O que é a corrupção brasileira


Por Ricardo Kohn, Escritor.

Ricardo KohnEm breve, a descoberta da corrupção articulada na Petrobras, realizada pelas investigações da Operação Lava Jato, fará seu primeiro ano de idade. Muito embora, a corrupção já estivesse em operação contínua e sistemática há cerca de 10 anos, contando com quadrilhas bem treinadas, a partir de 2003.

Dessa forma, a 4ª petroleira do mundo, que fora orgulho brasileiro, tornou-se cassino de cartas marcadas, de roletas viciadas. Os resultados foram óbvios: somente ganhou a banca e os apostadores em suas ações, aterrorizados, perderam bilhões de dólares, dentro e fora do Brasil.

Como efeito imediato desse hediondo crime internacional, o substantivo “corrupção[1]  ganhou mais “eloquência”, tornou-se nítido para o povo a partir dos governos petistas que se sucederam nos últimos 12 anos.

A corrupção não é obra de classe social (rico ou pobre), de etnias (índio, branco ou negro), do sistema econômico de governo (livre mercado ou comunismo) ou do sistema político de Estado (democracia ou ditadura). Por si só, esses aspectos não fazem corrupção. Entretanto, de forma empírica, é possível ver, com certa clareza, a correlação positiva entre corrupção e ditadoresque se dizemcomunistas.

Em suma, o ato de corromper não é fruto de capitalismo e proletariado, pois são “artes pré-moldadas por um filósofo burguês do século 19, que se acreditava economista revolucionário”. Por sinal, suas “artes” foram demolidas várias vezes pela realidade factual do mundo. É falta de argumento quem inventa esta falácia, em pleno século 21!

Em minha opinião, a “corrupção moderna”, que humilha gravemente a nação brasileira, é um processo realizado por matilhas de indivíduos espertos, devassos e moralmente degradados. Digo ser fruto de pessoas que se organizam com foco exclusivo em enriquecerem às custas do dinheiro público; seja qual for o preço e crimes paralelos que acharem necessário cometer – torturas, assassinatos, tráfico de drogas, que mais posso imaginar…

Afinal, após quase 12 anos de suborno sistemático e distribuição de propinas, embora com o país à beira da bancarrota, com milhões de miseráveis, de cidadãos que sobrevivem à míngua, seus líderes, infiltrados na máquina do Estado, estão biliardários e, em tese, não precisariam extorquir mais nada.

Desconheço meios educados para acabar com a sangria dos cofres públicos. Porém, sem dúvida, uma profunda reforma estrutural dos Três Poderes é passo fundamental e inadiável. Mas não sem antes, com extrema eficiência, varrer da face da Terra os pulhas que ainda lideram este grande assalto ao Brasil.

Em tempo: Não se esqueçam de recuperar o patrimônio que roubaram, incluindo o de seus familiares. Esse patrimônio pertence ao povo brasileiro!

……….

[1] Segundo dicionários da língua portuguesa, o substantivo feminino “Corrupção”, do latim, corruptione, para a área política, significa 1. Ação de corromper ou de se corromper. 2. Efeito de corromper ou de se corromper. 3. Depravação, devassidão. 4. Suborno. 5. Desonestidade, fraudulência. 6. Degradação moral. 7. Perversão. 8. Adulteração, falsificação.

Uma lista, uma análise e uma pergunta: Cadê o Poder Executivo?


Da Veja on line, por Reinaldo Azevedo.

Ah, que delícia! O segredo de aborrecer é mesmo dizer tudo, né? Quando se diz antes, então, tanto melhor. Ontem — sim, nesta quinta! —, escrevi aqui um post em que expressava, com certa ironia (para bons leitores), a minha curiosidade sobre quantas pessoas da “Lista de Janot” seriam ligadas ao Poder Executivo, este que é chefiado por Dilma Rousseff.

Voltem à lista no post anterior. Só há dois nomes ali que tiveram função relevante no Executivo: Edison Lobão e Gleisi Hoffmann. E apenas ele foi ministro do governo Lula, que é quando o circo de horrores prosperou na Petrobras pra valer.

Assim, vejam que coisa fantástica. Por enquanto ao menos — vamos ver o que mais virá, se vier —, o escândalo do petrolão teria sido, então, uma maquinação de empreiteiros e de funcionários corruptos da empresa para beneficiar parlamentares, na sua maioria, do PP, que, como sabemos, é o partido que comanda os destinos da República, né???

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Matricule-se na UFCor!


Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Escrevi para o blog uma sátira intitulada “Ministério da Corrupção”. Zik Sênior, por sua vez, redigiu de forma brilhante a crônica “Ladrão-Geral da República”. Mas não é que recebi um convite do Brasil, a oferecer matrícula gratuita em uma Universidade Federal, a UFCor?

Abri o envelope da missiva ansioso e entusiasmado. Afinal, por que motivo, aos 96 anos, um português receberia um convite d’além mar para cursar uma universidade noutro continente?

Tudo me levava a crer que se tratava dos tais “cursos à distância”. Entrementes, pude ler que era um curso presencial, com três anos de duração. Por ser intensivo, com aulas teóricas e práticas, tinha 10 horas de dedicação diária. Diz a propaganda do curso que, ao fim, promove seus alunos ao título de Ph.D. em Corrupção! Formidável a autêntica brasilidade vigente naquele país…

Recostei na poltrona e devaneei, a observar as antigas estantes de livro. Obras que ganhei de velhos amigos ou adquiri com meu trabalho de pescador. De facto, dentre as mais de 4 mil obras que reúno na biblioteca, não há sequer uma que ensine a como ser um “corrupto de qualidade”, que dirá Ph.D. na matéria.

Aos poucos entendi como pode um cidadão brasileiro, experto em analfabetismo funcional, receber “de forma heroica” 27 diplomas de Doutor Honoris Causa, sem ter concluído o 1º Grau.

Dizem por aqui que a UFCor já existe no Brasil há décadas, mas a ementa de seu curso de doutorado profissionalizante vem a ser aperfeiçoada desde 2003. Hoje possui cadeiras que sempre foram negligenciadas, tais como: “aprenda a montar quadrilhas públicas”, “saiba fidelizar seus quadrilheiros“, “como instalar e operar empresas de fachada”, “como negociar em paraísos fiscais”, “saiba extorquir empresas privadas”, “a lavagem de dinheiro para profissionais”, e muito mais.

Doutor Honoris Causa

Doutor Honoris Causa

No convite que recebi encontra-se a “Lista de notórios Acadêmicos” que ministram o curso. Sem dúvida são “especiais”, procurados pela polícia de diversos países. Lembra a tal da “Lista do Janot“.

Porém, a propósito, UFCor é a sigla de Universidade Federal da Corrupção. Mas me responda uma coisa: quem é o seu Reitor Vitalício, o paraninfo obrigatório de todas as turmas, e Decano da Corrupção?

A ‘privataria’ no Parque do Flamengo


Por Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

Breve histórico

O Parque do Flamengo, que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico NacionalIphan, em 1965 – e, mais tarde, também pelo governo do município, através de lei de 1995. Mas, desde de julho de 2012, é considerado Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco. Vejam a cópia da planta oficial de tombamento feita pelo Iphan.

Perímetro de tombamento do Parque do Flamengo

Perímetro de tombamento do Parque do Flamengo

A questão básica é a seguinte: ─ “Por quais motivos esse equipamento urbano foi tombado e premiado pela Unesco com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade?”

Para responder a essa questão é necessário entender a magnitude do problema urbano que existia na cidade e, sobretudo, no bairro do Flamengo, ao fim da década de 1950. A população se avolumara pelo intenso fluxo de migração interna para a então capital federal. No entanto, seu sistema viário e seu saneamento básico, eram extremamente precários. Esgotos in natura eram lançados na orla marítima da cidade, criando as chamadas “valas negras” em suas praias.

Vista da Praia do Flamengo, com o aeroporto Santos Dumont ao fundo

Vista da Praia do Flamengo, com o aeroporto Santos Dumont ao fundo

Várias áreas da cidade foram aterradas desde cedo. A começar pela região do porto, fundo da Baía da Guanabara. O próprio aeroporto Santos Dumont foi construído sobre área de aterro. Boa parte da praia do Flamengo também sofreu o mesmo processo, mas foi em vão.

Somente em 1961, o governador do Estado da Guanabara, jornalista Carlos Lacerda, e seu Secretário de Viação e Obras, engenheiro sanitarista Enaldo Cravo Peixoto, receberam proposta da paisagista Lotha de Macedo Soares, que visava a criar um parque na praia do Flamengo. A proposta foi aprovada.

Para fazer frente a esse extremo desafio, foi criado um grupo de trabalho visando a planejar, projetar e gerir a construção e plantação da flora nativa no Parque do Flamengo. Notórios profissionais participaram deste grupo [1], que teve a frente o arquiteto Affonso Eduardo Reidy e a própria paisagista, Lotha de Macedo Soares.

Conforme projetado e finalizado, o Parque do Flamengo diferencia-se das belezas cênicas do Rio, todas elas herdadas da natureza, mero acaso das relações mantidas entre os sistemas ecológicos que nela se formaram, à revelia do ser humano.

Na verdade, o Parque do Flamengo a elas se integra sem perder suas funções urbanísticas vitais – mobilidade urbana, acessibilidade a pessoas com deficiência, educação, esportes, bem estar, laser, recreação e, acima de tudo, manter permanente seu enlace com os ecossistemas terrestres e marítimos da região.

Na visão de Reidy, obstinado pela equidade na ocupação do espaço urbano, o Parque do Flamengo, ao tornar-se um bem público, já justificava sua restrição plena como área non aedificandi. Infelizmente, Affonso Reidy faleceu jovem (54 anos, em 1964) e não acompanhou o processo de tombamento do Parque a que tanto se dedicou.

Vista aérea do Parque do Flamengo e suas vizinhanças

Vista aérea do Parque do Flamengo e suas vizinhanças

Manutenção do Parque

Desde quando foi inaugurado, nas festividades dos 400 anos da cidade, o Parque do Flamengo teve sua primeira manutenção realizada em 1999, feita pelo escritório do paisagista Roberto Burle Marx. Esses trabalhos envolveram o replantio da flora afetada, assim como a inspeção e eventuais obras civis nas passarelas do parque.

A poda de árvores e os cortes dos gramados sempre foram atividades sistemáticas realizadas por um órgão público chamado Parques e Jardins. No entanto, a prefeitura passou esta responsabilidade para a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). É evidente que esta empresa não é habilitada para realizar podas e replantios de vegetação, muito menos obras civis.

O descaso do atual prefeito com relação ao Parque do Flamengo é de tal ordem que, a pensar nas verbas para as obras destinadas aos Jogos Olímpicos de 2016, o Parque foi esquecido em estado lamentável.

Este é o estado das passarelas do Parque do Flamengo

Este é o estado das passarelas do Parque do Flamengo, ferragens aparentes…

Por sinal, caro Eduardo Paes, como andam as obras olímpicas nas cinco regiões de jogos que foram pactuadas com o Comitê Olímpico Internacional? Prometidas pela trinca de falcatruas: Lula, Sérgio Cabral e Paes, o inventor do tal “Porto Maravilha“.

Obra na enseada da Glória

Mas eis que surge uma “parceria público-privada”, obcecada em desconstruir um bem público, finalizado e tombado há 50 anos. Marqueteiros aliados ao poder público tiveram a desfaçatez de chama-la “Revitalização da Marina da Glória”.

Aos olhos do povo do Rio, com plena consciência de seus direitos humanos e legais, trata-se de “descarada negociata”. Tudo indica que sua realização conta com o conluio de instituições públicas – Iphan e prefeitura do Rio –, dado que permite a execução de um projeto ilegal, antes já rejeitado pelo próprio Iphan!

Um grupo de cidadãos brasileiros iniciou um movimento popular – clique em “Ocupa Marina da Glória” – visando a impedir a deformação urbanística do Parque do Flamengo. A finalidade desse movimento é simples: conservar um bem público tombado como área non aedificandi e impedir o desmatamento sumário da vegetação ocorrente na enseada da Glória, local da dita “revitalização da Marina”. Segundo informações públicas, cerca de 300 pés de árvores já foram decepados na área do canteiro de obras e suas imediações.

Signo do crime ambiental cometido pela Prefeitura do Rio

Signo do crime ambiental cometido pela Prefeitura do Rio

No entanto, a Secretaria Municipal de Ordem Pública, através de ameaças violentas por parte da Guarda Municipal, determinou a retirada de barracas, faixas e pessoas que protestam contra a invasão de seus direitos. Ressalta-se que esta violência já foi realizada contra os que participam do movimento “Ocupa o Golfe”, que ocorre na Barra da Tijuca.

É patético, mas na Barra pessoas foram agredidas e presas hoje, por expressarem seus direitos de cidadão e, sobretudo, seu dever de proteção da cidade do Rio de Janeiro. Afinal, a cidade, o estado e o país são nossa propriedade. Fomos nós que delegamos a prefeitos governadores e presidentes a obrigação de geri-los da forma como definirmos. Precisa-se, com urgência, de um “recall de políticos“!

Eduardo Paes, espera-se que a “privataria” do Parque do Flamengo já o haja “beneficiado” bastante. Até por que, no Rio de Janeiro você jamais chefiará qualquer instituição pública, sequer uma equipe de safados da sua laia.

……….

[1] Membros do Grupo de Trabalho: Affonso Eduardo Reidy e Lotha de Macedo Soares (direção); Sérgio Wladimir Bernardes, Jorge Machado Moreira, Hélio Mamede, Maria Hanna Siedlikowski, Juan Derlis Scarpellini Ortega e Carlos Werneck de Carvalho (arquitetos); Berta Leitchic (engenheira); Luiz Emygdio de Mello Filho, Magú Costa Ribeiro e Flávio de Britto Pereira (botânicos); Ethel Bauzer Medeiros (especialista em recreação); Alexandre Wollner (programação visual); Roberto Burle Marx & Arquitetos Associados, com Fernando Tábora, John Stoddart, Júlio César Pessolani e Maurício Monte (paisagistas).

─ “Não há uma prova sequer”


Em nações civilizadas, quando é descoberto um crime, tem início a sua investigação. A finalidade é óbvia: identificar quem o cometeu.Kohn - Sobre o Ambiente Mas o investigador precisa seguir um padrão lógico, tanto de raciocínio, quanto de ação, qual seja: identificar o que motivou o criminoso, com quais oportunidades ele se estimulou, e, por fim, como se beneficiou dos resultados que obteve. Desde há 400 anos, qualquer “xerife do Velho Oeste” já sabia fazer isso.

No escândalo do “Arrastão da Petrobras”, à primeira vista, os procedimentos da Polícia Federal, na histórica “Operação Lava Jato”, parecem manter essa mesma lógica. Apenas contam com o suporte de leis mais modernas e facilidades tecnológicas inexistentes no “Velho Oeste”.

Porém, vale destacar a atuação de instituições públicas autônomas, encarregadas de fazer a Justiça [1]. Embora seja a expressão do dever estabelecido, merece o agradecimento do cidadão brasileiro. Assim, até agora os resultados obtidos pelas investigações do “Arrastão da Petrobras” demonstram eficiência, sobretudo, graças à dedicação de agentes da Polícia Federal e à qualidade de juízes do Ministério Público Federal.

Há envolvidos neste “esquema” que já se encontram trancafiados: dois ex-diretores da Petrobras, diretores de grandes empreiteiras, um doleiro e um “carregador de mala”. São uma pequena amostra de dezenas de ladrões que ainda permanecem soltos.

Acontece que a Polícia Federal está no início da sua “operação de lavagem”; sequer entrou na etapa da centrifugação. No entanto, pelo que informa a imprensa livre, há indícios que, muito em breve, iniciará a bela “centrifugação de políticos imundos e respectivos partidos”, todos livres e impunes.

Todavia, já se escutam comentários de futuros centrifugáveis que confirmam a iminência dessa centrifugação. O fato mais aberrante foi a frase do Ministro-chefe da Secretaria Geral da República, ao deixar o cargo neste início de ano:

─ “Nós não somos ladrões”.

Declaração gratuita, tão esdrúxula quanto esta, é incomum na atual política brasileira. De fato, o ex-ministro entregou à boca do povo, na bandeja, “a essência do jogo sujo de sua equipe”.

Mas sempre há um outro emérito ladrão, que arma a defesa antecipada de seu “parceiro de negócios”. Imaginando livrar-se de possíveis conjecturas danosas, solta a frase lapidar:

─ “Não há uma prova sequer contra ele”.

Não precisa ser filósofo ou psiquiatra para entender o que subjaz a essa frase asquerosa. Afinal, dizer que não há prova de alguém haver cometido um crime, não nega ou prova que ele não o haja perpetrado. Trata-se sim, de prática prepotente e arrogante, que somente visa à blindagem de políticos ladrões.

Na última década assistiu-se a notórias quadrilhas de políticos contratando caríssimas bancas de advocacia. Era como se fossem enfrentar julgamentos passíveis da pena capital! Mas pasmem, só queriam inocentar seus membros pela corrupção frenética cometida. Uma vez liberados da justiça, a intenção sempre foi seguir pelo mesmo atalho. Afinal, o que sabem fazer na vida, além de desviar e distribuir dinheiro público para fortalecer sua camarilha?

A parcela do erário público roubada nos últimos 12 anos foi de tal ordem, que há incríveis milionários, verdadeiros nababos, a investir em fazendas, milhares de cabeças de gado, realizar de grandiosas construções, comprar apartamentos, lanchas e jatinhos de luxo. Investimentos que, definitivamente, nunca poderiam realizar com suas condições primitivas de trabalho.

Mas sempre haverá um “pentelho da camarilha” que se atreverá a afirmar que não há nenhuma prova contra eles. E será preciso mais o quê, diacho?! Na verdade, nada. Basta passar um pente fino nos fatos mundialmente conhecidos, confirmar a hierarquia das quadrilhas, enquadrá-los na lei e recolher seus membros à penitenciária mais segura.

……….

[1] Antes o xerife fazia tudo: investigava, produzia leis, aplicava-as e executava a justiça (na forca). No Brasil atual só há uma instituição que procede como xerife do Velho Oeste: o Tribunal Superior Eleitoral; sem a forca, é óbvio.

Há limite para comandar!


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Quando jovem, de 1935 a 1939 estudei numa escola de Administração Pública. Vem daí minha afinidade com Ricardo Kohn. Não pensava em me tornar pescador, pois queria seguir rumo a Lisboa, trabalhar em uma Instituição do Estado. Para isso, fui aluno dedicado e, como diziam no Brasil, de facto um “cu-de-ferro”. Aliás, expressão curiosa, essa dos brasileiros.

Aprendi com o Professor Reis Vieira [1], do qual guardo os ótimos ensinamentos recebidos, que a direção de uma organização complexa deve ser descentralizada. Significa dizer que o diretor presidente da organização precisa delegar sua autoridade formal para os diretores que comanda. É prioritário que ele trabalhe nas relações externas da organização, mas deixe a cargo dos demais diretores a gestão interna dos processos, imprescindíveis para alcançar sua missão social.

Por que falo em processos imprescindíveis? Por óbvio, uma Instituição de Estado precisa ser econômica no gasto dos tributos pagos pelos cidadãos. Afinal, eles são seus sócios exclusivos. Assim, a estrutura organizacional há que ser seca e limpa ou, como chamam alhures, há que ser “enxuta”. Este é primeiro fator (critério) para que o número de diretores de qualquer Instituição de Estado seja reduzido a um mínimo.

Mas há outro fator essencial. Trata-se da capacidade física do gestor em dirigir seus subordinados. A experiência demonstra que o limite de comando é de, no máximo, 8 subordinados. Mais do que isso e o gestor precisaria de dias com 30 horas. Somente a gerir até oito comandados ele terá meios para garantir eficiência, efetividade e eficácia [2] dos processos imprescindíveis.

Também aprendi com Reis Vieira que o terceiro fator é a competência intelectual e técnica do gestor que dirige a instituição pública. Por analogia, só comando meu barco por que sei navegar, conheço bem as correntes marítimas, as variações dos ventos, as posições da vela, as espécies de peixe, aonde encontra-las e quais artes devo utilizar – rede, caniço, linha e anzol, linha longa com anzóis, etc. Consigo isso por que até hoje, aos 96 anos, estudo os processos da profissão que exerço: pescador artesanal.

Agora, para variar, sigo para o Brasil e seu aberrante “novo governo”. Pela quarta vez a nação brasileira vai sofrer o desgoverno do mesmo partido político que se apossou do Estado. O povo que se dane, é inimigo infeliz, tem que pagar tributos, precisa permanecer submisso e calado.

Mais de 60 dias após reeleita, a “gestora soberana” mal consegue escolher seus ministros. Mas há um motivo bem razoável para isso: serão 39 ou mais, quase todos políticos incompetentes!

Delegar autoridade formal para um bando de políticos, além de impossível, é surreal. Não há como dirigir aloprados ativos. Na verdade, são os partidos da “base incrustada no poder” que escolhem as pastas ministeriais desejadas e quais políticos irão ocupa-las, sempre em função de seu doce orçamento. Assim diz a imprensa, por meio de certos “analistas políticos”, que contam ao povo como se dá este processo, considerado absolutamente normal: “todos os estadistas do mundo fazem assim“…

Não tenho dúvida que isso não é a decisão de um estadista a “formar sua equipe”. Até porque há um elevado risco de a “eminente soberana” estar nomeando, na qualidade de Ministros de Estado, novamente, vários “chefes de quadrilha”.

……….

[1] Professor Reis Vieira, Ph.D. em Administração Pública, com tese defendida na Universidade do Sul da Califórnia. Sinto, mas não recordo seu prenome.

[2] Eficiência = fazer bem feito; Efetividade = fazer bem feito, conforme o planejado; Eficácia = fazer bem feito, conforme o planejado, e com baixos custos.

Fauna urbana


O ambiente do território brasileiro, com cerca de 8,515 milhões de km2, já foi o primeiro do mundo em abundância e diversidade da fauna silvestre. Seus ecossistemas básicos e em transição garantiam espaços domiciliares para um sem número de espécies faunísticas.

Embora algumas competissem do ponto de vista trófico, a maioria das espécies compartilhava habitats, áreas de reprodução, de dessedentação, de caça e de fuga. Todas assim procediam, por necessidade e acaso, e contribuíram durante largo período para a manutenção da estabilidade ecológica do ambiente brasileiro.

Todavia, esse cenário foi gradativamente transformado pela ocupação humana, com usos variados, mas, sobretudo, visando à exploração dos recursos primitivos: tanto os minerais e fósseis, quanto as áreas de solo agricultável e para pastagens de gado.

Hoje esse mesmo ambiente, embora ainda de valor incalculável, é parcialmente ocupado por mais de 200 milhões de habitantes (fauna racional), mais concentrados em sua faixa litorânea, que possui 7.491 quilômetros de extensão, graças à sinuosidade de certos trechos.

Ao longo das três últimas décadas, teve-se a oportunidade de atuar em consultoria ambiental e aplicar treinamentos em todas as regiões brasileiras e seus biomas. Durante essas estadas deparou-se com cenários ambientais incríveis: eram remanescentes de sistemas ecológicos estabilizados, que formavam um ambiente dotado da sustentabilidade original.

Uma enseada e pescadores de subsistência

Uma enseada e pescadores de subsistência

Entretanto, e com maior frequência, também se registrou áreas totalmente alteradas pela ação inconsequente do homem. A pouca vegetação que ainda lhes restava era frágil, secundária e descontinua. A fauna primitiva evadira-se há muito, cedendo lugar às oportunistas, chamadas “espécies de hábitos peridomiciliares”, tais como ratos, baratas, larvas, aranhas e mosquitos. Estas vivem em qualquer local que encontrem restos deixados pela fauna dita racional.

O que causa perplexidade é o fato da degradação ambiental, promovida de forma insana pelo homem, impactar de forma adversa e significativa a vida das comunidades humanas locais, sobretudo indígenas e famílias paupérrimas, rurais e urbanas. Torna-se complexo sobreviver em áreas de terra arrasada; a vegetação, a fauna e o homem original estão a sofrer um processo, senão de extinção, decerto de tortura diária.

Há um garimpeiro de pó de ouro neste talude

Há um garimpeiro de pó de ouro neste talude

Desmatamento e destruição do solo

Desmatamento e destruição do solo

A espécie humana precisa, o quanto antes, aprender a coexistir em habitats públicos, áreas de trabalho, de cultura, de lazer, sem a necessidade de sofrer processos de caça e, para subsistir, ter que criar áreas de fuga. Mas é isto que se assiste nas regiões do país, tanto em cidades quanto no campo: o povo acuado, a sentir medo de sair de casa e ser “caçado por seu irmão”. É um quadro patético, porém factual, com aparência de crescer diariamente.

Pois é, ontem estava-se acuado em casa a trabalhar quando, de súbito, surgiu um belo tucano jovem na grande amendoeira da rua. “Este não faz parte da fauna urbana do Rio”, pensou-se. Decerto, tratava-se de um fugitivo da Floresta da Tijuca ou do Maciço da Pedra Branca.

Embora tenha-se avistado o jovem de corpo inteiro, foi difícil fotografa-lo, pois não parava quieto. Afinal, estava com fome, a buscar sementes, larvas, aranhas e insetos (fauna peridomiciliar) meio às folhagens da copa da árvore.

Quando se mostrou sem folhagem à frente, apresentou peito alaranjado, em contraste com a penugem negra do dorso. Estima-se sua altura em 30 cm; uma bela ave inesperada na urbe, em rua com razoável trânsito de veículos.

Fez-se oito registros do tucano ousado, mas apenas dois ficaram com melhor foco e menos tremidos. Mesmo assim, a ave encontrava-se envolta na “erva de passarinho”, o que dificulta ver nas tomadas sua imagem completa.

Um pouco mais tarde, como sempre, apareceram pombos em revoada, a largar excrementos na rua e sobre veículos, bem como egocêntricos saguis correndo sobre inúmeros fios desencapados. Negou-se fotografá-los a ambos.

Horário eleitoral gratuito


Recebemos um texto para campanha política de um candidato às eleições de 2014. Ele pede que o publiquemos no blog, função do tal do “horário do político gratuito” ou qualquer coisa que o valha. Seu advogado disse-nos, por sinal de forma um tanto grosseira, que essas publicações são obrigatórias e precisam ser gratuitas. Afirmou ainda que todos os veículos de comunicação do país têm a obrigação de divulgá-las, querendo ou não, pois consta da lei.

Após algumas discussões internas de nossa equipe, decidimos postar a “marquetagem” para nos livrarmos de eventuais vendetas. Nunca se sabe quais podem ser as consequências das ações desses prodígios. Mas, mesmo assim, ainda insistimos em pensamento:

─ “Trata-se de uma coisa muito estranha, uma propaganda política refogada com lixo”.

De toda forma, conforme determina a lei, segue o ‘comício eleitoral’ do político Geisonilsuam da Silva, o Fiofó.

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Comício público de Geisonilsuam ‘Fiofó’ da Silva

─ Atenção meu povo, vamos à luta para vencer! Para presidente, vote 00, vote no Fiofó!

─ Tudo o que Fiofó promete, Fiofó faz com exatidão. Afinal, se Fiofó dá tudo por você, então não perca seu Fiofó de graça.

─ Para presidente, crave seu voto no Fiofó! Faça negócios e ganhe muito dinheiro com Fiofó. Realize “relações eleitorais” com o seu Fiofó!

─ Mas saiba de um fato que nos multiplica: nosso Fiofó será todo seu, assim como o seu Fiofó será todo nosso. Vamos, juntos, compartilhar o Fiofó!

─ Meu povo, nestas eleições para presidente, vote em Fiofó! Crave 00 no Fiofó!

O analfabeto político do século 21 - Fiofó da Silva

O analfabeto político do século 21 – Fiofó da Silva

A urna eletrônica brasileira deve auxiliar bastante a eleição de milhares de Fiofós. Vota-se no Tonico Trombeta e um Fiofó, devidamente programado, recebe o voto! Na qualidade de eleitores, temos de nos sujeitar a isso. Não existe escapatória, sobretudo da maneira como essa vergonha está legalizada pelo voto obrigatório. Desculpem, mas desse jeito, obrigatório, trata-se de uma violação grave, não de uma “cantada”.

São milhares, talvez milhões de Fiofós, zanzando pelas ruas e escritórios do país, sobretudo durante as milionárias campanhas políticas que realizam. Nunca se sabe o que pensam, o que planejam, de onde vieram e em que lugar desejam se aboletar no futuro próximo.

Não há qualquer dúvida que querem ser políticos, mas, com certeza, não é pelo salário mais as benesses que percebem. Até porquê, tudo indica que gastam muito mais do que ganham para fazer muito pouco ou fazer nada.

Há quem diga que o Fiofó acima transcrito ficou milionário com “restos de campanha”. Haja restos. É como ser um minguado faquir desde a origem e, num dia, com restos de comida colhidos nas lixeiras, engordar rápido para, logo em seguida, sagrar-se campeão mundial de sumô. Há algo inexplicável nessa trama.

Quem assiste aos programas políticos, televisionados duas vezes por dia, ou procura ocupar o tempo com comicidades ou está prestes a enlouquecer. Confessamos que, por curiosidade de ver se o nível havia melhorado, assistimos ao primeiro programa desse ano. Claro que nem todos os Fiofós estavam presentes, pois não há tempo disponível para tantos. Mas o que vimos e ouvimos foi dantesco. A menos de um único candidato, para todos os cargos eletivos destas eleições só compareceram Fiofós!

Assim, considerando o cenário trágico em que fomos enrolados nestes últimos anos, ficamos a pensar como ficará o país com a nova geração de Fiofó que vai invadir aos coices o Congresso Nacional e as Câmaras estaduais.

E mais lamentável ainda, quais são os riscos que a sociedade brasileira correrá se o Palácio do Planalto for dominado por mais um Fiofó, a comandar sua tropa de “ditadores democráticos”.

O conto da perereca


Ricardo Kohn, Escritor.

A comunidade dos anuros a considerava um girino de perereca, uma futura rã. Isto por que os sapos adultos de várias famílias, após analisarem em detalhes seu jeito de locomoção nas bordas do lago, sua delicadeza na alimentação, concluíram que ela era fêmea. E mais, Merreca, como a apelidaram com desprezo, não serviria sequer para forragem de almoço, pois era frágil, com aparência de doente e quase não dispunha de carne. De forte tinha somente seu cheiro fétido e intenso.

Assim, sem ter pai e mãe, Merreca foi deixada à própria sorte, nos terrenos enlameados e traiçoeiros do planalto. Afinal, a saparia adulta tinha que montar uma estratégia de defesa, visando a enfrentar à crescente invasão de ratazanas gigantes em suas terras.

A horrenda imagem da ratazana gigante esfomeada

A horrenda imagem da ratazana gigante esfomeada

Elas surgiam do nada, em bandos de esfomeadas, a matar e mastigar tudo o que encontravam pela frente. Pareciam insaciáveis. Saporra, o anuro comandante da defesa, as observava em sua fúria devastadora. Permanecia imóvel sob as pilhas de folhas e galhos secos caídos das árvores (serrapilheira), sem sequer respirar. Porém, após o primeiro ano de ataques, verificou que eram episódicos, pois da mesma forma que surgiam, logo em seguida desapareciam, deixando a comunidade remanescente aliviada durante algumas semanas.

Chamado para depor sobre o caso no Conselho Ancião dos Anuros, Saporra contou o que assistira e, sem querer, criou expectativas nos ancestrais. Disse que, dada a delinquência dos ataques, caso as ratazanas não encontrassem o que comer, era provável que sua sanha antropofágica emergisse e viesse à tona de forma violenta. Assim, comeriam umas às outras.

Após seu depoimento, o Conselho reuniu-se a portas fechadas e, em regime de urgência, decidiu que toda a comunidade de anuros precisava trabalhar para dar aspecto de terra arrasada às áreas atacadas pelas quadrilhas das ratazanas. O Conselho tinha certeza de que os resultados da chamada “limpeza” demandariam bastante tempo, mas os anciãos não encontraram outra saída para salvar a vida futura da Nação Anura: liquidar com as ratazanas através da fome.

Embora haja considerado a decisão do Conselho utópica, quase inatingível, Saporra a aceitou e partiu para executar os trabalhos comandando suas tropas. ”Afinal, como sapos e rãs conseguirão eliminar tudo o que esteja vivo sobre o solo da Nação Anura?”, pensava ele.

Mas, sempre a confiar na sapiência de seus ancestrais, trabalhou muito duro na defesa da nação, chegando ao ponto de comandar toda a sociedade de anuros como se fossem tropas treinadas para a guerra. O pavor das ratazanas esfomeadas era tamanho, que uniu a nação de forma indelével e inextricável.

Após promove-lo por mérito ao posto de General Saporra, o Conselho Ancião convidou-o para que apresentasse os resultados alcançados em seu arriscado trabalho. Saporra, o General, prontamente atendeu ao convite e fez um breve relato oral dos fatos ocorridos.

─ “Há 12 anos, quando iniciamos a “limpeza”, as ratazanas eram cruéis, ameaçadoras, mas conseguíamos fugir de seus ataques. Poucos de nós sucumbiram sob a ação daqueles dentes assassinos. Aos poucos os ataques foram se tornando mais frequentes e violentos. Então, respondemos com limpezas mais intensas, mesmo a correr o risco de sermos chacinados. Custou um pouco, mas há cerca de 4 anos, tenho notado que a frequência dos ataques vem sendo reduzida. Se antes ocorriam de 4 em 4 semanas, passaram a acontecer de dois em dois meses. Conversei com meus coronéis e eles me afirmaram que as ratazanas estavam a ficar menos violentas ou talvez nem tão esfomeadas. Achei que estávamos no caminho certo, embora não soubéssemos os reais motivos dessa trégua, pois a limpeza ainda estava longe de acabar”.

Saporra fez silêncio para beber água e os conselheiros confabularam entre eles, em voz baixa. Em seguida, o mais antigo, bastante aflito, pediu-lhe que conclui-se o relato.

─ “Nos últimos dois anos só recebemos dois ataques. Mesmo assim, as ratazanas eram bem menores e fugiam quando roncávamos mais alto. Ficamos muito felizes, pois pensamos que, enfim, livráramo-nos nossa nação das quadrilhas esfaimadas. Mas não era nada disso que estava a acontecer. Os senhores se lembram da Merreca? Recordam que nossa academia de ciência afirmou que se tratava de uma perereca fêmea? Pois é, na verdade Merreca é hoje um macho adulto do sapo gigantesco do lago Titicaca, um tal de Telmatobius culeus, que passou a predar a todos, inclusive as ratazanas esfomeadas. Come-as como se tratassem de camundongos apavorados“.

O implacável Merrecão esfomeado

O implacável Merrecão esfomeado

Ontem, por fim, Merrecão se apresentou ostensivamente ao General. Avisou-lhe que, seguido por seus sequazes, irá destruir a Nação, mas não sem antes deglutirem todos os anuros locais sufocados. O cheiro daquele sapo enorme era tão intenso e terrível que, sem dúvida, houvera sido a fétida perereca do passado.

O ocaso do apedeuta


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior, o eremita

Zik Sênior, o eremita

Confesso que durante o ano de 2003 fazia menos esforços para aceitar que meus ouvidos escapassem quase incólumes das falações de Luiz Inácio. Tudo bem, eu tinha 11 anos a menos do que tenho (105), era mais saudável e estava curioso para conferir sua extrema ignorância. Assim, optei por levar suas falas para o lado cômico e perder-me em risadas. Não havia outro remédio, afinal.

Mas o “sábio” começou a ficar temerário já no meio daquele ano. Ao receber uma delegação de pessoas com necessidades especiais, ao invés de se aproximar para os cumprimentos, Inácio olhava-a através de uma câmera de TV. De chofre, para espanto da imprensa, largou essa:

─ “Estou vendo daqui companheiros portadores de deficiência física’. Estou vendo Arnaldo Godoy sentado, tentando me olhar, mas ele não pode porque é cego. Estou aqui à tua esquerda, viu, Arnaldo? Isso! … Agora você está olhando para mim”.

Notei que sua fala era primária, precária, primeva. Dominava com dificuldade um reduzido vocabulário, com sintaxe próxima de zero e dicção péssima. Suas frases ou começavam pelo verbo ‘estar’ na primeira pessoa ou tinham nele próprio sua única finalidade. Mas, afinal, fora eleito presidente da República, mesmo com voz de sapo-boi esganado a atropelar o vernáculo português.

Em dezembro do mesmo ano, num encontro com atletas paraolímpicos ele repetiu a dose: ─ “Estou com uma dor no pé, mas não posso nem mancar, pra imprensa não dizer que estou mancando porque estou num encontro com companheiros portadores de deficiência”.

A partir de então, ‘pessoas com necessidades especiais’ passaram a ser chamadas pelo ‘sábio’ por ‘companheiros portadores de deficiência’. Então, ficou assim combinado: se mancar ao lado dele será tachado de “companheiro deficiente”.

Ao longo de sua estada no cargo todos os segmentos da sociedade passaram a ser formados por companheiros: companheiro político, companheiro bispo, companheiro corrupto e foi ouvido até Companheiro Papa. Companheiro é o cacete, Inácio!

Em 2004, na comemoração do Dia Internacional da Mulher, Inácio soltou uma pérola: ─ “Sou filho de uma mulher que nasceu analfabeta”. Fiquei surpreso com sua notável descoberta científica; além da brutal coincidência entre os resultados do nascimento de sua genitora com os do resto da Humanidade. Alguém já conheceu um “PhD nascituro”? Pois é, mas na cabeça do ‘sábio’ eles existem.

Pensei com meus botões, “perfeito, sua mãe nasceu analfabeta e você, além disso, cresceu inepto e apedeuta; assim manteve a honra de sua estirpe”. Mas não tirei qualquer conclusão antecipada sobre o ‘sábio’. Apenas passei a observá-lo com mais acuro, queria perceber quais poderiam ser suas intenções.

Foi então que verifiquei que, mesmo após eleito, Luiz Inácio permaneceu pelos palanques do país, a fazer discursos despropositados, cheios de jargões, metáforas futebolísticas, com linguagem vulgar e promessas inexequíveis. Mas isso funcionava bem para aquele segmento humilde do povo. Inácio recebia muitas ovações em troca, achava-se um felizardo.

Na verdade – mal sabia eu –, ele estava a treinar discursos para outros palanques do mundo. Preparava o grande ciclo de viagens internacionais, “o maior da história desse país”, onde visitaria vários países africanos e asiáticos à procura de espaço para “vender novos projetos”.

O apedeuta entrou em seu jato reluzente – adquirido em 2004, ao custo camarada de 56,7 milhões de dólares – e partiu para a faina. Oferecia aos soberanos locais “queijos coloridos em pacotes fechados”: projeto, obra, mais financiamento de banco público e a empreiteira brasileira que executaria a obra. Por algum motivo ou “estímulo“, vários soberanos aceitaram as ofertas milionárias. Acho muito provável que alguém haja ganho uma espécie de comissão” nessas vendas, pois trata-se de sabida norma sagrada de certas construtoras.

Mas, chegando à África, o ‘sábio’ cometeu barbaridades diplomáticas. Após desembarcar na capital da Namíbia, junto com sua camarilha, por conta própria disse, sob a forma de agrado, que os africanos são sujos e desorganizados:

─ “Quem chega em Windhoek não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas (…)”.

Em outra visita, ao sudoeste da Ásia, as “gafes do Inácio” continuaram, agora com o ditador da Síria:

─ “Um brinde à felicidade do presidente Al Assad!”, ignorando que, por orientação religiosa, muçulmanos não consomem bebidas alcoólicas. Importante lembrar que, no caso de Bashar Al Assad, apesar de não beber, tudo leva a crer que ele tem “permissão para ser genocida”.

A presunção de Luiz Inácio estava a se tornar incontrolável. Parecia um narciso aloprado, a render homenagens à própria imagem refletida nos espelhos da ignorância. Mas, em 2004, ocorreu uma situação que me impressionou, deveras. Devia estar descendo de uma benção de seu pajé de Cuba e resolveu passear pela Costa Rica. Em conversa com o presidente desta nação, gabou-se e demonstrou, com superior naturalidade, seus interesses autoritários mais pejorativos.

─ “Fui agora ao Gabão aprender como é que um presidente consegue ficar 37 anos no poder (…)”.

Também em 2004, creio que no palácio do Planalto, para mostrar a líderes de um partido “mensalizado” por sua facção, disse abertamente que era “o todo poderoso”:

─ “Um dia acordei invocado e liguei pro Bush”.

Formidável, não acham? O ‘sábio’ a mentir para parlamentares pagos com iscas para ouvi-lo. Estava inebriado com o que julgava ser seu “poder maior”.

Dedução minha. Num dia, com mal humor por ter levantado da cama macia, iniciou uma conversa íntima com seu clone norte-americano em boçalidade. Formaram uma “irmandade apedeuta a dois”, com consequências simplesmente desastrosas, tanto para o Brasil, quanto para o resto do mundo. Pagamos por elas até hoje.

Mas as práticas políticas começaram a desandar, como “massa de nhoque aguada”. Em abril de 2005, o ‘sábio’ declarou em uma entrevista coletiva que “Eu e Palocci somos unha e carne, tenho total confiança nele”. O que foi curioso aconteceu em agosto do mesmo ano, quando declarou acerca do escândalo do mensalão que então viera a público: “Quero dizer com toda franqueza: me sinto traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento”.

Vejam bem, “com toda franqueza” é uma verdadeira patranha! Convenhamos, o antro da quadrilha ocupava salas próximas à sua. Os quadrilheiros eram companheiros íntimos do ‘sábio’, havia décadas. Como ele não saberia de nada? Como seria possível?!

Um parêntesis. Passei parte de minha juventude na Paraíba, morando no povoado de Sumé. Lá tive um amigo mais velho, chamado Jônatas. Lembro-me que ele era muito grande e forte. De cima de sua moral do agreste, quando se sentia provocado no limite, berrava na cara de quem tentava enganá-lo:

─ “Oh, seu filho de cinco puta! Some daqui sinão te rebento!”. Era um amigo cheio de piedade para dar…

Óbvio que Jônatas não fazia a menor ideia do que significava a “teoria do domínio do fato”. Eu mesmo só vim saber mais ou menos após o julgamento da quadrilha íntima do apedeuta. Mas, com certeza, se ele fosse um juiz da Alta Corte, iria xingar a todos de “filhos de cinco puta”, enquanto os espancava “sem dó de bater”.

Retorno. Em minha opinião, o noticiário mundial sobre o caso do mensalão foi fatal para as meninges de Luiz Inácio. Desde então, seus miolos e sistema nervoso nunca mais foram os mesmos. “O apedeuta foi obrigado a sair do ataque para jogar retrancado na defesa”, para traduzir o que ocorreu na linguagem do apedeuta.

Seus “companheiros secretários” e alguns “companheiros quadrilheiros” tiveram que pensar num plano capaz de silenciá-lo. Em uma reunião ficou decidido que ele viajaria muito mais pelo mundo e que, para estimula-lo, poderia levar consigo ‘a moça’, sua Secretária no escritório da presidência de São Paulo. Quase deu certo.

Houve ano que passou quase 90% dos dias úteis fora do Brasil. Apenas o restante do tempo manteve a bunda cravada na poltrona do Planalto. Mas, mesmo assim, Inácio dava entrevistas no exterior para a imprensa, vangloriava-se e, acometido pela sanha do poder, continuava a “fazer negócios” e falar coisas desconexas.

Quando retornava de cada viagem, estava transtornado e não dizia coisa com coisa. Certa vez, em 2009, quando inaugurava obras na orla marítima de Maceió, talvez tentando agradar aos operários, vomitou no chão esta frase:

─ “Não tem coisa mais fácil do que cuidar de pobre no Brasil. Com R$ 10, o pobre se contenta”.

Luiz Inácio, o apedeuta já então milionário, traduziu com essas palavras a postura sórdida e manipuladora de sua política de caça: cada “cabeça de pobre” valia para ele dez reais e nada mais.

Em minha opinião, a essa altura do mandato, o ‘sábio’ já se encontrava em franco processo de decadência moral. Era o “ocaso do apedeuta” que estava a acontecer, em nível já avançado. Tanto é que, mesmo com a maioria absoluta no Congresso, amestrada por iscas fiscais, preferiu não tentar um terceiro mandato e “parir um poste” para sucede-lo.

Achei uma opção de alto risco. Pensei ser improvável que o povo que o elegera duas vezes, sem receber educação pública básica durante 8 anos, continuaria calado e cativo, a R$ 10,00 por cabeça. Em outras palavras, permaneceria submisso às esmolas públicas que recebia (e recebe até hoje).

Pois, errei! Inconformado, queimei o título de eleitor. O oráculo da patranha conseguira eleger seu poste de estimação, apesar da própria decadência. Seu linguajar retornara ao da origem, de volta a seu ânimo congênito, ora debochado, ora boçal.

Durante os anos de “mandato do poste”, pude observar sua fala, sempre a estimular o “ódio e a vingança entre as classes”, bem como a defender os indefensáveis efeitos das minas explosivas que plantara pelos caminhos da nação: uma série de financiamentos em vários países – com destaque para o porto de Mariel, em Cuba; os desvios criminosos de dinheiro que reduziram o valor do Aparelho Petrobrás pela metade; a riqueza descabida de seu “filhote-pupilo” (o gênio invisível); e o carnaval das obras superfaturadas para a Copa da Fifa, são fatos noticiados maciçamente pela imprensa nacional e mundial.

Ficou, digamos assim, a “impressão” de corrupção generalizada durante 12 anos do mesmo partido no “poder público”, a degradar instituições e princípios vitais à civilização humana.

Sim, já ia me esquecendo de comentar sobre seu “poste de estimação”. Mas vou falar o quê? Não há mais nada a acrescentar, tudo já foi dito e provado. Deste ‘poste‘ não saem fios e cabos, está bambo no ar. Ao contrário, são certos fios e cabos que movem o ‘poste’ para onde bem quiserem. Ele é um títere manipulado que sofre frenesis, histerias, eletrocuta e escoiceia a todos. À exceção, é claro, de seu oráculo criador, ainda que à beira do colapso final. Essa é minha expectativa otimista para a nação brasileira.

Horário político-eleitoral


Ricardo Kohn, Escritor.

Partidos sem um mínimo de conteúdo, apresentam inúmeros políticos “desconteudados”, a fazer promessas aberrantes. Essa é a prática adotada no Brasil desde que dois “horários nobres” diários, do sistema brasileiro de comunicação (rádio e tv aberta), foram “tomados pelo parlamento“, para obrigar a população a assistir ao “digno horário eleitoral[1]. Contudo, aqueles que podem pagar caro por transmissões via canal a cabo, estão livres dessa tortura diária.

No Brasil o tempo de tv é dividido entre os partidos através de numerosas burocracias, com regras estranhas e até draconianas. Dessa maneira pouco democrática, os políticos da situação sempre têm mais tempo para prometer suas patranhas, já conhecidas de longa data por todos.

O povo e o horário político gratuito

O povo e o horário político gratuito

Mas outros países têm modelo similar ao brasileiro. Por exemplo, África do Sul e Namíbia. No entanto, Dinamarca, França e Grã-Bretanha, embora também possuam “horário eleitoral”, o tempo de tv é igualmente dividido entre todos os “presidenciáveis”.

Acrescente-se um detalhe próprio do modelo dinamarquês. Somente falam na tv os partidos que tiveram destaque na eleição anterior. Esse destaque é dado por um número mínimo de votos. Abaixo dele, o partido fica calado, silenciado, e sequer aparece no horário gratuito. Trata-se de um quadro de tortura política moderada para os espectadores.

Salienta-se que nos Estados Unidos sequer existe horário eleitoral, muito menos gratuito. Quem quiser palanquear na tv, haverá de pagar o preço da publicidade, sempre estipulado pelo dono do canal. Os presidenciáveis precisam falar objetivamente para não terem seus próprios bolsos torturados.

Debates televisionados

A televisão a cores tornou-se comercial em 1954, nos EUA. Por isso, é provável que o primeiro debate televisionado entre presidenciáveis haja acontecido em 1960, entre John Fitzgerald Kennedy e Richard Nixon.

No Brasil o primeiro debate ao vivo quase aconteceu também em 1960. A extinta TV Tupi, tentou promover um debate entre Jânio Quadros, Adhemar de Barros e Henrique Teixeira Lott.  Mas Jânio fugiu para fazer um comício em Recife, na mesma data.

Assim, o primeiro debate televisionado brasileiro somente ocorreu em 1974, no Rio Grande do Sul, transmitido pela então TV Gaúcha. Os debatedores foram dois candidatos ao Senado: o jurista Paulo Brossard e o político Nestor Jost, ligado ao agronegócio.

Agora, em 2014, a expectativa do povo brasileiro é grande para ver Dilma, Aécio e Campos travando fortes contendas. Roga-se que sejam capazes de apresentar programas públicos reais e factíveis, dentro de prazos pré-fixados, sem preços sobrefaturados, capazes de atender às tão sonhadas mudanças que a sociedade brasileira, por fim, exigirá do vencedor. Deve-se salientar que o programa de máxima prioridade é colocar o Brasil de pé, novamente.

Porém, uma coisa é certa. Dilma e seu aparelho já tiveram mais de uma década – longos três mandatos sucessivos – para melhorar o país ou, pelo menos, deixa-lo decente e confiável para os jogos enriquecedores do comércio internacional. E o que fez a “mardita” até agora?

……….

[1] A lei que criou essa façanha data de 15 de julho de 1965. Está na hora de extingui-la. É retrógrada, reacionária e canibaliza a mente dos milhões de brasileiros menos informados.

Estou assustado, você não?


Por Zik-Sênior, o eremita.

Cá estou eu trancado na caverna, de volta à origem. Claro que por iniciativa própria, ninguém me trancou aqui. Não, não tem nada a ver com útero materno, porra!

Eu é que, após viver 105 anos com relativa lucidez, vi-me obrigado a trancafiar-me com pavor da gestão do país. Preciso proteger meu couro e os poucos pertences que me restaram.

Não quero mais ver jornais. Já li todos os periódicos do mundo. Foram úteis no passado. Na pobreza, inclusive, dormi com Amália debaixo deles. Mas na riqueza, pouco me importei com seus recados. Com franqueza, hoje de nada me servem!

Tudo o que amedronta é simples questão de ponto de vista. Se você é “sócio da ameaça”, a usufruir de suas sujas benesses, ou se está fora dela, sofrendo com as ignomínias cometidas. Dado que lutei por mais de um século e consegui vencer – afinal, não fui engolido –, por quê agora deveria agir diferente?

O problema não é da economia, mas da ideologia política imposta aos cidadãos brasileiros. Economia é até simples de ser gerida: ─ “Se o dono da quitanda gasta mais do que recebe, a quitanda fecha”. Isso é verdade em qualquer organização ou país.

O Estado interventor faz a miséria do país, que é uma quitanda governada por 39 ministérios. Em sua maioria, ministros incompetentes nos temas de suas pastas. Outros, além de leigos, são apólogos da impossível “igualdade social”. Odeiam profundamente o que chamam de “classe média” e “elite dominante”. Gostam muito de manipular o que denominam “lumpemproletariado“, ou seja, os que levam vida miserável.

Dito isto, gostaria que me respondessem a poucas perguntas:

─ “Quando no Brasil os bancos privados obtiveram lucros iguais aos que têm hoje”?

─ “Por que a indústria brasileira está incapacitada de atender à demanda interna de produtos manufaturados”?

─ “Por que existem associações de políticos com facções criminosas, doleiros e lobistas”?

Quando olho os resultados dessas infâmias, vejo os escândalos da Petrobras, da Eletrobras, bem como os programas eternamente inacabados e superfaturados – “Transposição do São Francisco”, “Ferrovia Transnordestina”, “Refinaria Abreu e Lima”, “Minha Casa, Minha Vida”, sem falar no fantasmagórico Trem-Bala, que sequer saiu do papel, tal como a Refinaria de Bacabeira, no Maranhão, que torrou R$ 1,5 bilhão para nada. Sumiu na poeira, nem um tijolo inaugural foi plantado.

Por outro lado, vamos em frente: Saúde zero, Educação zero, Segurança zero, aeroportos, portos e rodovias iguais a zero! Em alta apenas a inflação decorrente e uma dúzia de Arenas para a Copa!

Mas também vejo, às vésperas das eleições presidenciais, farta distribuição de máquinas e equipamentos para municípios, as deslavadas mentiras de palanque e, sobretudo, as vaias que a candidata da situação recebe quando “comete discursos de promessas” em espaços públicos. Pela primeira vez assisti, pasmem, vídeos não manipulados, onde prédios, condomínios e até cidades vaiavam-na. Quero ver o que acontecerá na Copa. Acho que a senhora vai fazer comprinhas em Portugal

O cenário brasileiro, no percurso dos últimos doze anos, é de assustar a qualquer um. Muito assustado, você não?

A copa da Fifa – 2014


Quais os reais legados do investimento efetuado para a Copa do Mundo que ficarão no Brasil, após 2014?

Sem dúvida, trata-se de uma questão complexa , que precisa considerar o período que vai da data em que a Fifa aprovou o Brasil como hostess dos jogos futebolísticos, em outubro de 2007, até o início das “peladas internacionais”, previstas para iniciarem em 12 de junho de 2014.

Somente há três anos , em 2011, teve-se certeza de que o Brasil sediaria a copa da Fifa. Pode-se saber um pouco acerca das obras que estavam se iniciando em doze cidades-sede. Eram 69 canteiros de obras com veias abertas, envolvendo estádios de futebol, aeroportos, terminais portuários, rodovias e vias urbanas, metrô, veículos similares de transporte público, e inúmeros projetos de reurbanização.

Considerou-se absurdo atravancar 12 capitais de estados brasileiros com obras pesadas. Uma megalomania nunca vista pela Fifa! De fato, duvidou-se que daria certo, sobretudo com o governo federal à frente das construções, envolvido com os estaduais e municipais. Eram muitos políticos-atravessadores juntos para se esperar qualidade e sucesso.

No primeiro levantamento orçamentário para executar as obras dos doze estádios de futebol, a Fifa estimou um investimento de R$ 2,8 bilhões. No entanto, conforme previu-se, segundo o Estadão, no último documento relativo aos gastos com estádios, já haviam sido despendidos R$ 8,9 bilhões.

Reprodução do Estadão

Reprodução do Estadão

Cerca de 300% a mais, somente para as ditas arenas. Foram muitos políticos-atravessadores “negociando com empreiteiras”. No entanto, nenhuma “parte interessada” parece haver saído triste destas tramas.

Negócios desta natureza, quando acontecem em corporações privadas de países civilizados, são lavradas por auditores internos como desfalques. Ocasionam processos criminais, com demissão por justa causa, bloqueio de bens e, em muitos casos, um alojamento na penitenciária.

Mas o fato é que a copa da Fifa vai acontecer e várias “arenas” encontram-se inacabadas. Suas obras serão concluídas após a Copa. O famoso Itaquerão, estádio do Corínthians para abertura dos jogos, está desfalcado: sem cobertura para arquibancadas e camarotes no setor oeste; área para jornalistas acochambrada; salas de convenções, área VIP e restaurante somente ficarão prontos após o Mundial. Há uma série de detalhes que os torcedores talvez verão mais tarde, nalgum dia.

Quanto às obras da chamada “mobilidade urbana” não se tem informação a respeito. Porém, segundo a imprensa, os aeroportos das doze cidades-sede encontram-se inacabados. Tem linha de metrô com apenas 6 km (!). Acesso viário a aeroporto construído pela metade, com pista única de mão dupla. Uma doideira.

O governo teve 7 anos para coordenar a execução da proposta que fez a Fifa. Tentou fazê-la em 3 anos. Claro que a deixou inacabada, com investimentos triplicados. Mas, para vergonha da nação brasileira, a copa será realizada aqui, apesar dos desastres. Portanto, não adianta mais gritar, muito menos criar conflitos e litígios.

Resta agora olhar para os Jogos Olímpicos de 2016. O quadro das obras olímpicas na cidade do Rio de Janeiro encontra-se muito atrasado quase parando. O prefeito responsável corre o série risco de ver as Olimpíadas realizadas em outro país. Há uma boa chance de que isso aconteça. Há muitas cidades prontas e interessadas em recebê-la.

Se for assim, o quê se faz com ele?!

Está difícil


Não temam. Mas, pode piorar muito!

Considero-me espontâneo, autêntico, visionário e muito otimista com atitudes pessoais. Procuro até mesmo descobrir o lado bom de uma eventual fatalidade ocorrida. Vivi momentos interessantes e, graças ao acaso, sem fatalidades.

Certa vez, andando pela Av. Rio Branco, vi um senhor bem sorridente, caminhando em minha direção de braços abertos. Pego de surpresa, tentei em vão reconhece-lo. De toda forma, dei-lhe um forte abraço, mesmo sem saber de quem se tratava. Ele sorriu, desvencilhou-se, agradeceu-me, e abraçou um velho amigo que vinha logo atrás de mim.

Sou assim mesmo, adoro conversar com pessoas desconhecidas. Permitam-me contar mais dois casos inesquecíveis, que mostram a parte boa de meu caráter. A ruim vocês já conhecem um pouco.

Estava no aeroporto internacional do Rio, aguardando um voo para Natal. De longe vi um amigo de costas, numa animada conversa com várias pessoas. Resolvi fazer-lhe uma surpresa. Indo em sua direção, pensava qual seria a melhor ação para surpreende-lo. Dada nossa antiga amizade, infantilmente dei-lhe um tapa na bunda!

Claro que foi uma besteira. Ele virou-se e, com muita calma, disse-me:

─ “Com certeza você bateu na bunda do meu irmão mais velho”. Foi assim que, naqueles rápidos segundos, tornamo-nos fieis amigos até hoje.

De outra feita, passando um fim de semana na cidade de Visconde de Mauá, minha mulher e eu fomos jantar numa famosa pizzaria, com forno a lenha. Era inverno e o ambiente tornava-se aconchegante.

Comentei que conhecia os dois irmãos sentados em uma mesa próxima. Um era político e o mais novo, um empresário inovador. Ambos notórios no país e mundo afora.

─ “Estão acompanhados de suas respectivas”, pensei.

Uns dez anos antes tivera uma breve reunião profissional com o irmão mais novo. E para ser cordial, num impulso, fui até a mesa que ocupavam para cumprimenta-los. Por educação, acenei também para as duas jovens senhoras. Até aí tudo bem, sorrisos à larga. Porém, a sequência foi hilária.

Olhei firme nos olhos da bela jovem que acompanhava o mais novo, talvez pensando em realizar algum trabalho para a empresa que ele dirigia, e afirmei de forma solene:

─ “Creio que nós já nos conhecemos do prédio de seu marido, lembro que a senhora avisou-me que o primeiro elevador não estava funcionado”.

E seu “acompanhante”, de testa franzida, falou de pronto:

─ “Tenho certeza que não …”.

Rapidamente interrompi sua fala e despedi-me dos quatro:

─ “É…, claro…, claro que não, evidente que nunca a vi, é isso que eu queria dizer! Tenham uma boa estada em Mauá”.

Embora os dois irmãos hajam soltado uma bela gargalhada com minha inesperada gafe, senti um estranho calor na face, prestes a se derreter pelo estúpido engano cometido: falar demais achando que seria agradável.

……….

Mas nem tudo é tão hilário na vida. Ao contrário, há dissabores que precisam ser entendidos e, quando possível, divulgados para reforçar as denúncias da imprensa.

Mantendo-me em linha – direto e autêntico – retorno ao foco principal do texto. Nesse caso, sinto ímpetos de ser desagradável com o que… Está difícil!

Pesando somente os escândalos que espocaram nos primeiros quatro meses de 2014, o cenário que o desgoverno federal serviu à mesa da sociedade civil brasileira é dantesco. Pior do que a descrição do inferno feita por Dante Alighieri, em Divina Comédia.

Cenário que constitui uma barafunda, coalhada de armadilhas plantadas em oito anos por “da Silva”, o apedeuta [1], que inventou a tresloucada “Gerenta Rebentona [2]. É difícil analisar a sequência de disparates decisórios cometidos pelo partido durante doze anos, que hoje ainda se acredita dono e senhor absoluto do Estado Brasileiro. Entretanto, é possível pelo menos dar uma ordem, ainda que aproximada, para a sequência das imoralidades.

Na quarta tentativa de eleição para Presidência da República, mas somente no segundo turno, “da Silva” foi eleito. Era o ano de 2003 e, por fim, conseguira instalar sua baderna. O chefe da Casa Civil,  automaticamente, passou a determinar as decisões de “da Silva”.

A primeira foi aparelhar a máquina pública federal, com lotes definidos para Companheiros da 1ª Classe. A segunda foi apelidar de “presidencialismo de coalizão” a mais safada oligarquia da história republicana do país. Aliás, alcunhada romanticamente pela imprensa de base aliada e não de forças do Eixo. Sem dúvida, seria mais apropriado.

Porém, nestas duas decisões pouco republicanas residiam graves conflitos. As forças do Eixo ameaçaram abandonar o navio e criar um grande vendaval, caso não recebessem as mesmas Bene$$e$ dos Companheiros da 1ª Classe.

Diante desse quadro, após ser devidamente orientado, “da Silva” decidiu “negociar” com as forças do Eixo e criar uma série de novos ministérios para cedê-los como “lotes de negócios”. Foi assim que os 39 ministérios do poder executivo foram aparelhados com os ditos cargos de confiança. Confiança em quê?!

A sensação do poder absoluto sobre Estado, Sociedade Civil e Mercado é inebriante para certos camaradas que atuam e pensam estar acima de qualquer lei. Têm-se diversos exemplos no mundo, infelizmente. Contudo, resquícios da democracia fizeram desabar o castelo de crimes políticos cometidos. O escândalo do mensalão foi denunciado pela imprensa livre, em cadeia mundial.

Parece ter havido uma coincidência numérica, pois, por ironia, alguns apelidaram o escândalo de Ali-Babá e os 40 Ladrões. No entanto, deve-se demonstrar profundo asco por esse tipo de tratamento para crimes hediondos praticados por agentes da gestão pública.

De toda forma, a Ação Penal 470 afetou seriamente a imagem da nação e de seu poder público, com reflexos bem sensíveis na relação com nações democráticas e no próprio comércio internacional.

Contudo, o mensalão deve ser tratado como “fichinha” diante da série dos graves e imorais crimes cometidos contra os ativos da Estatal Petrobras S/A. Por exemplo, as obras paradas de uma Refinaria de petróleo no Maranhão, a construção interrompida da Refinaria de petróleo em Pernambuco, o processo nitidamente corrompido da compra da Refinaria de Pasadena.

Duas coisas

Essa é uma pequena parte dos desmandos cometidos usando uma estatal. O governo federal jogou no lixo muitos bilhões de dólares em dinheiro público. E há forte impressão de que boa parte desse lixo, senão todo, esteja aterrado em contas privadas nos paraísos fiscais.

Há certeza de que o presidente da Petrobras da oportunidade, um possível responsável por este aterro, foi colocado no cargo durante o governo de “da Silva”, posto que parecem ser íntimos nos negócios.

Por fim, há absoluta certeza de que a “Gerenta Rebentona”, a criatura gerada por “da Silva”, assinou a infame compra da Refinaria de Pasadena, então na qualidade de presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

Três coisas

Pode-se tratar de muitas outras misérias éticas e morais cometidas por agentes que lideram este partido. Todas na realização de projetos, tidos como projetos de governo. Na verdade, deviam ser revistos e, caso fossem vitais para a nação, tratados como projetos de Estado. Mas, com o uso da infraestrutura pública, foram transformados em negócios particulares.

Outros bilhões já foram jogados nos projetos da Ferrovia Transnordestina e da Transposição do Rio São Francisco. Ambos encontram-se muito acima do orçamento previsto. Mas nunca são concluídos, embora, volta e meia, façam festanças eleitoreiras para inauguração de suas obras inacabadas.

Duas características de “da Silva” causam péssima impressão ao mundo: sua arrogância e boçalidade. Quanto à “Rebentona”, há um traço de seu caráter que assusta ao povo brasileiro: sua extrema desconexão com a realidade do país e à sua volta.

……….

[1] Titulado Doctor Honoris Causa em Apedeutismo por várias universidades do mundo, hoje encontra-se escondido dentro de sua frágil cápsula de catedrático em patranhas e corrupção público-privada.

[2] Gerenta e Presidenta não existem no vernáculo português; Rebentona existe e, segundo o dicionário Priberam, também significa “negócio grave e duvidoso que está prestes a decidir-se”. Significado perfeito para o cargo.

Animália


Ricardo Kohn, Escritor.

A violência na sociedade brasileira apresenta tendência de se generalizar. São tantos casos de agressões brutais e gratuitas, que ocorrem diariamente em cidades e campos, que podem se transformar em “comportamentos normais e aceitos”.

Parece tratar-se de outra demonstração empírica da Lei dos Vasos Comunicantes. Diferencia-se apenas por não usar líquidos ou gases (fluidos), mas atitudes tidas como humanas, porém dignas somente dos antigos povos bárbaros, que destruíam a tudo e todos por onde passavam.

Torna-se necessário relembrar como se comportam os vasos comunicantes, com uma breve revisão da Física. Têm-se vários recipientes interligados, cada um com formato e volume diversos. Coloca-se um líquido homogêneo em qualquer um deles e vai se observar que ele se distribui pelos demais. Uma vez estabelecido o equilíbrio físico entre o líquido e seus recipientes, sua altura final será a mesma em todos os recipientes. Esse experimento, realizado pelo físico belga Simon Stevin em laboratório, data do início do século 17, e demonstrou o que ficou chamado Teorema de Stevin.

Imagem dos vasos comunicantes

Imagem dos vasos comunicantes

Isso ocorre porque a pressão exercida pelo líquido no corpo dos recipientes depende apenas da altura da coluna d’água. Os demais fatores de cálculo da pressão (densidade do líquido, pressão atmosférica e aceleração da gravidade) são constantes para casos dessa natureza.

O experimento empírico na Nação

Os recipientes de uma nação são a sociedade civil, suas empresas (públicas e privadas) e o Estado. Em razoável medida funcionam tal como vasos comunicantes, através dos meios e sistemas de comunicação de que dispuserem. O principal fluido que esses meios distribuem aos recipientes da nação é a informação útil, prática e culta, que visa a ampliar a educação de seus cidadãos, de forma a que continuem livres.

Embora essa tese possa ser considerada utópica, há várias nações que sempre caminharam nessa direção. São consideradas as mais desenvolvidas, pela qualidade dos serviços que oferecem às suas populações.

Como é normal de se prever, podem apresentar eventuais quadros de desvio, mas que logo são devidamente sanados pelas instituições formais do Estado. Justo por isso, seus Índices de Desenvolvimento Humano [1] são os mais elevados do mundo.

Porém, o inverso também ocorre. Ou seja, através do recipiente do Estado, o governo derrama fluidos incontroláveis que são expressivos quadros de desvio, no mais das vezes sistemáticos: atos de corrupção, assassinatos políticos, desvios e lavagem de dinheiro, evasão de divisas, associações criminosas, envolvimento com tráfico de drogas, enfim, tudo de ruim que se possa imaginar. Raras são as vezes que o Estado possui condições de impedir que esse fluido imoral nivele-se nos demais recipientes das nações acometidas pela barbárie política. Até porque ele e suas instituições encontram-se aprisionados, asfixiados.

Quando esse fluido se propaga e nivela-se no recipiente da sociedade, a educação deixa de existir, surgem revoltas, motins, vandalismos, linchamentos, insurreições, guerras civis e até “assassinato com latrinada na cabeça”. Os casos políticos que vêem sendo vivenciados pelo mundo são inúmeros. Constituem a confirmação prática dos vasos comunicantes na sua forma mais desastrosa.

A imposição ferrenha de ideologias fundamentalistas e de dogmas quase feudais, visando a locupletação de “parceiros dentro do Estado“, constituem as mais estúpidas agressões que uma sociedade livre pode receber. O cidadão que pensar de forma diversa será duramente punido. Merecerá a forca ou será linchado em praça pública por “agentes do governo”!

……….

[1] Para quem desejar a visão mais detalhada de como foram classificados os países segundo seu IDH de 2013, segue a lista publicada pela ONU. Clique aqui.

Tática de resposta


“Usar somente em caso de guerra”

Tem-se o seguinte cenário de conflito bélico: um destacamento de doze soldados possui a missão de entrar e controlar um povoado, perdido no meio nada, num país que está a ser invadido por grupos terroristas. Sem saber de onde e como, o destacamento é atacado pelo inimigo, que usa artilharia pesada. A operação básica e imprescindível é como responder a esta ocorrência no campo de batalha.

Estrategistas de superpotências bélicas afirmam que a resposta a ataques terroristas precisa ser bastante intensa e severa. Algo como, ao receber um tiro, responder com 10 milhões de tiros instantâneos. Essa tática visa a silenciar o inimigo e recuperar o domínio do terreno, de forma a que o destacamento siga com sua missão programada. Assim, o inimigo e seu poder de fogo precisam ser totalmente destruídos, sem que reste pedra sobre pedra, sem sobrar alma viva no lugar.

Terroristas

O quadro urbano da paz

Embora esse cenário ocorra muito e amiúde em pleno século 21, sem entrar no mérito de quem possui a razão, trata-se de brutal agressão ao futuro da humanidade. Ainda que sem guerras conflagradas, algo muito próximo deste cenário repete-se diariamente em várias metrópoles brasileiras.

A mídia (nacional e internacional) se encarrega de narrar e mostrar esses fatos, dia após dia. Mas muitas vezes não deixa claro que são ações de criminosos específicos, os quais ainda constituem parcela menos significativa da sociedade brasileira.

É claro que a motivação das quadrilhas de criminosos é outra, pois baseia-se no tráfico de drogas em escala internacional. No entanto, tal qual os terroristas acima, os alvos finais das quadrilhas são basicamente os mesmos: o poder de comandarem um Estado Terrorista e, em consequência, o dinheiro que arrecadam com o uso da força – venda massiva de drogas, assalto a bancos, execuções sumárias, etc.

As iniciativas de controlar as quadrilhas de criminosos não redundam em benefícios para a sociedade. São incontroláveis. Há quem acredite que a solução seja trata-las tal como aos terroristas: “fuzilaria pesada e incineração do que restar!”Dizem que essa talvez seja a melhor tática de resposta.

O quadro da paz política

O país encontra-se numa situação política muito delicada, sobretudo neste ano de eleições. O comportamento do parlamento é realizado na surdina, dentro de trincheiras camufladas. O alvo da oligarquia instalada é atacar o erário público de surpresa, com artilharia pesada e fogo contínuo. Parecem terroristas radicais, a trajar terno e gravata.

Há mais de 10 anos, a mídia informa os fatos escabrosos que se sucedem. Todavia, poucos são os colunistas que os criticam abertamente e demonstram os estragos que causam na já precária infraestrutura brasileira, por exemplo.

Por sua vez, as três instâncias do executivo atuam de maneira distinta, porém complementar aos interesses da oligarquia. As exceções são raras, raríssimas! Possuem armamentos originais, capazes de enganar a néscios e troianos. Efetuam o fogo cerrado da patranha, uma mistura de doces promessas e infinitas mentiras.

De dentro de trincheiras blindadas, lançam saraivadas de mentiras com equipamentos sofisticados: canhões laser capazes de lançar mentiras em torno do planeta; mísseis a laser, que alojam mentiras concentradas nas áreas de interesse; obuses que explodem mentiras no colo dos opositores (inimigos) e assim por diante.

Para completar esse quadro, como forma de garantir a governança da mentira, o poder executivo infiltra agentes especialistas em todos os órgãos e instituições do Estado Terrorista, que se transformam em aparelhos incompetentes, porém bem dosados na mentira.

Solicita-se que estrategistas das superpotências da patranha sejam contratados para definir qual a melhor tática de resposta. Caso contrário, o povo brasileiro (inimigo) continuará vítima da tática da corrupção instalada.

Contaminação


O desenvolvimento contínuo e acelerado de um país precisa ser muito bem planejado para o médio e longo prazos, tanto por parte do governo, quanto por investidores. É usual que as engenharias requeridas sejam previstas e aplicadas, para responderem às demandas desse processo.

Entretanto, a Gestão do Ambiente, onde são implantados novos negócios, não recebe o mesmo tratamento. Daí resultam elevados custos ambientais, a gerar ameaças e desastres para sua população, bem como retroimpactar de forma adversa e violenta a economia do país, e os próprios empreendimentos em operação.

Esse é o caso da contaminação do espaço físico na China atual – ar, água e solo –, conforme mostram as imagens publicadas neste artigo. Até o guarda de trânsito parece pedir socorro.

Reprodução de O Globo

Reprodução de O Globo

O solo e a água constituem o substrato do planeta, ou seja, do macrossistema ambiental que ele detém. Em conjunto com o ar [e seu oxigênio], foram os fatores básicos para a criação e evolução da biota – flora, fauna e homem, nesta ordem.

Porém, se foram necessários bilhões de anos para que o planeta apresentasse os sistemas ecológicos que hoje possui, o mesmo tempo não será requerido para destruí-los. Basta retirar as propriedades originais do ar. Basta intoxicá-lo.

A alarmante poluição do ar na China

A alarmante poluição do ar na China

Não há como escapar a esse ataque “pseudo-desenvolvimentista”, pois as plumas de gases tóxicos chegarão à água e ao solo, contaminando-os gravemente de variadas formas.

A brutal contaminação das águas

A brutal contaminação das águas

Os agentes químicos da poluição industrial

Os agentes químicos da poluição industrial

A contaminação do solo e a perda de milhões de hectares de terra

A contaminação do solo e a perda de milhões de hectares de terra

O resultado desse cenário chama-se “depravação do ambiente”. É provocada pela falta de planificação do desenvolvimento. É inexorável e ruma para a eliminação de toda a biota chinesa, com o bicho homem incluído.

De forma simplificada pode-se dizer que, sem água em quantidade e qualidade, a flora morre e apodrece (é oxidada). Dessa forma, reduz-se o ciclo da fotossíntese e o oxigênio essencial é mal consumido, atingindo a concentrações muito baixas, insuficientes para a vida, sobretudo em ambientes aquáticos.

Por fim, com a vegetação já em declínio acelerado, o espaço domiciliar da fauna fica cada vez mais reduzido – áreas de dessedentação, alimentação, reprodução, proteção e descanso –, levando ao desaparecimento das espécies sensíveis que, em nenhuma hipótese, conseguem sobreviver no ambiente humano.

Por algum tempo, somente permanecem as espécies que vivem na casa do homem, as espécies com hábitos peridomiciliares – ratos, aranhas, escorpiões, cobras, mosquitos, baratas e outros insetos. A partir daí há uma alta probabilidade de ocorrência de zoonoses, endemias, epidemias e pandemias, além de acidentes com animais peçonhentos que, por uma cretinice, o homem trouxe para dentro de seu próprio quintal, enquanto acreditava que “desenvolvia o país”.

E agora, há de fazer o quê?

Primeiro, compreender que um PIB espantoso de cerca de 14 trilhões de dólares é medida de crescimento, nunca do desenvolvimento de uma nação. Sobretudo, quando possui população próxima a 1,4 bilhão de habitantes, que vive desde 1949 sob regime unipartidário, imposto pelo Partido Comunista Chinês.

Depois, ter certeza que para desenvolver uma nação, de forma estrategicamente planejada, é necessário que o Estado seja o servidor da Sociedade, um reflexo da educação e civilidade de ambos. E a atuação do Estado Chinês encontra-se muito aquém disto.

Por fim, antes de pensar em como aumentar seu PIB, deve debruçar-se sobre seu amplo território, conhece-lo profundamente, identificar em detalhes suas sensibilidades ambientais, de forma a executar somente projetos que garantam a sustentabilidade de seu vasto Ambiente.

Com certeza, o custo dos recursos ambientais de que a China se apropria para produzir será mais reduzido, em especial as fontes de energia, a água e os milhões de chineses treinados.

E no Brasil do Século 21?

O PIB brasileiro é inferior ao norte-americano (17 trilhões) e ao chinês (14 trilhões). Alcançou a 2,4 trilhões de dólares. Sobretudo, com uma população estimada em cerca de 200 milhões de habitantes, que vive sob o império de incertezas políticas, criado por uma oligarquia que pode estar à beira da falência eleitoral.

O Estado Brasileiro desconhece o significado da palavra Nação. Usa a Sociedade como uma servidora silenciosa aos interesses particulares de seus líderes políticos. Esse cenário requer sua rápida inversão democrática, pois, do contrário, a sociedade sofrerá consequências ainda mais desastrosas a partir de 2015.

Por fim, o Estado deveria conhecer em detalhes o Ambiente de seu vasto território e nele implantar somente projetos compatíveis com sua sustentabilidade. Porém, tem feito justamente o contrário. Seus dirigentes são mitomaníacos, fazem promessas que nunca realizam e deixam chagas abertas no território brasileiro, criadas por obras interrompidas e atrasadas.

Um dos inúmeros exemplos é o projeto da faraônica Ferrovia Transnordestina, com canteiros de obras parados, desde o Piauí até Pernambuco. Os impactos decorrentes sobre o Ambiente se avolumam, afetando de forma nefasta e significativa o Ar, a Água, o Solo, a Flora, a Fauna e o Homem. As perdas e danos desse cenário ambiental são inimagináveis, no mínimo para a região coberta pelo projeto.

Obra parada da Ferrovia Transnordestina - Piauí

Obra parada da Ferrovia Transnordestina – Piauí

Mas esse é o argumento do partido que governa o Brasil há 12 anos: “O ‘meio ambiente’, sem dúvida nenhuma, é uma ameaça para o desenvolvimento sustentável”.

Essa indecência foi verbalizada por uma ministra brasileira, durante evento internacional promovido pela ONU, em dezembro de 2009, para tratar do tema “Mudanças Climáticas”, realizado em Copenhague, DNK.

Fábula de 50 anos


Por Ricardo Kohn, Escritor e Consultor em Gestão.

Tudo no Brasil é estranhamente comemorado ao completar 50 anos. Tem-se os incontáveis cinquentenários de municípios em festa, o esquisito cinquentenário da Lagoa de Itaenga (!), a Dança do Cinquentenário – comemorada na Praia do Buraquinho – e até mesmo a asfáltica Avenida do Cinquentenário que, após ser concretada como um símbolo para tudo que tem 50 anos, foi esquecida por muitos no dia seguinte ao de sua inauguração. Restou-lhe só o nome, como uma eternidade póstuma, dedicada a 50 anos. Sequer sei onde fica mas, pela lógica, pode estar esburacada ou mal remendada, tal o focinho de quem contratou a obra.

Vista aérea da Praia do Buraquinho, ao norte de Salvador, Bahia

Vista aérea da Praia do Buraquinho, ao norte de Salvador, Bahia

Por outro lado, as festas públicas têm custo e, a depender do motivo, podem requerer obras. Fico a pensar por quê essas festanças interessam tanto a prefeitos e vereadores. São políticos pequenos – não se trata de redundância – de municípios que foram distritos emancipados a fórceps e que, por serem totalmente improdutivos, sobrevivem às custas do Fundo de Participação Municipal. Isto é, dos tributos escorchantes que pagamos[1]. Por sinal, tributos que continuam a crescer em 2014, visando a manter a indecente máquina pública federal.

Se há alguma coisa de positiva nesses eventos, deve-se apenas ao fato que são festas e não enterros de cadáveres. Mas é óbvio que também podem ser um bom instrumento para desvios de verbas públicas, distribuição de várias propinas e corrupções menores para desobstruir espaços mais apertados. Acredito que, desgraçadamente, a maior parte dessas festas tenha essas finalidades como foco principal de seus promotores públicos.

O paradoxo faz 50 anos

Mas nem todos os cinquentenários fazem festas públicas comemorativas. Ontem a revolução civil-militar que derrubou o governo de Jango Goulart e permaneceu ditatorialmente no poder durante 21 anos, completou meio século.

Pelo fato de tê-la vivido desde o início, como um pré-universitário consciente, fico revoltado em ser obrigado a relembrá-la. Sobretudo, ao ler revistas e jornais que assino. Na maioria, conseguem explicar as barbaridades cometidas por ambas as partes: militares e terroristas, para usar as mesmas palavras de líderes dos enfrentamentos de então.

Todavia, por algum bom motivo, em 2014 a imprensa brasileira resolveu fazer um verdadeiro carnaval ou semana santa sobre o que hoje chama de Golpe militar. Isto porque em 1964, diante de uma tendência de migração do país para uma espécie de “socialismo sindical”, a mídia apoiou a derrubada do governo, junto com a maioria da classe média e empresários privados.

Pessoas em sã consciência assim se comportaram por acreditar que o regime militar seria passageiro. Um ajuste de caminho ideológico. No entanto, com o surgimento de lutas urbanas, de grupos de armados querendo implantar no Brasil a “ditadura do proletariado”, em resposta, os militares fecharam o sistema político.

Nas ações de parte a parte sucederam assalto a bancos, prisões, torturas, assassinatos e, ao fim, sequestro de embaixadores como moeda de troca. A ditadura militar endureceu, sempre servida por vários ministros civis, e a sociedade brasileira se danou.

O que está a acontecer

Os atuais donos do poder ou são membros dos partidos que receberam opositores da ditadura militar, ou são “os próprios participantes da luta armada”, como é o caso da atual presidente, que diz haver “lutado pela democracia” e sido torturada. Por sua vez, Fernando Gabeira disse numa entrevista que o papo era completamente outro, pois lutava mesmo pela “ditadura do proletariado”. Decerto, alguma tv ou alguém possui o vídeo gravado dessa entrevista.

Tendo vivido o período 1968-1978 com boa lucidez política, acredito nas palavras de Gabeira. Afinal, foi o que pude assistir. Porém, o que me assusta é a aparência do revanchismo que está a se instalar. Se for para rever a Lei da Anistia – um absurdo monumental –, que também seja “ampla, geral e irrestrita” para ambos os lados.

Para sorte da sociedade brasileira parece que os militares atuais são calmos, permanecem na caserna ou fundeados.

Não tornarei a falar desse assunto.

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[1] Neste ano, até 1º de abril de 2014, o Impostômetro está prestes a alcançar a casa de 437 bilhões de reais em tributos, pagos essencialmente por brasileiros.

Vandalismo nacional


ou Salve-se quem puder!”

Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Visto do espaço, em linhas gerais, o Brasil é um país habitado por beócios de 4ª classe, governados por vândalos de 1ª classe. Esse é o cenário que se descortina ao início do feliz ano novo de 2014: beócios manipulados por vândalos, a troco de nada.

Enquanto isso, os vândalos de 1ª classe têm certeza de que permanecerão no poder por pelo menos mais quatro anos (mas sonham com 4 décadas). Isso se, até lá, o Brasil ainda sobreviver à sua sanha destrutiva, tal hienas esfomeadas diante de um apetitoso bucho apodrecido.

A armadilha montada

Constituem o núcleo duro da 1ª classe ex-dirigentes e alguns dos mensaleiros que cumprem pena em penitenciárias e se auto classificam “consultores”. Para eles basta ter acesso a um telefone para fazer consultorias milionárias.

Membros subalternos, selecionados na caterva, montam a logística que satisfaça à clientela dos consultores. Para isso, possuem gigantescos propinodutos que cortam os subterrâneos do planeta e desaguam com segurança (?) em “instituições financeiras paradisíacas”.

No entanto, os membros da caterva são operacionais, meros cumpridores de ordens. Não têm livre arbítrio e nada decidem. Venderam-se aos consultores em troca de cargos públicos mais elevados e, de vez em quando, percebem benesses em dinheiro e até mesmo a salvação da prisão. Diz a mídia que o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, foi uma maquinação de vários vândalos de 1ª classe, mas coordenado por um caterva especial que foi blindado, função de ter o domínio de informações classificadas sobre objetivos e ações da 1ª classe.

Mas ainda há outra classe de personagens com relativa importância, que nem são consultores ou caterva operacional. Tratam-se dos “espasmos da 1ª classe”. Habitam no seu limbo, na favela moral de sua periferia. São ignorantes, mas responsáveis por realizar as tramas dos consultores.  São sempre temas prontos para criar litígio e dividir as forças que consideram adversárias. Essas tramas visam a gerar discórdia nacional, mas têm forte apelo na mídia. Desta maneira os espasmos dão suporte às ações dos consultores, sempre com posturas populistas, demagógicas e arrogantes.

Em síntese, a atuação dos espasmos se resume em criar conflitos com a opinião pública, com o uso de informação falsa. Todavia, para serem selecionados, precisam possuir traços físicos que convençam aos beócios de 4ª classe que não se tratam de patranheiros, a saber:

  • Cândida expressão facial, próxima a de uma freira;
  • Rosto sem maquiagem quando dão entrevistas;
  • A portar óculos da intelectualidade, que lhes forneça aparência de credibilidade;
  • Olhar fixo no espaço longínquo, a denotar que dominam as complexidades sociais; e
  • E, quando possível, ter corpo bem magro, tal como os milhões de brasileiros que não se alimentam da forma suficiente há pelo menos um mês. Acreditam que isso lhes dá certa empatia com os miseráveis que ganham o bolsa-esmola.

Por tudo isso, no cerimonial da 1ª classe, os espasmos são tratados por “tadinhas”. Embora tenham sonho de crescerem e, algum dia, tornarem-se elementos da caterva, continuam improdutivos. Em algumas situações são promovidos a ministros de estado, mas continuam a “enrolar as massas” e são apenas usados para legitimar as tramas da 1ª classe, nada mais.

Em suma, esse bando organizado – 1ª classe, caterva e espasmos –, acredita piamente que, por longos anos, ainda permanecerá a vandalizar a nação em seu próprio benefício.

Mensaleiros, assessores e mensalistas

Na oportunidade do julgamento da ação penal 470, o juiz relator classificou as quadrilhas envolvidas para facilitar sua argumentação e dar lógica ao raciocínio. Por sua vez, a imprensa brasileira universalizou-as. Chamou a todos os réus simplesmente de “mensaleiros”.

Nesse registro, os réus estão classificadas em três esferas, que são distintas mas complementares, a conformar um único bando de vigaristas:

  • Mensaleiros – aqueles que planejaram e executaram desvios do erário público, por interesses pessoais em obter mais poder para vandalizar o estado;
  • Assessores – “contratados” por mensaleiros, coube-lhes estabelecer a arquitetura dos desvios e os agentes financeiros e publicitários necessários para esconde-los; e
  • Mensalistas – aqueles que se venderam aos desígnios políticos de mensaleiros, porém livres para não aceitar propostas ou denunciá-los, o que, afinal, fez eclodir a maior ação penal da história brasileira.

Se essa classificação estiver correta, os mensaleiros foram a alma de todas as articulações. Porém, assim como os mensalistas, receberam as menores penas de prisão. Coube aos assessores pagarem a maior parte da conta, com penas de até 40 anos em regime fechado. Parece que determinados juízes do Supremo não notaram que eles foram meros acessórios na armadilha montada, algo como mais dois air bags no veículo da corrupção.

Seriam manobras legais?

Chegou-se ao cúmulo de um mensaleiro criar uma página na internet para “recolher doações” visando a pagar a multa determinada pela justiça! A imprensa conta que ele alugou uma casa em Brasília para cumprir sua prisão em regime aberto. E, ao que tudo indica, em dez dias já recebeu de beócios e vândalos menores mais do que o necessário para quitar sua multa (algo em torno de R$ 600 mil). O excedente decerto servirá para pagar as despesas de aluguel e alimentação de sua nova casa. Isso é patético!

Caso a justiça brasileira determinasse que todos os atuais presidiários 1ª classe devolvessem ao Estado o produto do roubo, eles são tão hediondos que é possível que abrissem páginas para captar mais “doações de íntimos beócios brasileiros”.

Mas muito cuidado, senhores beócios! Além de estarem a jogar seu próprio dinheiro na lixeira, o que é uma decisão pessoal, poderão incorrer em crime de cumplicidade, que é uma questão da justiça pública. O prêmio de cadeia em regime fechado do beócio poderá ser o resultado mais óbvio.

Todavia, como uma pronta-resposta da 1ª classe, já há os que pensam em criar “debêntures penitenciários”. Permitirá aos ladrões públicos arrecadarem “fortunas honestas” pela Bolsa de Valores. Afinal, para corruptos políticos, nada melhor do que vender suas cotas de corrupção produtiva, pois não desejam ser os majoritários em uma eventual derrocada nacional.

Mesmo havendo muito mais a narrar, encerro aqui esse registro, sabendo que, desgraçadamente, muita água ainda há de rolar para bolsos escusos.

Todavia, também tenho uma notícia alvissareira: nosso blog vai criar uma página para receber doações de pessoas cultas, honestas, democráticas e politizadas, de forma a continuar com seu trabalho e aumentar a equipe de redatores. Quem sabe se no ano de 3014 já não terá arrecadado a ínfima quantia de SUR$ 1.000,00?  O Surreal, a futura moeda inflacionada a circular em todo Brasil.

Tributos desgovernados


Ricardo Kohn, Gestor.

Em tese, chama-se Tributo a todas as arrecadações compulsórias criadas pelos governos federal, estaduais e municipais, através de leis promulgadas pelo poder legislativo instalado nas três instâncias de poder. Entretanto, quando o legislativo é “comprado”, quem faz as leis é o interesse do poder executivo, que às vezes é particular.

Os tributos constituem a maior receita de todo o sistema público. O cidadão comum é o grande pagador de tributos, pois mesmo quando se tratam de tributos exclusivos das empresas, elas os transferem como custo dos bens, produtos e serviços que vendem no mercado.

No Brasil pode haver uma série interminável de tributos, assim discriminados: impostos, taxas, contribuições de melhoria, contribuições especiais e até empréstimos compulsórios. Hoje, para alimentar a máquina pública falida, temos apenas 63 tributos vigendo no país!

Valor do impostômetro em 15 dias atípicos – de 1 a 15 de janeiro de 2014.

Valor do impostômetro em 15 dias atípicos – de 1 a 15 de janeiro de 2014.

Em 2012 a carga tributária brasileira bateu seu recorde, ou seja, atingiu a 36,27% do PIB. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, na América Latina e Caribe, o Brasil lidera a todos os países no volume de tributos que “toma” de seus cidadãos.

Outra comparação impressionante é que, em 2010, nossa carga tributária superou a de países desenvolvidos, como Austrália, Canadá, Estados Unidos, Japão e Suíça, dentre outros. Mas vejam que neles a contrapartida dos serviços públicos é de elevada qualidade. Enquanto aqui, sequer sabemos como definir a classe dos serviços que nos são oferecidos. Só temos certeza de uma coisa: são uma verdadeira “geleia geral de esterco”, representam a putrefação de essenciais serviços públicos.

Máquina pública

Se incluirmos o filhote de Goebbels, que produz a intensa propaganda populista e enganosa do governo federal, hoje o país tem exatos 40 ministros alojados no poder executivo. Cada um a comandar sua facção particular e as empresas que contrata, propriedade de amigos de infância. Parece um país com 41 governos nacionais! De fato, uma nação desgovernada.

O custo desse paquiderme público é absurdo, mesmo sem contabilizar a carga de desvios dos tributos, que acontece em larga escala há pelo menos 11 anos. Se consideramos todo o funcionalismo público nacional, chegaremos à casa de quase 10 milhões de pessoas pagas com nossos tributos.

Em uma comparação superficial, estimo que os EUA devam ter hoje cerca de 2 milhões de funcionários públicos. Creio também, de acordo com a imprensa norte-americana, que a maioria deles trabalha em agências nacionais, com grau de mestrado e doutorado a cobrir várias áreas do conhecimento. É um quadro diverso do brasileiro: bem mais produtivo e com sistema público muito mais eficiente.

Porém, ainda assim, na qualidade de funcionários públicos, por boa parte da população norte-americana os considera seres secundários.

Fico a imaginar o que acontece quando uma missão brasileira de funcionários públicos visita um país para “estimular” novos negócios. Chegam bem vestidos, hospedam-se em hotéis 6 estrelas, frequentam restaurantes sofisticados, mas apenas causam nojos ancestrais naqueles que os recebem.

O futuro da nação

O país necessita, com máxima urgência, de fazer muitas economias morais e monetárias. Decerto, reduzirá em vários bilhões suas despesas de custeio e seu Fundo Nacional para Corrupção. É até possível que obtenha respeito da comunidade internacional, o que seria básico para seu desenvolvimento como nação.

Alguns dizem que “o futuro a Deus pertence”. Mas eu não contraí essa doença. Ao contrário, afirmo que o futuro nos pertence e que somente cidadãos juntos são capazes de projetá-lo a contento, pelo menos em termos de moral e ética.

Em meu caso específico, na qualidade de liberal democrata, “sem dólares na cueca”, só vejo uma opção: votar certo para presidente e governador, visando a encerrar o exasperante ciclo de 12 anos, onde a nação permanece nos bolsos de um partido pseudopolítico, que gosta de debochar de sua origem, plena de mentiras.

All turn to dust


Em ritmo de Copa do Mundo.

Faltam 148 dias, pois em 12 de junho, queiram ou não os brasileiros, terá início a Copa do Mundo de 2014. Com duração de cerca de um mês, nos tempos da bonança seria previsto, pelo menos, um fluxo de 600 mil turistas estrangeiros chegando ao Brasil. Assim mostra a série histórica do público presente neste evento. Obviamente, sem considerar casos extremos de público.

Apenas a considerar hospedagem e café da manhã, os dispêndios desses turistas seriam da ordem de 2,250 bilhões de reais. Uma bela receita para o setor hoteleiro e, na outra mão, farta arrecadação de tributos pelo setor público brasileiro. De novo, a criar outra espécie do “Toma lá dá cá, ssp”. Afinal, o setor precisa pagar seus quase 10 milhões de funcionários públicos.

Entretanto, o cenário mundial que se desenha não é de alegria econômica. Está mais para “alergia econômica”. Segundo depoimentos de “especialistas em Copas do Mundo” – e a imprensa descobre-os para opinar em qualquer assunto –, são esperados para o evento, até 300 mil turistas, entre nacionais e estrangeiros. Se essa conta estiver certa, o cenário nacional de desperdício público, por fim, ficará transparente para a população brasileira.

O país tem doze cidades-sede para a Copa e construiu ou reformou 12 estádios de futebol! Financiou vários bilhões só para as chamadas Arenas. Trata-se de brincadeira de mal gosto, pois esqueceu-se de fazer o mesmo com aeroportos, portos, rodovias, hospitais e segurança.

Há cidades que sequer possuem público e clubes de futebol para ocupar um terço das poltronas e cadeiras dos grandiosos estádios que receberam. São os casos de Manaus, Natal, Cuiabá e Brasília, por exemplo. Segundo o Tribunal de Contas do Distrito Federal, o estádio de Brasília, chamado “Mané Garrincha”, orçado em R$ 696 milhões (2010), atingiu à cifra de R$ 1,788 bilhão.

Mané Garrincha: o governo do Distrito Federal diz que só gastou 1,2 bilhão na reforma

Mané Garrincha: o governo do Distrito Federal diz que só gastou 1,2 bilhão na reforma

Em suma, enquanto as obras dos estádios exigem investimentos ou financiamentos públicos de R$ 7,5 bilhões, os investimentos públicos nas obras que pretensamente compõem o legado da Copa (mobilidade urbana, aeroportos e portos) estão estimados em R$ 6,5 bilhões.

Aeroportos

Nas doze cidades-sede, sete aeroportos não sofreram as reformas esperadas e permanecem com serviços precários até o momento. Esteiras rolantes que param e elevadores que não funcionam são apenas dois exemplos.

Dos aeroportos das 12 cidades-sede (…), oito não têm nem a metade das obras concluídas, segundo a Controladoria Geral da União”, disse o site G1, neste janeiro de 2014. Parece ser o caso (ou o caos?) dos aeroportos de Belo Horizonte, Brasília, Guarulhos, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Salvador.

Novos gastos

Segundo Lauro Jardim (na Veja on-line, em dezembro de 2013) o Comitê “Organizador” Local da Copa terá mais gastos para os próximos meses:

“Cada campo oficial de treinamento poderá ter um investimento de 1,5 milhão de Reais para receber as seleções internacionais [multiplique esse valor por 32, que será a quantidade das seleções presentes na Copa → Total: R$ 48 milhões!]. Além disso, foi gasto 1,2 milhão de Euros com uma empresa de consultoria que ajudará as doze sedes a manter os gramados impecáveis no Mundial”.

Mas faltam investimentos sérios na segurança pública, no treinamento intensivo das polícias e em equipamentos adequados. Do contrário, a manter os atuais níveis de criminalidade no Brasil, muitos turistas vão virar vítimas do Brasil. Basta imaginar o que acontecerá se um turista estrangeiro amanhecer decapitado em uma cidade-sede.

Para finalizar

Talvez um dia, por descuido ou fantasia”, saibamos quanto realmente pagamos por esta Copa 2014. Quem sabe se também neste dia descubramos que “os investimentos realizados” em obras, como insinua o título desse artigo, acabaram de virar pó. Será um belíssimo legado, não acham?…

Ensaio sobre o direito de esquecer


Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Simão-Pescador

Simão-Pescador

Todas as pessoas têm o direito de esquecer qualquer coisa, embora sempre a considerar as limitações impostas por seus próprios cérebros. Assim, esquecem-se de outras pessoas ou até mesmo anulam-nas, sobretudo aquelas que foram figurantes secundários em sua vida. Afinal, o cérebro é bastante seletivo, em especial quando registra coisas que considere “sem utilidade”. Guarda-as no fundo escuro de seu arquivo morto.

Entretanto, ainda que sofram da doença do esquecimento, recordarão dos principais fatos que marcaram o caminho e as trilhas de suas vidas, bem como das pessoas que nele estiveram presentes. Tanto as que auxiliaram na realização de bons resultados, quanto ao contrário. Aquelas que tão-somente foram figurantes inativos, sequer serão recordadas mais tarde. Mas isso não é perda de memória, é apenas seleção de utilidade.

É sobre essa dicotomia de fatos e pessoas que concorrem para bons e maus resultados, que pretendo criar uma hipótese e refletir sobre ela. Porém, desde já informo que, por se tratar de um ensaio informal, não tem uma estrutura sólida de reflexões; creio, inclusive, que todas as falas do texto são meras especulações. De toda forma, espero que possam conduzir leitores a reflexões pessoais sobre o direito de esquecer.

O objeto deste ensaio não é provar uma hipótese, mas apenas tecer conjecturas a respeito dela. Optei por criar uma hipótese extrema, a saber:

─ “O sem-cérebro sempre segue por trilhas tão extras e ordinárias que esquece a si próprio”.

Afinal, não existe ser humano vivo sem cérebro! Contudo, há muitos que, diuturnamente, se comportam como se seus cérebros houvessem sido extirpados despercebidamente.

Para facilitar a formulação de conjecturas, este texto dá vida ao “ser humano sem cérebro”, através do apelido Trombeta. De outra maneira, um ser que vive a trombetear suas vantagens burlescas. Que, aliás, julga serem oferendas divinas que o capacitam para debates sobre temas globais.

Trombeta foi filho de mãe solteira e nasceu nas veredas do agreste. Teve dez irmãos mais novos, dos quais sempre soube muito pouco. Um mês após seu falecimento, um jornalista pouco conhecido deu a seguinte nota no jornaleco do município:

─ “Trombeta foi um personagem de baixa estatura, analfabeto, de comportamento ambíguo e estranhas ideias. Embora falasse muito, opinasse sobre tudo, nunca respondia a perguntas. Tenho dezenas de perguntas que gostaria que ele respondesse. Mas, de antemão, desejaria saber onde foi parido e como foi sua parição? O que Trombeta fez na infância, como foi criado, quem o criou, quem eram as pessoas com que conviveu em sua morada? Estudou? Aprendeu? Onde estudou e o que aprendeu? O que foi capaz de ensinar e a quem ensinou? Onde trabalhou, por quanto tempo e fazendo o quê? Por onde enveredou e o que mais estava a querer? A quem convenceu, a quem enganou e a quem mais desejava convencer ou enganar? Aonde queria chegar e o que era capaz de fazer para isso? Tinha algum limite pessoal ou o vale-tudo era a sua métrica? Tenho mais uma lotada de perguntas, mas sequer me animo a faze-las, pelo menos agora”.

Sobre Trombeta sei muito pouco, apenas alguns detalhes. Sei que cresceu em um povoado pobre, sem esgotos tratados, sem eletricidade e com pouca água. Dizem seus contemporâneos que sempre foi muito falante, que se metia em tudo. Dizem que só falava asneira, mas enganava a todos com suas “promessas de solução”. Em suma, comentavam que foi um parafuso sem rosca, uma raposa anoréxica, uma catapulta de asnices.

Mesmo assim, ainda existia muita gente que morreria por Trombeta. Quase foi enterrado como mártir. Assim, ou foi um fenômeno da história – o líder apedeuta da seita que criou –, ou era a prova viva de uma sociedade ética e moralmente atordoada.

Desde a infância, Trombeta teve um foco na vida: queria ter poder para mudar as coisas a seu gosto, com simples gestos de mão. Era persistente e treinava todo dia. O problema foram as escolhas das coisas a mudar. Com gestos curiosos, seguidos de uma espécie de urros de fúria, tentava matar as galinhas de sua mãe que, com galhardia, continuavam livres a correr pela poeira da caatinga. Queria fazer e acontecer, mas as desgraçadas não morriam!

Somente ao completar 18 anos, já com a barba desgrenhada na face, se apercebeu que era pouco provável que conseguisse realizar esse tipo de poder. Comemorou seu aniversário no boteco do Geraldino que, pelas trilhas que fizera na mata à cata de galináceos, ficava em outro município, a 4 km do casebre em que morava.

Sua mãe até cedeu quatro galinhas esquálidas para o almoço do aniversariante, mas sob uma condição: que ele começasse logo a trabalhar, pelo menos para obter seu próprio sustento.

─ “Tome rumo na vida e para de assustar minhas galinhas, cabra preguiçoso!”, disse ela naquela ocasião. E tinha razão, até porque “mãinha” manteve os dez filhos a bordar renda, 18 horas por dia. Morreu bordando a própria morte, sozinha na secura de sua morada.

Trombeta considerou que realmente precisava “fazer dinheiro”, pois não aguentava mais conviver com a “mediocridade do povoado”. Pôs-se a matutar e, pela primeira vez na vida, esqueceu-se das galinhas invencíveis. Pensou até mesmo em se engajar no exército, mas sua indolência sem disciplina aconselhou-lhe a não cometer tal ato de bravura.

Por fim, entendeu que precisava deixar o povoado, ir para a cidade grande e, quem sabe, ser um emérito negociador de ideias. Esse passou a ser seu foco, tornar-se o Grande Negociador. Todavia, sem qualquer centavo no bolso, não tinha como viajar para a capital do estado, que se situava a mais de 400 quilômetros.

Tornou a pensar noutra maneira de “fazer dinheiro fácil“. Porém, dado que não sabia fazer absolutamente nada, “roubar os miseráveis do povoado” foi a opção mais normal que saiu de seu pequeno cérebro. Assim, sem qualquer cerimônia, na madrugada furtou a féria semanal do boteco do Geraldino e, como disseram, sumiu da face da Terra.

Quase 20 anos depois, os frequentadores do bar do Geraldino tiveram notícias de Trombeta pelo pasquim do município. Nele estava publicada uma foto de Trombeta preso numa delegacia, acusado de liderar arruaças nos portões de fábricas e fomentar greves de operários, a que chamava, segundo a notícia, de “classe proletária”.

Ninguém no povoado entendeu muito bem a nota, além reconhece-lo como o presidiário estampado na foto. Apenas o mais velho do povoado imaginava o que seria classe proletária e movimentos grevistas.

Passaram-se mais cinco anos e o povoado inteiro ficou sabendo que Trombeta havia fundado uma seita ideológica, da qual era presidente, mas sem a menor ideia do que se tratava e qual seria sua finalidade. Todos ficaram assustados com a informação incompleta e mais ainda porque mãinha enfartara.

No povoado fez-se um silêncio de décadas sobre a vida de Trombeta. Até que um dia, no bar de Geraldino Filho, chegou a notícia que ele se tornara presidente da CNP – Confederação Nacional dos Prostíbulos, o cargo máximo “daquela nação”, Supremo Cafetão Nacional.

Reflexões

Trombeta nasceu paupérrimo: no interior dum casebre, com teto forrado de sapê; em um mísero povoado, sem quaisquer condições sanitárias; sem escola e hospital públicos; sem receber a educação de base. Não há dúvida, a sorte lhe foi muito ingrata, pois a mais famosa instituição do povoado em que nasceu era o boteco do Geraldino, onde, sem pagar, ele bebia a cachaça local e comia carne seca de bode, na companhia de pessoas sem trabalho.

Os frequentadores do bar eram bem mais velhos do que ele e nunca tiveram um trabalho digno. Eram todos muito franzinos, ressecados pelo clima tórrido dos canaviais. Viviam de trabalhos temporários em engenhos de cana da região. Eram resignados com a própria sorte e sabiam que não conseguiriam mudar o mundo. Porém, entre eles, partilhavam pequenos momentos de alegria.

Ao contrário de Trombeta, que acreditava ser capaz de mudar qualquer coisa a seu gosto, “oferecer promessas de solução” e negocia-las com os mais incautos. Entendera pelas “aulas da TV” que assistira no boteco do Geraldino, que negociar era fazer barulho, ir para as ruas e fazer comícios, falar berrando, mentir com certeza e enganar inocentes.

Pelo menos desde a adolescência, Trombeta já apresentava os traços típicos da egolatria, com gestos individualistas, pouca sociabilidade e extremo egoísmo. Somente estendia sua mão esquerda quando era para receber dinheiro ou tomar algo de alguém. Mesmo assim, soltava urros de fúria, como se fora sua assinatura de vitória.

Não é exagero afirmar que Trombeta já nasceu tomado pelos “germes da sociopatia”, se é que me entendem. Pode parecer uma incongruência alguém ter o desejo de ser um Grande Negociador e, ao mesmo tempo, odiar o gênero humano. Mas este foi o caso do trombeteiro. Vejamos:

  • Roubou os pobres amigos de sua mãe e covardemente sumiu do povoado.
  • Às cegas aderiu à trilha do comunismo, fez arruaças políticas e foi preso durante o regime militar.
  • Fundou e presidiu uma seita ideológica baseada em seus valores medievais.
  • Abandonou a tudo que jurara seguir para se eleger presidente da Confederação Nacional dos Prostíbulos. Este foi o auge de sua carreira, quando já era um completo sociopata.

Esses quatro processos da vida do trombeteiro têm em comum o fato de que as pessoas que estavam presentes, ou foram usadas por ele, ou sequer existiam em sua cabeça esquecida. De outra forma, Trombeta só pensava em si mesmo e nos ganhos que haveria de realizar.

Assim, ficou bilionário em menos de dez anos. Mas, em compensação, os milhões de funcionários dos prostíbulos nacionais receberam um “cala-boca”. Foram abençoados pelo trombeteiro com o Programa Bolsa-Prostíbulo, no valor de 80 reais por mês, sem terem a necessidade de “suar a camisa”.

Diz a hipótese que “o sem-cérebro sempre segue por trilhas tão extras e ordinárias que esquece a si próprio”. Parece ser o caso terminal do trombeteiro. Encontrava-se dissociado da realidade, com visível incoerência mental (esquizofrenia). Sempre que se manifestava, demonstrava um contínuo retrocesso cerebral (oligofrenia). Ao fim, tudo indica que esqueceu de si próprio para admirar apenas a própria imagem refletida, que ainda acreditava existir.

Parafraseando um filósofo das massas, “nunca na história desse Prostíbulo houve tantas trilhas extras e ordinárias para serem seguidas pelos séquitos do líder máximo”.

P.S.: Recomendo a leitura do texto “A variedade de bestas seriais“. É uma crônica de ficção que mostra o elenco de assessores dos trombeteiros.

Vivas ao maior acionista!


Além de analisar matéria específica na revista Exame e em veículos especializados, recebemos informações de outros canais competentes. Segue uma síntese do quadro econômico em que se encontra a maior empresa do Brasil.

A santa espoliada: Petrobras

Com uma dívida líquida astronômica, a Petrobras tem probabilidade de 32% de falir nos próximos dois anos, como mostra estudo da Macroaxis [1], uma empresa norte-americana que se dedica à administração de investimentos. Esse valor é muito grande se comparado com outras petrolíferas do mesmo porte: ExxonMobil (0,86%), Chevron (8,96%) e Petrochina (12,27%).

Foto de divulgação da Petrobras

Foto de divulgação da Petrobras

O número é preocupante e mostra o quão “desbalanceada” a Petrobras se tornou nos últimos anos – tornando-se a empresa mais endividada do mundo e a única petrolífera mundial com uma relação insuportável entre dívida e geração de caixa.

Mesmo com essa chance alta, ela ainda não é considerada pela Macroaxis uma empresa de “grande risco“, que somente dá essa classificação para empresas com mais de 90% de chance de falência – empresas com sérios problemas de caixa, que não conseguem sustentar o pagamento de dívidas, como é o caso da OGX Petróleo. Essa Macroaxis é muito boazinha.

Como todos sabem, a Petrobras gasta mais do que deve para manter sua política de preços, que é deficitária em diversos derivados do petróleo. Contudo e ainda assim, mantém, seu programa de investimentos: o maior do mundo. A companhia, por causa do peso de sua dívida, já tem visto os custos de capital crescerem. Sua possibilidade de rebaixamento é cada vez mais possível.

Ao mesmo tempo, os CDS (Credit Default Swaps) da Petrobras, uma espécie de seguro contra calote, ocupam a terceira posição na lista de mais negociados no mercado mundial. Isso talvez mostre que esta sociedade anônima, que tem o Estado Brasileiro como maior acionista, não é avaliada muito bem pelo mercado. Sobretudo, por investidores estrangeiros, que são os maiores credores de sua dívida líquida, que rondava a casa de 75 bilhões de dólares, ao fim do segundo semestre de 2013.

Importante salientar que, em janeiro de 2003, a Petrobras foi entregue ao novo governante com uma dívida líquida da ordem de 9,3 bilhões de dólares. Ou seja, dívida 8 vezes menor do que a atual. Nos últimos 11 anos a Petrobras S/A deixou de ser uma empresa operacional e independente – uma verdadeira SA – para tornar-se um instrumento deletério, a ser manipulado pela falta de política econômica do governo.


[1] Macroaxis is a sophisticated, yet simple to use personalized investment management service. Our unique platform and innovative optimization framework are designed for investors of all levels who are seeking to increase risk-adjusted performance of their invested capital using solid financial models and a robust portfolio optimization engine.

A Macroaxis faz a monitoração econômico-financeira e calcula riscos de investimento em mais de 150.000 empresas do mercado de ações.

Pare e dê meia volta!


Essa trilha dá em nada.

Era junho de 2004 e o músico Chico Buarque de Holanda foi entrevistado pelo jornalista Rodolfo Fernandes, editor do jornal O Globo. Durante a conversa Chico sugeriu que Lula criasse o “Ministério do Vai dar Merda”. Segundo ele, o ministério funcionaria do seguinte modo:

─ “A cada decisão importante, esse ministro seria chamado. Se o governo decide recadastrar os idosos, o Lula convoca o ministro e pergunta: “Vai dar merda?” O ministro analisa o caso, vê que os velhinhos vão ser humilhados nas filas, e responde: Vai dar merda.[1]

Definitivamente, Lula não seguiu esse sábio conselho. Em compensação, criou 38 Ministérios de Merda e quase conseguiu demonstrar à sociedade que se tratavam de órgãos imprescindíveis para a gestão do Estado Brasileiro. Mas apenas do Estado, em proveito de poucos, pois a Nação, propriedade de todos, ficou para ser atendida amanhã. Tal como consta na placa do botequim: “Fiado só amanhã”.

A nação espera sentada há 11 anos por esse amanhã. “Nunca na história desse país” o aparelhamento da máquina pública foi tão inconsequente. O número de agentes infiltrados do partido governista não pode sequer ser estimado. Apenas são colhidos os resultados nefastos obtidos por suas diversas facções. O azedume ácido dos mesmos destrói o olfato e o bolso de qualquer cidadão que não concorde com o dito “governo de corrupto-coalizão”.

Coalizão para fazer o quê?! E a resposta pode ser assustadora:

─ “Para criar nesses 11 anos um número incontável de escândalos políticos descobertos pela imprensa e pela Polícia Federal. Sobre o Ambiente publicou um texto que lista alguns desses casos de corrupção. Assim, não há motivo para repeti-los aqui. Porém, se alguém desejar mais detalhes e informações, clique no link Alzheimer Político Coletivo”.

A despeito da pequena parcela da sociedade que ainda detém capacidade crítica, Lula inventou sua substituta e a elegeu. Suas principais charangas políticas foram o Bolsa-família e o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento. Este último, é igual a drogas anabolizantes que aceleram a massa muscular das pessoas no curto prazo, mas que, logo adiante, as matam do coração, bastante enfraquecidas.

A “gerentona” Dilma foi apelidada por seu criador como Mãe do PAC. Logo outros apelidos surgiram: Mama PACA e Mama PAC, dada a grande quantidade de dinheiro público que se esvai, como rosca sem-fim, em obras superfaturadas e inacabadas.

Obra parada do VLT em Brasília

Obra parada do VLT em Brasília

Segundo a ONG Contas Abertas, até o final de 2009, somente 9,8% das obras do PAC foram concluídas e 62% não saíram do papel.

Em veículos da imprensa de hoje vários articulistas analisam de forma crítica o Governo Dilma. Destaca-se o texto do historiador Marco Antonio Villa – Triênio para esquecer –, publicado em seu blog, o qual ele fecha dizendo:

Dilma Rousseff encerra seu triênio governamental melancolicamente. Em 2012, o crescimento médio mundial foi de 3,2% e o dos países emergentes de 5,1%. E o Brasil? A taxa de crescimento não estava correta. A “gerentona” exigiu a revisão dos cálculos. O PIB não cresceu 0,9%. O número correto é 1%! Fantástico”.

O chamado “livro-bomba”

Conforme divulgado pela imprensa, durante cerca de dois anos Romeu Tuma Jr. (ex-Secretário Nacional de Justiça do governo Lula – 2007 a 2010) deu depoimentos sobre sua vida pública pregressa ao jornalista Cláudio Tognolli.

Resultou desse longo trabalho de dissecação política, um livro assinado por ambos – “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado” –, a ser lançado em breve pela Editora Topbooks, com 557 páginas que falam sobre os pesos e medidas da mão esquerda dos “grandes políticos que mandam no Estado Brasileiro”.

Diz o delegado Tuma Junior, formado em direito, que, além da documentação que já consta do livro, ele possui mais documentos arquivados para provar vários itens do texto final de Assassinato de Reputações.

Devem ser aguardadas as verdades ou mentiras narradas neste compêndio. Afinal, antes de conhecer seu conteúdo, não há por que especular sobre a ética do autor principal.

De toda a forma, sobre os melhores políticos da situação nacional, deve-se lembrar que alguns deles hoje se encontram encarcerados em penitenciárias públicas. Talvez estejam faltando outros nomes de ilustres ladrões públicos.

Mas lembrem-se: o Jogo de Gato e Rato ainda não terminou.


[1] Texto extraído de nota no blog do jornalista Dacio Malta, publicada em 16 de setembro de 2010.