Parar, congelar e retomar


Por Equipe deSobre o Ambiente.

Deve-se explicação aos leitores. “Sobre o Ambiente” permaneceu 15 dias parados (de 5/09 a 20/9), resultado da clonagem do cartão de crédito com que foi paga a anuidade do blog. Por óbvio, a empresa proprietária do cartão cancelou várias compras efetuadas pelos estelionatários, dentre elas o pagamento da anuidade do blog.

Viver em um país onde estelionato é tido como crime de pequena monta, “normal em qualquer sociedade”, como dizem, gera sentimentos de frustração, inapetência e ódio. Afinal, “Sobre o Ambiente” foi criado na noite de 28 de abril de 2013 e, desde então, somente viu crescer o interesse de visitantes. Hoje possui 1884 seguidores, com mais de 268 mil acessos.

Assim, há oito dias, fez-se uma reunião de pauta, com vistas a redefinir o Norte do blog. A questão posta sobre a mesa era a seguinte: ─ Deleta-se oSobre o Ambiente” ou retoma-se seu curso.

Na verdade, todos sentiam-se congelados com os efeitos nefastos de estelionatários: queda expressiva na visitação e perda de interesse na postagem de novos artigos[1]. Porém, Simão Macko, o pescador, reavivou a todos com ponderações factuais:

─ “Voto pela continuidade do blog e explico por quê. Sou português, pai de quatro filhos que vivem no Brasil, há muito. Deles tenho netos, bisnetos e um tataraneto, todos brasileiros. Posso afirmar que o país de vocês está parado diante do estelionato praticado, durante 13 anos, por ladrões da pátria. Eles não sabem e muito menos querem governar, apenas precisam roubar para si. O portento da criatura parida por ‘luizinácio’, o larápio, decerto está com os dias contados na presidência. De facto, a opção não é deletar o povo! Ao contrário, por menor que seja nossa contribuição, devemos ajuda-lo a higienizar a república. Portanto, a ser assim, inverto a opção: o quanto antes, é o povo brasileiro que precisa deletar esta canalha”!

Vestimenta nacionalDiante das evidências destacadas por Simão, notórias mundialmente, decidiu-se retomar “Sobre o Ambiente”. Sabe-se que demandará algum tempo para que se volte aos níveis de visitação alcançados ao longo de 2 anos e 9 meses. Porém, contamos com o apoio dos seguidores mais dedicados a estancar a hemorragia moral do governo brasileiro.

Assim, se não for pedir muito, sugere-se que doravante compartilhem nossas postagens nas redes sociais que participam.

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[1] Havia outra variável que prejudicava um pouco a decisão. Ricardo Kohn, na qualidade de coordenador do “Sobre o Ambiente”, está envolvido em palestras acadêmicas sobre seu novo livro. Seu tempo disponível para o blog tornou-se menor. Enfim, ou articula lançamentos em universidades ou dedica-se a redigir artigos.

Verão na Groenlândia


Por Equipe deSobre o Ambiente”.

Com a área de seu terreno no entorno de 1.166.000 km2, a maior ilha do planeta, Groenlândia, abriga o povo Inuit, há cerca de 4500 anos. Acredita-se que na pré-história da Groenlândia (a partir de 2500 a.C.) ocorreram repetidas migrações deste povo, do norte do continente americano para a ilha. Por habitarem o polo Ártico, já estavam adaptados às condições de regiões mais frias.

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

No entanto, dados indicam que, durante o ano 1000, o clima na região sudeste da ilha era relativamente ameno, tal como o de hoje: temperatura no inverno (chuvoso, fevereiro-março) variando entre -5 e -11 oC; e no verão (seco, julho-agosto), entre 11 e 4 oC. Tanto é assim que, naquela época, eram normais no sul da ilha o nascimento de árvores e espécies herbáceas. Desse fato provem seu nome em inglês, Greenland, ou Grönland, em dinamarquês.

Nuuk, a capital da Groenlândia

Nuuk, a capital da Groenlândia

Colonização norueguesa

Por volta do ano 895, a ilha foi invadida por barcos vikings, capitaneados por Erik, o Vermelho. Diz a lenda que se tratava de um criminoso norueguês, deportado para a Islândia por haver cometido um crime de homicídio em seu país. Presume-se que, desde há 1125 anos, a lei norueguesa já fora feita para todos, a ser cumprida fielmente.

Erik Vermelho, decidira colonizar a ilha. Colérico, invadiu e desmatou várias áreas para fazer dois assentamentos: o maior, no lado leste (Eystribyggd), onde se localizava Brattalid, a residência oficial de Vermelho“, protegida por 5000 vikings; o outro, na orla oeste (Vestribyggd), abrigava mais 1000 vikings de reforço.

Colonização dinamarquesa

Ainda sob os efeitos do fim da Idade Média, em 1536, Dinamarca e Noruega oficializaram sua integração nacional. A Groenlândia tornou-se colônia dinamarquesa e a Noruega, um anexo. Somente quase de três séculos após (1814), cada uma seguiu rumo como nação independente, mas a ilha permaneceu sob controle dinamarquês.

Durante o século 19, a Groenlândia foi região de interesse para exploradores e cientistas. De toda sorte, afirmou-se a colonização dinamarquesa e as missões enviadas foram bem-sucedidas. No entanto, a justiça dinamarquesa só se aplicava aos colonos, sobretudo, aos Inuit.

Houve uma imigração de famílias Inuit canadenses, que se estabeleceram ao norte da ilha. Os últimos grupos lá chegaram em 1864. Nesse período, o comércio e as condições econômicas da ilha decaíram, a provocar sensível despovoamento na sua costa leste.

Porém, em 1863, realizaram-se as primeiras eleições democráticas da Groenlândia, com vistas a eleger representantes distritais[1]. Mais tarde, já na primeira metade do século 20, foram criados dois conselhos de governança, um para gerir o norte da ilha e outro, o sul. Contudo, decisões importantes, que afetavam as condições de vida dos groenlandeses, eram tomadas em Copenhague. Permanecia “algo de podre no Reino da Dinamarca”.

A geopolítica da Groenlândia

Pelo menos em duas ocasiões de crise mundial a Groenlândia foi vista pelo mundo externo como uma região estratégica:

  • Durante a Segunda Guerra Mundial, quando Hitler orientou suas operações de guerra na direção da Groenlândia, foi firmado um tratado com os Estados Unidos para a instalação de bases na ilha, em abril de 1941. A Dinamarca não conseguia governar a ilha na 2ª guerra. Assim, a Groenlândia passou a ter status mais independente. Seus suprimentos foram garantidos pelo Canadá e os Estados Unidos.
  • Durante a Guerra Fria, a Groenlândia teve importância estratégica, por permitir o controle de parte dos acessos entre os portos árticos soviéticos e o Oceano Atlântico, bem como por ser área sensível para observação do eventual uso de mísseis balísticos intercontinentais, que deveriam sobrevoar o Ártico.

Groenlândia, nação do Reino da Dinamarca

O status colonial da Groenlândia foi revisto em 1953, quando se converteu em parte integrante do reino dinamarquês, com representação no parlamento dinamarquês. A Dinamarca iniciou também um programa para prover serviços médicos e de educação aos groenlandeses.

De sua parte, o governo local groenlandês se apresenta como uma nação Inuit. Os nomes de lugares em dinamarquês foram substituídos por nomes locais. Godthåb, que foi o centro da ocupação colonial dinamarquesa, agora é a cidade de Nuuk, capital de um governo quase soberano. Em 1985 foi criada a bandeira da Groenlândia. No entanto, o movimento que busca sua soberania ampla ainda não obteve espaço político. Mas tem tudo para acontecer.

As relações internacionais, antes comandadas pela Dinamarca, são em sua maior parte geridas localmente. Depois de separar-se da União Europeia, a Groenlândia firmou tratados especiais com a UE, uniu-se em diversos assuntos com a Islândia, as Ilhas Faroe, assim como com a população Inuit do Canadá e da Rússia.

Também é membro-fundadora da Organização Ambiental do Conselho do Ártico. Está pendente a renegociação do tratado de 1951 entre Dinamarca e Estados Unidos, desta vez com participação do governo local da Groenlândia. Por fim, é esperado que a base aérea de Thule converta-se em estação de rastreamento de satélites, para uso das Nações Unidas.

Por falar em satélites, o Aqua, satélite da NASA que monitora o ciclo da água, a precipitação das chuvas, sua evaporação, a umidade do ar, temperatura da Terra e dos oceanos, bem como o fluxo de energia radioativa, registrou imagens de resolução moderada da Groenlândia, em julho de 2015.

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

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[1] Um rápido destaque: há um século e meio já existem eleições distritais na Groenlândia.

Adaptar-se ao mercado


Por Equipe de Sobre o Ambiente.

Em conversa com velhos amigos, a tratar da conjuntura e tendências do mercado de trabalho, observou-se certa “docilidade perante o cenário drástico” que se descortina. Uns perderam o trabalho, outros demitiram seus funcionários. Há os que pensam seriamente em fechar suas empresas.

No entanto, ainda há alguns que resmungam com certa indolência: ─ “Não posso fazer nada, sempre foi assim neste país”. E não adiante pedir-lhes que ponderem, que meçam as proporções do desastre social, político e econômico atual. Que, enfim, o compare a períodos menos obscuros da nação, ocorridos desde a 60 anos atrás.

Todavia, para garantir o vital otimismo, também se têm verificado relevantes mudanças na atitude de certos executivos da iniciativa privada, face às duas ameaças efetivadas sobre os brasileiros: a incompetência e a corrupção do governo.

Em síntese, gerem seus negócios de forma a se livrarem ao máximo dos terrores do sistema público instalado. Visam a obter a independência de suas empresas e equipes, de maneira a tocarem seus negócios, com metas factíveis e detalhadas, que não dependam do governo. Sem dúvida, isso é possível.

A resiliência empresarial

O conceito de resiliência provém da Física Newtoniana: constitui a capacidade de um corpo físico em recuperar sua forma original após haver sofrido choque e deformação. Outras áreas do conhecimento usaram esse conceito, entretanto, adequando-o aos atributos que lhes são pertinentes. Por exemplo.

Na Ecologia, constitui a capacidade intrínseca do ecossistema em suceder-se, após sofrer rupturas ambientais. Em função da dinâmica evolutiva do ecossistema, ele não retornará à sua forma original, porém, cumprirá com suas funções essenciais para relacionar-se de forma estável com os demais sistemas ecológicos que dele necessitam para evoluir.

De certa forma, a resiliência empresarial adota como fundamento o conceito da Ecologia. Para a Administração, a resiliência precisa constituir a capacidade de adaptação das empresas perante as oscilações do mercado, tanto comprador quanto concorrente.

Por não possuírem dinâmica espontânea para a evolução, tal como os sistemas ecológicos, as empresas demandam de seus executivos e equipes competências específicas: transparência nos negócios, capacidade para gestão da mudança, integração de equipes co-responsáveis, ampla abertura para novos negócios, bem como relacionamento dinâmico e frutífero com fornecedores, compradores e empresas concorrentes.

Há luz no fim do tunel: chama-se resiliência empresarial

Há luz no fim do túnel: chama-se resiliência empresarial

Assim se dá a evolução empresarial, através da resiliência inteligente, criada e mantida por seus executivos e equipes essenciais. É por meio da capacidade permanente de adaptação ao mercado que todas as empresas podem evoluir em nichos inter-relacionados, independentes das agruras do sistema público.

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Consultoria é Educação


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente e Escritor.

Ricardo KohnEmbora desde meados do século 20 não pairassem dúvidas acerca da qualidade da consultoria no país, fatos recém descobertos pela polícia federal ameaçaram a reputação de milhares de consultores, tal como, ‘presidiário a vender consultoria‘.

Dessa forma, este artigo visa a mostrar o que é o verdadeiro Consultor, na exata acepção da palavra, a qual justifica sua expressiva contribuição para as nações desenvolvidas.

Em dicionários encontram-se significados congêneres para “consultor”. Mas, por ser genérico e universal, como ponto de partida optou-se por “pessoa qualificada (…) que trata os assuntos técnicos de sua especialidade” – claro, simples e objetivo.

Todavia, por detrás deste “conceito de consultor”, deve-se aportar certas atitudes básicas para ser um bom profissional, tais como: possuir sólidos princípios éticos e morais; estar sempre disposto a partilhar conhecimentos com terceiros; ser humilde na criatividade de suas descobertas; ser capaz de aprender enquanto auxilia; saber ouvir críticas; gostar de debates com fundamento; conhecer os próprios limites; nunca participar de discussões; e, sobretudo, dominar a lógica necessária para defender posições, sejam próprias ou mesmo de terceiros.

Consultores em trabalho de campo – Arqueologia, Geologia e Arquitetura 

Não quer dizer que todos os consultores possuam essas atitudes desde o nascimento. Elas precisam ser aprendidas pela convivência com os sêniores que as detém, no todo ou em parte. De fato, para desenhar as “atitudes básicas” acima, foi necessário memorizar as ações de uma equipe de cinco consultores sêniores[1]. Todos trabalhavam em projetos de engenharia de saneamento básico e resíduos sólidos. Receberam notoriedade nacional pela qualidade das soluções de engenharia que descobriram e dos projetos que desenvolveram para realizá-las.

No entanto, na história da consultoria não há menção à prática de lobby por parte de consultores. Aliás, para que o lobby tenha algum valor, precisa ser honesto. Caso contrário, os lobistas em ação, ao invés de lograrem êxito nas legítimas pressões para obter o que almejam, podem seguir como réus, rumo à justiça. Assim soe ocorrer nas nações mais desenvolvidas.

Da mesma forma, consultores que não sejam cientistas políticos, não atuem em cooptações[2], sobretudo, aquelas que “envolvam transações monetárias”. Como a prática tem demonstrado largamente, no Brasil a legítima cooptação transformou-se num arranjo da “corrupção público-privada”.

Em suma, lobby e cooptação não são tarefas para consultores de qualquer área. Lobista não faz parte da consultoria. Aliás, no Brasil atual distribui ensinamentos para produzir lotes de ladrões.

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[1] Embora haja muitos outros, dentre grandes consultores, ressalta-se os engenheiros Enaldo Cravo Peixoto, Walter Rodemburg Ribeiro Sanches, Gastão Henrique Sengés, Fernando Penna Botafogo Gonçalves e Jorge Costa Nogueira, todos a atuar nas décadas de 1960 e 70. Sob a senioridade desses profissionais foram educados centenas, senão milhares, de bons consultores.

[2] Em tese, com base nas teorias da Administração Pública e da Ciência Política, o processo de cooptação de um indivíduo, grupo ou empresa é realizado através do convencimento lógico para se atingir a alvos legítimos desejados pela nação. No entanto, esses alvos são legais e não se traduzem em qualquer pagamento ou benefício ao cooptado. Ou seja, há riscos concretos para alcança-los e a cooptação sempre deve somar forças produtivas e honestas.

Como sair da lama


Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Não é necessário ser economista para ver que a péssima gestão da macroeconomia não é uma variável, mas um dado do problema brasileiro. Dentre seus principais efeitos, destaca-se o crescimento contínuo do desemprego, sobretudo, na faixa de renda acima de 20 salários mínimos.

O quadro geral de curto e médio prazo é grave para todos os setores econômicos. No entanto, função da experiência de trabalho, foca-se apenas em dois setores privados: os da consultoria de engenharia e de ambiente. Ambos se encontram a caminho do esfacelamento, com o fim e perda de contratos, a demissão de funcionários, sobretudo de alguns especialistas, além do inevitável fechamento de empresas, detentoras de boa parte do patrimônio da inteligência consultiva.

LamaçalProjetos de engenharia e estudos ambientais bem elaborados constituem a base da construção civil, setor que pode atender a um grande número de trabalhadores que pertencem à faixa de menor renda. Contudo, sem os serviços da consultoria[1], ou param-se obras indispensáveis ou seus prazos são dilatados, a justificar o famoso sobrepreço. E, assim, tem-se mais desemprego, mais gente a tentar sair da lama.

Por outro lado, o governo federal permanece na mesma toada: elevadas despesas de custeio, decerto superiores ao que arrecada para esta finalidade; nível de investimento muito baixo; e total incompetência na atração de investidores privados.

Em suma, o crescimento da inflação, bem além do teto superior da meta, resulta da manutenção de forte demanda pública – pressão de despesas do governo em atividades não-produtivas, sem alvos definidos, e mal explicadas. Por sinal, “lideradas” pela Presidência da República e seu malogrado Comboio de Mamutes: 39 ministérios com eternos resultados insipientes.

Recessão econômica, inflação elevada, taxa básica de juros absurda, desemprego em alta, enfim, o solo do lamaçal econômico, criado pela incompetência soberana, tende a se tornar um implacável pântano nacional. Acredita-se que a questão básica é a seguinte:

─ “Como a sociedade pode desvencilhar-se desta cilada”?

A resposta a esse quadro estrutural se resume em uma única ação: contra-atacar. Através de lideranças nacionais, notórias pela experiência pregressa bem-sucedida, a sociedade encontrará oportunidades potenciais de investimento, meio às ameaças que lhe são impostas.

Com o aumento de profissionais desempregados, o setor da educação brasileira, precário por definição, precisa oferecer “treinamentos úteis”, que aumentem a produtividade em todas as atividades humanas.

Aguardar do governo qualquer iniciativa neste sentido é perda de tempo. O setor público somente promete uma “Pátria Educadora”, falida antes do próprio nascimento. Há que se buscar investidores privados que, com criatividade, reencaminhem a educação às finalidades a que se destina, há séculos.

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[1] Não confundir consultoria com “propinaria travestida”, feita até por presidiário de penitenciária, como no caso de José Dirceu, o petralha.

Qual a sua virose?


Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

De volta à casa, cá estou em minha biblioteca, após passar 12 dias ao mar, preocupado com doenças transmissíveis. É coisa de velho, bem sei eu. Todavia, descanso a ler uma coleção de textos científicos que falam dos vírus: sua origem, forma de manifestação e possíveis tratamentos. Para objetivar essa conversa digo-lhes que, de facto, há três categorias de vírus nocivos no mundo: os biológicos, os cibernéticos e os políticos.

Os biológicos ocorrem no ambiente primitivo, mas podem afetar de forma nefasta o organismo de seres vivos, com destaque para o do ser humano: aids, ebola, meningite, malária, cólera e gripe são exemplos de doenças causadas pela ação desses monstrinhos ignóbeis. Algumas já possuem vacinas, todas são mais ou menos tratáveis, embora ainda haja enfermidades fatais, sobretudo nos países mais pobres.

Já os cibernéticos são programados por “dementes especializados” e destinam-se a acabar com a paciência de todo e qualquer cidadão, diacho! São milhares de malwares e spywares a inocular “graves enfermidades nos computadores”: a torto e a direita, imitam softwares para navegar pela internet e destroem programas e arquivos essenciais. Os mais atrevidos roubam contas bancárias de desatentos. Mas ainda há outras moléstias online virulentas que também realizam.

Virus político nocivo

Vírus político nocivo e corrupto

Entrementes, como pano de fundo das categorias de vírus controláveis, têm-se os corruptos vírus políticos. Estes são realmente hediondos, capazes de infestar a qualquer Estado-nação com intensa malignidade[1]. Ao fim da infestação, costumam ocorrer dois factos: a fuga do país, por parte daqueles que não deixarão vínculos pessoais, e a miséria do povo infectado, incapaz de possuir outra opção, senão submeter-se.

Tratamento

Por não ser médico, informata ou cientista político atuante[2], só conheço uma forma para tratar doenças viróticas: antecipar-se a elas, não permitir que se instalem. Veja como:

Ações proativas para vírus biológico. Vacine-se contra todas as viroses que a medicina já haja controlado. Afaste-se de regiões onde a incidência destas doenças é notória; se necessário, mude da moradia. Não se aproxime de pessoas que estão doentes, em quarentena. No mais, conte com a sorte e com o bom médico de família.

Ações proativas para vírus cibernético. Vacine seu computador com o melhor antivírus[3] do mercado. Caso desconheça qual seja, peça orientação a um bom informata, há milhões deles que as máquinas de busca encontram na internet! Evite abrir e-mails e nunca clique em links que lhe forem enviados. Jamais instale programas sem consultar seu informata. Nunca visite sites desconhecidos cuja matéria seja de risco. Use seu melhor bom-senso, aprendido desde a infância.

Todo ser humano do século 21 precisa ter, como amigos dedicados, um cão e um analista de informática. Deve agir e retribuir, no mínimo, com o mesmo carinho.

Ações proativas para vírus político. É trágico, não existe vacina no mundo que impeça a infecção por esses selvagens. O contágio sempre acontece, ainda que os benignos estejam distantes, a milhares de quilômetros. Afinal, eles já nascem famintos populistas, a roubar e a mentir de forma desbragada! Além disso, reproduzem-se feito ratos, a partir de 2 meses de idade; têm gestação de até 21 dias. Mas saibam de uma coisa: embora sejam fatais para cidadãos, não são infalíveis nas lutas que provocam numa nação e em sua sociedade civil.

A vacina possível é intrínseca a cada cidadão: ter educação e agir com sensatez. Porém, uma vez constatada a presença nociva desses selvagens, torne-se implacável e inflexível em sua extirpação.

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[1] A malignidade é demonstrada com: (i) desvio de dinheiro público; (ii) distribuição de propina; (iii) evasão de divisas; (iv) lavagem monetária em paraísos fiscais; bem como, (v) a súbita e inexplicável riqueza nababesca de quadrilheiros públicos, que antes não tinham, sequer, aonde caírem mortos.
[2] Muito embora, haja cursado Ciência Política na Universidade de Coimbra (1932-1937).
[3] Quincas, neto postiço e meu professor particular de informática, aconselhou-me o antivírus alemão, NOD32. Baixou do site www.eset.com.br e instalou com sucesso em meu laptop.

Ambientologia para a Educação


Cláudia Reis e Ricardo Kohn. Consultores em Gestão.

Observa-se que há entre os cursos do ensino básico brasileiro – Fundamental [1 e 2] e Ensino Médio – um hiato de conteúdo educacional, sobretudo, entre o Fundamental 2 e o ensino Médio.

Verifica-se que os módulos do ensino fundamental relacionados ao tema “Ciências”, embora oportunos, são superficiais e estanques entre si. Não formam o substrato educacional mínimo para capacitar os alunos às demandas do ensino Médio e Superior. Falta-lhes integração com a forma de raciocinar, a incitar ações subsequentes úteis e tangíveis. Informam, mas não motivam os alunos a desejarem mais conhecimento.

Por sinal, cansam-nos com textos dispersos para decorar e, em vários casos, acabam por “aumentar a evasão das escolas”, tal o desinteresse que proporcionam aos alunos.

Infere-se a partir das premissas acima, que é possível preencher o hiato existente e, por exemplo, integrar os cerca de 30 temas da cadeira de “Ciências”, através de um único tema: a Filosofia do Ambiente, doravante chamada “Ambientologia[1]”.

Finalidades do projeto

Essa proposta de projeto possui quatro finalidades concretas e realizáveis, a saber:

  • Ampliar nos alunos do ensino básico o interesse pelo aprendizado diferenciado das práticas ortodoxas, há muito adotadas sem os efeitos satisfatórios.
  • Reduzir a evasão escolar, sobretudo no ensino Fundamental 2.
  • Internalizar na mente dos alunos, a partir da visão do Ambiente, a importância dos trabalhos em equipe, com o aumento da produtividade escolar de cada um.
  • Por fim, além de conferir o título de “Técnico em Ambientologia” aos alunos que concluírem o ensino médio, prepara-los para se superarem no ensino superior, caso desejem realiza-lo.

Foco do projeto

  • Estimular jovens a refletirem sobre as relações ambientais de causa, efeito, ações de pronta resposta, considerando-as no tempo e no espaço. Todas essas relações são vividas diariamente por jovens, embora nem sempre sejam consideradas, o que pode acarretar perdas de oportunidades e riscos em geral.
  • Além disso, ampliar a visão espacial e temporal dos eventos que ocorrem no Ambiente, como decorrência direta de ações humanas. O pacote educacional proposto deve capacitar alunos do ensino fundamental e médio a formar opinião sobre a importância do Ambiente em suas vidas, decerto mais amplo do que as engenharias e obras que o transformam a cada instante, não raro de forma danosa a seus sistemas ecológicos.
  • Por fim, demonstrar aos jovens uma premissa básica da atualidade no mundo ocidental: “o Ambiente finito do planeta, quando estabilizado com consumo adequado de seus bens ambientais (ar, água, solo, flora, fauna e homem), constitui o pilar essencial para a evolução dos seres vivos (flora, fauna e homem), desde que com a manutenção da dinâmica de seu substrato físico (ar, água e solo) ”.

Descrição do projeto

Para situar os leitores mais velhos desta proposta, o curso Fundamental 1 equivale aos antigos Pré-primário e Primário. O Fundamental 2, é similar ao antigo Ginásio. Por último, o curso Médio equivale aos cursos Científico e Clássico, como denominados no passado.

Salienta-se que, nessa etapa da educação de jovens, a Ambientologia será uma cadeira que possui como base pedagógica as respostas do Ambiente ao resultado de ações praticadas pelo Homem, nem sempre inteligentes sob a ótica ambiental.

─ Curso de nível Fundamental [1]

Destinado a jovens de 6 a 10 anos, o projeto propõe-se a desenvolver 5 (cinco) cartilhas ambientais, a narrar histórias do dia-a-dia que os jovens dessa idade tenham interesse em descobrir e conhecer. O teor das cartilhas visa a motivar crianças Vista escolar da Ambientologiapelas descobertas.

Exemplo de temas para as cartilhas: i. Assim são plantadas as hortas comunitárias; ii. Mude o ambiente de seu bairro: plante flores nas praças; iii. Hortas na cobertura e flores na fachada dos prédios; iv. A alegria da Primavera é contagiante; v. Folhas e flores trazem borboletas e beija-flores para dentro das casas; vi. Sem flores não existem as frutas que adoramos; vii. Podemos lhe ajudar nessa tarefa?

Evidente que as cartilhas ambientais precisam de personagens que “conversam” com as crianças. A exemplo, podem ser duas famílias com filhos em aprendizado inicial.

No Fundamental [1] os módulos de aprendizado são três: Alfabetização em Português, Aritmética, Introdução à Ambientologia e, por opção do aluno, Inglês básico.

─ Curso de nível Fundamental [2]

Destinado a jovens de 11 a 14 anos, o projeto propõe-se a elaborar 4 (quatro) livros didáticos, específicos para o Fundamental 2. Os livros devem ter cunho evolucionista, a começar pelo roteiro educacional que apresentam para a Ambientologia, a qual precisa ser dinâmica: a evoluir do livro 1 até o livro 4.

O tema central também é o Ambiente, em todas as suas proporções e narrativas, por exemplo: como fazer e gerir um simples canteiro de plantas, passando por jardins, sítios e fazendas; perceber as ameaças dos processos de desmatamento, das erosões intensas, que resultam em áreas desertificadas; apresentar as características dos ecossistemas primitivos e sua capacidade de evolução aleatória; até chegar ao maior desafio, que seria algo tal como o Ambiente Primitivo: sem poluição do ar, sem contaminação hídrica, com solos férteis, rios e lagos de água pura, um povoado integrado à floresta e sua fauna silvestre.

Através de narrativas muito bem sequenciadas, amplamente documentadas por fotos e desenhos, a Teoria do Ambiente vai sendo gradativamente transferida aos alunos, como essencial à filosofia de suas vidas, sem ter que falar em Teoria ou Ciência.

A linguagem dos livros será simples e coloquial. Sua narrativa fará menções à linha do tempo da existência do sapiens no planeta, ou seja, do paleolítico até os dias atuais: do antigo caçador-coletor ao atual “caçador-extrator”. Trata-se de oferecer para análise dos alunos uma visão histórica e geográfica do Homo sapiens, bem como sua evolução no Ambiente planetário.

No entanto, subentenderá questões ambientais práticas, que estimulem aos alunos perspicazes a encontrar soluções próprias, tanto para o momento em que vivem, quanto para seus futuros de maior prazo.

As coleções de cartilhas e livros serão impressos em papel reciclado. Porém, o projeto também prevê oferecer os livros também em formato digital (e-book).

Para finalizar, o projeto Ambientologia deverá atender à prática moderna da juventude, através de aplicativos para celular, tablets e computadores pessoais. Constituem jogos que demandam a decisão dos alunos diante das questões ambientais formuladas pela coleção de livros – “environmental games”. Jogos inteligentes estimulam o aprendizado.

No Fundamental [2] os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Português e Redação, Matemática, Ambientologia, História, Geografia e Inglês. Por escolha do aluno, ele pode selecionar aulas de Espanhol ou Francês.

─ Curso de nível Médio

Destinado a jovens de 15 a 17 anos, o projeto adotará práticas constantes em “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”, livro já publicado para o ensino de Nível Superior.

Essa obra teria como título “Ambientologia – Metodologias para Gestão”. No entanto, o título foi trocado, pois o autor considerou que seu significado não seria claro, por referir-se a uma “prática pouco conhecida”.

No curso Médio os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Redação e Literatura, Matemática avançada, Física, Química, Ambientologia, Inglês, Espanhol, Francês e, no último ano, Ambientologia avançada.

Benefícios do Projeto Ambientologia

A relevância de qualquer projeto se assenta na capacidade de responder às demandas de seu público-alvo, sejam elas explícitas ou não. Desse atributo derivam os benefícios que o projeto oferece à sociedade, que podem ser de variadas ordens.

No caso do ‘Ambientologia’, tratam-se de benefícios educacionais, dos quais deságuam efeitos positivos de ordem social, econômica e motivacional, pelo menos. Destacam-se cinco deles, a saber:

  • Internalização no raciocínio dos jovens da dinâmica do Ambiente, às vezes imprevisível, bem como de seu trato adequado, através do uso dos meios que estejam disponíveis, sejam os acatados pela ciência ou criados por eles próprios.
  • Demonstração aos alunos que as atividades dos ecossistemas humanos precisam possuir desempenho ambiental, visando a garantir a sustentabilidade dos ecossistemas primitivos, ou seja, manter o Ambiente estabilizado.
  • Ampliação da capacidade da lógica dedutiva na formação do conhecimento, com efeitos expressivos na autoestima dos jovens “alunos descobridores”.
  • Aumento da capacidade de antevisão de problemas de causas variadas, com estímulo à inventiva pessoal dos alunos em solucioná-los, no tempo e no espaço.
  • Introdução da variável ambiental na vida dos jovens, através da visão de seus espaços físico, biótico e antropogênico, como fundamento para a tomada de decisão em todas as suas futuras profissões.

Procura-se um Investidor-parceiro para melhorar a Educação dos jovens brasileiros.

……….

[1] Após 42 anos de consultoria em estudos e projetos, descobriu-se que a Ambientologia não seria propriamente uma ciência. Mas uma base filosófica, que facilita a orientação e coordenação da aplicação simultânea das inúmeras ciências que explicam o Ambiente.

Instinto e Razão


Ricardo Kohn, Gestor.

Há momentos em que é preciso interromper tudo o que se está a fazer e questionar-se:

A trilha que decidi seguir na vida pode me conduzir até aonde?A trilha

Para um jovem da “antiga classe média[1], amistoso e sociável, diversos caminhos perfeitos se abriram à frente. Assim os percebia – desafiadores, perfeitos –, pois sua vida começava a nascer: estudos, trabalhos, amores e muitas amizades.

Achava que detinha a razão, mas, de fato, apenas o instinto comandava suas decisões. Portanto, seguiu por todos os caminhos que pode, sem chegar aonde desejava. Aliás, sequer sabia quais eram os próprios desejos, por isso precisava testar as trilhas que descobria.

Todavia, faltava-lhe experiência, que somente a prática intensa consolida. É a partir desta experiência que começam a sobrevir os primeiros sinais da razão aplicada. E também das reais descobertas da vida, é evidente.

Então, com apenas 13 anos de experiência de trabalho, o jovem aceitou outro desafio. Mudar de estado para trabalhar em planejamento empresarial, numa organização que, em 1981, tinha cerca de 22 mil funcionários, distribuídos pelo país inteiro.

Lá descobriu que possuía “um tiquinho de razão” e bastante instinto. Cumpria muito bem com suas funções, embora em 1982 haja publicado um livro de contos, editado pela própria organização! Isso causou uma refrega com sua chefia, que era “enquadrada e oportunista”.

Porém, no ano de 1986, refletiu que já concluíra uma espécie de doutorado em planejamento. Portanto, de posse desse patrimônio, decidiu retornar a seu estado de origem. Queria voltar ao trabalho na consultoria de projetos de engenharia e ambiente, conforme iniciara há 14 anos, em 1972.

Já morando no Rio de Janeiro, diante de seu novo desafio, começou a escrever sem parar, com mais instinto do que razão. Mas não eram contos o que então sonhava. Eram textos técnicos pioneiros, voltados exclusivamente para sua área de trabalho.

Em 1989, com mais de 1000 páginas de textos teórico-conceituais redigidos, pensou que deveria voltar para a universidade. Mas não somente para estudar, também para dar aulas. Foi assim que, com quase 20 anos de experiência de trabalho, fez uma descoberta: “as trilhas da vida atravessam jardins, onde hora se bifurcam, ora convergem para resultados”. Cabe saber como encontra-las. Para isso precisa-se de muito instinto e razão.

Simplicidade e paz

De fato, os caminhos trilhados no passado não se extinguem, nunca se apagam. Ainda que não tenham deixado vívidos legados de felicidade com o trabalho realizado, retornam aos tempos atuais e participam da consolidação de novas experiências e legados.

Hoje, o jovem tem 67 anos. Possui a experiência que mais de 40 anos de trabalho lhe concederam. Busca com seu instinto uma nova bifurcação de sua trilha inicial; deseja ser capaz de encontrá-la na Universidade.

……….

[1] Trata-se da classe média do século 20, década de 1960: com renda familiar hoje equivalente a R$ 15.000,00 mensais e casa própria, numa sociedade que recebia do Estado bons serviços públicos, sobretudo, de educação e saúde.

A base conceitual e seus conflitos


Por força do relativo distanciamento entre a academia e o mercado, no Brasil há muitos que ainda afirmam: “a teoria é diferente na prática“. Sem entrar no mérito desse “descuido“, acredita-se que as práticas do mercado, por serem mais ágeis, podem se tornar uma “teoria particular”.

No entanto, nas áreas em que as ciências ainda são menos consolidadas, a mídia cria conceitos próprios e os divulga a todo vapor. O setor ambiental, sem dúvida, é premiado com uma boa série de “equívocos conceituais”. Com somente um exemplo, é possível mostrar a sucessão de conflitos que pode ser criada.

─ O que é correto: meio ambiente ou ambiente?

Dicionários da língua portuguesa dão ao verbete “meio” inúmeros significados. Mas existem dois que são específicos e auxiliam na resposta a esta questão, quais sejam:Imagem de divulgação

─ “Meio”, a significar metade, e “meio” com sentido de ambiente. De outra forma, meio é, ao mesmo tempo, sinônimo de metade e de ambiente.

Com base nesses fatos, “meio ambiente” significa “metade do ambiente” ou então “ambiente ambiente”. De um lado seria estranho, de outro uma redundância explícita. Nas culturas reconhecidas como as mais evoluídas do mundo, não existe expressão com “meio” integrado a ambiente. Observe em três idiomas qual é o vocábulo equivalente a “meio ambiente”:

  • Em inglês: Environment.
  • Em francês: Environnement.
  • Em alemão: Umwelt.

Esse argumento já deveria ser suficiente para esclarecer a dúvida, no entanto…

1. Conceito oficial

Segundo reza a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a PNMA, Meio Ambiente é “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

1.1. Análise de conteúdo:

  • Qual o significado de “condições, leis, influências e interações” no contexto ambiental?
  • Quais são as entidades ambientais que promovem as “influências e interações”?
  • Como “condições, leis e influências” podem “permitir, abrigar e reger a vida em todas as suas formas”, senão apenas juridicamente, no papel?
  • As “interações” consideradas serão somente as de ordem física, química e biológica?

Conclui-se que esse conceito é similar a uma “Sopa de Pedra”. Nele cabe de tudo. Porém, afora colocar uma pedra no meio do prato, nada mais esclarece. Trata-se de um mero jogo de palavras, com significado ambíguo, genérico e um tanto confuso.

2. Conceito acadêmico

Ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem.

Essas porções detêm distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são observáveis através do comportamento de seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

2.1. Análise de conteúdo:

  • Biosfera é a camada da Terra integrada à litosfera – que lhe serve de substrato –, onde ocorrem todos os seres vivos do planeta. A atmosfera e a hidrosfera são partes essenciais à biosfera e dela não são desvinculáveis. Assim, biosfera, litosfera, hidrosfera e atmosfera conformam o Ambiente integrado do planeta.
  • Fatores ambientais ou fatores ambientais básicos são os componentes dos ecossistemas da Terra. Estão presentes em qualquer porção que se delimite em sua biosfera. Estes fatores são associados aos espaços ambientais que lhes são afetos, pela ordem: espaço físico [o ar, a água e o solo]; espaço biótico [a flora e a fauna]; e espaço antropogênico [o homem e suas atividades].
  • As relações mantidas entre fatores ambientais são realizadas através de trocas de matéria e energia, que são dinâmicas, interativas e espontâneas. Isto garante a estabilidade e a evolução dos sistemas ecológicos que conformam. Denominam-se relações ambientais.
  • Importante destacar o que deveria ser evidente: as relações ambientais, que se realizam há milênios, são energizadas pela luz solar, e possuem natureza física, química, biológica, social, econômica e cultural.

Por existirem o ar, a água, o solo, a flora e a fauna no mesmo cadinho da evolução da vida, a raça humana é, se tanto, a 6ª parte do ambiente do planeta. Mas nem todos têm sã consciência desse fato.

3. Conclusão

Em qualquer área do conhecimento é necessário estabelecer seus conceitos essenciais. Eles conformarão uma base sólida para a construção do conhecimento, a qual será a fundação de seus processos, metodologias e práticas, até ser beneficiada por acadêmicos visionários. A ser assim, a robustez de conceitos, sem ambiguidades, é fundamental ao aprendizado e à evolução das ciências.

A propósito, não se pode esquecer: o Ambiente não opera conforme determinam os diplomas legais e os juristas responsáveis por sua fabricação. Por sinal, fabricantes que não têm o devido respeito às ciências que o explicam. A Lei da Gravidade, com absoluta certeza, não será abolida por meio de Decreto-Lei.

4. Aos interessados, seguem as palestras

Está-se elaborando apresentações para a realização de palestras sobre o tema “Ambiente e Sustentabilidade”. Se a entidade promotora da palestra disponibilizar a logística necessária ao palestrante, serão conversas gratuitas, com duração de até 45 minutos, e tempo livre para debate. Seguem alguns dos títulos a serem inicialmente oferecidos:

  • Sustentabilidade versus Desempenho Ambiental.
  • Ambiente: a base conceitual e seus conflitos.
  • Identificação da Transformação do Ambiente.
  • Elaboração de Matrizes de Impactos Ambientais.
  • Programação e gestão de Atividades de Campo.
  • Formulação de Cenários Ambientais, atual e futuros.
  • Introdução à Avaliação de Impactos Ambientais.
  • Fundamentos para elaboração de Plano Corporativo Ambiental.
  • Fundamentos para Auditoria de Plano Corporativo Ambiental.
  • Introdução ao levantamento e gestão de Passivos Ambientais.
  • Produção e gestão de Procedimentos [Segurança, Ambiente e Saúde].

Após finalizado o ciclo de lançamento desta obra, que detalha esses e muitos outros temas, serão divulgados seminários e cursos intensivos. Espera-se o interesse dos atuais e futuros Gestores do Ambiente.

Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Sete bilhões de sonhos e um planeta: consuma com cuidado


Por Ricardo Kohn, Escritor.

Há cerca de 12.000 anos, final da Idade da Pedra, os homens reuniam-se em grupos, a vocalizar entre si para tentar o cerco do alimento: outros animais vivos. Traziam às mãos artefatos que produziam para a caça e a luta. Abatiam os animais necessários à alimentação e guerreavam contra os grupos que julgavam ser inimigos, pois teimavam em invadir sua área de caça. Todos eram nômades, formados por “caçadores-coletores”.

A síntese acima contém elementos capazes de mostrar que, além de ser membro da fauna pensante, apesar da comunicação precária, o homo sapiens já possuía certa habilidade de “planejar ações imediatas” para grupos de hominídeos similares a ele.

Dessa forma, acredita-se que o processo de estruturar e executar ações quase organizadas, é nativo dos humanos, intrínseco à sua origem como espécie evoluída de primatas no planeta. A inteligência sempre esteve presente em sua árvore genética.

A ser assim, pode-se inferir que o homem pré-histórico já pensava de que maneira poderia sobreviver no ambiente do planeta. Era como se construísse em seu cérebro um “plano ambiental” de curto prazo, com base em habilidades intuitivas. Tudo leva a crer que, por agir dessa forma, conseguiu manter-se como “espécie faunística não ameaçada” até os dias atuais, na figura do “homem de terno e gravata”: o homo sapiens moderno.

Para este artigo, a questão que se impõe é a seguinte:

Por quais motivos as ações realizadas pelo homem pré-histórico eram similares às de umgestor do ambiente”?

A resposta empírica a esta pergunta considera que o Homem, em qualquer tempo de sua história, somente permanece a existir, a partir das relações que mantem com o ambiente. Por isso, sempre elaborou e executou ações para recolher e transformar “bens ambientais finitos”.

Entretanto, esse processo de transformação intensificou-se com o tempo, função da crescente população humana e do anseio consumista. Cada vez menos, o ambiente do planeta foi tido como essencial à vida humana. Embora o homem seja parte do ambiente e precise dele para sobreviver, já é antiga a visão de que necessita ocupar mais espaço na Terra e mercantilizar seus bens ambientais primitivos: tornou-se um “caçador-extrator”. Hoje chama de “recursos naturais”, bens que são gratuitos e próprios do ambiente. Diz que são “recursos com valor monetário”.

Onde vivem os que consomem o planeta

Onde vivem os que consomem o planeta

As lições da estratégia de guerra formuladas por Sun Tzu, constante de seus escritos em “A Arte da Guerra”, datadas de 2500 anos atrás, têm abordagem ambiental. Os planos militares que as sucederam, ainda hoje, dão ênfase ao que o General Sun Tzu chamava “conhecimento do terreno”, ou seja, do ambiente.

Seguiram-se os planos empresariais, com vistas a remunerar a empresa pelos produtos e/ou serviços que oferece ao mercado – o que equivale às ações de alimentação do homem pré-histórico –, bem como “guerrear no mercado com suas concorrentes”. Todavia, sem armas, somente por meio da inovação e produtividade.

Da mesma forma, muito embora sem guerras, com vistas a manter estáveis os sistemas ecológicos que compõem o ambiente, o homo sapiens moderno criou Planos para a Gestão do Ambiente. Uma de suas finalidades é otimizar o desempenho de empresas produtivas, sobretudo, nas relações que realizam com os espaços físico, biótico e antrópico do ambiente.

Afinal, enquanto as empresas produziram, baseadas em planos particulares, não pensaram na estabilidade dos ecossistemas, de onde se apropriaram de bens a eles vitais. Com visão egocêntrica, consomem o ambiente de forma adversa, não raro conduzindo-o a níveis de total degradação de seus bens ambientais.

Cabe ao Homem moderno saber até onde pode consumir o Ambiente Finito do Planeta. Até por que, o valor dos atuais sete bilhões de sonhos é prisioneiro absoluto dessa finitude.

Ambientologia


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Há algumas décadas é observado o aumento das preocupações do homem com o destino da Terra. Não por força de agentes cósmicos, externos ao planeta; mas pela ação desastrada de atores internos. Mesmo o “homem comum” – aquele que não adquiriu conhecimento sobre a Dinâmica do Ambiente da Terra –, com ímpetos de solidariedade ao próximo, arrisca palpites e soluções caseiras, que chama de “sustentáveis”.

A dinâmica da Terra resulta de sua estrutura física e de sensibilidades nela identificadas por diversas ciências. Sobre essa dinâmica já foram publicadas toneladas de literatura científica e analítica. Contudo, todas são obras específicas; seus autores tratam o ambiente através dos espaços e segmentos que conhecem. Por exemplo:

  • No espaço físico tratam da climatologia [meteorologia], hidrologia, oceanologia, geomorfologia, geologia [vulcanologia], geotecnia, pedologia, qualidade físico-química da água, etc;
  • No biótico abordam a ecologia, a qualidade biológica da água, vegetação, botânica, fitossociologia, mais as várias classificações da fauna silvestre [mastofauna, avifauna, primatofauna, herpetofauna, ictiofauna, entomofauna, anurofauna, malacofauna, etc];
  • No antropogênico discorrem sobre a demografia, economia, educação, saúde, uso e ocupação do solo, infraestrutura logística, infra de transporte, segurança, arqueologia, cultura, sociologia e antropologia, dentre outros.

Cada profissional dessas áreas oferece uma explicação um tanto limitada para a dinâmica do ambiente. Mas não há dúvida que a ênfase dessa explicação resulta da formação acadêmica que cada autor recebeu, bem como do tempo de experiência que dispendeu em trabalhos específicos.

Adoto um conceito para Ambiente[1] (nota de rodapé) que mostra o que é necessário para entender e prever o comportamento da Terra ou de qualquer de suas áreas e regiões.

Dessa forma, com base em experiências pregressas na execução de trabalhos ambientais, creio ser complexo produzir uma boa visão global da dinâmica aleatória do ambiente. Ou seja, diagnosticar os processos que nele ocorrem, bem como ressaltar seus aspectos essenciais.

Ao longo dos últimos 30 anos, o melhor relatório-produto que pude ler nesta matéria, foi obra de uma rara equipe técnica, composta por 40 consultores. Por sinal, muito bem gerida pelo saudoso e memorável engenheiro, o também oceanógrafo, Fernando Penna Botafogo Gonçalves, a partir de 1986.

Nossa equipe, por definição, teria de ultrapassar sérios obstáculos para obter os resultados esperados pela chefia, tais como:

  • O estudo a ser realizado era para o projeto executivo[2] de uma Usina Hidrelétrica, a ser construída na Amazônia;
  • Nenhum de seus membros havia participado antes da elaboração de qualquer estudo ambiental, inclusive o mestre Botafogo, chefe da Divisão;
  • Apenas três dos 40 profissionais contratados conheciam-se entre si. Os demais eram desconhecidos, estranhos no ninho;
  • A maioria da equipe era recém graduada, sem experiência de trabalho na consultoria. Contudo, quatro dos inexperientes tinham curso de pós-graduação completo.

Em tese, minha função era assessorar a Botafogo: na programação das tarefas da equipe; na gestão dos trabalhos de campo; na análise dos resultados obtidos; e na integração dos relatórios produzidos pelas chefias dos setores físico, biótico e antropogênico.

Digo, em tese, por que isso não ocorreu “conforme combinado”. Posso explicar. Com calma e competência, Fernando arregaçou as mangas e assumiu a liderança direta dos trabalhos. Foi a campo aprender como deveriam ser realizadas as campanhas na mata amazônica e quais seriam as fórmulas para diagnosticar a dinâmica daquele ambiente. Por fim, delegou várias missões a cada membro de sua equipe.

Fazenda Boa Vista, tomada da Pousada

Com essa delegação, realizada à vera, a equipe foi obrigada a compartilhar conhecimentos; todos passaram a se auxiliar mutuamente, ou seja, a trabalhar juntos. Assim, em apenas três meses, os desconhecidos tornaram-se uma família de trabalho.

Entretanto, quando tudo entrava nos eixos, o Engo. Botafogo mudou minhas atribuições no trabalho. Disse-me que, dado meu interesse em elaborar metodologias e modelos, gostaria que eu trabalhasse no desenho de um Modelo para Avaliação e Gestão de Impactos Ambientais, desde que produzisse resultados consistentes.

Após quase dois anos de desenvolvimento, o modelo foi consolidado e ganhou o apelido de ‘MAGIA’. Funciona até hoje, tendo recebido ajustes e vários adendos. Por fim, tornou-se um livro técnico, a ser lançado em 30 de junho deste ano. Falo sobre isso ao final deste artigo.

Mas não criamos a Ambientologia

Trabalhei com Fernando Botafogo na consultoria de projetos, em várias empresas, desde 1972. Junto com nossas famílias, pudemos construir uma sólida amizade. A meu ver, tornou-se o irmão mais velho, dono de criatividade profissional que a todos impressionava.

Por volta de 1990, estava em sua casa de pescador, na lagoa de Araruama, quando iniciamos uma conversa sobre as inúmeras “logias” que os estudos ambientais requerem para serem elaborados, tais como: climatologia, hidrologia, geologia, geomorfologia, pedologia, ecologia, limnologia, fitossociologia, sociologia, arqueologia e assim por diante.

Sem assumir compromissos, nossa ideia era pensar sobre a possibilidade de existir uma ciência que fosse capaz de reunir o conhecimento de todas as Ciências do Ambiente. E foi entre areia, sal e as conchas secas da lagoa, que Botafogo encerrou a conversa:

─ “Ricardo, haveria de ser uma ciência imensa. Raciocine comigo: para uma equipe de 40 pessoas, só no curso da graduação os alunos teriam de estudar durante 160 anos! De toda forma, sugiro que tenha como títuloAmbientologia’. É justo para que essa inteligência tão desejada seja elaborada um dia. Todavia, preste atenção: que eu saiba, ainda não é possível desenvolve-la”.

Pensei nessas palavras durante mais de uma década. Concordei que 40 cursos de graduação demandariam, no mínimo, 160 anos para serem concluídos. Além disso, sem considerar o tempo de vida médio do ser humano (estimado em 79 anos), creio que são raros aqueles dotados de capacidade cognitiva para absorver tanta ciência. E mais raros ainda, se é que existam, os que conseguiriam integra-las em uma única ciência ambiental.

Até onde consegui chegar

De toda forma, segui a trabalhar no desenvolvimento de metodologias para aplicação no setor ambiental. Desejava oferecer a meus clientes novas soluções práticas, de preferência menos custosas e mais rápidas em gerar resultados.

Mas somente em 2012 notei que já houvera elaborado uma boa quantidade de abordagens teóricas e as aplicara com sucesso no mercado consultivo (Brasil, Chile, EUA, Espanha e Itália). Entendi que podia ser boa hora para publicá-las em um livro.

Assim, perguntei a Antônio Carlos Beaumord, um velho amigo dos anos 80 – então com título de “Doctor of Philosophy in Ecology, Evolution and Marine Biology” –, o que deveria fazer para conseguir uma editora que publicasse meu livro. A obra tinha 737 páginas de papel A4, organizadas em 18 capítulos.

A princípio, Beaumord me disse que seria mais fácil verter o livro para o inglês e publica-lo na Califórnia! Lá ele tinha diversos parceiros acadêmicos, que conhecera durante o doutorado. Nos Estados Unidos é normal que um professor se disponha a auxiliar na 1ª edição de bons livros técnicos, disse-me ele.

Porém, após ler os manuscritos, concluiu que tanto a envergadura do trabalho, a profundidade da narrativa, o nível de detalhes no tratamento das metodologias, os estudos de caso reais apresentados, bem como a qualidade pedagógica, dotavam o livro do mérito necessário para ser publicado:

─ “Sem dúvida, trata-se de trabalho que pode se tornar livro texto em cursos superiores sobre a Gestão do Ambiente e da Sustentabilidade. Atende aos preceitos da Academia, seja a brasileira ou a norte-americana”, ponderou o Professor Beaumord.

Edição e publicação do livro

Mas foi através da iniciativa do Professor Padilha, então membro do Centro de Conhecimento em Exatas e Engenharias da UESA, que a possível edição de meu livro teve início em 7 de novembro de 2013. A Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos, a pedido do “Mestre Padilha”, recebeu-me para uma conversa acerca das finalidades de meu manuscrito.

A Diretora Editorial da LTC, Professora Carla Nery, conduziu a reunião. Recordo-me que me foi solicitado responder ao “Formulário para Proposição de Obra“. Conforme acordado, junto com o formulário preenchido, enviei informações complementares: meu currículo profissional, a visão do mercado potencial do livro, a análise de pontos fortes e fracos da obra, das ameaças e oportunidades potenciais previsíveis, as formas de solução, etc.

Em 28 de janeiro de 2014 recebi a grata notícia de ter meu trabalho aprovado para publicação pela Editora LTC. Surpreendeu-me. Sim, por que nunca passara por um processo editorial analítico daquela qualidade, com tantas exigências. Por fim, pelo fato de editar e publicar no Brasil, com elevado padrão de excelência, sem arcar com qualquer custo.

Enviei à editora os originais do livro ao longo do mês de março de 2014. Cumpri com todos os padrões e a sequência editorial por ela estabelecidos: caderno-zero; 18 capítulos; e caderno pós-texto. Desde então mantenho contato com as coordenações que trabalham no processo de produção do livro. A primeira previsão de lançamento da obra ficou para trás, em setembro de 2014. A segunda, não aconteceu como prevista, em março passado. A terceira, que deve finalmente ser cumprida, soube que está garantida para 30 de junho de 2015!

E este será meu próximo livro: “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos. 650 pg. 1ª Edição”.

Após 42 anos de trabalho na consultoria de estudos e projetos, enfim descobri que a Ambientologia, como apelidada por Fernando Botafogo, não é uma ciência ambiental em si, tal as demais. Mas é uma sólida teoria, capaz de gerir a aplicação simultânea de todas as Ciências do Ambiente. Quatro anos de estudo dedicado são mais do que suficientes para seu pleno aprendizado.

……….

[1] Ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (ar, água, solo, flora, fauna e homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como devem ser analisados segundo seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

[2] Quero destacar um fato que considero de expressiva importância. Nos idos dos anos 60, 70, 80 e 90, século passado, projetos executivos eram desenvolvidos por empresas de engenharia consultiva. As empreiteiras se limitavam a construir e não “obravam” sem eles. O Brasil ainda operava como os países mais preparados para o desenvolvimento da “engenharia de precisão”.

Violenta erupção nos Três Poderes


Zik Sênior, o eremita.

O desejo científico de geólogos e vulcanistas é descobrir como prever erupções vulcânicas com antecedência. Afinal, existem muitos povoados e até mesmo cidades que ficam no sopé desses montes “vomitadores de lava”. Salvar pessoas é o principal objeto dessas previsões.

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Terremotos são ainda mais inescrutáveis para os cientistas da sísmica. É fácil afirmar que algum dia vão ocorrer em certas regiões da Terra, como no “Círculo de Fogo do Pacífico”. Mas ainda não há como determinar a data do evento, sua intensidade e muito menos onde será seu epicentro, bem com a que profundidade acontecerá. Só é sabido que os que ocorrem em menores profundidades causam maiores transformações no Ambiente a que transformam. São as forças da natureza primordial a se manifestarem.

Todavia, há um “boato científico” no ar. Diz que certas espécies da fauna silvestre se evadem de áreas sensíveis, dias antes de terremotos e erupções vulcânicas ocorrerem. Acho ser boato porque nenhuma experiência realizada foi capaz de confirmar essa estória. Porém, assisti a uma “cerimônia” assaz curiosa: o serviço de xamãs andinos e seus pássaros-videntes, aprisionados em gaiolas. De posse desse “equipamento técnico”, os xamãs diziam ser capazes de prever eventos geológicos, aéreos e marinhos, com ocorrência aleatória no Ambiente da Terra, desde sua formação.

Assim, após uma sessão de cânticos rituais, cada vez que os pássaros sangravam contra as grades da gaiola, os “profetas espirituais” datavam e localizavam terremotos, maremotos, vulcanismos, tufões e tsunamis futuros. A verdade é que nenhum deles aconteceu, pelo menos conforme fora profetizado.

Mas é dessa maneira que os atuais xamãs políticos ganham a vida: através de “serviços” fornecidos por quadrilhas de profetas, a enganar o povo com seus “cânticos de palanque”. Mas há um detalhe que deduzi em minhas investigações. Eventos ambientais, que antes tinham origem estritamente geológica – erupções vulcânicas e terremotos –, ganharam também origem cidadã. Hoje podem ser marcados, datados e localizados com quase 100% de certeza. Por isso, dadas as severas fraturas morais promovidas pelo governo central, está marcada para outubro de 2018 uma grande erupção político-vulcânica que afetará a todas as “estruturas” do país. Seu horário de início está marcado para as 8:00 horas da manhã. Após esta erupção, acontecerá uma sequência de violentos terremotos, com epicentro em todas as capitais estaduais.

Por fim, ocorrerá o Terremoto Brasil, que irá sacudir de forma devastadora o planalto central do país. Porém, os cidadãos brasileiros conduzirão seu epicentro para cinco metros abaixo da Praça dos Três Poderes. Dessa forma, como é esperado, seus efeitos locais serão, por ventura, devastadores.

‘Maravilha’


Por João de Moura Macedo, de Nazareth da Mata, PE.

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Este breve relato é sobre uma nação muito pouco conhecida, mas que, em minha visão, é o “País da Maravilha“. Faço um resumo de tudo o que li acerca dessa inacreditável nação. Devo dizer que procurei selecionar seus aspectos de maior interesse.

Assim, tento mostrar a imensidão de seu território e a qualidade de seu ambiente; o terreno exclusivo que possui para acolher vegetação e fauna silvestre; e, bem assim, as linhas básicas de convivência de seus cidadãos, os dignos maravilhenses.

Nesse relato optei por seguir a sequência aceita como a história da formação do Ambiente da Terra, assim sintetizada:

  • Primeiro, aconteceram choques entre gigantescos blocos de rocha no espaço sideral, o que veio a dar origem a seu furioso Espaço físico: extremos tremores das rochas que se acomodavam, com fortes emissões de gases e lava, até tornar-se um colosso geológico;
  • Em seguida, após 2,5 bilhões de anos, encerrou-se o resfriamento da crosta colossal, bem como a formação de sua atmosfera. Assim emergiu a vida, o Espaço biótico, que teve origem em pequenas algas marinhas: as cianofíceas;
  • Por fim, estimados a partir da sua origem física, 5,5 bilhões de anos depois, emergiu a bravata do Espaço antropogênico, onde os humanos são os desastrados construtores.

Contudo, embora esta sequência também haja ocorrido na Maravilha, nela não aconteceram as deformações provocadas pelo homem. Seu ambiente ainda é o primitivo e, em grande parte, intocado.

Por isso, acredito que esse documento possa servir de parâmetro para avaliar a humanidade e a educação em mais de 160 países. Devo dizer, países ainda “repetentes no curso primário” promovido pelas Nações Unidas, desde 1945. Tenham a santa paciência, vão catar coquinhos, 70 anos de repetência é motivo para jubilação!

Espaço físico

A sorte geográfica desta nação foi absurda e, de certo modo, ingrata com a maioria dos países do globo. Imagine: seu território se estende por uma área de 8,5 milhões de km2! De norte a sul, o litoral maravilhense possui 9.200 km de extensão, com belezas cênicas inigualáveis.

Nele existem pequenas montanhas, falésias, planícies costeiras, milhares de enseadas, um estuário de mar aberto, dezenas de arquipélagos, centenas de manguezais e até regiões com o litoral rendilhado pelo artesanato da natureza.

O clima da Maravilha apresenta magníficas variações, do equatorial ao frio, com classes intermediárias bem definidas: tropical, subtropical, semiárido e temperado. Isso mesmo, condições de tempo que vão do clima tórrido até geadas e neve.

Na Maravilha não existem vulcões ativos. Todos são morrotes extintos há milênios. Em seu território e na sua costa marítima nunca ocorreram ventos fortes como tufões, ciclones ou furacões. Por outro lado, a Maravilha detém as maiores reservas mundiais de nióbio, vanádio e outros metais estratégicos, afora manchas das chamadas terras raras.

Afirmam pesquisadores do espaço físico que a Maravilha detém 12% da água doce do planeta. Pois, a caminhar terra adentro, é surpreendente o grandioso volume de água com que se depara. São rios, lagos, cachoeiras, riachos, corredeiras e lagunas marginais, todos a transbordar água mineral nativa, pura e potável. É incrível!

Por sua vez, seus solos são profundos em pelo menos ¾ de seu território. Além disso, possuem variados nutrientes, que não cabem ser enumerados aqui. Mas sua composição em nitrogênio, potássio e cálcio é de tal ordem estabilizada, que os torna aptos para a produção espontânea de vegetais e frutos comestíveis.

Essa é a síntese do que a Maravilha oferece como substrato físico à evolução de todas as espécies vivas nela ocorrentes.

Espaço biótico

Grandes manchas vegetacionais ocupam 85% do território maravilhense. Dado seu relevo “de suave a ondulado”, suas notórias vocações climáticas, mais o volume de água que se espraia por seu terreno e a notável qualidade de solos, as coberturas da flora possuem elevada biodiversidade, a apresentar biomas com grande extensão e complexas relações entre suas espécies – fitossociológicas.

Já a fauna ocorrente na Maravilha é soberba, tanto em sua abundância, quanto na extrema diversidade. Seus espécimes tentam encontrar na variedade de florestas, matas, savanas e campos existentes seus habitats ideais, feitos pelo acaso e sob medida.

No entanto, embora as regiões que são cobertas pela vegetação sejam de grande extensão, não é fácil para os incontáveis espécimes da fauna silvestre (mastofauna, avifauna, ictiofauna, primatas, herpetofauna, entomofauna, aracnofauna, malacofauna e anurofauna, dentre outras classes) permanecerem no mesmo “espaço domiciliar”, pois ocorrem os conflitos normais, por vezes, letais.

Mas, ao fim e ao cabo, é a seleção espontânea imposta pelo ambiente que desafia quais espécimes possuem habilidades para se adaptar, sobreviver e procriar.

Vale dizer, o povo maravilhense tem plena consciência da importância desse patrimônio ecológico e o mantém praticamente intacto, há séculos, sem necessidade de leis, polícias e ameaças. Procedem assim por que é um costume incorporado em cada cidadão, após 500 anos de democracia liberal.

Espaço antropogênico

A propósito, depois de criada a democracia ateniense, por volta de 2.700 anos atrás, com base nas propostas de dois pensadores gregos, Sólon e Clístenes, a Maravilha foi a primeira nação do mundo a constituir-se Estado Liberal Democrático, em 1515.

Desde então, nunca foi colônia de outro país, nem pensou em colonizar terras além mar. Sua única constituição federal está impressa em apenas uma folha de papel e até hoje não sofreu qualquer emenda. Por isso, os cidadãos maravilhenses recitam-na de cor, como o poema que mais lhes aprazem.

Na Maravilha não existem leis ou decretos públicos. Ela é regida conforme os costumes de seu povo que, desde sua origem, elegeu uma assembleia nacional para coordena-lo, sem a participação do que chamam grupelhos políticos. Essa instituição não possui um “mandato” e seus membros não recebem qualquer remuneração, apenas uma justa e pequena ajuda de custo.

Contudo, precisam ser substituídos por força da democracia liberal. Por exemplo, há saídas para resguardar intacta a missão assumida por alguém, que não a concluiu dentro do prazo. Há saídas espontâneas, pois qualquer membro sente-se eticamente motivado a substituir a si próprio, quando encontra um cidadão mais útil do que ele, que atenda melhor à sociedade maravilhense. E, por óbvio, acontecem as substituições por falecimento.

Desde seu nascimento como Estado, a constituição maravilhense (1515), redigida em praça pública, estabelece por consenso que serviços de educação e saúde são os pilares básicos de sua governança e evolução. E assim o é, até hoje.

Dessa maneira, não existe um único analfabeto perdido em seu território nacional. Todos os maravilhenses completaram, no mínimo, o ensino médio. E o que é mais notável: 95% deles possui pelo menos um título superior em Gestão do Ambiente, Medicina, Engenharia e Matemática Aplicada. Somente a graduação nessas áreas requer 8 anos de cursos intensivos, teóricos e práticos. A partir daí, formaram-se mestres e doutores, aos pelotões.

Para se ter uma medida, nas cidades maravilhenses existem mais bibliotecas do que lojas de loteria no Brasil inteiro! São instituições públicas, que recebem toneladas de livros de todas as nações cultas do mundo. Afinal, em média, o maravilhense sabe ler, escrever e falar com fluência pelo menos cinco idiomas, além da língua materna.

O hábito de ler, interpretar e aprender é uma tradição de cinco séculos naquela nação. Nas ruas e campos vê-se, diariamente, uma grande quantidade de pessoas a aprender com um livro às mãos. Por força de vários fatores, inclusive a bendita sorte, tornou-se uma epidemia nacional, sem condições de retorno à origem do homo sapiens, insipiente e destruidor agressivo.

Afinal, o que é a Maravilha?

É fruto da exuberante educação construída e distribuída a seus cidadãos, durante séculos. Os maravilhenses souberam organizar suas cidades em pequenas áreas, de forma a não destruírem seu santuário ambiental, tanto o físico, quanto o biótico. Saliento que sua divisão “geopolítica” possui somente dois níveis: o Estado maravilhense e suas cidades. Não existem os estados e os municípios.

Portanto, nunca houve governadores e prefeitos, deputados e vereadores. Eles eliminaram os gastos com o que chamam de “maldita máquina pública”. Para eles são apenas máquinas de produzir burocracia e confusão, enfim, “instrumentos da corrupção”.

As casas, equipamentos urbanos e serviços de uso público foram erigidos entre a vegetação nativa, de modo a mantê-la de pé. Por sinal, em cada cidade está instalado um viveiro de mudas de espécies nativas. São milhares de viveiros implantados na Maravilha. Assim foi criada uma de suas principais fontes de riqueza, pois exporta toneladas de mudas para países civilizados que desejam reflorestar seus territórios.

Os cidadãos maravilhenses são vegetarianos há séculos. Não há gado de corte no país. Em troca, cada cidade possui grandes hortas comunitárias, plantadas em harmonia com a mata. Se for feito um sobrevoo sobre a Maravilha, somente ressaltarão aos olhos do observador somente seus polos industriais, aeroportos e portos. Criará uma sensação curiosa: para que servem industrias e aeroportos se não existem pessoas?

A produção de energia elétrica do país adotou uma solução óbvia. Cada casa, unidade produtiva, unidade de serviço público produz a energia que consome. Há mais de século, cientistas maravilhenses desenvolveram fontes eólicas, solares e de biomassa, visando a consumidores de pequena e média envergadura. Portanto, não existem linhas de transmissão a atravessar o território da Maravilha.

Inversamente, a segurança pública possui uma solução antiquada, creio eu. Como a principal fonte de receita do país é o turista estrangeiro, que possui “costumes estrangeiros”, é o exército quem faz a segurança, pois lá não existem polícias. E ele mantém a tradição medieval da pena de morte para tudo o que a assembleia nacional considerar “crime contra a pátria“.

Não vou entrar no mérito dessa questão, mas há um benefício econômico para a nação: não existem penitenciárias, prisões, celas ou qualquer gênero de “armazém de criminosos”. Além disso, para desmotivar eventuais “intrusos”, todas as famílias do país possuem armas de fogo em casa. Entretanto, a taxa de criminalidade no país é zero e o tempo de vida útil do maravilhense é de 95 anos.

Concluo que essa foi a forma democrática e liberal que o povo do País das Maravilhas escolheu para viver, desde 1515. Suas comunidades são saudáveis, cultas, humildes e muito sociáveis. São capazes de criar soluções, simples ou complexas, que aumentem a produtividade de sua economia, bem como a qualidade de suas vidas. Dessa forma, deixo questões que não consigo responder:

─ “Por qual motivo os países associados às Nações Unidas não adotam essa forma digna de viver”? “Por que preferem se destruir e se corromper com extrema naturalidade“?

Matriz de energias alienígenas


Por Cláudia Reis, Gestora Ambiental.

Estou encafifada desde ontem, após assistir a um debate entre três notórios especialistas em água e energia. Todos super-conceituados, inclusive com título de doutores.

Muito foi falado sobre o uso de diversas tecnologias para a transformação de esgoto em água potável, investimento em obras de novas usinas, educação da população, necessidade de aumentar o preço, tanto da energia, quanto da água, e ainda colocaram a culpa da crise atual (catástrofe?) no licenciamento ambiental e em ambientalistas xiitas.

O que muito me impressionou em todo o debate, foi não ter havido qualquer menção à necessidade da diversificação da nossa matriz energética (sem água, de nada adianta ter hidroelétricas), e muito menos da necessidade do “desmatamento zero“, sobretudo, em áreas de nascentes. Por óbvio, é daí que vem a falta d’água! Essa é sua principal causa.

Reflorestamento, sequer foi cogitado. Pelo contrário, fiquei com a impressão que a ideia é aumentar as “ilhas de calor” em que se transformaram nossas cidades, recheadas de concreto, com cobertura de asfalto. Falta a visão macro do problema, e que aliás não é só de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Assim, não verifiquei entre os interlocutores a imprescindível visão estratégica para agir de forma sistêmica sobre as causas da falta de água e energia.  O que é proposto, são medidas pontuais, que sequer resolvem problemas de curto prazo, como execução de obras, de mais usinas hidroelétricas, termoelétricas e, quem sabe, nucleares.

Linhas de transmissão, para atender aos parques eólicos já implantados, e o uso de energia solar domiciliar, em um país onde Sol é o que não falta, parece ser ainda visto, em pleno século 21, como algo extraterrestre, alienígena.

Energias alienígenas

Energias alienígenas

Feliz Século para todos!


Está-se a enfrentar a despedida de mais um ano, o Réveillon 2014-2015. Assim, é normal que se deseje Feliz Ano Novo ou Feliz 2015 a amigos e seus familiares.

No entanto, após deglutir o áspero e amargo 2014, este desejo, assim lançado ao ar, graças apenas a uma data, parece uma obrigação formal. Não contém o calor de um abraço. Soa ser, até mesmo, um ato de hipocrisia.

Pelo que a nação brasileira assistiu durante o ano de 2014, com surpreendentes processos de corrupção descobertos sucessivas vezes, “Feliz Retalhão 2014-2015” é mais compatível, embora retalhos sejam sobras. Mas não parece haver dúvida que o retalhão causará fortes tempestades em 2015.

Tempestades

Tempestades

De toda forma, a equipe deste blog deseja deixar Esperança de Felicidade a seus amigos e familiares. A maneira que encontra de crescer esta esperança é desejar Feliz Século a todos!

Ao longo de 100 anos, acredita-se que será possível sanear a ética e a moral brasileira, de forma definitiva.

Faça sua parte, trabalhe duro e acredite que você é parte da mudança

Faça sua parte, trabalhe duro e acredite que você é parte da mudança

Esse é o desejo de Zik Sênior, Simão-pescador, Cláudia Reis e Ricardo Kohn.

Recall de políticos


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Se um grupo de cidadãos elege um candidato para certo cargo político, a acreditar que ele irá cumprir o que prometeu pelos palanques da vida, precisa ter o direito de destituí-lo do cargo, caso considere necessário. Esse precisa ser seu direito inalienável.

Basta que, se eleito, o gajo “enfie os pés pelas mãos”, mostre se tratar de um descarado corrupto ou não tenha competência para realizar as necessidades básicas de seus eleitores. Acho que esse deve ser um excelente projeto de lei!

Porém, será difícil ser aprovado pelos “para-lamentares” brasileiros. É imprescindível que haja uma forte pressão popular. Sem ela não há reforma política que possa modificar coisa alguma.

O recall de políticos tem de ser simples, igual à troca obrigatória das peças defeituosas de um veículo saído da fábrica. Ou mesmo as partes e tubos de uma latrina, sem vazão suficiente para “esgotar políticos”. O século XXI mostra que os temos de sobra, milhares deles a pilhar a nação diariamente.

Entretanto, diante dos sucessivos escândalos orquestrados que, sem exceção, envolvem o roubo continuado do erário público (por mais de uma década), defendo a posição que é tida por muitos como drástica: o recall (cassação) de qualquer funcionário público. Visa a impedir a contratação dos “estafetas da quadrilha pública”. São a corja essencial ao funcionamento da máquina corruptiva.

Sem eles não é possível efetivar o sórdido desvio do dinheiro público. São catadores de milho em datilografia, mas incansáveis para fazer jus à mensalidade da “bolsa-corrupção”. Fazem o que lhes for mandado e, de forma aloprada, defendem seu “criador”, a dizer que “sempre foi assim no Brasil”. Defendem de forma descarada os tais “nobres fins socialistas” – de acabar com a miséria, da busca pela igualdade social (aonde isso existe?!) – para justificar os meios torpes e repugnantes que utilizam.

Os fatos são chocantes. Há um modelo de cleptocracia instalado”, foram palavras proferidas por um juiz da mais Alta Corte, durante entrevista concedida, quando se referia ao ocaso da Petrobras; é a opinião de alguns notórios analistas políticos: desvios contínuos do dinheiro da estatal para manutenção de um mesmo partido no poder central. Tenho sérias dúvidas se, no roubo sistemático dos cofres públicos, a ação das quadrilhas se resuma na manutenção do poder político. Mas isso pode ser testado, não com a dita reforma política , mas através de uma verdadeira revolução político-eleitoral brasileira que, a meu ver, é inadiável.

Dado o milagre da cidadania, tomo a liberdade para fazer sugestões a serem contempladas pelo Marco da Revolução Político-eleitoral. Têm alcance bem maior do que a mera cassação de mandatos por ações legítimas da sociedade. Senão, vejamos:

  • Os candidatos a cargos do poder Executivo e do Legislativo não podem sentir qualquer “estímulo monetário” para concorrerem a estes cargos. Ao contrário, somente poderão ser candidatos aqueles que acatarem fielmente as demandas da sociedade civil, na qualidade de serviçais graduados; caso contrário, rua! – essa é a base da Governança pública;
  • Cada eleito para representar esses poderes receberá uma quitinete mobiliada gratuita, na futura “Vila dos Dois Poderes”, ainda sem data para ser projetada e construída [1];
  • A revogação ou cassação do mandato eletivo de qualquer cidadão eleito será efetuada por meio de ação direta da sociedade, encaminhada a mais Alta Corte do país. A Corte não terá direito de negá-la ou refutá-la, apenas de subscrevê-la e faze-la ser cumprida de imediato. Os cassados nunca mais trabalharão no setor público. A menos do cargo de Presidente da República, os demais não serão ocupados por substituto;
  • Partidos políticos que tiverem três membros eleitos com mandatos cassados, serão extintos de forma automática e sumária, através de ação de impedimento emanada do poder Judiciário, por intermédio da Alta Corte;
  • Para Ministérios do Poder Executivo deve ser adotado tratamento similar, sobretudo pela pilha de ministros desnecessários à governança pública. Suas pastas, no mais das vezes, são ocupadas por políticos que nada entendem do trabalho que devem fazer. Sua única preocupação é o tamanho do orçamento que terão para manipular em favor das quadrilhas que montam através dos ditos cargos de confiança;
  • A ser assim, “Ministério político” que tiver três membros de sua cúpula cassados pela sociedade, será extinto de forma automática e sumária, por meio de ação de impedimento emanada do poder Judiciário, representado por sua Alta Corte. Os cassados não poderão mais trabalhar no setor público. A menos do Ministério da Economia, os demais não serão ocupados por qualquer substituto.

Poderia detalhar mais sugestões para moralizar a política brasileira, tais como: (i) reduzir de forma drástica o número de parlamentares; (ii) acabar com cargos públicos comissionados; (iii) limitar o número de ministérios executivos em no mázimo uma dúzia; (iv) reduzir a remuneração do executivo, legislativo e judiciário para, no máximo, 12 salários mínimos; (v) exterminar a coalizão de partidos, etc.

Acredito que se essas medidas fossem tomadas, decerto a taxa de corrupção per capita seria mais reduzida no país. Sobraria dinheiro para investimentos inadiáveis, geraria empregos, melhoraria a inteligência e a economia nacional.

Existem outras sugestões, mas vou parar aqui. Afinal, hoje é dia 24 de dezembro e pelo menos 80% da população brasileira faz uma festa comercial, embora a entende-la como data sagrada. Por sinal, fui convidado para uma ceia na casa de amigos e comparecerei muito feliz. Esqueço de tudo o que acredito, pois é ótimo socializar alegrias concentradas em uma única noite!

……….

[1] Até lá, suas moradias serão barracas do exército, num acampamento de luxo montado nos terrenos em frente ao Congresso Nacional (tendas do legislativo) e ao Palácio da Alvorada (tendas do executivo). Serão tais como Xeiques amadores, sem segurança – essa é a esperada demonstração internacional de quanto os políticos brasileiros são abnegados e amados por seu povo livre.

O que você espera do novo governo?


Responda a enquete abaixo. Pode ser marcada mais de uma opção. A enquete tem prazo de uma semana.

“Desde antes das eleições gerais, a governança pública do país já era precária. A estratégia de campanha adotada pelo governo foi violenta. Usou de meios ‘pouco polidos‘ para atingir a intimidade dos oponentes. Venceu a eleição presidencial, porém com estreita margem de votos“.

“Há quase o consenso geral que o cenário brasileiro nunca mais será o mesmo após o fim das investigações da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça dos escândalos ocorridos na Petrobras”.

Diante disso, escolha dentre as opções abaixo, o desempenho que espera para o mandato 2015-2018.

A divisão existe?


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

De um lado, embora a lutar pelo aumento sistemático do próprio saldo bancário, há um gajo que diz representar seus “bolsistas” amestrados pela fome. Trata-se do dono do cargo vitalício de “Promotor da Luta de Classes”. O bendito finge ser militante vermelho, mas é tão-somente espertalhão e, dada sua vocação, analfabeto carismático.

Essas pessoas menos afortunadas, capitaneadas pelas agressões e mentiras do Promotor, somam cerca de 54,5 milhões de eleitores, ou seja, 38,16 % do total de votantes. Ao fim, votaram para a candidata imposta pelo Promotor, que venceu a eleição. Em suma, “ou votam ou perdem tudo que ganharam!“.

Do outro lado, estavam os cidadãos que trabalham de sol a sol, tanto como funcionários de empresas, quanto em seus próprios negócios. Junto com eles estão os aposentados e idosos desempregados, em busca de trabalho para viver com alguma dignidade. É um conjunto que atinge a 51,01 milhões de eleitores, isto é, 35,74% do total de votantes. Perderam na eleição.

Vale dizer que cerca de 37,3 milhões de cidadãos anulou seu voto, votou em branco ou se absteve de votar. Esses são os 26,15% restantes. Deve-se convir que esses cidadãos não acreditaram nas propostas dos candidatos, estão alienados ou ambos. Em síntese, também perderam na eleição.

Não há dúvida, existe alguma divisão. Mas isto acontece em qualquer eleição majoritária. De toda forma, a divisão do país decerto não é geográfica, mas de ordem social. Ela espraia-se pelo país e está presente em todos os seus estados.

Roga-se que os erros e “malfeitos”, já acumulados durante os últimos 12 anos, sejam realmente interrompidos, investigados e punidos de forma merecida. Essa medida reduzirá de forma significativa a divisão do país. Apenas assim será possível governá-lo sem a prática usual de mensalões e petrolões!

Além disso, somente com essa “nova conduta sempre prometida” será possível reduzir as precárias condições de moradia, a miséria de seus habitantes e a fome de milhões de pessoas. Afinal, estes foram os mais responsáveis pela vitória política obtida.

Para finalizar a análise, importa destacar a existência de um terceiro estrato social, translúcido para os demais. Com ele o Promotor sempre se socorre quando precisa transferir propinas & rendas. Através do noticiário, soube-se que é formado por empreiteiras, empresas estatais e fundos de pensão, bancos públicos e instituições coligadas. Vários são os membros natos deste estrato especial, mas não atinge a 50 indivíduos.

Tem-se informe, ainda, que as transferências exigem o “trabalho” de pelo menos um especialista e dois assistentes de doleiro. Quer dizer, esse grupelho não soma nada diante dos 142.822.046 de eleitores, aptos para eleger qualquer candidato.

A propósito, os números aqui oferecidos foram obtidos no site oficial da instituição responsável pelas eleições. Fez-se mínimos arredondamentos numéricos, mas que não afetaram os percentuais.

Pesquisa eleitoral particular


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior, o eremita

Zik Sênior, o eremita

São tantos “institutos duvidosos” a fazer pesquisas eleitorais, que resolvi fazer a minha. Sou ermitão sim, mas só quando tenho bons motivos. O principal deles é nunca permitir que entrem em minha casa mentirosos, vigaristas, canalhas, ladrões, vagabundos, corruptos e políticos vassalos.

Por outro lado, é com extrema alegria centenária, que afirmo ter milhares de amigos do peito. Para eles não sou ermitão. Todos nós temos os mesmos princípios de vida, sem ligação com ideologias ordinárias, construídas às avessas por quem ficou rico sem saber o que é trabalhar. Roubam tudo o que podem, mesmo no estado a que chegou o país, um deprimente bagaço social e econômico.

Como hoje o tempo para mim é lucro, fiz o plano para uma pesquisa eleitoral particular. Executei-o em três dias, a enviar e-mail a todos os amigos. Milhares deles, que moram por todo o Brasil. O texto foi simples e direto:

─ “Em quem você vai votar no 2º turno, Aécio ou Dilma? Um abraço do Zik”.

Aconselho que façam essa experiência, peguem seus “cadastros de contatos” e enviem esse e-mail para “Todos”. Mas não se esqueçam de trocar o autor do abraço.

Enviei 89.656 e-mails, em grupos de dez. Em cinco dias já tinha de volta o voto de “87.999 amigos do peito”. A cada e-mail que abria, meu coração palpitava acelerado. Mas tive poucas surpresas. Ruim mesmo foi saber que perdi 1.657 amigos. Mas confira na tabela de contagem que resumi, melhor que a tal da “urna eletrônica” usada pelo TSE.

Pesquisa para o 2º turno

% de votação

Erro
Votos em Aécio

85.012

94,82%

0%

Votos em Dilma

2.987

3,33%

0%

“Votos falecidos”

1.657 1,85%

0%

Os resultados dessa pesquisa particular dão o que pensar, mas você vai me dizer que a amostragem que fiz é viciada. Claro que é viciada, só pesquisei dentre brasileiros honestos! Ainda assim, o “poste” recebeu 3,33% de votos a favor. Deve até ficar “iluminado” por ter recebido quase 3 mil votos de cidadãos honestos. Com lâmpadas queimadas, é óbvio.

Mas fico a pensar: e se eu fizesse a amostragem inversa, visando a saber a intenção do voto no 2º turno apenas de vagabundos e corruptos? Quais seriam os resultados?

Mesmo não sendo muito bom nesse negócio de análise de tendências, ouso dizer que a vitória seria a mesma, embora com diferença apertada. Vagabundos e corruptos andam por aí, soltos pelas ruas. Se acharem que o placar será a favor da oposição, esteja certo que mudam de lado de forma automática. São especialistas em vagabundear e corromper, que se dane a ideologia de quem vencer, por que eles vão se propor a “abraça-la com dedicação”.

Hoje ocorreu mais um debate entre os candidatos. Creio que todos assistiram. Embora Aécio haja tentado debater programas de governo, Dilma optou pelo pugilato político. Em minha opinião, levou uma bela sova.

Dilma demonstrou em cadeia nacional, mais uma vez, que sua dificuldade em conciliar verbos, frases e ideias é extraordinária. Não diz coisa com coisa, foge da luta com ar prepotente e sofre quedas de pressão convenientes.

Não há como imaginar que essa senhora possa conduzir o país para qualquer lugar que não seja o de sua mutilação final.

Professores através dos tempos


Pela essência do 15 de Outubro, Dia do Mestre.

São inesquecíveis todos aqueles que contribuem para a formação dos primeiros traços culturais na cabeça de uma criança. Parece-me normal que os “primeiros professores” sejam parte de sua família. São mais eficientes pelos exemplos que dão à criança, do que através de conversas e conselhos. É assim que vejo “brotar uma nova personalidade”.

Porém, há crianças que não possuíram pais. Ou ficaram órfãos ao nascer ou seus pais foram “incipientes no professorado”. Este foi o meu caso, com pais principiantes pela idade e total inexperiência em educação.

Contudo, faço-lhes homenagem nesta data. Se pelo lado materno recebi a sobrecarga do “amor egoísta”, que tanto me sufocava, do lado paterno conheci os efeitos dolorosos de um gratuito chicote a bater-me nas pernas. Sentia-me encurralado e não tinha para onde fugir. Mas, exatamente por isso, agradeço-lhes, pois foi assim que obtive o direito inconsciente de escolher, dentre as pessoas da família, quais seriam os melhores “primeiros professores”.

Hoje, analisando o ocorrido em minha infância, posso explicar meu interesse prematuro pelo aprendizado. Queria ler todos os jornais que pegava, mas permanecia analfabeto. Os adultos debatiam sobre o que liam, não raro brandindo um jornal nas mãos, e eu não podia participar. Com eles, percebi a importância de pitadas da crítica.

Foi assim que, em meados de 1952, aos 4 anos de idade, já sabia ler, escrever e fazer as quatro operações. Devo essa primeira “conquista do saber” aos exageros de minha mãe, pois durante seus ensinamentos, sem que eu tivesse consciência, estava a viver o processo da libertação. Aprender nunca me sufocou. Até por que, não queria ter um “crânio com cérebro baldio dentro”.

Desde o primário até a faculdade tive a sorte de ter bons professores. Cursei primário e ginásio em um pequeno colégio do bairro em que morava. Foi lá, durante o curso Primário, que minha personalidade começou a criar as primeiras raízes mais profundas, as boas e as más.

Nos cursos de Admissão e Ginásio, devo salientar os professores Wellington (Português), Aluízio (Geografia) e a inesquecível Dona Adélia, que ensinava História, a idolatrar os impérios Maia e Asteca. Dedicavam-se aos alunos de modo a vincar seus aprendizados com overdoses de moral e ética. A bula da época não descrevia dores ou qualquer efeito colateral nocivo para a moral e a ética, sobretudo quando aplicadas definitivamente na veia jugular.

Encerrei os estudos no bairro nessa oportunidade, pois no colégio não havia o Científico. Teve início, assim, uma pequena discussão em casa. Meu pai dizia que não tinha como pagar um colégio particular. Pelo lado oposto, minha mãe queria que eu cursasse o Científico no Liceu Franco-Brasileiro. Não vou entrar em detalhes, mas o chicote já fora vendido.

Como fruto das escolhas que fizera na primeira infância, um de meus “primeiros professores” pagou o curso no Franco-Brasileiro. Sofri um bom impacto diante desse fato:

  • Ter que sair diariamente do bairro, onde fora criado e a todos conhecia, e seguir de ônibus para Laranjeiras, a descobrir desconhecidos.

Porém, melhor que tudo, foi montar uma nova prateleira em meu quarto, com livros de Física, Química e Cálculo Matemático. Aos 14 anos senti a sede de obter conhecimentos e conhecer professores para o curso Científico. Pela lógica, imaginava que fossem cientistas.

As instalações do liceu eram superiores em tudo às do colégio do bairro. Mas a diretora era uma pessoa estranha, Dona Eliane “dos dentes verdes”. Os alunos mais velhos, que talvez tenham cursado o liceu desde o primário, chamavam-na pelas costas de “Lili”.

Apenas para mim é que tinha dentes verdes, além de ser autoritária. Por suas grosserias e gritos com alunos de todas as turmas, “Lili” não passava a imagem de 1ª Dama do Liceu. Em verdade, fazia do Liceu um forte com disciplina militar. Contudo, preciso salientar que, de forma quase paradoxal, tratava-se de uma qualificada humanista. Com ela aprendi a ter paciência, foco e disciplina.

Os professores do Franco de meu tempo tinham competência na educação. Um deles, que me cabe ressaltar, Professor Henrique de Paula Bahiana, foi realmente um cientista na área da Química. Na década de 1940, esteve a trabalho em diversos países europeus, convidado por governos para solucionar problemas de saneamento básico e aplicar cursos técnicos. Tive a honra de ter sido seu aluno, durante dois anos do curso Científico, em química inorgânica e orgânica.

Em 1967, com vistas a me qualificar para as provas do pré-vestibular, pesquisei bastante para saber em qual curso deveria matricular-me. Não foi difícil concluir que o Curso Bahiense era cotado como o de melhor desempenho, naquela oportunidade. Meu “primeiro professor” fez a matrícula e depositou o valor mensal do curso.

Recebi aulas dos melhores professores do curso. Os mestres titulares das cadeiras cumpriam um cronograma diário incrível, inclusive com testes nas manhãs de sábado. Porém, como as unidades do Bahiense eram dispersas em regiões e bairros do Rio, com sol ou chuva, eles rodavam diariamente pelas ruas mais do que taxistas, com trabalho repetitivo, dividido em dois turnos.

De início não consegui explicar a mim mesmo o porquê da assiduidade com que davam aulas. Mais ainda, a tranquilidade e elegância com que o faziam. Mas certo dia descobri, na pequena secretaria da unidade em que estudava, que eram os próprios professores que faziam seus planos de aula. Eles não eram impostos ou impositivos, mas sócios em uma única missão a que amavam: educar com qualidade seus alunos. Devo dizer que nunca em minha vida estudantil recebi um volume de conhecimentos similar ao do Curso Bahiense.

Apresento alguns professores do Bahiense daquela época, que acredito terem-me sido essenciais: Henrique de Saules (Trigonometria, Logaritmo e Análise Matemática), Otávio Guimarães Gitirana (Álgebra, Análise Combinatória e Cálculo diferencial), Ubirajara Pinheiro Borges (Geometria), Edgard Cabral de Menezes (Química orgânica e inorgânica), Antenor Romagnolo (Física Newtoniana, Ótica, Calor e Acústica), o próprio Norbertino Bahiense Filho, com suas surpresas da Geometria Descritiva, José Carlos Bazarella (Perspectiva Isométrica e Cavaleira) e Haroldo Manta (Desenho Geométrico). Todos são inesquecíveis em termos da razão e da lógica que diariamente me transmitiram, durante quase um ano. A boa educação é impagável!

Questões pessoais impediram-me de dar sequência imediata no curso universitário. Em síntese, precisava trabalhar para pagar contas e realizar minha liberdade. Assim, somente em 1969 ingressei num curso de Administração Pública.

Aula em anfiteatro de universidade

Aula em anfiteatro de universidade

Realmente, com poucas exceções, a pressão de estudar foi bastante reduzida, se comparada à do pré-vestibular. Talvez por que a ótica universitária fosse distinta, não sei. Mas, pelo menos para mim, isso tornou-se um problema. Estava acostumado com a pressão do Curso Bahiense e na faculdade quase não havia igual demanda.

Outro aspecto que me chamou atenção foi-me apresentado pelas Ciências Sociais, que nunca estudara. Recebi aulas de Metodologia de Pesquisas, Ciência Política e Sociologia. Os professores destas cadeiras tinham qualidades essenciais que desconhecia até então. Confesso que esqueci da engenharia a que me propusera cursar. E mais, praticamente abandonei as demais matérias da faculdade. Exceção feita à cadeira de Administração, função da qualidade do mestre que a lecionava, Professor Paulo Reis Vieira.

Dessa forma, destaco a competência e os ensinamentos que recebi de Simon Schwartzman, com quem estagiei na qualidade de seu assistente. Simon foi meu Mestre em Metodologia de Pesquisas. Com ele, mais que tudo, creio haver aprendido a pensar.

Na faculdade destaco, da mesma forma, os professores e amigos Maul e Fred, a lecionar Estatística, Álgebra Linear e Pesquisa Operacional. Com esses dois pude aprender que errar não é aconselhável.

Ainda assim, faltam importantes menções a professores através dos tempos. Desejava publicar esta crônica ontem, no Dia do Mestre. Mas perdi tempo a escarafunchar a memória, pesquisar documentos, para conclui-la somente hoje. De toda feita, esta é minha homenagem a meus professores.

Ricardo Kohn, Escritor.

Infarto eleitoral


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Em um colégio de eleitores com cerca de 150 milhões de brasileiros, deu-se o primeiro turno das eleições gerais de 2014. Até agora, pelas informações que recebi de meus filhos, e mais o que diz o noticiário, parece que tudo transcorreu dentro dos padrões daquele país: apenas 80 candidatos presos pela polícia, acusados de haverem cometido “crime eleitoral”. Não faço ideia do que isto significa. Porém, decerto, no horário em que redijo este texto, todos já estão soltos na rua novamente.

Analisando cá de longe o processo eleitoral no Brasil, em nenhuma hipótese concordo com o que um grupo de jornalistas disse certa vez na televisão: ─ “Essa eleição está muito morna”, comentou o primeiro. Em seguida, os demais papagaiaram a mesma besteira. Isso aconteceu a cerca de dois meses atrás, salvo engano meu.

Creio que, influenciados pelas contagens e simulações feitas pelos ditos institutos de pesquisa do país, soltavam a matraca para emitir suas opiniões individuais. Deu-se a calamidade. Dilma era a vencedora, seguida por Marina. Aécio simplesmente foi deixado para terceiro plano. E caso não se segurasse bem nas cordas, perderia até para a moça iracunda, a tal da “Luciana Sogra”. Não estranhe, cá em Portugal a apelidaram desta maneira.

Daqui da Praia das Maçãs, bastante aturdido e indignado, estava a ver algo bem distinto dos “chutes das pesquisas de voto”. Mas, além disso, abismado com o descaramento de notórios jornalistas brasileiros. Pareciam tentar a manipulação do raciocínio de parvos. Perguntei-me então: ─ Afinal, em qual clube tu jogas, oh pá?!

Ficou evidente quando “as pesquisas” deram vitória para Marina no segundo turno. Estavam a pelejar no campo do “Futebol Clube do Acre”, a vestir sua camisa ostensivamente, embora de maneira andrajosa. E o quadro ficou mais grave quando Marina, segundo “pesquisadores”, “passou a vencer” desde o primeiro turno. A esta altura Aécio era um piolho incômodo, digno de pena e ridicularizado por alguns “comentaristas políticos”, sempre oblíquos, por meio de “hediondas gentilezas”. Quase sofri um enfarte eleitoral e, por impulso, desliguei a imprensa.

Porém, meu mais velho telefonou-me do Rio de Janeiro. Avisou-me que eu não poderia perder o último debate entre os candidatos à presidência. Evidente que o assisti. Aécio agigantou-se, tornou-se mais resoluto e firme. Embora educado, em minha opinião, arrasou às paspalhas provocadoras! Sequer lhes fizeram cócegas.

Dilma falou sobre o Brasil de Fantasia que “meu governo criou”. Marina, com a sobrancelha impertinente e fala de tatibitate, tornou-se a piolha da vez. Luciana Sogra, foi calada por Aécio da forma merecida. Enfiou o rabo entre as pernas, sumiu e fez mais nada.

O que resultou da campanha e deste último debate vocês sabem bem melhor do que eu: Aécio está no segundo turno, a chegar cada vez mais próximo de Dilma. Ultrapassá-la não será simples, mas perfeitamente factível. A maioria dos eleitores de Marina faz tempo que gritaram chega de PT, chega de Dilma! Sua migração para Aécio é mais do que esperada. Em minha opinião, é certa.

Para confirmar minha dedução lógica, acabo de receber a notícia, publicada no jornal Folha de São Paulo, que notórios profissionais e acadêmicos, que apoiaram Aécio Neves e Marina Silva no 1º turno, passam a apoiar Aécio no segundo. Segue o texto da carta, que foi assinada ontem, até às 22:15 horas, por 167 cidadãos:

Apoiamos Aécio Neves porque a sociedade brasileira quer mudanças. Porque é preciso dar um basta à conivência com a corrupção e aos retrocessos que marcaram a ação do governo nos últimos anos: a confusão entre partido e Estado e a cooptação de organizações da sociedade civil”.

Porque a democracia requer valores republicanos e exige o respeito às diferenças políticas, culturais e individuais. Apoiamos Aécio Neves porque a estabilidade e o crescimento econômicos são condições indispensáveis para que a redução das desigualdades seja efetiva, e a retomada do desenvolvimento seja sustentável”.

Porque queremos que as pessoas realmente se emancipem da ineficiência e das distorções dos serviços públicos, da pobreza que amesquinha seus horizontes e da falta de acesso a direitos fundamentais em áreas prioritárias como educação, saúde e segurança pública”.

Rogo em saber, como velho pescador português que sou, que ou ainda não fiquei demente ou tenho a grata companhia de outros 167 cidadãos em pleno exercício da demência.

Para ler a notícia completa, com a lista dos que assinaram a carta, clique aqui.

Escadas e escadarias inauditas


Uma experiência pessoal.

A primeira vez que me recordo de ter sofrido o impacto de uma escadaria, aconteceu em 1952. Eu tinha 4 anos de idade. Saíra de casa com minha avó para assistir Tom & Jerry, na sessão matinal do cinema Metro, que ocorria aos sábados.

O Metro ficava defronte ao Largo do Passeio Público, no centro da cidade do Rio. Para chegar até ele, eu tinha que pegar um bonde até o Largo da Carioca, seguir pela Rua Senador Dantas e dobrar à direita. Lá estava o cinema Metro!

Adorei os filmes de Tom & Jerry, assim como centenas de milhares de outras crianças. Na escuridão da sala de projeção, as risadas pareciam ecoar com mais valor, criando a cumplicidade de todos com a alegria. O ânimo dos adultos e de suas crianças era muito diferente naquela época.

Mas para sair de casa e ir à rua, tinha que subir uma escadaria larga, ancorada no muro alto e recoberta de concreto, até chegar ao portão de saída. Até hoje ela está lá, com seus 21 degraus. A casa fica em centro de terreno, é arborizada, fresca e silenciosa. O movimento da rua não perturba à família e aos amigos que a visitam. Não se escutam carros, suas buzinas e vozerios. Parece que se está em um ninho protegido. É assim que as vejo em minha infância, a casa e a escadaria.

Foi dessa forma que percebi o que fez uma escadaria em minha vida. Através dela, escalando-a, eu deixava a calma, a brisa e o silencio que tinha, para enfrentar a multidão barulhenta, sob sol a pino. No entanto, no vão que ficava sob ela, havia vasos de plantas que eu gostava de cavucar a terra para depois regar. Ver novos brotos nascendo, flores com abelhas zumbindo, não têm preço para uma criança!

Aliás, assim disse o poeta, em Mensagem à Poesia: “pelo direito de todos terem uma pequena casa, um jardim de frente e uma menininha de vermelho”. Eu não deixaria de acrescentar que “uma escadaria” também é essencial.

Valparaíso, Chile

Escadaria em Valparaíso, Chile

Aos 5 anos de idade fui apresentado a um portento de escadaria: aberta ao céu, sinuosa, construída de pedras e com 312 degraus. Porém, parte de suas margens laterais é até hoje protegida por murada recoberta de eras.

Constituía o acesso ao casarão de dois andares, onde ficava a escola em que cursei o primário. Portanto, encontrávamo-nos todos os dias úteis e, a cada vez que a percorria pela manhã descobria coisas novas: buracos de camaleão na murada, ninhos de pássaros com filhotes e muitas flores a brotar coloridamente. Não era insensível a esses detalhes.

Mais tarde, já com 7 anos, a escada interna do casarão da escola chamou-me a atenção por dois motivos. Primeiro por ser uma escada em caracol, feita em madeira de lei e com os belos desenhos do Pinho de Riga. Segundo, pelo fato de colegas mais velhos, durante o intervalo do recreio, ficarem sempre reunidos ao seu pé.

Levei algum tempo para descobrir o motivo daquelas reuniões perenes. Mas acabei por conferir, pessoalmente, que eram pernas e calcinhas de jovens professoras da escola, que ficavam à mostra quando subiam ao segundo andar. Também fiquei impressionado, deveras.

Essas experiências vão-se acumulando e modificam a atitude das pessoas. De tal sorte que, aos 10 anos de idade, estando eu na casa de um amigo da escola, notei que havia uma bela escada de madeira. Porém, percebi que ele tinha três lindas irmãs mais velhas. Mas, mesmo quando sentado na saleta, ao pé da escada, jamais consegui sequer levantar os olhos para “pesquisar” qualquer uma delas a subir a maldita escada.

Depois disso, não me recordo de escada ou escadaria que me haja chamado atenção na infância. Até cheguei a acreditar que se tratava de uma fase normal de todas as crianças: gostar de subir degraus. Porém, aos 26 anos, trabalhando em uma empresa de engenharia de projetos, o acaso fez-me uma surpresa.

A empresa precisava de um arquiteto para projetar um canteiro de obras que fosse funcional e, ao mesmo tempo, tivesse visual agradável aos olhos dos passantes. Meu diretor incumbiu-me dessa tarefa. Após alguns contatos telefônicos, selecionei dois escritórios e disse que os visitaria para conhecer alguns de seus projetos já realizados.

O primeiro grupo tinha escritório no centro da cidade, próximo à nossa empresa. Eram cinco arquitetos, a ocupar duas salas pequenas, no 25º andar de um prédio comercial. Três mesas estavam vazias e sem papéis. Pareciam sem uso, pois havia poeira acumulada nos tampos. Não pude ver qualquer arquitetura realizada, mas recebi uma proposta e, em seguida, apenas desculpas esfarrapadas.

Segui de táxi rumo ao bairro de Botafogo, numa rua sem saída e arborizada. O outro escritório ficava em uma pequena casa de dois andares, mais um sótão. Toquei a campainha e fui recebido por um dos três sócios. Ao abrir a porta da casa, o primeiro andar estava um pouco escuro, mas havia uma luz tênue que indicava a escada para o segundo andar. Segui por ela preocupado onde estava a pisar. Mas meus olhos se acostumaram à penumbra e, por fim, veio luz do andar de cima.

A casa era “o projeto arquitetônico” da equipe associada. O sótão havia sido transformado em mezanino, com mesa e prancheta para uma arquiteta sorridente. Sobre sua cabeça havia uma claraboia que fornecia luz ao ambiente. Quadros e vasos de flores adornavam o andar.

Claro que fechamos contrato de serviço com a trinca e a solução que desenharam encantou nosso cliente. No retorno à empresa muitas coisas passaram por minha cabeça. Em síntese, diria que, aos 26 anos, descobri que da penumbra vem a luz, basta seguir na direção certa.

Ao subir escadas e escadarias deve-se olhar para baixo e ver o chão que se pisa, mas é essencial olhar para cima e ter certeza aonde pode-se chegar.

A grande criação!


Durante 23 anos, a Uesel – Universidade de Estudos da Selva investiu no trabalho de cientistas especializados em “Comportamento Selvagem”. Contudo, seu amplo laboratório, construído no interior da floresta tropical, iniciou suas atividades com apenas oito acadêmicos voluntários.

Porém, a equipe cresceu gradativamente, com mais acadêmicos, doutorandos, assistentes e técnicos dedicados. Assim, foi erguida a Vila de Estudos, como se fora uma taba, que formava um círculo em torno do laboratório, inclusive com alojamentos sobre palafitas nas áreas molhadas ou inundáveis.

Vista aérea da área selecionada para o laboratório da Uesel

Vista aérea da área selecionada para o laboratório da Uesel

Nos últimos quatro anos, entre pesquisadores e cientistas, de laboratório e de campo, contou com a dedicação de 298 acadêmicos e respectivas equipes, provindos de vários países e eméritos conhecedores de ciências de interesse. Era o escol mundial em Comportamento Selvagem, reunido com o mesmo e único objetivo: criar a chamada “pílula dos predadores”. Mas o que seria isso?

Na década de 1940, um jovem mestre em biologia defendeu, na Uesel, sua tese de doutorado em Antropologia. Tinha ascendência alemã e era tratado por Müller. Foi aprovado com louvor, pela solidez de seus argumentos científicos e, sobretudo, pelos desafios futuros que criara para a ciência. A partir de então, Müller foi honrado com o título de Docente-Pesquisador da Uesel, onde permanece até hoje.

Em síntese, ele demonstrou à banca uma teoria que tornava possível criar uma substância orgânica (“pílula dos predadores”) capaz de docilizar até o mais implacável dos predadores selvagens. E mais, sem qualquer efeito colateral, que não fosse “o silêncio do comportamento selvagem”.

Mas somente em 1990, quase 50 anos mais tarde, o Conselho Universitário da Uesel aprovou por unanimidade o projeto de desenvolver a substância pensada por Müller. Assim, em 1991, foi iniciada a operação do Campus Mata Tropical, da Uesel, e de seu laboratório de experimentos científicos, com área útil de 3.000 m2.

O primeiro passo foi conhecer o estado da arte sobre o comportamento de animais silvestres, com ênfase nas espécies predadoras. Após três anos de intensivo levantamento bibliográfico, realizado em instituições científicas de todo o mundo, dois fatos ficaram evidenciados:

  • Havia uma boa produção de teorias a respeito, essenciais de serem analisadas com muito cuidado; e
  • Inúmeros pesquisadores estrangeiros demonstraram interesse em participar dos trabalhos da Uesel.

Como o processo da identificação do DNA ainda era recente e não considerava as espécies predadoras em seu cardápio, tornava-se mais complexo identificar “substâncias” que pudessem controlar o comportamento animal. Dessa forma, foram incorporados à equipe os melhores neurologistas, botânicos e químicos que se apresentaram interessados.

Na verdade, o Campus Tropical da Uesel ainda tateava no escuro, mas estava decidido que a pílula precisava ser predominantemente orgânica, conforme a teoria defendida no passado pelo Professor Müller. Por sinal, ele acompanhava os trabalhos com muito interesse, enquanto fazia seu primeiro pós-doutorado em Antropologia Animal. Realizou mais dois outros, com ênfase em substâncias relaxantes e substâncias excitantes para animais selvagens.

Diversos experimentos aconteciam em paralelo no laboratório. Eram processos de ensaio e erro, sem dúvida, mas botânicos e químicos, coordenados por neurologistas, começaram a conversar entre si de forma objetiva.

Mas o engano que muitos continuavam a cometer devia-se ao fato de acreditarem que substâncias narcóticas, como morfina, ópio, codeína ou heroína, eram capazes de controlar o comportamento animal. Porém, o Professor Müller lhes reconduzia ao eixo:

─ “Os senhores estão a entender o problema por um ângulo distinto do que a tese propôs. Se fosse assim, tão simples, bastava usar as anestesias já conhecidas”.

E Müller tornava a mostrar a diferença essencial contida na tese:

─ “Nosso objetivo é desenvolver uma substância capaz de, digamos, ‘amansar predadores’, encontrados em qualquer continente, mas sem causar nenhum efeito colateral, que não seja o de silenciar comportamentos agressivos e violentos”.

O ataque de um rinoceronte furioso

O ataque de um rinoceronte furioso

Em síntese, seu foco não era inibir ou estimular o sistema nervoso central de um animal com o uso de drogas, mas o de transformar seu estado, de selvagem e agressivo, para calmo e participativo, com meios encontrados na natureza.

Seguiram-se mais 8 anos de experimentos laboratoriais controlados. Após realizados os testes básicos em ratos das substâncias produzidas, ficou demonstrado que somente três delas talvez obtivessem resultados positivos.

Por outro lado, embora distintas em sua composição, as substâncias eram bem simples de serem produzidas. Apenas a mistura concentrada de seivas, obtida pela trituração de folhas e talos de jovens leguminosas, abundantes em matas tropicais.

Diante desse quadro, o Professor Müller passou a atuar diretamente nos trabalhos. As três substâncias precisavam ser testadas em espécimes da fauna terrestre mais agressiva, desde aracnídeos até grandes mamíferos.

Na falta da existência de uma “Arca de Noé”, a Uesel viu-se obrigada a fazer convênios com outras universidades e dividir os trabalhos, mantendo três de suas equipes na supervisão e controle dos testes, com o uso de cada substância e famílias de animais silvestres.

Iniciados os trabalhos em todos os continentes, logo ficou claro que nenhuma das substâncias produzidas era capaz de “amansar predadores” da forma esperada, sobretudo pela amplitude de espécies da fauna mundial. Todas somente deram certo para conter a fome dos ratos.

Mesmo assim, a teoria do Professor Müller não será esquecida por um fato. Uma das substâncias, apesar de seu resultado fraco, foi além dos ratos e ‘amansou’ crocodilos australianos, ofídios venenosos, aranhas e escorpiões. Não é nada, não é nada, mas significa que havia ciência em criação.

O crocodilo assassino docilizado pela substância orgânica

O crocodilo assassino docilizado pela substância orgânica

O Conselho Universitário da Uesel, diante dos resultados alcançados, decidiu encerrar o Projeto Pastilha dos Predadores e arquivar todos os levantamentos e relatórios executados. Organizou um evento de despedida do Campus Mata Tropical e transferiu os equipamentos de seu laboratório para a sede da universidade.

O Reitor da Uesel, falando em nome do Conselho, abriu o evento e agradeceu a todos os acadêmicos dedicados ao trabalho. Ao final de sua fala, passou a palavra para o Decano da Universidade de Uesel, o notório conhecedor da Antropologia Animal, Professor Müller, não sem antes desejar-lhe felicidades e saúde por aquela data, quando completava 90 anos de idade e 65 de docência na Uesel.

Foi então que Müller, bem tranquilo, falou ao microfone, com sua voz antiga e já rouca:

─ “Acho que a Uesel deve exportar esse raro conhecimento. Já pensaram no uso prático dessa substância para amansar corruptos?”…

Vamos conversar?…


O planeta do século 21 amanheceu diferente. Seus habitantes sentiram na pele a “sensação” de assistir à passagem de mais um século. Houve festas pelo mundo, embora nada houvesse mudado concretamente, nada a ser comemorado. Era apenas mais um dia, como outro qualquer.

Todavia, após transcorrida sua primeira década, nota-se que algo está a acontecer. É possível perceber que os terráqueos têm demonstrado mais necessidade de se libertarem das amarras do século passado. “Afinal, evoluímos muito para viver este terceiro milênio”, dizem os mais esperançosos.

Ocorre que a liberdade de alguns tem significado o silêncio e a opressão de muitos outros. Há fatos com repercussão mundial que demonstram essa afirmação. Por exemplo, a chamada Primavera Árabe, ocorrida no norte da África, não deu flores. Nada mudou, foi mais um Outono de Aloprados, que até hoje tira a vida de dezenas de milhares de cidadãos inocentes e desesperados.

Houve também um período de prosperidade na Europa e nos Estados Unidos da América; ocorreu o rápido crescimento da China, embora com renda per capita baixíssima. Porém, as boas notícias da inexorável globalização da economia e da informação logo se espatifaram com a crise mundial de 2008, aqui chamada de “marolinha” pelo mentecapto de plantão.

Brasil e sua vizinhança

Brasil e sua vizinhança

Um fato clamoroso, que chama a atenção mundial, é o crescimento do comunismo na América Latina, sempre travestido de “socialismo bolivariano”. Liderados pelo “chefão cubano”, vários “soberanos populistas” decidiram fechar os portos às nações desenvolvidas, a conduzir os países que governam, irremediavelmente, de volta ao século 19!

Têm-se hoje uma coleção de economias nacionais devastadas (ou quase) pela incompetência dos governantes e sua insaciável sede de poder: Venezuela, Argentina, Cuba, Bolívia, Equador e Brasil são alguns casos factuais.

Mas o Brasil, “por acaso”, faz investimentos pesados em alguns desses países, visando a melhorar a precária infraestrutura que possuem. É patético, pois durante 12 anos esqueceu-se completamente da infraestrutura nacional. Só possui projetos e obras megalômanas que nunca são concluídas e cujos custos vão se elevando de maneira assustadora, em passes de mágica.

Por óbvio, o “ocaso do Brasil” é o mais significativo para sua população. Em ano de eleições gerais, o presidente em exercício é candidato à reeleição. Até aí, tudo bem, a lei permite. Porém, seu índice de rejeição é o maior dentre todos os candidatos, pois quase 40% dos eleitores não votariam em “sua senhoria”, sob nenhuma hipótese. Ainda assim as pesquisas de intenção de voto afirmam que se encontra em primeiro lugar na corrida das urnas. Muitos dizem que se tratam de “pesquisas compradas”, portanto, falsas em seus resultados, a manipular o eleitor menos informado.

Outro fato que causa muita preocupação são as urnas eletrônicas, que continuarão a ser usadas nestas eleições. Vários especialistas no assunto provam que são equipamentos vulneráveis a hackers. Podem ser manipuladas externamente e mudar a contagem final de votos, sempre “ao gosto do freguês”.

Todavia, o Tribunal Superior Eleitoral não permite que elas sejam testadas em público, sem restrições, com uso de softwares apropriados. Vale lembrar que o presidente em exercício do TSE já foi advogado do partido que manda no governo. Nunca passou em concurso público para exercer cargos na Justiça Brasileira. Será que também tem tramoia nesse “transplante” acintoso?

Esses quadros que criam perplexidade no campo da política atual são numerosos, quase incontáveis. Em sã consciência, ninguém deseja mais 4 anos “debaixo das patas desses cavalos” que, aliás, são jegues desmemoriados. O Brasil precisa ser liderado por políticos e técnicos competentes, que limpem de vez sua máquina pública, já imunda e carcomida, para devolver-lhe a credibilidade internacional a que fazia jus no fim do século 20.

Assim, precisa-se conversar com urgência. Mas, por favor, apenas sobre o que se concorda como essencial. Afinal, necessita-se de liberdade, competência e democracia para desenvolver o país.