Guerra Civil no Rio


Ricardo Kohn, atento à filosofia.

Contexto
Chamavam-se favelas os conjuntos de precárias moradias que eram construídos por todo o país, após findada a IIa Guerra Mundial. Suas populações eram formadas por cidadãos que viviam à beira da miséria, necessitavam de abrigo e de estarem próximos a locais de trabalho. Afinal, “favelados” também precisam trabalhar, como condição lógica para superar a pobreza. Pois, pergunto-lhe: ─ “Você era pobre ou miserável nos anos ‘50”? Se era, sabe do que estou a falar.

Na cidade do Rio, quando ainda capital federal [Estado da Guanabara], o número de favelas era relativamente reduzido. Após a transferência da capital para a região centro-oeste, ao iniciar a década de ‘60 foram realizadas importantes obras públicas[1] na cidade. Todavia, sem que os operários construíssem moradias temporárias. Afinal, bons urbanistas cariocas, como Lúcio Costa, Sérgio Bernardes e Affonso Reidy, possuíam visão estratégica, a impedir a formação de enclaves urbanos. Tanto é assim, que o número de favelas não cresceu nesse período [1961-1965]. Dezenas delas foram relocadas por meios de projetos habitacionais – favelas da Catacumba, do Esqueleto, do Pasmado e do Pinto, são exemplos.

Mais tarde, sob a égide da ditadura militar, num ato arbitrário do governo Geisel, cometido em 1975, o Estado da Guanabara foi fundido ao Estado do Rio. O novo ente federado passou a chamar-se Estado do Rio de Janeiro, o que demonstra a absoluta falta de imaginação no comando militar do governo federal. Por que não mantiveram Estado da Guanabara? Afinal, a cidade do Rio, sua capital, era bem mais conhecida que Niterói, capital do Estado do Rio. Mais rica, dotada de maior base cultural; por óbvio, com belíssimos espaços naturais e, definitivamente, uma cidade histórica: foi a capital do Estado Brasileiro durante 339 anos versus os infames 57 anos da “Ilha da Corrupção”, a maldita Brasília.

Tudo leva a crer que esta fusão de estados, em consequência de uma ponte, foi uma grossa asneira. De todo modo, beneficiou bastante a Niterói. Basta refletir, pois lá existem somente 5 favelas, enquanto a cidade do Rio ostenta 763 favelas – IBGE, censo de 2010.

Convivência em favelas

Desde cedo, convivi com jovens criados em duas favelas de Santa Teresa: a do Morro da Coroa e a do Morro dos Prazeres. A nobre Coroa e os inesquecíveis Prazeres, como indicam seus apelidos. O que tenho a dizer sobre eles? Simples; eram jovens iguais a mim, embora com muito mais experiência para lidar com incertezas. Ademais, assim como eu, demonstravam alegria e sonhavam com tempos melhores. Estudavam, trabalhavam, faziam festas e convidavam amigos. Eu fui um deles, dentre muitos. Nunca fui tratado como um “estrangeiro na favela”. Aliás, sempre me senti igual a eles, os dignos e honestos favelados.

Além dos morros em que se iniciou a favelização daquele bairro – Coroa e Prazeres –, hoje nele existem diversas favelas: Fallet, Fogueteiro, Escondidinho, Coroado, Pereira e Júlio Otoni.

Desde há cerca de duas décadas – ou próximo a isso –, a imprensa simplesmente conseguiu extinguir as favelas; sumiu do mapa com todas elas. Tal como num passe de mágica, passou a noticiar os fatos ocorridos no que denomina comunidades. Infiro que, neste caso, esta expressão é falsa. De fato, comunidade significa “conjunto de indivíduos [fauna, flora ou sapiens] que vivem juntos na mesma área e que, em geral, interagem e dependem uns dos outros; sociedade”. Ou seja, nada diz que explique o que cria todas as favelas do mundo: precariedade, pobreza e até miséria. A hipocrisia [ou cinismo] de certos “intelectuais” brasileiros atingiu a esse ponto: mudam o nome da miséria humana e estão solucionados os problemas. Plim! Plim!

A filosofia dos feudos do tráfico

Demógrafos estimam que, entre 160 a 180 mil pessoas, vivem na favela da Rocinha, a qual, por lei, foi tornada bairro urbano, com comércio pungente, sobretudo, a venda de drogas, em prol da facção dos criminosos que a “administra”. Justo por isso, seus milhares habitantes são obrigados, por força da filosofia dos fuzis, a pagar preços exorbitantes por vários produtos e serviços, tais como bujões de gás, garrafões de água, aluguéis, fornecimento de energia, televisão a cabo e internet. Há situações em que pagam caro para garantir, inclusive, a própria vida.

Diante desse cenário, é comum que analistas concluam haver um “governo paralelo” na Rocinha. Penso diferente. Em minha ótica, existe uma “ditadura instalada na Rocinha”, que opera livre das ações de qualquer governo. Afinal, a Rocinha tornou-se o mais importante feudo do tráfico no Brasil, o reino onde impera o poder do chefe dos traficantes. Com todos os itens que nela são comercializados, diária e impunemente, há de se convir, trata-se de um mercado local com 180 mil pessoas, dominado pela filosofia dos fuzis, com altíssima taxa de furto, na casa dos bilhões de Reais. É quase uma cidade média que exporta drogas para todo o país. Isso inflama a cobiça dos chefes de feudos, em pelo menos 350 favelas. Todos os seus chefes sonham em dominar o terreno da Rocinha.

Devo inferir que, pela lógica, sem qualquer racionalidade, choques armados mais violentos entre os feudos do tráfico devem ser aguardados no Rio. Pobre dos povos que neles vivem e não têm como sair. Está-se diante de uma guerra civil.

__________

[1] De 1961 a 1965, destaco as seguintes obras realizadas no Rio: nova adutora do Guandu; o aterro e início do Parque do Flamengo; 21 viadutos; Plano Diretor do Sistema de Esgotos Sanitários; construção de cerca de 700 km da Rede de Esgotos Sanitários; construção de outros tantos quilômetros da Rede de Abastecimento d’água; projeto e execução dos sete quilômetros iniciais do Interceptor Oceânico da Zona Sul; Túnel Rebouças; Túnel Major Vaz; conclusão do Túnel Santa Bárbara; aterro e ampliação da Marina da Glória; aterro e ampliação da praia do Flamengo; aterro e ampliação da praia de Botafogo; aterro e duplicação da praia de Copacabana; Parque Ari Barroso; retificação, alargamento e novo traçado do Rio Berquó, em Botafogo; retificação, alargamento e novo traçado do Rio Papa-Couve, no Catumbi; Avenida das Américas; prolongamento da Avenida Brasil; instalação de 18 (dezoito) chafarizes em vários pontos da cidade; nova via de tráfego ligando a praia de Botafogo à rua Humaitá; ampliação e modernização da elevatória de esgotos Saturnino de Brito; elevatória de esgotos André Azevedo; galeria geral de esgotos para Ipanema e Leblon; galeria geral de esgotos da Avenida Bartolomeu Mitre; ampliação e modernização da elevatória de esgotos da Rua Santa Clara; ampliação da estação de tratamento de esgotos da Penha; nova estação de recalque da elevatória subterrânea da Hípica; e a Avenida Novo Rio, que liga a Avenida Brasil à Avenida dos Democráticos.

Pelo momento em que se vive


Ricardo Kohn, Escritor.

O mundo está virado de ponta-cabeça. Decisões de mandatários ameaçam o cidadão médio de todas as nações democráticas. Três casos chamam a atenção: a insanidade bélica do líder imprevisível da Coréia do Norte; a máquina de corrupção instalada no Brasil; e a estupidez ofensiva do novo presidente norte-americano.

Sobre o comportamento da Coréia do Norte não há previsões. Seu líder delinquente, além de ter iniciativas próprias, é massa de manobra de países próximos. No entanto, há o que analisar no Brasil e nos Estados Unidos.

Casa Branca, inaugurada a 1º de novembro de 1800

Casa Branca, inaugurada em 1º de novembro de 1800

O norte-americano médio possui um perfil pessoal bem definido: é inocente, acredita no que lhe dizem, dedica-se a fazer o que sabe, é sempre teimoso e produtivo, mas poucas vezes é hábil nas análises que efetua. Entretanto, é ativo na defesa de seus princípios democráticos e libertários.

Acredito que essa imagem espelha bem milhões de americanos. Basta recordar que, em 4 de julho de 1776, durante a Guerra Revolucionária (1775-1781), seus habitantes declararam a independência do jugo britânico e, naquele mesmo instante, tornaram-se uma República Democrática.

O povo americano é pragmático e luta contra qualquer decisão pública que possa submete-lo a cenários de desastre. Ouso dizer que, pela estupidez sequencial de seus recentes atos executivos, Donald Trump não ficará sequer um ano no cargo.

O brasileiro médio também possui seu perfil delineado: é metido a esperto, mente por motivos mesquinhos, crê saber de tudo, é indolente e improdutivo, adora criticar a quem acaba de conhecer. Por isso, está sempre preocupado com a defesa de seus direitos particulares, mas esquece de seus deveres diante da sociedade.

É essa curiosa criatura, filha imberbe da Nova República, que elege os membros dos poderes executivo e legislativo. Creio que há uma estreita ligação com nossa origem colonial e o tempo que o Brasil gastou para tornar-se República Independente: embora “descoberto” em 1500, colonizado durante 389 anos, foi somente em 15 de novembro de 1889 que se tornou uma república: às vezes ditatorial, outras democráticas, mas muitas vezes enredado pelo populismo porco e a corrupção pública organizada.

Palácio do Planalto, inaugurado em 21 de abril de 1960

Palácio do Planalto, inaugurado em 21 de abril de 1960

A única Constituição dos EUA foi ratificada em julho de 1788. Há 229 anos que independência e democracia caminham sólidas e inabaláveis no Estado norte-americano. Por outro lado, a última Carta Magna brasileira foi promulgada em outubro de 1988, dois séculos depois. Nos 36 anos que se seguiram ela não parou de receber “retalhos”, dada a imensidão de seus títulos, artigos e parágrafos, que só promovem controvérsias e conflitos.

O momento em que se vive é muito delicado. Assim como os norte-americanos, precisamos colocar milhões de brasileiros nas ruas, a gritar: ─ Programa Penitenciária para TodosÉ uma ordem!

Teoria Geral das Quadrilhas


Por Zik Sênior, o ermitão

Zik Sênior

Zik Sênior

Confesso que por décadas senti um pouco de inveja de Karl Ludwig von Bertalanffy, o biólogo austríaco que concebeu a Teoria Geral dos Sistemas (TGS), publicada em todo o mundo a partir da década de 1950. Depois que a estudei a fundo, admirado por sua simplicidade, tornou-se meu livro de cabeceira durante mais de 5 anos.

Acontece que Bertalanffy não comungava com a visão racionalista, “meio quadrada”, de René Descartes. Também não era dialético, como Georg Hegel. Sua formação era biótica, orgânica, evolutiva. Acreditava em teorias capazes de explicar todos os entes vivos e não-vivos do planeta, bem como as relações que mantêm entre si, sempre a promover a evolução dos conjuntos que formam (sistemas).

Contudo, seu objetivo principal era elucubrar uma teoria capaz de analisar e demonstrar como funcionavam as organizações criadas pelo homo sapiens. Li que Bertalanffy despendeu mais de 25 anos nesta árdua labuta.

Hoje, a tomar por base a teoria criada por Bertalanffy, assim como inúmeros cientistas, acredito que posso ensaiar a Introdução à Teoria Geral das Quadrilhas (TGQ). Afinal, cursei Ciência Política em Coimbra (turma de 1932) e consigo analisar os atos inescrupulosos cometidos por quadrilhas, que calcinaram a ética, a moral e a economia do Brasil.

─ Conceito básico

De início, é essencial dizer o que entendo por “quadrilha”, segundo a ótica da TGS:

Quadrilha é toda corja de ladrões organizados que interage para alcançar fins comuns, a construir o rolo compressor da corrupção. Ela obtém melhores resultados do que se todos os corruptos envolvidos roubassem individualmente. Assim, todo conjunto de ladrões, a agir de forma imoral, devassa e integrada, constitui uma Quadrilha. Toda sua corja tem uma única finalidade: desviar dinheiro público para negócios pessoais e, de forma abominável, quebrar bancos e empresas estatais, fundos de pensão, autarquias ministeriais e tudo mais de valor que encontrarem pela frente”.

Óbvio que se trata de um conceito pragmático. Até por que, em meus 108 anos de idade, nunca assisti a algo semelhante no Brasil ou mesmo no mundo! Nos últimos 13 anos, o Estado tornou-se presa submissa da matilha predatória de hienas esfaimadas e selvagens.

Ao aplicar a teoria de Bertalanffy, verifica-se que uma “boa quadrilha (!?)” precisa ser um sistema fechado. Caso contrário, seria defenestrada por ações da Polícia e penas de prisão aplicadas pela Justiça. No entanto, os sistemas fechados descem ladeiras sem freios, rumo à autodestruição, graças à sua entropia. São incapazes de trocar de energia e matéria entre seus elementos e de absorver novas fontes de informação.

Em outras palavras, para a quadrilha não existe a hipótese da troca de informação e dinheiro com canalhas que não pertençam às suas corjas. Assim, a quadrilha destrói-se com a perda gradativa de seu “melhores sequazes”. Seu poder de ladroagem decai continuamente, até tornar-se incapaz de atender à fúria alimentar das Hienas Selvagens

A fundação do Partido das Quadrilhas

Hienas Selvagens são aquelas que, durante os últimos 13 anos, deixaram-nos estarrecidos por um fato: devoraram a poupança do povo brasileiro, de forma sumária e descarada.

Entretanto, foram apenas três hienas que, após aplaudidas por poucos “idiotas da sociedade”, se reuniram para criar uma pequena “súcia”. A trinca visava a transforma-la numa quadrilha especial, poderosa para permanecer imune às práticas da extorsão sistemática do erário.

Em suma, esse foi o processo adotado na formação das súcias, hoje investigadas pela Polícia Federal, pelo FBI, pela Interpol e instituições internacionais que, para sobrevivência dos povos que protegem, sabem enclausurar as corjas organizadas de salteadores públicos.

Porém, importa salientar que o mesmo processo inescrupuloso das súcias foi aplicado na formação do Partido das Quadrilhas Políticas, mais tarde conhecido pela curiosa sigla PQP.

E nasceu a hiena líder

Na década de 1960, as súcias limitavam-se a promover greves e fazer badernas nas portas de fábricas. As hienas esfaimadas ainda eram bandos desorganizados, dispersos e reduzidos. Todavia, havia uma matilha profissional de hienas selvagens que vigiava os acontecimentos e decidiu aderir às badernas. Até por que, durante essa década, tentaria implantar no Brasil a ditadura do proletariado. Não entro em detalhes sobre este fato, mas, naquela ocasião, foi devidamente escorraçada pela nação brasileira. Afinal, as hienas selvagens formavam uma matilha de hienas terroristas, disposta a tudo!

Uma família de Hienas Terroristas ─ ano de 1968

Naquele processo entre greves e badernas, foi da escória de hienas esfaimadas que se deu a escolha doentia da hiena líder. Em minha opinião, tinha uma aparência degradante: era uma figura nanica, com cabelos hirsutos e sujos, orelhas de abano (felpudas), a pança cheia de vermes, sobre um par de pernas secas…

Não acredito que essa liderança haja sido motivada por alguma “habilidade especial” da hiena pançuda. Até por que, era preguiçoso, analfabeto, alcoólatra, imoral, mentiroso, populista, manipulador de idiotas, traidor, dedo-duro, vigarista e cafajeste. Um fenômeno da desgraça!

Ademais ─ diziam os mais interessados de sua corja ─, portava um hálito tenebroso e quase não tomava banho. Assim, num raio de 20 metros, a súcia era obrigada a inalar e agradecer seu fétido olor.

PQP assume o poder: o desastre!

A hiena pançuda – fundadora do Partido das Quadrilhas Políticas (PQP) – iniciou em 1980 a perseguição obstinada por um cargo que lhe desse “máximo poder público”. Em seus “sonhos delirantes”, via-se, de forma compulsiva, a desviar fabulosas somas de dinheiro público para “empresas fajutas de hienas selvagens”. E, claro, a embolsar significativa parcela dos vultosos roubos realizados.

─ “Porra, ninguém é de ferro…”, justificava-se, a andar sonâmbulo pelas madrugadas, no barraco em que se escondia.

Por isso, durante mais de 20 anos, a hiena pançuda azucrinou a vida política e econômica do país. Mas, mesmo assim, não conseguiu o tal cargo de “máximo poder público”. Todavia, de forma miraculosa, metamorfoseou-se: “de pobre proletário em ricaço boçal”.

Pouco após a virada para o século 21, o boçal começou a “botar as manguinhas de fora”. O PQP, que fora fundado e presidido por ele, enfim elegeu-o para a presidência da nação; deu-se início ao desastre político-econômico do país. Em minha visão, o camarada boçal confundiu tudo. Ao invés de ser um Chefe de Estado, tornou-se o “Rei do Quadrilhão”! E é evidente a explicação disso, sobretudo, à luz da teoria de Bertalanffy. Vejam.

Relembrem algumas “habilidades do boçal”, já citadas: mentiroso, populista, manipulador de idiotas, imoral, vigarista e cafajeste. Como alguém dotado dessas “virtudes” comandaria um Estado Nacional, sem destruí-lo?

Assim que, em seu primeiro ato no poder nomeou várias hienas selvagens para dezenas de ministérios amestrados; todas indicadas por seu “indefectível braço esquerdo[1]”, treinado em Cuba e na União Soviética. Vale lembrar que o “braço esquerdo” foi uma proeza de ladravaz e tornou-se o “Príncipe das Súcias do Quadrilhão”.

Bertalanffy diria que a invasão do Estado por uma gigantesca organização criminosa foi uma decisão de desesperados. Com as inúmeras súcias roubando em todas as áreas públicas, a socialização das quadrilhas não poderia dar certo em um sistema fechado.

Explico com a seguinte analogia: dispõe-se de um saco, com capacidade para receber um quilo de vermes, dedicados à tarefa de se alimentarem de um corpo morto; ao multiplicar a quantidade de vermes ou eles se tornarão antropofágicos, comendo a si próprios, ou o saco arrebentará. Nos dois cenários, a Festança do Quadrilhão de Vermes é desmascarada.

Perspectivas

Com o tempo que já vivi (108 anos) minhas perspectivas são sempre para amanhã. Não posso me dar ao luxo de formular cenários político-econômicos de médio e longo prazos. De toda sorte, guardo a certeza que, de uma forma ou de outra, com o preço que custar, a nação unida haverá de desratizar a política brasileira.

——

[1] Aliás, o indefectível hoje se encontra “guardado num presídio”, condenado por promover a ação de “súcias deletérias”, em processos contínuos de corrupção planejada, durante quase uma década.

Crime e penalidade


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Trato neste artigo de temas relacionados bastante polêmicos: crime, penalidade e maioridade penal. Por ter opinião formada sobre eles, apresento meus argumentos. Em síntese, mostro que as penas da justiça nada devem ter a ver com a idade do criminoso, mas com a gravidade do crime cometido.

Crimes hediondos – aqueles que requerem do autor alta perversidade e demência – não são cometidos por crianças.  “Menino de 3 anos estrupa vizinha após degolá-la” não é manchete que se leia em jornal. Nem mesmo nos países sem qualquer arremedo de segurança pública, como o Brasil.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), instituído no governo Collor (o demente) – Lei No 8069, de 13 de junho de 1990 – clama por ser desmontado e reconfigurado com rigor. É um fato que mistura no mesmo caldeirão de fogo dois grupos muito distintos, tanto em atitude, quanto na conduta. Crianças são inofensivas e, como se assiste diariamente, adolescentes têm-se mostrado sanguinários.

ECA é uma sigla infeliz. Não faz muito tempo que se exclamava “eca” quando se via ou tocava em coisa nojenta; era gíria de meleca. E esse estatuto retrógrado tornou-se nojento, “eca!”, nocivo à sociedade brasileira. Embora haja certos governantes e políticos sórdidos, que o manipulam de forma sistemática, a confundir os reais direitos humanos com a obrigação do cumprimento de penas adequadas.

Afinal, criminoso no Brasil recebe “bolsa-presidiário”, em média maior que o salário-mínimo do trabalhador. Isto sem esquecer do dito ex-ministro que recebeu 39 milhões de reais (em propina), por “consultoria internacional prestada de dentro da penitenciária”. No meu entender, esse sim, é um crime bárbaro, estupro da sociedade.

─ “Tudo pelos direitos humanos! Então, como fica o direito das vítimas, calhordas populistas”?

Não concordo que haja maioridade penal para qualquer crime cometido. A meu ver, as penas precisam ser as mesmas para todos, sem depender da idade do autor. Todavia, repito: crianças com até 12 anos são inofensivas, não cometem crimes hediondos por iniciativa própria, nem devem ser penalizáveis pela justiça. Precisam receber educação gratuita de qualidade.

Jonas, apenas uma amostra


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Dizem que Jonas nasceu predestinado, se é que isso existe, um indivíduo fadado desde a nascença a sofrer de supetão. Nem o Brasil é predestinado. Decerto, o destino daquele país nunca esteve escrito em qualquer lugar. Porém, há 13 anos, é operado por súcias de ladrões, comandadas por um grupo criminoso de safados. Isto não é obra de destino, mas da estupidez de seus eleitores.

Diante deste facto, Jonas encontra-se angustiado. Pois, sem trabalho, sem expectativa de serviço, não é possível sobreviver. Por sorte, ou por menos azar, que sei eu, Jonas é solteiro e não arca com custos de uma família. Tornou-se um ermitão, tal Zik Sênior, embora não possua o humor e visão do velho diante de factos inoportunos que, inclusive, já o levaram à beira da miséria, duas vezes na vida.

Numa de minhas viagens ao Brasil – justo a que fiz em dezembro de 2002 –, conheci Jonas numa roda de amigos de meus filhos. De início, ele me pareceu ser afável, diria mesmo, sereno. Até o momento em que foi comentado o resultado das eleições gerais no país, com a vitória catastrófica do “molusco sebento”. Então, filmei com meus olhos a sequência do desastre humano:

─ A face de Jonas enrubesceu, o cenho franziu-se e seu corpo tremia; a taça de vinho tinto que levara à boca derramou-se sobre o elegante paletó inglês que trajava. Formou-se a mancha eterna, “não há sabão ou pó químico que a retire sem corroer o tecido”, pensei eu, com meus botões.

Naquela oportunidade, Jonas não profetizava. Apenas antevia, com precisão de empresário, o que a sociedade brasileira deveria aguardar, após a assunção de um ser ignóbil e devasso ao mais alto posto público do país. Um ano depois, em fins de 2003, Jonas perdeu tudo o que conseguira construir: sua empresa, dezenas de contratos de serviço, os gestores e funcionários, bem como a renda de todos.

Desde 2008 – ano damarolinha” –, aconselho a meus filhos sobre como atuar para manter as oito lojas comerciais que conseguiram abrir, no Rio de Janeiro. Todavia, os atos do “molusco nefasto” sempre foram minha grande preocupação. Afinal, com o molusco em permanente ação traiçoeira, de que servem meus conselhos?

Em janeiro passado, meu mais velho – o Simãozinho – viu-se obrigado a fechar duas lojas: sumiram os fregueses. Nas outras, não sem dor, teve que demitir funcionários dedicados. Em suma, é duro demitir chefes de família, sobretudo, os que trabalham irmanados com meus meninos, há mais de dez anos.

Revolta-me o facto de uma soberba nação – o Brasil – está a ser esbagaçada, por atos de corrupção escancarada. Revolta-me não existirem leis para extirpar “donos de fortunas ilícitas”.

Por outro lado, sinto muita dor por Jonas, apenas a amostra de um cidadão torturado por ladrões incompetentes. Encerro essa narrativa com a mórbida indagação: quantos milhões de Jonas o Brasil terá ao fim do ano de 2015?

O que é a ‘corrupção brasileira’


Por Ricardo Kohn, Escritor.

Ricardo KohnEm breve, a descoberta da corrupção articulada na Petrobras, realizada pelas investigações da Operação Lava Jato, fará seu primeiro ano de idade. Muito embora, a corrupção já estivesse em operação contínua e sistemática há cerca de 10 anos, contando com quadrilhas bem treinadas, a partir de 2003.

Dessa forma, a 4ª petroleira do mundo, que fora orgulho brasileiro, tornou-se cassino de cartas marcadas, de roletas viciadas. Os resultados foram óbvios: somente ganhou a banca e os apostadores em suas ações, aterrorizados, perderam bilhões de dólares, dentro e fora do Brasil.

Como efeito imediato desse hediondo crime internacional, o substantivo “corrupção[1]  ganhou mais “eloquência”, tornou-se nítido para o povo a partir dos governos petistas que se sucederam nos últimos 12 anos.

A corrupção não é obra de classe social (rico ou pobre), de etnias (índio, branco ou negro), do sistema econômico de governo (livre mercado ou comunismo) ou do sistema político de Estado (democracia ou ditadura). Por si só, esses aspectos não fazem corrupção. Entretanto, de forma empírica, é possível ver, com certa clareza, a correlação positiva entre corrupção e ditadoresque se dizemcomunistas.

Em suma, o ato de corromper não é fruto de capitalismo e proletariado, pois são “artes pré-moldadas por um filósofo burguês do século 19, que se acreditava economista revolucionário”. Por sinal, suas “artes” foram demolidas várias vezes pela realidade factual do mundo. É falta de argumento quem inventa esta falácia, em pleno século 21!

Em minha opinião, a “corrupção moderna”, que humilha gravemente a nação brasileira, é um processo realizado por matilhas de indivíduos espertos, devassos e moralmente degradados. Digo ser fruto de pessoas que se organizam com foco exclusivo em enriquecerem às custas do dinheiro público; seja qual for o preço e crimes paralelos que acharem necessário cometer – torturas, assassinatos, tráfico de drogas, que mais posso imaginar…

Afinal, após quase 12 anos de suborno sistemático e distribuição de propinas, embora com o país à beira da bancarrota, com milhões de miseráveis, de cidadãos que sobrevivem à míngua, seus líderes, infiltrados na máquina do Estado, estão biliardários e, em tese, não precisariam extorquir mais nada.

Desconheço meios educados para acabar com a sangria dos cofres públicos. Porém, sem dúvida, uma profunda reforma estrutural dos Três Poderes é passo fundamental e inadiável. Mas não sem antes, com extrema eficiência, varrer da face da Terra os pulhas que ainda lideram este grande assalto ao Brasil.

Em tempo: Não se esqueçam de recuperar o patrimônio que roubaram, incluindo o de seus familiares. Esse patrimônio pertence ao povo brasileiro!

……….

[1] Segundo dicionários da língua portuguesa, o substantivo feminino “Corrupção”, do latim, corruptione, para a área política, significa 1. Ação de corromper ou de se corromper. 2. Efeito de corromper ou de se corromper. 3. Depravação, devassidão. 4. Suborno. 5. Desonestidade, fraudulência. 6. Degradação moral. 7. Perversão. 8. Adulteração, falsificação.

O ‘novo’ pacote anticorrupção


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Em minha opinião, louco é todo cidadão que, aos olhos dos passantes, parece estar vivo, mas abandonou a vida, de fato. Só enxerga a si próprio e a seus interesses particulares, ainda assim, de forma bem transtornada. Acha-se rei (ou rainha), mas não passa de demente vagabundo.

Há inúmeros exemplos desses loucos a atuar no Brasil, visando à mudança do sistema político e econômico: desejam tornar o país em uma ditadura comunista, com alguns deles a coçar o saco para dar segurança aos pretensos donos do poder.

Seguidos por bandos de ovelhas pagas, autodenominam-se “líderes de movimentos sociais”. Nesse caso, destaco o MST e o MTST, que parecem estar financiados por propina pública. Na verdade, são raivosas hordas de baderneiros, dementes capazes de cometer as maiores atrocidades, sempre em “defesa da ideologia” que seus líderes juram acreditar.

De acordo com o que diz a mídia, João Pedro Stédile e Guilherme Boulos, líderes do MST e do MTST, respectivamente, são milionários que comandam miseráveis. Vejo somente uma fórmula para que essa versão seja verdadeira:

  • Recebem a propina pública para realizar turbas; oferecem tubaína e sanduíche de mortadela para que vândalos atuem na destruição de propriedades privadas e públicas; ao fim, embolsam o grosso da propina, recebida para comandar badernas. Dessa forma, vivem engalfinhados nas tetas do desgoverno petista.

Assisto bastante a programas de televisão que tenham bons mediadores, onde posso acompanhar a opinião de analistas sobre o atual cenário político e econômico brasileiro. Alguns, não tenho dúvida, são notórios especialistas nesta matéria. Cientistas sociais bem formados, com larga experiência em trabalhos analíticos para o diagnóstico do cenário atual brasileiro e a posterior formulação de seu cenário futuro.

Todavia, observo que poucos são o que analisam a cleptocracia institucionalizada nos três poderes. Há sujeitos que chegam a afirmar que a corrupção é uma questão de somenos importância, secundária. Ave César, ave ladrões!

Pois, penso bem ao contrário e argumento. Basta verificar a absurda quantidade de escândalos e roubos públicos que se sucederam nos governos do PT com “seus partidos alugados”. Por serem muitos e sistemáticos, chegaram a atingir ao incrível “nível de qualidade corruptiva” alcançado no Petrolão, quase impossível de ser desvendado.

Não fora a ação eficaz do FBI brasileiro, completada pela justiça dos “Estados Unidos do Paraná”, e a nação brasileira decerto assistiria a Petrobras, antes a 4ª maior petroleira no mundo, tornar-se, em apenas 8 anos, uma caveira de burro: inútil, depauperada, seca para fazer face aos investimentos futuros e sem governança corporativa.

Mas, em verdade, ninguém sabe ao certo em que estado de decomposição ela se encontra hoje, sobretudo com um “pau-mandado” em sua presidência, completo idiota em matéria de óleo e gás. Até mesmo eu sei bem mais do que este subserviente. Mas vejam o que o espera.

A imprensa divulgou que o Plano de Negócios e Gestão da Petrobras tem investimento para o período 2014-1018 previsto em US$ 206,5 bilhões, um montante maior que o da Exxon Mobil, a maior petroleira do mundo. Esse valor tenebroso ainda hoje consta do site da Petrobras e o idiota acredita que consegue realizar.

Fiquei a pensar e me pergunto: esse investimento, em obras paquidérmicas, não teria sido “inventado” para que a “quadrilha do PT” pudesse corromper, roubar e distribuir muito mais? Fica esta questão, que me dá coceiras para especular. Mas lamento o estado da gigantesca cadeia de fornecedores que talvez atendesse a Petrobras de forma honesta, sem os ditos 3% para o PT.

Finalizo. A presidente, claro que com a permissão de seus ‘superiores‘, comunicou, em “cadeia de vaia nacional”, que encaminhará outro “pacote anticorrupção” ao Congresso. Igual ao que o apedeuta Lula enviou em 2005 e fez grassar o sistema corruptivo em toda a máquina do Estado. Tudo isso virou a Comédia da Imoralidade.

Que audácia, a de um “corrupto-extorquidor”, afirmar, nas minhas barbas, que vai acabar com a corrupção que ele próprio comete?!

Uma lista, uma análise e uma pergunta: Cadê o Poder Executivo?


Da Veja on line, por Reinaldo Azevedo.

Ah, que delícia! O segredo de aborrecer é mesmo dizer tudo, né? Quando se diz antes, então, tanto melhor. Ontem — sim, nesta quinta! —, escrevi aqui um post em que expressava, com certa ironia (para bons leitores), a minha curiosidade sobre quantas pessoas da “Lista de Janot” seriam ligadas ao Poder Executivo, este que é chefiado por Dilma Rousseff.

Voltem à lista no post anterior. Só há dois nomes ali que tiveram função relevante no Executivo: Edison Lobão e Gleisi Hoffmann. E apenas ele foi ministro do governo Lula, que é quando o circo de horrores prosperou na Petrobras pra valer.

Assim, vejam que coisa fantástica. Por enquanto ao menos — vamos ver o que mais virá, se vier —, o escândalo do petrolão teria sido, então, uma maquinação de empreiteiros e de funcionários corruptos da empresa para beneficiar parlamentares, na sua maioria, do PP, que, como sabemos, é o partido que comanda os destinos da República, né???

Continuar leitura na Veja

Ladrão-Geral da República


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Acredito que liceus, universidades e bibliotecas são as principais instituições responsáveis pela Educação da Humanidade. Contudo, não basta que um país as possua em abundância.

É essencial que as crianças cheguem já aos liceus já “civilizadas de casa“, de preferência por seus pais. Falo baseado em minha própria história de vida, filho de pais pobres mas educados.

Digo que a “civilização infantil” deve ocorrer até os 5 anos de idade. Dela resultam a curiosidade pelo conhecimento, interesse por descobertas e capacidade de memória. Caso a civilização seja bem feita, haverá maior chance de as crianças, ao chegarem à adolescência, concluírem os cursos que selecionarem – da graduação ao doutorado, se assim for seu desejo.

A partir de então, resta-lhes adquirir cultura para a vida, através de vários expedientes. Porém, sem parar de usar as boas e gratuitas bibliotecas públicas [1]. A preguiça e o desinteresse pela leitura geram graves desvios cerebrais que, em minha opinião, são próprios de adultos que não foram civilizados na infância.

Creio que a assertiva sobre “desvios cerebrais”, associados à falta de leitura e da “civilização na infância”, deva ser estudada com mais afinco pelas ciências envolvidas. Tenho como tese que os cérebros da maioria dos indivíduos que não viveram esses processos também funcionam, porém, com fins degenerados e, não raro, também delinquentes. Enfim, tornam-se as flores do mal, mundialmente conhecidas.

Há inúmeros cenários de guerra no mundo, passados e presentes, que justificam essa especulação. Associo-os a atores degenerados e delinquentes como Saddam Hussein, George W. Bush, Muammar Kadhafi, Ali Khamenei, Mahmoud Ahmadinejad, Bashar Al Assad, os irmãos Castro, Hugo Chávez, Maduro-podre, o casal Kirchner, Wladimir Putin, o atual líder da Coréia do Norte (não escrevo o nome da besta!) e o brasileiro “desconhecido”, que tem como cognome Ladrão-Geral da República.

Aposto que a ameaça à integridade do Procurador-geral da República, caso haja sido factual, foi feita pelo Ladrão-Geral da República. Para não correr o risco de ser descoberto, claro que usou sociopatas de sua quadrilha. Alguém duvida disso?!

……….

[1] A Biblioteca do Congresso Nacional norte-americano, inaugurada há 215 anos, é tida como a maior biblioteca do mundo. Situada em Washington, D.C., oferece mais de 115 milhões de obras literárias, afora cerca de 63 milhões de manuscritos, para pesquisas em áreas de interesse ao conhecimento humano. Sua frequência diária é intensa e variada: professores, alunos, intelectuais, empreendedores, inventores e até mesmo políticos sempre estão bisbilhotando suas estantes.

Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos

Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos

Já no Brasil, a maior delas é a Biblioteca Nacional, instalada há 205 anos, na atual cidade do Rio de Janeiro. Oferece, aproximadamente, 9 milhões de obras, o que não é pouco. Por isso, está entre as 10 maiores do mundo, embora jogada às traças. Sua frequência de visita é baixa, no mais das vezes, os mesmos “ratos de biblioteca” que há décadas, desiludidos, tiram pó das suas estantes e bancadas.

Três espécies da raça humana


O Racional, o Otimista e o Pessimista.

Inicia o mês de fevereiro de 2015, com o Brasil sob o comando do dito “novo governo”. Mas o país não para de sofrer fortes terremotos econômicos e políticos, com intensidade e frequência crescentes. Por sinal, há muito que eram bem nítidos, mais claros do que evidências especulativas.

Em 2008, por força da “estratégia” de um governante idiota, diante da violenta crise mundial que então se iniciava, tratou-a de “marolinha” e conduziu-a segundo a ideologia particular de seu grupo. Boa parte da população ficou assustada com a maneira escolhida para tratar uma grave crise econômico-financeira mundial.

Hoje está provado que esse grupo, já então constituía uma exímia “quadrilha política”. Porém, o mesmo tratamento da “marolinha” continuou a ser adotado até 2014, conforme determina a ideologia da patranha.

Em outras palavras, a nação sofreu seis anos com efeitos maléficos das sucessivas asneiras cometidas pelo governo de quadrilheiros. Se assumir-se como base de cálculo o PIB de 2009, a economia do Brasil entrou em recessão desde 2010 e permanece até hoje a ser torturada pela mesma ideologia da quadrilha.

Investigações policiais

Todavia, em 2014 a Polícia Federal descobriu que, de fato, pela primeira vez na história do país (!), uma corrupção avassaladora invadira as vísceras da máquina do Estado, desde 2003. Concluiu que as asneiras federais foram apenas uma cortina de fumaça para ocupar a imprensa. Visavam, na verdade, a impedi-la de estimar o tamanho da corrupção bilionária – em dólares – ou, quem sabe, trilionária, em moeda brasileira.

Refinaria de Pasadena: “eu tenho a força!”

Refinaria de Pasadena: “Eu tenho a força!”

As reações a esse presépio de canalhices são curiosas, sobretudo, as publicadas em redes sociais. Pode-se classificar três gêneros de pessoas que comentam sobre o derretimento da economia brasileira: os racionais, que representam uma população pequena; os pessimistas, que causam desespero em quem os lê; e os otimistas, que não enxergam um palmo à frente do nariz, falam absurdos sem conexão com fatos e fazem ameaças genéricas, fruto do desespero.

Diante das decisões econômicas que entraram recentemente em vigor no país – aumento de tributos, elevação de tarifas públicas, arrocho nos programas sociais para idosos, etc. –, segue um trecho de publicação encontrada num pasquim:

─ “Medidas tributárias do ‘novo ministro’, com a finalidade de ‘reforçar os cofres do governo’, não significam, obrigatoriamente, o aumento da ‘vazão do propinoduto’, destinado a regar a conta bancária de companheiros corruptos[1]”.

Diante desse texto estranho, as reações da raça humana são variadas.

Reação do Racional

“O cenário político-econômico do país encontra-se bem abalado”, diz o racional. “É óbvio que me baseio na lógica dos números obtidos pelo governo e na ausência da razão na tomada de decisões públicas, decerto pensadas por esquizofrênicos”. Resultado, “a base de apoio ao governo encontra-se ‘desaliada’ e trará mais efeitos danosos para a sociedade civil. Contudo, os inúmeros erros cometidos ainda podem ser amenizados; em alguns casos, até mesmo saneados”.

E prossegue nas ponderações: “A questão essencial é que as medidas econômicas estão corretas. Porém, faltaram medidas políticas urgentes, com vistas a reduzir despesas absurdas com a monumental máquina do governo: 39 ministérios e milhares de cargos comissionados, afora o empreguismo nas estatais. Com a efetiva redução dessas despesas desnecessárias, a população brasileira sofreria ‘apenas’ durante o ano de 2015”.

Reação do Otimista

Tem-se impressão que o otimista gosta do governo por locupletar-se com os “esquemas da quadrilha organizada”. Afinal, suas reações são patéticas, confusas ou fora de contexto. Com certeza, são militantes ideológicos a serviço da quadrilha. Vejam algumas frases “cerebrais” do otimista:

  • Vocês fala’ [sic] muito sem ‘conhecê’ [sic] nada; nunca houve uma ‘presidenta’ [sic] do Brasil ‘que nem que ela’ [sic].
  • Vai lá’ [sic] no governo Fernando Henrique ‘pra vê’ [sic] a roubalheira ‘que foi’ [sic] na Petrobras.
  • Vocês não sabem do que somos capazes!”. Ah! E como sabemos, há 12 anos…

Reação do Pessimista

Por fim, tem-se o pessimista, que deita falações acerca dos efeitos nefastos sobre a sociedade civil. No entanto, sempre a concluir com frases que provam sua completa omissão ou falta de visão. Mas, inevitavelmente, a causar revolta no cérebro dos racionais que ainda sobrevivem:

  • Não tem jeito mesmo, o cidadão brasileiro é um animal covarde por cruza.
  • Duvido que alguém se mexa para mudar qualquer coisa, esse povinho é corrupto mesmo.
  • Viu, quem mandou votar neles?!
  • Pode falar o que quiser, mas não vai conseguir mudar nada.
  • Não adianta reclamar, sempre foi assim.

Há cidadão brasileiros que, diante desse cenário de degradação ética, moral e cultural, acreditam que está a nascer uma quarta categoria da raça humana no Brasil: o revolucionário racional.

……….

[1] Mesmo com a ideologia instalada no governo – “ajude-nos a roubar muito; nós o premiaremos” –, realizar desvio de tributos diretamente da Receita Federal é quase impossível. No entanto, dizem que é tramado por meio de processos complexos. Pelos informes colhidos na imprensa, as atividades básicas seriam as seguintes: (1) criar e organizar uma grande quadrilha, bem treinada para esse fim; (2) semear no setor público inúmeros quadrilheiros especializados; (3) realizar muitas obras e serviços inúteis, mas sempre com preço final superfaturado e sem prazo para acabar; (4) montar uma cadeia de empresas fantasmas, on-shore e off-shore; e, por fim, (5) ter doleiros e amantes de total confiança. A propósito, corre o boato da existência de pelo menos um partido político brasileiro que produz, em larga escala, expertos internacionais nesta prática.

A ‘privataria’ no Parque do Flamengo


Por Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

Breve histórico

O Parque do Flamengo, que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico NacionalIphan, em 1965 – e, mais tarde, também pelo governo do município, através de lei de 1995. Mas, desde de julho de 2012, é considerado Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco. Vejam a cópia da planta oficial de tombamento feita pelo Iphan.

Perímetro de tombamento do Parque do Flamengo

Perímetro de tombamento do Parque do Flamengo

A questão básica é a seguinte: ─ “Por quais motivos esse equipamento urbano foi tombado e premiado pela Unesco com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade?”

Para responder a essa questão é necessário entender a magnitude do problema urbano que existia na cidade e, sobretudo, no bairro do Flamengo, ao fim da década de 1950. A população se avolumara pelo intenso fluxo de migração interna para a então capital federal. No entanto, seu sistema viário e seu saneamento básico, eram extremamente precários. Esgotos in natura eram lançados na orla marítima da cidade, criando as chamadas “valas negras” em suas praias.

Vista da Praia do Flamengo, com o aeroporto Santos Dumont ao fundo

Vista da Praia do Flamengo, com o aeroporto Santos Dumont ao fundo

Várias áreas da cidade foram aterradas desde cedo. A começar pela região do porto, fundo da Baía da Guanabara. O próprio aeroporto Santos Dumont foi construído sobre área de aterro. Boa parte da praia do Flamengo também sofreu o mesmo processo, mas foi em vão.

Somente em 1961, o governador do Estado da Guanabara, jornalista Carlos Lacerda, e seu Secretário de Viação e Obras, engenheiro sanitarista Enaldo Cravo Peixoto, receberam proposta da paisagista Lotha de Macedo Soares, que visava a criar um parque na praia do Flamengo. A proposta foi aprovada.

Para fazer frente a esse extremo desafio, foi criado um grupo de trabalho visando a planejar, projetar e gerir a construção e plantação da flora nativa no Parque do Flamengo. Notórios profissionais participaram deste grupo [1], que teve a frente o arquiteto Affonso Eduardo Reidy e a própria paisagista, Lotha de Macedo Soares.

Conforme projetado e finalizado, o Parque do Flamengo diferencia-se das belezas cênicas do Rio, todas elas herdadas da natureza, mero acaso das relações mantidas entre os sistemas ecológicos que nela se formaram, à revelia do ser humano.

Na verdade, o Parque do Flamengo a elas se integra sem perder suas funções urbanísticas vitais – mobilidade urbana, acessibilidade a pessoas com deficiência, educação, esportes, bem estar, laser, recreação e, acima de tudo, manter permanente seu enlace com os ecossistemas terrestres e marítimos da região.

Na visão de Reidy, obstinado pela equidade na ocupação do espaço urbano, o Parque do Flamengo, ao tornar-se um bem público, já justificava sua restrição plena como área non aedificandi. Infelizmente, Affonso Reidy faleceu jovem (54 anos, em 1964) e não acompanhou o processo de tombamento do Parque a que tanto se dedicou.

Vista aérea do Parque do Flamengo e suas vizinhanças

Vista aérea do Parque do Flamengo e suas vizinhanças

Manutenção do Parque

Desde quando foi inaugurado, nas festividades dos 400 anos da cidade, o Parque do Flamengo teve sua primeira manutenção realizada em 1999, feita pelo escritório do paisagista Roberto Burle Marx. Esses trabalhos envolveram o replantio da flora afetada, assim como a inspeção e eventuais obras civis nas passarelas do parque.

A poda de árvores e os cortes dos gramados sempre foram atividades sistemáticas realizadas por um órgão público chamado Parques e Jardins. No entanto, a prefeitura passou esta responsabilidade para a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). É evidente que esta empresa não é habilitada para realizar podas e replantios de vegetação, muito menos obras civis.

O descaso do atual prefeito com relação ao Parque do Flamengo é de tal ordem que, a pensar nas verbas para as obras destinadas aos Jogos Olímpicos de 2016, o Parque foi esquecido em estado lamentável.

Este é o estado das passarelas do Parque do Flamengo

Este é o estado das passarelas do Parque do Flamengo, ferragens aparentes…

Por sinal, caro Eduardo Paes, como andam as obras olímpicas nas cinco regiões de jogos que foram pactuadas com o Comitê Olímpico Internacional? Prometidas pela trinca de falcatruas: Lula, Sérgio Cabral e Paes, o inventor do tal “Porto Maravilha“.

Obra na enseada da Glória

Mas eis que surge uma “parceria público-privada”, obcecada em desconstruir um bem público, finalizado e tombado há 50 anos. Marqueteiros aliados ao poder público tiveram a desfaçatez de chama-la “Revitalização da Marina da Glória”.

Aos olhos do povo do Rio, com plena consciência de seus direitos humanos e legais, trata-se de “descarada negociata”. Tudo indica que sua realização conta com o conluio de instituições públicas – Iphan e prefeitura do Rio –, dado que permite a execução de um projeto ilegal, antes já rejeitado pelo próprio Iphan!

Um grupo de cidadãos brasileiros iniciou um movimento popular – clique em “Ocupa Marina da Glória” – visando a impedir a deformação urbanística do Parque do Flamengo. A finalidade desse movimento é simples: conservar um bem público tombado como área non aedificandi e impedir o desmatamento sumário da vegetação ocorrente na enseada da Glória, local da dita “revitalização da Marina”. Segundo informações públicas, cerca de 300 pés de árvores já foram decepados na área do canteiro de obras e suas imediações.

Signo do crime ambiental cometido pela Prefeitura do Rio

Signo do crime ambiental cometido pela Prefeitura do Rio

No entanto, a Secretaria Municipal de Ordem Pública, através de ameaças violentas por parte da Guarda Municipal, determinou a retirada de barracas, faixas e pessoas que protestam contra a invasão de seus direitos. Ressalta-se que esta violência já foi realizada contra os que participam do movimento “Ocupa o Golfe”, que ocorre na Barra da Tijuca.

É patético, mas na Barra pessoas foram agredidas e presas hoje, por expressarem seus direitos de cidadão e, sobretudo, seu dever de proteção da cidade do Rio de Janeiro. Afinal, a cidade, o estado e o país são nossa propriedade. Fomos nós que delegamos a prefeitos governadores e presidentes a obrigação de geri-los da forma como definirmos. Precisa-se, com urgência, de um “recall de políticos“!

Eduardo Paes, espera-se que a “privataria” do Parque do Flamengo já o haja “beneficiado” bastante. Até por que, no Rio de Janeiro você jamais chefiará qualquer instituição pública, sequer uma equipe de safados da sua laia.

……….

[1] Membros do Grupo de Trabalho: Affonso Eduardo Reidy e Lotha de Macedo Soares (direção); Sérgio Wladimir Bernardes, Jorge Machado Moreira, Hélio Mamede, Maria Hanna Siedlikowski, Juan Derlis Scarpellini Ortega e Carlos Werneck de Carvalho (arquitetos); Berta Leitchic (engenheira); Luiz Emygdio de Mello Filho, Magú Costa Ribeiro e Flávio de Britto Pereira (botânicos); Ethel Bauzer Medeiros (especialista em recreação); Alexandre Wollner (programação visual); Roberto Burle Marx & Arquitetos Associados, com Fernando Tábora, John Stoddart, Júlio César Pessolani e Maurício Monte (paisagistas).

Lorota


Por Ricardo Kohn, Escritor.

Mentira” talvez seja o verbete da língua portuguesa que tenha o maior número de sinônimos. Como se não bastassem, possui expressões com o mesmo significado e diversos adjetivos derivados. Esse fato gramatical decerto é motivado pela enorme população de mentirosos vivos no planeta.

Vale dizer, não seria “conversa fiada” admitir que “patranheiros” se reproduzem tal como ratos, pois sua taxa de natalidade é bem superior à dos seres humanos íntegros. Há quem explique esse quadro através de ditos estudos estatísticos, que teriam comprovado ser mais fácil encontrar “casais de peteiros” do que de probos. Esses estudos não passam de “mentirolas”; porém, a ilação final dos difusores desta “lorota”, é verdadeira. Um paradoxo.

Em suma, não existem as tais pesquisas ou estudos sobre esse assunto. Afirmar que algum dia foram feitos é uma “peta” sarnenta. No entanto, “casais de patranhas” são incontáveis e tem-se milhares deles acocorados nos poleiros políticos do país, a comer o dinheiro público e obrar sobre a cabeça do povo, indistintamente, nas classes rica, média e pobre.

Essa ação sistemática virou uma espécie de solenidade pública, que em breve completará 13 anos. Um número que é tido por alguns como traiçoeiro, capaz de atrair azares e desgraças [1]. Resta pensar a quem se vai dedicar, “com afeto”, esses agouros…

Todavia, a “lorota exponencial” foi inventada exatamente nos poleiros mais altos do galinheiro nacional. Para debochar dos incautos, deram-lhe um título profissional: “marketing político”.

José Saramago e a Mentira Universal

José Saramago e a Mentira Universal

No Brasil, tem-se notícia de poucos “peteiros” especializados, capazes de engendrar “patranhas” rocambolescas, num lapso de tempo mínimo, e conseguir enganar a milhões de cidadãos omissos, durante mais de uma década. Que se saiba, tal nível de produtividade da patranha nunca foi alcançado no mundo.

A mentira universal, tão bem identificada por José Saramago, chega a ser bisonha perto da “lorota exponencial”, que, uma vez deixada nos braços da mídia impura, propaga-se e destrói cérebros baldios. No Brasil, esse cenário aterrador foi endêmico até 2014. Atenção! A sociedade civil tem meios lícitos para mudá-lo em 2015!

Indicadores e tendências

Para a mídia em geral, mas, sobretudo, para a imprensa independente, o Brasil está acéfalo há cerca de 40 dias. Somente hoje acontece a primeira reunião ministerial do novo mandato. Os 39 ministros, nomeados no loteamento ministerial, estarão presentes para ouvirem. Talvez o ministro da Fazenda fale acerca das medidas de arrocho que está a implantar. Salvo duas ou três exceções, os demais, sem qualquer competência técnica para tratar de seus “lotes partidários”, nem celulares terão nos bolsos, que dirá abrirão a boca para falar.

Por outro lado, é sabido que abastecimento de água e de eletricidade estão ameaçados de extinção. O racionamento nacional de ambos deverá ocorrer em breve. A geração de vagas de trabalho tem sido ínfima e degradante. O desemprego é crescente, numa economia com tendência recessiva. A indústria segue a demitir funcionários. A inflação estoura a meta de 6,5% ao ano e continua renitente. Deverá ultrapassar o topo ainda neste primeiro trimestre. Os preços dos alimentos estão nos píncaros. O PIB é antártico!

Em síntese, o Brasil torna-se a terceira calamidade política, econômica e social da América do Sul, a seguir na mesma trilha de seus excelentes parceiros ideológicos e nada comerciais: Venezuela e Argentina, são nações quebradas por sucessivos governos incompetentes e corruptos. A ser assim, pergunta-se:

Como esta quadrilha de apátridas pensa que vai manter-se no poder? Vai armar mais lorotas exponenciais“?!

“Quero ver quem tem ‘bolas de macho‘ para enfrentar o povo brasileiro aborrecido”.

……….

[1] Não está considerada a interpretação cabalista do número 13, pelo fato de não se professar qualquer crença, mística ou religião. Professa-se apenas a lógica da realidade e a razão necessária para lidar-se com ela.

PIB da corrupção em 2014


Também chamado de PIC – Produto Interno da Corrupção.

A pergunta que se faz é simples. Leia e, se quiser, arrisque-se a responde-la:

─ “Se o Produto Interno Bruto brasileiro de 2014 alcançar a casa dos R$ 4,8 trilhões, igual ao de 2013, qual terá sido sua parcela extorquida pela súcia governista? De forma mais objetiva, o Produto Interno da Corrupção terá sido próximo de 3% ou de 25% do PIB de 2014? [1]

Concorda-se, a resposta é difícil e muito complexa de ser contabilizada. Afinal, não há contrato assinado “entre as partes”, nem nota fiscal emitida por “empresas fantasmas”.

Grande parte do PIB nos bolsos da Corrupção

Grande parte do PIB nos bolsos da Corrupção

Observe somente o escândalo do Arrastão na Petrobras: a empresa que foi brutalizada pela súcia sequer consegue fechar seu balanço de 2014! Não existe a conta “Fundo para Conluio e Corrupção”, o que torna infactível elaborar uma simples “Demonstração de Lucros e Roubos”.

A própria Polícia Federal encontra-se um pouco prejudicada em uma das “ene” etapas dessa investigação. Não tem certeza de quantas outras precisará realizar e do tempo necessário. Além disso, é muito provável – quase uma garantia – que, além do setor de Óleo & Gás, outros setores da economia estatizada também hajam sido brutalizados. Dentre eles destacam-se o Elétrico, Rodoviário, Ferroviário, Aeroviário e Portuário, dado seus maiores orçamentos. Decerto, receberão atenção especial da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

A prever com muito otimismo um futuro mais honesto e decente para o Brasil; a acreditar nas instituições nacionais de controle, sugere-se um apelido para esta investigação de grande abrangência: OperaçãoSoda Cáustica”. Por sinal, aguardada pela maioria da população brasileira, como medida definitiva de higiene moral.

……….

[1] É inimaginável que a extorsão do PIB de 2014 possa ter variado entre R$ 144 bilhões e R$ 1,2 trilhão, mas há evidências e fatos que apontam nesta direção. Os mais nítidos são enriquecimentos inexplicáveis de certos cidadãos, membros da família de asseclas da súcia governista. Até agora, que se saiba, nenhum deles foi investigado.

─ ‘Não há uma prova sequer’


Em nações civilizadas, quando é descoberto um crime, tem início a sua investigação. A finalidade é óbvia: identificar quem o cometeu.Kohn - Sobre o Ambiente Mas o investigador precisa seguir um padrão lógico, tanto de raciocínio, quanto de ação, qual seja: identificar o que motivou o criminoso, com quais oportunidades ele se estimulou, e, por fim, como se beneficiou dos resultados que obteve. Desde há 400 anos, qualquer “xerife do Velho Oeste” já sabia fazer isso.

No escândalo do “Arrastão da Petrobras”, à primeira vista, os procedimentos da Polícia Federal, na histórica “Operação Lava Jato”, parecem manter essa mesma lógica. Apenas contam com o suporte de leis mais modernas e facilidades tecnológicas inexistentes no “Velho Oeste”.

Porém, vale destacar a atuação de instituições públicas autônomas, encarregadas de fazer a Justiça [1]. Embora seja a expressão do dever estabelecido, merece o agradecimento do cidadão brasileiro. Assim, até agora os resultados obtidos pelas investigações do “Arrastão da Petrobras” demonstram eficiência, sobretudo, graças à dedicação de agentes da Polícia Federal e à qualidade de juízes do Ministério Público Federal.

Há envolvidos neste “esquema” que já se encontram trancafiados: dois ex-diretores da Petrobras, diretores de grandes empreiteiras, um doleiro e um “carregador de mala”. São uma pequena amostra de dezenas de ladrões que ainda permanecem soltos.

Acontece que a Polícia Federal está no início da sua “operação de lavagem”; sequer entrou na etapa da centrifugação. No entanto, pelo que informa a imprensa livre, há indícios que, muito em breve, iniciará a bela “centrifugação de políticos imundos e respectivos partidos”, todos livres e impunes.

Todavia, já se escutam comentários de futuros centrifugáveis que confirmam a iminência dessa centrifugação. O fato mais aberrante foi a frase do Ministro-chefe da Secretaria Geral da República, ao deixar o cargo neste início de ano:

─ “Nós não somos ladrões”.

Declaração gratuita, tão esdrúxula quanto esta, é incomum na atual política brasileira. De fato, o ex-ministro entregou à boca do povo, na bandeja, “a essência do jogo sujo de sua equipe”.

Mas sempre há um outro emérito ladrão, que arma a defesa antecipada de seu “parceiro de negócios”. Imaginando livrar-se de possíveis conjecturas danosas, solta a frase lapidar:

─ “Não há uma prova sequer contra ele”.

Não precisa ser filósofo ou psiquiatra para entender o que subjaz a essa frase asquerosa. Afinal, dizer que não há prova de alguém haver cometido um crime, não nega ou prova que ele não o haja perpetrado. Trata-se sim, de prática prepotente e arrogante, que somente visa à blindagem de políticos ladrões.

Na última década assistiu-se a notórias quadrilhas de políticos contratando caríssimas bancas de advocacia. Era como se fossem enfrentar julgamentos passíveis da pena capital! Mas pasmem, só queriam inocentar seus membros pela corrupção frenética cometida. Uma vez liberados da justiça, a intenção sempre foi seguir pelo mesmo atalho. Afinal, o que sabem fazer na vida, além de desviar e distribuir dinheiro público para fortalecer sua camarilha?

A parcela do erário público roubada nos últimos 12 anos foi de tal ordem, que há incríveis milionários, verdadeiros nababos, a investir em fazendas, milhares de cabeças de gado, realizar de grandiosas construções, comprar apartamentos, lanchas e jatinhos de luxo. Investimentos que, definitivamente, nunca poderiam realizar com suas condições primitivas de trabalho.

Mas sempre haverá um “pentelho da camarilha” que se atreverá a afirmar que não há nenhuma prova contra eles. E será preciso mais o quê, diacho?! Na verdade, nada. Basta passar um pente fino nos fatos mundialmente conhecidos, confirmar a hierarquia das quadrilhas, enquadrá-los na lei e recolher seus membros à penitenciária mais segura.

……….

[1] Antes o xerife fazia tudo: investigava, produzia leis, aplicava-as e executava a justiça (na forca). No Brasil atual só há uma instituição que procede como xerife do Velho Oeste: o Tribunal Superior Eleitoral; sem a forca, é óbvio.

A canalhice triplex


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Fui convidado por amigos noruegueses a apreciar os métodos da pesca do Gadus, gênero de peixe do qual é feito o famoso prato de bacalhau. É um assunto que interessa somente à curiosidade de velhos pescadores, como eu próprio.

Assim, segui para Oslo, onde fiquei alojado numa vila de pescadores. A temperatura esteve próxima de zero graus, mas não me causou incômodo algum: havia calefação a funcionar.

Vila de pescadores, nos arredores de Oslo

Vila de pescadores, nos arredores de Oslo

Não vou entrar nos detalhes do que me foi mostrado: barcos, redes de cerco, pesca à linha e outras artes empregadas até hoje. De toda forma, como preparo um ótimo prato de bacalhau, consegui registros fotográficos do bicho, tanto em plena atividade, quanto já pescado. Guardo-os como recordações das tradições norueguesas da pesca.

Esse é o Gadus Morhua em ação

Esse é o Gadus Morhua em ação

Um par de Gadus numa praia norueguesa

Um par de Gadus numa praia norueguesa

A ser assim, fiquei cerca de um mês afastado do noticiário mundial e, mais especificamente, do brasileiro. Lembro-me que o último texto que publiquei foi ‘Arrastão na Petrobras’, quando o noticiário já mostrava a operação de limpeza da corrupção generalizada, intitulada “Lava-Jato”. Por sinal, um título muito aderente aos factos.

Quando retornava às Maçãs, já próximo ao porto, parei para rever velhos amigos. As notícias que recebi me assustaram. De chofre, tomei conhecimento que, através do que os brasileiros chamam de ‘delação premiada’, um ex-diretor da Petrobras, quando interrogado por um juiz federal honesto, confessara os crimes de que participara e, em auxílio à justiça, contou detalhes do roubo de cerca US$ 28 bilhões da estatal. Falou o nome da coleção de comparsas, de dentro e de fora da companhia. Disse até mesmo quais eram suas funções no “esquema“, montado para roubar dinheiro do povo brasileiro.

Assim fiquei a saber do escândalo de Petrolão. Despedi-me dos amigos e segui para casa, preocupado com meus filhos e suas famílias: esposas, netos, bisnetos e tataraneto brasileiros. Eles têm negócios próprios no Brasil, mas podem sofrer graves adversidades com quedas do mercado consumidor.

Especulações

Precisava confirmar o que me fora dito, queria obter comprovações factuais. Porém, só obtive informações da imprensa. Creio que os inquéritos estão a ocorrer sob sigilo. Gastei mais de 8 horas seguidas a vasculhar a internet, a ler blogs, colunas e notícias desde um mês atrás. Ao fim, selecionara poucos jornalistas que eram congruentes entre si.

Vejo que o quadro político brasileiro tornou-se o Inferno de Dante! Nele há luxúria, ganância, gula, ira, violência, fraude e traição. Além de outros atos infernais, a saber: ação de quadrilhas públicas organizadas, a corromper outros setores produtivos; conluio das quadrilhas com as maiores empreiteiras do país; três partidos políticos a entubar dinheiro público durante anos, através de doleiros e atravessadores; farta distribuição de propina para 28 políticos. Quer dizer, 28 até agora, mas devem ser bem mais.

O Inferno, visto por Dante Alighieri

O Inferno, visto por Dante Alighieri

Por outro lado, de facto há um quadro econômico arrasador para o Brasil: déficit recorde em conta corrente; um ano de inflação renitente no topo da meta; fechamento de vagas de emprego na indústria, na agricultura e na construção civil; dólar a escalar as alturas; aumento dos preços de energia, de combustível e de alimentos; calote governamental de bilhões de reais em obras de infraestrutura; alto risco do aumento da tributação; e, segundo as estatísticas de um órgão oficial, em 2013, ainda havia 10,45 milhões de brasileiros a viver em extrema pobreza.

Confesso que me é difícil entender a reeleição da “soberana”, ainda mais que teve como seu principal militante o “apedeuta”. Alguém deve ser responsável pela implantação do “socialismo da corrupção” no país. O Brasil está a viver um cenário de caos político-econômico!

Decerto, apedeuta e soberana no mínimo devem pagar pelo crime da omissão pública. No Brasil chamam “crime de prevaricação”.

Acho curioso toda a população saber de um casal de notórios queprevaricaem público e dá em nada. Mas existe uma doutrina jurídica muito boa de ser aplicada a este caso: a do “Domínio do Facto“, como foi feito com êxito no paupérrimo escândalo do Mensalão.

No fio da navalha


Neste 2014, a economia brasileira vai crescer nada: próximo de zero %. É a demonstração cabal de que a “estagnação governada” é possível. Mas, consolem-se, poderia ter sido pior. Paradoxalmente, não fosse a “orquestrada salvação criminosa”, feita através da manipulação de certas estatais (bancos e empresas públicas) para a drenagem ilegal de seus recursos, o país poderia estar arruinado, a viver no absoluto caos econômico e social. Mas ainda se tem uma chance, um desafio difícil pela frente.

Diferença entre público e privado

Toda empresa criada visa a produzir alguma coisa ou oferecer serviços para atender a um dado mercado. Através dessa prática bem gerida, precisa criar fundos para desenvolver-se, conforme planejado por seus sócios e diretores. Metas de produção devem ser fixadas, projetos implantados e seus resultados, avaliados. A ser assim, importa muito pouco se é uma empresa privada ou uma Instituição do Estado. Ambas precisam obter algum tipo de lucro.

Mas é neste “tipo de lucro” que reside a principal diferença entre o público e o privado. Todas as Instituições do Estado são públicas, por óbvio. Portanto, seus únicos sócios são cidadãos que pagam tributos para cria-las, remunerar seus diretores e alavancar seu desenvolvimento. Por isso têm o dever de orientar e corrigir seus resultados, sempre que julgarem necessário.

Entretanto, o lucro que os cidadãos exigem não é monetário, mas de respeito à sua cidadania. Em suma, desejam receber serviços de qualidade, onde três setores merecem tratamento especial: Educação, Saúde e Segurança. Entende-se que nestes setores estão as atividades fundamentais de um Estado que sabe servir à sociedade que o criou e o mantém. O restante, ela mesmo constrói e produz a seu modo, decerto melhor e com menor custo do que o Estado.

Esse processo, quando gerido por competentes Instituições de Estado, tem como principal fruto a criação das empresas privadas. Mas o lucro que elas visam a auferir é diverso. Vão bem além da mera acumulação de riqueza dos sócios, pois geram vagas de trabalho, criam e investem em tecnologia, melhoram produtos e serviços, distribuem renda e fazem nascer Universidades, a mãe de todos os mercados estáveis.

Porém, acima de tudo, as empresas privadas impedem a corrupção de seu patrimônio. Afinal, este pode ser a expressão, concreta e viva, do trabalho realizado por diversas gerações de trabalhadores profissionais.

O Estado

No governo de países ditos emergentes existem máquinas públicas de grandes dimensões. Neles o “Estado” ocupa boa parte do espaço do setor privado, tornando-se o maior investidor e produtor. Para isso, possui “empresas estatais” que cartelizam alguns segmentos produtivos estratégicos, sobretudo na geração de energia elétrica e produção de óleo e gás (petróleo). Basta observar os casos da Nigéria, Venezuela, Angola e Iraque (de Saddam Hussein). Seus territórios possuem riquezas naturais em escala, mas é o “Estado” que domina tudo ou quase. Seu soberano comanda e utiliza as “forças” para fins particulares, não raros cruéis. A liberdade para empresas de iniciativa privada tornou-se ficção.

Como em todos os países, as “empresas estatais” desses emergentes operam com dinheiro público que, em tese, dão lucros financeiros expressivos. Diz-se “em tese” pelo fato de não retornarem à sociedade sob a forma de serviços públicos básicos.

Lucro de estatais são investidos em soberbas fortalezas residenciais de soberanos, asseclas e vassalos do poder. Além disso, parte do lucro da nação é gasto com forças mercenárias, a protege-los de insurreições, que algum dia decerto acontecerão.

Desse processo, resultam nações pobres, escravas de regime populista, totalitário ou até mesmo ditatorial, com seus povos a viverem à margem e à míngua. Em todos esses emergentes constata-se que ênfase na corrupção, promovida por governantes, ministros e quadrilhas, o que conforma um cenário social deprimente.

Em síntese, verifica-se que, enquanto empresas privadas conseguem impedir a delapidação de seu patrimônio, em alguns países ditos emergentes “empresas estatais” são usadas neste exato sentido: exaurir o patrimônio natural da nação, que é de seu povo, para enriquecer, por via da corrupção, quadrilhas de bastardos.

Brasil no fio da navalha

No fio da navalhaA expectativa de 61,84% da sociedade brasileira é que, em 2014, se encerre o ciclo de doze anos de desgoverno do país. A maioria do povo afirmou isso claramente nas últimas eleições, ora optando pela oposição, ora invalidando seu voto.

Sem entrar no mérito dessa escolha popular, há fatos desvendados por Instituições Policiais de Estado que tornaram público alguns tsunamis de desvios e propinas. Para citar apenas três, tem-se o caso dos Correios, o escândalo do Mensalão e o da Petrobras.

Por sinal, o chamado Petrolão é considerado um caso arrasador na história mundial. Coloca o Brasil e seus governantes em posição crítica, com a moral a andar sobre o fio da navalha. Além do Brasil, a Petrobras está sendo investigada pela justiça norte-americana, holandesa e talvez a sueca.

A navalha é internacional. Todavia, como se isso já não fosse suficiente, a imprensa declara que há indícios de corrupção similar em outras “empresas estatais” e departamentos de ministérios. Obras federais inacabadas e eternas não faltam para provocar esse raciocínio lógico.

Tem-se uma proposta a fazer, que abole a prática enganosa das reformas no setor público. A sociedade não aceita mais compactuar com promessas levianas. Deseja que uma revolução pública seja realizada pelo governo federal, através de medidas, econômica e moralmente, saneadoras, tais como:

  • Que mantenha em operação no máximo 10 ministérios executivos, eliminando as atuais ou outras mordomias, porventura imaginadas;
  • Que extinga 80% dos cargos públicos comissionados e exonere seus ocupantes;
  • Que privatize todas as empresas estatais e departamentos ministeriais que incorreram em crimes de desvios e lavagens do erário público;
  • Que privatize todos os bancos públicos, à exceção do Banco Central Independente;
  • Que lave e enxague o Congresso Nacional, tornando-o uma casa unicameral, com no máximo 50% do número atual de parlamentares;
  • Que extinga todas as mordomias legislativas existentes, retirando apartamento, carro, motorista, assessores parlamentares e todos os auxílios monetários, dado que são injustificáveis, se não como “propinas oficiais”;
  • Que extinga os partidos políticos que possuam 20% ou mais de seus parlamentares e diretores processados por crime contra a administração pública ou similar;
  • Que abdique definitivamente do duvidoso direito de indicar nomes para compor o corpo de Ministros do Supremo Tribunal Federal, dando a ele próprio a responsabilidade por esta complexa tarefa.

Há outras medidas que poderiam constar desta crítica, como “analfabetos são inelegíveis”. Contudo, estas já são suficientes para a proposta de revolução política. Crê-se que diante do quadro econômico deficitário em que o país se encontra, ao serem implantadas, causarão fortes benefícios à governança pública da nação. Invertem as ações de intervencionismo e acessos safados de patrimonialismo.

Enfim, são medidas capazes de reduzir drasticamente os meios e caminhos da corrupção instalada no país, há 12 anos. Todavia, tem-se um impasse: caso o governo federal não tenha poder para realiza-las, ainda que gradativamente, em contrapartida, a sociedade brasileira não tem mais paciência para esperar por elas.

Assim o ambiente vê o político


Dizem alguns especialistas que o ambiente observa o político como se fosse um ornitorrinco, Ornithorhynchus anatinus. Tal como a do político rasteiro, a existência deste bicho é difícil de explicar, quer seja através da teoria darwiniana ou da patranha criacionista.

O ornitorrinco é complicado de explicar

O ornitorrinco é complicado de explicar

De fato, o animal tem cauda natatória dos castores, pelagem para uso terrestre, bico de pato, é mamífero, possui membranas entre dedos, vive na água doce e na terra, põe ovos mas não voa, e é um carnívoro sem dentes. Estranho, incrível mesmo de entender.

Diante do primeiro exemplar que chegou à Inglaterra, em fins do século 18, zoólogos que o examinaram pensaram que se tratava de fraude, uma ‘espécie construída’ por taxidermistas asiáticos. Vejam esse bico, parece que foi encaixado e costurado.

Close do bico visto de frente

Close do bico visto de frente

No entanto, no século 20, após ter sido sequenciado o genoma do Ornithorhynchus anatinus, cientistas verificaram que cerca de 82% de seus genes são iguais ao do Homo sapiens. Tem-se algumas dúvidas a respeito.

Porém, pelos detalhes similares que apresenta, somente se for da subespécie Homo corruptus brasilianensis. Ou seja, teriam saído do planalto central, sabe-se lá como, e se acomodado em lagos na Austrália, do outro lado do planeta.

É bem verdade que, se fossem puros H. corruptuspolíticos da quadrilha –, teriam ido de jatinho emprestado. Mas, de toda forma, há características do animal que lembram muito as do H. corruptus: possui esporões venenosos para liquidar as presas; órgãos sensoriais que captam a presença de alimentos (US$ bilhões); temperatura corporal fria (27 0C); e o jeito sinuoso do réptil.

A propósito, neste exato momento deputados e senadores articulam o aumento dos próprios salários e de cargos do executivo. Sem dúvida, mais uma ação descarada do Homo corruptus brasilianensis. Pobre coitado do ornitorrinco, só serviu de modelo para criar aleijões morais.

Esqueleto de um político, digo, ornitorrinco

Esqueleto de um político, digo, ornitorrinco

Chama de ‘sustentável’ que vende!


Virou anarquia, tudo ganhou o apelido de ‘sustentável’. A matraca dos mercadores, visando a valorizar os produtos que põem à venda, repete de forma incessante, feito gralha estridente:

─ “Se é economicamente viável, se é justo do ponto de vista social eecologicamente correto’, então, com certeza, é sustentável”. Será que é?

Dê bom-dia a qualquer um deles e sempre receberá de volta este desorganizado cardume de palavras. São treinados para isso.

Esta ilustração é anômala perante qualquer teoria

Esta ilustração é anômala perante qualquer teoria

Apenas para fins ilustrativos ocorrem estas ‘interseções’ entre ecológico, social e econômico. No mais das vezes, como argumento falacioso para vender qualquer coisa. No entanto, certos cursos ‘compraram’ essa ilustração para revende-la como técnica factível, em especial a pessoas que não conhecem os conceitos elementares de Ecologia, Economia e Sociologia. Todavia, foi dessa forma – a tratar verossímil como sinônimo de verdadeiro – que se criou no Brasil o supermercado do ‘Sustentável’ [1].

Esses ‘negócios‘ tornaram-se uma endemia em várias metrópoles do país. São Paulo e Rio lideram as ‘ofertas’, sobretudo, no setor imobiliário. O lançamento de prédios e casas em ‘condomínios sustentáveis’ chega a ser pândego, caçoa da inteligência das pessoas.

Ao chegar, o comprador (e sua família) vê um belo terreno terraplenado, sem obras, mas com um estande sofisticado para lançamento do condomínio. As maquetes são excelentes. Para insuflar a imaginação do comprador, há um apartamento com estrutura de gesso, finamente mobiliado e decorado. Afinal, gosto não se discute.

Apartamento de gesso e aflição

Apartamento de gesso e aflição

Mas sempre falta calor humano, por melhor que esteja montada a recepção de venda. Então, entra em cena, conforme ensaiado, a elegante corretora, cheia de calorias para mostrar as ‘coisas sustentáveis’. Do condomínio El Dorado, é claro.

Cria nobres imagens de ‘responsabilidade ambiental e social’ na cabeça do comprador, dá-lhe a sensação de poder, a chance única de adquirir um ‘imóvel sustentável’, construído sob medida para sua família. Isso é perfeito para o nouveau riche. Os machos dessa espécie chegam a ter ereções quando assinam o cheque da entrada do imóvel.

Por fim, a corretora afirma que o investimento tem excelente retorno e apenas ‘de início’ parece ser mais caro. “O que isso significa?”, pensa o comprador. E, a fingir que entendeu, responde surpreendido:

É verdade senhorita, de início, só parece…”.

……….

[1] Observe que as interseções intermediárias – suportável, equitativo e viável – estão com significados desconexos. Não respondem às pretensões do ‘ilustrador’.

Propaganda medíocre


Faz tempo, decerto mais de um decênio, que a qualidade da publicidade brasileira vem decaindo de forma insofismável no Brasil. Isso torna-se mais nítido, sobretudo na televisão. No intervalo dos jornais, por exemplo, ou coloca-se o aparelho mudo ou se é obrigado a ouvir um enxame de barbaridades publicitárias, que não trazem “criação” ou qualquer conexão para a inteligência humana.

Segundo os que conhecem esta matéria, um dos traços da boa campanha publicitária é fazer com que o teor de cada “anúncio” permaneça na mente do potencial comprador por um bom prazo. Para isso, é óbvio, deve causar-lhe prazer, interesse e até admiração. Em sequência, poderá criar nele o desejo de adquirir.

Contudo, não há dúvida de que há empresas difíceis de serem publicitadas de forma mais criativa. Bons exemplos são os “supermercados”. Todavia, a responsável pela publicidade não é obrigada a contratar um “pateta esfuziante”, que anuncia os preços mais baixos para inúmeros produtos dum tal “Armazém S/A”.

Em suma, anúncios com duração de 30 segundos, além da rápida sequência de imagens ser atordoante às pessoas, é natural que quem os assista não fixe coisa alguma. Um minuto após, é muito provável que nem mais recorde do “nome do maldito armazém”, que dirá das informações de venda veiculadas, não raro enganosas.

No meio da primavera o clima da região mais produtiva do país começa a esquentar. É hora de serem lançados produtos como geladeiras, ar-condicionado, ventiladores e vidros de janela que refratam o calor, dentre outros. Basicamente, são destinados a escritórios, apartamentos e residências.

Porém, há outros produtos que são pessoais, talvez supérfluos, mas que vendem bem quando a temperatura do ambiente se eleva. Por exemplo, “cremes especiais de banho”, “xampus-maravilha” e “perfumes sustentáveis”, são alguns de uma infinidade de similares que falam com a alma dos consumistas (bem como, da “elite neocomunista”). São caros, finamente embalados, e oferecidos como “exclusivos para seu corpo”. Constituem novidades, “criadas para resfriar a sua pele” ou coisa que o valha.

Para suprirem à demanda que previram, indústrias e lojas do varejo necessitam de mais publicidade. Aquelas que ainda não fecharam suas portas, contratam empresas que elaboram e produzem suas campanhas. Usam, desde outdoors obtusos, a emporcalhar vias urbanas e prédios, até campanhas televisivas, compradas para serem divulgadas no chamado “horário nobre”.

Retorna-se à premissa dessa análise: a perda de criatividade na publicidade brasileira. É louvável que seja elaborada visando a atingir os segmentos do mercado que estão mais propensos ao consumo. Porém, certos governantes dizem que sua política de inclusão social criou uma classe média emergente e, exageram nos números, a dizer que esta classe possui cerca de “50 milhões de brasileiros que estavam fora do mercado“. Acredita-se que ainda continuam de fora.

Mas parece ser óbvio que, apenas com base na “política de bolsas-mil”, não lhes é possível consumir “cremes especiais de banho”, “xampus-maravilha” e “perfumes sustentáveis”. Suas prioridades ainda são as básicas: ter moradia, alimentarem-se diariamente e vestir roupas ao invés de andrajos. É dolorosa essa conclusão, mas  infelizmente parece ser correta.

Como é possível não auxiliar a quem chega a esse estado?

Como é possível não auxiliar a quem chega a esse estado?!

A mediocridade de campanhas publicitárias não decorre desse triste cenário. Até porque, o segmento de higiene e perfumaria apresenta produções sofisticadas. Apenas são todas iguais, com jovens modelos femininos, cheias da cor dourada, trajando vestidos de seda sobre a pele, realces virtuais em detalhes, a invadir mentes com sugestões de potência e felicidade.

O profissional de marketing encontra-se diante de um impasse. Em síntese, foi formado para “vender serviços e produtos” em um ambiente civilizado. Ocorre, porém, que a educação do Brasil não civiliza, não ensina o cidadão a pensar, a desenvolver seu raciocínio. Não o conduz à reflexão. Isto somente ocorre por iniciativa do próprio educando.

A questão é: ─ “Como desenvolver uma campanha publicitária que não contenha artifícios tidos como falsos se o alvo são pessoas que não foram ensinadas a pensar”?

Na segunda metade do século passado, assistiu-se a publicidades mentirosas, especialmente as dedicadas a vender produtos do tabaco. Mas aos poucos, contando a proibição do governo federal, os cidadãos as negaram de forma democrática e explícita.

No entanto, hoje o uso de certa falsidade acabou por ficar implícito em muitas das publicidades veiculadas. Crê-se que isso se deve à típica “propaganda totalitária do governo”, a qual visa a impor ao povo a obrigação de aceitar medidas e decisões baseadas na doutrina da mentira.

Enciclopédia de baixarias


As armadilhas estão prontas e armadas para o 2º turno das eleições de 2014. Com o suporte da máquina pública aparelhada, às custas do dinheiro público, todas foram distribuídas para militantes do partido; alguns deles desempregados, mas escravos ideológicos, repetidores de mentiras e agressões espúrias.

Até ministros de Estado largaram de mão suas pastas para se tornarem bedéis do partido no poder. O país está realmente desgovernado, a rolar ladeira abaixo. É um cenário patético e alarmante, assistir a vigaristas lutando para continuarem sem produzir qualquer coisa de útil para a nação e seu povo. O que interessa mesmo é o “plano de negócios” que cada um precisa realizar, visando a seus interesses particulares.

Nos bastidores, dentro da fábrica de produção de patranhas, para a permanência no governo no poder, encontram-se as equipes de um dito “publicitário”, tentando criar uma imagem pública palatável para a “soberana”. Talvez seja o trabalho mais escuso para essa eleição. Mas ficou muito difícil de controlar, dado que o “poste” atrapalha toda vez que escancara a dentuça e afirma asnices.

Foi assim que o “marqueteiro de plantão” decidiu montar a “enciclopédia de baixarias”, engendrada pela cúpula do partido. Ficou emocionado com sua esperteza dogmática. A “soberana” deverá ater-se às palavras da enciclopédia, nada mais, pelo amor da égua!

A enciclopédia, com 13 volumes escritos à mão, tem mentiras e baixarias para todos os setores, públicos e privados. As mentiras são as armas de fogo disponíveis para defesa de seu “governo desenvolvimentista”. Defendem-no com mentiras para saúde, para educação, segurança, infraestrutura e empréstimos a Cuba, Bolívia, Venezuela, dentre outros. Mas contam com as infalíveis previsões econômicas do senhor “manteiga”, com incontáveis merrecas sociais, farta distribuição de bolsas, além do “Petrolhão” e do “Mensalão”, que nunca existiram.

Por outro lado, as baixarias são feitas sob medida para arrasar a conduta e a moral de seu oponente. O partido acredita nisso, pois possui larga experiência em criar dossiês fajutos e produzir vídeos ofensivos de efeitos especiais. São armas de ataque violento, para destruição sumária de quem ameaçar seu domínio do governo. Essa é a patranha orientada pelo “comandante do partido”, hoje em descanso noturno na penitenciária da Papuda.

Munida desta enciclopédia, uma verdadeira biblioteca ambulante, a “soberana” enfrentará seu oponente em todos os debates, desde que compareça. Pensa que conseguirá construir um bunker com 13 volumes pútridos e, escondida em seu conteúdo, soltará saraivadas de baixarias e mentiras para todos os lados.

O mais paradoxal desta história, própria do Brasil no século 21, é o fato de que, na falta de algo mais coerente com uma visão de Estado, a “enciclopédia de asneiras do marqueteiro” virou “programa de governo” do partido.

Na falta de uma baixaria, lave os olhos e veja Genipabú

Na falta de uma baixaria, lave os olhos e veja Genipabú

A comichão da mentira


Ricardo Kohn, Escritor.

Em tese, o discurso do exagero não constitui a mentira, mas apenas uma fala desmedida. Diria-se mesmo, pode ser um ato quase poético de empolgação na narrativa. Enfim, resulta do carisma da pessoa que discursa. Mas há que se ter cuidado com os exageros cometidos no discurso. E é simples contorna-los, embora o mentiroso permaneça no DNA do Pinóquio.

Diante de uma plateia de 400 alunos universitários, por exemplo, um conferencista com menor experiência ficará assustado. Mesmo que possua carisma e conhecimento sobre assunto que irá tratar, decerto sentirá uma vertigem intelectual, que pode emudece-lo por instantes.

Assim, recomenda-se nesses casos que se apresente a todos de forma objetiva e honesta, diga quem é e o que faz, mas sem exageros para dourar sua existência profissional. Após respirar bem fundo por vezes, a vertigem terá cedido espaço à eloquência do jovem conferencista. Isso é garantido!

Imagem para o conferencista que soube respirar

Imagem para o conferencista que soube respirar

Situação bem distinta acontece com o político, seja ele um velhaco traquejado ou estreante na área. Não faz diferença. Como o político sempre pensa que se dirige a milhares ou milhões de imbecis como ele próprio, sente seu corpo inteiro reverberar e arder com a “coceira da mentira”. A comichão é tanta que a vontade de exagerar e mentir torna-se incontrolável. Então, desanda a se coçar até ver brotar o próprio sangue e, logo em seguida, vencido pelo Pinóquio que mora nele, comete mentiras palanqueiras, a enganar aos que chama de “meu povo”.

A história política do Brasil República traz à luz milhares dessas ratazanas e suas tocas, sempre a cometer patranhas desbragadas, a roubar o pouco pão que ainda resta na mesa do povo, o qual juram que algum dia haverão de tirar da miséria. Porém, enquanto fazem promessas de salvação, aproveitam o tempo para se tornarem mi ou bilionários, à custa de esquemas sórdidos, como os das quadrilhas recém descobertas, cravadas na testa da Petrobras. Enfim, tomaram de assalto recursos econômicos da estatal.

A ação dessa horda é de tal ordem, tão molesta, que cria em certas pessoas a certeza de que o país tem órgãos públicos e empresas estatais aparelhadas por catervas políticas, há cerca de um decênio, pelo menos. Assaltam a nação no mínimo há dez anos. Mas, estariam elas enganadas? Acredita-se que não. A única verdade é que permanecem impunes e gastadores.

Analisando por outro ângulo, deve-se convir o seguinte: é incabível existirem lotes de milionários públicos brasileiros a passear pelo mundo instalados em jatos particulares. Salvos aqueles que herdaram e multiplicaram a fortuna de suas famílias. Contudo, estes normalmente não se envolvem com a famosa “política de ordenhar os cofres públicos”.

Destaca-se que essa política de governo, desde 2003 é uma prática vulgar no Brasil. Ocorre à revelia das expectativas da sociedade civil. “Mensalão” e “Petrolão” são duas evidências claras. Profissionais da imprensa investigativa mundial estimam que bilhões de dólares hajam sido tomados da população brasileira nesse período (2003-2014). E mais, que estejam muito bem guardados em bancos de paraísos fiscais, através da ação de doleiros contratados por “ordenhadores de cofres”.

Por sua vez, o povo mais carente, em troca do seu total apoio e silêncio, recebe a esmola da atual “Bolsa Eleição”. Em verdade, deveria receber educação pública com conteúdo prático, para que pudesse ter alguma chance de obter trabalho honesto, produtivo e com remuneração digna para levar uma vida decente.

Trata-se de questão básica da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948): uma vida decente, com direito ao trabalho, mas desde que sem as “esmolas apaziguadoras” que visam a silencia-los. Que visam a “comprar” seus votos.

A ausência da verdade tornou-se explícita em 2012, com a instalação de um ente público, a “Comissão Nacional da Verdade“. Sem entrar no mérito desta manipulação política, parece um paradoxo, uma afronta à inteligência. Criaram esta instituição que, segundo membros do próprio governo, estaria fundamentada nos Direitos Humanos. Porém, se esqueceram de esclarecer que o país é governado por mentirosos, que dizem haver lutado contra a ditadura pela democracia no país. Mas, na verdade, querem a vingança contra aqueles que não permitiram que ocorresse a desgraça nacional que pretendiam.

Afirmou Fernando Gabeira, em entrevista televisionada:

─ “O programa político que nos movia naquele momento era voltado para a ditadura do proletariado”.

Resta aos eleitores 2018, impedir, pelo voto, que isso torne a ameaçar o país. Na falta de um sistema de governo melhor, fica-se em a bosta da Democracia

 

Ano patético-eleitoral


Ricardo Kohn

Ricardo Kohn

Sequer sei por onde começar esse artigo. São tantas as inverdades que vejo na propaganda política, que me sinto incapaz de ordená-las segundo qualquer critério.

Alguém que não conheça meus hábitos poderá dizer, aborrecido:

─ “Ora essa, então não liga a merda da televisão!”.

Acontece que, desde que era criança, assistia aos telejornais da noite. Na verdade, gostava mesmo era ver o Tom & Jerry e o Super Mouse. Depois, por mera curiosidade infantil, seguia a acompanhar o noticiário.

Desta forma, hoje é terrível ligar o aparelhinho na hora dos jornais noturnos e dar de cara com um analfabeto ou um safado fazendo promessas que nunca poderá cumprir. Com um só não, com centenas deles!

Porém, mais grave ainda é o quadro dos principais presidenciáveis. De diversas formas, comportam-se de maneira nefasta, em choque com importantes princípios da Humanidade: ética e disciplina. E posso explicar por quê.

A candidata à reeleição não tem nada para mostrar ou dizer. Basta olhar os indicadores da economia e ver o que ela conseguiu realizar, ou seja, piorar a desgraça que herdou de seu criador apedeuta. Antes que seja envolvida com os descalabros na Petrobras, que começam a aparecer claramente ao povo, devia calar a boca e tirar seu time de campo.

Proponho que se mude para a Venezuela ou Cuba, com armas e bagagens, onde financiou obras com o dinheiro do povo brasileiro e permanece sem dar qualquer esclarecimento. Mas, com esta mudança, talvez fique feliz. Pois, enfim, a nação brasileira irá aplaudi-la de pé, com veemência, pela primeira vez na história.

O candidato mineiro, que representa a principal oposição ao governo atual, parece que prefere acariciar ao invés de bater nas teclas que lhes são favoráveis. Falta-lhe carisma e iniciativa para a pancadaria política. Mas sacos de pancada não lhe faltam. O que não possui é disciplina para o debate político, na altura que suas duas oponentes merecem e até precisam. Por quê apanha quase calado? Por que não quer revidar? Falta-lhe o ímpeto de um estadista seguro. Contudo, nada tão sério que não possa transformar no curto prazo.

Por fim, surge a candidata acriana que desceu dos céus e, segundo ela, acompanhada pelo Divino. Não governou sequer 1 cm2 de terra deste país, que possui área de 8.515.767 km2. Mas nega-se a declarar quem fará parte de sua equipe de governo. E sem uma excelente equipe sequer terá como entender o país, que dirá governa-lo meio ao caos que será deixado.

Orientada pelo Divino, esta senhora é autoritária e sonsa. É imponderável em seu programa de governo, pois muda-o a toda hora, sempre ao sabor de interesses desconhecidos. De concreto mesmo, diz que fará a “nova política”. Contudo, nada mais estranho do que as “relações de amizade” que, segundo ela, garantem a continuidade sua campanha. Pelo que consegui aprender, banqueiros e industriais não são a base para qualquer “nova política”.

Quanto aos demais candidatos à presidência pouco tenho a falar. No entanto, a candidata gaúcha merece algum destaque, dado que mais parece uma piada. Sua retórica faz-me lembrar a 1ª Internacional Socialista, ocorrida no século 19. A jovem parece que está sempre a implorar o auxílio de Karl Max, a seguir sua crença que se desfez no ar, qual um traque.

Conclusão

Defendo a proposta de acabar com a presença na televisão dos “ilustres candidatos” a cargos eletivos. Na minha cabeça, estão todos definitivamente proibidos de aparecer na tv, nem que paguem pelo tempo da propaganda. Que dirá de graça! Meu ouvido não é penico e o lugar de grande parte deles é na cadeia, aboletados em jaulas confortáveis.

Prefiro assistir às dolorosas notícias das guerras travadas pelo mundo, na Ucrânia, na Síria e no Iraque; dos milhares de cruéis assassinatos, estupros, raptos e assaltos que acontecem diariamente no Brasil. Isto porque, péssimo mesmo é ser obrigado a assistir a esses canalhas-de-cara-lavada a contar patranhas para o povo brasileiro.

Fazem malabarismos com suas mentiras disparatadas e, por incrível que pareça, “convencem certos intelectuais”. O que se dirá então dos sete milhões de analfabetos brasileiros, que os assistem encantados pela destreza que têm para mentir?

Muitos deles dão aulas práticas de como roubar sem tocar as mãos nos cofres públicos. São santinhos de altar. “Não vi, nunca escutei e ninguém me disse nada”.

Por isso, estamos a presenciar o ano patético-eleitoral. “Nada nessa mão, nessa também não, e assim sumiu todo o seu dinheiro”.

2015: Ano da Guerra


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior, o eremita

Zik Sênior, o eremita

Tenho acompanhado a evolução dos candidatos que desejam a Presidência da República. Mas, como tenho 106 anos e não preciso votar, sinto-me à vontade para opinar sobre o que pressinto que pode acontecer em breve.

Até o momento, tudo aponta para, finalmente, a desejada derrota do PT nessa disputa. Um sinal evidente dessa tendência está explícito na fala de petistas boçais, mais extremados. Ameaçam criar sucessivos empecilhos para que o candidato eleito não consiga governar o país, e o povo que se dane! Ameaçam, até mesmo, com o uso da violência.

Um tal de João Stédile, que se diz líder de um “Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra” (o que é um enigma para mim, pois, se não possuem terra, não são trabalhadores rurais), em entrevista concedida a Rodrigo Viana, da Revista Fórum, afirmou a seguinte pérola:

─ “A questão agrária no Brasil só virá num futuro próximo (sic) quando houver a retomada das manifestações de massa, que vão pautar um projeto de país. […] Ganhe quem ganhe (sic) continuará tudo igual. Só espero que não ganhe o Aécio, porque aí seria uma guerra (sic). […]” [1].

Em minha completa ignorância acerca desse tipo de babaca, deduzo que se trata de um gajo agressivo, mal alfabetizado, presunçoso e ainda a querer instalar o comunismo no Brasil. De forma bem pejorativa, trata-se de um estafermo avariado, um terrorista de calcinhas bordadas. Contudo, ainda que tente cumprir o que prometeu, “dará com os burros n’água“. Quer dizer, “vai nadar muito e morrer na praia”.

Que haverá uma grande guerra, não tenho dúvida. Mas será bem outra. Não importa se o novo presidente venha a ser o Aécio ou a Marina, que são as únicas opções que ainda existem. Qualquer um deles terá de higienizar a máquina pública, o que demandará um esforço descomunal de sua equipe de governo.

Sanear ministérios, secretarias, empresas estatais e agências públicas da sujeira humana instalada pelo PT e sua “base ‘de corrupção’ aliada”, não tem preço! Será guerra para durar um mandato inteiro e ainda vai deixar bastante fumaça tóxica na atmosfera do planeta.

A ser assim, o novo governo será acusado pelo IPCC de ser o maior contribuinte de gases para o aquecimento global. Deverá ser severamente punido na ONU, pela queima descontrolada de elementos orgânicos, nocivos e perigosos. Meno male, será sinal que a limpeza obteve algum sucesso!

Grato pela atenção e até a próxima…

……….

[1] Fonte: Folha Política. Na matéria intitulada “Líder do MST promete ‘guerra’ se Aécio ganhar”.

Realmente, um fenômeno


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-Pescador

Simão-Pescador

Minhas preocupações com os descaminhos do Brasil avolumaram-se neste mês agosto. Estava eu entretido na biblioteca, lendo seriamente livros que narram como se deve tratar o Ambiente, quando, sobressaltado, recebi de chofre a notícia do acidente fatal que tragou a vida do jovem Eduardo Campos.

Pensei em escrever minha análise sobre os possíveis desdobramentos desse facto, dessa fatídica obra do acaso. Se é que assim ocorreu o acidente, ao acaso. Respirei fundo e segui caminhando pela praia até o mar. Precisava desanuviar meus pensamentos. Mas no momento em que molhei os pés na imensidão oceânica, bateu-me uma pergunta:

─ “Serei capaz de explicar o ocorrido através de uma teoria ambiental”? Conclui que sim. Ora pois, segue o texto que dedico a leitores mais críticos.

……….

Dizem certos expertos em Gestão do Ambiente que diversos fenômenos se manifestam e realizam seus impactos em função da ocorrência de pelo menos uma alteração no ambiente. Esta, por sua vez, no mínimo é fruto de uma intervenção direta sobre o ambiente. Da forma inversa, esses eventos são assim ordenados por essa teoria:

  • Uma Intervenção → gera Alterações → das quais decorrem Fenômenos.

Torna-se mais fácil entender essa sequência de eventos através de um exemplo. Têm-se um parque eólico em operação. Dentre suas intervenções, estão as torres, sistemas e pás que geram energia – os aerogeradores. Além da geração de energia limpa, uma alteração que decorre do giro das pás são os ruídos. E um dos fenômenos que é fruto dessa alteração é a evasão das aves silvestres mais sensíveis ao barulho.

Um parque eólico espanhol, erguido no século passado

Um parque eólico espanhol, erguido no século passado

A análise desse cenário conclui que as aves se afastam do parque por força do ruído dos aerogeradores (ou turbinas eólicas) e disso pode resultar a ocorrência de outros fenômenos no ambiente, além da evasão de aves. Exemplos: a variação de habitats preferenciais, a variação da competição entre espécies de aves, a atração de aves mais resistentes a ruídos, a atração de aves predadoras, a variação na cadeia trófica, etc.

Todas essas transformações que ocorrem no ambiente produzem impactos que se manifestam em cadeia, numa espécie de “rede de impactos” negativos e positivos. Resta ao bom analista averiguar, através de cálculos específicos, se é necessário tomar medidas para minorar os impactos negativos. Por exemplo, “eleger um gestor ambiental preparado para a direção colegiada do parque eólico“.

O facto é que esta teoria pode ser aplicada em diversos setores, em vários ambientes, inclusive no “ambiente político”. Em suma, ela possui capacidade para construir explicações sobre como se dá um processo de mudança, em vários assuntos do interesse das pessoas.

Embora no ambiente político os impactos sejam difusos e possam ser intangíveis, é possível identificar as relações de causa e efeito entre seus eventos geradores – intervenções, alterações e fenômenos, todos de natureza política.

Segue minha análise, ainda que superficial, da mudança do ambiente político brasileiro ocasionada pela queda do jato que, ceifou a vida de Eduardo Campos, de forma trágica.

A impactar a política brasileira

A primeira tarefa dessa análise é classificar o evento “queda do jato”: é uma intervenção, uma alteração ou fenômeno?

Parece-me que não constitui uma intervenção, pois nada acrescentou de concreto ao ambiente. Aliás retirou muito da ética e da moral do ambiente político. De outra feita, em meu entender, resulta de precárias e vergonhosas intervenções políticas efetuadas pelo governo central, durante os últimos 12 anos, com destaque para os quatro mais recentes (2010-2014).

Portanto, trata-se de uma alteração. Um manejo dramático do ambiente político do país, que acarretou fenômenos surpreendentes. Tal como se fora a descarga contínua de lodos políticos in natura na cabeça da sociedade civil brasileira, a degradar seu intelecto.

Em analogia aos exemplos relativos às aves, da queda do jato decorreram a atração de políticos predadores e intensas variações de sua cadeia trófica. A fome pelo poder é de tal ordem que o predador que emergiu da sombra não tem limites em seus discursos e sequer coerência com seu recente passado. Vislumbro uma pessoa agressiva, arrogante, inepta e inconsequente em suas “promessas palanqueiras”. E o mais grave, no palanque transfigura-se em vítima, e mesmo com ar de seriedade, a atora quase implora para que todos acreditem ser a única capaz de dirigir o país. É um ato enganoso, hediondo.

É este o quadro patético de sua representação teatral, pois, caso eleita, receberá o país em lastimável estado de recessão; como “nunca antes na história…”, já dizia o irresponsável. Não saberá o que fazer e continuará a discursar engôdos, sem qualquer resultado efetivo para a população e o Estado brasileiro.

Parece-me que o povo brasileiro ainda não se apercebeu que seus partidos políticos foram extintos no século XXI. Faz tempo que perderam sua utilidade imprescindível. Esse povo precisa votar em pessoas preparadas e não em partidos. Mas, acima de tudo, que sejam brasileiros com notória experiência em governança pública e realmente possam tirar o país da vala suja em que se viu atolado nos últimos 4 anos.

Todavia, quando tomei conhecimento das últimas pesquisas de votos fiquei assombrado, a ver fantasmas. Votar em qualquer uma das candidatas que lideram a pesquisa, a meu ver será loucura. Uma delas quer reeleger-se para fazer mais do que sempre fez: tudo errado. A outra nunca realizou algo de produtivo para o país, nem governou qualquer coisa. Votar em uma delas é equivalente a jogar roleta russa e apertar o gatilho do revólver até estourar os próprios miolos.

─ “Do you know how to play russian roulette?

─ “No, I don’t…

Pois este é o maior problema: votar com total ignorância da realidade, por impulso, por um átimo de emoção que desaparecerá no verão de 2015. Depois restará apenas o próprio sentimento de culpa, de ter auxiliado a eleger um enigma da irresponsabilidade pública. Realmente, é o fenômeno da burrice que se manifesta com intenso ardor…