Profecias para 2017


Por Zik-sênior, o ermitão.

Zik Sênior

Zik Sênior

É redundante analisar o que aconteceu em 2016; parece falta do que fazer, é pataquada! Todos sabem que a única ação relevante que ocorreu durante o ano passado foi a de desmascarar a corrupção generalizada que se instalou no Estado Brasileiro, desde as eleições de 2002. Foram 14 anos de bandalha.

O país tornou-se um ninho de quadrilhas; a corrupção foi socializada pelo cafetão do povo. O pensamento dele ainda arde em meus ouvidos: ─ “Todos nós temos direito a comandar uma quadrilha-de-assalto ao tesouro público”.

A ser assim, faço uma pergunta elementar: ─ “O que precisa ser feito em 2017”?

E a resposta é simples: ─ “Colar cacos institucionais que ainda restam e incinerar o lixo público remanescente”. Afora isso, estou preocupado. Nesse cenário, só me resta fazer profecias para 2017, as quais posso ver na lâmpada do futuro:

─ Em julho, por erro de cirurgia plástica, o rosto de uma senadora começará a desbarrancar. Vai brotar-lhe um narigão de bruxa com verrugas, seus olhos ficarão vermelhos e empapuçados, cabelos a cairdentes a apodrecer. Que lástima…

─ Durante 2017, inúmeros prefeitos recém-eleitos sofrerão graves problemas de saúde. Muitos falecerão, mas a maioria terá diarreia crônica diante do que recebeu de seu antecessor.

─ Em abril, “Lola da Silva” será enviado para a Papuda, antes mesmo de se tornar “dodecaréu”. Capacíssimo! Na História do planeta, será o 1º Campeão Mundial em Corrupção… “Uma inesquecível vitória“, segundo dirá o próprio a um repórter.

─ No mês da sorte – agosto –, acontecerão 20 prisões de políticos e autoridades. Condenados por “mera picuinha” de 9 juízes da 1ª instância. Confesso, gostaria que fossem 200 ou 300 prisões…

─ Por falar nisso, ao longo do mês de junho, dois juízes da Alta Corte sofrerão impeachment, por justa-causa: calhordice amestrada.

─ Em setembro, a esbravejar num palanque, “Lindinho” sofrerá tremeliques, a parecer um enfarto; mas logo uma equipe médica do SUS descobrirá que o “rapaz apenas se borrara nas calças”. Cuidado, jovem, esforços exagerados podem matar…

─ Em novembro, a “anta desvairada” será atacada por populares revoltados, após um comício que cometerá no Nordeste. Eles nada entenderão do que ela falará. Isso enraivece qualquer pessoa decente…

─ Neste ano, o Dr. Canalheiros será caçado no país pela Polícia Federal. Depois de fugir muito por todas as regiões, será descoberto no porão imundo de sua casa de campo, escondido a beira-mar. Veja quanta água…

Tsunami política

Resultado da tsunami política

No apagar das luzes, ainda consigo ver mais uma profecia na lâmpada:

─ No último trimestre de 2017, a PF fará um arrastão em Brasília, São Paulo. Minas Gerais e Rio de Janeiro. Vejo 480 policiais conduzindo a “moçada” com algemas e mordaça, senão eles xingam e cospem

Em 2017, salve-se quem puder!

Alienígenas à solta


Ricardo Kohn, escritor.

E, por fim, foi comprovado: os alienígenas realmente existem e vivem no Brasil, instalados de norte a sul do país. Ao que se sabe, existem milhares deles à solta, a trafegar na escuridão com propósitos inconfessáveis, diria Hitchcock.

Segundo informe de um agente especial da inteligência britânica, Mr. Ian Weaver, a Scotland Yard, com suporte norte-americano – NSA, CIA e FBI –, montou uma força-tarefa dedicada a traçar o perfil nebuloso desses aliens e realizar ações higienizadoras. O pouco que me foi dito é fruto de árdua investigação, altamente confidencial, em curso há quase quinze anos.

Conversei com o agente Weaver no The World’s End, Hight Street, Edimburg. Isso esclarece os relatos que recebi: escoceses não se dão bem com ingleses. Sobretudo, após a 10ª dose de single malt, quando ingleses são vistos como inimigos figadais.

The World’s End – Histórico Pub Escocês

The World’s End – Histórico Pub Escocês

Comíamos saladas e carnes para guarnecer o estômago. Porém, em dado momento Weaver levantou-se e seguiu em direção ao banheiro. Ao retornar ouvi sua voz exaltada:
─ “Fuck The Scotland Yard! I’m not a boy scout!

Fiquei apreensivo, pois Ian Weaver é um ruivo com quase 2 metros de altura e pesa 120 quilos, sem gorduras. Porém, recuperado pela água gelada que jogara no rosto, falou sobriamente acerca das descobertas da força-tarefa: os principais traços do perfil ameaçador dos aliens do presente, que buscam ocupar e derrotar a nação brasileira. Fez uma espécie de taxonomia dos alienígenas à solta, a qual partilho com os leitores.

1. Aparência física: os aliens são feitos de pasta mole, de massa imoral de modelar. Assumem a fisionomia que mais lhes convier no momento, desde um juiz da alta corte, passando por molusco ordinário, até chegar a ladrão de galinhas ou mesmo a uma vagabunda brejeira.

2. Comunicação: em tese, os aliens são capazes de aprender todos os idiomas falados no planeta. No entanto, são precários na sintaxe e, sobretudo, na conexão lógica entre as frases. Assim, na comunicação com terceiros, sempre resultam parágrafos sem sentido, talvez pela possível redução de seus neurônios no ambiente da Terra.

3. Habitat: tudo indica que os aliens são capazes de viver em qualquer tipo de comunidade, em especial aquelas que possuam proximidade com as vítimas que estão selecionadas: pessoas, setor privado, empresas estatais e inúmeras instituições públicas. Weaver disse ser normal que possuam vários habitats no país. Contudo, o preferencial é Brasília.

4. Alimentação: os alimentos dos aliens são variados. Depende da aparência que assumirem no momento. Por exemplo, no mesmo dia, podem almoçar em um restaurante de luxo com políticos e empresários. Mais tarde, jantar na favela, pela “amizade de negócios” que estabeleceram com o chefe do tráfico.

No entanto, pelas experiências de laboratório feitas em aliens capturados, há pelo menos dois traços comuns a todos: (i) quando roubam grandes quantias de dinheiro público, ficam enfastiados e não necessitam de mais alimentos; e (ii) quando canibalizam seres humanos, tanto física, quanto monetariamente.

5. Reprodução: os aliens machos evitam acasalar com as fêmeas da sua espécie. O motivo é simples. Após a cópula, elas normalmente os devoram. Dessa forma, adaptaram-se para acasalar com fêmeas humanas. Segundo Weaver, tudo leva a crer que, durante a cópula, eles transmitem sua psicopatia aos filhotes humanos produzidos. Chamam a isso de “força do amor filial”. Não se sabe ainda a causa dessa transmissão, se é genética ou fruto da manipulação mental.

6. Interesse: em suma, o interesse original dos aliens é tomar o país de assalto. Todavia, como não possuem exército, buscam a conquista por meio da falência do Estado. Tentam quebrar as principais empresas estatais. Desviam dinheiro público, pagam propina aos companheiros e enriquecem a si próprios.

A propósito, o agente Ian Weaver tem uma tese que me pareceu possível:
─ “Eles roubam para implantar aDitadura Alienígena do Proletariadono Brasil”.

7. Vícios: mesmo com todas as cruéis habilidades que praticam nos brasileiros, os aliens não são perfeitos em suas ações imorais. Quero crer que no planeta desconhecido de onde provém, não existem bebidas como cerveja e cachaça. Pois bem, o agente especial disse-me que, a começar pelo “Comandante dos Alienistas” (o molusco ordinário), 90% deles viciou-se nessas bebidas. Muitos, sem carro e motorista, colapsam pelas sarjetas.

Segundo o agente Weaver, o gerente da força-tarefa obteve informes que retratavam uma situação patética: o assassinato sumário de um alien municipal por uma quadrilha de aliens federais, que se considerara roubada. Houve temor que essa prática se tornasse um vício, tal a cachaça. Muito embora haja ocorrido outros assassinatos políticos, em situações bizarras de fogo-amigo, o gerente decidiu não levar as investigações adiante.

O agente especial narrou outros vícios menores dos alienígenas. Mas disse-me que, por serem menos insidiosos – aliens malhando a mulher de outros aliens; aliens cuspidores; aliens pederastas; aliens predadores –, foram arquivados para eventuais investigações.

Despedi-me de Ian Weaver e deixei o pub – The World’s End – rumo ao aeroporto. Durante o voo de retorno ao Rio, integrei todas as anotações que fizera de nossa conversa. Fiquei circunspecto por dois motivos:

Como um investigador escocês sabe tanto acerca do Brasil, no século 21?
Acho de passei a crer nos alienígenas à solta!

Desgaste na fuselagem da Anta


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

A vontade do ser humano de voar pelos céus é inequívoca. Remonta a Grécia Antiga, há cerca de 2400 anos. Pesquisadores acreditam que o filósofo e matemático grego, Arquitas de Tarento, haja construído a primeira máquina de voar por volta dessa data. Porém, não há documentos que comprovem essa estória de grego.

No entanto, durante o século 15, Leonardo da Vinci desenhou um avião. Existem documentos que provam sua capacidade visionária. Naquela oportunidade, apesar dos intensos desejos humanos de voar, não houve louco que tentasse construí-lo.

De facto, o mundo atribuiu a invenção do avião ou aos Irmãos Wright ou a Santos Dumont, mas somente na primeira década do século 20 (1903 e 1906, respectivamente). Esqueceram-se que o engenheiro norte-americano, John Montgomery, projetou, construiu e voou no seu planador, em 1883.

Antes de todos, porém, em 1867, o filósofo alemão, Heinrich Antarx, apresentou em Paris seu projeto revolucionário: o primeiro avião de verdade, movido por motores a explosão. Como era um solitário narcisista, a princípio chamou-o de “Antarx”. Depois, a seguir conselho de mais velhos, simplificou o nome da belonave para “Anta”.

Interessado em novas invenções, o governo francês promoveu um evento e convidou uma plateia especial para assistir à apresentação da novidade de Heinrich Antarx. Era formada por notórios cientistas da intelligentsia europeia. Como se tratava de um inesperado projeto alemão, logo tornou-se conhecido na Europa como “Das Anta”. Uma espécie de homenagem ao egocêntrico Antarx.

Porém, Heinrich o concebera de forma megalômana. A Anta não conseguiu decolar do papel. Era um avião de carga inviável, tanto do ponto de vista econômico, quanto operacional. Para ter-se uma ideia, exigia uma tripulação de bordo com 80 profissionais. Em função de suas dimensões extremas, requeria aeródromos exclusivos, com pistas de 10 km e áreas enormes para a Anta taxiar. Suas asas eram desmedidas, com 148 metros de envergadura. Lá estava no projeto da Anta: em cada asa, 12 motores a explosão!

Em suma, a aeronave não passava de um Papa-Tango[1] de papel, com tamanho descomunal, e, segundo muitos dos especialistas que assistiram à apresentação, de acordo como fora projetada, seria impossível controlar a Anta num voo.

Heinrich ficou desolado com a dureza das apreciações formuladas pela intelligentsia. Por ser um megalômano compulsivo, rebelou-se e, furioso, decidiu escrever um compêndio sobre o projeto. Com a ajuda monetária de seu “inseparável amigo”, o “Das Anta” foi publicado na Europa, em 1867.

Em 20 anos, o livro foi traduzido para diversos idiomas: espanhol, francês, inglês, português e russo. Muito embora seu texto fosse desconexo e difuso, o que prejudicava as traduções, bateu recordes de venda na década de 1910. Virou moda da intelectualidade ter um exemplar do “Das Anta” no criado-mudo, como livro de cabeceira.

No entanto, Heinrich Antarx não assistiu o ápice de sua glória literária: faleceu em 1883, antes do lançamento da 2ª edição. Além disso, seu “admirador” também se foi, em 1895. Durante certo tempo, para tranquilidade do mundo, a dupla permaneceu no esquecimento.

Mas cá estou eu a pensar: ─ “Como um gajo que fora estuporado pela intelligentsia, a querer construir uma aeronave monstruosa para transportar carga pesada entre países, conseguiu tornar-se mundialmente conhecido como criador do Antarxismo“. O que é isso?!”

Pois, pasmem, a prosa nefasta contida no “Das Anta” tem sido analisada nalguns cantos do mundo. E há governos que não expurgam a Anta, ao contrário, ainda querem construí-la! Vejam só.

As tenebrosas aplicações

Dentre os Estados-membro da ONU (cerca de 187 países, ao todo), poucos tentaram construir o supercargueiro, a atender de forma estrita o que fora detalhado no “Das Anta”. O resultado foi simples: despenderam montanhas de dinheiro, levaram seus povos à miséria, implantaram ditaduras antarxistas, construíram aviões, mas nenhum deles colocou a Anta no ar.

Dessa forma, os antarxistas iniciaram mudanças no projeto original de Heinrich. A aeronave teve suas dimensões reduzidas, caiu o número de tripulantes a bordo e as pistas dos aeroportos precisavam somente de 6 km. Mas, ainda assim, chamaram-na de Anta. Não decolou e bateu na murada.

Por fim, para desgosto de seus povos, no século 21 o desejo de construir várias “Anta” chegou a América do Sul. O objetivo era exportar para a Europa imensos volumes de maconha e cocaína. Assim, com cargas bem mais leves, bastava construir filhotes de Anta e enriquecer os ditadores antarxistas sul-americanos.

O projeto foi desenvolvido em absoluto sigilo. Uma Anta ficou pronta e conseguiu decolar com relativa facilidade. Vários ditadores antarxistas enricaram com ela. Entrementes, esqueceram-se de montar uma unidade para manutenção da aeronave. Com o tempo e os esforços mecânicos da máquina voadora, aconteceu o desgaste da fuselagem da primeira Anta do mundo.

Como previsto, a Anta explode em voo

Como previsto, a Anta explode em voo

Por sinal, a intelligentsia afirma que, neste ano de 2015, “a Anta sul-americana não suportará o elevado ritmo de carga e explodirá em pleno voo”.

……….

[1] O alfabeto aeronáutico é utilizado por pilotos e controladores de voo de todo mundo para se comunicarem na aviação. Cada letra e número corresponde a uma palavra. Por exemplo: se um avião tiver o prefixo PT-AVP, o piloto vai pedir autorização para a torre de controle, a informar a matrícula do avião: Papa Tango Alpha Victor Papa. Na época Karl Heinrich Antarx isso ainda não existia. O prefixo acima decerto informaria Papa Tango Anta Vigarista Papa.

A derrocada do Ensino Superior


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Ricardo KohnO cenário da educação no Brasil ficou assustador: escolas básicas e fundamentais, bem como universidades públicas de todo o país, foram jogadas às traças por intelectualoides. Decerto, são seres que não foram civilizados na tenra idade – como é essencial a todas as crianças –, de forma a se tornarem mais sociáveis a partir dos cinco primeiros anos de vida.

Todavia, a meu ver este cenário é um processo planejado de destruição ética e moral, cujos pilares vêm a ser erigidos há pelo menos três décadas. No entanto, é somente em 2015 que se torna mais nítido. Aliás, segundo a apologia desonesta “Brasil, Pátria Educadora”, foram subtraídos, de forma abominável, cerca de 7 bilhões de reais do orçamento da pasta da Educação.

É óbvio que se as instituições de ensino em geral já estavam em estado lastimável; se seus professores continuavam a ser muito mal remunerados; se as matérias dos cursos são as mesmas – excessivas, estanques, superficiais e até mesmo desqualificadas –, um corte desta envergadura na educação, proporcionou a derrota final do ensino na dita “Pátria Educadora”.

Causa-me perplexidade, bem como ameaça a qualquer cidadão. Até mesmo àqueles já vacinados contra “analfabetite” (um tipo de degeneração do cérebro, infecciosa e transmissível, bastante comum no atual “Brasil político“).

Contudo, vou me ater apenas ao ensino superior, pois há um excelente artigo assinado por Cláudio de Moura Castro em que ele narra, segundo minha ótica, a asnice cometida contra o aprendizado normal de alunos do ensino médio brasileiro. Em suma, o Prof. Cláudio esgota o assunto em uma página de revista (recém-publicado em edição da revista Veja[1]).

Ensino universitário a desmoronar

A imprensa tem apresentado reportagens e notícias acerca do quadro em que se encontram inúmeras universidades públicas, tanto federais quanto estaduais. Em diversos estados há professores em greve (17), alunos revoltados com a situação, reitorias invadidas, faculdades fechadas, aulas suspensas, além de salas, corredores e banheiros imundos, sem serviços de limpeza.

A Universidade de São Paulo e a Universidade Federal do Rio de Janeiro parecem ser os mais graves problemas da gestão pública neste setor. Universitários e professores tornaram-se vítimas anômicas da mesma incompetência governamental. Dessa forma, é triste, diria mesmo, repugnante, ver o cenário vigente de calamidade educacional, com clara tendência a se agravar.

Confronto na Universidade Federal de Santa Catarina: parada e sem aulas

Confronto na Universidade Federal de Santa Catarina: parada e sem aulas

Ademais, esse quadro também atinge as universidades particulares. O governo federal criou uma série de mecanismos e “siglas paranormais” que servem para financiar estudos superiores nessas instituições: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (FGEDUC). Contudo, para complicar um pouco o estamento burocrático, foi criado o SisFIES, que deve ser o sistema para cadastro no FIES.

Ocorre que em 2015 toda essa parafernália não funcionou. Ficaram de fora do FIES cerca de 178.000 universitários. Simplesmente, não conseguiram se recadastrar pelo SisFIES. Dessa forma, sem o financiamento contratado, os que não puderam pagar do próprio bolso, trancaram matrícula nas faculdades que cursavam.

Um conselho de político velhaco

Afinal, meus jovens, resignem-se: o prejuízo poderia ser maiorSó lhes resta aguardar o dia em que o repasse do governo federal acontecerá. Contudo, agradeçam ajoelhados e de mãos postas. Trata-se da benção dos céus economicamente corrompidos.”

Reflexão universitária

Tenho amigos de longa data que são docentes e pesquisadores em diversas universidades brasileiras e instituições de pesquisa, públicas e particulares. Temos conversado muito sobre o temporal acadêmico que está a se formar sobre a cabeça de certos governantes velhacos.

Cada um de nós tem motivo específico para manter essa conversa. No entanto, sem interferência ideológica ou partidária, fomos unânimes nas seguintes posições:

  • A qualidade do setor da Educação é o principal fundamento para o desenvolvimento de qualquer nação do mundo.
  • O tenebroso balanço auditado da Petrobras 2014, aprovado por seu Conselho de Administração, demonstrou que, pelo menos, houve desvios ilegais de dinheiro público da ordem de R$ 50 bilhões: 6 bilhões pela corrupção oficial e 44 bilhões na “reavaliação de ativos”. De fato, esta “reavaliação” significa “ativos sobre avaliados que desapareceram no ar”, ou seja, por força dos mecanismos engendrados para a corrupção subliminar.
  • Teve-se quase certeza que a corrupção descarada na Petrobras, durante 10 anos, foi maior do que seu último balanço oficial demonstra. Por baixo, estimou-se que foi da ordem de R$ 90 bilhões.
  • Teve-se quase certeza que a cleptocracia entranhada no Estado desviou dinheiro de bancos públicos, de empréstimos internacionais do BNDES, de fundos de pensão, da Receita Federal, das obras do setor de energia elétrica, das obras do PAC, das obras da Copa do Mundo, do corredor de passagem da Ferrovia Norte-Sul, das obras da Transposição do Rio São Francisco e das obras do DNIT, Infraero e outras instituições públicas de infraestrutura. O montante desta extorsão criminosa é impensável.

Mas, por fim, restou-nos a indagação: ─ “Por quais motivos no Brasil a evolução das ciências, das pesquisas, das universidades e do ensino superior está a sofrer a mais catastrófica decadência de sua história?”

……….

[1] O título do artigo é “O pior ensino médio do mundo?” Observo que Cláudio de Moura Castro é Doutor em Educação, pela Cornell University, USA. Caso tenha interesse em ler seu artigo, encontra-se publicado na edição 2424 da Veja, referente a 6 de maio de 2015.

Discurso ‘estarrecedor’ [sic]


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Estava eu na biblioteca de casa, ocupado a arrumar antigos documentos de diversas origens e finalidades: lista de compras para o barco, notas fiscais, cartas que ainda recebo, certidões, atestados e outros. Foi quando descobri que guardara impresso um e-mail que me chegou do Brasil, em fevereiro de 2014. Encontrei-o num envelope pardo que eu mesmo intitulara de “Discurso”.

O texto fora transcrito de uma gravação feita por amigas de duas de minhas noras brasileiras. Ao final, tento explicar o que ocorreu. Mas antes, leia o tal discurso.

Em tempo, tomei a liberdade de colocar um [sic] após cada escorregão gramatical e sintático cometido. Achei mais de quarenta deles, sem considerar as “licenças poéticas”, que abri mão por gentileza. Mas vamos ao bruto:

Companheiras e companheiros, camaradas e camarados [sic], estou muito feliz de estar com vocês por aqui hoje [sic] para fazer um comunicado pro meu futuro governo [sic]. Quero que vocês saibam de muita coisa sobre o futuro que eu vou construir de novo pra vocês” [sic].

No meu próximo governo, que eu quero deixar bem claro, que vai começar em 2015 [sic], eu vou mudar muita coisa, quer dizer, eu vou mudar tudo, tudo o que precisa ser mudado [sic]. Entenderam?! Farei as mudanças que vocês que sempre que me imploraram [sic] e que eu nunca tive tempo nem saco de fazer” [sic].

Que eu vou acabar com as polícias, com todas as polícias do meu país. Mas que eu vou criar novas polícias pra substituir as polícias que eu acabei de acabar [sic], fui clara?! Vou contratar policiais mais insinuantes [sic], selecionados nas milícias do MST, MTST, dos Black Blocs e do PCC, todos agora são nossos parceiros sociais nessa empreitada” [sic].

Que eu vou integrar ao corpo, quer dizer, ao do meu executivo [sic], os Mídia Ninja, que são muito úteis para a intensa comunicação do meu novo governo com o mesmo povo de sempre [sic]. Aquele ninja beiçola [sic], com cara idiota e do cabelo enrolado [sic], é esperto e vai ser meu ministro das comunicações. Não há ninguém mais adequado para…, pra…, pra entender o povo” [sic].

Aliás, decidi de uma vez por todas demitir do cargo o careca idiotista [sic], que há de catar coquinhos na seca árida [sic], pelas entranhas do nordeste [sic]. O castigo dele é que ele vai vaquejar nas costas do jumento [sic], sobre o sol inclemente” [sic].

Que sempre saibam vocês todos que eu sou uma competente revolucionária [sic], faço de tudo que se for preciso [sic], como sempre fiz! Me entenderam bem? Vocês não imaginam do que sou capaz, só que eu não faço ameaças [sic], que eu só cumpro o que faço [sic]. Tenho certeza que vocês me compreendem a importância [sic] das minhas ideias rejuv… re-ju-ves-ce-ni-da… das minhas novas ideias, porra [sic]!”

Que eu não vou permitir de forma nenhuma, ouviram, nenhuma mesmo [sic], que ninguém sabote essa minha proposta democrática de governo [sic], só se me matando [sic]. Mas isso não vai nunca acontecer [sic]. Afinal, eu tenho as minhas forças pessoais, bem aparelhadas como as da KGB e da Gestapo [sic], que me garantem minha integritude” [sic].

Para finalizar eu quero comunicar a vocês que vou abençoa-los em 2015, com minha grande paz de espírito e de governo [sic]. Para continuar o desenvolvimento do país, que eu iniciei sozinha [sic], vou criar mais outros 40 ministérios; isso mesmo, vou ter mais quarenta ministros eloquentes [sic] e suas equipes. Saibam que, a partir de hoje, todos vocês estão empregados com cargos de chefia nesses aparelhos, analfabetos ou não” [sic].

Mas determino a todos que tragam seus familiares e companheiros confiáveis para que uma das minhas assessorias monte um aparelho pra cada um administrar [sic]. Mas não me incomodem com mais chatices. Fiquem em casa ouvindo rádio, vão passear por aí [sic], esbanjem seus salários, comprem televisão, geladeira e bicicletas, sim, muitas bicicletas de pedalar [sic], pois vou implantar a Política Nacional da Bicicleta 100% Brasileira, e só me apareçam pela frente de novo em 2015” [sic].

Sintam-se à vontade para me bater muitas palmas [sic] de forma ordeira. Atenção, que eu exijo ordem [sic]! Sei que eu me mereço a mim [sic] para ser a Soberana de vocês” [sic].

Considerações sobre o discurso

Minhas duas noras e amigas estavam a bebericar na Cervejaria Ramiro, uma boa casa de Lisboa, que serve ótimos pratos de peixe e frutos do mar. Uma delas pediu licença, saiu da mesa e, logo em seguida, retornou a dizer, constrangida: ─ “Há uma senhora trancada ao banheiro, a fazer um discurso cheio de empáfia para alguém”.

Ostras na Cervejaria Ramiro

Realmente, quando as meninas chegaram junto ao banheiro, com a porta trancada por dentro, ouviram uma voz feminina a dizer para alguém: ─ “Presta atenção, vou discursar de novo!

Foi então que fizeram silêncio e começaram a gravar pelo I-Phone. O discurso não durou três minutos, até elas ouvirem a fechadura da porta ranger. Saiu então uma senhora de baixa estatura, corpo com formato de losango, a trajar uma roupa espetaculosa. Vestido de fundo negro com lascas de tecido prateados e dourados. Ela usava muitas joias e os grandes brincos circulares emergiam da cabeleira hirsuta escovada. Essas foram as palavras das meninas e eu não discuto com elas.

Mas elas me disseram mais: que a senhora saiu do banheiro muito arrogante, a ostentar no frontispício o impávido colosso de sua grave burrice fundamentalista. Sequer olhou ou cumprimentou as meninas aflitas.

Discursara asneiras à si própria, diante de um espelho opaco. Qual seria sua intenção?… Treinamento?… Gatunagem?…

Previsões e ‘profecias’ para 2015


Por Dr. Andrey, Psiquiatra e Vidente.

Um psiquiatra espanhol, de nome Andrey Porra y Porra, enviou para o blog suas previsões e “profecias” para o ano de 2015. Após ler-se o texto com curiosidade, durante dois dias revirou-se a internet à procura deste profissional. Mas nada se encontrou, sequer seu nome. Somente mais tarde, por obra do acaso, soube-se através de um amigo catalão que ele existe.

Por contingências da vida – que não se conseguiu obter detalhes –, Dr. Andrey abandonou a psiquiatria há mais de 40 anos. Desde então, dedicou-se a aprimorar suas habilidades de vidência. Por fim, tornou-se notório, respeitado internacionalmente.

Soube-se que Dr. Andrey é recatado e muito cuidadoso com sua “delicada” profissão. Não atende a clientes em clínicas ou consultórioOs fantasmas da Sexta 13 particular. Somente trabalha nas residências dos clientes. Segundo consta, cobra 1.200 euros por “hora de vidência”, fora transporte e estadia. Até por que, dizem que faz previsões nos cinco continentes, embora para o Brasil, dada nossa estranha verve política, somente faça “profecias”. Contudo, com amplo índice de sucesso, segundo comentam à sorrelfa grandes empresários e xeiques que o consultam.

É curioso, mas hoje em dia Dr. Andrey só aceita novos clientes se forem indicados por clientes antigos, com mais de “20 anos de vidência” com ele. Ele faz previsões sobre qualquer assunto: resultados eleitorais, falecimentos, julgamentos criminais, prisões, empresas fantasmas, novos contratos, receitas futuras, taxa de câmbio, oscilação dos juros básicos, aplicações financeiras e bolsas de valores são suas maiores especialidades.

Entretanto, segundo informes, tem evoluído bastante, pois já se encontra apto a prever quem recebe propinas no serviço público de países africanos e latino-americanos.

A partir daí, fez-se uma reunião editorial e, por consenso, decidiu-se publicar as “2015 Previsões e Profecias de Porra y Porra”, recebidas em 31/12/2014.

Previsões para 2015 – Internacionais

  • Variáveis críticas externas, manipuladas por atores violentos, criarão ameaças radicais para povos da Europa, mas servirão para unir e fortalecer as nações deste continente.
  • Cidades norte-americanas serão alvo de fundamentalistas isolados, os quais serão sumariamente mortos pela polícia local e o FBI, sem causar maiores danos pessoais e patrimoniais. Porém, a violência permanecerá a ocorrer, através de “cyber-ataques” a bases de informações secretas.
  • Grupos fundamentalistas, antes concentrados em certas áreas do planeta, foram desmembrados por força da ação militar. No entanto, alguns de seus remanescentes cometerão brutais ataques terroristas, com inesperadas vítimas fatais, em capitais da Europa Ocidental. Ainda estão na casa do milhão os fundamentalistas remanescentes, sem considerar os jovens que se encontram em treinamento.
  • Crescerão no mundo ocidental violentas fobias políticas, econômicas, culturais e religiosas, mas China, Índia e Japão não serão afetados, nem sequer participarão de respostas que serão tentadas por outros países. Todas sem o devido sucesso.
  • Com a total inversão de valores ocidentais, em países africanos as ações criminosas de grupos fundamentalistas, desencadeará a morte de milhares de civis inocentes, inclusive idosos e crianças.
  • Acontecerá a falência de inúmeras empresas sul-americanas, com ênfase nas dos “países baixos” – Argentina, Brasil e Venezuela. A Bolívia sobreviverá, por força do crescimento de seu PIB, beneficiado pela exportação da cocaína.
  • A Rússia entrará num período de franca decadência econômica, política e moral, a agravar suas relações com a Ucrânia, países do oeste europeu e os Estados Unidos. No entanto, num comportamento suicida, seu líder tornar-se-á ainda mais beligerante.

“Profecias” para 2015 – Brasil

  • O governo não superará as graves dificuldades para conciliar a “manada de ministros de baixa governança” que nomeou. Surgirão conflitos frontais de espaço entre os “donos de pastas”, que serão irremediáveis. Os “interesses difusos” de cada um, quando sobrepostos, não caberão na “área de pasto” que lhes foi concedida. Haverá choques sucessivos e desgastes fatais na governança pública, ampliados pela total incompetência de certos titulares.

A pancada do Azar

  • Em todos os escalões de certos ministérios acontecerá “a marcha da insanidade”, com a nomeação para cargos públicos de perigosos agentes que representam a esquerda radical: têm a missão de implantar a ditadura comunista no país. Tal como foram os desejos de seus ancestrais políticos, nas décadas de 1960 e 1970.
  • Após um decênio de escândalos da corrupção pública, divulgados com precisão pela imprensa mundial, sob a pressão do “FBI Brasileiro” e certos órgãos de controle, será ouvida a estrondosa erupção dos “escândalos subterrâneos”. Assim, serão aclaradas as relações escusas mantidas em instituições, bancos públicos e empresas de setores econômicos que permanecem estatizados no país. O grande tsunami da “extorsão organizada”, da “corrupção no atacado“, causará enorme depressão nas lideranças mundiais.
  • Não serão recuperadas as centenas de bilhões de dólares “afanadas” do setor público. Até porque, poucos serão aqueles que devolverão parte do dinheiro público roubado.
  • Será realizada a “Auditoria das Eleições de 2014”, por força das graves dúvidas de manipulação eletrônica do pleito. Para os auditores ficará comprovado que houve o desvio criminoso de milhões de votos. Porém, a instituição que detém o poder eleitoral sagrará a eleição como perfeita e arquivará o processo.
  • Serão “extintos partidos políticos” que possuem assento no Parlamento, por força da condenação e prisão de muitos de seus líderes e membros eleitos. Movimentos populares pedirão a queda do governo federal e o fechamento temporário do poder legislativo, com vistas a higienizar os quadros de corrupção e a falta de “conduta ética e moral”, estabelecida nesses poderes.
  • O Brasil sofrerá aguda crise social, política e econômica. Sua cambaleante liderança na América do Sul será definitivamente anulada, dando espaço a que potencias mundiais assumam o domínio produtivo e comercial neste continente. Assim nascerão a “América do Sul Made In China” e a América do Sul Made In USA”.

E Dr. Andrey concluiu seu relatório de “previsões e profecias” com três observações:

“Não uso bola de cristal e não sou presunçoso de afirmar que minhas previsões têm 100% de probabilidade de ocorrer. No entanto, Quadro de Pablo Picasso
trabalho num sólido “Banco da Dados e Informações Mundiais” de minha propriedade, que levei 40 anos para consolidar, de forma meticulosa. Atualizo-o diariamente”.

“As ferramentas de trabalho que utilizo são a Psiquiatria e o ‘Modelo Estocástico de Previsões Sócio-Políticas e Econômicas‘ que arduamente consegui desenvolver”.

“Enviei gratuitamente este relatório para vocês – Sobre o Ambiente – pelo fato de seguir seu trabalho e haver notado que já fizeram previsões no passado, embora a título de deboche. O que, por sinal, considero um direito do cidadão. Amanhã, 2 de janeiro, seguirei para os Alpes Suíços para descansar um pouco. Mas saibam, quando quiserem meu pequeno chalé encontra-se aberto para vocês. Aproveitem enquanto eu existo.

Bom trabalho e Felicidades a todos”.

Ministério da Corrupção


“Sugestão de ofício”

Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs

Simão-pescador

Simão-pescador

Estava eu a ler um bom estudo sobre a Idade Média [1], publicado recentemente, e a fazer minhas anotações. Buscava informação sobre a chamada Idade das Trevas, que decorreu do declínio do Império Romano e quase arruinou o continente europeu. Os reinos daquela época eram comandados por imperadores e sua trupe de ministros, digamos assim.

Entretanto, as “Trevas” impuseram-lhes duas condições para nomearem seus ministros. A primeira, sem dúvida a mais importante, era a existência no reino da coisa a ser administrada. Por exemplo, como não existiam processos de geração de energia na Idade Média, não caberia ter um ministro para gerir eletricidade e petróleo. Além de ser uma ótima economia nas trevas.

A outra, era secundária. Consistia no ato da Seleção Imperial entre os vassalos disponíveis. “Sem ofício nem benefício”, eles levavam a vida em festas, a se locupletarem à custa dos burgueses que produziam, mantidos sob regime similar à escravidão. Obviamente, cada imperador de reino escolhia para ministros os vassalos que lhe prometiam mais riquezas, obscura que fossem suas origens.

Esta condição continua a viger até hoje em vários países, sobretudo na América do Sul, suportada por dinastias de presidentes totalitários e omissos.

É facto que alguns países sul-americanos encontram-se sob a égide desta pobre condição. Venezuela, Argentina, Equador e Bolívia são os mais degradados, econômica e socialmente. Mas é uma questão de parecença, dado que não acompanho em detalhes suas tragédias governistas.

Doutra feita, sigo de perto o cenário do Brasil e o considero bastante grave. Trata-se de um paradoxo, pois precisa de tantas e incontáveis reformas, com custos estruturais de elevada ordem, que será mais fácil demoli-lo e projetar outro país. Necessita de um novo arquitecto, diverso da “doutora” que acaba de ser reeleita, uma vez que só fez sujidade ao longo de seu mandato, deixando para si própria um descomunal legado de lodo in natura.

Estive a analisar as reformas que soem ser imprescindíveis ao Estado Brasileiro: reforma política, burocrática, econômica, fiscal, monetária, ministerial e outras de que não recordo agora. Mas logo conclui que não há como realiza-las em sincronia, pelo menos se contar com as facções de “técnicos populistas” aparelhados pelo governo.

Como a maioria das reformas deverá ser aprovada pelo Congresso Nacional, sugiro que a “doutora” faça somente o que está ao alcance das mãos: a reforma dos ministérios, com todas as economias que dela advirão. Afinal, trinta e nove equipas ministeriais é um escândalo para qualquer gestor público. Dispense os vassalos, doutora!

De toda forma, só espero que a “exímia gestora” não siga a mesma política da Idade das Trevas: nomear uma trupe de ministros para ministrar apenas coisas que já existam. Dessa maneira, o país ficaria sem qualquer regente público para Educação, Saúde, Infraestrutura, Segurança e Economia. Seria o desespero do povo. Mas vale lembrar que, em troca, ganharia um espaçoso Ministério da Corrupção.

Futura sede do Ministério da Corrupção

Futura sede do Ministério da Corrupção

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[1] Epstein, S. A. An Economic and Social History of Later Medieval Europe, 1000-1500. Cambridge: Cambridge University Press, 2009.

Dia Internacional do FdP


Por Simão-pescador, da Praia das Maças.

Simão-Pescador

Simão-Pescador

Desde a infância comecei a descobrir que existiam datas para se comemorar alguma coisa. O “Dia da Criança” e o “Dia de Natal” foram as primeiras que me chamaram atenção, por óbvios motivos. Mas aos poucos fui informado de outras datas comemorativas, muitas delas criadas para aumentar as vendas do comércio. Quer dizer, todas são o “Dia da felicidade de vendedores”.

Mas qual não foi minha surpresa quando descobri que todos os 365 dias do ano são dedicados à homenagem de alguém, normalmente um santo, um facto, ou alguma coisa. E, dentre essas coisas, encontrei nos meus alfarrábios a existência do “Dia Internacional do Filha da Puta”, a homenagear distintos cavalheiros de suas pátrias. Espantou-me o facto que esse curioso dia é muito antigo, pois decorre de lutas feudais na Idade Média, em solo francês. Por isso, os franceses são pioneiros em quase tudo.

Cronologia da homenagem

Datada de 25 de outubro de 1415, a batalha de Agincourt foi uma de 12 batalhas da chamada Guerra dos Cem Anos (que, por sinal, durou 116 anos). Teve como seus principais oponentes a França e a Inglaterra. Embora essa batalha haja se dado ao norte do Estado francês, por sinal muito bem resguardado militarmente, dela resultou a inesperada vitória dos ingleses.

Em grande inferioridade numérica, as tropas inglesas contavam com cerca de 15 mil soldados para enfrentar algo como 50 mil franceses, treinados e bem armados. Porém, numa tática arrojada, arqueiros ingleses e galeses praticamente liquidaram os franceses em uma situação bizarra.

O comandante francês, Charles d’Albret, teve a brilhante ideia de ordenar que seus homens atravessassem um terreno de atoleiro, meio a chuvas intensas e cercado de árvores. Tornou suas forças alvo fácil para os arqueiros inimigos. Assim, muitos foram presos, outros flechados e inúmeros literalmente massacrados.

Os franceses da região, que davam aquela batalha como vencida, resolveram comemorar “Le Congé du Fil de Pute” (“o Adeus do Filho da Puta”) em todo 25 de outubro, a homenagear o tal de Charles d’Albret, pateta responsável pela fulgurante derrota.

Em outros países esse dia também foi lembrado, embora por motivos diferentes:

  • Na Alemanha Oriental, nos anos seguintes à derrota na IIa Guerra, em homenagem ao criador da SS e comandante da Gestapo, Heinrich Himmler, o “Dia do filho da puta” foi comemorado em todo 23 de maio, por ser a data em que o corajoso nazista suicidou-se na prisão, após ter sido encarcerado pelas forças aliadas.
  • Na Argentina, a revista satírica “Barcelona” lançou a iniciativa de declarar o dia 2 de agosto como o “Dia do filho da puta”. A comemoração pretendia honrar o ex-ditador e general Jorge Rafael Videla, considerado como signo e emblema dos filhos da puta da Argentina.
  • No Brasil foi tentado celebrar o mesmo dia em 19 de abril, a homenagear Joaquim Silvério dos Reis, que entregou Tiradentes de bandeja ao Vice-Rei, para seu sacrifício, tortura e morte. Contudo, a confirmar a eterna inexpressiva reação da sociedade, o apoio popular necessário não foi obtido e a data se perdeu no tempo.

Aqui na “Santa Terrinha” ainda não encontrei qualquer menção ao “Dia do filho da puta” português. Mas, chamo a atenção de todos, pois já os tivemos de sobra. Ao olhar todas as terras do mundo sob a ótica de seus eventuais “filhos da puta”, concluo que eles são muitos e merecem uma digna homenagem em um Dia Internacional dedicado!

A considerar a qualidade da governança pública brasileira executada neste último decênio, tenho a ousadia de propor que este Dia Internacional seja comemorado em 5 de outubro, quando os eleitores deste país, assim espero, elegerão um verdadeiro estadista!

Meus filhos, netos e bisnetos, bem como o putinho de meu tataraneto, todos aí nascidos ou residentes, agradecem penhorados por este sumo acto de salvação da pátria.

2015: Ano da Guerra


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior, o eremita

Zik Sênior, o eremita

Tenho acompanhado a evolução dos candidatos que desejam a Presidência da República. Mas, como tenho 106 anos e não preciso votar, sinto-me à vontade para opinar sobre o que pressinto que pode acontecer em breve.

Até o momento, tudo aponta para, finalmente, a desejada derrota do PT nessa disputa. Um sinal evidente dessa tendência está explícito na fala de petistas boçais, mais extremados. Ameaçam criar sucessivos empecilhos para que o candidato eleito não consiga governar o país, e o povo que se dane! Ameaçam, até mesmo, com o uso da violência.

Um tal de João Stédile, que se diz líder de um “Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra” (o que é um enigma para mim, pois, se não possuem terra, não são trabalhadores rurais), em entrevista concedida a Rodrigo Viana, da Revista Fórum, afirmou a seguinte pérola:

─ “A questão agrária no Brasil só virá num futuro próximo (sic) quando houver a retomada das manifestações de massa, que vão pautar um projeto de país. […] Ganhe quem ganhe (sic) continuará tudo igual. Só espero que não ganhe o Aécio, porque aí seria uma guerra (sic). […]” [1].

Em minha completa ignorância acerca desse tipo de babaca, deduzo que se trata de um gajo agressivo, mal alfabetizado, presunçoso e ainda a querer instalar o comunismo no Brasil. De forma bem pejorativa, trata-se de um estafermo avariado, um terrorista de calcinhas bordadas. Contudo, ainda que tente cumprir o que prometeu, “dará com os burros n’água“. Quer dizer, “vai nadar muito e morrer na praia”.

Que haverá uma grande guerra, não tenho dúvida. Mas será bem outra. Não importa se o novo presidente venha a ser o Aécio ou a Marina, que são as únicas opções que ainda existem. Qualquer um deles terá de higienizar a máquina pública, o que demandará um esforço descomunal de sua equipe de governo.

Sanear ministérios, secretarias, empresas estatais e agências públicas da sujeira humana instalada pelo PT e sua “base ‘de corrupção’ aliada”, não tem preço! Será guerra para durar um mandato inteiro e ainda vai deixar bastante fumaça tóxica na atmosfera do planeta.

A ser assim, o novo governo será acusado pelo IPCC de ser o maior contribuinte de gases para o aquecimento global. Deverá ser severamente punido na ONU, pela queima descontrolada de elementos orgânicos, nocivos e perigosos. Meno male, será sinal que a limpeza obteve algum sucesso!

Grato pela atenção e até a próxima…

……….

[1] Fonte: Folha Política. Na matéria intitulada “Líder do MST promete ‘guerra’ se Aécio ganhar”.

Horário eleitoral gratuito


Recebemos um texto para campanha política de um candidato às eleições de 2014. Ele pede que o publiquemos no blog, função do tal do “horário do político gratuito” ou qualquer coisa que o valha. Seu advogado disse-nos, por sinal de forma um tanto grosseira, que essas publicações são obrigatórias e precisam ser gratuitas. Afirmou ainda que todos os veículos de comunicação do país têm a obrigação de divulgá-las, querendo ou não, pois consta da lei.

Após algumas discussões internas de nossa equipe, decidimos postar a “marquetagem” para nos livrarmos de eventuais vendetas. Nunca se sabe quais podem ser as consequências das ações desses prodígios. Mas, mesmo assim, ainda insistimos em pensamento:

─ “Trata-se de uma coisa muito estranha, uma propaganda política refogada com lixo”.

De toda forma, conforme determina a lei, segue o ‘comício eleitoral’ do político Geisonilsuam da Silva, o Fiofó.

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Comício público de Geisonilsuam ‘Fiofó’ da Silva

─ Atenção meu povo, vamos à luta para vencer! Para presidente, vote 00, vote no Fiofó!

─ Tudo o que Fiofó promete, Fiofó faz com exatidão. Afinal, se Fiofó dá tudo por você, então não perca seu Fiofó de graça.

─ Para presidente, crave seu voto no Fiofó! Faça negócios e ganhe muito dinheiro com Fiofó. Realize “relações eleitorais” com o seu Fiofó!

─ Mas saiba de um fato que nos multiplica: nosso Fiofó será todo seu, assim como o seu Fiofó será todo nosso. Vamos, juntos, compartilhar o Fiofó!

─ Meu povo, nestas eleições para presidente, vote em Fiofó! Crave 00 no Fiofó!

O analfabeto político do século 21 - Fiofó da Silva

O analfabeto político do século 21 – Fiofó da Silva

A urna eletrônica brasileira deve auxiliar bastante a eleição de milhares de Fiofós. Vota-se no Tonico Trombeta e um Fiofó, devidamente programado, recebe o voto! Na qualidade de eleitores, temos de nos sujeitar a isso. Não existe escapatória, sobretudo da maneira como essa vergonha está legalizada pelo voto obrigatório. Desculpem, mas desse jeito, obrigatório, trata-se de uma violação grave, não de uma “cantada”.

São milhares, talvez milhões de Fiofós, zanzando pelas ruas e escritórios do país, sobretudo durante as milionárias campanhas políticas que realizam. Nunca se sabe o que pensam, o que planejam, de onde vieram e em que lugar desejam se aboletar no futuro próximo.

Não há qualquer dúvida que querem ser políticos, mas, com certeza, não é pelo salário mais as benesses que percebem. Até porquê, tudo indica que gastam muito mais do que ganham para fazer muito pouco ou fazer nada.

Há quem diga que o Fiofó acima transcrito ficou milionário com “restos de campanha”. Haja restos. É como ser um minguado faquir desde a origem e, num dia, com restos de comida colhidos nas lixeiras, engordar rápido para, logo em seguida, sagrar-se campeão mundial de sumô. Há algo inexplicável nessa trama.

Quem assiste aos programas políticos, televisionados duas vezes por dia, ou procura ocupar o tempo com comicidades ou está prestes a enlouquecer. Confessamos que, por curiosidade de ver se o nível havia melhorado, assistimos ao primeiro programa desse ano. Claro que nem todos os Fiofós estavam presentes, pois não há tempo disponível para tantos. Mas o que vimos e ouvimos foi dantesco. A menos de um único candidato, para todos os cargos eletivos destas eleições só compareceram Fiofós!

Assim, considerando o cenário trágico em que fomos enrolados nestes últimos anos, ficamos a pensar como ficará o país com a nova geração de Fiofó que vai invadir aos coices o Congresso Nacional e as Câmaras estaduais.

E mais lamentável ainda, quais são os riscos que a sociedade brasileira correrá se o Palácio do Planalto for dominado por mais um Fiofó, a comandar sua tropa de “ditadores democráticos”.

Soberano, gentalha


De uns tempos para cá, as autoridades demonstram que veem o cidadão comum igual a um plebeu, que merece o tratamento de gentalha. Não oferecem qualquer explicação à ralé sobre os motivos e consequências de suas decisões políticas e das intervenções econômicas que praticam. Apenas decidem quais serão as novas versões de conduta a serem seguidas sem discussão, mesmo que a prejudicar a nação.

Residência típica da gentalha - foto de Ronaldo Kohn

Residência típica da gentalha – foto de Ronaldo Kohn, tomada com máquina analógica.

Tudo leva a crer que estão a viver no período monárquico, onde são os únicos soberanos e aristocratas no reino. Afinal, plebeu não é cidadão, é ralé, gentalha que, se tiver juízo, deve permanecer calada, mesmo quando sofre os efeitos econômicos nefastos das decisões do reino sobre sua vida inócua e elementar.

Os soberanos contam com o apoio de “patrícios” bem remunerados. Eles são selecionados, invariavelmente, na “alcateia de companheiros”. Porém, já houve casos em que a ex-mulher de um patrício denunciou à imprensa ou à justiça seus atos de corrupção. É um problema preocupante ainda não resolvido pelo reino, pois ex-mulher ou amante, quando zangadas, falam demais e é preciso cala-las…

Por sua vez, os aristocratas possuem “escravos” para servi-los. Estes são seres desprezíveis, que têm dívidas atrasadas com a aristocracia e, não havendo outro meio, pagam-nas com a própria escravidão. A única fragilidade dos aristocratas é o fato de que vão para a cadeia pelo roubo planejado por um soberano. Quem sabe, talvez por tê-lo realizado com sua quadrilha de apoio.

Dessa forma foi que o “reino” construiu uma sólida estrutura de classe, assim hierarquizada: os Soberanos, que são a classe A; os Aristocratas, que formam a classe B; os patrícios, a classe C; a gentalha, a D. Por fim, os escravos, que não são de classe alguma.

Para saber como funciona essa hierarquia, seguem dois casos que demonstram sua eficiência e dinâmica.

Eficiência. A gentalha é sempre pobre ou muito pobre. Segundo visão de um ex-soberano “Não tem coisa mais fácil do que cuidar de pobre. Com Z$ 10,00 o pobre se contenta”. Isso demonstra a força da hierarquia no reino, pois um bom soberano, com invulgar precisão, sabe quanto é suficiente para que a gentalha possa sobreviver.

Dinâmica. Em decorrência de necessidades funcionais do reino, soberanos consideraram que precisavam ter seus ganhos majorados. Após realizarem muitos encontros de negócios, concluíram que uma “classe de servidores” precisava ser criada. E ela foi criada oficialmente.

Hoje a Classe de servidores existe, mas não faz parte da hierarquia do reino, são anônimos. Os patrícios os comandam na execução de “trabalhos” aprovados por soberanos. Por fim, cabe aos aristocratas fazer propostas de “trabalhos” para desenvolver o reino. Desse arranjo negocial, todos passaram a ganhar bem mais.

Ao final, a coisa ficou combinada assim: os Soberanos, com sua autoridade máxima, somem com 40% do valor dos trabalhos; os Aristocratas retiram 25%; os patrícios ficam somente com 15%; e os servidores recebem 20%, mas precisam pagar os impostos ao Leão do reino.

A gentalha que, como se sabe, necessita de muito pouco para viver, e os escravos, que vivem às custas dos aristocratas, obviamente não foram contemplados por esta medida “desenvolvimentista“.

P.S.: Recebeu-se informe recente afirmando que o reino está bem mal das pernas. Mas há quem diga que Soberanos estão a rever os percentuais de ganho das classes nos trabalhos. Deve ser para reduzi-los um pouco. Se for assim, esse assunto cabe a um grupo de “servidores economistas” (anônimos). Porém, é certo, vão aumentar os custos dos trabalhos em pelo menos 130%.

Estórias da Demente


Por Simão-pescador, Correspondente na Europa.

Simão-Pescador

Simão-Pescador

Movido por forte disposição, resolvi fazer a limpeza geral da biblioteca. Já tenho hoje mais de 4 mil livros, entre brochuras e capas duras. Adquiro-os sempre e também recebo muitos de presente. Todos meus amigos sabem que gosto de ler.

Porém, a maresia é implacável com tudo, inclusive com papel impresso. Pressinto que vou passar pelo menos uma semana sem seguir ao mar, encapando obras literárias já um pouco sofridas.

Contudo, tenho a favor o facto de que Quincas, meu “neto postiço”, está aqui para me ajudar. Mas, como todos podem ver, estou a atrapalhar as coisas: limpo minha biblioteca, reencapo alguns livros e quero escrever ao mesmo tempo.

Meus livros, os tesouros da biblioteca

Meus livros, os tesouros da biblioteca

O motivo dessa confusão é que reencontrei uma obra antiga, editada em meados do século XIX, que traz histórias muito boas. Incrível, mas parece que estou a ler panoramas do Brasil atual e suas “Estórias da Demente” (título da obra). Vou tentar resumir uma, sempre à procura de não ferir a identidade dos originais, escritos por “Paranoia Eustasia Peixoto”. O nome é este mesmo, acreditem, foi um escritor renomado na freguesia onde morava.

Demente é o sobrenome de uma certa Helena, a qual presumo que seja uma personagem criada por Paranoia. O estranho é que pais honrados hajam mantido esse nome de família. Mas existem casos inomináveis, como o do Conde Estrôncio Cu-Bunda. Diz a estória que num dia, revoltado, o Conde seguiu ao cartório para trocar de nome. Então, o solícito tabelião perguntou-lhe para qual nome desejava mudar. E ele, sacudido, respondeu de chofre:

─ “Ora pois, pá, Euzébio Cu-Bunda!

Resumo da estória de Helena Demente

Na infância era tratada por “Lena”, apelido de família. Por ser uma criança agressiva, gritava com quem a chamava de “Leninha”: ─ “Já disse que meu nome é Helena, porra!”. Não aceitava carinhos e usava palavras de baixo calão, como lhe ensinara seu pai. Era irascível, além de burra congênita.

Com o passar do tempo, já ao fim da adolescência, tornou-se uma espécie de “dicionário de palavrões”. Muitos continuavam a provoca-la com “Leninha” e ela os respondia cada vez com maiores grosserias. Não vou contar as expressões chulas que usava, mas posso afirmar que eram, digamos, criativas para uma representante da família Demente

Lena” decidiu fazer uma escola superior e optou pela Economia. Contudo, começara em Portugal a Guerra Miguelista e ela resolveu participar ao lado dos absolutistas, a lutar contra os liberais constitucionalistas. Segundo narra Paranoia Peixoto, Helena Demente sempre sonhara em ser uma Soberana, ter poder, fazer e desfazer seguindo seu violento instinto. Veio daí sua opção de se misturar na guerra e, se tivesse oportunidade, “descolar” algum dinheiro por fora.

Quando D. Miguel I foi aclamado rei de Portugal, em 1828, Helena já estava a seu lado, como cortesã, junto com o Partido Absolutista, a Corte, a Igreja e os latifundiários. Não fora uma amante do rei, embora quisesse ser nomeada para um cargo vitalício que lhe conferisse alto poder. Conseguiu obter uma função mesquinha, a ganhar ninharias, bem condizente com a capacidade mental da família Demente.

Porém, D. Pedro I retornou a Portugal em 1831, disposto a tomar o trono de seu irmão mais novo, pois era seu de direito. Leninha percebeu que ia dar merda e logo “bandeou-se” para o lado dos liberais. Por sinal, embora não haja lutado em nenhuma das batalhas, estava presente na Praia do Ladrões – por coincidência, esse era o nome local – quando, após diversas batalhas, as forças liberais de Pedro I reassumiram definitivamente o Império, em maio de 1834. Sem mais combates ou resistência dos absolutistas. Leninha virara liberal na hora certa, graças à falta de postura política e à fome insaciável por dinheiro público.

A importante batalha do Cabo de São Vicente, em 1833

A importante batalha do Cabo de São Vicente, em 1833

Alguns factos escritos por Paranoia Peixoto não estão nos livros da História Portuguesa. Por exemplo, para dificultar ao máximo a descoberta de sua infiltração nas forças liberais, Helena Demente conseguiu falsificar várias certidões de identidade. Seu objetivo era atuar junto aos absolutistas, mas agora para praticar atos de terrorismo contra eles.

Em cada ato que realizava, usava nomes falsos (Estela, Patrícia e Wanda) para não ser vista como traidora. Efetuava assalto a bancos, sequestro de emissários de outros impérios, de oficiais absolutistas e até mesmo alguns assassinatos. Pensava ela que, assim, estaria a favorecer os planos de Pedro I para retomar o Império. É, pensava ela…

Todavia, a estúpida não raciocinava, veja bem. Primeiro, não tinha como provar o que fizera, sequer possuía um daguerreotipo para registrar seus atos. Segundo, acreditava estar a auxiliar às forças liberais, mas nenhum de seus líderes militares conferira-lhe qualquer “missão secreta”. Terceiro, nenhum liberal constitucionalista a conhecera, nem sequer ouvira falar de seus nomes.

Após o Império Português retornar às mãos do herdeiro real, Estela, Patrícia e Wanda, encarnadas em Helena Demente, foram presas de supetão por uma milícia absolutista que ainda restava. Leninha deve ter sofrido um pouco nas mãos dos milicianos, mas nada que fosse insuportável.

O texto do Prof. Paranoia prossegue a contar que a jovem Demente conseguiu fugir para a Espanha em fins de 1834, quando aquele império sofria as chamadas Guerras Carlistas. A princípio, Leninha sentiu-se em casa, pois o Império Espanhol estava nas mãos do Infante Carlos de Bourbon, que se autoproclamara Carlos V, Rei de Espanha. Mas, sobretudo, por que contava com apoio do general Santos Ladrón. Esse era seu nome, Ladrón

Leninha ficou muito solidária com os absolutistas espanhóis, pois logo sentiu cheiro de golpe de Estado, mesmo sem saber que Carlos não possuía direito ao trono, mas que somente teve um “general Ladrón” que lhe dera total apoio.

Em suma, este livro de Paranoia Eustasia Peixoto é raro em seu gênero, por demonstrar, segundo sua ótica, como se encontrava desgovernada a península ibérica no século XIX. Ou, de outra forma, tão ibericamente desgovernada que podia ser usada por uma Helena Demente. Devo dizer, já me ofereceram fortunas por ele, mas recusei a todas. Vou deixá-lo em testamento para a Biblioteca da Universidade de Coimbra.

Agora preciso retornar a meus afazeres de limpeza. Quincas me chama. Mas, antes de finalizar, afirmo que qualquer similitude desta crônica com casos reais ocorridos em nossas “santas terrinhas” será uma safada coincidência.

A Nação de Chuteiras


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Chamou atenção de alguns governantes o tamanho do salário dos jogadores exportados e o valor fixado para seus passes. É impressionante, visto que, com apenas o pagamento mensal dos 11 titulares da seleção que fulecou no futebol, daria para remunerar melhor os professores de 1º e 2º graus de todas as capitais do Norte e Nordeste do Brasil.

Dado o elevado volume de dinheiro que flui no país por obra do futebol, mesmo que os passes dos brasileiros estejam em queda livre, após as “magistrais fulecagens” que cometeram nos jogos de 2014, novas gerações já começam a despontar, com muitas promessas de alto valor comercial.

A imprensa noticiou (com outras palavras) que um dos desmiolados acha que o governo deva fazer uma “intervenção indireta” no comando do futebol brasileiro. Afinal, pensa ele, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ganha dinheiro à larga e só realiza desastres regados a champanhe francês. Mas, digo eu, é bom lembrar que, em passes de mágica, seus diretores ficam milionários.

Porém, mesmo a admitir a hipótese de outra intervenção do Estado em assuntos privados, é importante saber o que entendem por “intervenção indireta” do governo. Até porque, qualquer intervenção de um ator sobre outro, mesmo que seja “bala de ricochete”, é sempre direta.

Então, para objetivar, devo perguntar: trata-se do governo estabelecer as regras para o exercício do futebol no país ou de ser o dono dos passes de todos os jogadores brasileiros?

As alternativas

Caso estabeleça as regras, o país do futebol ficará, mais uma vez, isolado do resto de mundo. No máximo, poderá criar uma coisa particular, que chamo de “Fifa Vermelha”. Dela participariam países que têm recebido “agrados financeiros” do governo brasileiro, como Cuba, Venezuela e Bolívia. No entanto, Equador e Coréia do Norte também seriam aceitos, na qualidade de parceiros da ideologia moderna do futebol estatizado.

As regras seriam estabelecidas aos poucos. Mas a primeira, uma regra instantânea, teria os argumentos típicos da soberana:

─ “O meu povo precisa ver mais gols e eu preciso ver mais votos para me reeleger. Então, o meu governo acabará com a ‘posição de impedimento’, que gera muita discussão. Qualquer jogador poderá fazer gol quando ‘estiver na banheira’. Isso é perfeito pra o meu povo!

Sem dúvida, com base nesta regra, será “perfeito para o povo” assistir ao jogo Alemanha 218 x 4 Brasil. Mas acredito que não há risco de ocorrer esta pelada, pois a Alemanha nunca participará desta “nova Fifa”. Afinal, trata-se de uma potência mundial, com imprensa livre, constituída por opositores violentos e pessimistas contra a falta de trabalho e a corrupção.

Obviamente, a segunda regra estabeleceria a frequência e qual o país poderia ser anfitrião da “Copa Fifa Vermelha”. Pois, a soberana quer que sejam anuais e sempre realizadas nas “doze arenas brasileiras”. A sede da Fifa Vermelha será na Zurique brasileira, enterrada em um bunker blindado no Planalto do centro-oeste, fora dos olhares de jornalistas difamantes.

Caberá ao governo anfitrião pagar, com tributos arrancados de nossos bolsos, a viagem, estadia, alimentação e entretenimentos das comitivas dos cinco “países companheiros”. Será a alegria anual até de corruptos estrangeiros. Teremos a grata oportunidade de assistir à duplicação dos valores da hotelaria, à falsificação de ingressos, à ação das quadrilhas de cambistas e à canibalização de ingressos oficiais.

Todavia, algo misterioso me diz que comercializar passes de todos os jogadores brasileiros é um negócio bem mais proveitoso para as finanças dos envolvidos. Entretanto, os governantes que defendem a “intervenção indireta” terão que esquecer a Copa Fifa Vermelha e as regras exclusivas da soberana. Mas creio que saberão fazer uma boa análise de custo e benefício.

Nesta outra linha comercial, bem mais viável economicamente, vejo que é estratégico para o governo encerrar de vez com a CBF e suas atividades. Não sei como faria isso, mas, com certeza, manter “dois capetas se digladiando sobre a mesma cobiça” é arriscado “pra cacete”. No lugar da CBF pode ser criada outra instituição pública. Quem sabe não será o vital Ministério do Futebol, para reger com garra o futuro da Nação de Chuteiras?

Após vencida a terrível batalha para escolha do partido que indicará o novo Ministro, restará ao governo aparelhar o ministério com seus ideólogos amestrados, a formar mais uma súcia particular. Somente então emanará dois decretos básicos: o do Marco Civil do Futebol e o do Sistema Nacional de Participação Social no Futebol sem Elites Brancas, que é um sistema democrático somente para companheiros, filhotes e apadrinhados.

Dizem os governantes que nesses decretos estará esclarecido (!) como o país procederá a partir do futebol estatizado (!!) e, sobretudo, como pretendem “vender esta proposta” à Fifa (!!!), a qual é bastante magnânima a novos negócios. Caso seja aceita, acredito que o dispêndio será da ordem de dezenas de bilhões de dólares, obviamente retirados de nosso “inesgotável” Tesouro Nacional.

Proposta para 2015

Afora propostas fora de órbita do governo e discursos ociosos da soberana, nada de novo deve ser esperado no ano de 2014, senão patranhas que visem a soergue-la da lama em que submergiu sob vaias e xingamentos.

Caberá ao novo presidente eleito em outubro, iniciar em 2015 os trabalhos de reconstrução da nação, que foi demolida pela escassez de competência em gestão e pela corrupção, que há 12 anos assumiram a posse do Estado brasileiro.

Por este motivo, sugiro que ele determine ao Ministério Público Federal contratar uma empresa auditora de renome para realizar a completa auditoria da CBF, tendo como critério “as melhores práticas internacionais de processos econômicos, financeiros e contábeis em instituições de gestão esportiva”.

O relatório das não-conformidades lavradas não pode ser confidencial. Ao contrário, deverá ser divulgado on-line e off-line, através de pelo menos cinco jornais de grande circulação no país. Seu principal alvo é o povo brasileiro, a ser informado com clareza, de norte a sul.

Quer baixar o nível?


Aproximam-se da grande curva para entrarem na reta final! Agora é tudo ou nada. Chicote no ar a arder na anca dos “puros-sangues”! Mas eis que, de repente, provindo do nada, surge um jegue com a pretensão de entrar na disputa. Sua ossada chacoalha tanto que parece a desparafusar. Mas o brioso animal, ainda assim, teima, e chicoteia a si próprio!

Óbvio que chegou trôpego, na última posição caindo aos pedaços e com parafusos espanados. No entanto, fez jus a uma vaia de palmas dos turfistas. Embora pensasse em ser fotografado no paddock, seguiu molambo, direto para o velho caminhão de carga. Mas sempre a bradar, aos berros: ─ “Esta corrida é uma babaquice!”.

O jegue a zurrar de ódio

O jegue a zurrar de ódio

Foi nesse momento que, enraivecido e dentes à mostra, demonstrou nunca ter sido o “jeguinho paz e amor”. Retornara às origens naturais, a zurrar e escoicear a todo povo que assistia à corrida.

Acredita-se ser pouco provável que esse jegue, ou mesmo qualquer membro de sua manada, torne a pensar em vencer corridas. Este jegue não enganará  mais nenhum apostador.

Enquanto não se exportar definitivamente para correr páreos de jumentos na Ilha, o que é a grande esperança dos entusiastas das corridas, permanecerá em tratamento com seu veterinário cubano.

……….

A propósito, Arnaldo Jabor publicou hoje uma sátira no Estadão intitulada “Volto ou não volto?”. Trata-se de um monólogo, dotado de curiosos detalhes, os quais, por acaso, podem representar a chegada desta corrida. Para lê-la clique aqui.

Laxante violento


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-Pescador

Simão-Pescador

Todos sabem da existência de um remédio branco leitoso, que a mim causava ânsia de vômito quando tomava. Era destinado a tratar prisão de ventre crônica e acidez estomacal. Chamava-se Leite de Magnésia.

Pois é, uma indústria europeia acaba de lançar um novo medicamento que visa a “impedir a falação de asneiras crônicas por parte de políticos e governantes”.

Fui convidado a selecionar um representante especial para comercializar esse remédio em toda a América Latina, com ênfase no Brasil. Segundo extensas pesquisas que realizaram, disseram-me que o mercado brasileiro é monstruoso, “deitado boçalmente em berço esplêndido” (segundo eles).

Aceitei de pronto a oportunidade, muito embora, a meu ver, o presidente da fábrica estivesse por demais entusiasmado com seu novo produto. Isto porque, tenho certeza, é impossível impedir que políticos brasileiros deitem falações plenas de asneiras e mentiras; no máximo conseguirá amenizá-las, mesmo assim, muito pouco. Inda mais neste ano de eleições gerais, em que todas as televisões e rádios do país são obrigadas a conceder tempo gratuito para transmitir a “fala dos candidatos”. É o horário medonho das telecomunicações brasileiras.

Enquanto visitava os laboratórios da fábrica, com todo cuidado, tentei mostrar ao presidente e sua equipe de cientistas o que chamei de eventuais obstáculos ao comércio do produto. Fui muito polido, com certeza, mas não me deram ouvidos. Assim, esqueci do assunto.

Levaram-me para uma área onde a equipe debatia sobre como fazer o marketing com o nome do produto. Pensei cá, com meus botões: ─ “Leite de Asnos cai bem”, mas fiquei em silêncio.

E foi oportuno, porque o líquido não tinha nada de leite. Era grosso, viscoso e amarronzado. Porém, o cérebro humano é muito rápido ao fazer associações inconscientes e atemporais. Senti meu corpo estremecer, uma ligeira ânsia da infância e, de súbito, o nome “Magnésia de Merda” veio-me a mente. De forma ainda incontida, soltei uma infantil gargalhada, que ressoou por todo o ambiente da fábrica.

Senti-me a suar e ruborizado debaixo do olhar severo dos gajos. Pedi-lhes desculpas e sai de fininho, dizendo que acabara de fazer uma associação inesperada entre o novo leite e certos atores da política mundial. Acho que todos me compreenderam, em especial logo após o sorriso e os dois tapinhas nas costas que recebi do presidente da empresa.

Simão, acompanhe-me, vou lhe mostrar uma parte de nosso segredo”, disse-me o presidente, a conduzir-me ao laboratório principal, o de biomedicina.

Conheci o magnífico laboratório e assisti vários experts a trabalhar. Se estava adequado, confesso não ter a menor ideia. Sobre o segredo deles, contaram-me quase nada. Fui informado apenas que a base do líquido viscoso que produzem é hidróxido de magnésio – Mg(OH)2, a mesma do emoliente fecal “Leite de Magnésia”.

Mas há outras substâncias componentes, extraídas de uma espécie da fauna marinha, um tipo de octópode. Segundo explicou o chefe do laboratório, essas substâncias “cessam os efeitos laxantes do hidróxido, são capazes de acalmar candidatos a cargos eletivos e reduzem as rajadas de asneiras e patranhas que sempre proferem em comícios. Mantém-nas em nível adequado para que os eleitores [quase alfabetizados] sejam convencidos de que são aceitáveis”.

A essa altura da visita, já resolvera pensar mais um pouco acerca do convite. Pareceu-me complexo demais para dar resultado. Diria mesmo, safado demais. Ganhei um embrulho contendo dois frascos do tal leite. Decerto, nunca o experimentarei. Mas, ao chegar em minha choupana na praia à noite, li a bula do leite amarronzado.

Nela havia tão-somente uma contraindicação: Indicado somente para humanos idiotas.

No entanto, ao fim da bula constava o seguinte alerta:

Atenção! Em caso de overdose de asneiras e patranhas proferidas, suspendam de imediato o uso de “Leite de Molusco” e procurem seu médico com urgência! 

Quebra do silêncio


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Não consigo ficar calado. Inda mais diante das ações da súcia política que arrota comandar o país, embora haja perdido todas as estribeiras. Encontra-se sem norte e prossegue cega, canais de esgotos adentro. Arrasta consigo o país, num flagrante ato de política escatológica. Para quem não sabe, Escatologia é uma parte da filosofia que trata de excrementos, do fim dos tempos humanos.

A maioria do povo – como dizem – “não se manca”, parece feliz e emocionada ao ser furtada de forma sistemática!

Eu sou de outro tempo. Do tempo em que ruas e vielas eram iluminadas por lampiões a gas, pendurados bem no alto dos postes.

Vistos de hoje, um século depois, sinto que era um cenário muito poético: um a um, lampiões a serem acendidos por pessoas de trajes escuros, funcionários públicos de pouca fortuna, mas nem por isso sem honra e dignidade.

Alguns faziam-lhes provocações, chamando-os de vagalumes. Mas eles sequer respondiam, pois estavam orgulhosos com seu simples ganha pão. Afinal, não era pouco acender a luz da cidade.

Hoje esses costumes estão degradados; o cidadão honrado e digno é tratado pelo governo (e seus asseclas semeados pelo país) como um idiota contumaz!

Não quero permanecer calado. Sob meus 105 anos (completados ontem), não me lembro de ter visto o país tão abatido como agora. Durante o século 20, resguardado pela solidão, convivi com ecos de duas guerras mundiais, com efeitos de várias tentativas de golpe de Estado, violentos períodos ditatoriais, com governos insidiosos e populistas.

Pequena Pasárgada

Pequena Pasárgada

Enfim, consegui atravessar muitas situações difíceis. Mas, neste início do novo século, estou abismado com o que assisto no país. Fico assustado como quando era criança.

Para refletir melhor, leio poesias de Manuel Bandeira, sobretudo em Libertinagem. Mas concluo que temos tido“reis libertinos” no retrocesso ao atual Império do Brasil. É o que vejo concretamente neste nosso país!

Não posso ficar ausente, tenho que quebrar o silêncio. Já construí minha “Pasárgada”, rego-a todos os dias. Mas nunca serei “amigo do rei”!

Grandes mestres da pintura


Por Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Dizem que os melhores marchands europeus têm conhecimento de artes para identificar os autores de quadros, pintados há séculos, num rápido lance de olhar. E quem sou eu para desdizê-los?

Tive a rara oportunidade de conhecer um jovem marchand que, segundo ele, é descendente de um “pintor do grupo de Barbizon”. Não sei o que é esse tal grupo e não perguntei, é claro. Mas, de toda a forma, confirmou-me a história. E ainda mais, deu-me um texto antigo, amarelecido pelo tempo, onde pude encontrar “dicas” definitivas para identificar os melhores pintores da Humanidade.

Grande pintores

Se o plano de fundo do quadro for escuro e todo mundo está com cara de torturado, é um Ticiano.

Ticiano

Se todos têm bunda grande, é obra de Rubens.

Rubens

Se todos os homens têm olhos de vaca e parecem “donas-de-casa”, é pintura de Caravaggio.

Caravaggio

Se tem um monte de gente no quadro e elas parecem ser normais, é de Pieter Bruegel.

Pieter Bruegel

Se todo mundo parece um mendigo iluminado por um poste, sem dúvida, é Rembrandt.

Rembrandt

Se no quadro tem cupidos ou ovelhas, ou se tu achares que cupidos ou ovelhas deveriam estar no quadro, é obra de Boucher.

Boucher

Se todos forem bonitos, estiverem seminus e empilhados, é um Michelangelo.

Michelangelo

Agora, se tiver bailarinas doces e poéticas, é uma pintura de Degas.

Degas

Se tudo for pontudo, tiver contraste e os homens usarem barba em um rosto magro, podes apostar, trata-se de um El Greco.

El Greco

Se todos os personagens do quadro parecerem com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, decerto é do Van Eyck.

Van Eyck

Se todas as pessoas tiverem cara de vigaristas, parecerem felizes e a aplaudirem a si próprias, estás diante de uma obra do pintor das patranhas, o impressionista Lulowa.

El Lulowa

Leilão do “Pré-Salsa”


A Banha é nossa, viva o samba de Libra!

Como o leilão era para exploração e produção de banha off-shore, foi aberto pela “presidente da ANB – Agência Nacional da Banha”. Em seguida, com a fala mansa e rouca, não sem antes agradecer aos chefs de cuisine presentes ao leilão, cedeu a palavra ao ministro da pasta.

Exploração de banha em alto mar

Exploração de banha em alto mar

A fala do Ministro de Cozinha e Banha, também rouca e um pouco rústica, foi de um literato. Disse que o samba de Libra era um “divisor de águas entre o passado e o futuro”. Ficou quase emocionado. Aguardamos um pouco, mas ele se esqueceu de dizer como nos encontramos no presente.

Bem, de toda a forma, cumpriu com sua obrigação e deu lugar à comissão de licitação. A plateia estava cada vez mais ansiosa, pois queria saber quem seria o vencedor do primeiro leilão do Pré-Salsa.

Seis cidadãos sentaram-se à mesa do auditório do hotel e um deles tomou a palavra. Primeiro agradeceu a seus colegas da ANB, listando uma ampla gama de superintendências que “trabalharam arduamente” para chegarem àquele momento. Em seguida, apontando para a parede às suas costas, agradeceu a cada membro da equipe do núcleo de informática da agência, “sem a qual nenhum leilão teria acontecido”.

Falava o tempo todo no plural: os consórcios que disputam o leilão, os critérios de julgamento das propostas (só teve um!), as equipes da ANB e assim por diante. Passara mais de uma hora e nada acontecera além da retórica de autoelogios.

Foi bastante cansativo, em especial pelo fato que ele deu três minutos, contados no relógio, para que os representantes dos consórcios conferissem seus dois formulários e colocassem os envelopes lacrados dentro de uma urna.

Primeiro conseguiu o silêncio aparente de todos. Porém, passados eternos 45 segundos, vários dos presentes se levantaram para cumprir diversas necessidades. Para quem assistia ao histórico evento pela tv, como nós, ficou a interrogação: serão todos representantes de consórcios?!…

Passaram os três minutos – enfim! – e um indivíduo caminhou até a urna para depositar o envelope com dois formulários. E foi só. “Apenas um consórcio topou a parada”.

Samba com salsa e cebolinha a gosto

Existem mais de 250 grands chefs de cuisine no planeta – tal como empresas de petróleo -, premiados em suas proezas com várias estrelas da cozinha francesa. Entretanto, apenas um grupo deles participou do leilão do “Pré-Salsa”. O consórcio foi formado pelos seguintes membros:

  • Um “chef” brasileiro [estatal];
  • Um “chef” chinês [estatal];
  • Um outro “chef” chinês [semi-estatal];
  • Um “grand chef” internacional anglo-holandês [privado]; e
  • Um “chef” internacional francês [privado].

Dentre os três melhores “grands chefs” privados do mundo, somente o anglo-holandês participou do consórcio único e vencedor. Foi uma pena, pois a “Cozinha Estatal” esperava pelos menos a participação de, no mínimo, 50 grands chefs de cuisine ou cerca de 10 consórcios. Mas o bônus de assinatura foi extremamente elevado – 15 bilhões de Reais! –, mesmo considerando, segundo a mesma Cozinha , a grandiosidade dos “12 bilhões de barris de banha” que jura estarem enterradas nos fundos de Libra.

Estou a sofrer de TOC?…


Um novo transtorno

Por Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Simão-Pescador

Simão-Pescador

Acreditem, tenho conversado diariamente com Zik Sênior. Nós dois, aos trancos e barrancos, aprendemos a usar uma maluquice da tecnologia de internet americana: o tal do hangouts. Através dela nos vemos e trocamos notícias diariamente, discutimos algumas ideias e fazemos intrigas desaparafusadas. Nem mais nos lembramos que essa transmissão de áudio e vídeo, a cruzar o Atlântico, sequer nos custa um centavo de Euro.

Mesmo com as quatro horas de diferença entre fusos de Brasil e Portugal, como sempre acordo bem cedo, ligo para o Zik no máximo às 6 da manhã, no fuso português. Cá entre nós, creio que ainda temos muito tempo a viver, já que nossas conversas sempre nos despertam novos amanheceres. Até mesmo quando tratamos de fatos que nos estarrecem, o que, afinal, tem sido normal nesse estranho momento político-econômico de nossos países.

Sobre Cavaco Silva já não falo mais nada; os efeitos de sua presidência nunca chegam aqui nas Maçãs e acho mesmo que peixes e crustáceos duvidam que ele exista. Em compensação, Zik está apavorado com o volume da corrupção no Brasil e não consegue falar de outra coisa. Na nossa última conversa, disse-me bastante atarantado:

─ “Simão, se cada centavo roubado do país fosse um grão de areia daria para aterrar o Atlântico e eu poderia seguir a pé para sua casa!

Tive de concordar com ele. Os companheiros do “moluscoide” cometem barbaridades com o dinheiro público há, no mínimo, 12 anos. A imprensa independente os denuncia, a polícia federal “diz que os investiga”, o ministério público às vezes até toma providências, mas todos os quadrilheiros continuam impunes.

Têm tempo para tudo, menos para trabalhar, pois vivem de rendas! Promovem jantares de espetaculares, passeiam em lanchas com namoradas, viajam “de graça” pelo mundo todo, gastam dinheiro a rodo sem explicarem de onde veio. Afinal, onde está o controle da Receita Federal? Diacho, as declarações de renda dos tais “homens públicos” também precisam ser publicadas em site especial do governo! Tudo leva a crer que estão a ocorrer crimes de lesa-pátria.

As ameaças enfrentadas

Tenho notado pequenas mudanças no humor do Zik. Ele já reclamara de se sentir ameaçado por seus próprios pensamentos. Uma coisa tão estranha que certa vez disse a ele para parar de pensar. Mandou-me à merda. Então, pedi-lhe permissão para aconselhá-lo, desde que me contasse quais eram os pensamentos que tanto o afligiam.

─ “Acho que estou a sofrer de TOC”, foi sua primeira frase; dita assim, de chofre.

Depois ele continuou a narrar, mas de início eu não pude entender muito bem. Nunca escutara nada similar. Começou a falar de vozes e pensamentos que passara a ouvir há cerca de um mês:

─ “Os pensamentos não são meus, eles provém de fora, de uma voz velhaca, pegajosa e bêbada que fala a meu cérebro. Ela tenta convencê-lo a fazer coisas que me repugnam desde que nasci, há 106 anos”.

Preocupou-me muito. Tanto que ficamos a conversar por mais de 8 horas pela internet. Afinal, Zik precisava dividir o que estava passando e creio que, apesar de residir em Portugal, dentre os vivos, sou seu mais antigo amigo.

Em suma, a voz que ele ouvia tentava convencê-lo a aceitar ser o “testa-de-ferro de negócios escusos” para ganhar muito dinheiro rapidamente. Que teria a “ajuda de vários especialistas” e era normal seguir por essa trilha, sobretudo para um homem na sua idade.

Safados esses vendedores do país! Zik me disse que a voz velhaca, na ânsia de engrupi-lo, dava inúmeros detalhes sobre casos de sucesso de “sua equipe”, sempre a envolver desvios de dinheiro público, na casa de bilhões de reais.

Zik Sênior

Zik Sênior

Por fim, como chave-de-ouro, a voz pegajosa dizia que as autoridades nunca imaginariam a participação de “um velho de 106 anos” em esquemas com essa alta qualidade.

Deixei que Zik Sênior falasse até desgastar dentro dele as “ameaças” que ouvia. Aos poucos tentei demonstrar que tudo o que ele estava a sentir era reflexo da fragilidade de um cidadão isolado, consciente e pleno de princípios éticos e morais como ele, em interromper o ciclo da vergonhosa corrupção brasileira.

Falamos mais relaxados sobre o ranking da corrupção mundial e Zik até deu boas risadas. Ao finalizarmos nossa conversa disse-lhe não haver entendido porque ele considerou a hipótese de estar a sofrer de TOC. E ele me respondeu de forma bem direta:

─ “Pensei que havia descoberto em minha própria pele o Transtorno Obsessivo-Corruptor”.

A temporada de caça 2014


A caçada para 2014

Embora muitas espécies estejam em pleno período de reprodução, o governo declarou aberta a temporada de caça para 2014!

As entidades de proteção da fauna entraram com ação na justiça para impedir uma catástrofe. Todos os seus associados foram pegos de surpresa, pois é a primeira vez que um ato dessa natureza é anunciado de forma tão estrondosa. Qual teria sido o motivo dessa decisão?

As espécies contra- atacam

As espécies contra- atacam

As bancas de advogados não levaram muito tempo para descobrir. Na calada da noite, houve um esquema montado para aprovar uma lei que criou a obrigatoriedade de todo o caçador fazer provas para provar sua perícia nessa prática. Entretanto, quase todos os políticos da situação já haviam “adquirido” suas carteiras de Caçador Habilitado.

Aos poucos novos fatos foram descobertos. Os políticos haviam reservado resorts nas áreas de maior interesse para a caça. Já teriam formado grupos de habilitados para caçarem juntos. Seus rifles e espingardas importadas, bem como todos os equipamentos necessários, foram adquiridos pela pasta da “integração nacional”, com dinheiro público. E o mais interessante, tinham aviões da força aérea à disposição, dado que “caçariam a trabalho”.

A oposição entrou em alerta! Afinal, quais seriam as finalidades destas caçadas? Analisando os detalhes da lei verificaram que, escondidas nas Disposições Gerais, havia uma série de particularidades embutidas:

  • As carteiras de Caçador Habilitado são permanentes, após o dia seguinte à sanção da lei pela presidência da República (que a sancionou, sem qualquer veto).
  • Outros cidadãos que desejam obter a Carteira de Caçador Habilitado somente poderão fazê-lo a partir de 1º de janeiro de 2018.
  • A lei cria o Prêmio de Mestre Caçador, mas somente para os já habilitados. Até trezentos prêmios de Mestre Caçador poderão ser concedidos por ano, dando aos vencedores o direito de sacar 300 mil Dinheiros por mês, em qualquer banco público.
  • Por fim, os critérios de vitória no Prêmio de Mestre Caçador são estabelecidos pela presidência da República, em consonância com sua grande imaginação.

Assim, naquele país civilizado, foi criada a primeira Ditadura da Caça aos Votos, ou melhor, corrigindo, da Caça Habilitada

Candidato a Deputado, em 1915


Candidato a Deputado, em 1915

Crônica de Lima Barreto, publicada no Correio da Noite, em 16/01/1915, cidade do Rio.

Eu também sou candidato a deputado. Nada mais justo. De início devo dizer que não pretendo fazer coisa alguma pela pátria, pela família, pela humanidade.

Um deputado que quisesse fazer qualquer coisa dessas, ver-se-ia bambo, pois teria, certamente, os duzentos e tantos espíritos dos seus colegas contra ele. Contra as suas ideias levantar-se-iam duas centenas de pessoas do mais profundo bom senso. Assim, para poder fazer alguma coisa útil, não farei coisa alguma, a não ser receber o subsídio a que tenho direito.

Homenagem à histórica inteligência de Lima Barreto

Homenagem à histórica inteligência de Lima Barreto

Eis aí em que vai consistir o máximo da minha ação parlamentar, caso o preclaro eleitorado sufrague o meu nome nas urnas. Recebendo os três contos mensais, darei mais conforto à mulher e aos filhos, ficando mais generoso nas facadas aos amigos. Desde que minha mulher e os meus filhos passem melhor de cama, mesa e roupas, a humanidade ganha. Ganha, porque, sendo eles parcelas da humanidade, a sua situação melhorando, essa melhoria reflete sobre o todo de que fazem parte.

Concordarão os nossos leitores e prováveis eleitores, que o meu propósito é lógico e as razões apontadas para justificar a minha candidatura são bastante ponderosas.

De resto, acresce que nada sei da história social, política e intelectual do país; que nada sei da sua geografia; que nada entendo de ciências sociais e próximas, para que o nobre eleitorado veja bem que vou dar um excelente deputado.

Há ainda um poderoso motivo, que, na minha consciência, pesa para dar este cansado passo de vir solicitar dos meus compatriotas atenção para o meu obscuro nome. Ando mal vestido e tenho uma grande vocação para elegâncias.

O subsídio, meus senhores, viria dar-me elementos para realizar essa minha velha aspiração de emparelhar-me com a “deschanelesca” elegância do senhor Carlos Peixoto.

Confesso também que, quando passo pela Rua do Passeio e outras do Catete, alta noite, a minha modesta vagabundagem é atraída para certas casas cheias de luzes, com carros e automóveis à porta, janelas com cortinas ricas, de onde jorram gargalhadas femininas, mais ou menos falsas. Um tal espetáculo é por demais tentador para a minha imaginação; e, eu desejo ser deputado para gozar esse paraíso de Maomé, sem passar pela algidez da sepultura.

Razões tão ponderosas e justas, creio, até agora, nenhum candidato apresentou, e espero da clarividência dos homens livres e orientados o sufrágio do meu humilde nome, para ocupar uma cadeira de deputado, por qualquer Estado, província, ou emirado, porque, nesse ponto, não faço questão alguma.

Vamos às urnas!

Afonso Henriques de Lima Barreto (13 de maio de 1881 a 1 de novembro de 1922), conhecido como Lima Barreto, foi jornalista e um dos mais importantes escritores libertários brasileiros.

Os Ninguéns e os Alguéns


A população mundial está próxima de 7.115.000.000 de “seres humanos”

O mundo está inundado e a transbordar de Ninguéns. Existem pelo menos sete bilhões deles, semeados pelos continentes e regiões insulares do planeta. No entanto, muito bem camuflados, escondidos nas trevas e ao centro dos cento e quinze milhões restantes de Ninguéns-Assessores, encontram-se poucos Alguéns que decidem de maneira pessoal os rumos e destinos da vida de toda a população mundial. Quantos são? Talvez não cheguem a uma centena.

Os Alguéns decidem, dão ordens, comandam, e os Ninguéns obedecem sem hesitar, dia após dia, a exercitar sua escravidão permanente para sobreviverem. Mesmo assim, em média, milhares deles morrem diariamente, por causas elementares. A maioria morre na miséria pela fome absoluta. É o cenário triste dessa tal de Humanidade.

Para efeito desta sátira, o gigantesco conjunto dos Ninguéns doravante será tratado por Zés-Ninguém. E por Doutores – Louvados o sejam – será chamado o pequeníssimo conjunto da Minoria dos Alguéns.

Os Zés-Ninguém lutam para que suas famílias não morram de fome. Mas são cruelmente obrigados, gostando ou não, a aceitar e até agradecer, com toda a vênia e subserviência, qualquer posição de trabalho que lhes seja oferecida. Embora a maior parte desta oferta seja exatamente a “falta de vagas para o trabalho”.

Normalmente, os Ninguéns-Assessores, bajuladores contratados dos Doutores (“puxa-sacos” remunerados), sempre os acusam de serem “vagabundos irresponsáveis”. Mas, na verdade, embora precisem desesperadamente de trabalho, muitos não conseguem um local para trabalhar, um espaço produtivo e digno, que tenha remuneração visível.

Graças a isso, no Brasil, muitos Zés-Ninguém imploram, aceitam e até agradecem ao populismo inconsequente e escravizante dos programas esmola-família e depois, como se estivessem em débito com o governo, votam repetidas vezes nos inclementes doadores políticos deste esquema imoral. Afinal, estes doadores são os responsáveis exclusivos pelo quadro decorrente da dantesca de miséria que novamente parece lavrar e crescer no país.

A preocupação da Minoria

Muito embora a acompanhar esses cenários de longe, através de informes selecionados pela mídia, os brasileiros têm conhecimento de que instituições internacionais de fomento – FMI, Banco Central da União Europeia e etc –, dirigidas por minorias de Doutores, impõem restrições econômicas a diversas nações da União Europeia – sobretudo Grécia, Espanha, Portugal e Itália, com a França na fila –, incapacitando-as de responder de forma produtiva à grave crise econômica mundial, irrompida há cerca de meia década.

Claro que a economia de cada um desses países tem variáveis próprias, que afetam suas capacidades de resposta às condições impostas para receberem empréstimos de órgãos internacionais. Todavia, muitos dos seus Zés-Ninguém assistem ao desmonte paralelo do mercado de trabalho. O desemprego atinge a níveis desesperadores na Espanha. Na Itália, além do desemprego em alta, havia quase três meses que a vaga para primeiro-ministro não era preenchida. Mas, para alívio (!) de todos os Zés-Ninguém italianos, ainda é elevada a chance do partido Povo da Liberdade interferir nas decisões do ocupante deste cargo durante todo seu mandato. Trata-se do partido dominado pelo ex-primeiro-ministro Berlusconi, o Super Maluf italiano, como definiu com extrema precisão um velho amigo.

O caso do Brasil

Nesse contexto mundial temos apreciado a queda lamentável do PIB brasileiro e o crescimento da taxa de inflação, que há tempos fora controlada. Trata-se de um quadro crítico, pois as exportações brasileiras são impedidas de serem realizadas de acordo com o fluxo econômico que seria normal e necessário. Os veículos de carga que transportam commodities e produtos industriais, tanto para exportação, quanto para o próprio mercado interno, criam quilômetros de filas nas estradas e, quando são para serem exportados, entopem os poucos portos sequer modernizados. Com essa situação desgovernada, as perdas da produção são imensas e não há perspectivas sólidas de solução no curto ou médio prazo.

Carga nas estradas brasileiras

Carga nas estradas brasileiras

Enfim, neste ano de 2013, os políticos da situação, tanto do legislativo, quanto do executivo, optaram por esquecer a qualidade da gestão pública esperada pela população que os elegeu e anteciparam suas campanhas para as eleições de 2014. O único foco é a própria manutenção do poder, qualquer que seja seu preço. Por isso, todos viajam sem parar pelo país, usando o dinheiro público. Mas – vale dizer – menos o Ministro da Economia que permanece em casa, discutindo com as moscas como deverá ampliar os retalhos da sua intervenção econômica. Chama-os de “medidas necessárias” e com elas pretende continuar a bordar sua enorme colcha de buracos. A propósito, as moscas não o respondem por que já faleceram. Nas últimas aparições do ministro nos jornais da Tv, ele está com aspecto vampiresco: magro, quase anêmico e sem qualquer luz. Parece precisar de melhor cota diária de sangue.

Nas andanças do executivo pelo país as mesmas promessas políticas das décadas de 1950 e 60 são sempre renovadas: — “Continuaremos a construir melhores hospitais para o SUS, daremos mais segurança pública a vocês para poderem andar pelas ruas, livremente e sem riscos. Mas, acima de tudo, seus filhos, enfim, terão escolas para estudar” (tradução nossa).

Caos na escola pública do interior - Maranhão

É triste ver o caos nas escolas públicas do interior do Brasil – Alcântara, Maranhão

Foi lendo essas “promessas” que o jornalista Augusto Nunes iniciou a publicar em seu blog, na seção Sanatório Geral, trechos de discursos e comentários feitos por “políticos brasileiros a passeio”.

Em termos de sintaxe, clareza e raciocínio lógico, são falas que envergonham àqueles que têm o português como língua materna. Augusto Nunes os descobre facilmente em fontes públicas, inclusive no próprio Portal do Planalto, notadamente quando não há qualquer revisão primária. Trata-se da vergonha nacional autodeclarada internacionalmente!

Segue um exemplo perpetrado pelo governo federal, que mostra como ele chama a atenção “do seu povo” para a importância fundamental da educação pública no Brasil:

“Eu queria dizer para vocês, nesta noite, aqui no Ceará, em Fortaleza e nessa escola, o compromisso forte, o compromisso que é um compromisso que eu diria o maior compromisso do meu governo. Porque é que o compromisso com a educação tem que ser o maior compromisso de um governo”. Fonte: Sanatório Geral.

Fazer uma completa análise desse parágrafo demandaria semanas ou meses de dedicação de um pós-doutorado em teoria sintática. Porém, o compromisso real nele contido está bastante claro: vamos continuar a produzir analfabetos aos lotes nas escolas públicas brasileiras.

Se desejarem ler “quadros surpreendentes, mas que, ao mesmo tempo, cheguem a serem cinicamente cômicos”, cliquem em Sanatório Geral. Afinal, tentar rir para não chorar ainda não é crime.

Comeu?!…


Comeu?!…

─ “Si cumi, num sei, só sei qui num vi nada na hora, tava muitu escuro. Mas sei qui fui traído pelas costas (dela), inganado nas altura das nuvem! As luz tava tudu apagada”.

Calma, estô tentando vê nu escuro

Calma, estô tentando vê nu escuro!

─ “ Agenti falava bastante pur telefoni, mas sempri só pra trocá uns “livro”, centena di “livro”. Nós adoramu manusiá i colecioná muitus “livro”. Imagini você, tenho uma istanti cheia com mais de um bilhão deles. Guardu tudu nus bancu du mundu… Mas tem uma coisa, nós nunca namoramu, isso é mintira dus “conservadoris i dus iscurantistas, achu qui o nomi é essi, iscurantistas. Fazem parti du jogo imundu da imprensa mintirosa qui’eu herdei; qui vívi di mi caluniá pelas costa, vívi as minha custa!”.

Silêncio, o asno está a pensar…

─ “Vamo mudá di’assuntu, porra! Mi dá vinho e cachaça também, essa mistuta é boa; pricisu bebê um pôco prá pensa nus verso. Não duvide, sô u milhó poeta da história dessi país… Olhi só”:

“Fulano qui robava us bancu,

Qui era rubadu pur cicrânu,

Qui era rubado pur beltranu,

Qui tinha mais quarenta robanu,

I qui eu robava di todu mundu!”

─ “Uma maravilha, num é não?”. Quantus “livru” eu já juntei e dipois, só di sacanagi, guardei di volta nus mesmu bancu. Sô mais esperto qui todu mundu i assim mi dô bem siguindu nessa vida. Um dia Deus vai mi levar. Mas, vô deixa minha família cheia di “livru”.”