O que você descobre neste blog


Os Quatro deSobre o Ambiente”.

Quando este blog foi lançado, seu foco era monitorar a corrupção pública instalada no Brasil e analisar seus impactos sobre nossa sociedade, todos por demais violentos. O fato que nos motivou inicialmente foi o primoroso escândalo do Mensalão, o qual se encontrava em fim de julgamento. Sequer imaginávamos que, a operar em segundo plano, o Petrolão já estava ativado.

Todavia, dentre nós, não havia sequer um jornalista, mas apenas estudiosos do ambiente – éramos quatro redatores, três brasileiros e um português –, todos hoje com mais de 60 anos. Competir com jornalistas em narrativas sobre corrupção parecia perda de tempo. Além do fato que são milhares deles, dispersos pelo país. Mesmo assim, seguimos em frente, pois alguém nos garantiu numa conversa de boteco: ─ “São dezenas de milhares deles, mas apenas meia dúzia presta”. Foi assim que a disputa ficou praticamente empatada: 6 a 4…

Restava-nos intitular o blog, de modo a torna-lo capaz de oferecer bons conteúdos. Após debates sobre a existência ou não dos ditos “ecossistemas humanos”, por três votos a um, decidimos nomear o site de “Sobre o Ambiente”. Isto se deve ao fato de o ambiente ser o proprietário de todos os ecossistemas terráqueos, inclusive o tal humano. A ser assim, tudo cabe nele – no ambiente –, de bons a ruins conteúdos.

Contudo, reduzimos os itens de conteúdo do blog, embora sem perder sua capacidade de informação. Para isso, identificamos três temas que podiam se relacionar e integrarem-se, quando necessário. São estes:

  • Ciências e práticas destinadas a manter o ambiente (e seus ecossistemas) estabilizado, em evolução;
  • Política, sobretudo aquela praticada por personagens com alto grau de corrupção comprovada, estejam em presídios ou soltos;
  • Filosofia naturalista, como pano de fundo, destinada a vivificar os textos produzidos.

A integração entre Filosofia, Ciência e Política se realiza através das várias naturezas literárias disponíveis. Todos devemos buscar conhece-las. Dentre elas, citamos os incríveis textos filosóficos, os poderosos artigos acadêmicos, os imprevisíveis contos, as curiosas crônicas, as provocativas sátiras, as surpreendentes parábolas e até mesmo tentativas de redigir poesia moderna.

Orquídeas no tronco

Ambiente: orquídeas no tronco e, quase invisível, uma quina de concreto.

É justamente pelo uso deste aparato da literatura que “Sobre o Ambiente” não é uma enciclopédia. Não pretende ensinar coisa alguma, embora trate da educação em suas sátiras. Está aberto para o pequeno público que o segue. Quem o desejar, pode enviar textos para nossa análise e, quem sabe, publicação. Que mais não seja, semana passada, ultrapassamos 400.000 visualizações, feitas por seguidores e visitantes do blog, provindos de todos os continentes.

Em síntese, “Sobre o Ambiente” ganhou vida própria. É um espaço destinados aos bons debates. Isto significa, ser um blog paradoxal, provocador, surpreendente, ficcional e irônico, embora sério nas inferências que publica; muitas vezes, a inverter verdades aceitas como absolutas.

Nós quatro (redatores) temos crenças particulares, as quais não declinamos: são contraditórias. Por sua vez, “Sobre o Ambiente” as integra e diz de si mesmo: ─ “Tenho a dúvida dos ateus, mas guardo-a no silêncio dos agnósticos”.

A base conceitual e seus conflitos


Por força do relativo distanciamento entre a academia e o mercado, no Brasil há muitos que ainda afirmam: “a teoria é diferente na prática“. Sem entrar no mérito desse “descuido“, acredita-se que as práticas do mercado, por serem mais ágeis, podem se tornar uma “teoria particular”.

No entanto, nas áreas em que as ciências ainda são menos consolidadas, a mídia cria conceitos próprios e os divulga a todo vapor. O setor ambiental, sem dúvida, é premiado com uma boa série de “equívocos conceituais”. Com somente um exemplo, é possível mostrar a sucessão de conflitos que pode ser criada.

─ O que é correto: meio ambiente ou ambiente?

Dicionários da língua portuguesa dão ao verbete “meio” inúmeros significados. Mas existem dois que são específicos e auxiliam na resposta a esta questão, quais sejam:Imagem de divulgação

─ “Meio”, a significar metade, e “meio” com sentido de ambiente. De outra forma, meio é, ao mesmo tempo, sinônimo de metade e de ambiente.

Com base nesses fatos, “meio ambiente” significa “metade do ambiente” ou então “ambiente ambiente”. De um lado seria estranho, de outro uma redundância explícita. Nas culturas reconhecidas como as mais evoluídas do mundo, não existe expressão com “meio” integrado a ambiente. Observe em três idiomas qual é o vocábulo equivalente a “meio ambiente”:

  • Em inglês: Environment.
  • Em francês: Environnement.
  • Em alemão: Umwelt.

Esse argumento já deveria ser suficiente para esclarecer a dúvida, no entanto…

1. Conceito oficial

Segundo reza a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a PNMA, Meio Ambiente é “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

1.1. Análise de conteúdo:

  • Qual o significado de “condições, leis, influências e interações” no contexto ambiental?
  • Quais são as entidades ambientais que promovem as “influências e interações”?
  • Como “condições, leis e influências” podem “permitir, abrigar e reger a vida em todas as suas formas”, senão apenas juridicamente, no papel?
  • As “interações” consideradas serão somente as de ordem física, química e biológica?

Conclui-se que esse conceito é similar a uma “Sopa de Pedra”. Nele cabe de tudo. Porém, afora colocar uma pedra no meio do prato, nada mais esclarece. Trata-se de um mero jogo de palavras, com significado ambíguo, genérico e um tanto confuso.

2. Conceito acadêmico

Ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem.

Essas porções detêm distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são observáveis através do comportamento de seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

2.1. Análise de conteúdo:

  • Biosfera é a camada da Terra integrada à litosfera – que lhe serve de substrato –, onde ocorrem todos os seres vivos do planeta. A atmosfera e a hidrosfera são partes essenciais à biosfera e dela não são desvinculáveis. Assim, biosfera, litosfera, hidrosfera e atmosfera conformam o Ambiente integrado do planeta.
  • Fatores ambientais ou fatores ambientais básicos são os componentes dos ecossistemas da Terra. Estão presentes em qualquer porção que se delimite em sua biosfera. Estes fatores são associados aos espaços ambientais que lhes são afetos, pela ordem: espaço físico [o ar, a água e o solo]; espaço biótico [a flora e a fauna]; e espaço antropogênico [o homem e suas atividades].
  • As relações mantidas entre fatores ambientais são realizadas através de trocas de matéria e energia, que são dinâmicas, interativas e espontâneas. Isto garante a estabilidade e a evolução dos sistemas ecológicos que conformam. Denominam-se relações ambientais.
  • Importante destacar o que deveria ser evidente: as relações ambientais, que se realizam há milênios, são energizadas pela luz solar, e possuem natureza física, química, biológica, social, econômica e cultural.

Por existirem o ar, a água, o solo, a flora e a fauna no mesmo cadinho da evolução da vida, a raça humana é, se tanto, a 6ª parte do ambiente do planeta. Mas nem todos têm sã consciência desse fato.

3. Conclusão

Em qualquer área do conhecimento é necessário estabelecer seus conceitos essenciais. Eles conformarão uma base sólida para a construção do conhecimento, a qual será a fundação de seus processos, metodologias e práticas, até ser beneficiada por acadêmicos visionários. A ser assim, a robustez de conceitos, sem ambiguidades, é fundamental ao aprendizado e à evolução das ciências.

A propósito, não se pode esquecer: o Ambiente não opera conforme determinam os diplomas legais e os juristas responsáveis por sua fabricação. Por sinal, fabricantes que não têm o devido respeito às ciências que o explicam. A Lei da Gravidade, com absoluta certeza, não será abolida por meio de Decreto-Lei.

4. Aos interessados, seguem as palestras

Está-se elaborando apresentações para a realização de palestras sobre o tema “Ambiente e Sustentabilidade”. Se a entidade promotora da palestra disponibilizar a logística necessária ao palestrante, serão conversas gratuitas, com duração de até 45 minutos, e tempo livre para debate. Seguem alguns dos títulos a serem inicialmente oferecidos:

  • Sustentabilidade versus Desempenho Ambiental.
  • Ambiente: a base conceitual e seus conflitos.
  • Identificação da Transformação do Ambiente.
  • Elaboração de Matrizes de Impactos Ambientais.
  • Programação e gestão de Atividades de Campo.
  • Formulação de Cenários Ambientais, atual e futuros.
  • Introdução à Avaliação de Impactos Ambientais.
  • Fundamentos para elaboração de Plano Corporativo Ambiental.
  • Fundamentos para Auditoria de Plano Corporativo Ambiental.
  • Introdução ao levantamento e gestão de Passivos Ambientais.
  • Produção e gestão de Procedimentos [Segurança, Ambiente e Saúde].

Após finalizado o ciclo de lançamento desta obra, que detalha esses e muitos outros temas, serão divulgados seminários e cursos intensivos. Espera-se o interesse dos atuais e futuros Gestores do Ambiente.

Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Vai Joaquim, nunca pare…


Siga, siga em frente pelo rumo que escolheu. Sei que o caminho até aqui foi árduo e difícil, mas… Mas, e daí?! Chegou mais longe do que previra na juventude. Decerto, foi além de suas próprias expectativas. E é por isso que deve continuar Joaquim e, se necessário, não se freie, arremeta com lucidez.

Nós nunca fomos apresentados. Nossa relação profissional provém da década de 1980 e resumiu-se a acenos de cabeça quando nos cruzávamos pelos corredores do Serpro-sede. Você era advogado da empresa e eu era de coordenador de informação. Mas, além disso, eu era muito amigo de um conhecido seu, o saudoso Dr. Menna Barreto. Creio que vocês ocupavam a mesma sala, junto com o mais velho, Dr. Abdon. Baixo, meio gorducho, portando uma ampla careca, que parecia sempre lustrada com escova de sapato.

Deve ter sido uma escalada difícil para você graduar-se em direito. Saiu do interior de Minas, onde estudou num Grupo Escolar, passou por escola pública do segundo grau, até chegar à universidade em Brasília. Sequer vou me perder a detalhar suas pós-graduações, obtidas no Brasil e na França.

Então, caro Joaquim, se conseguiu chegar até aqui, siga em frente, pois ainda há muitas montanhas a subir. Porém, não se esqueça: leve consigo toda a sua bagagem e ferramentas, com pesados fardos de acertos. Mas, sobretudo, carregue junto os enganos cometidos. Todos erramos, contudo, poucos são aqueles que equilibram suas passadas sobre as pedras irregulares e cortantes dos enganos. Os que conseguem, quando olham para trás, veem que o terreno ultrapassado, de forma misteriosa, tornou-se plano, reto e indobrável. Afinal, tem sido assim com todas as rochas amargas que você tem escalado: planificaram-se em retas e não se tornaram flácidas.

Certa vez, tomando café após o almoço com Dr. Menna, ele me disse em tom mineiro e provocativo: “Menino, crie espaços; você precisa ter seu próprio espaço”. Abraçou-me fraterno e, em silêncio, retornou à sala de trabalho. Fiquei absorto no corredor, quase aprisionado às ripas do chão. Refletia sobre o sentido das palavras que recebera. Pois, creia Joaquim, investi quase uma década para entende-las corretamente, se é que as entendi. De toda forma, são-me muito úteis, pois até hoje tento construir meu espaço próprio.

Seu atual cenário de vida parece-me similar. Difere do meu pelo fato de você ter abdicado, de forma espontânea, do espaço que construiu ao longo dos anos. Mas, exatamente por isso, precisará construir seu novo espaço próprio. Você não é homem que se submeta a “espaços alugados”, a ultrajar os próprios princípios profissionais, receber ordens de condomínios de crápulas. Você é tão-somente um homem comum, cumpridor de deveres e obrigações de um cargo público. Embora isso seja uma raridade no Brasil de hoje, não há qualquer heroísmo nisso. Apenas cumpriu com seu dever: defendeu e aplicou o que está escrito na lei à abjeta realidade política brasileira.

Cutucar vespeiros de quadrilhas de corruptos políticos é uma rara ousadia que, através dos séculos, se conta nos dedos da mão. E você sabia que de suas ações derivariam inimigos figadais, tanto por parte de defensores dos criminosos, quanto por alguns de seus pares. Por isso, devo comentar acerca de alguns de seus ex-pares, sem personaliza-los. Trato-os como moedas sem face ou sem valor, como preferir. Sou cego como a justiça deve ser.

Sua presença naquele sistema seguiu as normas estabelecidas. Todos galgam funções por imposição de regras predefinidas, tal como aconteceu com você e sucederá com os demais. Se para sua pessoa foi sorte ou azar, confesso que não tenho interesse em saber, trata-se de um problema seu, particular. Mas para a sociedade brasileira foi Sorte. Explico.

A Sorte Social a que me refiro é o legado que você, Joaquim, deixa para a Nação e seu futuro. Sei que suas atitudes não serão obrigatoriamente seguidas por todos seus sucessores. Por sinal, alguns de seus ex-pares, sob as ordens do condomínio de crápulas, atuarão no sentido de apagar sumariamente do mapa seus relatórios documentados. E ainda receberão o prestimoso auxílio da mídia paga com o dinheiro do povo. Porém, Joaquim, fatos são inapagáveis e serão relatados através dos tempos. Por isso deixo esse documento aqui registrado.

De qualquer modo, mesmo que Ali-Babá ainda permaneça impune e cada vez mentindo mais, ainda que a bancada da Papuda esteja a comemorar sua saída, você finalizou a missão pública com louvor, Summa cum Laudae!

O personagem Joaquim deve ser arquivado, junto com o espaço que lhe fora próprio. Ouso dizer, provocando a fala de Menna Barreto, que Joaquim, o homem comum, precisa reviver por algum tempo em espaços mais saudáveis. Mais tarde, poderá pensar com calma se deseja correr novos riscos.

Esse pode ser você, prezado Joaquim

Joaquim, esse pode ser sempre você

Matriz de impactos ambientais


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

Em geral, projetos de engenharia requerem a avaliação de seus impactos ambientais, visando a cumprir com requerimentos legais estabelecidos em diversos países. Sem essa avaliação, que é normal em países mais civilizados, não há como gerir da forma adequada suas obras e o empreendimento a que dão origem, depois de concluídas.

No Brasil não é diferente. Contudo, a forma normalmente utilizada precisa de mais suporte técnico-científico. Assim, por força dessa carência, foi desenvolvida, em 1986, a Teoria da Transformação do Ambiente.

Com a aplicação prática desta teoria, resultam duas ferramentas essenciais à avaliação, capazes de estimar as ocorrências de impactos ambientais em uma dada região, com a implantação do projeto de engenharia – obras e operação do empreendimento decorrente. São elas, a HGSI e a Matriz de Impactos Ambientais que a representa em mais detalhes.

Uma breve descrição

A HGSI ou Hipótese Global de Situações de Impacto, constitui a árvore de eventos ambientais que representa a transformação do ambiente. Na copa da árvore encontra-se o evento principal, o Projeto de Engenharia, que é composto pelas intervenções das obras logo abaixo. Essas intervenções promovem várias alterações no ambiente que as recebe. Por fim, as alterações ambientais podem afetar o comportamento e/ou a funcionalidade do ar, da água, solo, flora, fauna e homem, dando origem aos chamados Fenômenos Ambientais.

Todas essas classes de eventos ambientais possuem impactos positivos e/ou negativos. Todavia, são mais visíveis, nas relações de causa e efeito que mantém a árvore de pé, através da Matriz de Impactos, abaixo exemplificada.

Matriz de impactos

Para elaborar a 1ª versão da matriz de impactos [1], alguns aspectos do projeto precisam ser conhecidos pelos analistas, tais como a área em que se localizará, suas vizinhanças, o porte do empreendimento projetado e traços específicos de sua futura operação.

Para o exemplo hipotético da matriz a seguir apresentada, considerou-se os seguintes aspectos do projeto de engenharia: (i) A matriz refere-se ao projeto de uma Usina Hidrelétrica; (ii) Será localizada na região Amazônica; (iii) Tem como vizinhos mais sensíveis ao projeto uma tribo indígena e uma comunidade de pescadores de subsistência; (iv) Formará um reservatório com área de 1.680 km2; e (v) Sua potência instalada será de 12 GWh.

Usina hidrelétrica na Amazônia

Usina hidrelétrica na Amazônia

Por outro lado, somente para facilitar a leitura da matriz, fez-se uma avaliação a priori dos impactos dos eventos identificados. De forma bastante simplificada e não recomendável na prática, criou-se três níveis de impacto:

(i) Eventos com impacto positivo, grafados em azul;
(ii) Eventos com impacto negativo, grafados em vermelho;
(iii) Eventos com impacto não significativo, grafados em branco.

Segue a imagem da primeira versão matriz.

Projeto de Engenharia da Usina Hidrelétrica

Intervenções

Alterações ambientais

Fenômenos ambientais

Intervenções construtivas
Canteiro de Obras
Contratação de mão de obra
  Variação da oferta de emprego
Variação do nível de renda
Variação da arrecadação tributária
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos
Variação do risco de conflitos com comunidades locais
Variação dos níveis de comércio local
Variação da pressão sobre o sistema viário
Transporte de mão de obra
  Variação da qualidade do ar
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Transporte passivo de vetores e agentes etiológicos
  Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Operação de máquinas e equipamentos
  Variação da emissão de ruídos e vibrações
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação do risco de acidentes de tráfego
Formação de vila livre
Essa vila visa a comercializar produtos e serviços, nem sempre considerados legais. A vila livre deve ser considerada como um evento à parte, recebendo tratamento específico para que não seja instalada. Trata-se da ação comercial de comunidades locais atraídas pela disponibilidade de dinheiro dos funcionários da empresa construtora, sobretudo de seus operários. Segue a estimativa de seus fenômenos mais prováveis.
Variação crescente dos processos de desmatamento
Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação crescente do transporte passivo de vetores e agentes etiológicos
Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Variação dos níveis de comércio ilegal local
Variação dos níveis de conflitos com comunidades locais
Reassentamento da população indígena
Variação crescente dos processos de desmatamento
Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação dos níveis de conflitos com comunidades locais
Variação da cultura indígena primitiva
Variação do comportamento institucional público
Desmatamentos e limpeza de terrenos
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Terraplenagem (corte e aterro)
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Operação de jazidas de empréstimo
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da qualidade do ar
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação do risco de acidentes no trabalho
Desmontes e transporte de material
  Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação do risco de acidentes no trabalho
Operação de botaforas
  Variação dos níveis de ruídos e vibrações
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação do risco de acidentes no trabalho
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
Atração da fauna
  Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação da ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da ocorrência de acidentes com animais peçonhentos
Geração de efluentes líquidos
  Variação da qualidade da água dos corpos receptores
Variação da ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Geração e Transporte de resíduos sólidos
  Variação dos riscos de acidentes viários
Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Vila Residencial e Operária
  Desmatamentos e limpeza de terrenos
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Terraplenagem (corte e aterro)
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
  Atração da fauna
  Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Variação do risco de acidentes com animais peçonhentos
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Geração de efluentes líquidos
  Variação da qualidade da água dos corpos receptores
Geração e transporte de resíduos sólidos
  Variação do risco de acidentes viários
Variação do risco de ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Sistemas de saneamento básico e drenagem
  Saneamento
  Variação da qualidade da água dos corpos receptores
Drenagem
Variação da drenagem superficial
Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Hotel de Passagem e Restaurante
  Contratação de mão de obra
  Variação da oferta de emprego
Variação do nível de renda
Variação da arrecadação tributária
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos
Variação dos níveis de comércio local
Variação da pressão sobre o sistema viário
Variação dos níveis de conflitos com comunidades locais
  Desmatamentos e limpeza de terrenos
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de particulados
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Terraplenagem
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
Atração da fauna
  Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação da ocorrência de doenças e zoonoses
Variação do risco de acidentes com animais peçonhentos
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Geração de efluentes líquidos
  Variação da qualidade da água dos corpos receptores
Geração e Transporte de resíduos sólidos
  Variação dos riscos de acidentes viários
Variação da ocorrência de doenças e zoonoses
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Estradas de acesso e caminhos de serviço
  Desmatamentos e limpeza de terrenos
    Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de particulados
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Terraplenagem
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
Intervenções produtivas
Barragem, Vertedouro e Casa de Força
  Desmatamentos e limpeza de terrenos
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação da drenagem superficial
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Desmontes
  Variação dos níveis de ruído e vibrações
Variação da emissão de gases, particulados e odores
Variação do risco de acidentes no trabalho
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Terraplenagem
  Variação de processos erosivos
Variação de processos de assoreamento
Variação da emissão de gases, particulados e odores
  Formação do lago
  Variação da produção de hidrófitas
Variação da abundância da flora
Variação da biodiversidade da flora
Variação da qualidade da água do reservatório
Variação da biodiversidade da ictiofauna
Variação da abundância da ictiofauna
Variação da abundância de aves de ambientes aquáticos
Variação da abundância de espécies da herpetofauna
Evasão da fauna
  Variação da abundância da fauna
Variação da biodiversidade da fauna
Variação dos habitats preferenciais
Variação da competição intra e interespecífica
Atração da fauna
  Variação da presença de espécies de hábitos peridomiciliares
Variação da ocorrência de zoonoses
Variação do risco de acidentes com animais peçonhentos
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos (saúde)
Subestação de Energia
  Transformação e Transmissão de Energia
  Variação da produção de energia elétrica
Linhas de Transmissão
  Distribuição de Energia e Informação
  Variação do Tráfego de Energia
Variação do Tráfego de Informação
Variação das atividades de comércio e serviços
Variação das atividades de desenvolvimento industrial
    Variação da oferta de emprego
Variação do nível de renda
Variação da arrecadação tributária
Variação da qualidade de vida das pessoas
Variação da pressão sobre serviços sociais básicos

 Considerações finais

A HGSI e a Matriz de Impactos constituem a base para avaliação e gestão. É somente a partir da matriz finalizada que se torna possível ordenar e priorizar os eventos segundo seus impactos quantificados.

A partir desse ponto, torna-se possível elaborar um Plano Corporativo Ambiental que, após ser implantado, permitirá a gestão do empreendimento, visando a garantir seu desempenho ambiental otimizado. Mas estes planos não cabem neste texto, são assunto para artigo específico.

……….

[1] As matrizes de impacto são representações dinâmicas da transformação do Ambiente, dado que parte de suas alterações e fenômenos pode ser otimizada ou é temporária. Por isso, é desejável que tenham diversas versões sucessivas, atualizadas sempre que necessário.

Estudos Ambientais: objetivos e indispensáveis


Que sejam claros e objetivos para se tornarem indispensáveis ao mercado.

Passados 38 anos da criação do Mercado Nacional de Estudos Ambientais, verificam-se três processos ocorrentes, que são básicos e racionais para a economia do setor:

  • A elaboração de metodologias ambientais, visando a atender às demandas do mercado;
  • Inúmeros cursos de graduação e pós-graduação que são oferecidos por universidades, para fortalecer esse mercado específico; e, por fim,
  • O expressivo contingente de estudantes que deseja realizar esses cursos, visando a atuar nesse mercado.

Na prática, as melhores metodologias compõem a Ciência do Ambiente. A Universidade, por sua vez, oferece-a a seus alunos. Por fim, os que são Formados com maior dedicação e afinco, a aplicam em empresas do Mercado.

Nos países que detém economia mais sólida e que possuem bom nível de civilidade, este é o processo normal da evolução das profissões que requerem uma formação superior. Para visualizar a sequência desse processo, veja o diagrama a seguir.

A filtragem própria da ação do Mercado

A filtragem própria da ação do Mercado

Em qualquer sistema econômico é o mercado que promove o desenvolvimento científico e, em consequência, a inovação com oferta de tecnologias. Essa assertiva pode ser considerada arriscada, dado que, em tese, fazer ciência depende apenas de escolas apropriadas, centros de pesquisa e cabeças inovadoras.

Todavia, na visão aqui defendida, professores, alunos, cientistas e pesquisadores são parte do mercado produtor e consumidor de novas abordagens científicas. E no segmento ambiental não é diferente, pois esse mesmo processo ocorreu no Brasil, enquanto houve um bom mercado produtor e consumidor.

Apenas em função de sua tenra idade, boa parte da Ciência do Ambiente disponível foi criada e desenvolvida por estudiosos avulsos do tema, fora dos quadros da Academia. Claro que as universidades também contribuíram para realizar essa tarefa. No entanto, seus cientistas e pesquisadores sempre levaram em conta os conhecimentos acumulados pelos especialistas no assunto.

De toda forma, no curto período 1986-2007, a Universidade formou e cedeu ao mercado várias turmas de profissionais de qualidade ao setor ambiental, tanto para atuarem em organizações públicas, quanto em empresas privadas.

Estudos Ambientais versus Investimentos

A partir de 2008, em função da crise financeira mundial, embora a Universidade mantenha sua fábrica em plena atividade, o mercado gradativamente foi-se acanhando.

No Brasil, os investimentos públicos e privados foram reduzidos a partir dessa data. A política adotada pelo governo era apenas a de fortalecer o consumo interno:

─ “Comprem geladeira, televisão, máquina de lavar e um carro que nunca tiveram”, dizia o canhestro chefe do executivo que, após liberar o crédito, acreditava que poderia aumentar a demanda num mercado global. Essa medida pontual causou um pequeno impacto na economia, mas somente durante o ano de 2010. E, obviamente, não se sustentou[1].

Por outro lado, a legislação ambiental tornou-se ainda mais restritiva aos investimentos produtivos, por demandar estudos ambientais cada vez mais complexos e onerosos para que fossem implantados novos empreendimentos.

A resultante dessas duas variáveis – a queda do investimento e a crescente interferência legal – fez com que o mercado de estudos ambientais sofresse expressiva redução. Afinal, sem investimentos não há estudos de impacto, implantação de programas ambientais ou auditorias. Vale dizer, estas eram as principais práticas demandadas por esse mercado.

Em suma, é triste ver o cenário em que vive hoje a consultoria ambiental no país: perda de incontáveis postos de trabalho, fechamento de empresas dedicadas ao setor, aquisição de consultoras nacionais por empresas estrangeiras e, ainda que de forma legal, os principais contratos ambientais pertencem ao portfólio de empresas da engenharia civil.

Nada contra as consultoras em engenharia, mas elas só dominaram o mercado ambiental até o início dos anos 1990. Tê-las de novo à frente, em 2014, pode ser um perigoso retrocesso para o setor, assim como seria estranho se escritórios de advocacia passassem a elaborar projetos de engenharia.

Sugestão

Há meios para reverter o cenário de possível estagnação do setor. De outra forma, reorientá-lo com um novo rumo Norte. Embora o mercado seja seu maior estímulo, cabe à Academia transferir sua inteligência. Assim sendo, cabe aos especialistas a produção de textos didáticos e práticos, que orientem universitários para atuarem neste segmento econômico.

Há empresas que precisam participar da Fábrica de Inteligência. São obras da iniciativa privada e que foram organizadas para oferecer treinamento intensivo no uso de metodologias ou modelos atualizados que compõem a Ciência do Ambiente. Essas empresas têm como foco principal os profissionais do setor e aqueles que cursam o último período da graduação.

Tendo como premissa estratégica que investimentos produtivos voltarão a ocorrer no país, acredita-se que os estudos ambientais precisam se tornar mais objetivos e, em consequência, menos onerosos. Cabe ao Estado rever a legislação ambiental vigente, de forma acompanhar a dinâmica do mercado, e permitir que os Estudos Ambientais sejam aceitos e indispensáveis, sem dores para os bolsos dos investidores.

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[1] O canhestro não tinha ideia que a oferta de produtos manufaturados estava congelada. Acelerar o consumo interno naquelas condições, derrubando a taxa básica de juros, era o mesmo que dinamitar a inflação. Por sinal, a inflação foi represada de maneira arriscada, por força da chamada “contabilidade criativa”, que atrapalhou as finanças das empresas estatais envolvidas.

Improbidade psíquica


Por Dr. Shikimaka Shitemo Memorito – tradução de Takeo Shimata[1].

Quando conclui o doutorado em Psiquiatria (Cambridge University, 1961), em síntese buscava demonstrar a seguinte tese: “a ‘intimidade com o dinheiro da nação’ faz com que ignorância e perfídia transformem-se em poder público desgovernado”.

Tudo me levava a crer que haveria de pesquisar intensamente várias culturas do planeta. Porém, o prazo para redigir a tese era de até dois anos. Assim, tive de reduzir o universo da pesquisa apenas para países ocidentais, onde ignorância, perfídia e poder público aprisionam comportamentos similares, embora distintos dos do mundo oriental.

Reverencio à banca de professores, que me auxiliou a lograr êxito na apresentação da tese. Tornaram-me Doctor Summa cum Laude em Psiquiatria. No entanto, precisava deixar o ninho acadêmico para aplicar-me na realidade.

Em pleno recrudescimento da guerra-fria e com risco de uma guerra nuclear (1962), dediquei-me à pesquisa de campo para avaliar os efeitos funestos das conclusões da minha tese: “que o poder público corrompido, conjugado com a submissão do povo, passa a dominar as nações que tenham Governo e Parlamento imersos no fenômeno a que chamei de Suma Idiotice”. Assim, impus-me um vasto campo de trabalho e nele atuo desde então, há pouco mais de 50 anos.

Pesquisas no campo

De início, precisava me engajar como pesquisador em uma universidade que se interessasse por meu trabalho. Ademais, que investisse na produção de conhecimentos desse gênero.

Não foi fácil demonstrar à Academia que, das pesquisas a que então me propunha realizar, poderiam resultar insumos estratégicos para a tomada de decisão de bons gestores, afora o grande banco de dados psiquiátricos que seria criado.

Após dois anos de confabulação pelo mundo, em meados de 1963 mudei-me para a Califórnia. Por fim, contratado com o raro cargo de Psiquiatra-pesquisador. Logo fiz contato com minha família em Kyoto e tranquilizei os mais antigos sobre o caminho que já estava a trilhar.

Escadaria em Kyoto, Japão

Escadaria em Kyoto, Japão

Ao cabo de mais 12 anos, formávamos uma equipe multidisciplinar composta por quatro doutores, oito mestres e quase três dezenas de graduados e trainees. Para estimular a dedicação de todos nós, tínhamos orçamento garantido para mais vinte anos de pesquisa e produção científica.

Selecionamos a América Latina como sendo o espaço humano com maior probabilidade para encontrarmos manifestações visíveis do fenômeno em pauta (Suma Idiotice) e seguimos pesquisando por esse caminho.

A partir de amostras aleatórias das populações de diversos países latino-americanos, durante mais de uma década fizemos e documentamos milhares de entrevistas. Encontramos manifestações evidentes do fenômeno em nove países. Porém, de certos traços de suas populações, sobretudo antropológicos e psiquiátricos, sobreveio uma nova questão:

─ “O que está por detrás do poder corrupto e da submissão de um povo”? Ou, de outro modo: ─ “Que forças fazem com que a Suma Idiotice seja a gestora máxima de uma nação”?

A resposta automática e superada que recebemos de muitos entrevistados permaneceu a mesma de séculos atrás: “falta educação pública de qualidade para seu povo”. Trata-se de uma falácia, de uma balela [2]. Temos uma visão diferente, assim simplificada.

Nos primórdios, o ser humano era caçador-coletor e por isso nômade; evoluiu quando plantou e colheu o primeiro grão. Pouco depois fixou-se em pequenas povoações, com parte de sua alimentação provinda de culturas agrícolas. Mais tarde, construiu seus burgos murados, onde criou o primeiro shopping da história. Nele comercializava o excedente do que produzia e fundou a chamada “burguesia”.

O Homo sapiens tem procedido dessa maneira ao longo dos 50 mil anos de “comportamento moderno”. Contudo, no mais das vezes, sem possuir educação específica, apenas a cultura do “ensaio e erro” que ele próprio cunhou e acumulou.

Entretanto, hoje parece que após realizar novos ciclos de sua evolução, o Homem anda para trás e refaz um ciclo anterior, que já superara no tempo. Assim, a imagem da trajetória humana em algumas regiões do planeta é similar à de uma mola helicoidal esticada: sempre com risco de se romper nas áreas submetidas aos maiores esforços.

A mola esticada e a ranger

A mola esticada e a ranger

Embora a África apresente nações com esta característica, decorrente da ação de fatores externos nocivos, novamente a América Latina se destaca na Suma Idiotice, pois falta-lhe contribuições positivas de fatores externos (inteligência) e ela se autoconsome em processos entrópicos, de alto risco e desordem. Poucos são os países latino-americanos que não se encontram impactados por essa adversidade – Chile, Colômbia, Peru e, talvez, o México, foram os casos que identificamos. A questão daí derivada é a seguinte:

─ “O que faz com que países escorreguem na direção desses precipícios de alto risco?”.

Muitas são as ciências humanas que visam a responder esta questão. No entanto, até agora apenas apresentaram sucesso relativo. Talvez estejam longe de identificar as causas exatas da Suprema Idiotice. Mesmo a nossa contribuição ainda é uma hipótese em teste, fruto das pesquisas que realizamos na Latino América.

Hipótese da Improbidade Psíquica

Procuramos sintetizar ao máximo a apresentação dessa hipótese, mas permitindo ao leitor o devido entendimento de seu processo e de quais são seus principais agentes.

Para esta hipótese, “improbidade psíquica significa desonestidade e perversidade que se empilham geneticamente na psique do indivíduo, e são capazes de se manifestarem em todos os seus centros nervosos, sempre de forma consciente”.

Quem detém a improbidade psíquica é o ator, que sabe os alvos que mais lhe interessam para aplica-la. Alvos são indivíduos, instituições públicas e empresas privadas. O ator sempre é o único beneficiado em todas as operações da improbidade psíquica. Os alvos sofrem passivos os efeitos da desonestidade e da perversão.

Quando um ator ocupa o cargo máximo numa nação (Ditador, Presidente, Primeiro Ministro, Apedeuta), tem-se o fenômeno da Suma Idiotice Instalada, que passará a definir a trajetória medíocre da nação no cenário internacional.

Porém, o ator não joga sozinho. Necessita de grandes equipes subsidiárias (cargos comissionados), formadas por bedéis amestrados, e as transforma em tentáculos nacionais. Todavia, não raras vezes, são substituídos (ou eliminados), função de necessidades particulares instantâneas do ator. São verdadeiros neandertais, repetindo passados longínquos, “contorcer a mola“.

Se essa hipótese estiver correta, países como Cuba, Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador (e Brasil?) encontram-se em processo de alto risco.

Nesses países, até mesmo o tempo derrete, por força da ação de atores aquartelados em seu comando, dotados de plena improbidade psiquiátrica.

De todo modo, desejamos um feliz 2015 a todos, porque, como dizem, “2014 já era”.


[1] Nota do tradutor: A tradução desse artigo do Professor Memorito foi um pouco complexa. Verter seu texto, redigido originalmente em japonês, por vezes obrigou-me a encontrar termos compatíveis na língua portuguesa. Todavia, as ideias e focos da tese do professor não foram alterados – Takeo Shimata, nissei brasileiro.

[2] Nota do tradutor: no texto original, pela falta de um substantivo equivalente em japonês, o Professor Memorito redigiu “Bullshit!”.

Sobretudo, para quem gosta do Ambiente


Útil a todos que seguem Sobre o Ambiente”.

A empresa que concede espaço personalizado para nosso blog, acaba de oferecer mais uma facilidade gratuita, tanto para os responsáveis pelo site mas, sobretudo, para quem gosta de debates sobre Ciências do Ambiente, Política, Análise Crítica, Literatura e Filosofia que, afinal, são as linhas mestras de conteúdo que têm conduzido este espaço, desde maio de 2012 até agora.

Para os seguidores do blog a facilidade é simples de ser encontrada, mas complexa para ser produzida, em especial considerando os milhares ou milhões de blogs que residem em computadores desta empresa e estão disponíveis para o mundo, 24 horas por dia.

Trata-se do seguinte

Ao clicar no título de qualquer postagem do blog, o leitor encontra ao final do texto três outras postagens, relacionadas ao mesmo tema. Como já temos 908 textos postados, esta facilidade permite aos mais interessados a leitura de todos os artigos de “Sobre o Ambiente”.

A novidade para ler melhor o blog

A novidade para ler melhor o blog

Como estamos envolvidos em mais dois novos projetos editorias acadêmicos sobre Sustentabilidade do Ambiente, em breve poderemos informar a todos acerca de seu conteúdo.

Como se deu a transformação desse ambiente?

Como se deu a transformação desse ambiente?

Dúvidas sobre o “Global Warming”


Mesmo que alimentada pela histeria da imprensa”.

As maiores variações do clima na Terra são função de dois fenômenos naturais: (i) os ciclos solares, decorrentes das suas emissões de radiações ultravioletas (UV), e (ii) a presença de partículas vulcânicas na atmosfera do planeta. O Homem não possui meios para controlar esses processos, mesmo com as pretensões de arrefecer o clima por meio de seus “projetos de geoengenharia”.

Os ciclos solares normais têm duração média de 22 anos e representam as variações das radiações de UV de “mínima atividade solar” até “máxima atividade solar”.

Não há dúvida científica de que o calor emitido pelo Sol é bem mais poderoso do que os efeitos das emissões de gases do efeito estufa antropogênico [1] – vapor d’água, dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e clorofluorcarbonos (CFC).

Vista do Sol em “máxima atividade solar”

Vista do Sol em máxima atividade solar

Por sua vez, as partículas vulcânicas da atmosfera dependem da quantidade de sismos que ocorrem diariamente no planeta. São estimados, em média, de 30 a 80 sismos diários. Não temos dados confiáveis para calcular o volume de gases do efeito estufa lançados na atmosfera pelos vulcões ativos na Terra. No entanto, é provável que, em comparação com as emissões provindas das atividades humanas, ainda seja maior.

Porém, há uma questão que não está devidamente respondida:

― Quantos bilhões de toneladas de CO2 são próprios e naturais da Terra (efeito estufa) e quantos decorrem das atividades humanas?

Partilhamos a opinião abalizada de diversos cientistas do clima que o efeito estufa causado pelo homem ainda é inexpressivo na variação da temperatura da Terra. Vide artigos em anexo.

O “Global Warming” e a geração de empregos

A hipótese do aquecimento global rende muitos dividendos para organizações e pessoas em quase todo o mundo. Mantê-la e divulga-la é essencial para diversas universidades, ONG, instituições internacionais (ONU, IPCC, OMM, etc.), indústrias, empresas de consultoria e órgãos da imprensa em geral.

Ao contrário, provar que o Prêmio Nobel concedido ao senhor Al-Gore fez parte de uma farsa política e econômica neocolonialista, poderia causar um desastre em termos da oferta de empregos em quase todo o mundo desenvolvido.

Mas basta acontecer uma nova reunião do IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, que a audaciosa hipótese do aquecimento global é realimentada.

As ilhas de calor da Terra

Vários são os fatores que alimentam os oscilações climáticas planetárias. Além dos ciclos solares e do vulcanismo, os próprios movimentos de rotação e translação da Terra também, sem qualquer interferência humana, afetam suas temperaturas.

Mas é patente que o crescimento de grandes megalópoles de concreto, vidro e asfalto têm de ser considerados, muito embora em âmbito local, microrregional. México, São Paulo e Tóquio são bons exemplos de ilhas de calor.

Nota-se, no entanto, que pelo menos na ilha de calor do Rio de Janeiro as temperaturas têm sido declinantes na última década. Não ouvimos mais notícias dos “bairros quentes” nas décadas de 1960 e 70, quando chegaram a 45 oC à sombra.

Na verdade, hoje tagarelas especialistas da imprensa divulgam, com histeria climática, que em Bangu a temperatura alcançou o recorde de 35 oC! Só se for a máxima do dia e não a “de nunca na história desse país”.

Leia também:


[1] A ideia simplificada do efeito de estufa é a de que a atmosfera é transparente à radiação solar (ressalvada a interferência muito significativa da refletividade das nuvens e da superfície), a qual aquece a superfície da Terra. A superfície compensa este aquecimento com contra-radiação infravermelha. Essa radiação aumenta com a temperatura crescente da superfície, e a temperatura ajusta-se até alcançar o equilíbrio. Se a atmosfera também fosse transparente à radiação infravermelha, a contra-radiação induzida por uma temperatura média de superfície de menos dezoito graus Celsius equilibraria a radiação solar entrada. Mas a atmosfera não é transparente ao infravermelho. Desta forma a Terra aquece um pouco mais pela devolução à superfície terrestre da radiação do espaço (gases naturais do efeito de estufa) do fluxo de radiação infravermelha. Isso é o que é chamado de efeito estufa natural. O efeito estufa antropogênico é similar, embora causado por atividades humanas.

Moral e Ética


Seriam dois fatores responsáveis pela origem da vida na Terra?

A ciência tem informação conclusiva a provar que os primeiros seres vivos do planeta foram as algas. Eram formadas por uma célula (unicelulares) e viviam em colônias. Inicialmente, todas as células teriam as mesmas funções na colônia. Porém, ao longo do tempo, por motivos não evidentes, algumas delas ter-se-iam especializado em outras funções distintas. De acordo com uma das teorias existentes, esse fenômeno criou a interdependência estrutural dos seres unicelulares que, em contínuos “processos de complementariedade funcional” deu origem a seres multicelulares, diversos entre si em formato, estrutura, tamanho e funções na natureza primordial.

As algas azuis ou cianofíceas são os mais antigos seres vivos da Terra. Um fóssil de alga azul descoberto por arqueólogos, data de 3,8 bilhões de anos (Era Arqueozoica). Dessa forma, muito anterior aos seres que deram origem aos humanos, que viveram na Era Cenozoica, entre apenas 350 e 250 mil anos atrás.

Diz uma bióloga especializada em fisiologia: “Todos os seres vivos possuem um código genético. Ao tomar como verdadeira essa afirmação, a maioria dos biólogos acredita que toda a vida existente na Terra descende de um único ancestral, um ancestral representativo de todos os seres vivos e que pode ser chamado de o último antepassado comum universal[1].

Significa dizer que as células formadoras de todas as espécies da flora, da fauna, dos fungos e do ser humano são as mesmas. Todas evoluíram a partir do mesmo organismo unicelular que, de acordo com o conhecimento atual, data de cerca de 3,8 bilhões de anos atrás.

Mas em que ambiente deu-se a integração e organização dessas células?

É possível usar imagens atuais para responder a essa questão:

Foi com base num ambiente de união, compartilhamento, empatia, bons costumes, caráter, vontade de repetição e, por fim, através da seleção natural, onde os seres vivos mais eficientes evoluíram e se replicaram. Bem antes dos primatas humanos existirem na face do ambiente terráqueo.

Todos os atributos desse ambiente primitivo respondem de forma plena aos conceitos da moral e da ética. Somente bem mais tarde, coube a alguns Homens contribuirem com a Razão e a Lógica para atualizar esses conceitos. Todavia, tem-se dúvida se não foram permissivos demais…

Moral e Ética com razão e lógica

Moral e Ética com razão e lógica

Por isso, acredita-se que Moral e Ética, conforme a civilização as enxergam hoje, foram dois princípios ambientais básicos para a criação da vida na Terra. Todas as bactérias unicelulares de eras remotas já possuíam algum tipo de moral e ética. Caso contrário, políticos e governantes aéticos e imorais sequer haveriam nascido e se reproduzido aos milhões, com tanto descaramento.


[1] Maria Sílvia Abrão, Bióloga, pós-graduada em Fisiologia pela Universidade de São Paulo.

Projeto ReGet Me


Sistema ReGet Me, um desafio tentador.

Ricardo Kohn

Ricardo Kohn

Na primeira década deste século, mais exatamente no início de 2005, tomamos conhecimento de um projeto ambiental muito interessante, que ainda estava na fase de concepção. Um grupo de vários especialistas em questões ambientais se reunira para consolidar sua concepção e detalhá-lo. Tratava-se de um sistema informatizado, a ser operado na plataforma web, com aplicativos para atender às demandas de estudos, projetos e ações ambientais.

Entramos em contato com o grupo e fizemos uma visita a seu escritório de Belo Horizonte. Trabalhavam com gestão de obras havia mais de 30 anos. No entanto, desde o final da década de 1990, tinham encontrado diversos obstáculos para concluí-las sem prejuízo. Quase todos de ordem ambiental, envolvendo órgãos públicos de vários estados e municípios.

Acompanhamos cada vez mais de perto os trabalhos e, em fins de 2005, fomos convidados a participar do projeto, introduzindo processos para a gestão ambiental e da sustentabilidade, além de, a pedido do líder, tentar a captação de recursos para o ReGet Me.

Sem nos alongarmos, o projeto acabou parando, pois a empresa de engenharia se desfez com o falecimento de seus dois sócios. Os demais seguiram seus caminhos profissionais e nos legaram a propriedade do projeto.

Em meados de 2007 foi feito um sumário descritivo do Projeto ReGet Me, conforme segue abaixo. Para os que se dedicam ou tenham interesse em investir no setor ambiental, vale a pena compreender o alcance desta proposta.

I. Motivação do projeto

Com pequenas ações individuais simultâneas, comunidades isoladas de diversos países do planeta já realizaram ações globais de expressiva relevância. Assim aconteceu em inúmeros casos, tais como a economia de água, a limpeza de terrenos baldios, a identificação de focos de mosquitos, a coleta seletiva de lixo, a reciclagem de produtos inutilizados e muitos outros.

O que caracterizou esses processos foram dois fatores básicos: (i) uma efetiva demanda social a ser atendida e (ii) a organização espontânea de uma rede de cidadãos, por onde fluem os convites de adesão e participação.

Especialmente quando os casos eram considerados mais graves, foram criados movimentos comunitários específicos para fazer face às demandas sociais estabelecidas. Organizações não-governamentais existentes atuaram no sentido de fortalecer e acelerar os resultados esperados.

Empresas industriais assumiram alguns temas como item de responsabilidade social ou “de preservação do meio ambiente”. A imprensa entrou em ação e ofereceu suas contribuições: entrevistas, documentários, eventos, relatórios internacionais foram ventilados e discutidos.

Os assuntos tornaram-se tão expressivos que inúmeros efeitos colaterais tiveram início: empresas específicas foram criadas para oferecer soluções inteligentes; fundos de desenvolvimento destinaram capital para investimentos em projetos dedicados aos temas; e políticos fizeram campanhas espetaculares.

Neste momento do século XXI os chamados “mutirões sociais” ganharam expressão espacial. Tornaram-se grandes corridas tecnológicas. A internet, as telecomunicações, a tecnologia da informação constituem as forças de sua disseminação e solução. Ganhou-se capacidade de aglutinação de esforços, que irradiou uma forte sinergia empresarial.

Contudo, o grande mutirão atual (e que permanecerá em ação por muitas décadas) é o mais grave de toda a história da Humanidade. Trata-se de responder às oscilações climáticas do planeta e a todas as suas possíveis consequências: aumento da temperatura, ameaça de elevação dos níveis dos mares – com inundação de países insulares e inúmeras cidades litorâneas em todos os continentes – possível escassez de água, desertificações, perda de grandes espaços produtivos, eventos climáticos devastadores, miséria e fome de muitos povos, extinção de muitas espécies da flora e da fauna.

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão ligado às Nações Unidas, divulgou em 06/04/2007 relatório apontando um cenário grave sobre os principais impactos dos “resmungos da Terra” sobre a economia global, caso medidas concretas da inteligência não sejam buscadas. No Brasil, há impactos significativos em vários lugares, como na Amazônia, no semiárido nordestino e nas regiões litorâneas.

O que se verifica é uma aparente proporcionalidade entre dois tempos históricos. No tempo passado, a limpeza do terreno baldio era realizada pela comunidade associada em mutirão, que utilizava “a tecnologia das próprias mãos”. Nos dias atuais, todo o planeta encontra-se ameaçado e cientistas tentam tecnologias limpas de ponta, que buscam melhorias.

Mas esta proporcionalidade entre problemas e suas soluções é apenas aparente. No tempo passado, a limpeza do terreno baldio era realizada e mantida através de ações comunitárias e educação. No tempo presente, o terreno baldio é o próprio planeta e sua sujeira ganhou vida própria, tornou-se autônoma e se multiplica de forma espontânea. Os mutirões de pessoas ou de cientistas provavelmente ainda não são suficientes para realizar a limpeza. Mudaram as dimensões do terreno, a sujeira ganhou múltiplas formas, as ameaças são graves e crescentes, e o tempo de trabalho para a limpeza é limitado. Talvez não chegue a 100 anos.

Por estes motivos acreditamos que, em tese, devemos atuar como o fizemos desde a origem dos tempos: com pequenas ações simultâneas resultando em ações globais. Todavia, ao invés de realizarmos apenas ações cidadãs individuais, devemos realizar ações setoriais simultâneas. Cada setor econômico deve fazer a sua parte na limpeza do terreno baldio planetário.

Para auxiliar na solução deste problema, em fins de 2007 foi concebido e detalhado o projeto do Sistema ReGet Me, a ser operado em rede, pela internet.

II. A proposta

O ReGet Me constitui uma rede internacional de sistemas informatizados para a execução de práticas ambientais legalmente instituídas no Brasil e no mundo ocidental, assim como de outras práticas e processos delas derivadas.

Seu projeto nasceu a partir de uma iniciativa dos setores da engenharia, ambiental e da tecnologia da informação. É uma rede composta de processos e conhecimentos ambientais que busca atender a todos os setores econômicos, utilizando ferramentas tecnológicas que auxiliam sobremaneira “na limpeza e na manutenção do terreno baldio planetário”.

De um lado auxilia a profissionais. De outro, a todas as organizações produtivas, privadas e públicas, que o utilizarem, independentemente de onde se localizem no planeta e do tipo de transformação ambiental que realizam através de suas atividades.

III. Os produtos

As operações e ferramentas do ReGet Me somam 26 aplicativos de ordem ambiental. Atendem a todas as etapas do ciclo de vida de uma organização, ou seja, projeto de engenharia, obras e ampliações, operação da organização, sustentabilidade de seus resultados no ambiente e mesmo o seu eventual descomissionamento. Além disso, possui ferramentas para realizar a viabilidade, licenciamento, plano ambiental e a gestão da sustentabilidade de uma organização produtiva, bem como de suas práticas de segurança e saúde no trabalho.

III. Aplicativos ambientais do ReGet Me

Os aplicativos do ReGet Me permitem que usuários elaborem e compartilhem, em ambiente internet, os seguintes serviços:

  • Identificação da Transformação Ambiental de um território.
  • Estabelecimento das Premissas Iniciais de Estudos Ambientais (requisitos legais, área preliminar de influência e matriz preliminar de impactos ambientais).
  • Elaboração da Caracterização de Empreendimentos, com informações sobre projetos, obras, operação e descomissionamento.
  • Realização e Gestão de Campanhas de Campo.
  • Elaboração de Diagnóstico Ambiental Completo da área de influência de um projeto ou de uma organização existente.
  • Consolidação das Premissas dos Estudos.
  • Elaboração da Matriz de Impactos Ambientais em sua versão final, atendendo às necessidades de prognósticos ambientais para a área de influência em estudo.
  • Formulação de Prognósticos Ambientais, considerando até três cenários futuros da área de influência.
  • Formulação de Cenários Ambientais futuros detalhados.
  • Avaliação Qualiquantitativa de Impactos Ambientais para todos os cenários formulados.
  • Desenvolvimento, Implantação e Gestão de Planos Corporativos Ambientais.
  • Realização de Auditoria de Planos Corporativos Ambientais.
  • Elaboração de Estudo Preliminar de Viabilidade Ambiental, visando a oferecer suporte à tomada de decisão de investidores acerca da implantação ou não de um projeto de engenharia.
  • Desenvolvimento de Estudo de Impacto Ambiental para projeto de engenharia, visando a seu licenciamento.
  • Elaboração de Relatório de Impacto Ambiental – Rima.
  • Programação e Gestão de Audiências Públicas.
  • Elaboração e Gestão de Projetos Ambientais.
  • Levantamento e Gestão de Passivos Ambientais.
  • Desenvolvimento, Implantação e Gestão de Planos Executivos para Gestão Ambiental de Obras.

O Sistema ReGet Me também possui aplicativos para atividades de administração ambiental de organizações produtivas.

  • Elaboração e Gestão de Procedimentos Ambientais.
  • Implantação e Gestão de Comitê de Gestão Ambiental e da Sustentabilidade.
  • Implantação e Gestão de Ouvidoria Ambiental.
  • Desenvolvimento e divulgação de Código de Conduta Ambiental.
  • Gestão da Obtenção e Renovação de Licenças Ambientais.
  • Elaboração de Termos de Referência para estudos ambientais.

Todos os trabalhos acima apresentados, quando são estabelecidos legalmente, contemplam a legislação brasileira vigente.

O Projeto ReGet Me vai além dos aplicativos de que dispõe. Oferece palestras, seminários e cursos intensivos para todos os interessados.

IV. Benefícios do Sistema ReGet Me

  • Acessibilidade: todas as ferramentas do sistema são residentes em plataforma web, podendo ser acessadas de qualquer região que possua acesso à internet.
  • Comunicação: através da rede ReGet Me as comunicações entre todos os atores, públicos e privados, diretamente ligados a cada processo ambiental em elaboração, podem ser permanentes e gratuitas.
  • Sinergia: o sistema permite que haja compartilhamento de conhecimentos e de soluções ambientais entre organizações produtivas de um mesmo grupo empresarial.
  • Flexibilidade: todos os aplicativos constituintes do sistema podem ser customizados pelos próprios usuários, em conformidade com suas necessidades, bem como com a legislação ambiental vigente.
  • Operacionalidade: o sistema permite que seja efetuada a gestão de equipes e de processos à distância.
  • Economia: redução de custos dos processos ambientais atendidos pelo projeto.
  • Agilidade: redução de prazos de processos e de licenciamentos ambientais.
  • Variedade: os usuários corporativos do sistema podem desenvolver outros processos integrados ao ReGet Me que sejam de seu interesse.

V. Mercado potencial

No Brasil existem cerca de 8 mil corporações produtivas que já realizam há algum tempo investimentos e despesas de ordem ambiental, em função das demandas legais estabelecidas para suas atividades pré-produtivas, produtivas e pós-produtivas.

Não possuímos uma medida de grandeza do volume de recursos financeiros destinados à gestão ambiental de empreendimentos e projetos. Mas, sem dúvida, alguns bilhões de reais são anualmente despendidos em questões ambientais por estas 8 mil organizações.

O uso da rede de aplicativos do sistema pelas organizações que já dispõem de área ambiental própria permitirá uma expressiva redução de dispêndios, além de agilidade e qualidade em seus processos ambientais, tanto respondendo aos requisitos legais estabelecidos, quanto à sua própria política ambiental.

VII. Mercado concorrente

Até o momento não existem no mercado brasileiro e internacional sistemas sequer similares ao ReGet Me. Da mesma forma ainda não existem iniciativas de desenvolvimento destes web-sistemas, muito embora em alguns setores já existam sistemas operando em plataforma web.

Por fim, merece salientar que, partindo do zero em inovações tecnológicas desta natureza, um similar ao Sistema ReGet Me demandaria pelo menos 3 anos para ser concebido, detalhado, desenvolvido e implantado. O custo desse processo seria da ordem de 3,6 milhões de reais. Parte deste investimento já fora realizado. Ou seja, o ReGet Me já se encontrava concebido e detalhado em 2007. Faltava desenvolvê-lo, testá-lo e implantá-lo.

VIII. Abrangência do Negócio

O ReGet Me pode ser oferecido de diversas formas aos mercados potenciais de vários países, em especial na América Latina. Pode ser oferecido para pessoas físicas e para organizações produtivas. Mas também pode ser apresentado a governos nacionais, que passam a oferecer o sistema a organizações que são legalmente demandadas para a realização dos processos e das práticas ambientais instituídas.

IX. Nova proposta

Essa proposta procurou investidores no período de meados de 2007 a fins de 2008. Chegou a oferecer a parceria majoritária no projeto. Foram feitas apresentações detalhadas do ReGet Me em instituições e bancos de fomento nacionais. Todos afirmaram que o projeto era de alta qualidade, mas que deveriam ser buscados investidores privados.

Sendo assim, estamos disponíveis a todos os interessados em investir no setor ambiental para apresentarmos o Projeto ReGet Me.

Um hipocampo macho a parir


Um hipocampo macho a parir

Para registrar esta maravilha!

As imagens que seguem no vídeo abaixo foram tomadas dentro de um aquário. Elas mostram um macho de cavalo marinho – Hippocampus kuda – dando à luz a cerca de 1800 filhotes.

Casal de Hippocampus kuda

Casal de Hippocampus kuda

Os técnicos e cientistas do Departamento de Aquariofilia de um laboratório nos EUA ficaram abismados com diversos aspectos intrigantes desse momento: as nítidas mudanças de comportamento do casal com a iminência do nascimento, a aceleração da respiração, o início e o aumento das contrações e o esforço de um macho a parir.

Veja aqui este belo registro.

A Extrema Idiotice Mundial


Não estamos a ser pessimistas, mas apenas realistas.

No século 20 o mundo assistiu a duas grandes guerras: a Ia e a IIa Guerra Mundial, ambas causadas pelo imperialismo, nacionalismo fundamentalista e nazismo. No entanto, no início do século 21, certos “diferentes estadistas” estão a seguir um rumo bastante parecido e já conflagraram a Ia Extrema Idiotice Mundial.

Também será travada uma guerra devastadora e revelará fatos similares aos dos conflitos anteriores. Contudo, em uma conjuntura mundial totalmente distinta. A devastação humana não terá milhões de corpos mortos e estendidos no chão, mas bilhões de idiotas ativos e desgovernados.

Presságios da Idiotice Mundial

Vários fatos são sintomáticos para prevermos a tendência inexorável rumo à idiotice mundial ecumênica. Segue a sequência dos principais acontecimentos ocorridos (ou ocorrentes) durante os primeiros treze anos do século 21.

  • Os atos de terrorismo nos Estados Unidos da América, em 11 de setembro de 2001, com a destruição das Torres Gêmeas e de parte do Pentágono (G. W. Bush).
Imagem do atentado de 11 de setembro

Imagem do atentado de 11 de setembro

  • A pronta-resposta internacional para a invasão do Afeganistão contra o regime dos Talibãs, iniciada em outubro de 2001 (G. W. Bush).
  • A primeira vitória do Partido dos Trabalhadores nas eleições presidenciais brasileiras, em outubro de 2002, e as íntimas relações que seguem até hoje com ditadores da América Latina.
  • A estúpida Guerra do Iraque, com início em março de 2003 (G. W. Bush).
  • Os atentados terroristas em Madrid, durante março de 2004.
  • Os atentados terroristas em Londres, durante julho de 2005.
  • A descoberta do criminoso esquema do mensalão”, em maio de 2005. Iniciado em 2003 e considerado o ato mais vil de corrupção pública da história do Brasil.
  • A gigantesca crise econômica iniciada em fins de 2008, abalando a economia norte-americana e europeia, fundamentos da economia mundial (G. W. Bush).
  • A caçada internacional a Osama Bin-Laden e demais membros líderes da al-Qaeda, durante toda a primeira década do século 21 (G. W. Bush e B. Obama).
  • A execução de Bin-Laden, realizada por forças especiais norte-americanas, em maio de 2011 (B. Obama).
  • O julgamento da ação penal 470 – mensalão – pelo Supremo Tribunal Federal, iniciado em agosto de 2012, com a condenação e definição das penas de 25 réus, dentre 38 indiciados, “políticos e empresários”.
  • Os riscos do STF diante das análises jurídicas dos embargos impetrados pelos 25 condenados pela participação no “esquema do mensalão”, que tanto pode reduzir as penas aplicadas aos réus, quanto permitir sua liberdade. As análises estão a ser iniciadas em agosto de 2013.

Deixamos para o final o cenário atual mais complexo, que nasce com as chamadas primeiras “primaveras árabes”. Trata-se de uma tsunami revolucionária de protestos civis que ocorrem no norte da África e no Oriente Médio, desde de dezembro de 2010. Envolve, sobretudo, as graves revoluções no Egito, o brutal genocídio da guerra civil na Síria, afora outros protestos secundários, embora não menos importantes e talvez ainda inconclusos.

A nosso ver têm-se três jogadores essenciais que alimentam esse cenário: (i) o Iran, que ameaça ser uma desagradável potência nuclear da região; (ii) os Estados Unidos, sem os mesmos interesses no petróleo árabe e na geopolítica do Egito, mas muito atento aos movimentos iranianos; e (iii) a Rússia, numa tentativa de reemergir politicamente, sempre dando apoio contra os reais e desconhecidos interesses norte-americanos.

Não nos arriscamos em prever qualquer cenário futuro para o norte da África e para o Oriente Médio. Mas, com quase certeza, desenha-se um caminho rápido e direto rumo à Ia Extrema Idiotice Mundial.

Grandes ações nacionais “fora da caixa”

A Noruega, no século 21, talvez a demonstrar que não possui meios para conter a idiotice mundial instalada, optou pela inteligência: construiu uma salvaguarda para a Humanidade. Chama-se Svalbard International Seed Vault, conhecida como “A Arca do Fim do Mundo”.

Trata-se de um enorme armazém que contem sementes de todas as plantas necessárias para que o ser humano reinicie sua vida na Terra, caso aconteça um desastre ecológico, seja por causas espontâneas do Ambiente ou pela ação do Homem.

Croquis da Arca já construída

Croquis da Arca já construída

A Arca está construída no Ártico, no interior de uma montanha congelada. Assim, trata-se de um enorme “cofre ártico” que oferece serviços gratuitos a todos os países que necessitarem de repor culturas agrícolas, matas e florestas. Qualquer país pode enviar as sementes que são típicas em sua região.

Além do frio inclemente, da ação dos ursos polares, da cobertura natural de permafrost (capa de gelo permanente na região), os noruegueses criaram os melhores meios adicionais para resguardar a integridade das sementes que guardam para o mundo. No interior da Arca a temperatura é basicamente constante, acima do nível congelamento.

Técnico trabalhando na sala de controle dentro da Arca

Técnico trabalhando na sala de controle dentro da Arca

Para conter a corrida desenfreada rumo à Ia Extrema Idiotice Mundial, precisamos de mais países como a Noruega, providos de mais inteligência, com mais respeito ao próximo e a si mesmos.

Os inovadores parecem sem pilha


Invenções, ainda renegadas, podem mudar o mundo.

Recebemos um arquivo-relatório traduzido e organizado por Paulo César Fiuza Lima – morador de São José, Santa Catarina – contendo alternativas para motores de combustão interna, hoje ainda movidos por derivados de petróleo: são os motores elétricos ou movidos a hidrogênio. Repassamos aos leitores do blog o teor técnico desse trabalho.

O problema

Especialmente nas grandes áreas urbanas todos já sentiram os efeitos da contaminação do ar, causada por motores a explosão. Em cidades como México, Moscou, Pequim e São Paulo, dentre outras, os meios de comunicação sempre alertam sobre as graves ameaças à saúde de seus cidadãos:

  • Atenção, hoje o nível de poluição está alto,
  • Idosos e crianças não devem sair de casa,
  • Quem pratica esportes, não deve fazê-lo hoje,
  • Os asmáticos devem usar cilindros portáteis de oxigênio,
  • As demais pessoas precisam usar máscaras.

Um dos grandes responsáveis por essa calamidade, senão o principal, é o motor a gasolina ou a diesel que move milhares de veículos diariamente nos grandes centros urbanos.

Possíveis soluções

É óbvio que a extrema poluição do ar tornou-se uma excelente oportunidade de negócios para os melhores inventores. E várias soluções foram projetadas e executadas para resolver esse cenário de ameaça social generalizada.

Em 1996, a General Motors lançou seu primeiro modelo de carro elétrico – o EV1, Eletric Vehicle 1 – que, segundo o relatório, formou uma grande frota a circular pelo estado da Califórnia, durante cerca de 10 anos.

Este foi o orimeiro carro elétrico da GM

Este foi o primeiro carro elétrico da GM – EV1

Eram carros silenciosos e potentes, alcançando 100 km/h em 9 segundos, do jeito que norte-americano gosta. Não geravam poluição e sequer tinham tubo de escapamento. Podiam ser facilmente recarregados na garagem da casa de seu usuário.

No entanto, havia uma diferença na comercialização destes carros: não eram vendidos pela GM, mas apenas alugados aos seus usuários. E, sem explicar os motivos, um dia a montadora simplesmente não renovou os contratos de aluguel. Todos foram devolvidos ou recolhidos e sumiram das ruas californianas.

E qual foi o seu destino? Foram todos destruídos pela GM e empilhados num aterro!

Toda a frota de EV1 destruída pela GM

Toda a frota de EV1 destruída pela GM

Em 1997,  a Nissan apresentou no salão de Tóquio seu modelo elétrico, o Hypermini. Logo a prefeitura da cidade de Pasadena (Califórnia) adaptou o carro como veículo profissional para seus funcionários.

O Hypermini estacionado em Pasadena

O Hypermini estacionado em Pasadena

Os veículos da Nissan foram muito apreciados por seus usuários, sobretudo por sua facilidade de manobras e estacionamento. Circularam na cidade até agosto de 2006, quando o contrato de aluguel com a Nissan se expirou. Então o município propôs a aquisição de toda a frota de elétricos, mas a Nissan negou-se a vendê-los.

Tal como a GM, a Nissan recolheu todos os Hypermini e os destruiu de forma sumária, sem qualquer explicação.

Da mesma maneira, em 2003 a Toyota decidiu interromper a produção de seu veículo elétrico, o RAV4-EV 4×4 [1]. Começara a produzi-lo em 1997 e era uma verdadeira joia em tecnologias embarcadas. Basta lembrar um único indicador de desempenho: a carga completa da bateria custava próximo de R$ 6,00.

Este é o potente e renovado RAV4-EV, em 2012

Este é o potente e renovado RAV4-EV, em 2012-2013

A quantidade de aluguéis do RAV4 foi muito acima do que era esperado. No entanto, em 2005 os contratos de aluguel dos usuários do veículo com a Toyota expiraram. E o que ela tentou fazer? Apressou-se em recuperar todos os veículos para destruí-los!

Entretanto, desta feita a montadora se deu mal. Os usuários do veículo criaram uma associação para pressionar a Toyota – a “Don’t Crash” – e abriga-la a vender os RAV4. A pressão teve sucesso e, após três meses, em 2005, a Toyota concordou em vende-los, mas retirou-os da sua linha de produção.

Porém, ainda em 2005, o golpe final sobre os “toyoteiros vitoriosos” ocorreu sem misericórdia. Executivos que comandaram a fusão comercial entre a Chevron e a Texaco, compraram por US$ 30 milhões a patente da bateria do RAV4 e mandaram desmontar sua fábrica.

O lobbie das grandes petrolíferas não quer que veículos elétricos sobrevivam e assim seguem a auxiliar nas guerras do Oriente Médio por força do petróleo;  a matar pessoas em  todo o mundo, especialmente com os níveis da poluição criada pelo combustível fóssil.

De qualquer forma, as duas décadas de pesquisas e de trabalhos das grandes montadoras não foram jogados no lixo. Não há lobbie com força suficiente para cala-las em seus modos de produção e inovação.

Outras tecnologias limpas

O ex-governador da Califórnia dirige um SUV – Veículo Utilitário Esportivo – da General Motors, o Hummer H2H que, desde 2005, é movido a hidrogênio. Por sua vez, a BMW e a Honda já possuem veículos protótipos movidos a hidrogênio.

Hummer H2H, movido a hidrogênio

Hummer H2H, movido a hidrogênio

Em suma, montadoras do porte da Mercedes-Benz, BMW, Volkswagen, Ford, General Motors, Honda, Toyota, Nissan, Hyundai e Kia retomaram seus projetos e já preveem a data entre 2015 e 2018 como início da viabilização do carro movido a célula de combustível a hidrogênio.


[1] O modelo 2012-2013 do Toyota RAV4-EV tem motor elétrico de 155 cavalos, baterias de lítio desenvolvidas pela Tesla. Possui autonomia para 160 km. A recarga das baterias em 240 V demora em média seis horas. Para sair de 0 a 100 km/h gasta 7 segundos. Sua velocidade máxima é de 160 km/h. Sua capacidade de poluição é igual a zero.

Quarenta mapas da Terra


Os mais importantes mapas da Terra

Website com 40 mapas que nos ajudam a compreender melhor o planeta (veja aqui).

Os temas dos mapas constantes neste website são variados e inesperados. Suas fontes são sólidas e comprovadas. Todavia, certos mapas foram “trabalhados” por uma equipe de bons “provocadores”, o que dá asas à imaginação.

Embora muitos deles mereçam ser analisados com atenção, selecionamos apenas um para constar desse texto:

  • O mapa do supercontinente hipotético chamado Pangeia – Fonte: Eatrio.net.

Conforme estudiosos da formação e dinâmica do planeta Terra, o supercontinente Pangeia já existia na era Paleozoica, há cerca de 540 milhões de anos. Estima-se que começou a ser dividir na era Mesozoica (cerca de 210 milhões de anos atrás) para formar dois megacontinentes chamados Laurásia (que continha América do Norte, Europa, Ásia e Ártico) e Gondwana (a Antártica, América do Sul, África, Oceania e Índia pertenciam a seu território). Somente existia um gigantesco oceano, que se chamou de Panthalassa, e um tal de mar de Tethys.

O mapa monolítico do Pangeia

O mapa monolítico do Pangeia

No entanto, em função da dinâmica da litosfera terrestre, de acordo com a Teoria da Deriva Continental (apresentada pelo cientista alemão Alfred Lothar Wegener em 1912), ao longo de muitos séculos Laurásia e Gondwana vieram a se fragmentar de forma aleatória e natural, resultando no mapa-múndi que temos hoje, com seus oito continentes e respectivos países dispersos pelo planeta. Todos quase “a boiar em diversos mares e oceanos”.

Por outro lado, as placas tectônicas que sustentam os continentes seguem à deriva sobre a camada de rocha do manto terrestre. As forças magnéticas do interior da planeta fazem com que elas se desloquem lentamente pelo globo, em andaduras certeiras e constantes. Dessa forma, deve ser considerado que a deriva continental também ocorre às avessas, com incontáveis vulcanismos e terremotos, mas sempre a reconstruir um novo Pangeia, similar ao do mapa abaixo apresentado.

O quebra-cabeças do mapa detalhado do Pangeia

O quebra-cabeças do mapa detalhado do Pangeia

Não é preciso ser especializado em Ciências do Ambiente para prever que, passados cerca de mais 200 milhões de anos, os continentes estarão a se chocar entre si, a comprovar mais uma vez que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Ao fim dos violentos eventos ambientais decorrentes (vulcanismos, terremotos, maremotos, tsunamis, vendavais, nevascas, etc), suas relações territoriais certamente se estabilizarão, mas sem dúvida em um novo formato físico para cada país.

Entretanto, os terráqueos do futuro ainda terão de enfrentar outro enorme desafio, bem maior que o da formação de seu novo Pangeia. Com todos os países do mundo sendo obrigados pelas forças da natureza a permanecerem empilhados em um único continente; e cada um com inúmeros vizinhos de fronteira, a impor sua soberania aos demais e a manter suas leis particulares, não haverá Corpo Diplomático ou especialista em Relações Internacionais que segure seus povos e exércitos.

Imaginem, por analogia, toda a população de uma megacidade andando os dias inteiros na única linha de três carros do mesmo metrô? O que pensam que acabará por acontecer?…

No novo Pangeia acontecerão tremendas “pancadarias internacionais”, com duração de pelo menos dois mil anos de guerras distribuídas no mesmo continente. Veja no mapa que o Brasil perdeu seu oceano e parece ter agora 21 países vizinhos, sendo 11 africanos orientais. Assim, preveja o que aconteceria durante e depois de uma “primavera árabe de sete dias” em seu território?

Mas nem tudo são ameaças para os países do Pangeia. Há oportunidades de negócios muito interessantes, que não terão mais necessidade do uso de jatinhos em voos transatlânticos. Portanto, com “custos intermediários” bem mais baixos. Por exemplo, todas as “negociações de obras” das empreiteiras brasileiras em Angola poderiam ser feitas logo ali, na fronteira angolana com a Bahia! Veja no mapa.

Escola para formação de Estadistas


Por ações públicas que visem a resultados de longo prazo.

No censo do IBGE, em 2010, a população brasileira foi recenseada com cerca de 190 milhões de habitantes. O mesmo instituto estimou que, em 2011, seriamos 194 milhões. Em 2050 é esperada uma população da ordem de 260 milhões de habitantes no país.

Em outras palavras, no curto intervalo de 37 anos, o Estado Brasileiro será obrigado a atender demandas sociais, econômicas, políticas e culturais de mais 70 milhões de cidadãos, o que equivale à população estimada da França, no fim deste ano de 2013.

Pelo lento andar da carruagem brasileira, movida por uma parelha de jumentos, é muito provável que os futuros movimentos de protestos se degenerem e não possam ser mais contidos.

Charge publicada na Suíça. Parece que não funcionou...

Charge publicada na Suíça. “Parece que não funciona mais”

Daí tem-se a imperiosa necessidade de um Estadista que, na visão de Oscar Wilde, é “aquele que pensa nas futuras gerações e não nas próximas eleições”. Este último é o idiota político, que não possui competência para gerir qualquer nação e adapta-la à evolução das 191 nações que, segundo a ONU, têm soberania nacional reconhecida no planeta.

Escolas para Estadistas

Muitas nações já elegeram estadistas históricos. Algumas ainda os detêm, mesmo depois de inúmeras sucessões democráticas. Dentre eles houve excepcionais cientistas políticos, grandes negociadores, excelentes economistas, bons financistas e assim por diante. Mas, por que foram e são bons Estadistas?

Vista da Universidade de Oxford, UK

Vista da Universidade de Oxford, UK

Pelo menos no hemisfério ocidental, são pessoas preparadas e dedicadas para exercerem a função de Estadistas. Não surgiram do nada. Os melhores foram treinados durante muitos anos por diversos professores que detinham os fundamentos da moral e da ética, das relações pessoais, da capacidade de partilhar conhecimentos, da disciplina, da ciência política, das relações internacionais, da economia e os transferiram em seus detalhes para os cérebros de jovens responsáveis, potenciais Estadistas.

Universidade de Harvard, USA

Universidade de Harvard, USA

No mundo há diversas universidades que, embora não se dediquem exclusivamente a essa causa – formar Estadistas – foram e são capazes de produzi-los com fluência e dignidade. Oxford, no Reino Unido, e Harvard, nos EUA, são dois excelentes exemplos.

Biblioteca da Universidade de Oxford, UK

Biblioteca da Universidade de Oxford, UK

Considera-se que este é o único modo de produção: uma escola preparada para construí-los. Não parece haver  outra fórmula. Estadistas de qualidade não caem do céu e não são produzidos pela dita “experiência política”, a qual gera bem mais vícios deprimentes do que virtudes públicas.

Para turma de Engenharia Civil da UFRJ


O Retorno à Moralidade Científica.

Acabamos de fazer uma palestra para a turma do 8º semestre de Engenharia Civil da UFRJ. O tema foi o “Modelo para a Transformação Ambiental”. Encontra-se apresentado em detalhes no Capítulo II e Anexos de nosso livro digital – A Arte da Sustentabilidade –, passível de ser adquirido no site www.kohn.eco.br.

No entanto, disponibilizamos para todos os seguidores de “Sobre o Ambiente” o texto conceitual e técnico apresentado na palestra para futuros engenheiros, visando a demonstrar como ocorre a transformação do ambiente, em especial a realizada por atividades antropogênicas (executadas pelo Homem).

Como se deu a transformação desse ambiente?

Sabe como se deu a transformação desse ambiente? Quantos profissionais, máquinas e equipamentos foram necessários? Quem deu ordem para cometer esse absurdo na Amazônia? Quem paga por isso?

Decerto sua leitura causará interesse a respeito do teor dos demais 17 capítulos que constituem o livro.

Faça o download no link abaixo.

Missões cumpridas: (i) a palestra proferida e (ii) seu material didático disponível e partilhado com todos.

Zola, o ensinador


Após muito estudar e, de certa maneira, ensinar, tornou-se um vulto.

Desde a infância seu nome era o último na lista de chamada da sala no colégio. Sempre foi um menino um tanto inesperado. Enquanto os demais alunos da sala respondiam “presente” ao ouvirem os professores a declamar seus nomes na chamada de presença, ele respondia firme, em alto e bom som: Zola! (pronuncia-se Zolá). Parecia querer ecoar a fala do professor. Era apenas nesse momento – e que se repetia até cinco vezes pelas manhãs diárias – que Zola mostrava ser capaz de falar.

Zola, o vulto desconhecido

Zola, um simples vulto desconhecido

Durante os cursos do Primário e do Ginásio (1), Zola não era tido como um ser comunicativo ou crítico, ao contrário do escritor francês Émile Zola, com quem compartilhava o sobrenome. Nos intervalos entre as aulas conversava com poucos colegas de sala, mas somente quando se tratava de assunto relativo às matérias em estudo. Mesmo assim, apenas quando pediam suas opiniões. Era curto e objetivo com as palavras; talvez o silêncio já fosse então a “ânima” de seu intelecto. Durante os nove anos dos estudos do primeiro grau, Zola não teve nenhuma nota inferior à máxima. E isso ocorreu em todas as matérias que o liceu oferecia.

Nos três anos do curso Científico, quando todas as turmas tinham alunos com 14 anos ou mais, ao recebermos a grade de aulas anual, ficávamos felizes ao descobrir as chamadas “horas vagas”. Nelas podíamos ir para as quadras de esporte e jogar futebol de salão ou vôlei, durante cerca de 50 minutos. Lembro-me que no primeiro ano tínhamos três horas vagas por semana, além de duas aulas de Educação Física aos sábados, nas mesmas quadras. A primeira era trabalho físico pesado. Após, a segunda era sempre dedicada ao salão ou ao vôlei. Dependia da votação dos interessados.

Porém, havia exceções. Eram aqueles que preferiam, no mínimo três vezes por semana, se empanturrarem no Bob’s ao invés de praticar algum esporte. Bem, o peso desses colegas era bastante elevado e alguns menos amigos, provocativamente, o declinavam em toneladas. No início de cada ano, eles entregavam na secretaria do liceu atestados médicos carimbados que os impediam de fazer quaisquer exercícios e, em consequência, participar de todo o tipo de educação física.

Zola não era um desses. Afinal, tinha pequena estatura, era magro, com pele de pouco sol e portava um óculos para miopia com cerca de 8 graus em cada lente. Eram dois fundos de garrafa apoiados sobre o nariz. Sendo assim, durante as horas vagas permanecia na sala de aula, absorto em sua carteira, a dar soluções para problemas de matemática e de física até então nunca resolvidos. Durante os três anos do curso científico Zola decerto solucionou milhares de problemas não resolvidos, impressos em volumosos livros ingleses. Sempre tinha um deles a mão. Nunca qualquer colega do liceu sequer ousou tocar nos livros de Zola. Bastava passar ao largo de sua carteira e ver as figuras que acompanhavam os problemas de física e matemática: eram simplesmente aterradoras, difíceis de serem interpretadas por leigos como nós.

Física e Matemática

As expressões amedrontadoras da Física e da Matemática

Tivemos a sorte de fazer o terceiro ano científico integrado ao curso pré-vestibular. Todos os professores eram magníficos e, sem exagero, em 1967 eram considerados os melhores do Brasil. Devo citar alguns nomes e apelidos que me foram essenciais em termos da lógica do pensamento: Bahiense, Saules, Gitirana, Nótrega, Pardal, Romagnolo, Orelhinha, Bazarella e Manta foram alguns deles. Todos inesquecíveis e incomensuráveis em sua razão.

Muitos já tinham longa experiência na formação de candidatos à universidade. Mas todos ficaram impressionados com a inteligência e criatividade de Zola, que continuava a resolver problemas esquisitos dentro de sala e a tirar nota 10 em todas as provas.

Zola fez três vestibulares, no ITA, IME e Nacional de Química. Passou nos três em primeiro lugar. Foi notícia em jornais do país durante uma semana. Decerto não as leu e continuou imerso em seu silêncio, cultivando suas habilidades para solucionar problemas.

Os caminhos de Zola

Perdemos o paradeiro desse gênio por cerca de mais de duas décadas. Hoje o chamariam de Nerd, mas sem saber que o Gênio é, no mínimo, um amplo degrau acima de qualquer Nerd. Todavia, um de nós ficou sabendo que Zola tornara-se chefe de um Laboratório Técnico-científico nos EUA, que ainda hoje é encarregado de criar soluções para problemas que, supostamente, sequer existem.

Em minha visão particular considero Zola um grande “ensinador”, não por meio de aulas e demonstração de teorias e teoremas, que certamente nunca fez. Mas, sobretudo, por seu comportamento silencioso, dedicado, humilde e extremamente focado no que precisava aprender para continuar a inovar.

É um grande vulto das inovações mundiais, tanto para atender a pedidos on demand, quanto para alimentar suas próprias habilidades.


(1) No Brasil, durante as décadas de 1950 e 1960 os cursos colegiais eram divididos em Pré-primário, Primário, Admissão, Ginásio e Científico ou Clássico, totalizando 12 anos de educação colegial (1º e 2º Graus). Depois de fazer um curso especial e prestar as provas do vestibular, os alunos aprovados seguiam para realizar os cursos universitários (3º Grau) – Graduação, Mestrado e Doutorado, podendo totalizar de 11 a 13 anos de educação universitária.

Eternos amigos do passado: os críticos


Viver o ambiente da crítica bem argumentada é igual a concluir várias Faculdades.

Amigos críticos sim, mas, acima deles, há os críticos “fundamentalistas”. Três críticos foram nossos professores entre 1969 e 1971. Algumas vezes foram considerados ofensivos por quem sofria sua ação. Quando chamavam a atenção de um aluno, para seguir pelo caminho que julgavam mais correto, não sabiam aconselhar com frases adocicadas. Até porque para eles não havia alternativas de rumo na vida. Eram superlativos, absolutos e bastante sintéticos. Sempre nos pareceram matemáticos em suas afirmações: “donde se conclui que o caminho é este”! Tinham certeza do que e como ensinavam.

A Certeza não tem idade

A certeza não tem idade

Por motivos óbvios, não apresentamos seus nomes completos, mas apenas os “apelidos” com que eram tratados: Simon, Fred e Maul. Qualquer dos três, se nos ler, saberá do que estamos a falar.

Simon é o mais antigo. Na época, era chefe de departamento na faculdade que cursávamos. Por isso, de início era o mais fechado dos três. Levamos algum tempo para termos uma aproximação extracurricular. E foi através da literatura sul-americana que, enfim, ficamos mais próximos. Sabedor de que gostávamos de redigir contos, Simon indicou-nos alguns autores que considerava especiais – Julio Cortázar, Gabriel Garcia Márquez e Jorge Luis Borges foram os primeiros. Foi uma loucura (para nós, os rebeldes) descobrir escritores demolidores como Cortázar e Márquez, bem como com a maravilhosa cultura dos mistérios de Borges. Crítica, sátira, ironia, surrealismo e non sense se entrelaçam nas obras dos três. A partir daí descobrimos inúmeros escritores de outros continentes e países.

Fred e Maul eram professores contratados pelo departamento chefiado por Simon. Tinham perfis profissionais bastante semelhantes em termos de competência, domínio científico, destreza na sala de aula, capacidade de transferência de conhecimentos e, acima de tudo, atenção às pessoas em geral.

Fred é uma pessoa tão atenta que é capaz de memorizar que roupa você usava na última vez em que o encontrou, sobre o que conversaram e em que ano e local aconteceu o encontro. A propósito, nosso último encontro foi em Belo Horizonte, MG, na festa de aniversário de um grande amigo, comemorada no sábado 16 de março deste ano.

Contudo, seus perfis pessoais eram relativamente distintos. Sem dúvida, ambos educados. Porém, a educação de Maul somente existia nas “Condições Normais de Temperatura e Pressão”. Tinha “pavio muito curto”, embora nunca tenhamos vivido qualquer situação contra ele. Porém, podemos afirmar com certeza, Maul tinha “pavio muitíssimo curto com moleques e folgados”. Há casos memoráveis ocorridos bem mais tarde em Brasília que, por questões de força maior, não os declinaremos nesse texto. Cremos mesmo que se Fred estivesse junto com Maul, na sauna mista do antigo Clube da Telebrás, em Brasília, dada as ofensas chulas feitas a duas jovens senhoras por dois moleques, não teria desapartado a pancadaria; ao contrário.

Muito embora os três também tenham atuado em consultorias, segundo a nossa visão era na Academia que mais se destacavam, como cientistas, pesquisadores e professores. A saída de Maul do Rio e da área universitária – passou em concurso público para trabalhar em Brasília –, aos olhos dos alunos, contribuiu para fragilizar a unidade do grupo.

Simon e Fred continuam trabalhando no crescimento de cabeças. Maul faleceu na década de 1990, em Belém, PA, numa viagem de trabalho.

Uma curiosidade

Maul é o nome genérico dos grandes martelos usados pelos guerreiros da era medieval: (i) o Martelo de Guerra, quase sempre associado ao uso de longos arcos e flechas; (ii) um tipo de marreta demolidora, com pontas de ferro salientes; ou (iii) uma arma pesada capaz de rachar qualquer objeto, a conjunção de machado e martelo integrados no mesmo cabo. Enfim, diríamos, uma ferramenta da crítica fundamentada.

Gravura de um Maul usado no Medievo

Gravura de um Maul usado no Medievo

Ficamos pensando como agiria o nosso querido Maul nos dias atuais. Decerto tentaria abordoar com Martelo de Guerra a testa dos corruptos predadores da sociedade brasileira.

Simon, Fred e Maul deixaram marcas profundas no caráter de escritores, gestores e executivos de empresas. Por sinal, com partes de suas assinaturas morais e éticas.

O mercado da Engenharia Ambiental


Palestra para as turmas de Engenharia Ambiental e Engenharia da Produção, realizada na Universidade Estácio de Sá, em 24 de abril de 2013.

Antes de iniciarmos a palestra, vamos debater sobre o conceito de Ambiente e o conhecido por “Meio Ambiente”:

“Ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (ar, água, solo, flora, fauna e homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como podem ser analisados segundo seus elementos físicos, bióticos e antropogênicos”.

“Meio Ambiente” simplesmente não existe neste contexto e não possui qualquer justificativa racional. Trata-se de uma espécie de cacoete jurídico-legislativo que a mídia repete e imprime na cabeça do cidadão desatento.

Abertura da palestra

“Segundo o Ministério da Educação, o Brasil possui 249 instituições de ensino superior com curso de Engenharia Ambiental”, refletindo uma tendência de crescimento nos últimos anos.

Praticamente, salvo engano, todos os estados brasileiros já possuem cursos de graduação em Engenharia Ambiental. Da mesma forma, várias instituições já estão a oferecer cursos presenciais de pós-graduação, mestrado e doutorado em Engenharia Ambiental.

Mercado de atuação

O mercado brasileiro de estudos ambientais nasceu formalmente em 23 de janeiro de 1986, com a emissão da Resolução No 01/86, pelo Conama – Conselho Nacional do “Meio Ambiente”, ao fim da gestão do Professor Dr. Paulo Nogueira-Neto, na Secretaria Especial do Meio Ambiente – SEMA, então órgão de assessoria da Presidência da República e do Ministério do Interior.

Através desta Resolução do Conama, os primeiros estudos ambientais a se tornarem obrigatórios no Brasil foram os Estudos de Impacto Ambiental (EIA), que desde então passaram a demandar o concurso de profissionais provindos de diferenciadas áreas do conhecimento, tais como:

  • No espaço físico: climatologia, hidrologia, hidrografia, geomorfologia, geologia, geotecnia, espeleologia, hidrogeologia, pedologia e qualidade físico-química da água.
  • No espaço biótico: limnologia, engenharia florestal, botânica, mastofauna, avifauna, primatofauna, ictiofauna, herpetofauna, aracnofauna, entomofauna, malacofauna e anurofauna, dentre outras.
  • No espaço antropogênico: demografia, economia, urbanismo, serviços sociais básicos antropologia, arqueologia, organização social, infraestrutura e segurança.

Dessa forma, algumas profissões, que até então possuíam um mercado de atuação um pouco restrito, encontraram várias portas abertas para ingressarem no setor ambiental, através de contribuições específicas, tentando seguir o mesmo caminho trilhado pela Engenharia de Projetos, que foi sendo amadurecida no Brasil desde o início do século 20.

Estudos ambientais correntes

Após 27 anos de existência formal, o mercado da consultoria ambiental, representado pelas dezenas de milhares de profissionais que hoje nele atuam, dispõe de poucas ferramentas para a gestão ambiental de organizações produtivas e para a gestão da sustentabilidade do ambiente de territórios afetados. Basicamente, temos as seguintes:

  • Estudos de Impacto Ambiental, Relatórios de Impacto Ambiental e realização de Audiências Públicas, que se destinam ao processo de licenciamento ambiental de projetos de empreendimentos. Especificamente, à obtenção da Licença Prévia (LP) do projeto, que não dá direito a fazer qualquer obra, mas apenas mais estudos ambientais complementares, conforme a determinação da burocracia pública.
  • Auditorias Ambientais, que no Brasil não são realizadas por decisões voluntárias das empresas, mas obrigatórias em períodos no mínimo anuais. De acordo com a norma vigente em alguns estados, muito embora ela defina o escopo da auditoria (sua abrangência), não estabelece seu critério, ou seja, contra que leis, melhores práticas ou planos ambientais a auditoria será efetuada.
  • Implantação de “Medidas Mitigadoras”, que também se referem ao processo de licenciamento, destinadas a manter as obras em andamento, de acordo com a Licença de Instalação (LI) outorgada pela agência ambiental pública. Nota-se que a expressão “Medidas Mitigadoras” somente se refere a impactos ambientais adversos (negativos). Preferimos trata-las por Programas ou Projetos Ambientais, que também visam a diversificar e/ou potencializar impactos ambientais benéficos (positivos).
  • Implantação de “Medidas Compensatórias”, que se referem a contrapartidas em favor da área afetada por um empreendimento, durante suas obras e sua operação. Na verdade, em tese, a pretensão da norma que as determina é a de “melhorar o Ambiente onde ele se encontre substancialmente degradado”.
  • Levantamento de Passivos Ambientais, que embora sejam solicitados por agências ambientais públicas e em casos de aquisição ou fusão de empresas, ainda não possui técnicas institucionalizadas. Cada equipe de consultores realiza esses levantamentos com a metodologia que considerar mais adequada.

Devemos ressaltar nosso entendimento sobre como são utilizadas essas ferramentas. Na maior parte dos estados brasileiros, senão em sua totalidade, servem mais como ameaças a investidores, consultores ambientais e órgãos públicos do setor. Os atores envolvidos nesses exercícios de poder até agora não perceberam que esses processos precisam ser meios do desenvolvimento científico e da formação de profissionais na Ciência do Ambiente (Enviromental Science).

Estudos ambientais essenciais

Há um grande número de processos ambientais que o mercado de consultoria utiliza e pratica há quase três décadas, embora não hajam sido legalmente formalizados no Brasil. São metodologias ou modelos estruturados que proporcionam melhor qualidade aos estudos realizados, congruentes com a aplicação das diversas ciências utilizadas no setor ambiental.

Os responsáveis pelo desenvolvimento dessas metodologias ambientais foram consultores especialistas com maior experiência na realização de estudos. Contaram com a colaboração de consultores mais jovens e de doutores em diversas áreas, interessados em participar do desenvolvimento técnico e científico do setor ambiental brasileiro. Parte da contribuição de nossa equipe está listada a seguir. Desenvolvemos e testamos várias vezes, em casos reais, as seguintes metodologias de trabalho, dentre outras:

  • Estudos da Transformação Ambiental – ETA.
  • Caracterização Ambiental de Empreendimentos – CAE.
  • Programação e Gestão de Atividades de Campo – PGAC.
  • Diagnósticos Ambientais Temáticos e Consolidados – DATC.
  • Elaboração de Matriz de Impactos Ambientais – MIA.
  • Prognósticos Ambientais Temáticos e Consolidados – PATC.
  • Formulação de Cenários Ambientais Futuros – CENAF.
  • Elaboração da Avaliação de Impactos Ambientais – AIA, com foco quantitativo.
  • Elaboração e Gestão de Plano Corporativo Ambiental – PCA.
  • Auditoria de Plano Corporativo Ambiental – APCA.
  • Elaboração de Plano Executivo para Gestão Ambiental de Obras – PEXA.
  • Estudos Preliminares de Viabilidade Ambiental – EPVA.
  • Elaboração e Gestão de Projetos Ambientais – GPA.
  • Elaboração de Plano para Gestão da Sustentabilidade Municipal – PGSM
  • Análise e Gestão de Riscos e Impactos Ambientais – AGRIA.

Merece ser salientado que os modelos desses estudos e práticas, dentre muitos outros, são essenciais para municiar futuros especialistas em suas atividades de trabalho, seja na consultoria ou na Universidade. Possuem conformidade com a legislação vigente no Brasil, mas vão além dela, visando a atender às necessidades de Gestores Ambientais que atuam em empresas privadas e públicas.

A Arte da Sustentabilidade

Ainda neste mês de abril ou no início de maio publicaremos mais um livro técnico destinado ao setor ambiental, com o título “A Arte da Sustentabilidade – Integrando a Organização ao Ambiente”.

Trata-se de um trabalho de pouco mais de três anos, com 18 capítulos e 611 páginas, compartilhando o conhecimento que adquirimos na convivência com equipes de elevada competência, numerosas habilidades e a devida capacidade crítica. Durante esse período (março de 2005 a maio de 2008), trancamo-nos em nosso escritório para organizar seu escopo e redigi-lo. De fevereiro de 2009 a junho de 2012 efetuamos sucessivas revisões em seu texto e conceitos.

Por ser um livro impresso em formato digital, ou seja, um e-book, o acesso a seu conteúdo em breve será encontrado em site específico que será divulgado neste blog. Dado o trabalho de mais de seis anos para realizar este compêndio de metodologias ambientais e estudos de caso, o livro não poderá ser gratuito.

Segue a listagem de seus capítulos.

Capítulo 1: Conceitos básicos

Capítulo 2: Transformação ambiental

Capítulo 3: Premissas dos estudos

Capítulo 4: Caracterização ambiental de empreendimentos

Capítulo 5: Atividades de campo

Capítulo 6: Diagnósticos ambientais

Capítulo 7: Consolidação das premissas

Capítulo 8: Matriz de impactos ambientais

Capítulo 9: Prognósticos ambientais

Capítulo 10: Formulação de cenários ambientais

Capítulo 11: Avaliação de Impactos Ambientais – AIA

Capítulo 12: Plano Corporativo ambiental – PCA

Capítulo 13: Auditoria de PCA

Capítulo 14: Modelos técnicos ambientais

Oferece seis modelos técnicos específicos destinados às seguintes operações demandadas pelo setor ambiental brasileiro:

  • Estudos Preliminares de Viabilidade Ambiental
  • Estudos de Impacto Ambiental
  • Relatórios de Impacto Ambiental
  • Programação e Gestão de Audiências Públicas
  • Elaboração e Gestão de Projetos Ambientais
  • Levantamento e Gestão de Passivos Ambientais

Capítulo 15: Plano Executivo para Gestão Ambiental de Obras – PGA

Capítulo 16: Modelos para organização funcional

Oferece seis modelos destinados a operações gerenciais e administrativas para empresas em geral:

  • Modelo para elaboração e gestão de procedimentos ambientais.
  • Modelo para organização e operação de Comitês de Gestão da Sustentabilidade Ambiental.
  • Modelo para montagem e operação de Ouvidorias Ambientais.
  • Modelo para elaboração de Códigos de Conduta Ambiental.
  • Modelo para Gestão de Licenças Ambientais.
  • Modelo para elaboração de Termos de Referência.

Capítulo 17: Considerações gerenciais

Capítulo 18: Estudo de caso – EPVA do Planeta Terra

Canteiro de obras de uma hidrelétrica sem qualquer gestão

Caminho de acesso ao canteiro de obras de uma hidrelétrica sem qualquer gestão

Considerações finais

Analisando a larga oferta de cursos de Engenharia Ambiental no Brasil e sua tendência clara de crescimento, concluímos que os “Engenheiros Ambientais” nasceram para ficar e evoluir nos mercados da consultoria e acadêmico.

No entanto, verificamos que instituições do ensino superior oferecem este curso com grades curriculares distintas, embora todas visem a formar o mesmo profissional. Sendo assim, é razoável estimar que nem todas atingirão a esse objetivo. Contudo, acreditamos que este seja o quadro normal na produção de novas profissões que estejam ingressando no mercado de trabalho. Decerto, acontecerá algum alinhamento nos prazos da graduação e nas matérias oferecidas, baseados nos cursos que mais se destacarem.

Um bacharel em Engenharia Ambiental deve perceber que seu papel profissional não será o de um Engenheiro, na acepção exata da palavra – um construtor de coisas, aquele que engenha. Precisará ser um Gestor do Ambiente, ou seja, um Administrador Ambiental. Sua função será a de analisar a organização em que trabalha identificando os efeitos que ela promove no ambiente e propor medidas capazes de arrefecer processos adversos e ampliar processos benéficos, sempre apoiado na estabilidade dos ecossistemas que são ou poderão ser afetados pela organização.

A mitologia das religiões


A palavra alemã Zeitgeist traduz-se como o ‘espírito ou conhecimento de uma época‘, isto é, o conjunto de todo o conhecimento humano acumulado através dos tempos até a data que se queira estabelecer. Em suma, é o status intelectual e cultural a que chegou uma sociedade num dado momento do tempo. Não há dúvida que para conhecermos o Zeitgeist atual da humanidade é necessário um grande esforço epistemológico de construção, que o cartesianismo não foi capaz de realizar, pois se trata de processo essencialmente dialético, com inúmeras hipóteses, teses e sínteses.

Assistimos a um documentário com duração de duas horas com o mesmo título: Zeitgeist. Nele há fatos históricos e definitivamente comprovados acerca da origem mitológica das religiões, chamadas “religiões solares”, provindas da adoração do Sol, com origem há cerca de pelo menos 12.000 anos. Da mesma forma, traz especulações sobre como se articula o poder mundial por parte de instituições religiosas e financeiras. São meras especulações, mas que merecem atenção, dado que podem ser dialeticamente verdadeiras.

Vale a pena ganhar duas horas de cultura para analisar e criticar o documentário. Para ser bem entendido em sua visão, merece ser visto e revisto várias vezes, pois não é simples. Afinal, deleitamo-nos inertes com a mídia do mundo por um tempo diário bem maior, que muitas vezes apregoa mentiras e leviandades, além de, não raro e diariamente, apagar e conseguir esconder a realidade diante de nossos próprios olhos. Lemos ou ouvimos as notícias que nos são transmitidas, sem qualquer ação intelectual. Por fim, desligamo-nos após deglutir inúmeros paradoxos como se fossem óbvios, naturais e imutáveis, de acordo com as crenças da sociedade.

Em poucas imagens, Zeitgeist apresenta a dolorosa evolução do homo sapiens, saindo de sua origem remota, quando então era um ser ignorante, até a época das brutais guerras do século 20, coalhadas da destruição tecnológica, e financiada para garantir lucros de grandes corporações financeiras. É o Homem, destruindo o próprio homem e seu habitat, sendo regiamente pago pelos Estados.

A partir do décimo primeiro minuto, o documentário trata do “Espírito do Tempo” passado e enfoca a incrível semelhança das diversas religiões, criadas em diversos séculos por povos distintos. Todas elas possuem praticamente os mesmos argumentos, personagens e “acontecimentos”. Tal fato não é incrível, pois naquele Zeitgeist faltou a criatividade para “inventar novas religiões” distintas. Mas, além disso, a maioria absoluta dos povos aceitava a subserviência ao sobrenatural.

A Religião convenceu aos povos de que “há um homem invisível, vivendo no céu, que vigia tudo o que fazemos a cada minuto de cada dia; e que esse homem invisível possui uma lista especial de dez coisas que ninguém pode fazer; e que caso cometa qualquer uma delas será mandado para um inferno especial: cheio de fogo, fumaça, fogueiras e torturas, a ser queimado por toda eternidade… Porém, ainda assim, ele ama a você”.

No passado remoto o Sol tornou-se Deus a ser adorado por seu poder de oferecer calor, proteção, dar vida ao homem e às suas plantações. Esse fato encontra-se documentado na civilização egípcia, há cerca de 5.000 anos, através de Hórus, que representava a estrela maior de nosso sistema planetário, luz do mundo e salvador da humanidade.

Gravura de Hórus, o Deus Sol

Gravura de Hórus, o Deus Sol

A mitologia de Hórus é curiosa. Seu nascimento se deu em um dia 25 de dezembro, filho de uma virgem e adorado por três Reis. Aos 12 anos era uma criança prodígio e aos 30 anos foi batizado por Anup, iniciando assim seguiu seu ministério. Teve 12 discípulos e juntos seguiram a fazer milagres, como salvar doentes, ressuscitar mortos, andar sobre as águas e etc. Foi chamado “Filho Adorado de Deus”, “A Luz” e “Bom Pastor”, dentre outros títulos alegóricos. Depois de ser traído por um de seus discípulos, foi crucificado, permaneceu morto por três dias, quando então ressuscitou.

A mitologia de Hórus influenciou a cultura de diversos povos – persas, indianos, romanos, gregos, etc – e verifica-se na história deles a existência de deuses bastante semelhantes, todos nascidos de uma virgem, na mesma data de dezembro, executados e ressuscitados para subir aos céus.

Zeitgeist é o primeiro documentário de uma trilogia. Para assisti-lo clique aqui.

“Sou um crente da razão e descrente de religiões” – Aforismo em busca de um autor.

Visão do Ambiente, mudança de paradigma


Fomos convidados para fazer uma palestra na IIa Semana da Integração: Ensino, Pesquisa e Extensão, a ser realizada na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM, Campus de Diamantina, Minas Gerais.

Assim, estaremos presentes na UFVJM nos dias 6 e 7 de junho próximo para participar deste evento, o que muito nos honra, dada a excelência de seus alunos e professores, bem como sua capacidade na formação da opinião acadêmica no Brasil.

Escolhemos um tema um tanto desafiador e iniciamos a redigir o texto básico da palestra. Segue seu primeiro draft, certamente ainda incompleto. Gostaríamos de obter opiniões e ideias para melhorá-lo.

1. Introdução

Há cerca de cinco décadas que a forma de sentir a relevância do Ambiente (Environment) na vida humana vem sendo reformulada em vários países ocidentais. Antes disso o Ambiente era tido apenas como o substrato amorfo sobre o qual o Homem construía cidades, indústrias e infraestrutura, utilizando seus próprios recursos ambientais, que são finitos: água, solos, minerais, madeira e espaços territoriais, dentre outros.

Favela

Foi a partir da década de 1950 que teve início uma pequena mudança nesta forma de visão e abordagem “destrutiva”. Mudança esta que ainda tem muito a acrescentar, pelo menos até 2050, para que, enfim, talvez seja consolidada uma Ciência do Ambiente, capaz de explicar e documentar sua dinâmica aleatória e por vezes pouco previsível. Capaz de demonstrar como devemos tratar todos os espaços, sejam primitivos ou já alterados.

Esta palestra tem por finalidade sugerir o uso intensivo das ciências disponíveis que buscam explicar o Ambiente, com seus Espaços, Segmentos e Fatores Ambientais Básicos componentes: o Ar, o Solo, a Água (Fatores físicos); a Flora, a Fauna (Fatores bióticos); e o Homem (Fator antropogênico), seguindo sua provável ordem de ocorrência no ambiente planetário.

Visa a estimular a atuação ostensiva de especialistas e acadêmicos em estudos ambientais, de tal forma que demonstrem o que é realmente “Ambiente” e propiciem comportamentos do Homem mais aderentes à Natureza, mais como um de seus fatores constituintes, e menos como seu consumidor descontrolado. De outra forma, que percebam que fazem parte do grupo de fatores ambientais que conformam todos os ecossistemas da Terra. Que ao impactá-los de maneira adversa, receberão de volta, com certeza, Retroimpactos, com pelo menos a mesma intensidade.

Assim, aos que trabalham apenas segundo os preceitos legais vigentes, que são relevantes instrumentos ordenadores, lembrem-se que estes não constituem ferramentas técnicas e científicas, tal como várias metodologias e modelos ambientais disponíveis no país. A legislação ambiental brasileira, por sinal, necessita sofrer um amplo processo de revisão e consolidação, que a torne mais clara e objetiva, que espelhe melhor os conceitos e processos científicos. A legislação vigente é controversa, nos parece confusa e em muitos casos arbitrária e inadequada. Mas, não somos advogados para propor soluções específicas nos casos que consideramos paradoxais. Porém, podemos apontar alguns deles.

2. Estudos ambientais no Brasil

O mercado de estudos ambientais brasileiro nasceu formalmente em 23 de janeiro de 1986, com a emissão da Resolução No 01/86, pelo Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente, ao fim da gestão do Professor Dr. Paulo Nogueira-Neto, na Secretaria Especial do Meio Ambiente – SEMA, órgão de assessoria do Executivo Federal, em parte das décadas de 1970 e 1980.

Os primeiros serviços ambientais a se tornarem obrigatórios no Brasil foram os Estudos de Impacto Ambiental (EIA), que passaram a demandar o concurso de profissionais provindos de diferenciadas áreas do conhecimento, tais como:

  • Para segmentos do espaço físico: climatologia, hidrologia, hidrografia, geomorfologia, geologia, geotecnia, espeleologia, hidrogeologia, pedologia e qualidade físico-química da água.
  • Para segmentos do espaço biótico: limnologia, engenharia florestal, botânica, mastofauna, avifauna, primatofauna, ictiofauna, herpetofauna, aracnofauna, entomofauna, malacofauna e anurofauna, dentre outras.
  • Para segmentos do espaço antropogênico: demografia, economia, organização social, antropologia, arqueologia, infraestrutura, segurança e serviços sociais básicos, por exemplo.

Dessa forma, algumas profissões, que até então possuíam um mercado de atuação às vezes restrito, encontraram portas abertas para ingressarem no setor ambiental, através de contribuições específicas, tentando seguir o mesmo caminho trilhado pela Engenharia de Projetos, que foi sendo amadurecida no Brasil desde o início do século 20.

2.1. Estudos correntes

Após 27 anos de existência formal, o mercado de consultoria ambiental, representado pelas dezenas de milhares profissionais que nele atuam, dispõe de poucas ferramentas para a gestão ambiental de empresas e da sustentabilidade do ambiente de territórios. Basicamente, têm-se as seguintes principais ferramentas:

  • Estudos de Impacto Ambiental, Relatórios de Impacto Ambiental e realização de Audiências Públicas, que se destinam ao processo de licenciamento ambiental de projetos de empreendimentos. Especificamente, à obtenção da Licença Prévia (LP) do projeto, que não dá direito a fazer qualquer obra, mas apenas novos estudos ambientais complementares.
  • Auditorias Ambientais, que no Brasil não são realizadas por decisões voluntárias das empresas, mas obrigatórias em períodos anuais. De acordo com a norma vigente em alguns estados, muito embora ela defina o escopo da auditoria (sua abrangência), não estabelece seu critério, ou seja, contra que leis, melhores práticas ou planos ambientais a auditoria será efetuada.
  • Implantação de “Medidas Mitigadoras”, que também se referem ao processo de licenciamento, destinadas a manter as obras em andamento, de acordo com a Licença de Instalação (LI) outorgada pela agência ambiental pública. Nota-se que a expressão “Medidas Mitigadoras” somente se refere a impactos ambientais adversos (negativos). Preferimos trata-las por Programas ou Projetos Ambientais, que também visam a diversificar ou potencializar impactos ambientais benéficos (positivos).
  • Implantação de “Medidas Compensatórias”, que se referem a contrapartidas em favor da área afetada por um empreendimento, durante suas obras e sua operação. Na verdade, em tese, a pretensão da norma que as determina é a de “melhorar o Ambiente onde ele se encontre substancialmente degradado”.
  • Levantamento de Passivos Ambientais, que embora sejam solicitados por agências ambientais públicas e em caso de aquisição ou fusão de empresas, ainda não possui técnicas institucionalizadas. Cada equipe de consultores realiza esses levantamentos da forma que considerar mais adequada. Há empresas de consultoria ambiental que os realizam de forma mais eficaz e o chamam de “Levantamento e Gestão do Passivo Ambiental”. Apresentam soluções para os itens de passivo identificados e técnicas específicas de como gerir suas implantações e avaliar seus resultados.

Devemos ressaltar nosso entendimento de como são utilizadas essas parcas ferramentas. Na maior parte dos estados brasileiros, senão em sua totalidade, servem mais como ameaças judiciais a investidores, consultores e órgãos públicos ambientais. Até agora os atores envolvidos nesses exercícios de poder ainda não perceberam que esses processos precisam ser meios do desenvolvimento científico e da formação de profissionais na Ciência do Ambiente (Enviromental Science) e não instrumentos de punição.

2.2. Estudos essenciais

Por outro lado, há um grande número de processos ambientais que o mercado de consultoria desenvolveu, utiliza e pratica há quase três décadas, embora não hajam sido legalmente formalizados no Brasil. São metodologias ou modelos estruturados que proporcionam maior fidedignidade aos estudos ambientais, congruentes com a aplicação das diversas ciências utilizadas pelo setor da inteligência ambiental.

Normalmente, os responsáveis pelo desenvolvimento dessas metodologias ambientais são consultores especialistas com maior experiência na realização de estudos. Contaram com a colaboração de consultores mais jovens e de acadêmicos em diversas áreas, interessados em participar do desenvolvimento técnico e científico do setor ambiental brasileiro. Parte da nossa contribuição está listada a seguir. Desenvolvemos e testamos várias vezes, em casos reais, as seguintes metodologias de trabalho, dentre outras:

  • Estudos da Transformação Ambiental – ETA;
  • Caracterização Ambiental de Empreendimentos – CAE;
  • Programação e Gestão de Atividades de Campo – PGAC;
  • Diagnósticos Ambientais Temáticos e Consolidados – DATC;
  • Elaboração de Matriz de Impactos Ambientais – MIA;
  • Prognósticos Ambientais Temáticos e Consolidados – PATC;
  • Formulação de Cenários Ambientais Futuros – CENAF;
  • Elaboração da Avaliação de Impactos Ambientais – AIA, com foco quantitativo;
  • Elaboração e Gestão de Plano Corporativo Ambiental – PCA;
  • Auditoria de Plano Corporativo Ambiental – APCA;
  • Elaboração de Plano Executivo para Gestão Ambiental de Obras – PEXA;
  • Estudos Preliminares de Viabilidade Ambiental – EPVA;
  • Elaboração e Gestão de Projetos Ambientais – GPA;
  • Elaboração de Plano para Gestão da Sustentabilidade Municipal – PGSM
  • Análise e Gestão de Riscos e Impactos Ambientais – AGRIA.

Para institucionalizar a Função de Desempenho Ambiental em organizações produtivas têm-se alguns processos ambientais já consagrados:

  • Elaboração de Códigos de Conduta Ambiental – CCA;
  • Montagem e Operação de Ouvidorias Ambientais – MOA;
  • Organização de Comitês de Gestão Ambiental e da Sustentabilidade – CGAS;
  • Elaboração e Gestão de Procedimentos Ambientais – EGPA;
  • Gestão de Licenças Ambientais – GLA;
  • Elaboração de Termos de Referência – ETR.

Merece ser salientado que os modelos desses estudos e práticas, dentre muitos outros, são essenciais para municiar futuros especialistas em suas atividades de trabalho, seja na consultoria ou na Universidade. Possuem conformidade com a legislação vigente no Brasil, mas vão além dela, visando a atender às necessidades de Gestores Ambientais que atuam em empresas privadas e públicas.

3. O início da mudança de paradigma

Excetuando a Matemática, todas as demais Ciências criadas pelo Homem são democráticas por questão de coerência acadêmica. Há cerca de 10 anos soubemos do caso de um antigo cientista que se sentiu obrigado a rever tudo o que havia publicado durante 60 anos de Academia. Motivo: assistira à defesa de uma tese de doutorado, feita por um jovem doutorando, que contradizia algumas de suas posições básicas sobre a mesma matéria. Isso foi uma bela demonstração de quebra e mudança de paradigma, por força da maturidade e dos princípios do Professor mais idoso, além da competência do jovem Ph.D.

As ciências que buscam entender e explicar o comportamento dos ecossistemas precisam ser mais abertas, caso contrário, não serão beneficiadas por novas contribuições. Assim se dá sua evolução. Nesta palestra buscamos sumarizar apenas uma dentre inumeráveis contribuições que outros estudiosos já fizeram ou estão a desenvolver neste momento. Estamos tentando mudar o foco do paradigma criado por juristas e legisladores, que cultuam o Direito como se fora uma ciência isolada e superior às demais.

O Direito, por princípio e em tese, é um conjunto de artefatos ordenadores da conduta humana em sociedade, conforme textos de antigos filósofos e pensadores, como Thomas Robbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau. Direito não é uma Ciência em si, embora não deva prescindir delas para possuir uma visão lógica e mais argumentada em sua aplicação.

Contudo, depende do nível ético e moral de seus protagonistas, coisa que qualquer Ciência que se preze não deve prescindir, pois seus principais atores não esquecem dos princípios universais da moral e da ética acadêmicas, atributos essenciais aos trabalhos de um bom cientista.

4. Conclusões

  • “Pesquisa, Ensino e Extensão” são indissociáveis, dado que são entidades que vivem em processo de simbiose. Por força das relações que mantém entre si, geram “filhotes multiplicadores”, que retroalimentam os ciclos da Pesquisa, enriquecendo-a com a aplicação de seus resultados efetivos.

Na área ambiental, os principais produtos multiplicadores são as ciências aplicadas em estudos ambientais, que são diversas, e o mercado potencial para esses estudos, que depende diretamente de investimentos privados e públicos, demandados pelas necessidades explícitas dos cidadãos.

Dessa forma, em nossa opinião, fica nítida a importância da criação de diplomas legais que atendam à variedade de estudos e serviços hoje inexistentes, embora sejam demandados pela garantia da qualidade e estabilidade dos ecossistemas de que o Homem depende: todos os ecossistemas do planeta.

Em outras palavras, entendemos que é hora da Academia, Grupos de Especialistas, Juristas e Legisladores darem-se as mãos para criar normas e leis que propiciem o ordenamento da conduta humana perante o Ambiente.

  • No entanto, deixando bem claro que concordamos com o ordenamento da conduta humana através de diplomas legais, o Direito precisa possuir laços fundamentais de correlação direta com as formulações científicas das áreas que pretende tratar.

No direito ambiental assistimos ao enorme complexo de culpa de nossos legisladores e juristas: chamam Ambiente de “Meio Ambiente”, dado que a outra metade já foi destruída, aliás, por vezes com base na própria legislação brasileira.

Analisem, por exemplo, a nova versão do Código Florestal Brasileiro e verão graves ameaças ambientais sobre os biomas ocorrentes no território brasileiro, em função de seu texto legal.

  • Infelizmente, além da carência e precariedade do formato das ferramentas de trabalho disponíveis no país, temos assistido à temível judicialização dos estudos ambientais. Promotores Públicos e Juízes, com base em “preconceitos legais”, alguns no mínimo cientificamente duvidosos, interrompem obras licenciadas, cassam licenças emitidas e ameaçam os protagonistas dos estudos brandindo os termos da Lei de Crimes Ambientais, de 1998.

Um bom exemplo de “preconceito legal” encontra-se em seu Artigo 69-A, inserido na lei original oito anos após sua promulgação, em 2006: “Elaborar ou apresentar, no licenciamento, (…), estudo, laudo, relatório ambiental total ou parcialmente falso ou enganoso, inclusive por omissão. Pena: Reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa”.

Finalizando este artigo, perguntamos aos leitores:

— O que pode significar para um jurista público um “relatório ambiental total ou parcialmente falso ou enganoso, inclusive por omissão”?!

— Como um jurista, sem formação acadêmica em qualquer Ciência que trate do Ambiente, descobre e afirma que o conteúdo de um relatório ambiental é “falso ou enganoso”?!

— Como este mesmo personagem pode julgar, condenar e apenar especialistas experientes na área ambiental, acusando-os de “omissos”?!

O texto desse artigo 69-A é negligente, insidioso e intervencionista. A própria Ciência ainda não pode afirmar com certeza o que é falso ou verdadeiro no Ambiente. Ao tratar do Ambiente, a Ciência se engana várias vezes, pelo menos a cada vez que uma nova teoria é confirmada. E, por fim, a Ciência sempre poderá omitir fatos e processos, apenas por desconhecê-los até o momento em que assina um relatório final de estudos ambientais.

Nova espécie de criatura


O renomado e notável cientista internacional Josephus Collorus Renanis Sarnaeus acaba de identificar uma nova espécie de hominídeo, que acredita ser descendente direto do Australopitecos. Os primeiros espécimes dessa criatura foram encontrados no Brasil, nos estados do Maranhão e de Alagoas.

Imagens da nova espécie

Imagens da nova espécie

Características gerais

Os indivíduos desta espécie são bípedes, com altura variando entre 1,50 e 1,60 metro, aparentemente similares ao Homo sapiens. Mas, foram classificados pelo taxidermista como Homo semi-erectus imprestabilis. O Instituto Sarnaeus já possui mais de uma dúzia dessas criaturas empalhadas em seu laboratório particular.

Nota: considera-se esta classificação incorreta, dado que o gênero Homo desenvolveu-se por se afastar geneticamente do Australopitecos e não por constituir a sua continuidade.

Origem e comportamento

Surgiram através da involução natural do australopitecos, embora no mesmo ambiente do Homo Sapiens. Apresentam postura encurvada constante, fala incompreensível (grunhidos), mastigam chicletes de forma contínua, e fazem audição pública permanente de músicas de mau gosto, sempre em volume quase letal.

Realizam movimentos espasmódicos e aleatórios com os membros anteriores. Segundo recentes pesquisas da equipe de pesquisadores de Sarnaeus, essas características da criatura acarretaram o surgimento de membros posteriores mais curtos e um estranho modo de caminhar, sempre os mantendo abertos e arrastando as patas ao locomover-se.

Comprovaram que esta marcha peculiar, que denominaram “arrasta-forquilha“, reduz gravemente as funções cerebrais deste gênero de criatura. Por isso, nunca deve ser esperado delas qualquer contato direto através do olhar ou comunicação verbal inteligente.

Capacidade de integração social

Com a monitoração de uma amostra científica desses indivíduos, durante mais de uma década, Sarnaeus concluiu que a maioria deles recebe, direta ou indiretamente, cesta-básica, vale-transporte, vale-refeição, bolsa-família, bolsa-escola, salário-desemprego e toda espécie de ajuda do governo.

Normalmente não são agressivos, salvo quando se encontram em bares e festas.

Reprodução e habitat

Os semi-erectus imprestabilis são extremamente férteis e reproduzem-se na mesma velocidade dos pequenos roedores. Além disso, admitem conviver em áreas urbanas e é normal vê-los no interior de carros antigos, enferrujados e sem qualquer valor, mas com equipamentos sonoros caríssimos para reprodução de raps, axé, punk e “pancadão”, capazes de estourar os tímpanos de quaisquer outras espécies da biota, sejam terrestres ou aquáticas.

Inteligência versus Invasão


O Serpro – Serviço Federal de Processamentos de Dados, que se encontra com sede em Brasília, é filho dileto da cidade do Rio de Janeiro. Nasceu em 1º de dezembro de 1964. Possui hoje unidades operacionais distribuídas em onze estados, além de escritórios de serviço nos demais. Chegou a deter nas décadas de 1970-1980 o maior parque industrial de informática da América Latina, superando em muito os parques dos maiores bancos comerciais, privados e públicos.

Mas sua potência eletrônica não foi seu carro-chefe. Apenas o instrumento para a ampla emergência e difusão da inteligência, criatividade e capacidade de inovação de muitos de seus programadores e analistas de sistemas. Grandes sistemas brasileiros nasceram e evoluíram dentro do Serpro – Sistema de Arrecadação do Imposto de Renda (pessoas física e jurídica), Cadastro Nacional de Contribuintes e Sistema Eleitoral são alguns exemplos de meios computacionais que, no bom sentido, continuam a varrer todo o território brasileiro.

Mais recentemente desenvolveu ferramentas para estados e municípios. Alguns exemplos são o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, o Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios e o Sistema Integrado de Tributação e Administração Fiscal para Estados e Municípios.

Contudo, mesmo sendo um agente eficaz e eficiente em assuntos de receita tributária automatizada, o Adestrador do Leão parece que corre riscos de levar patadas e mordidas sanguinárias. Falamos mais a frente.

No Rio de Janeiro alguns funcionários aposentados do Serpro criaram um grupo de amigos para trocarem ideias, atualizar projetos de novos negócios e fazer a boa comédia com eles próprios. Batizaram-no elegantemente de SerproVectos. Esse grupo foi crescendo e conta hoje com mais de 150 participantes, entre ex-funcionários, aposentados, funcionários atuais e outros. Nas reuniões mensais comparecem parceiros de todo o Brasil, é incrível. Faço parte do grupo há cerca de oito anos, na qualidade de ex-funcionário não aposentado (1981-1986).

Na semana retrasada (26/03/2013) mais uma vez nos reunimos no mesmo bar do Leblon para saborear alguns chopes e alimentar o eterno e imbatível bate-papo Serpriano. A maioria dos associados ao SerproVectos está aposentada, embora continue a atuar em atividades produtivas e remuneradas.

No meio da conversa fiz um comentário provocador sobre o prédio do Serpro que fica no Horto: o da antiga 7ª URO. Comentei que havia risco de ser demolido, por ocupar área pertencente ao Jardim Botânico. Enquanto aguardava alguma resposta, pensava que antes de tentar tocar na 7ª URO, o governo federal haveria de limpar as invasões de áreas públicas da União, as áreas com ocupação desordenada (favelas), os esgotos sem tratamento, o uso das casas da propriedade do Jardim Botânico por descendentes [?] de ex-empregados e até mesmo, quem sabe, a subestação de energia que lá existe.

Fachada do Serpro no Horto

Fachada do Serpro no Horto: 7ª URO

Fiquei assustado quando li no jornal O Globo da semana passada que o prédio da 7ª URO, estava na lista das demolições propostas pelo IPHAN. Isto mesmo, pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, uma instituição “com burocracia precavida” que ainda usa máquina de datilografia e talvez mimeógrafo movido a álcool.

Não pude conter minha indignação ao lembrar que nesta “Unidade Regional de Operação” nasceram soluções geniais, que as funções do Serpro são essenciais ao “faturamento de impostos” para pagar a gigantesca folha do poder federal. O Serpro não visa a qualquer lucro, é apenas um instrumento ágil e inteligente da arrecadação tributária nacional, dentre muitas outras finalidades. Dessa forma é uma ignomínia o poder federal tentar demolir seu próprio investimento público! Estará cuspindo no próprio prato que come? Mas haverá de reconstruí-lo, é claro. E, mais uma vez, com o nosso dinheiro suado.

IMPA, no círculo pontilhado da Mata Atlântica

IMPA, no círculo pontilhado da Mata Atlântica

Para finalizar chamo a atenção do “poder de fiscalização federal” para o prédio do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – IMPA. Foi construído dentro da Mata Atlântica, em área do Parque Nacional da Floresta da Tijuca, acima da cota 80, com entrada pela Estrada Dona Castorina. Sendo assim, pergunto:

— O CNPq, a FINEP e o BNDES deveriam ser severamente punidos por haverem financiado a perturbação caótica da vida dos moradores da Dona Castorina durante as obras do IMPA, que alteraram boa parcela da Mata Atlântica, acima da cota permitida por lei?

— Seria justo demolir a Melhor Escola de Pesquisa em Matemática Pura e Aplicada do Brasil, com nova sede inaugurada em 1981, a despeito de seus predicados acadêmicos internacionais e notórios?

IMPA e sua vizinhança, acima do Jardim Botânico

IMPA e sua vizinhança, situados no Parque Nacional da Floresta da Tijuca

Realmente, instituições como o Serpro e o IMPA correm o risco de se tornaram vítimas das demonstrações de estupidez absolutista do soberano de plantão.

Área de Influência para estudos ambientais


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

─ Trata-se de uma questão jurídica, didática ou técnica?

Respondemos que nasceu jurídica, depois ficou apenas didática e, para alguns especialistas em gestão do ambiente, mais tarde tornou-se instrumento de suporte técnico. Tentamos explicar como se sucederam essas etapas.

De natureza jurídica

Na década de 1980 o Poder Público Federal ampliou seus investimentos na geração de energia elétrica, enfatizando a fonte hídrica, de acordo com as experiências pregressas das usinas de Tucuruí e de Itaipu, com obras iniciadas em 1974 e 1975, respectivamente[1]. No entanto, faltava capital para investimentos diretos do Estado. Assim, teve que recorrer a bancos internacionais de desenvolvimento para financiar a construção de novas usinas, sobretudo na Região Amazônica, onde a plêiade de impactos ambientais “negativos” causada por esses projetos é assustadora.

Conseguiu obter financiamentos externos, principalmente do Banco Mundial e do BID, muito embora tivesse que responder a condicionantes contratuais. Dentre elas, a elaboração de Environmental Impact Assessment (Avaliação de Impactos Ambientais) para cada projeto de engenharia que desejasse financiar[2].

O Environmental Impact Assessment é um processo ambiental instituído pela Agência de Proteção Ambiental Norte-Americana (US Environmental Protection Agency – EPA) desde 1969, através da Política Nacional do Ambiente (National Environmental Policy Act – NEPA). Diante da necessidade de obter financiamentos externos, o governo federal brasileiro optou por “traduzir” e implantar a ambos, criando a Política Nacional do ‘Meio Ambiente’, em 1981, e a figura jurídica do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), por intermédio da Resolução do Conama[3] No 001, emitida em 23 de janeiro de 1986.

Nessa Resolução, em seu Artigo 5º, fica clara a necessidade de delimitação da área geográfica a ser afetada pelos impactos de um projeto, denominando-a Área de Influência. No entanto, a Conama No 001/86 não propôs critérios e métodos técnicos para orientar como identificar e delimitar as áreas de influência de um projeto. Hoje são encontradas nos EIA elaborados por todo o Brasil uma série infinda e curiosa de áreas de influência. Ou seja, os responsáveis pela redação do diploma legal detiveram-se apenas no solene “juridiquês”, sem preverem os usos futuros dos termos dessa Resolução e suas onerosas consequências burocráticas. Em suma, fizeram a coisa certa – criaram o processo do licenciamento ambiental obrigatório para novos projetos de empreendimentos –, mas de forma incompleta.

Desde então, empresas estatais, órgãos ambientais de municípios e de estados definem os rótulos das áreas de influência que desejam em estudos ambientais referidos a cada projeto. Todavia, da mesma forma que a Resolução do Conama, as definições apresentam redações genéricas e simplistas, que não explicam como identifica-las, apenas dão-lhe títulos. Ou seja, não respondem qual processo teórico-analítico deve ser adotado para demarcar as áreas de interesse para estudos ambientais.

Mera burocracia

Olheiras profundas e mera burocracia improdutiva

A identificação dos limites geográficos de áreas territoriais que podem ser afetadas por um projeto de engenharia continua hoje a ser uma das tarefas mais suscetíveis de dúvida e discussão na elaboração de estudos ambientais em geral.

De natureza didática

Incrível! Em menos de um ano após a emissão da Resolução No 001/86, já existia uma bela quantidade de “experientes especialistas” dando cursos intensivos sobre como elaborar os EIA. Os cursos foram lançados no mercado por várias instituições em quase todos os estados do país. E, embora a internet ainda não existisse – o que facilitaria a sua divulgação –, todos ficavam apinhados de alunos, interessados em atuar no novo mercado consultivo que fora aberto pelos procedimentos da Resolução.

Auditório cheio

Curso intensivo com auditório cheio

Na verdade, tanto instrutores quanto alunos estavam aprendendo juntos, pois todos ainda desconheciam a maneira de lidar com os EIA e o licenciamento ambiental. Em 2003, dezessete anos depois da emissão da Conama No 001/86, o Professor Dr. Paulo Nogueira-Neto, assim redigiu no prefácio de um livro técnico:

— “Quando, em 1986, o Conama aprovou a obrigatoriedade dos Estudos de Impacto Ambiental no licenciamento de atividades potencialmente poluidoras, muitas pessoas eram contrárias a essa exigência. Diziam que não tínhamos instituições ou pessoal capacitado para fazer EIA/Rima. Se a opinião dessas pessoas tivesse prevalecido, até hoje não teríamos uma legislação geral sobre esses estudos de impacto, que são básicos para o licenciamento. Como dirigente da Secretaria Especial de Meio Ambiente (SEMA), fui firmemente a favor da Resolução do Conama que criou o sistema de licenciamento. Sabia que ocorreriam falhas e que de fato ainda não existia a massa crítica necessária, mas sabia também que em muitos assuntos essa massa crítica surge quando se age procurando acertar. O que de fato ocorreu de modo razoável”.

Concordamos plenamente com as afirmações de Nogueira-Neto. Acrescentamos ainda o fato de que apenas uma Resolução, com somente cinco páginas, foi capaz de criar novos mercados de trabalho no país inteiro e pensar no seu futuro em longo prazo.

Além disso, após esta Resolução, foi criado um amplo mercado editorial dedicado ao trato do ambiente; congressos, simpósios e seminários sobre o tema foram e veem sendo realizados; Universidades incorporaram o Ambiente em cursos de graduação e pós-graduação. Enfim, a tão esperada massa crítica continua a ser desenvolvida e aprimorada.

Contudo, sobre o tema principal desse artigo – a delimitação das áreas de influência –, a confusão ainda permanece. Na maior parte dos EIA produzidos no Brasil, os critérios utilizados para delimitar as três áreas básicas consideradas (Área diretamente afetada, Área de influência direta e Área de influência indireta) são precários e pouco justificáveis.

De natureza técnica

No início de 1986 um reduzido grupo de consultores, reunidos numa empresa de engenharia de projetos, formava a sua Divisão de Planejamento e Gestão Ambiental. Precisava responder positivamente aos ditames da nova Resolução Conama, na elaboração de EIA/Rima para duas usinas hidrelétricas, localizadas nos estados do Acre e de Mato Grosso.

Floresta no quadro-negro

Floresta no quadro-negro

Para elaborarem a programação dos trabalhos a análise cuidadosa da Conama No 001/86 era condição básica. Após um mês de trabalho conjunto, com debates diários, o grupo montou um “Pert” com as atividades necessárias ao desenvolvimento e conclusão do EIA. No quadro-negro da sala de reunião apareceu a base da programação dos trabalhos. No entanto, ainda faltava a metodologia de avaliação e gestão de impactos que fosse capaz de orientar a equipe de trabalho no seu dia-a-dia.

Por decisão do Coordenador da Divisão, apenas um consultor deveria elaborar a metodologia, através da literatura técnica disponível. Claro que sempre consultando os profissionais de cada área quando estivessem no escritório, pois, normalmente, estavam a realizar trabalhos de campo.

Mas foi difícil encontrar literatura técnica nacional para basear o desenvolvimento de uma metodologia ambiental. A única fonte de informações disponível em 1986 era o Manual da Eletrobrás sobre Inventário do Potencial Hidrelétrico de Bacias Hidrográficas. Sem desfazer do manual brasileiro, optamos por buscar textos técnicos estrangeiros.

Desenvolveu-se a metodologia em paralelo com os trabalhos da equipe. Ao fim de cerca de um ano, quando a equipe encerrava o último ciclo das campanhas de campo, tínhamos o primeiro draft da metodologia completa, que foi batizada por MAGIA – Modelo de Avaliação e Gestão de Impactos Ambientais. Mais tarde, em 1994, publicamos o MAGIA em um livro técnico, que foi lançado na UNESP – Universidade Estadual Paulista, Campus de Rio Claro, durante o 1o Congresso Brasileiro de Análise Ambiental.

No ítem específico sobre a Área de Influência de um projeto, fizemos uma leitura distinta das demais empresas de consultoria. Nada existe na Resolução Conama 001/86 que determine que devam existir Área de Influência Direta e Área de Influência Indireta.

Diz a Resolução, em seu Artigo 5º, item III: “Definir os limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos impactos, denominada área de influência do projeto” [Grifo nosso].

Segundo a nossa leitura, o texto grifado é a principal determinação do Artigo; o não grifado são “escritas de costura” do texto sobre delimitação da área de influência. A ser assim, seria possível denomina-la Área de Impacto.

Visando a homogeneizar os trabalhos de equipes multidisciplinares, criamos um processo simples para a definição da Área de Influência.

Segue a sequência de tarefas para a demarcação das áreas de interesse de estudos ambientais, que visam a otimizar impactos decorrentes de um projeto e os ecossistemas a que afeta em suas etapas de projeto, obras e operação:

  • Analisar os requerimentos do Termo de Referência ou do documento similar emitido pelo órgão ambiental competente e a finalidade a que se destinam os estudos a serem elaborados;
  • Tomar conhecimento de documentos e plantas do projeto pretendido (Descritivo do Projeto, Projeto Conceitual, Básico ou Executivo);
  • Realizar visita à área onde é pretendida a implantação do projeto, especificando suas vizinhanças, que podem ser urbanas, rurais ou primitivas;
  • Locar em planta baixa a primeira hipótese de impactos ambientais passíveis de ocorrência na região visitada, em função do projeto, através de sua provável distribuição espacial, denominada “Distributividade”;
  • A linha envoltória da distributividade estimada de todos os processos impactantes, considerados passíveis de ocorrência na região, demarca a primeira “área de interesse” para os estudos;
  • Documentar a visita através de relatório de texto específico a cada tema, com tomadas fotográficas;
  • Repetir o mesmo processo durante as atividades de campo destinadas à caracterização ou diagnóstico ambiental da área de interesse, de forma a ajustá-la gradativamente;
  • Finalizar a demarcação da área de influência, com a classificação que for necessária aos estudos específicos em andamento, junto com a conclusão das atividades de diagnóstico ambiental requeridas pelo órgão ambiental competente em seu Termo de Referência.

Observa-se que a sequência de tarefas acima pode ser aplicada a qualquer natureza de projeto ou atividade humana considerada transformadora do ambiente. Além disso, mantendo estrita conformidade com a Resolução do Conama, reduz de forma significativa a desnecessária complicação dos textos dos EIA.

Vale observar que o mesmo processo permite, além da Distributividade, a estimativa de outros atributos dos impactos ocorrentes e previstos, os quais serão utilizados posteriormente no processo de avaliação de impactos. São eles: a Duração, a Carência e a Intensidade de cada impacto ambiental identificado.


[1] Não está aqui considerada a UHE Furnas, que é a mais antiga hidrelétrica com elevada capacidade de geração do Brasil. Sua construção começou em julho de 1958, tendo iniciado sua operação parcial em 1963.

[2] Dizem alguns conhecedores da história do setor ambiental no Brasil que sua criação deu-se por força da pressão norte-americana, que começara no início da década de 1970. No entanto, somente foi absorvida legalmente em 1981 e 1986, com a promulgação da Política Nacional do Ambiente e a Resolução que tornou obrigatória a elaboração de Estudo de Impacto Ambiental para novos projetos.

[3] Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente.