Filósofo aprendiz


Ricardo Kohn, Escritor.

Pelo menos durante um dia da vida, creio ser provável que um bom número de cidadãos haja sonhado em ser filósofo. Isto por que existe a leveza intelectual associada à prática da boa filosofia. Costumo dizer que fazer filosofia é duelar com a lógica e a razão das palavras, em busca de descobertas. Afinal, elas ganham vida própria assim que são lançadas no papel. E o filósofo é o espadachim que se deixa levar, mas atento para manter a essência do texto, de modo a que não lhe escape e termine seduzido pela dança das palavras.

Graças a esses aspectos, há questões a considerar:

  • Em sua origem, o que a filosofia significava para o cidadão comum?
  • Como o filósofo deve proceder perante seus discípulos?
  • Quais são as consequências de o cidadão ser parte do seleto grupo de filósofos, muito embora não haja sido convidado?

Antes tratar destas questões, importa mostrar onde se situa a filosofia. Para Bertrand Russel[1]todo conhecimento definido […] pertence à ciência; e todo dogma, quanto ao que ultrapassa o conhecimento definido, pertence à teologia. Mas entre a teologia e a ciência existe uma terra de ninguém, exposta aos ataques de ambos os campos: essa terra de ninguém é a filosofia”. Na literatura histórica, não encontrei reflexão mais objetiva que esta.

A origem da filosofia ocidental acontece na Grécia Antiga – século VI a.C. –, por meio de uma escola fundada por Tales de Mileto, na Jônia, colônia grega situada no Mar Egeu. A Magna Grécia era notória como líder mundial do pensamento e a Escola de Mileto demarcou a origem da filosofia ocidental. Para cidadãos comuns, filosofia era o espaço em que ouviam e podiam questionar as reflexões de seus mestres. Foi o ambiente semeado por pensadores gregos, onde havia a liberdade da palavra em prol da cultura, com vistas a educar cidadãos para descobrirem como refletir com lógica.

Filosofia é exatamente isso: saber pensar, ponderar, refletir, argumentar, deduzir e inferir coisas sobre os temas oferecidos à mesa de diálogos. Deduzo que, para se tornar filósofo, não há regras ou normas que limitem qualquer cidadão comum. A prática da filosofia é aberta a todos, sem exceção. Dessa forma, infiro que ninguém precisa ser convidado para ser filósofo, basta saber qual espaço poderá ocupar com sua filosofia.

Como Filósofo Aprendiz optei por ingressar na filosofia, através de uma obra sucinta, Ícone da capaintitulada “Princípios da Filosofia do AmbienteComo o Ambiente vê o Sapiens”. É possível prever por este título que se trata de uma filosofia que inverte a egolatria filosófica presente nas reflexões de vários filósofos do medievo. Aqui o Ambiente é o sujeito e o Sapiens, seu objeto.

Os capítulos deste ensaio apresentam-se em 172 páginas, com a seguinte estrutura:

  • A Introdução da obra, onde parto de uma equação filosófica: Ambiente + Sapiens Impactos + Áreas Devastadas + Lixo + Restos do Ambiente.
  • O Sumário Histórico da Filosofia Ocidental, que visa a situar em qual espaço cultural a Filosofia do Ambiente poderá se assentar.
  • A Base Conceitual Científica, onde apresento conceitos que julgo relevantes sobre os processos ambientais, as características funcionais do ambiente e suas respectivas argumentações analíticas.
  • Os Primatas da Humanidade, onde busco compreender o comportamento do sapiens, como um reagente instável, às vezes espúrio, na equação filosófica enunciada.
  • Os Fundamentos da Filosofia do Ambiente, que apresenta algumas premissas em que devem se fundar a filosofia do ambiente. Essas premissas estimulam a realização de debates, os quais procuro formular através de questões com respostas provocativas, sobretudo, as relativas ao mundo em que se vive atualmente.
  • O Ambiente Terráqueo, onde revelo, através de constatações factuais, as principais ameaças à sua qualidade e, por óbvio, à vida de todos os seres vivos que habitam a Terra. Debato ameaças significativas impostas pelo homem aos espaços físico, biótico e antropogênico do ambiente terráqueo.
  • Como o Ambiente vê o Sapiens traz uma narrativa sumária da origem e evolução do Homo sapiens na Terra. Em “Assim fala o Ambiente”, coloco-me em seu lugar, com vistas a refletir sobre o sapiens como se eu fosse o ambiente. Esse exercício de lógica permitiu-me inferir sobre a conduta das espécies e subespécies do Homo sapiens, segundo a taxonomia do ambiente.
  • A Base Conceitual Filosófica apresenta a revisão dos conceitos científicos, segundo a ótica do ambiente, assim como sua argumentação analítica. A base filosófica está realizada a partir de “Assim fala o Ambiente” e do “Decálogo do Ambiente”.
  • Em Inferências Filosóficas procuro refletir sobre quatro temas: (i) as Religiões do Homem Dominante (Homo dominans); (ii) as Ciências do Ambiente; (iii) a Avaliação Filosófica de Impactos sobre o Ambiente; e ofereço (iv) Parábolas do Ambiente.
  • Em O Homem Primordial, apresento uma estratégia de ação para cooptar várias das subespécies do Homo dominans (Homem dominante) e torna-las Homo rarus (Homem raro), a espécie que, além de qualquer dúvida, é um bem do ambiente.
  • Concluo com o Epílogo, onde arremato conclusões e formulo expectativas.

Esperava lançar a versão digital deste livro em dezembro. Mas consegui publica-lo em 9 de novembro de 2017. Quem desejar conhece-lo clique aqui. Sugiro aos amigos que o adquiram e o divulguem nas redes sociais, no ambiente de trabalho, em faculdades e em escolas de nível médio. Desde já, agradeço a todos.

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[1]
Bertrand Arthur William Russell, matemático e filósofo, nascido a 18 de maio de 1872, no País de Gales. Prêmio Nobel de Literatura, em 1950. Atuou em vários países como professor de matemática avançada. Faleceu aos 97 anos, em 2 de fevereiro de 1970, na mesma nação britânica.

O Ambiente é arbitrário…


E apresenta vários humores, como se fora um ser bipolar.

Ao que se sabe, o planeta Terra constitui o maior Ambiente compatível para a evolução de seres vivos. As Ciências do Homem dizem conhece-lo, muito embora apenas parcialmente. Merece ser observado, no entanto, que estes humanos, segundo hipóteses antropológicas, já o habitam a cerca de 400 mil anos.

No entanto, do Homo sapiens arcaico até o atual Homo (dito) sapiens, milhares de séculos foram gastos tão-somente para cumprir a “tarefa da própria evolução”, da qual nada sabiam. Mas talvez já ensaiasse algum “gênero de inteligência”. Contudo, crê-se que somente visava a permanecer vivo e procriar, mesmo diante das ações implacáveis dos elementos naturais, sempre espontâneas e bipolares.

Migrando pelo planeta – o Homo é um eterno viajante curioso desde sua origem –, conseguiu superar as violentas variações do clima, o calor intenso, o gelo das neves, chuvas torrenciais, inundações, o fogo das rochas, vulcanismos furiosos, terremotos e mares enraivecidos, entre outros.

Talvez seja por isso que, das sete espécies primitivas do Gênero Homo, identificadas por notórios cientistas, seis hajam sido extintas pelo arbítrio desenfreado do ambiente planetário. Ou seja, nessa partida, que já dura 400.000 anos, o placar em 2013 é Ambiente da Terra 6 x 1 Gênero Homo.

O técnico do Gênero Homo já entendeu que não há como vencer o jogo, mesmo que dure mais 400 mil anos! O Acaso, técnico do Ambiente da Terra, não tem qualquer problema com tempo e placar. Está tranquilo com as arbitrariedades cometidas e a cometer. Até porque o time do Gênero Homo joga estupidamente contra si próprio, como se quisesse ser fragorosamente derrotado por 7 x 0.

O belo que é assustador e enigmático

Quais forças do Acaso são capazes de pintar quadros sucessivos, com duração mínima? Quadros que se criam e se desfazem sem que o observador seja capaz de entende-los. Quadros com potencial de se transformarem rapidamente em um novo desconhecido: chuva torrencial ao fundo; nuvens trazendo chuvas; o arco-íris situado a 100 metros do observador; vegetação, seres vivos e luz vespertina no primeiro plano; por fim, o fotógrafo profissional que captura extasiado estes instantâneos.

Foto de Ronaldo Kohn

Fotos de Ronaldo Kohn

Uma fração segundo depois...

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