Ao filósofo Millôr Fernandes


Ricardo Kohn, Escritor.

Ricardo KohnEm agosto de 1923, mais um carioca analfabeto nascia no Meyer. Foi batizado com o nome Milton Viola Fernandes. Seu apelido – Millôr – somente aconteceu mais tarde, creio, quando já era notório jornalista, aos 19 anos de idade. Porém, o que importa foram suas contribuições culturais, tanto as de fundo crítico e irônico, como, por vezes, as dotadas de fabuloso nonsense. Durante sua vida escreveu artigos para jornais e revistas, quase sempre acompanhados por seus desenhos ilustrativos; redigiu e adaptou várias peças de teatro; escreveu inúmeros livros, onde destaco “A Verdadeira História do Paraíso”, por sinal, lançado numa noite de autógrafos conhecida como “Noite da Contra-incultura”; traduziu obras de muitos autores clássicos, onde destaco Sófocles, Shakespeare, Cervantes, Molière, Pirandello, Beckett e Brecht; em Buenos Aires, venceu um concurso de desenhos; em Ipanema autoproclamou-se campeão de frescobol do posto 9; se bem recordo, em 1973, Millôr foi promovido a cidadão mineiro pela Câmara Municipal de Conceição-de-Mato-Dentro. Talvez pela grandeza de sua obra, por certo desconhecida daquela vereança simpática.

Bananas pra nossa cultura

Este pensador carioca deixou um grande legado cultural, tanto para sua geração, quanto para um futuro incerto, sobre o qual nunca fez qualquer previsão concreta, apenas sutis provocações. Considerava-se relativamente ateu, mas um dia ponderou que “o cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde”. Disse ainda que “acreditar que não acreditamos em nada é crer na crença do descrer”. Assim, por dedução, infiro que desejava dizer: “… crer na crença do descrer é ser ateu convicto”.

Não me recordo por quê, mas, certa feita, Millôr escreveu: “no Paleolítico ninguém acreditava no Neolítico”. Porém, inferiu com maior agudeza de espírito quando redigiu seu próprio evangelho. Transcrevo uma de suas verdades virtuosas: “Todo Juiz, mergulhado num julgamento de corrupção, sofre um impulso pra cima igual ao peso dos corruptos por ele inocentados[1].

Por óbvio, as consequências dessa virtuosidade devem ser debatidas. Interpreto-a como se fora uma aplicação da Física Pura! O “impulso pra cima” acontece na conta bancária do julgador, por força da energia potencial que transforma a “corrupção de seus inocentados” na sua própria “alegria monetária”. A agir dessa maneira, o magistrado acumula “energia cinética” (US$) mais que suficiente para viajar felicíssimo por todos os continentes, comprar mansões, milhares de hectares de terra, iates e carrões, tudo nababesca e escancaradamente. É natural inferir que este “impulso pra cima”, a beneficiar meia dúzia de togados, tem tudo para constituir o motor que dinamiza a miséria de milhões de brasileiros. Até os dias de hoje…

Contudo, mesmo na ausência de Millôr Fernandes, os brasileiros conseguiram alcançar o topo da muralha do século XXI, ainda que sob o fogo da artilharia política, mentirosa e corrupta. Lembro-me que ele publicou uma frase que, embora cômica, era uma sentença condenatória: “As pessoas que falam muito, mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades[2].

Não há dúvida que as mentiras são hábito milenar, pelo menos com a idade de Adão e Eva. Porém, nos dias brasileiros atuais, alcançaram um patamar com arquitetura quase perfeita. No meio político, até mesmo o cumprimento “bom-dia” é falso, quando não se trata de violenta praga rogada.

Há 15 anos, os fatos a que a nação assiste são obra de delinquentes: desvio de bilhões de dólares dos cofres da Petrobras; o mesmo a suceder com os da Eletrobras; obras ultra superfaturadas; farta distribuição de propina para “companheiros ”; violência ostensiva nas grandes metrópoles; tráfico pesado de armas e drogas, a culminar com 60.000 assassinatos anuais.

Clássico

Os “minúsculos três poderes” estão malbaratados; ouço o “salve-se quem puder”. Não fossem as incansáveis ações da Polícia Federal, do Ministério Público e de alguns Juízes da 1ª Instância, a nação estaria vitimada pela “corja corrupta” que se encravou solene no Estado.A justiça farda mas não talha

Nesse cenário preliminar, sinto-me inclinado a refletir de acordo com a filosofia milloriana. Talvez, se ainda estivesse presente, aos 95 anos Millôr concluísse: “no Brasil, desde o Neolítico ninguém acreditava no Político”.

_____

[1]Saite” Millôr Online, em Bíblia do Caos, sessão 009, item IV.
[2] Revista Veja 334 (29 de janeiro de 1975).

Gestão através do ambiente


Por Ricardo Kohn, Especialista em Gestão.

Após o artigo de Simão-pescador, “Conversas com o ambiente”, onde ele narra a visão de seu pai, o melhor “ambientalista” que conhecera na vida, decidi esboçar este ensaio. Nele tento iluminar um pouco uma questão conhecida, embora bastante sombria:

─ Dada a finitude dos bens naturais do planeta, será essencial a mudança nas atitudes das instituições produtivas? Continuarão a ser geridas com vistas a aumentar seu desempenho econômico-financeiro ou buscarão garantir a qualidade de seu desempenho ambiental?

Em tese, é fato que essa “dúvida” foi iniciada no século 18, a partir da Revolução Industrial. Desde então, amplia-se por diversos fatores, em especial quando governos e empresários adotam em suas organizações as ditas “tecnologias de ponta”, que surgem no mercado. No mais das vezes, usam tecnologia apenas por ser a nova tecnologia, sem prever vantagens específicas.

No entanto, em especial no sistema público, dizem que dessa forma aumentam a produtividade do trabalho. Porém, esquecem-se que as organizações precisam se apropriar de insumos para produzir, os quais são bens ambientais do planeta. Quando esses insumos não são renováveis, têm seu estoque limitado; quando se reproduzem de alguma forma, ainda assim são escassos. Sobretudo, em cenários produtivos que requerem mão-de-obra especializada (insumo produtivo limitado e escasso).

O “esquecimento” destes investidores foi ampliado com a ideia do “desenvolvimento sustentável”. Transformaram-na em mera retórica redundante. Se há desenvolvimento, precisa ser sustentável, por óbvio; caso contrário, é apenas crescimento. Aliás, insustentável é o crescimento pífio de empresas e a recessão de países desgovernados, tais como Brasil, Venezuela, Argentina e Grécia.

Todavia, assiste-se a nações social e economicamente desenvolvidas, cujos governos buscam consolidar e sustentar a qualidade de vida alcançada, sem a preocupação de aumentarem o PIB. Alemanha, Noruega, França, Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Japão, por exemplo, investem para manter o cenário em que a qualidade de vida do seu cidadão é a meta básica. O crescimento do PIB, ou não, é fato secundário.

Paris, na pintura do impressionista Jean Béraud - Belle Époque

Paris, na pintura do impressionista Jean Béraud – Belle Époque

Essas são nações que se encontram na vanguarda do desenvolvimento. Possuem cultura sólida, educação incomparável, criam e aplicam tecnologias que reduzam o consumo dos bens ambientais, buscam eliminar “lixos no ambiente”, enfim, executam a gestão através de seu próprio ambiente estabilizado.

Afinal, o Ambiente precisa ser estável para manter sua Sustentabilidade original, de modo a garantir as condições de sobrevivência a todos os seres vivos do planeta.

Ambientologia para a Educação


Por Cláudia Reis e Ricardo Kohn, Consultores em Gestão.

Observa-se que há entre os cursos do ensino básico brasileiro – Fundamental [1 e 2] e curso Médio – um hiato de conteúdo educacional, sobretudo, entre o Fundamental 2 e o curso Médio.

Verifica-se que os módulos do ensino fundamental relacionados ao tema “Ciências”, embora oportunos, são superficiais e estanques entre si. Não formam o substrato educacional mínimo para capacitar os alunos às demandas do ensino Médio e Superior. Falta-lhes integração com a forma de raciocinar, a incitar ações subsequentes úteis e tangíveis. Informam, mas não motivam aos alunos a desejarem mais conhecimento.

Por sinal, cansam-nos com textos dispersos para decorar e, em vários casos, acabam por “aumentar a evasão das escolas”, tal o desinteresse que proporcionam aos jovens.

Infere-se a partir das premissas acima, que é possível preencher o hiato existente e, por exemplo, integrar os cerca de 30 temas da cadeira de “Ciências”, através de um único tema: a Filosofia do Ambiente, doravante chamada “Ambientologia[1]”.

Finalidades do projeto

Essa proposta de projeto possui quatro finalidades concretas e realizáveis, a saber:

  • Ampliar nos alunos do ensino básico o interesse pelo aprendizado diferenciado das práticas ortodoxas, há muito adotadas sem os efeitos satisfatórios.
  • Reduzir a evasão escolar, sobretudo no ensino Fundamental 2.
  • Internalizar na mente dos alunos, a partir da visão do Ambiente, a importância dos trabalhos em equipe, com o aumento da produtividade escolar de cada um.
  • Por fim, além de conferir o título de “Técnico em Ambientologia” aos alunos que concluírem o ensino médio, prepara-los para se superarem no ensino superior, caso desejem realiza-lo.

Foco do projeto

  • Estimular jovens a refletirem sobre as relações ambientais de causa, efeito, ações de pronta resposta, considerando-as no tempo e no espaço. Todas essas relações são vividas diariamente por jovens, embora nem sempre sejam consideradas, o que pode acarretar perdas de oportunidades e riscos em geral.
  • Além disso, ampliar a visão espacial e temporal dos eventos que ocorrem no Ambiente, como decorrência direta de ações humanas. O pacote educacional proposto pelo projeto deve capacitar aos alunos do ensino fundamental e médio a formar opinião sobre a importância do Ambiente em suas vidas, decerto mais amplo do que as engenharias e obras que o transformam a cada instante, não raro de forma danosa a seus sistemas ecológicos.
  • Por fim, demonstrar aos jovens uma premissa básica da atualidade no mundo ocidental: “o Ambiente finito do planeta, quando estabilizado com consumo adequado de seus bens ambientais (ar, água, solo, flora, fauna e homem), constitui o pilar essencial para a evolução dos seres vivos (flora, fauna e homem), desde que com a manutenção da dinâmica de seu substrato físico (ar, água e solo) ”.

Descrição do projeto

Para situar os leitores mais velhos desta proposta, o curso Fundamental 1 equivale aos antigos Pré-primário e Primário. O Fundamental 2, é similar ao antigo Ginásio. Por último, o curso Médio equivale aos cursos Científico e Clássico, como denominados no passado.

Salienta-se que, nessa etapa da educação de jovens, a Ambientologia será uma cadeira que possui como base pedagógica as respostas do Ambiente como resultado de ações praticadas pelo Homem, nem sempre inteligentes sob a ótica do Ambiente.

─ Curso de nível Fundamental [1]

Destinado a jovens de 6 a 10 anos, o projeto propõe-se a desenvolver 5 (cinco) cartilhas ambientais, a narrar histórias do dia-a-dia que os jovens dessa idade tenham interesse em descobrir e conhecer. O teor das cartilhas visa a motivar crianças Vista escolar da Ambientologiapelas descobertas.

Exemplo de temas para as cartilhas: i. Assim são plantadas as hortas comunitárias; ii. Mude o ambiente de seu bairro: plante flores nas praças; iii. Hortas na cobertura e flores na fachada dos prédios; iv. A alegria da Primavera é contagiante; v. Folhas e flores trazem borboletas e beija-flores para dentro das casas; vi. Sem flores não existem as frutas que adoramos; vii. Podemos lhe ajudar nessa tarefa?

Evidente que as cartilhas ambientais precisam de personagens que “conversam” com as crianças. A exemplo, podem ser duas famílias com filhos em aprendizado inicial.

No Fundamental [1] os módulos de aprendizado são três: Alfabetização em Português, Aritmética, Introdução à Ambientologia e, por opção do aluno, Inglês básico.

─ Curso de nível Fundamental [2]

Destinado a jovens de 11 a 14 anos, o projeto propõe-se a elaborar 4 (quatro) livros didáticos, específicos para o Fundamental 2. Os livros devem ter cunho evolucionista, a começar pelo roteiro educacional que apresentam para a Ambientologia, a qual precisa ser dinâmica: a evoluir do livro 1 até o livro 4.

O tema central também é o Ambiente, em todas as suas proporções e narrativas, por exemplo: como fazer e gerir um simples canteiro de plantas, passando por jardins, sítios e fazendas; perceber as ameaças dos processos de desmatamento, das erosões intensas, que resultam em áreas desertificadas; apresentar as características dos ecossistemas primitivos e sua capacidade de evolução aleatória; até chegar ao maior desafio, que seria algo tal como o Ambiente Primitivo: sem poluição do ar, sem contaminação hídrica, com solos férteis, rios e lagos de água pura, um povoado integrado à floresta e sua fauna silvestre.

Através de narrativas muito bem sequenciadas, amplamente documentadas por fotos e desenhos, a Teoria do Ambiente vai sendo gradativamente transferida aos alunos, como essencial à filosofia das suas vidas, sem ter que falar em Teoria ou Ciência.

A linguagem dos livros será simples e coloquial. Sua narrativa fará menções à linha do tempo da existência do Homem no planeta, ou seja, do paleolítico até os dias atuais: do antigo caçador-coletor ao atual “caçador-extrator”. Trata-se de oferecer para análise dos jovens alunos uma visão histórica e geográfica do homo sapiens, bem como sua evolução no Ambiente planetário.

No entanto, subentenderá questões ambientais práticas, que estimulem aos alunos perspicazes a encontrar soluções próprias, tanto para o momento em que vivem, quanto para seus futuros de maior prazo.

As coleções de cartilhas e livros serão impressos em papel reciclado. Porém, o projeto também prevê oferecer os livros também em formato digital (e-book).

Para finalizar, o projeto Ambientologia deverá atender à prática moderna da juventude, através de aplicativos para celular, tablets e computadores pessoais. Constituem jogos que demandam a decisão dos alunos diante das questões ambientais formuladas pela coleção de livros – “environmental games”. Jogos inteligentes estimulam o aprendizado.

No Fundamental [2] os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Português e Redação, Matemática, Ambientologia, História, Geografia e Inglês. Por escolha do aluno, ele pode selecionar aulas de Espanhol ou Francês.

─ Curso de nível Médio

Destinado a jovens de 15 a 17 anos, o projeto adotará práticas constantes em “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”, livro a ser publicado em breve para o ensino de Nível Superior.

Essa obra teria como título “Ambientologia – Metodologias para Gestão”. No entanto, o título foi trocado, pois o autor considerou que seu significado não seria claro, por referir-se a uma “prática pouco conhecida”.

No curso Médio os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Redação e Literatura, Matemática avançada, Física, Química, Ambientologia, Inglês, Espanhol, Francês e, no último ano, Ambientologia avançada.

Benefícios do Projeto Ambientologia

A relevância de qualquer projeto se assenta na capacidade de responder às demandas de seu público-alvo, sejam elas explícitas ou não. Desse atributo derivam os benefícios que o projeto oferece à sociedade, que podem ser de variadas ordens.

No caso do ‘Ambientologia’, tratam-se de benefícios educacionais, dos quais deságuam efeitos positivos de ordem social, econômica e motivacional, pelo menos. Destacam-se cinco deles, a saber:

  • Internalização no raciocínio dos jovens da dinâmica do Ambiente, às vezes imprevisível, bem como de seu trato adequado, através do uso dos meios que estejam disponíveis, sejam os acatados pela ciência ou criados por eles próprios.
  • Demonstração aos alunos que as atividades dos ecossistemas humanos precisam possuir desempenho ambiental, visando a garantir a sustentabilidade dos ecossistemas primitivos, ou seja, manter o Ambiente estabilizado.
  • Ampliação da capacidade da lógica dedutiva na formação do conhecimento, com efeitos expressivos na autoestima dos jovens “alunos descobridores”.
  • Aumento da capacidade de antevisão de problemas de causas variadas, com estímulo à inventiva pessoal dos alunos em solucioná-los, no tempo e no espaço.
  • Introdução da variável ambiental na vida dos jovens, através da visão de seus espaços físico, biótico e antropogênico, como fundamento para a tomada de decisão em todas as suas futuras profissões.

Procura-se um Investidor-parceiro para melhorar a Educação dos jovens brasileiros.

……….

[1] Após 42 anos de consultoria em estudos e projetos, descobriu-se que a Ambientologia não seria propriamente uma ciência. Mas uma base filosófica, que facilita a orientação e coordenação da aplicação simultânea das inúmeras ciências que explicam o Ambiente.

Instinto e Razão


Ricardo Kohn, Gestor.

Há momentos em que é preciso interromper tudo o que se está a fazer e questionar-se:

A trilha que decidi seguir na vida pode me conduzir até aonde?A trilha

Para um jovem da “antiga classe média[1], amistoso e sociável, diversos caminhos perfeitos se abriram à frente. Assim os percebia – desafiadores, perfeitos –, pois sua vida começava a nascer: estudos, trabalhos, amores e muitas amizades.

Achava que detinha a razão, mas, de fato, apenas o instinto comandava suas decisões. Portanto, seguiu por todos os caminhos que pode, sem chegar aonde desejava. Aliás, sequer sabia quais eram os próprios desejos, por isso precisava testar as trilhas que descobria.

Todavia, faltava-lhe experiência, que somente a prática intensa consolida. É a partir desta experiência que começam a sobrevir os primeiros sinais da razão aplicada. E também das reais descobertas da vida, é evidente.

Então, com apenas 13 anos de experiência de trabalho, o jovem aceitou outro desafio. Mudar de estado para trabalhar em planejamento empresarial, numa organização que, em 1981, tinha cerca de 22 mil funcionários, distribuídos pelo país inteiro.

Lá descobriu que possuía “um tiquinho de razão” e bastante instinto. Cumpria muito bem com suas funções, embora em 1982 haja publicado um livro de contos, editado pela própria organização! Isso causou uma refrega com sua chefia, que era “enquadrada e oportunista”.

Porém, no ano de 1986, refletiu que já concluíra uma espécie de doutorado em planejamento. Portanto, de posse desse patrimônio, decidiu retornar a seu estado de origem. Queria voltar ao trabalho na consultoria de projetos de engenharia e ambiente, conforme iniciara há 14 anos, em 1972.

Já morando no Rio de Janeiro, diante de seu novo desafio, começou a escrever sem parar, com mais instinto do que razão. Mas não eram contos o que então sonhava. Eram textos técnicos pioneiros, voltados exclusivamente para sua área de trabalho.

Em 1989, com mais de 1000 páginas de textos teórico-conceituais redigidos, pensou que deveria voltar para a universidade. Mas não somente para estudar, também para dar aulas. Foi assim que, com quase 20 anos de experiência de trabalho, fez uma descoberta: “as trilhas da vida atravessam jardins, onde hora se bifurcam, ora convergem para resultados”. Cabe saber como encontra-las. Para isso precisa-se de muito instinto e razão.

Simplicidade e paz

De fato, os caminhos trilhados no passado não se extinguem, nunca se apagam. Ainda que não tenham deixado vívidos legados de felicidade com o trabalho realizado, retornam aos tempos atuais e participam da consolidação de novas experiências e legados.

Hoje, o jovem tem 67 anos. Possui a experiência que mais de 40 anos de trabalho lhe concederam. Busca com seu instinto uma nova bifurcação de sua trilha inicial; deseja ser capaz de encontrá-la na Universidade.

……….

[1] Trata-se da classe média do século 20, década de 1960: com renda familiar hoje equivalente a R$ 15.000,00 mensais e casa própria, numa sociedade que recebia do Estado bons serviços públicos, sobretudo, de educação e saúde.

Violenta erupção nos Três Poderes


Zik Sênior, o eremita.

O desejo científico de geólogos e vulcanistas é descobrir como prever erupções vulcânicas com antecedência. Afinal, existem muitos povoados e até mesmo cidades que ficam no sopé desses montes “vomitadores de lava”. Salvar pessoas é o principal objeto dessas previsões.

??????????????????

Terremotos são ainda mais inescrutáveis para os cientistas da sísmica. É fácil afirmar que algum dia vão ocorrer em certas regiões da Terra, como no “Círculo de Fogo do Pacífico”. Mas ainda não há como determinar a data do evento, sua intensidade e muito menos onde será seu epicentro, bem com a que profundidade acontecerá. Só é sabido que os que ocorrem em menores profundidades causam maiores transformações no Ambiente a que transformam. São as forças da natureza primordial a se manifestarem.

Todavia, há um “boato científico” no ar. Diz que certas espécies da fauna silvestre se evadem de áreas sensíveis, dias antes de terremotos e erupções vulcânicas ocorrerem. Acho ser boato porque nenhuma experiência realizada foi capaz de confirmar essa estória. Porém, assisti a uma “cerimônia” assaz curiosa: o serviço de xamãs andinos e seus pássaros-videntes, aprisionados em gaiolas. De posse desse “equipamento técnico”, os xamãs diziam ser capazes de prever eventos geológicos, aéreos e marinhos, com ocorrência aleatória no Ambiente da Terra, desde sua formação.

Assim, após uma sessão de cânticos rituais, cada vez que os pássaros sangravam contra as grades da gaiola, os “profetas espirituais” datavam e localizavam terremotos, maremotos, vulcanismos, tufões e tsunamis futuros. A verdade é que nenhum deles aconteceu, pelo menos conforme fora profetizado.

Mas é dessa maneira que os atuais xamãs políticos ganham a vida: através de “serviços” fornecidos por quadrilhas de profetas, a enganar o povo com seus “cânticos de palanque”. Mas há um detalhe que deduzi em minhas investigações. Eventos ambientais, que antes tinham origem estritamente geológica – erupções vulcânicas e terremotos –, ganharam também origem cidadã. Hoje podem ser marcados, datados e localizados com quase 100% de certeza. Por isso, dadas as severas fraturas morais promovidas pelo governo central, está marcada para outubro de 2018 uma grande erupção político-vulcânica que afetará a todas as “estruturas” do país. Seu horário de início está marcado para as 8:00 horas da manhã. Após esta erupção, acontecerá uma sequência de violentos terremotos, com epicentro em todas as capitais estaduais.

Por fim, ocorrerá o Terremoto Brasil, que irá sacudir de forma devastadora o planalto central do país. Porém, os cidadãos brasileiros conduzirão seu epicentro para cinco metros abaixo da Praça dos Três Poderes. Dessa forma, como é esperado, seus efeitos locais serão, por ventura, devastadores.

‘Maravilha’


Por João de Moura Macedo, de Nazareth da Mata, PE.

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Este breve relato é sobre uma nação muito pouco conhecida, mas que, em minha visão, é o “País da Maravilha“. Faço um resumo de tudo o que li acerca dessa inacreditável nação. Devo dizer que procurei selecionar seus aspectos de maior interesse.

Assim, tento mostrar a imensidão de seu território e a qualidade de seu ambiente; o terreno exclusivo que possui para acolher vegetação e fauna silvestre; e, bem assim, as linhas básicas de convivência de seus cidadãos, os dignos maravilhenses.

Nesse relato optei por seguir a sequência aceita como a história da formação do Ambiente da Terra, assim sintetizada:

  • Primeiro, aconteceram choques entre gigantescos blocos de rocha no espaço sideral, o que veio a dar origem a seu furioso Espaço físico: extremos tremores das rochas que se acomodavam, com fortes emissões de gases e lava, até tornar-se um colosso geológico;
  • Em seguida, após 2,5 bilhões de anos, encerrou-se o resfriamento da crosta colossal, bem como a formação de sua atmosfera. Assim emergiu a vida, o Espaço biótico, que teve origem em pequenas algas marinhas: as cianofíceas;
  • Por fim, estimados a partir da sua origem física, 5,5 bilhões de anos depois, emergiu a bravata do Espaço antropogênico, onde os humanos são os desastrados construtores.

Contudo, embora esta sequência também haja ocorrido na Maravilha, nela não aconteceram as deformações provocadas pelo homem. Seu ambiente ainda é o primitivo e, em grande parte, intocado.

Por isso, acredito que esse documento possa servir de parâmetro para avaliar a humanidade e a educação em mais de 160 países. Devo dizer, países ainda “repetentes no curso primário” promovido pelas Nações Unidas, desde 1945. Tenham a santa paciência, vão catar coquinhos, 70 anos de repetência é motivo para jubilação!

Espaço físico

A sorte geográfica desta nação foi absurda e, de certo modo, ingrata com a maioria dos países do globo. Imagine: seu território se estende por uma área de 8,5 milhões de km2! De norte a sul, o litoral maravilhense possui 9.200 km de extensão, com belezas cênicas inigualáveis.

Nele existem pequenas montanhas, falésias, planícies costeiras, milhares de enseadas, um estuário de mar aberto, dezenas de arquipélagos, centenas de manguezais e até regiões com o litoral rendilhado pelo artesanato da natureza.

O clima da Maravilha apresenta magníficas variações, do equatorial ao frio, com classes intermediárias bem definidas: tropical, subtropical, semiárido e temperado. Isso mesmo, condições de tempo que vão do clima tórrido até geadas e neve.

Na Maravilha não existem vulcões ativos. Todos são morrotes extintos há milênios. Em seu território e na sua costa marítima nunca ocorreram ventos fortes como tufões, ciclones ou furacões. Por outro lado, a Maravilha detém as maiores reservas mundiais de nióbio, vanádio e outros metais estratégicos, afora manchas das chamadas terras raras.

Afirmam pesquisadores do espaço físico que a Maravilha detém 12% da água doce do planeta. Pois, a caminhar terra adentro, é surpreendente o grandioso volume de água com que se depara. São rios, lagos, cachoeiras, riachos, corredeiras e lagunas marginais, todos a transbordar água mineral nativa, pura e potável. É incrível!

Por sua vez, seus solos são profundos em pelo menos ¾ de seu território. Além disso, possuem variados nutrientes, que não cabem ser enumerados aqui. Mas sua composição em nitrogênio, potássio e cálcio é de tal ordem estabilizada, que os torna aptos para a produção espontânea de vegetais e frutos comestíveis.

Essa é a síntese do que a Maravilha oferece como substrato físico à evolução de todas as espécies vivas nela ocorrentes.

Espaço biótico

Grandes manchas vegetacionais ocupam 85% do território maravilhense. Dado seu relevo “de suave a ondulado”, suas notórias vocações climáticas, mais o volume de água que se espraia por seu terreno e a notável qualidade de solos, as coberturas da flora possuem elevada biodiversidade, a apresentar biomas com grande extensão e complexas relações entre suas espécies – fitossociológicas.

Já a fauna ocorrente na Maravilha é soberba, tanto em sua abundância, quanto na extrema diversidade. Seus espécimes tentam encontrar na variedade de florestas, matas, savanas e campos existentes seus habitats ideais, feitos pelo acaso e sob medida.

No entanto, embora as regiões que são cobertas pela vegetação sejam de grande extensão, não é fácil para os incontáveis espécimes da fauna silvestre (mastofauna, avifauna, ictiofauna, primatas, herpetofauna, entomofauna, aracnofauna, malacofauna e anurofauna, dentre outras classes) permanecerem no mesmo “espaço domiciliar”, pois ocorrem os conflitos normais, por vezes, letais.

Mas, ao fim e ao cabo, é a seleção espontânea imposta pelo ambiente que desafia quais espécimes possuem habilidades para se adaptar, sobreviver e procriar.

Vale dizer, o povo maravilhense tem plena consciência da importância desse patrimônio ecológico e o mantém praticamente intacto, há séculos, sem necessidade de leis, polícias e ameaças. Procedem assim por que é um costume incorporado em cada cidadão, após 500 anos de democracia liberal.

Espaço antropogênico

A propósito, depois de criada a democracia ateniense, por volta de 2.700 anos atrás, com base nas propostas de dois pensadores gregos, Sólon e Clístenes, a Maravilha foi a primeira nação do mundo a constituir-se Estado Liberal Democrático, em 1515.

Desde então, nunca foi colônia de outro país, nem pensou em colonizar terras além mar. Sua única constituição federal está impressa em apenas uma folha de papel e até hoje não sofreu qualquer emenda. Por isso, os cidadãos maravilhenses recitam-na de cor, como o poema que mais lhes aprazem.

Na Maravilha não existem leis ou decretos públicos. Ela é regida conforme os costumes de seu povo que, desde sua origem, elegeu uma assembleia nacional para coordena-lo, sem a participação do que chamam grupelhos políticos. Essa instituição não possui um “mandato” e seus membros não recebem qualquer remuneração, apenas uma justa e pequena ajuda de custo.

Contudo, precisam ser substituídos por força da democracia liberal. Por exemplo, há saídas para resguardar intacta a missão assumida por alguém, que não a concluiu dentro do prazo. Há saídas espontâneas, pois qualquer membro sente-se eticamente motivado a substituir a si próprio, quando encontra um cidadão mais útil do que ele, que atenda melhor à sociedade maravilhense. E, por óbvio, acontecem as substituições por falecimento.

Desde seu nascimento como Estado, a constituição maravilhense (1515), redigida em praça pública, estabelece por consenso que serviços de educação e saúde são os pilares básicos de sua governança e evolução. E assim o é, até hoje.

Dessa maneira, não existe um único analfabeto perdido em seu território nacional. Todos os maravilhenses completaram, no mínimo, o ensino médio. E o que é mais notável: 95% deles possui pelo menos um título superior em Gestão do Ambiente, Medicina, Engenharia e Matemática Aplicada. Somente a graduação nessas áreas requer 8 anos de cursos intensivos, teóricos e práticos. A partir daí, formaram-se mestres e doutores, aos pelotões.

Para se ter uma medida, nas cidades maravilhenses existem mais bibliotecas do que lojas de loteria no Brasil inteiro! São instituições públicas, que recebem toneladas de livros de todas as nações cultas do mundo. Afinal, em média, o maravilhense sabe ler, escrever e falar com fluência pelo menos cinco idiomas, além da língua materna.

O hábito de ler, interpretar e aprender é uma tradição de cinco séculos naquela nação. Nas ruas e campos vê-se, diariamente, uma grande quantidade de pessoas a aprender com um livro às mãos. Por força de vários fatores, inclusive a bendita sorte, tornou-se uma epidemia nacional, sem condições de retorno à origem do homo sapiens, insipiente e destruidor agressivo.

Afinal, o que é a Maravilha?

É fruto da exuberante educação construída e distribuída a seus cidadãos, durante séculos. Os maravilhenses souberam organizar suas cidades em pequenas áreas, de forma a não destruírem seu santuário ambiental, tanto o físico, quanto o biótico. Saliento que sua divisão “geopolítica” possui somente dois níveis: o Estado maravilhense e suas cidades. Não existem os estados e os municípios.

Portanto, nunca houve governadores e prefeitos, deputados e vereadores. Eles eliminaram os gastos com o que chamam de “maldita máquina pública”. Para eles são apenas máquinas de produzir burocracia e confusão, enfim, “instrumentos da corrupção”.

As casas, equipamentos urbanos e serviços de uso público foram erigidos entre a vegetação nativa, de modo a mantê-la de pé. Por sinal, em cada cidade está instalado um viveiro de mudas de espécies nativas. São milhares de viveiros implantados na Maravilha. Assim foi criada uma de suas principais fontes de riqueza, pois exporta toneladas de mudas para países civilizados que desejam reflorestar seus territórios.

Os cidadãos maravilhenses são vegetarianos há séculos. Não há gado de corte no país. Em troca, cada cidade possui grandes hortas comunitárias, plantadas em harmonia com a mata. Se for feito um sobrevoo sobre a Maravilha, somente ressaltarão aos olhos do observador somente seus polos industriais, aeroportos e portos. Criará uma sensação curiosa: para que servem industrias e aeroportos se não existem pessoas?

A produção de energia elétrica do país adotou uma solução óbvia. Cada casa, unidade produtiva, unidade de serviço público produz a energia que consome. Há mais de século, cientistas maravilhenses desenvolveram fontes eólicas, solares e de biomassa, visando a consumidores de pequena e média envergadura. Portanto, não existem linhas de transmissão a atravessar o território da Maravilha.

Inversamente, a segurança pública possui uma solução antiquada, creio eu. Como a principal fonte de receita do país é o turista estrangeiro, que possui “costumes estrangeiros”, é o exército quem faz a segurança, pois lá não existem polícias. E ele mantém a tradição medieval da pena de morte para tudo o que a assembleia nacional considerar “crime contra a pátria“.

Não vou entrar no mérito dessa questão, mas há um benefício econômico para a nação: não existem penitenciárias, prisões, celas ou qualquer gênero de “armazém de criminosos”. Além disso, para desmotivar eventuais “intrusos”, todas as famílias do país possuem armas de fogo em casa. Entretanto, a taxa de criminalidade no país é zero e o tempo de vida útil do maravilhense é de 95 anos.

Concluo que essa foi a forma democrática e liberal que o povo do País das Maravilhas escolheu para viver, desde 1515. Suas comunidades são saudáveis, cultas, humildes e muito sociáveis. São capazes de criar soluções, simples ou complexas, que aumentem a produtividade de sua economia, bem como a qualidade de suas vidas. Dessa forma, deixo questões que não consigo responder:

─ “Por qual motivo os países associados às Nações Unidas não adotam essa forma digna de viver”? “Por que preferem se destruir e se corromper com extrema naturalidade“?

+ de 200.000 visitas!


PorEquipe do Sobre o Ambiente”.

Foi em dezembro de 2011 que se decidiu criar um blog para cobrir os temas Ambiente, Política e Literatura. Já se possuía algum material escrito, o que facilitou um pouco. No entanto, era necessário descobrir qual seria o provedor mais adequado para receber o website e tentar organizá-lo da melhor forma, de modo a “criar leitores”. Afinal, tinha-se nenhum…

Assim, gastou-se cerca de 4 meses somente para descobrir como “formatar um blog”. Afinal, éramos principiantes. Além disso, trocar ideias de possíveis soluções para o blog era muito complicado, pois Zik morava no interior de Santa Catarina, Brasil; Simão, na Praia das Maçãs, Portugal; Claudia e Ricardo, no Rio de Janeiro.

Por fim, para piorar o cenário, os centenários – Zik e Simão – ainda não tinham a menor noção de como era possível “fazer um interfone” pela internet. Mas seguiu-se em frente e eles aprenderam na marra, sem dor.

Assim, aos trancos e barrancos, no fim da noite de 28 de abril de 2012, foram publicados os primeiros artigos no blog, intitulado “Sobre o Ambiente”.

Ícone do Blog, em foto cedida por Claudio Lopes

Ícone do Blog, em foto cedida por Cláudio Lopes

De acordo com as estatísticas oferecidas pela própria empresa provedora, nos 2 anos e 9 meses de existência do Sobre o Ambiente, aconteceu essa visitação:

Sobre o Ambiente – Estatísticas [1]

Ano

Publicações Visitantes Visitas a publicações

2012 (8 meses)

438

3.523

49.008

2013

200

41.594

66.474

2014

150

48.236

79.316

2015 (janeiro)

10

3.006

6.535

Total 798 96.359

201.333

Análise de resultados do Sobre o Ambiente

O desempenho ou resultados de um website é aferido pelo número de visitantes e das visitas que fazem nas publicações disponíveis, em um intervalo de tempo. É evidente que a qualidade das publicações é essencial ao website, ou seja, textos e imagens que estimulam a visitação.

Observa-se na tabela acima que a quantidade de publicações decresceu, de 2012 para 2014. Contudo, o número de visitantes teve um bom crescimento, da mesma forma que as visitas às publicações. Isso se deveu à maior seleção dos textos publicados. O ano de 2015 ainda é uma incógnita, sobretudo, diante da incógnita social e econômica dos próximos 11 meses.

Outra variável a considerar é a quantidade de Seguidores Fixos do website. Ou seja, aqueles visitantes que assinaram o blog para receberem e-mail a cada nova publicação postada. Sobre o Ambiente possui hoje 1.618 seguidores, provindos de 109 países [2]. Espera-se, com a intensificação do trabalho redacional, ampliar esse grupo de seguidores.

Neste último fim de semana, como já se havia previsto, Sobre o Ambiente ultrapassou as 200 mil visitas: 201.333 visitas. Não seria um número expressivo para o tempo de existência do blog, não fosse o fato que seus redatores são desconhecidos do grande público da internet. De outro modo, não são jornalistas ou notórios escritores. Apenas estudiosos de temas relevantes.

Para finalizar este relatório de trabalho voluntário, em respeito sincero àqueles que nos acompanham, a equipe deseja agradecer aos que têm lido e comentado nossos textos. Forte abraço a todos, mas destacam-se aqueles que assinarem gratuitamente o Sobre o Ambiente. Sem esses, a tendência evidente será congelar o website.

……….

[1] A quantidade de visitantes e de visitas a publicações do blog são dinâmicas e referem-se ao horário em que este texto foi postado no blog.

[2] Seus leitores mais assíduos são do Brasil, EUA, Portugal, França e Alemanha.

O Risco de Rotular


Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Para que entendam o que chamo “risco de rotular”, vou tomar como exemplo o trabalho de notórios cientistas que estudaram a Geologia da Terra. Em algum momento reuniram-se no campo para descobrir como, quando e por quê ocorreram mudanças significativas nas feições físicas do planeta: seus mesoclimas, suas rochas, seus solos e suas águas abundantes.

Após milhares de pesquisas de campo e incontáveis análises laboratoriais, concluíram que deviam classificar as variações periódicas sofridas pela geologia do planeta em cinco intervalos de tempo geológico, do mais amplo ao mais específico: Éon, Era, Período e Época foram os rótulos escolhidos para localizar no tempo a mudança geológica do planeta, ocorrida desde sua formação, estimada em 4,5, bilhões de anos passados, até a atualidade.

Por acaso, encontrei um relógio que marca a História Geológica da Terra, o que facilitou-me a compreensão sobre o processo da Transformação do Ambiente Planetário. Sugiro que, para melhorar o entendimento, entrem neste link: Escala de Tempo Geológico. Diria ser necessário a leigos na matéria, tal como eu.

A ser assim, vive-se na Era Cenozoica, Período Neogênico, Época Holocênica. Até agora, o principal evento planetário ocorrido durante o atual Holoceno, também rotulado por Quaternário, foi o degelo da Terra (rotulado “fim da Era do Gelo”) e a expansão da dita civilização humana. Foi aí que se deu o maior perigo: a invasão dos sapiens. Porém, não se trata de “perigo geológico”. Significa “perigo de apedeutismo”, pois a maioria da população mundial ainda sequer foi civilizada, que dirá educada.

Há “cientistas”, que presumo salientes, a dizer que já se vive no Antropoceno, época em que as transformações planetárias seriam proporcionadas pelo “Homo sapiens”. Dizem que teria iniciado no século XVIII, com a Revolução Industrial ocorrida na Grã-Bretanha.

Discordo frontalmente que o dito Antropoceno seja uma Época Geológica, que tenha no sapiens o único ou principal responsável. Afinal, que eu saiba, o Homem não é um ente geológico, a erupcionar, emitir trilhões de toneladas de gases de enxofre, calcinar a atmosfera, destruir rochas, mover continentes e oceanos.

Sem o auxílio considerável das Forças do Ambiente parece-me incapaz de “mudar as feições físicas do planeta”. Por enquanto, em minha opinião lógica, o Antropoceno não passa de um rótulo arriscado, mera retórica de alarmistas.

Os “defensores do Antropoceno”, insuflados por jornalistas, defendem-no pelos impactos que dizem ocorrer na Terra, onde destacam o Global Warming. Por sinal, pela ignorância predominante, tornou-se o aterrador Aquecimento Global Antropogênico.

Com o medo crescente do dito aquecimento dos oceanos, a morte de peixes em caldeirões marítimos fervilhantes tornou-se o roteiro cinematográfico de meus pesadelos sistemáticos. Não conseguia dormir e passei várias madrugadas a andar na praia. Meu mais velho, preocupado com minha saúde, avisou-me que haveria um encontro de cientistas no Brasil para esclarecer esse “danoso boato“. Disse-me que eu deveria ir.

Assim fiz. Arrumei a maleta e segui para Recife. Consegui hospedagem num pequeno casebre na Praia de Porto de Galinhas. Um ambiente maravilhoso que, de chofre, anulou-me a insônia. Assisti a várias palestras sobre a hipótese da mudança climática. O “fim do mundo num buraco quente“, como rotulado de forma intempestiva por Al Gore, o Presidente do Global Warming. De clima o gajo nada entendia, porém, como artista do cinema mudo, até que não foi tão ruim.

Mas uma palestra pareceu-me precisa. Foi feita pelo Professor Dr. Luiz Carlos B. Molion, do Instituto de Ciências Atmosféricas. Em síntese, sobre o aquecimento global, disse ao plenário da academia, a comparar dados meteorológicos de 2013 e de tempos longínquos [1]:

“… as temperaturas da Terra já estiveram mais altas, com concentrações de CO2 inferiores às atuais. Portanto, não é possível afirmar que esteja a ocorrer um aquecimento global sem precedentes, como querem alguns. Muito menos que esse aquecimento seja provocado pelo aumento da concentração de CO2, decorrente da queima de combustíveis fósseis pelo Homem. Ao contrário, demonstro em meu trabalho que o CO2 não controla o clima global e que haverá um ligeiro resfriamento global nos próximos 20 anos”.

Ao retornar à praia das Maçãs fui direto molhar-me no mar. Meu inconsciente ficou tranquilo com a gelidez das águas. Agora, quase ao meio do dia, o termômetro de casa marca 5 0C. Durante a madrugada, -1 0C. Normal para início de inverno.

Que bosta dePátria Educadora“! Três Vivas ao Holoceno! Chega de rótulos safados!

……….

[1] Ele se referia a dados meteorológicos obtidos por pesquisadores de campo, há 320 mil anos, entre os últimos períodos interglaciares do planeta, “quando as temperaturas estavam de 6 a 10 0C mais elevadas do que as atuais”. Interessante, não acham?

Previsões e ‘profecias’ para 2015


Por Dr. Andrey, Psiquiatra e Vidente.

Um psiquiatra espanhol, de nome Andrey Porra y Porra, enviou para o blog suas previsões e “profecias” para o ano de 2015. Após ler-se o texto com curiosidade, durante dois dias revirou-se a internet à procura deste profissional. Mas nada se encontrou, sequer seu nome. Somente mais tarde, por obra do acaso, soube-se através de um amigo catalão que ele existe.

Por contingências da vida – que não se conseguiu obter detalhes –, Dr. Andrey abandonou a psiquiatria há mais de 40 anos. Desde então, dedicou-se a aprimorar suas habilidades de vidência. Por fim, tornou-se notório, respeitado internacionalmente.

Soube-se que Dr. Andrey é recatado e muito cuidadoso com sua “delicada” profissão. Não atende a clientes em clínicas ou consultórioOs fantasmas da Sexta 13 particular. Somente trabalha nas residências dos clientes. Segundo consta, cobra 1.200 euros por “hora de vidência”, fora transporte e estadia. Até por que, dizem que faz previsões nos cinco continentes, embora para o Brasil, dada nossa estranha verve política, somente faça “profecias”. Contudo, com amplo índice de sucesso, segundo comentam à sorrelfa grandes empresários e xeiques que o consultam.

É curioso, mas hoje em dia Dr. Andrey só aceita novos clientes se forem indicados por clientes antigos, com mais de “20 anos de vidência” com ele. Ele faz previsões sobre qualquer assunto: resultados eleitorais, falecimentos, julgamentos criminais, prisões, empresas fantasmas, novos contratos, receitas futuras, taxa de câmbio, oscilação dos juros básicos, aplicações financeiras e bolsas de valores são suas maiores especialidades.

Entretanto, segundo informes, tem evoluído bastante, pois já se encontra apto a prever quem recebe propinas no serviço público de países africanos e latino-americanos.

A partir daí, fez-se uma reunião editorial e, por consenso, decidiu-se publicar as “2015 Previsões e Profecias de Porra y Porra”, recebidas em 31/12/2014.

Previsões para 2015 – Internacionais

  • Variáveis críticas externas, manipuladas por atores violentos, criarão ameaças radicais para povos da Europa, mas servirão para unir e fortalecer as nações deste continente.
  • Cidades norte-americanas serão alvo de fundamentalistas isolados, os quais serão sumariamente mortos pela polícia local e o FBI, sem causar maiores danos pessoais e patrimoniais. Porém, a violência permanecerá a ocorrer, através de “cyber-ataques” a bases de informações secretas.
  • Grupos fundamentalistas, antes concentrados em certas áreas do planeta, foram desmembrados por força da ação militar. No entanto, alguns de seus remanescentes cometerão brutais ataques terroristas, com inesperadas vítimas fatais, em capitais da Europa Ocidental. Ainda estão na casa do milhão os fundamentalistas remanescentes, sem considerar os jovens que se encontram em treinamento.
  • Crescerão no mundo ocidental violentas fobias políticas, econômicas, culturais e religiosas, mas China, Índia e Japão não serão afetados, nem sequer participarão de respostas que serão tentadas por outros países. Todas sem o devido sucesso.
  • Com a total inversão de valores ocidentais, em países africanos as ações criminosas de grupos fundamentalistas, desencadeará a morte de milhares de civis inocentes, inclusive idosos e crianças.
  • Acontecerá a falência de inúmeras empresas sul-americanas, com ênfase nas dos “países baixos” – Argentina, Brasil e Venezuela. A Bolívia sobreviverá, por força do crescimento de seu PIB, beneficiado pela exportação da cocaína.
  • A Rússia entrará num período de franca decadência econômica, política e moral, a agravar suas relações com a Ucrânia, países do oeste europeu e os Estados Unidos. No entanto, num comportamento suicida, seu líder tornar-se-á ainda mais beligerante.

“Profecias” para 2015 – Brasil

  • O governo não superará as graves dificuldades para conciliar a “manada de ministros de baixa governança” que nomeou. Surgirão conflitos frontais de espaço entre os “donos de pastas”, que serão irremediáveis. Os “interesses difusos” de cada um, quando sobrepostos, não caberão na “área de pasto” que lhes foi concedida. Haverá choques sucessivos e desgastes fatais na governança pública, ampliados pela total incompetência de certos titulares.

A pancada do Azar

  • Em todos os escalões de certos ministérios acontecerá “a marcha da insanidade”, com a nomeação para cargos públicos de perigosos agentes que representam a esquerda radical: têm a missão de implantar a ditadura comunista no país. Tal como foram os desejos de seus ancestrais políticos, nas décadas de 1960 e 1970.
  • Após um decênio de escândalos da corrupção pública, divulgados com precisão pela imprensa mundial, sob a pressão do “FBI Brasileiro” e certos órgãos de controle, será ouvida a estrondosa erupção dos “escândalos subterrâneos”. Assim, serão aclaradas as relações escusas mantidas em instituições, bancos públicos e empresas de setores econômicos que permanecem estatizados no país. O grande tsunami da “extorsão organizada”, da “corrupção no atacado“, causará enorme depressão nas lideranças mundiais.
  • Não serão recuperadas as centenas de bilhões de dólares “afanadas” do setor público. Até porque, poucos serão aqueles que devolverão parte do dinheiro público roubado.
  • Será realizada a “Auditoria das Eleições de 2014”, por força das graves dúvidas de manipulação eletrônica do pleito. Para os auditores ficará comprovado que houve o desvio criminoso de milhões de votos. Porém, a instituição que detém o poder eleitoral sagrará a eleição como perfeita e arquivará o processo.
  • Serão “extintos partidos políticos” que possuem assento no Parlamento, por força da condenação e prisão de muitos de seus líderes e membros eleitos. Movimentos populares pedirão a queda do governo federal e o fechamento temporário do poder legislativo, com vistas a higienizar os quadros de corrupção e a falta de “conduta ética e moral”, estabelecida nesses poderes.
  • O Brasil sofrerá aguda crise social, política e econômica. Sua cambaleante liderança na América do Sul será definitivamente anulada, dando espaço a que potencias mundiais assumam o domínio produtivo e comercial neste continente. Assim nascerão a “América do Sul Made In China” e a América do Sul Made In USA”.

E Dr. Andrey concluiu seu relatório de “previsões e profecias” com três observações:

“Não uso bola de cristal e não sou presunçoso de afirmar que minhas previsões têm 100% de probabilidade de ocorrer. No entanto, Quadro de Pablo Picasso
trabalho num sólido “Banco da Dados e Informações Mundiais” de minha propriedade, que levei 40 anos para consolidar, de forma meticulosa. Atualizo-o diariamente”.

“As ferramentas de trabalho que utilizo são a Psiquiatria e o ‘Modelo Estocástico de Previsões Sócio-Políticas e Econômicas‘ que arduamente consegui desenvolver”.

“Enviei gratuitamente este relatório para vocês – Sobre o Ambiente – pelo fato de seguir seu trabalho e haver notado que já fizeram previsões no passado, embora a título de deboche. O que, por sinal, considero um direito do cidadão. Amanhã, 2 de janeiro, seguirei para os Alpes Suíços para descansar um pouco. Mas saibam, quando quiserem meu pequeno chalé encontra-se aberto para vocês. Aproveitem enquanto eu existo.

Bom trabalho e Felicidades a todos”.

Feliz Século para todos!


Está-se a enfrentar a despedida de mais um ano, o Réveillon 2014-2015. Assim, é normal que se deseje Feliz Ano Novo ou Feliz 2015 a amigos e seus familiares.

No entanto, após deglutir o áspero e amargo 2014, este desejo, assim lançado ao ar, graças apenas a uma data, parece uma obrigação formal. Não contém o calor de um abraço. Soa ser, até mesmo, um ato de hipocrisia.

Pelo que a nação brasileira assistiu durante o ano de 2014, com surpreendentes processos de corrupção descobertos sucessivas vezes, “Feliz Retalhão 2014-2015” é mais compatível, embora retalhos sejam sobras. Mas não parece haver dúvida que o retalhão causará fortes tempestades em 2015.

Tempestades

Tempestades

De toda forma, a equipe deste blog deseja deixar Esperança de Felicidade a seus amigos e familiares. A maneira que encontra de crescer esta esperança é desejar Feliz Século a todos!

Ao longo de 100 anos, acredita-se que será possível sanear a ética e a moral brasileira, de forma definitiva.

Faça sua parte, trabalhe duro e acredite que você é parte da mudança

Faça sua parte, trabalhe duro e acredite que você é parte da mudança

Esse é o desejo de Zik Sênior, Simão-pescador, Cláudia Reis e Ricardo Kohn.

Recall de políticos


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Se um grupo de cidadãos elege um candidato para certo cargo político, a acreditar que ele irá cumprir o que prometeu pelos palanques da vida, precisa ter o direito de destituí-lo do cargo, caso considere necessário. Esse precisa ser seu direito inalienável.

Basta que, se eleito, o gajo “enfie os pés pelas mãos”, mostre se tratar de um descarado corrupto ou não tenha competência para realizar as necessidades básicas de seus eleitores. Acho que esse deve ser um excelente projeto de lei!

Porém, será difícil ser aprovado pelos “para-lamentares” brasileiros. É imprescindível que haja uma forte pressão popular. Sem ela não há reforma política que possa modificar coisa alguma.

O recall de políticos tem de ser simples, igual à troca obrigatória das peças defeituosas de um veículo saído da fábrica. Ou mesmo as partes e tubos de uma latrina, sem vazão suficiente para “esgotar políticos”. O século XXI mostra que os temos de sobra, milhares deles a pilhar a nação diariamente.

Entretanto, diante dos sucessivos escândalos orquestrados que, sem exceção, envolvem o roubo continuado do erário público (por mais de uma década), defendo a posição que é tida por muitos como drástica: o recall (cassação) de qualquer funcionário público. Visa a impedir a contratação dos “estafetas da quadrilha pública”. São a corja essencial ao funcionamento da máquina corruptiva.

Sem eles não é possível efetivar o sórdido desvio do dinheiro público. São catadores de milho em datilografia, mas incansáveis para fazer jus à mensalidade da “bolsa-corrupção”. Fazem o que lhes for mandado e, de forma aloprada, defendem seu “criador”, a dizer que “sempre foi assim no Brasil”. Defendem de forma descarada os tais “nobres fins socialistas” – de acabar com a miséria, da busca pela igualdade social (aonde isso existe?!) – para justificar os meios torpes e repugnantes que utilizam.

Os fatos são chocantes. Há um modelo de cleptocracia instalado”, foram palavras proferidas por um juiz da mais Alta Corte, durante entrevista concedida, quando se referia ao ocaso da Petrobras; é a opinião de alguns notórios analistas políticos: desvios contínuos do dinheiro da estatal para manutenção de um mesmo partido no poder central. Tenho sérias dúvidas se, no roubo sistemático dos cofres públicos, a ação das quadrilhas se resuma na manutenção do poder político. Mas isso pode ser testado, não com a dita reforma política , mas através de uma verdadeira revolução político-eleitoral brasileira que, a meu ver, é inadiável.

Dado o milagre da cidadania, tomo a liberdade para fazer sugestões a serem contempladas pelo Marco da Revolução Político-eleitoral. Têm alcance bem maior do que a mera cassação de mandatos por ações legítimas da sociedade. Senão, vejamos:

  • Os candidatos a cargos do poder Executivo e do Legislativo não podem sentir qualquer “estímulo monetário” para concorrerem a estes cargos. Ao contrário, somente poderão ser candidatos aqueles que acatarem fielmente as demandas da sociedade civil, na qualidade de serviçais graduados; caso contrário, rua! – essa é a base da Governança pública;
  • Cada eleito para representar esses poderes receberá uma quitinete mobiliada gratuita, na futura “Vila dos Dois Poderes”, ainda sem data para ser projetada e construída [1];
  • A revogação ou cassação do mandato eletivo de qualquer cidadão eleito será efetuada por meio de ação direta da sociedade, encaminhada a mais Alta Corte do país. A Corte não terá direito de negá-la ou refutá-la, apenas de subscrevê-la e faze-la ser cumprida de imediato. Os cassados nunca mais trabalharão no setor público. A menos do cargo de Presidente da República, os demais não serão ocupados por substituto;
  • Partidos políticos que tiverem três membros eleitos com mandatos cassados, serão extintos de forma automática e sumária, através de ação de impedimento emanada do poder Judiciário, por intermédio da Alta Corte;
  • Para Ministérios do Poder Executivo deve ser adotado tratamento similar, sobretudo pela pilha de ministros desnecessários à governança pública. Suas pastas, no mais das vezes, são ocupadas por políticos que nada entendem do trabalho que devem fazer. Sua única preocupação é o tamanho do orçamento que terão para manipular em favor das quadrilhas que montam através dos ditos cargos de confiança;
  • A ser assim, “Ministério político” que tiver três membros de sua cúpula cassados pela sociedade, será extinto de forma automática e sumária, por meio de ação de impedimento emanada do poder Judiciário, representado por sua Alta Corte. Os cassados não poderão mais trabalhar no setor público. A menos do Ministério da Economia, os demais não serão ocupados por qualquer substituto.

Poderia detalhar mais sugestões para moralizar a política brasileira, tais como: (i) reduzir de forma drástica o número de parlamentares; (ii) acabar com cargos públicos comissionados; (iii) limitar o número de ministérios executivos em no mázimo uma dúzia; (iv) reduzir a remuneração do executivo, legislativo e judiciário para, no máximo, 12 salários mínimos; (v) exterminar a coalizão de partidos, etc.

Acredito que se essas medidas fossem tomadas, decerto a taxa de corrupção per capita seria mais reduzida no país. Sobraria dinheiro para investimentos inadiáveis, geraria empregos, melhoraria a inteligência e a economia nacional.

Existem outras sugestões, mas vou parar aqui. Afinal, hoje é dia 24 de dezembro e pelo menos 80% da população brasileira faz uma festa comercial, embora a entende-la como data sagrada. Por sinal, fui convidado para uma ceia na casa de amigos e comparecerei muito feliz. Esqueço de tudo o que acredito, pois é ótimo socializar alegrias concentradas em uma única noite!

……….

[1] Até lá, suas moradias serão barracas do exército, num acampamento de luxo montado nos terrenos em frente ao Congresso Nacional (tendas do legislativo) e ao Palácio da Alvorada (tendas do executivo). Serão tais como Xeiques amadores, sem segurança – essa é a esperada demonstração internacional de quanto os políticos brasileiros são abnegados e amados por seu povo livre.

Boas Festas!


É o que se deseja aos Fatores Ambientais que realizam o Ambiente da Terra!

Que todos mantenham relações saudáveis, estáveis, com trocas espontâneas de matéria e energia! Que o Ar seja temperado e úmido; que não evapore Água em excesso. Que a Flora seja exuberante, umedeça o Solo e nutra-o pela decomposição de seus antepassados.

Neste voto de utopia é evidente que também estão inclusos a Fauna e o Homem, com todas as prerrogativas que merecem os seres destes fatores. Boas festas para todos, em igualdade de condições existenciais.

Dentre os homens, inclusive para aqueles dos quais se aguarda a regeneração de atitude, boas festas também! Não que sejam totalmente pervertidos, em absoluto. Afinal, que se saiba, nenhum se encontra perdido.

Entretanto, caminham por uma órbita estreita e particular, que não recebe a energia do Sol. Energia que é a catalisadora da evolução de tudo e todos. Para estes, espera-se que mudem de órbita e realizem apenas relações honestas e prósperas para os demais fatores ambientais.

De toda forma, chega de degeneração moral! Mesmo assim, deseja-se uma nova órbita para os corrompidos!

Nascer do Sol sobre o Ambiente da Amazônia

Nascer do Sol sobre o Ambiente da Amazônia

O Ambiente não possui intenções, independente do Homem intencional que dele é a sexta parte. Também não reflete emoções, pois não se importa com a emoção de seus seres vivos. Para Ele não existem festas ou contagem do tempo. Em suma, no Ambiente não há hipocrisia. Por isso, Ele às vezes aparece ao Homem intencional como um mistério implacável!

A ser assim, a equipe de Sobre o Ambiente deseja Boa Sorte aos fatores ambientais que realizam o Ambiente!

Aurora de 2015, vista da Janela da Mantiqueira – por Lino Matheus

Aurora de 2015, vista da Janela da Mantiqueira – por Lino Matheus

Gestão da Sustentabilidade de Fazendas – 1ª parte


Por Ricardo Kohn, Cláudia Reis e Marcus Sampaio.

Economia somente se desenvolve quando em simbiose com o Ambiente. Constitui um processo de tal dependência que, caso o degrade, extinguirá a si própria.”

1. Introdução

Sabe-se que é um assunto pouco discutido: a sustentabilidade de fazendas produtivas. Sobretudo, é polêmico segundo a ótica das perturbações que uma propriedade rural pode promover no ambiente em que se encontra e também nas propriedades vizinhas.

É ideal que a gestão de uma área rural seja feita de maneira a que as práticas e meios de produção utilizados não promovam rupturas ambientais nos ecossistemas existentes em seu terreno, sejam primitivos ou alterados.

No mais das vezes, a prioridade do pequeno fazendeiro é produzir para alimentar a família e, para isso, investe em ferramentas de trabalho mais eficientes. O mais dedicado também tem um certo orgulho em possuir um pequeno imóvel urbano e um veículo de tração 4 x 4, que o permita trafegar no campo e na cidade. Isso é justo e normal. Mas, acima disso, está sempre interessado em saber um pouco mais sobre como manter a qualidade do ambiente de sua fazenda.

No entanto, há proprietários rurais que são bem curiosos. Têm como única preocupação com o ambiente de suas terras a simples contemplação, são ‘voyeurs ambientais‘. Nos fins de tarde, gostam de se sentar na varanda da casa, situada na cumeeira de um morro, e deslumbrar o visitante urbano a seu lado com a imensidão de seu terreno.

Não há dúvida de que se trata de uma vista maravilhosa. É óbvio que qualquer fazendeiro, produtivo ou não, dá sua vida para sentir isso. Resta saber se o terreno que se está a admirar possui condições espontâneas de manter seus cursos d’água, sua vegetação nativa e a fauna silvestre associada. Além de produzir economicamente, é claro.

Teve-se a oportunidade de conhecer espaços ambientais belíssimos nessas mesmas condições: da varanda numa cumeeira de morro. No entanto, acompanhando a um fazendeiro consciente, sabedor que suas terras perdem a capacidade de produção se não forem muito bem geridas ambientalmente. Esse fazendeiro é Lino Matheus, a quem se dedica este artigo [1].

Uma vista panorâmica da Serra da Mantiqueira

Uma vista panorâmica da Serra da Mantiqueira

2. Artigos correlatos de interesse

Já se publicou artigos que tratam de temas essenciais para a devida compreensão de como se faz a Gestão da Sustentabilidade de Fazendas. Sua leitura não é obrigatória, mas uma sugestão que facilitará bastante ao leitor interessado em se dedicar a essa prática.

Nestes artigos encontram-se conceitos e processos detalhados que fornecem as bases para a Gestão da Sustentabilidade de Fazendas e o plano ambiental que lhe dá suporte. Basta clicar nos links grafados em vermelho:

3. Elementos para o Plano Ambiental

A primeira tarefa para subsidiar a elaboração de um bom plano é realizar o diagnóstico ambiental da fazenda, que será o foco da gestão. Mas que fique claro, desde já: sem um plano não se pode fazer gestão; e sem gestão de boa qualidade, não há produção que mantenha a sustentabilidade do ambiente da fazenda.

Todavia, não se dispõe de uma fazenda concreta para diagnosticar. Sendo assim, seja uma fazenda hipotética, com terreno de 10 hectares (seu ambiente), assim ocupado: 6 ha de mata primitiva; 2 ha de mata alterada, conjugada com campo sujo; 1,5 ha de solo exposto; 0,3 ha de pasto; e 0,2 ha de área construída – casa da fazenda, galpão de suprimentos, pequeno estábulo, via interna de acesso à casa e área para manobrar veículos.

O diagnóstico ambiental precisa prever quais são as ameaças e oportunidades potenciais [2] que o ambiente externo pode impor à fazenda. No caso específico, há uma variável de extrema criticidade que precisa ter monitoração permanente: o clima da região em que se encontra a fazenda. A dinâmica do clima é aleatória, portanto, capaz de definir o sucesso ou a falência do fazendeiro.

Todavia, também precisa identificar quais as potencialidades e vulnerabilidades ambientais da fazenda [3]. Para isso, analisa sua disponibilidade de água, seu relevo, a qualidade dos solos, sua cobertura vegetal, a fauna que lhe é associada e, sobretudo, as expectativas de produção do fazendeiro e seus familiares. Todos esses fatores ambientais, sem exceção, comportam-se em função das variações do clima regional.

Em síntese, o plano para gestão da sustentabilidade precisa ser capaz de impedir que uma ameaça ambiental externa se relacione com vulnerabilidades do ambiente da fazenda. Além disso, precisa ser capaz de propiciar que as potencialidades do ambiente da fazenda sejam utilizadas na consecução das oportunidades ambientais externas.

Essas oportunidades são oferecidas pelo ambiente externo à fazenda, mas poucos são os fazendeiros que as identificam, a tempo e a hora. São rápidas ‘janelas de oportunidade’, que requerem decisões objetivas, mas nunca precipitadas.

3.1. Informações básicas da fazenda

São informações de ordem ambiental que todo fazendeiro precisa conhecer muito bem. No caso hipotético considerado, destacam-se os seguintes fatos e variáveis:

  • Relevo: De plano a suavemente ondulado, em 40% do terreno. Em sua extremidade, a nordeste, há uma cadeia de montanhas, com altitude máxima de 1.800 metros. O relevo é um fato, um dado do problema, pelo menos no tempo gerencial previsto por um plano ambiental.
Vista da cadeia de montanhas

Vista da cadeia de montanhas

  • Disponibilidade de água: Há dois cursos d’água (e seus afluentes) que atravessam a fazenda. Suas nascentes encontram-se na cadeia de montanhas. Logo abaixo do sopé das montanhas, forma-se um pequeno lago com boa vazão. A disponibilidade de água é variável e, se bem monitorada e controlada, constitui uma potencialidade ambiental.
  • Qualidade dos solos: Em 65% da parte plana a suavemente ondulada do terreno, os solos possuem qualidade para culturas agrícolas diversificadas. A qualidade dos solos é variável e, no momento, constitui uma potencialidade ambiental.
  • Cobertura vegetal: A mata primitiva está concentrada na cadeia de montanhas e seus arredores, tendo continuidade nas terras vizinhas. Faz parte do bioma Mata Atlântica. Trata-se da principal potencialidade ambiental da fazenda. Mesmo constituindo uma variável, mantê-la intocada é decisão tomada pelo fazendeiro e seu vizinho imediato.

A área de mata alterada e campo sujo ocupa 2 hectares, 20% do ambiente da fazenda. É uma variável que constitui grave vulnerabilidade ambiental da fazenda. Necessita sofrer intervenções ambientais bem planejadas, de forma a integrar-se ao vetor da sustentabilidade do terreno da fazenda.

  • Fauna associada: A fauna silvestre é abundante e diversificada, sobretudo na área de mata primitiva. Possui espécies raras e endêmicas da ornitofauna. No entanto, na área de mata alterada e campo sujo, ocorrem espécies de hábitos peridomiciliares, que são nocivas, podendo causar acidentes com peçonha e transmitir zoonoses: cobras, aranhas, várias espécies de mosquitos, ratos, carrapatos, etc.

Destaca-se ainda a invasão de espécie exótica à região (javalis e javalis mestiços). Os fazendeiros da região encontram-se prejudicados em suas culturas, ameaçados com a presença dos javalis. Portanto, devem tomar medidas integradas, visando a impedir sua proliferação e “retirá-los” de seus terrenos.

Este é um exemplo do sumário de informações requeridas para elaborar um plano de gestão da sustentabilidade. Mostra o que está adequado e o que necessita ser refeito, ambientalmente reabilitado.

4. Introdução ao Plano de Gestão

Para elaborar um plano que seja capaz de realizar, manter e beneficiar a sustentabilidade do ambiente de uma fazenda é necessário efetuar as seguintes atividades:

  • Identificar as vocações físicas e bióticas do ambiente da fazenda;
  • Identificar as vocações sociais e econômicas da região de inserção da fazenda;
  • Efetuar o levantamento da infraestrutura de acesso à região e à fazenda;
  • Efetuar o levantamento das atividades econômicas ocorrentes e potenciais na região;
  • Estabelecer metas de sustentabilidade para a fazenda;
  • Formular projetos para a sustentabilidade do ambiente da fazenda;
  • Monitorar, avaliar o desempenho e, se necessário, reprogramar os projetos implantados.

Na segunda parte deste artigo, essas atividades serão apresentadas em mais detalhes. De toda forma, convida-se aos leitores interessados a pensar acerca do que a descrição de cada uma dessas sete tarefas deverá conter.

……….

[1] Os registros fotográficos publicados neste texto foram tomados na Fazenda Boa Vista, de propriedade de Lino e Nívea, situada em Bocaina da Minas, MG.

[2] Tecnicamente, são denominadas “Variáveis Ambientais Críticas Externas”.

[3] Tecnicamente, são denominadas “Variáveis Ambientais Críticas Internas”.

Revolução do Ambiente


Por Ricardo Kohn, consultor em Gestão.

Introdução

Ao se analisar o atual cenário do Ambiente [1] do Planeta, verifica-se a ocorrência de uma série de fenômenos adversos (com impacto negativo), que se manifestam em grandes regiões da Terra (alta distributividade) e, possuem elevada potência de transformação (intensidade) das áreas em que ocorrem (degradação).

Se nada for feito para cessar as causas de boa parte desses fenômenos (eventos ambientais de ordem política e econômica), suas manifestações permanecerão a atuar até que os fatores ambientais por eles impactados [2] sejam extintos (duração máxima). Isso não é uma profecia, mas fruto de raciocínio lógico e factual. Senão, vejamos.

Classificação de eventos ambientais

Sempre que se deseja analisar esse cenário ambiental de forma mais consistente, organiza-se os eventos ambientais adversos em três classes distintas:

  • A classe dos eventos físicos, próprios de geodiversidade terrestre, é a que detém os eventos mais intensos e localmente violentos: terremotos, maremotos, erupções vulcânicas, tsunamis, incêndios florestais espontâneos [3] e grandes vendavais – tornados, tufões e ciclones. Estudiosos envolvidos em sua explicação ainda não encontraram qualquer ação humana que seja capaz de gerar a manifestação desses eventos.
  • A classe dos eventos bióticos é extremamente sensível e possui dois tipos básicos de causa. Ou decorre dos eventos físicos do planeta, até então incontroláveis, ou é promovida pelo próprio ser humano. De toda forma, impactos adversos sobre a biota trazem inumeráveis efeitos negativos. O que varia entre os dois gêneros de causação – físico e antropogênico – é a área de manifestação (distributividade) e o tempo de manifestação dos eventos causadores (duração).
  • Por fim, tem-se a classe dos eventos antropogênicos. É nitidamente a mais adversa e paradoxal. Não apenas graças à intensidade e distributividade planetária de seus impactos negativos, mas pela quantidade de naturezas que possuem seus eventos e a alta frequência diária com que ocorrem. É um paradoxo pelo fato que o Homem, seu único ator ativo, ameaça e destrói a si próprio, enquanto pensa que evolui. De fato, apenas tornou-se uma ‘subespécie da sub-fauna’.

Mundialmente, durante as oito últimas décadas, personificado pelos ‘governantes’ que elegeu, o ser humano tem dado mostras inequívocas de sua extrema ignorância e agressividade.

Democratizou-se o debate

Em março de 2004, ocorreu em Roma um fórum internacional que reuniu especialistas em Políticas para Gestão Ambiental, provindos de cerca de 110 nações. A ONU cedeu suas instalações, situadas na Via Termas di Caracalla. O fórum foi promovido pelo ‘Ministério do Território e do Ambiente da Itália’.

Recebi um convite do Chile para participar, com passagem de avião e despesas de hotel já pagas. Ao chegar em Roma, no prédio onde se iniciava o evento, fui avisado que deveria ir até a secretaria para receber textos impressos, alguns euros para despesas de alimentação e pegar crachá de identificação. Nele estava impresso meu nome e o país a que representava: Chile.

Solicitei a troca, mas esclareci que também não era representante formal do Brasil no evento, apenas um consultor brasileiro. Assim, naquela segunda-feira, prossegui rumo à abertura do encontro.

Não estava previsto na agenda dos debates, porém, por proposta do Ministro do Ambiente da Inglaterra, que abriu o fórum com fala direta e objetiva, o tema principal dos debates tornou-se “Principais impactos adversos promovidos pelo Homem e suas instituições – Discussão de casos e Paradigmas de solução”.

Dois dias depois, pensei que as seculares propostas da Democracia Ateniense talvez ainda estivessem a pairar sobre as ruínas do Fórum Romano e, com base nelas, os presentes fizeram a escolha. O fato é que o clima dos dois salões em que aconteceram os debates tornou-se amistoso e cooperativo. Decididamente, informal. Todos falaram com todos ou, pelo menos, tentaram.

Um pouco da participação

Na noite do segundo dia houve um coquetel de confraternização. Pessoas cordiais, vinhos de primeira linha, ótimos acepipes, quando alguém na multidão gritou meu nome:

─ “Quem é Ricardo Kohn, representante do Brasil?!

Virei-me e vi um jovem próximo dos 45 anos, com o braço esquerdo erguido e nele um copo de uísque com gelo; de fato, não se tratava de um escocês, conclui. Acenei de volta e tivemos um encontro brasileiro. Seu crachá trazia o nome Badaró, BP Gas, Bahia, mas ele tinha sotaque mineiro.

Expliquei-lhe que não representava o Brasil, mas fora convidado pelo Chile, graças aos contatos de um grande amigo chileno – Jaime Irigoyen. De toda forma, ao acaso, fomos brindados pelos presentes como ‘a delegação do Brasil’, numa espécie de ‘sacanagem internacional’.

Contudo, a maioria dos países de fato enviou delegações. Debati com algumas em ‘mesas de negócio’. Mas devo destacar as delegações da Costa Rica, Inglaterra, Alemanha e Austrália, tanto por haverem enviado Ministros do Ambiente como chefes de delegação, quanto pela forma objetiva e pragmática com que abordaram o tema ‘impactos antropogênicos adversos’.

Encerramento do Fórum Internacional

O Fórum encerrou-se no fim da tarde de sábado, 6 de março de 2004. O Ministro do Ambiente da Alemanha foi convidado para fazer o discurso de encerramento. Havia alguma ansiedade dos participantes, pois estavam presentes no auditório mais de 500 especialistas em políticas ambientais públicas. Suas últimas palavras foram marcantes e guardo-as até hoje:

─ “Para concluir, considero ‘a desflorestação de mata nativa e secundária’, quer por meio de seu corte irresponsável, quer através de incêndios criminosos, como o mais violento dos eventos antropogênicos que ainda ocorrem neste planeta. Os países que, de fato, possuam Governança do Ambiente, têm condições de impedir essa destruição. Os custos de mantê-la descontrolada deverá remeter qualquer nação rumo à completa miséria, tanto material, quanto ética e moral”.

Mesmo passados quase 11 anos, desde quando ouvi essas palavras, motivo-me cada vez mais a trabalhar para a Governança do Ambiente. Sobretudo, no Brasil, onde o cenário atual de seu ambiente está a ser destroçado de maneira impiedosa. Não há visão de seu futuro cenário ambiental, sequer para o médio prazo. Nenhum agente público responsável faz ideia como se encontrará o cenário do território brasileiro daqui a dez anos, em 2025.

Iniciar a revolução

Há uma questão original que precisa ter resposta imediata:

─ “Como estará o ambiente brasileiro em 2025, ou seja, como se comportarão seu clima, seu ecossistema aquático, seu solo, a vegetação, a fauna silvestre e a qualidade de vida de sua população?

Em minha opinião, esse quadro de fatores e suas relações ambientais estará bem próximo da extinção, se não colapsado por completo. De forma figurada, a tendência do país é tornar-se um imenso corpo estéril, mas pleno de insanidades: políticas, econômicas e produtivas.

Neste país, as instâncias de poder, públicas e privadas, ainda negam-se a conhecer a existência do ambiente brasileiro. Chamam-no de ‘meio-ambiente’ e acham que consiste em coleções de minas a explorar, de poços de petróleo a exaurir; de solos incansáveis a serem desnutridos até o fim dos tempos, desde que a baixo custo. Acham, enfim, que podem detonar à vontade suas jazidas pedra e calcário, derrubar suas florestas para fazer telhados de luxo, enquanto, na surdina, arquitetam ‘corrupções triplex’.

Em termos da qualidade de vida, desconhecem o que resulta para a população desfrutar do ambiente estabilizado. Mas vendem-no de forma torpe, por incontáveis dólares depositados em suas próprias contas bancárias.

Querem bilhões de dólares. Quanto mais lavados, melhor (a nota é falsa).

Querem bilhões de dólares. Quanto mais lavados, melhor (a nota é falsa).

A ser desta forma, a questão original muda seu foco e fica assim enunciada:

─ “Como será possível impedir e reverter a degradação do ambiente do território brasileiro, antes de 2025?

Trata-se de prever como ficará o ambiente brasileiro no futuro e de que forma se deve trabalhar pela Revolução do Ambiente, que precisa ser de ordem técnica e cultural. Há duas linhas de ação básicas e interligadas para realiza-la.

A primeira é de ordem técnica, de gestão pública, e precisa obter resultados em curto prazo. Visa a revolucionar totalmente o setor ambiental público brasileiro. Questões que envolvem sua estrutura atual, tais como ‘ministério ou agência nacional’, ‘instituição de Estado ou órgão de governo’, ‘dependência do poder executivo ou autonomia de ação’, devem ser debatidas com a sociedade civil realmente organizada.

A partir daí, é imprescindível a implantação de uma ‘política para gestão de pessoas’, desenhada de forma a trazer para os quadros públicos desse setor profissionais experientes e com a mesma ótica proposta pela segunda linha de ação, a seguir.

A segunda linha tem seus alvos para o médio e longo prazo, pois visa a transformar valores culturais consolidados no Brasil, há séculos. Em síntese, trata-se de revolucionar a educação em todos os níveis – do primário ao superior –, tornando-a capaz de demonstrar que “a Economia somente se desenvolve quando em simbiose com o Ambiente”.

Enfim, constitui um processo de tal dependência que, caso o degrade, a economia nacional extinguirá a si própria. Essa é a visão essencial da Governança do Ambiente.

Até numa nação pobre, o ambiente pode ser o substrato da civilidade

Até numa nação pobre, o ambiente pode ser o substrato da civilidade

Haveria uma terceira, mas de ordem policial e jurídica. Abro mão de considera-la, por ser um efeito e não causa da degradação ambiental do território brasileiro. Algemas e penitenciárias, eternamente aplicadas, resolvem o problema.

……….

[1] Conceito de Ambiente: “É qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (ar, água, solo, flora, fauna e homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como devem ser analisados segundo seus fatores físicos, bióticos e antropogênicos” (Kohn de Macedo, R.).

[2] Fatores ou bens ambientaisFísicos: Ar, Água e Solo. Bióticos: Flora e Fauna. Antropogênicos: o Homem e suas atividades, em especial habitação, produção e comércio.

[3] Os incêndios florestais espontâneos são classificados como eventos físicos, pois decorrem do contato de fagulhas elétricas provindas do espaço com grande volume de matéria natural comburente. Seus resultados adversos são de ordem física, biótica e antropogênica, mas próprios de matas específicas, como as florestas de eucaliptos da Austrália.

Gestão de Fazendas


Por Ricardo Kohn, Cláudia Reis e Itamar Christófaro

Introdução

Há uma ampla literatura sobre como realizar a administração de propriedades rurais. Trata, basicamente, das técnicas agropastoris e de planos empresariais para ampliar resultados econômicos em fazendas de maior porte. Mas esse não é o foco dos artigos que se tenciona publicar neste blog.

Na realidade, este primeiro ensaio visa apenas à introdução do “Ambiente” como uma variável de expressiva relevância nas atividades e práticas de subsistência por parte de pequenos produtores rurais. Ou seja, como famílias subsistem no campo, realizam a produção rural e mantém a qualidade do ambiente que as abriga.

Vista do terreno na Fazenda Boa Vista, Bocaina de Minas

Vista do terreno na Fazenda Boa Vista, Bocaina de Minas

Assim, na sequência dos artigos, serão abordados usos alternativos de fazendas com área de até 20 hectares, visando a atender a necessidades familiares, mas conforme as limitações naturais do espaço ambiental disponível. Por sinal, este espaço fica circunscrito ao terreno da fazenda, acrescido dos de seus vizinhos imediatos.

As limitações naturais são simples e assim resumidas: as dimensões da fazenda; seus tipos de relevo; as declividades ocorrentes; a natureza de seus solos e rochas; os cursos d’água que a atravessam e lagos; sua cobertura florística; a fauna silvestre nativa; suas vizinhanças imediatas; e as áreas de terreno expostas ao clima.

A ocupação e uso de qualquer espaço ambiental deve atentar para os riscos que as limitações acima podem acarretar ao fazendeiro, sua família e eventuais parceiros de produção rural. Todas as limitações são próprias dos chamados “recursos naturais”, como componentes do espaço ambiental.

Porém, segundo esta proposta, “recursos naturais não existem”, sobretudo, se forem explorados pelo homem visando tão-somente à sua provisão econômica, mesmo que lícita.

Entretanto, no lugar de recursos naturais exploráveis, existem os valiosos bens ambientais, que estruturam ecossistemas estáveis e, através da troca sistemática de matéria e energia, relacionam-se de forma espontânea. Assim criam o Ambiente e sua dinâmica, abrigo de todos os seres vivos, inclusive os familiares do fazendeiro.

Cogumelo silvestre, um "bem ambiental" nativo

Cogumelo silvestre, um “bem ambiental” nativo

A expressão “bem ambiental” não é tecnicamente utilizada. Porém, traduz o real conteúdo do que algumas ciências chamam “fatores ambientais básicos”, quando se referem a Ar, Água, Solo, Flora, Fauna e Homem.

Conclui-se que as limitações naturais para a gestão de fazendas, sempre serão efeitos de riscos ambientais proporcionados por variações de comportamento desses fatores ou bens ambientais. Por exemplo:

  • Uma encosta de alta declividade e com o solo argilo-arenoso exposto apresenta risco de desmoronamento e poderá interromper a saída de produtos da fazenda para o mercado – efeito adverso na renda familiar do fazendeiro.
  • Um trecho de corpo d’água, com mata ciliar retirada, possui alto risco de erosão e de desbarrancamento de suas margens, o que provocará assoreamento do corpo d’água e prejudicará uma fonte de alimentação da fazenda – peixes de várias espécies.
  • Várias nascentes próximas que têm suas áreas de entorno desmatadas, apresentam risco de reduzir sua vazão, o que poderá afetar uma importante fonte de abastecimento de água da fazenda – efeito adverso na operação da fazenda, em sua produção e na renda familiar.

Vê-se assim que riscos e efeitos ambientais podem causar prejuízos e danos, tanto a pessoas, quanto ao patrimônio do fazendeiro. Assim, devem ser identificados e avaliados antes mesmo que sucedam, de forma a receberem tratamento objetivo. Tratam-se de medidas antecipadas, proativas, com vistas a garantir e manter a estabilidade dos fatores ambientais afetados.

Considerações básicas da gestão

A gestão de uma fazenda deve ser realizada por meio de um plano ambiental (alvos e medidas para alcança-los) específico e bem engendrado, que atenda a duas diretrizes essenciais:

  • Impedir que ecossistemas estáveis sejam adversamente impactados; e
  • Reabilitar os ecossistemas eventualmente alterados.

A elaboração deste plano, sob o título “Plano para Gestão da Sustentabilidade”, será motivo do próximo artigo sobre gestão de fazendas de pequeno porte.

Espera-se que esta contribuição possa redundar em novas ideias e propostas sobre o tema, especialmente as provindas dos leitores deste blog.

Chama de ‘sustentável’ que vende!


Virou anarquia, tudo ganhou o apelido de ‘sustentável’. A matraca dos mercadores, visando a valorizar os produtos que põem à venda, repete de forma incessante, feito gralha estridente:

─ “Se é economicamente viável, se é justo do ponto de vista social eecologicamente correto’, então, com certeza, é sustentável”. Será que é?

Dê bom-dia a qualquer um deles e sempre receberá de volta este desorganizado cardume de palavras. São treinados para isso.

Esta ilustração é anômala perante qualquer teoria

Esta ilustração é anômala perante qualquer teoria

Apenas para fins ilustrativos ocorrem estas ‘interseções’ entre ecológico, social e econômico. No mais das vezes, como argumento falacioso para vender qualquer coisa. No entanto, certos cursos ‘compraram’ essa ilustração para revende-la como técnica factível, em especial a pessoas que não conhecem os conceitos elementares de Ecologia, Economia e Sociologia. Todavia, foi dessa forma – a tratar verossímil como sinônimo de verdadeiro – que se criou no Brasil o supermercado do ‘Sustentável’ [1].

Esses ‘negócios‘ tornaram-se uma endemia em várias metrópoles do país. São Paulo e Rio lideram as ‘ofertas’, sobretudo, no setor imobiliário. O lançamento de prédios e casas em ‘condomínios sustentáveis’ chega a ser pândego, caçoa da inteligência das pessoas.

Ao chegar, o comprador (e sua família) vê um belo terreno terraplenado, sem obras, mas com um estande sofisticado para lançamento do condomínio. As maquetes são excelentes. Para insuflar a imaginação do comprador, há um apartamento com estrutura de gesso, finamente mobiliado e decorado. Afinal, gosto não se discute.

Apartamento de gesso e aflição

Apartamento de gesso e aflição

Mas sempre falta calor humano, por melhor que esteja montada a recepção de venda. Então, entra em cena, conforme ensaiado, a elegante corretora, cheia de calorias para mostrar as ‘coisas sustentáveis’. Do condomínio El Dorado, é claro.

Cria nobres imagens de ‘responsabilidade ambiental e social’ na cabeça do comprador, dá-lhe a sensação de poder, a chance única de adquirir um ‘imóvel sustentável’, construído sob medida para sua família. Isso é perfeito para o nouveau riche. Os machos dessa espécie chegam a ter ereções quando assinam o cheque da entrada do imóvel.

Por fim, a corretora afirma que o investimento tem excelente retorno e apenas ‘de início’ parece ser mais caro. “O que isso significa?”, pensa o comprador. E, a fingir que entendeu, responde surpreendido:

É verdade senhorita, de início, só parece…”.

……….

[1] Observe que as interseções intermediárias – suportável, equitativo e viável – estão com significados desconexos. Não respondem às pretensões do ‘ilustrador’.

Reflorestar já!


Parece não haver outra forma de fazer, infelizmente. Mas certas decisões nacionais precisam ser radicais e intolerantes com aqueles que delas se desviarem, sem o quê, ‘fazem água’ e, no máximo, obtém resultados pífios.

Mas debaixo dessa perigosa premissa, tranquilizem-se: estão somente as decisões que visam a garantir a integridade do Patrimônio Ambiental Brasileiro, sem dúvida ainda um dos mais importantes do planeta. No entanto, o cenário atual desse patrimônio é grave e apresenta processos desastrosos, cujos efeitos negativos se multiplicam diária e regionalmente.

Sem dúvida, compreende-se que o ‘novo governo herdará’ (de si mesmo) severas crises de difícil solução – econômica, política, moral e corruptiva parecem ser as prioritárias. Contudo, a ver por outro ângulo, pergunta-se: aonde pretende chegar com sua permanente omissão frente a incêndios e desmatamentos criminosos, realizados em todos os biomas brasileiros? Deseja aguardar, complacente, que o território nacional transforme-se num gigantesco Saara, totalmente estéril?

Deserto do Saara, por Luca Galuzzi, 2007

Deserto do Saara, por Luca Galuzzi, 2007

É nítido que qualquer cidadão medianamente observador encontra neste cenário a semente de mais uma poderosa crise, com consequências temporais e regionais imprevisíveis, que podem acarretar despesas evitáveis, porém estimadas em dezenas de bilhões de reais para conter e sanar verdadeiros desastres ambientais.

As fortes oscilações do clima, o calor e a secura que se instala em grandes áreas do país, afetando a geração de energia e o abastecimento d’água, são apenas os primeiros indícios de uma forte desertificação que advirá caso a Crise Ambiental não seja tratada da forma devida, como evento prioritário da Governança do Ambiente no país.

Sumário da Crise Ambiental

As regiões que foram recobertas pelos biomas Cerrado e Caatinga (cerca de 25% do território nacional) já possuíam essa tendência primitiva, como espelho do clima nelas ocorrente. A ser assim, haveriam de ser geridas com cuidados especiais, ambientais e agronômicos. Mas pouco foi feito. O fato é que estão a ser apagadas do mapa orgânico nacional, com seu uso e ocupação realizado por atividades destrutivas, que não possuem a visão do bioma como um todo, apenas do pequeno naco de terra de cada propriedade.

Brasil, o celeiro do planeta!’, é uma das exclamações mais clamorosas que ainda se escuta. Com essa visão, dotada de ‘burrice latifundiária’, o setor agropecuário brasileiro tornou-se ‘satélite do estômago’ das nações compradoras. Além disso, não possui meios para garantir bons preços de suas commodities no mercado internacional.

Ademais, o solo sofre os efeitos adversos das práticas da monocultura intensiva e necessita ações periódicas de manejo para ‘ser renutrido e descansar’. Dessa forma, a questão que se impõe é saber “como repor a capacidade produtiva do solona elevada velocidadeda demanda por produtos agrícolas que pretende atender”.

Apesar de leigos nessa matéria, acredita-se ser muito difícil obter uma solução por meio de práticas agronômicas conhecidas. Ainda assim, caso seja descoberta, será somente por um tempo limitado. O Solofalecenas mãos cobiçosas do Homem e, junto com ele, também os aquíferos e a vegetação.

Porém, ao contrário, é com extremo vagar que instituições públicas às vezes respondem aos alarmes de ‘incêndios acidentais’ e desflorestamentos ilegais nos biomas Amazônia e Mata Atlântica. Com isso, ambos já sofreram perdas irreparáveis nas matas originais: a Amazônia já perdeu cerca de 40% de sua floresta nativa, e a Mata Atlântica, no entorno de 93%.

É absurdo trocar Matas Nativas por loteamentos, condomínios, pastagens, criação de gado e culturas agrícolas! Há outros meios disponíveis sem necessidade de se tocar nas matas.

No passado, quando alguns poucos cidadãos se rebelavam contra este ato incompreensível e injustificável, críticos mais arrogantes desprezavam a realidade e aplicavam-lhes o jargão de ‘eco-chato’ ou, com nítido menosprezo, de ‘ambientalista’. Queriam silencia-los.

Entretanto, nas três últimas décadas, começou a ficar evidente a tendência preocupante dos rumos do dito Patrimônio Ambiental Brasileiro. Nas bordas limites de seus grandes biomas, forças externas da ocupação humana crescente, sem qualquer critério de controle, causam ‘corrosões’ acentuadas nas manchas da vegetação. É o chamado efeito de borda. Esse fenômeno reduziu de forma gradativa a área total dos biomas, enfraquecendo sua estabilidade espontânea e tornando-os mais vulneráveis a outras ações.

Aos poucos, sobrevieram ondas de calor em regiões e áreas do país, sobretudo decorrentes da derrubada de matas e savanas, que se conjugam com a constante dinâmica da ação solar. Assim, graves efeitos foram promovidos sobre o ambiente, impactando seu clima, seus recursos hídricos, os solos, a flora, a fauna e, por fim, a própria sociedade [1].

Uma ótica de abordagem

Para o caso brasileiro, lógico que sem menosprezar a ciência, segue uma visão mais imediata e pragmática. Até por que reservatórios de usinas hidroelétricas do país já estão a secar, assim como as nascentes de vários mananciais, com os conhecidos efeitos nas condições de fornecimento de energia e de abastecimento d’água para inúmeras cidades.

Diante da realidade brasileira, duramente afetada pela Crise Ambiental, que cresce e evolui em silêncio, é premente a implantação de um Plano Nacional de Ações para EmergênciasPNAE. Dotado de metas de curto, médio e longo prazos, bem como de critérios claros para avaliar os resultados alcançados, terá na sociedade civil organizada uma efetiva rede de fiscalização e controle.

Dispondo de equipe selecionada, composta por acadêmicos e especialistas, é viável elaborar e implantar o PNAE em até doze meses. Porém, para que realize os resultados esperados, sugere-se que algumas diretrizes sejam seguidas:

  • O PNAE não possuirá qualquer vínculo ideológico ou político, nem constituirá uma iniciativa de governo. Precisa ser proposto pela sociedade civil.
  • Por enquanto, o PNAE constituirá um conjunto integrado de ações e projetos que represente o desejo da parcela da população brasileira que se encontra melhor informada.
  • No entanto, projetos de Educação Ambiental serão implantados junto a comunidades que necessitam de melhores informações sobre práticas e benefícios de ‘conservar seu ambiente’. Dessa forma, ganham a participação no controle do PNAE.
  • Projetos de Educação Ambiental serão prioritários para as comunidades que vivem nas bordas dos grandes biomas.
  • Desmatamento Zero’ em todo o território nacional começará a vigorar junto com o início da elaboração do PNAE.
  • Todas as metas do PNAE serão formuladas a partir da visão global do Patrimônio Ambiental Brasileiro que pretende reconstruir e garantir sua conservação. O PNAE não enxergará propriedades, mas os biomas em que estiverem inseridas.
  • O PNAE estabelecerá que ‘incêndios criminosos e desmatamentos ilegais’ serão promovidos a crimes hediondos.
  • A prática chamada ‘Reflorestar Já!’ deverá ser seguida e implantada em todo o território nacional, compreendendo desde casas, ruas, praças, áreas urbanas, áreas militares, até sítios, fazendas, indústrias, matas e savanas degradadas.

Cabe ao poder executivo apenas endossar o PNAE e, quando requerido, alocar recursos para garantir seu sucesso. Isso é a Governança do Ambiente, ou seja, o presto atendimento aos interesses legítimos dos cidadãos.

Somente através desta prática de gestão pública torna-se possível produzir, crescer, distribuir renda para os trabalhadores, assim como, simultaneamente, manter a sustentabilidade dos biomas brasileiros.

Plantação de cacau dentro da Mata Atlântica

Plantação de cacau dentro da Mata Atlântica

[1] Aqui não se discute o mérito do efeito estufa ‘causado por atividades humanas’: efeito estufa antropogênico. Há diversas teses disponíveis, todas elas não demonstradas, mas que o explicam ao ‘gosto de cada cientista, político e artista cinematográfico’.

Fauna urbana


O ambiente do território brasileiro, com cerca de 8,515 milhões de km2, já foi o primeiro do mundo em abundância e diversidade da fauna silvestre. Seus ecossistemas básicos e em transição garantiam espaços domiciliares para um sem número de espécies faunísticas.

Embora algumas competissem do ponto de vista trófico, a maioria das espécies compartilhava habitats, áreas de reprodução, de dessedentação, de caça e de fuga. Todas assim procediam, por necessidade e acaso, e contribuíram durante largo período para a manutenção da estabilidade ecológica do ambiente brasileiro.

Todavia, esse cenário foi gradativamente transformado pela ocupação humana, com usos variados, mas, sobretudo, visando à exploração dos recursos primitivos: tanto os minerais e fósseis, quanto as áreas de solo agricultável e para pastagens de gado.

Hoje esse mesmo ambiente, embora ainda de valor incalculável, é parcialmente ocupado por mais de 200 milhões de habitantes (fauna racional), mais concentrados em sua faixa litorânea, que possui 7.491 quilômetros de extensão, graças à sinuosidade de certos trechos.

Ao longo das três últimas décadas, teve-se a oportunidade de atuar em consultoria ambiental e aplicar treinamentos em todas as regiões brasileiras e seus biomas. Durante essas estadas deparou-se com cenários ambientais incríveis: eram remanescentes de sistemas ecológicos estabilizados, que formavam um ambiente dotado da sustentabilidade original.

Uma enseada e pescadores de subsistência

Uma enseada e pescadores de subsistência

Entretanto, e com maior frequência, também se registrou áreas totalmente alteradas pela ação inconsequente do homem. A pouca vegetação que ainda lhes restava era frágil, secundária e descontinua. A fauna primitiva evadira-se há muito, cedendo lugar às oportunistas, chamadas “espécies de hábitos peridomiciliares”, tais como ratos, baratas, larvas, aranhas e mosquitos. Estas vivem em qualquer local que encontrem restos deixados pela fauna dita racional.

O que causa perplexidade é o fato da degradação ambiental, promovida de forma insana pelo homem, impactar de forma adversa e significativa a vida das comunidades humanas locais, sobretudo indígenas e famílias paupérrimas, rurais e urbanas. Torna-se complexo sobreviver em áreas de terra arrasada; a vegetação, a fauna e o homem original estão a sofrer um processo, senão de extinção, decerto de tortura diária.

Há um garimpeiro de pó de ouro neste talude

Há um garimpeiro de pó de ouro neste talude

Desmatamento e destruição do solo

Desmatamento e destruição do solo

A espécie humana precisa, o quanto antes, aprender a coexistir em habitats públicos, áreas de trabalho, de cultura, de lazer, sem a necessidade de sofrer processos de caça e, para subsistir, ter que criar áreas de fuga. Mas é isto que se assiste nas regiões do país, tanto em cidades quanto no campo: o povo acuado, a sentir medo de sair de casa e ser “caçado por seu irmão”. É um quadro patético, porém factual, com aparência de crescer diariamente.

Pois é, ontem estava-se acuado em casa a trabalhar quando, de súbito, surgiu um belo tucano jovem na grande amendoeira da rua. “Este não faz parte da fauna urbana do Rio”, pensou-se. Decerto, tratava-se de um fugitivo da Floresta da Tijuca ou do Maciço da Pedra Branca.

Embora tenha-se avistado o jovem de corpo inteiro, foi difícil fotografa-lo, pois não parava quieto. Afinal, estava com fome, a buscar sementes, larvas, aranhas e insetos (fauna peridomiciliar) meio às folhagens da copa da árvore.

Quando se mostrou sem folhagem à frente, apresentou peito alaranjado, em contraste com a penugem negra do dorso. Estima-se sua altura em 30 cm; uma bela ave inesperada na urbe, em rua com razoável trânsito de veículos.

Fez-se oito registros do tucano ousado, mas apenas dois ficaram com melhor foco e menos tremidos. Mesmo assim, a ave encontrava-se envolta na “erva de passarinho”, o que dificulta ver nas tomadas sua imagem completa.

Um pouco mais tarde, como sempre, apareceram pombos em revoada, a largar excrementos na rua e sobre veículos, bem como egocêntricos saguis correndo sobre inúmeros fios desencapados. Negou-se fotografá-los a ambos.

O Canhão de Cristais


É um rio que se encontra imerso na floresta amazônica. Com cerca de 100 km de extensão, possui 20 metros de profundidade média. Corre sobre rochas a formar corredeiras e lagos coloridos. Desce pela serra do Parque Nacional de Macarena, situada no Departamento de Meta, região centro-leste da Colômbia.

El Caño de Cristales é conhecido pelo povo local como “o rio que escapou do paraíso”. E não há dúvida de que assisti-lo a fluir por sobre seu leito de rocha deixa perplexo o espectador da natureza.

02 Caño Cristales

O Canhão de Cristais corre sobre rochas formadas pela deposição secular de sedimentos. Elas apresentam porosidade variável. Ao descer pelas curvas do rio, o fluxo de suas águas cria redemoinhos localizados, com a força da intensidade de sua vazão. Quando em contato com o leito do rio, provoca erosão e cria concavidades circulares nas áreas de leito mais frágil. É um fenômeno hidrogeológico incomum, sobretudo pela geometria quase perfeita na rocha, chamadas pelos colombianos de Marmitas de Gigante.

03 Caño Cristales

04 Caño Cristales

05 Caño Cristales

Outro fenômeno que é exclusivo do Caño de Cristales, de belíssima expressão visual, é a coloração que se reflete de suas águas. Embora límpidas e transparentes, as águas desse rio refletem cores variadas – amarelo, azul, verde, negro, bege e vermelho, em múltiplas tonalidades. É um fenômeno de ordem biótica, que decorre da ocorrência de algas, musgos e sedimentos orgânicos da floresta que são transformados por suas águas e corredeiras. O fenômeno das cores é mais evidente durante o verão.

07 Caño Cristales

09 Caño Cristales

O fato é que o Caño de Cristales é uma obra dos ecossistemas que lhe dão suporte, construída pelo acaso dos fenômenos ambientais que para ele convergem. Tanto os acima apresentados, quando inúmeros outros que ainda são desconhecidos.

08 Caño Cristales

A divisão existe?


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

De um lado, embora a lutar pelo aumento sistemático do próprio saldo bancário, há um gajo que diz representar seus “bolsistas” amestrados pela fome. Trata-se do dono do cargo vitalício de “Promotor da Luta de Classes”. O bendito finge ser militante vermelho, mas é tão-somente espertalhão e, dada sua vocação, analfabeto carismático.

Essas pessoas menos afortunadas, capitaneadas pelas agressões e mentiras do Promotor, somam cerca de 54,5 milhões de eleitores, ou seja, 38,16 % do total de votantes. Ao fim, votaram para a candidata imposta pelo Promotor, que venceu a eleição. Em suma, “ou votam ou perdem tudo que ganharam!“.

Do outro lado, estavam os cidadãos que trabalham de sol a sol, tanto como funcionários de empresas, quanto em seus próprios negócios. Junto com eles estão os aposentados e idosos desempregados, em busca de trabalho para viver com alguma dignidade. É um conjunto que atinge a 51,01 milhões de eleitores, isto é, 35,74% do total de votantes. Perderam na eleição.

Vale dizer que cerca de 37,3 milhões de cidadãos anulou seu voto, votou em branco ou se absteve de votar. Esses são os 26,15% restantes. Deve-se convir que esses cidadãos não acreditaram nas propostas dos candidatos, estão alienados ou ambos. Em síntese, também perderam na eleição.

Não há dúvida, existe alguma divisão. Mas isto acontece em qualquer eleição majoritária. De toda forma, a divisão do país decerto não é geográfica, mas de ordem social. Ela espraia-se pelo país e está presente em todos os seus estados.

Roga-se que os erros e “malfeitos”, já acumulados durante os últimos 12 anos, sejam realmente interrompidos, investigados e punidos de forma merecida. Essa medida reduzirá de forma significativa a divisão do país. Apenas assim será possível governá-lo sem a prática usual de mensalões e petrolões!

Além disso, somente com essa “nova conduta sempre prometida” será possível reduzir as precárias condições de moradia, a miséria de seus habitantes e a fome de milhões de pessoas. Afinal, estes foram os mais responsáveis pela vitória política obtida.

Para finalizar a análise, importa destacar a existência de um terceiro estrato social, translúcido para os demais. Com ele o Promotor sempre se socorre quando precisa transferir propinas & rendas. Através do noticiário, soube-se que é formado por empreiteiras, empresas estatais e fundos de pensão, bancos públicos e instituições coligadas. Vários são os membros natos deste estrato especial, mas não atinge a 50 indivíduos.

Tem-se informe, ainda, que as transferências exigem o “trabalho” de pelo menos um especialista e dois assistentes de doleiro. Quer dizer, esse grupelho não soma nada diante dos 142.822.046 de eleitores, aptos para eleger qualquer candidato.

A propósito, os números aqui oferecidos foram obtidos no site oficial da instituição responsável pelas eleições. Fez-se mínimos arredondamentos numéricos, mas que não afetaram os percentuais.

Professores através dos tempos


Pela essência do 15 de Outubro, Dia do Mestre.

São inesquecíveis todos aqueles que contribuem para a formação dos primeiros traços culturais na cabeça de uma criança. Parece-me normal que os “primeiros professores” sejam parte de sua família. São mais eficientes pelos exemplos que dão à criança, do que através de conversas e conselhos. É assim que vejo “brotar uma nova personalidade”.

Porém, há crianças que não possuíram pais. Ou ficaram órfãos ao nascer ou seus pais foram “incipientes no professorado”. Este foi o meu caso, com pais principiantes pela idade e total inexperiência em educação.

Contudo, faço-lhes homenagem nesta data. Se pelo lado materno recebi a sobrecarga do “amor egoísta”, que tanto me sufocava, do lado paterno conheci os efeitos dolorosos de um gratuito chicote a bater-me nas pernas. Sentia-me encurralado e não tinha para onde fugir. Mas, exatamente por isso, agradeço-lhes, pois foi assim que obtive o direito inconsciente de escolher, dentre as pessoas da família, quais seriam os melhores “primeiros professores”.

Hoje, analisando o ocorrido em minha infância, posso explicar meu interesse prematuro pelo aprendizado. Queria ler todos os jornais que pegava, mas permanecia analfabeto. Os adultos debatiam sobre o que liam, não raro brandindo um jornal nas mãos, e eu não podia participar. Com eles, percebi a importância de pitadas da crítica.

Foi assim que, em meados de 1952, aos 4 anos de idade, já sabia ler, escrever e fazer as quatro operações. Devo essa primeira “conquista do saber” aos exageros de minha mãe, pois durante seus ensinamentos, sem que eu tivesse consciência, estava a viver o processo da libertação. Aprender nunca me sufocou. Até por que, não queria ter um “crânio com cérebro baldio dentro”.

Desde o primário até a faculdade tive a sorte de ter bons professores. Cursei primário e ginásio em um pequeno colégio do bairro em que morava. Foi lá, durante o curso Primário, que minha personalidade começou a criar as primeiras raízes mais profundas, as boas e as más.

Nos cursos de Admissão e Ginásio, devo salientar os professores Wellington (Português), Aluízio (Geografia) e a inesquecível Dona Adélia, que ensinava História, a idolatrar os impérios Maia e Asteca. Dedicavam-se aos alunos de modo a vincar seus aprendizados com overdoses de moral e ética. A bula da época não descrevia dores ou qualquer efeito colateral nocivo para a moral e a ética, sobretudo quando aplicadas definitivamente na veia jugular.

Encerrei os estudos no bairro nessa oportunidade, pois no colégio não havia o Científico. Teve início, assim, uma pequena discussão em casa. Meu pai dizia que não tinha como pagar um colégio particular. Pelo lado oposto, minha mãe queria que eu cursasse o Científico no Liceu Franco-Brasileiro. Não vou entrar em detalhes, mas o chicote já fora vendido.

Como fruto das escolhas que fizera na primeira infância, um de meus “primeiros professores” pagou o curso no Franco-Brasileiro. Sofri um bom impacto diante desse fato:

  • Ter que sair diariamente do bairro, onde fora criado e a todos conhecia, e seguir de ônibus para Laranjeiras, a descobrir desconhecidos.

Porém, melhor que tudo, foi montar uma nova prateleira em meu quarto, com livros de Física, Química e Cálculo Matemático. Aos 14 anos senti a sede de obter conhecimentos e conhecer professores para o curso Científico. Pela lógica, imaginava que fossem cientistas.

As instalações do liceu eram superiores em tudo às do colégio do bairro. Mas a diretora era uma pessoa estranha, Dona Eliane “dos dentes verdes”. Os alunos mais velhos, que talvez tenham cursado o liceu desde o primário, chamavam-na pelas costas de “Lili”.

Apenas para mim é que tinha dentes verdes, além de ser autoritária. Por suas grosserias e gritos com alunos de todas as turmas, “Lili” não passava a imagem de 1ª Dama do Liceu. Em verdade, fazia do Liceu um forte com disciplina militar. Contudo, preciso salientar que, de forma quase paradoxal, tratava-se de uma qualificada humanista. Com ela aprendi a ter paciência, foco e disciplina.

Os professores do Franco de meu tempo tinham competência na educação. Um deles, que me cabe ressaltar, Professor Henrique de Paula Bahiana, foi realmente um cientista na área da Química. Na década de 1940, esteve a trabalho em diversos países europeus, convidado por governos para solucionar problemas de saneamento básico e aplicar cursos técnicos. Tive a honra de ter sido seu aluno, durante dois anos do curso Científico, em química inorgânica e orgânica.

Em 1967, com vistas a me qualificar para as provas do pré-vestibular, pesquisei bastante para saber em qual curso deveria matricular-me. Não foi difícil concluir que o Curso Bahiense era cotado como o de melhor desempenho, naquela oportunidade. Meu “primeiro professor” fez a matrícula e depositou o valor mensal do curso.

Recebi aulas dos melhores professores do curso. Os mestres titulares das cadeiras cumpriam um cronograma diário incrível, inclusive com testes nas manhãs de sábado. Porém, como as unidades do Bahiense eram dispersas em regiões e bairros do Rio, com sol ou chuva, eles rodavam diariamente pelas ruas mais do que taxistas, com trabalho repetitivo, dividido em dois turnos.

De início não consegui explicar a mim mesmo o porquê da assiduidade com que davam aulas. Mais ainda, a tranquilidade e elegância com que o faziam. Mas certo dia descobri, na pequena secretaria da unidade em que estudava, que eram os próprios professores que faziam seus planos de aula. Eles não eram impostos ou impositivos, mas sócios em uma única missão a que amavam: educar com qualidade seus alunos. Devo dizer que nunca em minha vida estudantil recebi um volume de conhecimentos similar ao do Curso Bahiense.

Apresento alguns professores do Bahiense daquela época, que acredito terem-me sido essenciais: Henrique de Saules (Trigonometria, Logaritmo e Análise Matemática), Otávio Guimarães Gitirana (Álgebra, Análise Combinatória e Cálculo diferencial), Ubirajara Pinheiro Borges (Geometria), Edgard Cabral de Menezes (Química orgânica e inorgânica), Antenor Romagnolo (Física Newtoniana, Ótica, Calor e Acústica), o próprio Norbertino Bahiense Filho, com suas surpresas da Geometria Descritiva, José Carlos Bazarella (Perspectiva Isométrica e Cavaleira) e Haroldo Manta (Desenho Geométrico). Todos são inesquecíveis em termos da razão e da lógica que diariamente me transmitiram, durante quase um ano. A boa educação é impagável!

Questões pessoais impediram-me de dar sequência imediata no curso universitário. Em síntese, precisava trabalhar para pagar contas e realizar minha liberdade. Assim, somente em 1969 ingressei num curso de Administração Pública.

Aula em anfiteatro de universidade

Aula em anfiteatro de universidade

Realmente, com poucas exceções, a pressão de estudar foi bastante reduzida, se comparada à do pré-vestibular. Talvez por que a ótica universitária fosse distinta, não sei. Mas, pelo menos para mim, isso tornou-se um problema. Estava acostumado com a pressão do Curso Bahiense e na faculdade quase não havia igual demanda.

Outro aspecto que me chamou atenção foi-me apresentado pelas Ciências Sociais, que nunca estudara. Recebi aulas de Metodologia de Pesquisas, Ciência Política e Sociologia. Os professores destas cadeiras tinham qualidades essenciais que desconhecia até então. Confesso que esqueci da engenharia a que me propusera cursar. E mais, praticamente abandonei as demais matérias da faculdade. Exceção feita à cadeira de Administração, função da qualidade do mestre que a lecionava, Professor Paulo Reis Vieira.

Dessa forma, destaco a competência e os ensinamentos que recebi de Simon Schwartzman, com quem estagiei na qualidade de seu assistente. Simon foi meu Mestre em Metodologia de Pesquisas. Com ele, mais que tudo, creio haver aprendido a pensar.

Na faculdade destaco, da mesma forma, os professores e amigos Maul e Fred, a lecionar Estatística, Álgebra Linear e Pesquisa Operacional. Com esses dois pude aprender que errar não é aconselhável.

Ainda assim, faltam importantes menções a professores através dos tempos. Desejava publicar esta crônica ontem, no Dia do Mestre. Mas perdi tempo a escarafunchar a memória, pesquisar documentos, para conclui-la somente hoje. De toda feita, esta é minha homenagem a meus professores.

Ricardo Kohn, Escritor.

Infarto eleitoral


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Em um colégio de eleitores com cerca de 150 milhões de brasileiros, deu-se o primeiro turno das eleições gerais de 2014. Até agora, pelas informações que recebi de meus filhos, e mais o que diz o noticiário, parece que tudo transcorreu dentro dos padrões daquele país: apenas 80 candidatos presos pela polícia, acusados de haverem cometido “crime eleitoral”. Não faço ideia do que isto significa. Porém, decerto, no horário em que redijo este texto, todos já estão soltos na rua novamente.

Analisando cá de longe o processo eleitoral no Brasil, em nenhuma hipótese concordo com o que um grupo de jornalistas disse certa vez na televisão: ─ “Essa eleição está muito morna”, comentou o primeiro. Em seguida, os demais papagaiaram a mesma besteira. Isso aconteceu a cerca de dois meses atrás, salvo engano meu.

Creio que, influenciados pelas contagens e simulações feitas pelos ditos institutos de pesquisa do país, soltavam a matraca para emitir suas opiniões individuais. Deu-se a calamidade. Dilma era a vencedora, seguida por Marina. Aécio simplesmente foi deixado para terceiro plano. E caso não se segurasse bem nas cordas, perderia até para a moça iracunda, a tal da “Luciana Sogra”. Não estranhe, cá em Portugal a apelidaram desta maneira.

Daqui da Praia das Maçãs, bastante aturdido e indignado, estava a ver algo bem distinto dos “chutes das pesquisas de voto”. Mas, além disso, abismado com o descaramento de notórios jornalistas brasileiros. Pareciam tentar a manipulação do raciocínio de parvos. Perguntei-me então: ─ Afinal, em qual clube tu jogas, oh pá?!

Ficou evidente quando “as pesquisas” deram vitória para Marina no segundo turno. Estavam a pelejar no campo do “Futebol Clube do Acre”, a vestir sua camisa ostensivamente, embora de maneira andrajosa. E o quadro ficou mais grave quando Marina, segundo “pesquisadores”, “passou a vencer” desde o primeiro turno. A esta altura Aécio era um piolho incômodo, digno de pena e ridicularizado por alguns “comentaristas políticos”, sempre oblíquos, por meio de “hediondas gentilezas”. Quase sofri um enfarte eleitoral e, por impulso, desliguei a imprensa.

Porém, meu mais velho telefonou-me do Rio de Janeiro. Avisou-me que eu não poderia perder o último debate entre os candidatos à presidência. Evidente que o assisti. Aécio agigantou-se, tornou-se mais resoluto e firme. Embora educado, em minha opinião, arrasou às paspalhas provocadoras! Sequer lhes fizeram cócegas.

Dilma falou sobre o Brasil de Fantasia que “meu governo criou”. Marina, com a sobrancelha impertinente e fala de tatibitate, tornou-se a piolha da vez. Luciana Sogra, foi calada por Aécio da forma merecida. Enfiou o rabo entre as pernas, sumiu e fez mais nada.

O que resultou da campanha e deste último debate vocês sabem bem melhor do que eu: Aécio está no segundo turno, a chegar cada vez mais próximo de Dilma. Ultrapassá-la não será simples, mas perfeitamente factível. A maioria dos eleitores de Marina faz tempo que gritaram chega de PT, chega de Dilma! Sua migração para Aécio é mais do que esperada. Em minha opinião, é certa.

Para confirmar minha dedução lógica, acabo de receber a notícia, publicada no jornal Folha de São Paulo, que notórios profissionais e acadêmicos, que apoiaram Aécio Neves e Marina Silva no 1º turno, passam a apoiar Aécio no segundo. Segue o texto da carta, que foi assinada ontem, até às 22:15 horas, por 167 cidadãos:

Apoiamos Aécio Neves porque a sociedade brasileira quer mudanças. Porque é preciso dar um basta à conivência com a corrupção e aos retrocessos que marcaram a ação do governo nos últimos anos: a confusão entre partido e Estado e a cooptação de organizações da sociedade civil”.

Porque a democracia requer valores republicanos e exige o respeito às diferenças políticas, culturais e individuais. Apoiamos Aécio Neves porque a estabilidade e o crescimento econômicos são condições indispensáveis para que a redução das desigualdades seja efetiva, e a retomada do desenvolvimento seja sustentável”.

Porque queremos que as pessoas realmente se emancipem da ineficiência e das distorções dos serviços públicos, da pobreza que amesquinha seus horizontes e da falta de acesso a direitos fundamentais em áreas prioritárias como educação, saúde e segurança pública”.

Rogo em saber, como velho pescador português que sou, que ou ainda não fiquei demente ou tenho a grata companhia de outros 167 cidadãos em pleno exercício da demência.

Para ler a notícia completa, com a lista dos que assinaram a carta, clique aqui.

A mentira abjeta


Por si só, abjeção é o “estado de extrema baixeza moral”. Mentir de forma abjeta, qualquer que seja a finalidade do autor da patranha, é prova incontestável de pusilanimidade, do mentiroso incapaz de controlar a própria covardia. Por lógica – triste essa lógica –, tem-se um mentiroso covarde e imoral; por conseguinte, um ser abjeto.

Seres desse gênero consideram que mentiras abjetas são atos comuns, no máximo “pecados veniais”. Nessas circunstâncias, limpam-nos a todos com apenas uma “Ave-Maria” mal rezada e, para seu estranho regozijo, acreditam livrar-se de um tal de purgatório.

A questão é ainda mais grave quando se têm quadrilhas de seres abjetos com poder para comandar a nação; a patranhar descaradamente sem que a sociedade as puna da forma devida. Ao contrário, mantém-nos no poder por décadas, até que percam o que alcançaram na vida, por força do trabalho árduo realizado.

ociedade que vota pela manutenção da mentira abjeta

Sociedade que vota pela manutenção da mentira abjeta

Quadrilheiros abjetos reproduzem-se feito ratos e logo se alastram pelo país. Estatizam o setor privado e, em seguida, tomam posse de tudo o que chamam de setor público. De fato, privatizam o Estado em favor de suas quadrilhas e juram ajoelhados que isso é democrático. Na verdade, socializam entre seus pares a extorsão do erário público e destroem a economia da nação.

Quadrilheiros abjetos são capazes de tudo para permanecerem no poder. Não se tem ideia exata do que estão dispostos a fazer. Mas, segundo dizem, implantam ditaduras comunistas, destroem as relações externas do Estado, acumpliciam-se com ditadores semelhantes e calam a palavra do povo com uso da força. No entanto, vivem como nababos, formam a nova elite do poder.

Esse foi o pesadelo da noite passada. E assim tem sido frequente nos últimos meses. Não se sabe quais fatos promovem este tipo de sonho bastardo. De toda forma, na hora de votar, não se vai esquecer dessas terríveis ameaças.

Deseja-se bom voto para todos, sem risco de pesadelos futuros e viver no “purgatório”.

Enfim, sós…


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-Pescador

Simão-Pescador

De acordo com o calendário eleitoral brasileiro, em 5 de outubro de 2013 teve início a “inana política” do povo, que se repete ostensivamente a cada dois anos. Mais uma vez foi impingido, por força de lei, a aceitar calado a invasão de suas moradas por cambadas de charlatões, os sempre “digníssimos” candidatos às eleições de 2014.

O resultado é tal que, de dois em dois anos, o país para de trabalhar por um ano e sujeita-se a essa mixórdia anárquica. Significa dizer que, mantido esse estranho “sistema eleitoreiro”, em um século o país para e “descansa” durante 50 anos!

Tento relatar aqui, constrangido por emoções perniciosas, a indignação de meus filhos e netos que residem na “Praça da Mixórdia”, em que, há 12 anos, o Brasil foi transformado. Por isso, devo voltar no tempo.

Desde que Portugal descobriu o Brasil, de facto tentou inculcar sua cultura ao povo nativo, a que chamam de índios. Fê-lo muitas vezes de forma impositiva e até brutal, não existe dúvida quanto a isso.

Porém, já se passaram 514 anos e muitos povos de culturas diferenciadas da portuguesa contribuíram decisivamente para a formação da cultura brasileira, que é híbrida, sui generis. Entrementes, alguns “intelectualoides” insistem em afirmar que todos os erros brasileiros decorrem da herança lusitana. Ora, vão à merda! De que outra maneira devo responder a tal estupidez?!

Mas é desta eterna estereotipagem irracional, sobretudo no campo da política, que resultam “desvios”, “malfeitos” e “roubos” de um governo, que diz ser culpa exclusiva de seu antecessor. Na atualidade, como um mesmo “partido ao meio” mantém-se no poder há 12 anos, a culpa é do partido que o antecedeu. Ora, digníssimos, sejam honestos durante apenas um dia: enterrem-se no esterco!

O facto é que faltam poucos dias para a eleição. A princípio, a imprensa deveria mudar de assunto. De tal maneira que o povo brasileiro livre pudesse gritar de alegria: Enfim, sós! Mas não será assim que as coisas se darão naquele país. Sei que tenho que me conter e voltar para a pesca, onde sei bem como trabalhar.

Aliás, tenho ido ao mar regularmente, sempre com os pescadores da mesma geração. Mas em duas oportunidades, convenci ao Quincas (meu neto postiço) em participar. Na verdade, eu estava preocupado em mudar de assunto para não cansar meus companheiros de pesca. Só falava sobre os problemas do Brasil que eles não acompanhavam. De certa maneira, deu certo.

Fiquei muito feliz ao ver Quincas a pegar facilmente todos os traquejos do barco. Mesmo com o mar mais batido ele se equilibrava, andava tranquilo no convés e não enjoou uma única vez. Ainda por cima, preparava filés de peixe cru como se fora um mestre japonês. Enfim, tomou conta de tudo e de todos. Tornou-se, sem desejar, o capitão do barco.

Pois é, mas minha alegria foi-se a escafeder. Queria dar as últimas notícias sobre a “política da colônia” e ninguém me dava ouvidos. Era interrompido toda vez que tentava. Já um pouco ansioso com meus amigos, falei alto para que parassem com a festa e me deixassem falar. Puro ciúme infantil, é óbvio. Mas Nelo, meu mais antigo amigo de batalhas, interrompeu-me, a dizer:

─ “Tenha calma Simão, sei que está a doer, mas essasensaçãopassa logo e você vai gostar”.

Deixei-os em paz e voltei à pesca…