiental de obras civis em 12 capitais brasileiras, quando fiz a primeira impressão dos manuscritos em uma laser comercial. Resolvi dividir a livro em cinco volumes. Assim, ficaria mais fácil mostrar apenas um volume a pessoas que conhecessem editoras.

De fato, já houvera definido uma editora desejada, mas não consegui acesso a ela. Alguns “amigos”, na “ânsia de ajudar“, disseram-me: “─ Fala com a Josefa em meu nome’, ela dirige a editora. Mas acho que não há interesse nesse assunto”. Foi uma ajuda motivadora. Sequer telefonei para a dita senhora, embora, então, trabalhássemos na mesma organização.

Todavia, em novembro de 2012, fui convidado pela Professora Paula Marinho para fazer uma palestra na Universidade Estácio de Sá, no Campus de Del Castilho. O tema era “O Mercado da Engenharia Ambiental”. Cheguei quase no horário marcado: às 19:10 horas. Tinha 45 minutos para dar o recado, pois havia dois palestrantes à espera, ambos professores da universidade: o Professor Padilha[2], então Coordenador Nacional de Engenharia, e o Professor Luis Mauro, Coordenador Local de Engenharia Ambiental.

Durante minha palestra, sempre a provocar aos alunos, notei que o auditório estava a lotar, inclusive com pessoas sentadas nas escadas, espremidas na porta de entrada e no corredor. Falei por cerca de uma hora e fiquei quase outro tanto a responder perguntas. Nenhum professor que aguardava sua vez me interrompeu por ter ultrapassado meus 45 minutos, ao contrário. Ao fim, recebi uma saudável salva de palmas dos universitários e professores presentes. Emocionei-me, é claro.

Entretanto, meu único foco era publicar o livro, que até mesmo já batizara de “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Sem dúvida, a palestra havia sido proveitosa, conhecera bons professores, mas, é daí? Cadê a minha editora?!

Mal sabia eu que o Professor Padilha, com quem conversara acerca da busca por uma edição de qualidade, tinha como velho conhecido o Diretor Editorial de um grupo que reúne 10 editoras de obras técnicas e científicas. E mais, que ambos eram formados e pós-graduados no IME, em Engenharia Militar.

Assim, mais tarde obtive a informação que o Professor Padilha, por mera questão do acaso, insinuara ao Professor Severo que havia no mercado literário um manuscrito órfão, merecedor da análise de alguma editora do Grupo Editorial Nacional – GEN (clique o link para conhecer). E deu certo!

Mergulho na edição

Dessa forma, graças a uma palestra sem pretensão, proferida em novembro de 2012, assinei contrato com a LTC Editora no início de fevereiro de 2013! Ou seja, como dezembro é mês de festas, o GEN solicitou meus manuscritos para análise em janeiro; e, em 6 de fevereiro, contratou a edição da obra. No máximo, gastou dois meses para tomar a decisão.

Arte da 1ª capa de AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

Se desejar adquirir, clique na capa

A vida de autor seria difícil não fosse a qualidade da equipe dedicada à edição de livros. Em meu caso, acrescento: não fosse a educação, a competência e a presteza de todos com que mantenho relações profissionais, desde o início de 2013 até hoje, decerto teria adoecido dos nervos.

De início, afobado e feliz, fiz em casa a revisão completa dos manuscritos e encaminhei-os à LTC. Em seguida, respondi às dúvidas da revisora oficial da LTC. Após essa etapa, coube a uma artista gráfica modelar a capa e o miolo do livro. Gostei muito do resultado: parece um quadro abstrato, mas, nitidamente, orgânico e biótico. Ilumina o espaço e se destacará nas estantes de livrarias e bibliotecas.

Neste momento, estou a finalizar a revisão das 636 páginas da obra, diagramadas no formato final para impressão industrial. Somente a partir de então os capítulos serão integrados numa peça única. Terei poucos dias para rever a obra inteira, de modo a que esteja pronta no dia 27 de julho próximo, seguindo o cronograma de trabalho da LTC Editora.

Lançamentos da obra

O Grupo Editorial Nacional não realiza o lançamento físico da obra. Usa apenas seus sites na internet e conta com uma ampla rede de livreiros. No entanto, auxilia aos autores a realiza-lo. Por isso, minha proposta é fazer diversas palestras sobre os temas tratados no livro e ter um livreiro presente para oferecer os livros. Obviamente, autografarei cada um.

Dessa forma, meu projeto é divulgar nacionalmente o trabalho. Programar com universidades, fundações, associações nacionaisinstitutos para lançar o livro após uma palestra.

Adquira a obra no link abaixo

Kohn de Macedo, R., AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão. GEN – Grupo Editorial Nacional, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos. ISBN 978-85-216-2731-9. Rio de Janeiro, RJ. 636 pg., Julho 2015. 1ª edição.

……….

[1] Professor Beaumord, Doutorado em “Ecology, Evolution and Marine Biology na University of California, Santa Barbara”. É docente pesquisador do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar), Universidade do Vale do Itajaí – Univali, bem como consultor internacional em ecossistemas aquáticos.

[2] Professor Padilha, Mestrado em Engenharia Militar pelo IME – Instituto Militar de Engenharia. É docente na Universidade Estácio de Sá – Unesa.

A derrocada do Ensino Superior


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Ricardo KohnO cenário da educação no Brasil ficou assustador: escolas básicas e fundamentais, bem como universidades públicas de todo o país, foram jogadas às traças por intelectualoides. Decerto, são seres que não foram civilizados na tenra idade – como é essencial a todas as crianças –, de forma a se tornarem mais sociáveis a partir dos cinco primeiros anos de vida.

Todavia, a meu ver este cenário é um processo planejado de destruição ética e moral, cujos pilares vêm a ser erigidos há pelo menos três décadas. No entanto, é somente em 2015 que se torna mais nítido. Aliás, segundo a apologia desonesta “Brasil, Pátria Educadora”, foram subtraídos, de forma abominável, cerca de 7 bilhões de reais do orçamento da pasta da Educação.

É óbvio que se as instituições de ensino em geral já estavam em estado lastimável; se seus professores continuavam a ser muito mal remunerados; se as matérias dos cursos são as mesmas – excessivas, estanques, superficiais e até mesmo desqualificadas –, um corte desta envergadura na educação, proporcionou a derrota final do ensino na dita “Pátria Educadora”.

Causa-me perplexidade, bem como ameaça a qualquer cidadão. Até mesmo àqueles já vacinados contra “analfabetite” (um tipo de degeneração do cérebro, infecciosa e transmissível, bastante comum no atual “Brasil político“).

Contudo, vou me ater apenas ao ensino superior, pois há um excelente artigo assinado por Cláudio de Moura Castro em que ele narra, segundo minha ótica, a asnice cometida contra o aprendizado normal de alunos do ensino médio brasileiro. Em suma, o Prof. Cláudio esgota o assunto em uma página de revista (recém-publicado em edição da revista Veja[1]).

Ensino universitário a desmoronar

A imprensa tem apresentado reportagens e notícias acerca do quadro em que se encontram inúmeras universidades públicas, tanto federais quanto estaduais. Em diversos estados há professores em greve (17), alunos revoltados com a situação, reitorias invadidas, faculdades fechadas, aulas suspensas, além de salas, corredores e banheiros imundos, sem serviços de limpeza.

A Universidade de São Paulo e a Universidade Federal do Rio de Janeiro parecem ser os mais graves problemas da gestão pública neste setor. Universitários e professores tornaram-se vítimas anômicas da mesma incompetência governamental. Dessa forma, é triste, diria mesmo, repugnante, ver o cenário vigente de calamidade educacional, com clara tendência a se agravar.

Confronto na Universidade Federal de Santa Catarina: parada e sem aulas

Confronto na Universidade Federal de Santa Catarina: parada e sem aulas

Ademais, esse quadro também atinge as universidades particulares. O governo federal criou uma série de mecanismos e “siglas paranormais” que servem para financiar estudos superiores nessas instituições: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (FGEDUC). Contudo, para complicar um pouco o estamento burocrático, foi criado o SisFIES, que deve ser o sistema para cadastro no FIES.

Ocorre que em 2015 toda essa parafernália não funcionou. Ficaram de fora do FIES cerca de 178.000 universitários. Simplesmente, não conseguiram se recadastrar pelo SisFIES. Dessa forma, sem o financiamento contratado, os que não puderam pagar do próprio bolso, trancaram matrícula nas faculdades que cursavam.

Um conselho de político velhaco

Afinal, meus jovens, resignem-se: o prejuízo poderia ser maiorSó lhes resta aguardar o dia em que o repasse do governo federal acontecerá. Contudo, agradeçam ajoelhados e de mãos postas. Trata-se da benção dos céus economicamente corrompidos.”

Reflexão universitária

Tenho amigos de longa data que são docentes e pesquisadores em diversas universidades brasileiras e instituições de pesquisa, públicas e particulares. Temos conversado muito sobre o temporal acadêmico que está a se formar sobre a cabeça de certos governantes velhacos.

Cada um de nós tem motivo específico para manter essa conversa. No entanto, sem interferência ideológica ou partidária, fomos unânimes nas seguintes posições:

  • A qualidade do setor da Educação é o principal fundamento para o desenvolvimento de qualquer nação do mundo.
  • O tenebroso balanço auditado da Petrobras 2014, aprovado por seu Conselho de Administração, demonstrou que, pelo menos, houve desvios ilegais de dinheiro público da ordem de R$ 50 bilhões: 6 bilhões pela corrupção oficial e 44 bilhões na “reavaliação de ativos”. De fato, esta “reavaliação” significa “ativos sobre avaliados que desapareceram no ar”, ou seja, por força dos mecanismos engendrados para a corrupção subliminar.
  • Teve-se quase certeza que a corrupção descarada na Petrobras, durante 10 anos, foi maior do que seu último balanço oficial demonstra. Por baixo, estimou-se que foi da ordem de R$ 90 bilhões.
  • Teve-se quase certeza que a cleptocracia entranhada no Estado desviou dinheiro de bancos públicos, de empréstimos internacionais do BNDES, de fundos de pensão, da Receita Federal, das obras do setor de energia elétrica, das obras do PAC, das obras da Copa do Mundo, do corredor de passagem da Ferrovia Norte-Sul, das obras da Transposição do Rio São Francisco e das obras do DNIT, Infraero e outras instituições públicas de infraestrutura. O montante desta extorsão criminosa é impensável.

Mas, por fim, restou-nos a indagação: ─ “Por quais motivos no Brasil a evolução das ciências, das pesquisas, das universidades e do ensino superior está a sofrer a mais catastrófica decadência de sua história?”

……….

[1] O título do artigo é “O pior ensino médio do mundo?” Observo que Cláudio de Moura Castro é Doutor em Educação, pela Cornell University, USA. Caso tenha interesse em ler seu artigo, encontra-se publicado na edição 2424 da Veja, referente a 6 de maio de 2015.

Ambientologia


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

Há algumas décadas é observado o aumento das preocupações do homem com o destino da Terra. Não por força de agentes cósmicos, externos ao planeta; mas pela ação desastrada de atores internos. Mesmo o “homem comum” – aquele que não adquiriu conhecimento sobre a dinâmica do ambiente da Terra –, com ímpetos de solidariedade ao próximo, arrisca palpites e soluções caseiras, que chama de “sustentáveis”.

A dinâmica da Terra resulta de sua estrutura física e de sensibilidades nela identificadas por diversas ciências. Sobre essa dinâmica já foram publicadas toneladas de literatura científica e analítica. Contudo, todas são obras específicas; seus autores tratam o ambiente através dos espaços e segmentos que conhecem. Por exemplo:

  • No espaço físico tratam da climatologia [meteorologia], hidrologia, oceanologia, geomorfologia, geologia [vulcanologia], geotecnia, pedologia, qualidade físico-química da água, etc;
  • No biótico abordam a ecologia, a qualidade biológica da água, vegetação, botânica, fitossociologia, mais as várias classificações da fauna silvestre [mastofauna, avifauna, primatofauna, herpetofauna, ictiofauna, entomofauna, anurofauna, malacofauna, etc];
  • No antropogênico discorrem sobre a demografia, economia, educação, saúde, uso e ocupação do solo, infraestrutura logística, infra de transporte, segurança, arqueologia, cultura, sociologia e antropologia, dentre outros.

Cada profissional dessas áreas oferece uma explicação um tanto limitada para a dinâmica do ambiente. Mas não há dúvida que a ênfase dessa explicação resulta da formação acadêmica que cada autor recebeu, bem como do tempo de experiência que dispendeu em trabalhos específicos.

Adoto um conceito para Ambiente[1] (nota de rodapé) que mostra o que é necessário para entender e prever o comportamento da Terra ou de qualquer de suas áreas e regiões.

Dessa forma, com base em experiências pregressas na execução de trabalhos ambientais, creio ser complexo produzir uma boa visão global da dinâmica aleatória do ambiente. Ou seja, diagnosticar os processos que nele ocorrem, bem como ressaltar seus aspectos essenciais.

Ao longo dos últimos 30 anos, o melhor relatório-produto que pude ler nesta matéria, foi obra de uma rara equipe técnica, composta por 40 consultores. Por sinal, muito bem gerida pelo saudoso e memorável engenheiro, o também oceanógrafo, Fernando Penna Botafogo Gonçalves, a partir de 1986.

Nossa equipe, por definição, teria de ultrapassar sérios obstáculos para obter os resultados esperados pela chefia, tais como:

  • O estudo a ser realizado era para o projeto executivo[2] de uma Usina Hidrelétrica, a ser construída na Amazônia;
  • Nenhum de seus membros havia participado antes da elaboração de qualquer estudo ambiental, inclusive o mestre Botafogo, chefe da Divisão;
  • Apenas três dos 40 profissionais contratados conheciam-se entre si. Os demais eram desconhecidos, estranhos no ninho;
  • A maioria da equipe era recém graduada, sem experiência de trabalho na consultoria. Contudo, quatro dos inexperientes tinham curso de pós-graduação completo.

Em tese, minha função era assessorar a Botafogo: na programação das tarefas da equipe; na gestão dos trabalhos de campo; na análise dos resultados obtidos; e na integração dos relatórios produzidos pelas chefias dos setores físico, biótico e antropogênico.

Digo, em tese, por que isso não ocorreu “conforme combinado”. Posso explicar. Com calma e competência, Fernando arregaçou as mangas e assumiu a liderança direta dos trabalhos. Foi a campo aprender como deveriam ser realizadas as campanhas na mata amazônica e quais seriam as fórmulas para diagnosticar a dinâmica daquele ambiente. Por fim, delegou várias missões a cada membro de sua equipe.

Fazenda Boa Vista, tomada da Pousada

Com essa delegação, realizada à vera, a equipe foi obrigada a compartilhar conhecimentos; todos passaram a se auxiliar mutuamente, ou seja, a trabalhar juntos. Assim, em apenas três meses, os desconhecidos tornaram-se uma família de trabalho.

Entretanto, quando tudo entrava nos eixos, o Engo. Botafogo mudou minhas atribuições no trabalho. Disse-me que, dado meu interesse em elaborar metodologias e modelos, gostaria que eu trabalhasse no desenho de um Modelo para Avaliação e Gestão de Impactos Ambientais, desde que produzisse resultados consistentes.

Após quase dois anos de desenvolvimento, o modelo foi consolidado e ganhou o apelido de ‘MAGIA’. Funciona até hoje, tendo recebido ajustes e vários adendos. Por fim, tornou-se um livro técnico, a ser lançado em 30 de junho deste ano. Falo sobre isso ao final deste artigo.

Mas não criamos a Ambientologia

Trabalhei com Fernando Botafogo na consultoria de projetos, em várias empresas, desde 1972. Junto com nossas famílias, pudemos construir uma sólida amizade. A meu ver, tornou-se o irmão mais velho, dono de criatividade profissional que a todos impressionava.

Por volta de 1990, estava em sua casa de pescador, na lagoa de Araruama, quando iniciamos uma conversa sobre as inúmeras “logias” que os estudos ambientais requerem para serem elaborados, tais como: climatologia, hidrologia, geologia, geomorfologia, pedologia, ecologia, limnologia, fitossociologia, sociologia, arqueologia e assim por diante.

Sem assumir compromissos, nossa ideia era pensar sobre a possibilidade de existir uma ciência que fosse capaz de reunir o conhecimento de todas as Ciências do Ambiente. E foi entre areia, sal e as conchas secas da lagoa, que Botafogo encerrou a conversa:

─ “Ricardo, haveria de ser uma ciência imensa. Raciocine comigo: para uma equipe de 40 pessoas, só no curso da graduação os alunos teriam de estudar durante 160 anos! De toda forma, sugiro que tenha como títuloAmbientologia’. É justo para que essa inteligência tão desejada seja elaborada um dia. Todavia, preste atenção: que eu saiba, ainda não é possível desenvolve-la”.

Pensei nessas palavras durante mais de uma década. Concordei que 40 cursos de graduação demandariam, no mínimo, 160 anos para serem concluídos. Além disso, sem considerar o tempo de vida médio do ser humano (estimado em 79 anos), creio que são raros aqueles dotados de capacidade cognitiva para absorver tanta ciência. E mais raros ainda, se é que existam, os que conseguiriam integra-las em uma única ciência ambiental.

Até onde consegui chegar

De toda forma, segui a trabalhar no desenvolvimento de metodologias para aplicação no setor ambiental. Desejava oferecer a meus clientes novas soluções práticas, de preferência menos custosas e mais rápidas em gerar resultados.

Mas somente em 2012 notei que já houvera elaborado uma boa quantidade de abordagens teóricas e as aplicara com sucesso no mercado consultivo (Brasil, Chile, EUA, Espanha e Itália). Entendi que podia ser boa hora para publicá-las em um livro.

Assim, perguntei a Antônio Carlos Beaumord, um velho amigo dos anos 80 – então com título de “Doctor of Philosophy in Ecology, Evolution and Marine Biology” –, o que deveria fazer para conseguir uma editora que publicasse meu livro. A obra tinha 737 páginas de papel A4, organizadas em 18 capítulos.

A princípio, Beaumord me disse que seria mais fácil verter o livro para o inglês e publica-lo na Califórnia! Lá ele tinha diversos parceiros acadêmicos, que conhecera durante o doutorado. Nos Estados Unidos é normal que um professor se disponha a auxiliar na 1ª edição de bons livros técnicos, disse-me ele.

Porém, após ler os manuscritos, concluiu que tanto a envergadura do trabalho, a profundidade da narrativa, o nível de detalhes no tratamento das metodologias, os estudos de caso reais apresentados, bem como a qualidade pedagógica, dotavam o livro do mérito necessário para ser publicado:

─ “Sem dúvida, trata-se de trabalho que pode se tornar livro texto em cursos superiores sobre a Gestão do Ambiente e da Sustentabilidade. Atende aos preceitos da Academia, seja a brasileira ou a norte-americana”, ponderou o Professor Beaumord.

Edição e publicação do livro

Mas foi através da iniciativa do Professor Padilha, então membro do Centro de Conhecimento em Exatas e Engenharias da UESA, que a possível edição de meu livro teve início em 7 de novembro de 2013. A Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos, a pedido do “Mestre Padilha”, recebeu-me para uma conversa acerca das finalidades de meu manuscrito.

A Diretora Editorial da LTC, Professora Carla Nery, conduziu a reunião. Recordo-me que me foi solicitado responder ao “Formulário para Proposição de Obra“. Conforme acordado, junto com o formulário preenchido, enviei informações complementares: meu currículo profissional, a visão do mercado potencial do livro, a análise de pontos fortes e fracos da obra, das ameaças e oportunidades potenciais previsíveis, as formas de solução, etc.

Em 28 de janeiro de 2014 recebi a grata notícia de ter meu trabalho aprovado para publicação pela Editora LTC. Surpreendeu-me. Sim, por que nunca passara por um processo editorial analítico daquela qualidade, com tantas exigências. Por fim, pelo fato de editar e publicar no Brasil, com elevado padrão de excelência, sem arcar com qualquer custo.

Enviei à editora os originais do livro ao longo do mês de março de 2014. Cumpri com todos os padrões e a sequência editorial por ela estabelecidos: caderno-zero; 18 capítulos; e caderno pós-texto. Desde então mantenho contato com as coordenações que trabalham no processo de produção do livro. A primeira previsão de lançamento da obra ficou para trás, em setembro de 2014. A segunda, não aconteceu como prevista, em março passado. A terceira, que deve finalmente ser cumprida, soube que está garantida para 30 de junho de 2015!

E este será meu próximo livro: “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos. 650 pg. 1ª Edição”.

Após 42 anos de trabalho na consultoria de estudos e projetos, enfim descobri que a Ambientologia, como apelidada por Fernando Botafogo, não é uma ciência ambiental em si, tal as demais. Mas é uma sólida teoria, capaz de gerir a aplicação simultânea de todas as Ciências do Ambiente. Quatro anos de estudo dedicado são mais do que suficientes para seu pleno aprendizado.

……….

[1] Ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (ar, água, solo, flora, fauna e homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como devem ser analisados segundo seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

[2] Quero destacar um fato que considero de expressiva importância. Nos idos dos anos 60, 70, 80 e 90, século passado, projetos executivos eram desenvolvidos por empresas de engenharia consultiva. As empreiteiras se limitavam a construir e não “obravam” sem eles. O Brasil ainda operava como os países mais preparados para o desenvolvimento da “engenharia de precisão”.

─ Contra-atacar!


Cenário do mercado

Tomando por base o ano de 2001, pela falta da memória detalhada sobre os anos anteriores, observa-se que o mercado ambiental (de treinamento, estudos e projetos) vem se acanhando de forma intensiva no Brasil.

Hoje são poucas as empresas que têm bons contratos nestas áreas. Menos ainda, aquelas que recebem em dia as faturas emitidas, pelas quais pagam tributos antecipados. Muitas vezes esperam meses para serem remuneradas por seus clientes. Alguns deles são “gigantes quebrados”.

Em âmbito geral, recorda-se que, nas décadas de 1980 e 1990, quando então o mercado de consultoria de projetos mostrava um bom crescimento, quem nele desejasse atuar com mais destaque, era razoável atualizar sua capacitação através de treinamento adequado, fosse por meio de curso intensivo ou de nível superior.

Mas, como resultado dos últimos seis anos (2008-2014), por diversos motivos, o cenário do mercado que se avizinha não é nada promissor. A tendência é a do aumento do desemprego de profissionais de maior qualidade e mais experiência de trabalho. Obviamente, aqueles mais produtivos, eficientes e que percebem melhor remuneração.

Cenário da Universidade

Universidades, até mesmo de São Paulo, Minas Gerais e do Rio de Janeiro, estão a sofrer expressiva redução no número de alunos em várias de suas faculdades. Isso está ocorrendo, mesmo com a oferta de bolsas integrais e parciais para estimular o fazimento dos cursos de graduação.

Além disso, algumas faculdades estão reduzindo seu portfólio de cursos, por falta da quantidade mínima de novos alunos. É um cenário triste, pela escassez de mão-de-obra capacitada que deve ser prevista para o curto e médio prazo. É como se a indústria da educação houvesse reduzido/parado sua produção de valores técnicos e acadêmicos, posto que não há demanda suficiente do mercado para viabilizá-la.

Observa-se que há um engano nessa estratégia, que é financeira e não educacional. Afinal, aluno bem formado não é produto, mas um decisivo valor agregado a processos produtivos.

Análise dos cenários

Nota: não estão consideradas as áreas básicas da Saúde, Transporte, Infraestrutura, e Segurança, pois a análise não aborda questão de mérito.

Se as previsões acima estiverem próximas da realidade, sem necessidade de serem precisas, tanto para o mercado ambiental, quanto para as universidades, tudo leva a crer que a principal causa da vulnerabilidade dos cenários foram investimentos insuficientes, em especial no período 2008-2014. Governo e, sobretudo, empresários, parecem haver optado por outras alternativas de aplicação de seu capital.

Porém, foram aportes insuficientes não apenas por força do volume de investimentos realizados, que poderiam ter sido até mesmo elevados. Mas função da diversidade de áreas produtivas que deveriam ter recebido mais aporte de capital para Educação Universitária e Gestão do Ambiente. Assim, em consequência, como funções de Estado que são, auxiliariam na evolução do país.

No entanto, os investimentos foram mais concentrados em Energia, Petróleo e Esporte, e se tornaram incapazes de rever e reajustar a Educação Universitária, bem como fortalecer a dinâmica do mercado relacionado à Gestão do Ambiente.

Aliás, esta Gestão está intimamente ligada às práxis decorrentes da Universidade, porquanto, demanda ações com base em teorias utilizadas pelo mercado. Assim, investir na Universidade é sinônimo de ampliar a mão-de-obra capacitada disponível no mercado.

A Universidade é berço do Mercado - Oxford University

A Universidade é berço do Mercado – Oxford University

Pediu-se a opinião de vários docentes e universitários sobre o decréscimo de alunos nas salas da graduação. Além do investimento precário, também atribuíram este processo à “política de cotas” implantada no país. O fato é que jovens cotistas, sem a instrução básica necessária, chegam à Universidade com notas bem baixas, quando comparadas às requeridas para os não-cotistas.

Entretanto, mesmo dispondo de bolsas de estudo, muitos não conseguem acompanhar o nível das aulas e abandonam os cursos. Ao cabo, zeram as vagas que obtiveram, e reduzem o número de graduandos em salas de aula.

Em palestras proferidas sobre práticas da Gestão do Ambiente, teve-se a oportunidade de assistir a esses “quadros esvaziados”, em turmas da engenharia civil, engenharia ambiental, biologia, gestão ambiental e turismo. Fala-se em salas vazias de universidades públicas e privadas – 20, 15, 12 alunos por sala. O problema é grave e parece ser brasileiro e generalizado.

Para tratar os cenários

O tratamento desses quadros de mercado e universitário é complexo. Demanda tempo e investimentos, dada a situação de “terra arrasada” a que se chegou. No entanto, é possível à iniciativa privada realizar medidas de curto prazo para amenizar seus impactos adversos. Essas medidas não tratam do mercado ambiental, apenas o da capacitação educacional, com os seguintes focos:

  • Oferecer treinamento para estudantes selecionados; e
  • Oferecer ações educacionais compensatórias para estudantes em geral.

Estudantes selecionados. Suas turmas recebem treinamento intensivo em campo, ou seja, a teoria e sua prática imediata. Os cursos devem ser certificados por instituições renomadas de educação. Essa medida permitirá que a instituição provedora dos cursos eleve seu preço. A margem financeira decorrente servirá para manter a instituição e oferecer cursos gratuitos a estudantes em geral.

Para obter mais informações sobre esse tipo de curso, sua filosofia encontra-se detalhada no artigo “Não vou trocar de óculos”, publicado em fevereiro deste ano.

Estudantes em geral. Da mesma forma, as turmas recebem treinamento gratuito em campo. Porém, sua intensidade dependerá do interesse e esforço dos participantes. O objetivo é capacitar pessoas para realizar serviços e trabalhos no Ambiente, assim como estimulá-las para cursos mais profundos em conhecimento e práticas.

Não há dúvida que se trata de uma “medida compensatória” que a instituição provedora se obriga a realizar para a população mais carente de apoio. Sempre com a mesma dedicação e empenho a que atende aos estudantes selecionados. Porém, sem trata-los como raça ou sub-raça. São humanos iguais aos demais, apenas precisam de ter suas realidades entendidas e tratadas como realmente são. Joga-los em uma universidade por meio de “cotas”, equivale a induzi-los a serem ovelhas premiadas no covil de lobos.

Quanto ao mercado, nada há o que a sociedade possa fazer diretamente, pois depende de políticas específicas do governo, que ampliem o leque das áreas produtivas e respectivos investimentos. No atual cenário econômico do país, que se encontra sem capital para investir, uma opção acertada seria aumentar as concessões públicas, desde que livres das “regras do Estado”, e realizar muitas parcerias público-privadas em funções-chave do Estado.

Em suma, não é razoável que ninguém permaneça estático, inativo. Afinal, existem oportunidades baseadas na necessidade vital da Educação. Por isso, há que se contra-atacar os prejuízos!

Estudos ambientais: objetivos e essenciais


Passados 38 anos da criação do mercado nacional de estudos ambientais, verificam-se três processos ocorrentes, que são básicos e racionais para a economia do setor:

  • A elaboração de metodologias ambientais, visando a atender às demandas do mercado;
  • Inúmeros cursos de graduação e pós-graduação que são oferecidos por universidades, para fortalecer esse mercado específico; e, por fim,
  • O expressivo contingente de estudantes que deseja realizar esses cursos, visando a atuar nesse mercado.

Na prática, as melhores metodologias compõem a Ciência do Ambiente. A universidade, por sua vez, oferece-a a seus alunos. Por fim, os que são formados com maior dedicação e afinco, a aplicam em empresas do mercado.

Nos países que detém economia mais sólida e que possuem bom nível de civilidade, este é o processo normal da evolução das profissões que requerem uma formação superior. Para visualizar a sequência desse processo, veja o diagrama a seguir.

A filtragem própria da ação do Mercado

Filtragem própria da ação do mercado

Em qualquer sistema econômico é o mercado que promove o desenvolvimento científico e, em consequência, a inovação com oferta de tecnologias. Essa assertiva pode ser considerada arriscada, dado que, em tese, fazer ciência depende apenas de escolas apropriadas, centros de pesquisa e cabeças inovadoras.

Todavia, na visão aqui defendida, professores, alunos, cientistas e pesquisadores são parte do mercado produtor e consumidor de novas abordagens científicas. E no segmento ambiental não é diferente, pois esse mesmo processo ocorreu no Brasil, enquanto houve um bom mercado produtor e consumidor.

Apenas em função de sua tenra idade, boa parte da Ciência do Ambiente disponível foi criada e desenvolvida por estudiosos avulsos do tema, fora dos quadros da Academia. Claro que as universidades também contribuíram para realizar essa tarefa. No entanto, seus cientistas e pesquisadores sempre levaram em conta os conhecimentos acumulados pelos especialistas no assunto.

De toda forma, no curto período 1986-2007, a Universidade formou e cedeu ao mercado várias turmas de profissionais de qualidade ao setor ambiental, tanto para atuarem em organizações públicas, quanto em empresas privadas.

Estudos ambientais versus investimentos

A partir de 2008, em função da crise financeira mundial, embora a Universidade mantenha sua fábrica em plena atividade, o mercado gradativamente foi-se acanhando.

No Brasil, os investimentos públicos e privados foram reduzidos a partir dessa data. A política adotada pelo governo era apenas a de fortalecer o consumo interno:

─ “Comprem geladeira, televisão, máquina de lavar e um carro que nunca tiveram”, dizia o canhestro chefe do executivo que, após liberar o crédito, acreditava que poderia aumentar a demanda num mercado global. Essa medida pontual causou um pequeno impacto na economia, mas somente durante o ano de 2010. E, obviamente, não se sustentou[1].

Por outro lado, a legislação ambiental tornou-se ainda mais restritiva aos investimentos produtivos, por demandar estudos ambientais cada vez mais complexos e onerosos para que fossem implantados novos empreendimentos.

A resultante dessas duas variáveis – a queda do investimento e a crescente interferência legal – fez com que o mercado de estudos ambientais sofresse expressiva redução. Afinal, sem investimentos não há estudos de impacto, implantação de programas ambientais ou auditorias. Vale dizer, estas eram as principais práticas demandadas por esse mercado.

Em suma, é triste ver o cenário em que vive hoje a consultoria ambiental no país: perda de incontáveis postos de trabalho, fechamento de empresas dedicadas ao setor, aquisição de consultoras nacionais por empresas estrangeiras e, ainda que de forma legal, os principais contratos ambientais pertencem ao portfólio de empresas da engenharia civil.

Nada contra as consultoras em engenharia, mas elas só dominaram o mercado ambiental até o início dos anos 1990. Tê-las de novo à frente, em 2014, pode ser um perigoso retrocesso para o setor, assim como seria estranho se escritórios de advocacia passassem a elaborar projetos de engenharia.

Sugestão

Há meios para reverter o cenário de possível estagnação do setor. De outra forma, reorientá-lo com um novo rumo Norte. Embora o mercado seja seu maior estímulo, cabe à Academia transferir sua inteligência. Assim sendo, cabe aos especialistas a produção de textos didáticos e práticos, que orientem universitários para atuarem neste segmento econômico.

Há empresas que precisam participar da Fábrica de Inteligência. São obras da iniciativa privada e que foram organizadas para oferecer treinamento intensivo no uso de metodologias ou modelos atualizados que compõem a Ciência do Ambiente. Essas empresas têm como foco principal os profissionais do setor e aqueles que cursam o último período da graduação.

Tendo como premissa estratégica que investimentos produtivos voltarão a ocorrer no país, acredita-se que os estudos ambientais precisam se tornar mais objetivos e, em consequência, menos onerosos. Cabe ao Estado rever a legislação ambiental vigente, de forma acompanhar a dinâmica do mercado, e permitir que os estudos ambientais sejam aceitos e indispensáveis, sem dores para os bolsos dos investidores.

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[1] O canhestro não tinha ideia que a oferta de produtos manufaturados estava congelada. Acelerar o consumo interno naquelas condições, derrubando a taxa básica de juros, era o mesmo que dinamitar a inflação. Por sinal, a inflação foi represada de maneira arriscada, por força da chamada “contabilidade criativa”, que atrapalhou as finanças das empresas estatais envolvidas.

Eternos amigos do passado: os críticos


Viver o ambiente da crítica bem argumentada é igual a concluir várias Faculdades.

Amigos críticos sim, mas, acima deles, há os críticos “fundamentalistas”. Três críticos foram nossos professores entre 1969 e 1971. Algumas vezes foram considerados ofensivos por quem sofria sua ação. Quando chamavam a atenção de um aluno, para seguir pelo caminho que julgavam mais correto, não sabiam aconselhar com frases adocicadas. Até porque para eles não havia alternativas de rumo na vida. Eram superlativos, absolutos e bastante sintéticos. Sempre nos pareceram matemáticos em suas afirmações: “donde se conclui que o caminho é este”! Tinham certeza do que e como ensinavam.

A Certeza não tem idade

A certeza não tem idade

Por motivos óbvios, não apresentamos seus nomes completos, mas apenas os “apelidos” com que eram tratados: Simon, Fred e Maul. Qualquer dos três, se nos ler, saberá do que estamos a falar.

Simon é o mais antigo. Na época, era chefe de departamento na faculdade que cursávamos. Por isso, de início era o mais fechado dos três. Levamos algum tempo para termos uma aproximação extracurricular. E foi através da literatura sul-americana que, enfim, ficamos mais próximos. Sabedor de que gostávamos de redigir contos, Simon indicou-nos alguns autores que considerava especiais – Julio Cortázar, Gabriel Garcia Márquez e Jorge Luis Borges foram os primeiros. Foi uma loucura (para nós, os rebeldes) descobrir escritores demolidores como Cortázar e Márquez, bem como com a maravilhosa cultura dos mistérios de Borges. Crítica, sátira, ironia, surrealismo e non sense se entrelaçam nas obras dos três. A partir daí descobrimos inúmeros escritores de outros continentes e países.

Fred e Maul eram professores contratados pelo departamento chefiado por Simon. Tinham perfis profissionais bastante semelhantes em termos de competência, domínio científico, destreza na sala de aula, capacidade de transferência de conhecimentos e, acima de tudo, atenção às pessoas em geral.

Fred é uma pessoa tão atenta que é capaz de memorizar que roupa você usava na última vez em que o encontrou, sobre o que conversaram e em que ano e local aconteceu o encontro. A propósito, nosso último encontro foi em Belo Horizonte, MG, na festa de aniversário de um grande amigo, comemorada no sábado 16 de março deste ano.

Contudo, seus perfis pessoais eram relativamente distintos. Sem dúvida, ambos educados. Porém, a educação de Maul somente existia nas “Condições Normais de Temperatura e Pressão”. Tinha “pavio muito curto”, embora nunca tenhamos vivido qualquer situação contra ele. Porém, podemos afirmar com certeza, Maul tinha “pavio muitíssimo curto com moleques e folgados”. Há casos memoráveis ocorridos bem mais tarde em Brasília que, por questões de força maior, não os declinaremos nesse texto. Cremos mesmo que se Fred estivesse junto com Maul, na sauna mista do antigo Clube da Telebrás, em Brasília, dada as ofensas chulas feitas a duas jovens senhoras por dois moleques, não teria desapartado a pancadaria; ao contrário.

Muito embora os três também tenham atuado em consultorias, segundo a nossa visão era na Academia que mais se destacavam, como cientistas, pesquisadores e professores. A saída de Maul do Rio e da área universitária – passou em concurso público para trabalhar em Brasília –, aos olhos dos alunos, contribuiu para fragilizar a unidade do grupo.

Simon e Fred continuam trabalhando no crescimento de cabeças. Maul faleceu na década de 1990, em Belém, PA, numa viagem de trabalho.

Uma curiosidade

Maul é o nome genérico dos grandes martelos usados pelos guerreiros da era medieval: (i) o Martelo de Guerra, quase sempre associado ao uso de longos arcos e flechas; (ii) um tipo de marreta demolidora, com pontas de ferro salientes; ou (iii) uma arma pesada capaz de rachar qualquer objeto, a conjunção de machado e martelo integrados no mesmo cabo. Enfim, diríamos, uma ferramenta da crítica fundamentada.

Gravura de um Maul usado no Medievo

Gravura de um Maul usado no Medievo

Ficamos pensando como agiria o nosso querido Maul nos dias atuais. Decerto tentaria abordoar com Martelo de Guerra a testa dos corruptos predadores da sociedade brasileira.

Simon, Fred e Maul deixaram marcas profundas no caráter de escritores, gestores e executivos de empresas. Por sinal, com partes de suas assinaturas morais e éticas.

7° Congresso Internacional de Bioenergia


Data: de 30 de Outubro a 01 de Novembro de 2012.
Local: Centro de Exposições Imigrantes – São Paulo – SP – Brasil.
Endereço: Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – São Paulo – SP.

Centro de Exposições Imigrantes

O evento promovido pela Universidade Federal de São Carlos, consolidado como o mais importante fórum de discussões sobre energias renováveis do Brasil, projeta agora sua abrangência a países da América Latina. São Paulo foi à capital escolhida para sediá-lo. São aguardados mais de 2.000 congressistas participantes.

O número de trabalhos técnicos também irá aumentar, projetando-se em mais de 800 projetos de pesquisadores, professores, graduandos e analistas do Brasil e do exterior.

Juntamente ao Congresso acontecem vários eventos paralelos, como seminários, rodada de negócios, mostra e exposição, apresentações de trabalhos técnicos orais, premiação. Tudo isso em um único local e com a presença dos mais destacados especialistas em energias renováveis do Brasil e de vários países.

O 7º Congresso tem o propósito de discutir o aproveitamento racional dos resíduos da indústria, da agricultura e lixo urbano, bem como estimular novas tecnologias como fontes de energias alternativas, colocando frente a frente técnicos e especialistas do Brasil e de outros países com interesse nesta tecnologia.

Veja detalhes no website do evento: http://www.bioenergia.net.br/congresso/br/index.php.