Tagarelice de suposições


Ricardo Kohn, escritor.

Em certos telejornais existe um hábito curioso. Repórteres que cobrem fatos nos locais de ocorrência insistem em usar o verbete “suposto”. Dizem eles, quase emocionados: liderados pelo suposto chefe da facção; degolado pelo suposto assassino (!); a quadrilha de colarinho-branco é comandada pelo suposto Rei do Quadrilhão; cometeram um suposto desvio do erário; está na UTI acometido de suposta febre amarela (!); e assim prossegue a ladainha do telejornal.

Acredito que esse suposto noticiário seja fruto de uma diretriz, entalhada a ferro-e-fogo, pelo suposto editor-chefe, sempre marionete dos que mandam na emissora.

Como seria noticiado um suposto jardim, semeado de supostas flores a desabrochar

Como seria noticiado um suposto jardim, semeado de supostas flores a desabrochar, supostamente.

Consultei o dicionário para confirmar o significado do verbo supor: 1. Alegar ou afirmar hipoteticamente para tirar alguma indução; 2. Admitir como possível, conjecturar, imaginar, presumir; 3. Formar hipóteses sobre.

Concluí que qualquer noticiário feito com base em suposições ou é falso ou só impede que o editor-chefe suje as cuecas. Além de duelar com as imagens mostradas, nada informa ao telespectador que, por sinal, paga caro para assistir supostos comentaristas e repórteres amestrados.

Por óbvio, há exceções. São os jornalistas que não abrem mão de narrar a verdade factual, sem propelir suposições cretinas. Porém, são poucos, a maioria é feita de “lambe-sacos” e “tagarelas supositórias”.

A continuar com essa ladainha televisiva, plena de suposições, as empresas proprietárias das emissoras poderão falir. Ou não! Que tal mudar o nome do jornal para Supositório Jornalístico?…

Parar, congelar e retomar


Por Equipe deSobre o Ambiente.

Deve-se explicação aos leitores. “Sobre o Ambiente” permaneceu 15 dias parados (de 5/09 a 20/9), resultado da clonagem do cartão de crédito com que foi paga a anuidade do blog. Por óbvio, a empresa proprietária do cartão cancelou várias compras efetuadas pelos estelionatários, dentre elas o pagamento da anuidade do blog.

Viver em um país onde estelionato é tido como crime de pequena monta, “normal em qualquer sociedade”, como dizem, gera sentimentos de frustração, inapetência e ódio. Afinal, “Sobre o Ambiente” foi criado na noite de 28 de abril de 2013 e, desde então, somente viu crescer o interesse de visitantes. Hoje possui 1884 seguidores, com mais de 268 mil acessos.

Assim, há oito dias, fez-se uma reunião de pauta, com vistas a redefinir o Norte do blog. A questão posta sobre a mesa era a seguinte: ─ Deleta-se oSobre o Ambiente” ou retoma-se seu curso.

Na verdade, todos sentiam-se congelados com os efeitos nefastos de estelionatários: queda expressiva na visitação e perda de interesse na postagem de novos artigos[1]. Porém, Simão Macko, o pescador, reavivou a todos com ponderações factuais:

─ “Voto pela continuidade do blog e explico por quê. Sou português, pai de quatro filhos que vivem no Brasil, há muito. Deles tenho netos, bisnetos e um tataraneto, todos brasileiros. Posso afirmar que o país de vocês está parado diante do estelionato praticado, durante 13 anos, por ladrões da pátria. Eles não sabem e muito menos querem governar, apenas precisam roubar para si. O portento da criatura parida por ‘luizinácio’, o larápio, decerto está com os dias contados na presidência. De facto, a opção não é deletar o povo! Ao contrário, por menor que seja nossa contribuição, devemos ajuda-lo a higienizar a república. Portanto, a ser assim, inverto a opção: o quanto antes, é o povo brasileiro que precisa deletar esta canalha”!

Vestimenta nacionalDiante das evidências destacadas por Simão, notórias mundialmente, decidiu-se retomar “Sobre o Ambiente”. Sabe-se que demandará algum tempo para que se volte aos níveis de visitação alcançados ao longo de 2 anos e 9 meses. Porém, contamos com o apoio dos seguidores mais dedicados a estancar a hemorragia moral do governo brasileiro.

Assim, se não for pedir muito, sugere-se que doravante compartilhem nossas postagens nas redes sociais que participam.

……….

[1] Havia outra variável que prejudicava um pouco a decisão. Ricardo Kohn, na qualidade de coordenador do “Sobre o Ambiente”, está envolvido em palestras acadêmicas sobre seu novo livro. Seu tempo disponível para o blog tornou-se menor. Enfim, ou articula lançamentos em universidades ou dedica-se a redigir artigos.

O risco de dar cursos e palestras


Treinar no Setor Ambiental

Por Ricardo Kohn[1].

Cursos intensivos (de até 72 horas) e palestras de curta duração (1 hora) são processos complexos para serem realizados a contento. Satisfazer aos participantes (alunos) e à empresa promotora do evento não é tarefa simples.

Este artigo tem por finalidade analisar algumas variáveis que devem ser observadas pelo profissional convidado a dar um curso intensivo ou fazer uma palestra. Toma-se como base para análise o setor ambiental brasileiro.

Curso bem ministrado, sala de aula cheia

Infraestrutura de ensino correta, curso bem ministrado: sala de aula cheia e atenta

1. Definição do escopo

O mercado de treinamento oferece duas alternativas normais: o escopo do treinamento é definido pelo contratante do evento; ou o profissional de ensino estabelece o roteiro de sua fala. Não há dúvida, caso defina o escopo da “conversa saudável” que irá manter com o grupo, poderá criar empatia ao apresentar seu conhecimento.

E o motivo é nítido: ao estabelecer o conteúdo da apresentação, o profissional determina também a profundidade das abordagens que fará. Afinal, precisa deixar tempo para responder a questões, solucionar normais debates e esclarecer dúvidas remanescentes.

2. Foco objetivo

Sejam cursos ou palestras, se a finalidade é o ensino ou, diga-se, o despertar de mentes, o “professor” precisa ser focado no tema principal. Claro que pode fazer digressões, notas de rodapé ao conteúdo essencial. Sempre curtas e estimulantes.

Acredita-se que deva criar metáforas e até mesmo provocar risos de seu público. Assim constrói a empatia mútua e o interesse pelo conhecimento, além de facilitar a memorização dos que o assistem.

3. Técnico-científico ou legislação

Certa vez, alguém afirmou: “defina-se, ou Lei ou Ciência do Ambiente. As duas são incapazes de conviverem no Brasil”!

Em todos os países com sistema educacional sério, qualquer evento de treinamento para o setor ambiental possui cunho técnico-científico. E a causa é óbvia: nesses países a legislação é elaborada a partir do estado-da-arte das ciências de referência.

A ser assim, os treinamentos são mais produtivos, pois os profissionais aprendizes focam-se nas teorias, metodologias e exemplos práticos que recebem. Dessa forma, aprendem a dominar as práticas da Gestão do Ambiente.

Em nosso país, todavia, faz-se o inverso. A legislação, impositiva e burra, tem a pretensão de dizer como funcionam as ciências ambientais. Basta ler na maioria das ementas de cursos oferecidos ao mercado. Dão ênfase particular aos requisitos legais, associados aos temas do conhecimento que deveriam transferir aos alunos. Falam muito do “juridiquês ambiental” e propõem pouco para as ciências práticas que explicam o ambiente.

Toma-se o exemplo do caso mais simples: um curso com 16 h de duração sobre a operação que, no passado, era trivial: como obter licenças ambientais. Hoje, os diplomas legais afins a esse processo são tantos, provindos de inúmeras instituições públicas, que, em 16 horas, um “professor honesto” somente falará sobre as disparidades, controvérsias e conflitos criados pela lei vigente.

Ou seja, não restará tempo para transmitir aos alunos o essencial: o que e como fazer para obter as licenças necessárias. Será impossível detalhar como são elaborados e geridos os estudos ambientais, os processos de auditoria interna e um eventual levantamento de passivos ambientais; como programar e gerir audiências públicas, acompanhar as sofridas auditorias públicas e participar de inspeções ambientais feitas in loco, por “peritos públicos”.

Enfim, pode-se afirmar que, ao contrário, é possível realizar operações ambientais realmente simplificadas, sem perder a qualidade de seus resultados. Operações que, para reduzir custos cada vez mais elevados, podem ter um padrão teórico factível, a despeito do amontoado de normas legais que castram a criatividade.

4. Expectativa dos alunos

Em tese, a motivação para participar de um curso caro ou de um seminário de palestras – caríssimo – é conhecer técnicas modernas, aplicáveis ao trabalho diário. Os alunos são profissionais formados, que desejam obter meios de melhorar suas atividades produtivas.

No entanto, nem todos têm essa motivação. Há os que desejam saber das leis envolvidas, a interminável burocracia que criam e qual o melhor caminho para superá-la, desde que sem ônus para sua empresa.

Para quem crê em “Coelhinho da Páscoa” e “Papai Noel” existem soluções. Sem dúvida há somente uma: contrate um excelente escritório em direito ambiental, pois seus advogados conhecem bem o “Labirinto do Minotauro”. Mas pode-se adiantar que gastará mais tempo e dinheiro do que elaborar, da forma técnico-científica adequada, todos os estudos ambientais requeridos.

5. Bom para oprofessor

Para a maioria dos brasileiros alfabetizados, quem profere palestras, conferências, dá aula em cursos intensivos ou ministra cadeira em universidade precisa ser professor em alguma área do conhecimento. Isso é mais do que bom, é ótimo!

Outro fato que merece destaque positivo é a cidade em que acontece palestra ou curso intensivo. Após dezenas de experiências nesses eventos, verificou-se que nas capitais do Norte, Nordeste e Centro-oeste o povo é mais receptivo, empático e interessado em aprender.

6. Ruim para oprofessor

Palestras e conferências em geral, têm público com formação diversificada. De toda forma, aquele que não estiver satisfeito, levanta-se, sai e parte para outro rumo. Não há desgaste relevante na imagem do professor que as profere.

Já nos cursos intensivos as consequências podem ser danosas. Basta que a organização que solicita um treinamento – dado que pouco ou nada conhece sobre o tema – detalhe de forma ostensiva o curso em módulos que acredita serem relevantes. Estejam certos, sempre existe um “gênio interno” disposto a especificar seu futuro cursinho particular.

A partir daí a empresa de treinamento – contratada por menor preço – sai à cata de um “mestre” que a ampare. Pobre do professor que aceitar essa encrenca. Nessas condições é quase impossível satisfazer a turma a ser treinada.

Há empresas que tratam o professor de “instrutor”. O fato é que “instrutor” está mais associado ao amestramento de animais domésticos, do que à educação. A ser assim, trata-se de ofensa aos alunos de qualquer curso. Não importa se possuem nível superior ou se são idosos; durante as aulas todos são alunos e, por civilidade, devem receber as narrativas do professor, concordem com elas ou não.

Em cursos fechados (in house) o professor precisa saber o perfil da turma com que trabalhará: formação, setor de trabalho na empresa e tempo de empresa. É temerário dar aulas para turmas com perfis distintos, por vezes conflitantes: projeto de engenharia, gestão do ambiente e gestão de obras, por exemplo. Têm esperanças distintas de aprendizado e os conflitos se sucedem nas costas do professor.

Existem muitos outros aspectos de cursos intensivos que podem prejudicar o professor. Mas, no adiantado da hora, reserva-se apenas mais um: de novo, a cidade em que ocorre o curso. Sem risco de cometer generalizações, nas regiões sudeste e sul, paulistanos e cariocas se destacam na forma de se comportarem em sala de aula:

  • Paulistanos – embora dedicados a entender os conhecimentos do professor, são atentos e rigorosos. Via de regra, são informados acerca dos temas a serem tratados pelo curso. Com educação, interrompem quando não concordam e pedem explicação lógica. Debatem muito, mas são cordiais e têm como objetivo aumentarem seus conhecimentos.
  • Cariocas – são heterogêneos no domínio da informação ambiental; vão além da variação normal. Entretanto, há os bem-informados que auxiliam ao professor. Porém, dentre estes, é comum emergir uma espécie curiosa, que precisa dar demonstrações públicas de ampla “sapiência”. Por serem narcisos, mal-educados e provocadores conseguem prejudicar a fluência do curso. No mais, os cariocas são ótimos, salvo quando sorriem pela frente e, pelas costasmalham o professor.

7. Sugestão

Em vários países do mundo a profissão de palestrante é concorrida e suficiente para manter um bom nível de vida. Bons professores universitários tornam-se palestrantes em algum momento de suas vidas.

No Brasil essa profissão da educação tem relativamente poucos adeptos, talvez por falta de um mercado próprio. Ainda assim, a maioria dos palestrantes de sucesso parece composta por paulistas.

Pois, seja um palestrante! Assuma esse desafio, palestre sobre a Ciência do Ambiente e crie o espaço que ainda falta. Assim, deseja-se que sua palestra seja épica, um tanto misteriosa, mas de sua exclusiva autoria. Sobretudo, que seja motivadora, estimulante para aqueles que vão gostar dos desafios propostos por você, caro Professor.Ricardo Kohn

……….

[1] Ricardo Kohn, Especialista em Gestão, com trinta anos de trabalho dedicado à consultoria em estudos, projetos e práticas ambientais, bem como ao treinamento de analistas e gestores em modelos, metodologias e sistemas para a melhoria do desempenho ambiental das organizações produtivas.

Lançada a obra ‘Ambiente e Sustentabilidade’


GEN – Grupo Editorial Nacional | LTC Editora.

AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

A LTC Editora comunica o lançamento de mais uma obra técnico-científica:

Macedo, R. Kohn, AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão. GEN – Grupo Editorial Nacional, LTC Editora – Livros Técnicos e Científicos. ISBN 978-85-216-2731-9. Rio de Janeiro, RJ. 636 pg., julho 2015. 1ª edição.

Encontra-se disponível em formato impresso e em e-book. Docentes cadastrados no Grupo Editorial Nacional têm 30% de desconto.

Para os interessados em adquiri-la cliquem aqui.

O pomar


Por Ricardo Kohn, Escritor.

O fundador do pomar – Eustáquio Bruno e Thomaz de Aquino – nasceu no Brasil, em 1899. Era filho de pai português, um rico comerciante da cidade do Porto, e mãe italiana, uma linda artesã, especializada em fazer botas de montaria, nascida em Florença.

Dependendo do grau de intimidade, todos o conheciam por Aquino ou ‘seu Aquino’, embora seus irmãos o chamassem de ‘Taquinho’. Entretanto, após a morte do pai e, pouco depois, o debacle financeiro da família, Aquino viu seus projetos rolarem por água abaixo. Ainda assim, às duras penas, aos 27 anos concluiu a graduação na Escola Superior de Agricultura, situada em Viçosa.

Vista aérea da Escola Superior de Agricultura, em 1933

Vista aérea da Escola Superior de Agricultura, em 1933

De fato, abraçara a missão de cuidar de sua mãe viúva e cinco irmãos. Isso impediu-o de realizar seu projeto de vida: plantar a maior horta do país, a oferecer alimentos orgânicos gratuitos. Porém, sua vida transtornou-se. Resumira-se em acordar às 5 da madrugada, fazer rapidamente a barba com navalha, a higiene facial, sair para superar 14 horas de trabalho diário, retornar à casa, tomar um banho frio, comer algo e desabar na cama feito uma pedra.

Aquino não possuía tempo para laser, sua distração era andar a pé por toda a cidade, diariamente, de um local de trabalho para outro. Possuía sólida consciência política, até hoje de suma importância para a cidadania, mas nenhum interesse em participar dela. Até porque era introvertido e detestava se destacar aos olhos das pessoas. Além disso, ser mais uma patranha, jamais!

No entanto, Aquino foi um grande humanista. Ficava feliz ao doar seu trabalho à comunidade em que vivia, sempre a manter-se no anonimato. Resignava-se assim, ao fingir acreditar que cada cidadão era obrigado a deixar algo relevante para os mais jovens. No mínimo, exemplos concretos como sua ideia fixa: “horta a distribuir alimentos orgânicos gratuitos”.

Foi através dessa humanidade que construiu poucas, mas sólidas amizades. Seu maior amigo chamava-se Gumercindo, nome de guerreiro rebelde rio-grandense do sul. Juntos, Taquinho e Guma, a “convite” das forças armadas, atuaram na Revolução de 30, em terras mineiras. A contragosto, os dois liberais tiveram que lutar a favor do caudilho populista Getulio Vargas, e aguentar os 15 anos da cruel ditadura que se sucedeu no país.

Ao retornarem do quartel, após o mês que durou o “Golpe de 30”, aos 31 anos de idade, Taquinho e Guma estavam bem magros e com a cabeça branca. Não foram reconhecidos por suas famílias. Desiludidos com o futuro da nação, fizeram um pacto de vida: adquirir uma terra, longe de qualquer cidade, e plantar um grande pomar de frutas brasileiras.

Com dedicação e seriedade, Aquino conseguiu bons trabalhos para seus cinco irmãos. Para sua tranquilidade, todos se casaram em 1931 e deixaram a casa que compartiam com ele. Restou-lhe, então, sua doce mãe e a responsabilidade de mantê-la saudável e feliz.

Por outro lado, Gumercindo casara-se cedo e possuía um pequeno patrimônio. Assim, coube-lhe encontrar o terreno para negociarem as condições de pagamento. Enquanto isso, Aquino se desdobrava para economizar o dinheiro da entrada.

Mas eis que, para sua surpresa, em janeiro de 1932, Gumercindo disse-lhe que encontrara o terreno que buscavam. Situava-se próximo ao povoado de Conceição de Ibitipoca, a sudeste de Minas Gerais, num sopé da serra.

Aquino quis conhece-lo em detalhes. Junto com Gumercindo, percorreu a pé o terreno de 88 hectares; anotou as principais espécies de Mata Atlântica existentes, bem como localizou duas grutas, três rios que atravessavam o terreno, com nascente na serra, além de duas cachoeiras, dois lagos e várias corredeiras.

Cachoeira e lago formado no terreno

Cachoeira e lago formado no terreno

Ao fim, encantou-se com a biodiversidade de pássaros e polinizadores da região. Imaginou-se com o hábito de acordar às 5 da madrugada, mas naquele ambiente primitivo, a ouvir a cantoria da passarada. Começara a desenhar um mapa do terreno e de seu próprio futuro.

Pássaros encontrados na região

Pássaros encontrados na região

Foi mais difícil encontrar o proprietário do terreno do que adquiri-lo. Depois de quase um mês, descobriram que o senhor Lopes se mudara para São Paulo, a levar consigo sua doentia fé urbana. Na verdade, estava ansioso para vender a propriedade. De toda forma, o negócio foi bom para Lopes e para os agricultores novatos.

No entanto, Taquinho e Guma tinham muito trabalho a fazer para atingir o intento do “Sítio do Pomar”, conforme dizia a placa, na entrada da trilha de acesso ao terreno. Ou seja, antes de começar o plantio de mudas de árvores frutíferas, precisavam tornar operacional a logística daquele terreno: melhorar sua via de acesso, limpar a área do terreno a ser utilizada, construir uma moradia para três pessoas e um bom galpão de suprimentos. Em suma, faltava dinheiro no bolso dos sócios e foi a hora da decisão.

Tanto Aquino quanto Gumercindo não pestanejaram: para investir no Sítio do Pomar, viram-se obrigados a vender suas casas na cidade. Afinal, ainda eram jovens de 33 anos, sabiam dos riscos envolvidos, mas estavam convictos de empreender no ambiente rural.

Aquino, sobretudo, contou com a compreensão de sua mãe e o apoio inconteste de um irmão, que a acolheu em sua própria casa. Combinou com todos que, de 20 em 20 dias, enquanto estivesse a construir no sítio, retornaria para “estar com a mamãe durante três dias”, pelo menos.

Foram seis anos de trabalho duro, de sol a sol, sem fim-de-semana. Mas o Sítio do Pomar ficou excelente, com acesso seguro para pick-ups e margens floridas (ideia de Júlia, mulher de Guma), a moradia humilde com varanda de frente e o galpão novinho em folha, uma área para criação de cabras e galinhas, com vistas a obter esterco e adubar o solo. Além do belíssimo pomar, plantaram a tão sonhada horta orgânica comunitária, e adquiriram colmeias de abelhas produtivas e calmas. Tudo isso, a manter 48 hectares de Mata Atlântica primitiva intocada.

Os produtos do pomar no mercado mineiro

Os produtos do Sítio do Pomar no mercado mineiro

Todos os trabalhos no sítio requereram a contratação de mão-de-obra no povoado. Assim, Conceição de Ibitipoca viu sua economia começar a crescer. Os terrenos vizinhos ao sítio foram valorizados e as principais estradas de acesso foram asfaltadas pelo governo estadual. Guma aproveitou essas vias de distribuição e colocou os produtos do pomar em todo o mercado mineiro.

Enfim, Taquinho e Guma sempre foram recebidos de braços abertos pelos amigos que fizeram no povoado. Seus projetos, a manter a sustentabilidade do ambiente, muito embora com outras culturas, serviram a outros proprietários de Ibitipoca. Eles próprios participaram dos trabalhos de implantação. Enquanto viveram, tornaram-se referência de humanidade e da produção agrícola na região sudeste de Minas Gerais.

Consultoria é educação


Por Ricardo Kohn.

Ricardo KohnEmbora desde meados do século 20 não pairassem dúvidas acerca da qualidade da consultoria no país, fatos recém descobertos pela polícia federal ameaçaram a reputação de milhares de consultores: presidiário fazendo ‘consultoria’.

Dessa forma, este artigo visa a mostrar o que é o verdadeiro Consultor, na exata acepção da palavra, a qual justifica sua expressiva contribuição nas nações desenvolvidas.

Em dicionários encontram-se significados congêneres para “consultor”. Mas, por ser genérico e universal, como ponto de partida optou-se por “pessoa qualificada (…) que trata de assuntos técnicos da sua especialidade” – claro, simples e objetivo.

Todavia, por detrás deste “conceito de consultor”, deve-se aportar certas atitudes básicas para ser um bom profissional, tais como: possuir sólidos princípios éticos e morais; estar sempre disposto a partilhar conhecimentos com terceiros; ser humilde na criatividade de suas descobertas; ser capaz de aprender enquanto auxilia; saber ouvir críticas; gostar de debates com fundamento; conhecer os próprios limites; nunca participar de discussões; e, sobretudo, dominar a lógica necessária para defender posições, sejam próprias ou de terceiros.

Consultores em trabalho de campo – Arqueologia, Geologia e Arquitetura 

Não quer dizer que todos os consultores possuam essas atitudes desde o nascimento. Elas precisam ser aprendidas pela convivência com sêniores que já as detém, no todo ou em parte. De fato, para desenhar as “atitudes básicas” acima, foi necessário memorizar as ações de uma equipe de cinco consultores sêniores[1]. Todos trabalhavam em projetos de engenharia de saneamento básico e resíduos sólidos. Receberam notoriedade nacional pela qualidade das soluções de engenharia que descobriram e dos projetos que desenvolveram para realizá-las.

No entanto, na história da consultoria não há menção à prática de lobby por parte de consultores. Aliás, para que o lobby tenha algum valor, precisa ser honesto. Caso contrário, os lobistas em ação, ao invés de lograrem êxito nas legítimas pressões para obter o que almejam, podem seguir como réus, rumo à justiça. Assim soe ocorrer nas nações mais desenvolvidas.

Da mesma forma, consultores que não sejam cientistas políticos, não atuam em cooptações[2], sobretudo, as que “envolvam transações monetárias”. Como a prática tem demonstrado largamente, no Brasil a legítima cooptação transformou-se num arranjo da “corrupção público-privada”.

Em suma, lobby e cooptação não são tarefas para consultores de qualquer área. Lobista não faz parte da consultoria. Aliás, no Brasil atual distribui ensinamentos para produzir lotes de ladrões.

……….

[1] Embora haja muitos outros, ressalta-se os engenheiros Enaldo Cravo Peixoto, Walter Rodemburg Ribeiro Sanches, Gastão Henrique Sengés, Fernando Penna Botafogo Gonçalves e Jorge Costa Nogueira, todos a atuar nas décadas de 1960 e 70. Sob a senioridade desses profissionais foram educados centenas, senão milhares, de bons consultores.

[2] Em tese, com base nas teorias da Administração Pública e da Ciência Política, o processo de cooptação de um indivíduo, grupo ou empresa é realizado através do convencimento lógico para se atingir a alvos legítimos desejados pela nação. No entanto, esses alvos são legais e não se traduzem em qualquer pagamento ou benefício ao cooptado. Ou seja, há riscos concretos para alcança-los e a cooptação sempre deve somar forças produtivas e honestas.

Uma obra técnica e literária


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão e Escritor.

Se bem me recordo, foi em janeiro de 2008 que o amigo e parceiro em estudos ambientais, Professor Antônio Carlos Beaumord[1] ou “Tu” (para os mais próximos), fez-me um desafio literário:

Cactos em floração

Cactos em floração

─ “Ricardo, você é escritor. Entãopor que não reúne todas as suas metodologias num único livro? Acho que seria uma bela contribuição para a Universidade”.

─ “Tu, eu precisaria de vários anos de dedicação para realizar esse trabalho. Mas tenho família e, para sobreviver, sou obrigado a fazer consultoria”, respondi-lhe, não sem alguma tristeza.

Contudo, a ideia de publicar mais um livro técnico não me saiu mais da cabeça; sou um otimista nato. Claro que o “diabinho pousado no ombro esquerdo” não parava de me aporrinhar o ouvido:

“─ No Brasil você não vai ter editora para publicar esse livro! Vai custar muito caro; duvido que você tenha cabeça fria para organizar esse livro…”

Porém, com a crise financeira global iniciada em fins de 2008, o mercado de consultoria no país começou a emagrecer. Senti que a dita “marolinha” era mesmo um longo e devastador tsunami. Pelo menos assim aconteceu com a conta bancária da família.

Com a forte redução dos serviços de consultoria, a única coisa que cresceu em minha vida foi o tempo vago. Confesso que sequer pensei em conseguir uma editora. Segui a ideia do Tu e comecei a organizar o livro. Precisava ocupar meu tempo livre.

Em 2010, exatamente no dia 31 de novembro de 2010, finalizei a obra, ainda que sem revisão. Ficara com 737 páginas A4, distribuídas nos 18 capítulos que seguem:

  • Capítulo 1: Conceitos Básicos para Estudos Ambientais.
  • Capítulo 2: Modelo para Identificação da Transformação Ambiental.
  • Capítulo 3: Estabelecimento das Premissas para Estudos Ambientais.
  • Capítulo 4: Caracterização Ambiental de Empreendimentos.
  • Capítulo 5: Programação e Gestão de Atividades de Campo.
  • Capítulo 6: Elaboração de Diagnósticos Ambientais.
  • Capítulo 7: Consolidação das Premissas de Estudos Ambientais.
  • Capítulo 8: Elaboração das Matrizes de Impactos Ambientais.
  • Capítulo 9: Formulação de Prognósticos Ambientais.
  • Capítulo 10: Formulação de Cenários Ambientais.
  • Capítulo 11: Modelo para Avaliação Quantificada de Impactos Ambientais.
  • Capítulo 12: Desenvolvimento e Gestão de Plano Corporativo Ambiental.
  • Capítulo 13: Auditoria de Plano Corporativo Ambiental.
  • Capítulo 14: Modelos para Estudos Preliminares de Viabilidade Ambiental; Estudo de Impacto Ambiental; Relatório de Impacto Ambiental; Programação e Gestão de Audiências Públicas; Elaboração e Gestão de Projetos Ambientais; Levantamento e Gestão de Passivos Ambientais.
  • Capítulo 15: Desenvolvimento e Gestão de Plano Executivo de Gestão Ambiental de Obras.
  • Capítulo 16: Modelos para Elaboração e Gestão de Procedimentos Ambientais; Organização e Operação de Comitês de Gestão Ambiental e da Sustentabilidade; Organização e Operação de Ouvidoria Ambiental; Código de Conduta Ambiental; Gestão de Licenças Ambientais; Elaboração de Termos de Referência.
  • Capítulo 17: Aprendizado com a consultoria.
  • Capítulo 18: Estudo Preliminar de Viabilidade Ambiental do Planeta Terra.

O acaso e a amizade

Em 2011, executava um projeto de gestão ambiental de obras civis em 12 capitais brasileiras, quando fiz a primeira impressão dos manuscritos em uma laser comercial. Resolvi dividir a livro em cinco volumes. Achei que ficaria mais fácil mostrar apenas um volume a pessoas que conhecessem boas editoras .

De fato, já houvera definido uma editora desejada, mas não consegui acesso a ela. Alguns “amigos”, na “ânsia de ajudar“, disseram-me: “─ Fala com a Josefa em meu nome’, ela dirige a editora. Mas acho que não há interesse nesse assunto”. Foi uma ajuda motivadora. Sequer telefonei para a dita senhora, embora, então, trabalhássemos na mesma organização.

Todavia, em novembro de 2012, fui convidado pela Professora Paula Marinho para fazer uma palestra na Universidade Estácio de Sá, no Campus de Del Castilho. O tema era “O Mercado da Engenharia Ambiental”. Cheguei quase no horário marcado: às 19:10 horas. Tinha 45 minutos para dar o recado, pois havia dois palestrantes à espera, ambos professores da universidade: o Professor Padilha[2], Coordenador Nacional de Engenharia, e o Professor Luis Mauro, Coordenador Local de Engenharia Ambiental.

Durante minha palestra, sempre a provocar aos alunos, notei que o auditório estava a lotar, inclusive com pessoas sentadas nas escadas, espremidas na porta de entrada e no corredor. Falei por cerca de uma hora e fiquei quase outro tanto a responder perguntas. Nenhum professor que aguardava a vez me interrompeu por ter ultrapassado meus 45 minutos, ao contrário. Ao fim, recebi uma saudável salva de palmas dos universitários e professores presentes. Emocionei-me, é claro.

Entretanto, meu único foco era publicar o livro, que até mesmo já batizara de “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Sem dúvida, a palestra havia sido proveitosa, conhecera bons professores, mas, é daí? Cadê a minha editora?!

Mal sabia eu que o Professor Padilha, com quem conversara acerca da busca por uma edição de qualidade, tinha como velho conhecido o Diretor Editorial de um grupo que reúne 10 editoras de obras técnicas e científicas. E mais, que ambos eram formados e pós-graduados no IME, em Engenharia Militar.

Assim, mais tarde obtive a informação que o Professor Padilha, por mera questão do acaso, insinuara ao Professor Severo que havia no mercado literário um manuscrito órfão, merecedor da análise de alguma editora do Grupo Editorial Nacional – GEN (clique o link para conhecer). E deu certo!

Mergulho na edição

Dessa forma, graças a uma palestra sem pretensão, proferida em novembro de 2012, assinei contrato com a LTC Editora no início de fevereiro de 2013! Ou seja, como dezembro é mês de festas, o GEN solicitou meus manuscritos para análise em janeiro; e, em 6 de fevereiro, contratou a edição da obra. No máximo, gastou dois meses para tomar a decisão.

Arte da 1ª capa de AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

Arte da 1ª capa de AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

A vida de autor seria difícil não fosse a qualidade da equipe dedicada à edição de livros. Em meu caso acrescento: não fosse a educação, a competência e a presteza de todos com que mantenho relações profissionais, desde o início de 2013 até hoje, decerto teria adoecido dos nervos.

De início, afobado e feliz, fiz em casa a revisão completa dos manuscritos e encaminhei-os à LTC. Em seguida, respondi às dúvidas da revisora oficial da LTC. Após essa etapa, coube a uma artista gráfica modelar a capa e o miolo do livro. Gostei muito do resultado: parece um quadro abstrato, mas é nitidamente orgânico e biótico. Ilumina o espaço e se destacará nas estantes de livrarias e bibliotecas.

Neste momento, estou a finalizar a revisão das 605 páginas da obra, diagramadas no formato final para impressão industrial. Somente a partir de então os capítulos serão integrados numa peça única. Terei poucos dias para rever a obra inteira, de modo a que esteja pronta no dia 27 de julho próximo, seguindo o cronograma de trabalho da LTC Editora.

Lançamentos da obra

O Grupo Editorial Nacional não realiza o lançamento físico da obra. Usa apenas seus sites na internet e conta com uma ampla rede de livreiros. No entanto, auxilia aos autores a realiza-lo. Por isso, minha proposta é fazer diversas palestras sobre os temas tratados no livro e ter um livreiro presente para oferecer os livros. Obviamente, autografarei cada um.

Dessa forma, meu projeto é divulgar nacionalmente o trabalho. Programar com universidades, fundações, associações nacionaisinstitutos para lançar o livro após uma palestra.

Referência bibliográfica

Kohn de Macedo, R., AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão. GEN – Grupo Editorial Nacional, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos. ISBN 978-85-216-2731-9. Rio de Janeiro, RJ. 636 pg., Julho 2015. 1ª edição.

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[1] Professor Beaumord, Doutorado em “Ecology, Evolution and Marine Biology na University of California, Santa Barbara”. É docente pesquisador do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar), Universidade do Vale do Itajaí – Univali, bem como consultor internacional em ecossistemas aquáticos.

[2] Professor Padilha, Mestrado em Engenharia Militar no IME – Instituto Militar de Engenharia. É docente na Universidade Estácio de Sá – Unesa.

A derrocada do Ensino Superior


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Ricardo KohnO cenário da educação no Brasil ficou assustador: escolas básicas e fundamentais, bem como universidades públicas de todo o país, foram jogadas às traças por intelectualoides. Decerto, são seres que não foram civilizados na tenra idade – como é essencial a todas as crianças –, de forma a se tornarem mais sociáveis a partir dos cinco primeiros anos de vida.

Todavia, a meu ver este cenário é um processo planejado de destruição ética e moral, cujos pilares vêm a ser erigidos há pelo menos três décadas. No entanto, é somente em 2015 que se torna mais nítido. Aliás, segundo a apologia desonesta “Brasil, Pátria Educadora”, foram subtraídos, de forma abominável, cerca de 7 bilhões de reais do orçamento da pasta da Educação.

É óbvio que se as instituições de ensino em geral já estavam em estado lastimável; se seus professores continuavam a ser muito mal remunerados; se as matérias dos cursos são as mesmas – excessivas, estanques, superficiais e até mesmo desqualificadas –, um corte desta envergadura na educação, proporcionou a derrota final do ensino na dita “Pátria Educadora”.

Causa-me perplexidade, bem como ameaça a qualquer cidadão. Até mesmo àqueles já vacinados contra “analfabetite” (um tipo de degeneração do cérebro, infecciosa e transmissível, bastante comum no atual “Brasil político“).

Contudo, vou me ater apenas ao ensino superior, pois há um excelente artigo assinado por Cláudio de Moura Castro em que ele narra, segundo minha ótica, a asnice cometida contra o aprendizado normal de alunos do ensino médio brasileiro. Em suma, o Prof. Cláudio esgota o assunto em uma página de revista (recém-publicado em edição da revista Veja[1]).

Ensino universitário a desmoronar

A imprensa tem apresentado reportagens e notícias acerca do quadro em que se encontram inúmeras universidades públicas, tanto federais quanto estaduais. Em diversos estados há professores em greve (17), alunos revoltados com a situação, reitorias invadidas, faculdades fechadas, aulas suspensas, além de salas, corredores e banheiros imundos, sem serviços de limpeza.

A Universidade de São Paulo e a Universidade Federal do Rio de Janeiro parecem ser os mais graves problemas da gestão pública neste setor. Universitários e professores tornaram-se vítimas anômicas da mesma incompetência governamental. Dessa forma, é triste, diria mesmo, repugnante, ver o cenário vigente de calamidade educacional, com clara tendência a se agravar.

Confronto na Universidade Federal de Santa Catarina: parada e sem aulas

Confronto na Universidade Federal de Santa Catarina: parada e sem aulas

Ademais, esse quadro também atinge as universidades particulares. O governo federal criou uma série de mecanismos e “siglas paranormais” que servem para financiar estudos superiores nessas instituições: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (FGEDUC). Contudo, para complicar um pouco o estamento burocrático, foi criado o SisFIES, que deve ser o sistema para cadastro no FIES.

Ocorre que em 2015 toda essa parafernália não funcionou. Ficaram de fora do FIES cerca de 178.000 universitários. Simplesmente, não conseguiram se recadastrar pelo SisFIES. Dessa forma, sem o financiamento contratado, os que não puderam pagar do próprio bolso, trancaram matrícula nas faculdades que cursavam.

Um conselho de político velhaco

Afinal, meus jovens, resignem-se: o prejuízo poderia ser maiorSó lhes resta aguardar o dia em que o repasse do governo federal acontecerá. Contudo, agradeçam ajoelhados e de mãos postas. Trata-se da benção dos céus economicamente corrompidos.”

Reflexão universitária

Tenho amigos de longa data que são docentes e pesquisadores em diversas universidades brasileiras e instituições de pesquisa, públicas e particulares. Temos conversado muito sobre o temporal acadêmico que está a se formar sobre a cabeça de certos governantes velhacos.

Cada um de nós tem motivo específico para manter essa conversa. No entanto, sem interferência ideológica ou partidária, fomos unânimes nas seguintes posições:

  • A qualidade do setor da Educação é o principal fundamento para o desenvolvimento de qualquer nação do mundo.
  • O tenebroso balanço auditado da Petrobras 2014, aprovado por seu Conselho de Administração, demonstrou que, pelo menos, houve desvios ilegais de dinheiro público da ordem de R$ 50 bilhões: 6 bilhões pela corrupção oficial e 44 bilhões na “reavaliação de ativos”. De fato, esta “reavaliação” significa “ativos sobre avaliados que desapareceram no ar”, ou seja, por força dos mecanismos engendrados para a corrupção subliminar.
  • Teve-se quase certeza que a corrupção descarada na Petrobras, durante 10 anos, foi maior do que seu último balanço oficial demonstra. Por baixo, estimou-se que foi da ordem de R$ 90 bilhões.
  • Teve-se quase certeza que a cleptocracia entranhada no Estado desviou dinheiro de bancos públicos, de empréstimos internacionais do BNDES, de fundos de pensão, da Receita Federal, das obras do setor de energia elétrica, das obras do PAC, das obras da Copa do Mundo, do corredor de passagem da Ferrovia Norte-Sul, das obras da Transposição do Rio São Francisco e das obras do DNIT, Infraero e outras instituições públicas de infraestrutura. O montante desta extorsão criminosa é impensável.

Mas, por fim, restou-nos a indagação: ─ “Por quais motivos no Brasil a evolução das ciências, das pesquisas, das universidades e do ensino superior está a sofrer a mais catastrófica decadência de sua história?”

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[1] O título do artigo é “O pior ensino médio do mundo?” Observo que Cláudio de Moura Castro é Doutor em Educação, pela Cornell University, USA. Caso tenha interesse em ler seu artigo, encontra-se publicado na edição 2424 da Veja, referente a 6 de maio de 2015.

Atenção! ‘Quatro planos ambientais’


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Leia o prefácio de nosso próximo livro técnico.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que a população mundial esteja na casa dos 7,2 bilhões de pessoas. PrevêRicardo Kohn que alcance a 8,2 bilhões de habitantes até 2025, devendo chegar a 9,6 bilhões, em 2050. A ser assim, a cada século que passa o espaço terrestre per capta reduz-se de forma significativa.

Porém, desde há milhões de anos que a Terra possui a mesma superfície, limitada em cerca de 510 milhões de km2. É composta por água e solo. Foi a evolução da dinâmica entre esses dois fatores, junto com sua atmosfera, que permitiu a instalação da flora no planeta e que sua fauna florescesse. Culminou com os primatas hominídeos, classe faunística em que, até agora, o homem é o fim da linha desta evolução.

Todavia, a partir de meados do século 19, após a consolidação da Revolução Industrial, a Terra começou a dar sinais mais nítidos de que a presença do homem, com suas habilidades construtivas e produtivas, precisava ser muito bem planejada. Sobretudo, no que concerne ao uso e alteração de seus fatores físicos: o ar, a água e o solo, que constituem o substrato da vida da flora, da fauna e do próprio homem.

Desde então, as habilidades da inteligência humana transformam “bens ambientais”, que são essenciais à evolução do Ambiente do planeta, em “recursos naturais” com valor econômico. Recursos estes, tratados como se fossem ilimitados, que após processados são oferecidos ao mercado de consumo, como “produtos de valor agregado”.

Em boa parte, o processo da transformação de bens ambientais em produtos com valor agregado é aceitável, desde que obedeça a certas condições restritivas. A mais relevante é o nível de desempenho ambiental alcançado pelo processo: precisa ser positivo para o Ambiente, sem causar rupturas nas relações ambientais impostas pelo homem aos demais fatores ambientais envolvidos: ar, água, solo, flora e fauna. Do contrário, fatos ocorrentes mostram que todos os bens e fatores serão extintos: não haverá produtos e valor, não haverá mercado. Ter-se-á tão-somente impactos ambientais negativos, a construir a chamada “terra arrasada”.

A visão do desenvolvimento que foca apenas a Economia como seu fundamento é majoritária no mundo. Mas também são conhecidos os efeitos nocivos desta abordagem. Nações frágeis, na miséria, como ocorre na África subsaariana. A pobreza crescente que se irradia pelas castas inferiores da Índia que, aliás, enriquece. Os investimentos brasileiros que redundam em obras megalômanas interrompidas, a corrupção instalada, a demolição sumária do Ambiente e o alto risco para a geração mínima de empregos são fenômenos ambientais comprovados e, de fato, indiscutíveis.

É paradoxal que o homem impacte de forma tão adversa o Ambiente que a ele deu origem e permite que beneficie a qualidade de sua própria vida. Afinal, é da qualidade do ar, da água e do solo que sobrevém a qualidade da vida na Terra: da flora, da fauna e do homem. Há que se trabalhar rapidamente para garantir a estabilidade de todos.

A contribuição teórica e prática a que se propõe o livro “Os Quatro Planos Ambientais” é fornecer ferramentas de gestão desenhadas para manter a estabilidade do Ambiente e de seus espaços – físico, biótico e antropogênico –, enquanto as relações ambientais realizadas entre os variados ecossistemas são mantidas na sua melhor plenitude.

Dessa forma, a Economia é um dentre os diversos segmentos ambientais antropogênicos a serem planificados, tais como: demografia, educação, saúde, segurança, uso e ocupação do solo, infraestrutura logística, infraestrutura de transporte, arqueologia, cultura, sociologia e antropologia.

O livro detalhará como os ‘quatro planos ambientais’ devem ser desenvolvidos, implantados e geridos através de seus resultados, segundo sua programação. Têm níveis e finalidades distintas, podendo serem adotados pelos setores público e privado. São eles:

  • Plano Corporativo Ambiental (PCA), para proporcionar a empresas públicas e privadas o estabelecimento de alvos estratégicos, táticos e operacionais a serem alcançados e as medidas necessárias para realiza-los. Além disso, sem perda de sua efetividade, pode ser adaptado para atender a governos nacionais e estaduais.
  • Plano Executivo para Gestão Ambiental de Obras, com estrutura similar à do PCA, é destinado a empresas de construção civil e montagem, com vistas à minimização ou anulação de impactos adversos proporcionados pelas obras em geral.
  • Plano para Gestão da Sustentabilidade, é destinado a governos municipais e grandes propriedades rurais. Parte das vocações ambientais e geoeconômicas do território, define alvos táticos, metas operacionais, programas e projetos e, se necessário, convida investidores a aportarem recursos com o retorno proporcionado pelo mercado.
  • Plano de Análise e Gestão de Riscos e Impactos Ambientais, que deve ser adotado por empresas que possuam processos e atividades com perigos, riscos e impactos adversos associados.

A crescente demanda não atendida por água, energia e alimentos pode tornar a Terra um planeta ingovernável. Sem planejar suas ações para médio e longo prazo, o homem caminha para o caos. Afinal, a ciência que desenvolveu ainda não construiu um “puxadinho terrestre” para esconder seus lixos e excessos.

Violenta erupção, em 15/03/2015


Erupção seguida de devastadores terremotos.

Por Zik Sênior, o eremita.

O grande desejo científico de geólogos e vulcanistas é descobrir como podem prever erupções vulcânicas com boa antecedência. Afinal, existem muitos povoados e até mesmo cidades que ficam no sopé desses montes “vomitadores de lava”. Salvar pessoas é o principal objeto dessas previsões.

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Terremotos são ainda mais inescrutáveis para os cientistas da sísmica terrestre. É fácil afirmar que algum dia vão ocorrer em certas regiões da Terra, como o “Círculo de fogo do Pacífico”. Mas ainda não há como determinar a data do evento, sua intensidade e muito menos onde será de seu epicentro, bem com a que profundidade. Só é sabido que os que ocorrem em menores profundidades causam mais destruição.

Todavia, há um “boato científico” no ar. Diz que certas espécies da fauna silvestre se evadem de áreas sensíveis, dias antes de terremotos e erupções vulcânicas ocorrerem. Digo que é boato porque nenhuma experiência realizada foi capaz de confirmar essa estória.

Porém, assisti a uma “cerimônia” assaz curiosa: o serviço de xamãs andinos e seus pássaros-videntes, aprisionados em gaiolas. De posse desse “equipamento técnico”, diziam ser capazes de prever eventos geológicos, aéreos e marinhos, com ocorrência aleatória no ambiente da Terra, desde sua formação.

Assim, após uma sessão de cânticos rituais, cada vez que os pássaros sangravam contra as grades da gaiola, os “profetas espirituais” datavam e localizavam terremotos, maremotos, vulcanismos, tufões e tsunamis futuros. A verdade é que nenhum deles ocorreu, pelo menos conforme fora profetizado.

Mas é dessa maneira que os atuais xamãs políticos ganham a vida: através de “serviços” fornecidos por quadrilhas de profetas, a enganar o povo com seus “cânticos de palanque”.

Porém, há um detalhe que deduzi em minhas investigações. Eventos ambientais, que antes tinham origem estritamente geológica – erupções vulcânicas e terremotos –, ganharam também origem cidadã. Agora podem ser marcados, datados e localizados com quase 100% de certeza.

Por isso mesmo, dadas as severas fraturas morais promovidas pelo governo central, está marcada para 15 de março de 2015 uma grande erupção vulcânica que afetará a todas as “estruturas” do país. Seu horário de início está marcado para as 9:30 horas da manhã. Após esta erupção, acontecerá uma sequência de violentos terremotos, com epicentro em todas as capitais estaduais.

Por fim, ocorrerá o Terremoto Brutal, que irá sacudir de forma devastadora o planalto central brasileiro. Porém, os cidadãos brasileiros conduzirão seu epicentro para três metros abaixo da Praça dos Três Poderes. Dessa forma, como é esperado, seus efeitos localizados serão destruidores.

‘Maravilha’


Por João de Moura Macedo, de Nazareth da Mata, PE.

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Este breve relato é sobre uma nação muito pouco conhecida, mas que, em minha visão, é o “País da Maravilha“. Faço um resumo de tudo o que li acerca dessa inacreditável nação. Devo dizer que procurei selecionar seus aspectos de maior interesse.

Assim, tento mostrar a imensidão de seu território e a qualidade de seu ambiente; o terreno exclusivo que possui para acolher vegetação e fauna silvestre; e, bem assim, as linhas básicas de convivência de seus cidadãos, os dignos maravilhenses.

Nesse relato optei por seguir a sequência aceita como a história da formação do Ambiente da Terra, assim sintetizada:

  • Primeiro, aconteceram choques entre gigantescos blocos de rocha no espaço sideral, o que veio a dar origem a seu furioso Espaço físico: extremos tremores das rochas que se acomodavam, com fortes emissões de gases e lava, até tornar-se um colosso geológico;
  • Em seguida, após 2,5 bilhões de anos, encerrou-se o resfriamento da crosta colossal, bem como a formação de sua atmosfera. Assim emergiu a vida, o Espaço biótico, que teve origem em pequenas algas marinhas: as cianofíceas;
  • Por fim, estimados a partir da sua origem física, 5,5 bilhões de anos depois, emergiu a bravata do Espaço antropogênico, onde os humanos são os desastrados construtores.

Contudo, embora esta sequência também haja ocorrido na Maravilha, nela não aconteceram as deformações provocadas pelo homem. Seu ambiente ainda é o primitivo e, em grande parte, intocado.

Por isso, acredito que esse documento possa servir de parâmetro para avaliar a humanidade e a educação em mais de 160 países. Devo dizer, países ainda “repetentes no curso primário” promovido pelas Nações Unidas, desde 1945. Tenham a santa paciência, vão catar coquinhos, 70 anos de repetência é motivo para jubilação!

Espaço físico

A sorte geográfica desta nação foi absurda e, de certo modo, ingrata com a maioria dos países do globo. Imagine: seu território se estende por uma área de 8,5 milhões de km2! De norte a sul, o litoral maravilhense possui 9.200 km de extensão, com belezas cênicas inigualáveis.

Nele existem pequenas montanhas, falésias, planícies costeiras, milhares de enseadas, um estuário de mar aberto, dezenas de arquipélagos, centenas de manguezais e até regiões com o litoral rendilhado pelo artesanato da natureza.

O clima da Maravilha apresenta magníficas variações, do equatorial ao frio, com classes intermediárias bem definidas: tropical, subtropical, semiárido e temperado. Isso mesmo, condições de tempo que vão do clima tórrido até geadas e neve.

Na Maravilha não existem vulcões ativos. Todos são morrotes extintos há milênios. Em seu território e na sua costa marítima nunca ocorreram ventos fortes como tufões, ciclones ou furacões. Por outro lado, a Maravilha detém as maiores reservas mundiais de nióbio, vanádio e outros metais estratégicos, afora manchas das chamadas terras raras.

Afirmam pesquisadores do espaço físico que a Maravilha detém 12% da água doce do planeta. Pois, a caminhar terra adentro, é surpreendente o grandioso volume de água com que se depara. São rios, lagos, cachoeiras, riachos, corredeiras e lagunas marginais, todos a transbordar água mineral nativa, pura e potável. É incrível!

Por sua vez, seus solos são profundos em pelo menos ¾ de seu território. Além disso, possuem variados nutrientes, que não cabem ser enumerados aqui. Mas sua composição em nitrogênio, potássio e cálcio é de tal ordem estabilizada, que os torna aptos para a produção espontânea de vegetais e frutos comestíveis.

Essa é a síntese do que a Maravilha oferece como substrato físico à evolução de todas as espécies vivas nela ocorrentes.

Espaço biótico

Grandes manchas vegetacionais ocupam 85% do território maravilhense. Dado seu relevo “de suave a ondulado”, suas notórias vocações climáticas, mais o volume de água que se espraia por seu terreno e a notável qualidade de solos, as coberturas da flora possuem elevada biodiversidade, a apresentar biomas com grande extensão e complexas relações entre suas espécies – fitossociológicas.

Já a fauna ocorrente na Maravilha é soberba, tanto em sua abundância, quanto na extrema diversidade. Seus espécimes tentam encontrar na variedade de florestas, matas, savanas e campos existentes seus habitats ideais, feitos pelo acaso e sob medida.

No entanto, embora as regiões que são cobertas pela vegetação sejam de grande extensão, não é fácil para os incontáveis espécimes da fauna silvestre (mastofauna, avifauna, ictiofauna, primatas, herpetofauna, entomofauna, aracnofauna, malacofauna e anurofauna, dentre outras classes) permanecerem no mesmo “espaço domiciliar”, pois ocorrem os conflitos normais, por vezes, letais.

Mas, ao fim e ao cabo, é a seleção espontânea imposta pelo ambiente que desafia quais espécimes possuem habilidades para se adaptar, sobreviver e procriar.

Vale dizer, o povo maravilhense tem plena consciência da importância desse patrimônio ecológico e o mantém praticamente intacto, há séculos, sem necessidade de leis, polícias e ameaças. Procedem assim por que é um costume incorporado em cada cidadão, após 500 anos de democracia liberal.

Espaço antropogênico

A propósito, depois de criada a democracia ateniense, por volta de 2.700 anos atrás, com base nas propostas de dois pensadores gregos, Sólon e Clístenes, a Maravilha foi a primeira nação do mundo a constituir-se Estado Liberal Democrático, em 1515.

Desde então, nunca foi colônia de outro país, nem pensou em colonizar terras além mar. Sua única constituição federal está impressa em apenas uma folha de papel e até hoje não sofreu qualquer emenda. Por isso, os cidadãos maravilhenses recitam-na de cor, como o poema que mais lhes aprazem.

Na Maravilha não existem leis ou decretos públicos. Ela é regida conforme os costumes de seu povo que, desde sua origem, elegeu uma assembleia nacional para coordena-lo, sem a participação do que chamam grupelhos políticos. Essa instituição não possui um “mandato” e seus membros não recebem qualquer remuneração, apenas uma justa e pequena ajuda de custo.

Contudo, precisam ser substituídos por força da democracia liberal. Por exemplo, há saídas para resguardar intacta a missão assumida por alguém, que não a concluiu dentro do prazo. Há saídas espontâneas, pois qualquer membro sente-se eticamente motivado a substituir a si próprio, quando encontra um cidadão mais útil do que ele, que atenda melhor à sociedade maravilhense. E, por óbvio, acontecem as substituições por falecimento.

Desde seu nascimento como Estado, a constituição maravilhense (1515), redigida em praça pública, estabelece por consenso que serviços de educação e saúde são os pilares básicos de sua governança e evolução. E assim o é, até hoje.

Dessa maneira, não existe um único analfabeto perdido em seu território nacional. Todos os maravilhenses completaram, no mínimo, o ensino médio. E o que é mais notável: 95% deles possui pelo menos um título superior em Gestão do Ambiente, Medicina, Engenharia e Matemática Aplicada. Somente a graduação nessas áreas requer 8 anos de cursos intensivos, teóricos e práticos. A partir daí, formaram-se mestres e doutores, aos pelotões.

Para se ter uma medida, nas cidades maravilhenses existem mais bibliotecas do que lojas de loteria no Brasil inteiro! São instituições públicas, que recebem toneladas de livros de todas as nações cultas do mundo. Afinal, em média, o maravilhense sabe ler, escrever e falar com fluência pelo menos cinco idiomas, além da língua materna.

O hábito de ler, interpretar e aprender é uma tradição de cinco séculos naquela nação. Nas ruas e campos vê-se, diariamente, uma grande quantidade de pessoas a aprender com um livro às mãos. Por força de vários fatores, inclusive a bendita sorte, tornou-se uma epidemia nacional, sem condições de retorno à origem do homo sapiens, insipiente e destruidor agressivo.

Afinal, o que é a Maravilha?

É fruto da exuberante educação construída e distribuída a seus cidadãos, durante séculos. Os maravilhenses souberam organizar suas cidades em pequenas áreas, de forma a não destruírem seu santuário ambiental, tanto o físico, quanto o biótico. Saliento que sua divisão “geopolítica” possui somente dois níveis: o Estado maravilhense e suas cidades. Não existem os estados e os municípios.

Portanto, nunca houve governadores e prefeitos, deputados e vereadores. Eles eliminaram os gastos com o que chamam de “maldita máquina pública”. Para eles são apenas máquinas de produzir burocracia e confusão, enfim, “instrumentos da corrupção”.

As casas, equipamentos urbanos e serviços de uso público foram erigidos entre a vegetação nativa, de modo a mantê-la de pé. Por sinal, em cada cidade está instalado um viveiro de mudas de espécies nativas. São milhares de viveiros implantados na Maravilha. Assim foi criada uma de suas principais fontes de riqueza, pois exporta toneladas de mudas para países civilizados que desejam reflorestar seus territórios.

Os cidadãos maravilhenses são vegetarianos há séculos. Não há gado de corte no país. Em troca, cada cidade possui grandes hortas comunitárias, plantadas em harmonia com a mata. Se for feito um sobrevoo sobre a Maravilha, somente ressaltarão aos olhos do observador somente seus polos industriais, aeroportos e portos. Criará uma sensação curiosa: para que servem industrias e aeroportos se não existem pessoas?

A produção de energia elétrica do país adotou uma solução óbvia. Cada casa, unidade produtiva, unidade de serviço público produz a energia que consome. Há mais de século, cientistas maravilhenses desenvolveram fontes eólicas, solares e de biomassa, visando a consumidores de pequena e média envergadura. Portanto, não existem linhas de transmissão a atravessar o território da Maravilha.

Inversamente, a segurança pública possui uma solução antiquada, creio eu. Como a principal fonte de receita do país é o turista estrangeiro, que possui “costumes estrangeiros”, é o exército quem faz a segurança, pois lá não existem polícias. E ele mantém a tradição medieval da pena de morte para tudo o que a assembleia nacional considerar “crime contra a pátria“.

Não vou entrar no mérito dessa questão, mas há um benefício econômico para a nação: não existem penitenciárias, prisões, celas ou qualquer gênero de “armazém de criminosos”. Além disso, para desmotivar eventuais “intrusos”, todas as famílias do país possuem armas de fogo em casa. Entretanto, a taxa de criminalidade no país é zero e o tempo de vida útil do maravilhense é de 95 anos.

Concluo que essa foi a forma democrática e liberal que o povo do País das Maravilhas escolheu para viver, desde 1515. Suas comunidades são saudáveis, cultas, humildes e muito sociáveis. São capazes de criar soluções, simples ou complexas, que aumentem a produtividade de sua economia, bem como a qualidade de suas vidas. Dessa forma, deixo questões que não consigo responder:

─ “Por qual motivo os países associados às Nações Unidas não adotam essa forma digna de viver”? “Por que preferem se destruir e se corromper com extrema naturalidade“?

Reflorestar já!


Parece não haver outra forma de fazer, infelizmente. Mas certas decisões nacionais precisam ser radicais e intolerantes com aqueles que delas se desviarem, sem o quê, ‘fazem água’ e, no máximo, obtém resultados pífios.

Mas debaixo dessa perigosa premissa, tranquilizem-se: estão somente as decisões que visam a garantir a integridade do Patrimônio Ambiental Brasileiro, sem dúvida ainda um dos mais importantes do planeta. No entanto, o cenário atual desse patrimônio é grave e apresenta processos desastrosos, cujos efeitos negativos se multiplicam diária e regionalmente.

Sem dúvida, compreende-se que o ‘novo governo herdará’ (de si mesmo) severas crises de difícil solução – econômica, política, moral e corruptiva parecem ser as prioritárias. Contudo, a ver por outro ângulo, pergunta-se: aonde pretende chegar com sua permanente omissão frente a incêndios e desmatamentos criminosos, realizados em todos os biomas brasileiros? Deseja aguardar, complacente, que o território nacional transforme-se num gigantesco Saara, totalmente estéril?

Deserto do Saara, por Luca Galuzzi, 2007

Deserto do Saara, por Luca Galuzzi, 2007

É nítido que qualquer cidadão medianamente observador encontra neste cenário a semente de mais uma poderosa crise, com consequências temporais e regionais imprevisíveis, que podem acarretar despesas evitáveis, porém estimadas em dezenas de bilhões de reais para conter e sanar verdadeiros desastres ambientais.

As fortes oscilações do clima, o calor e a secura que se instala em grandes áreas do país, afetando a geração de energia e o abastecimento d’água, são apenas os primeiros indícios de uma forte desertificação que advirá caso a Crise Ambiental não seja tratada da forma devida, como evento prioritário da Governança do Ambiente no país.

Sumário da Crise Ambiental

As regiões que foram recobertas pelos biomas Cerrado e Caatinga (cerca de 25% do território nacional) já possuíam essa tendência primitiva, como espelho do clima nelas ocorrente. A ser assim, haveriam de ser geridas com cuidados especiais, ambientais e agronômicos. Mas pouco foi feito. O fato é que estão a ser apagadas do mapa orgânico nacional, com seu uso e ocupação realizado por atividades destrutivas, que não possuem a visão do bioma como um todo, apenas do pequeno naco de terra de cada propriedade.

Brasil, o celeiro do planeta!’, é uma das exclamações mais clamorosas que ainda se escuta. Com essa visão, dotada de ‘burrice latifundiária’, o setor agropecuário brasileiro tornou-se ‘satélite do estômago’ das nações compradoras. Além disso, não possui meios para garantir bons preços de suas commodities no mercado internacional.

Ademais, o solo sofre os efeitos adversos das práticas da monocultura intensiva e necessita ações periódicas de manejo para ‘ser renutrido e descansar’. Dessa forma, a questão que se impõe é saber “como repor a capacidade produtiva do solona elevada velocidadeda demanda por produtos agrícolas que pretende atender”.

Apesar de leigos nessa matéria, acredita-se ser muito difícil obter uma solução por meio de práticas agronômicas conhecidas. Ainda assim, caso seja descoberta, será somente por um tempo limitado. O Solofalecenas mãos cobiçosas do Homem e, junto com ele, também os aquíferos e a vegetação.

Porém, ao contrário, é com extremo vagar que instituições públicas às vezes respondem aos alarmes de ‘incêndios acidentais’ e desflorestamentos ilegais nos biomas Amazônia e Mata Atlântica. Com isso, ambos já sofreram perdas irreparáveis nas matas originais: a Amazônia já perdeu cerca de 40% de sua floresta nativa, e a Mata Atlântica, no entorno de 93%.

É absurdo trocar Matas Nativas por loteamentos, condomínios, pastagens, criação de gado e culturas agrícolas! Há outros meios disponíveis sem necessidade de se tocar nas matas.

No passado, quando alguns poucos cidadãos se rebelavam contra este ato incompreensível e injustificável, críticos mais arrogantes desprezavam a realidade e aplicavam-lhes o jargão de ‘eco-chato’ ou, com nítido menosprezo, de ‘ambientalista’. Queriam silencia-los.

Entretanto, nas três últimas décadas, começou a ficar evidente a tendência preocupante dos rumos do dito Patrimônio Ambiental Brasileiro. Nas bordas limites de seus grandes biomas, forças externas da ocupação humana crescente, sem qualquer critério de controle, causam ‘corrosões’ acentuadas nas manchas da vegetação. É o chamado efeito de borda. Esse fenômeno reduziu de forma gradativa a área total dos biomas, enfraquecendo sua estabilidade espontânea e tornando-os mais vulneráveis a outras ações.

Aos poucos, sobrevieram ondas de calor em regiões e áreas do país, sobretudo decorrentes da derrubada de matas e savanas, que se conjugam com a constante dinâmica da ação solar. Assim, graves efeitos foram promovidos sobre o ambiente, impactando seu clima, seus recursos hídricos, os solos, a flora, a fauna e, por fim, a própria sociedade [1].

Uma ótica de abordagem

Para o caso brasileiro, lógico que sem menosprezar a ciência, segue uma visão mais imediata e pragmática. Até por que reservatórios de usinas hidroelétricas do país já estão a secar, assim como as nascentes de vários mananciais, com os conhecidos efeitos nas condições de fornecimento de energia e de abastecimento d’água para inúmeras cidades.

Diante da realidade brasileira, duramente afetada pela Crise Ambiental, que cresce e evolui em silêncio, é premente a implantação de um Plano Nacional de Ações para EmergênciasPNAE. Dotado de metas de curto, médio e longo prazos, bem como de critérios claros para avaliar os resultados alcançados, terá na sociedade civil organizada uma efetiva rede de fiscalização e controle.

Dispondo de equipe selecionada, composta por acadêmicos e especialistas, é viável elaborar e implantar o PNAE em até doze meses. Porém, para que realize os resultados esperados, sugere-se que algumas diretrizes sejam seguidas:

  • O PNAE não possuirá qualquer vínculo ideológico ou político, nem constituirá uma iniciativa de governo. Precisa ser proposto pela sociedade civil.
  • Por enquanto, o PNAE constituirá um conjunto integrado de ações e projetos que represente o desejo da parcela da população brasileira que se encontra melhor informada.
  • No entanto, projetos de Educação Ambiental serão implantados junto a comunidades que necessitam de melhores informações sobre práticas e benefícios de ‘conservar seu ambiente’. Dessa forma, ganham a participação no controle do PNAE.
  • Projetos de Educação Ambiental serão prioritários para as comunidades que vivem nas bordas dos grandes biomas.
  • Desmatamento Zero’ em todo o território nacional começará a vigorar junto com o início da elaboração do PNAE.
  • Todas as metas do PNAE serão formuladas a partir da visão global do Patrimônio Ambiental Brasileiro que pretende reconstruir e garantir sua conservação. O PNAE não enxergará propriedades, mas os biomas em que estiverem inseridas.
  • O PNAE estabelecerá que ‘incêndios criminosos e desmatamentos ilegais’ serão promovidos a crimes hediondos.
  • A prática chamada ‘Reflorestar Já!’ deverá ser seguida e implantada em todo o território nacional, compreendendo desde casas, ruas, praças, áreas urbanas, áreas militares, até sítios, fazendas, indústrias, matas e savanas degradadas.

Cabe ao poder executivo apenas endossar o PNAE e, quando requerido, alocar recursos para garantir seu sucesso. Isso é a Governança do Ambiente, ou seja, o presto atendimento aos interesses legítimos dos cidadãos.

Somente através desta prática de gestão pública torna-se possível produzir, crescer, distribuir renda para os trabalhadores, assim como, simultaneamente, manter a sustentabilidade dos biomas brasileiros.

Plantação de cacau dentro da Mata Atlântica

Plantação de cacau dentro da Mata Atlântica

[1] Aqui não se discute o mérito do efeito estufa ‘causado por atividades humanas’: efeito estufa antropogênico. Há diversas teses disponíveis, todas elas não demonstradas, mas que o explicam ao ‘gosto de cada cientista, político e artista cinematográfico’.

Professores através dos tempos


Pela essência do 15 de Outubro, Dia do Mestre.

São inesquecíveis todos aqueles que contribuem para a formação dos primeiros traços culturais na cabeça de uma criança. Parece-me normal que os “primeiros professores” sejam parte de sua família. São mais eficientes pelos exemplos que dão à criança, do que através de conversas e conselhos. É assim que vejo “brotar uma nova personalidade”.

Porém, há crianças que não possuíram pais. Ou ficaram órfãos ao nascer ou seus pais foram “incipientes no professorado”. Este foi o meu caso, com pais principiantes pela idade e total inexperiência em educação.

Contudo, faço-lhes homenagem nesta data. Se pelo lado materno recebi a sobrecarga do “amor egoísta”, que tanto me sufocava, do lado paterno conheci os efeitos dolorosos de um gratuito chicote a bater-me nas pernas. Sentia-me encurralado e não tinha para onde fugir. Mas, exatamente por isso, agradeço-lhes, pois foi assim que obtive o direito inconsciente de escolher, dentre as pessoas da família, quais seriam os melhores “primeiros professores”.

Hoje, analisando o ocorrido em minha infância, posso explicar meu interesse prematuro pelo aprendizado. Queria ler todos os jornais que pegava, mas permanecia analfabeto. Os adultos debatiam sobre o que liam, não raro brandindo um jornal nas mãos, e eu não podia participar. Com eles, percebi a importância de pitadas da crítica.

Foi assim que, em meados de 1952, aos 4 anos de idade, já sabia ler, escrever e fazer as quatro operações. Devo essa primeira “conquista do saber” aos exageros de minha mãe, pois durante seus ensinamentos, sem que eu tivesse consciência, estava a viver o processo da libertação. Aprender nunca me sufocou. Até por que, não queria ter um “crânio com cérebro baldio dentro”.

Desde o primário até a faculdade tive a sorte de ter bons professores. Cursei primário e ginásio em um pequeno colégio do bairro em que morava. Foi lá, durante o curso Primário, que minha personalidade começou a criar as primeiras raízes mais profundas, as boas e as más.

Nos cursos de Admissão e Ginásio, devo salientar os professores Wellington (Português), Aluízio (Geografia) e a inesquecível Dona Adélia, que ensinava História, a idolatrar os impérios Maia e Asteca. Dedicavam-se aos alunos de modo a vincar seus aprendizados com overdoses de moral e ética. A bula da época não descrevia dores ou qualquer efeito colateral nocivo para a moral e a ética, sobretudo quando aplicadas definitivamente na veia jugular.

Encerrei os estudos no bairro nessa oportunidade, pois no colégio não havia o Científico. Teve início, assim, uma pequena discussão em casa. Meu pai dizia que não tinha como pagar um colégio particular. Pelo lado oposto, minha mãe queria que eu cursasse o Científico no Liceu Franco-Brasileiro. Não vou entrar em detalhes, mas o chicote já fora vendido.

Como fruto das escolhas que fizera na primeira infância, um de meus “primeiros professores” pagou o curso no Franco-Brasileiro. Sofri um bom impacto diante desse fato:

  • Ter que sair diariamente do bairro, onde fora criado e a todos conhecia, e seguir de ônibus para Laranjeiras, a descobrir desconhecidos.

Porém, melhor que tudo, foi montar uma nova prateleira em meu quarto, com livros de Física, Química e Cálculo Matemático. Aos 14 anos senti a sede de obter conhecimentos e conhecer professores para o curso Científico. Pela lógica, imaginava que fossem cientistas.

As instalações do liceu eram superiores em tudo às do colégio do bairro. Mas a diretora era uma pessoa estranha, Dona Eliane “dos dentes verdes”. Os alunos mais velhos, que talvez tenham cursado o liceu desde o primário, chamavam-na pelas costas de “Lili”.

Apenas para mim é que tinha dentes verdes, além de ser autoritária. Por suas grosserias e gritos com alunos de todas as turmas, “Lili” não passava a imagem de 1ª Dama do Liceu. Em verdade, fazia do Liceu um forte com disciplina militar. Contudo, preciso salientar que, de forma quase paradoxal, tratava-se de uma qualificada humanista. Com ela aprendi a ter paciência, foco e disciplina.

Os professores do Franco de meu tempo tinham competência na educação. Um deles, que me cabe ressaltar, Professor Henrique de Paula Bahiana, foi realmente um cientista na área da Química. Na década de 1940, esteve a trabalho em diversos países europeus, convidado por governos para solucionar problemas de saneamento básico e aplicar cursos técnicos. Tive a honra de ter sido seu aluno, durante dois anos do curso Científico, em química inorgânica e orgânica.

Em 1967, com vistas a me qualificar para as provas do pré-vestibular, pesquisei bastante para saber em qual curso deveria matricular-me. Não foi difícil concluir que o Curso Bahiense era cotado como o de melhor desempenho, naquela oportunidade. Meu “primeiro professor” fez a matrícula e depositou o valor mensal do curso.

Recebi aulas dos melhores professores do curso. Os mestres titulares das cadeiras cumpriam um cronograma diário incrível, inclusive com testes nas manhãs de sábado. Porém, como as unidades do Bahiense eram dispersas em regiões e bairros do Rio, com sol ou chuva, eles rodavam diariamente pelas ruas mais do que taxistas, com trabalho repetitivo, dividido em dois turnos.

De início não consegui explicar a mim mesmo o porquê da assiduidade com que davam aulas. Mais ainda, a tranquilidade e elegância com que o faziam. Mas certo dia descobri, na pequena secretaria da unidade em que estudava, que eram os próprios professores que faziam seus planos de aula. Eles não eram impostos ou impositivos, mas sócios em uma única missão a que amavam: educar com qualidade seus alunos. Devo dizer que nunca em minha vida estudantil recebi um volume de conhecimentos similar ao do Curso Bahiense.

Apresento alguns professores do Bahiense daquela época, que acredito terem-me sido essenciais: Henrique de Saules (Trigonometria, Logaritmo e Análise Matemática), Otávio Guimarães Gitirana (Álgebra, Análise Combinatória e Cálculo diferencial), Ubirajara Pinheiro Borges (Geometria), Edgard Cabral de Menezes (Química orgânica e inorgânica), Antenor Romagnolo (Física Newtoniana, Ótica, Calor e Acústica), o próprio Norbertino Bahiense Filho, com suas surpresas da Geometria Descritiva, José Carlos Bazarella (Perspectiva Isométrica e Cavaleira) e Haroldo Manta (Desenho Geométrico). Todos são inesquecíveis em termos da razão e da lógica que diariamente me transmitiram, durante quase um ano. A boa educação é impagável!

Questões pessoais impediram-me de dar sequência imediata no curso universitário. Em síntese, precisava trabalhar para pagar contas e realizar minha liberdade. Assim, somente em 1969 ingressei num curso de Administração Pública.

Aula em anfiteatro de universidade

Aula em anfiteatro de universidade

Realmente, com poucas exceções, a pressão de estudar foi bastante reduzida, se comparada à do pré-vestibular. Talvez por que a ótica universitária fosse distinta, não sei. Mas, pelo menos para mim, isso tornou-se um problema. Estava acostumado com a pressão do Curso Bahiense e na faculdade quase não havia igual demanda.

Outro aspecto que me chamou atenção foi-me apresentado pelas Ciências Sociais, que nunca estudara. Recebi aulas de Metodologia de Pesquisas, Ciência Política e Sociologia. Os professores destas cadeiras tinham qualidades essenciais que desconhecia até então. Confesso que esqueci da engenharia a que me propusera cursar. E mais, praticamente abandonei as demais matérias da faculdade. Exceção feita à cadeira de Administração, função da qualidade do mestre que a lecionava, Professor Paulo Reis Vieira.

Dessa forma, destaco a competência e os ensinamentos que recebi de Simon Schwartzman, com quem estagiei na qualidade de seu assistente. Simon foi meu Mestre em Metodologia de Pesquisas. Com ele, mais que tudo, creio haver aprendido a pensar.

Na faculdade destaco, da mesma forma, os professores e amigos Maul e Fred, a lecionar Estatística, Álgebra Linear e Pesquisa Operacional. Com esses dois pude aprender que errar não é aconselhável.

Ainda assim, faltam importantes menções a professores através dos tempos. Desejava publicar esta crônica ontem, no Dia do Mestre. Mas perdi tempo a escarafunchar a memória, pesquisar documentos, para conclui-la somente hoje. De toda feita, esta é minha homenagem a meus professores.

Ricardo Kohn, Escritor.

Nova erupção do Tavurvur


Situado na localidade de Kokopo, Papua-Nova Guiné, o Monte Tavurvur entrou novamente em erupção na sexta-feira, 29 de agosto. Porém, foi em 1994 que ocorreu seu mais potente evento vulcânico, chegando a devastar a cidade de Rabaul, na Ilha de Nova Bretanha.

Monte Tavurvur entra de novo em erupção

Monte Tavurvur entra de novo em erupção

Papua-Nova Guiné situa-se na Oceania, no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, em decorrência de seus vários vulcões ativos e extintos. Por possuir um território pequeno (452.860 km² de área terrestre) e ser formada por ilhas e arquipélagos, com relevo raso, onde predominam planícies costeiras, é bem vulnerável a terremotos, vulcanismos e tsunamis. Por sinal, são eventos ambientais geologicamente próprios daquela região.

No caso da erupção recente do Monte Tavurvur, há o vídeo feito por um turista norte-americano, que captou o momento exato da eclosão do Monte. Aliás, ele avisa aos presentes no barco de onde filmava que os ruídos do vulcão os atingirá com elevada intensidade.

Sete dias antes desta erupção (23 de agosto), o Bardarbunga, maior e mais perigoso vulcão da Islândia, teve uma erupção sob a camada de gelo (subglacial), após a ocorrência de vários sismos de média intensidade.

A Islândia possui um dos melhores sistemas de pronta-resposta a eventos desta natureza. Visam a salvar pessoas, animais domésticos e gado que habitam nas imediações das caldeiras de lava. No caso do Bardarbunga havia o risco do degelo acelerado de glaciares e o consequente derrame de elevado volume de água drenada nas suas encostas. Pode provocar fortes inundações e até mesmo tsunamis. Nesses caso é comum a destruição de estradas e pontes, que deixam as comunidades sem acesso aos víveres básicos.

Imagem do Bardarbunga em erupção

Imagem do Bardarbunga em erupção

De toda maneira, dentro do possível, desejamos melhor sorte a papuanos e islandeses. Isso não é um consolo, mas caso dependessem de planos de resposta formulados por autoridades brasileiras (políticas) já seriam povos extintos.

Tiroteio na escuridão


Visando a esclarecer eleitores brasileiros, o primeiro debate televisionado dos candidatos à presidência da República em 2014 foi assustador, além de inconclusivo para a maioria dos que assistiram ao que terminou em um embate. Enfim, foi muito pouco esclarecedor, mesmo com a excelente mediação de Ricardo Boechat.

Debate 2014

Ao analisar as atitudes dos três candidatos que possuem chance de se elegerem – em ordem alfabética, Aécio, Dilma e Marina –, fica evidente que não convergem em posturas e soluções. Muito embora, todos aparentem que desejam “a paz social e o desenvolvimento do país”.

A candidata Dilma, em sua usual atitude patética, não respondeu a qualquer das questões que lhe foram formuladas. Foi evasiva todo o tempo e propagandeou as patranhas de seu governo, manipulada pelos “condões mágicos de seu criador”. Não é necessário falar mais a seu respeito, dado que se conhece os resultados de seu desgoverno, os inúmeros escândalos de corrupção ocorridos na Petrobrás (quando era Presidente do Conselho) e o esgarçamento do setor elétrico do país. Sobre esta candidata pesa ainda a má gestão da macroeconomia, a fuga apavorada de investidores produtivos e a falência de segmentos do setor industrial. Recebeu zero! Nota zero!

A candidata Marina, segunda colocada nas pesquisas de intenção de voto (segundo o Ibope), decidiu por si só que é a terceira via, a grande aglutinadora de todos os partidos políticos. Diz que vai governar o país com todos os inimigos partidários se digladiando.

Todavia, não foi capaz de explanar quais serão seus focos de governo, sobretudo em termos de política econômica, industrial, da saúde com “médicos cubanos”, o que vai fazer com a corpulência do Estado petista, seus 40 ministérios e o aparelhamento das instituições. Apenas quis mostrar ser a única alternativa para o eleitor brasileiro que anseia por mudanças. Mas como as fará, diacho?!

Esqueceu-se que seu passado político demonstra coisas estranhas e sem conclusão. Quando foi PT, a Ministra da “Metade do Ambiente” já dava ares de “sacerdotisa de palanque”. Nada fez de relevante em termos da política ambiental brasileira e, de certa forma, foi expulsa do cargo por Dilma.

Porém, logo ingressou no PV, na qualidade de mera hospedeira política. Decidiu levantar bandeiras contra o agronegócio e as grandes fazendas produtivas, mas não deu certo. Na sequência, com bandeiras arriadas no chão, tentou criar seu próprio partido, a “Rede de Zumbis Ambientais”. Como não obteve êxito, desistiu de conquistar o poder público máximo da República por essa via.

Assim, a política hospedeira, vetor da endemia da desagregação, decidiu se juntar ao PSB, como vice na chapa de Eduardo Campos. E o que fez? Dificultou grande parte dos apoios políticos que Eduardo precisava e conseguira nos estados. Afinal, ela não poderia subir em palanques com representantes da “Velha política”, pois perderia sua nobreza espiritual. Munida com seu dicionário de jargões indecifráveis, após o recente falecimento do candidato, criou em sua cabeça esotérica o que chamou de “Nova política”.

Mas o que isso significa?! Talvez algo próximo de seus “termos filosóficos”, onde “sonháticos”, “agenda plasmante” e “centralidade da necessidade” são parte de seu mantra acreano. Enfim, trata-se de uma pessoa autoritária que se autoconsidera messiânica e impõe, através de uma “ditadura silenciosa”, ser idolatrada como salvadora por seu bando de “sonháticos”. Recebeu zero! Nota zero!

O candidato Aécio foi o mais pertinente em sua atuação, compreendendo as óbvias finalidades de sua presença no debate. Respondeu relativamente bem as questões que lhe foram feitas, apesar de ter seu partido escoiceado pelas duas candidatas, em situações nas quais sequer esteve presente ou delas participou com decisões. De forma singular, respondeu com ironia às agressões que lhe fizeram.

Porém, também não há muito mais o que falar sobre Aécio. Basta rever o nível da governança pública que realizou em dois mandatos sucessivos no governo de Minas Gerais. Os resultados dos benefícios implantados para educação, segurança e saúde são notórios. O mesmo para a melhoria da infraestrutura rodoviária do estado, dentre outras ações de governo que merecem análise. Sendo assim, na medida do pouco que foi esclarecido pelos candidatos presentes, que deram preferência ao duelo pela ignorância, recebeu 45! Nota 45!

Contribuição para o programa

Entrevistas com candidatos isolados são mais oportunas do que programas de debate político. Sobretudo, com as regras ultrapassadas que são consensuadas pelos candidatos. Criam processos antigos, que dificultam ao eleitor obter boas informações e votar com mais consciência.

Dir-se-ia, esses debates induzem a seleção do voto pela emoção do instante. Talvez a maioria dos eleitores não pense que vai eleger um Estadista para um mandato, alguém que foi formado para sê-lo. Estadistas não caem do céu, não são vendidos em bancas de jornal, nem emergem das selvas com “boas intenções de donzela”. Escolhas emocionais são tiroteios na escuridão, podem arrasar uma nação.

Então, visando a melhorar os resultados dos debates políticos, propõe-se quatro medidas que mudam o modelo desses programas:

  • Cada candidato grava uma entrevista individual, com duração no mínimo ½ hora. Os jornalistas políticos do canal fazem as perguntas.
  • Para essa entrevista, cada candidato deve estar acompanhado de sua equipe de assessores. Afinal, somente ditadores soberanos e dementes comandam uma nação sozinhos, no máximo com auxílio de bandos de vassalos.
  • A gravação de todas as entrevistas deve ser feita simultaneamente, para que nenhum candidato copie o programa de governo dos demais.
  • Por fim, realizar ao vivo o programa de debates, após cada conjunto de entrevistas gravadas, que servem como prova documental das propostas completas de governo.

O ato de escrever e as dúvidas correlatas


Ricardo Kohn

Ricardo Kohn

Várias são as dúvidas que atormentam a cabeça de um escritor antes e durante a redação de um texto. Mas poucos são os leitores que sabem disso. A maioria apenas exige clareza, boa argumentação e significado relevante após sua leitura. De outro modo, o resultado final do artigo precisa ser capaz de gravar a fogo um “xis” no cérebro do leitor, do contrário ele segue reto para o lixo do esquecimento.

No entanto, para o escritor, a oferta espontânea de textos constitui uma ação voluntária de compartilhar ideias, de oferecer opiniões, de trocar conhecimentos com seus leitores. Enfim, é um ato de esperança, que quase implora para conversar com pessoas interessadas.

A primeira dúvida é a escolha do tema do texto. Por exemplo, para a maioria dos escritores o tema é fundado em fatos diários, onde textos críticos ou “de apoio” têm maior representação no espaço cultural. Neles, “o nome dos bois” precisa ser dado, pois do contrário não causam o impacto desejado. Graças a isso, são os textos que informam ao público mais atento e assim fortalecem a democracia em países civilizados.

Outra dúvida refere-se à natureza do texto a ser redigido. Pode ser uma simples notícia, um editorial, uma opinião e segue a plêiade de gêneros literários: crônica, sátira, ensaio, conto, etc. Mas diria que esta dúvida pode ser resolvida com facilidade. Basta que qualquer gênero seja tratado simplesmente por artigo.  Afinal, a preocupação com a escolha da forma não é relevante para o leitor em geral. Contudo, devo salientar, costumo “classificar” os textos que redijo segundo o gênero que considero pertinente. Mas sem preciosismos. Trata-se de um hábito que mantenho desde que iniciei a redigir.

Entretanto, a maior preocupação do escritor consiste em “como escrever” acerca do tema escolhido e, além disso, conseguir manter o texto amarrado ao seu foco principal. Sempre ocorrem em escritores impulsos de criar subtemas e saírem do foco. Mas é possível contornar esse desvio. Uma boa prática é o uso da nota de rodapé.

Da preocupação em “como escrever” surgem muitas dúvidas, consideradas bastante normais: gramaticais, sintáticas, a escolha de verbetes para cada situação e a conexão interna do texto, ou seja, sua estrutura consistente, mostrada pela sequência adequada dos parágrafos e a conversa lógica entre suas frases, que sempre deve ser clara e informativa [1].

No entanto, se o texto for surpreendente, ainda melhor! Por isso, tento encerrar a maioria de meus artigos com algo dentro do foco, mas que provoque à imaginação do leitor. De maneira sincera, gostaria, através de meus textos, de ser capaz de fazê-lo levantar da cadeira ao fim da leitura, com uma boa interrogação na mente e disposto a refletir mais sobre o tema que abordei.

Escrever para um website ou blog não é diferente, pois as dúvidas do escritor são as mesmas e o processo requer mais alguns cuidados. Por exemplo, para documentar um artigo é razoável que se tenha fotografias adequadas para ilustrar o texto. De certa forma, isso atrai mais leitores. Mas às vezes não há imagens que atendam ao texto. Assim, tenho duas coisas a dizer que julgo importantes, pela razoável experiência adquirida na literatura:

  • Quando não se tiver uma foto consistente com o teor do artigo, usa-se uma imagem que traga leveza visual, com ou sem legenda; e
  • Quanto à nota de rodapé que usei, para não perder o foco deste artigo, não tive a intenção de doutrinar ou “evangelizar” ninguém. Apenas a de completar explicações e motivar a reflexão de pessoas interessadas no assunto.

Vista da Serra da Mantiqueira

[1] Não há dúvida que há políticos brasileiros dos últimos 12 anos que cometem atrocidades com a língua portuguesa, nada “claras e informativas”. Erros de gramática e sintaxe são assustadores. Conexão entre parágrafos e frases não existem quando mentem de improviso. Porém, acima de tudo, não devem ser esquecidos os “verbetes curiosos” que são proferidos, sem qualquer sentido para pessoas com inteligência mediana.

Gostaria de saber o significado exato de expressões como “centralidade da necessidade”, “consenso progressivo”, “esforço transversal”, “sonháticos” e “agenda plasmante”. Parece palavrório ordinário de “filósofo evangélico da Universal”. Aposto que trazem o risco de serem mais outro embuste para encurralar a sociedade brasileira, já acuada.

Lino Matheus e a Mantiqueira


A união de trabalho e perseverança há mais de 40 anos.

Fizemos uma visita de campo à fazenda Boa Vista durante três dias[1]. Ela possui cerca de 95 hectares e está situada no município de Bocaina de Minas. Encontra-se presente nos 729.138 hectares onde emergiu do solo a Serra da Mantiqueira. Ou seja, a serra brasileira que nasceu há cerca de 2,5 bilhões a 3,85 bilhões de anos, na era Arqueana.

Apesar de a Boa Vista possuir pequena expressão geográfica, sobretudo quando comparada ao mosaico de toda a Serra – ocupa apenas 0,013% da área da Serra –, a representa com extrema fidelidade. Diríamos mesmo, com extrema felicidade, graças à gestão adequada do ambiente fazendário que seu proprietário, o senhor Lino Matheus de Sá Pereira, já pratica há décadas naquelas paragens.

Uma vista panorâmica da Serra da Mantiqueira

Uma vista panorâmica da Serra da Mantiqueira

Dados básicos da Serra da Mantiqueira

A Serra encontra-se nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro e atravessa 39 de seus municípios, sendo 24 de Minas, 13 de São Paulo e 2 municípios do Rio de Janeiro. Possui diversos ecossistemas sensíveis, espargidos em relevo fortemente declivoso, que varia desde 700 metros até seu ponto culminante, a Pedra da Mina, situada na divisa de Minas Gerais e São Paulo, com 2.792 metros de altitude.

Por iniciativa de proprietários de fazendas, em contagem não atualizada e crescente, a Serra possuía, na entrada deste século, 18 Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPN. A fazenda Boa Vista é uma delas, declarada por órgãos oficiais como Refúgio da Vida Silvestre, dada a riqueza de sua vegetação, sua fauna abundante e diversificada, espécies endêmicas, as numerosas nascentes e cursos d’água, todos muito bem conservados. Aliás, muitos deles mantidos por Lino em seu estado primitivo.

Sobre a riqueza da vegetação da Mantiqueira ressaltamos alguns dados disponíveis:

  • Constitui a maior mancha contínua de Mata Atlântica remanescente no sudeste do Brasil;
  • Detém uma expressiva área ambiental protegida – a APA da Serra da Mantiqueira, com seus 434.108 hectares, ou seja, um terreno com cerca de 58% de toda a Serra. Não se trata de um brinquedo e há que ser muito bem gerido;
  • Dessa forma, precisa ser a ferramenta pública, à disposição da sociedade civil, visando a garantir a estabilidade das fitofisionomias da Mata Atlântica predominantes na Serra: (i) Floresta ombrófila densa; (ii) Floresta ombrófila aberta; (iii) Floresta ombrófila mista – “Mata de araucárias”; (iv) Floresta estacional semidecidual; e (v) Campos de altitude.

Ressaltamos que a APA foi resultado de antigas ações sistemáticas pela conservação da natureza, realizadas por um grupo de amigos de vários locais da Mantiqueira. Esse grupo tinha como líder, novamente o senhor Lino Matheus, então na casa dos 30 e poucos anos. Mas foi somente em 1985 que o governo central, a dizer “que atendia aos interesses da comunidade”, promulgou o Decreto Federal 91.304, para criar a área de proteção. Enfim!

Em 3 de junho de 2005, o então Superintendente do Ibama, Roberto Messias Franco, fez pessoalmente uma homenagem a Lino Matheus pelos 20 anos da criação da APA da Serra da Mantiqueira.

Lino Matheus em sua biblioteca na fazenda

Lino Matheus em sua biblioteca na fazenda

A Mantiqueira, que na língua dos indígenas pioneiros significava algo como “rochas que choram”, constitui um dos mais complexos sistemas orográficos e hidrológicos brasileiros. Suas águas, vertidas pelos ecossistemas, abastecem inúmeras cidades dos três estados mais desenvolvidos do país. As suas próprias capitais (São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro) dependem das nascentes da Mantiqueira para serem abastecidas, em todos os setores sociais, produtivos e comerciais.

Em suma, é importante observar, não como um dado sobre a Serra da Mantiqueira, mas como sua nítida obviedade: a hidrologia prolífica que até hoje lá existe só permanecerá a transbordar enquanto as matas que acolhem suas nascentes forem preservadas.

Caso contrário, a Mantiqueira se tornará estéril, capaz de esterilizar a economia brasileira. Isso é um fato, um dado sensível para o problema de manter a Serra Viva e continuar alimentando a economia do sudeste, a mais forte do país.

Para conceber uma nova era

Foi através de uma conversa telefônica com Ítalo Meneghetti, por acaso, que descobrimos como andava Lino Matheus e o que estava motivado a realizar na fazenda Boa Vista e vizinhanças. Assim , três dias após nossa conversa, chegamos à fazenda para conversar com Lino sobre seu novo projeto: a criação da Fundação Mantiqueira. Talvez seja o projeto mais complexo e importante idealizado por ele. De toda forma, interessamo-nos pelo convite em participar desse esforço.

Lino deseja ser o instituidor da Fundação e, para tanto, está disposto a doar uma área de sua fazenda para dotar a Fundação do patrimônio legalmente necessário. Da mesma forma, definiu sua finalidade, e objetivos que considera serem estratégicos, de forma a que seu desempenho na região seja compatível com a cultura lá existente.

Ao fundo, a futura sede da Fundação Mantiqueira

Ao fundo, a futura sede da Fundação Mantiqueira

Nossa equipe inicial, formada por Ítalo, Kohn, Hernán e Marcus, com base em um pacote de informações sobre a Fundação cedido por Lino, propôs realizar as seguintes atividades iniciais, básicas para instalar a Fundação:

  • Elaborar a descrição detalhada do projeto da Fundação, com suas finalidades e os setores em que deverá atuar – educação, capacitação de pessoas, desenvolvimento de projetos ambientais, implantação desses projetos, etc.
  • Elaborar um modelo de projetos para a Fundação, enfatizando a educação, o treinamento e serviços realizados para terceiros, através de convênios assinados com instituições privadas e públicas.
  • Realizar a análise SWOT da Fundação, ou seja, analisar seus pontos fortes e fracos, bem como as oportunidades e ameaças potenciais, provindas do ambiente externo à Fundação.
  • Estimar três cenários futuros alternativos para a Fundação Mantiqueira, considerando as visões pessimista, conservadora e otimista.
  • Elaborar o fluxo de caixa estimado da Fundação, até atingir seu ponto de equilíbrio, e prever, ano a ano, o aporte de capital necessário.
  • Selecionar instituições que podem oferecer financiamento a fundo perdido ou doações para a Fundação.
  • Aprovar o Estatuto consolidado e instituir a Fundação Mantiqueira.

Acreditamos que todas as partes envolvidas nesse processo concordam com a extrema importância da Serra da Mantiqueira para suporte à economia brasileira. Em outras palavras, a Mantiqueira precisa, tanto quanto possível, permanecer intocada, de forma a que continue a irrigar os principais centros do desenvolvimento do país.

As águas da irrigação da Mantiqueira são volumosas e puras

As águas da irrigação da Mantiqueira são volumosas e puras

Resta-nos agora realizar as atividades iniciais, usando das melhores técnicas disponíveis e dominadas pela equipe. Afinal, a ciência e as técnicas dela derivadas devem ser a poesia que espelha a humanidade e grandeza de pessoas como Lino Matheus. Por isso mesmo, já estão sendo aplicadas com dedicação.

Ricardo Kohn, Consultor em Gestão

[1] A visita de campo foi realizada nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 2014.

Patacoada televisiva


Ricardo Kohn

A imprensa em geral deseja cumprir seu papel essencial de informar às pessoas. Assim tem sido desde sua origem remota, na Suméria e na Mesopotâmia, há cerca de 38 séculos. Não existia ainda o papel e as informações eram eventuais, desenhadas em tábuas de cera e argila.

Com essa mesma finalidade, a informação somente passou a ser oferecida periodicamente durante o Império Romano, através da Acta Diurna (em 59 a.C.), com notícias gravadas em tábuas de pedra, que eram afixadas no Fórum para informar ao público.

Muitos povos de diversas regiões contribuíram para a evolução da imprensa. Porém, destaco o criador da prensa móvel, Johannes Guttenberg, que em 1440 construiu um abecedário de caracteres avulsos. Os textos eram gravados em placas de madeira ou chumbo, podiam ser multiplicados e distribuídos às pessoas. Esse foi o prenúncio da imprensa atual.

A partir de Guttenberg, a evolução foi notável. Diversas ferramentas meios e foram utilizados para disseminar a informação de interesse público. Hoje têm-se impressoras operadas por terminais de computador, a fotocomposição que substituiu a linotipia e as tecnologias de telecomunicação, a auxiliar sobremaneira a imprensa contemporânea.

Os meios de divulgação, dessa forma, foram bastante ampliados: jornais, revistas, televisão, internet e computadores pessoais estão disponíveis para bilhões de pessoas no mundo. Bateladas de informação podem chegar a essa “clientela” em questão de segundos.

Entretanto, se no passado a preocupação era criar ferramentas adequadas para a imprensa, hoje a ênfase se dá na qualidade da informação que é distribuída pelos diversos meios disponíveis ao público. Assim, está criada a indústria mundial da imprensa, que requer uma complexa organização para produzir seus veículos e conteúdos com qualidade.

Não tenho conhecimento de como deva ser organizada essa indústria. Porém, na qualidade de “consumidor das informações”, posso e devo analisar seus resultados, sobretudo para não sofrer intoxicação com seu conteúdo.

No período eleitoral que o Brasil está vivendo (sofrendo), as redes de televisão promovem uma série de entrevistas com candidatos a cargos do executivo – governador e presidente. Insinuam que são importantes para que os candidatos sejam igualmente conhecidos pelo público. Tenho sérias dúvidas quanto a isso.

Os resultados a que tenho assistido, por sinal com muito interesse, são repórteres, jornalistas e “âncoras” espicaçando os entrevistados, a encurralá-los com questões secundárias, boatos e provocações sobre atos passados e esclarecidos. Martelam sobre as mesmas perguntas, inúmeras vezes já respondidas. Não se trata, pois, de uma entrevista, mas de uma inquisição.

Enfim, atuam como se fossem promotores públicos, agridem-nos pelo prazer de tentar que o público televisivo acredite que têm mais poder que os próprios candidatos. Vejo uma falta total de conteúdo. Uma bazófia descarada!

Raros são os jornalistas que vi questionarem um entrevistado sobre seu programa de governo. Mesmo assim, formulam perguntas que não têm como serem respondidas na etapa da candidatura:

─ “Caso o senhor seja eleito presidente, qual a principal medida que vai tomar para acabar com a inflação renitente?”

Ao receberem a resposta do candidato, prudentemente evasiva, dado que são tão-somente gestores potenciais de vários conhecedores dos graves impasses públicos da nação, mostram-se escandalizados. Mas retomam o ataque:

─ “O senhor está dizendo que vai conter a inflação ‘melhorando expectativas’?!”

Em minha opinião, trata-se de uma estúpida patacoada televisiva. E o pior, depõe contra a ética da própria emissora, da qual são meros empregados e não dirigentes.

Considero que “programas de entrevistas” a candidatos podem ser muito bons para informar aos eleitores. Entretanto, os que tenho assistido são fracos, parciais e tendenciosos. São “pegadinhas” que estimulam a fuga de votos (abstenção, voto em branco e anulação). Isso não é o que o povo brasileiro deseja e clama.

Para melhorar os resultados desses programas, adotaria três medidas básicas:

  • Devem ter sua duração ampliada, para no mínimo ½ hora;
  • Cada candidato deve trazer sua equipe técnica. Somente ditadores dão ordens para o superego;
  • As gravações devem ser feitas simultaneamente, para que nenhum candidato copie as propostas dos demais.

Por fim, creio que seria perfeito realizar uma mesa de debates entre os candidatos após cada programa.

Tempo: encerro esse texto aqui, pois acabo de receber a triste notícia do acidente aéreo sofrido pelo candidato Eduardo Campos, em Santos, SP. Uma perda insubstituível para sua família, e lamentável para o país e a política.

Os bons morrem ao acaso, mas vivem impunes os que merecem a desgraça”.

‘Mofo deu’ na política


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-Pescador

Simão-Pescador

Estava eu a completar a limpeza da biblioteca, quando de repente encontrei uma estante com livros embolorados. Foi a primeira vez na vida que isso me ocorreu. Até a madeira da estante e a parede estavam tomadas pela coisa acinzentada. Causou-me nojo.

Mas tenho um livro sobre Micologia – a ciência que estuda os bolores – e o alcancei para saber como limpar aquele tormento. Logo na introdução o autor deu-me a visão geral do troço, que resumo assim:

─ O bolor, também conhecido por mofo, é causado pelo acúmulo de certos tipos de fungo em alguma superfície. Segundo biólogos especializados na matéria, esse fungo tem o nome genérico de “fungo filamentoso”. É distinto dos cogumelos, pois tem formato de “esticadinhos”, se é que me entendem. Exato, de filamentos! Uma infinidade de pequeníssimos filamentos amontoados, a formar manchas vivas, agarradas em meus livros.

Porém, fiquei preocupado quando li que o fungo não é composto apenas por sua parte visível. Quando está aglomerado sobre uma superfície, sua colônia já está bem desenvolvida na parte de dentro. É lá que são produzidas as substâncias nocivas.

Mas li também, e já sabia, que certos fungos são produtores de substâncias que aumentam a qualidade de alimentos, não são tóxicos nem nocivos. Resta imaginar o que seria do delicioso queijo Rochefort, não fosse a prática da injeção de fungos Penicillium em sua massa cremosa? Decerto, seria um queijo d’água padrão, sem sabor, ou mesmo um veneno.

Contudo, como sempre calço luvas de cirurgia para preparar certos tipos de frutos do mar, fiz o mesmo para retirar os livros da estante. Procedi de acordo com as orientações do livro. Borrifei-os com uma solução de vinagre e os coloquei fora de casa, em ambiente seco e iluminado.

A desgraça de  meus livros embolorados

A desgraça de meus livros embolorados

As traições do bestunto

Em seguida, peguei uma vassoura e segui a varrer o piso da biblioteca. Encontrava-me absorto nessa tarefa de pouco talento, quando, como de hábito, pensei em meus netos brasileiros e no Brasil (país em que vivem), enquanto assistia a derrota final que lograva sobre o mofo.

Estou idoso, mas mesmo assim muitas sinapses se sucederam em meu cérebro, a levarem-me para a Praça dos Três Poderes. Conheço-a apenas pelos jornais. Mas visualizei coisas extraordinárias durante a varrição. Troços extras e ordinários. Parecia que sonhava acordado.

Senti como se visse nitidamente, com meus próprios olhos, o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto, Itamaraty e Ministérios recobertos por uma grossa camada de bolor cinza-esverdeado. Então, assustado, saí daquele “estado de transe”. De imediato parei de varrer para por no papel minhas ideias.

Precisava aplicar meus recentes conhecimentos em Micologia e salvar uma população inteira. Decerto havia fungos nocivos vagando por dentro daquelas instituições públicas. A colônia interna de fungos tóxicos já devia estar enorme. Mas minha visão era apenas da superfície. Não podia especular o que os fungos faziam, escondidos nas cavernas húmidas, a demolir as instituições.

No entanto, como uma espécie de contrapartida, pensei que também deviam existir alguns poucos “fungos do bem”. Assim, não tinha como fazer uma lavagem com vinagre forte nas casas públicas, pois decerto os destruiria. Então, o que fazer?

Após muito refletir, conclui que nada de eficiente tinha a fazer. O “mofo deu” nas instituições públicas do país e ponto final. Só podia rogar pela sorte do povo brasileiro. Cabe a ele acabar com o domínio destrutivo de fungos nocivos profissionais, todos instalados nos Três Poderes e nas empresas estatais.

De toda forma, a tentar contribuir com algo, criei uma bandeira política para a campanha de 2014:

─ Para salvar seu Brasil, vote em Penicillium para Presidente!

Jogo sujo e covarde


Ricardo Kohn

Ricardo Kohn

O pérfido ditador usa com relativa destreza a “demagogia de palanque”, até conseguir refletir-se no interior da sociedade como salvador da pátria; mas, na verdade, trata-se de um emérito populista. A partir desta falsa visão que tem de si próprio, passa a se considerar carismático e insuperável. E ainda mais, acredita-se autorizado pelo povo a comandar o Estado a seu bel prazer.

Em sua história republicana, o Brasil já conheceu esse desvario político, com a assunção de ditadores que sempre afirmaram estar a “atender às legitimas aspirações do povo brasileiro à paz política e social[1].

Essa era a exata postura de Getúlio Vargas, justificada por ele pela ameaça da “invasão comunista” no país. Por ter sido um emérito populista, precisava manter relações diretas com “seu povo”, sem que houvesse qualquer intermediação parlamentar. Com essa “ideia democrática” no bestunto, encerrou as atividades de todos os partidos políticos, lacrou o senado e a câmara federal, as câmaras estaduais e as assembleias municipais. Por sinal, nunca permitiu eleições durante os 8 anos de ditadura. Assim, tornou-se o caudilho absoluto do país, com apoio das Forças Armadas.

“Ideologia” populista

O populismo constitui uma curiosidade política desordenada, que tem representantes de toda ordem, quer dizer, da direita, do centro e da esquerda. A tendência à formação de blocos oligárquicos é grande. Em consequência, os níveis de corrupção costumam ser bastante elevados.

Isso é ainda mais facilitado por que governos populistas gostam de realizar políticas de estatização de atividades econômicas e de fazer com que o Estado interferira na economia de livre mercado. Normalmente, impõem restrições ao capital estrangeiro e censuram a liberdade de opinião. Em contrapartida, doam benefícios sociais para os mais miseráveis.

Dessa forma, populismo não constitui uma ideologia em si mesmo, mas apenas um “obsceno arranjo” usado por certos governantes para fincar pé no poder, tal como se fossem herdeiros medievais que se sucedem à frente de um Império.

Cenário arraigado de populismo

Desde 1985, o Brasil teve seis presidentes da República. Talvez por alguma razão ancestral da colonização portuguesa, apenas dois deles não foram demagogos ou populistas – Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Pelo contrário, tiveram a coragem para realizar as ações necessárias, visando a estabilizar a moeda brasileira e dar credibilidade internacional ao Brasil.

Os demais sempre foram rematados populistas e incompetentes. Mas merecem destaque o “honoris causa em qualquer coisa”, Luiz Inácio, e a “doutora” Dilma, que vêm cometendo diversas “trapalhadas” no governo, há 12 anos. Lembram as piores passagens da gestão pública de Getúlio Vargas, sempre protegido por asseclas da polícia política, a então tropa de elite da Polícia Especial. Mas ressalve-se, por questão de justiça, sem gerir atentados e torturas à distância, supõe-se; ou de cometer o suicídio, por enquanto.

No entanto, irmanados numa íntima parceria partidária e ainda esfomeados pelo poder, para o qual nunca haviam sido eleitos antes de 2002, promovem um jogo sujo e covarde neste ano de eleições gerais.

Com a dura doutrinação de seu insano criador, a “doutora” usa sem dó a máquina pública para realizar sua campanha política. Usa-a até mesmo para realizar “guerrilhas” (e isso ela conhece bem!) contra seus dois reais oponentes. Para isso, conta com “blogueiros contratados”, postagens de patranhas em redes sociais e hackers que retiram vídeos de opositores da internet. Enfim, fazem de tudo, sem dar a menor satisfação à sociedade que, afinal, paga caro por esta orgia eleitoreira.

O que assusta são os descaminhos inventados desde 2008, baseados na mágica do consumo pelo mercado interno. A troca do tripé econômico do Plano Real (câmbio flutuante, metas de inflação e metas fiscais), que garantiu a estabilidade ao país até 2007, pela dita “nova matriz econômica”, onde o crédito foi escancarado para estimular o consumo interno da “nova classe média”, foi mais uma insanidade do governo. Porém, ainda assim, anunciada pelo honoris causa como sua vitória insofismável.

Os resultados que começam a aparecer não são assustadores; na verdade, são apavorantes. Sem considerar a quase destruição das maiores estatais (Petrobras e Eletrobras), tem-se inflação no topo da meta (embora artificialmente contida), setor industrial em expressiva queda de produção, taxa SELIC elevadíssima, desemprego maquiado e, sobretudo, a partir de 2015, forte evasão de dólares do país por força da elevação dos juros básicos norte-americanos, já anunciada por seu banco central (FED).

Tudo indica que o país retrocede ao ano de 1993, aos tempos da hiperinflação alimentada pelos lunáticos Sarney e Collor. Espera-se que ninguém pense em impedir novamente o acesso do cidadão à sua poupança privada.

Qualquer que seja o novo presidente eleito no pleito de outubro, terá de enfrentar graves desafios para a sobrevivência do Brasil no curto e médio prazo. Para tanto, precisará de uma equipe de verdadeiros especialistas, muito bem selecionada no mercado. Nunca um bando de incompetentes indicados por partidos políticos, que formam as conhecidas quadrilhas da “base aliada”.

[1] Este texto consta da Constituição Federal de 1937, imposta por Getúlio Vargas após o golpe de Estado (novembro de 1937), quando instaurou seus 8 anos de ditadura no Brasil, a que, perfidamente, chamou de Estado Novo.

Ricardo Kohn, Escritor e Consultor em Gestão.

Orientações para proceder a Gestão do Ambiente


Por Ricardo Kohn, Escritor e Consultor em Gestão.

Este é um artigo de maior amplitude teórica e prática sobre a Gestão do Ambiente. Procurou-se integrar boa parte dos artigos técnicos já publicados neste Blog, durante seus dois anos de existência. Sua leitura e análise pode contribuir para aquecer os debates que visam à evolução das práticas de gestão, tendo o Ambiente como seu foco principal.

1. O que é Ambiente

É qualquer porção da biosfera que resulta das relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem, quais sejam: o Ar, a Água, o Solo, a Flora, a Fauna e o Homem”.

Dessa forma, todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem apresentar componentes aéreos, aquáticos e terrestres, bem como serem observados segundo seus elementos do espaço físico (ar, água e solo), do espaço biótico (flora e fauna) e do espaço antropogênico (o homem e suas atividades típicas – habitacionais, industriais, comerciais, de serviços e culturais).

No entanto, países de língua portuguesa e espanhola usam o termo ‘Meio Ambiente’. Nas demais nações ocidentais verifica-se que o somente vocábulo ‘Ambiente’ é usado para se referir à mesma entidade: environment, environnement, umwelt, ambiente.

Dado o fato que na língua portuguesa um dos significados de ‘Meio’ é justamente ‘Ambiente”, dentre outras coisas, opta-se por eliminar esse erro de redundância e usar apenas ‘Ambiente’, tal como nas línguas inglesa, francesa, alemã e italiana, acima exemplificadas.

2. Conceitos básicos relativos ao Ambiente

Seguem alguns conceitos e respectivas definições usados neste artigo. São básicos para o entendimento do que é e como se faz a Gestão do Ambiente.

Conceitos Definições
Ecossistema ou Sistema ecológico Qualquer parcela do Ambiente, na qual se estabelecem relações de diversas ordens entre os fatores bióticos e abióticos que a compõem. Os empreendimentos públicos e privados são conjuntos de fatores ambientais antropogênicos e fazem parte dos ecossistemas em que se situam. Constituem, dessa forma, ecossistemas humanos organizados quando estabelecem relações de troca de energia e matéria dentro de limites aceitáveis.
Fator ambiental Constituem os componentes dos ecossistemas, tanto primitivos, quanto rurais e urbanos, que interagem para conformá-los. Os fatores ambientais considerados básicos são o Ar, a Água, o Solo, a Flora, a Fauna e o Homem.
Espaço ambiental Espaços ambientais constituem uma subdivisão teórica do Ambiente. São organizados por conjuntos afins de segmentos ambientais, de acordo com o tipo de abordagem que se deseja imprimir em uma dada relação entre Empreendimento e sua área de inserção. Por exemplo: Ambiente → {Espaço Físico, Espaço Biótico e Espaço Antropogênico}.
Segmento Ambiental Segmentos ambientais consistem qualquer uma das partições afins em que podem ser subdivididos os espaços ambientais, de acordo com a abordagem do estudo a ser realizado e em conformidade com as características do espaço a que se referem. Por exemplo: Espaço Biótico → {Segmento Aquático, Segmento Florístico e Segmento Faunístico}.
Relações ambientais Consistem nas trocas sistemáticas de energia, matéria e informação entre fatores ambientais e entre cada fator e os ecossistemas de que participam. São trocas espontâneas e essenciais que podem garantir a estabilidade dos sistemas ecológicos.
Estabilidade ambiental Constitui o processo de manutenção espontânea dos ciclos de relações ambientais mantidas entre fatores em permanente interação, conformando ecossistemas estabilizados e, por conseguinte, capacitados para a coevolução.
Organização (o mesmo que Organização produtiva, Empresa, Corporação ou Empreendimento) Constitui um conjunto dinâmico e integrado de recursos de diversas naturezas, apoiado em tecnologias apropriadas, destinadas aos tipos de bens, produtos e serviços que objetiva produzir, física e economicamente organizados, a fim de cumprir um processo produtivo estabelecido. Toda organização opera em um determinado Ambiente. Sua existência, sobrevivência e evolução dependem da maneira com que ela se relaciona com ele, bem como de suas capacidades de adaptação às variações do Ambiente. Depende, portanto, de sua capacidade de gestão do desempenho ambiental.
Área de influência de uma organização Consiste na área territorial estimada que poderá receber impactos ambientais benéficos e adversos, decorrentes de todas as etapas do ciclo de vida de uma organização: projeto, obras, operação e eventual ampliação.
Transformação ambiental Trata-se da sequência de eventos proporcionada pelas relações ambientais mantidas entre um empreendimento e o Ambiente de sua área de influência:

  • Existe uma organização ou um projeto de engenharia;
  • Explicada por intermédio de suas intervenções de engenharia sobre o Ambiente;
  • Que demandam ou ocasionam manejos no Ambiente para que sejam implantadas e operadas;
  • As quais podem proporcionar mudanças de comportamento e/ou de funcionalidade dos fatores ambientais por elas afetados.
Intervenção ambiental Consiste em uma obra de engenharia que acarreta a introdução, concreta ou virtual (quando em projeto), permanente ou temporária, de pelo menos um fator ambiental em um dado Ambiente através da ação humana, capaz de gerar ou de induzir o remanejamento dos fatores ambientais existentes. Um conjunto de intervenções ambientais conforma uma organização.
Alteração ambiental Consiste no remanejamento, espontâneo ou induzido, de conjuntos de fatores ambientais da área de influência da organização, em decorrência da introdução de pelo menos uma intervenção ambiental.
Fenômeno ambiental Constitui qualquer processo ambiental capaz de afetar, específica e diretamente, o comportamento e/ou a funcionalidade pré-existentes de um ou mais fatores ambientais, em decorrência de pelo menos uma alteração ambiental.
Eventos ambientais Trata-se do nome genérico dado a empreendimentos, intervenções, alterações e fenômenos ambientais.
Impacto ambiental Os efeitos de qualquer ordem percebidos no Ambiente que sejam capazes de afetar as variações das transações de energia, matéria e informação, estabelecidas entre o fator ambiental e o sistema ecológico de que participa, beneficiando-o ou prejudicando-o. Empreendimentos, intervenções, alterações e fenômenos ambientais possuem impactos ambientais associados, tanto benéficos como adversos.
Qualidade ambiental A qualidade de um Ambiente expressa as condições e os requisitos básicos que ele detém, de natureza física, química, biológica, social, econômica e cultural, de modo a que os fatores ambientais que o constituem, em qualquer instante, exerçam efetivamente as relações ambientais que lhes são fundamentais e afetas.
Reabilitação ambiental Consiste na implantação e gestão de projetos e ações destinados a re-funcionalizar áreas que hajam sido alteradas, sejam por meio de ações antropogênicas, sejam através de processos espontâneos de sucessão em ecossistemas do Ambiente.
Rupturas ambientais Decorrem das perdas de relações ambientais essenciais para manutenção de um ecossistema estabilizado, proporcionadas por impactos ambientais adversos, antropogênicos ou não.
Retroimpactos ambientais Constituem as respostas do Ambiente impactado sobre todas as organizações e comunidades nele existentes, podendo beneficiá-las ou prejudicá-las. Quanto mais adequadamente for mantida a sustentabilidade do Ambiente afetado por obras e atividades produtivas, menores serão seus retroimpactos adversos.
Sustentabilidade A sustentabilidade é um atributo exclusivo do Ambiente que consiste na sua capacidade e de seus ecossistemas componentes em manter e desenvolver as relações essenciais entre seus fatores constituintes (ar, água, solo, flora, fauna e homem), que lhes permite existir. Alguns especialistas utilizam o termo sustentabilidade ambiental. Do inglês, ‘environmental sustainability’.
Avaliação da sustentabilidade Consiste na avaliação da qualidade ambiental de um território, envolvendo os mesmos elementos utilizados na aferição de sua sustentabilidade: qualidade do ar, qualidade da água, qualidade do solo, qualidade de vida da flora, qualidade de vida da fauna e qualidade de vida humana.
Gestão ambiental O objeto da gestão ambiental é a otimização dos processos da organização que transformam os sistemas ecológicos, primitivos ou não. A gestão ambiental é o processo necessário, mas não suficiente, para garantir que a introdução de um sistema humano organizado em qualquer sistema ecológico (primitivo, alterado ou humano) tenha como resultado um sistema humano organizado. Sua finalidade é a gestão do desempenho ambiental das organizações.
Gestão da Sustentabilidade Consiste no processo gerencial onde são avaliados, planejados e monitorados (i) os processos da transformação ambiental, (ii) os resultados destes processos e (iii) as respostas do Ambiente a estes resultados, beneficiadas através de (iv) um plano ambiental específico.
Conservação ambiental Consiste no uso controlado dos espaços territoriais, visando a garantir a manutenção das funcionalidades ambientais similares às suas funcionalidades primitivas.
Preservação ambiental Consiste no impedimento controlado do uso e da ocupação de ecossistemas primitivos, visando à total manutenção de suas funcionalidades ambientais primitivas.
Diagnóstico ambiental Constitui a construção do conhecimento da região de interesse de um projeto de engenharia ou de um empreendimento existente. Pode ser efetuado por meio da coleta de dados e informações locais (recomendável) ou através de websites especializados, para coletas dos dados secundários disponíveis. Deve ser realizado enfocando os ecossistemas e fatores ambientais afetáveis pela presença do projeto ou da organização existente, assim como aqueles que com eles se relacionam e deles dependem para que possuam estabilidade.
Prognóstico ambiental Os prognósticos ambientais são processos analíticos de previsão justificada e documentada dos quadros mais prováveis da transformação ambiental esperada para a região considerada pelo estudo.
O ato de Avaliar O ato de avaliar pressupõe a realização de três tarefas essenciais:

  • O estabelecimento de um padrão de medida;
  • A mensuração do objeto a ser avaliado segundo esse padrão; e
  • Uma nota, que represente o desvio relativo entre o valor apropriado ao objeto e o padrão previamente estabelecido.

As duas primeiras tarefas consolidam uma análise. A terceira, a elas integrada, realiza a avaliação.

Avaliação de Impactos Ambientais Conhecida através da sigla AIA, é o processo de aferir o desvio relativo entre os impactos ambientais estimados em um cenário ambiental, utilizado como base (padrão), e os impactos estimados para um cenário a ele alternativo.
Monitoração ambiental Processo de acompanhamento e/ou aferição de parâmetros ou indicadores ambientais, devendo ser capaz, sempre que possível, de mensurar as oscilações do comportamento de um dado fator ambiental, em intervalos de tempo pré-estabelecidos e conforme algum padrão previamente definido.
Hipótese Global de Situações de Impacto
(HGSI)
Constitui a identificação preliminar, ainda hipotética, dos eventos ambientais (intervenções, alterações e fenômenos) proporcionados por um projeto de engenharia ou por um empreendimento em sua área de influência. É expressa através de uma árvore de eventos, onde é indicada a relação de causa e efeito dos eventos identificados. A HGSI é a base para a realização dos diagnósticos ambientais, orientando-os para os ecossistemas e fatores ambientais de interesse.
Transitividade do impacto ambiental A transitividade é a energia de transformação que estrutura e mantém a árvore de eventos ambientais – HGSI –, demonstrando que o impacto ambiental de um fenômeno distribui-se por essa árvore, através de seus eventos causadores, ‘do solo até o topo da árvore’.
Matriz de Impactos Ambientais (MIA) Constitui a representação matricial da árvore de eventos ambientais.
Potencialidade ambiental Consistem em áreas territoriais mais resistentes a transformações ambientais, em função de seu relevo, de seu clima, de seus solos, de seus recursos hídricos, de seus biomas e de suas comunidades, inclusive a humana.
Vulnerabilidade ambiental Consistem em áreas territoriais mais sensíveis a transformações ambientais, em função de seu relevo, de seu clima, de seus solos, de seus recursos hídricos, de seus biomas e de suas comunidades, inclusive a humana.A Sustentabilidade é um dos principais focos de estudos e projetos de engenharia que visam a impedir a ocorrência de questões ambientais adversas. Embora o uso do termo ‘Sustentabilidade’ seja relativamente recente no Brasil, diversas universidades ensinam a seu respeito utilizando conceitos diferenciados. De forma mais nítida, e por vezes equivocada, alguns agentes da mídia fazem uso indiscriminado desse conceito, aplicando-o para adjetivar processos que, ou não são sustentáveis, ou deles resulta a Sustentabilidade do Ambiente em que ocorrem.

3. Em que consiste a Sustentabilidade

Para esclarecer o significado deste conceito precisa-se entender (i) em que espaço ele deve ser considerado, (ii) o que o motiva, (iii) quais são os elementos envolvidos na sua realização, e (iv) quais são os benefícios decorrentes de sua aplicação. Enfim, em que cenários tratamos esse processo, que foi denominado por Sustentabilidade Ambiental ou simplesmente Sustentabilidade, a indicar que é uma propriedade exclusiva do Ambiente.

Consiste na capacidade dos ecossistemas constituintes do Ambiente (primitivos e humanos) em realizar, manter e desenvolver as relações ambientais essenciais entre os fatores ambientais básicos existentes no planeta, que são o ar, a água, o solo, a flora, a fauna e o homem.

Todos os fatores ambientais secundários, embora não sejam menos importantes, decorrem dessas relações mantidas entre esses seis fatores básicos. Vale observar que estudiosos e acadêmicos que atuam na área ambiental incluem o fungo como fator ambiental básico.

3.1. Ecossistema primitivo

Em ambientes constituídos por ecossistemas primitivos, onde ainda não exista a presença expressiva de atividades humanas produtivas, essas relações possuem algumas capacidades específicas que as tornam sustentáveis. De uma forma geral, é possível enumerá-las assim:

Capacidade de Estabilidade Ambiental: os fatores ambientais (Ar, Água, Solo, Flora, Fauna e Homem) realizam de forma sistemática trocas de matéria e energia entre si, em expressiva harmonia com as necessidades de cada fator demandante e de acordo com a capacidade dos fatores que fazem as ofertas. É assim que se desenvolvem e evoluem.

O termo Equilíbrio Ecológico ou Ambiental não existe como conceito científico, muito embora seja utilizado até mesmo em textos legais brasileiros, na qualidade de ‘preceitos legais’. O termo correto é Estabilidade Ecológica ou Ambiental.

Capacidade de Retroalimentação Ambiental: tudo o que é gerado ou produzido pelos ecossistemas primitivos de um dado Ambiente é totalmente consumido por seus fatores ambientais constituintes. Não há resíduos de qualquer natureza, não há sobras, não há ‘lixo’ no Ambiente primitivo. Isso demonstra que suas práticas intrínsecas de reciclagem e reuso são espontâneas e completas.

As duas características acima permitem que os componentes dos ecossistemas operem compartilhando processos, ou seja, possuam Capacidade de Coevolução Ambiental.

Capacidade de Autoorganização Ambiental: não existem sistemas de controle externos às relações ambientais mantidas entre os fatores. Esses “controles” são espontâneos e intrínsecos às próprias relações. Desta forma, não há perdas de energia e matéria em processos que não sejam produtivos. Em outras palavras, “não há custos de homem x hora para controlar a produção e a produtividade dos sistemas ecológicos”.

A tendência dos ambientes primitivos estabilizados é a de atingir a níveis de coevolução e autoorganização tais que se podem tornar sistemas de elevada resistência e resiliência, a independer de fluxos de energia e matéria a eles externos. A esta tendência dá-se o nome de Clímax Ecológico ou Ambiental. Há autores que não concordam com a tese da tendência do clímax dos sistemas ecológicos.

Garantidas estas quatro capacidades é possível afirmar que um dado Ambiente possui qualidade ambiental, encontra-se estabilizado e, em consequência, possui sustentabilidade.

Mas, ainda há mais uma capacidade própria dos ecossistemas primitivos. Podem ocorrer em algum momento de suas existências rupturas nas relações ambientais existentes. As trocas de energia e matéria entre seus fatores são alteradas por algum motivo. Então, o sistema ecológico é afetado e pode perder seu funcionamento primitivo. Contudo, o sistema resultante  também passa a buscar a realização das capacidades acima apresentadas para alcançar um novo cenário de sustentabilidade. Este processo, que constitui um renascimento, é chamado por Capacidade de Sucessão Ambiental ou Sucessão de Ecossistemas.

Nos ecossistemas primitivos o Homem constitui um fator componente básico, que é parte ativa do sistema. No entanto, deve ser considerado ou como um componente primitivo ou, sobretudo, como um componente que sabe limitar suas apropriações e demandas sobre os demais fatores, a contribuir para a existência e permanência dos ecossistemas primitivos.

3.2. Ecossistema humano

O Homem constrói seu habitat preferencial. Será aqui denominado ecossistema humano ou sistema humano. Ele se apropria e transforma recursos naturais (fatores ambientais), de acordo com o que considera relevante para ter suas necessidades atendidas, básicas ou não. Ele produz, distribui seus produtos, cria novas atividades econômicas secundárias, gera renda e riqueza. Porém, os sistemas humanos muitas vezes constituem ‘sistemas organizacionais’ e operam de forma distinta dos sistemas ambientais. Seus fatores ambientais básicos são “recursos humanos, informação, tecnologia, recursos naturais e capital”. Segundo esse entendimento, as relações entre seus fatores básicos podem ser explicadas da seguinte forma.

Os sistemas humanos realizam apropriações de recursos naturais e os transformam em produtos ou serviços, tentando buscar a harmonia entre os mercados demandantes e sua capacidade de oferta. É assim que se desenvolvem alguns dos sistemas empresariais. Denominamos este processo por Busca da Estabilidade Organizacional.

Nem tudo o que é produzido pelos sistemas humanos é totalmente consumido pelos mercados a que atendem. Por isso, há sobras, há resíduos de variadas naturezas, há ‘lixo’ no Ambiente empresarial, o qual os sistemas humanos hoje tentam minimizar para reduzir suas despesas. Quase nada é compartilhado, quase tudo visa à competição. Denomina-se este processo por Competição na Evolução Organizacional.

Há inúmeros sistemas de controle que são externos às relações empresariais. Eles são basicamente improdutivos. Desta forma, nos sistemas humanos há perdas de energia e matéria em processos que, afora o controle, nada produzem. Em outras palavras, “há custos de homem x hora para controlar sua produção e produtividade”. Denomina-se este processo por Possibilidade de Organização Organizacional.

A tendência dos sistemas humanos é a de atingir a níveis de evolução e organização tais que se tornem em sistemas de elevada resiliência, adptando-se, quando possível, às variações dos fluxos de insumos, internos e externos (recursos humanos, informação, tecnologia, recursos naturais e capital). Na falta de um título mais técnico, denomina-se esta tendência por Angústia da Vida Organizacional.

Quando estas quatro capacidades conseguem ser aperfeiçoadas pelos sistemas organizacionais, é possível afirmar que um dado sistema humano possui qualidade empresarial, tornando-se um Sistema Humano Organizado, dotado de elevado grau de Desempenho Ambiental, mas nunca de Sustentabilidade.

Todavia, tal como nos sistemas primitivos, os sistemas humanos podem perder as capacidades acima citadas. Dois processos podem acontecer nestes casos: ou interrompem suas operações ou são substituídos por novos sistemas organizacionais. Denomina-se este processo por Dificuldade da Sucessão Organizacional.

Pode-se observar que o conceito da Sustentabilidade está associado a diversos processos que envolvem relações entre fatores ambientais e fatores humanos, entre sistemas primitivos e sistemas humanos.

Todavia, a responsabilidade em garantir e manter a sustentabilidade do Ambiente, em níveis efetivos e aceitáveis, é exclusiva do Homem, dado que ele é o fator que cria os conflitos entre manter estoques e qualidade de recursos naturais ou deles se apropria para a satisfação de suas próprias demandas, inclusive as supérfluas.

Em síntese, conclui-se que todas as atividades de organizações devem possuir desempenho ambiental adequado e compatível, de forma a garantir a sustentabilidade dos ecossistemas em que estejam inseridas, ou seja, manter o Ambiente estabilizado e sustentável sem perder sua capacidade produtiva.

Trata-se de um forte desafio que, de uma forma um tanto abstrata, foi denominado por “desenvolvimento sustentável [1]”, insinuando várias interpretações discutíveis para o adjetivo “sustentável”.

4. A Transformação do Ambiente pelo Homem

Por exemplo, ao reunir um time de especialistas ambientais para iniciar a elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental, verifica-se que cada profissional identifica a transformação futura do Ambiente segundo suas premissas de formação acadêmica. Ou seja, os impactos ambientais variam, desde a sua forma de apresentação, até o seu conceito e conteúdo.

Neste item o artigo oferece um modelo teórico-conceitual para que especialistas em várias áreas sejam orientados para “ver da mesma forma os cenários futuros do Ambiente em transformação por atividades humanas”. Vale dizer que esse modelo já foi utilizado em todas as regiões brasileiras, como suporte técnico para milhares de estudos ambientais de variadas naturezas – estudos de impacto, zoneamentos, auditorias, levantamentos de passivo ambiental, etc.

4.1. Entidades da Transformação Ambiental

Os dados do problema são os seguintes: (i) um empreendimento, em projeto, em obras ou mesmo em operação; (ii) a visão preliminar de sua área de influência; e (iii) uma equipe técnica desafiada a descobrir a transformação ambiental dessa área, tanto a já ocorrente, quanto sua provável e inevitável transformação futura.

A base teórica do modelo considera que:

  • Todos os Empreendimentos, sem exceção,
  • Podem ser explicados por intermédio de suas intervenções de engenharia no Ambiente. Um empreendimento é formado por várias unidades construtivas (temporárias) e diversas unidades produtivas (permanentes). São denominadas Intervenções Ambientais;
  • Estas intervenções, para serem construídas, demandam ou induzem manejos no Ambiente. Esses manejos são denominados Alterações Ambientais;
  • Nessa sequência de eventos, as alterações ambientais podem proporcionar mudanças de comportamento e/ou da funcionalidade dos fatores ambientais afetados. Os eventos consequentes dos manejos são denominados Fenômenos Ambientais.

A figura abaixo sintetiza a base teórica da transformação ambiental de um território.

Estrutura conceitual da Transformação Ambiental

Estrutura conceitual da Transformação Ambiental

A estrutura acima diz que qualquer empreendimento é formado por M intervenções ambientais. Uma intervenção poderá gerar ou induzir até N alterações ambientais. E de forma inversa, uma alteração ambiental pode ser consequência de até M intervenções. Por fim, uma alteração ambiental, por sempre afetar a dinâmica do Ambiente, pode modificar o comportamento e/ou a funcionalidade de fatores ambientais, dando origem à manifestação de até P fenômenos ambientais. E a recíproca é verdadeira, ou seja, um fenômeno pode ser derivado de até N alterações distintas.

Analisando a figura acima observa-se que todos os eventos ambientais possuem impactos associados grafados por I e i. Os fenômenos possuem impactos positivos ou negativos, ou seja, benéficos ou adversos. Dada a capacidade da transitividade dos impactos, os eventos superiores também possuem impactos ambientais, que recebem dos fenômenos que geram. Todavia, dado que uma alteração pode gerar fenômenos adversos e benéficos, seus impactos são o somatório das adversidades A e o somatório dos benéficos B. Ou seja, alterações, intervenções e empreendimentos terão impactos negativos e positivos [A; B].

Chama-se a atenção para um fato que é evidente. O Ambiente percebe e sofre tanto os impactos negativos A, quanto os positivos B. Mas nunca sofre a resultante contábil dos mesmos, A + B. Tal procedimento deforma completamente a análise e a avaliação ambiental, tornando inválido qualquer estudo que o aplique.

Na prática da análise da transformação ambiental tem-se duas ferramentas básicas para realiza-la: a Árvore da Transformação Ambiental (ATA) e a Matriz de Impactos Ambientais (MIA), ambas referidas a um empreendimento.

A ATA possui a conveniência da equipe de analistas ver o cenário da transformação prevista em uma única imagem. Contudo, para empreendimentos mais impactantes, com muitos eventos, demanda muito espaço para ser construída.

A figura a seguir apresenta o diagrama genérico de uma ATA.

Diagrama da Árvore da Transformação Ambiental – ATA

Diagrama da Árvore da Transformação Ambiental – ATA

Neste exemplo específico o empreendimento é composto por quatro Intervenções Ambientais (INA), das quais decorrem seis Alterações Ambientais (ALA) que, por sua vez, promovem a manifestação de dez Fenômenos Ambientais (FEN). Observe que todas as relações de causa e efeito entre os eventos encontram-se explicitadas. Um texto específico deverá justificar a sequência desta árvore.

A ferramenta alternativa à árvore é estruturada de forma matricial, através de uma Matriz de Impactos Ambientais. Segue abaixo o exemplo de uma matriz de impactos para um Parque Eólico já em operação.

Como nesse exemplo hipotético a avaliação de impactos ambientais já foi realizada, os eventos adversos estão grafados em vermelho; os benéficos, em azul; por fim, os não significativos, grafados em branco.

Matriz de Impactos Ambientais – Parque Eólico
Intervenções Alterações Fenômenos
Intervenções produtivas
Aerogeradores e unidade de controle do parque
Uso e ocupação do solo
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação da oferta de emprego
Variação da renda familiar
Variação da arrecadação tributária
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação da acessibilidade interlocal
Oferta de energia elétrica
Variação da disponibilidade estadual de energia elétrica
Variação do desenvolvimento industrial
Variação do desenvolvimento de comércio e serviços
Variação da arrecadação tributária
Variação da oferta de emprego
Variação da renda familiar
Variação do suporte a serviços sociais básicos
Variação da qualidade de vida no Estado
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação dos riscos de acidentes viários
Rodovia de acesso ao parque e rodovias vicinais
Oferta de equipamentos viários
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação da acessibilidade interlocal

Observando a nomenclatura utilizada para a denominação dos eventos que se manifestam na área de influência considerada, verifica-se que as intervenções representam obras de engenharia, as alterações são ações de manejo e os fenômenos são processos variáveis do Ambiente.

4.2. Conteúdo do Cenário da Transformação Ambiental – CTA

A estrutura de apresentação do cenário da transformação ambiental é a própria matriz de impactos ambientais acima. Todavia, nela somente estão disponibilizados os títulos dos eventos. O conteúdo do cenário deve apresentar a caracterização de cada um dos eventos, quais sejam.

  • Caracterização do Empreendimento.
  • Caracterização das Intervenções Ambientais.
  • Caracterização das Alterações Ambientais.
  • Caracterização dos Fenômenos Ambientais.

Em linhas gerais, essas caracterizações devem apresentar o nome do evento, sua localização, sua descrição, suas áreas de ocorrência e manifestações, os eventos causadores, os eventos resultantes e, quando possível, documentação fotográfica.

O CTA deve ser monitorado e atualizado periodicamente, em todas as etapas do ciclo de vida de uma organização, visando a proporcionar a seus executivos a qualidade de seu desempenho ambiental e o nível de sustentabilidade que a organização consegue proporcionar à sua área de influência.

5. Ferramentas para a Gestão do Ambiente

Existem diversos métodos, técnicas e metodologias que podem ser adaptados para a Gestão do Ambiente (Gestão Ambiental + Gestão da Sustentabilidade). No entanto, há três ferramentas específicas para essa finalidade, sobre as quais estão apresentadas a seguir suas características básicas, vantagens e desvantagens.

5.1. ISO 14.001: Sistema de Gestão Ambiental – SGA

A ISO – International Organization for Standardization foi fundada em 1947, com sede em Genebra, na Suíça. Produz e aprova normas internacionais para padronização de processos em várias áreas produtivas.

A área ambiental foi contemplada através da série normativa ISO 14.000. Nesta série, composta por cerca de 29 normas com temas ambientais complementares, destaca-se a norma ISO 14.001, lançada no Brasil em 1996, que visa a beneficiar a gestão ambiental de empresas e instituições.

Embora a 14.001 seja utilizada para certificar organizações em Sistemas de Gestão Ambiental, muitos especialistas da área da gestão consideram-na impositiva em sua burocracia. Ou seja, pouco capaz de se adaptar à cultura de cada organização, a qual varia em função de seus proprietários, dos países em que se localizam, dos mercados a que atendem e até mesmo das equipes técnicas que possuem.

No entanto, para as organizações que atuam no mercado internacional, recomenda-se a implantação e certificação do Sistema de Gestão Ambiental – ISO 14.001.

Em suma, normas internacionais para padronização de processos e procedimentos, que pretendam atender às necessidades de qualquer organização existente, correm o risco de “engessar” processos de empresas produtivas em troca de certificações.

Ao importar modelos de gestão ingleses, norte-americanos ou internacionais corre-se o risco de esquecer a cultura organizacional existente no próprio país. Sem dúvida, é importante adaptá-los e há profissionais brasileiros capacitados para isso.

5.2. Plano Corporativo Ambiental – PCA

O PCA difere bastante dos Sistemas de Gestão Ambiental, posto que não é “amarrado em práticas internacionais”. Ao contrário, veste localmente o corpo da organização produtiva como um agasalho de previsão da produção. Visa a, além do lucro e da rentabilidade da organização, manter a sustentabilidade do Ambiente que transforma, melhorando seu desempenho ambiental.

Para compreender o processo de planificação (ou planejamento), os conceitos de estratégia, tática e operação precisam ser esclarecidos, visando à devida classificação dos elementos de planos de qualquer natureza. Neste caso, Planos Corporativos Ambientais.

A origem desses três conceitos encontra-se nas práticas militares. Posteriormente, foram migradas para organizações produtivas. O texto que se segue busca explicar, ainda que de forma introdutória, a sucessão dos usos e práticas dos processos de planificação, a saber:

Planos militares → Planos empresariais → Planos ambientais.

Para realizar o processo de um plano empresarial é necessário que existam quatro elementos essenciais a estabelecer relações entre si. O primeiro é uma organização produtiva. Ela é o ponto de foco dos planos empresariais. O segundo elemento é o fato de que ela precisa produzir pelo menos um produto. O terceiro, é a existência de um mercado que demande e receba este produto. O quarto e último são os clientes que compõem este mercado e que consomem este produto. Com esses elementos é possível garantir que é realizar processos de planificação é essencial.

Planejam-se as relações desejadas entre estes quatro elementos. Planeja-se para que a organização produtiva possua condições favoráveis de estabelecer relações desejáveis e satisfatórias com todos os demais elementos: produto/serviço bem feito, mercado atendido, clientes felizes. Resultado: sucesso da organização.

No processo do Plano Corporativo Ambiental têm-se os mesmos elementos:

  • A organização produtiva, que é conformada pelo Empreendimento e pelas relações ambientais que mantém com o Ambiente de sua área de influência. São relações mútuas e bidirecionais mantidas entre duas entidades que tentam se integrar (em tese, a organização que deseja se integrar ao Ambiente).
  • Os produtos, que surgem das relações ambientais, chamador por produtos ambientais. São os impactos decorrentes das relações “Organização versus Ambiente”. Conforme foi visto, podem ser adversos e benéficos.
  • O mercado, que é o próprio Ambiente, através de seus espaços físico, biótico e antropogênico, bem como a organização que se deseja planificar, que em algumas oportunidades “adquire” retroimpactos do Ambiente.
  • Os clientes, que são os próprios fatores ambientais que “consomem” estes impactos, quais sejam: o ar, a água, o solo, a flora, a fauna e o homem.

Dada a existência desses elementos e suas relações sistêmicas, entende-se que, mantidas as expectativas das Ciências do Ambiente, Planos Corporativos Ambientais podem e devem ser desenvolvidos para quaisquer organizações produtivas.

5.2.1. Estrutura de desenvolvimento e execução do PCA

Todos os gêneros de planos aqui citados (Militar, Empresarial e Ambiental) podem ter até três níveis de visão e alcance:

  • O plano de nível estratégico, com alvos ou objetivos globais de longo prazo;
  • O plano de nível tático, com alvos ou objetivos de médio prazo; e
  • O plano de nível operacional, com alvos ou metas de curto prazo.

O detalhamento dos níveis do PCA deve responder aos atributos estrutura, formato, conteúdo e processos:

  • A estrutura é dada pelos elementos que constituem cada nível, desenhando a estrutura física do plano;
  • O formato refere-se à redação dos elementos constituintes de cada nível, permitindo aos usuários a identificação do nível a que pertence cada elemento e sua imediata classificação – estratégico, tático ou operacional;
  • O conteúdo desses elementos, contendo a essência, a finalidade e o alcance de cada elemento;
  • Os processos de implantação e gestão dos níveis e respectivos elementos, dando vida própria e animação ao plano.

A figura a seguir mostra um diagrama dos elementos estratégicos (E), táticos (T) e operacionais (O) de um PCA, mostrando como se relacionam. Estão organizados em Alvos (Objetivos e Metas) e Medidas (Programas, Projetos e Ações).

Estrutura para elaboração e execução do PCA

Estrutura para elaboração e execução do PCA

O estabelecimento e formulação dos alvos do PCA seguem a seguinte sequência:

  • Formulação da Visão Ambiental da organização;
  • Formulação da Missão Ambiental, orientando seus Objetivos Estratégicos;
  • Estabelecimento dos Objetivos Estratégicos, demandando Objetivos Táticos;
  • Estabelecimento dos Objetivos Táticos, demandando Metas Ambientais; e
  • Estabelecimento das Metas Ambientais, demandando Projetos e Ações.

E quando o plano é implantado, sua execução acontece na ordem inversa, ou seja:

  • Ações e Projetos são implantados e executados visando a atingir as Metas Ambientais estabelecidas e concluir os Programas Ambientais que lhes deram origem;
  • Programas Ambientais são geridos para atingir Objetivos Táticos, alcançando os Objetivos Estratégicos que lhes deram origem;
  • Objetivos Estratégicos são alcançados visando a consolidar a Missão Ambiental estabelecida.
  • A manutenção da Missão alcançada poderá realizar a Visão Ambiental esperada. Isto porque o alcance da Visão Ambiental de uma organização também depende do desempenho das demais organizações do mesmo setor e de seus fornecedores.

5.3. Auditoria Ambiental

A auditoria ambiental é a terceira ferramenta recomendada para que organizações em geral garantam a qualidade de seus processos destinados à Gestão do Ambiente, ou seja, Gestão Ambiental de seus próprios processos e Gestão da Sustentabilidade do Ambiente que impactam.

O processo de auditar nada mais é do que investigar tarefas em andamento e realizar comparações entre as práticas ambientais realizadas por uma organização com pelo menos os padrões ambientais para organizações do mesmo setor. Mas, sobretudo, sugerir soluções para quadros definidos como “não-conformidades”.

Por esse motivo, os auditores, quer sejam internos ou externos, às vezes não são muito apreciados por funcionários das organizações auditadas. Afinal, são contratados para identificar desvios, erros e relatar fatos e tendências gerenciais que podem ser indesejáveis para a alta administração de organizações produtivas.

Nesse item seguem orientações introdutórias para Auditoria de Planos Corporativos Ambientais – APCA. No entanto, sua sistemática pode ser aplicada a outros sistemas de gestão ou a qualquer conjunto de processos e procedimentos que a organização utilize para atender à qualidade das relações que mantém com o Ambiente.

A figura a seguir oferece o quadro lógico do processo de APCA.

Quadro lógico da APCA

Quadro lógico da APCA

A organização produtiva que contrata uma auditoria define quais são as suas unidades e/ou funções que deseja que recebam auditoria, isto é, define o Escopo da Auditoria.

As auditorias são realizadas com base em (i) leis, (ii) normas, (iii) contratos subscritos, (iv) melhores práticas reconhecidas pelo mercado ou (v) nos elementos do instrumento de gestão utilizado pela organização.

Por outro lado, a empresa auditora precisa aceitar que o conjunto dos elementos constante do Plano Corporativo Ambiental representa a capacidade da organização em Gestão Ambiental e da Sustentabilidade (GAS) e constituirá o Critério da Auditoria, ou seja, o conjunto de padrões ambientais de referência contra os quais a auditoria será realizada.

Quando esses elementos não existem, a capacidade de gestão da organização torna-se mais vulnerável. Nessas situações a legislação em vigor no país passa a ser o Critério (obrigatório) da Auditoria.

Deve-se salientar que a organização que já possua ferramenta específica para GAS e realiza auditorias de forma sistemática é diferenciada em seu desempenho quando comparada às suas concorrentes.

5.3.1. Fases da APCA

Todas as auditorias constituem uma relação bastante profissional entre a organização a ser auditada e uma empresa auditora. O sigilo absoluto das informações coletadas é fator de extrema relevância entre as duas partes e seus funcionários, ou seja, empresas, auditores e entrevistados.

As auditorias precisam evoluir em processos suaves e transparentes, sobretudo por parte dos auditores. Sendo assim, organizam-se em três fases: pré-auditoria, auditoria e pós-auditoria.

A figura a seguir auxilia na visão do conteúdo essencial dessas três fases de uma auditoria, tendo como critério um Plano Corporativo Ambiental.

Fases do processo da auditoria de PCA

Fases do processo da auditoria de PCA

# Fase A: Pré-auditoria

Após uma empresa especializada ser convidada para realizar uma auditoria, a primeira tarefa dos auditores, antes mesmo de aceita-la, é solicitar informações acerca da organização. Garantido o completo sigilo, essas informações são obtidas por meio de contato pessoal, realizado somente pelo auditor líder.

Para consolidar o Plano da Auditoria, as informações de interesse são as seguintes:

  • A planta do layout geral da organização, localizando suas unidades produtivas;
  • Documentos relativos ao seu fluxo de processos pré-produtivo e produtivo;
  • Documentos relativos a seus Sistemas de Melhoria do Desempenho Ambiental;
  • O organograma da organização, com destaque para a função de GAS;
  • Uma cópia de seu manual de gestão ou documento similar;
  • Documentos relativos a auditorias anteriores que haja realizado;
  • Documentos de contratos, normas adotadas e convenções que haja subscrito;
  • Eventuais documentos fotográficos e de vídeo disponíveis; e
  • Outros documentos específicos da atividade da organização a ser auditada.

# Fase B: Auditoria

Inicia-se então a segunda parte dos trabalhos, que constitui a auditoria propriamente dita. A empresa auditora elabora a programação da reunião de abertura e marca a data para o evento. Para tanto, solicita à organização algumas informações sobre o evento de abertura, a saber:

  • Nome completo do funcionário que será responsável pela gerencia das atividades da auditoria na organização, cargo ocupado, telefone fixo, celular e e-mail;
  • Lista dos participantes da reunião, com nome completo e cargo ocupado;
  • Local de realização da reunião de abertura da auditoria, com equipamentos disponíveis de informática, de áudio e de vídeo.

Após a reunião de abertura têm início as atividades de campo. Findo os trabalhos de campo, com relatórios diários de cada auditor, o auditor líder consolida o relatório final da auditoria.

A tarefa seguinte aos trabalhos de campo é a reunião de encerramento da auditoria realizada, com a apresentação das evidências, não conformidades, exceções e observações efetuadas. A última tarefa desta etapa é a elaboração do relatório final dos trabalhos, a cargo do auditor líder, assessorado por sua equipe.

# Fase C: Pós-auditoria

Com base no relatório final da auditoria, a organização auditada elabora um plano de ações corretivas e preventivas. Normalmente, este plano é submetido à empresa auditora a fim de obter sua opinião sobre a efetividade do plano elaborado.

Por fim, é comum e benéfico que a organização faça um contrato de supervisão dos resultados do Plano de Ação, de sorte a obter mais um crédito externo de que suas ações foram devidamente implantadas e de que os resultados esperados foram ou estão sendo alcançados.

5.3.2. Atividades da Fase B: Auditoria

A fase da Auditoria Ambiental propriamente dita possui restrições operacionais que são básicas e estão adiante descritas. Mas antes deve ser analisada a figura abaixo, que apresenta a sequência de suas atividades.

À exceção da primeira, todas as demais atividades são realizadas em campo. Ou seja, com o time de auditores hospedados em hotel próximo à empresa a ser auditada, no chamado “hotel de campo” (gíria de antigos auditores). Embora a reunião de abertura da auditoria normalmente seja feita na empresa auditada, é desejável que a reunião de fechamento seja realizada neste hotel. Durante a realização da auditoria nenhum auditor retorna à residência.

A equipe precisa ser reduzida, contando com 5 (cinco) auditores no máximo, como no caso de plantas industriais de maiores dimensões.

A alocação de cada um em trabalhos de auditagem, cruzamento de informações com a equipe e produção de relatórios, é de 16 horas diárias, independentemente da duração da auditoria. Por isso, diversos auditores líderes afirmam que, para terem qualidade, as auditorias ambientais devem ser realizadas em, no máximo, dez dias de campo.

Etapas da Fase B: Auditoria de PCA

Etapas da Fase B: Auditoria de PCA

5.4. Entrevistas para auditoria de PCA

A maior parte do tempo despendido pela equipe em suas atividades é dedicada a entrevistas programadas com funcionários da organização – Levantamento de evidências e não-conformidades. As competências necessárias para realizar uma boa entrevista não constituem dotes inatos e podem ser desenvolvidas através de treinamento e prática.

Considerando os locais, a duração, as finalidades e o nível de formalidade requerido, é razoável afirmar que as entrevistas de auditoria devem seguir um padrão lógico comum. A figura a seguir apresenta este padrão.

Proposta de padrão para o processo de entrevista

Proposta de padrão para o processo de entrevista

Muito embora as entrevistas possuam características específicas para cada par “entrevistador e entrevistado”, há alguns elementos que não podem faltar nas entrevistas destinadas a auditorias de PCA. O padrão básico é útil para estabelecer um quadro de abordagem em entrevistas capaz de beneficiar os resultados desejados.

Antes de realizar as entrevistas é oportuno obter algumas informações acerca do perfil dos funcionários que serão entrevistados, bem como uma visão geral do que o auditor precisa cumprir em cada entrevista.

Há três elementos que são essenciais em qualquer entrevista de auditoria: (i) a lógica da entrevista, (ii) a predefinição das informações e documentos desejados, e (iii) a organização e o foco do pensamento do auditor.

Estabelecer a lógica de uma entrevista é relativamente simples. O que é básico envolve as questões que se seguem:

  • Quem será entrevistado;
  • Qual cargo ocupa na organização auditada;
  • Quais são a autoridade e as responsabilidades do cargo ocupado;
  • A quem o entrevistado se reporta hierarquicamente.

É fundamental que entrevistador e entrevistado sintam-se confortáveis durante a realização da entrevista. A sala onde se realizará a entrevista deve ser sossegada, preferencialmente sem interrupções, e a entrevista precisa ser objetiva e, tanto quanto possível, rápida.

As respostas desejadas pelo auditor devem ser planejadas. Nenhum profissional deve seguir para uma entrevista sem antes haver listado as informações e documentos que deverá obter do entrevistado.

É interessante elaborar uma linha mestra de cada entrevista, contendo os temas de interesse e a sequência preliminar das questões a serem formuladas. Não se trata propriamente de elaborar um questionário, mas apenas desenhar a orientação da entrevista, visando à memorização do auditor.

Em muitas entrevistas, no entanto, é comum que novas questões sejam formuladas em função das respostas obtidas. Tal como em um trabalho de detetive, o auditor precisa estar atento às respostas que recebe, efetuando anotações sempre que necessário, e a verificar eventuais necessidades de questões complementares antes não previstas.

Em suma, ao encerrar a entrevista o auditor poderá verificar se realmente obteve o que pretendia e se novas informações relevantes foram fornecidas pelo entrevistado.

Há casos isolados de entrevistas com maior duração. Todavia, normalmente não devem ser longas para que possam ser eficientes. De fato, uma série de entrevistas relativamente curtas com maior número de funcionários da organização tem-se mostrado mais eficiente do que poucas entrevistas mais longas.

……….

[1] A expressão “desenvolvimento sustentável”, foi criada em 1987, no Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento, sob a presidência da então primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland.

A definição de “Desenvolvimento Sustentável” ficou com a seguinte redação:

“O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra, preservando as espécies e os habitats naturais”.

Pessoalmente, considero-a um tanto filosófica e utópica, sobretudo pela tentativa de fazer uma “interseção geométrica” entre os Espaços Antropogênico, Biótico e Físico, que estão todos contidos e integrados no “Grande Envelope do Ambiente”.

Esperança para 2015


No calendário ocidental (o Gregoriano), um século possui 36.525 dias. Por conseguinte, um milênio, tem 36.525.000 dias. Assim, adotando para início dessa contagem a data da morte de Jesus, na chamada “Era Cristã” [1], do dia 01 de janeiro de 0001 até hoje, passaram-se 36.529.935 dias.

Trinta e seis milhões de dias é um período de tempo razoável, sobretudo se o medirmos em horas. Façam os cálculos, são mais de 876 milhões de horas “consumidas” por todas as nações do planeta. Isto se deve ao fato do calendário Gregoriano ser formalmente adotado em todo o mundo. Tornou-se uma medida universal do tempo, que visa a facilitar as imprescindíveis boas relações entre os povos.

Fico a pensar se existiria um historiador no planeta capaz de narrar todos os acontecimentos ocorridos em 36.529.935 dias, contar a História Universal desta Era. Creio que não, seria quase impossível. Mas para isso existem milhões de historiadores interessados em escrever diariamente partes da história que assistem acontecer. Ainda assim, segundo suas visões, mesmo que com base nas mesmas informações obtidas pela leitura do noticiário e por entrevistas com testemunhas oculares.

Uma imagem da difícil esperança

Uma imagem da difícil esperança

A narrativa do futuro

A História é a narrativa do passado. Mas há também a previsão do futuro, que constitui o que chamo de narrativa do futuro. Esta permite a estimativa dos possíveis cenários futuros da vida de uma dada coletividade.

Desde o século 20, a narrativa do futuro tornou-se prática trivial adotada por executivos de empresas produtivas. É ela quem aponta as tendências do comportamento das variáveis críticas do mercado e permite a identificação de oportunidades para que a empresa possa evoluir na economia de livre mercado.

Por sua vez, essa economia foi desenhada pelo filósofo e economista escocês, Adam Smith, no século 18. Teve a expressiva relevância de constituir uma grave ameaça necessária aos direitos feudais remanescentes, os quais acabou por extinguir.

Porém, na visão atual de certos “políticos ditos progressistas”, o desenho de Adam Smith, criado com ênfase em valores morais e éticos, é uma ameaça às relações humanas na nação que pretendem que seja estável. Por isso, chamam a qualquer de seus usos derivados de “capitalismo selvagem”.

Todavia, políticos brasileiros desse gênero, embora sejam realmente selvagens, também fazem a previsão de cenários futuros. Quando estão operando no interior do sistema público do país, consideram como constantes tudo o que acreditam ser capazes de garantir por força de seu poder. Para eles, variáveis livres de mercado simplesmente não existem. Justo por isso, as previsões que fazem são profecias manipuladas, que tratam somente de seus esquemas particulares.

Para finalizar esta parte, devo fazer uma breve comparação. Enquanto o sistema de livre mercado, em tese, é regido por práticas democráticas, honestas, e liberais, o “sistema progressista brasileiro” é monocrático, corrupto e quer seguir rumo à ditadura. Seu bando de defensores pretende que seja implantado um socialismo cubano ou bolivariano ou “coisa” que o valha. Já conseguiram um Capitalismo Interventor de Estado, que se esfarela diariamente, quando se vê diante da economia de mercado.

Esperança para o dia seguinte

Não fosse a óbvia necessidade de os Estados Nacionais estabelecerem boas relações diplomáticas e comerciais entre si, não haveria meses, anos, décadas, séculos e milênios. Não teria sido inventado qualquer calendário. Só existiriam os dias corridos: os passados, o atual e os futuros. Por exemplo, hoje seria o 36.529.935º dia da Era Cristã.

É difícil recordar como se faz a redação ordinal desse número, mas vou tentar: “trinta e seis milionésimos, quingentésimo vigésimo nono milésimo, noningentésimo trigésimo quinto” dia da Era Cristã. Acho que está correto ou bem próximo.

Assim, a principal esperança que evoco refere-se à atuação do estadista que governará o Brasil a partir de 1º de janeiro de 2015, pois há doze anos que a nação não sabe o que é ter um estadista. Então, usando uma analogia, que o estadista eleito “reabra os portos às nações amigas”. Que estabeleça boas relações diplomáticas com todas as nações realmente democráticas. Que cumpra rigorosamente o calendário de suas propostas de campanha. Que seja um R$ gestor público na escolha do seu mínimo e eficiente ministério. Por fim, mas não por último, que permita a legítima regência da “mão invisível” de Adam Smith na formação dos preços do mercado.

Por quê Esperança para 2015? Simples, é um fato: 2014 já acabou sem sequer ter começado.

……….

[1] O Judaísmo e o Islamismo possuem Eras próprias, com escalas distintas de tempo. Para o Judaísmo está-se a viver no ano 5.773, contado a partir da data de nascimento de Adão. Para o Islamismo, no ano 1.435, contado a partir da fuga de Maomé, de Meca para Medina.

Reconhecimento do gramado…


Gramado é “uma trilha onde cresce grama”. E grama vem do latim, gramen, que significa “relva, pasto, erva, verdura”. Assim, o ato de reconhecer um gramado é tarefa para ruminantes. Todos sabem que essa sensibilidade é própria do instinto alimentar do gado, onde bovinos, caprinos e muares são bem conhecidos pelo ser humano.

Vacas e bois em exercício de repasto no gramado

Vacas e bois em exercício de repasto no gramado

Porém, neste mês de Copa da Fifa 2014, os repórteres dos jogos televisionados continuam a usar expressões próprias para os tempos do rádio e não da televisão. Noticiam tudo, até mesmo o horário em que uma seleção fará, antes do dia do jogo, o que chamam de “reconhecimento do gramado”. É possível que os considerem ruminantes.

Diante de minha estranheza à esta expressão, meus filhos explicaram que se trata de vício do locutor. Significa que “vão bater uma bola”, ver a altura da grama, a firmeza do solo, enfim, sentir pelas chuteiras a ambiência do campo. De toda forma, acho que se trata de misticismo. Afinal, tocar a bola num gramado durante dez ou quinze minutos, não melhora o jogador e “muito menos sua moral” diante do adversário.

Voltemos no tempo

Nas décadas de 1950 e 60 não existia televisão no Brasil. Mas os torcedores portavam “rádios de pilha” para ouvir a irradiação de locutores esportivos. O rádio transistorizado era o celular inteligente daquela época. Acreditavam os torcedores mais fanáticos que ouviam no rádio a exata verdade do que acontecia em campo.

No entanto, havia uma competição tácita entre locutores. Cada um queria ser conhecido como o melhor irradiador. Todos tinham a intenção de aumentar a audiência para a estação de rádio em que trabalhavam. Diziam coisas incríveis e exageravam a mais não poder quando narravam os lances dos jogos. Lembro-me de um locutor que, após cada gol, urrava ao microfone:

─ “Olha lá, olha lá, olha lá! A nega tá lá dentro!”. Havia quem torcesse por outro gol só para ouvir novamente sua fala.

Teve outro, que fora juiz de futebol antes de ser comentarista de árbitros. Ficou conhecido por condená-los em suas narrações. E era implacável:

─ “Errou! Errou! Errou!…“, e descrevia em detalhes o que considerava ser a falha do apitador de plantão.

Há casos passados de fabulosos locutores de futebol. Um deles remete ao inesquecível Ary Barroso. Nas irradiações que fazia, torcia descaradamente pelo Flamengo. E quando o rubro-negro era atacado, dizia: “Ih, lá vem os inimigos! Eu não quero nem olhar“. Recusava-se definitivamente a narrar o jogo do adversário e ponto final.

No passado, a influência do rádio e de seus locutores foi tão grande que, ainda hoje, não é raro ver um torcedor dentro do estádio, assistindo ao jogo com o radinho colado ao ouvido. Ele acredita bem mais nas falas do locutor do que no que assiste com os próprios olhos. Afinal, precisa de muita emoção, mesmo que exagerada e mentirosa.

Os herdeiros a atuar na Copa 2014

Confesso que, por princípio cultural, não assisto a novelas e jogos de futebol. Novelas, nunca; futebol, apenas até 1982. Hoje, somente como motivo para aprender algo com meus filhos, que são aficionados neste tipo de negócio. Mesmo assim, apenas em casos eventuais, como Copa do Mundo. Explico.

Há novas gerações de repórteres esportivos que se esforçam para criar falas peculiares nas transmissões televisivas. Porém, em sua maioria, imitam precariamente os antepassados. O máximo que conseguem é gritar um longo e alucinante “GOOOOLLLLL !!!”, que incomoda muito a quem os assiste. Dói nos ouvidos, até de surdos.

Diante desse fato, visando a revolucionar sua audiência e superar a concorrência, executivos de empresas de transmissão criaram canais quase específicos para futebol, com pequenas equipes fixas – jornalistas e repórteres – a montar variados programas. Trazem convidados especiais (talvez, sem remuneração) para atrair a audiência. Nesta copa, houve um canal de tv que “roubou dois convidados” do concorrente! Ambos, ex-jogadores de seleção.

De toda forma, parece haver sido uma boa ideia, pois publicidade não lhes falta, assim como os incontáveis idiotas “escravizados pela tv”. Temo o dia em que todos os canais a cabo somente transmitirem este negócio. Então, acontecerá a horrenda “bestialização universal”.

Mas, dentre todos os repórteres esportivos do país, há um que se destaca sobremaneira. Não pertence à nova geração e parece haver convivido com alguns dos melhores.

Em primeiro lugar, ele pensa que “sabe tudo sobre todos os esportes”, em especial, o futebol. É uma máquina de vomitar estatísticas, mesmo que não sejam do interesse de quem o assiste. Parece conhecer a biografia de cada atleta que está em campo – onde nasceu, quem foram seus pais, sua história sofrida na infância (faz 3 minutos de demagogia), quando casou, quantos filhos tem, em que clubes jogou, quanto custa seu passe, quantos gols marcou, contra quais adversários, sua posição no ranking mundial de goleadores, etc. E ele solta toda esta artilharia inútil durante a narração da partida. Esquece-se do jogo…

O segundo problema são suas “opiniões de técnico” e as “profecias” que realiza durante a peleja. Torna-se rapidamente em “máquina de vomitar asneiras”. Critica a tática adotada pelo técnico, diz o que teria sido melhor, muda a escalação e profetiza como será o segundo tempo. Quanto aos árbitros, comete, digamos, “quase insultos”. Condena a arbitragem, diz que “não houve pênalti no lance” (mas houve), que o atacante brasileiro não estava impedido ao marcar o gol (e o mundo inteiro viu que estava) e por aí segue, explicando o “que quis dizer” o ex-árbitro da Fifa que se encontra a seu lado, justamente para analisar a arbitragem!

Esse senhor patético vive de “sorrir para agradar”. Diante de câmeras de tv, perfilado feito “soldadinho de chumbo”, sempre mostra os dentes, mesmo sem motivo, e ainda se acredita simpático. Porém, para ser objetivo, trata-se de um “cara chato”, inconveniente, afora outros adjetivos a que me reservo o direito de não declarar.

João Saldanha – Alegrete, 1917: Roma, 1990

A figura do inesquecível João Saldanha

A figura do inesquecível João Saldanha

Falta João Saldanha nos dias de hoje”, disse um jornalista certa vez. Saldanha foi jogador de futebol no Botafogo, graduou-se em direito e jornalismo, selecionou e dirigiu a seleção brasileira em 1969. Sob seu comando, na fase de qualificação para a Copa de 1970, a seleção ficou invicta. Por fim, foi um exaltado cronista e comentarista esportivo.

Nelson Rodrigues, seu amigo, apelidou-o de “João Sem Medo”, considerando sua tendência de criar e resolver conflitos pessoais e institucionais. Afinal, esperar o quê?, era filho de uma família de “maragatos” e isso já mostrava sua rebeldia e contra-ataques imediatos a decisões impostas de cima para baixo. Graças a esse traço de caráter, deixou o comando da seleção de 1970, meses antes do início da Copa no México, com uma história até hoje não esclarecida.

Como comentarista, Saldanha começou a trabalhar na rádio Guanabara, acho que em 1960. Depois passou pelas rádios Nacional, Tupi, Globo e Jornal do Brasil. Foi protagonista de programas sobre futebol nas TV Rio, TV Globo e TV Manchete.

Enfim, redigiu crônicas para os jornais Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil e revista Placar. Porém, vale dizer, muitas vezes tinham pouco de esportivas. Com toda a experiência que adquirira no futebol, sem a preocupação de ser simpático, de mostrar dentes à larga, não media suas palavras ao criticar jogadores, treinadores e dirigentes. Assim, quase indomável, conquistou inúmeros admiradores pelo Brasil inteiro; mas também fazia desafetos íntimos.

Que eu me recorde, João Saldanha foi o último defensor público do “futebol arte” brasileiro. Criticava de forma candente o que chamava de “europeização” do esporte. São suas essas palavras em 1970, após a vitória brasileira na Copa do México:

─ “Antes de mais nada, quero dizer que a vitória extraordinária do Brasil foi a vitória do futebol. Do futebol que o Brasil joga, sem copiar de ninguém, fazendo da arte de seus jogadores a sua força maior e impondo ao mundo futebolístico o seu padrão, que não precisa seguir esquemas dos outros, pois tem sua personalidade, a sua filosofia, e jamais deverá sair dela”.

João Saldanha não foi perfeito, longe disso. Como qualquer um, cometeu muitos erros na vida. Não foi um padrão a ser seguido em várias áreas do comportamento humano. Entretanto, em termos de honestidade, caráter, franqueza e outros princípios básicos, era imbatível em sua profissão. Tanto que o jornalista que afirmou sobre a triste ausência atual de Saldanha completou:

─ “Falta João Saldanha no futebol. Falta João Saldanha no jornalismo. Falta João Saldanha na sociedade. Um marco não só na imprensa, mas na vida”.

A salvação do colibri


Há uma bela poesia humana no ato garantir a vida de um filhote de ave silvestre. Até por que precisa haver muito sentimento humano e longa dedicação. O pequeno pássaro ficará dependente de seu salvador. Talvez para o resto de sua vida.

Recebi esse vídeo de um grande amigo, Homero Dias. Conhecemo-nos em 1964, cursando o científico no Liceu Franco-Brasileiro. Achei as imagens emocionantes por que conta uma pequena história de vida, tanto do frágil beija-flor, quanto do pré-adolescente que não conheço. Nunca nos vimos. De toda forma, rendo-lhe uma homenagem por sua atitude.

Espero que gostem de assistir a esse renascimento do humanismo. É a primeira vez que Sobre o Ambiente publica um vídeo nesse formato aberto.

A edição do vídeo ficou muito boa, com alegre música de fundo, própria para filhotes de pássaros e pré-adolescentes que não admitem destruir.