Conflito entre licenças ambientais


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

A legislação brasileira é muito extensa, complexa, falha, por vezes redundante, contraditória e inaplicável. Um indicador dessa “impressão leiga” são as toneladas de processos atolados na burocracia da justiça, há décadas. Não há como contestar esse fato e o elevado custo que a sociedade brasileira é obrigada a pagar.

Pede-se desculpas aos bons juristas e advogados – eles ainda existem –, mas a causa dessa proeza se assenta na extrema ignorância de legisladores mal assessorados. Dessa forma, o Congresso Nacional tornou-se obtuso e continua a aprovar outras novas normas, muitas delas sem qualquer necessidade.

Observe-se o absurdo da chamada Lei da Palmada! Porém, dentre os 181 mil diplomas legais existentes no país, há outros que ressaltam a estupidez de seus proponentes, do plenário que as aprovou e do presidente que as sancionou. Isto sem considerar as normas legais que se encontram em tramitação, como a que institui o “Dia Internacional do Direito à Verdade[1]. Afinal, será que a população do planeta só tem direito a saber da verdade num dia por ano?!

Entretanto, o foco desse artigo é a legislação ambiental brasileira. Nesse setor específico tem-se uma profusão de instituições públicas a “regular o Ambiente do país”: Ministério, Conama, Ibama, órgãos ambientais estaduais e órgãos ambientais municipais. Afora organizações que criam regras ambientais particulares, como Iphan, Eletrobras, Petrobras e CNEN, dentre outras.

Não bastassem os escuros labirintos da burocracia nacional, para complicar ainda mais o cenário de investidores, que, por óbvio, desejam seus projetos licenciados, existem “Ong” com a missão de azucrinar o processo das licenças estabelecido como regra geral: licenças prévia, de instalação e de operação.

Em alguns casos, estas organizações têm excelentes motivos para denunciar o investidor. No entanto, dispendem tempo e capital para esclarecer à nação “impactos ou até crimes”, os quais batizam de “socioambientais[2], todos não controlados. Ao agirem de acordo com a regra ambiental vigente, não consideram que o problema se encontra justamente no próprio texto da lei que querem ver atendida. Mas, na visão deste blog, é impossível atende-la!

Para explicar melhor, analisa-se o caso factual da usina hidrelétrica de Belo Monte. Trata-se do “embate político” entre a estatal que paga a obra e é a proprietária da futura usina (Norte Energia[3]) e o Instituto Socioambiental (ISA), uma notória Oscip brasileira.

Vista da usina de Belo Monte ainda na etapa de construção

Vista da usina de Belo Monte ainda na etapa de construção

Em junho de 2015, o ISA divulgou um documento de sua autoria, com mais de 260 páginas, intitulado Dossiê Belo Monte – Não há condições para a licença de operação. Do ponto de vista técnico e científico, concorda-se com essa afirmação. Porém, por fatos bem diversos, muito anteriores aos narrados no dossiê.

Com base no levantamento das pendências ambientais remanescentes da Norte Energia e de impactos adversos não controlados (físicos, bióticos e antropogênicos) sobre a região afetada, ao afirmar que a usina não tem condições de operar, infere-se que os técnicos do ISA concordam que foram corretas as demais etapas do ciclo de vida da usina. Ou seja, que seus projetos de engenharia e sua obra foram legal e devidamente licenciadas.

Neste ponto, defende-se uma posição contrária: no rio Xingu, sobretudo naquela região, qualquer projeto de engenharia com a envergadura de uma hidrelétrica, simplesmente nunca receberia a Licença Prévia. Assim, é evidente que não aconteceria sua construção, nem os impactos negativos decorrentes da violenta cirurgia intrusiva em áreas primitivas da Amazônia.

Para solucionar o impasse, que é típico nesses conflitos de interesses, propõe-se algumas medidas administrativas, baseadas na lógica do ambiente:

  • Criar a Licença de Localização, que demandará um estudo preliminar de viabilidade ambiental (EPVA). Os EPVA, por possuírem caracterizações objetivas dos espaços físico, biótico e antropogênico, podem ser elaborados de forma mais rápida que os EIA e são conclusivos quanto à localização ou não do empreendimento na região desejada pelo investidor. Este não precisa possuir um projeto básico ou executivo de engenharia do empreendimento, bastam os traços e as dimensões de um projeto conceitual.
  • Objetivar o EIA, tornando-o estudo complementar do EPVA realizado, dotado de um processo detalhado de avaliação parametrizada de impactos, bem como de um Plano Executivo de Gestão (PEG) das relações promovidas pelas obras do empreendimento com sua área de impactos potenciais. O PEG deve ser estruturado com objetivos, metas, programas e projetos ambientais que visem à manutenção da qualidade ambiental da região afetada. Após a aprovação do EIA pelo órgão competente, é emitida a Licença de Construção.
  • Criar a Licença de Gestão Ambiental de Obras, que demandará do investidor e da empresa construtora firmarem o compromisso formal de implantar o Plano Executivo de Gestão das obras, com equipe não vinculada à empreiteira e com gerência própria. O gestor ambiental das obras emitirá relatórios ambientais periódicos para o órgão ambiental competente. Este, por sua vez, pode efetuar auditorias ambientais das obras para aferir a qualidade ambiental existente, apresentada nos relatórios. Uma vez finalizadas as obras, tendo sido aprovado o relatório ambiental consolidado da obra, será emitida a Licença de Operação.

Dois fatos são nítidos neste processo de licenciamento ambiental: (i) é menos burocrático, mais rápido e menos oneroso do que o existente; (ii) possui as ferramentas necessárias para garantir a qualidade do desempenho ambiental do projeto e de suas obras, bem como, manter ou, em certos casos, até mesmo beneficiar os níveis de sustentabilidade do ambiente afetado.

É claro que essa proposta de licenciamento objetivo, não romanceado, precisa ser detalhada. Todavia, por uma equipe que possua visão de futuro, com notória competência na gestão do ambiente e, sobretudo, liberta das amarras burocráticas brasileiras.

……….

[1] O parlamentar que propõe um projeto de lei desta natureza devia trajar camisa-de-força, isolado num sanatório para dementes.

[2] A expressão “socioambiental” é redundante por dois motivos. Primeiro, por que o segmento social é parte do Ambiente e, portanto, não precisa ser ressaltado, a não ser que haja “interesse político”. Segundo, bastaria dizer que os impactos ou crimes são “antropogênicos”, pois também são parte do Ambiente vitimado.

[3] Acionistas da Norte EnergiaEmpresas públicas: Eletronorte, Eletrobras, Chesf, Cemig, Light; Fundos de pensão da Petrobras e da Caixa Econômica, detendo 79,75% do capital social. Empresas privadas: Vale, Neoenergia, Sinobras e outras, com somente 20,25% do capital social.

Por sorte, não é o super-homem


Antes de iniciar, devo esclarecer uma coisa: o texto a seguir nada tem a ver com a filosofia de Nietzsche, conforme proposta em sua obra e, sobretudo, em seu livro Assim falou Zaratustra. O Super-Homem aqui lembrado não é melhor, mais importante, nem está acima de qualquer outra espécie do Gênero Homo.

Contudo, é dotado de força descomunal, possui visão que atravessa até paredes de aço, tem corpo a prova de explosivos e exercita incríveis habilidades voadoras. Precisa-se de um que seja invulnerável à kriptonita.

Esse não serve

Esse não serve

Batendo um papo com o velho amigo Reinaldo Azevedo (que, por sinal, é outro), falávamos sobre os disparates diários que ocorrem no país. No entanto, não é possível sequer enumera-los. De toda forma, começamos a conversa com a seguinte visão:

─ “São centenas de milhares deles, que vão desde coisas de elementar civilização, como (i) estacionar caminhonete sobre a calçada enquanto aguarda a namorada e (ii) parar o carro na porta de garagens e ficar à espera do filho do patrão sair da escola, até, subindo na escala, (i) escutar as patranhas descaradas dos políticos e mandatários de ocasião, (ii) saber das “imundas maquiagens econômicas cometidas pelo governo” e depois, em estranha resposta, (iii) assistir aos ataques de silvícolas armados com lanças e flechas contra instituições e inomináveis figuras públicas”.

Isso é o resumo do Brasil de hoje, a mostrar os intestinos para o mundo e certos espécimes encravados no governo que, por sinal, já foram classificados pela Polícia Federal como da espécie homo larapius. Alguns poucos estão em penitenciárias.

É a repetição sistemática de quadros de baderna que angustia o povo brasileiro, pois é quase impossível dominá-los. Diante desses fantasmas, Reinaldo comentou, com o olhar distante:

A sorte deles é que eu não sou o super-homem? …

Pensei um pouco no que significaria ser super-homem naquela situação, mas logo Reinaldo tentou esclarecer:

Os hábitos dos brasileiros ficaram muito estranhos, perdeu-se a capacidade de ver que o outro existe. Por exemplo, volto do trabalho e sempre tem um carro estacionado na calçada do prédio. Um carrinho de compras ou de criança tem que ir pra rua, não há como ninguém passar.

─ “Mas Reina, o que isso tem a ver com super-homem”?

Simples, já pensou em esmigalhar cada carro e fazer lotes de tampas de Coca-Cola? Teria de ser um super-homem.

Dei asas à imaginação. A voar na velocidade da luz, avistei um super-homem carregando um enorme saco de políticos em direção à estratosfera. Largou-os perdidos no cosmos, atracados com bilhões de dólares desviados, se espancando de forma enlouquecida. Sequer notaram que já não mais habitavam o planeta.

Encerro o texto com a afirmação de Friedrich Nietzsche, plena de atualidade: “Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos.

Contaminação


O desenvolvimento contínuo e acelerado de um país precisa ser muito bem planejado para o médio e longo prazos, tanto por parte do governo, quanto por investidores. É usual que as engenharias requeridas sejam previstas e aplicadas, para responderem às demandas desse processo.

Entretanto, a Gestão do Ambiente, onde são implantados novos negócios, não recebe o mesmo tratamento. Daí resultam elevados custos ambientais, a gerar ameaças e desastres para sua população, bem como retroimpactar de forma adversa e violenta a economia do país, e os próprios empreendimentos em operação.

Esse é o caso da contaminação do espaço físico na China atual – ar, água e solo –, conforme mostram as imagens publicadas neste artigo. Até o guarda de trânsito parece pedir socorro.

Reprodução de O Globo

Reprodução de O Globo

O solo e a água constituem o substrato do planeta, ou seja, do macrossistema ambiental que ele detém. Em conjunto com o ar [e seu oxigênio], foram os fatores básicos para a criação e evolução da biota – flora, fauna e homem, nesta ordem.

Porém, se foram necessários bilhões de anos para que o planeta apresentasse os sistemas ecológicos que hoje possui, o mesmo tempo não será requerido para destruí-los. Basta retirar as propriedades originais do ar. Basta intoxicá-lo.

A alarmante poluição do ar na China

A alarmante poluição do ar na China

Não há como escapar a esse ataque “pseudo-desenvolvimentista”, pois as plumas de gases tóxicos chegarão à água e ao solo, contaminando-os gravemente de variadas formas.

A brutal contaminação das águas

A brutal contaminação das águas

Os agentes químicos da poluição industrial

Os agentes químicos da poluição industrial

A contaminação do solo e a perda de milhões de hectares de terra

A contaminação do solo e a perda de milhões de hectares de terra

O resultado desse cenário chama-se “depravação do ambiente”. É provocada pela falta de planificação do desenvolvimento. É inexorável e ruma para a eliminação de toda a biota chinesa, com o bicho homem incluído.

De forma simplificada pode-se dizer que, sem água em quantidade e qualidade, a flora morre e apodrece (é oxidada). Dessa forma, reduz-se o ciclo da fotossíntese e o oxigênio essencial é mal consumido, atingindo a concentrações muito baixas, insuficientes para a vida, sobretudo em ambientes aquáticos.

Por fim, com a vegetação já em declínio acelerado, o espaço domiciliar da fauna fica cada vez mais reduzido – áreas de dessedentação, alimentação, reprodução, proteção e descanso –, levando ao desaparecimento das espécies sensíveis que, em nenhuma hipótese, conseguem sobreviver no ambiente humano.

Por algum tempo, somente permanecem as espécies que vivem na casa do homem, as espécies com hábitos peridomiciliares – ratos, aranhas, escorpiões, cobras, mosquitos, baratas e outros insetos. A partir daí há uma alta probabilidade de ocorrência de zoonoses, endemias, epidemias e pandemias, além de acidentes com animais peçonhentos que, por uma cretinice, o homem trouxe para dentro de seu próprio quintal, enquanto acreditava que “desenvolvia o país”.

E agora, há de fazer o quê?

Primeiro, compreender que um PIB espantoso de cerca de 14 trilhões de dólares é medida de crescimento, nunca do desenvolvimento de uma nação. Sobretudo, quando possui população próxima a 1,4 bilhão de habitantes, que vive desde 1949 sob regime unipartidário, imposto pelo Partido Comunista Chinês.

Depois, ter certeza que para desenvolver uma nação, de forma estrategicamente planejada, é necessário que o Estado seja o servidor da Sociedade, um reflexo da educação e civilidade de ambos. E a atuação do Estado Chinês encontra-se muito aquém disto.

Por fim, antes de pensar em como aumentar seu PIB, deve debruçar-se sobre seu amplo território, conhece-lo profundamente, identificar em detalhes suas sensibilidades ambientais, de forma a executar somente projetos que garantam a sustentabilidade de seu vasto Ambiente.

Com certeza, o custo dos recursos ambientais de que a China se apropria para produzir será mais reduzido, em especial as fontes de energia, a água e os milhões de chineses treinados.

E no Brasil do Século 21?

O PIB brasileiro é inferior ao norte-americano (17 trilhões) e ao chinês (14 trilhões). Alcançou a 2,4 trilhões de dólares. Sobretudo, com uma população estimada em cerca de 200 milhões de habitantes, que vive sob o império de incertezas políticas, criado por uma oligarquia que pode estar à beira da falência eleitoral.

O Estado Brasileiro desconhece o significado da palavra Nação. Usa a Sociedade como uma servidora silenciosa aos interesses particulares de seus líderes políticos. Esse cenário requer sua rápida inversão democrática, pois, do contrário, a sociedade sofrerá consequências ainda mais desastrosas a partir de 2015.

Por fim, o Estado deveria conhecer em detalhes o Ambiente de seu vasto território e nele implantar somente projetos compatíveis com sua sustentabilidade. Porém, tem feito justamente o contrário. Seus dirigentes são mitomaníacos, fazem promessas que nunca realizam e deixam chagas abertas no território brasileiro, criadas por obras interrompidas e atrasadas.

Um dos inúmeros exemplos é o projeto da faraônica Ferrovia Transnordestina, com canteiros de obras parados, desde o Piauí até Pernambuco. Os impactos decorrentes sobre o Ambiente se avolumam, afetando de forma nefasta e significativa o Ar, a Água, o Solo, a Flora, a Fauna e o Homem. As perdas e danos desse cenário ambiental são inimagináveis, no mínimo para a região coberta pelo projeto.

Obra parada da Ferrovia Transnordestina - Piauí

Obra parada da Ferrovia Transnordestina – Piauí

Mas esse é o argumento do partido que governa o Brasil há 12 anos: “O ‘meio ambiente’, sem dúvida nenhuma, é uma ameaça para o desenvolvimento sustentável”.

Essa indecência foi verbalizada por uma ministra brasileira, durante evento internacional promovido pela ONU, em dezembro de 2009, para tratar do tema “Mudanças Climáticas”, realizado em Copenhague, DNK.

Escolha outra tripulação


Enviado pelo correspondente Zik Sênior

Sem todas as cartas náuticas e um Plano de Navegação bem detalhado, navio nenhum segue ao mar. A singradura pelos oceanos foi mais aleatória no tempo dos grandes descobrimentos europeus. Contudo, há muitos comandantes que ainda teimam em redescobrir o planeta às cegas. Possuem uma espécie de esquizofrenia da dominação.

Rochedos, falésias escarpadas e recifes submersos estão cada vez mais próximos dos navios cegos. Os ventos são fortes e as ondas atingem a 8 metros de altura. O navio brasileiro está desgovernado na entrada da enseada, quase sem tripulantes que saibam como navega-lo.

Um quadro simplesmente assustador

Um quadro simplesmente assustador

Tripulantes mais religiosos preferiram se jogar ao mar. Mas, ainda assim, a tripulação continua inoperante. O comandante sequer consegue segurar o manche, que dirá dirigi-lo. Desconhece as posições do leme e para onde elas conduzem o navio.

O desastre pode ser iminente se não conseguir apoio da tripulação. Porém, ela está a promover lutas intestinas, motins à bordo; criar comissões de conselheiros e forças-tarefa para tentar descobrir o que está a acontecer no retorno da viagem da eterna exploração dos recursos do país.

A maioria quer participar desses grupos de discussão, mas a burocracia exasperante impede que, em curto e médio prazos, sejam criadas quaisquer comissões e forças-tarefa formais. São processos doentes de salvação que, neste navio, demandam anos para serem implantados, enquanto, a cada segundo, ele mesmo naufraga de forma inexorável.

Ademais, como se ainda não bastasse, gangues de tripulantes promovem investidas e saques aos cofres de ouro da embarcação. Acreditam que vão sobreviver ao inapelável naufrágio. Por sinal, o comandante só pensa no novo navio que espera capitanear no futuro. O povo está revoltado e vai encarcerar o comandante criminoso.

A situação prevista para passageiros e tripulantes

A situação prevista para passageiros e tripulantes

Para a população que aguarda o desenlace em terra firme o quadro é de grande desolação. Curiosos, familiares e amigos dos passageiros e tripulantes à bordo do “Navio da Desgraça” nada podem fazer, a não ser apostar que certos indivíduos serão salvos, quem sabe alguns de seus familiares.

É possível ver que grupos de comerciantes armam barracas para promover venda de sucos e sanduíches aos que assistem ao naufrágio. Também começam passeatas e críticas fortes ao comandante e sua tripulação. Lê-se faixas com dizeres ofensivos, não raro esdrúxulos.

O belo navio parece que está a tombar. Gritos, correrias e furtos se sucedem. Resta cuidar da renovação completa dos navegadores desastrados. Estes nunca mais deverão singrar nossos mares.

Bateu e naufragou! Este foi o “comando” do navio

Bateu e naufragou! Este foi resultado do “comando” do navio

Cortinas de fumaça para crises estruturais


Há um axioma [1] da matemática que diz: “todo e qualquer o número A elevado a zero é igual a um, mas somente se A for diferente de zero”, ou seja → A0 = 1, se, e somente se, A 0.

Este é o axioma que permite uma série de cálculos e a manutenção da lógica quantitativa. Diríamos mesmo, a manutenção da História e da Filosofia Matemática. ─ Mas, pensem bem, existem axiomas políticos?

Cremos que há milhares de bilhões desses axiomas, pois há muitos milênios que as cabeças de políticos estupidamente sufragados os produzem diária e estoicamente, de acordo com seus interesses íntimos e particulares. Olhe, estamos a falar de incontáveis milênios!

De toda a feita, para nós basta apenas um axioma, criado pela sociedade mundial, o qual diz: “caso se tratem de políticos populistas, todos aqueles que ocuparem cargos eletivos são incompetentes e corruptos” ou seja, por analogia, → 0 + 0 = 0, com certeza política. Não valem que seja diferente de zero.

Vamos imaginar agora que sofremos com as ações de um Governo Populista, coalhado de Partidos ou Quadrilhas de Políticos da mesma laia, produzindo inúmeros novos axiomas, a que chamam de “propostas de emendas à constituição”, “projetos de lei” e “medidas provisórias”. Analistas de Ciência Política mostram que, em boa parte, são “axiomas” para suprir ganâncias pessoais e atender aos grupos que os financiam.

A primeira decisão populista deu-se com o surgimento do Programa Bolsa Família. Foi a mais estrondosa cortina de fumaça nacional nos últimos dez anos, aspergida sobre parte da população de brasileiros miseráveis. Vale dizer, constitui uma cópia mentalmente aleijada do projeto Bolsa Escola, criado pelo governo anterior.

O Bolsa Escola visava a manter crianças e jovens carentes nas escolas e estimular sua alfabetização, bem como aumentando as chances de sua posterior entrada no mercado de trabalho. Portanto, não era um “projeto eterno”. Havia uma boa estrutura de gestão implantada que permitia ao governo ter controle de todos os que eram beneficiados.

Já o Bolsa Família, da forma com que vem sendo utilizado, visa a garantir “votos de cabresto dos beneficiados” e, por falta de competência governamental, retira-os do mercado produtivo.

Há um caso que circula na internet desde 2010. Diz-se que o Governo do Ceará propôs ao Sindicato da Indústria Têxtil dar um curso para formação de 400 costureiras. O setor têxtil é forte na economia daquele estado. Mas havia apenas um detalhe. Todas as participantes do curso haveriam de estar recebendo o Bolsa Família. Coube ao SENAI realizar o curso. As indústrias confirmaram as contratações. O curso foi finalizado e as indústrias têxteis do Ceará, conforme haviam acordado, ofereceram trabalho e carteira assinada. Todas as 400 novas profissionais não aceitaram a proposta para não perderem o Bolsa Família. Queriam ser “pagas por fora”, pois o programa do governo federal é, segundo elas, “pra sempre”.

Integrando os dois axiomas

Essa integração é bastante simples. Senão, vejamos: Seja GP um Governo Populista; QP, uma Quadrilha de Populistas; e PP, um Político Populista. Como todos os três são incompetentes na gestão pública e muitos deles são corruptos, deduz-se naturalmente que de nada valem e são idênticos, ou seja, GP = QP = PP = 0.

Axiomaticamente A0 = 1, se A ≠ 0, substituindo A por qualquer um dos três, conclui-se que: GP0 = 0; QP0 = 0 e PP0 = 0.

Em outras palavras, não temos governos, não temos legislativos, mas sofremos graves ameaças à qualidade do Judiciário, com o elevado risco de absolvição de boa parte dos condenados e apenados no processo do Mensalão.

Lideranças de QP reunidas

Algumas lideranças de QP reunidas. Fato raro de ser fotografado.

Cortinas de fumaça

Convivemos com sucessivas enganações do povo através de “cortinas de fumaça” populistas. Foram tantas que não temos memória para listar nem mesmo as ocorridas nos últimos dez anos. No entanto, é possível citar algumas “cortinas”.

A espionagem americana sobre países da América do Sul, com ênfase no Brasil: a ideia é fingir uma retórica firme contra o Governo Obama, fazer reuniões dos líderes sul-americanos “furiosos” e divulgar “ameaças” contra as agências de informação norte-americanas. E tudo isso não passa de retórica fraca, de “papo-furado”, pois são várias as potências mundiais que espionam as nações que as interessam, pelo menos desde que suas agências de inteligência foram criadas. Possíveis casos são Alemanha, Reino Unido, França, EUA, Rússia e China. Motivo: desviar a atenção dos milhões de manifestantes que seguem pelas ruas e praças do país pedindo reformas estruturais capazes de superar a crise econômica brasileira.

O famoso e falido plebiscito imposto pelo Governo Central à nação brasileira: além de um plebiscito totalmente fora de hora e propósito, o governo federal sugeriu cinco temas curiosos, achando que são suficientes – (i) o financiamento público ou privado das campanhas eleitorais, (ii) o voto proporcional ou distrital, (iii) a continuidade ou não do voto secreto no Congresso Nacional, (iv) o fim da suplência para senador e (v) o fim das coligações partidárias em eleições proporcionais (de vereador e de deputado). Qualquer cidadão brasileiro sabe muito bem as respostas para essas questões. E também sabe que elas não respondem aos protestos dos manifestantes autônomos. Motivo: o mesmo!, desviar a atenção dos milhões de manifestantes que pedem urgentes reformas públicas estruturais. Os temas “sugeridos” para o plebiscito chegam a ser patéticos diante das justas montanhas das demandas populares.

A necessidade de importar médicos cubanos e outros: a inteligência do governo federal diz que o quadro da saúde pública brasileira precisa de “investir” em mais médicos. E, segundo os “especialistas” do seu Ministério da Saúde, as faculdades brasileiras de medicina oferecem poucos médicos que, além disso, são médicos que não querem trabalhar no SUS. Uma boa mentira. Esta não é a realidade. O Sistema Único de Saúde encontra-se em estado lastimável, quase à beira da falência. Falta-lhe tudo – mais hospitais, sólidas instalações, mais espaço físico em suas unidades, todos os equipamentos essenciais, remédios, higiene e até mesmo gases para curativos. Com certeza, não serão milhares de “médicos importados”, mesmo que todos detivessem o Prêmio Nobel, que modificarão a péssima qualidade da saúde pública no Brasil. Motivo: justificar mais um particular “favorzinho monetário e pessoal” aos Irmãos Castro. Porém, como sempre, às custas dos impostos pagos por nossa gente.

A CPI do Cachoeira: iniciada em maio de 2012, decorrente da operação Monte Carlos, da Polícia Federal, tentava revelar “as íntimas relações do bicheiro Carlos Cachoeira com influentes políticos do Centro-Oeste, tanto da oposição como da base aliada”, bem como com o proprietário da empreiteira Delta, o Sr. Fernando Cavendish, dono do maior número de obras do “PAC – Plano de Aceleração do Crescimento”, governo federal. No entanto, esta CPI foi um tiro de canhão no pé de quem a “armou”. Em dezembro de 2012, o seu resultado foi um fiasco, pois o relatório final do relator foi rejeitado pelos participantes da comissão. Motivo: concordamos em parte com o que disse um jornalista em seu blog – “a CPI [do Cachoeira] que o PT criou para melar o processo do mensalão, para ‘pegar’ a imprensa, o STF, o procurador-geral e ministros do STF”. Em nossa opinião não foi uma iniciativa do PT, mas de uma de suas facções, radical e energúmena. E a questão não era apenas “melar o processo do mensalão”, iniciado em agosto de 2012, mas escondê-lo da sociedade brasileira. Contudo, perguntamo-nos: escondê-lo no buraco de quem, e qual seria o tamanho desta escavação?…

Agradecemos aos leitores que quiserem enviar para este blog outras “Cortinas de Fumaça” que estejam em sua lembrança.


[1] Na matemática, um axioma é uma verdade inicial da qual outros enunciados são logicamente derivados. Pode ser uma sentença, uma proposição, um enunciado ou uma regra que permite a construção de um sistema de equações formais. Axiomas não são derivados de princípios de dedução e nem demonstráveis por derivações formais, simplesmente porque constituem as “certezas básicas da lógica”.

A Inocência


A Inocência

Recebi há pouco essa foto e, como num estalo, a primeira palavra que me veio à mente foi “Inocência”. Assim, vou chama-la de Pureza, pois creio tratar-se de uma inocente menina, da qual desconheço a espécie. Até porque, afinal, a quem importaria qual seria sua espécie? …

A Inocência

A Inocência de Pureza

A fragilidade desta pequena ave, sua plumagem de filhote, clama por proteção e trato suave. Clama, sobretudo, por liberdade. Trata-la bem, sem dúvida, é permitir-lhe permanecer sempre liberta. Somente assim ela poderá crescer, ainda que não aumente de volume e peso.

Observando a foto de Pureza é-me impossível não fazer uma analogia com a história do Brasil durante o último século. Neste período a sociedade brasileira, por diversas vezes “submissa e engaiolada”, não descobriu os meios para crescer livre de oligarquias e ditaduras, com suas permanentes corrupções. Na verdade, manteve-se abatida e enfileirada tal como uma manada de gado para corte.

Assim foi nas ditaduras e oligarquias do período Vargas, nas subsequentes ditaduras militares que duraram 25 anos (de 1964 a 1985), bem como nas oligarquias corruptas de José Sarney e Collor de Melo que se diziam democráticas, embora tenham destruído completamente a economia do Estado e as forças internas propulsoras do desenvolvimento socioeconômico.

No curto período de Itamar Franco, iniciado em 1992, depois de “seis pacotes econômicos de seus antecessores”, teve início uma espécie de salvação do país, mesmo diante de inúmeras crises no mundo. Diz um artigo dos economistas Ana Paula Menezes Pereira e Fernando Seabra, da Universidade Federal de Santa Catarina: “A década de 1990 foi caracterizada por uma sucessão de crises cambiais, como a do Sistema Monetário Europeu, em 1992; a do México, em 1994; a asiática, em 1997; a russa, em 1998; e a brasileira, em 1999”.

E foi nesse torvelinho que Itamar Franco, e depois Fernando Henrique, implantaram com sucesso o chamado Plano Real, dando uma relativa estabilidade econômica ao país. Destaca-se que a oposição contra o plano econômico era bastante aguerrida, sobretudo a encabeçada por Lula da Silva. Há quem diga até hoje, sem qualquer prova , que a “privataria tucana” foi a responsável pelos abusos com que convivemos nos dias atuais. Esses arriscados analistas decerto irão afirmar suas mesmas “verdades particulares” daqui a 100 anos: o culpado foi o anterior a nós. Isso é patético.

Porém, Lula da Silva foi por fim eleito Presidente da República em outubro de 2002, na sua quinta participação como candidato pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Conseguiu obter “apoio político” de um lote expressivo de partidos, inclusive os dos ex-presidentes Sarney e Collor, a quem acusara inúmeras vezes de se terem beneficiado pela corrupção que conduziam no país.

Seu primeiro governo foi bem orientado, mantendo a política econômica de seu antecessor e por sorte, em um período que o mundo estava comprador de commodities. Sem qualquer cerimônia e fundamento, Lula da Silva trocou o que chamava de “imperialismo norte-americano” pelo moderno imperialismo neocapitalista chinês. Até que, em maio de 2005, foi escancarado o Escândalo do Mensalão, que consistia na compra de votos da “base aliada” no Congresso, de acordo com os interesses do poder executivo. Mais de 75 milhões de reais foram desviados do Banco do Brasil para diversos ilícitos, conforme foi apresentado pela TV Senado, na Ação Penal 470. Curiosamente, esta ação somente foi julgada a partir de agosto de 2012, com Lula da Silva já fora do governo. Ileso de qualquer acusação, o cego e surdo presidente fez sua sucessora, a “doutora” Dilma Rousseff.

Talvez, na tentativa de implantar uma oligarquia ditatorial no país, os governos do PT durante os últimos dez anos, plenos de desgoverno e sem prioridades de investimentos para suprir as carências da sociedade, tenham enfraquecido a moral da nação brasileira, cantada em prosa e verso pela mídia internacional.

Parecem ser fatos consumados, mas na verdade ainda não são. Resta à sociedade brasileira continuar a levantar a voz sem qualquer inocência, mais alta do que o silêncio de Pureza, para construir uma verdadeira e transparente democracia.

Um quase desastre de trabalho


O Estado do Rio de Janeiro e suas inundações permanentes.

As chuvas torrenciais que caíram ontem no Estado do Rio de Janeiro causaram dramáticos transtornos. Desastres impiedosos motivados pela precária drenagem pluvial da maioria de seus centros urbanos, acrescida da ocupação desordenada em áreas declivosas. Não apenas pelas chamadas favelas, mas de cidades inteiras construídas sobre a área de inundação de rios, que por vezes não são planícies (de inundação), mas parte dos próprios talvegues que conformam as calhas dos rios e a dinâmica de sua incontida variação – calha regular ou normal, calha menor e a imprevisível calha maior.

Estávamos com duas equipes realizando trabalhos de campo para um novo projeto a ser implantado. Uma equipe dedicada a ecossistemas aquáticos e outra à fauna – avifauna, herpetofauna, ictiofauna, mamíferos e anurofauna. Contudo, mesmo com a cidade do Rio tornando-se um único ecossistema aquático, os três especialistas em biota aquática e água, acampados na área, conseguiram identificar os corpos d’água que deviam trabalhar meio a colossal inundação que os surpreendeu. Hoje e amanhã decerto poderão fechar o ciclo de coleta de dados e elaborar o relatório final sobre os ecossistemas aquáticos de interesse para os estudos.

Já a equipe de fauna teve a sorte de ser seu último dia de campanha, após uma semana no campo. Os cinco biólogos concluíram seus trabalhos a contento e conseguiram retirar todas as armadilhas de captura (física e fotográfica) antes do início das chuvas. Detalhe: com tudo documentado fotograficamente, conforme orientam as posturas dos trabalhos sérios!

As duas equipes são formadas por profissionais provenientes de diversos estados e não possuíam agenda para trabalharem simultaneamente. Dessa forma, apenas se encontraram durante um dia para trocar informações de campo e de acesso às áreas de trabalho. Menos mal, informações de campo atualizadas são essenciais.

No escritório ficamos pensando no risco que corrêramos de perder a sequência de dados coletados e informações para caracterizações e levantamentos que vêm sendo efetuados há meses. Seria um desastre para o projeto e para todos os estudos básicos até então realizados. Um desastre completo!

Por outro lado, lendo os jornais de hoje na internet, verificamos que vários municípios do Rio praticamente entraram em estágio de calamidade pública, mesmo sem o terem declarado. Quadros de emergência, grandes áreas urbanas alagadas, perdas do patrimônio público e pessoal, perdas de vidas humanas, enfim, um cenário de guerra, resultado de pouco mais de uma hora de chuvas intensas.

A cidade do Rio, que se tornou um canteiro de obras inundado, teve alagamentos, árvores tombadas, carros flutuando nas correntes de água pluvial e trânsito parado por pelo menos uma hora. Quanto às árvores, devemos esperar dos “Parques e Jardins” uma ação objetiva: assistiremos a um mês de poda e derrubada de árvores públicas em toda a cidade. Mas a população não ficará impassível. Por analogia estúpida, aguardamos que o governo estadual ou municipal bote abaixo todos os prédios velhos e mal cuidados quando um deles desmoronar!

As obras em andamento, algumas de grande porte, vão sofrer atrasos e terão seus custos redimensionados através de “aditivos de contrato” com as empreiteiras. Mais uma vez o dinheiro de nossos tributos será chamado para aprender a nadar nas enchentes urbanas da cidade.

A bela drenagem das obras do Estádio Maracanã

A bela drenagem das obras do Estádio Maracanã. Uma roubada!

Metro da Saens Peña - drenagem pluvial da Tijuca

Metro da Saens Peña – drenagem pluvial da Tijuca. Uma vergonha!

Rua Pinheiro Machado - Foto André Fragoso

Rua Pinheiro Machado – Foto de André Fragoso 

Passageiros sobre o Ônibus em Bonsucesso

Passageiros sobre o ônibus inundado, em Bonsucesso

Bairro de Laranjeiras

Bairro de Laranjeiras

Telefonia e desserviços


Telefonia e desserviços

Há “telemóveis” que não são ruins; o problema é a qualidade dos serviços das operadoras de telefonia no Brasil. Lembram os tempos dos telefones de manivela.

Celular - Modelo 2013

Celular – Modelo 2013

São poucas as operadoras; as mesmas que existem em quase todo o mundo. Mas, sem dúvida, neste nosso país os preços das chamadas são caríssimos (haja tributo) e entre dois os interlocutores de “telemóvel” parece existir um gato mastigando as emissões de voz. E isso é invariável a qualquer hora do dia, todos os dias. Diante disso, os brasileiros criaram uma frase digna do homem das cavernas:

─ “Não estou ouvindo, a ligação está falhando”… Pare e pense quantas vezes por dia somos obrigados a tentar esta fala, porque não funciona, dado que o outro lado também não nos ouve. Parecemos uns palhaços…

Entramos no elevador, a chamada cai. Atravessamos um túnel, a chamada cai. Passamos em uma rua cercada de prédios mais altos e… o aparelho fica surdo e mudo. Mas, no início, na década de 1990, não era assim. Contudo, poucos possuíam um celular e somente havia uma operadora instalada em alguns estados do país.

Hoje temos pelo menos cinco operadoras de telefonia móvel – Claro, Nextel, Oi, TIM e Vivo. Todas são incapazes de atender à demanda crescente, pois não investem na infraestrutura adequada. Não adianta reclamar com Anatel, Procom, Justiça ou com o Bispo. O problema está assentado sobre a fraca e lamentável infraestrutura técnica de telecomunicações que disponibilizaram, ou seja, a quantidade de bases de transmissão (antenas) implantadas, que é menor do que em países europeus, com área territorial bem menor, como a Inglaterra e Itália. Lá, as mesmas operadoras levam chumbo grosso caso aconteçam as falhas absurdas que praticam no Brasil: onde têm lucros muito elevados, muito embora não forneçam aos milhões de clientes “otários brasileiros” sequer o serviço básico que alardeiam em suas publicidades.

Feliz “Fim do Mundo” para as operadoras que não investirem!

Governos patéticos


Governos?…

Muitas obras realizadas em capitais brasileiras foram essenciais e eram, obrigatoriamente, responsabilidade pública. Obras da segurança, da saúde e da educação são o mínimo que o gestor público é obrigado a jurar publicamente que vai realizar e cumprir. E muitos deles juram sorridentes, mentindo com a cara mais deslavada.

No entanto, em muitas das capitais brasileiras, “obrigatoriamente”, é a junção de dois verbetes: “obrigatória” e “mente”. Este último, como presente do indicativo do verbo mentir. Desconfiamos que “obrigatoriamente”, para cabeças fossilizadas, significa que a mentira é pública, obrigatória e, para ser frutífera, deva ser descarada.

São Paulo

Quem não se recorda das obras paulistas executadas nos governos do “Santo” Paulo Salim Maluf? Quem não leu sobre os orçamentos previstos para as obras superfaturadas que idealizou e os crimes financeiros realizados pelo condenado? Procurado pela Interpol.

Paulo Maluf é o ex gestor público que, caso ponha os pés fora do Brasil, será coletado em inúmeros países, tal como lixo, trancafiado e transferido para cela de penitenciária. Lá fora o tratamento é mais definitivo e higiênico. Ladrão não fica perambulando em casa de praia ou viajando de avião.

Maluf é também o dito ser honesto que praticamente elegeu o novo prefeito da capital de São Paulo. Para tanto, bastou receber em sua luxuosa residência, meio ao pasto de seu jardim, a eloquente comitiva do candidato a prefeito que “se deu bem diante do eleitorado de São Paulo”. É muito provável que não tenha sido um eleitorado paulistano de nascimento, mas importado de alguns cantos do país. Só um idiota, ou alguém muito bem pago, poderia dar seu voto a um candidato fraco, indicado por Luís Inácio e confirmado por São Maluf. Tenham paciência!

Ménage a trois

Ménage a trois, felizes…

Rio de Janeiro

Chegamos ao Rio. Também infestado de grandes obras muito mal planejadas. A cidade inteira tornou-se um caos de trânsito. Por quanto tempo?, perguntamos.

A Barra da Tijuca está ficando cada vez mais inacessível, até mesmo para seus moradores. As passagens pela Avenida Airton Senna estão impraticáveis em função das obras do BRT Transcarioca no seu canteiro central. Leva-se mais de hora para atravessá-la em qualquer direção.

Para piorar, o Elevado do Joá está novamente com sérias falhas de manutenção. Concreto esfarinhado e ferragens à mostra, com corrosão intensa e visível. Corre risco de mergulhar no oceano Atlântico. Porém, o prefeito Eduardo Paes diz não ter dinheiro para remendar as duas pistas ou muito menos, como diz a COPPE, “para reconstruir o Elevado”. E não basta remenda-lo de novo…

Quem cai primeiro, Joá ou Perimetral?

Quem cai primeiro, Elevado do Joá ou a Perimetral?

Corrosão braba

Corrosão braba e imundice

Então, estamos assim: (i) problemas de travessia pela Aírton Senna, (ii) trânsito com risco de segurança pelo Elevado do Joá e, por fim, (iii) caso seja interrompido o tráfego pelo Elevado, o Túnel Dois Irmãos servirá apenas ao trânsito até São Conrado. Os moradores da Barra e Recreio terão que seguir pela Estrada do Joá, que é sinuosa e estreita. Ônibus não passa naquela via. Todos os acessos àquela parte da zona oeste ficarão intransitáveis durante doze horas por dia.

A Barra da Tijuca e Cia. ficaram sitiadas pelas forças do exército da ignorância (para não dizer outra coisa). Quem sabe se para chegarmos até lá, em breve deveremos seguir pendurados em helicópteros. Claro que pagos pela atenciosa, digna, técnica e douta prefeitura do Rio.

Agora, estamos na região das obras do “Porto Maravilha”. Parte da perimetral irá abaixo, vai ser demolida, desmontada ou lixada, seja lá o que for. Mas, segundo especialistas, essa “pequena obra” custará aos cofres públicos mais de R$ 1,2 bilhão. Uma moleza épica para a engenharia. Um assalto violento ao bolso dos contribuintes.

Com a nova face da região portuária do Rio todos os cidadãos terão duas opções de mobilidade. Por cima, através do VLT, de bicicleta ou a pé. Bem condizente com o clima sempre ameno e fresco da cidade. Ou então, por baixo, quando seguirão por um túnel escavado à beira do mar. Se a maré subir haverá um fantástico sistema de drenagem, talvez movido a vácuo, para que o túnel não vire um aquário de automóveis. A questão será a seguinte: drenar as águas para onde, pois a maré subiu e tornou-se uma barragem de água?…

Não vamos sequer comentar a construção da linha do “metrô lombriga” e os desarranjos intestinais que começam a ser causados na zona sul da cidade. Realmente, o trânsito virou uma “zona” naquela região do Rio.

Brasília

Também patético é um projeto para Brasília, que vendo sendo bastante noticiado pela internet. Recebemos via e-mail a preciosidade cometida pelo governador petralha do DF. Seguem alguns trechos da notícia:

“Foi firmado acordo entre o governo do Distrito Federal e uma empresa em Singapura para planejar o desenvolvimento da Capital Federal nos próximos 50 anos. Nas vésperas de Brasília completar 25 anos como Patrimônio Cultural da Humanidade, o Governador do DF fechou contrato com uma empresa que não conhece as nossas necessidades e muito menos o nosso potencial. Além do mais tal contrato foi feito sem licitação, transparência e sem a consulta da sociedade, de Engenheiros e Arquitetos Urbanistas da capital. Desmerecendo a capacidade técnica de nossos profissionais”.

“O projeto custará ao Governo US$ 4,25 milhões, a previsão é de que o planejamento estratégico esteja pronto em abril de 2014”.

“A Jurong, empresa contratada, deverá apontar caminhos para o desenvolvimento da região metropolitana de Brasília, em quatro polos fora do Plano Piloto – portanto, fora da área tombada como patrimônio mundial da humanidade, desde 1987, pela Unesco. Todavia, sabe-se que o todo é conectado; modificando uma localidade as outras sentirão os impactos advindos da ação executada”.

O senador R. Rollemberg apontou esta questão: “Qual foi o estudo realizado, se é que tem algum estudo, que identificou essa vocação de Brasília para ser um grande centro financeiro internacional? O que levou o governo do Distrito Federal a entender essa vocação de Brasília?”

“As formalidades da contratação da Jurong são questionadas. O projeto básico, divulgado no portal da transparência do governo do DF na internet, não é assinado nem tem data. Na versão em inglês do contrato, até mesmo o valor total do serviço – US$ 4.250.000, mais impostos – foi escrito com um zero a mais: “US$ 4.2500.000”. Na redação do valor por extenso aparece, equivocadamente, US$ 50 mil a menos”. Outra zona pública

“Levanta-se questionamentos quanto à capacidade da Jurong em planejar uma cidade tão peculiar em sua arquitetura-urbanismo, com dimensões sociais, econômicas, culturais e políticas próprias. A capital brasileira, projetada por Lúcio Costa, é um símbolo da democracia e expressão do modernismo internacional”. Embora devamos ressaltar que esta frase é apenas retórica, pois hoje é “símbolo da incompetência e expressão na corrupção modernista mundial“.

Segundo o senador Aloysio Nunes, planejamento urbano deve ter diálogo com a vida da cidade: “Macaquear desta forma uma experiência estrangeira, que nada tem a ver com a realidade de Brasília, é quase que um insulto aos macacos“, disse ele.

O mentiroso


Em agosto de 2012 publicamos no blog o artigo “O ambiente que constrói a mentira e o mentiroso”. No entanto, não fomos suficientes claros para os fins a que se destinava o texto. Sendo assim, seguimos batendo na mesma tecla: o mentiroso hediondo!

Milhões de leitores, com o mais variado grau de alfabetização – do sábio ao apedeuta –, tomam conhecimento diário, através da imprensa, das ações e transgressões de milhares de novos bandos de mentirosos brasileiros. Procriam como ratos fedorentos, vestidos de terno e gravata. Mas, têm um pequeno detalhe que os diferencia dos demais: somente os bandos de mentirosos especiais ocupam grandes espaços em revistas e jornais de grande circulação. Ah! Se pelo menos fossem “mentirosos normais”…

Estamos falando dos super-mentirosos coroados, das Celebridades Universais da Mentira, que um dia hão de receber Prêmio Nobel de Mentira, por esta “prática tão inocente e sem qualquer interesse escuso”.

Mentiroso bastardo

Uma pesquisadora fez um longo trabalho acerca da mentira e dos mentirosos, sobretudo em processos de gestão. Mas, ao lermos uma coluna a respeito da pesquisa, não encontramos a informação do tamanho da amostra de pesquisados. Muito embora isso enfraqueça o texto da colunista, a coluna parece perguntar ao mundo:

─ Será que o clássico mentiroso público começa a causar fortes preocupações entre os brasileiros civilizados? Ou, em outras palavras, o ato de cometimento da mentira sistemática e permanente, a acarretar danos graves a sociedades inteiras, é uma doença maligna, intratável, ou apenas a ausência genética dos princípios elementares da moral e da ética?

Sim, sem dúvida. Acreditamos que ambas as alternativas estão corretas; superpõem-se e entrelaçam-se. Esta classe de mentirosos profissionais sofre de doenças malignas e sequer sabe o que são os princípios humanos, básicos e universais em qualquer país civilizado.

Não há palavras ou expressão na língua portuguesa que seja capaz de nomeá-los e causar asco aos leitores e ouvintes. Xingar alguém de mentiroso soa como uma ofensa infantil, que guarda a voz de uma criança. O agredido, ao ouvir esse tipo de agressivo xingamento, especialmente os aterradores mentirosos da política brasileira, acha graça e considera que estamos a elogiá-lo.

─ “Te enganei mais uma vez, otário; eu sou Esperto!

Com certeza, muito esperto, mas pouco inteligente. Às vezes falece sem causa aparente…

Gás de pimenta e outros


Por fim, instalou-se no Brasil uma baderna decana, magistral; um vale-tudo em todos os seus ambientes, desde o Monte Caburaí ao Arroio Chuí; da Ponta do Seixas a Serra da Contamana. Tudo o que acontecer a partir de seus pontos extremos, por mais estranho que possa parecer, está valendo como se fosse o estágio normal de uma digna democracia, nunca o império da desordem.

Mas, o que temos observado, segundo nossa visão, são os comportamentos temerários do império da desordem, adotando um digno critério: “dividir as forças do inimigo para roubar os ganhos da guerra”. Todos, sem nenhuma exceção. Nós, sociedade brasileira, somos considerados inimigos.

No Congresso Nacional assistimos à profusão as ações da “base aliada”, simples bandos de facções anestesiadas pelo interesse de obterem vantagens escusas. Ficam mais ou menos juntos, embora, no fundo, desejem se destruir. A oposição tornou-se fraca, fruto do pequeno número de parlamentares que não se vendeu aos ilustres e loquazes compradores.

Tudo passou a ser leiloado nesta última década. O Congresso tornou-se uma banca de negócios de tal ordem que a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) está a exigir que o Brasil crie leis para punir empresas corruptas. Esta é a manchete da primeira página de um jornal de hoje.

A CPMI das Cascatas do Cachoeira, armada de forma ignóbil e burra para mudar o foco do cidadão, segue reto rumo aos arquivos do Congresso. Milhares de informações que foram levantadas serão congeladas (mas não apagadas); dezenas de empresas, políticos, governadores, prefeitos e marginais de menor porte foram identificados pela Polícia (cremos que pela Polícia Federal), permitindo a realização de “entrevistas” e buscas mais profundas que mostrassem a teia nacional que estava armada, envolvendo o senhor Carlos Cachoeira e uma jovem empreiteira recordista em contratos públicos. Os inúmeros sigilos bancários que foram quebrados não demostraram nada? Resultados práticos: dois políticos da oposição vão ser indiciados e há quem diga que o relatório desta CPMI trará também um forte ataque contra a liberdade de expressão ou da imprensa. Aliás, conforme determina o partido político que governa o país há uma década e que sonha em permanecer por um século no poder. Democraticamente, claro.

Saímos de Brasília e seguimos de bicicleta para o Rio de Janeiro para não emitirmos gases do efeito estufa. Chegamos ontem pela manhã (17/11/2014) ao Rio e fomos direto para a Barra da Tijuca, cumprir nosso dever cívico, participando de um manifesto calmo e pacífico contra a construção de um hotel na Área de Proteção Ambiental (APA) de Marapendi.

Vista da APA de Marapendi

As APA possuem regras próprias, estabelecidas em seus planos de gestão, que podem permitir a construção de certos tipos de empreendimentos em seu interior. Contudo, elas constituem unidades ambientais que se caracterizam de acordo com o estabelecido na Constituição Brasileira e sob o regime do Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC. Ambos demandam que haja um licenciamento ambiental para qualquer construção nas APA. Por sua vez, para que haja a concessão das licenças ambientais, é necessário que os estudos ambientais realizados sejam debatidos em Audiência Pública específica.

Não temos informação de que qualquer audiência haja sido realizada para aprovar o hotel da rede Hyatt na APA de Marapendi. Também não sabemos se existe, se foi publicado em Diário Oficial e o que diz seu Plano de Manejo em termos de restrições ao uso do solo. Sabemos, no entanto, que mais de 600 pessoas estavam presentes no manifesto e não desejam que a APA, com entrada pela Avenida Lúcio Costa, seja o jardim particular de um resort. Afinal, ela é um bem público e todos desejam que continue sendo.

Em respeito e homenagem ao Arquiteto e Urbanista Lúcio Costa, que elaborou o Plano de Ocupação da Baixada de Jacarepaguá, juntamo-nos aos manifestantes, na qualidade de ex-moradores da Barra e ambientalistas. Pois vejam o espetacular trabalho do Gênio-Urbanista Lúcio Costa, no vídeo “O nascimento da Barra da Tijuca”. O texto é de sua autoria e ele fala da necessidade de manutenção de áreas verdes nativas e do reflorestamento de novas áreas. Trata-se do descritivo do plano, pensado e redigido no ano de 1970, há 42 anos. O vídeo está muito bem narrado e prende a atenção.

Meio às ponderações normais que ocorrem em todos os manifestos de rua, sempre em favor da manutenção da área verde da APA, assim nomeada em 1972 graças às orientações do Professor Lúcio Costa, soldados da Polícia Militar se aproximaram das pessoas e lançaram spray de pimenta na direção dos rostos dos mais próximos. Havia crianças entre os que foram atingidos pelos gases. Essa é uma intenção bárbara e criminosa que se realiza através de gestos truculentos de polícias mal treinadas.

Spray de Pimenta, reprodução de O Globo

A tomada elétrica brasileira


Será mais um milagre da Santa Sordidez?!…

Seguem o texto e as imagens estranhas que recebemos no e-mail sério do Engo Sênior Paulo Couto. Retornamos depois.

“Só tem no Brasil e não é jabuticaba, é uma enorme bestagem, igual ao nosso antigo sistema televisivo, o chamado PAL-M, que entendia as transmissões de no máximo dois ou três países no planeta, dentre os 187 associados a ONU.”

“Assim sendo, pergunto: como os turistas irão se virar durante a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos no Rio de Janeiro, em 2016?”

“Uma das maiores cretinices inventadas pelo governo foi a nova tomada elétrica para plugues de 3 pinos, que é incompatível com todas as tomadas da galáxia. Vejam nas imagens a seguir.”

Modelos mundiais

Tomadas para a Copa do Mundo

“De uma hora para outra, todas as nossas tranqueiras elétricas e gadgets, que usam plugues com o modelo universal, simplesmente ficaram imprestáveis. Como somos brasileiros, não desistimos nunca! É chegada a hora de invocarmos a Santa Gambiarra, protetora eterna de todos os brasileiros.”

Retornamos

“Em 2000, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) publicou uma portaria que obriga a adoção dessa padronização e deu 10 anos para que o mercado se adaptasse às novas regras, que vão de acordo (sic) com normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O varejo não pode mais comercializar aparelhos com os plugues antigos desde outubro do ano passado. A partir do início deste ano o comércio está proibido [grifo nosso] de vender de forma avulsa, plugues e tomadas do modelo antigo. O prazo final é junho de 2011”.

Segundo a fonte da informação “a ABNT diz que o novo padrão brasileiro de tomadas e plugues de três pinos já está sendo implantado no país. Por ser um modelo embutido confere mais segurança, pois evita que quem manuseia o plugue toque nos pinos e leve choque. A padronização também ajuda a impedir a sobrecarga na instalação elétrica (?) e com isso, o desperdício de energia que ocorre com o uso de adaptadores inadequados”.
Fonte internet: Hagah.

Considerações naturais

Este argumento é simplesmente bizarro. O que se discute não é se a tomada é embutida ou não. Todas as tomadas podem ser obviamente embutidas, independe de qual seja o seu formato e de sua quantidade de furos. Pior ainda, ao torna-la embutida, quem é capaz de afirmar que a exclusiva tomada brasileira irá impedir a sobrecarga na instalação elétrica?

Essa afirmação eletrifica fatalmente qualquer engenheiro eletricista ou pai-de-santo que não seja sócio proprietário da unidade industrial que produz a nova tomada milagrosa.

Ficamos elétricos, apreensivos, se a tal tomada de três pinos está sendo realmente utilizada nos prédios construídos antes do ano 2000. Caso tenham sido, são inimagináveis os dispêndios econômicos de seus proprietários. Da mesma forma, além do quadro já descrito pelo e-mail, imaginamos o quanto deve estar vendendo a nova tomada de porco três-dentes.

Ficam aqui algumas perguntas sem resposta:

─ Quem são os verdadeiros sócios da fábrica de tomadas embutidas?

─ Quem foram os vendedores desta ideia monopolista para a ABNT?

─ E como fica o Inmetro nesta história?

─ Tem alguém fazendo aposentadoria eterna com a venda dessa porcaria?

─ Caso existam, quantos “alguéns” estão ganhando algum por fora?

Anarquia de princípios e valores


Ricardo Kohn, Escritor.

O cenário mundial encontra-se em seu mais amplo processo de anarquia moral, ética, política, econômica e humanitária, seja por parte dos líderes das nações que conformam o chamado Grupo dos Sete, seja pelos líderes de nações consideradas ainda emergentes e seja, ainda, função do elevadíssimo número de cidadãos do planeta que se esqueceu dos  princípios e valores de humanitários para que continuem, eles próprios, a existir. Trata-se do mais desgastante processo jamais vivido no planeta em toda a existência dos humanoides.

Assim, em português objetivo e claro, acho que devemos considerar e refletir:

─ Será que a espécie humana está galopando para trás, retornando no tempo algo como 200 mil anos?

Anatomicamente, o homem moderno evoluiu do Homo sapiens arcaico durante o Paleolítico Médio, há cerca de 200.000 anos. Aproximadamente há 50.000 anos, o comportamento moderno do homem já tinha iniciado seu desenvolvimento, incluindo a linguagem, a música e outras expressões culturais.

Há 10.000 anos, a maioria dos seres humanos vivia como caçador-coletor, em pequenos grupos nômades. O advento da agricultura gerou o acesso a grande quantidade de alimentos, permitindo a formação de assentamentos permanentes, a domesticação dos animais e a utilização de instrumentos metálicos. A agricultura incentivou o comércio e a cooperação, resultando em sociedades mais complexas. Devido à importância desta época para o surgimento das primeiras sociedades humanas, esse período foi chamado de “Era dos Humanos”.

Caçadores-coletores. Os de hoje usam terno e gravata.

Há cerca de 6.000 anos, os primeiros Estados Nacionais desenvolveram-se em três regiões: (i) na Mesopotâmia, (ii) no Saara, às margens do Rio Nilo, e (iii) no Vale do Indo (sudoeste da Índia). Além disso, foram formadas forças militares para a proteção das sociedades (?). E, por fim, foram criadas burocracias governamentais para facilitar a administração dos Estados. Foi exatamente aí que onde nasceu e ainda mora o maior perigo: burocracias monstrengas e repetitivas que administram e governam os Estados Nacionais e ainda dizem que criam facilidades. Resta saber para quem.

Os caçadores-coletores aos poucos foram se tornando corruptores-coletores, empoleirados nas burocracias governamentais e “facilitando” as atividades de seus companheiros.

Há cerca de 3.000 anos começaram a ser desenvolvidas ideologias que representassem os vários grupos identificados. As sociedades subdividiram-se e passaram a necessitar de “representantes de grupos”. Na verdade, não necessitavam, mas estas ditas representações populares foram insufladas nos povos por grandes oradores. Assim que, as burocracias cresceram ainda mais. E continuam a crescer até os dias de hoje, formando incontáveis instituições públicas, mas de propriedade exclusiva dos governantes dos Estados, eleitos direta ou indiretamente, pelos “representantes de classes”.

No Brasil, especificamente, o processo de evolução foi similar no que tange às governanças do Estado Nacional. Por se tratar de uma pré-nação criança, mesmo que bastante robusta como um forte adolescente, o Estado foi fundado por seu colonizador, antes mesmo de possuir uma sociedade. Do colonizador foram exportados para as terras brasileiras inúmeros bandos de corruptores-coletores.

Contudo, juntos também vieram nas caravelas os primeiros jesuítas que, ao se encontrarem com os indígenas, não souberam caso se tratavam de povos primitivos ou descendentes diretos de Adão. Mas, sem dúvida, afirmavam que haviam descoberto o Paraíso!

E passaram-se vários séculos até que o Brasil fosse saqueado pelos bandos de corruptores-coletores em milhões de toneladas das riquezas de seu solo, do nosso solo. Ouro, prata, platina, pedras preciosas, madeiras diversas, dentre outras riquezas que foram saqueadas e utilizadas como pagamento das eternas dívidas do colonizador. Muito curioso, parece que todas essas riquezas foram “devolvidas” a quem sempre haviam pertencido. Mesmo antes de terem sido descobertas.

Há pouco mais de 500 anos, essa nos parece ser a origem do comportamento humano no Brasil contemporâneo: roubos, saques, crimes variados, debaixo de leis instituídas e legitimadas pelos próprios criminosos.

No século XXI assistimos abismados à sanha da maioria dos descendentes dos antigos colonizadores: muito poucos jesuítas e um infindável número de quadrilhas organizadas de corruptores-coletores.

Os jesuítas criaram escolas e universidades de qualidade e a elas se dedicam. Quadrilheiros, governam, legislam, julgam e fazem o país galopar para trás em extrema velocidade, transformando o sistema público em pilhas de pó, coletando as propinas que exigem e sempre facilitando as proezas de seus queridos companheiros.

Os significados de Rapina


A princípio, trata-se de um substantivo feminino. Mas possui boa quantidade de significados. Também pode ser verbo: eu rapino, tu rapinas, ele rapina. E eles rapinam

Originalmente, refere-se às famílias de aves que possuem características típicas, ou seja das aves de rapina, também chamadas por rapinantes. São aves carnívoras e apresentam bicos recurvados e pontiagudos, garras fortes e visão de longo alcance. São aves velozes na captura de seus alimentos quotidianos, tais como grandes artrópodes, peixes, anfíbios, pequenos mamíferos e outras aves. Cada rapinante está adaptado para caçar um tipo de animal ou um certo grupo deles.

Ave de rapina em ação

Contudo, com a evolução dos usos, hábitos e costumes, “rapinante” tornou-se sinônimo de indivíduo que vive de extorsões. É usualmente chamado de “rapina”, ou seja, ator que sabe, gosta ou precisa de rapinar todo o tempo, em tudo o que faz na vida.

Deste costume surgiram na sociedade diversos outros sinônimos para “rapina”:

  • Roubo violento: ação ou ato de furtar outrem realizado em conjunto com meios violentos de dissuasão, como armas ou práticas de grupos de ladrões. O mesmo que assalto à mão armada. Corrupção especial.
  • Extorsão: ato ou processo de extorquir, obtenção de alguma coisa pela força, ato de roubar cometido por um ser que se entende como humano, corrupção.
  • Rapinagem: condição daquele que vive de rapinas, conjunto de rapinas, tendência para rapinar. O mesmo que ladroagem, corrupção.
  • Traficância: ato ou efeito de traficar, negócio fraudulento, negócio fora da lei, ilegal, corrupção.
  • Usura: prática de juros superiores ao estabelecido por lei ou pelo uso, modo de vida do usurário, agiotagem, corrupção.

Os “rapinas” mais notórios de nossa sociedade atuam e praticam diariamente todos os sinônimos acima. São os chamados “poli-corruptos”, vivem para rapinar. Porém, atenção, o prefixo ‘poli’ significa “em grande quantidade, múltiplo, muito”. Não há como confundir.

Tenha medo de mim. Eu ganharei todas as paradas!

Mas, nem tudo está perdido, pois rapina possui mais um significado, que traduz exatamente o que mais se deseja:

  • Vigilância, atenção, zelo, diligência, cuidado e precaução com alguém ou alguma coisa.

Curso de Analfabetização Profissionalizante


Curso de Analfabetização Profissionalizante

Mantendo nossa proposta de divulgar gratuitamente congressos, seminários e cursos que estão sendo propostos no planeta, desde que nos sejam oferecidos através de convite específico, segue uma estranha proposta que nos foi enviada.

Recebemos de uma instituição de ensino, da qual nunca ouvimos falar, a descrição de um inusitado curso que tenciona aplicar no mercado de trabalho nacional. Todos os valores nos chegaram em moeda válida internacionalmente. Nós os convertemos em Reais.

Transcrevemos abaixo a descrição do curso e o pedido de sua divulgação. Ao fim, tecemos alguns comentários sobre aspectos do evento, bem como acerca do contexto sociopolítico em que ele é oferecido.

I. Descrição do curso

1. Motivação do curso

A quantidade de estúpidos, imbecis, boçais e analfabetos, de verdadeiros animais irracionais, que se acachapam nas poltronas macias e refrigeradas de todos os plenários políticos, ganhando fabulosas fortunas anuais, somente para coçar o saco e fomentar asneiras é enorme, incontável. Vez por outra cometem crimes financeiros dos mais variados tipos e gêneros, sem nunca serem presos (somente em raríssimas situações). Esse fato estimulou-nos a fundar a Bossália Corps – BCS, com sede oficial nas Ilhas Cayman.

A BCS tem por missão eliminar qualquer resquício de conhecimento que possa existir em sua cabeça, não importando sua idade e condições de saúde. Até porque, boas cabeças ainda existem em nosso território e garantem um excelente mercado de des-treinamento para a fabulosa equipe de eletrocutores da BCS.

Secundariamente, como consequência imediata de sua missão, a BCS irá remunerá-lo regiamente para garantir seu silêncio e todas as mentiras necessárias que salvem a pele de sua chefia, a qual financia a BCS a fundo perdido.

2. Vantagens do curso

A BCS garante a todos os alunos devidamente matriculados, no mínimo, o cargo público de International Advisor of Power, para servir a prefeitos, governadores e presidentes. Salário mensal inicial líquido de R$ 35 mil (18 salários ao ano) mais “auxílio alimentar” de R$ 105 mil por mês, sem nota, mas com outras ajudas especiais normalmente já embutidas neste valor. Porém, estas ajudas podem ser negociadas caso a caso.

3. Objetivo do curso

Extrair do cérebro de qualquer cidadão matriculado toda a sua massa cinzenta e conteúdo intelectual acumulado, sem qualquer risco de vida e de incapacitação, em até 72 horas de práticas variadas, em especial a lavagem cerebral elétrica e eletrostática.

4. Público-alvo

O curso é destinado somente a profissionais de nível superior, formados em instituições com ou sem qualquer qualidade de ensino. Porém, precisam atender a pelo menos um dos quatro quesitos abaixo:

  • Ser recém-formado e à cata do primeiro emprego, desesperadamente necessitado de condições financeiras mínimas para manter sua família;
  •  “Ter mais de 50 anos e estar desempregado há 5 anos, aceitando fazer qualquer coisa para retornar a seu status quo de 10 anos atrás;
  • Estar sobrevivendo em condições muito precárias, comprovadas por atestados ou certificados legais reconhecidos, e ser notório imoral desde a infância;
  • Ser amigo particular dos sócios da BCS ou sócio deles em negócios ilegais e escusos.

Terão preferência de matrícula no curso aqueles que atenderem a todos os quesitos.

5. Ementa

O curso é literalmente prático. O orientador e seus auxiliares aplicam técnicas nos alunos devidamente matriculados. As técnicas são variadas, em função da missão estabelecida da BCS, bem como das necessidades identificadas nos alunos pela equipe da BCS: sessões de shiatsu, de ninjitsu, de karatê, de estrangulamento gradativo e de eletrocussão cerebral. Vários equipamentos de ponta são utilizados nos alunos para a total extirpação de massa cinzenta e conhecimentos acumulados.

Vestimenta obrigatória para o curso

6. Orientador e auxiliares

O orientador do curso é o especialista, Dr. Kurtz Circuit, doutor em eletrocussão humana para finalidades de apaziguamento e integração de relações sociopolíticas. Seus auxiliares são ex-mestres da Stasi (polícia da ex-Alemanha Oriental), todos antigos aplicadores destas mesmas práticas em milhares de alunos. A qualidade dos resultados finais de cada curso é de total e absoluta confiança.

7. Carga horária e seguro de vida

A carga horária é de até 72 horas corridas, ou seja, de até três dias integrais. Embora nunca haja ocorrido o falecimento de qualquer aluno durante a aplicação do curso, por medida de cautela cada aluno assina no ato da matrícula um seguro de vida de 2 milhões de reais, tendo como beneficiária exclusiva a BCS.

8. Certificado e diplomação

Os alunos que encerrarem o curso com total dedicação e sucesso receberão um certificado de aproveitamento integral, o qual lhes garante o diploma de Doutor Honoris Causa em Boçalidade Internacional.

9. Matrícula no curso

A matrícula no curso é gratuita. A partir da entrega do diploma, o beneficiado assinará contrato com a BCS para o pagamento de 720 parcelas mensais de módicos R$ 5.000 reais. Um valor ínfimo, considerando a garantia de emprego público dada pela BCS a seus alunos.

10. Local das práticas do curso

O local do curso é sempre mantido em absoluto sigilo. Somente será conhecido pelos alunos devidamente matriculados, os quais serão encapuçados e gentilmente transferidos de suas residências para os laboratórios científicos da BCS, através de condução gratuita.

II. Solicitação de divulgação

Prezados Senhores,

Ref.: Curso de Analfabetização Profissionalizante.

Vimos por meio desta solicitar a V.Sa. a divulgação do curso em epígrafe. Já formamos uma infinidade de doutores em inúmeros países, sobretudo pelas condições que oferecemos às turmas e os benefícios financeiros alcançados pelos alunos certificados.

Estamos enviando esta missiva para 5 milhões de blogues no mundo, na certeza do pronto atendimento de seus responsáveis. Rogamos encarecidamente alguma pressa nesta postagem, a fim de que possamos organizar nossa logística especial e cronogramar a sequência das atividades de des-treinamento.

Sendo o que se nos apresenta para este momento,

Atenciosamente,

Kurt Circuit
Presidente Executivo da Bossális Corps

III. Considerações do Blogue

A motivação do “curso” parte de premissas até razoáveis e de certa forma verdadeiras em muitos países. No entanto, a missão da dita “instituição de ensino” é um tanto esdrúxula, muito embora o seu presidente acredite que haja uma elevada demanda mundial, bem como afirme que já foi formada uma “infinidade de doutores em diversos países”.

Não cremos que no Brasil este curso logrará êxito. Até porque as manadas de Doutores Honoris Causa em Estupidez Internacional já se encontra formada e atuante, faz tempo.

O contexto sociopolítico em que vivemos levou a sociedade civil mais informada a não crer mais na atividade política, a entendê-la apenas como meio de corrupção e enriquecimento ilícito, salvo algumas poucas exceções.

Por outro lado, os jovens universitários, em maioria absoluta, já despontam com outra ótica de vida, criando, inovando e compartilhando os necessários sonhos de negócios próprios, quem sabe imunes à sordidez humana. Rogamos que consigam.

Comissão tira proteção de rios intermitentes


Emenda na medida provisória do código florestal pode comprometer metade dos rios do país“, alerta senador; áreas úmidas têm proteção mantida.

Fonte: Estado de São Paulo. Reportagem de João Domingos, de Brasília, com colaboração de Giovana Girardi, 09/08/2012.

A comissão especial do Congresso que analisa a Medida Provisória do Código Florestal aprovou nesta quarta-feira, 8, uma emenda que poderá comprometer para sempre todas as bacias hidrográficas brasileiras. Por 15 votos a 12, a comissão decidiu que só serão resguardados por Área de Proteção Permanente (APP) os rios perenes. Os intermitentes poderão virar pasto, roça e estrada.

Entre os rios que poderão perder a proteção está até o Jaguaribe, em cujos leitos se encontram os Açudes do Castanhão e de Orós, no Ceará. Há épocas do ano em que o Jaguaribe seca.

Pelas contas do senador Jorge Viana (PT-AC), 50% dos rios brasileiros serão atingidos. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 80% dos rios do Piauí são intermitentes e no Distrito Federal, 70%. “Os rios intermitentes é que mandam a água para os perenes. Sem eles, todas as bacias hidrológicas ficarão comprometidas”, afirmou Viana.

Muitos rios vão ser tornar pastos!

“Um rio que seca parte do ano, se não estiver protegido, com o tempo pode não voltar mais. Uma decisão dessas está no fundo sacrificando rios e, em última instância, sacrificando o fornecimento de água”, disse Ana Cristina Barros, da ONG TNC, que trabalha com projetos de plantio em margens de rios para garantir a produção de água.

A emenda que tirou a proteção dos rios intermitentes foi apresentada pelo deputado Abelardo Lupion (DEM-PR). Segundo ele, o objetivo foi dar “maior clareza à lei e buscar um tratamento isonômico com os olhos d’água perenes”. Para Viana, não sobrarão nem os igarapés da Amazônia, que em determinadas épocas do ano são gigantescos braços de água e em outros secam.

Independentemente do mérito, a proposta acabou gerando indignação da base aliada ao governo na comissão, por ir contra um entendimento que havia de não se apresentar nenhuma coisa nova ao texto já acordado.

O relator da MP na comissão especial, senador Luiz Henrique (PMDB-SC) já havia estabelecido que não se apreciasse assuntos já decididos anteriormente na Câmara e no Senado. Por conta disso, decidiu-se suspender a discussão. A comissão mista só volta a se reunir agora no dia 28.

Áreas úmidas. Na sessão desta quarta, os ambientalistas perderam nessa questão, mas ganharam a votação que manteve a proteção às áreas úmidas. Uma emenda dos ruralistas pretendia tirar da lei a definição do que é área úmida, sob o argumento de que, com o resguardo a elas, não seria mais possível plantar arroz em ilhas gigantes da Amazônia, no Vale do Araguaia e charqueados gaúchos. Feita a votação, houve empate de 13 a 13. O presidente da comissão, deputado Bohn Gass (PT-RS), desempatou a favor das áreas úmidas.

Em outro acordo entre as partes, ficou estabelecido que o prazo máximo para a suspensão de plantio em áreas que necessitam de repouso (o chamado pousio) será de cinco anos. O consenso foi possível porque o relator tirou do texto o limite de 25% para o repouso. Os ruralistas argumentaram que ficaria fácil para os órgãos fiscalizadores dizer que determinada área não era produtiva, tornando a área passível de desapropriação para a reforma agrária. Os ruralistas, no entanto, conseguiram tirar a parte que autorizava o governo a desapropriar propriedades com áreas extensas abandonadas, não usadas para a produção.

A MP foi editada em maio pela presidente Dilma Rousseff, depois de ela vetar pontos da lei que reformou o Código. O texto-base foi aprovado em julho, mas faltaram serem votadas 343 propostas de mudanças no documento. Um acordo já retirou cerca de 300 emendas.

Homens de esparadrapo com dedos cobertos de vôlei


Íamos escrever a respeito da seleção brasileira masculina de vôlei, daí a escolha do título deste artigo. Realmente, ganhando ou perdendo, o time capitaneado por Bernardinho é “pra lá de fabuloso”. Se não estivermos enganados, já foram campeões mundiais oito vezes consecutivas. Octa-Campeões Mundiais de Vôlei, não é fácil. São, sem dúvida, homens de esparadrapo com dedos de vôlei.

Uma seleção que compete em nível internacional precisa dominar várias habilidades básicas, denominadas “fundamentos“: saque, passe, levantamento, ataque, bloqueio e defesa. Para cada um destes fundamentos há técnicas que foram desenvolvidas ao longo dos mais de 40 anos de história do voleibol brasileiro.

A festa final brasileira, repetida várias vezes

Infelizmente, tivemos que abrir mão das boas intenções para homenagear nosso voleibol, por termos parado para assistir ao noticiário das 22:00 horas, de ontem. E é claro que a notícia mais importante foi sobre o início do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do escândalo político que ganhou mundialmente o asqueroso nome de “Mensalão”. Nome esse que tenta mostrar, com ironia, que inúmeros políticos brasileiros parecem ter recebido “mesada mensal” para votar no Congresso de acordo com os desejos impostos pelo principal partido do executivo. Caso seja um fato comprovado, a isso dá-se o nome de “campeonato de delinquência e corrupção“.

Mas qual não foi nossa surpresa ao assistir na televisão dois ministros do STF, durante a sessão de abertura do julgamento, batendo boca sobre como deveria seguir o processo judicial. Vejamos bem, um escândalo descoberto em 2005 e enviado, pela Procuradoria Geral da União, para ser julgado pelo STF desde 2006, chamando os réus de “quadrilha do crime organizado” ou coisa que o valha. Em 2012, sete anos depois, há ministros que ainda insistem em discutir a organização do próprio processo!

Mas, o resultado foi bom para a sociedade brasileira: dois votos a favor do desmembramento do processo e NOVE votos contra.

O que nos chama a atenção é o fato dos fundamentos políticos serem parecidos com os do voleibol: saque (no banco), passe (para o bando), levantamento (de empréstimos), ataque (aos adversários), bloqueio (blindagem dos safados) e defesa (ataque à moralidade e à ética esperadas pela sociedade).

O Apocalipse da Terra, segundo José Argüelles


Assistimos a um longo documentário acerca do chamado “Apocalipse Maia”, definido como o fim da humanidade em todo o planeta Terra, que “acontecerá no dia 21 de dezembro de 2012”. Fizemos levantamentos de informações na internet para aferir nosso entendimento sobre a seguinte questão: o mundo acabará mesmo em dezembro deste ano?

O início da manipulação do imaginário coletivo mundial deu-se com o lançamento do livro “Eram os Deuses Astronautas?”, escrito pelo suíço Erich Von Däniken, publicado em 1968. Para quem leu este livro é possível concluir que houve a sorte do autor ao lançar um texto desta natureza um ano antes do homem ir a Lua. Foi sucesso como rastilho de pólvora.

No entanto, o desenfreado líder manipulador chamou-se Joseph Anthony Arguelles, doutor em História da Arte e Estética, que preferiu ser conhecido como o Profeta José Argüelles, com sonoridade mexicana. Apesar de sua titulação universitária, fazia-se de místico, dizia acreditar em crenças de antepassados Astecas e Maias, e as professava abertamente. Com um único objetivo em mente: tornar-se rico e famoso com a venda da “geração da energia humana” e distribuindo as “verdades paranoicas do Apocalipse Maia”, nas quais talvez ele próprio não acreditasse.

José Argüelles, o profeta do apocalipse

Joseph Anthony nasceu em Rochester, Minnesota, em 1931, e faleceu em março de 2011, não tão elegante quanto na foto.

José Argüelles nasceu em local desconhecido, durante a era hippie e do LSD (1960-1970), e renasceu (pirado) em 1987, quando criou sua empresa, a Convergência Harmônica que, segundo ele, foi capaz de “promover a primeira meditação sincronizada do mundo para gerar energia psíquica positiva” e salvar o planeta.

Esta empresa usou o alinhamento dos planetas do sistema solar, ocorrido em agosto de 1987, para associar o fenômeno espacial ao que o Profeta chamava de “Leis da Astrologia e do Calendário Maia”.

Segundo José Argüelles, com a ocorrência deste alinhamento, decorrente da ação de forças astrológicas, “ocorreu uma enorme mudança na energia da Terra, passando-a de Terra Guerreira para Terra Pacífica”. Se for difícil de entender o que isto significa, muito pior era entender as palavras, premunições e profecias de José durante toda sua vida. Até porque não aconteceu nada de novo, muito menos pacífico, com os humanos no planeta. Bem ao contrário, as guerras continuam e ameaçam se intensificar. Mas, propriamente a Terra, fez “montinhos” para o tal “alinhamento da astrologia”.

Argüelles tinha ideias muito estranhas sobre espaço e tempo. Dizia haver descoberto “que a espécie humana está vivendo em um tempo artificial, que está perturbando seu ambiente planetário e destruindo sua civilização”. Ele também alegou que “o tempo é telepático na natureza, mais rápido que a luz e eu posso viajar através dele”. Dizia ainda, em tom de ameaça velada, que “se a raça humana não rejeitar os doze meses o Calendário Gregoriano e substitui-lo pelo Calendário Maia até 26 de julho de 1995, sua autodestruição se dará muito em breve”. Ou seja, mesmo após haver criado a sua empresa em 1987, a Convergência Harmônica, apenas oito anos depois, ainda que viajando telepaticamente e acima da velocidade da luz, sentia-se obrigado a inventar mais mentiras para melhorar seus lucros.

Todas essas palavras e profecias têm um cheiro danado de interesse pessoal monetário e uso de drogas alucinógenas. Por sinal, isso parece ser comum em várias civilizações atuais.

Entretanto, através da sincronia da ignorância e da santa burrice humana, ainda há milhares de crentes espalhados pelo planeta, pontificando estas profecias esotéricas, afirmando que, graças a Convergência Harmônica, “a primeira meditação sincronizada planetária”, inaugurou um período de cinco anos de “Limpeza da Terra”, onde “muitas falsas estruturas de separação do planeta entrarão em colapso”.

Um pouco sobre os Maias

A civilização maia foi uma cultura mesoamericana pré-colombiana, notável por sua língua escrita, sua arte, sua matemática (aritmética com numeração em base 20 e provavelmente usando o conceito do zero), arquitetura e observações astronômicas.

Inicialmente estabelecidas durante o período pré-clássico (2.500 Anos Passados a 2.250 A.P.), muitas cidades maias atingiram seu mais elevado estado de desenvolvimento durante o período clássico (durante todo o século I). Seu colapso se deu no século IX. Mas, em seu auge, foi uma das civilizações mais dinâmicas das Américas, sendo densamente povoada em suas cidades.

O termo pré-colombiano é utilizado especialmente no contexto das grandes civilizações indígenas das Américas, tanto as da Mesoamérica (os olmecas, os toltecas, os astecas e os maias), quanto às da região andina (os incas, os moches e os cañaris).

Os maias construíram grandes cidades como Tikal, Chichém Itzá, Palenque, Copán e Calakmul. Outras, menores, como Dos Pilas, Uaxactún, Altún Ha. Havia ainda centros habitacionais pequenos na mesma região mesoamericana. Jamais chegaram a desenvolver um império, embora algumas de suas Cidades-Estado tenham formado ligas temporárias, associações e mesmo períodos de suserania (dominação entre cidades e seus povos).

Seu colapso como civilização (século IX) ocorreu por vários fatores políticos e ambientais. Muitas cidades possuíram vários Reis que se convenceram de que eram os próprios deuses maias e, portanto, estavam dotados de todos os poderes divinos e terrestres. Em função dessa pretensão real as guerras aumentaram, doenças se intensificaram, ocorreram longas estiagens de quase três séculos (Global Warming!) e finalmente grandes inundações expulsaram os maias de muitas das suas principais cidades, em especial aquelas situadas em áreas de vales e planícies de inundação.

Os cidadãos restantes migraram para a Península de Yucatán e para terras mais altas da Guatemala. Somente restou uma grande cidade – Chichém Itzá –, mas que logo se acabou como o último centro da vida maia original.

Pirâmide de Kukulcán, em Chichém Itzá, Yucatán

Dizem alguns antropólogos que as mesmas forças que criam os movimentos de ascensão de uma civilização ou sociedade preparam a sua própria autodestruição potencial. Talvez nesse aspecto haja alguma conexão entre os Reis Maias e o Profeta José Argüelles: ambos não previram nem profetizaram que se estavam autodestruindo.

Compondo informações e concluindo

Pelo exposto, acreditamos nas seguintes conclusões.

  • A punição dos humanos com o Apocalipse da Terra é um fenômeno decorrente de quem possui complexo de culpa.
  • Não há necessidade de sacrifícios humanos para oferecer alimentos aos “deuses” da política atual. Todos aceitarão, mas nada será melhorado por este caminho, a não ser que eles sejam os sacrificados.
  • Todos os violentos eventos da geodiversidade do planeta são naturais e não possuem focos específicos ou razões místicas e espirituais.

Por fim, devemos lembrar que uma equipe de arqueólogos e pesquisadores norte-americanos anunciou em maio deste ano a descoberta de mais um calendário maia, datado do século IX, mais atualizado do que o que profetizava o fim do mundo em 2012. A descoberta desmonta a teoria nada científica dos profetas do calendário maia.

Novo sítio arqueológico e o calendário Maia atualizado

As inscrições encontradas no sítio descrevem a existência de 17 ciclos no sistema maia — e não 13, como profetizado até agora —, significando que o calendário ainda possui mais de 6 mil anos pela frente. Isso nos dá tempo e espaço para pensar bastante antes da chegada do “fim do mundo”…

A gestão do apocalipse


Não há consenso acerca das causas antropogênicas do aquecimento global, há sim consenso (…) ao redor do fato que apocalipse sempre deu dinheiro. Gastava-se dinheiro com indulgências na Baixa Idade Média, por que não seria o medo do fim do mundo ainda hoje uma mina de dinheiro?

O mercado do apocalipse verde tem seus sábios-profetas-cientistas, mágicos, gurus espirituais, nutricionistas-sacerdotes de alimentação sagrada, mercado de cristais sustentáveis, enfim, tudo que há nos fanatismos humanos.”

Luiz Felipe Pondé

Se tantas organizações e pessoas ganham toneladas diárias de dinheiro vendendo a ideia fanatizada do apocalipse , do fim do mundo, do planeta torrado em berço esplêndido, porque nós – céticos, burros ou inocentes – não criamos o espetacular Sistema de Gestão do Apocalipse?

Talvez assim, participando da massiva campanha profética, alimentada diariamente pela mídia, que noticia o medo que os humanos precisam ter do aquecimento global antropogênico do planeta, tornemo-nos capazes de criar um bom seguro de vida para nós mesmos e várias gerações de nossos descendentes.

Não será necessário pagar profissionais e cientistas de qualidade sobre o tema. Basta criarmos um website com o endereço Gestão do Apocalipse. Esta página deve convidar a qualquer humano convicto do planeta para participar da nova religião de cura da humanidade: tornar a Terra livre do carbono, “Terra Carbono-Zero”, não importa o que isso queira significar. Em um mês, no máximo, teremos milhares ou até milhões de voluntários atuando de graça para a ASA – Apocalipse SA, nome da empresa que ganha dinheiro por trás da ONG de fachada.

Quase com carbono-zero…

Decerto, alguém há de perguntar:

─ “Mas vocês têm alguma ideia de como desenvolver este Sistema?”

E nós responderemos de pronto:

─ “Nossas pesquisas estão bastante avançadas neste sentido. Temos um grupo de experts internacionais em apocalipses que já há dois anos vem trabalhando duro para estrutura-lo. Estão em permanente contato com agências do clima de todo o mundo, com artistas de cinema renomados que financiam parte dos trabalhos, com políticos e jornalistas que os divulgam pelo planeta. Na verdade, seremos ainda mais ágeis quando aceitarmos as doações em dinheiro que nos são oferecidas. Mas nem todos – como você – têm esta visão global para o Bem da Humanidade”.

O Homem de Tollund, a múmia do pântano

A evolução do “bioma Centro-Oeste”


Bioma Centro-Oeste que, afinal, nunca existiu.

Ricardo Noblat publicou em seu site (Blog do Noblat | Brasília, 21 de junho de 2012) um texto crítico e perfurante, intitulado Rio+20%, escrito pelo jornalista Guilherme Fiúza. Sobre essa publicação achamos razoável aplaudi-la, sobretudo pelas premissas de que parte:

─ “Enquanto o circo da sustentabilidade vende aos inocentes seus kits verdes de esperança, os não-inocentes garantem seu futuro sustentável em Brasília”.

Por sinal, batendo todos os recordes de presença, entre 30 a 40 mil cidadãos de diversos países vêm participando ativamente dos eventos da Rio+20, sejam dos oficiais, sejam dos da Cúpula dos Povos ou mesmo das manifestações de rua de feministas, de sem terra e sem teto, de professores universitários em greve, enfim, de um louco carnaval que nos abate extemporaneamente. Mas há cidadãos de outro tipo, interessadíssimos em suas próprias questões, bem mais importantes do que salvar o desenvolvimento do planeta.

Estadistas da Rio+20

O articulista pergunta firme “aos foliões da Rio+20: como planejar a sustentabilidade num país onde o orçamento da infraestrutura é dominado por bandidos?”.

Observa ainda o jornalista que “o dono da Delta, pivô do que promete ser o maior escândalo de corrupção da história da República (…), não precisou interromper seu descanso em Paris para se explicar aos brasileiros”.

O que nos parece grave, a esta altura da Conferência da ONU, é a fraqueza do documento proposto pelos países presentes. Afinal, “o futuro de que desejamos” não se consegue ver refletido nos retrocessos que estão a ser consensuados. Não fosse a reunião do grupo das quarenta maiores metrópoles do planeta, apelidado de C-40, com as propostas públicas mais objetivas para o futuro esperado, os participantes do evento global realmente sentir-se-iam em um circo e, mais uma vez, fazendo o papel de palhaços.

Afirma Guilherme Fiúza que “a não-convocação de Cavendish pela CPI, sem um mísero cara-pintada na rua para incomodar a Tropa do Cheque no Congresso, quer dizer o seguinte: o Brasil está se lixando para o seu futuro”.

A estabilidade do Ambiente Brasil em nada será beneficiada por esta cúpula. Tudo o que de melhor puder ser realizado em termos de sua sustentabilidade será por esforço de nossos especialistas e empresários realmente bem intencionados. No entanto, “o Brasil ético está, como diria Paulo Francis, tecnicamente morto”, considera o jornalista.

São Jorge Alto do Paraíso, Goiás, Brasil

Que venha a Rio+20%, onde os felizes herdeiros da operação Delta darão workshops sobre a sustentabilidade do golpe”, sentencia Fiúza, encerrando seu artigo.

Pela liberdade do pensamento e da expressão


Atendendo à liberdade do pensamento e da palavra, bem como à solicitação de apoio de Rodrigo Cavalcanti (Historiador e Escritor), concluímos que devemos colaborar para o debate. Por isso, postamos o explosivo link de uma espécie de batalha ideológica que acontece na região nordeste e que se espraia pelo Brasil.

Segue a matéria postada por Rodrigo no facebook:

“O jornal impresso e on-line de alguns colegas está sofrendo ameaças. A iniciativa de alguns jovens preocupados com o ambiente político antidemocrático em que estamos vivendo, resultou um ótimo jornal chamado “O COYOTE”. Suas matérias e artigos, sempre com humor ácido, comprometido com o livre pensamento e liberdade de expressão, vem sendo atacado. Peço, por favor, para que leiam o que está acontecendo e, pela democracia e o direito de falarmos o que pensamos, ajudem a divulgar.”

Rodrigo Cavalcanti.
http://coyoteonline.wordpress.com/2012/06/18/quando-os-covardinhos-querem-mais/.

Linha do tempo do cinismo ambiental


Por Raquel Júnia, Jornalista.

Na aula inaugural da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz, a pesquisadora Camila Moreno faz um histórico detalhado das Nações Unidas, das conferências sobre (…) ambiente e explica o que está por trás do discurso da Economia Verde rumo a Rio+20.

Caricatura publicada por Sobre o Ambiente

Quase ninguém mais consegue negar que o mundo vive hoje uma crise ambiental – poluição do ar, do solo, das águas, extinção de espécies, inundações, desabamentos, falta d’água – enfim, inúmeras evidências de que há um desequilíbrio no (…) ambiente. Mas o que pode ainda não estar tão claro é que, apesar de perversa para a maior parte das pessoas, a destruição dos bens naturais pode gerar lucros para uma minoria. E como isso acontece? Essa pergunta foi respondida na aula inaugural da EPSJV/Fiocruz com a conferência Rio+20: a quem serve a economia verde?, proferida por Camila Moreno, no último dia 22 de março. “Se existisse floresta por todos os lados, alguém pagaria por um espaço para que as araras pudessem se reproduzir? Se tivesse água limpa por todos os cantos alguém pagaria por água?”, diz a pesquisadora. Ela explica que a Economia Verde carrega uma grande contradição: ela só produz riqueza quando há escassez dos recursos naturais.

Camila Moreno, que é coordenadora de sustentabilidade da Fundação Heinrich Böll e acompanha há vários anos as convenções sobre clima e biodiversidade das Nações Unidas, definiu com riqueza de detalhes a história da ONU e da transformação da economia ao longo do tempo. “Para falar de Economia Verde e Rio+20, primeiro temos que falar sobre o que é uma Conferência das Nações Unidas. As Nações Unidas surgiram no mundo a partir de 1944, antes disso existia algo chamado a Liga das Nações”, inicia a pesquisadora, que também é membro do GT de Ecologia Política do Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais (Clacso) e do Conselho Internacional da Red por uma America Latina Libre de Transgenicos (RALLT). Com humor, Camila compara a Liga das Nações, que deu origem a ONU, com a reunião dos super-heróis dos desenhos animados “para salvar o mundo do mal”. “Depois da 2ª Guerra Mundial é impossível pensar o mundo sem pensar o que é o multilateralismo, que é esse espaço construído pós 2ª Guerra Mundial – as Nações Unidas. E lá cada país tem direito a um voto. O voto de um país africano em tese vale o mesmo que o voto da Alemanha ou da França, mas o que acontece é que essa estrutura que se montou para justamente governar o mundo vem passando por profundas transformações e sendo profundamente questionada”, diz. Ela explica que a formação de grupos de países, como os G7 e G20, fez uma alteração na correlação de forças dentro das Nações Unidas, dando mais poder às grandes potências.

A pesquisadora detalha também as transformações no conceito de economia, o que, para ela, é outro conhecimento fundamental para quem quer compreender a proposta de Economia Verde. Camila observa que a palavra economia vem da palavra grega ‘oikos’, que significa cuidar da casa, ou seja, fazer toda a gestão do abastecimento, garantir que haja animais para a alimentação, plantio, etc. O dinheiro, símbolo da economia atual, também não era em papel ou moedas como é hoje. “Já foram utilizadas conchas, sementes de cacau, pecinhas de cerâmica. Uma série de coisas foi usada ao longo da história para que as pessoas trocassem e esse valor nas trocas permanecesse estável”, comenta. De acordo com a pesquisadora, as ideias de economia ligadas a crescimento fazem parte da história mais recente. “Essas são ideias recentes na história. Porque quando a gente pensa em oikos, esse cuidar da casa não significa derrubar a casa dos outros, ocupar e passar por cima e ir crescendo e acumulando. Porque eu não posso crescer a ponto de expulsar os outros para fora da Terra. Talvez em algum momento eu possa construir naves espaciais e mandar todos os que sobram para outro planeta”, ironiza.

Linha do tempo

Camila destaca vários momentos importantes para compreender como o mundo chega hoje à Rio+20 com a proposta oficial da Economia Verde como solução para a crise mundial. Seguindo a linha do tempo, a pesquisadora ressalta a realização da Conferência de Bretton Woods – quando foram criados o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) – e a Guerra Fria, que dividiu o mundo no bloco socialista e o bloco capitalista. Da mesma forma, a própria criação da ONU e da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), presidida pelo brasileiro Josué de Castro, é considerada um marco nesse processo. “Josué de Castro coloca bem claro que a fome e a questão da alimentação do mundo são problemas essencialmente políticos. Não é a toa que ele fala isso. Naquele tempo a estratégia da Guerra Fria, de como vencer o bloco comunista, foi fazer uma Revolução Verde baseada na ideia de transformar massivamente os ecossistemas do mundo em grandes monoculturas dependentes de sementes híbridas. Pela primeira vez na história, os camponeses teriam que comprar as sementes a cada colheita e usar todos os químicos que sobraram da 2ª Guerra”, critica.

Entretanto, segundo Camila, houve quem questionasse o discurso da Revolução Verde. Outro marco importante para a pesquisadora é a publicação do livro Primavera Silenciosa, da bióloga norte-americana Rachel Carsons, em 1962. “Estudando os botos na costa da Califórnia, ela descobriu que toda a vida marinha está profundamente contaminada pelo uso cumulativo dos agrotóxicos, que entram na terra, permeiam o ciclo das águas e não saem da natureza. Ela diagnosticou não apenas a extinção de várias espécies, mas também que esses químicos e esses venenos atingem a maioria da população”, relata. O livro, ressalta Camila, fez um grande sucesso e foi considerado a fundação do movimento ambientalista nos Estados Unidos, que depois se espalhou para outros países.

No início dos anos 70, outra publicação teve papel importante no processo que culminará com a Rio+20, mas dessa vez corroborando o pensamento de privatização da natureza. Trata-se do texto A tragédia dos Bens Comuns, de Garret Hardin, que defendia a ideia de que tudo que é público está fadado a desaparecer. É nesse contexto, segundo Camila, que é realizada a primeira conferência da ONU sobre (…) Ambiente, em 1972, na cidade de Estocolmo. “Pela primeira vez esses países, dentro da estrutura das Nações Unidas, se juntam para pensar o (…) ambiente humano. Mas o que acontece é que um ano depois dessa Conferência de Estocolmo, quando deveria ser lançada uma agenda para pensar como proteger o (…) ambiente como um bem comum, acontece um grande baque na história com a Crise do Petróleo”, aponta. A pesquisadora conta que nessa época é criada a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a economia entra na época da financeirização, ou seja, acaba o lastro das moedas em ouro. “Hoje, como não tem mais o ouro, como o dinheiro é todo virtual, como a nossa economia internacional é toda entregue ao capital financeiro, das bolsas de valores, o sistema econômico precisa dar um salto, e é esse salto que vai se cristalizar na Rio+20, onde o esforço será o de convencer o mundo de que agora entramos na era do capital natural”, fala.

Nos anos 80, continua Camila, dois personagens – o então presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, e a primeira ministra britânica Margareth Thatcher – protagonizaram outro momento importante na história: eles são os grandes defensores, bem como colocam em prática, as políticas neoliberais. A pesquisadora explica que as reformas implementadas pelos dois governantes, chamadas de “ajustes estruturais”, consistiram em privatização e precarização dos direitos dos trabalhadores. “Essas medidas que de maneira geral transformaram todas as economias do sul numa mesma época ficaram conhecidas como o Consenso de Washington”, detalha. Além deste Consenso, de acordo com a pesquisadora, outro consenso também é forjado um ano antes – o relatório escrito pela primeira ministra norueguesa Gro Harlem Brundtland a pedido das Nações Unidas chamado “Nosso futuro Comum”, que traz pela primeira vez o termo desenvolvimento sustentável. Camila destaca a semelhança do nome desse relatório com o título do documento para a Rio+20: O futuro que queremos. “Mas a pergunta que não quer calar é: quem queremos? Essa é uma pergunta que devemos fazer sempre, quem fala em nosso nome? A quem interessa?”, alerta.

Queda do muro de Berlim

Para Camila, o ano de 1989, quando houve a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria, também é outro período fundamental para entender a conjuntura do mundo. Pouco depois, em 1992, é realizada no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre (…) Ambiente e Desenvolvimento – a ECO 92. “Para celebrar essa vitória de um sistema sobre o outro é que se realiza a Conferência do Rio, sob o governo do Collor, e que traz ao Rio 108 chefes de estado e de governo num momento histórico até hoje jamais repetido. Em nenhuma outra ocasião tantas autoridades mundiais estiveram juntas em um mesmo lugar”, diz. Camila detalha que nessa Conferência, para dar uma justificativa à sociedade civil, são assinadas três convenções – sobre clima, diversidade biológica e combate à desertificação – os mesmos temas que estão na pauta da Economia Verde. “Vinte anos depois, o que a Conferência Rio+20 oferece é: o mercado do clima, da biodiversidade e do solo”, protesta.

Apesar disso, segundo Camila, a sociedade civil não ficou pacífica diante das propostas de mercantilização dos bens naturais. Ela destaca movimentos de contestação que surgiram na década de 90. Em 1993, há a criação da Via Campesina; pouco tempo depois, o levante Zapatista, questionando o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta). “Em 1999, quando a OMC se reúne na cidade de Seattle (EUA), as ruas são tomadas pelo movimento antiglobalização, que pela primeira vez aparece. A reunião é suspensa, há barricadas e fogo na cidade, e a sociedade civil diz: ‘a vida não se vende, o mundo não é uma mercadoria’. Essa campanha dá início ao processo do Fórum Social Mundial”, exemplifica.

Dez anos da ECO 92

Seguindo a linha do tempo, a coordenadora de sustentabilidade da Fundação Heinrich Böll chega até o ano de 2002, quando foi realizada, em Johanesburgo, na África do Sul, a Conferência das Nações Unidas sobre (…) Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, também conhecida como Rio+10. Segundo a pesquisadora, a Conferência foi um fracasso porque os governos tiveram que reconhecer que muito pouco foi feito em 10 anos após a ECO 92. Nesse momento, a solução apresentada pelos países para os problemas ambientais, conforme relata Camila, são as parcerias público-privadas, e, assim, ganha força a ideia de que as empresas precisam ser sócias dos governos para a sustentabilidade acontecer. “Dez anos antes, na Rio 92, era impensável que uma empresa estivesse sentada dentro das Nações Unidas. Isso muda drasticamente em dez anos. O setor privado, as empresas e todas as instituições que visam o lucro começaram a se legitimar como parte de um processo de governar o mundo”, reforça. Em 2005, há uma vitória dos movimentos sociais com o plebiscito contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e também, de acordo com Camila, outro evento importante: o furacão Katrina nos EUA, que expõe a fragilidade do ambiente e das populações pobres frente as mudanças climáticas. “Quando há uma inundação é muito diferente o que acontece numa cobertura no Leblon e o que acontece nas periferias de São Paulo e do Rio, e essa fragilidade dos mais pobres ficou bastante evidente com o furacão Katrina”, comenta.

Mais uma vez, um outro relatório é definitivo na história: o documento chamado A Economia das Mudanças Climáticas, conhecido também como Relatório Stern, escrito em 2006 por Nicholas Stern, ex-economista chefe do Banco Mundial, sob a encomenda do governo da Inglaterra. Camila destaca que o documento vê oportunidades de negócios com o aquecimento global, como a produção de agro combustíveis. Segundo a pesquisadora, a partir desse relatório, o termo economia de baixo carbono começa a ganhar peso nos discursos dos governantes. Já em 2008, seguindo a linha do tempo, explode a crise financeira. “Eu recomendo que vocês assistam ao filme Trabalho Interno – Inside Job, um documentário brilhante sobre de que forma os economistas, conscientemente, foram cúmplices da crise financeira, e sobre como o sistema se aproveita das crises para crescer. Ou seja, a crise ambiental não é um obstáculo ao capital, é uma oportunidade de negócios”, diz.

Segundo Camila, é a partir daí que o discurso “verde” toma ainda mais forma. A pesquisadora destaca que governos do mundo inteiro já entraram em acordo sobre uma métrica para colocar preço nos serviços dos ecossistemas, como a polinização feita pelas abelhas, ou a renovação do ar. “O mercado de carbono é um mercado de compra e venda de direitos de poluir o ar. Hoje já existem dois projetos de lei que tratam sobre como será a legislação para determinar pagamento de serviços ambientais. Um dos principais serviços ambientais, que supostamente vale bilhões, é a polinização das abelhas. Mas a pergunta que não quer calar é: como eu pago as abelhas? Qual é o sindicato das abelhas? Quem vai receber em nome das abelhas?”, brinca.

Hegemonia

A pesquisadora reforça o quanto o conceito de hegemonia é fundamental para compreender os consensos forjados ao longo da história, inclusive o que se aproxima, de defesa da Economia Verde, na Rio+20. “A Economia Verde diz, por exemplo, que as cidades são as mais eficientes e que é ineficiente viver no campo. Uma das tarefas da Economia Verde é esvaziar o campo porque é impossível vender pacotes tecnológicos de transmissão de energia eólica, energia solar e vender várias patentes para as pessoas que estão dispersas em assentamentos, para povos indígenas, quilombolas, que usam muito pouco dinheiro. O campo deve ser o local onde se vai produzir ecoturismo e vender pagamento por serviços ambientais. Mas é preciso pensar em uma pergunta bem básica: quem pode vender alguma coisa? Quem poderá vender serviços ambientais? Quem é proprietário de terra? E nós sabemos que o Brasil é o que tem a mais desigual concentração de terra do mundo. Então, quem irá vender e lucrar novamente será o agronegócio”, conclui.

Camila encerrou sua apresentação falando sobre mais dois instrumentos de implementação da Economia Verde em curso já no Brasil: a Bolsa Verde do Rio e as recentes mudanças no Código Florestal brasileiro. “Durante a Rio+20 haverá um evento imperdível: o lançamento da Bolsa Verde do Rio. O que será vendido? Créditos de carbono, direitos de emissão de efluentes químicos na Baía de Guanabara, títulos das UPP [Unidades de Polícia Pacificadora], porque para fazer bons negócios é preciso ter a pobreza pacificada e militarizada”, afirma. Sobre o Código Florestal, ela explica que o principal capítulo da nova legislação fala justamente sobre incentivos financeiros, o que, para Camila, é emblemático da Economia Verde. “O capítulo dez diz que cada hectare de cobertura vegetal que os proprietários de terra tenham poderá ser inscrito no cadastro rural. Dessa forma, será emitida uma cédula de cobertura vegetal, e uma vez emitindo essa cédula, o proprietário terá 30 dias para registrá-la na bolsa de valores, porque isso poderá ser comprado e vendido. Ou seja, a partir da aprovação do Código Florestal, o fiscal do Ibama pode chegar em uma monocultura de cana de açúcar com 5 mil hectares, com trabalho escravo, e perguntar: ‘cadê a reserva legal?’ Ele vai olhar em volta e não vai ter nenhuma árvore, mas o proprietário vai dizer assim: ‘tá aqui o papel, aqui está a minha reserva legal, eu tenho tantos hectares no Tocantins’”, exemplifica.

Cinismo ambiental

Para a pesquisadora, esse é um prenúncio do que pode acontecer em escala mundial, embora ainda haja obstáculos a essa proposta que precisam ser potencializados. “Daqui a alguns anos pode existir um mercado do que ainda resta da natureza e quem ganhará com a Economia Verde serão os proprietários dos recursos naturais. E o grande obstáculo para isso é que ainda existam no mundo bens comuns, áreas de uso coletivo e povos e populações que ainda acreditam que não é privatizando, e nem através do comércio, que se vai construir outra sociedade e outra natureza”, concluiu.