Gestão informatizada do Ambiente


Nos primórdios, há cerca de 3,2 bilhões de anos, decerto após sucessivas mutações ainda hoje indecifráveis, começou a surgir na Terra sua fauna nativa diversificada. Nasceu imersa em um espaço desconhecido: o ambiente planetário.

Depois disso, somente na década de 1860, um espécime moderno dessa fauna – o alemão Ernst Haeckel –, resolveu entender, de fato, como esse espaço funcionava. Criou uma forma de analisa-lo e chamou-a Ecologia (do grego, “oikos + logos” ou “estudo do lugar onde se vive”).

Desde então, a ecologia não parou de evoluir. Dezenas de milhares de pesquisas científicas foram realizadas mundo afora e o homo sapiens começou a perceber que é essencial garantir a estabilidade do ambiente em que vive.

Professor Eugene Odum

Professor Eugene Odum

Com vistas a garanti-la, ao longo do século 20, nações desenvolvidas redigiram sua legislação ambiental. Porém, sempre com base no estado-da-arte da ciência. Afinal, ecologia é a lógica dos ecossistemas que conformam o ambiente planetário. Assim, leis ambientais de qualidade precisam ser seus reflexos no espelho, nunca o inverso.

Agora, ao início do século 21, que prioriza a produção e o domínio da informação, há uma questão pendente no imaginário da sociedade: ─ Algum dia o homo sapiens será capaz de informatizar o ambiente?

Sabe-se ser possível modelar a dinâmica do ambiente e até informatizar esse processo. No entanto, ainda não há como desenvolver um sistema computacional que contenha o teor desta dinâmica, pois ela é fruto da necessidade e do acaso e o homo sapiens não é “seu divino criador”.

De toda forma, reuniu-se um pequeno grupo de trabalho, com especialistas em Gestão do Ambiente e Ciência da Computação, para pensar a “questão pendente”. Logo ela foi invertida, posta de cabeça para baixo, e tornou-se uma tarefa factível: desenvolver um sistema de computador para agilizar a elaboração de estudos, projetos, pesquisas e serviços ambientais. Ganhou o apelido de sistema IDEA.

Sua arquitetura está a ser concebida para integrar diversos aplicativos, que permitam realizar os seguintes processos ambientais:

  • Identificação da transformação ambiental de um território, como função de um ou mais empreendimentos e suas intervenções da engenharia;
  • Caracterização ambiental de projeto de engenharia, obra ou empresa (atividade transformadora ou empreendimento) vis-à-vis o território em que será implantado ou que já se encontra em operação;
  • Programação, realização e gestão de atividades de campo no território em análise;
  • Elaboração de matrizes de impactos ambientais, de matrizes de itens de passivo ambiental ou das matrizes de riscos ambientais e de segurança;
  • Elaboração de diagnósticos temáticos e do diagnóstico ambiental consolidado do território em estudo;
  • Formulação dos prognósticos ambientais para o mesmo território;
  • Modelagem de seus cenários ambientais futuros;
  • Avaliação de impactos ambientais, ocorrentes e previstos nesse território. Trata-se de modelo especializado onde os impactos são numericamente estimados e pertencem ao conjunto de Números Reais (Rn);
  • Elaboração de planos ambientais para otimizar os efeitos de impactos significativos ou corrigir os itens de passivo ambiental identificados;
  • Elaboração de programas ambientais para controle, manejo e monitoração dos segmentos ambientais em um território;
  • Elaboração de projetos ambientais e ações imediatas para controle, manejo e monitoração dos fatores ambientais em um território.

Dessa forma, será capaz de informatizar processos ambientais demandados pela legislação ambiental vigente, tais como: Estudos de Impacto Ambiental (EIA); Realização/gestão de Audiências Públicas; Levantamento/gestão de Passivos Ambientais (LGPA); Elaboração, implantação/gestão de Plano Corporativo Ambiental (PCA); Auditoria de PCA (APCA); Plano de Ações Imediatas (PAI) para correção das não-conformidades identificadas pela auditoria; Elaboração, implantação/gestão de Plano Executivo para Gestão Ambiental de obras (PEXA).

Porém, acima de tudo, o IDEA será capaz de monitorar os perigos e riscos de empresas em operação, visando a impedir a ocorrência de desastres humanos sobre o ambiente, tais como o da Samarco, em Bento Rodrigues, Mariana, ou o desastre anunciado da Petrobras, em Vila Socó, Cubatão, ocorrido em 1984.

Mar de lama em 21nov2015

Dentro em breve, o grupo de trabalho lançará uma campanha de crowdfunding para captar os recursos necessários à realização do Projeto IDEA. Conta-se desde já com sua contribuição.

Boas festas a todos. Que 2016 seja o ano da Cultura Técnica!

Adaptar-se ao mercado


Por Equipe de Sobre o Ambiente.

Em conversa com velhos amigos, a tratar da conjuntura e tendências do mercado de trabalho, observou-se certa “docilidade perante o cenário drástico” que se descortina. Uns perderam o trabalho, outros demitiram seus funcionários. Há os que pensam seriamente em fechar suas empresas.

No entanto, ainda há alguns que resmungam com certa indolência: ─ “Não posso fazer nada, sempre foi assim neste país”. E não adiante pedir-lhes que ponderem, que meçam as proporções do desastre social, político e econômico atual. Que, enfim, o compare a períodos menos obscuros da nação, ocorridos desde a 60 anos atrás.

Todavia, para garantir o vital otimismo, também se têm verificado relevantes mudanças na atitude de certos executivos da iniciativa privada, face às duas ameaças efetivadas sobre os brasileiros: a incompetência e a corrupção do governo.

Em síntese, gerem seus negócios de forma a se livrarem ao máximo dos terrores do sistema público instalado. Visam a obter a independência de suas empresas e equipes, de maneira a tocarem seus negócios, com metas factíveis e detalhadas, que não dependam do governo. Sem dúvida, isso é possível.

A resiliência empresarial

O conceito de resiliência provém da Física Newtoniana: constitui a capacidade de um corpo físico em recuperar sua forma original após haver sofrido choque e deformação. Outras áreas do conhecimento usaram esse conceito, entretanto, adequando-o aos atributos que lhes são pertinentes. Por exemplo.

Na Ecologia, constitui a capacidade intrínseca do ecossistema em suceder-se, após sofrer rupturas ambientais. Em função da dinâmica evolutiva do ecossistema, ele não retornará à sua forma original, porém, cumprirá com suas funções essenciais para relacionar-se de forma estável com os demais sistemas ecológicos que dele necessitam para evoluir.

De certa forma, a resiliência empresarial adota como fundamento o conceito da Ecologia. Para a Administração, a resiliência precisa constituir a capacidade de adaptação das empresas perante as oscilações do mercado, tanto comprador quanto concorrente.

Por não possuírem dinâmica espontânea para a evolução, tal como os sistemas ecológicos, as empresas demandam de seus executivos e equipes competências específicas: transparência nos negócios, capacidade para gestão da mudança, integração de equipes co-responsáveis, ampla abertura para novos negócios, bem como relacionamento dinâmico e frutífero com fornecedores, compradores e empresas concorrentes.

Há luz no fim do tunel: chama-se resiliência empresarial

Há luz no fim do túnel: chama-se resiliência empresarial

Assim se dá a evolução empresarial, através da resiliência inteligente, criada e mantida por seus executivos e equipes essenciais. É por meio da capacidade permanente de adaptação ao mercado que todas as empresas podem evoluir em nichos inter-relacionados, independentes das agruras do sistema público.

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‘Maravilha’


Por João de Moura Macedo, de Nazareth da Mata, PE.

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Este breve relato é sobre uma nação muito pouco conhecida, mas que, em minha visão, é o “País da Maravilha“. Faço um resumo de tudo o que li acerca dessa inacreditável nação. Devo dizer que procurei selecionar seus aspectos de maior interesse.

Assim, tento mostrar a imensidão de seu território e a qualidade de seu ambiente; o terreno exclusivo que possui para acolher vegetação e fauna silvestre; e, bem assim, as linhas básicas de convivência de seus cidadãos, os dignos maravilhenses.

Nesse relato optei por seguir a sequência aceita como a história da formação do Ambiente da Terra, assim sintetizada:

  • Primeiro, aconteceram choques entre gigantescos blocos de rocha no espaço sideral, o que veio a dar origem a seu furioso Espaço físico: extremos tremores das rochas que se acomodavam, com fortes emissões de gases e lava, até tornar-se um colosso geológico;
  • Em seguida, após 2,5 bilhões de anos, encerrou-se o resfriamento da crosta colossal, bem como a formação de sua atmosfera. Assim emergiu a vida, o Espaço biótico, que teve origem em pequenas algas marinhas: as cianofíceas;
  • Por fim, estimados a partir da sua origem física, 5,5 bilhões de anos depois, emergiu a bravata do Espaço antropogênico, onde os humanos são os desastrados construtores.

Contudo, embora esta sequência também haja ocorrido na Maravilha, nela não aconteceram as deformações provocadas pelo homem. Seu ambiente ainda é o primitivo e, em grande parte, intocado.

Por isso, acredito que esse documento possa servir de parâmetro para avaliar a humanidade e a educação em mais de 160 países. Devo dizer, países ainda “repetentes no curso primário” promovido pelas Nações Unidas, desde 1945. Tenham a santa paciência, vão catar coquinhos, 70 anos de repetência é motivo para jubilação!

Espaço físico

A sorte geográfica desta nação foi absurda e, de certo modo, ingrata com a maioria dos países do globo. Imagine: seu território se estende por uma área de 8,5 milhões de km2! De norte a sul, o litoral maravilhense possui 9.200 km de extensão, com belezas cênicas inigualáveis.

Nele existem pequenas montanhas, falésias, planícies costeiras, milhares de enseadas, um estuário de mar aberto, dezenas de arquipélagos, centenas de manguezais e até regiões com o litoral rendilhado pelo artesanato da natureza.

O clima da Maravilha apresenta magníficas variações, do equatorial ao frio, com classes intermediárias bem definidas: tropical, subtropical, semiárido e temperado. Isso mesmo, condições de tempo que vão do clima tórrido até geadas e neve.

Na Maravilha não existem vulcões ativos. Todos são morrotes extintos há milênios. Em seu território e na sua costa marítima nunca ocorreram ventos fortes como tufões, ciclones ou furacões. Por outro lado, a Maravilha detém as maiores reservas mundiais de nióbio, vanádio e outros metais estratégicos, afora manchas das chamadas terras raras.

Afirmam pesquisadores do espaço físico que a Maravilha detém 12% da água doce do planeta. Pois, a caminhar terra adentro, é surpreendente o grandioso volume de água com que se depara. São rios, lagos, cachoeiras, riachos, corredeiras e lagunas marginais, todos a transbordar água mineral nativa, pura e potável. É incrível!

Por sua vez, seus solos são profundos em pelo menos ¾ de seu território. Além disso, possuem variados nutrientes, que não cabem ser enumerados aqui. Mas sua composição em nitrogênio, potássio e cálcio é de tal ordem estabilizada, que os torna aptos para a produção espontânea de vegetais e frutos comestíveis.

Essa é a síntese do que a Maravilha oferece como substrato físico à evolução de todas as espécies vivas nela ocorrentes.

Espaço biótico

Grandes manchas vegetacionais ocupam 85% do território maravilhense. Dado seu relevo “de suave a ondulado”, suas notórias vocações climáticas, mais o volume de água que se espraia por seu terreno e a notável qualidade de solos, as coberturas da flora possuem elevada biodiversidade, a apresentar biomas com grande extensão e complexas relações entre suas espécies – fitossociológicas.

Já a fauna ocorrente na Maravilha é soberba, tanto em sua abundância, quanto na extrema diversidade. Seus espécimes tentam encontrar na variedade de florestas, matas, savanas e campos existentes seus habitats ideais, feitos pelo acaso e sob medida.

No entanto, embora as regiões que são cobertas pela vegetação sejam de grande extensão, não é fácil para os incontáveis espécimes da fauna silvestre (mastofauna, avifauna, ictiofauna, primatas, herpetofauna, entomofauna, aracnofauna, malacofauna e anurofauna, dentre outras classes) permanecerem no mesmo “espaço domiciliar”, pois ocorrem os conflitos normais, por vezes, letais.

Mas, ao fim e ao cabo, é a seleção espontânea imposta pelo ambiente que desafia quais espécimes possuem habilidades para se adaptar, sobreviver e procriar.

Vale dizer, o povo maravilhense tem plena consciência da importância desse patrimônio ecológico e o mantém praticamente intacto, há séculos, sem necessidade de leis, polícias e ameaças. Procedem assim por que é um costume incorporado em cada cidadão, após 500 anos de democracia liberal.

Espaço antropogênico

A propósito, depois de criada a democracia ateniense, por volta de 2.700 anos atrás, com base nas propostas de dois pensadores gregos, Sólon e Clístenes, a Maravilha foi a primeira nação do mundo a constituir-se Estado Liberal Democrático, em 1515.

Desde então, nunca foi colônia de outro país, nem pensou em colonizar terras além mar. Sua única constituição federal está impressa em apenas uma folha de papel e até hoje não sofreu qualquer emenda. Por isso, os cidadãos maravilhenses recitam-na de cor, como o poema que mais lhes aprazem.

Na Maravilha não existem leis ou decretos públicos. Ela é regida conforme os costumes de seu povo que, desde sua origem, elegeu uma assembleia nacional para coordena-lo, sem a participação do que chamam grupelhos políticos. Essa instituição não possui um “mandato” e seus membros não recebem qualquer remuneração, apenas uma justa e pequena ajuda de custo.

Contudo, precisam ser substituídos por força da democracia liberal. Por exemplo, há saídas para resguardar intacta a missão assumida por alguém, que não a concluiu dentro do prazo. Há saídas espontâneas, pois qualquer membro sente-se eticamente motivado a substituir a si próprio, quando encontra um cidadão mais útil do que ele, que atenda melhor à sociedade maravilhense. E, por óbvio, acontecem as substituições por falecimento.

Desde seu nascimento como Estado, a constituição maravilhense (1515), redigida em praça pública, estabelece por consenso que serviços de educação e saúde são os pilares básicos de sua governança e evolução. E assim o é, até hoje.

Dessa maneira, não existe um único analfabeto perdido em seu território nacional. Todos os maravilhenses completaram, no mínimo, o ensino médio. E o que é mais notável: 95% deles possui pelo menos um título superior em Gestão do Ambiente, Medicina, Engenharia e Matemática Aplicada. Somente a graduação nessas áreas requer 8 anos de cursos intensivos, teóricos e práticos. A partir daí, formaram-se mestres e doutores, aos pelotões.

Para se ter uma medida, nas cidades maravilhenses existem mais bibliotecas do que lojas de loteria no Brasil inteiro! São instituições públicas, que recebem toneladas de livros de todas as nações cultas do mundo. Afinal, em média, o maravilhense sabe ler, escrever e falar com fluência pelo menos cinco idiomas, além da língua materna.

O hábito de ler, interpretar e aprender é uma tradição de cinco séculos naquela nação. Nas ruas e campos vê-se, diariamente, uma grande quantidade de pessoas a aprender com um livro às mãos. Por força de vários fatores, inclusive a bendita sorte, tornou-se uma epidemia nacional, sem condições de retorno à origem do homo sapiens, insipiente e destruidor agressivo.

Afinal, o que é a Maravilha?

É fruto da exuberante educação construída e distribuída a seus cidadãos, durante séculos. Os maravilhenses souberam organizar suas cidades em pequenas áreas, de forma a não destruírem seu santuário ambiental, tanto o físico, quanto o biótico. Saliento que sua divisão “geopolítica” possui somente dois níveis: o Estado maravilhense e suas cidades. Não existem os estados e os municípios.

Portanto, nunca houve governadores e prefeitos, deputados e vereadores. Eles eliminaram os gastos com o que chamam de “maldita máquina pública”. Para eles são apenas máquinas de produzir burocracia e confusão, enfim, “instrumentos da corrupção”.

As casas, equipamentos urbanos e serviços de uso público foram erigidos entre a vegetação nativa, de modo a mantê-la de pé. Por sinal, em cada cidade está instalado um viveiro de mudas de espécies nativas. São milhares de viveiros implantados na Maravilha. Assim foi criada uma de suas principais fontes de riqueza, pois exporta toneladas de mudas para países civilizados que desejam reflorestar seus territórios.

Os cidadãos maravilhenses são vegetarianos há séculos. Não há gado de corte no país. Em troca, cada cidade possui grandes hortas comunitárias, plantadas em harmonia com a mata. Se for feito um sobrevoo sobre a Maravilha, somente ressaltarão aos olhos do observador somente seus polos industriais, aeroportos e portos. Criará uma sensação curiosa: para que servem industrias e aeroportos se não existem pessoas?

A produção de energia elétrica do país adotou uma solução óbvia. Cada casa, unidade produtiva, unidade de serviço público produz a energia que consome. Há mais de século, cientistas maravilhenses desenvolveram fontes eólicas, solares e de biomassa, visando a consumidores de pequena e média envergadura. Portanto, não existem linhas de transmissão a atravessar o território da Maravilha.

Inversamente, a segurança pública possui uma solução antiquada, creio eu. Como a principal fonte de receita do país é o turista estrangeiro, que possui “costumes estrangeiros”, é o exército quem faz a segurança, pois lá não existem polícias. E ele mantém a tradição medieval da pena de morte para tudo o que a assembleia nacional considerar “crime contra a pátria“.

Não vou entrar no mérito dessa questão, mas há um benefício econômico para a nação: não existem penitenciárias, prisões, celas ou qualquer gênero de “armazém de criminosos”. Além disso, para desmotivar eventuais “intrusos”, todas as famílias do país possuem armas de fogo em casa. Entretanto, a taxa de criminalidade no país é zero e o tempo de vida útil do maravilhense é de 95 anos.

Concluo que essa foi a forma democrática e liberal que o povo do País das Maravilhas escolheu para viver, desde 1515. Suas comunidades são saudáveis, cultas, humildes e muito sociáveis. São capazes de criar soluções, simples ou complexas, que aumentem a produtividade de sua economia, bem como a qualidade de suas vidas. Dessa forma, deixo questões que não consigo responder:

─ “Por qual motivo os países associados às Nações Unidas não adotam essa forma digna de viver”? “Por que preferem se destruir e se corromper com extrema naturalidade“?

Matriz de energias alienígenas


Por Cláudia Reis, Gestora Ambiental.

Estou encafifada desde ontem, após assistir a um debate entre três notórios especialistas em água e energia. Todos super-conceituados, inclusive com título de doutores.

Muito foi falado sobre o uso de diversas tecnologias para a transformação de esgoto em água potável, investimento em obras de novas usinas, educação da população, necessidade de aumentar o preço, tanto da energia, quanto da água, e ainda colocaram a culpa da crise atual (catástrofe?) no licenciamento ambiental e em ambientalistas xiitas.

O que muito me impressionou em todo o debate, foi não ter havido qualquer menção à necessidade da diversificação da nossa matriz energética (sem água, de nada adianta ter hidroelétricas), e muito menos da necessidade do “desmatamento zero“, sobretudo, em áreas de nascentes. Por óbvio, é daí que vem a falta d’água! Essa é sua principal causa.

Reflorestamento, sequer foi cogitado. Pelo contrário, fiquei com a impressão que a ideia é aumentar as “ilhas de calor” em que se transformaram nossas cidades, recheadas de concreto, com cobertura de asfalto. Falta a visão macro do problema, e que aliás não é só de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Assim, não verifiquei entre os interlocutores a imprescindível visão estratégica para agir de forma sistêmica sobre as causas da falta de água e energia.  O que é proposto, são medidas pontuais, que sequer resolvem problemas de curto prazo, como execução de obras, de mais usinas hidroelétricas, termoelétricas e, quem sabe, nucleares.

Linhas de transmissão, para atender aos parques eólicos já implantados, e o uso de energia solar domiciliar, em um país onde Sol é o que não falta, parece ser ainda visto, em pleno século 21, como algo extraterrestre, alienígena.

Energias alienígenas

Energias alienígenas

Gestão da Sustentabilidade de Fazendas – 1ª parte


Por Ricardo Kohn, Cláudia Reis e Marcus Sampaio.

Economia somente se desenvolve quando em simbiose com o Ambiente. Constitui um processo de tal dependência que, caso o degrade, extinguirá a si própria.”

1. Introdução

Sabe-se que é um assunto pouco discutido: a sustentabilidade de fazendas produtivas. Sobretudo, é polêmico segundo a ótica das perturbações que uma propriedade rural pode promover no ambiente em que se encontra e também nas propriedades vizinhas.

É ideal que a gestão de uma área rural seja feita de maneira a que as práticas e meios de produção utilizados não promovam rupturas ambientais nos ecossistemas existentes em seu terreno, sejam primitivos ou alterados.

No mais das vezes, a prioridade do pequeno fazendeiro é produzir para alimentar a família e, para isso, investe em ferramentas de trabalho mais eficientes. O mais dedicado também tem um certo orgulho em possuir um pequeno imóvel urbano e um veículo de tração 4 x 4, que o permita trafegar no campo e na cidade. Isso é justo e normal. Mas, acima disso, está sempre interessado em saber um pouco mais sobre como manter a qualidade do ambiente de sua fazenda.

No entanto, há proprietários rurais que são bem curiosos. Têm como única preocupação com o ambiente de suas terras a simples contemplação, são ‘voyeurs ambientais‘. Nos fins de tarde, gostam de se sentar na varanda da casa, situada na cumeeira de um morro, e deslumbrar o visitante urbano a seu lado com a imensidão de seu terreno.

Não há dúvida de que se trata de uma vista maravilhosa. É óbvio que qualquer fazendeiro, produtivo ou não, dá sua vida para sentir isso. Resta saber se o terreno que se está a admirar possui condições espontâneas de manter seus cursos d’água, sua vegetação nativa e a fauna silvestre associada. Além de produzir economicamente, é claro.

Teve-se a oportunidade de conhecer espaços ambientais belíssimos nessas mesmas condições: da varanda numa cumeeira de morro. No entanto, acompanhando a um fazendeiro consciente, sabedor que suas terras perdem a capacidade de produção se não forem muito bem geridas ambientalmente. Esse fazendeiro é Lino Matheus, a quem se dedica este artigo [1].

Uma vista panorâmica da Serra da Mantiqueira

Uma vista panorâmica da Serra da Mantiqueira

2. Artigos correlatos de interesse

Já se publicou artigos que tratam de temas essenciais para a devida compreensão de como se faz a Gestão da Sustentabilidade de Fazendas. Sua leitura não é obrigatória, mas uma sugestão que facilitará bastante ao leitor interessado em se dedicar a essa prática.

Nestes artigos encontram-se conceitos e processos detalhados que fornecem as bases para a Gestão da Sustentabilidade de Fazendas e o plano ambiental que lhe dá suporte. Basta clicar nos links grafados em vermelho:

3. Elementos para o Plano Ambiental

A primeira tarefa para subsidiar a elaboração de um bom plano é realizar o diagnóstico ambiental da fazenda, que será o foco da gestão. Mas que fique claro, desde já: sem um plano não se pode fazer gestão; e sem gestão de boa qualidade, não há produção que mantenha a sustentabilidade do ambiente da fazenda.

Todavia, não se dispõe de uma fazenda concreta para diagnosticar. Sendo assim, seja uma fazenda hipotética, com terreno de 10 hectares (seu ambiente), assim ocupado: 6 ha de mata primitiva; 2 ha de mata alterada, conjugada com campo sujo; 1,5 ha de solo exposto; 0,3 ha de pasto; e 0,2 ha de área construída – casa da fazenda, galpão de suprimentos, pequeno estábulo, via interna de acesso à casa e área para manobrar veículos.

O diagnóstico ambiental precisa prever quais são as ameaças e oportunidades potenciais [2] que o ambiente externo pode impor à fazenda. No caso específico, há uma variável de extrema criticidade que precisa ter monitoração permanente: o clima da região em que se encontra a fazenda. A dinâmica do clima é aleatória, portanto, capaz de definir o sucesso ou a falência do fazendeiro.

Todavia, também precisa identificar quais as potencialidades e vulnerabilidades ambientais da fazenda [3]. Para isso, analisa sua disponibilidade de água, seu relevo, a qualidade dos solos, sua cobertura vegetal, a fauna que lhe é associada e, sobretudo, as expectativas de produção do fazendeiro e seus familiares. Todos esses fatores ambientais, sem exceção, comportam-se em função das variações do clima regional.

Em síntese, o plano para gestão da sustentabilidade precisa ser capaz de impedir que uma ameaça ambiental externa se relacione com vulnerabilidades do ambiente da fazenda. Além disso, precisa ser capaz de propiciar que as potencialidades do ambiente da fazenda sejam utilizadas na consecução das oportunidades ambientais externas.

Essas oportunidades são oferecidas pelo ambiente externo à fazenda, mas poucos são os fazendeiros que as identificam, a tempo e a hora. São rápidas ‘janelas de oportunidade’, que requerem decisões objetivas, mas nunca precipitadas.

3.1. Informações básicas da fazenda

São informações de ordem ambiental que todo fazendeiro precisa conhecer muito bem. No caso hipotético considerado, destacam-se os seguintes fatos e variáveis:

  • Relevo: De plano a suavemente ondulado, em 40% do terreno. Em sua extremidade, a nordeste, há uma cadeia de montanhas, com altitude máxima de 1.800 metros. O relevo é um fato, um dado do problema, pelo menos no tempo gerencial previsto por um plano ambiental.
Vista da cadeia de montanhas

Vista da cadeia de montanhas

  • Disponibilidade de água: Há dois cursos d’água (e seus afluentes) que atravessam a fazenda. Suas nascentes encontram-se na cadeia de montanhas. Logo abaixo do sopé das montanhas, forma-se um pequeno lago com boa vazão. A disponibilidade de água é variável e, se bem monitorada e controlada, constitui uma potencialidade ambiental.
  • Qualidade dos solos: Em 65% da parte plana a suavemente ondulada do terreno, os solos possuem qualidade para culturas agrícolas diversificadas. A qualidade dos solos é variável e, no momento, constitui uma potencialidade ambiental.
  • Cobertura vegetal: A mata primitiva está concentrada na cadeia de montanhas e seus arredores, tendo continuidade nas terras vizinhas. Faz parte do bioma Mata Atlântica. Trata-se da principal potencialidade ambiental da fazenda. Mesmo constituindo uma variável, mantê-la intocada é decisão tomada pelo fazendeiro e seu vizinho imediato.

A área de mata alterada e campo sujo ocupa 2 hectares, 20% do ambiente da fazenda. É uma variável que constitui grave vulnerabilidade ambiental da fazenda. Necessita sofrer intervenções ambientais bem planejadas, de forma a integrar-se ao vetor da sustentabilidade do terreno da fazenda.

  • Fauna associada: A fauna silvestre é abundante e diversificada, sobretudo na área de mata primitiva. Possui espécies raras e endêmicas da ornitofauna. No entanto, na área de mata alterada e campo sujo, ocorrem espécies de hábitos peridomiciliares, que são nocivas, podendo causar acidentes com peçonha e transmitir zoonoses: cobras, aranhas, várias espécies de mosquitos, ratos, carrapatos, etc.

Destaca-se ainda a invasão de espécie exótica à região (javalis e javalis mestiços). Os fazendeiros da região encontram-se prejudicados em suas culturas, ameaçados com a presença dos javalis. Portanto, devem tomar medidas integradas, visando a impedir sua proliferação e “retirá-los” de seus terrenos.

Este é um exemplo do sumário de informações requeridas para elaborar um plano de gestão da sustentabilidade. Mostra o que está adequado e o que necessita ser refeito, ambientalmente reabilitado.

4. Introdução ao Plano de Gestão

Para elaborar um plano que seja capaz de realizar, manter e beneficiar a sustentabilidade do ambiente de uma fazenda é necessário efetuar as seguintes atividades:

  • Identificar as vocações físicas e bióticas do ambiente da fazenda;
  • Identificar as vocações sociais e econômicas da região de inserção da fazenda;
  • Efetuar o levantamento da infraestrutura de acesso à região e à fazenda;
  • Efetuar o levantamento das atividades econômicas ocorrentes e potenciais na região;
  • Estabelecer metas de sustentabilidade para a fazenda;
  • Formular projetos para a sustentabilidade do ambiente da fazenda;
  • Monitorar, avaliar o desempenho e, se necessário, reprogramar os projetos implantados.

Na segunda parte deste artigo, essas atividades serão apresentadas em mais detalhes. De toda forma, convida-se aos leitores interessados a pensar acerca do que a descrição de cada uma dessas sete tarefas deverá conter.

……….

[1] Os registros fotográficos publicados neste texto foram tomados na Fazenda Boa Vista, de propriedade de Lino e Nívea, situada em Bocaina da Minas, MG.

[2] Tecnicamente, são denominadas “Variáveis Ambientais Críticas Externas”.

[3] Tecnicamente, são denominadas “Variáveis Ambientais Críticas Internas”.

Revolução do Ambiente


Por Ricardo Kohn, consultor em Gestão.

Introdução

Ao se analisar o atual cenário do Ambiente [1] do Planeta, verifica-se a ocorrência de uma série de fenômenos adversos (com impacto negativo), que se manifestam em grandes regiões da Terra (alta distributividade) e, possuem elevada potência de transformação (intensidade) das áreas em que ocorrem (degradação).

Se nada for feito para cessar as causas de boa parte desses fenômenos (eventos ambientais de ordem política e econômica), suas manifestações permanecerão a atuar até que os fatores ambientais por eles impactados [2] sejam extintos (duração máxima). Isso não é uma profecia, mas fruto de raciocínio lógico e factual. Senão, vejamos.

Classificação de eventos ambientais

Sempre que se deseja analisar esse cenário ambiental de forma mais consistente, organiza-se os eventos ambientais adversos em três classes distintas:

  • A classe dos eventos físicos, próprios de geodiversidade terrestre, é a que detém os eventos mais intensos e localmente violentos: terremotos, maremotos, erupções vulcânicas, tsunamis, incêndios florestais espontâneos [3] e grandes vendavais – tornados, tufões e ciclones. Estudiosos envolvidos em sua explicação ainda não encontraram qualquer ação humana que seja capaz de gerar a manifestação desses eventos.
  • A classe dos eventos bióticos é extremamente sensível e possui dois tipos básicos de causa. Ou decorre dos eventos físicos do planeta, até então incontroláveis, ou é promovida pelo próprio ser humano. De toda forma, impactos adversos sobre a biota trazem inumeráveis efeitos negativos. O que varia entre os dois gêneros de causação – físico e antropogênico – é a área de manifestação (distributividade) e o tempo de manifestação dos eventos causadores (duração).
  • Por fim, tem-se a classe dos eventos antropogênicos. É nitidamente a mais adversa e paradoxal. Não apenas graças à intensidade e distributividade planetária de seus impactos negativos, mas pela quantidade de naturezas que possuem seus eventos e a alta frequência diária com que ocorrem. É um paradoxo pelo fato que o Homem, seu único ator ativo, ameaça e destrói a si próprio, enquanto pensa que evolui. De fato, apenas tornou-se uma ‘subespécie da sub-fauna’.

Mundialmente, durante as oito últimas décadas, personificado pelos ‘governantes’ que elegeu, o ser humano tem dado mostras inequívocas de sua extrema ignorância e agressividade.

Democratizou-se o debate

Em março de 2004, ocorreu em Roma um fórum internacional que reuniu especialistas em Políticas para Gestão Ambiental, provindos de cerca de 110 nações. A ONU cedeu suas instalações, situadas na Via Termas di Caracalla. O fórum foi promovido pelo ‘Ministério do Território e do Ambiente da Itália’.

Recebi um convite do Chile para participar, com passagem de avião e despesas de hotel já pagas. Ao chegar em Roma, no prédio onde se iniciava o evento, fui avisado que deveria ir até a secretaria para receber textos impressos, alguns euros para despesas de alimentação e pegar crachá de identificação. Nele estava impresso meu nome e o país a que representava: Chile.

Solicitei a troca, mas esclareci que também não era representante formal do Brasil no evento, apenas um consultor brasileiro. Assim, naquela segunda-feira, prossegui rumo à abertura do encontro.

Não estava previsto na agenda dos debates, porém, por proposta do Ministro do Ambiente da Inglaterra, que abriu o fórum com fala direta e objetiva, o tema principal dos debates tornou-se “Principais impactos adversos promovidos pelo Homem e suas instituições – Discussão de casos e Paradigmas de solução”.

Dois dias depois, pensei que as seculares propostas da Democracia Ateniense talvez ainda estivessem a pairar sobre as ruínas do Fórum Romano e, com base nelas, os presentes fizeram a escolha. O fato é que o clima dos dois salões em que aconteceram os debates tornou-se amistoso e cooperativo. Decididamente, informal. Todos falaram com todos ou, pelo menos, tentaram.

Um pouco da participação

Na noite do segundo dia houve um coquetel de confraternização. Pessoas cordiais, vinhos de primeira linha, ótimos acepipes, quando alguém na multidão gritou meu nome:

─ “Quem é Ricardo Kohn, representante do Brasil?!

Virei-me e vi um jovem próximo dos 45 anos, com o braço esquerdo erguido e nele um copo de uísque com gelo; de fato, não se tratava de um escocês, conclui. Acenei de volta e tivemos um encontro brasileiro. Seu crachá trazia o nome Badaró, BP Gas, Bahia, mas ele tinha sotaque mineiro.

Expliquei-lhe que não representava o Brasil, mas fora convidado pelo Chile, graças aos contatos de um grande amigo chileno – Jaime Irigoyen. De toda forma, ao acaso, fomos brindados pelos presentes como ‘a delegação do Brasil’, numa espécie de ‘sacanagem internacional’.

Contudo, a maioria dos países de fato enviou delegações. Debati com algumas em ‘mesas de negócio’. Mas devo destacar as delegações da Costa Rica, Inglaterra, Alemanha e Austrália, tanto por haverem enviado Ministros do Ambiente como chefes de delegação, quanto pela forma objetiva e pragmática com que abordaram o tema ‘impactos antropogênicos adversos’.

Encerramento do Fórum Internacional

O Fórum encerrou-se no fim da tarde de sábado, 6 de março de 2004. O Ministro do Ambiente da Alemanha foi convidado para fazer o discurso de encerramento. Havia alguma ansiedade dos participantes, pois estavam presentes no auditório mais de 500 especialistas em políticas ambientais públicas. Suas últimas palavras foram marcantes e guardo-as até hoje:

─ “Para concluir, considero ‘a desflorestação de mata nativa e secundária’, quer por meio de seu corte irresponsável, quer através de incêndios criminosos, como o mais violento dos eventos antropogênicos que ainda ocorrem neste planeta. Os países que, de fato, possuam Governança do Ambiente, têm condições de impedir essa destruição. Os custos de mantê-la descontrolada deverá remeter qualquer nação rumo à completa miséria, tanto material, quanto ética e moral”.

Mesmo passados quase 11 anos, desde quando ouvi essas palavras, motivo-me cada vez mais a trabalhar para a Governança do Ambiente. Sobretudo, no Brasil, onde o cenário atual de seu ambiente está a ser destroçado de maneira impiedosa. Não há visão de seu futuro cenário ambiental, sequer para o médio prazo. Nenhum agente público responsável faz ideia como se encontrará o cenário do território brasileiro daqui a dez anos, em 2025.

Iniciar a revolução

Há uma questão original que precisa ter resposta imediata:

─ “Como estará o ambiente brasileiro em 2025, ou seja, como se comportarão seu clima, seu ecossistema aquático, seu solo, a vegetação, a fauna silvestre e a qualidade de vida de sua população?

Em minha opinião, esse quadro de fatores e suas relações ambientais estará bem próximo da extinção, se não colapsado por completo. De forma figurada, a tendência do país é tornar-se um imenso corpo estéril, mas pleno de insanidades: políticas, econômicas e produtivas.

Neste país, as instâncias de poder, públicas e privadas, ainda negam-se a conhecer a existência do ambiente brasileiro. Chamam-no de ‘meio-ambiente’ e acham que consiste em coleções de minas a explorar, de poços de petróleo a exaurir; de solos incansáveis a serem desnutridos até o fim dos tempos, desde que a baixo custo. Acham, enfim, que podem detonar à vontade suas jazidas pedra e calcário, derrubar suas florestas para fazer telhados de luxo, enquanto, na surdina, arquitetam ‘corrupções triplex’.

Em termos da qualidade de vida, desconhecem o que resulta para a população desfrutar do ambiente estabilizado. Mas vendem-no de forma torpe, por incontáveis dólares depositados em suas próprias contas bancárias.

Querem bilhões de dólares. Quanto mais lavados, melhor (a nota é falsa).

Querem bilhões de dólares. Quanto mais lavados, melhor (a nota é falsa).

A ser desta forma, a questão original muda seu foco e fica assim enunciada:

─ “Como será possível impedir e reverter a degradação do ambiente do território brasileiro, antes de 2025?

Trata-se de prever como ficará o ambiente brasileiro no futuro e de que forma se deve trabalhar pela Revolução do Ambiente, que precisa ser de ordem técnica e cultural. Há duas linhas de ação básicas e interligadas para realiza-la.

A primeira é de ordem técnica, de gestão pública, e precisa obter resultados em curto prazo. Visa a revolucionar totalmente o setor ambiental público brasileiro. Questões que envolvem sua estrutura atual, tais como ‘ministério ou agência nacional’, ‘instituição de Estado ou órgão de governo’, ‘dependência do poder executivo ou autonomia de ação’, devem ser debatidas com a sociedade civil realmente organizada.

A partir daí, é imprescindível a implantação de uma ‘política para gestão de pessoas’, desenhada de forma a trazer para os quadros públicos desse setor profissionais experientes e com a mesma ótica proposta pela segunda linha de ação, a seguir.

A segunda linha tem seus alvos para o médio e longo prazo, pois visa a transformar valores culturais consolidados no Brasil, há séculos. Em síntese, trata-se de revolucionar a educação em todos os níveis – do primário ao superior –, tornando-a capaz de demonstrar que “a Economia somente se desenvolve quando em simbiose com o Ambiente”.

Enfim, constitui um processo de tal dependência que, caso o degrade, a economia nacional extinguirá a si própria. Essa é a visão essencial da Governança do Ambiente.

Até numa nação pobre, o ambiente pode ser o substrato da civilidade

Até numa nação pobre, o ambiente pode ser o substrato da civilidade

Haveria uma terceira, mas de ordem policial e jurídica. Abro mão de considera-la, por ser um efeito e não causa da degradação ambiental do território brasileiro. Algemas e penitenciárias, eternamente aplicadas, resolvem o problema.

……….

[1] Conceito de Ambiente: “É qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (ar, água, solo, flora, fauna e homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como devem ser analisados segundo seus fatores físicos, bióticos e antropogênicos” (Kohn de Macedo, R.).

[2] Fatores ou bens ambientaisFísicos: Ar, Água e Solo. Bióticos: Flora e Fauna. Antropogênicos: o Homem e suas atividades, em especial habitação, produção e comércio.

[3] Os incêndios florestais espontâneos são classificados como eventos físicos, pois decorrem do contato de fagulhas elétricas provindas do espaço com grande volume de matéria natural comburente. Seus resultados adversos são de ordem física, biótica e antropogênica, mas próprios de matas específicas, como as florestas de eucaliptos da Austrália.

Institutos de pesquisa eleitoral


Quem possui certeza que os resultados das pesquisas de intenção de voto estão corretos? Esta é a questão básica que a nação precisa responder com rapidez.

Mas, por opção pessoal, crê-se que ninguém. É tão grande a teia de percentuais díspares a que chegam os institutos, que se torna impossível todos estarem próximos da realidade final, a ser concluída somente em 5 de outubro.

Pesquisa da corrupção

Até parece que se especializaram em “torturar levantamentos de opinião”. E a tortura de dados é conhecida no país há tempos, até mesmo por leigos em pesquisas e suas ferramentas. Os dados chegam ao ponto de “confessarem” o que o “companheiro” precisa que seja publicado.

Por outro lado, o número de empresas-instituto que atuam no Brasil é muito maior do que se imagina. Os mais conhecidos são Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi. Mas há outros que sequer têm seus resultados divulgados pela imprensa – BrVox, Data Vox, Exata, IPBR, IPMN, MDA, Veritas e Zaytec são alguns exemplos.

Embora a Ciência da Estatística seja uma só, suas metodologias e técnicas podem variar. A começar pela definição da amostra do universo com que pretendem trabalhar. Mas a imprensa não as divulga, pois as empresas-instituto não pagam por isso. Apenas diz o número de entrevistados, a margem de erro bem explicadinha e que a pesquisa encontra-se registrada no TSE. E é com base nesse “nada de informação” que tagarelas desandam a distribuir suas certezas pelo mundo.

Conclui-se que o emaranhado de dúvidas que resulta para o público, e constitui a certeza de certos companheiros, serve apenas para manipular o voto nacional ao gosto do freguês. Assim sendo, em tempo, faz-se uma sugestão: eleição não é “briga de galo“. Nunca aposte na “barbada“.

O primeiro ‘trem suspenso’ – monotrilho


É transporte público há 133 anos, em Wuppertal, na Alemanha.

Wuppertal é próxima das cidades de Düsseldorf e Colonia, com fácil acesso de automóvel ou de trem. Fica situada nas colinas de Derendorf, ao sul da região do rio Ruhr.

Trata-se de uma pequena cidade histórico-industrial, com fábricas de produtos farmacêuticos (a Bayer), de produtos químicos, da indústria têxtil, de indústria metalúrgica, de equipamentos elétricos, de borracha, montadoras de veículos e equipamentos de impressão. Deve-se acentuar, no entanto, que seu desenvolvimento industrial evolui e se atualiza, tornando-se um pólo de elevada importância, triangulado com as cidades de Solingen e Remscheid.

Vista da cidade de Wuppertal

Vista da cidade de Wuppertal

Wuppertal encontra-se situada em um vale estreito, por onde corre o rio Wupper, afluente do Reno. Diante dessas condições, surgiu a proposta de construir um “trem suspenso” que, em parte de seu trajeto, trafega sobre o rio Wupper. Assim, o “Wuppertaler Schwebebahn“, que pode ser traduzido por “trem flutuante de Wuppertal”, foi inaugurado em 1901, embora seja hoje conhecido como monotrilho suspenso. Liga os bairros da cidade rolando em uma sólida estrutura de ferro, para servir aos cidadãos e turistas até os dias atuais.

Vista aérea do monotrilho e sua estrutura de suporte

Vista aérea do monotrilho e sua estrutura de suporte

Com sua linha aérea duplicada em dois sentidos, o “monotrilho” foi planejado para que sua passagem não prejudicasse o tráfego urbano. Dessa forma, desde 1901 têm-se passagens que merecem ser mostradas por sua inventiva e funcionalidade.

Passagem sobre o Rio Wupper. Atente para a mão dupla.

Passagem sobre o Rio Wupper. Atente para a mão dupla.

Passagem sobre pontes do rio Wupper

Passagem sobre pontes do rio Wupper

Passagem através de prédio existente

Passagem através de prédio existente

Passagem sobre via urbana

Passagem sobre via urbana

As passagens sobre vias urbanas têm 8 metros de altura, as sobre o rio Wupper, têm 12 metros.

Cultura da cidade

Sem dúvida, como outras cidades alemãs, Wuppertal detém um ambiente histórico. Possui cerca de 4.500 prédios classificados como monumentos nacionais, datando dos períodos arquitetônicos do Classicismo, Art Nouveaux e Bauhaus. Dentre eles destaca-se sua notável Sala de Concertos, inaugurada em 1900 [1].

A Sala de Concertos de Wuppertal

A Sala de Concertos de Wuppertal

Ainda como parte de sua cultura, ressalta-se a famosa companhia de dança Tanztheater Pina Bausch [2] sediada na cidade. Apresenta-se sempre em Nova Iorque, Paris, Londres, Tóquio e algumas vezes em São Paulo.

Pode-se dizer que Wuppertal é um núcleo de inteligência, design, trabalho e cultura, aninhado quase ao centro do país, a iluminar os mais atentos.

……….

[1] Foi inaugurada pelo último Imperador alemão, Guilherme II. Por sinal, um indivíduo perigoso em seus apoios e pronunciamentos, tal como certos políticos brasileiros atuais. Diz a História que Guilherme II, com sua política belicista, deu apoio ao Império Austro-Húngaro durante sua grave crise de 1914, que culminou na “Grande Guerra”, depois chamada de Ia Guerra Mundial.

[2] Philippine Bausch, conhecida como “Pina Bausch”, foi coreógrafa, dançarina, pedagoga de dança e diretora de companhia de balé. Ficou conhecida por contar histórias em suas coreografias, baseadas nas experiências de vida dos bailarinos, elaboradas em conjunto. Isso se chama democracia aplicada à cultura. Várias peças da companhia são associadas a cidades do mundo, já que retirava de suas turnês ideias para o trabalho. Faleceu em 2009.

Como proceder a Gestão do Ambiente


Por Ricardo Kohn, Escritor e Consultor em Gestão.

Este é um artigo de maior amplitude teórica e prática sobre a Gestão do Ambiente. Procurou-se integrar boa parte dos artigos técnicos já publicados neste blog, durante seus dois anos de existência. Sua leitura e análise pode contribuir para aquecer os debates que visam à evolução das práticas de gestão, tendo o Ambiente como seu foco principal.

1. O que é Ambiente

É qualquer porção da ecosfera que resulta das relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem, quais sejam: o Ar, a Água, o Solo, a Flora, a Fauna e o Homem”.

Dessa forma, todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem apresentar componentes aéreos, aquáticos e terrestres, bem como serem observados segundo seus elementos do espaço físico (ar, água e solo), do espaço biótico (flora e fauna) e do espaço antropogênico (o homem e suas atividades típicas – habitacionais, industriais, comerciais, de serviços e culturais).

No entanto, países de língua portuguesa e espanhola usam o termo ‘Meio Ambiente’. Nas demais nações ocidentais verifica-se que o somente vocábulo ‘Ambiente’ é usado para se referir à mesma entidade: environment, environnement, umwelt, ambiente.

Dado o fato que na língua portuguesa um dos significados de ‘Meio’ é “Ambiente”, dentre outras coisas, opta-se por eliminar esse erro de redundância e usar apenas ‘Ambiente’, tal como nas línguas inglesa, francesa, alemã e italiana, acima exemplificadas.

2. Conceitos básicos relativos ao Ambiente

Seguem alguns conceitos e respectivas definições usados neste artigo. São básicos para o entendimento do que é e como se faz a Gestão do Ambiente.

Conceitos Definições
Ecossistema ou Sistema ecológico Qualquer parcela do Ambiente, na qual se estabelecem relações de diversas ordens entre os fatores bióticos e abióticos que a compõem. Os empreendimentos públicos e privados são conjuntos de fatores ambientais antropogênicos e fazem parte dos ecossistemas em que se situam. Constituem, dessa forma, ecossistemas humanos organizados quando estabelecem relações de troca de energia e matéria dentro de limites aceitáveis.
Fator ambiental Constituem os componentes dos ecossistemas, tanto primitivos, quanto rurais e urbanos, que interagem para conformá-los. Os fatores ambientais considerados básicos são o Ar, a Água, o Solo, a Flora, a Fauna e o Homem.
Espaço ambiental Espaços ambientais constituem uma subdivisão teórica do Ambiente. São organizados por conjuntos afins de segmentos ambientais, de acordo com o tipo de abordagem que se deseja imprimir em uma dada relação entre Empreendimento e sua área de inserção. Por exemplo: Ambiente → {Espaço Físico, Espaço Biótico e Espaço Antropogênico}.
Segmento Ambiental Segmentos ambientais consistem qualquer uma das partições afins em que podem ser subdivididos os espaços ambientais, de acordo com a abordagem do estudo a ser realizado e em conformidade com as características do espaço a que se referem. Por exemplo: Espaço Biótico → {Segmento Aquático, Segmento Florístico e Segmento Faunístico}.
Relações ambientais Consistem nas trocas sistemáticas de energia, matéria e informação entre fatores ambientais e entre cada fator e os ecossistemas de que participam. São trocas espontâneas e essenciais que podem garantir a estabilidade dos sistemas ecológicos.
Estabilidade ambiental Constitui o processo de manutenção espontânea dos ciclos de relações ambientais mantidas entre fatores em permanente interação, conformando ecossistemas estabilizados e, por conseguinte, capacitados para a coevolução.
Organização (o mesmo que Organização produtiva, Empresa, Corporação ou Empreendimento) Constitui um conjunto dinâmico e integrado de recursos de diversas naturezas, apoiado em tecnologias apropriadas, destinadas aos tipos de bens, produtos e serviços que objetiva produzir, física e economicamente organizados, a fim de cumprir um processo produtivo estabelecido. Toda organização opera em um determinado Ambiente. Sua existência, sobrevivência e evolução dependem da maneira com que ela se relaciona com ele, bem como de suas capacidades de adaptação às variações do Ambiente. Depende, portanto, de sua capacidade de gestão do desempenho ambiental.
Área de influência de uma organização Consiste na área territorial estimada que poderá receber impactos ambientais benéficos e adversos, decorrentes de todas as etapas do ciclo de vida de uma organização: projeto, obras, operação e eventual ampliação.
Transformação ambiental Trata-se da sequência de eventos proporcionada pelas relações ambientais mantidas entre um empreendimento e o Ambiente de sua área de influência:

  • Existe uma organização ou um projeto de engenharia;
  • Explicada por intermédio de suas intervenções de engenharia sobre o Ambiente;
  • Que demandam ou ocasionam manejos no Ambiente para que sejam implantadas e operadas;
  • As quais podem proporcionar mudanças de comportamento e/ou de funcionalidade dos fatores ambientais por elas afetados.
Intervenção ambiental Consiste em uma obra de engenharia que acarreta a introdução, concreta ou virtual (quando em projeto), permanente ou temporária, de pelo menos um fator ambiental em um dado Ambiente através da ação humana, capaz de gerar ou de induzir o remanejamento dos fatores ambientais existentes. Um conjunto de intervenções ambientais conforma uma organização.
Alteração ambiental Consiste no remanejamento, espontâneo ou induzido, de conjuntos de fatores ambientais da área de influência da organização, em decorrência da introdução de pelo menos uma intervenção ambiental.
Fenômeno ambiental Constitui qualquer processo ambiental capaz de afetar, específica e diretamente, o comportamento e/ou a funcionalidade pré-existentes de um ou mais fatores ambientais, em decorrência de pelo menos uma alteração ambiental.
Eventos ambientais Trata-se do nome genérico dado a empreendimentos, intervenções, alterações e fenômenos ambientais.
Impacto ambiental Os efeitos de qualquer ordem percebidos no Ambiente que sejam capazes de afetar as variações das transações de energia, matéria e informação, estabelecidas entre o fator ambiental e o sistema ecológico de que participa, beneficiando-o ou prejudicando-o. Empreendimentos, intervenções, alterações e fenômenos ambientais possuem impactos ambientais associados, tanto benéficos como adversos.
Qualidade ambiental A qualidade de um Ambiente expressa as condições e os requisitos básicos que ele detém, de natureza física, química, biológica, social, econômica e cultural, de modo a que os fatores ambientais que o constituem, em qualquer instante, exerçam efetivamente as relações ambientais que lhes são fundamentais e afetas.
Reabilitação ambiental Consiste na implantação e gestão de projetos e ações destinados a re-funcionalizar áreas que hajam sido alteradas, sejam por meio de ações antropogênicas, sejam através de processos espontâneos de sucessão em ecossistemas do Ambiente.
Rupturas ambientais Decorrem das perdas de relações ambientais essenciais para manutenção de um ecossistema estabilizado, proporcionadas por impactos ambientais adversos, antropogênicos ou não.
Retroimpactos ambientais Constituem as respostas do Ambiente impactado sobre todas as organizações e comunidades nele existentes, podendo beneficiá-las ou prejudicá-las. Quanto mais adequadamente for mantida a sustentabilidade do Ambiente afetado por obras e atividades produtivas, menores serão seus retroimpactos adversos.
Sustentabilidade A sustentabilidade é um atributo exclusivo do Ambiente que consiste na sua capacidade e de seus ecossistemas componentes em manter e desenvolver as relações essenciais entre seus fatores constituintes (ar, água, solo, flora, fauna e homem), que lhes permite existir. Alguns especialistas utilizam o termo sustentabilidade ambiental. Do inglês, ‘environmental sustainability’.
Avaliação da sustentabilidade Consiste na avaliação da qualidade ambiental de um território, envolvendo os mesmos elementos utilizados na aferição de sua sustentabilidade: qualidade do ar, qualidade da água, qualidade do solo, qualidade de vida da flora, qualidade de vida da fauna e qualidade de vida humana.
Gestão ambiental O objeto da gestão ambiental é a otimização dos processos da organização que transformam os sistemas ecológicos, primitivos ou não. A gestão ambiental é o processo necessário, mas não suficiente, para garantir que a introdução de um sistema humano organizado em qualquer sistema ecológico (primitivo, alterado ou humano) tenha como resultado um sistema humano organizado. Sua finalidade é a gestão do desempenho ambiental das organizações.
Gestão da Sustentabilidade Consiste no processo gerencial onde são avaliados, planejados e monitorados (i) os processos da transformação ambiental, (ii) os resultados destes processos e (iii) as respostas do Ambiente a estes resultados, beneficiadas através de (iv) um plano ambiental específico.
Conservação ambiental Consiste no uso controlado dos espaços territoriais, visando a garantir a manutenção das funcionalidades ambientais similares às suas funcionalidades primitivas.
Preservação ambiental Consiste no impedimento controlado do uso e da ocupação de ecossistemas primitivos, visando à total manutenção de suas funcionalidades ambientais primitivas.
Diagnóstico ambiental Constitui a construção do conhecimento da região de interesse de um projeto de engenharia ou de um empreendimento existente. Pode ser efetuado por meio da coleta de dados e informações locais (recomendável) ou através de websites especializados, para coletas dos dados secundários disponíveis. Deve ser realizado enfocando os ecossistemas e fatores ambientais afetáveis pela presença do projeto ou da organização existente, assim como aqueles que com eles se relacionam e deles dependem para que possuam estabilidade.
Prognóstico ambiental Os prognósticos ambientais são processos analíticos de previsão justificada e documentada dos quadros mais prováveis da transformação ambiental esperada para a região considerada pelo estudo.
O ato de Avaliar O ato de avaliar pressupõe a realização de três tarefas essenciais:

  • O estabelecimento de um padrão de medida;
  • A mensuração do objeto a ser avaliado segundo esse padrão; e
  • Uma nota, que represente o desvio relativo entre o valor apropriado ao objeto e o padrão previamente estabelecido.

As duas primeiras tarefas consolidam uma análise. A terceira, a elas integrada, realiza a avaliação.

Avaliação de Impactos Ambientais Conhecida através da sigla AIA, é o processo de aferir o desvio relativo entre os impactos ambientais estimados em um cenário ambiental, utilizado como base (padrão), e os impactos estimados para um cenário a ele alternativo.
Monitoração ambiental Processo de acompanhamento e/ou aferição de parâmetros ou indicadores ambientais, devendo ser capaz, sempre que possível, de mensurar as oscilações do comportamento de um dado fator ambiental, em intervalos de tempo pré-estabelecidos e conforme algum padrão previamente definido.
Hipótese Global de Situações de Impacto
(HGSI)
Constitui a identificação preliminar, ainda hipotética, dos eventos ambientais (intervenções, alterações e fenômenos) proporcionados por um projeto de engenharia ou por um empreendimento em sua área de influência. É expressa através de uma árvore de eventos, onde é indicada a relação de causa e efeito dos eventos identificados. A HGSI é a base para a realização dos diagnósticos ambientais, orientando-os para os ecossistemas e fatores ambientais de interesse.
Transitividade do impacto ambiental A transitividade é a energia de transformação que estrutura e mantém a árvore de eventos ambientais – HGSI –, demonstrando que o impacto ambiental de um fenômeno distribui-se por essa árvore, através de seus eventos causadores, ‘do solo até o topo da árvore’.
Matriz de Impactos Ambientais (MIA) Constitui a representação matricial da árvore de eventos ambientais.
Potencialidade ambiental Consistem em áreas territoriais mais resistentes a transformações ambientais, em função de seu relevo, de seu clima, de seus solos, de seus recursos hídricos, de seus biomas e de suas comunidades, inclusive a humana.
Vulnerabilidade ambiental Consistem em áreas territoriais mais sensíveis a transformações ambientais, em função de seu relevo, de seu clima, de seus solos, de seus recursos hídricos, de seus biomas e de suas comunidades, inclusive a humana.A Sustentabilidade é um dos principais focos de estudos e projetos de engenharia que visam a impedir a ocorrência de questões ambientais adversas. Embora o uso do termo ‘Sustentabilidade’ seja relativamente recente no Brasil, diversas universidades ensinam a seu respeito utilizando conceitos diferenciados. De forma mais nítida, e por vezes equivocada, alguns agentes da mídia fazem uso indiscriminado desse conceito, aplicando-o para adjetivar processos que, ou não são sustentáveis, ou deles resulta a Sustentabilidade do Ambiente em que ocorrem.

3. Em que consiste a Sustentabilidade

Para esclarecer o significado deste conceito precisa-se entender (i) em que espaço ele deve ser considerado, (ii) o que o motiva, (iii) quais são os elementos envolvidos na sua realização, e (iv) quais são os benefícios decorrentes de sua aplicação. Enfim, em que cenários tratamos esse processo, que foi denominado por Sustentabilidade Ambiental ou simplesmente Sustentabilidade, a indicar que é uma propriedade exclusiva do Ambiente.

Consiste na capacidade dos ecossistemas constituintes do Ambiente (primitivos e humanos) em realizar, manter e desenvolver as relações ambientais essenciais entre os fatores ambientais básicos existentes no planeta, que são o ar, a água, o solo, a flora, a fauna e o homem.

Todos os fatores ambientais secundários, embora não sejam menos importantes, decorrem dessas relações mantidas entre esses seis fatores básicos. Vale observar que estudiosos e acadêmicos que atuam na área ambiental incluem o fungo como fator ambiental básico.

3.1. Ecossistema primitivo

Em ambientes constituídos por ecossistemas primitivos, onde ainda não exista a presença expressiva de atividades humanas produtivas, essas relações possuem algumas capacidades específicas que as tornam sustentáveis. De uma forma geral, é possível enumerá-las assim:

Capacidade de Estabilidade Ambiental: os fatores ambientais (Ar, Água, Solo, Flora, Fauna e Homem) realizam de forma sistemática trocas de matéria e energia entre si, em expressiva harmonia com as necessidades de cada fator demandante e de acordo com a capacidade dos fatores que fazem as ofertas. É assim que se desenvolvem e evoluem.

O termo Equilíbrio Ecológico ou Ambiental não existe como conceito científico, muito embora seja utilizado até mesmo em textos legais brasileiros, na qualidade de ‘preceitos legais’. O termo correto é Estabilidade Ecológica ou Ambiental.

Capacidade de Retroalimentação Ambiental: tudo o que é gerado ou produzido pelos ecossistemas primitivos de um dado Ambiente é totalmente consumido por seus fatores ambientais constituintes. Não há resíduos de qualquer natureza, não há sobras, não há ‘lixo’ no Ambiente primitivo. Isso demonstra que suas práticas intrínsecas de reciclagem e reuso são espontâneas e completas.

As duas características acima permitem que os componentes dos ecossistemas operem compartilhando processos, ou seja, possuam Capacidade de Coevolução Ambiental.

Capacidade de Autoorganização Ambiental: não existem sistemas de controle externos às relações ambientais mantidas entre os fatores. Esses “controles” são espontâneos e intrínsecos às próprias relações. Desta forma, não há perdas de energia e matéria em processos que não sejam produtivos. Em outras palavras, “não há custos de homem x hora para controlar a produção e a produtividade dos sistemas ecológicos”.

A tendência dos ambientes primitivos estabilizados é a de atingir a níveis de coevolução e autoorganização tais que se podem tornar sistemas de elevada resistência e resiliência, a independer de fluxos de energia e matéria a eles externos. A esta tendência dá-se o nome de Clímax Ecológico ou Ambiental. Há autores que não concordam com a tese da tendência do clímax dos sistemas ecológicos.

Garantidas estas quatro capacidades é possível afirmar que um dado Ambiente possui qualidade ambiental, encontra-se estabilizado e, em consequência, possui sustentabilidade.

Mas, ainda há mais uma capacidade própria dos ecossistemas primitivos. Podem ocorrer em algum momento de suas existências rupturas nas relações ambientais existentes. As trocas de energia e matéria entre seus fatores são alteradas por algum motivo. Então, o sistema ecológico é afetado e pode perder seu funcionamento primitivo. Contudo, o sistema resultante  também passa a buscar a realização das capacidades acima apresentadas para alcançar um novo cenário de sustentabilidade. Este processo, que constitui um renascimento, é chamado por Capacidade de Sucessão Ambiental ou Sucessão de Ecossistemas.

Nos ecossistemas primitivos o Homem constitui um fator componente básico, que é parte ativa do sistema. No entanto, deve ser considerado ou como um componente primitivo ou, sobretudo, como um componente que sabe limitar suas apropriações e demandas sobre os demais fatores, a contribuir para a existência e permanência dos ecossistemas primitivos.

3.2. Ecossistema humano

O Homem constrói seu habitat preferencial. Será aqui denominado ecossistema humano ou sistema humano. Ele se apropria e transforma recursos naturais (fatores ambientais), de acordo com o que considera relevante para ter suas necessidades atendidas, básicas ou não. Ele produz, distribui seus produtos, cria novas atividades econômicas secundárias, gera renda e riqueza. Porém, os sistemas humanos muitas vezes constituem ‘sistemas organizacionais’ e operam de forma distinta dos sistemas ambientais. Seus fatores ambientais básicos são “recursos humanos, informação, tecnologia, recursos naturais e capital”. Segundo esse entendimento, as relações entre seus fatores básicos podem ser explicadas da seguinte forma.

Os sistemas humanos realizam apropriações de recursos naturais e os transformam em produtos ou serviços, tentando buscar a harmonia entre os mercados demandantes e sua capacidade de oferta. É assim que se desenvolvem alguns dos sistemas empresariais. Denominamos este processo por Busca da Estabilidade Organizacional.

Nem tudo o que é produzido pelos sistemas humanos é totalmente consumido pelos mercados a que atendem. Por isso, há sobras, há resíduos de variadas naturezas, há ‘lixo’ no Ambiente empresarial, o qual os sistemas humanos hoje tentam minimizar para reduzir suas despesas. Quase nada é compartilhado, quase tudo visa à competição. Denomina-se este processo por Competição na Evolução Organizacional.

Há inúmeros sistemas de controle que são externos às relações empresariais. Eles são basicamente improdutivos. Desta forma, nos sistemas humanos há perdas de energia e matéria em processos que, afora o controle, nada produzem. Em outras palavras, “há custos de homem x hora para controlar sua produção e produtividade”. Denomina-se este processo por Possibilidade de Organização Organizacional.

A tendência dos sistemas humanos é a de atingir a níveis de evolução e organização tais que se tornem em sistemas de elevada resiliência, adptando-se, quando possível, às variações dos fluxos de insumos, internos e externos (recursos humanos, informação, tecnologia, recursos naturais e capital). Na falta de um título mais técnico, denomina-se esta tendência por Angústia da Vida Organizacional.

Quando estas quatro capacidades conseguem ser aperfeiçoadas pelos sistemas organizacionais, é possível afirmar que um dado sistema humano possui qualidade empresarial, tornando-se um Sistema Humano Organizado, dotado de elevado grau de Desempenho Ambiental, mas nunca de Sustentabilidade.

Todavia, tal como nos sistemas primitivos, os sistemas humanos podem perder as capacidades acima citadas. Dois processos podem acontecer nestes casos: ou interrompem suas operações ou são substituídos por novos sistemas organizacionais. Denomina-se este processo por Dificuldade da Sucessão Organizacional.

Pode-se observar que o conceito da Sustentabilidade está associado a diversos processos que envolvem relações entre fatores ambientais e fatores humanos, entre sistemas primitivos e sistemas humanos.

Todavia, a responsabilidade em garantir e manter a sustentabilidade do Ambiente, em níveis efetivos e aceitáveis, é exclusiva do Homem, dado que ele é o fator que cria os conflitos entre manter estoques e qualidade de recursos naturais ou deles se apropria para a satisfação de suas próprias demandas, inclusive as supérfluas.

Em síntese, conclui-se que todas as atividades de organizações devem possuir desempenho ambiental adequado e compatível, de forma a garantir a sustentabilidade dos ecossistemas em que estejam inseridas, ou seja, manter o Ambiente estabilizado e sustentável sem perder sua capacidade produtiva.

Trata-se de um forte desafio que, de uma forma um tanto abstrata, foi denominado por “desenvolvimento sustentável [1]”, insinuando várias interpretações discutíveis para o adjetivo “sustentável”.

4. A Transformação do Ambiente pelo Homem

Por exemplo, ao reunir um time de especialistas ambientais para iniciar a elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental, verifica-se que cada profissional identifica a transformação futura do Ambiente segundo suas premissas de formação acadêmica. Ou seja, os impactos ambientais variam, desde a sua forma de apresentação, até o seu conceito e conteúdo.

Neste item o artigo oferece um modelo teórico-conceitual para que especialistas em várias áreas sejam orientados para “ver da mesma forma os cenários futuros do Ambiente em transformação por atividades humanas”. Vale dizer que esse modelo já foi utilizado em todas as regiões brasileiras, como suporte técnico para milhares de estudos ambientais de variadas naturezas – estudos de impacto, zoneamentos, auditorias, levantamentos de passivo ambiental, etc.

4.1. Entidades da Transformação Ambiental

Os dados do problema são os seguintes: (i) um empreendimento, em projeto, em obras ou mesmo em operação; (ii) a visão preliminar de sua área de influência; e (iii) uma equipe técnica desafiada a descobrir a transformação ambiental dessa área, tanto a já ocorrente, quanto sua provável e inevitável transformação futura.

A base teórica do modelo considera que:

  • Todos os Empreendimentos, sem exceção,
  • Podem ser explicados por intermédio de suas intervenções de engenharia no Ambiente. Um empreendimento é formado por várias unidades construtivas (temporárias) e diversas unidades produtivas (permanentes). São denominadas Intervenções Ambientais;
  • Estas intervenções, para serem construídas, demandam ou induzem manejos no Ambiente. Esses manejos são denominados Alterações Ambientais;
  • Nessa sequência de eventos, as alterações ambientais podem proporcionar mudanças de comportamento e/ou da funcionalidade dos fatores ambientais afetados. Os eventos consequentes dos manejos são denominados Fenômenos Ambientais.

A figura abaixo sintetiza a base teórica da transformação ambiental de um território.

Estrutura conceitual da Transformação Ambiental

Estrutura conceitual da Transformação Ambiental

A estrutura acima diz que qualquer empreendimento é formado por M intervenções ambientais. Uma intervenção poderá gerar ou induzir até N alterações ambientais. E de forma inversa, uma alteração ambiental pode ser consequência de até M intervenções. Por fim, uma alteração ambiental, por sempre afetar a dinâmica do Ambiente, pode modificar o comportamento e/ou a funcionalidade de fatores ambientais, dando origem à manifestação de até P fenômenos ambientais. E a recíproca é verdadeira, ou seja, um fenômeno pode ser derivado de até N alterações distintas.

Analisando a figura acima observa-se que todos os eventos ambientais possuem impactos associados grafados por I e i. Os fenômenos possuem impactos positivos ou negativos, ou seja, benéficos ou adversos. Dada a capacidade da transitividade dos impactos, os eventos superiores também possuem impactos ambientais, que recebem dos fenômenos que geram. Todavia, dado que uma alteração pode gerar fenômenos adversos e benéficos, seus impactos são o somatório das adversidades A e o somatório dos benéficos B. Ou seja, alterações, intervenções e empreendimentos terão impactos negativos e positivos [A; B].

Chama-se a atenção para um fato que é evidente. O Ambiente percebe e sofre tanto os impactos negativos A, quanto os positivos B. Mas nunca sofre a resultante contábil dos mesmos, A + B. Tal procedimento deforma completamente a análise e a avaliação ambiental, tornando inválido qualquer estudo que o aplique.

Na prática da análise da transformação ambiental tem-se duas ferramentas básicas para realiza-la: a Árvore da Transformação Ambiental (ATA) e a Matriz de Impactos Ambientais (MIA), ambas referidas a um empreendimento.

A ATA possui a conveniência da equipe de analistas ver o cenário da transformação prevista em uma única imagem. Contudo, para empreendimentos mais impactantes, com muitos eventos, demanda muito espaço para ser construída.

A figura a seguir apresenta o diagrama genérico de uma ATA.

Diagrama da Árvore da Transformação Ambiental – ATA

Diagrama da Árvore da Transformação Ambiental – ATA

Neste exemplo específico o empreendimento é composto por quatro Intervenções Ambientais (INA), das quais decorrem seis Alterações Ambientais (ALA) que, por sua vez, promovem a manifestação de dez Fenômenos Ambientais (FEN). Observe que todas as relações de causa e efeito entre os eventos encontram-se explicitadas. Um texto específico deverá justificar a sequência desta árvore.

A ferramenta alternativa à árvore é estruturada de forma matricial, através de uma Matriz de Impactos Ambientais. Segue abaixo o exemplo de uma matriz de impactos para um Parque Eólico já em operação.

Como nesse exemplo hipotético a avaliação de impactos ambientais já foi realizada, os eventos adversos estão grafados em vermelho; os benéficos, em azul; por fim, os não significativos, grafados em branco.

Matriz de Impactos Ambientais – Parque Eólico
Intervenções Alterações Fenômenos
Intervenções produtivas
Aerogeradores e unidade de controle do parque
Uso e ocupação do solo
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação da oferta de emprego
Variação da renda familiar
Variação da arrecadação tributária
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação da acessibilidade interlocal
Oferta de energia elétrica
Variação da disponibilidade estadual de energia elétrica
Variação do desenvolvimento industrial
Variação do desenvolvimento de comércio e serviços
Variação da arrecadação tributária
Variação da oferta de emprego
Variação da renda familiar
Variação do suporte a serviços sociais básicos
Variação da qualidade de vida no Estado
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação dos riscos de acidentes viários
Rodovia de acesso ao parque e rodovias vicinais
Oferta de equipamentos viários
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação da acessibilidade interlocal

Observando a nomenclatura utilizada para a denominação dos eventos que se manifestam na área de influência considerada, verifica-se que as intervenções representam obras de engenharia, as alterações são ações de manejo e os fenômenos são processos variáveis do Ambiente.

4.2. Conteúdo do Cenário da Transformação Ambiental – CTA

A estrutura de apresentação do cenário da transformação ambiental é a própria matriz de impactos ambientais acima. Todavia, nela somente estão disponibilizados os títulos dos eventos. O conteúdo do cenário deve apresentar a caracterização de cada um dos eventos, quais sejam.

  • Caracterização do Empreendimento.
  • Caracterização das Intervenções Ambientais.
  • Caracterização das Alterações Ambientais.
  • Caracterização dos Fenômenos Ambientais.

Em linhas gerais, essas caracterizações devem apresentar o nome do evento, sua localização, sua descrição, suas áreas de ocorrência e manifestações, os eventos causadores, os eventos resultantes e, quando possível, documentação fotográfica.

O CTA deve ser monitorado e atualizado periodicamente, em todas as etapas do ciclo de vida de uma organização, visando a proporcionar a seus executivos a qualidade de seu desempenho ambiental e o nível de sustentabilidade que a organização consegue proporcionar à sua área de influência.

5. Ferramentas para a Gestão do Ambiente

Existem diversos métodos, técnicas e metodologias que podem ser adaptados para a Gestão do Ambiente (Gestão Ambiental + Gestão da Sustentabilidade). No entanto, há três ferramentas específicas para essa finalidade, sobre as quais estão apresentadas a seguir suas características básicas, vantagens e desvantagens.

5.1. ISO 14.001: Sistema de Gestão Ambiental – SGA

A ISO – International Organization for Standardization foi fundada em 1947, com sede em Genebra, na Suíça. Produz e aprova normas internacionais para padronização de processos em várias áreas produtivas.

A área ambiental foi contemplada através da série normativa ISO 14.000. Nesta série, composta por cerca de 29 normas com temas ambientais complementares, destaca-se a norma ISO 14.001, lançada no Brasil em 1996, que visa a beneficiar a gestão ambiental de empresas e instituições.

Embora a 14.001 seja utilizada para certificar organizações em Sistemas de Gestão Ambiental, muitos especialistas da área da gestão consideram-na impositiva em sua burocracia. Ou seja, pouco capaz de se adaptar à cultura de cada organização, a qual varia em função de seus proprietários, dos países em que se localizam, dos mercados a que atendem e até mesmo das equipes técnicas que possuem.

No entanto, para as organizações que atuam no mercado internacional, recomenda-se a implantação e certificação do Sistema de Gestão Ambiental – ISO 14.001.

Em suma, normas internacionais para padronização de processos e procedimentos, que pretendam atender às necessidades de qualquer organização existente, correm o risco de “engessar” processos de empresas produtivas em troca de certificações.

Ao importar modelos de gestão ingleses, norte-americanos ou internacionais corre-se o risco de esquecer a cultura organizacional existente no próprio país. Sem dúvida, é importante adaptá-los e há profissionais brasileiros capacitados para isso.

5.2. Plano Corporativo Ambiental – PCA

O PCA difere bastante dos Sistemas de Gestão Ambiental, posto que não é “amarrado em práticas internacionais”. Ao contrário, veste localmente o corpo da organização produtiva como um agasalho de previsão da produção. Visa a, além do lucro e da rentabilidade da organização, manter a sustentabilidade do Ambiente que transforma, melhorando seu desempenho ambiental.

Para compreender o processo de planificação (ou planejamento), os conceitos de estratégia, tática e operação precisam ser esclarecidos, visando à devida classificação dos elementos de planos de qualquer natureza. Neste caso, Planos Corporativos Ambientais.

A origem desses três conceitos encontra-se nas práticas militares. Posteriormente, foram migradas para organizações produtivas. O texto que se segue busca explicar, ainda que de forma introdutória, a sucessão dos usos e práticas dos processos de planificação, a saber:

Planos militares → Planos empresariais → Planos ambientais.

Para realizar o processo de um plano empresarial é necessário que existam quatro elementos essenciais a estabelecer relações entre si. O primeiro é uma organização produtiva. Ela é o ponto de foco dos planos empresariais. O segundo elemento é o fato de que ela precisa produzir pelo menos um produto. O terceiro, é a existência de um mercado que demande e receba este produto. O quarto e último são os clientes que compõem este mercado e que consomem este produto. Com esses elementos é possível garantir que é realizar processos de planificação é essencial.

Planejam-se as relações desejadas entre estes quatro elementos. Planeja-se para que a organização produtiva possua condições favoráveis de estabelecer relações desejáveis e satisfatórias com todos os demais elementos: produto/serviço bem feito, mercado atendido, clientes felizes. Resultado: sucesso da organização.

No processo do Plano Corporativo Ambiental têm-se os mesmos elementos:

  • A organização produtiva, que é conformada pelo Empreendimento e pelas relações ambientais que mantém com o Ambiente de sua área de influência. São relações mútuas e bidirecionais mantidas entre duas entidades que tentam se integrar (em tese, a organização que deseja se integrar ao Ambiente).
  • Os produtos, que surgem das relações ambientais, chamador por produtos ambientais. São os impactos decorrentes das relações “Organização versus Ambiente”. Conforme foi visto, podem ser adversos e benéficos.
  • O mercado, que é o próprio Ambiente, através de seus espaços físico, biótico e antropogênico, bem como a organização que se deseja planificar, que em algumas oportunidades “adquire” retroimpactos do Ambiente.
  • Os clientes, que são os próprios fatores ambientais que “consomem” estes impactos, quais sejam: o ar, a água, o solo, a flora, a fauna e o homem.

Dada a existência desses elementos e suas relações sistêmicas, entende-se que, mantidas as expectativas das Ciências do Ambiente, Planos Corporativos Ambientais podem e devem ser desenvolvidos para quaisquer organizações produtivas.

5.2.1. Estrutura de desenvolvimento e execução do PCA

Todos os gêneros de planos aqui citados (Militar, Empresarial e Ambiental) podem ter até três níveis de visão e alcance:

  • O plano de nível estratégico, com alvos ou objetivos globais de longo prazo;
  • O plano de nível tático, com alvos ou objetivos de médio prazo; e
  • O plano de nível operacional, com alvos ou metas de curto prazo.

O detalhamento dos níveis do PCA deve responder aos atributos estrutura, formato, conteúdo e processos:

  • A estrutura é dada pelos elementos que constituem cada nível, desenhando a estrutura física do plano;
  • O formato refere-se à redação dos elementos constituintes de cada nível, permitindo aos usuários a identificação do nível a que pertence cada elemento e sua imediata classificação – estratégico, tático ou operacional;
  • O conteúdo desses elementos, contendo a essência, a finalidade e o alcance de cada elemento;
  • Os processos de implantação e gestão dos níveis e respectivos elementos, dando vida própria e animação ao plano.

A figura a seguir mostra um diagrama dos elementos estratégicos (E), táticos (T) e operacionais (O) de um PCA, mostrando como se relacionam. Estão organizados em Alvos (Objetivos e Metas) e Medidas (Programas, Projetos e Ações).

Estrutura para elaboração e execução do PCA

Estrutura para elaboração e execução do PCA

O estabelecimento e formulação dos alvos do PCA seguem a seguinte sequência:

  • Formulação da Visão Ambiental da organização;
  • Formulação da Missão Ambiental, orientando seus Objetivos Estratégicos;
  • Estabelecimento dos Objetivos Estratégicos, demandando Objetivos Táticos;
  • Estabelecimento dos Objetivos Táticos, demandando Metas Ambientais; e
  • Estabelecimento das Metas Ambientais, demandando Projetos e Ações.

E quando o plano é implantado, sua execução acontece na ordem inversa, ou seja:

  • Ações e Projetos são implantados e executados visando a atingir as Metas Ambientais estabelecidas e concluir os Programas Ambientais que lhes deram origem;
  • Programas Ambientais são geridos para atingir Objetivos Táticos, alcançando os Objetivos Estratégicos que lhes deram origem;
  • Objetivos Estratégicos são alcançados visando a consolidar a Missão Ambiental estabelecida.
  • A manutenção da Missão alcançada poderá realizar a Visão Ambiental esperada. Isto porque o alcance da Visão Ambiental de uma organização também depende do desempenho das demais organizações do mesmo setor e de seus fornecedores.

5.3. Auditoria Ambiental

A auditoria ambiental é a terceira ferramenta recomendada para que organizações em geral garantam a qualidade de seus processos destinados à Gestão do Ambiente, ou seja, Gestão Ambiental de seus próprios processos e Gestão da Sustentabilidade do Ambiente que impactam.

O processo de auditar nada mais é do que investigar tarefas em andamento e realizar comparações entre as práticas ambientais realizadas por uma organização com pelo menos os padrões ambientais para organizações do mesmo setor. Mas, sobretudo, sugerir soluções para quadros definidos como “não-conformidades”.

Por esse motivo, os auditores, quer sejam internos ou externos, às vezes não são muito apreciados por funcionários das organizações auditadas. Afinal, são contratados para identificar desvios, erros e relatar fatos e tendências gerenciais que podem ser indesejáveis para a alta administração de organizações produtivas.

Nesse item seguem orientações introdutórias para Auditoria de Planos Corporativos Ambientais – APCA. No entanto, sua sistemática pode ser aplicada a outros sistemas de gestão ou a qualquer conjunto de processos e procedimentos que a organização utilize para atender à qualidade das relações que mantém com o Ambiente.

A figura a seguir oferece o quadro lógico do processo de APCA.

Quadro lógico da APCA

Quadro lógico da APCA

A organização produtiva que contrata uma auditoria define quais são as suas unidades e/ou funções que deseja que recebam auditoria, isto é, define o Escopo da Auditoria.

As auditorias são realizadas com base em (i) leis, (ii) normas, (iii) contratos subscritos, (iv) melhores práticas reconhecidas pelo mercado ou (v) nos elementos do instrumento de gestão utilizado pela organização.

Por outro lado, a empresa auditora precisa aceitar que o conjunto dos elementos constante do Plano Corporativo Ambiental representa a capacidade da organização em Gestão Ambiental e da Sustentabilidade (GAS) e constituirá o Critério da Auditoria, ou seja, o conjunto de padrões ambientais de referência contra os quais a auditoria será realizada.

Quando esses elementos não existem, a capacidade de gestão da organização torna-se mais vulnerável. Nessas situações a legislação em vigor no país passa a ser o Critério (obrigatório) da Auditoria.

Deve-se salientar que a organização que já possua ferramenta específica para GAS e realiza auditorias de forma sistemática é diferenciada em seu desempenho quando comparada às suas concorrentes.

5.3.1. Fases da APCA

Todas as auditorias constituem uma relação bastante profissional entre a organização a ser auditada e uma empresa auditora. O sigilo absoluto das informações coletadas é fator de extrema relevância entre as duas partes e seus funcionários, ou seja, empresas, auditores e entrevistados.

As auditorias precisam evoluir em processos suaves e transparentes, sobretudo por parte dos auditores. Sendo assim, organizam-se em três fases: pré-auditoria, auditoria e pós-auditoria.

A figura a seguir auxilia na visão do conteúdo essencial dessas três fases de uma auditoria, tendo como critério um Plano Corporativo Ambiental.

Fases do processo da auditoria de PCA

Fases do processo da auditoria de PCA

# Fase A: Pré-auditoria

Após uma empresa especializada ser convidada para realizar uma auditoria, a primeira tarefa dos auditores, antes mesmo de aceita-la, é solicitar informações acerca da organização. Garantido o completo sigilo, essas informações são obtidas por meio de contato pessoal, realizado somente pelo auditor líder.

Para consolidar o Plano da Auditoria, as informações de interesse são as seguintes:

  • A planta do layout geral da organização, localizando suas unidades produtivas;
  • Documentos relativos ao seu fluxo de processos pré-produtivo e produtivo;
  • Documentos relativos a seus Sistemas de Melhoria do Desempenho Ambiental;
  • O organograma da organização, com destaque para a função de GAS;
  • Uma cópia de seu manual de gestão ou documento similar;
  • Documentos relativos a auditorias anteriores que haja realizado;
  • Documentos de contratos, normas adotadas e convenções que haja subscrito;
  • Eventuais documentos fotográficos e de vídeo disponíveis; e
  • Outros documentos específicos da atividade da organização a ser auditada.

# Fase B: Auditoria

Inicia-se então a segunda parte dos trabalhos, que constitui a auditoria propriamente dita. A empresa auditora elabora a programação da reunião de abertura e marca a data para o evento. Para tanto, solicita à organização algumas informações sobre o evento de abertura, a saber:

  • Nome completo do funcionário que será responsável pela gerencia das atividades da auditoria na organização, cargo ocupado, telefone fixo, celular e e-mail;
  • Lista dos participantes da reunião, com nome completo e cargo ocupado;
  • Local de realização da reunião de abertura da auditoria, com equipamentos disponíveis de informática, de áudio e de vídeo.

Após a reunião de abertura têm início as atividades de campo. Findo os trabalhos de campo, com relatórios diários de cada auditor, o auditor líder consolida o relatório final da auditoria.

A tarefa seguinte aos trabalhos de campo é a reunião de encerramento da auditoria realizada, com a apresentação das evidências, não conformidades, exceções e observações efetuadas. A última tarefa desta etapa é a elaboração do relatório final dos trabalhos, a cargo do auditor líder, assessorado por sua equipe.

# Fase C: Pós-auditoria

Com base no relatório final da auditoria, a organização auditada elabora um plano de ações corretivas e preventivas. Normalmente, este plano é submetido à empresa auditora a fim de obter sua opinião sobre a efetividade do plano elaborado.

Por fim, é comum e benéfico que a organização faça um contrato de supervisão dos resultados do Plano de Ação, de sorte a obter mais um crédito externo de que suas ações foram devidamente implantadas e de que os resultados esperados foram ou estão sendo alcançados.

5.3.2. Atividades da Fase B: Auditoria

A fase da Auditoria Ambiental propriamente dita possui restrições operacionais que são básicas e estão adiante descritas. Mas antes deve ser analisada a figura abaixo, que apresenta a sequência de suas atividades.

À exceção da primeira, todas as demais atividades são realizadas em campo. Ou seja, com o time de auditores hospedados em hotel próximo à empresa a ser auditada, no chamado “hotel de campo” (gíria de antigos auditores). Embora a reunião de abertura da auditoria normalmente seja feita na empresa auditada, é desejável que a reunião de fechamento seja realizada neste hotel. Durante a realização da auditoria nenhum auditor retorna à residência.

A equipe precisa ser reduzida, contando com 5 (cinco) auditores no máximo, como no caso de plantas industriais de maiores dimensões.

A alocação de cada um em trabalhos de auditagem, cruzamento de informações com a equipe e produção de relatórios, é de 16 horas diárias, independentemente da duração da auditoria. Por isso, diversos auditores líderes afirmam que, para terem qualidade, as auditorias ambientais devem ser realizadas em, no máximo, dez dias de campo.

Etapas da Fase B: Auditoria de PCA

Etapas da Fase B: Auditoria de PCA

5.4. Entrevistas para auditoria de PCA

A maior parte do tempo despendido pela equipe em suas atividades é dedicada a entrevistas programadas com funcionários da organização – Levantamento de evidências e não-conformidades. As competências necessárias para realizar uma boa entrevista não constituem dotes inatos e podem ser desenvolvidas através de treinamento e prática.

Considerando os locais, a duração, as finalidades e o nível de formalidade requerido, é razoável afirmar que as entrevistas de auditoria devem seguir um padrão lógico comum. A figura a seguir apresenta este padrão.

Proposta de padrão para o processo de entrevista

Proposta de padrão para o processo de entrevista

Muito embora as entrevistas possuam características específicas para cada par “entrevistador e entrevistado”, há alguns elementos que não podem faltar nas entrevistas destinadas a auditorias de PCA. O padrão básico é útil para estabelecer um quadro de abordagem em entrevistas capaz de beneficiar os resultados desejados.

Antes de realizar as entrevistas é oportuno obter algumas informações acerca do perfil dos funcionários que serão entrevistados, bem como uma visão geral do que o auditor precisa cumprir em cada entrevista.

Há três elementos que são essenciais em qualquer entrevista de auditoria: (i) a lógica da entrevista, (ii) a predefinição das informações e documentos desejados, e (iii) a organização e o foco do pensamento do auditor.

Estabelecer a lógica de uma entrevista é relativamente simples. O que é básico envolve as questões que se seguem:

  • Quem será entrevistado;
  • Qual cargo ocupa na organização auditada;
  • Quais são a autoridade e as responsabilidades do cargo ocupado;
  • A quem o entrevistado se reporta hierarquicamente.

É fundamental que entrevistador e entrevistado sintam-se confortáveis durante a realização da entrevista. A sala onde se realizará a entrevista deve ser sossegada, preferencialmente sem interrupções, e a entrevista precisa ser objetiva e, tanto quanto possível, rápida.

As respostas desejadas pelo auditor devem ser planejadas. Nenhum profissional deve seguir para uma entrevista sem antes haver listado as informações e documentos que deverá obter do entrevistado.

É interessante elaborar uma linha mestra de cada entrevista, contendo os temas de interesse e a sequência preliminar das questões a serem formuladas. Não se trata propriamente de elaborar um questionário, mas apenas desenhar a orientação da entrevista, visando à memorização do auditor.

Em muitas entrevistas, no entanto, é comum que novas questões sejam formuladas em função das respostas obtidas. Tal como em um trabalho de detetive, o auditor precisa estar atento às respostas que recebe, efetuando anotações sempre que necessário, e a verificar eventuais necessidades de questões complementares antes não previstas.

Em suma, ao encerrar a entrevista o auditor poderá verificar se realmente obteve o que pretendia e se novas informações relevantes foram fornecidas pelo entrevistado.

Há casos isolados de entrevistas com maior duração. Todavia, normalmente não devem ser longas para que possam ser eficientes. De fato, uma série de entrevistas relativamente curtas com maior número de funcionários da organização tem-se mostrado mais eficiente do que poucas entrevistas mais longas.

……….

[1] A expressão “desenvolvimento sustentável”, foi criada em 1987, no Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento, sob a presidência da então primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland.

A definição de “Desenvolvimento Sustentável” ficou com a seguinte redação:

“O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra, preservando as espécies e os habitats naturais”.

Pessoalmente, considero-a um tanto filosófica e utópica, sobretudo pela tentativa de fazer uma “interseção geométrica” entre os Espaços Antropogênico, Biótico e Físico, que estão todos contidos e integrados no “Grande Envelope do Ambiente”.

Análise ambiental para resultados


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

Em síntese, analisar o Ambiente significa identificar e caracterizar todas as relações de causa e efeito que nele se processam ao longo do tempo, bem como os principais agentes, que são seus fatores ambientais básicos – Ar, Água, Solo, Flora, Fauna e Homem, assim como seu comportamento interativo, a conformar ecossistemas estabilizados.

Dessas relações sempre decorrem mudanças na dinâmica dos ecossistemas, as quais podem gerar adversidades ambientais, mas também, ao contrário, reabilitar os benefícios nativos do Ambiente, ou seja, sua sustentabilidade.

À primeira vista, essa narração pode parecer apenas mais uma teoria. Porém, ao ser aplicada em um território, que já foi diverso e abundante, resulta uma prática surpreendente, sobretudo quando os resultados benéficos das mudanças ocorridas no Ambiente são percebidos por todos os seres vivos da região.

Uma análise ambiental específica, de grande valia científica, foi efetuada no Parque Nacional de Yellowstone. Durante mais de seis décadas, Yellowstone não contou a presença de matilhas de lobos. Assim, um grupo de estudiosos reintroduziu cerca de 60 espécimes. A finalidade era a redução da abundância crítica de cervos e alces, criando uma cadeia trófica com a presença de predadores. Porém, os resultados do experimento foram além das previsões iniciais dos cientistas.

Parque Yellowstone

Algumas informações preliminares sobre o parque Yellowstone permitem a visão da amplitude da ação dos cientistas envolvidos. O parque situa-se nos estados do Wyoming, Montana e Idaho.

Encontra-se localizado sobre uma câmara vulcânica de grandes proporções. A área de seu território possui cerca de 8.980 km2. Está assentado sobre um planalto elevado, com média de 2.400 metros de altitude, apresentando um relevo acidentado, com montanhas, vales e depressões do solo. Possui rios, cascatas, lagos, fontes hidrotermais e gêiseres.

Um dos gêiseres em Yellowstone

Um dos gêiseres em Yellowstone

Dadas suas singularidades físicas, a região é estudada desde o século 19, sobretudo após ser legalizada, em 1872, como o primeiro e maior Parque Nacional norte-americano. Graças a essas características, boa parte da vegetação do parque é endêmica. Há documentação sobre cerca de 300 espécies de plantas que somente ocorrem no parque de Yellowstone.

Em decorrência, conforma habitats auxiliados por essas singularidades, a permitir que a região apresente a maior diversidade da megafauna norte-americana.

Antes de prosseguir, sugere-se ao leitor que assista ao vídeo “Como lobos mudam rios”. É de curta duração e esclarece a análise ambiental para resultados, pois mostra um processo teórico aplicado com sucesso em Yellowstone.

Como se pode constatar pelo vídeo, as relações ambientais iniciadas de forma isolada no segmento faunístico, entre poucos lobos e suas presas naturais, propagaram-se para outros segmentos por força da sua causalidade.

Chegaram ao segmento da flora, proporcionando oportunos incrementos vegetacionais em áreas mais sensíveis. Atingiram ainda aos segmentos do solo e da água, com redução expressiva de processos erosivos e fixação do leito de rios. Retornaram ao segmento faunístico com a atração de novas espécies. Dessa maneira, fazem com que os ecossistemas envolvidos reconstruam e ampliem sua estabilidade ambiental [1] de forma espontânea.

Trata-se, sem dúvida, da permanente poesia que o Ambiente é capaz de criar, com sua lógica própria e aleatória. Lógica esta, sempre explicável quando ocorrem trocas justas e ininterruptas de energia e matéria entre seus fatores componentes: ar, água, solo, flora, fauna e homem.

……….

[1] Estabilidade ambiental: Constitui o processo de manutenção espontânea dos ciclos de relações ambientais mantidas entre fatores em permanente interação, conformando ecossistemas estabilizados e, por conseguinte, capacitados para a coevolução e para sua própria sucessão – Kohn, R., Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão, Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos, Grupo Editorial Nacional, 702 pg., 1ª edição. 2014.

Matriz de Impactos Ambientais


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

Em geral, projetos de engenharia requerem a avaliação de seus impactos ambientais, visando a cumprir com requerimentos legais estabelecidos em diversos países. Sem essa avaliação, que é normal em países mais civilizados, não há como gerir da forma adequada suas obras e o empreendimento a que dão origem, depois de concluídas.

No Brasil não é diferente. Contudo, a forma normalmente utilizada precisa de mais suporte técnico-científico. Assim, por força dessa carência, foi desenvolvida, em 1986, a Teoria da Transformação do Ambiente.

Com a aplicação prática desta teoria, resultam duas ferramentas essenciais à avaliação, capazes de estimar as ocorrências de impactos ambientais em uma dada região, com a implantação do projeto de engenharia – obras e operação do empreendimento decorrente. São elas, a HGSI e a Matriz de Impactos Ambientais que a representa em mais detalhes.

Uma breve descrição

A HGSI ou Hipótese Global de Situações de Impacto, constitui a árvore de eventos ambientais que representa a transformação do ambiente. Na copa da árvore encontra-se o evento principal, o Projeto de Engenharia, que é composto pelas intervenções das obras logo abaixo. Essas intervenções promovem várias alterações no ambiente que as recebe. Por fim, as alterações ambientais podem afetar o comportamento e/ou a funcionalidade do ar, da água, solo, flora, fauna e homem, dando origem aos chamados Fenômenos Ambientais.

Todas essas classes de eventos ambientais possuem impactos positivos e/ou negativos. Todavia, são mais visíveis, nas relações de causa e efeito que mantém a árvore de pé, através da Matriz de Impactos, abaixo exemplificada.

Matriz de impactos

Para elaborar a 1ª versão da matriz de impactos [1], alguns aspectos do projeto precisam ser conhecidos pelos analistas, tais como a área em que se localizará, suas vizinhanças, o porte do empreendimento projetado e traços específicos de sua futura operação.

Para o exemplo hipotético da matriz a seguir apresentada, considerou-se os seguintes aspectos do projeto de engenharia: (i) A matriz refere-se ao projeto de uma Usina Hidrelétrica; (ii) Será localizada na região Amazônica; (iii) Tem como vizinhos mais sensíveis ao projeto uma tribo indígena e uma comunidade de pescadores de subsistência; (iv) Formará um reservatório com área de 1.680 km2; e (v) Sua potência instalada será de 12 GWh.

Usina hidrelétrica na Amazônia

Usina hidrelétrica na Amazônia

Por outro lado, somente para facilitar a leitura da matriz, fez-se uma avaliação a priori dos impactos dos eventos identificados. De forma bastante simplificada e não recomendável na prática, criou-se três níveis de impacto:

(i) Eventos com impacto positivo, grafados em azul;
(ii) Eventos com impacto negativo, grafados em vermelho;
(iii) Eventos com impacto não significativo, grafados em branco.

Segue a imagem da primeira versão matriz.

Projeto de Engenharia da Usina Hidrelétrica

Intervenções

Alterações ambientais

Fenômenos ambientais

Intervenções construtivas
Canteiro de Obras
Contratação de mão de obra
  Variação da oferta de emprego
Variação do nível de renda
Variação da arrecadação tributária
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos
Variação do risco de conflitos com comunidades locais
Variação dos níveis de comércio local
Variação da pressão sobre o sistema viário
Transporte de mão de obra
  Variação da qualidade do ar
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Transporte passivo de vetores e agentes etiológicos
  Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Operação de máquinas e equipamentos
  Variação da emissão de ruídos e vibrações
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação do risco de acidentes de tráfego
Formação de vila livre
Essa vila visa a comercializar produtos e serviços, nem sempre considerados legais. A vila livre deve ser considerada como um evento à parte, recebendo tratamento específico para que não seja instalada. Trata-se da ação comercial de comunidades locais atraídas pela disponibilidade de dinheiro dos funcionários da empresa construtora, sobretudo de seus operários. Segue a estimativa de seus fenômenos mais prováveis.
Variação crescente dos processos de desmatamento
Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação crescente do transporte passivo de vetores e agentes etiológicos
Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Variação dos níveis de comércio ilegal local
Variação dos níveis de conflitos com comunidades locais
Reassentamento da população indígena
Variação crescente dos processos de desmatamento
Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação dos níveis de conflitos com comunidades locais
Variação da cultura indígena primitiva
Variação do comportamento institucional público
Desmatamentos e limpeza de terrenos
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Terraplenagem (corte e aterro)
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Operação de jazidas de empréstimo
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da qualidade do ar
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação do risco de acidentes no trabalho
Desmontes e transporte de material
  Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação do risco de acidentes no trabalho
Operação de botaforas
  Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação do risco de acidentes no trabalho
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
Atração da fauna
  Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação da ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da ocorrência de acidentes com animais peçonhentos
Geração de efluentes líquidos
  Variação da qualidade da água dos corpos receptores
Variação da ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Geração e Transporte de resíduos sólidos
  Variação dos riscos de acidentes viários
Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Vila Residencial e Operária
  Desmatamentos e limpeza de terrenos
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Terraplenagem (corte e aterro)
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
  Atração da fauna
  Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Variação do risco de acidentes com animais peçonhentos
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Geração de efluentes líquidos
  Variação da qualidade da água dos corpos receptores
Geração e transporte de resíduos sólidos
  Variação do risco de acidentes viários
Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Sistemas de saneamento básico e drenagem
  Saneamento
  Variação da qualidade da água dos corpos receptores
Drenagem
Variação da drenagem superficial
Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Hotel de Passagem e Restaurante
  Contratação de mão de obra
  Variação da oferta de emprego
Variação do nível de renda
Variação da arrecadação tributária
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos
Variação dos níveis de comércio local
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de conflitos com comunidades locais
  Desmatamentos e limpeza de terrenos
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de particulados
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Terraplenagem
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
Atração da fauna
  Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação da ocorrência de doenças e zoonoses
Variação do risco de acidentes com animais peçonhentos
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Geração de efluentes líquidos
  Variação da qualidade da água dos corpos receptores
Geração e Transporte de resíduos sólidos
  Variação dos riscos de acidentes viários
Variação da ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Estradas de acesso e caminhos de serviço
  Desmatamentos e limpeza de terrenos
    Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de particulados
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Terraplenagem
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
Intervenções produtivas
Barragem, Vertedouro e Casa de Força
  Desmatamentos e limpeza de terrenos
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Desmontes
  Variação dos níveis de ruído e vibrações
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação do risco de acidentes no trabalho
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Terraplenagem
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
  Formação do lago
  Variação da produção de hidrófitas
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Variação da qualidade da água do reservatório
Variação da biodiversidade da ictiofauna
Variação da abundância da ictiofauna
Variação da abundância de aves em ambiente aquático
Variação da abundância de espécies da herpetofauna
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
Atração da fauna
  Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação da ocorrência de zoonoses
Variação do risco de acidentes com animais peçonhentos
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Subestação de Energia
  Transformação e Transmissão de Energia
  Variação da produção de energia elétrica
Linhas de Transmissão
  Distribuição de Energia e Informação
  Variação do Tráfego de Energia
Variação do Tráfego de Informação
Variação das atividades de comércio e serviços
Variação das atividades de desenvolvimento industrial
    Variação da oferta de emprego
Variação do nível de renda
Variação da arrecadação tributária
Variação da qualidade de vida das pessoas
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos

 Considerações finais

A HGSI e a Matriz de Impactos constituem a base para avaliação e gestão. É somente a partir da matriz finalizada que se torna possível ordenar e priorizar os eventos segundo seus impactos quantificados.

A partir desse ponto, torna-se possível elaborar um Plano Corporativo Ambiental que, após ser implantado, permitirá a gestão do empreendimento, visando a garantir seu desempenho ambiental otimizado. Mas estes planos não cabem neste texto, são assunto para artigo específico.

……….

[1] As matrizes de impacto são representações dinâmicas da transformação do Ambiente, dado que parte de suas alterações e fenômenos pode ser otimizada ou é temporária. Por isso, é desejável que tenham diversas versões sucessivas, atualizadas sempre que necessário.

Acesso à internet no Brasil


Em fins de 2013, várias instituições de pesquisa estimaram que no Brasil existam cerca de 105 milhões de internautas. E é para a parcela dos menos informados que se dirige este artigo.

Informes básicos

O acesso à internet pode ser realizado de três formas: (i) a mais antiga, através de uma linha telefônica discada (conexão dial-up) e (ii) a mais moderna, pela chamada banda larga (broad band), que usa dois equipamentos de suporte essenciais – o modem e o roteador. Há ainda o (iii) acesso via rádio, mais usado em áreas rurais.

Em todos os casos, as atividades dos usuários da internet são feitas por meio de sinais elétricos emitidos para satélites de comunicação, os quais se encarregam de retransmiti-los ao destino desejado. Dessa forma, foi preciso criar e instalar uma série de meios de telecomunicação, visando a entregar os serviços gratuitos da rede mundial, na porta da casa de cada cidadão.

Os meios necessários requereram elevados investimentos das muitas partes interessadas na novidade. Podem ser assim simplificados:

─ Lançar satélites geoestacionários na órbita da Terra; implantar cabos coaxiais, de fibra ótica ou metálicos, interligando vários continentes; criar plataformas de softwares básicos para realizar a telecomunicação sem fio (wireless).

Provedor de acesso e conexão na Internet

Provedor de acesso e conexão na Internet

Esse processo, somente disponível há pouco mais de duas décadas, envolveu um incontável número de cientistas e profissionais, trabalhando com foco desde os anos 1960. Culminou quando o físico Tim Berners-Lee e sua equipe criaram a Grande Rede Mundial – Web [1].

Provedores de acesso

Assim foi-se abrindo um grande mercado mundial. Empresários visualizaram a chance montar empresas para comercializar o acesso à internet. Milhões de novos empregos foram criados mundo afora. Mas os primeiros empreendedores foram norte-americanos e, tal como praga infecciosa, provedores de internet se espalharam pelo mundo.

Estima-se que hoje, incluindo o acesso por telefone celular, haja mais de 3 bilhões de internautas no planeta!

Conheça a qualidade de seu acesso

Têm-se vários provedores de internet no Brasil, todos pagos e com seu próprio nível de qualidade. Porém, sem exceção, são bem inferiores aos provedores norte-americanos. Nos EUA ainda existem provedores de banda larga gratuitos, com alta qualidade!

A qualidade da conexão de acesso deve ser analisada pelo usuário por meio de pelo menos duas variáveis: (i) a intermitência do acesso, ou seja, acesso sem interrupção de sinal (“Merda! Caiu a internet!”), e (ii) a real velocidade da banda larga adquirida, uma vez que, nem sempre, o que se contrata com provedores brasileiros corresponde aos serviços que efetivamente se recebe.

Para realizar essa análise existem vários websites na internet que fazem testes da velocidade de acesso de sua conexão. Sugere-se que clique no OOLKLA Speed Test, pois parece ser o teste mais completo e confiável. Tem-se o hábito de fazer esse teste sistematicamente, dado que os resultados demonstram a variação da qualidade dos serviços de um mesmo provedor.

Este website, além de fornecer a velocidade de acesso da conexão, faz comparações entre a sua conexão e outras mais, tanto do Brasil, quanto do planeta. Constitui uma boa medida para o internauta verificar a qualidade dos serviços prestados por seu provedor.

No último teste que se realizou, o OOKLA forneceu as seguintes notas comparativas:

Nota nacional: B+ = 79% e Nota global: B = 63%.

A nota nacional indica que apenas 21% das conexões feitas no Brasil são mais rápidas. No entanto, a nota global mostra como os provedores brasileiros se encontram em comparação com os provedores internacionais, ou seja, 47% das conexões do mundo são mais rápidas!

Recomenda-se que você faça esse teste e verifique a qualidade de seu provedor. Se necessário for, sempre há formas de trocar de provedor.

Por sinal, fez-se a escolha do provedor de acesso nacional com base no conhecimento de especialistas em internet e na longa experiência que se possui. Tem-se certeza que se escolheu o de melhor qualidade, mesmo que ele seja mais lento do que a metade do resto do mundo.

……….

[1] Para conhecer um pouco da História da Internet clique em A Web, Grande Rede Mundial.

Governança pelo Ambiente


Este texto é um esboço empírico-conceitual. Portanto, encontra-se aberto a críticas. A única proposição do autor é receber comentários para, quem sabe, reelaborar e melhorar as proposições nele contidas.

O ensaio teve como premissa que a Governança pelo Ambiente deve resultar do processo da Governança Corporativa, ou seja, ser uma ideia dela derivada. No entanto, sem assumi-la como dogma ou mito, mas somente uma democrática e efetiva ferramenta para a gestão.

……………

Parte-se de uma questão que se considera primordial: ─ “Qual o mais importante e mais rico patrimônio de uma nação?

Há diversas respostas para esta pergunta, muitas delas fundadas em bons argumentos. Por exemplo, a cultura duramente construída pelo povo constitui o patrimônio riquíssimo da nação. Quem tiver dúvida, observe o que sucede na sua ausência.

Outro exemplo: desde que intrínsecos a seu povo, os princípios da moral e da ética de uma nação também constituem excepcional patrimônio a ser ressaltado e protegido.

Por fim, tomando a China como o caso mais singular do planeta, o vertiginoso crescimento econômico, com PIB disparando a taxas formidáveis, também pode ser visto, pelo menos por parte do Estado chinês, como o mais rico patrimônio nacional até então alcançado.

As respostas são inumeráveis. Porém, é provável que em sua maioria sejam relacionadas às ações do indivíduo. Isto é, repostas restritas ao espaço antropogênico. E não há dúvida que os espaços contidos no planeta Terra são bem maiores do que isso.

Dados básicos sobre o Planeta

A superfície total da Terra é da ordem de 510 milhões de km2. Cerca de 71% desta área é recoberta por água salgada. São os oceanos – Ambiente Oceânico –, ainda pouco conhecidos pelo Homem, por ele ser um elemento da biota primitiva com aptidão sobejamente terrestre.

Dos 21% restantes – Ambiente Terrestre –, estudiosos da dinâmica do uso e ocupação do solo, estimam que as áreas urbanas ocupem hoje entre 2 e 3% do Ambiente Terrestre, com tendência de expansão, sobretudo nos países ainda não propriamente desenvolvidos.

Ambiente que pode ser urbano

Ambiente que pode ser urbano

Destinadas a atividades agropecuárias – culturas e pastagens permanentes –, são estimadas áreas equivalentes a cerca de 32% do Ambiente Terrestre, com necessidade de ampliação, visando a alimentar os seres vivos em geral – Flora, Fauna, e Homem.

Por outro lado, as áreas com cobertura vegetal – florestas, matas, savanas, pradarias, etc. – estão na ordem de 30% do Ambiente Terrestre, com possibilidade de expressiva redução por força de atividades humanas.

Para as finalidades deste ensaio não foi necessário destacar as áreas industriais do Ambiente Terrestre, bem como outros usos do solo existentes. Todos estão tratados de forma genérica como usos antropogênicos do solo.

A tabela abaixo sintetiza os números de interesse [1].

Uso do solo no Planeta

Os números mais dinâmicos desta tabela, relativos aos variados usos do Ambiente Terrestre, são gerados por atividades produtivas ocorrentes em todas as nações do planeta, as quais dependem das dimensões e características do Ambiente Oceânico e Terrestre de cada nação.

Parece ser nítido que essa afirmação é lógica e óbvia. No entanto, resta saber de quais atividades resultam efeitos benéficos sobre cada nação e quais, ao contrário, geram a anorexia gradativa de seus espaços físico, biótico e antropogênico.

Para unificar a visão dos leitores, segue o conceito adotado para Ambiente (também denominado estranhamente “meio ambiente”):

É qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (Ar, Água, Solo, Flora, Fauna e Homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como devem ser analisados segundo seus fatores físicos, bióticos e antropogênicos” (Kohn de Macedo, R., 2014[2]).

Verifica-se que, de acordo com esta definição, Ambiente pode ser todo o planeta, um canteiro de plantas ou uma simples gota d’água. Dependerá da abordagem que se deseja para análise e conhecimento de seus elementos constituintes: serão cordilheiras alpinas, espécies endêmicas da flora ou micro-organismos?

De toda sorte, pelo exposto, acredita-se que a questão primordial ─ “Qual o mais importante e rico patrimônio de uma nação?” ─ deve ser respondida da seguinte forma:

─ “O patrimônio fundamental, mais rico e importante de qualquer nação, é seu Ambiente. É de seus elementos constituintes que gestores públicos e privados se utilizam para, em teseconstruir o melhor habitat preferencial do ser humano”.

Porém, com essa resposta, surgem aspectos que demandam análise. Por óbvio, o Ambiente de cada nação é restrito a seus limites físicos e possibilidades de uso, mas há casos extremos que merecem uma análise comparativa, pelo menos com base nas variáveis ambientais constantes da tabela – áreas urbanizadas, área de agropecuária e áreas vegetadas.

Japão e Brasil

Há países situados em áreas sujeitas a eventos ambientais que geram catástrofes humanas, possuem território reduzido, cobertura vegetal parca e entremeada por rocha, bem como solos nativos pouco próprios para a agropecuária. Vários deles situam-se no Ambiente do Círculo de Fogo do Pacífico. Mas considera-se o Japão como exemplo da pobreza ambiental: um país insular, com Ambiente de 377.873 km2, extremamente vulnerável, a sofrer terremotos diários.

Contudo, no outro extremo, existem países que esbanjam a força quase ilimitada de recursos naturais disponíveis em seu vasto Ambiente. Possuem imensas manchas de solo ricas em nutrientes e próprias para a agricultura e pecuária; densa cobertura vegetal, com biomas que se multiplicam em abundância e diversidade de espécies vegetais. Não há dúvida, o Brasil é um excelente exemplo planetário da riqueza ambiental.

Com área territorial de 8.515.767 km2, dentro do Brasil caberiam 22,5 territórios (ambientes) iguais ao do Japão. Entretanto, em 2012, segundo dados divulgados pelo FMI e pelo Banco Mundial, o PIB Japão foi mais que o dobro do PIB Brasil. Como esse fato pode ser explicado em um mundo que se encontra globalizado?

A tese do Ambiente

Há várias formas de explicação desse fenômeno. Mas optou-se pela seguinte linha lógica: a ciência e a tecnologia mais evoluídas são função direta das dificuldades de viver no Ambiente de cada nação. Ou seja, é o Ambiente que estimula a criação da Ciência em cada país. O aparato tecnológico mais sofisticado e relevante resulta da imposição de ter que sobreviver em Ambiente adverso.

Isso é fato desde a origem do gênero Homo na Terra, a cerca de 2 milhões de anos passados. Dentre as sete ou mais espécies do gênero, a única sobrevivente ganhou a alcunha científica de Homo sapiens. Talvez haja sido por sua capacidade de adaptação ao Ambiente em que vivia, certamente bastante adverso diante das ferramentas de que dispunha.

Nas nações em que as condições do Ambiente ameaçam ao Estado, à Sociedade Civil e ao Mercado Corporativo, os atores mais preocupados em financiarem soluções são investidores, tanto do ponto de vista das ciências essenciais, quanto das tecnologias delas derivadas.

Porém, em nações onde a fartura do Ambiente encontra-se no quintal do cidadão – que lança um grão de milho ao solo e logo cresce um milharal –, as perspectivas do desenvolvimento científico e tecnológico podem ser adiadas ad aeternum. Na maior parte das vezes, a evolução científica fica a cargo de poucos cientistas renitentes, mesmo sabendo que serão raros os atores dispostos a financiar seus experimentos e pesquisas.

É justamente como função desse extremo contraste ambiental, que líderes de Estados menos aquinhoados, junto com corporações privadas, apostam em fortes investimentos nas ciências que essenciais à sua sobrevivência. É comum que nessas nações aconteça o total suporte da sociedade civil, acrescida da iniciativa espontânea de seus cidadãos.

A Governança pelo Ambiente

Constitui uma proposta empírica para nações bem dotadas de bens ambientais, quase “eco-potências”, mas que decerto ainda não sabem como proceder seu desenvolvimento de forma estabilizada. Serve também para os povos que são “vítimas permanentes” do subdesenvolvimento. Porém, há três premissas essenciais a serem atendidas pela nação que pensa em implantar a Governança do Ambiente, a saber:

  • Ela é realizada por agentes democráticos, liberais e independentes, quais sejam: (i) a Sociedade civil e suas instituições cidadãs (não-governamentais e apolíticas); (ii) o Mercado produtor e consumidor, através de corporações produtivas e entidades que lhes são próprias; e, por fim, (iii) o Estado, por meio do governo e suas instituições públicas apropriadas.
  • É imprescindível que gestores públicos e corporativos possuam acurado domínio das técnicas da gestão do Ambiente e da sua Sustentabilidade, tanto em seus processos públicos, quanto em seus negócios privados, respectivamente.
  • Todas as escolas públicas e privadas, desde o nível básico do fundamental até o limite máximo do nível superior, precisam oferecer educação plena de elevada qualidade.

O atendimento gradativo a essas premissas, de forma séria e responsável, pode aumentar a confiabilidade na nação, tornar seus processos ambientais transparentes e monitoráveis, desenvolver técnicas próprias de gestão e elevar os níveis de educação da sociedade civil. Por sinal, fator indispensável a qualquer tipo de governança.

Como resultado positivo, embora indireto, espera-se expressiva redução de atos ilegais que podem ser ordinariamente cometidos por qualquer agente ativo. Sobretudo, em nações que possuam governos autocráticos e sejam menos nutridas da moral e da ética públicas.

Para executar a Governança pelo Ambiente

A criação de um Conselho de Governança é básica. No entanto, precisa ocorrer uma inversão de posturas entre seus agentes, pois um deles falará ao Conselho em nome do Ambiente da nação. Assim, essa prática cabe às instituições da Sociedade Civil, com suporte das empresas e instituições privadas que compõem o Mercado.

As ações do Conselho visam à manutenção da Sustentabilidade do Ambiente da nação, bem como a garantia da qualidade do Desempenho Ambiental das empresas que constituem seu Mercado produtor. Dessa forma, cabe ao Estado a aprovação das normas legais que garantam a sustentabilidade e o desempenho ambiental adequados, conforme definidos e requeridos pela Sociedade Civil.

Por fim, cabe ao Conselho de Governança as ações de fiscalização no uso das normas legais aprovadas, ficando fora de qualquer votação o agente fiscalizado.

As atividades e processos do Conselho podem ser assim sumarizadas;

  • Elaboração conjunta da agenda ambiental da nação, visando ao curto, médio e longo prazos. Portanto, trata-se da definição de alvos estratégicos, táticos e operacionais.
  • Identificação das partes interessadas na execução da agenda aprovada, onde são identificadas aquelas que poderão ser parceiras na realização de planos, programas e projetos ambientais estruturantes.
  • Implantação da agenda e de sistema para sua monitoração, operando na internet sem qualquer obstáculo para acesso, permitindo o controle dos alvos da agenda, bem como de seus planos, programas e projetos ambientais.
  • Por fim, a avaliação dos resultados alcançados e ajustes dos desvios encontrados, para atualizar a agenda inicialmente concebida.

Como em qualquer processo de Governança, cabe à Sociedade Civil e ao Mercado o controle das ações ambientais promovidas pelo Estado, de forma a legitima-las ou não, em acordo com a agenda aprovada. O Governo precisa ser transeunte, sem gorduras monetárias e submisso aos interesse da sociedade e do mercado que ela constrói.

……………

[1] Os valores constantes da tabela estão arredondados, uma vez que para efetuar considerações acerca de cada uso do solo somente interessam suas ordens de grandeza relativas ao Ambiente da Terra.

[2] Kohn de Macedo, R., Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão, Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos, GEN – Grupo Editorial Nacional, 702 pg., 1ª edição. 2015. Em processo de edição, com lançamento previsto para junho próximo.

Estudos ambientais: objetivos e essenciais


Passados 38 anos da criação do mercado nacional de estudos ambientais, verificam-se três processos ocorrentes, que são básicos e racionais para a economia do setor:

  • A elaboração de metodologias ambientais, visando a atender às demandas do mercado;
  • Inúmeros cursos de graduação e pós-graduação que são oferecidos por universidades, para fortalecer esse mercado específico; e, por fim,
  • O expressivo contingente de estudantes que deseja realizar esses cursos, visando a atuar nesse mercado.

Na prática, as melhores metodologias compõem a Ciência do Ambiente. A universidade, por sua vez, oferece-a a seus alunos. Por fim, os que são formados com maior dedicação e afinco, a aplicam em empresas do mercado.

Nos países que detém economia mais sólida e que possuem bom nível de civilidade, este é o processo normal da evolução das profissões que requerem uma formação superior. Para visualizar a sequência desse processo, veja o diagrama a seguir.

A filtragem própria da ação do Mercado

Filtragem própria da ação do mercado

Em qualquer sistema econômico é o mercado que promove o desenvolvimento científico e, em consequência, a inovação com oferta de tecnologias. Essa assertiva pode ser considerada arriscada, dado que, em tese, fazer ciência depende apenas de escolas apropriadas, centros de pesquisa e cabeças inovadoras.

Todavia, na visão aqui defendida, professores, alunos, cientistas e pesquisadores são parte do mercado produtor e consumidor de novas abordagens científicas. E no segmento ambiental não é diferente, pois esse mesmo processo ocorreu no Brasil, enquanto houve um bom mercado produtor e consumidor.

Apenas em função de sua tenra idade, boa parte da Ciência do Ambiente disponível foi criada e desenvolvida por estudiosos avulsos do tema, fora dos quadros da Academia. Claro que as universidades também contribuíram para realizar essa tarefa. No entanto, seus cientistas e pesquisadores sempre levaram em conta os conhecimentos acumulados pelos especialistas no assunto.

De toda forma, no curto período 1986-2007, a Universidade formou e cedeu ao mercado várias turmas de profissionais de qualidade ao setor ambiental, tanto para atuarem em organizações públicas, quanto em empresas privadas.

Estudos ambientais versus investimentos

A partir de 2008, em função da crise financeira mundial, embora a Universidade mantenha sua fábrica em plena atividade, o mercado gradativamente foi-se acanhando.

No Brasil, os investimentos públicos e privados foram reduzidos a partir dessa data. A política adotada pelo governo era apenas a de fortalecer o consumo interno:

─ “Comprem geladeira, televisão, máquina de lavar e um carro que nunca tiveram”, dizia o canhestro chefe do executivo que, após liberar o crédito, acreditava que poderia aumentar a demanda num mercado global. Essa medida pontual causou um pequeno impacto na economia, mas somente durante o ano de 2010. E, obviamente, não se sustentou[1].

Por outro lado, a legislação ambiental tornou-se ainda mais restritiva aos investimentos produtivos, por demandar estudos ambientais cada vez mais complexos e onerosos para que fossem implantados novos empreendimentos.

A resultante dessas duas variáveis – a queda do investimento e a crescente interferência legal – fez com que o mercado de estudos ambientais sofresse expressiva redução. Afinal, sem investimentos não há estudos de impacto, implantação de programas ambientais ou auditorias. Vale dizer, estas eram as principais práticas demandadas por esse mercado.

Em suma, é triste ver o cenário em que vive hoje a consultoria ambiental no país: perda de incontáveis postos de trabalho, fechamento de empresas dedicadas ao setor, aquisição de consultoras nacionais por empresas estrangeiras e, ainda que de forma legal, os principais contratos ambientais pertencem ao portfólio de empresas da engenharia civil.

Nada contra as consultoras em engenharia, mas elas só dominaram o mercado ambiental até o início dos anos 1990. Tê-las de novo à frente, em 2014, pode ser um perigoso retrocesso para o setor, assim como seria estranho se escritórios de advocacia passassem a elaborar projetos de engenharia.

Sugestão

Há meios para reverter o cenário de possível estagnação do setor. De outra forma, reorientá-lo com um novo rumo Norte. Embora o mercado seja seu maior estímulo, cabe à Academia transferir sua inteligência. Assim sendo, cabe aos especialistas a produção de textos didáticos e práticos, que orientem universitários para atuarem neste segmento econômico.

Há empresas que precisam participar da Fábrica de Inteligência. São obras da iniciativa privada e que foram organizadas para oferecer treinamento intensivo no uso de metodologias ou modelos atualizados que compõem a Ciência do Ambiente. Essas empresas têm como foco principal os profissionais do setor e aqueles que cursam o último período da graduação.

Tendo como premissa estratégica que investimentos produtivos voltarão a ocorrer no país, acredita-se que os estudos ambientais precisam se tornar mais objetivos e, em consequência, menos onerosos. Cabe ao Estado rever a legislação ambiental vigente, de forma acompanhar a dinâmica do mercado, e permitir que os estudos ambientais sejam aceitos e indispensáveis, sem dores para os bolsos dos investidores.

______

[1] O canhestro não tinha ideia que a oferta de produtos manufaturados estava congelada. Acelerar o consumo interno naquelas condições, derrubando a taxa básica de juros, era o mesmo que dinamitar a inflação. Por sinal, a inflação foi represada de maneira arriscada, por força da chamada “contabilidade criativa”, que atrapalhou as finanças das empresas estatais envolvidas.

Sveltina


“Sveltina”…

Propaganda de janeiro de 1923, em Roma.

A invenção de "Madama Renata"

A invenção de “Madama Renata”

Interessante, dado que a tradução literal da palavra “sveltina” é “rapidinha“. Sem saber dessa origem, muitos brasileiros repetiram isso várias vezes, pelo menos nas décadas de 1960 e 70…

E tudo nos leva a crer, pelo escrito na última linha do tarifário “della rinomata casa del piacere”, foram os romanos que inventaram a prática do “estudante paga meia” pelo mesmo serviço. Na época, em Roma, os militares “gozavam” da mesma vantagem.

Premissas para Estudos Ambientais


Esse artigo refere-se a umprojeto executivo de engenharia”, embora possa ser utilizado da mesma forma para uma obra ou uma organização produtiva existente.

Antes de serem iniciados, estudos ambientais demandam que a equipe envolvida estabeleça certas premissas básicas. São condicionantes que definem o marco inicial dos estudos, a partir do qual os trabalhos serão desenvolvidos. As premissas são testadas, evoluem durante a realização dos estudos e, por fim, são consolidadas em seu relatório final.

Para tanto, pelo menos três tipos de informação são necessários:

  • Informação acerca da natureza dos estudos desejados;
  • Informação acerca do projeto a ser estudado; e
  • Informação acerca da localização geográfica do projeto.

Sobre a natureza dos estudos

São muitos os tipos de estudos ambientais normalmente solicitados pelo mercado. Seguem alguns exemplos:

  • Estudos preliminares de viabilidade ambiental; Estudos para caracterização de sistemas de melhoria do desempenho ambiental; Elaboração de matrizes de impactos ambientais; Estudos para elaboração de diagnósticos ambientais; Programação e gestão de trabalhos de campo; Estudos para avaliação de impactos ambientais; Estudos de impacto ambiental; Planos de gestão ambiental; Auditorias ambientais; Elaboração de projetos ambientais; Planos de ações ambientais; Planos executivos de gestão ambiental de obras de engenharia; e Programação e levantamento de passivos ambientais, dentre outros.

Além desses estudos técnicos, há ainda assessorias técnicas destinadas à organização da função ambiental em uma empresa, tais como:

  • Elaboração de termos de referência; Organização e operação de comitês de gestão ambiental e da sustentabilidade; Organização e operação de ouvidorias ambientais; e Elaboração e implantação de códigos de conduta ambiental.

É quase certo que a maioria dos executivos que demanda esses estudos ainda desconhece este leque de facilidades oferecidas pelas ciências da gestão do setor ambiental.

Sobre o Projeto

Do ponto de vista ambiental, para o estabelecimento de premissas, basta sabermos duas coisas:

  • Qual a natureza do projeto a ser estudado e quais são suas dimensões.
  • Trata-se de um projeto pontual, linear ou regional? [1]

Sobre a localização

Devemos encontrar respostas sucintas para duas questões básicas:

  • Do ponto de vista ambiental, como é a região em que se localizará o projeto?
  • Existem estudos já realizados e documentos que possam ser disponibilizados?

Para obter estas informações recomendamos uma visita ao cliente. Não sendo possível, o uso de e-mail é razoável. É importante documentar e registrar o processo de obtenção das primeiras informações e toda a troca de correspondência com o proprietário do projeto ou seu representante.

Sugerimos usar uma lista de verificação, conforme a constante no modelo abaixo.

LEVANTAMENTO DE INFORMAÇÕES

Cliente: <Nome, endereço e contatos do cliente>.

Natureza do estudo solicitado: <Nome do estudo ou serviço solicitado>.

Natureza do projeto: <Pontual, linear ou regional>.

Etapa do projeto: <Projeto, obras ou ampliação>.

Fluxo de processos: <Somente para projetos em andamento é desejável que seja obtido o seu fluxo de processos simplificado, caracterizando seus insumos produtivos e seus produtos>.

Localização do projeto: <Região em que se localiza o projeto e coordenadas geográficas de sua área de implantação>.

Características da região de inserção do projeto: <Descrição sumária da região indicando o que possui de primitiva, alterada, rural, industrial e urbana>.

Dimensões do projeto: <Dimensões físicas, área ocupada, comprimento linear, capacidade de produção, oferta potencial de trabalho, valor estimado do investimento>.

Estudos e documentos disponíveis: <Lista os estudos disponibilizados, termo de referência, documentos, diplomas legais, plantas e fotografias>.

Esta é a situação que o consultor normalmente encontra quando solicita informações para estudos: as informações são reduzidas e limitadas. Mas, com certeza, será a partir delas que precisará iniciar os trabalhos.

I. Premissas de estudos ambientais

Para estabelecermos as premissas de um estudo precisamos definir o problema que temos pela frente da melhor forma possível. E em qualquer abordagem que se use, há uma espécie de “reação ambiental” que define o problema, qual seja:

Projeto + Área de Influência → Impactos benéficos+ + Impactos adversos

Imaginemos que colocamos duas substâncias em um tubo de ensaio. São elas: o projeto e sua provável área de influência. Caso fosse uma reação química teríamos como resultado “impactos ambientais positivos” mais “impactos ambientais negativos”. Mas, quimicamente, os reagentes (projeto e provável área de influência) seriam transformados em impactos ambientais, desaparecendo em sua forma e condição inicial.

Todavia, quando estas reações são de ordem ambiental, isso não acontece. Os reagentes realmente se transformam, mas cada um no seu tempo e apenas em parte. Primeiro o ambiente original transforma-se. Depois, o próprio projeto, caso seus gestores tenham competência técnica e gerencial. Ambos por força dos impactos causados pela reação ambiental. Além disso, os impactos não são ambientalmente adicionados, mas coexistem sem perder suas respectivas forças de transformação. E a reação ambiental ficaria com a seguinte forma:

Projeto + Área de Influência → Impactos benéficos+ e Impactos adversos

A esta altura conhecemos muito pouco acerca do projeto e de sua provável área de influência. Contudo, em tese, sabemos que é necessário evitar que alterações ambientais mais desfavoráveis, dele decorrentes, “reajam” com as vulnerabilidades ambientais [2] de sua área de influência. Com esta preocupação, é provável que os impactos e retroimpactos ambientais adversos (negativos) ocorram em menor escala.

Da mesma maneira, devemos estimular que alterações ambientais mais favoráveis, também proporcionadas pelo projeto, “reajam” com as potencialidades ambientais [3] de sua área de influência, intensificando os impactos e retroimpactos positivos.

As premissas para estudos ambientais envolvem dois aspectos:

  • A legislação ambiental em vigor, relacionada com a natureza do projeto e de sua área preliminar de influência; e
  • A primeira estimativa hipotética dos impactos ambientais que poderão se manifestar na área de influência.

Para elaborar estas premissas deveremos convidar dois especialistas, pois dificilmente será encontrado no mercado, brasileiro ou internacional, um profissional que seja, ao mesmo tempo, especialista em legislação ambiental e em estudos ambientais. No entanto, os estudos dependem da lei. Assim, cabe uma observação. Em algumas oportunidades encontramos advogados que afirmam dominar as técnicas de estudos ambientais e especialistas em estudos do setor que afirmam que não há necessidade de contratar “advogados ambientais”. Ambos estão enganados. Ambos são necessários e imprescindíveis, pelo menos no Brasil.

No estabelecimento das premissas o conjunto de diplomas legais a ser considerado envolve apenas os de nível federal. Até porque, neste estágio não há tempo disponível para garimpar diplomas legais estaduais e municipais. Dos diplomas federais precisamos tão-somente do número do diploma, sua data de emissão, o nome da entidade que o emitiu e sua ementa. Os analistas ambientais mais experientes basicamente já sabem do que tratam esses diplomas.

Quanto à segunda premissa, devemos elaborar a primeira matriz hipotética de impactos ambientais.

Ressaltamos que o estabelecimento destas premissas é atividade que acarreta expressivas economias na elaboração dos estudos, beneficiando diagnósticos ambientais, eventuais estudos de conformidade legal e um plano ambiental que venha a ser elaborado.

1. Visita a campo

É desejável que seja realizada uma visita à área do projeto – à área desconhecida. Diante de projetos complexos ou com grandes dimensões, a primeira visita é imprescindível.

Parte de uma região visitada para um projeto hoteleiro

Parte de uma região visitada para um projeto hoteleiro e equipamentos turísticos anexos

Deve ser realizada pelo menos por duas pessoas: ou dois consultores ou um consultor e um representante do cliente. Em casos complexos, a visita deve ser realizada por três especialistas em espaços físico, biótico e antropogênico, além do representante do cliente, preferencialmente um engenheiro que conheça a natureza do projeto a ser trabalhado.

A finalidade da visita é a identificação das vulnerabilidades e das potencialidades ambientais da área, bem como a demarcação preliminar da área de influência. Secundariamente, se for necessário, efetuar contatos locais com instituições e pessoas do setor ambiental. Há casos em que a área do projeto já é conhecida pelos consultores. Mesmo assim, recomendamos que a visita seja realizada, pois sempre haverá aspectos novos ou que não foram identificados em visitas passadas.

A visita a campo deve ser realizada, no máximo, em até dois dias, sem considerar eventuais deslocamentos aéreos e terrestres. Ou seja, até dois dias integrais na área de interesse.

2. Programação da visita

A programação da visita é básica para a eficiência dos trabalhos locais. O tempo disponível é curto e deve ser devidamente aproveitado. Vamos admitir que a visita será realizada por um consultor externo e um representante do cliente.

Com o auxílio do representante do cliente, o consultor programará os horários e os locais que serão vistoriados durante a visita, procurando ordená-los da melhor forma, considerando as distâncias a serem percorridas e a necessidade de luz para eventuais tomadas fotográficas. É importante identificar quais informações serão coletadas para subsidiar a programação de eventuais diagnósticos temáticos.

O consultor deve preparar o material técnico para a visita de campo, qual seja:

  • O ementário legal federal associado ao projeto e à sua área de influência, para consultas em qualquer eventualidade de caráter jurídico;
  • A hipótese de situações de impacto formulada, através da qual verificará vulnerabilidades e potencialidade ambientais da área visitada, considerando todos os elementos necessários, como clima, relevo, solos, recursos hídricos, biomas, comunidades silvestres e comunidades humanas, destacando os elementos vizinhos ao projeto;
  • Mapa ou imagem da área a ser visitada, em papel, para eventuais localizações de elementos de maior interesse e indicar as tomadas fotográficas efetuadas;
  • A lista de contatos técnicos locais, que poderá ser utilizada caso haja tempo disponível ou seja vital por qualquer motivo diretamente associado ao projeto;
  • Em último lugar, por óbvio, uma caderneta e canetas coloridas para anotações de campo.

Os equipamentos a serem disponibilizados para uso no campo são notebook, GPS, máquina fotográfica digital e telefone celular.

Em casos de necessidade de deslocamentos interestaduais as necessidades logísticas, como passagem aérea, hotel, aluguel de veículo e rádios de comunicação devem ser realizadas pelo cliente e supervisionadas pelo consultor. Vale dizer que, mesmo em visitas no mesmo estado de residência do consultor, todas as despesas diretas correrão por conta do cliente. E, dependendo da natureza da região a ser visitada, outras providências devem ser tomadas em tempo hábil, tais como vacinas contra zoonoses e seguros de acidentes e de vida.

3. Relatório da visita

As atividades de campo devem ser documentadas através de relatórios, apresentando com os melhores detalhes as possíveis vulnerabilidades e potencialidades ambientais potenciais que hajam sido identificadas. Sugerimos que os consultores, sempre que tiverem dúvida quanto à existência de determinadas vulnerabilidades, optem pela maior severidade em sua avaliação, justificando todos os quadros ambientais que julgarem mais sensíveis.

Esta postura dará garantia de que grande parte das variáveis ambientais de interesse será coberta, mesmo aquelas para as quais não haja informações suficientes para confirmá-las, pois na sequência dos estudos serão esclarecidas e consolidadas.

É importante que todos os relatórios emitidos sejam bem estruturados, organizados racional e logicamente, de forma a facilitar o entendimento do cliente. A título de sugestão segue uma estrutura para a elaboração de relatórios de visita a campo:

RELATÓRIO DE VISITA A CAMPO

Cliente: <Nome, endereço e contato no cliente>.

Período da visita: <Informa o período gasto na visita>.

Natureza do estudo solicitado: <Nome do estudo ou serviço solicitado>.

Nome do projeto: <Razão social do projeto ou nome com que é conhecido>.

Etapa do projeto: <Projeto, obras ou ampliação>.

Localização do projeto: <Localização mais detalhada do projeto, lançada em carta geográfica (imagem orbital) e documentada através de fotografias locais>.

Ementário legal: <Lista dos diplomas legais utilizados, contendo número-código, data de emissão, instituição emitente e respectiva ementa>.

Vulnerabilidades ambientais: <Discrimina, caracteriza e justifica as áreas mais sensíveis a transformações ambientais em função de seu relevo, de seu clima, de seus solos, de seus recursos hídricos, de seus biomas e de suas comunidades, inclusive a humana. Documenta cada área com tomadas fotográficas, sempre que possível. Destaca os fatores ambientais localizados na vizinhança imediata do projeto>.

Potencialidades ambientais: <Discrimina, caracteriza e justifica as áreas mais resistentes a transformações ambientais em função de seu relevo, de seu clima, de seus solos, de seus recursos hídricos, de seus biomas e de suas comunidades, inclusive a humana. Documenta cada área com tomadas fotográficas, sempre que possível. Destaca os fatores ambientais localizados na vizinhança imediata do projeto>.

Atualização da hipótese de impactos: <Com base na visita e nas vulnerabilidades e potencialidades identificadas, ajusta e emite a segunda versão da matriz de impactos>.

Contatos realizados: <Discrimina os contatos locais realizados e, se necessário, apresenta as informações obtidas>.

Informações coletadas: <Discrimina os temas e as informações coletadas nas atividades de campo>.

Informações complementares: <Texto livre para a apresentação de quaisquer outras informações de interesse, não previstas na programação da visita>.

Conclusões: <Texto livre para as conclusões dos consultores acerca da visita realizada>.

Os consultores que desejarem utilizar o modelo acima, poderão adequá-lo às necessidades de cada estudo que estiverem a realizar. Porém, fazemos uma recomendação: sejam claros e sucintos em seus textos, apresentando somente o que julgam ser relevante.


[1] Projetos pontuais: indústria, aeroporto, hidrelétrica, hospital, etc. Projetos lineares: rodovia, dutovia, linha de transmissão, etc. Projetos regionais: parque eólico, usina solar, sistema de saneamento básico, implantação de uma cidade, etc.

[2] Vulnerabilidades da área de influência de um projeto consistem em áreas mais sensíveis a transformações, em função de seu relevo, de seu clima, de seus solos, de seus recursos hídricos, de seus biomas e de suas comunidades, inclusive a humana.

[3] Potencialidades de área de influência de um projeto consistem em áreas mais resistentes a transformações ambientais, em função das mesmas variáveis consideradas para as vulnerabilidades.

A “Internet das Coisas”


Na revista Veja de sábado passado foi publicada uma reportagem especial com o título “A Revolução da Internet das Coisas”, assinada por Filipe Vilicic. Filipe é um jornalista nascido em São Paulo, editor de Ciência e Tecnologia na revista Veja/Abril.

Basicamente, o texto trata da última aquisição do Google: a empresa Nest, fundada há pouco mais de três anos, adquirida, com porteira fechada, por 3,2 bilhões de dólares. E o motivo aparente foi um termostato para domicílios.

A princípio, parece uma informação descabida. Quem pagaria mais de três bilhões de dólares por uma nova “fábrica de termostatos?!

Mas não há dúvida acerca da genialidade dos sócios fundadores da Nest, instalada em Sillicon Valley [1]. Verificaram que, dadas as normais variações diárias do clima nos Estados Unidos, a maioria das residências possui um termostato [2]. Porém, são equipamentos que precisam ser calibrados manualmente pelos usuários.

Imagem do termostato tradicional

Imagem do termostato tradicional

O CEO da Nest [3], Tony Fadell, e seu sócio, Matt, concluíram que fariam coisa melhor. Assim, criaram um termostato digital, que “aprende” os hábitos do usuário e pode receber comandos wi-fi via celular, tablet ou computador. Funciona automaticamente e regula a temperatura do ambiente, com base nas variações do “humor climático” da região e dos hábitos da família usuária.

Termostato Next - design e inteligência

Termostato Nest – design e inteligência

Sem paralelo são seu tamanho reduzido, leveza e design. Segundo a reportagem, desde que foi lançado, estão a serem comercializados 100.000 desses aparelhos por mês, ao preço unitário de US$ 249. Observem que a Nest já está presente nos mercados norte-americano, canadense e britânico.

O maior interesse do Google

A visão do Google não se resume ao termostato e a outros aparelhos da Nest. Um executivo da Neura – empresa especializada na prospecção de softwares capazes de conectar objetos – diz que o Google pretende criar a “internet das coisas”, ou seja, fazer com que pessoas, animais domésticos, residências, equipamentos urbanos e objetos em geral, que fazem parte do dia-a-dia das pessoas, sejam capazes de trocar informações úteis entre si e de realizar serviços que despendem tempo produtivo, pois sobrecarregam quem trabalha com o conhecimento.

Quanto às técnicas que deverão ser utilizadas, não temos meios de discuti-las. Mas é possível afirmar que há várias iniciativas de grandes empresas e universidades que convergem para realizar a “internet das coisas”: comunicação entre veículos (velocidade e trajetória), sensores capazes de detectar e identificar um indivíduo, dispositivos de voz associados aos sensores, prédios inteligentes, dispositivos que permitem a localização de pessoas, aparelhos com inteligência artificial, etc.

Mas há ameaças e riscos

Sem dúvida, há vários benefícios que poderão ser obtidos com a “internet das coisas”. Sobretudo, no que diz respeito ao trabalho cerebral, sua racionalização e aumento de produtividade. No entanto, cremos que também haverá graves riscos, quando tudo à volta estiver fornecendo informação acessível a todos.

Todas as ameaças e riscos decorrerão do mal uso da informação. O mesmo dispositivo que localiza crianças perdidas, também localizará vítimas de crimes de diversas naturezas. Um autocrata, ansioso para tornar-se ditador, de posse de informações sobre seu povo, decerto o destruirá.

A ciência e a tecnologia, que poderão criar a Internet das Coisas, possuem duas características típicas: são céticas e desconhecem a direção dos melhores valores humanos.


[1] Região da Califórnia, com área de aproximadamente 3000 km2, que envolve várias cidades. O Vale, desde os anos 1960, é dedicado à criação, desenvolvimento e produção de inovações na área da eletrônica e informática. Hoje essa região detém atrações para grandes investidores e reúne a maioria das potências industriais norte-americanas das áreas a que foi dedicada: Adobe, Apple, Google, Intel, Oracle, etc. É interessante o fato de 1/3 de sua população ser formada por estrangeiros.

[2] Em residências os termostatos são adotados para o controle da temperatura ambiente, com a finalidade de ligar ou desligar equipamentos de refrigeração, ventilação, aquecimento, conforme varia a temperatura; ou notificar quando ela atingir o valor em que está calibrado.

[3] Página da Nest: https://nest.com/.

Desastres e tragédias


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

Faz pouco tempo que clima, flora e fauna tiveram sua existência descoberta pelo sapiens e ganharam destaque em canais a cabo internacionais. Alguns transmitem bons documentários, trazendo imagens de campo com forte apelo científico. Dentre eles, destacam-se os que têm bons narradores, que conhecem bem a matéria e convidam experts para explicar como podem se comportar esses fatores ambientais.

Embora com menor frequência, há ainda canais a cabo que trazem entrevistas com notórios cientistas. A diferença é que tudo acontece dentro de uma sala refrigerada, típica do habitat humano. Dessa forma, há debates que iluminam as ideias daqueles que as assistem, desde que o mediador fale menos do que os cientistas. E isto nem sempre ocorre.

Recentemente assisti a uma entrevista em um canal a cabo nacional. Dois especialistas foram convidados e, apesar de não simpatizar com o mediador – um incômodo grilo falante –, assisti às explanações dos cientistas até o fim.

O pano de fundo da entrevista foi, outra vez, desmatamento no Brasil, aquecimento global antropogênico (aquele causado pelas atividades humanas) e desastres naturais.

Sobre desmatamento e aquecimento global creio que já falei bastante neste blog. No entanto, sobre desastres e tragédias naturais ainda não me detive o suficiente. Considero-os um grave desvio conceitual e, sobretudo, um erro crasso na análise de causa e efeito. Por isso, dou-lhes “zero, nota zero!”, pois desconhecem o Postulado da Causalidade.

Desastre humano com tragédias

Desastre do sapiens, com tragédia consequente

Explico

Todos os presentes afirmaram com clareza que ocorrem desastres e tragédias naturais, como se a dinâmica do espaço natural (Ambiente ou Natureza) fosse a causadora da destruição de casas, prédios, vias urbanas, cidades e causasse a morte de pessoas.

Para o Postulado da Causalidade é necessário que existam e sejam explicados os processos de causalidade entre os eventos da dinâmica ambiental. Assim sendo, alguns requisitos são importantes para seu entendimento pela visão científica:

  • Eventos causais originais – identificar as causas da transformação ambiental.
  • Correlação entre os eventos – as causas precisam se correlacionar com efeitos ocorrentes e previstos.
  • Variáveis intervenientes – identificar e avaliar os processos ou decisões que possam aumentar ou reduzir a correlação entre os eventos considerados.
  • Ordem dos eventos – as causas precedem no tempo os efeitos ocorrentes e previstos.

Aplicando essa lógica, não é difícil compreender o elevado risco a que se submetem pessoas que moram em casas, ruas e cidades próximas a vulcões. Não temos esse risco no Brasil, graças à nossa antiga base geológica. No terreno brasileiro todos parecem estar extintos.

O mesmo acontece com aqueles que habitam em vales, entre encostas por onde as chuvas são drenadas. Em casos de grandes tempestades, sem dúvida, a água “lavará a tudo e a todos”, decerto com prejuízos e mortes. Da mesma forma, os que habitam áreas íngremes de vertentes, onde se encontra a maioria das favelas do Rio. Os riscos são os mesmos. Hei! Autoridades, vocês não se mancam?!

Assim, vê-se que a natureza não promove desastres ou tragédias. Apenas o ambiente do planeta, pré-existente ao sapiens, vez por outra dá “sacudidelas de acomodação”, sem se preocupar com o que está em cima dele, o que é normal há bilhões de anos.

Dessa forma, o que ocorre realmente são desastres humanos seguidos de tragédias, posto que são causados pela pretensão do sapines em ignorar o poder da transformação espontânea do ambiente planetário. Segundo estudiosos, essa dinâmica sistemática ocorre há pelo menos 4,54 bilhões de anos. A ser assim, recomendo “um pequeno Big Bang de atenção” para os que desejarem um imóvel bem localizado e, sobretudo, seguro de eventos ambientais primários, elementares.

Como executar Campanhas de Campo


Orientações para programar e gerir equipes no campo.

Para levantamentos de dados primários destinados à caraterização ambiental de uma região, genericamente chamados de trabalhos de campo, é preciso diferenciar os diversos alcances que podem ter. Basicamente, existem três tipos desses trabalhos, a saber: visitas a campo, inspeções de campo e campanhas de campo. Não possuem a mesma finalidade, têm processos distintos e não realizam os mesmos resultados.

Visitas a Campo” significam exatamente o que o nome indica, tanto para a cobertura de regiões, quanto para organizações produtivas existentes: visita, visão geral, reconhecimento e documentação dos objetos visitados. Estudos ambientais que visam à proposição de algum aprofundamento futuro e de ações subsequentes, demandam, de início, uma visita a campo.

As “Inspeções de Campo” vão além das simples visitas. Realizam reconhecimentos através de levantamentos de dados específicos. Além disso, podem determinar a necessidade de intervenções físicas, como sondagens, coleta de material para análise (ex.: particulado em suspensão, água, solo, efluentes), medições de ruído, entrevistas e documentação do objeto, ou seja, fotografias, vídeos e coleta de informações disponíveis. As inspeções têm objetivos bem fixados. Uma vez realizadas, são encerradas e relatoriadas.

Por fim, temos as “Campanhas de Campo”. São processos mais amplos, destinados a longas coletas de dados primários e secundários acerca das sensibilidades de uma região, em seus aspectos físicos, bióticos e antropogênicos, e/ou de uma organização produtiva existente. Todos os processos e estudos de gestão que necessitarem de um completo diagnóstico ambiental demandam campanhas de campo.

Imagine-se em uma campanha nesta região

Imagine-se em uma campanha nesta região

Além de suas finalidades, a variável que diferencia esses processos é a duração. As visitas a campo são muito rápidas, mesmo quando a região visitada é grande. As inspeções são objetivas e com finalidades mais restritas a um dado segmento ambiental. Por serem específicas, não são demoradas. As campanhas de campo são mais longas e possuem um extenso leque de finalidades pré-programadas, abordando diversos temas ou segmentos ambientais. A duração de cada campanha é função das dimensões da região a ser coberta e dos períodos de tempo em que devem ser repetidas. Eventualmente, geram conhecimentos acidentais.

Um bom exemplo aconteceu em Rondônia, no município de Ariquemes, em 1986. Durante uma campanha de campo de mastofauna, com duração prevista de 25 dias, a equipe assistiu atônita quando uma retroescavadeira arrancou um naco de solo de um talude e com ele um tatu-canastra de dentro da toca. Era um exemplar de bom tamanho e pesou cerca de 90 kg. Uma raridade da biota.

No mais das vezes, visitas e inspeções são realizadas por pequenas equipes. Na maioria das visitas basta um especialista por área de conhecimento. As campanhas de campo, em seu conjunto, chegam a ter equipes de 20 a 50 especialistas e trainees, sem considerar eventuais necessidades de motoristas, barqueiros, guias, mateiros e operários locais. Campanhas para usinas hidrelétricas, sobretudo aquelas construídas em áreas de floresta primitiva, requerem as maiores e mais completas equipes de campo.

Visando a reduzir despesas e obter os resultados obtidos nessas operações, é essencial que os consultores tenham em mãos uma programação detalhada das atividades esperadas, que possa ser consultada e atualizada ao longo dos trabalhos. Para isso, torna-se necessário realizar a análise dos elementos envolvidos nas atividades de campo.

Todas as atividades de campo visam a dois resultados:

  • A busca de conhecimentos específicos a cada tema trabalhado; e
  • A garantia das condições de segurança de cada profissional envolvido nos trabalhos.

Não há qualquer exagero em oferecer as melhores condições possíveis às equipes envolvidas em campanhas de campo. Ao contrário, as melhores condições são necessárias, envolvendo remuneração adequada, seguro de vida e de acidentes, veículos adequados, ferramentas e petrechos de campo, hospedagem, alimentação, segurança e transporte.

I. Elementos das Campanhas de Campo

Para realizar a programação e a gestão de campanhas de campo alguns elementos precisam ser considerados, tais como:

  • Equipes especializadas;
  • Atividades a serem realizadas;
  • Equipamentos e ferramentas;
  • Hospedagem e alimentação;
  • Comunicação;
  • Segurança;
  • Transporte terrestre;
  • Transporte de embarcação; e
  • Sobrevoo.

1. Equipes especializadas

As campanhas de campo podem demandar uma variada gama de especialidades. O modelo aqui adotado permite a programação de atividades em tantas áreas de conhecimento quantas forem consideradas necessárias ao levantamento de informações, tais como: climatologia, hidrologia, hidrografia, geomorfologia, geologia, geotecnia, espeleologia, hidrogeologia, pedologia, qualidade físico-química da água, limnologia, vegetação, botânica, fitossociologia, mastofauna, avifauna, ictiofauna, primatofauna, herpetofauna, malacofauna, anurofauna, aracnofauna, entomofauna, demografia, uso e ocupação do solo, economia regional, infraestrutura, serviços sociais, organização social, antropologia, arqueologia e patrimônio regional. Todas são denominadas áreas temáticas.

Observamos que nesse exemplo somente foi focalizado o ambiente terrestre. Outros segmentos ambientais seriam introduzidos caso fosse incluído o ambiente marinho, tais como, geologia marinha, oceanografia, biologia marinha, bentos e plânctons, cetáceos, quelônios e práticas de pesca, por exemplo.

Basicamente, para cada área temática identificada, deve haver pelo menos uma campanha de campo. A denominação “Campanhas de Campo”, no plural, significa que todas as campanhas temáticas integradas permitem a visão global e mais detalhada do ambiente da área de interesse. Alguns temas serão integrados em uma mesma campanha, por exemplo: campanha de Climatologia, Hidrologia e Hidrografia. Outros são realizados de forma isolada, sem integração com os demais temas.

Em muitas áreas existem conhecimentos acumulados que permitiriam que estudos ambientais fossem realizados com base em dados secundários produzidos pela Universidade e por Centros de Pesquisa. No entanto, nem sempre é fácil obtê-los, sobretudo quando ainda não foram publicados.

Mas, mesmo nos casos em que são obtidas boas informações de fontes secundárias, pode ser fundamental identificar a transformação ambiental ocorrida na região de interesse por força de outros vetores da transformação ambiental, que não os já estudados. Nesses casos, é razoável transformar as campanhas em inspeções ambientais ou visitas a campo. Apenas com esta medida já serão realizadas expressivas economias de custo e tempo.

2. Atividades a serem realizadas

As campanhas de campo precisam ser pré-programadas. A equipe que chegar ao campo e perguntar ao líder das campanhas “o que viemos fazer aqui?” não realizará nada da forma correta.

Antes de iniciar a programação de campo são selecionados os segmentos ambientais a serem trabalhados, dado que as atividades necessárias a cada um é que serão programadas. Cada segmento deve ter equipe específica.

Assim sendo, a programação é realizada por segmento ambiental, o qual demanda o domínio de conhecimentos específicos. Na programação são consideradas as demandas das equipes e as atividades a serem realizadas, antes, durante e após as campanhas, quais sejam:

  • Demarcação da região a ser coberta – devem ser desenhadas, com base em imagens orbitais atualizadas, cartas-base com a região a ser coberta e, tanto quanto possível, com indicação das regiões limítrofes ao empreendimento (suas vizinhanças). Uma cópia desta carta deve ser entregue a cada equipe.
  • Acessos às áreas amostrais [1] selecionadas – nesta mesma carta-base devem ser lançadas as estradas que acessam as áreas a serem cobertas, indicando suas condições de uso, bem como suas origens, pontos intermediários e destinos.
  • Inventários e caracterizações necessárias – para realizar um levantamento ambiental de boa qualidade há elementos essenciais que devem ser realizados, tais como: (i) a classificação dos solos; (ii) a identificação das feições geomorfológicas; (iii) a identificação das formações geológicas; (iv) o inventário e a caracterização dos principais corpos hídricos; (v) a coleta de amostras para análise físico-química e limnológica da água; (vi) o inventário da fitomassa nas áreas que serão alteradas pelo empreendimento; (vii) a caracterização e classificação das formações florísticas ocorrentes; (viii) os inventários e caracterizações das comunidades da fauna, de suas cadeias tróficas, de seus habitats, de espécies raras, endêmicas ou ameaçadas; (ix) o inventário das comunidades vizinhas ao empreendimento; (x) o inventário das comunidades e etnias indígenas da área de estudo; (xi) o inventário das possibilidades de achados arqueológicos na área visitada.
  • Com relação às atividades de coletas de amostras de água  –  item (v) acima – alguns aspectos são observados. A logística disponível em campo precisa ser adequada à necessidade de envio do material coletado ao laboratório em curto espaço de tempo, ou seja, em até 24 horas. Deve haver energia para a preparação das amostras coletadas, sobretudo para a sua filtragem. Amostras de material biológico precisam ser acondicionadas e congeladas. Sem o devido apoio logístico, as campanhas de campo podem sofrer limitações em seus resultados pretendidos.
  • Identificação dos impactos ambientais ocorrentes – outra tarefa a ser realizada no campo é anotar nas cadernetas individuais os impactos ambientais já ocorrentes, associando-os a seus fatos motivadores e listando as consequências que poderão ter em face da presença do empreendimento. O ideal nesta atividade é que cada consultor possa discutir, com todo o grupo da campanha, o que identificou.
  • Localização ou regionalização dos impactos – ao identificar o impacto (todas as equipes com GPS à mão) é importante lançá-lo na carta de trabalho de que dispõe cada grupo.
  • Identificação da qualidade ambiental – novamente, na caderneta de campo. Cada equipe identificará indicadores ambientais específicos à sua área de conhecimento e anotará considerações sobre a qualidade ambiental das áreas de trabalho.
  • Duração das atividades de campo – cada equipe agora é capaz de estimar o tempo necessário de sua permanência no campo. A duração das campanhas deve considerar os seguintes itens: (i) Transporte aéreo de ida; (ii) Translado para a área a ser trabalhada; (iii) Atividades de campo a serem realizadas; (iv) Retorno para a localidade com transporte aéreo; e (v) Transporte aéreo de volta.
  • Registro e documentação do segmento ambiental focalizado – a caracterização ambiental não é realizada em campo, mas a partir dele. Assim sendo, os especialistas deverão documentar e registrar tudo o que estiverem assistindo durante a campanha, realizando vídeos e fotos, além das anotações.

Certamente novos elementos poderão ser considerados e outros retirados desta lista. Sempre dependem da complexidade do ambiente, das dimensões do projeto em estudo e da competência da equipe de campo.

As informações coletadas nas atividades de campo passarão a fazer parte do banco de conhecimentos ambientais da organização e ela, a organização, as reutilizará várias vezes durante seu ciclo de vida. Assim sendo, os custos das primeiras atividades de campo serão diluídos de forma expressiva, sobretudo para grandes projetos que demandam complexas e permanentes atividades de campo – hidrelétricas, mineradoras e petroleiras são três bons exemplos.

É provável que as campanhas relacionadas com recursos hídricos, solo, flora, fauna sejam as mais longas. No entanto, é aconselhável que todas as equipes iniciem suas atividades na mesma data.

A partir das atividades a serem realizadas e dos prazos estimados, todos os quantitativos dos recursos humanos necessários serão discriminados para a execução dos trabalhos, de acordo com cada área temática envolvida.

3. Equipamentos e petrechos de campo

Dependendo (i) da área territorial a ser coberta, (ii) das equipes temáticas quantificadas, (iii) das tarefas de campo a serem executadas e (iv) dos prazos previstos para suas realizações, os equipamentos, ferramentas e meios de apoio tornam-se mais um razoável problema de logística. Podem ir desde bisturis, para investigações do conteúdo estomacal de espécimes da ictiofauna, até barracas de campanha para abrigar as equipes e seus equipamentos.

A tabela a seguir oferece, por tema de campanha, alguns exemplos de equipamentos, ferramentas, petrechos de campo e meios de apoio que deverão estar disponíveis para a realização dos trabalhos em ambientes terrestres.

 Campanhas de Campo

 Equipamentos, Ferramentas e Petrechos de  campo

 Meios de apoio

Climatologia, Hidrologia e Hidrografia

Facão de mato; Barco a motor; Medidor de Vazão; Cabo de aço; Molinetes; Coletores de água e sedimento (próprios para esse tipo de trabalho); Frascos para acondicionamento das amostras sólidas ou líquidas; Vestimenta, capacete, luvas e calçados apropriados; Fichas de campo próprias; GPS.

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Máquina Fotográfica; Máquina de vídeo; Rádio de Comunicação; Barraca de Campanha; mapeamento das áreas a serem cobertas.

Geomorfologia, Geologia e Geotecnia

Facão de mato; Binóculos; Martelo geológico; Vestimenta, capacete, luvas e calçados apropriados; Caderneta de Campo; GPS.

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Máquina Fotográfica; Rádio de Comunicação; Barraca de Campanha; mapeamento das áreas a serem cobertas.

Pedologia

Facão de mato; Enxadão; Pá; Carta de Cores de Munsell; Clinômetro; Pisseta; Martelo pedológico; Ímã; Faca; Vestimenta, capacete, luvas e calçados apropriados; Sacos Plásticos; Fichas de campo próprias; Caderneta de Campo; GPS.

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Máquina Fotográfica; Rádio de Comunicação; Barraca de Campanha; Luvas de couro; mapeamento das áreas de coleta de solo.

Qualidade físico-química e biológica da água

Facão de mato; Barco a motor; Ecobatímetro ou Ecossonda; Garrafa de coleta tipo Van Dorn; Medidores portáteis de temperatura, condutividade elétrica, pH, oxigênio dissolvido, turbidez e transparência; Redes de fitoplâncton e de zooplâncton; Amostradores de sedimento; Armadilhas para zoobentos; Estufa incubadora portátil (apenas quando há necessidade de realizar análise microbiológica urgente); Frascos para coleta de amostras biológicas; Galões de cinco litros; Reagentes para a conservação de material biológico; Caixas de isopor; Gelo, muito gelo; Vestimenta, capacete, luvas e calçados apropriados; Fichas padronizadas de coleta; Caderneta de Campo; GPS.

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Rádio de Comunicação; Local com rede elétrica disponível, ou gerador de energia; Mesa ou bancada; Pia com água corrente; Conjunto de filtração; Frascos de polietileno ou vidro, conforme o tipo de parâmetro a ser analisado; Congelador e geladeira (conservação por congelamento ou refrigeração); Ácidos para conservação química (quando não for possível congelar, varia conforme o parâmetro); Mapeamento dos pontos de coleta de água.

Inventário florestal

Facão de mato; Serra de mão; Motosserra; Trena; Binóculos; Vestimenta, capacete, luvas e calçados apropriados; Caderneta de Campo; GPS.

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Máquina Fotográfica; Rádio de Comunicação; Barraca de Campanha; Mapeamento das áreas de inventário.

Botânica e Fitossociologia

Facão de mato; Estufa secadora de exsicatas; Binóculos; Vestimenta, capacete, luvas e calçados apropriados; Caderneta de Campo; GPS.

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Máquina Fotográfica; Máquina de vídeo; Rádio de Comunicação; Barraca de Campanha; Mapeamento das áreas a serem observadas.

Ictiofauna

Facão de mato; Redes de espera de diversos tamanhos de malhas; Redes de arrasto de praia; Tarrafas; Espinhel, Bisturi; Pinças; Ictiômetro; Balanças; Lupa; Barco a motor; Vestimenta e calçados apropriados; Caderneta de Campo; GPS.

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Máquina Fotográfica; Rádio de Comunicação; Barraca de Campanha; Mapeamento das áreas de captura.

Mastofauna

Facão de mato; Binóculos; Balança; Paquímetro; Armadilhas de captura; Trena; Vestimenta, capacete, luvas e calçados apropriados; Fichas de campo próprias; Caderneta de Campo; GPS.

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Máquina Fotográfica; Máquina de vídeo; Rádio de Comunicação; Barraca de Campanha; Mapeamento das áreas de captura.

Avifauna

Facão de mato; Binóculos; Redes de captura; Trena; Vestimenta, capacete, luvas e calçados apropriados; Fichas de campo próprias; Caderneta de Campo; GPS.

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Máquina Fotográfica; Gravador; Máquina de vídeo; Rádio de Comunicação; Barraca de Campanha; Mapeamento das áreas de captura.

Primatas

Facão de mato; Binóculos; Balança, Armadilhas de captura; Trena; Vestimenta, capacete, luvas e calçados apropriados; Fichas de campo próprias; Caderneta de Campo; GPS

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Máquina Fotográfica; Máquina de vídeo; Rádio de Comunicação; Barraca de Campanha; mapeamento das áreas de observação

Entomofauna

Facão de mato; Instrumentos de captura; Trena; Vestimenta, capacete, luvas e calçados apropriados; Fichas de campo próprias; Caderneta de Campo; GPS.

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Máquina Fotográfica; Rádio de Comunicação; Barraca de Campanha; Mapeamento das áreas de captura.

Demais faunas

Facão de mato; Binóculos; Instrumentos de captura; Trena; Vestimenta, capacete, luvas e calçados apropriados; Fichas de campo próprias; Caderneta de Campo; GPS.

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Máquina Fotográfica; Máquina de vídeo; Rádio de Comunicação; Barraca de Campanha; Mapeamento das áreas de captura ou observação.

Arqueologia

Facão de mato; Martelo chapeador e ponta; Pincéis; Binóculos; Vestimenta, capacete, luvas e calçados apropriados; Caderneta de Campo; GPS.

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Máquina Fotográfica; Gravador; Rádio de Comunicação; Barraca de Campanha; Mapeamento das áreas de observação.

Economia, Uso do solo, Infraestrutura e Organização Social

Além do GPS, nenhum outro equipamento específico é necessário.

Transporte terrestre; Notebook; Modem 3G; Calculadora; Máquina Fotográfica; Gravador; Rádio de Comunicação; Imagens orbitais.

Nesta definição de equipamentos e meios necessários, admitimos cada campanha sendo realizada isoladamente, embora tenhamos sugerido exatamente o contrário: campanhas de campo, sempre que possível, por questões da sinergia de conhecimentos e segurança, devem ser realizadas em conjunto.

A quantidade de cada equipamento, ferramenta e meios de apoio é função do tamanho das equipes e das possibilidades de efetuarem os trabalhos em conjunto. Por outro lado, há itens, tais como notebook, modem 3G, transporte terrestre, máquina de vídeo e barracas de campanha, que poderão ser reduzidos em suas quantidades, dado que as equipes deverão compartilhar o seu uso.

4. Hospedagem e alimentação

Alguns trabalhos de campo contam com área de suporte, envolvendo dormitório, escritório, cozinha, banheiro, energia, geladeira, bancadas de trabalho e comunicação. Podem ser canteiros de obras, vilas residenciais, bases avançadas e até mesmo pensões próximas às áreas de trabalho.

O proprietário do empreendimento deve ser consultado acerca dos meios de hospedagem da equipe. Normalmente, seus engenheiros já conhecem a região e podem indicar as melhores condições disponíveis. Em campanhas que realizamos para os estudos de licenciamento da UHE Manso, em Mato Grosso (1986-1987), a equipe de campo foi hospedada em vários lugares: em Cuiabá, numa fazenda próxima à área de interesse, e acampada em áreas mais primitivas.

Mas há casos em que este suporte fica prejudicado, pois a única alternativa é acampar na floresta. A escolha do local do acampamento deve sempre ser feita com base em critérios de segurança, nunca em função da proximidade das áreas de trabalho.

Já houve campanha de campo, realizada no Estado de Mato Grosso, nas proximidades da confluência do rio Teles Pires com o rio Juruena, onde o acampamento localizado próximo ao rio foi varrido por uma violenta cheia dos rios. Resultados: elevados prejuízos de equipamentos e ferramentas; dois acidentes com animais peçonhentos (aranha e escorpião).

Dependendo das condições de hospedagem, os alimentos deverão ser adquiridos e levados para os trabalhos de campo. Nestas circunstâncias, sugere-se que nada que seja perecível.

5. Comunicação

Cada membro da equipe precisa possuir meios de se comunicar com todos os demais componentes das equipes, a qualquer momento, durante todo o trabalho. Tanto no campo, quando em atividade, quanto fora dele. As alternativas são rádios de comunicação com boa cobertura e telefones celulares com potência adequada.

Afora isso, deve ser mantida comunicação, preferencialmente diária, com a sede da empresa consultora responsável pelas campanhas de campo.

6. Segurança operacional

A segurança operacional em campanhas de campo deve prever procedimentos para pronta resposta a riscos e perigos que possam resultar em incidentes e acidentes, sobretudo aqueles que podem causar danos à equipe. Estes danos decorrem de quedas, cortes, fraturas, acidentes com animais peçonhentos (em especial, ofídios e aracnídeos) e, em algumas regiões, decorrentes de eventuais encontros com felinos, primatas e outros animais com resposta natural à presença humana.

A primeira fórmula de reduzir as chances de eventos desta natureza é a prevenção, a partir do conhecimento sobre quais riscos de acidentes são passíveis de ocorrência na área.

Em uma visita de campo a UHE Tucuruí, em área próxima a uma das bases de fauna, à beira do lago de Tucuruí, com a mata alterada pela limpeza de alamedas, encontramos diversos riscos de acidentes: serpentes de grande porte, aranhas e pegadas de onça em vários locais. Estávamos acompanhados por um guia, índio da Tribo dos Gaviões – codinome Pedro – funcionário da hidrelétrica e profundo conhecedor de toda a região.

Possível encontro na campanha da fauna...

Possível encontro na campanha da fauna…

Kits básicos de primeiros socorros devem ser preparados para cada campanha, em conformidade com o conhecimento disponível da região. Além de todos os itens normalmente utilizados, para eventuais “encontros” com ofídios peçonhentos devem ser considerados os seguintes acidentes: laquético, botrópico, crotálico, elapídico e ofídicos em geral. Soros específicos devem ser adicionados ao kit.

Além desses acidentes devem ser consideradas as chances de ocorrências de zoonoses, tais como malária, febre-amarela, leptospirose, leishmaniose, esquistossomose, filariose, doença de chagas e dengue, dentre outras. Para os casos de zoonoses que já possuam vacina, toda a equipe deve ser vacinada antes da viagem, com a antecedência necessária.

Sugerimos que seja elaborado um documento acerca de acidentes e formas de prevenção. Em todas as equipes de campo há profissionais juniores, com pouca ou nenhuma experiência de campo. Este documento focaliza a forma de comportamento de um indivíduo diante das circunstâncias de acidentes.

Alguns membros da equipe de campo devem receber treinamento para o uso dos kits de primeiros socorros, considerando especialmente a hipótese de acidentes com animais peçonhentos.

Por fim, recomendamos expressamente que sejam realizados seguros de vida e de acidentes para todos os membros da equipe.

7. Transporte terrestre

Os veículos para transporte terrestre devem ser escolhidos em função do terreno em que irão trafegar, bem como do número de pessoas e da quantidade de equipamentos. A sugestão é admitir que sempre possa ocorrer um imprevisto. Assim sendo, os veículos devem ser 4 x 4, com tração, e movidos a diesel.

Há ainda um fator relevante a solucionar: o reabastecimento dos veículos. A logística de reabastecimento precisa ser bem definida, de sorte a estabelecer quando cada veículo deverá retornar ao ponto de reabastecimento. Há muitos casos de equipes sem meios de comunicação, paradas no interior da mata, sem condições de retorno e correndo riscos sérios e desnecessários.

8. Transporte em embarcações

De acordo com a legislação brasileira, constitui situação de risco (periculosidade) o transporte e manuseio de combustível, acima de cinco litros, em vasilhames não certificados. Portanto, um processo de monitoração de sistemas aquáticos, que envolva longos deslocamentos de barco, exige que as embarcações tenham depósito de combustível suficiente para o percurso.

Os barcos devem ser transportados preferencialmente por meio de reboque de eixo duplo, acoplados em veículos adequados. O combustível deve ser transportado em recipientes certificados. Somente pessoal autorizado e habilitado deverá manusear o combustível e dirigir a embarcação.

Os barcos devem estar equipados com salva-vidas, remos, protetores solares e os sistemas de comunicação já mencionados.

9. Sobrevoo

Algumas atividades de campo podem requerer sobrevoo das áreas de interesse para coleta de informações, para identificação de indivíduos e comunidades, ou para a visão geral da área de intervenção do projeto em estudo.

Durante o resgate de fauna da Hidrelétrica de Serra da Mesa, localizada na Bacia do Alto Tocantins, estado de Goiás, foi utilizado um ultraleve como apoio, tanto para localizar o pessoal trabalhando, quanto para selecionar áreas de resgate da fauna.

Da mesma forma, nos estudos do levantamento do passivo ambiental das rodovias BR-116, BR-376 e BR-101, nos trechos São Paulo-Curitiba, Curitiba-Garuva e Garuva-Palhoça, respectivamente, parte da equipe de campo realizou um sobrevoo do corredor de passagem das rodovias (cerca de 710 km), com uso de helicóptero, de modo a filmar os trechos para conferir sua ocupação marginal [2] .

II. Relatórios de atividades de campo

Todos os profissionais, conhecedores dos diversos temas selecionados para as campanhas, possuem caderneta para fazerem suas anotações diárias. E devem fazê-lo, pois do contrário decerto não terão a lembrança correta do que viram, ouviram, fotografaram ou filmaram. É a partir dessas anotações que cada profissional poderá elaborar seus respectivos relatórios, anexando tomadas fotográficas, vídeos, gravações e cartas de campo.

1. Relatórios temáticos

Os relatórios são elaborados visando a demonstrar a qualidade ambiental ocorrente em um território, segundo os temas dos segmentos ambientais que motivaram os trabalhos de campo.

Assim sendo, as campanhas podem ser, basicamente, de climatologia, hidrologia, hidrografia, geomorfologia, geologia, hidrogeologia, geotecnia, pedologia e qualidade físico-química da água, cobrindo o espaço físico da área visitada.

De inventário florestal, fitossociologia, botânica, limnologia, ictiofauna, mastofauna, avifauna, primatofauna, entomofauna, aracnofauna, herpetofauna e anurofauna, cobrindo o espaço biótico da área visitada.

E de economia regional, uso e ocupação do solo, organização social, etnias indígenas, de antropologia, de arqueologia e serviços sociais básicos, envolvendo educação, habitação, saúde, segurança, transportes e comunicação, cobrindo o espaço antropogênico da área de interesse.

Existem temas que para serem bem conhecidos demandam até 4 (quatro) campanhas anuais, dado que os fatores ambientais a serem observados possuem comportamento sazonal diferenciado, segundo as variações climáticas. Estes temas oferecerão 4 (quatro) relatórios anuais e são basicamente os temas ligados ao ar, à água, à flora e à fauna, que podem requerer pelo menos um ano para seu completo levantamento de campo, considerando, ainda assim, a existência de dados secundários seguros e disponíveis.

À exceção da arqueologia e da antropologia, os demais temas de ordem antropogênica, podem ser executados mais rapidamente no campo, pois existem bases de dados secundários que propiciam bons conhecimentos iniciais.

As atividades arqueológicas requerem atenções específicas. O arqueólogo deve visitar a área de interesse, sobretudo as áreas em que poderão ocorrer ou já ocorreram desmatamentos, movimentos de terra, desmontes, formação de lagos e projetos agropecuários.

Por princípio, a missão acadêmica dos arqueólogos é a de garantir o conhecimento do patrimônio arqueológico e histórico que exista em qualquer ponto do território nacional.

Com base em levantamentos e estudos já realizados o arqueólogo pode dar um parecer que, essencialmente, se resume em três opções: (i) existem artefatos arqueológicos na região; (ii) não existem levantamentos e estudos realizados, é necessário realizar mais uma campanha na área; (iii) não existe nada de interesse arqueológico na região, segundo os levantamentos já realizados.

Nos estudos ambientais para licenciamento de um parque eólico na Bahia, o Arqueólogo Professor Walner Barros Spencer descobriu uma gruta contendo inscrições em um pequeno morro, recoberto por mata de cerrado.

Veja a foto com o Professor Spencer explicando sua descoberta a membros da equipe de campo e moradores locais.

Professor Spencer e a arqueologia no campo

Professor Spencer e a arqueologia no campo

Disse o Professor ao concluir seu relatório temático:

A Toca do Tapuio, no município de Caetité, sudoeste da Bahia, é um achado arqueológico do mais amplo significado científico. Talvez o mais importante até hoje encontrado neste Estado, devido às pistas e evidências que deverá apresentar em relação a uma enorme variedade de questionamentos referentes à cultura dos grupos humanos produtores de gravuras em rocha – as denominadas itaquatiaras (pedras pintadas, no idioma tupi)”.


[1] As áreas cobertas pelas atividades de campo são amostras da área de estudo considerada. Sua seleção baseia-se nas representatividades física, biótica e antropogênica estimadas que possuam da área de influência. No entanto, a cobertura da área de intervenção deve ser obrigatória e considerada à parte, pois nem sempre é representativa da área total de interesse dos trabalhos de campo.

[2] Não estamos discutindo o mérito do uso específico de sobrevoos, mas apenas demonstrando a eventual necessidade de realizá-los.

A imprensa nas eleições de 2014


Pouca informação e comentários conflitantes.

Houve o tempo em que a Igreja detinha o poder quase absoluto do Estado. Todavia, somente em Estados autocráticos e não liberais, que eram a maioria dos então existentes. Mas isso aconteceu no passado longínquo das monarquias originais da Europa e acabou há muito.

É do fim do século 20 a nova visão de que nações liberais e democráticas possuem três principais agentes do poder: o Governo Central, as Forças Armadas, e o Mercado. Parece ser bastante razoável.

Já foi feita uma analogia desses poderes com um triângulo, onde cada lado representa um agente. Contudo, a partir do século 21, senão um pouco mais cedo, entrou em cena a Imprensa, em busca de conquistar o quarto poder principal. Tal desejo é compatível em nações sólidas, que tenham povo educado e Governo Central democrático. No entanto, não torna o triângulo em quadrado, mas em um novo corpo, que pode ser chamado de Poliedro do Poder.

O Poder, segundo Henfil

Queremos o Poder, por Henfil

Esse corpo (não geométrico) fica formado por quatro faces irregulares, com arestas, vértices e inteligências bem sensíveis e dinâmicas. Por isso a área de cada face é variável, de modo a que mantenham um conjunto de forças com balanço estabilizável, todavia, não equilibrado.

Ao considerar-se como exemplo uma “nação sólida, mas de classe média”, as faces desse Gigantesco Poliedro são assim descritas:

  • Face do Mercado – provida de bancos, indústrias, agropecuária, equipamentos de infraestrutura, universidades, comércio e serviços. Decerto é a mais ampla de todas as faces, dado que oferece à nação ciência, tecnologia, trabalho, riqueza e a maior parte do PIB nacional. Torna-se sustentável do ponto de vista econômico-financeiro, bem como é capaz de manter viáveis as demais faces.
  • Face das Forças Armadas – constitui o ambiente de defesa da nação, com recursos humanos treinados, máquinas e equipamentos suficientes para suprir as necessidades da Aeronáutica, do Exército e da Marinha nacionais. Trata-se de uma face dinâmica que precisa variar de acordo com as mudanças do nível de ameaças externas.
  • Face do Governo Central – envolve os poderes executivo, judiciário e legislativo, bem como exclusivamente instituições públicas imprescindíveis e de alta qualidade social, como universidades, escolas, hospitais, segurança e profissionais capacitados. Para que uma nação seja sólida e assim permaneça, esta precisa ser a menor face do Poliedro do Poder. Além disso, sob nenhuma hipótese, o Governo Central concorre com a Face do Mercado.
  • Face da Imprensa – é provida por organizações privadas de telecomunicação, companhias de televisão, empresas editoras de jornais e revistas. Muito embora faça parte da Face do Mercado, possui a missão singular de divulgar pública e criticamente o desempenho de todas as faces do Poliedro, sobretudo o seu próprio.

Dessa descrição, ainda que superficial, é possível tirar algumas conclusões acerca dos riscos adversos provenientes das variações das áreas de cada face. Senão, vejamos.

A Face do Mercado

O Poliedro somente existe em função do desempenho da Face do Mercado, sua maior face. Todos os seus componentes pertencem à iniciativa privada. Se ela decair em desempenho, o Poliedro é enfraquecido, com tendência a se estagnar.

A Face das Forças Armadas

Se essa face for desnecessariamente grande em relação às demais, há grave risco de a nação deixar de ser liberal e democrática. Nesse caso, toda a Teoria do Poliedro invariavelmente “vai para o espaço”.

Atenção similar deve ser dada ao enfraquecimento desta face, pois nações vizinhas e grupos radicais, diante de um cenário de nação desarmada, podem tentar ocupar espaços vitais e estratégicos de seu território.

A Face do Governo Central

Processo similar ocorre quando a Face do Governo Central cresce sem necessidade ou por “ditas demandas políticas”. Há casos em que nações tidas como liberais e democráticas, com relativa solidez, sofrem as consequências nefastas da falta de cultura política de seus povos. Pois elegem membros do executivo e do legislativo que não possuem os escrúpulos imprescindíveis para exercerem seus cargos. Criam dezenas de ministérios apenas para terem uma “base aliada” a seu favor. Na verdade, são gestores da inutilidade e acreditam que, como afirmou em Paris o absolutista Luís XIV, O Estado Sou Eu (L’État C’est Moi).

Mediante essa visão, tornam o cidadão da nação em escravo do Estado; competem de forma descarada com a Face do Mercado e, não raro, levam-na ao caos. Enfim, roubam, desviam verbas públicas, mandam assassinar os que não os apoiam, dão força a “companheiros” e, por fim, destroem totalmente a estrutura do Poliedro.

A Face da Imprensa

Esta face normalmente é pequena e bem diversificada em nações sólidas, inclusive nas mais ricas. Em geral, cumprem suas missões de informar ao público o desempenho de todas as faces do Poliedro com relativa qualidade, pois tem a seu favor a educação e cultura dos cidadãos.

O mesmo não acontece em algumas das chamadas nações emergentes. A Face da Imprensa pode pertencer ao Governo Central, o que é um risco elevado para o cumprimento de sua missão informativa; ou pode ser restrita a grande grupos econômicos, que compactuam com as ditas iniciativas da Face do Governo Central.

Veja-se o caso do Brasil, com eleições presidenciais marcada para este ano. Tendo um Governo Central Paquidérmico, o quarto poder, sonega informação de desempenho nas reportagens e notícias que traz. Apresenta reflexões conflitantes entre seus comentaristas, que às vezes extrapolam em maçantes redundâncias.

Porém, ainda que com raras exceções, é grave o fato de que inúmeros jornalistas diplomados não seguem “direto ao ponto”, não criticam como deveriam, dado que ficam a fazer firulas culturais que nada informam aos cidadãos da nação. Isto sem falar da “casta de chapas-brancas”, paga com dinheiro público para garantir a continuidade do desgoverno.

O Idealista


Em memória de Takeshi Imai [1].

Muitos já escreveram acerca das pessoas consideradas idealistas. Alguns afirmam que são cidadãos felizes. Outros dizem que não, muito pelo contrário, são sofredores, sensíveis às frustrações. Porém, na visão da maioria, um traço é comum a todos os idealistas: querer que tudo que os cerca seja perfeito, sobretudo as pessoas com quem se relaciona.

Nada disso nos parece com um idealista. É apenas um doente obsessivo. Ou seja, ao manter essa linha de visão, os “especialistas” confundem e misturam seres que criam e desenvolvem grandes ideias, com sonhadores que almejam ideais vagos e improváveis.

A nosso ver, o idealista é aquele que venera o valor das ideias, mas que não necessita possuir um ideal. Ideias existem e independem de serem ideais. Ideias podem produzir coisas concretas, enquanto ideais somente induzem a vagas abstrações, que tentam conduzir as pessoas para um futuro não definido no tempo, e não localizado, no espaço.

O Idealista

O Idealista

Perfil do idealista no Século XXI

Até fins do século passado, era normal ouvir alguém a dizer: “Eu tenho um ideal na vida”. Muitos o viam como um ser superior, superdotado, dado que eles próprios sequer imaginavam “o que queriam da vida”. Afinal, embora houvessem nascido por obra do acaso, tinham a certeza de que “o cara [2]” era o máximo.

Esse triste filme já foi várias vezes assistido por milhões de pessoas na última década, com os fatos e imagens do apodrecimento nacional de vários países latino-americanos.

No entanto, nessa região do planeta, a pequena parcela melhor educada da geração nascente do século 21 é muito distinta em suas expectativas de vida. Têm muitas dúvidas e discutem-nas à larga; mas detém ideias de projetos viáveis. Além disso, não temem riscos e lançam-se em inovações de novos empreendimentos. Porém, sempre com os pés no chão e não de forma cega, feito ovelhas em bandos.

É este balanço, feito entre a genialidade e a superação de riscos adversos, que molda “a tesão por novas ideias”. De sonhos a ideias; de ideias a projetos concretos e inovadores. Daí, para a ação.

O idealista atual encontra seus pares no mercado. Compartilha propostas e monta sociedades. Troca conhecimentos. Testa e apura os projetos. Não oferece projetos que duvida e nunca omite informações. Por fim, caminha focado nos resultados em que acredita e realiza.

Nada mais tendo a acrescentar, convidamos aos interessados em ter uma visão real do que um verdadeiro idealista é capaz de fazer, assistam ao vídeo: Uma Família de Idealistas.

Muito grato, Sr. Takeshi Imai

Muito grato, Sr. Takeshi Imai


[1] Takeshi Imai: Brasileiro, Engenheiro Mecânico formado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica, sonhador, projetista, inovador e realizador. Um raro fenômeno humano, completo em suas realizações profissionais. Conseguiu, com base apenas em suas ideias, implantar projetos capazes de provocar chuvas localizadas em ambientes secos e agrestes.

[2] Cara, em português do Brasil, é sinônimo de Gajo, em Portugal, e Guy nos USA: “That’s The Guy!

O fim do ciclo de vida de uma empresa


Quais são as consequências de ordem ambiental

No Brasil ainda não sabemos de dispositivos legais ambientais federais que normalizem os procedimentos a serem realizados para o descomissionamento de empresas produtivas. Contudo, quando uma empresa, por motivos diferenciados, encerra o seu ciclo de vida, em que se transformarão suas estruturas físicas?

Talvez a resposta seja simples, embora com elevada complexidade logística: em milhões de toneladas de equipamentos e materiais inoperantes. O que fazer com estes equipamentos e materiais também é uma questão ambiental complexa.

Para reforçar essa imagem, imaginemos o ano de 2.107. Os poços de petróleo do Golfo do México (e talvez do resto do mundo) foram todos desativados; o petróleo acabou. Como serão descomissionadas as quase 4.000 plataformas hoje [1] instaladas no Golfo?

Plataformas ativas no Golfo do México

Plataformas ativas no Golfo do México

Em conversa com profissionais de diversas especialidades, acerca desse tema no Golfo, as respostas foram variadas:

  • Afunda todas;
  • Dissolve-as em ácido sulfúrico, concentrado e a quente;
  • Corta cada uma para fabricar latinhas de refrigerante;
  • Deixa todas as plataformas como estão ou reboca para um galpão em terra;
  • Aguarda que os furacões realizem o trabalho, e assim por diante.

Não há dúvida que todas as repostas foram fórmulas particulares de descomissionamento. No entanto, nenhuma considerou os desgastes dos materiais e suas consequências sobre o ambiente marinho. Nenhuma considerou a desvalorização de uma área nobre como o Golfo do México, transformada em habitat para cardumes de plataformas enferrujadas e inoperantes.

Mas não precisamos ir tão longe. Basta visitarmos uma área que tenha sido de uso industrial e verificar que em suas estradas, ruas e travessas existem galpões abandonados, estruturas produtivas inoperantes e montanhas de escórias em que se transformam com o tempo. Talvez sejam minoria, mas existem e geram impactos ambientais adversos e significativos.

Enfim, o descomissionamento total ou parcial de empresas ou de atividades produtivas é um processo que precisa ser analisado, caso a caso. Afora as instalações nucleares e os equipamentos e estruturas para exploração de petróleo, localizados em ambiente marinho, ainda não temos conhecimento de normas ou diplomas legais, de âmbito federal, que regulem, em geral, o descomissionamento ambiental de empresas produtivas.

Entretanto, segundo advogados do setor ambiental, há diversas sanções que podem ser aplicadas em casos de descomissionamentos de organizações que sejam considerados inadequados ao ambiente. Mesmo sendo verdadeira esta afirmação – a sanção legal –, com perdas econômicas para a empresa, decerto ainda não é o melhor caminho para conter inúmeros efeitos ambientais adversos que podem ocorrer e que não têm preço.

Em empresas cujas atividades possuem riscos ambientais de pequena monta, o processo de descomissionamento tem sido a sua simples parada. Algo como ‘o último a sair apaga a luz’. Não há um processo efetivo e programado de descomissionamento.

Os resultados deste comportamento gerencial são inúmeros prédios fechados e improdutivos. São ruas, áreas industriais e até mesmo cidades que falecem economicamente, com várias perdas ambientais associadas [2]. Isto porque o coração desses territórios bate em sintonia com o ritmo econômico de suas principais empresas.

Há exemplos espalhados pelo mundo de povoados que nasceram e cresceram em função de suas atividades de mineração, sobretudo de ouro e pedras preciosas, e que, com o fim do garimpo, ou tornaram-se balneários turísticos, com menor renda e recursos, muitas delas com dificuldades de manutenção de áreas de seu patrimônio histórico, ou transformaram-se em povoados ou cidades fantasmas.

Muito embora o conceito formal do descomissionamento de atividades produtivas seja relativamente novo, no Brasil os processos de rupturas ambientais de parcelas de territórios, causadas pela ausência de descomissionamentos adequados, são seculares. Nos dias atuais há empresas no Brasil que realizam descomissionamentos de atividades e ativos, mas apenas com a visão econômica do processo, sem considerarem os impactos ambientais adversos decorrentes, a menos que estejam associados a sanções legais que impliquem expressivas perdas econômicas.

Assim sendo, oferecemos sugestões que, de certa forma, predefinem um comportamento gerencial espontâneo de empresas produtivas face ao eventual descomissionamento de suas atividades. Estamos considerando nessa sugestão um processo de descomissionamento total de uma organização.

Para organizar as informações para planificar processos de descomissionamento use um formulário em papel ou uma interface informatizada (recomendada), do tipo a seguir apresentado.

Informações para o descomissionamento

<Razão social da empresa ou nome através do qual é conhecida>.

Localização da empresa

<Endereço completo, endereço na internet e localização da planta, em mapa ou carta geográfica. Devem constar desenhos em perspectiva e fotos da empresa e de sua vizinhança, com notação gráfica e em escala adequada para sua visualização>.

Mercados

<Descreve e dimensiona os mercados a que atendia>.

Gestão ambiental

<Nome do gestor ambiental da empresa e informações completas para contato, envolvendo endereço, telefones e e-mail, bem como outros meios de comunicação via internet>.

Remanescentes do canteiro de obras

<Discrimina eventuais unidades construtivas remanescentes do canteiro de obras, indicando as que serão descomissionadas. Anexar planta baixa atualizada, de seus elementos remanescentes com fotos datadas e legendadas>.

Unidade produtiva

<Discrimina e descreve as unidades produtivas a serem descomissionadas. Devem constar tomadas fotográficas datadas e legendadas de cada unidade>.

Sistemas de melhoria do desempenho ambiental

<Discrimina e descreve os sistemas de melhoria do desempenho ambiental existentes na empresa, indicando o seu status de operação>.

Projetos de reabilitação ambiental

<Discrimina as áreas alteradas que não se encontram reabilitadas, sobretudo as relativas a áreas desmatadas, caminhos de serviços, áreas de desmontes, áreas com relevos alterados, margens de corpos d’água, interferências realizadas pelas obras e pela operação>.

Insumo produtivo

<Discrimina (i) a natureza dos insumos produtivos utilizados pela empresa; (ii) as quantidades estocadas de cada insumo; (iii) o consumo anual de energia na operação; (iv) as fontes públicas de energia utilizadas; (v) as fontes próprias de energia utilizadas; (vi) as perdas de energia; (vii) o consumo anual de água na operação; (viii) os fornecedores de água utilizados; (ix) as perdas de água>

Itens de escória e descarte

<Discrimina, dimensiona e localiza os itens de escórias e descartes estocados na empresa>.

Resíduo sólido

<Discrimina (i) o volume anual de resíduos sólidos industriais produzidos; (ii) o volume total anual de resíduos de escritório produzidos; (iii) a caracterização e composição dos resíduos sólidos gerados; (iv) o sistema implantado na empresa para coleta dos resíduos sólidos gerados; (iv) o volume de resíduos sólidos comercializáveis; (v) a destinação dos resíduos gerados, envolvendo localização, distância e meio de transporte utilizado>.

Impacto ambiental

<Discrimina e descreve (i) as alterações e os fenômenos ambientais ocorrentes; (ii) as medidas associadas para controlar seus impactos adversos; (iii) os resultados alcançados; (iv) o orçamento estimado para a gestão ambiental anual da empresa>.

Passivo ambiental

<Discrimina e descreve (i) os itens de passivo ambiental ocorrentes; (ii) as medidas associadas para controlá-los; (iii) os resultados alcançados; (iv) o orçamento estimado para a remediação do passivo ambiental da empresa>.

Esta não é a melhor fórmula de descomissionamento empresarial

Esta não é a melhor fórmula de descomissionamento empresarial

Com a caracterização de uma empresa para o caso de seu descomissionamento, efetuada através do expediente acima, verifica-se que sua alta administração possuirá, a qualquer momento, o orçamento estimado para a completa remediação de suas atividades, o que lhe permite, ao invés de lacrar a empresa, negociá-la com terceiros interessados.


[1] Nota do autor: texto redigido no ano de 2007.

[2] Perdas e impactos ambientais adversos: desvalorização imobiliária, uso e ocupação desordenada do solo, quedas na arrecadação tributária, desemprego, perda de condições de segurança, redução de serviços públicos essenciais, pilhagens, falta de manutenção das instalações existentes, enfim, uma série de eventos ambientais adversos sobressai nessas situações. Na sua maioria são eventos de ordem antropogênica, muito embora haja casos com eventos físicos e bióticos associados.

Sobretudo, para quem gosta do Ambiente


Útil a todos que seguem Sobre o Ambiente”.

A empresa que concede espaço personalizado para nosso blog, acaba de oferecer mais uma facilidade gratuita, tanto para os responsáveis pelo site mas, sobretudo, para quem gosta de debates sobre Ciências do Ambiente, Política, Análise Crítica, Literatura e Filosofia que, afinal, são as linhas mestras de conteúdo que têm conduzido este espaço, desde maio de 2012 até agora.

Para os seguidores do blog a facilidade é simples de ser encontrada, mas complexa para ser produzida, em especial considerando os milhares ou milhões de blogs que residem em computadores desta empresa e estão disponíveis para o mundo, 24 horas por dia.

Trata-se do seguinte

Ao clicar no título de qualquer postagem do blog, o leitor encontra ao final do texto três outras postagens, relacionadas ao mesmo tema. Como já temos 908 textos postados, esta facilidade permite aos mais interessados a leitura de todos os artigos de “Sobre o Ambiente”.

A novidade para ler melhor o blog

A novidade para ler melhor o blog

Como estamos envolvidos em mais dois novos projetos editorias acadêmicos sobre Sustentabilidade do Ambiente, em breve poderemos informar a todos acerca de seu conteúdo.

Como se deu a transformação desse ambiente?

Como se deu a transformação desse ambiente?

Educação libertária


Por Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Recebi, cá nas Maçãs, a notícia de que, em março de 2013, foi fundada uma faculdade de informática em Paris, cujo nome é École 42. Isso mesmo, Escola 42, uma alusão ao romance de Douglas Adams, “O Guia do viajante Galáctico”. Por sinal, não o adquiri, não o li e decerto nunca vou lê-lo. Mas, mesmo a desconhecer a motivação do nome da Escola, fiquei bastante interessado. E explico.

Chamou-me a atenção uma série de inventos que a Escola 42 oferece aos alunos que nela ingressam, após várias fases de rigorosa seleção. Segundo a notícia, o curso de informática tem cerca de três anos de duração e é gratuito. Mas há ainda um curso complementar de dois anos, para aqueles que desejarem montar suas próprias empresas. Os pretendentes aos cursos não precisam possuir qualquer diploma. Basta que saibam pensar.

Para o primeiro curso houve cerca de 60 mil inscrições, mas apenas mil foram selecionados neste ano. Todos entre 18 e 30 anos de idade. Assim, curiosíssimos, seguimos de carro até Paris – eu e Quincas – para conhecer a 42, aberta para “cursos que informatizam pessoas” desde julho passado.

Prédio da 42: Boulevard Bessières 96, com área de 4242 m2

Prédio da 42: Boulevard Bessières 96, com área de 4.242 metros quadrados

Mesmo depois de pedir muito, quase implorar, só nos foi permitida uma hora para visitar a 42, durante a tarde. Se fôssemos jornalistas de peso, decerto teríamos descoberto mais coisas. Mas, sem sermos da área, coube-nos apenas organizar nossas anotações e produzir este breve relato.

As tomadas fotográficas foram-nos cedidas por um coordenador de alguma função da Escola. Pela forte emoção que nos casou a estrutura e a proposta da 42, não guardamos seu nome e área de atuação. Que ele nos perdoe esse imperdoável esquecimento.

Relato da visita [1]

Xavier Niel [2] é o fundador e Presidente da 42. Investe em internet e telecomunicações há pelo menos 20 anos. Dizem as “más línguas” que, embora jovem, é um dos 10 franceses mais ricos do país. A 42 é uma de suas várias criações. Niel garantiu, a título de doação, de 20 a 50 milhões de Euros para os 10 primeiros anos de funcionamento da Escola. Dá para imaginar o que falam as “boas línguas” acerca dele.

Hall da Escola 42: limpo, claro e funcional. Precisaria mais?

Hall da Escola 42: limpo, claro e funcional. E precisaria mais?

O foco da Escola baseia-se na liberdade do aprendizado. Segundo Niel e seus pares, nos últimos tempos a educação na França tem declinado em qualidade. Acreditam que um dos fatores que motivaram essa queda é decorrente dos inúmeros defeitos da tradicional hierarquia “professor & aluno”.

Entretanto, acreditam que os jovens educandos do século 21 anseiam por definir, de forma independente, o que desejam aprender e em que profundidade. E é isso que a 42 oferece e, de certa forma, impõe a seus “aprendizes de programação”.

Salão para a seleção final dos candidatos – La Piscine

Salão para a seleção final dos candidatos – La Piscine

A Escola permanece aberta durante todo o ano, 24 horas por dia. Não possui salas de aula e professores, mas apenas tutores que orientam os alunos pelos caminhos que desejam trilhar na informática. A todos os pretendentes selecionados, “que não se afogaram em La Piscine”, são disponibilizadas máquinas, equipamentos e acessórios de última geração – vimos fileiras de mesas de trabalho portando 1.000 Macintosh!

Da mesma forma que o mercado de trabalho, durante todo o curso a Escola 42 faz demandas imprevistas a seus educandos. Eles precisam estar prontos para, a qualquer instante, serem avaliados, tal como as empresas fazem aleatoriamente com seus funcionários, por força das demandas do mercado de serviços.

Essa é a base de sua pedagogia: preparar seus aprendizes para conviver de acordo com a realidade. Por isso, trabalhos práticos são intensamente aplicados e os alunos devem buscar soluções através de pesquisas na internet e das relações de ajuda mútua que estabelecem entre si. Os tutores nunca informam “como fazer”, apenas os orientam aonde talvez encontrem a solução.

Área de imersão para a busca de soluções

Área de imersão para a busca de soluções

Segundo nos disse um dos tutores, muitos alunos da 42 permanecem em suas dependências. Praticamente acampam na Escola por longos períodos e dormem nas salas de trabalho.

Não há dúvida que a diretoria da École 42 está em busca de talentos, de gênios inovadores. Resta saber qual será a resposta de seus alunos face ao estresse que essa educação libertária poderá criar. Ou seja, diante dessa panela de alta pressão, qual poderá ser sua taxa anual de evasão.

A considerar a faixa da idade dos jovens aprendizes e de sua alucinação pela informática, esperamos que seja igual a zero.

Tudo nos leva a crer que a Escola 42 não está em busca de formar excelentes programadores, mas de descobrir criadores de soberbas e inesperadas soluções de informática.

Vista da cobertura do prédio da Escola 42

Vista da cobertura do prédio da Escola 42

Para os que desejarem mais informações sobre a 42, deixamos o endereço de seu site oficial, em “Born to Code”.

Para ver uma boa reportagem feita in loco, basta acessar Faculdade de informática em Paris inova em sistema educacional.


[1] Fontes de informação: visita à Escola 42, conversa com funcionários e entrevista com passantes pelo bulevar, acerca do que pensam sobre a 42. Ou seja, factos vividos e experimentados.

[2] Xavier Niel é um autodidata que montou o primeiro provedor de acesso à Internet na França: Worldnet. Atua nas áreas da telemática, da Internet e das telecomunicações. É um grande investidor em startups, a promover a aceleração de até 100 novas empresas por ano.