Choque frontal com o Ambiente


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

A finalidade deste artigo é demonstrar a importância do ambiente estabilizado para todos os seres vivos do planeta, inclusive os humanos; do ambiente  estável versus os impactos que sofre com as atividades que nele são implantadas, as quais tentam ser explicadas como “a adaptação e evolução do homo sapiens face à dinâmica deste espaço”. Bela retórica, porém, falsa como rocha líquida. Inicia-se o artigo com a desmistificação da expressão “meio ambiente”.

1. Introdução

O vocábulo “meio” possui diversos significados, os quais variam em função de seu uso: como adjetivo, substantivo ou advérbio. Por exemplo, como adjetivo pode significar “metade”; como substantivo, “lugar onde se vive” = “ambiente”; como advérbio, “mais ou menos”. A fonte usada é o Dicionário Priberam[1], onde se encontram outros significados para este mesmo vocábulo.

Na expressão “meio ambiente”, o vocábulo meio pode ser entendido como adjetivo, substantivo ou advérbio. Ou seja, faz com que a expressão signifique coisas esdrúxulas: metade do ambiente, ambiente ambiente e mais ou menos ambiente.

Não há dúvida que essas expressões trazem um erro trivial da gramática (o pleonasmo ambiente ambiente) e dois deboches com as ciências do ambiente (metade do ambiente e mais ou menos ambiente). Além de deixar evidente a pouca formação de seu criador e respectivos repetidores, destaca-se.

2. A expressão “meio ambiente”

A origem temporal de “meio ambiente” é bem discutível. Sobretudo, quando se visa a acentuar a relevância de entender o que é o ambiente diante das práticas de trabalho em consultoria, foco principal desse artigo.

No entanto, provém da academia uma pesquisa exaustiva que pretende justificar que o termo a ser usado pode ser meio ambiente[2], quando consideradas as óticas das ciências naturais e ciências humanas. Segundo o texto, da ecologia e da educação ambiental. Essa pesquisa remete-se à Idade Média e considera que o ambiente (meio ambiente) deva ser visto, analisado e trabalhado através da visão antropogênica.

Discorda-se frontalmente dessa afirmação. As ditas ciências humanas não se prestam para entender o que é o ambiente, dado que são mais discursivas, opinativas, simples retórica. Há que se buscar ciências que o detalham “como se fossem o próprio ambiente a esclarecer seu comportamento, as relações que nele se estabelecem, bem como suas funcionalidades”.

Afinal, educação ambiental não constitui ciência, apenas uma técnica ainda rudimentar. Além disso, seu título é um pleonasmo (toda a educação é ambiental), tal como Saneamento Ambiental. Por acaso existe um sistema de tratamento de esgotos que não seja oportuno para a qualidade do ambiente?!

As ciências do ambiente[3] que se destacam são ecologia, meteorologia, hidrologia, geologia, pedologia e a biologia. É através da aplicação delas que se pode trabalhar impune no ambiente.

Porém, enfatiza-se que a explicação das atividades antropogênicas precisa ser efetuada através dos processos da ecologia. Há décadas que notórios ecólogos mundiais demonstram que o ser humano é parte dos ecossistemas, embora neles cause rupturas ambientais que os degradam.

3. Como são conceituados meio ambiente e ambiente

Os conceitos abaixo, bem como suas análises de conteúdo, demonstram que há um severo choque frontal entre a desinformação de legisladores e juristas versus a visão de consultores especializados, cientistas e acadêmicos.

3.1. Conceito brasileiro de meio ambiente

Segundo a Lei no 6.938[4], em vigor até hoje, meio ambiente é “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

O conteúdo deste texto, tido como oficial, cria severas dúvidas ao leitor medianamente atento. Destacam-se algumas:

  • Qual o significado de “condições, leis, influências e interações” no contexto do ambiente?
  • Quais são as entidades do ambiente que promovem “influências e interações”?
  • Como “condições e leis” podem “permitir, abrigar e reger a vida em todas as suas formas”, senão apenas no papel?
  • As ditas “influências” significam o quê, provém de onde, de que fatos?
  • As “interações” seriam similares às relações ambientais ou ecológicas?
  • Ainda assim, seriam somente as “interações” de ordem física, química e biológica?
  • Delas resultariam o quê, currais ou ecossistemas limpos?!

Trata-se do conceito “sopa de pedra”. Nele cabe de tudo. Mas, afora colocar a pedra no meio do prato, nada esclarece. É um mero jogo de palavras que não conseguem se conectar. Por isso mesmo, com significado difuso, ambíguo, genérico, confuso. Em suma, é uma piada oficial sem qualquer significação.

3.2. Conceito profissional de ambiente

Segundo especialistas em gestão do ambiente e ecologia, ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem. Essas porções detêm distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são analisáveis através do desempenho de seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

A visão estável do ambiente

Engenharia inteligente, ambiente estabilizado

Segue a análise de conteúdo deste conceito:

  • Biosfera é a camada da Terra integrada à litosfera – que lhe serve de substrato –, onde ocorrem todos os seres vivos do planeta. A atmosfera e a hidrosfera são partes essenciais à biosfera e dela não são desvinculáveis. A ser assim, biosfera, litosfera, hidrosfera e atmosfera conformam o ambiente integrado do planeta.
  • Fatores ambientais ou fatores ambientais básicos são os componentes dos sistemas ecológicos da Terra. Estão presentes em qualquer porção que se delimite em sua biosfera. Estes fatores são associados aos espaços ambientais que lhes são afetos, pela ordem: espaço físico [o ar, a água e o solo]; espaço biótico [a flora e a fauna]; e espaço antropogênico [o homem e suas atividades].
  • As relações mantidas entre fatores ambientais são realizadas através de trocas de matéria e energia, que são dinâmicas, interativas e espontâneas. Isto garante a estabilidade e a evolução dos sistemas ecológicos que conformam. Denominam-se relações ambientais.
  • Importante destacar o que deveria ser evidente: as relações ambientais, que ocorrem há milênios, são energizadas pela luz solar, e possuem naturezas física, química, biológica, social, econômica e cultural.

Por existirem o ar, a água, o solo, a flora e a fauna no mesmo cadinho da evolução da vida, a raça humana, embora considerada sábia, é, se tanto, a 6ª parte do ambiente da Terra. Mas nem todos têm sã consciência desse fato.

Em tempo, sugere-se não esquecer: “o ambiente é ilegal“, pois não funciona conforme determinam as leis e os responsáveis por sua produção. De fato, estes não possuem o devido domínio das ciências do ambiente. Além disso, que soe como uma ameaça: a lei da gravidade nunca será abolida por qualquer decreto-lei.

4. Considerações do autor

Atuo há 31 anos em Planejamento e Gestão do Ambiente. Exatamente, desde janeiro/1986. Confesso que, naquela ocasião, chamava de “meio ambiente” o objeto dos planos que elaborava. Contudo, pela carência de literatura em português, pude recorrer a livros e artigos em inglês para estudar o tema. Neles, sempre li apenas “environment[5], pois não existe o vocábulo “meio” a agredir a gramática e os estudantes.

Intitulei este artigo “Choque frontal com o Ambiente” por achar uma covardia, cometida pelos que possuem plateias, repisarem esse erro crasso sobre a ciência do ambiente. Refiro-me, sobretudo, a professores universitários, que mais parecem jornalistas televisivos, a estrelarem em Shows de Espalha Ignorância e enganarem covardemente àqueles que os assistem de forma passiva.

Deixo para reflexão dos leitores uma breve observação acerca do conceito de ambiente: o ser humano precisa ter muito cuidado com as artes de sua engenharia, pois “qualquer porção da biosfera” é apenas o planeta Terra inteiro. Minha única fé é no ambiente estável!

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[1] Confira em: https://www.priberam.pt/dlpo/Meio.

[2] Um trabalho intitulado “Um olhar epistemológico sobre o vocábulo ambiente: algumas contribuições para pensarmos a ecologia e a educação ambiental”, realizado por dois profissionais na UNESP, Rio Claro, SP. Chega a considerações finais um tanto insípidas, muito embora constem da tese de doutorado em Educação para a Ciência, de Job Antônio Garcia Ribeiro, hoje professor da UNESP.

[3] Nota: não se usa o termo Ciências Naturais, pois implicaria admitir que existam Ciências Artificiais.

[4] Datada de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a “Política Nacional do Meio Ambiente”.

[5] Em países mais civilizados o vocábulo equivalente a “meio ambiente” é environment (Grã-Bretanha e EUA); environnement (França); umwelt (Alemanha); ambiente (Itália).

Verão na Groenlândia


Por Equipe deSobre o Ambiente”.

Com a área de seu terreno no entorno de 1.166.000 km2, a maior ilha do planeta, Groenlândia, abriga o povo Inuit, há cerca de 4500 anos. Acredita-se que na pré-história da Groenlândia (a partir de 2500 a.C.) ocorreram repetidas migrações deste povo, do norte do continente americano para a ilha. Por habitarem o polo Ártico, já estavam adaptados às condições das regiões mais frias.

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

No entanto, dados indicam que, durante o ano 1000, o clima na região sudeste da ilha era relativamente ameno, tal como o de hoje: temperatura no inverno (chuvoso, fevereiro-março) variando entre -5 e -11 oC; e no verão (seco, julho-agosto), entre 11 e 4 oC. Tanto é assim que, naquela época, eram normais no sul da ilha o nascimento de árvores e espécies herbáceas. Desse fato provem seu nome em inglês, Greenland, ou Grönland, em dinamarquês.

Nuuk, a capital da Groenlândia

Nuuk, a capital da Groenlândia

Colonização norueguesa

Por volta do ano 895, a ilha foi invadida por barcos vikings, capitaneados por Erik, o Vermelho. Diz a lenda que se tratava de um criminoso norueguês, deportado para a Islândia por haver cometido um crime de homicídio em seu país. Presume-se que, desde há 1125 anos, a lei norueguesa já fora feita para todos, a ser cumprida fielmente.

Erik Vermelho, decidira colonizar a ilha. Colérico, invadiu e desmatou várias áreas para fazer dois assentamentos: o maior, no lado leste (Eystribyggd), onde se localizava Brattalid, a residência oficial de Vermelho“, protegida por 5000 vikings; o outro, na orla oeste (Vestribyggd), abrigava mais 1000 vikings de reforço.

Colonização dinamarquesa

Ainda sob os efeitos do fim da Idade Média, em 1536, Dinamarca e Noruega oficializaram sua integração nacional. A Groenlândia tornou-se colônia dinamarquesa e a Noruega, um anexo. Somente quase de três séculos após (1814), cada uma seguiu rumo como nação independente, mas a ilha permaneceu sob controle dinamarquês.

Durante o século 19, a Groenlândia foi região de interesse para os exploradores e cientistas. De toda sorte, afirmou-se a colonização dinamarquesa e as missões enviadas foram bem-sucedidas. No entanto, a justiça dinamarquesa só se aplicava aos colonos, sobretudo, aos Inuit.

Houve uma imigração de famílias Inuit canadenses, que se estabeleceram ao norte da ilha. Os últimos grupos lá chegaram em 1864. Nesse período, o comércio e as condições econômicas da ilha decaíram, a provocar sensível despovoamento na sua costa leste.

Porém, em 1863, realizaram-se as primeiras eleições democráticas da Groenlândia, a visar a eleger representantes distritais[1]. Mais tarde, já na primeira metade do século 20, foram criados dois conselhos de governança, um para gerir o norte da ilha e outro para o sul. Contudo, decisões importantes, que afetavam as condições de vida dos groenlandeses, eram tomadas em Copenhague. Permanecia “algo de podre no Reino da Dinamarca”.

A geopolítica da Groenlândia

Pelo menos em duas ocasiões de crise mundial a Groenlândia foi vista pelo mundo externo como uma região estratégica:

  • Durante a Segunda Guerra Mundial, quando Hitler orientou suas operações de guerra na direção da Groenlândia, foi firmado um tratado com os Estados Unidos para a instalação de bases na ilha, em abril de 1941. A Dinamarca não conseguia governar a ilha na 2ª guerra. Assim, a Groenlândia passou a ter status mais independente. Seus suprimentos foram garantidos pelo Canadá e os Estados Unidos.
  • Durante a Guerra Fria, a Groenlândia teve importância estratégica, por permitir o controle de parte dos acessos entre os portos árticos soviéticos e o Oceano Atlântico, bem como por ser área sensível para observação do eventual uso de mísseis balísticos intercontinentais, que deveriam sobrevoar o Ártico.

Groenlândia, nação do Reino da Dinamarca

O status colonial da Groenlândia foi revisto em 1953, quando se converteu em parte integrante do reino dinamarquês, com representação no parlamento dinamarquês. A Dinamarca iniciou também um programa para prover serviços médicos e de educação para os groenlandeses.

De sua parte, o governo local groenlandês se apresenta como uma nação Inuit. Os nomes de lugares em dinamarquês foram substituídos por nomes locais. Godthåb, que foi o centro da ocupação colonial dinamarquesa, agora é a cidade de Nuuk, capital de um governo quase soberano. Em 1985 foi criada a bandeira da Groenlândia. No entanto, o movimento que busca sua soberania ampla ainda não teve espaço político. Mas tem tudo para acontecer.

As relações internacionais, antes comandadas pela Dinamarca, são em sua maior parte geridas localmente. Depois de separar-se da União Europeia, a Groenlândia firmou tratados especiais com a UE, uniu-se em diversos assuntos com a Islândia, as Ilhas Faroe, assim como com a população Inuit do Canadá e da Rússia.

Também é membro-fundador da Organização Ambiental do Conselho do Ártico. Está pendente a renegociação do tratado de 1951 entre Dinamarca e Estados Unidos, desta vez com participação do governo local da Groenlândia. Por fim, é esperado que a base aérea de Thule converta-se em estação de rastreamento de satélites, para uso das Nações Unidas.

Por falar em satélites, o Aqua, satélite da NASA que monitora o ciclo da água, a precipitação das chuvas, sua evaporação, a umidade do ar, temperatura da Terra e dos oceanos, bem como o fluxo de energia radioativa, registrou imagens de resolução moderada da Groenlândia, em julho de 2015.

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

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[1] Um rápido destaque: há um século e meio já existem eleições distritais na Groenlândia.

Conversas com o ambiente


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

A primeira vez que fui pescar em mar aberto tinha 6 anos de idade. Fiquei maravilhado com a imensidão do oceano à volta de nosso pequeno barco. Foi nele que recebi a primeira aula de meu pai, o melhor pescador da costa portuguesa, modéstia à parte. Hoje, aos 97 anos, estou consciente que mantive certos valores do “velho Macko” – como seus amigos o diziam.

Sem demonstrar pressa ou mudança no humor, Macko sempre me ensinou a conversar com o ambiente marítimo – o mar, os ventos, correntes marítimas e peixes em geral. Dizia-me ele, enquanto manejava linhas e anzóis: ─ “Filho, só não temos como conversar com o Sol; ele é absoluto, definitivo”.

A meu ver, na pesca artesanal portuguesa Macko foi definitivo em linhas, nós e laços. Sabia-os a todos, como poucos. Para o pai, anzóis eram meros adereços aplicados ao final de linhas. Na juventude, muita vez o vi pescar em quantidade, apenas com “laços de linha”, sem anzol.

Vista similar ao nosso ambiente marítimo

Vista similar ao nosso ambiente marítimo

Em certas noites, Macko fazia assados de peixe na praia para reunir amigos. Aos 10 anos, quando comecei a participar desses eventos, conversava com os animais que via, apelidados aqui nas Maças de tatuíra. Um tatu pequeníssimo, de peso imponderável, que é trazido pelo mar e se enterra na areia da praia, ao fim da rebentação.

Descobri que os tatuíras são crustáceos inofensivos; pobre deles. Eu cavava rápido a areia para captura-los. E ria sem parar com as cócegas de suas patinhas na palma de minhas mãos; aflitos, a esforçarem-se para fugir. Como eu só possuía instinto, não notava que “minha infantil brincadeira”, de facto, era tortura para eles.

De longe, Macko assistia meu comportamento. Um dia aproximou-se e, com interesse, explicou-me o que acontecia aos tatuírasprisioneiros de mim”. Disse-me como vivem, do que se alimentam, que auxiliam a diversos outros seres vivos e são muito frágeis às mãos do homem. Entristeci ao entender que aquele pequenino também possuía amigos, que dele dependiam para sobreviver. Assim, aos 10 anos, firmei minha primeira decisão de vida: jamais capturarei tatuíras.

Velho Macko faleceu enquanto dormia; eu tinha 27 anos de idade, então. Senti demais sua partida, mas tive de assumir as rédeas do que ele deixara: seus amigos, nossa casa, mais de 2.000 livros, o pequeno barco, petrechos de pesca e sua intensa atividade.

Há tempos conhecera outro crustáceo com “atividades subterrâneas”, muito usado como isca para robalos. Um bicho estranho, com garras dianteiras, bem maior que os tatuíras. Aqui essa espécie é conhecida como “Corrupto” (Callichirus major). Sei que no Brasil tem o mesmo apelido, pois, conforme demonstram seus espécimes políticos, “Corruptos são inumeráveis, multiplicam-se de forma acelerada, nunca aparecem e são difíceis de capturar”.

Callichirus major

Callichirus major, vulgo Corrupto

Mas quando soube que seu processo de sua busca e captura destruía o solo e microrganismos, conversei com o ambiente e optei por não utilizá-lo como isca. Achei mais prudente deixar o “Corruptoenterrado nas profundezas. Afinal, meu velho Macko pescava sem iscas e anzóis! Os brasileiros deveriam fazer o mesmo: enterrar bem fundo os seus.

Com o tempo descobri que para conversar com o ambiente e obter informações úteis, precisava saber lê-lo e prever seu comportamento futuro. Mas, além de Macko, não tinha com quem conversar sobre esse assunto. Era tema restrito a pai e filho. Decerto, ele sabia lê-lo e prevê-lo como poucos, porém não teve tempo de me explicar como fazer.

Contudo, dentre os livros que herdara, encontrei textos sobre preservação e conservação do ambiente. Pasmem, todos traziam dedicatórias dirigidas a mim, assinadas por meu pai, o Velho Macko! Sugeriam que eu entendesse o rio que atravessa nosso terreno, bem como a mata e a fauna ocorrentes em suas margens, pois eram a parte do ambiente terrestre que tinha a preservar.

Resultado: ambiente terrestre preservado

Resultado: ambiente terrestre preservado

A partir de 1960, com minhas atividades de pesca já consolidadas, dediquei-me a estudar o “meio ambiente”, como aqui é chamado, de forma ignorante. Adquiri dezenas de livros sobre Ciências do Ambiente: ecologia, biologia, hidrologia, antropologia e filosofia. Estudo-os até hoje e aplico os ensinamentos que deles recebo. Tornaram-se parte essencial de minha vida.

No início de 2013, recebi convite de Ricardo Kohn para escrever em seu blog, o Sobre o Ambiente. Confesso que tive dificuldades em aceitar: não tinha computador e sequer sabia o que seria “navegar na internet“. Mas após orientações de Quincas, meu neto postiço, enviei o primeiro artigo para o blog, uma sátira política intitulada “Carta Aberta da Estremadura – Portugal”.

Continuo a estudar e aplicar notórias práticas ambientais em tudo o que faço na vida. De facto, neste momento, estou ansioso paraImagem de divulgação adquirir o que parece ser a obra da vida de Ricardo Kohn, prevista para ser lançada ao final deste mês de julho:

  • Macedo, R Kohn, Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão. Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos , 607 pg., 1ª edição.

Afinal, meu pai, o Velho Macko, foi o primeiro “ambientalista” que conheci no mundo. Tenho, a correr em minhas veias, suas melhores heranças.

Ambientologia para a Educação


Por Cláudia Reis e Ricardo Kohn, Consultores em Gestão.

Observa-se que há entre os cursos do ensino básico brasileiro – Fundamental [1 e 2] e curso Médio – um hiato de conteúdo educacional, sobretudo, entre o Fundamental 2 e o curso Médio.

Verifica-se que os módulos do ensino fundamental relacionados ao tema “Ciências”, embora oportunos, são superficiais e estanques entre si. Não formam o substrato educacional mínimo para capacitar os alunos às demandas do ensino Médio e Superior. Falta-lhes integração com a forma de raciocinar, a incitar ações subsequentes úteis e tangíveis. Informam, mas não motivam aos alunos a desejarem mais conhecimento.

Por sinal, cansam-nos com textos dispersos para decorar e, em vários casos, acabam por “aumentar a evasão das escolas”, tal o desinteresse que proporcionam aos jovens.

Infere-se a partir das premissas acima, que é possível preencher o hiato existente e, por exemplo, integrar os cerca de 30 temas da cadeira de “Ciências”, através de um único tema: a Filosofia do Ambiente, doravante chamada “Ambientologia[1]”.

Finalidades do projeto

Essa proposta de projeto possui quatro finalidades concretas e realizáveis, a saber:

  • Ampliar nos alunos do ensino básico o interesse pelo aprendizado diferenciado das práticas ortodoxas, há muito adotadas sem os efeitos satisfatórios.
  • Reduzir a evasão escolar, sobretudo no ensino Fundamental 2.
  • Internalizar na mente dos alunos, a partir da visão do Ambiente, a importância dos trabalhos em equipe, com o aumento da produtividade escolar de cada um.
  • Por fim, além de conferir o título de “Técnico em Ambientologia” aos alunos que concluírem o ensino médio, prepara-los para se superarem no ensino superior, caso desejem realiza-lo.

Foco do projeto

  • Estimular jovens a refletirem sobre as relações ambientais de causa, efeito, ações de pronta resposta, considerando-as no tempo e no espaço. Todas essas relações são vividas diariamente por jovens, embora nem sempre sejam consideradas, o que pode acarretar perdas de oportunidades e riscos em geral.
  • Além disso, ampliar a visão espacial e temporal dos eventos que ocorrem no Ambiente, como decorrência direta de ações humanas. O pacote educacional proposto pelo projeto deve capacitar aos alunos do ensino fundamental e médio a formar opinião sobre a importância do Ambiente em suas vidas, decerto mais amplo do que as engenharias e obras que o transformam a cada instante, não raro de forma danosa a seus sistemas ecológicos.
  • Por fim, demonstrar aos jovens uma premissa básica da atualidade no mundo ocidental: “o Ambiente finito do planeta, quando estabilizado com consumo adequado de seus bens ambientais (ar, água, solo, flora, fauna e homem), constitui o pilar essencial para a evolução dos seres vivos (flora, fauna e homem), desde que com a manutenção da dinâmica de seu substrato físico (ar, água e solo) ”.

Descrição do projeto

Para situar os leitores mais velhos desta proposta, o curso Fundamental 1 equivale aos antigos Pré-primário e Primário. O Fundamental 2, é similar ao antigo Ginásio. Por último, o curso Médio equivale aos cursos Científico e Clássico, como denominados no passado.

Salienta-se que, nessa etapa da educação de jovens, a Ambientologia será uma cadeira que possui como base pedagógica as respostas do Ambiente como resultado de ações praticadas pelo Homem, nem sempre inteligentes sob a ótica do Ambiente.

─ Curso de nível Fundamental [1]

Destinado a jovens de 6 a 10 anos, o projeto propõe-se a desenvolver 5 (cinco) cartilhas ambientais, a narrar histórias do dia-a-dia que os jovens dessa idade tenham interesse em descobrir e conhecer. O teor das cartilhas visa a motivar crianças Vista escolar da Ambientologiapelas descobertas.

Exemplo de temas para as cartilhas: i. Assim são plantadas as hortas comunitárias; ii. Mude o ambiente de seu bairro: plante flores nas praças; iii. Hortas na cobertura e flores na fachada dos prédios; iv. A alegria da Primavera é contagiante; v. Folhas e flores trazem borboletas e beija-flores para dentro das casas; vi. Sem flores não existem as frutas que adoramos; vii. Podemos lhe ajudar nessa tarefa?

Evidente que as cartilhas ambientais precisam de personagens que “conversam” com as crianças. A exemplo, podem ser duas famílias com filhos em aprendizado inicial.

No Fundamental [1] os módulos de aprendizado são três: Alfabetização em Português, Aritmética, Introdução à Ambientologia e, por opção do aluno, Inglês básico.

─ Curso de nível Fundamental [2]

Destinado a jovens de 11 a 14 anos, o projeto propõe-se a elaborar 4 (quatro) livros didáticos, específicos para o Fundamental 2. Os livros devem ter cunho evolucionista, a começar pelo roteiro educacional que apresentam para a Ambientologia, a qual precisa ser dinâmica: a evoluir do livro 1 até o livro 4.

O tema central também é o Ambiente, em todas as suas proporções e narrativas, por exemplo: como fazer e gerir um simples canteiro de plantas, passando por jardins, sítios e fazendas; perceber as ameaças dos processos de desmatamento, das erosões intensas, que resultam em áreas desertificadas; apresentar as características dos ecossistemas primitivos e sua capacidade de evolução aleatória; até chegar ao maior desafio, que seria algo tal como o Ambiente Primitivo: sem poluição do ar, sem contaminação hídrica, com solos férteis, rios e lagos de água pura, um povoado integrado à floresta e sua fauna silvestre.

Através de narrativas muito bem sequenciadas, amplamente documentadas por fotos e desenhos, a Teoria do Ambiente vai sendo gradativamente transferida aos alunos, como essencial à filosofia das suas vidas, sem ter que falar em Teoria ou Ciência.

A linguagem dos livros será simples e coloquial. Sua narrativa fará menções à linha do tempo da existência do Homem no planeta, ou seja, do paleolítico até os dias atuais: do antigo caçador-coletor ao atual “caçador-extrator”. Trata-se de oferecer para análise dos jovens alunos uma visão histórica e geográfica do homo sapiens, bem como sua evolução no Ambiente planetário.

No entanto, subentenderá questões ambientais práticas, que estimulem aos alunos perspicazes a encontrar soluções próprias, tanto para o momento em que vivem, quanto para seus futuros de maior prazo.

As coleções de cartilhas e livros serão impressos em papel reciclado. Porém, o projeto também prevê oferecer os livros também em formato digital (e-book).

Para finalizar, o projeto Ambientologia deverá atender à prática moderna da juventude, através de aplicativos para celular, tablets e computadores pessoais. Constituem jogos que demandam a decisão dos alunos diante das questões ambientais formuladas pela coleção de livros – “environmental games”. Jogos inteligentes estimulam o aprendizado.

No Fundamental [2] os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Português e Redação, Matemática, Ambientologia, História, Geografia e Inglês. Por escolha do aluno, ele pode selecionar aulas de Espanhol ou Francês.

─ Curso de nível Médio

Destinado a jovens de 15 a 17 anos, o projeto adotará práticas constantes em “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”, livro a ser publicado em breve para o ensino de Nível Superior.

Essa obra teria como título “Ambientologia – Metodologias para Gestão”. No entanto, o título foi trocado, pois o autor considerou que seu significado não seria claro, por referir-se a uma “prática pouco conhecida”.

No curso Médio os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Redação e Literatura, Matemática avançada, Física, Química, Ambientologia, Inglês, Espanhol, Francês e, no último ano, Ambientologia avançada.

Benefícios do Projeto Ambientologia

A relevância de qualquer projeto se assenta na capacidade de responder às demandas de seu público-alvo, sejam elas explícitas ou não. Desse atributo derivam os benefícios que o projeto oferece à sociedade, que podem ser de variadas ordens.

No caso do ‘Ambientologia’, tratam-se de benefícios educacionais, dos quais deságuam efeitos positivos de ordem social, econômica e motivacional, pelo menos. Destacam-se cinco deles, a saber:

  • Internalização no raciocínio dos jovens da dinâmica do Ambiente, às vezes imprevisível, bem como de seu trato adequado, através do uso dos meios que estejam disponíveis, sejam os acatados pela ciência ou criados por eles próprios.
  • Demonstração aos alunos que as atividades dos ecossistemas humanos precisam possuir desempenho ambiental, visando a garantir a sustentabilidade dos ecossistemas primitivos, ou seja, manter o Ambiente estabilizado.
  • Ampliação da capacidade da lógica dedutiva na formação do conhecimento, com efeitos expressivos na autoestima dos jovens “alunos descobridores”.
  • Aumento da capacidade de antevisão de problemas de causas variadas, com estímulo à inventiva pessoal dos alunos em solucioná-los, no tempo e no espaço.
  • Introdução da variável ambiental na vida dos jovens, através da visão de seus espaços físico, biótico e antropogênico, como fundamento para a tomada de decisão em todas as suas futuras profissões.

Procura-se um Investidor-parceiro para melhorar a Educação dos jovens brasileiros.

……….

[1] Após 42 anos de consultoria em estudos e projetos, descobriu-se que a Ambientologia não seria propriamente uma ciência. Mas uma base filosófica, que facilita a orientação e coordenação da aplicação simultânea das inúmeras ciências que explicam o Ambiente.

‘Maravilha’


Por João de Moura Macedo, de Nazareth da Mata, PE.

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Este breve relato é sobre uma nação muito pouco conhecida, mas que, em minha visão, é o “País da Maravilha“. Faço um resumo de tudo o que li acerca dessa inacreditável nação. Devo dizer que procurei selecionar seus aspectos de maior interesse.

Assim, tento mostrar a imensidão de seu território e a qualidade de seu ambiente; o terreno exclusivo que possui para acolher vegetação e fauna silvestre; e, bem assim, as linhas básicas de convivência de seus cidadãos, os dignos maravilhenses.

Nesse relato optei por seguir a sequência aceita como a história da formação do Ambiente da Terra, assim sintetizada:

  • Primeiro, aconteceram choques entre gigantescos blocos de rocha no espaço sideral, o que veio a dar origem a seu furioso Espaço físico: extremos tremores das rochas que se acomodavam, com fortes emissões de gases e lava, até tornar-se um colosso geológico;
  • Em seguida, após 2,5 bilhões de anos, encerrou-se o resfriamento da crosta colossal, bem como a formação de sua atmosfera. Assim emergiu a vida, o Espaço biótico, que teve origem em pequenas algas marinhas: as cianofíceas;
  • Por fim, estimados a partir da sua origem física, 5,5 bilhões de anos depois, emergiu a bravata do Espaço antropogênico, onde os humanos são os desastrados construtores.

Contudo, embora esta sequência também haja ocorrido na Maravilha, nela não aconteceram as deformações provocadas pelo homem. Seu ambiente ainda é o primitivo e, em grande parte, intocado.

Por isso, acredito que esse documento possa servir de parâmetro para avaliar a humanidade e a educação em mais de 160 países. Devo dizer, países ainda “repetentes no curso primário” promovido pelas Nações Unidas, desde 1945. Tenham a santa paciência, vão catar coquinhos, 70 anos de repetência é motivo para jubilação!

Espaço físico

A sorte geográfica desta nação foi absurda e, de certo modo, ingrata com a maioria dos países do globo. Imagine: seu território se estende por uma área de 8,5 milhões de km2! De norte a sul, o litoral maravilhense possui 9.200 km de extensão, com belezas cênicas inigualáveis.

Nele existem pequenas montanhas, falésias, planícies costeiras, milhares de enseadas, um estuário de mar aberto, dezenas de arquipélagos, centenas de manguezais e até regiões com o litoral rendilhado pelo artesanato da natureza.

O clima da Maravilha apresenta magníficas variações, do equatorial ao frio, com classes intermediárias bem definidas: tropical, subtropical, semiárido e temperado. Isso mesmo, condições de tempo que vão do clima tórrido até geadas e neve.

Na Maravilha não existem vulcões ativos. Todos são morrotes extintos há milênios. Em seu território e na sua costa marítima nunca ocorreram ventos fortes como tufões, ciclones ou furacões. Por outro lado, a Maravilha detém as maiores reservas mundiais de nióbio, vanádio e outros metais estratégicos, afora manchas das chamadas terras raras.

Afirmam pesquisadores do espaço físico que a Maravilha detém 12% da água doce do planeta. Pois, a caminhar terra adentro, é surpreendente o grandioso volume de água com que se depara. São rios, lagos, cachoeiras, riachos, corredeiras e lagunas marginais, todos a transbordar água mineral nativa, pura e potável. É incrível!

Por sua vez, seus solos são profundos em pelo menos ¾ de seu território. Além disso, possuem variados nutrientes, que não cabem ser enumerados aqui. Mas sua composição em nitrogênio, potássio e cálcio é de tal ordem estabilizada, que os torna aptos para a produção espontânea de vegetais e frutos comestíveis.

Essa é a síntese do que a Maravilha oferece como substrato físico à evolução de todas as espécies vivas nela ocorrentes.

Espaço biótico

Grandes manchas vegetacionais ocupam 85% do território maravilhense. Dado seu relevo “de suave a ondulado”, suas notórias vocações climáticas, mais o volume de água que se espraia por seu terreno e a notável qualidade de solos, as coberturas da flora possuem elevada biodiversidade, a apresentar biomas com grande extensão e complexas relações entre suas espécies – fitossociológicas.

Já a fauna ocorrente na Maravilha é soberba, tanto em sua abundância, quanto na extrema diversidade. Seus espécimes tentam encontrar na variedade de florestas, matas, savanas e campos existentes seus habitats ideais, feitos pelo acaso e sob medida.

No entanto, embora as regiões que são cobertas pela vegetação sejam de grande extensão, não é fácil para os incontáveis espécimes da fauna silvestre (mastofauna, avifauna, ictiofauna, primatas, herpetofauna, entomofauna, aracnofauna, malacofauna e anurofauna, dentre outras classes) permanecerem no mesmo “espaço domiciliar”, pois ocorrem os conflitos normais, por vezes, letais.

Mas, ao fim e ao cabo, é a seleção espontânea imposta pelo ambiente que desafia quais espécimes possuem habilidades para se adaptar, sobreviver e procriar.

Vale dizer, o povo maravilhense tem plena consciência da importância desse patrimônio ecológico e o mantém praticamente intacto, há séculos, sem necessidade de leis, polícias e ameaças. Procedem assim por que é um costume incorporado em cada cidadão, após 500 anos de democracia liberal.

Espaço antropogênico

A propósito, depois de criada a democracia ateniense, por volta de 2.700 anos atrás, com base nas propostas de dois pensadores gregos, Sólon e Clístenes, a Maravilha foi a primeira nação do mundo a constituir-se Estado Liberal Democrático, em 1515.

Desde então, nunca foi colônia de outro país, nem pensou em colonizar terras além mar. Sua única constituição federal está impressa em apenas uma folha de papel e até hoje não sofreu qualquer emenda. Por isso, os cidadãos maravilhenses recitam-na de cor, como o poema que mais lhes aprazem.

Na Maravilha não existem leis ou decretos públicos. Ela é regida conforme os costumes de seu povo que, desde sua origem, elegeu uma assembleia nacional para coordena-lo, sem a participação do que chamam grupelhos políticos. Essa instituição não possui um “mandato” e seus membros não recebem qualquer remuneração, apenas uma justa e pequena ajuda de custo.

Contudo, precisam ser substituídos por força da democracia liberal. Por exemplo, há saídas para resguardar intacta a missão assumida por alguém, que não a concluiu dentro do prazo. Há saídas espontâneas, pois qualquer membro sente-se eticamente motivado a substituir a si próprio, quando encontra um cidadão mais útil do que ele, que atenda melhor à sociedade maravilhense. E, por óbvio, acontecem as substituições por falecimento.

Desde seu nascimento como Estado, a constituição maravilhense (1515), redigida em praça pública, estabelece por consenso que serviços de educação e saúde são os pilares básicos de sua governança e evolução. E assim o é, até hoje.

Dessa maneira, não existe um único analfabeto perdido em seu território nacional. Todos os maravilhenses completaram, no mínimo, o ensino médio. E o que é mais notável: 95% deles possui pelo menos um título superior em Gestão do Ambiente, Medicina, Engenharia e Matemática Aplicada. Somente a graduação nessas áreas requer 8 anos de cursos intensivos, teóricos e práticos. A partir daí, formaram-se mestres e doutores, aos pelotões.

Para se ter uma medida, nas cidades maravilhenses existem mais bibliotecas do que lojas de loteria no Brasil inteiro! São instituições públicas, que recebem toneladas de livros de todas as nações cultas do mundo. Afinal, em média, o maravilhense sabe ler, escrever e falar com fluência pelo menos cinco idiomas, além da língua materna.

O hábito de ler, interpretar e aprender é uma tradição de cinco séculos naquela nação. Nas ruas e campos vê-se, diariamente, uma grande quantidade de pessoas a aprender com um livro às mãos. Por força de vários fatores, inclusive a bendita sorte, tornou-se uma epidemia nacional, sem condições de retorno à origem do homo sapiens, insipiente e destruidor agressivo.

Afinal, o que é a Maravilha?

É fruto da exuberante educação construída e distribuída a seus cidadãos, durante séculos. Os maravilhenses souberam organizar suas cidades em pequenas áreas, de forma a não destruírem seu santuário ambiental, tanto o físico, quanto o biótico. Saliento que sua divisão “geopolítica” possui somente dois níveis: o Estado maravilhense e suas cidades. Não existem os estados e os municípios.

Portanto, nunca houve governadores e prefeitos, deputados e vereadores. Eles eliminaram os gastos com o que chamam de “maldita máquina pública”. Para eles são apenas máquinas de produzir burocracia e confusão, enfim, “instrumentos da corrupção”.

As casas, equipamentos urbanos e serviços de uso público foram erigidos entre a vegetação nativa, de modo a mantê-la de pé. Por sinal, em cada cidade está instalado um viveiro de mudas de espécies nativas. São milhares de viveiros implantados na Maravilha. Assim foi criada uma de suas principais fontes de riqueza, pois exporta toneladas de mudas para países civilizados que desejam reflorestar seus territórios.

Os cidadãos maravilhenses são vegetarianos há séculos. Não há gado de corte no país. Em troca, cada cidade possui grandes hortas comunitárias, plantadas em harmonia com a mata. Se for feito um sobrevoo sobre a Maravilha, somente ressaltarão aos olhos do observador somente seus polos industriais, aeroportos e portos. Criará uma sensação curiosa: para que servem industrias e aeroportos se não existem pessoas?

A produção de energia elétrica do país adotou uma solução óbvia. Cada casa, unidade produtiva, unidade de serviço público produz a energia que consome. Há mais de século, cientistas maravilhenses desenvolveram fontes eólicas, solares e de biomassa, visando a consumidores de pequena e média envergadura. Portanto, não existem linhas de transmissão a atravessar o território da Maravilha.

Inversamente, a segurança pública possui uma solução antiquada, creio eu. Como a principal fonte de receita do país é o turista estrangeiro, que possui “costumes estrangeiros”, é o exército quem faz a segurança, pois lá não existem polícias. E ele mantém a tradição medieval da pena de morte para tudo o que a assembleia nacional considerar “crime contra a pátria“.

Não vou entrar no mérito dessa questão, mas há um benefício econômico para a nação: não existem penitenciárias, prisões, celas ou qualquer gênero de “armazém de criminosos”. Além disso, para desmotivar eventuais “intrusos”, todas as famílias do país possuem armas de fogo em casa. Entretanto, a taxa de criminalidade no país é zero e o tempo de vida útil do maravilhense é de 95 anos.

Concluo que essa foi a forma democrática e liberal que o povo do País das Maravilhas escolheu para viver, desde 1515. Suas comunidades são saudáveis, cultas, humildes e muito sociáveis. São capazes de criar soluções, simples ou complexas, que aumentem a produtividade de sua economia, bem como a qualidade de suas vidas. Dessa forma, deixo questões que não consigo responder:

─ “Por qual motivo os países associados às Nações Unidas não adotam essa forma digna de viver”? “Por que preferem se destruir e se corromper com extrema naturalidade“?

Revolução do Ambiente


Por Ricardo Kohn, consultor em Gestão.

Introdução

Ao se analisar o atual cenário do Ambiente [1] do Planeta, verifica-se a ocorrência de uma série de fenômenos adversos (com impacto negativo), que se manifestam em grandes regiões da Terra (alta distributividade) e, possuem elevada potência de transformação (intensidade) das áreas em que ocorrem (degradação).

Se nada for feito para cessar as causas de boa parte desses fenômenos (eventos ambientais de ordem política e econômica), suas manifestações permanecerão a atuar até que os fatores ambientais por eles impactados [2] sejam extintos (duração máxima). Isso não é uma profecia, mas fruto de raciocínio lógico e factual. Senão, vejamos.

Classificação de eventos ambientais

Sempre que se deseja analisar esse cenário ambiental de forma mais consistente, organiza-se os eventos ambientais adversos em três classes distintas:

  • A classe dos eventos físicos, próprios de geodiversidade terrestre, é a que detém os eventos mais intensos e localmente violentos: terremotos, maremotos, erupções vulcânicas, tsunamis, incêndios florestais espontâneos [3] e grandes vendavais – tornados, tufões e ciclones. Estudiosos envolvidos em sua explicação ainda não encontraram qualquer ação humana que seja capaz de gerar a manifestação desses eventos.
  • A classe dos eventos bióticos é extremamente sensível e possui dois tipos básicos de causa. Ou decorre dos eventos físicos do planeta, até então incontroláveis, ou é promovida pelo próprio ser humano. De toda forma, impactos adversos sobre a biota trazem inumeráveis efeitos negativos. O que varia entre os dois gêneros de causação – físico e antropogênico – é a área de manifestação (distributividade) e o tempo de manifestação dos eventos causadores (duração).
  • Por fim, tem-se a classe dos eventos antropogênicos. É nitidamente a mais adversa e paradoxal. Não apenas graças à intensidade e distributividade planetária de seus impactos negativos, mas pela quantidade de naturezas que possuem seus eventos e a alta frequência diária com que ocorrem. É um paradoxo pelo fato que o Homem, seu único ator ativo, ameaça e destrói a si próprio, enquanto pensa que evolui. De fato, apenas tornou-se uma ‘subespécie da sub-fauna’.

Mundialmente, durante as oito últimas décadas, personificado pelos ‘governantes’ que elegeu, o ser humano tem dado mostras inequívocas de sua extrema ignorância e agressividade.

Democratizou-se o debate

Em março de 2004, ocorreu em Roma um fórum internacional que reuniu especialistas em Políticas para Gestão Ambiental, provindos de cerca de 110 nações. A ONU cedeu suas instalações, situadas na Via Termas di Caracalla. O fórum foi promovido pelo ‘Ministério do Território e do Ambiente da Itália’.

Recebi um convite do Chile para participar, com passagem de avião e despesas de hotel já pagas. Ao chegar em Roma, no prédio onde se iniciava o evento, fui avisado que deveria ir até a secretaria para receber textos impressos, alguns euros para despesas de alimentação e pegar crachá de identificação. Nele estava impresso meu nome e o país a que representava: Chile.

Solicitei a troca, mas esclareci que também não era representante formal do Brasil no evento, apenas um consultor brasileiro. Assim, naquela segunda-feira, prossegui rumo à abertura do encontro.

Não estava previsto na agenda dos debates, porém, por proposta do Ministro do Ambiente da Inglaterra, que abriu o fórum com fala direta e objetiva, o tema principal dos debates tornou-se “Principais impactos adversos promovidos pelo Homem e suas instituições – Discussão de casos e Paradigmas de solução”.

Dois dias depois, pensei que as seculares propostas da Democracia Ateniense talvez ainda estivessem a pairar sobre as ruínas do Fórum Romano e, com base nelas, os presentes fizeram a escolha. O fato é que o clima dos dois salões em que aconteceram os debates tornou-se amistoso e cooperativo. Decididamente, informal. Todos falaram com todos ou, pelo menos, tentaram.

Um pouco da participação

Na noite do segundo dia houve um coquetel de confraternização. Pessoas cordiais, vinhos de primeira linha, ótimos acepipes, quando alguém na multidão gritou meu nome:

─ “Quem é Ricardo Kohn, representante do Brasil?!

Virei-me e vi um jovem próximo dos 45 anos, com o braço esquerdo erguido e nele um copo de uísque com gelo; de fato, não se tratava de um escocês, conclui. Acenei de volta e tivemos um encontro brasileiro. Seu crachá trazia o nome Badaró, BP Gas, Bahia, mas ele tinha sotaque mineiro.

Expliquei-lhe que não representava o Brasil, mas fora convidado pelo Chile, graças aos contatos de um grande amigo chileno – Jaime Irigoyen. De toda forma, ao acaso, fomos brindados pelos presentes como ‘a delegação do Brasil’, numa espécie de ‘sacanagem internacional’.

Contudo, a maioria dos países de fato enviou delegações. Debati com algumas em ‘mesas de negócio’. Mas devo destacar as delegações da Costa Rica, Inglaterra, Alemanha e Austrália, tanto por haverem enviado Ministros do Ambiente como chefes de delegação, quanto pela forma objetiva e pragmática com que abordaram o tema ‘impactos antropogênicos adversos’.

Encerramento do Fórum Internacional

O Fórum encerrou-se no fim da tarde de sábado, 6 de março de 2004. O Ministro do Ambiente da Alemanha foi convidado para fazer o discurso de encerramento. Havia alguma ansiedade dos participantes, pois estavam presentes no auditório mais de 500 especialistas em políticas ambientais públicas. Suas últimas palavras foram marcantes e guardo-as até hoje:

─ “Para concluir, considero ‘a desflorestação de mata nativa e secundária’, quer por meio de seu corte irresponsável, quer através de incêndios criminosos, como o mais violento dos eventos antropogênicos que ainda ocorrem neste planeta. Os países que, de fato, possuam Governança do Ambiente, têm condições de impedir essa destruição. Os custos de mantê-la descontrolada deverá remeter qualquer nação rumo à completa miséria, tanto material, quanto ética e moral”.

Mesmo passados quase 11 anos, desde quando ouvi essas palavras, motivo-me cada vez mais a trabalhar para a Governança do Ambiente. Sobretudo, no Brasil, onde o cenário atual de seu ambiente está a ser destroçado de maneira impiedosa. Não há visão de seu futuro cenário ambiental, sequer para o médio prazo. Nenhum agente público responsável faz ideia como se encontrará o cenário do território brasileiro daqui a dez anos, em 2025.

Iniciar a revolução

Há uma questão original que precisa ter resposta imediata:

─ “Como estará o ambiente brasileiro em 2025, ou seja, como se comportarão seu clima, seu ecossistema aquático, seu solo, a vegetação, a fauna silvestre e a qualidade de vida de sua população?

Em minha opinião, esse quadro de fatores e suas relações ambientais estará bem próximo da extinção, se não colapsado por completo. De forma figurada, a tendência do país é tornar-se um imenso corpo estéril, mas pleno de insanidades: políticas, econômicas e produtivas.

Neste país, as instâncias de poder, públicas e privadas, ainda negam-se a conhecer a existência do ambiente brasileiro. Chamam-no de ‘meio-ambiente’ e acham que consiste em coleções de minas a explorar, de poços de petróleo a exaurir; de solos incansáveis a serem desnutridos até o fim dos tempos, desde que a baixo custo. Acham, enfim, que podem detonar à vontade suas jazidas pedra e calcário, derrubar suas florestas para fazer telhados de luxo, enquanto, na surdina, arquitetam ‘corrupções triplex’.

Em termos da qualidade de vida, desconhecem o que resulta para a população desfrutar do ambiente estabilizado. Mas vendem-no de forma torpe, por incontáveis dólares depositados em suas próprias contas bancárias.

Querem bilhões de dólares. Quanto mais lavados, melhor (a nota é falsa).

Querem bilhões de dólares. Quanto mais lavados, melhor (a nota é falsa).

A ser desta forma, a questão original muda seu foco e fica assim enunciada:

─ “Como será possível impedir e reverter a degradação do ambiente do território brasileiro, antes de 2025?

Trata-se de prever como ficará o ambiente brasileiro no futuro e de que forma se deve trabalhar pela Revolução do Ambiente, que precisa ser de ordem técnica e cultural. Há duas linhas de ação básicas e interligadas para realiza-la.

A primeira é de ordem técnica, de gestão pública, e precisa obter resultados em curto prazo. Visa a revolucionar totalmente o setor ambiental público brasileiro. Questões que envolvem sua estrutura atual, tais como ‘ministério ou agência nacional’, ‘instituição de Estado ou órgão de governo’, ‘dependência do poder executivo ou autonomia de ação’, devem ser debatidas com a sociedade civil realmente organizada.

A partir daí, é imprescindível a implantação de uma ‘política para gestão de pessoas’, desenhada de forma a trazer para os quadros públicos desse setor profissionais experientes e com a mesma ótica proposta pela segunda linha de ação, a seguir.

A segunda linha tem seus alvos para o médio e longo prazo, pois visa a transformar valores culturais consolidados no Brasil, há séculos. Em síntese, trata-se de revolucionar a educação em todos os níveis – do primário ao superior –, tornando-a capaz de demonstrar que “a Economia somente se desenvolve quando em simbiose com o Ambiente”.

Enfim, constitui um processo de tal dependência que, caso o degrade, a economia nacional extinguirá a si própria. Essa é a visão essencial da Governança do Ambiente.

Até numa nação pobre, o ambiente pode ser o substrato da civilidade

Até numa nação pobre, o ambiente pode ser o substrato da civilidade

Haveria uma terceira, mas de ordem policial e jurídica. Abro mão de considera-la, por ser um efeito e não causa da degradação ambiental do território brasileiro. Algemas e penitenciárias, eternamente aplicadas, resolvem o problema.

……….

[1] Conceito de Ambiente: “É qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (ar, água, solo, flora, fauna e homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como devem ser analisados segundo seus fatores físicos, bióticos e antropogênicos” (Kohn de Macedo, R.).

[2] Fatores ou bens ambientaisFísicos: Ar, Água e Solo. Bióticos: Flora e Fauna. Antropogênicos: o Homem e suas atividades, em especial habitação, produção e comércio.

[3] Os incêndios florestais espontâneos são classificados como eventos físicos, pois decorrem do contato de fagulhas elétricas provindas do espaço com grande volume de matéria natural comburente. Seus resultados adversos são de ordem física, biótica e antropogênica, mas próprios de matas específicas, como as florestas de eucaliptos da Austrália.

Reflorestar já!


Parece não haver outra forma de fazer, infelizmente. Mas certas decisões nacionais precisam ser radicais e intolerantes com aqueles que delas se desviarem, sem o quê, ‘fazem água’ e, no máximo, obtém resultados pífios.

Mas debaixo dessa perigosa premissa, tranquilizem-se: estão somente as decisões que visam a garantir a integridade do Patrimônio Ambiental Brasileiro, sem dúvida ainda um dos mais importantes do planeta. No entanto, o cenário atual desse patrimônio é grave e apresenta processos desastrosos, cujos efeitos negativos se multiplicam diária e regionalmente.

Sem dúvida, compreende-se que o ‘novo governo herdará’ (de si mesmo) severas crises de difícil solução – econômica, política, moral e corruptiva parecem ser as prioritárias. Contudo, a ver por outro ângulo, pergunta-se: aonde pretende chegar com sua permanente omissão frente a incêndios e desmatamentos criminosos, realizados em todos os biomas brasileiros? Deseja aguardar, complacente, que o território nacional transforme-se num gigantesco Saara, totalmente estéril?

Deserto do Saara, por Luca Galuzzi, 2007

Deserto do Saara, por Luca Galuzzi, 2007

É nítido que qualquer cidadão medianamente observador encontra neste cenário a semente de mais uma poderosa crise, com consequências temporais e regionais imprevisíveis, que podem acarretar despesas evitáveis, porém estimadas em dezenas de bilhões de reais para conter e sanar verdadeiros desastres ambientais.

As fortes oscilações do clima, o calor e a secura que se instala em grandes áreas do país, afetando a geração de energia e o abastecimento d’água, são apenas os primeiros indícios de uma forte desertificação que advirá caso a Crise Ambiental não seja tratada da forma devida, como evento prioritário da Governança do Ambiente no país.

Sumário da Crise Ambiental

As regiões que foram recobertas pelos biomas Cerrado e Caatinga (cerca de 25% do território nacional) já possuíam essa tendência primitiva, como espelho do clima nelas ocorrente. A ser assim, haveriam de ser geridas com cuidados especiais, ambientais e agronômicos. Mas pouco foi feito. O fato é que estão a ser apagadas do mapa orgânico nacional, com seu uso e ocupação realizado por atividades destrutivas, que não possuem a visão do bioma como um todo, apenas do pequeno naco de terra de cada propriedade.

Brasil, o celeiro do planeta!’, é uma das exclamações mais clamorosas que ainda se escuta. Com essa visão, dotada de ‘burrice latifundiária’, o setor agropecuário brasileiro tornou-se ‘satélite do estômago’ das nações compradoras. Além disso, não possui meios para garantir bons preços de suas commodities no mercado internacional.

Ademais, o solo sofre os efeitos adversos das práticas da monocultura intensiva e necessita ações periódicas de manejo para ‘ser renutrido e descansar’. Dessa forma, a questão que se impõe é saber “como repor a capacidade produtiva do solona elevada velocidadeda demanda por produtos agrícolas que pretende atender”.

Apesar de leigos nessa matéria, acredita-se ser muito difícil obter uma solução por meio de práticas agronômicas conhecidas. Ainda assim, caso seja descoberta, será somente por um tempo limitado. O Solofalecenas mãos cobiçosas do Homem e, junto com ele, também os aquíferos e a vegetação.

Porém, ao contrário, é com extremo vagar que instituições públicas às vezes respondem aos alarmes de ‘incêndios acidentais’ e desflorestamentos ilegais nos biomas Amazônia e Mata Atlântica. Com isso, ambos já sofreram perdas irreparáveis nas matas originais: a Amazônia já perdeu cerca de 40% de sua floresta nativa, e a Mata Atlântica, no entorno de 93%.

É absurdo trocar Matas Nativas por loteamentos, condomínios, pastagens, criação de gado e culturas agrícolas! Há outros meios disponíveis sem necessidade de se tocar nas matas.

No passado, quando alguns poucos cidadãos se rebelavam contra este ato incompreensível e injustificável, críticos mais arrogantes desprezavam a realidade e aplicavam-lhes o jargão de ‘eco-chato’ ou, com nítido menosprezo, de ‘ambientalista’. Queriam silencia-los.

Entretanto, nas três últimas décadas, começou a ficar evidente a tendência preocupante dos rumos do dito Patrimônio Ambiental Brasileiro. Nas bordas limites de seus grandes biomas, forças externas da ocupação humana crescente, sem qualquer critério de controle, causam ‘corrosões’ acentuadas nas manchas da vegetação. É o chamado efeito de borda. Esse fenômeno reduziu de forma gradativa a área total dos biomas, enfraquecendo sua estabilidade espontânea e tornando-os mais vulneráveis a outras ações.

Aos poucos, sobrevieram ondas de calor em regiões e áreas do país, sobretudo decorrentes da derrubada de matas e savanas, que se conjugam com a constante dinâmica da ação solar. Assim, graves efeitos foram promovidos sobre o ambiente, impactando seu clima, seus recursos hídricos, os solos, a flora, a fauna e, por fim, a própria sociedade [1].

Uma ótica de abordagem

Para o caso brasileiro, lógico que sem menosprezar a ciência, segue uma visão mais imediata e pragmática. Até por que reservatórios de usinas hidroelétricas do país já estão a secar, assim como as nascentes de vários mananciais, com os conhecidos efeitos nas condições de fornecimento de energia e de abastecimento d’água para inúmeras cidades.

Diante da realidade brasileira, duramente afetada pela Crise Ambiental, que cresce e evolui em silêncio, é premente a implantação de um Plano Nacional de Ações para EmergênciasPNAE. Dotado de metas de curto, médio e longo prazos, bem como de critérios claros para avaliar os resultados alcançados, terá na sociedade civil organizada uma efetiva rede de fiscalização e controle.

Dispondo de equipe selecionada, composta por acadêmicos e especialistas, é viável elaborar e implantar o PNAE em até doze meses. Porém, para que realize os resultados esperados, sugere-se que algumas diretrizes sejam seguidas:

  • O PNAE não possuirá qualquer vínculo ideológico ou político, nem constituirá uma iniciativa de governo. Precisa ser proposto pela sociedade civil.
  • Por enquanto, o PNAE constituirá um conjunto integrado de ações e projetos que represente o desejo da parcela da população brasileira que se encontra melhor informada.
  • No entanto, projetos de Educação Ambiental serão implantados junto a comunidades que necessitam de melhores informações sobre práticas e benefícios de ‘conservar seu ambiente’. Dessa forma, ganham a participação no controle do PNAE.
  • Projetos de Educação Ambiental serão prioritários para as comunidades que vivem nas bordas dos grandes biomas.
  • Desmatamento Zero’ em todo o território nacional começará a vigorar junto com o início da elaboração do PNAE.
  • Todas as metas do PNAE serão formuladas a partir da visão global do Patrimônio Ambiental Brasileiro que pretende reconstruir e garantir sua conservação. O PNAE não enxergará propriedades, mas os biomas em que estiverem inseridas.
  • O PNAE estabelecerá que ‘incêndios criminosos e desmatamentos ilegais’ serão promovidos a crimes hediondos.
  • A prática chamada ‘Reflorestar Já!’ deverá ser seguida e implantada em todo o território nacional, compreendendo desde casas, ruas, praças, áreas urbanas, áreas militares, até sítios, fazendas, indústrias, matas e savanas degradadas.

Cabe ao poder executivo apenas endossar o PNAE e, quando requerido, alocar recursos para garantir seu sucesso. Isso é a Governança do Ambiente, ou seja, o presto atendimento aos interesses legítimos dos cidadãos.

Somente através desta prática de gestão pública torna-se possível produzir, crescer, distribuir renda para os trabalhadores, assim como, simultaneamente, manter a sustentabilidade dos biomas brasileiros.

Plantação de cacau dentro da Mata Atlântica

Plantação de cacau dentro da Mata Atlântica

[1] Aqui não se discute o mérito do efeito estufa ‘causado por atividades humanas’: efeito estufa antropogênico. Há diversas teses disponíveis, todas elas não demonstradas, mas que o explicam ao ‘gosto de cada cientista, político e artista cinematográfico’.

Professores através dos tempos


Pela essência do 15 de Outubro, Dia do Mestre.

São inesquecíveis todos aqueles que contribuem para a formação dos primeiros traços culturais na cabeça de uma criança. Parece-me normal que os “primeiros professores” sejam parte de sua família. São mais eficientes pelos exemplos que dão à criança, do que através de conversas e conselhos. É assim que vejo “brotar uma nova personalidade”.

Porém, há crianças que não possuíram pais. Ou ficaram órfãos ao nascer ou seus pais foram “incipientes no professorado”. Este foi o meu caso, com pais principiantes pela idade e total inexperiência em educação.

Contudo, faço-lhes homenagem nesta data. Se pelo lado materno recebi a sobrecarga do “amor egoísta”, que tanto me sufocava, do lado paterno conheci os efeitos dolorosos de um gratuito chicote a bater-me nas pernas. Sentia-me encurralado e não tinha para onde fugir. Mas, exatamente por isso, agradeço-lhes, pois foi assim que obtive o direito inconsciente de escolher, dentre as pessoas da família, quais seriam os melhores “primeiros professores”.

Hoje, analisando o ocorrido em minha infância, posso explicar meu interesse prematuro pelo aprendizado. Queria ler todos os jornais que pegava, mas permanecia analfabeto. Os adultos debatiam sobre o que liam, não raro brandindo um jornal nas mãos, e eu não podia participar. Com eles, percebi a importância de pitadas da crítica.

Foi assim que, em meados de 1952, aos 4 anos de idade, já sabia ler, escrever e fazer as quatro operações. Devo essa primeira “conquista do saber” aos exageros de minha mãe, pois durante seus ensinamentos, sem que eu tivesse consciência, estava a viver o processo da libertação. Aprender nunca me sufocou. Até por que, não queria ter um “crânio com cérebro baldio dentro”.

Desde o primário até a faculdade tive a sorte de ter bons professores. Cursei primário e ginásio em um pequeno colégio do bairro em que morava. Foi lá, durante o curso Primário, que minha personalidade começou a criar as primeiras raízes mais profundas, as boas e as más.

Nos cursos de Admissão e Ginásio, devo salientar os professores Wellington (Português), Aluízio (Geografia) e a inesquecível Dona Adélia, que ensinava História, a idolatrar os impérios Maia e Asteca. Dedicavam-se aos alunos de modo a vincar seus aprendizados com overdoses de moral e ética. A bula da época não descrevia dores ou qualquer efeito colateral nocivo para a moral e a ética, sobretudo quando aplicadas definitivamente na veia jugular.

Encerrei os estudos no bairro nessa oportunidade, pois no colégio não havia o Científico. Teve início, assim, uma pequena discussão em casa. Meu pai dizia que não tinha como pagar um colégio particular. Pelo lado oposto, minha mãe queria que eu cursasse o Científico no Liceu Franco-Brasileiro. Não vou entrar em detalhes, mas o chicote já fora vendido.

Como fruto das escolhas que fizera na primeira infância, um de meus “primeiros professores” pagou o curso no Franco-Brasileiro. Sofri um bom impacto diante desse fato:

  • Ter que sair diariamente do bairro, onde fora criado e a todos conhecia, e seguir de ônibus para Laranjeiras, a descobrir desconhecidos.

Porém, melhor que tudo, foi montar uma nova prateleira em meu quarto, com livros de Física, Química e Cálculo Matemático. Aos 14 anos senti a sede de obter conhecimentos e conhecer professores para o curso Científico. Pela lógica, imaginava que fossem cientistas.

As instalações do liceu eram superiores em tudo às do colégio do bairro. Mas a diretora era uma pessoa estranha, Dona Eliane “dos dentes verdes”. Os alunos mais velhos, que talvez tenham cursado o liceu desde o primário, chamavam-na pelas costas de “Lili”.

Apenas para mim é que tinha dentes verdes, além de ser autoritária. Por suas grosserias e gritos com alunos de todas as turmas, “Lili” não passava a imagem de 1ª Dama do Liceu. Em verdade, fazia do Liceu um forte com disciplina militar. Contudo, preciso salientar que, de forma quase paradoxal, tratava-se de uma qualificada humanista. Com ela aprendi a ter paciência, foco e disciplina.

Os professores do Franco de meu tempo tinham competência na educação. Um deles, que me cabe ressaltar, Professor Henrique de Paula Bahiana, foi realmente um cientista na área da Química. Na década de 1940, esteve a trabalho em diversos países europeus, convidado por governos para solucionar problemas de saneamento básico e aplicar cursos técnicos. Tive a honra de ter sido seu aluno, durante dois anos do curso Científico, em química inorgânica e orgânica.

Em 1967, com vistas a me qualificar para as provas do pré-vestibular, pesquisei bastante para saber em qual curso deveria matricular-me. Não foi difícil concluir que o Curso Bahiense era cotado como o de melhor desempenho, naquela oportunidade. Meu “primeiro professor” fez a matrícula e depositou o valor mensal do curso.

Recebi aulas dos melhores professores do curso. Os mestres titulares das cadeiras cumpriam um cronograma diário incrível, inclusive com testes nas manhãs de sábado. Porém, como as unidades do Bahiense eram dispersas em regiões e bairros do Rio, com sol ou chuva, eles rodavam diariamente pelas ruas mais do que taxistas, com trabalho repetitivo, dividido em dois turnos.

De início não consegui explicar a mim mesmo o porquê da assiduidade com que davam aulas. Mais ainda, a tranquilidade e elegância com que o faziam. Mas certo dia descobri, na pequena secretaria da unidade em que estudava, que eram os próprios professores que faziam seus planos de aula. Eles não eram impostos ou impositivos, mas sócios em uma única missão a que amavam: educar com qualidade seus alunos. Devo dizer que nunca em minha vida estudantil recebi um volume de conhecimentos similar ao do Curso Bahiense.

Apresento alguns professores do Bahiense daquela época, que acredito terem-me sido essenciais: Henrique de Saules (Trigonometria, Logaritmo e Análise Matemática), Otávio Guimarães Gitirana (Álgebra, Análise Combinatória e Cálculo diferencial), Ubirajara Pinheiro Borges (Geometria), Edgard Cabral de Menezes (Química orgânica e inorgânica), Antenor Romagnolo (Física Newtoniana, Ótica, Calor e Acústica), o próprio Norbertino Bahiense Filho, com suas surpresas da Geometria Descritiva, José Carlos Bazarella (Perspectiva Isométrica e Cavaleira) e Haroldo Manta (Desenho Geométrico). Todos são inesquecíveis em termos da razão e da lógica que diariamente me transmitiram, durante quase um ano. A boa educação é impagável!

Questões pessoais impediram-me de dar sequência imediata no curso universitário. Em síntese, precisava trabalhar para pagar contas e realizar minha liberdade. Assim, somente em 1969 ingressei num curso de Administração Pública.

Aula em anfiteatro de universidade

Aula em anfiteatro de universidade

Realmente, com poucas exceções, a pressão de estudar foi bastante reduzida, se comparada à do pré-vestibular. Talvez por que a ótica universitária fosse distinta, não sei. Mas, pelo menos para mim, isso tornou-se um problema. Estava acostumado com a pressão do Curso Bahiense e na faculdade quase não havia igual demanda.

Outro aspecto que me chamou atenção foi-me apresentado pelas Ciências Sociais, que nunca estudara. Recebi aulas de Metodologia de Pesquisas, Ciência Política e Sociologia. Os professores destas cadeiras tinham qualidades essenciais que desconhecia até então. Confesso que esqueci da engenharia a que me propusera cursar. E mais, praticamente abandonei as demais matérias da faculdade. Exceção feita à cadeira de Administração, função da qualidade do mestre que a lecionava, Professor Paulo Reis Vieira.

Dessa forma, destaco a competência e os ensinamentos que recebi de Simon Schwartzman, com quem estagiei na qualidade de seu assistente. Simon foi meu Mestre em Metodologia de Pesquisas. Com ele, mais que tudo, creio haver aprendido a pensar.

Na faculdade destaco, da mesma forma, os professores e amigos Maul e Fred, a lecionar Estatística, Álgebra Linear e Pesquisa Operacional. Com esses dois pude aprender que errar não é aconselhável.

Ainda assim, faltam importantes menções a professores através dos tempos. Desejava publicar esta crônica ontem, no Dia do Mestre. Mas perdi tempo a escarafunchar a memória, pesquisar documentos, para conclui-la somente hoje. De toda feita, esta é minha homenagem a meus professores.

Ricardo Kohn, Escritor.

Vamos conversar?…


O planeta do século 21 amanheceu diferente. Seus habitantes sentiram na pele a “sensação” de assistir à passagem de mais um século. Houve festas pelo mundo, embora nada houvesse mudado concretamente, nada a ser comemorado. Era apenas mais um dia, como outro qualquer.

Todavia, após transcorrida sua primeira década, nota-se que algo está a acontecer. É possível perceber que os terráqueos têm demonstrado mais necessidade de se libertarem das amarras do século passado. “Afinal, evoluímos muito para viver este terceiro milênio”, dizem os mais esperançosos.

Ocorre que a liberdade de alguns tem significado o silêncio e a opressão de muitos outros. Há fatos com repercussão mundial que demonstram essa afirmação. Por exemplo, a chamada Primavera Árabe, ocorrida no norte da África, não deu flores. Nada mudou, foi mais um Outono de Aloprados, que até hoje tira a vida de dezenas de milhares de cidadãos inocentes e desesperados.

Houve também um período de prosperidade na Europa e nos Estados Unidos da América; ocorreu o rápido crescimento da China, embora com renda per capita baixíssima. Porém, as boas notícias da inexorável globalização da economia e da informação logo se espatifaram com a crise mundial de 2008, aqui chamada de “marolinha” pelo mentecapto de plantão.

Brasil e sua vizinhança

Brasil e sua vizinhança

Um fato clamoroso, que chama a atenção mundial, é o crescimento do comunismo na América Latina, sempre travestido de “socialismo bolivariano”. Liderados pelo “chefão cubano”, vários “soberanos populistas” decidiram fechar os portos às nações desenvolvidas, a conduzir os países que governam, irremediavelmente, de volta ao século 19!

Têm-se hoje uma coleção de economias nacionais devastadas (ou quase) pela incompetência dos governantes e sua insaciável sede de poder: Venezuela, Argentina, Cuba, Bolívia, Equador e Brasil são alguns casos factuais.

Mas o Brasil, “por acaso”, faz investimentos pesados em alguns desses países, visando a melhorar a precária infraestrutura que possuem. É patético, pois durante 12 anos esqueceu-se completamente da infraestrutura nacional. Só possui projetos e obras megalômanas que nunca são concluídas e cujos custos vão se elevando de maneira assustadora, em passes de mágica.

Por óbvio, o “ocaso do Brasil” é o mais significativo para sua população. Em ano de eleições gerais, o presidente em exercício é candidato à reeleição. Até aí, tudo bem, a lei permite. Porém, seu índice de rejeição é o maior dentre todos os candidatos, pois quase 40% dos eleitores não votariam em “sua senhoria”, sob nenhuma hipótese. Ainda assim as pesquisas de intenção de voto afirmam que se encontra em primeiro lugar na corrida das urnas. Muitos dizem que se tratam de “pesquisas compradas”, portanto, falsas em seus resultados, a manipular o eleitor menos informado.

Outro fato que causa muita preocupação são as urnas eletrônicas, que continuarão a ser usadas nestas eleições. Vários especialistas no assunto provam que são equipamentos vulneráveis a hackers. Podem ser manipuladas externamente e mudar a contagem final de votos, sempre “ao gosto do freguês”.

Todavia, o Tribunal Superior Eleitoral não permite que elas sejam testadas em público, sem restrições, com uso de softwares apropriados. Vale lembrar que o presidente em exercício do TSE já foi advogado do partido que manda no governo. Nunca passou em concurso público para exercer cargos na Justiça Brasileira. Será que também tem tramoia nesse “transplante” acintoso?

Esses quadros que criam perplexidade no campo da política atual são numerosos, quase incontáveis. Em sã consciência, ninguém deseja mais 4 anos “debaixo das patas desses cavalos” que, aliás são jegues desmemoriados. O Brasil precisa ser liderado por políticos e técnicos competentes, que limpem de vez sua máquina pública, já imunda e carcomida, para devolver-lhe a credibilidade internacional a que fazia jus no fim do século 20.

Assim, precisa-se conversar com urgência. Mas, por favor, apenas sobre o que se concorda como essencial. Afinal, necessita-se de liberdade, competência e democracia para desenvolver o país.

Tiroteio na escuridão


Visando a esclarecer eleitores brasileiros, o primeiro debate televisionado dos candidatos à presidência da República em 2014 foi assustador, além de inconclusivo para a maioria dos que assistiram ao que terminou em um embate. Enfim, foi muito pouco esclarecedor, mesmo com a excelente mediação de Ricardo Boechat.

Debate 2014

Ao analisar as atitudes dos três candidatos que possuem chance de se elegerem – em ordem alfabética, Aécio, Dilma e Marina –, fica evidente que não convergem em posturas e soluções. Muito embora, todos aparentem que desejam “a paz social e o desenvolvimento do país”.

A candidata Dilma, em sua usual atitude patética, não respondeu a qualquer das questões que lhe foram formuladas. Foi evasiva todo o tempo e propagandeou as patranhas de seu governo, manipulada pelos “condões mágicos de seu criador”. Não é necessário falar mais a seu respeito, dado que se conhece os resultados de seu desgoverno, os inúmeros escândalos de corrupção ocorridos na Petrobrás (quando era Presidente do Conselho) e o esgarçamento do setor elétrico do país. Sobre esta candidata pesa ainda a má gestão da macroeconomia, a fuga apavorada de investidores produtivos e a falência de segmentos do setor industrial. Recebeu zero! Nota zero!

A candidata Marina, segunda colocada nas pesquisas de intenção de voto (segundo o Ibope), decidiu por si só que é a terceira via, a grande aglutinadora de todos os partidos políticos. Diz que vai governar o país com todos os inimigos partidários se digladiando.

Todavia, não foi capaz de explanar quais serão seus focos de governo, sobretudo em termos de política econômica, industrial, da saúde com “médicos cubanos”, o que vai fazer com a corpulência do Estado petista, seus 40 ministérios e o aparelhamento das instituições. Apenas quis mostrar ser a única alternativa para o eleitor brasileiro que anseia por mudanças. Mas como as fará, diacho?!

Esqueceu-se que seu passado político demonstra coisas estranhas e sem conclusão. Quando foi PT, a Ministra da “Metade do Ambiente” já dava ares de “sacerdotisa de palanque”. Nada fez de relevante em termos da política ambiental brasileira e, de certa forma, foi expulsa do cargo por Dilma.

Porém, logo ingressou no PV, na qualidade de mera hospedeira política. Decidiu levantar bandeiras contra o agronegócio e as grandes fazendas produtivas, mas não deu certo. Na sequência, com bandeiras arriadas no chão, tentou criar seu próprio partido, a “Rede de Zumbis Ambientais”. Como não obteve êxito, desistiu de conquistar o poder público máximo da República por essa via.

Assim, a política hospedeira, vetor da endemia da desagregação, decidiu se juntar ao PSB, como vice na chapa de Eduardo Campos. E o que fez? Dificultou grande parte dos apoios políticos que Eduardo precisava e conseguira nos estados. Afinal, ela não poderia subir em palanques com representantes da “Velha política”, pois perderia sua nobreza espiritual. Munida com seu dicionário de jargões indecifráveis, após o recente falecimento do candidato, criou em sua cabeça esotérica o que chamou de “Nova política”.

Mas o que isso significa?! Talvez algo próximo de seus “termos filosóficos”, onde “sonháticos”, “agenda plasmante” e “centralidade da necessidade” são parte de seu mantra acreano. Enfim, trata-se de uma pessoa autoritária que se autoconsidera messiânica e impõe, através de uma “ditadura silenciosa”, ser idolatrada como salvadora por seu bando de “sonháticos”. Recebeu zero! Nota zero!

O candidato Aécio foi o mais pertinente em sua atuação, compreendendo as óbvias finalidades de sua presença no debate. Respondeu relativamente bem as questões que lhe foram feitas, apesar de ter seu partido escoiceado pelas duas candidatas, em situações nas quais sequer esteve presente ou delas participou com decisões. De forma singular, respondeu com ironia às agressões que lhe fizeram.

Porém, também não há muito mais o que falar sobre Aécio. Basta rever o nível da governança pública que realizou em dois mandatos sucessivos no governo de Minas Gerais. Os resultados dos benefícios implantados para educação, segurança e saúde são notórios. O mesmo para a melhoria da infraestrutura rodoviária do estado, dentre outras ações de governo que merecem análise. Sendo assim, na medida do pouco que foi esclarecido pelos candidatos presentes, que deram preferência ao duelo pela ignorância, recebeu 45! Nota 45!

Contribuição para o programa

Entrevistas com candidatos isolados são mais oportunas do que programas de debate político. Sobretudo, com as regras ultrapassadas que são consensuadas pelos candidatos. Criam processos antigos, que dificultam ao eleitor obter boas informações e votar com mais consciência.

Dir-se-ia, esses debates induzem a seleção do voto pela emoção do instante. Talvez a maioria dos eleitores não pense que vai eleger um Estadista para um mandato, alguém que foi formado para sê-lo. Estadistas não caem do céu, não são vendidos em bancas de jornal, nem emergem das selvas com “boas intenções de donzela”. Escolhas emocionais são tiroteios na escuridão, podem arrasar uma nação.

Então, visando a melhorar os resultados dos debates políticos, propõe-se quatro medidas que mudam o modelo desses programas:

  • Cada candidato grava uma entrevista individual, com duração no mínimo ½ hora. Os jornalistas políticos do canal fazem as perguntas.
  • Para essa entrevista, cada candidato deve estar acompanhado de sua equipe de assessores. Afinal, somente ditadores soberanos e dementes comandam uma nação sozinhos, no máximo com auxílio de bandos de vassalos.
  • A gravação de todas as entrevistas deve ser feita simultaneamente, para que nenhum candidato copie o programa de governo dos demais.
  • Por fim, realizar ao vivo o programa de debates, após cada conjunto de entrevistas gravadas, que servem como prova documental das propostas completas de governo.

Lino Matheus e a Mantiqueira


A união de trabalho e perseverança há mais de 40 anos.

Fizemos uma visita de campo à fazenda Boa Vista durante três dias[1]. Ela possui cerca de 95 hectares e está situada no município de Bocaina de Minas. Encontra-se presente nos 729.138 hectares onde emergiu do solo a Serra da Mantiqueira. Ou seja, a serra brasileira que nasceu há cerca de 2,5 bilhões a 3,85 bilhões de anos, na era Arqueana.

Apesar de a Boa Vista possuir pequena expressão geográfica, sobretudo quando comparada ao mosaico de toda a Serra – ocupa apenas 0,013% da área da Serra –, a representa com extrema fidelidade. Diríamos mesmo, com extrema felicidade, graças à gestão adequada do ambiente fazendário que seu proprietário, o senhor Lino Matheus de Sá Pereira, já pratica há décadas naquelas paragens.

Uma vista panorâmica da Serra da Mantiqueira

Uma vista panorâmica da Serra da Mantiqueira

Dados básicos da Serra da Mantiqueira

A Serra encontra-se nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro e atravessa 39 de seus municípios, sendo 24 de Minas, 13 de São Paulo e 2 municípios do Rio de Janeiro. Possui diversos ecossistemas sensíveis, espargidos em relevo fortemente declivoso, que varia desde 700 metros até seu ponto culminante, a Pedra da Mina, situada na divisa de Minas Gerais e São Paulo, com 2.792 metros de altitude.

Por iniciativa de proprietários de fazendas, em contagem não atualizada e crescente, a Serra possuía, na entrada deste século, 18 Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPN. A fazenda Boa Vista é uma delas, declarada por órgãos oficiais como Refúgio da Vida Silvestre, dada a riqueza de sua vegetação, sua fauna abundante e diversificada, espécies endêmicas, as numerosas nascentes e cursos d’água, todos muito bem conservados. Aliás, muitos deles mantidos por Lino em seu estado primitivo.

Sobre a riqueza da vegetação da Mantiqueira ressaltamos alguns dados disponíveis:

  • Constitui a maior mancha contínua de Mata Atlântica remanescente no sudeste do Brasil;
  • Detém uma expressiva área ambiental protegida – a APA da Serra da Mantiqueira, com seus 434.108 hectares, ou seja, um terreno com cerca de 58% de toda a Serra. Não se trata de um brinquedo e há que ser muito bem gerido;
  • Dessa forma, precisa ser a ferramenta pública, à disposição da sociedade civil, visando a garantir a estabilidade das fitofisionomias da Mata Atlântica predominantes na Serra: (i) Floresta ombrófila densa; (ii) Floresta ombrófila aberta; (iii) Floresta ombrófila mista – “Mata de araucárias”; (iv) Floresta estacional semidecidual; e (v) Campos de altitude.

Ressaltamos que a APA foi resultado de antigas ações sistemáticas pela conservação da natureza, realizadas por um grupo de amigos de vários locais da Mantiqueira. Esse grupo tinha como líder, novamente o senhor Lino Matheus, então na casa dos 30 e poucos anos. Mas foi somente em 1985 que o governo central, a dizer “que atendia aos interesses da comunidade”, promulgou o Decreto Federal 91.304, para criar a área de proteção. Enfim!

Em 3 de junho de 2005, o então Superintendente do Ibama, Roberto Messias Franco, fez pessoalmente uma homenagem a Lino Matheus pelos 20 anos da criação da APA da Serra da Mantiqueira.

Lino Matheus em sua biblioteca na fazenda

Lino Matheus em sua biblioteca na fazenda

A Mantiqueira, que na língua dos indígenas pioneiros significava algo como “rochas que choram”, constitui um dos mais complexos sistemas orográficos e hidrológicos brasileiros. Suas águas, vertidas pelos ecossistemas, abastecem inúmeras cidades dos três estados mais desenvolvidos do país. As suas próprias capitais (São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro) dependem das nascentes da Mantiqueira para serem abastecidas, em todos os setores sociais, produtivos e comerciais.

Em suma, é importante observar, não como um dado sobre a Serra da Mantiqueira, mas como sua nítida obviedade: a hidrologia prolífica que até hoje lá existe só permanecerá a transbordar enquanto as matas que acolhem suas nascentes forem preservadas.

Caso contrário, a Mantiqueira se tornará estéril, capaz de esterilizar a economia brasileira. Isso é um fato, um dado sensível para o problema de manter a Serra Viva e continuar alimentando a economia do sudeste, a mais forte do país.

Para conceber uma nova era

Foi através de uma conversa telefônica com Ítalo Meneghetti, por acaso, que descobrimos como andava Lino Matheus e o que estava motivado a realizar na fazenda Boa Vista e vizinhanças. Assim , três dias após nossa conversa, chegamos à fazenda para conversar com Lino sobre seu novo projeto: a criação da Fundação Mantiqueira. Talvez seja o projeto mais complexo e importante idealizado por ele. De toda forma, interessamo-nos pelo convite em participar desse esforço.

Lino deseja ser o instituidor da Fundação e, para tanto, está disposto a doar uma área de sua fazenda para dotar a Fundação do patrimônio legalmente necessário. Da mesma forma, definiu sua finalidade, e objetivos que considera serem estratégicos, de forma a que seu desempenho na região seja compatível com a cultura lá existente.

Ao fundo, a futura sede da Fundação Mantiqueira

Ao fundo, a futura sede da Fundação Mantiqueira

Nossa equipe inicial, formada por Ítalo, Kohn, Hernán e Marcus, com base em um pacote de informações sobre a Fundação cedido por Lino, propôs realizar as seguintes atividades iniciais, básicas para instalar a Fundação:

  • Elaborar a descrição detalhada do projeto da Fundação, com suas finalidades e os setores em que deverá atuar – educação, capacitação de pessoas, desenvolvimento de projetos ambientais, implantação desses projetos, etc.
  • Elaborar um modelo de projetos para a Fundação, enfatizando a educação, o treinamento e serviços realizados para terceiros, através de convênios assinados com instituições privadas e públicas.
  • Realizar a análise SWOT da Fundação, ou seja, analisar seus pontos fortes e fracos, bem como as oportunidades e ameaças potenciais, provindas do ambiente externo à Fundação.
  • Estimar três cenários futuros alternativos para a Fundação Mantiqueira, considerando as visões pessimista, conservadora e otimista.
  • Elaborar o fluxo de caixa estimado da Fundação, até atingir seu ponto de equilíbrio, e prever, ano a ano, o aporte de capital necessário.
  • Selecionar instituições que podem oferecer financiamento a fundo perdido ou doações para a Fundação.
  • Aprovar o Estatuto consolidado e instituir a Fundação Mantiqueira.

Acreditamos que todas as partes envolvidas nesse processo concordam com a extrema importância da Serra da Mantiqueira para suporte à economia brasileira. Em outras palavras, a Mantiqueira precisa, tanto quanto possível, permanecer intocada, de forma a que continue a irrigar os principais centros do desenvolvimento do país.

As águas da irrigação da Mantiqueira são volumosas e puras

As águas da irrigação da Mantiqueira são volumosas e puras

Resta-nos agora realizar as atividades iniciais, usando das melhores técnicas disponíveis e dominadas pela equipe. Afinal, a ciência e as técnicas dela derivadas devem ser a poesia que espelha a humanidade e grandeza de pessoas como Lino Matheus. Por isso mesmo, já estão sendo aplicadas com dedicação.

Ricardo Kohn, Consultor em Gestão

[1] A visita de campo foi realizada nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 2014.

Incidente versus Acidente


O lamentável acidente aéreo, do qual foram vítimas fatais um candidato à presidência da República e mais seis profissionais que o assessoravam, demonstra como os curiosos e, sobretudo a mídia, desinformam em seus relatos o que efetivamente ocorreu no evento. Este é o principal motivo deste artigo, na busca de esclarecer um pouco a terminologia arriscada utilizada por leigos.

Imagem da área após o acidente aéreo

Imagem da área após o acidente aéreo

Existem diversas normas de segurança – nacionais, britânicas e internacionais – que visam a formalizar e definir com devem ser conceituados incidente e acidente. O domínio desses conceitos nelas apresentados é essencial para qualquer emissor de informações.

O uso dessas duas expressões, sem o devido conhecimento da fonte da informação, pode até mesmo induzir a ações de terceiros – as chamadas “prontas-respostas” – divorciadas da realidade, consequência da não compreensão dos receptores dos informes.

Com base em metodologias existentes, com o uso apenas do bom senso, é possível explicar o real significado dessas expressões, sem o rigor formal das normas. Senão, vejamos.

Incidente é um evento de segurança em que não ocorrem perdas materiais e/ou humanas, ou seja, perda de vida, lesões e/ou de patrimônio e danos. Contudo, chama-se a atenção, deve ser interpretado como incidente todo evento que pode dar origem a um acidente ou que tinha o potencial de acarretar um acidente. Por esse motivo é tratado por muitos especialistas sendo um “quase-acidente”.

Por sua vez, acidente é um evento de segurança que resulta em morte ou dano ao patrimônio ou lesão nitidamente mais grave. Esse foi o quadro trágico da queda do jato executivo.

Obviamente, ambos são eventos não planejados que ocorrem em função de perigos e riscos associados a uma atividade, que pode ser humana ou decorrente da própria natureza, como ocorre nos violentos eventos geofísicos – terremotos, tufões e tsunamis, dentre outros.

Dessa forma, observa-se que perigos e riscos existem em decorrência do ambiente em que se realiza a atividade humana ou o evento geofísico.

Análise lógica de um leigo

No acidente aéreo considerado, o ambiente da atividade humana era formado basicamente por um jato executivo de última geração recém fabricado, um piloto e sua equipe de voo, as ações de controle de voo da torre do aeródromo de Santos, bem como a falta de visibilidade da pista, dadas as condições meteorológicas naquele momento. Ainda não existe qualquer informação mais segura sobre o ambiente de risco e perigo em que se deu o acidente. Apenas as frágeis e absurdas especulações da imprensa.

O ato de arremeter a aeronave não deve ser considerado um incidente, pois o modelo do jato acidentado possuía potência e equipamentos necessários para fazer face a essas situações. Arremeter é um procedimento normal para o Cesna Citation Excel, segundo aviadores mais experientes.

No entanto, foi bastante anormal que pessoas não capacitadas para uma perícia aeronáutica, que no Brasil é executada por profissionais normalmente formados pelo ITA [1], tenham ousado pegar nos fragmentos da aeronave, mudando as suas posições após o acidente. Há nesse ato inconsequente o risco de se alterarem evidências imprescindíveis para a análise das causas do evento.

Há que se ter muita calma e paciência para aguardar que as investigações forenses cheguem às conclusões finais. Ela é desenvolvida com tecnologia de ponta por peritos brasileiros. Seu objetivo é, através das causas descobertas, impedir que eventos dessa natureza tornem a acontecer.

Ao contrário do que muitos pensam, a investigação não é uma ordinária ação policialesca, que visa a trancafiar os culpados. Isso fica a cargo da imprensa divulgar, da forma que achar mais conveniente para a venda de publicidade.

[1] ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica.

O primeiro ‘trem suspenso’ – monotrilho


É transporte público há 133 anos, em Wuppertal, na Alemanha.

Wuppertal é próxima das cidades de Düsseldorf e Colonia, com fácil acesso de automóvel ou de trem. Fica situada nas colinas de Derendorf, ao sul da região do rio Ruhr.

Trata-se de uma pequena cidade histórico-industrial, com fábricas de produtos farmacêuticos (a Bayer), de produtos químicos, da indústria têxtil, de indústria metalúrgica, de equipamentos elétricos, de borracha, montadoras de veículos e equipamentos de impressão. Deve-se acentuar, no entanto, que seu desenvolvimento industrial evolui e se atualiza, tornando-se um pólo de elevada importância, triangulado com as cidades de Solingen e Remscheid.

Vista da cidade de Wuppertal

Vista da cidade de Wuppertal

Wuppertal encontra-se situada em um vale estreito, por onde corre o rio Wupper, afluente do Reno. Diante dessas condições, surgiu a proposta de construir um “trem suspenso” que, em parte de seu trajeto, trafega sobre o rio Wupper. Assim, o “Wuppertaler Schwebebahn“, que pode ser traduzido por “trem flutuante de Wuppertal”, foi inaugurado em 1901, embora seja hoje conhecido como monotrilho suspenso. Liga os bairros da cidade rolando em uma sólida estrutura de ferro, para servir aos cidadãos e turistas até os dias atuais.

Vista aérea do monotrilho e sua estrutura de suporte

Vista aérea do monotrilho e sua estrutura de suporte

Com sua linha aérea duplicada em dois sentidos, o “monotrilho” foi planejado para que sua passagem não prejudicasse o tráfego urbano. Dessa forma, desde 1901 têm-se passagens que merecem ser mostradas por sua inventiva e funcionalidade.

Passagem sobre o Rio Wupper. Atente para a mão dupla.

Passagem sobre o Rio Wupper. Atente para a mão dupla.

Passagem sobre pontes do rio Wupper

Passagem sobre pontes do rio Wupper

Passagem através de prédio existente

Passagem através de prédio existente

Passagem sobre via urbana

Passagem sobre via urbana

As passagens sobre vias urbanas têm 8 metros de altura, as sobre o rio Wupper, têm 12 metros.

Cultura da cidade

Sem dúvida, como outras cidades alemãs, Wuppertal detém um ambiente histórico. Possui cerca de 4.500 prédios classificados como monumentos nacionais, datando dos períodos arquitetônicos do Classicismo, Art Nouveaux e Bauhaus. Dentre eles destaca-se sua notável Sala de Concertos, inaugurada em 1900 [1].

A Sala de Concertos de Wuppertal

A Sala de Concertos de Wuppertal

Ainda como parte de sua cultura, ressalta-se a famosa companhia de dança Tanztheater Pina Bausch [2] sediada na cidade. Apresenta-se sempre em Nova Iorque, Paris, Londres, Tóquio e algumas vezes em São Paulo.

Pode-se dizer que Wuppertal é um núcleo de inteligência, design, trabalho e cultura, aninhado quase ao centro do país, a iluminar os mais atentos.

……….

[1] Foi inaugurada pelo último Imperador alemão, Guilherme II. Por sinal, um indivíduo perigoso em seus apoios e pronunciamentos, tal como certos políticos brasileiros atuais. Diz a História que Guilherme II, com sua política belicista, deu apoio ao Império Austro-Húngaro durante sua grave crise de 1914, que culminou na “Grande Guerra”, depois chamada de Ia Guerra Mundial.

[2] Philippine Bausch, conhecida como “Pina Bausch”, foi coreógrafa, dançarina, pedagoga de dança e diretora de companhia de balé. Ficou conhecida por contar histórias em suas coreografias, baseadas nas experiências de vida dos bailarinos, elaboradas em conjunto. Isso se chama democracia aplicada à cultura. Várias peças da companhia são associadas a cidades do mundo, já que retirava de suas turnês ideias para o trabalho. Faleceu em 2009.

Paradoxo é disparate


O mais óbvio significado para paradoxo é: “uma opinião contrária à comum”. Porém, também constitui “tolice, contradição e disparate”. Todavia, esse vocábulo vai crescendo em sua força, até significar “desvario, desatino”.

Sem dúvida, o mundo está repleto deles [disparates e desatinos]. No entanto, por inúmeros motivos bem claros, faz 12 anos que o Brasil é campeão absoluto em paradoxos. A Comissão de Países Civilizados da ONU (UN-CCC), recém criada, o mantém em primeiro lugar na noviça Copa do Mundo de Disparates. A UN-CCC conclui que o país permanece insuperável em disparates políticos, econômicos e sociais.

Preliminares

Em sua primeira reunião, a UN-CCC concluiu que, dentre os 172 países analisados, o Brasil é o único que, há 12 anos, possui como líderes políticos máximos, analfabetos funcionais e/ou elementos corruptos.

Realizou o levantamento detalhado da quantidade de escândalos políticos e morais nos países analisados. O Brasil alcançou, de longe, o maior índice nesses quesitos. A corrupção, pública e privada, não foi igualada pelos demais países.

Analisando as relações internacionais mantidas com outros Estados, a UN-CCC concluiu que a diplomacia brasileira está impedida por seu Poder Executivo de ampliar seu campo de negociações. A ênfase da ação diplomática deve ser focada em Cuba, Venezuela, Bolívia e Argentina, onde os mandatários têm seus negócios particulares ou pensam em realiza-los. Dentre os 172 países, o Brasil é o de menor visão e amplitude nas relações internacionais.

Outro ponto analisado foi a incidência de tributos sobre produtos e serviços. Embora tenha sido considerado o segundo pior colocado, quando analisado na relação com os serviços públicos de educação, saúde, segurança e transportes, oferecidos em troca do que arrecada, o Brasil dispara com larga margem na ponta da Copa do Mundo de Disparates. Se não, vejamos.

Educação, saúde, segurança e transporte

Esses quatro serviços públicos são obrigações básicas de Estado em qualquer país. A UN-CCC os analisou nos 172 considerados. Observa-se que a entidade não considerou para análise qualquer país regido por ditadura, seja explícita ou “coberta de boas intenções”.

Educação. A UN-CCC concluiu que o Brasil possui quase 13 milhões de adultos analfabetos funcionais, ficando com a sólida oitava posição no ranking mundial. O problema maior que descobriu foi que muitos dos políticos e mandatários brasileiros fazem parte desse lapidar “conjunto da ignorância” e não demonstram qualquer interesse em reverter o quadro. Até porque, mesmo analfabetos, paradoxalmente, por milagre, são milionários.

Escola básica na Suécia

Escola básica na Suécia – Salas para 30 alunos, no máximo

Saúde. A UN-CCC identificou que um ex-presidente, então desatinado pelo deboche, afirmou que Obama precisava implantar em seu país um Sistema Unificado de Saúde igual ao brasileiro (SUS). Disse, em seu desvario, que o SUS é perfeito, de fazer inveja a qualquer país, sem outro igual no mundo. Concorda-se com a frase “sem outro igual no mundo”. Realmente é uma desgraça para os pacientes; tornam-se vítimas no exato momento que, por fim, conseguem dar entrada na maioria dos hospitais públicos.

Segurança. Segundo as Nações Unidas, cerca de 50 mil pessoas foram assassinadas no Brasil, em 2012. Para completar o quadro da segurança pública, a UN-CCC pesquisou na OMS as mortes no trânsito, urbano e rodoviário. O Brasil é o quinto colocado, com cerca 35,1 mil mortes por acidentes de trânsito em 2007. O mais grave é que muitas das vítimas fatais sequer possuem veículos motorizados, pois são pedestres e ciclistas. Os especialistas da UN-CCC concluíram que o Brasil parece que está a sofrer uma disparatada guerra civil.

Transporte. A UN-CCC analisou o quadro dos modais de transporte nos 172 países em pauta – ferroviário, rodoviário, aéreo, dutoviário e aquaviário. Seu foco era o transporte de cargas, destinado à exportação de commodities e produtos. Concluiu que o quadro brasileiro é muito ruim em dois aspectos. Cerca de 60% do transporte de carga é realizado através do modal rodoviário, o que constitui a anti-gestão pública em um país de dimensões continentais. Porém, além disso, a maior parte da malha federal encontra-se em estado lastimável, o que desatina os exportadores pela perda de mais uma das condições necessárias para competir no mercado internacional.

Considerações finais

A UN-CCC deveria incluir em sua análise itens tais como Energia, Habitação, Saneamento Básico, Resíduos sólidos, Acessibilidade, Meios de Comunicação e Ordenamento Territorial. Tem-se alguma ideia dos esforços que seriam necessários para realizar esse trabalho. Porém, ao usar esta abordagem, estaria mais próxima de auxiliar na Gestão do Ambiente dos 172 Estados.

A propósito, a UN-CCC é uma entidade ficcional criada somente para este artigo. No entanto, os dados e informações apresentados estão bem próximos da realidade brasileira. Afinal, o Brasil é o primeiro campeão da Copa do Mundo de Disparates, em 2013.

Todavia, é esperado que seu time de apedeutas políticos e mandatários seja desclassificado na competição em 5 de outubro próximo; ou, no máximo, no segundo tempo, a ser jogado em 26 de outubro, se necessário.

Atenção! Não haverá prorrogação, nem pênaltis!

Orientações para proceder a Gestão do Ambiente


Por Ricardo Kohn, Escritor e Consultor em Gestão.

Este é um artigo de maior amplitude teórica e prática sobre a Gestão do Ambiente. Procurou-se integrar boa parte dos artigos técnicos já publicados neste Blog, durante seus dois anos de existência. Sua leitura e análise pode contribuir para aquecer os debates que visam à evolução das práticas de gestão, tendo o Ambiente como seu foco principal.

1. O que é Ambiente

É qualquer porção da biosfera que resulta das relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem, quais sejam: o Ar, a Água, o Solo, a Flora, a Fauna e o Homem”.

Dessa forma, todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem apresentar componentes aéreos, aquáticos e terrestres, bem como serem observados segundo seus elementos do espaço físico (ar, água e solo), do espaço biótico (flora e fauna) e do espaço antropogênico (o homem e suas atividades típicas – habitacionais, industriais, comerciais, de serviços e culturais).

No entanto, países de língua portuguesa e espanhola usam o termo ‘Meio Ambiente’. Nas demais nações ocidentais verifica-se que o somente vocábulo ‘Ambiente’ é usado para se referir à mesma entidade: environment, environnement, umwelt, ambiente.

Dado o fato que na língua portuguesa um dos significados de ‘Meio’ é justamente ‘Ambiente”, dentre outras coisas, opta-se por eliminar esse erro de redundância e usar apenas ‘Ambiente’, tal como nas línguas inglesa, francesa, alemã e italiana, acima exemplificadas.

2. Conceitos básicos relativos ao Ambiente

Seguem alguns conceitos e respectivas definições usados neste artigo. São básicos para o entendimento do que é e como se faz a Gestão do Ambiente.

Conceitos Definições
Ecossistema ou Sistema ecológico Qualquer parcela do Ambiente, na qual se estabelecem relações de diversas ordens entre os fatores bióticos e abióticos que a compõem. Os empreendimentos públicos e privados são conjuntos de fatores ambientais antropogênicos e fazem parte dos ecossistemas em que se situam. Constituem, dessa forma, ecossistemas humanos organizados quando estabelecem relações de troca de energia e matéria dentro de limites aceitáveis.
Fator ambiental Constituem os componentes dos ecossistemas, tanto primitivos, quanto rurais e urbanos, que interagem para conformá-los. Os fatores ambientais considerados básicos são o Ar, a Água, o Solo, a Flora, a Fauna e o Homem.
Espaço ambiental Espaços ambientais constituem uma subdivisão teórica do Ambiente. São organizados por conjuntos afins de segmentos ambientais, de acordo com o tipo de abordagem que se deseja imprimir em uma dada relação entre Empreendimento e sua área de inserção. Por exemplo: Ambiente → {Espaço Físico, Espaço Biótico e Espaço Antropogênico}.
Segmento Ambiental Segmentos ambientais consistem qualquer uma das partições afins em que podem ser subdivididos os espaços ambientais, de acordo com a abordagem do estudo a ser realizado e em conformidade com as características do espaço a que se referem. Por exemplo: Espaço Biótico → {Segmento Aquático, Segmento Florístico e Segmento Faunístico}.
Relações ambientais Consistem nas trocas sistemáticas de energia, matéria e informação entre fatores ambientais e entre cada fator e os ecossistemas de que participam. São trocas espontâneas e essenciais que podem garantir a estabilidade dos sistemas ecológicos.
Estabilidade ambiental Constitui o processo de manutenção espontânea dos ciclos de relações ambientais mantidas entre fatores em permanente interação, conformando ecossistemas estabilizados e, por conseguinte, capacitados para a coevolução.
Organização (o mesmo que Organização produtiva, Empresa, Corporação ou Empreendimento) Constitui um conjunto dinâmico e integrado de recursos de diversas naturezas, apoiado em tecnologias apropriadas, destinadas aos tipos de bens, produtos e serviços que objetiva produzir, física e economicamente organizados, a fim de cumprir um processo produtivo estabelecido. Toda organização opera em um determinado Ambiente. Sua existência, sobrevivência e evolução dependem da maneira com que ela se relaciona com ele, bem como de suas capacidades de adaptação às variações do Ambiente. Depende, portanto, de sua capacidade de gestão do desempenho ambiental.
Área de influência de uma organização Consiste na área territorial estimada que poderá receber impactos ambientais benéficos e adversos, decorrentes de todas as etapas do ciclo de vida de uma organização: projeto, obras, operação e eventual ampliação.
Transformação ambiental Trata-se da sequência de eventos proporcionada pelas relações ambientais mantidas entre um empreendimento e o Ambiente de sua área de influência:

  • Existe uma organização ou um projeto de engenharia;
  • Explicada por intermédio de suas intervenções de engenharia sobre o Ambiente;
  • Que demandam ou ocasionam manejos no Ambiente para que sejam implantadas e operadas;
  • As quais podem proporcionar mudanças de comportamento e/ou de funcionalidade dos fatores ambientais por elas afetados.
Intervenção ambiental Consiste em uma obra de engenharia que acarreta a introdução, concreta ou virtual (quando em projeto), permanente ou temporária, de pelo menos um fator ambiental em um dado Ambiente através da ação humana, capaz de gerar ou de induzir o remanejamento dos fatores ambientais existentes. Um conjunto de intervenções ambientais conforma uma organização.
Alteração ambiental Consiste no remanejamento, espontâneo ou induzido, de conjuntos de fatores ambientais da área de influência da organização, em decorrência da introdução de pelo menos uma intervenção ambiental.
Fenômeno ambiental Constitui qualquer processo ambiental capaz de afetar, específica e diretamente, o comportamento e/ou a funcionalidade pré-existentes de um ou mais fatores ambientais, em decorrência de pelo menos uma alteração ambiental.
Eventos ambientais Trata-se do nome genérico dado a empreendimentos, intervenções, alterações e fenômenos ambientais.
Impacto ambiental Os efeitos de qualquer ordem percebidos no Ambiente que sejam capazes de afetar as variações das transações de energia, matéria e informação, estabelecidas entre o fator ambiental e o sistema ecológico de que participa, beneficiando-o ou prejudicando-o. Empreendimentos, intervenções, alterações e fenômenos ambientais possuem impactos ambientais associados, tanto benéficos como adversos.
Qualidade ambiental A qualidade de um Ambiente expressa as condições e os requisitos básicos que ele detém, de natureza física, química, biológica, social, econômica e cultural, de modo a que os fatores ambientais que o constituem, em qualquer instante, exerçam efetivamente as relações ambientais que lhes são fundamentais e afetas.
Reabilitação ambiental Consiste na implantação e gestão de projetos e ações destinados a re-funcionalizar áreas que hajam sido alteradas, sejam por meio de ações antropogênicas, sejam através de processos espontâneos de sucessão em ecossistemas do Ambiente.
Rupturas ambientais Decorrem das perdas de relações ambientais essenciais para manutenção de um ecossistema estabilizado, proporcionadas por impactos ambientais adversos, antropogênicos ou não.
Retroimpactos ambientais Constituem as respostas do Ambiente impactado sobre todas as organizações e comunidades nele existentes, podendo beneficiá-las ou prejudicá-las. Quanto mais adequadamente for mantida a sustentabilidade do Ambiente afetado por obras e atividades produtivas, menores serão seus retroimpactos adversos.
Sustentabilidade A sustentabilidade é um atributo exclusivo do Ambiente que consiste na sua capacidade e de seus ecossistemas componentes em manter e desenvolver as relações essenciais entre seus fatores constituintes (ar, água, solo, flora, fauna e homem), que lhes permite existir. Alguns especialistas utilizam o termo sustentabilidade ambiental. Do inglês, ‘environmental sustainability’.
Avaliação da sustentabilidade Consiste na avaliação da qualidade ambiental de um território, envolvendo os mesmos elementos utilizados na aferição de sua sustentabilidade: qualidade do ar, qualidade da água, qualidade do solo, qualidade de vida da flora, qualidade de vida da fauna e qualidade de vida humana.
Gestão ambiental O objeto da gestão ambiental é a otimização dos processos da organização que transformam os sistemas ecológicos, primitivos ou não. A gestão ambiental é o processo necessário, mas não suficiente, para garantir que a introdução de um sistema humano organizado em qualquer sistema ecológico (primitivo, alterado ou humano) tenha como resultado um sistema humano organizado. Sua finalidade é a gestão do desempenho ambiental das organizações.
Gestão da Sustentabilidade Consiste no processo gerencial onde são avaliados, planejados e monitorados (i) os processos da transformação ambiental, (ii) os resultados destes processos e (iii) as respostas do Ambiente a estes resultados, beneficiadas através de (iv) um plano ambiental específico.
Conservação ambiental Consiste no uso controlado dos espaços territoriais, visando a garantir a manutenção das funcionalidades ambientais similares às suas funcionalidades primitivas.
Preservação ambiental Consiste no impedimento controlado do uso e da ocupação de ecossistemas primitivos, visando à total manutenção de suas funcionalidades ambientais primitivas.
Diagnóstico ambiental Constitui a construção do conhecimento da região de interesse de um projeto de engenharia ou de um empreendimento existente. Pode ser efetuado por meio da coleta de dados e informações locais (recomendável) ou através de websites especializados, para coletas dos dados secundários disponíveis. Deve ser realizado enfocando os ecossistemas e fatores ambientais afetáveis pela presença do projeto ou da organização existente, assim como aqueles que com eles se relacionam e deles dependem para que possuam estabilidade.
Prognóstico ambiental Os prognósticos ambientais são processos analíticos de previsão justificada e documentada dos quadros mais prováveis da transformação ambiental esperada para a região considerada pelo estudo.
O ato de Avaliar O ato de avaliar pressupõe a realização de três tarefas essenciais:

  • O estabelecimento de um padrão de medida;
  • A mensuração do objeto a ser avaliado segundo esse padrão; e
  • Uma nota, que represente o desvio relativo entre o valor apropriado ao objeto e o padrão previamente estabelecido.

As duas primeiras tarefas consolidam uma análise. A terceira, a elas integrada, realiza a avaliação.

Avaliação de Impactos Ambientais Conhecida através da sigla AIA, é o processo de aferir o desvio relativo entre os impactos ambientais estimados em um cenário ambiental, utilizado como base (padrão), e os impactos estimados para um cenário a ele alternativo.
Monitoração ambiental Processo de acompanhamento e/ou aferição de parâmetros ou indicadores ambientais, devendo ser capaz, sempre que possível, de mensurar as oscilações do comportamento de um dado fator ambiental, em intervalos de tempo pré-estabelecidos e conforme algum padrão previamente definido.
Hipótese Global de Situações de Impacto
(HGSI)
Constitui a identificação preliminar, ainda hipotética, dos eventos ambientais (intervenções, alterações e fenômenos) proporcionados por um projeto de engenharia ou por um empreendimento em sua área de influência. É expressa através de uma árvore de eventos, onde é indicada a relação de causa e efeito dos eventos identificados. A HGSI é a base para a realização dos diagnósticos ambientais, orientando-os para os ecossistemas e fatores ambientais de interesse.
Transitividade do impacto ambiental A transitividade é a energia de transformação que estrutura e mantém a árvore de eventos ambientais – HGSI –, demonstrando que o impacto ambiental de um fenômeno distribui-se por essa árvore, através de seus eventos causadores, ‘do solo até o topo da árvore’.
Matriz de Impactos Ambientais (MIA) Constitui a representação matricial da árvore de eventos ambientais.
Potencialidade ambiental Consistem em áreas territoriais mais resistentes a transformações ambientais, em função de seu relevo, de seu clima, de seus solos, de seus recursos hídricos, de seus biomas e de suas comunidades, inclusive a humana.
Vulnerabilidade ambiental Consistem em áreas territoriais mais sensíveis a transformações ambientais, em função de seu relevo, de seu clima, de seus solos, de seus recursos hídricos, de seus biomas e de suas comunidades, inclusive a humana.A Sustentabilidade é um dos principais focos de estudos e projetos de engenharia que visam a impedir a ocorrência de questões ambientais adversas. Embora o uso do termo ‘Sustentabilidade’ seja relativamente recente no Brasil, diversas universidades ensinam a seu respeito utilizando conceitos diferenciados. De forma mais nítida, e por vezes equivocada, alguns agentes da mídia fazem uso indiscriminado desse conceito, aplicando-o para adjetivar processos que, ou não são sustentáveis, ou deles resulta a Sustentabilidade do Ambiente em que ocorrem.

3. Em que consiste a Sustentabilidade

Para esclarecer o significado deste conceito precisa-se entender (i) em que espaço ele deve ser considerado, (ii) o que o motiva, (iii) quais são os elementos envolvidos na sua realização, e (iv) quais são os benefícios decorrentes de sua aplicação. Enfim, em que cenários tratamos esse processo, que foi denominado por Sustentabilidade Ambiental ou simplesmente Sustentabilidade, a indicar que é uma propriedade exclusiva do Ambiente.

Consiste na capacidade dos ecossistemas constituintes do Ambiente (primitivos e humanos) em realizar, manter e desenvolver as relações ambientais essenciais entre os fatores ambientais básicos existentes no planeta, que são o ar, a água, o solo, a flora, a fauna e o homem.

Todos os fatores ambientais secundários, embora não sejam menos importantes, decorrem dessas relações mantidas entre esses seis fatores básicos. Vale observar que estudiosos e acadêmicos que atuam na área ambiental incluem o fungo como fator ambiental básico.

3.1. Ecossistema primitivo

Em ambientes constituídos por ecossistemas primitivos, onde ainda não exista a presença expressiva de atividades humanas produtivas, essas relações possuem algumas capacidades específicas que as tornam sustentáveis. De uma forma geral, é possível enumerá-las assim:

Capacidade de Estabilidade Ambiental: os fatores ambientais (Ar, Água, Solo, Flora, Fauna e Homem) realizam de forma sistemática trocas de matéria e energia entre si, em expressiva harmonia com as necessidades de cada fator demandante e de acordo com a capacidade dos fatores que fazem as ofertas. É assim que se desenvolvem e evoluem.

O termo Equilíbrio Ecológico ou Ambiental não existe como conceito científico, muito embora seja utilizado até mesmo em textos legais brasileiros, na qualidade de ‘preceitos legais’. O termo correto é Estabilidade Ecológica ou Ambiental.

Capacidade de Retroalimentação Ambiental: tudo o que é gerado ou produzido pelos ecossistemas primitivos de um dado Ambiente é totalmente consumido por seus fatores ambientais constituintes. Não há resíduos de qualquer natureza, não há sobras, não há ‘lixo’ no Ambiente primitivo. Isso demonstra que suas práticas intrínsecas de reciclagem e reuso são espontâneas e completas.

As duas características acima permitem que os componentes dos ecossistemas operem compartilhando processos, ou seja, possuam Capacidade de Coevolução Ambiental.

Capacidade de Autoorganização Ambiental: não existem sistemas de controle externos às relações ambientais mantidas entre os fatores. Esses “controles” são espontâneos e intrínsecos às próprias relações. Desta forma, não há perdas de energia e matéria em processos que não sejam produtivos. Em outras palavras, “não há custos de homem x hora para controlar a produção e a produtividade dos sistemas ecológicos”.

A tendência dos ambientes primitivos estabilizados é a de atingir a níveis de coevolução e autoorganização tais que se podem tornar sistemas de elevada resistência e resiliência, a independer de fluxos de energia e matéria a eles externos. A esta tendência dá-se o nome de Clímax Ecológico ou Ambiental. Há autores que não concordam com a tese da tendência do clímax dos sistemas ecológicos.

Garantidas estas quatro capacidades é possível afirmar que um dado Ambiente possui qualidade ambiental, encontra-se estabilizado e, em consequência, possui sustentabilidade.

Mas, ainda há mais uma capacidade própria dos ecossistemas primitivos. Podem ocorrer em algum momento de suas existências rupturas nas relações ambientais existentes. As trocas de energia e matéria entre seus fatores são alteradas por algum motivo. Então, o sistema ecológico é afetado e pode perder seu funcionamento primitivo. Contudo, o sistema resultante  também passa a buscar a realização das capacidades acima apresentadas para alcançar um novo cenário de sustentabilidade. Este processo, que constitui um renascimento, é chamado por Capacidade de Sucessão Ambiental ou Sucessão de Ecossistemas.

Nos ecossistemas primitivos o Homem constitui um fator componente básico, que é parte ativa do sistema. No entanto, deve ser considerado ou como um componente primitivo ou, sobretudo, como um componente que sabe limitar suas apropriações e demandas sobre os demais fatores, a contribuir para a existência e permanência dos ecossistemas primitivos.

3.2. Ecossistema humano

O Homem constrói seu habitat preferencial. Será aqui denominado ecossistema humano ou sistema humano. Ele se apropria e transforma recursos naturais (fatores ambientais), de acordo com o que considera relevante para ter suas necessidades atendidas, básicas ou não. Ele produz, distribui seus produtos, cria novas atividades econômicas secundárias, gera renda e riqueza. Porém, os sistemas humanos muitas vezes constituem ‘sistemas organizacionais’ e operam de forma distinta dos sistemas ambientais. Seus fatores ambientais básicos são “recursos humanos, informação, tecnologia, recursos naturais e capital”. Segundo esse entendimento, as relações entre seus fatores básicos podem ser explicadas da seguinte forma.

Os sistemas humanos realizam apropriações de recursos naturais e os transformam em produtos ou serviços, tentando buscar a harmonia entre os mercados demandantes e sua capacidade de oferta. É assim que se desenvolvem alguns dos sistemas empresariais. Denominamos este processo por Busca da Estabilidade Organizacional.

Nem tudo o que é produzido pelos sistemas humanos é totalmente consumido pelos mercados a que atendem. Por isso, há sobras, há resíduos de variadas naturezas, há ‘lixo’ no Ambiente empresarial, o qual os sistemas humanos hoje tentam minimizar para reduzir suas despesas. Quase nada é compartilhado, quase tudo visa à competição. Denomina-se este processo por Competição na Evolução Organizacional.

Há inúmeros sistemas de controle que são externos às relações empresariais. Eles são basicamente improdutivos. Desta forma, nos sistemas humanos há perdas de energia e matéria em processos que, afora o controle, nada produzem. Em outras palavras, “há custos de homem x hora para controlar sua produção e produtividade”. Denomina-se este processo por Possibilidade de Organização Organizacional.

A tendência dos sistemas humanos é a de atingir a níveis de evolução e organização tais que se tornem em sistemas de elevada resiliência, adptando-se, quando possível, às variações dos fluxos de insumos, internos e externos (recursos humanos, informação, tecnologia, recursos naturais e capital). Na falta de um título mais técnico, denomina-se esta tendência por Angústia da Vida Organizacional.

Quando estas quatro capacidades conseguem ser aperfeiçoadas pelos sistemas organizacionais, é possível afirmar que um dado sistema humano possui qualidade empresarial, tornando-se um Sistema Humano Organizado, dotado de elevado grau de Desempenho Ambiental, mas nunca de Sustentabilidade.

Todavia, tal como nos sistemas primitivos, os sistemas humanos podem perder as capacidades acima citadas. Dois processos podem acontecer nestes casos: ou interrompem suas operações ou são substituídos por novos sistemas organizacionais. Denomina-se este processo por Dificuldade da Sucessão Organizacional.

Pode-se observar que o conceito da Sustentabilidade está associado a diversos processos que envolvem relações entre fatores ambientais e fatores humanos, entre sistemas primitivos e sistemas humanos.

Todavia, a responsabilidade em garantir e manter a sustentabilidade do Ambiente, em níveis efetivos e aceitáveis, é exclusiva do Homem, dado que ele é o fator que cria os conflitos entre manter estoques e qualidade de recursos naturais ou deles se apropria para a satisfação de suas próprias demandas, inclusive as supérfluas.

Em síntese, conclui-se que todas as atividades de organizações devem possuir desempenho ambiental adequado e compatível, de forma a garantir a sustentabilidade dos ecossistemas em que estejam inseridas, ou seja, manter o Ambiente estabilizado e sustentável sem perder sua capacidade produtiva.

Trata-se de um forte desafio que, de uma forma um tanto abstrata, foi denominado por “desenvolvimento sustentável [1]”, insinuando várias interpretações discutíveis para o adjetivo “sustentável”.

4. A Transformação do Ambiente pelo Homem

Por exemplo, ao reunir um time de especialistas ambientais para iniciar a elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental, verifica-se que cada profissional identifica a transformação futura do Ambiente segundo suas premissas de formação acadêmica. Ou seja, os impactos ambientais variam, desde a sua forma de apresentação, até o seu conceito e conteúdo.

Neste item o artigo oferece um modelo teórico-conceitual para que especialistas em várias áreas sejam orientados para “ver da mesma forma os cenários futuros do Ambiente em transformação por atividades humanas”. Vale dizer que esse modelo já foi utilizado em todas as regiões brasileiras, como suporte técnico para milhares de estudos ambientais de variadas naturezas – estudos de impacto, zoneamentos, auditorias, levantamentos de passivo ambiental, etc.

4.1. Entidades da Transformação Ambiental

Os dados do problema são os seguintes: (i) um empreendimento, em projeto, em obras ou mesmo em operação; (ii) a visão preliminar de sua área de influência; e (iii) uma equipe técnica desafiada a descobrir a transformação ambiental dessa área, tanto a já ocorrente, quanto sua provável e inevitável transformação futura.

A base teórica do modelo considera que:

  • Todos os Empreendimentos, sem exceção,
  • Podem ser explicados por intermédio de suas intervenções de engenharia no Ambiente. Um empreendimento é formado por várias unidades construtivas (temporárias) e diversas unidades produtivas (permanentes). São denominadas Intervenções Ambientais;
  • Estas intervenções, para serem construídas, demandam ou induzem manejos no Ambiente. Esses manejos são denominados Alterações Ambientais;
  • Nessa sequência de eventos, as alterações ambientais podem proporcionar mudanças de comportamento e/ou da funcionalidade dos fatores ambientais afetados. Os eventos consequentes dos manejos são denominados Fenômenos Ambientais.

A figura abaixo sintetiza a base teórica da transformação ambiental de um território.

Estrutura conceitual da Transformação Ambiental

Estrutura conceitual da Transformação Ambiental

A estrutura acima diz que qualquer empreendimento é formado por M intervenções ambientais. Uma intervenção poderá gerar ou induzir até N alterações ambientais. E de forma inversa, uma alteração ambiental pode ser consequência de até M intervenções. Por fim, uma alteração ambiental, por sempre afetar a dinâmica do Ambiente, pode modificar o comportamento e/ou a funcionalidade de fatores ambientais, dando origem à manifestação de até P fenômenos ambientais. E a recíproca é verdadeira, ou seja, um fenômeno pode ser derivado de até N alterações distintas.

Analisando a figura acima observa-se que todos os eventos ambientais possuem impactos associados grafados por I e i. Os fenômenos possuem impactos positivos ou negativos, ou seja, benéficos ou adversos. Dada a capacidade da transitividade dos impactos, os eventos superiores também possuem impactos ambientais, que recebem dos fenômenos que geram. Todavia, dado que uma alteração pode gerar fenômenos adversos e benéficos, seus impactos são o somatório das adversidades A e o somatório dos benéficos B. Ou seja, alterações, intervenções e empreendimentos terão impactos negativos e positivos [A; B].

Chama-se a atenção para um fato que é evidente. O Ambiente percebe e sofre tanto os impactos negativos A, quanto os positivos B. Mas nunca sofre a resultante contábil dos mesmos, A + B. Tal procedimento deforma completamente a análise e a avaliação ambiental, tornando inválido qualquer estudo que o aplique.

Na prática da análise da transformação ambiental tem-se duas ferramentas básicas para realiza-la: a Árvore da Transformação Ambiental (ATA) e a Matriz de Impactos Ambientais (MIA), ambas referidas a um empreendimento.

A ATA possui a conveniência da equipe de analistas ver o cenário da transformação prevista em uma única imagem. Contudo, para empreendimentos mais impactantes, com muitos eventos, demanda muito espaço para ser construída.

A figura a seguir apresenta o diagrama genérico de uma ATA.

Diagrama da Árvore da Transformação Ambiental – ATA

Diagrama da Árvore da Transformação Ambiental – ATA

Neste exemplo específico o empreendimento é composto por quatro Intervenções Ambientais (INA), das quais decorrem seis Alterações Ambientais (ALA) que, por sua vez, promovem a manifestação de dez Fenômenos Ambientais (FEN). Observe que todas as relações de causa e efeito entre os eventos encontram-se explicitadas. Um texto específico deverá justificar a sequência desta árvore.

A ferramenta alternativa à árvore é estruturada de forma matricial, através de uma Matriz de Impactos Ambientais. Segue abaixo o exemplo de uma matriz de impactos para um Parque Eólico já em operação.

Como nesse exemplo hipotético a avaliação de impactos ambientais já foi realizada, os eventos adversos estão grafados em vermelho; os benéficos, em azul; por fim, os não significativos, grafados em branco.

Matriz de Impactos Ambientais – Parque Eólico
Intervenções Alterações Fenômenos
Intervenções produtivas
Aerogeradores e unidade de controle do parque
Uso e ocupação do solo
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação da oferta de emprego
Variação da renda familiar
Variação da arrecadação tributária
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação da acessibilidade interlocal
Oferta de energia elétrica
Variação da disponibilidade estadual de energia elétrica
Variação do desenvolvimento industrial
Variação do desenvolvimento de comércio e serviços
Variação da arrecadação tributária
Variação da oferta de emprego
Variação da renda familiar
Variação do suporte a serviços sociais básicos
Variação da qualidade de vida no Estado
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação dos riscos de acidentes viários
Rodovia de acesso ao parque e rodovias vicinais
Oferta de equipamentos viários
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação da acessibilidade interlocal

Observando a nomenclatura utilizada para a denominação dos eventos que se manifestam na área de influência considerada, verifica-se que as intervenções representam obras de engenharia, as alterações são ações de manejo e os fenômenos são processos variáveis do Ambiente.

4.2. Conteúdo do Cenário da Transformação Ambiental – CTA

A estrutura de apresentação do cenário da transformação ambiental é a própria matriz de impactos ambientais acima. Todavia, nela somente estão disponibilizados os títulos dos eventos. O conteúdo do cenário deve apresentar a caracterização de cada um dos eventos, quais sejam.

  • Caracterização do Empreendimento.
  • Caracterização das Intervenções Ambientais.
  • Caracterização das Alterações Ambientais.
  • Caracterização dos Fenômenos Ambientais.

Em linhas gerais, essas caracterizações devem apresentar o nome do evento, sua localização, sua descrição, suas áreas de ocorrência e manifestações, os eventos causadores, os eventos resultantes e, quando possível, documentação fotográfica.

O CTA deve ser monitorado e atualizado periodicamente, em todas as etapas do ciclo de vida de uma organização, visando a proporcionar a seus executivos a qualidade de seu desempenho ambiental e o nível de sustentabilidade que a organização consegue proporcionar à sua área de influência.

5. Ferramentas para a Gestão do Ambiente

Existem diversos métodos, técnicas e metodologias que podem ser adaptados para a Gestão do Ambiente (Gestão Ambiental + Gestão da Sustentabilidade). No entanto, há três ferramentas específicas para essa finalidade, sobre as quais estão apresentadas a seguir suas características básicas, vantagens e desvantagens.

5.1. ISO 14.001: Sistema de Gestão Ambiental – SGA

A ISO – International Organization for Standardization foi fundada em 1947, com sede em Genebra, na Suíça. Produz e aprova normas internacionais para padronização de processos em várias áreas produtivas.

A área ambiental foi contemplada através da série normativa ISO 14.000. Nesta série, composta por cerca de 29 normas com temas ambientais complementares, destaca-se a norma ISO 14.001, lançada no Brasil em 1996, que visa a beneficiar a gestão ambiental de empresas e instituições.

Embora a 14.001 seja utilizada para certificar organizações em Sistemas de Gestão Ambiental, muitos especialistas da área da gestão consideram-na impositiva em sua burocracia. Ou seja, pouco capaz de se adaptar à cultura de cada organização, a qual varia em função de seus proprietários, dos países em que se localizam, dos mercados a que atendem e até mesmo das equipes técnicas que possuem.

No entanto, para as organizações que atuam no mercado internacional, recomenda-se a implantação e certificação do Sistema de Gestão Ambiental – ISO 14.001.

Em suma, normas internacionais para padronização de processos e procedimentos, que pretendam atender às necessidades de qualquer organização existente, correm o risco de “engessar” processos de empresas produtivas em troca de certificações.

Ao importar modelos de gestão ingleses, norte-americanos ou internacionais corre-se o risco de esquecer a cultura organizacional existente no próprio país. Sem dúvida, é importante adaptá-los e há profissionais brasileiros capacitados para isso.

5.2. Plano Corporativo Ambiental – PCA

O PCA difere bastante dos Sistemas de Gestão Ambiental, posto que não é “amarrado em práticas internacionais”. Ao contrário, veste localmente o corpo da organização produtiva como um agasalho de previsão da produção. Visa a, além do lucro e da rentabilidade da organização, manter a sustentabilidade do Ambiente que transforma, melhorando seu desempenho ambiental.

Para compreender o processo de planificação (ou planejamento), os conceitos de estratégia, tática e operação precisam ser esclarecidos, visando à devida classificação dos elementos de planos de qualquer natureza. Neste caso, Planos Corporativos Ambientais.

A origem desses três conceitos encontra-se nas práticas militares. Posteriormente, foram migradas para organizações produtivas. O texto que se segue busca explicar, ainda que de forma introdutória, a sucessão dos usos e práticas dos processos de planificação, a saber:

Planos militares → Planos empresariais → Planos ambientais.

Para realizar o processo de um plano empresarial é necessário que existam quatro elementos essenciais a estabelecer relações entre si. O primeiro é uma organização produtiva. Ela é o ponto de foco dos planos empresariais. O segundo elemento é o fato de que ela precisa produzir pelo menos um produto. O terceiro, é a existência de um mercado que demande e receba este produto. O quarto e último são os clientes que compõem este mercado e que consomem este produto. Com esses elementos é possível garantir que é realizar processos de planificação é essencial.

Planejam-se as relações desejadas entre estes quatro elementos. Planeja-se para que a organização produtiva possua condições favoráveis de estabelecer relações desejáveis e satisfatórias com todos os demais elementos: produto/serviço bem feito, mercado atendido, clientes felizes. Resultado: sucesso da organização.

No processo do Plano Corporativo Ambiental têm-se os mesmos elementos:

  • A organização produtiva, que é conformada pelo Empreendimento e pelas relações ambientais que mantém com o Ambiente de sua área de influência. São relações mútuas e bidirecionais mantidas entre duas entidades que tentam se integrar (em tese, a organização que deseja se integrar ao Ambiente).
  • Os produtos, que surgem das relações ambientais, chamador por produtos ambientais. São os impactos decorrentes das relações “Organização versus Ambiente”. Conforme foi visto, podem ser adversos e benéficos.
  • O mercado, que é o próprio Ambiente, através de seus espaços físico, biótico e antropogênico, bem como a organização que se deseja planificar, que em algumas oportunidades “adquire” retroimpactos do Ambiente.
  • Os clientes, que são os próprios fatores ambientais que “consomem” estes impactos, quais sejam: o ar, a água, o solo, a flora, a fauna e o homem.

Dada a existência desses elementos e suas relações sistêmicas, entende-se que, mantidas as expectativas das Ciências do Ambiente, Planos Corporativos Ambientais podem e devem ser desenvolvidos para quaisquer organizações produtivas.

5.2.1. Estrutura de desenvolvimento e execução do PCA

Todos os gêneros de planos aqui citados (Militar, Empresarial e Ambiental) podem ter até três níveis de visão e alcance:

  • O plano de nível estratégico, com alvos ou objetivos globais de longo prazo;
  • O plano de nível tático, com alvos ou objetivos de médio prazo; e
  • O plano de nível operacional, com alvos ou metas de curto prazo.

O detalhamento dos níveis do PCA deve responder aos atributos estrutura, formato, conteúdo e processos:

  • A estrutura é dada pelos elementos que constituem cada nível, desenhando a estrutura física do plano;
  • O formato refere-se à redação dos elementos constituintes de cada nível, permitindo aos usuários a identificação do nível a que pertence cada elemento e sua imediata classificação – estratégico, tático ou operacional;
  • O conteúdo desses elementos, contendo a essência, a finalidade e o alcance de cada elemento;
  • Os processos de implantação e gestão dos níveis e respectivos elementos, dando vida própria e animação ao plano.

A figura a seguir mostra um diagrama dos elementos estratégicos (E), táticos (T) e operacionais (O) de um PCA, mostrando como se relacionam. Estão organizados em Alvos (Objetivos e Metas) e Medidas (Programas, Projetos e Ações).

Estrutura para elaboração e execução do PCA

Estrutura para elaboração e execução do PCA

O estabelecimento e formulação dos alvos do PCA seguem a seguinte sequência:

  • Formulação da Visão Ambiental da organização;
  • Formulação da Missão Ambiental, orientando seus Objetivos Estratégicos;
  • Estabelecimento dos Objetivos Estratégicos, demandando Objetivos Táticos;
  • Estabelecimento dos Objetivos Táticos, demandando Metas Ambientais; e
  • Estabelecimento das Metas Ambientais, demandando Projetos e Ações.

E quando o plano é implantado, sua execução acontece na ordem inversa, ou seja:

  • Ações e Projetos são implantados e executados visando a atingir as Metas Ambientais estabelecidas e concluir os Programas Ambientais que lhes deram origem;
  • Programas Ambientais são geridos para atingir Objetivos Táticos, alcançando os Objetivos Estratégicos que lhes deram origem;
  • Objetivos Estratégicos são alcançados visando a consolidar a Missão Ambiental estabelecida.
  • A manutenção da Missão alcançada poderá realizar a Visão Ambiental esperada. Isto porque o alcance da Visão Ambiental de uma organização também depende do desempenho das demais organizações do mesmo setor e de seus fornecedores.

5.3. Auditoria Ambiental

A auditoria ambiental é a terceira ferramenta recomendada para que organizações em geral garantam a qualidade de seus processos destinados à Gestão do Ambiente, ou seja, Gestão Ambiental de seus próprios processos e Gestão da Sustentabilidade do Ambiente que impactam.

O processo de auditar nada mais é do que investigar tarefas em andamento e realizar comparações entre as práticas ambientais realizadas por uma organização com pelo menos os padrões ambientais para organizações do mesmo setor. Mas, sobretudo, sugerir soluções para quadros definidos como “não-conformidades”.

Por esse motivo, os auditores, quer sejam internos ou externos, às vezes não são muito apreciados por funcionários das organizações auditadas. Afinal, são contratados para identificar desvios, erros e relatar fatos e tendências gerenciais que podem ser indesejáveis para a alta administração de organizações produtivas.

Nesse item seguem orientações introdutórias para Auditoria de Planos Corporativos Ambientais – APCA. No entanto, sua sistemática pode ser aplicada a outros sistemas de gestão ou a qualquer conjunto de processos e procedimentos que a organização utilize para atender à qualidade das relações que mantém com o Ambiente.

A figura a seguir oferece o quadro lógico do processo de APCA.

Quadro lógico da APCA

Quadro lógico da APCA

A organização produtiva que contrata uma auditoria define quais são as suas unidades e/ou funções que deseja que recebam auditoria, isto é, define o Escopo da Auditoria.

As auditorias são realizadas com base em (i) leis, (ii) normas, (iii) contratos subscritos, (iv) melhores práticas reconhecidas pelo mercado ou (v) nos elementos do instrumento de gestão utilizado pela organização.

Por outro lado, a empresa auditora precisa aceitar que o conjunto dos elementos constante do Plano Corporativo Ambiental representa a capacidade da organização em Gestão Ambiental e da Sustentabilidade (GAS) e constituirá o Critério da Auditoria, ou seja, o conjunto de padrões ambientais de referência contra os quais a auditoria será realizada.

Quando esses elementos não existem, a capacidade de gestão da organização torna-se mais vulnerável. Nessas situações a legislação em vigor no país passa a ser o Critério (obrigatório) da Auditoria.

Deve-se salientar que a organização que já possua ferramenta específica para GAS e realiza auditorias de forma sistemática é diferenciada em seu desempenho quando comparada às suas concorrentes.

5.3.1. Fases da APCA

Todas as auditorias constituem uma relação bastante profissional entre a organização a ser auditada e uma empresa auditora. O sigilo absoluto das informações coletadas é fator de extrema relevância entre as duas partes e seus funcionários, ou seja, empresas, auditores e entrevistados.

As auditorias precisam evoluir em processos suaves e transparentes, sobretudo por parte dos auditores. Sendo assim, organizam-se em três fases: pré-auditoria, auditoria e pós-auditoria.

A figura a seguir auxilia na visão do conteúdo essencial dessas três fases de uma auditoria, tendo como critério um Plano Corporativo Ambiental.

Fases do processo da auditoria de PCA

Fases do processo da auditoria de PCA

# Fase A: Pré-auditoria

Após uma empresa especializada ser convidada para realizar uma auditoria, a primeira tarefa dos auditores, antes mesmo de aceita-la, é solicitar informações acerca da organização. Garantido o completo sigilo, essas informações são obtidas por meio de contato pessoal, realizado somente pelo auditor líder.

Para consolidar o Plano da Auditoria, as informações de interesse são as seguintes:

  • A planta do layout geral da organização, localizando suas unidades produtivas;
  • Documentos relativos ao seu fluxo de processos pré-produtivo e produtivo;
  • Documentos relativos a seus Sistemas de Melhoria do Desempenho Ambiental;
  • O organograma da organização, com destaque para a função de GAS;
  • Uma cópia de seu manual de gestão ou documento similar;
  • Documentos relativos a auditorias anteriores que haja realizado;
  • Documentos de contratos, normas adotadas e convenções que haja subscrito;
  • Eventuais documentos fotográficos e de vídeo disponíveis; e
  • Outros documentos específicos da atividade da organização a ser auditada.

# Fase B: Auditoria

Inicia-se então a segunda parte dos trabalhos, que constitui a auditoria propriamente dita. A empresa auditora elabora a programação da reunião de abertura e marca a data para o evento. Para tanto, solicita à organização algumas informações sobre o evento de abertura, a saber:

  • Nome completo do funcionário que será responsável pela gerencia das atividades da auditoria na organização, cargo ocupado, telefone fixo, celular e e-mail;
  • Lista dos participantes da reunião, com nome completo e cargo ocupado;
  • Local de realização da reunião de abertura da auditoria, com equipamentos disponíveis de informática, de áudio e de vídeo.

Após a reunião de abertura têm início as atividades de campo. Findo os trabalhos de campo, com relatórios diários de cada auditor, o auditor líder consolida o relatório final da auditoria.

A tarefa seguinte aos trabalhos de campo é a reunião de encerramento da auditoria realizada, com a apresentação das evidências, não conformidades, exceções e observações efetuadas. A última tarefa desta etapa é a elaboração do relatório final dos trabalhos, a cargo do auditor líder, assessorado por sua equipe.

# Fase C: Pós-auditoria

Com base no relatório final da auditoria, a organização auditada elabora um plano de ações corretivas e preventivas. Normalmente, este plano é submetido à empresa auditora a fim de obter sua opinião sobre a efetividade do plano elaborado.

Por fim, é comum e benéfico que a organização faça um contrato de supervisão dos resultados do Plano de Ação, de sorte a obter mais um crédito externo de que suas ações foram devidamente implantadas e de que os resultados esperados foram ou estão sendo alcançados.

5.3.2. Atividades da Fase B: Auditoria

A fase da Auditoria Ambiental propriamente dita possui restrições operacionais que são básicas e estão adiante descritas. Mas antes deve ser analisada a figura abaixo, que apresenta a sequência de suas atividades.

À exceção da primeira, todas as demais atividades são realizadas em campo. Ou seja, com o time de auditores hospedados em hotel próximo à empresa a ser auditada, no chamado “hotel de campo” (gíria de antigos auditores). Embora a reunião de abertura da auditoria normalmente seja feita na empresa auditada, é desejável que a reunião de fechamento seja realizada neste hotel. Durante a realização da auditoria nenhum auditor retorna à residência.

A equipe precisa ser reduzida, contando com 5 (cinco) auditores no máximo, como no caso de plantas industriais de maiores dimensões.

A alocação de cada um em trabalhos de auditagem, cruzamento de informações com a equipe e produção de relatórios, é de 16 horas diárias, independentemente da duração da auditoria. Por isso, diversos auditores líderes afirmam que, para terem qualidade, as auditorias ambientais devem ser realizadas em, no máximo, dez dias de campo.

Etapas da Fase B: Auditoria de PCA

Etapas da Fase B: Auditoria de PCA

5.4. Entrevistas para auditoria de PCA

A maior parte do tempo despendido pela equipe em suas atividades é dedicada a entrevistas programadas com funcionários da organização – Levantamento de evidências e não-conformidades. As competências necessárias para realizar uma boa entrevista não constituem dotes inatos e podem ser desenvolvidas através de treinamento e prática.

Considerando os locais, a duração, as finalidades e o nível de formalidade requerido, é razoável afirmar que as entrevistas de auditoria devem seguir um padrão lógico comum. A figura a seguir apresenta este padrão.

Proposta de padrão para o processo de entrevista

Proposta de padrão para o processo de entrevista

Muito embora as entrevistas possuam características específicas para cada par “entrevistador e entrevistado”, há alguns elementos que não podem faltar nas entrevistas destinadas a auditorias de PCA. O padrão básico é útil para estabelecer um quadro de abordagem em entrevistas capaz de beneficiar os resultados desejados.

Antes de realizar as entrevistas é oportuno obter algumas informações acerca do perfil dos funcionários que serão entrevistados, bem como uma visão geral do que o auditor precisa cumprir em cada entrevista.

Há três elementos que são essenciais em qualquer entrevista de auditoria: (i) a lógica da entrevista, (ii) a predefinição das informações e documentos desejados, e (iii) a organização e o foco do pensamento do auditor.

Estabelecer a lógica de uma entrevista é relativamente simples. O que é básico envolve as questões que se seguem:

  • Quem será entrevistado;
  • Qual cargo ocupa na organização auditada;
  • Quais são a autoridade e as responsabilidades do cargo ocupado;
  • A quem o entrevistado se reporta hierarquicamente.

É fundamental que entrevistador e entrevistado sintam-se confortáveis durante a realização da entrevista. A sala onde se realizará a entrevista deve ser sossegada, preferencialmente sem interrupções, e a entrevista precisa ser objetiva e, tanto quanto possível, rápida.

As respostas desejadas pelo auditor devem ser planejadas. Nenhum profissional deve seguir para uma entrevista sem antes haver listado as informações e documentos que deverá obter do entrevistado.

É interessante elaborar uma linha mestra de cada entrevista, contendo os temas de interesse e a sequência preliminar das questões a serem formuladas. Não se trata propriamente de elaborar um questionário, mas apenas desenhar a orientação da entrevista, visando à memorização do auditor.

Em muitas entrevistas, no entanto, é comum que novas questões sejam formuladas em função das respostas obtidas. Tal como em um trabalho de detetive, o auditor precisa estar atento às respostas que recebe, efetuando anotações sempre que necessário, e a verificar eventuais necessidades de questões complementares antes não previstas.

Em suma, ao encerrar a entrevista o auditor poderá verificar se realmente obteve o que pretendia e se novas informações relevantes foram fornecidas pelo entrevistado.

Há casos isolados de entrevistas com maior duração. Todavia, normalmente não devem ser longas para que possam ser eficientes. De fato, uma série de entrevistas relativamente curtas com maior número de funcionários da organização tem-se mostrado mais eficiente do que poucas entrevistas mais longas.

……….

[1] A expressão “desenvolvimento sustentável”, foi criada em 1987, no Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento, sob a presidência da então primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland.

A definição de “Desenvolvimento Sustentável” ficou com a seguinte redação:

“O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra, preservando as espécies e os habitats naturais”.

Pessoalmente, considero-a um tanto filosófica e utópica, sobretudo pela tentativa de fazer uma “interseção geométrica” entre os Espaços Antropogênico, Biótico e Físico, que estão todos contidos e integrados no “Grande Envelope do Ambiente”.

Esperança para 2015


No calendário ocidental (o Gregoriano), um século possui 36.525 dias. Por conseguinte, um milênio, tem 36.525.000 dias. Assim, adotando para início dessa contagem a data da morte de Jesus, na chamada “Era Cristã” [1], do dia 01 de janeiro de 0001 até hoje, passaram-se 36.529.935 dias.

Trinta e seis milhões de dias é um período de tempo razoável, sobretudo se o medirmos em horas. Façam os cálculos, são mais de 876 milhões de horas “consumidas” por todas as nações do planeta. Isto se deve ao fato do calendário Gregoriano ser formalmente adotado em todo o mundo. Tornou-se uma medida universal do tempo, que visa a facilitar as imprescindíveis boas relações entre os povos.

Fico a pensar se existiria um historiador no planeta capaz de narrar todos os acontecimentos ocorridos em 36.529.935 dias, contar a História Universal desta Era. Creio que não, seria quase impossível. Mas para isso existem milhões de historiadores interessados em escrever diariamente partes da história que assistem acontecer. Ainda assim, segundo suas visões, mesmo que com base nas mesmas informações obtidas pela leitura do noticiário e por entrevistas com testemunhas oculares.

Uma imagem da difícil esperança

Uma imagem da difícil esperança

A narrativa do futuro

A História é a narrativa do passado. Mas há também a previsão do futuro, que constitui o que chamo de narrativa do futuro. Esta permite a estimativa dos possíveis cenários futuros da vida de uma dada coletividade.

Desde o século 20, a narrativa do futuro tornou-se prática trivial adotada por executivos de empresas produtivas. É ela quem aponta as tendências do comportamento das variáveis críticas do mercado e permite a identificação de oportunidades para que a empresa possa evoluir na economia de livre mercado.

Por sua vez, essa economia foi desenhada pelo filósofo e economista escocês, Adam Smith, no século 18. Teve a expressiva relevância de constituir uma grave ameaça necessária aos direitos feudais remanescentes, os quais acabou por extinguir.

Porém, na visão atual de certos “políticos ditos progressistas”, o desenho de Adam Smith, criado com ênfase em valores morais e éticos, é uma ameaça às relações humanas na nação que pretendem que seja estável. Por isso, chamam a qualquer de seus usos derivados de “capitalismo selvagem”.

Todavia, políticos brasileiros desse gênero, embora sejam realmente selvagens, também fazem a previsão de cenários futuros. Quando estão operando no interior do sistema público do país, consideram como constantes tudo o que acreditam ser capazes de garantir por força de seu poder. Para eles, variáveis livres de mercado simplesmente não existem. Justo por isso, as previsões que fazem são profecias manipuladas, que tratam somente de seus esquemas particulares.

Para finalizar esta parte, devo fazer uma breve comparação. Enquanto o sistema de livre mercado, em tese, é regido por práticas democráticas, honestas, e liberais, o “sistema progressista brasileiro” é monocrático, corrupto e quer seguir rumo à ditadura. Seu bando de defensores pretende que seja implantado um socialismo cubano ou bolivariano ou “coisa” que o valha. Já conseguiram um Capitalismo Interventor de Estado, que se esfarela diariamente, quando se vê diante da economia de mercado.

Esperança para o dia seguinte

Não fosse a óbvia necessidade de os Estados Nacionais estabelecerem boas relações diplomáticas e comerciais entre si, não haveria meses, anos, décadas, séculos e milênios. Não teria sido inventado qualquer calendário. Só existiriam os dias corridos: os passados, o atual e os futuros. Por exemplo, hoje seria o 36.529.935º dia da Era Cristã.

É difícil recordar como se faz a redação ordinal desse número, mas vou tentar: “trinta e seis milionésimos, quingentésimo vigésimo nono milésimo, noningentésimo trigésimo quinto” dia da Era Cristã. Acho que está correto ou bem próximo.

Assim, a principal esperança que evoco refere-se à atuação do estadista que governará o Brasil a partir de 1º de janeiro de 2015, pois há doze anos que a nação não sabe o que é ter um estadista. Então, usando uma analogia, que o estadista eleito “reabra os portos às nações amigas”. Que estabeleça boas relações diplomáticas com todas as nações realmente democráticas. Que cumpra rigorosamente o calendário de suas propostas de campanha. Que seja um R$ gestor público na escolha do seu mínimo e eficiente ministério. Por fim, mas não por último, que permita a legítima regência da “mão invisível” de Adam Smith na formação dos preços do mercado.

Por quê Esperança para 2015? Simples, é um fato: 2014 já acabou sem sequer ter começado.

……….

[1] O Judaísmo e o Islamismo possuem Eras próprias, com escalas distintas de tempo. Para o Judaísmo está-se a viver no ano 5.773, contado a partir da data de nascimento de Adão. Para o Islamismo, no ano 1.435, contado a partir da fuga de Maomé, de Meca para Medina.

Vai Joaquim, nunca pare…


Siga, siga em frente pelo rumo que escolheu. Sei que o caminho até aqui foi árduo e difícil, mas… Mas, e daí?! Chegou mais longe do que previra na juventude. Decerto, foi além de suas próprias expectativas. E é por isso que deve continuar Joaquim e, se necessário, não se freie, arremeta com lucidez.

Nós nunca fomos apresentados. Nossa relação profissional provém da década de 1980 e resumiu-se a acenos de cabeça quando nos cruzávamos pelos corredores do Serpro-sede. Você era advogado da empresa e eu era de coordenador de informação. Mas, além disso, eu era muito amigo de um conhecido seu, o saudoso Dr. Menna Barreto. Creio que vocês ocupavam a mesma sala, junto com o mais velho, Dr. Abdon. Baixo, meio gorducho, portando uma ampla careca, que parecia sempre lustrada com escova de sapato.

Deve ter sido uma escalada difícil para você graduar-se em direito. Saiu do interior de Minas, onde estudou num Grupo Escolar, passou por escola pública do segundo grau, até chegar à universidade em Brasília. Sequer vou me perder a detalhar suas pós-graduações, obtidas no Brasil e na França.

Então, caro Joaquim, se conseguiu chegar até aqui, siga em frente, pois ainda há muitas montanhas a subir. Porém, não se esqueça: leve consigo toda a sua bagagem e ferramentas, com pesados fardos de acertos. Mas, sobretudo, carregue junto os enganos cometidos. Todos erramos, contudo, poucos são aqueles que equilibram suas passadas sobre as pedras irregulares e cortantes dos enganos. Os que conseguem, quando olham para trás, veem que o terreno ultrapassado, de forma misteriosa, tornou-se plano, reto e indobrável. Afinal, tem sido assim com todas as rochas amargas que você tem escalado: planificaram-se em retas e não se tornaram flácidas.

Certa vez, tomando café após o almoço com Dr. Menna, ele me disse em tom mineiro e provocativo: “Menino, crie espaços; você precisa ter seu próprio espaço”. Abraçou-me fraterno e, em silêncio, retornou à sala de trabalho. Fiquei absorto no corredor, quase aprisionado às ripas do chão. Refletia sobre o sentido das palavras que recebera. Pois, creia Joaquim, investi quase uma década para entende-las corretamente, se é que as entendi. De toda forma, são-me muito úteis, pois até hoje tento construir meu espaço próprio.

Seu atual cenário de vida parece-me similar. Difere do meu pelo fato de você ter abdicado, de forma espontânea, do espaço que construiu ao longo dos anos. Mas, exatamente por isso, precisará construir seu novo espaço próprio. Você não é homem que se submeta a “espaços alugados”, a ultrajar os próprios princípios profissionais, receber ordens de condomínios de crápulas. Você é tão-somente um homem comum, cumpridor de deveres e obrigações de um cargo público. Embora isso seja uma raridade no Brasil de hoje, não há qualquer heroísmo nisso. Apenas cumpriu com seu dever: defendeu e aplicou o que está escrito na lei à abjeta realidade política brasileira.

Cutucar vespeiros de quadrilhas de corruptos políticos é uma rara ousadia que, através dos séculos, se conta nos dedos da mão. E você sabia que de suas ações derivariam inimigos figadais, tanto por parte de defensores dos criminosos, quanto por alguns de seus pares. Por isso, devo comentar acerca de alguns de seus ex-pares, sem personaliza-los. Trato-os como moedas sem face ou sem valor, como preferir. Sou cego como a justiça deve ser.

Sua presença naquele sistema seguiu as normas estabelecidas. Todos galgam funções por imposição de regras predefinidas, tal como aconteceu com você e sucederá com os demais. Se para sua pessoa foi sorte ou azar, confesso que não tenho interesse em saber, trata-se de um problema seu, particular. Mas para a sociedade brasileira foi Sorte. Explico.

A Sorte Social a que me refiro é o legado que você, Joaquim, deixa para a Nação e seu futuro. Sei que suas atitudes não serão obrigatoriamente seguidas por todos seus sucessores. Por sinal, alguns de seus ex-pares, sob as ordens do condomínio de crápulas, atuarão no sentido de apagar sumariamente do mapa seus relatórios documentados. E ainda receberão o prestimoso auxílio da mídia paga com o dinheiro do povo. Porém, Joaquim, fatos são inapagáveis e serão relatados através dos tempos. Por isso deixo esse documento aqui registrado.

De qualquer modo, mesmo que Ali-Babá ainda permaneça impune e cada vez mentindo mais, ainda que a bancada da Papuda esteja a comemorar sua saída, você finalizou a missão pública com louvor, Summa cum Laudae!

O personagem Joaquim deve ser arquivado, junto com o espaço que lhe fora próprio. Ouso dizer, provocando a fala de Menna Barreto, que Joaquim, o homem comum, precisa reviver por algum tempo em espaços mais saudáveis. Mais tarde, poderá pensar com calma se deseja correr novos riscos.

Esse pode ser você, prezado Joaquim

Joaquim, esse pode ser sempre você

Análise ambiental para resultados


Por Ricardo Kohn, Escritor e Consultor em Gestão.

Em síntese, analisar o Ambiente significa identificar e caracterizar todas as relações de causa e efeito que nele se processam ao longo do tempo, bem como os principais agentes, que são seus fatores ambientais básicos – Ar, Água, Solo, Flora, Fauna e Homem, assim como seu comportamento interativo, a conformar ecossistemas estabilizados.

Dessas relações sempre decorrem mudanças na dinâmica dos ecossistemas, as quais podem gerar adversidades ambientais, mas também, ao contrário, reabilitar os benefícios primitivos do Ambiente, ou seja, sua sustentabilidade.

À primeira vista, essa narração pode parecer apenas mais uma teoria. Porém, ao ser aplicada em um território, que já foi diverso e abundante, é uma prática surpreendente, sobretudo quando os resultados benéficos das mudanças ocorridas no Ambiente são percebidos por todos os seres vivos da região.

Uma análise ambiental específica, de grande valia científica, foi efetuada no Parque Nacional de Yellowstone. Durante mais de seis décadas, Yellowstone não contou a presença de matilhas de lobos. Assim, um grupo de estudiosos reintroduziu cerca de 60 espécimes. A finalidade era a redução da abundância crítica de cervos e alces, criando uma cadeia trófica com a presença desses predadores. Porém, os resultados do experimento foram além das previsões iniciais dos cientistas.

Parque de Yellowstone

Algumas informações preliminares sobre o parque Yellowstone permitem a visão da amplitude da ação dos cientistas envolvidos. O parque situa-se nos estados do Wyoming, Montana e Idaho.

Encontra-se localizado sobre uma câmara vulcânica de grandes proporções. A área de seu território possui cerca de 8.980 km2. Está assentado sobre um planalto elevado, com média de 2.400 metros de altitude, apresentando um relevo acidentado, com montanhas, vales e depressões do solo. Possui rios, cascatas, lagos, fontes hidrotermais e gêiseres.

Um dos gêiseres em Yellowstone

Um dos gêiseres em Yellowstone

Dadas suas singularidades físicas, a região é estudada desde o século 19, sobretudo após ser legalizada, em 1872, como o primeiro e maior Parque Nacional norte-americano. Graças a essas características, boa parte da vegetação do parque é endêmica. Há documentação sobre cerca de 300 espécies de plantas que somente ocorrem no parque de Yellowstone.

Em decorrência, conforma habitats auxiliados por essas singularidades, a permitir que a região apresente a maior diversidade da megafauna norte-americana.

Antes de prosseguir, sugere-se aos leitores que assistam ao vídeo “Como lobos mudam rios”. É de curta duração e esclarece a análise ambiental para resultados, pois mostra um processo teórico aplicado com sucesso positivo em Yellowstone.

Como se pode constatar pelo vídeo, as relações ambientais iniciadas de forma isolada no segmento faunístico, entre poucos lobos e suas presas naturais, propagaram-se para outros segmentos por força da sua causalidade.

Chegaram ao segmento da flora, proporcionando oportunos incrementos vegetacionais em áreas mais sensíveis. Atingiram ainda aos segmentos do solo e da água, com redução expressiva de processos erosivos e fixação do leito de rios. Retornaram ao segmento faunístico com a atração de novas espécies. Dessa maneira, fazem com que os ecossistemas envolvidos reconstruam e ampliem sua estabilidade ambiental [1] de forma espontânea.

Trata-se, sem dúvida, da permanente poesia que o Ambiente é capaz de criar, com sua lógica própria e aleatória. Lógica esta, sempre explicável quando ocorrem trocas justas e ininterruptas de energia e matéria entre seus fatores componentes: ar, água, solo, flora, fauna e homem.

……….

[1] Estabilidade ambiental: Constitui o processo de manutenção espontânea dos ciclos de relações ambientais mantidas entre fatores em permanente interação, conformando ecossistemas estabilizados e, por conseguinte, capacitados para a coevolução e para sua própria sucessão – Kohn, R., Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão, Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos, Grupo Editorial Nacional, 702 pg., 1ª edição. 2014.

Escolhas, as ditas escolhas


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Desde cedo, quando tinha somente cinco anos, aprendi que o ato de escolher nada mais é do que romper com dúvidas e seguir em frente. A primeira escolha que fiz foi diante da carne bovina que meu humilde pai ofereceu pela primeira vez, cheio de felicidade, ─ “Pode prova, fio”.

Era quase uma ordem nas mesas paraibanas de antanho. Por instinto, respondi de pronto: ─ “Quero não pai, dê pra meus irmãos, vou continuar comendo a carne seca de bode”.

Mas foi na adolescência que finalmente descobri que a escolha é um grito da liberdade, um vulcão que eclode de dentro de nós, para fazer com que superemos os medos de errar. Mas, mesmo tendo dúvidas, faça-se presente, afirme sua melhor escolha, pronto para “o que der e vier”. Assim dizia o pai.

Escolha o caminho da sua liberdade!

Escolha o caminho da sua liberdade!

A escolha é a antítese do medo, mesmo nas coisas de menor importância. “Quero tomar café com pão, mas não tem pão em casa. Vou até a padaria ou vou ao boteco e faço o desjejum?” Coisas simples, triviais. Vou pro boteco.

Acredite, tive que viver um século para ter consciência dessa antítese. Creio que cheguei até os 105 anos por esse motivo: nunca deixei pendências para trás, sempre decidi, acertando ou errando.

Certa vez, em 1942, quando tinha 33 anos, recebi uma “carta-convite do exército” brasileiro. Achei bastante estranho, pois já havia tempo que servira num batalhão de infantaria. Mas, de toda forma, apresentei-me na hora marcada, às 5 da madrugada. Logo um tal de sargento Porfírio chegou, um nanico a gritar sem estribeira, dizia a todos os convidados que, cedo, no dia seguinte, partiríamos para lutar na IIª Guerra Mundial, em terras italianas dominadas pelo nazi-fascismo.

Primeiro pensei em ir pro boteco. Depois, na calma do falecido pai tinha quando dava ordens aos onze filhos. Mas, pela insolência do sargento nanico (eu media um metro e noventa dois), o sangue paraibano ferveu nas veias. Aproximei-me dele a suar, contido, bati continência, e berrei junto a seu rosto, olho no olho, com a mão esquerda perdida no ar:

─ “Eu não vou pra porra de guerra nenhuma, senhor! Sou arrimo de família, tenho mãe doente, mais uma cacetada de irmãos com filhos para criar! Grato por sua compreensão…, Senhor!”.

Senti vontade de dar-lhe um bofete, mas escolhi aquietar-me. Não sem receio, virei-lhe as costas e sai pelo umbral de pedra do quartel. Mas nada me aconteceu. O sargento, caso estivesse vivo, decerto se recordaria de nosso embate. Pobre cidadão.

A prisão das escolhas

Diariamente, fazemos infinitas escolhas na vida. Acordar ou continuar a dormir? Aonde ir? Por qual caminho? O que devo olhar? Com que se alimentar? O que ler? Como se informar? Onde trabalhar? O que posso produzir? É uma infinidade de coisas que escolhemos. São escolhas primárias, muitas vezes puros atos reflexos inconscientes. Embora mais simples de realizar, todas elas são essenciais à nossa existência. As escolhas simples são o ar que nosso cérebro respira e com as quais se exercita para fazer escolhas mais complexas.

Em suma, acho que existir é saber escolher. Observo e concluo que fiz o inverso. Escolhi existir pelo menos durante os 105 anos saudáveis que andam a meu lado. Outros preferem carregar menos tempo de vida, mas sempre sobre os ombros, tal cangalhas pesadas. O que fazer? É uma escolha.

Escolhas complexas

Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”, ponderou o notável poeta chileno, Pablo Neruda. Decerto, creio, Neruda se referia a escolhas mais complexas, não às individuais.

Acho que parte de seu verso é verdadeiro e justifico:

─ “Ouse não fazer escolhas! Obterá liberdade para tudo, inclusive para deixar de existir”.

Afinal, aquele que não faz escolhas fica livre de compromissos com tudo e todos. Assim, não se torna um prisioneiro de nada, pois deixa de existir em sociedade. Portanto, há verdade em Neruda, pois o indivíduo, paradoxalmente, torna-se prisioneiro apenas da própria liberdade.

As escolhas pessoais são mais simples. Contudo, há as escolhas coletivas que, sem qualquer dúvida, podem ser bastante complexas. O Brasil vive um importante momento de escolha coletiva, as eleições de 5 de outubro de 2014. E é sobre esse processo de escolhas sucessivas feitas por milhões de brasileiros que desejo comentar um pouco.

Escolha coletiva: eleições presidenciais

Em síntese, cada cidadão consciente – orgulho-me de ser um deles –, sozinho diante da urna, decide finalmente escolher seu candidato. Deseja que só haja um turno de votações, por que votar é um pé no saco, e que vença seu candidato! Acho que todos deveriam ser assim.

Passei por numerosas eleições presidenciais; tantas, que nem me dou conta. Porém, vivi mais de 50 anos sob o jugo de ditadores, populistas e oligarcas brasileiros. Eles são ávidos construtores de cenários obsoletos para a sociedade democrática, posso afiançar. O pai se exaltava e, descontrolado, dizia assim: ─ “O que eles querem é pudê!

Gostaria de ter tido tempo e maturidade para completar sua frase, mas com alguma mansidão: ─ “Pai, eles querem ‘pudê’ com a sociedade democrática, roubá-la sempre”.

Hoje, com a larga experiência acumulada, considero-me capaz de escolher qualquer elemento que queira candidatar-se à presidência do Brasil. Após três declarações de palanque sei se o elemento é democrático, ditatorial, populista ou oligarca. Reconheço-lhe a marca ou a laia.

Embora nas próximas eleições de outubro haja um sem número de candidatos, com partidos de fachada, vendedores de votos, “partidos off-shore“, etc., três têm-se destacado nas pesquisas de intenção de voto. Por sinal, um deles é tudo o que não desejo para a Administração do Estado Brasileiro. Trata-se de “elemento(a) ditatorial, extremista e oligarca”, conforme ficou demonstrado em sua existência política.

Para ter certeza de que não vou me decepcionar, jamais votei no partido que detém várias quadrilhas desses camaradas”!

Matriz de impactos ambientais


Ferramenta essencial para avaliação e gestão de impactos

Em geral, projetos de engenharia requerem a avaliação de seus impactos ambientais, visando a cumprir com requerimentos legais estabelecidos em diversos países. Sem essa avaliação, que é normal em países mais civilizados, não há como gerir da forma adequada suas obras e o empreendimento a que dão origem, depois de concluídas.

No Brasil não é diferente. Contudo, a forma normalmente utilizada precisa de mais suporte técnico-científico. Assim, por força dessa carência, foi desenvolvida, em 1986, a Teoria da Transformação do Ambiente.

Com a aplicação prática desta teoria, resultam duas ferramentas essenciais à avaliação, capazes de estimar as ocorrências de impactos ambientais em uma dada região, com a implantação do projeto de engenharia – obras e operação do empreendimento decorrente. São elas, a HGSI e a Matriz de Impactos Ambientais que a representa em mais detalhes.

Uma breve descrição

A HGSI ou Hipótese Global de Situações de Impacto, constitui a árvore de eventos ambientais que representa a transformação do ambiente. Na copa da árvore encontra-se o evento principal, o Projeto de Engenharia, que é composto pelas intervenções das obras logo abaixo. Essas intervenções promovem várias alterações no ambiente que as recebe. Por fim, as alterações ambientais podem afetar o comportamento e/ou a funcionalidade do ar, da água, solo, flora, fauna e homem, dando origem aos chamados Fenômenos Ambientais.

Todas essas classes de eventos ambientais possuem impactos positivos e/ou negativos. Todavia, são mais visíveis, nas relações de causa e efeito que mantém a árvore de pé, através da Matriz de Impactos, abaixo exemplificada.

Matriz de impactos

Para elaborar a 1ª versão da matriz de impactos [1], alguns aspectos do projeto precisam ser conhecidos pelos analistas, tais como a área em que se localizará, suas vizinhanças, o porte do empreendimento projetado e traços específicos de sua futura operação.

Para o exemplo hipotético da matriz a seguir apresentada, considerou-se os seguintes aspectos do projeto de engenharia:

(i) A matriz refere-se ao projeto de uma Usina Hidrelétrica;

(ii) Será localizada na região Amazônica;

(iii) Tem com vizinhos mais sensíveis ao projeto uma tribo indígena e uma comunidade de pescadores de subsistência;

(iv) Formará um reservatório com área de 1.680 km2; e

(v) Sua potência instalada será de 12 GWh.

Usina hidrelétrica na Amazônia

Usina hidrelétrica na Amazônia

Por outro lado, somente para facilitar a leitura da matriz, fez-se uma avaliação a priori dos impactos dos eventos identificados. De forma bastante simplificada e não recomendável na prática, criou-se três níveis de impacto:

(i) Eventos com impacto positivo, grafados em azul;

(ii) Eventos com impacto negativo, grafados em vermelho;

(iii) Eventos com impacto não significativo, grafados em branco.

Segue a imagem da primeira versão matriz.

Projeto de Engenharia da Usina Hidrelétrica

Intervenções

Alterações ambientais

Fenômenos ambientais

Intervenções construtivas
Canteiro de Obras
Contratação de mão de obra
  Variação da oferta de emprego
Variação do nível de renda
Variação da arrecadação tributária
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos
Variação do risco de conflitos com comunidades locais
Variação dos níveis de comércio local
Variação da pressão sobre o sistema viário
Transporte de mão de obra
  Variação da qualidade do ar
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Transporte passivo de vetores e agentes etiológicos
  Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Operação de máquinas e equipamentos
  Variação da emissão de ruídos e vibrações
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação do risco de acidentes de tráfego
Formação de vila livre
Essa vila visa a comercializar produtos e serviços, nem sempre considerados legais. A vila livre deve ser considerada como um evento à parte, recebendo tratamento específico para que não seja instalada. Trata-se da ação comercial de comunidades locais atraídas pela disponibilidade de dinheiro dos funcionários da empresa construtora, sobretudo de seus operários. Segue a estimativa de seus fenômenos mais prováveis.
Variação crescente dos processos de desmatamento
Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação crescente do transporte passivo de vetores e agentes etiológicos
Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Variação dos níveis de comércio ilegal local
Variação dos níveis de conflitos com comunidades locais
Reassentamento da população indígena
Variação crescente dos processos de desmatamento
Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação dos níveis de conflitos com comunidades locais
Variação da cultura indígena primitiva
Variação do comportamento institucional público
Desmatamentos e limpeza de terrenos
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Terraplenagem (corte e aterro)
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Operação de jazidas de empréstimo
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da qualidade do ar
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação do risco de acidentes no trabalho
Desmontes e transporte de material
  Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação do risco de acidentes no trabalho
Operação de botaforas
  Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação do risco de acidentes no trabalho
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
Atração da fauna
  Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação da ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da ocorrência de acidentes com animais peçonhentos
Geração de efluentes líquidos
  Variação da qualidade da água dos corpos receptores
Variação da ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Geração e Transporte de resíduos sólidos
  Variação dos riscos de acidentes viários
Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Vila Residencial e Operária
  Desmatamentos e limpeza de terrenos
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Terraplenagem (corte e aterro)
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
  Atração da fauna
  Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Variação do risco de acidentes com animais peçonhentos
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Geração de efluentes líquidos
  Variação da qualidade da água dos corpos receptores
Geração e transporte de resíduos sólidos
  Variação do risco de acidentes viários
Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Sistemas de saneamento básico e drenagem
  Saneamento
  Variação da qualidade da água dos corpos receptores
Drenagem
Variação da drenagem superficial
Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Hotel de Passagem e Restaurante
  Contratação de mão de obra
  Variação da oferta de emprego
Variação do nível de renda
Variação da arrecadação tributária
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos
Variação dos níveis de comércio local
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de conflitos com comunidades locais
  Desmatamentos e limpeza de terrenos
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de particulados
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Terraplenagem
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
Atração da fauna
  Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação da ocorrência de doenças e zoonoses
Variação do risco de acidentes com animais peçonhentos
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Geração de efluentes líquidos
  Variação da qualidade da água dos corpos receptores
Geração e Transporte de resíduos sólidos
  Variação dos riscos de acidentes viários
Variação da ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Estradas de acesso e caminhos de serviço
  Desmatamentos e limpeza de terrenos
    Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de particulados
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Terraplenagem
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
Intervenções produtivas
Barragem, Vertedouro e Casa de Força
  Desmatamentos e limpeza de terrenos
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Desmontes
  Variação dos níveis de ruído e vibrações
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação do risco de acidentes no trabalho
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Terraplenagem
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
  Formação do lago
  Variação da produção de hidrófitas
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Variação da qualidade da água do reservatório
Variação da biodiversidade da ictiofauna
Variação da abundância da ictiofauna
Variação da abundância de aves de ambientes aquáticos
Variação da abundância de espécies da herpetofauna
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
Atração da fauna
  Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação da ocorrência de zoonoses
Variação do risco de acidentes com animais peçonhentos
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Subestação de Energia
  Transformação e Transmissão de Energia
  Variação da produção de energia elétrica
Linhas de Transmissão
  Distribuição de Energia e Informação
  Variação do Tráfego de Energia
Variação do Tráfego de Informação
Variação das atividades de comércio e serviços
Variação das atividades de desenvolvimento industrial
    Variação da oferta de emprego
Variação do nível de renda
Variação da arrecadação tributária
Variação da qualidade de vida das pessoas
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos

 Considerações finais

A HGSI e a Matriz de Impactos constituem a base para avaliação e gestão. É somente a partir da matriz finalizada que se torna possível ordenar e priorizar os eventos segundo seus impactos quantificados.

A partir desse ponto, torna-se possível elaborar um Plano Corporativo Ambiental que, após ser implantado, permitirá a gestão do empreendimento, visando a garantir seu desempenho ambiental otimizado. Mas estes planos não cabem neste texto, são assunto para artigo específico.

……….

[1] As matrizes de impacto são representações dinâmicas da transformação do Ambiente, dado que parte de suas alterações e fenômenos pode ser otimizada ou é temporária. Por isso, é desejável que tenham diversas versões sucessivas, atualizadas sempre que necessário.

E os embates crescem


Não é necessário saber quais foram as causas objetivas, mas o fato é que indígenas, pintados para a guerra e armados de lanças, porretes e arco e flecha, atacaram a capital federal. Tudo leva a crer que os alvos principais estavam na Praça dos Três Poderes. Ocorreu um embate violento, com pelo menos um policial flechado pelo “Exército da Selva”.

Indígenas invadem e atacam Brasília

Indígenas invadem e atacam Brasília

Outro embate que recomeça, agora travestido por nova tática, é contra a imprensa livre. Dizem que não vão mais tentar a censura prévia do conteúdo publicado em veículos da mídia em geral. Porém, uma facção de fantoches do partido deseja retirar todas as publicidades do Estado transmitidas por veículos que ousem falar contra as decisões do partido. Trata-se de apertar o torniquete econômico, até sangrar e quebrar a imprensa livre. Bastante temerário.

No encontro nacional do PT, realizado no início deste mês, foram estabelecidas sete diretrizes para o futuro governo. São de arrepiar os cabelos de qualquer ser civilizado. A imprensa livre está produzindo matérias acerca do evento. Destaca as diretrizes de “menos liberalismo econômico”, de “aproximação com a esquerda sul-americana” e, acreditem, de “implantar o socialismo” no Brasil!

O interessado em conhecer mais detalhes, clique no link site do PT. É uma leitura patética em termos da “democracia autoritária” que querem implantar, seja qual for o risco de explosão.

Faz tempo que há um embate sério acerca dos 39 ministérios nacionais, todos de propriedade particular do presidente do Executivo. Por que tantos ministros e qual o motivo da reles qualidade de suas atuações? Para que servem pastas tal como Integração Nacional, Combate à Fome, Cidades, Turismo, Pesca, Previdência Social, Esporte, Direitos Humanos, Comunicação e Trabalho? Qual país do mundo possui uma máquina pública tão grande e inútil?

E o que é mais grave neste embate, caso um membro do partido seja eleito, é a ameaça de que façam o backup de ministérios, duplicando o número de chefes ministeriais desqualificados e suas respectivas quadrilhas. Seria como colocar o Brasil em uma torradeira, com fogo no máximo. Similar a um destruidor Brazil Warming

Entretanto, o mais importante é como a sociedade civil brasileira deve proceder para vencer a todos os embates em andamento. Decerto não será invadindo e atacando Brasília, muito menos com lanças, bordunas e flechas.

No curto prazo, a única defesa que se tem é o voto bem pensado. Não importa se o candidato seja de esquerda ou de direita, basta que seja sensato e possua experiência bem sucedida e notória em governança pública.

Por outro lado, não pode ser radical na forma de atuar, dado que precisa ser muito atento e ponderado. Por fim, e sobretudo, sob nenhuma hipótese pode ter quaisquer vínculos políticos ou programáticos com gente do partido que colocou o Brasil na torradeira.

A cidade no Ambiente


Surge um novo mercado de trabalho.

1. Sumário da sátira – Brasil

Um enxame de abelhas é mais prudente do que seu similar humano: um enxame de indivíduos sapiens, que acredita ser inteligente.

As abelhas constroem suas residências, seu espaço domiciliar, sem impacto adverso sobre o Ambiente. Aliás, para ser exato, a ele se integram e quase desaparecem aos olhos dos menos treinados. Ferrões ardentes que o digam.

Por sua vez, nós humanos, pelo menos há dois séculos, construímos espaços procedendo justamente ao contrário: antes, devastamos o Ambiente para construir sobre “áreas mais limpas”; depois, já com as construções finalizadas, salpicamos alguns canteiros verdes, iluminações radiantes e aplicamos filas organizadas de árvores exóticas.

Por fim, certos de haver cumprido com algum tipo de dever, cravamos ao lado do portão de entrada do estande grandes cartazes incandescentes. O alvo é vender “Salas Espetaculares para seu Negócio. Invista aqui!

Parecemos “santos pagãos” tentando criar uma evolução que somente é própria da natureza. Talvez nunca tenhamos percebido que somos apenas uma das partes ordinárias do Ambiente, tal como insetos e outros.

2. Sumário da realidade – Mundo

Em algumas cidades históricas do mundo o uso e a ocupação de seu solo ocorreu, digamos, sob a égide do cartesianismo, mesmo antes de Descartes nascer. Basicamente construíam uma praça, talvez como uma reverência espiritual a seu fundador ou colonizador, e visando a atender ao crescimento populacional e urbano. Pois dela podem derivar diversas vias, a cortar o Ambiente primitivo circundante. Eram chamadas de “Cidades em Estrela”.

Com ou sem praça, castelos ou igrejas redentoras, também era comum iniciar a ocupação pelas margens de um rio, para ter acesso à água doce. Roma, Paris, Londres, Lisboa e, posteriormente, Nova York, apresentam pelo menos uma dessas duas características [1].

Na construção das cidades fica nítido que o Homem tenciona exercer Domínio sobre o Ambiente. Mas só aplica o processo que se adequa a seus instintos mais dominantes. Em suma, sua ação básica é retirar toda a vegetação, nivelar o solo (terraplenar) e, sempre que necessário, desmontar as rochas que obstaculizem o crescimento da urbe. Depois constroem, destroem e reconstroem.

Esse processo ocorre com frequência nas maiores cidades do planeta, há pelo menos dois mil anos. Todavia, de forma paradoxal, enquanto forem mantidos os instintos humanos devastadores, a intensidade dos impactos ambientais negativos decorrentes crescerá, função da evolução tecnológica das modernas máquinas e potentes equipamentos construtivos.

Assim, não sobra Ambiente dentro da urbe. As cidades perdem a capacidade de acolher qualquer tipo de vida, inclusive a humana.

3. Tentativa vencedora

Tem-se conhecimento de profissionais que se dedicam a sanear corpos d’água e criar parques dentro de cidades consolidadas. É um desafio autoimposto por arquitetos, ecólogos, biólogos e voluntários em geral, visando a reintroduzir o Ambiente que fora riscado de seus mapas urbanos.

Essa iniciativa já ocorre em Nova York e Paris. Mas não é pioneira, pois o Central Park, na ilha de Manhattan, é obra feita por engenheiros e inaugurada em 1857. Hoje conta com cerca de 340 hectares de área verde e lagos e recebe manutenção permanente e de qualidade.

Vista aérea do Central Park

Vista aérea do Central Park

Na cidade de Nova York os próprios cidadãos são voluntários em atividades de limpeza de rios, recolhimento de detritos em corpos d’água, criação de hortas comunitárias, criação de jardins suspensos em edifícios, etc.

A monitoração da abundância e diversidade da fauna urbana é realizada em Nova York e já demonstra que o retorno de boas lascas do Ambiente primitivo aumenta a qualidade de vida de animais silvestres, turistas e cidadãos nova-iorquinos.

Mas o caso de Paris é mais complexo, pois praticamente não há áreas disponíveis para esverdear a cidade. Os profissionais envolvidos são obrigados a limitarem-se a áreas estreitas da margem de rios, a praças e bulevares mais amplos.

Vista aérea de Paris

Vista aérea de Paris

No entanto, a eterna teimosia francesa prossegue. O grito cidadão de guerra é sempre do seguinte gênero: ─ “Façamos o máximo pelo Ambiente da metrópole; mas vamos impedir, não importa a que custo, que o solo do entorno de Paris continue a ser tratado de forma desastrada!

Porém, vale recordar que esta atitude possui passado histórico – a cidadania francesa –, conforme brada seu hino revolucionário: “Aux armes, citoyens!

4. Tentativa derrotada

Embora haja nascido do magnífico traço do urbanista Lucio Costa, Brasília foi mal executada em suas obras. Ou melhor, pessimamente executada!

Considerando sua juventude como cidade, os donos dos obreiros então contratados – empreiteiros e seus capatazes – foram incapazes de assentar a cidade no Ambiente nativo que lá existia. Muito ao contrário, deformaram-no para receber as obras previstas.

Sem entrar no mérito dos efeitos nacionais perversos causados por “levar o desenvolvimento para o centro-oeste” dessa maneira, tornando a capital nacional distante da maioria das principais cidades brasileiras, Brasília parece ter sido pensada apenas para ser o sítio da absoluta distopia [2].

A tática utilizada em sua construção, graças à enorme pressa em construir a cidadela, foi a do “desbravamento com terra arrasada”. Quando tiveram a rara oportunidade de erguer uma verdadeira cidade, que se integrasse ao Ambiente que a recebia, optaram por esquecê-lo debaixo de tratores e joga-lo em lixões pela ação de pás-carregadeiras.

Por uma questão de princípio, era essencial garantir a convivência estável entre Brasília e o bioma Cerrado ocorrente na região, com suas belas formações florestais, savânicas e campestres.

Para finalizar a derrota, há períodos mais secos do ano em que a umidade relativa do ar chega a 12% ou pouco mais, o que demonstra o caráter desértico que a cidade desmatada possui.

5. Novo mercado de trabalho

Com as ações já realizadas pela iniciativa privada, através de profissionais norte-americanos e franceses, há sinais concretos de que um novo mercado de trabalho está a se abrir. Tratam-se de atividades destinadas a “reambientalizar cidades”, como instrumento essencial da Governança do Ambiente – artigo já publicado neste blog.

O alvo final dessas atividades é conseguir recriar, gerir e manter a qualidade ambiental dos espaços urbanos, ou seja, minimizar os potentes retroimpactos adversos do Ambiente sobre as cidades e seus cidadãos.

Pode-se garantir que os resultados da reambientalização de cidades são factíveis, desde que bem planejados em suas atividades de campo e contem com equipes de especialistas dedicadas, além de muitos voluntários.

Que mais não seja, aguardem. Pretende-se publicar um artigo mais detalhado sobre “Como reambientalizar Cidades”.

……….

[1] Há outras variáveis relevantes que afetam o processo de uso e ocupação do solo, mas não são relevantes para a argumentação deste artigo.

[2] Inaugurada em 21 de abril de 1960, com apenas 54 anos de idade, Brasília possui uma história política bastante ficcional. Senão, vejamos:

  • Seu pensador e fundador lá permaneceu a governar o país por menos de um ano.
  • É sucedido por um demente eleito pelo povo, que renunciou ao cargo em somente sete meses.
  • Tomou posse um ser imbuído de transformar o Brasil através do socialismo-sindical, que logo foi cassado por uma ação civil-militar.
  • Brasília tornou-se palco de ditadura durante 21 anos, de 1964 até 1985.
  • Morre em 1985, antes de tomar posse, o Presidente eleito pelo Parlamento – Tancredo Neves.
  • Assume democraticamente seu vice-presidente, um vigarista que comete inúmeros desvarios econômicos durante cinco anos e desagua o país num buraco-negro.
  • É sucedido pelo demente-mor, que completa os desvarios já cometidos e em dois anos é obrigado a renunciar para não sofrer impeachment. Outro vigarista.
  • Passados 32 anos da data da fundação de Brasília, assume a Presidência o primeiro brasileiro disposto a salvar o país da bancarrota, o que alcança às duras penas – Itamar Franco.
  • Tem-se oito anos de um novo Presidente, que mantém o país rumo à credibilidade internacional, o que também consegue, apesar da forte oposição delinquente.
  • A partir de 2003, durante os oito anos de um governante mentiroso e apedeuta, Brasília torna-se palco da corrupção generalizada, a ampliar programas sociais de caráter populista e eleitoreiro.
  • Em 2010, ao completar 50 anos, Brasília torna-se um antro de desgoverno e corrupção desvairada, que foram semeadas pelo apedeuta. O país retorna ao século 19, com a assinatura da “Lei da abolição da moral e da ética”.

É esse o cenário dos 54 anos de Brasília, que a demonstra ser uma distopia político-partidária, teatro de péssima ficção terrorista.

Memórias e Futuro


Por Ricardo Kohn, Escritor e Consultor em Gestão.

Há momentos em que é essencial refletir sobre a própria história de trabalho; ensimesmar-se, e analisar se nossas memórias estão em dia. Além disso, se possível, projetá-las para o futuro, visando a refaze-las e melhorar os bons momentos. Não falo de resultados, mas de momentos que foram e são inesquecíveis.

Assim, permita-me conjecturar e falar sozinho em voz alta. Contudo, peço-lhe um especial favor: guarde bem o que entender dessas palavras e, se possível, mantenha absoluto sigilo.

……….

Desde o início da adolescência, por volta dos 13 anos, descobri na estante de meu avô uma série de livros que instigaram meu interesse pela leitura. Sozinho descobri autores como Camus, Proust, Kafka, Herman Hesse, Baudelaire e outros escritores de nível mundial. Fiquei maravilhado e tornei-me frequentador assíduo de livrarias. Queria encontrar a obra completa de cada um e, quem sabe, descobrir mais escritores do mesmo nível.

Minha fome pela literatura tornou-se tão grande que lia todos os jornais da banca próxima à minha casa.

Mais tarde, já na faculdade, no departamento de pesquisas onde estagiava, fui orientado por meu mestre a ler os autores sul-americanos. Disse-me ele: ─ “Você que gosta de escrever contos, leia Julio Cortázar e Jorge Luis Borges. São dois argentinos de primeira cepa”.

Li grande parte da obra de ambos, quase a totalidade. Sem dúvida, excepcionais em trançar o “realismo fantástico” com naturalidade! Porém, na mesma época descobri Pablo Neruda e Gabriel Garcia Márquez.

Sinto que de Neruda tenha lido pouco (“Confesso que vivi”), mas de Garcia Márquez, a menos de seu último livro de memórias,“tracei” a obra toda. Fui tão marcado por seus trabalhos que lia um livro por dia, alguns nas publicações em espanhol, acho que lançados pela Editorial Sudamerinana. Tinha a certeza de que ele receberia o Prêmio Nobel de Literatura.

Destaco, obviamente, Cien Años de Soledad. Mas acho simplesmente espetacular El Otoño del Patriarca. Se não contar com o terrorismo de Estado, imposto naquela ocasião por Alberto Fujimori ao Peru, parece-me uma sátira do Brasil de hoje. Memórias, apenas memórias…

……….

Você pode estar se perguntando: ─ “Aonde esse sujeito quer chegar”?

Vou explicar. Desde muito cedo botei na cabeça que seria um escritor, a viver exclusivamente de minhas publicações, tal como meus“íntimos amigos”, Albert Camus, Jorge Luis Borges e Gabo. Assim, venderia livros, milhares de livros para manter minha futura família.

Alguns acasos disseram-me que esse sonho era possível; dentre eles o fato de que, em 1972, haver sido classificado em primeiro lugar num concurso nacional de contos. Recordo-me que a poetisa Stella Leonardos, membro da banca do concurso (“membra” não existe!), escreveu uma frase na 1ª página do conto vencedor e assinou embaixo:

─ “Bravo Zik! Eis um escritor de talento! – Para finalista”.

Fiquei bastante emocionado ao ler suas palavras. Embora, nem tanto com relação ao prêmio monetário recebido, e sim pelo que senti como primeiro reconhecimento de minha capacidade de escrever, de tornar-me escritor.

Meu avô acompanhou-me na cerimônia de premiação do concurso, realizada na Academia Brasileira de Letras. Lembro que ele estava bem mais emocionado do que eu. Vi-lhe os olhos a marejar e tremi sobre as pernas. Memórias, apenas memórias…

……….

Dez anos após esse acontecimento, em 1982, finalmente consegui editar um livro de contos, que intitulei O Lapidador. Mesmo assim, não fora a empresa em que então trabalhava assumir os custos na edição, bem como as ações de meu saudoso amigo Oliveira Bastos (jornalista) que, como disse à equipe do jornal que então dirigia, “não quero uma reportagem sobre o Ricardo, quero um escândalo na primeira página!”, sei não…

O Lapidador foi lançado com sucesso em Brasília, onde então morava, e depois no Rio, onde cresci. Com a inestimável ajuda de Oliveira, em Brasília consegui um excelente espaço para o evento: a área da piscina no melhor apart hotel da capital. No Rio, contando com o apoio de dois jornalistas indicados por Oliveira, o evento aconteceu na antiga livraria Xanan, Shopping Cassino Atlântico.

O Lapidador - lançamento em Brasília. Com Caio Marini e Marcelo Motta.

O Lapidador – lançamento em Brasília. Com Caio Marini e Marcelo Motta.

Redigi com muita emoção pouco mais de 1200 dedicatórias nos dois lançamentos! Mas foi dessa forma que fiquei diante de um grave impasse. Como conciliar o horário programado de trabalho com o imprevisível horário da criação literária? Como substituir a quase certeza da remuneração do trabalho pela dúvida da aceitação de um novo autor literário? Memórias, apenas memórias…

……….

Mesmo que gostando de correr riscos – dizem que sou temerário –, o acaso permitiu-me sair do impasse. Pedi demissão da empresa de Brasília, pois recebera em 1986 convite para retornar ao Rio e trabalhar em planejamento ambiental.

Estudei bastante para compreender as coisas básicas da Ecologia. Sobre metodologias de planejamento já havia aprendido e praticado o suficiente. Logo comecei a fazer anotações acerca do que lia e a redigir o que chamei de modelos ambientais. Por sinal, foram adotados nos estudos que realizávamos pela empresa. Em quase três anos (1989), meus manuscritos já somavam 1.215 páginas. “Falta apenas um título para se tornar um livro técnico”; confesso que fui imodesto ao pensar sobre a pilha de papel em cima de minha mesa.

De toda forma, mesmo a correr certos riscos acadêmicos, reuni poucos amigos de trabalho e fizemos o Batismo Pagão da pilha, chamando-a de MAGIA – Modelo de Avaliação e Gestão de Impactos Ambientais. Senti-me novamente escritor.

Na época ainda não existia a internet. Assim, para divulgar que o MAGIA nascera, a princípio teria que enviar cartas, ofícios e gastar telefonemas urbanos e interurbanos. No entanto, meu modelo particular de planejamento disse-me que devia limitar os contatos, de preferência realiza-los pessoalmente, com foco nos principais formadores do opinião do mercado. E, a meu ver, todos eles eram acadêmicos – professores, pesquisadores e cientistas.

Acho que deu certo. Fui convidado para fazer palestras sobre o MAGIA em diversos estados e universidades. Tinha-o bem organizado em um classificador cinza, mais pesado que um notebook, contendo as metodologias manuscritas para estudos ambientais. Posso dizer que passeei pelo Brasil portando o MAGIA a tiracolo.

Mas foi em São Paulo que dois papers de palestras que proferi tornaram-se capítulos do livro Análise Ambiental: Uma Visão Multidisciplinar, editado pela UNESP – Universidade Estadual Paulista, Campus de Rio Claro, em 1991. Ganhei honras e louvores de um professor da USP, que disse em uma publicação crítica que “o ponto alto do livro era o capítulo dedicado a Equívocos e Propostas para a Avaliação Ambiental”. O querido professor só cometeu um pequeno engano: chamou-me de economista.

Após realizar uma conferência no 1o Congresso Brasileiro de Análise Ambiental, UNESP, também no Campus de Rio Claro, apresentei meu primeiro livro solo: Gestão Ambiental – Os Instrumentos Básicos para a Gestão Ambiental de Territórios e de Unidades Produtivas. A obra foi editada e lançada pela ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, em 1994.

Pela terceira vez, e sempre graças à dedicação profissional do Prof. Miguel Petrere Jr., a UNESP de Rio Claro incorporou o texto de minha conferência – Metodologias para a Sustentabilidade Ambiental – como capítulo de seu livro-proprietário, Análise Ambiental: Estratégias e Ações, que foi lançado em 1995.

A partir deste ano, com o país em polvorosa pela implantação do Plano Real, decidi adormecer o escritor e sua pena. Dediquei-me com unhas e dentes à empresa de que era sócio-diretor. Mas, oito anos depois, em 2003, com o país sob o comando do “Persistente da República”, nossa empresa entendeu que já era hora de simplificar o sistema de licenciamento ambiental existente, visto como grave ameaça a investidores produtivos, sobretudo os internacionais.

Cometemos bons gastos visando a democratizar a participação cidadã da sociedade civil, mas, afora o pequeno patrocínio de uma petroleira norte-americana, não obtivemos sequer uma moeda para o fórum de debates que desejávamos realizar.

Assim, achei que devia despertar o escritor para redigir mais um livro técnico: SLAN – Sistema de Licenciamento Ambiental Nacional: é possível. Apesar de possuir um texto monocrático, foi lançado em fins de 2003, na sede da Fundação Getulio Vargas. Devo dizer que, além de ser prefaciado pelo Prof. Paulo Nogueira-Neto, o fundador do setor ambiental brasileiro, não houve qualquer esforço para divulgar o livro, pois foi um trabalho muito específico.

Lançamento do SLAN. Com Bianor Cavalcanti, Diretor Internacional da FGV

Lançamento do SLAN. Com Bianor Cavalcanti, hoje Diretor Internacional da FGV

Do ponto de vista objetivo, o SLAN não rendeu qualquer resultado prático para a melhoria do processo de licenças ambientais no Brasil. Entretanto, por fruto do acaso, em fevereiro de 2004, graças a este livro, recebi convite do Ministério do Ambiente e do Território da Itália para participar do International Forum on Partnerships for Sustainable Development, realizado em Roma, com despesas pagas pelas Nações Unidas. Obviamente aceitei passar uma semana em Roma e ser remunerado para isso! Mas são memórias, tão-somente memórias…

……….

Fazendo uma parábola, diria que estava eu com um pequeno puçá a caçar borboletas, bem distraído, quando caiu-me ao colo uma Águia Real. E agora, o que faço com ela?

Não é suficiente contribuir para evolução da ciência e da tecnologia somente com memórias. Mas também não é necessário elaborar um livro que seja uma Águia Real, basta ser uma Harpia.

Após rever algumas construções seculares do Império Romano, retornei da Itália com uma ideia fixa: como se pode conceber novos modelos capazes de fornecer mais funções e operacionalidade aos modelos primitivos do MAGIA?

E a resposta surgiu intuitivamente: ─ “Decerto, será mais simples do que reconstruir Roma. Um bom desafio para o futuro”.

……….

Estimulado pelo Prof. Antônio Carlos Beaumord, convidei amigos de longa data, especialistas em várias Ciências do Ambiente, para trocarmos ideias sobre como estruturar um livro técnico- acadêmico, sobretudo para oferece-lo a milhões de universitários brasileiros.

Após mais de cinco anos de trabalho, estava concluído o livro Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão. Conseguir sua edição no Brasil foi uma guerra. Porém, por força de uma palestra que fiz para universitários de um curso de Engenharia Ambiental, um dos professores que compunha a mesa de palestrantes indicou o livro para uma editora que há muito se dedica a livros acadêmicos.

Mais uma vez a sorte esteve a meu lado. No mês passado assinei contrato de edição do livro com a Editora LTC – Livros Técnicos e Acadêmicos. Há previsão de ser lançado em setembro ou outubro desse ano.

Por fim, quero agradecer ao Professor e Consultor internacional em Gestão Pública, Caio Marini, que leu meus manuscritos e declara na apresentação do livro:

Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão é exatamente isto: um manuscrito com quase 700 páginas, organizado em 18 capítulos, contendo metodologias técnicas para a prática da gestão e um estudo de caso sobre o Planeta Terra.”

Apresenta inovações tecnológicas e doses benevolentes de inteligência e criatividade. Propõe ao leitor ser o Caminho, a Orientação, o Tao da Sustentabilidade. É acessível, mesmo aos mais leigos nas práticas ambientais, dado que é racional e lógico.

Cria um clima bastante favorável para ser lido e estudado. Possui exercícios ao fim de vários capítulos, oferece diversos exemplos em variados cenários. Demonstra-se como quase universal, conceitualmente falando.”

Se não existissem memórias, este livro não poderia ser escrito. Por isso, espero que essa obra faça parte do futuro.

Quem sabe agora não retornarei aos contos ou até mesmo enfrentarei o desafio de escrever um romance. Memórias não faltam.

Governança pública


Trata-se de tema importante a ser tratado neste momento nacional, sobretudo em função de como o Brasil vem sendo governado há mais de uma década.

Todavia, a finalidade deste artigo não é denunciar “problemas e malfeitos”. Em verdade, visa a pensar em meios mais adequados para gerir a “coisa pública” de forma transparente, com o uso de novos instrumentos administrativos e financeiros, os quais continuam a evoluir.

Como bem sintetiza o especialista em Administração Pública, Caio Marini [1], “a governança vai muito além da gestão pública”.

Evolução da administração até chegar à Governança

Data do início do século 20 a criação da teoria da administração que sucedeu a Teoria Clássica e a Teoria Behaviorista (Relações Humanas). Chamou-se Teoria da Burocracia. Foi uma obra de Max Weber, um cientista alemão, graduado e doutorado em Direito.

A burocracia baseava-se numa visão positivista e racional do indivíduo. Weber acreditava que todas as organizações deviam possuir uma estrutura hierárquica e as relações entre chefes e funcionários seriam definidas tanto pela hierarquia, quanto pela fidelidade estrita às normas e procedimentos estabelecidos. Estes, por sua vez, explicitados através das ordens dos chefes, únicos detentores de autoridade formal nas organizações.

Imagem satírica da burocracia

Imagem satírica da burocracia

Na ótica atual, pode-se dizer que as organizações burocratizadas através do uso do modelo weberiano mais pareciam com “campos de extermínio da criatividade”. Porém, verdade seja dita, muitas delas existem até hoje. Algumas sob a forma de governos nacionais.

Entretanto, com a construção da World Wide Web (1991) e o lançamento da Internet, a ampliar de maneira flagrante a comunicação mundial, a burocracia foi quase extinta nas organizações mais complexas. Não havia mais espaço para hierarquia, fidelidade absoluta e obediência cega, como foram definidas por Weber, pois todos os funcionários passaram a ter direito de opinar e lançar suas ideias sobre a mesa de debates.

Ficaram de fora as instituições de países alquebrados, onde o Estado continuou a ser gerido por monocratas. A gestão pública, que podia ser realizada com base nas informações disponíveis, sequer foi percebida como um ato inteligente.

Autocratas, de forma geral, impedem o crescimento adequado da iniciativa privada e soterram o mercado (produtivo e consumidor) com medidas consideradas por muitos como atos de exceção.

Não obstante, foi em nações que já operavam modelos de gestão pública bem afinados, com a máquina de governo leve e azeitada, onde cresceu o fenômeno da Governança. Tornou as corporações privadas mais eficientes e seus Estados bem mais democráticos. Simples assim, quase um passe de mágica, mas sem qualquer magia.

Tentativa de conceito

Governança pode ser definida como “as formas com que indivíduos e organizações, públicas e privadas, administram seus problemas comuns. É um processo contínuo e sistemático, por meio do qual torna-se possível acomodar interesses conflitantes ou distintos e realizar ações de cooperação para acomodá-los a contento de todas as partes, incluída a sociedade civil organizada”.

Governança “diz respeito não apenas a instituições e regimes formais, mas sobretudo a acordos informais e parcerias que atendam aos interesses dos cidadãos e das instituições”.

Condicionantes da Governança Pública  

Governança não é uma forma de governo, mas deve ser uma política de Estado, um processo dotado de inteligência, com exercício constante da democracia participativa e capacidade de diálogo transparente com a sociedade civil.

Não há pré-requisito para implantar o processo de Governança Pública em uma nação. Basta que seu governo seja democrata e tenha absoluta consciência que só se encontrará à frente do Estado por estar a serviço da sociedade; nunca de partidos políticos. Isto mesmo, qualquer governo deve atuar como humilde serviçal da sociedade que o elegeu!

Para realizar a Governança Pública

O primeiro passo consiste na criação do Conselho de Governança, composto por membros do Estado (governo), de corporações privadas (participação do mercado) e de instituições do Terceiro Setor (participação da sociedade civil organizada). Esse conselho visa a garantir ações de cooperação por parte de seus três elementos ativados.

Observa-se que não ocorre divisão de responsabilidades entre Estado, Mercado e Sociedade Civil. Muita embora caiba ao Estado a promoção da equidade, os “três parceiros” têm igual responsabilidade, quais sejam, a de eliminar ações arbitrárias de Estados desestruturados e, sobretudo, desenvolver capacidades de gestão compartilhada e em rede (Governança).

Após criado o Conselho de Governança, sem pompa e circunstância, segue a execução dos trabalhos nacionais:

  • Elaboração conjunta da agenda estratégica de desenvolvimento da nação, visando ao longo prazo, o que confirma o comprometimento de todos em alcançar os resultados esperados.
  • Identificação das partes interessadas na realização da agenda aprovada, onde devem ser identificadas aquelas que poderão ser parceiras na execução de projetos nacionais estruturantes, consolidando assim alianças estratégicas de cidadania.
  • Implantação da agenda e de sistema informatizado de monitoração, para que haja o controle dos projetos nacionais contidos na agenda. O uso da internet é essencial a essa prática, sobretudo através de ferramentas fáceis de serem operadas.
  • Por fim, a avaliação dos resultados alcançados e ajustes dos desvios encontrados, para atualizar a agenda inicialmente concebida. Essa é mais uma atividade típica do Conselho de Governança.

Deve-se acentuar que, nos processos de Governança Pública, cabe à Sociedade Civil e ao Mercado o controle das ações do Estado, de forma a legitima-las ou não, em acordo com a agenda estratégica aprovada.

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[1] Este artigo foi redigido com base em textos publicados pelo professor e especialista Caio Marini, embora com a nossa interpretação do que ele denomina Governança para Resultados. Por sinal, um processo que faz muita falta ao Brasil e que, de forma simplificada, significa “gerir compartilhadamente o Estado de forma a atingir resultados que aumentem a qualidade de vida de seus cidadãos”.