Gestão informatizada do Ambiente


Nos primórdios, há cerca de 3,2 bilhões de anos, decerto após sucessivas mutações ainda hoje indecifráveis, começou a surgir na Terra sua fauna nativa diversificada. Nasceu imersa em um espaço desconhecido: o ambiente planetário.

Depois disso, somente na década de 1860, um espécime moderno dessa fauna – o alemão Ernst Haeckel –, resolveu entender, de fato, como esse espaço funcionava. Criou uma forma de analisa-lo e chamou-a Ecologia (do grego, “oikos + logos” ou “estudo do lugar onde se vive”).

Desde então, a ecologia não parou de evoluir. Dezenas de milhares de pesquisas científicas foram realizadas mundo afora e o homo sapiens começou a perceber que é essencial garantir a estabilidade do ambiente em que vive.

Professor Eugene Odum

Professor Eugene Odum

Com vistas a garanti-la, ao longo do século 20, nações desenvolvidas redigiram sua legislação ambiental. Porém, sempre com base no estado-da-arte da ciência. Afinal, ecologia é a lógica dos ecossistemas que conformam o ambiente planetário. Assim, leis ambientais de qualidade precisam ser seus reflexos no espelho, nunca o inverso.

Agora, ao início do século 21, que prioriza a produção e o domínio da informação, há uma questão pendente no imaginário da sociedade: ─ Algum dia o homo sapiens será capaz de informatizar o ambiente?

Sabe-se ser possível modelar a dinâmica do ambiente e até informatizar esse processo. No entanto, ainda não há como desenvolver um sistema computacional que contenha o teor desta dinâmica, pois ela é fruto da necessidade e do acaso e o homo sapiens não é “seu divino criador”.

De toda forma, reuniu-se um pequeno grupo de trabalho, com especialistas em Gestão do Ambiente e Ciência da Computação, para pensar a “questão pendente”. Logo ela foi invertida, posta de cabeça para baixo, e tornou-se uma tarefa factível: desenvolver um sistema de computador para agilizar a elaboração de estudos, projetos, pesquisas e serviços ambientais. Ganhou o apelido de sistema IDEA.

Sua arquitetura está a ser concebida para integrar diversos aplicativos, que permitam realizar os seguintes processos ambientais:

  • Identificação da transformação ambiental de um território, como função de um ou mais empreendimentos e suas intervenções da engenharia;
  • Caracterização ambiental de projeto de engenharia, obra ou empresa (atividade transformadora ou empreendimento) vis-à-vis o território em que será implantado ou que já se encontra em operação;
  • Programação, realização e gestão de atividades de campo no território em análise;
  • Elaboração de matrizes de impactos ambientais, de matrizes de itens de passivo ambiental ou das matrizes de riscos ambientais e de segurança;
  • Elaboração de diagnósticos temáticos e do diagnóstico ambiental consolidado do território em estudo;
  • Formulação dos prognósticos ambientais para o mesmo território;
  • Modelagem de seus cenários ambientais futuros;
  • Avaliação de impactos ambientais, ocorrentes e previstos nesse território. Trata-se de modelo especializado onde os impactos são numericamente estimados e pertencem ao conjunto de Números Reais (Rn);
  • Elaboração de planos ambientais para otimizar os efeitos de impactos significativos ou corrigir os itens de passivo ambiental identificados;
  • Elaboração de programas ambientais para controle, manejo e monitoração dos segmentos ambientais em um território;
  • Elaboração de projetos ambientais e ações imediatas para controle, manejo e monitoração dos fatores ambientais em um território.

Dessa forma, será capaz de informatizar processos ambientais demandados pela legislação ambiental vigente, tais como: Estudos de Impacto Ambiental (EIA); Realização/gestão de Audiências Públicas; Levantamento/gestão de Passivos Ambientais (LGPA); Elaboração, implantação/gestão de Plano Corporativo Ambiental (PCA); Auditoria de PCA (APCA); Plano de Ações Imediatas (PAI) para correção das não-conformidades identificadas pela auditoria; Elaboração, implantação/gestão de Plano Executivo para Gestão Ambiental de obras (PEXA).

Porém, acima de tudo, o IDEA será capaz de monitorar os perigos e riscos de empresas em operação, visando a impedir a ocorrência de desastres humanos sobre o ambiente, tais como o da Samarco, em Bento Rodrigues, Mariana, ou o desastre anunciado da Petrobras, em Vila Socó, Cubatão, ocorrido em 1984.

Mar de lama em 21nov2015

Dentro em breve, o grupo de trabalho lançará uma campanha de crowdfunding para captar os recursos necessários à realização do Projeto IDEA. Conta-se desde já com sua contribuição.

Boas festas a todos. Que 2016 seja o ano da Cultura Técnica!

Verão na Groenlândia


Por Equipe deSobre o Ambiente”.

Com a área de seu terreno no entorno de 1.166.000 km2, a maior ilha do planeta, Groenlândia, abriga o povo Inuit, há cerca de 4500 anos. Acredita-se que na pré-história da Groenlândia (a partir de 2500 a.C.) ocorreram repetidas migrações deste povo, do norte do continente americano para a ilha. Por habitarem o polo Ártico, já estavam adaptados às condições de regiões mais frias.

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

No entanto, dados indicam que, durante o ano 1000, o clima na região sudeste da ilha era relativamente ameno, tal como o de hoje: temperatura no inverno (chuvoso, fevereiro-março) variando entre -5 e -11 oC; e no verão (seco, julho-agosto), entre 11 e 4 oC. Tanto é assim que, naquela época, eram normais no sul da ilha o nascimento de árvores e espécies herbáceas. Desse fato provem seu nome em inglês, Greenland, ou Grönland, em dinamarquês.

Nuuk, a capital da Groenlândia

Nuuk, a capital da Groenlândia

Colonização norueguesa

Por volta do ano 895, a ilha foi invadida por barcos vikings, capitaneados por Erik, o Vermelho. Diz a lenda que se tratava de um criminoso norueguês, deportado para a Islândia por haver cometido um crime de homicídio em seu país. Presume-se que, desde há 1125 anos, a lei norueguesa já fora feita para todos, a ser cumprida fielmente.

Erik Vermelho, decidira colonizar a ilha. Colérico, invadiu e desmatou várias áreas para fazer dois assentamentos: o maior, no lado leste (Eystribyggd), onde se localizava Brattalid, a residência oficial de Vermelho“, protegida por 5000 vikings; o outro, na orla oeste (Vestribyggd), abrigava mais 1000 vikings de reforço.

Colonização dinamarquesa

Ainda sob os efeitos do fim da Idade Média, em 1536, Dinamarca e Noruega oficializaram sua integração nacional. A Groenlândia tornou-se colônia dinamarquesa e a Noruega, um anexo. Somente quase de três séculos após (1814), cada uma seguiu rumo como nação independente, mas a ilha permaneceu sob controle dinamarquês.

Durante o século 19, a Groenlândia foi região de interesse para exploradores e cientistas. De toda sorte, afirmou-se a colonização dinamarquesa e as missões enviadas foram bem-sucedidas. No entanto, a justiça dinamarquesa só se aplicava aos colonos, sobretudo, aos Inuit.

Houve uma imigração de famílias Inuit canadenses, que se estabeleceram ao norte da ilha. Os últimos grupos lá chegaram em 1864. Nesse período, o comércio e as condições econômicas da ilha decaíram, a provocar sensível despovoamento na sua costa leste.

Porém, em 1863, realizaram-se as primeiras eleições democráticas da Groenlândia, com vistas a eleger representantes distritais[1]. Mais tarde, já na primeira metade do século 20, foram criados dois conselhos de governança, um para gerir o norte da ilha e outro, o sul. Contudo, decisões importantes, que afetavam as condições de vida dos groenlandeses, eram tomadas em Copenhague. Permanecia “algo de podre no Reino da Dinamarca”.

A geopolítica da Groenlândia

Pelo menos em duas ocasiões de crise mundial a Groenlândia foi vista pelo mundo externo como uma região estratégica:

  • Durante a Segunda Guerra Mundial, quando Hitler orientou suas operações de guerra na direção da Groenlândia, foi firmado um tratado com os Estados Unidos para a instalação de bases na ilha, em abril de 1941. A Dinamarca não conseguia governar a ilha na 2ª guerra. Assim, a Groenlândia passou a ter status mais independente. Seus suprimentos foram garantidos pelo Canadá e os Estados Unidos.
  • Durante a Guerra Fria, a Groenlândia teve importância estratégica, por permitir o controle de parte dos acessos entre os portos árticos soviéticos e o Oceano Atlântico, bem como por ser área sensível para observação do eventual uso de mísseis balísticos intercontinentais, que deveriam sobrevoar o Ártico.

Groenlândia, nação do Reino da Dinamarca

O status colonial da Groenlândia foi revisto em 1953, quando se converteu em parte integrante do reino dinamarquês, com representação no parlamento dinamarquês. A Dinamarca iniciou também um programa para prover serviços médicos e de educação aos groenlandeses.

De sua parte, o governo local groenlandês se apresenta como uma nação Inuit. Os nomes de lugares em dinamarquês foram substituídos por nomes locais. Godthåb, que foi o centro da ocupação colonial dinamarquesa, agora é a cidade de Nuuk, capital de um governo quase soberano. Em 1985 foi criada a bandeira da Groenlândia. No entanto, o movimento que busca sua soberania ampla ainda não obteve espaço político. Mas tem tudo para acontecer.

As relações internacionais, antes comandadas pela Dinamarca, são em sua maior parte geridas localmente. Depois de separar-se da União Europeia, a Groenlândia firmou tratados especiais com a UE, uniu-se em diversos assuntos com a Islândia, as Ilhas Faroe, assim como com a população Inuit do Canadá e da Rússia.

Também é membro-fundadora da Organização Ambiental do Conselho do Ártico. Está pendente a renegociação do tratado de 1951 entre Dinamarca e Estados Unidos, desta vez com participação do governo local da Groenlândia. Por fim, é esperado que a base aérea de Thule converta-se em estação de rastreamento de satélites, para uso das Nações Unidas.

Por falar em satélites, o Aqua, satélite da NASA que monitora o ciclo da água, a precipitação das chuvas, sua evaporação, a umidade do ar, temperatura da Terra e dos oceanos, bem como o fluxo de energia radioativa, registrou imagens de resolução moderada da Groenlândia, em julho de 2015.

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

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[1] Um rápido destaque: há um século e meio já existem eleições distritais na Groenlândia.

O risco de dar cursos e palestras


Treinar no Setor Ambiental

Por Ricardo Kohn[1].

Cursos intensivos (de até 72 horas) e palestras de curta duração (1 hora) são processos complexos para serem realizados a contento. Satisfazer aos participantes (alunos) e à empresa promotora do evento não é tarefa simples.

Este artigo tem por finalidade analisar algumas variáveis que devem ser observadas pelo profissional convidado a dar um curso intensivo ou fazer uma palestra. Toma-se como base para análise o setor ambiental brasileiro.

Curso bem ministrado, sala de aula cheia

Infraestrutura de ensino correta, curso bem ministrado: sala de aula cheia e atenta

1. Definição do escopo

O mercado de treinamento oferece duas alternativas normais: o escopo do treinamento é definido pelo contratante do evento; ou o profissional de ensino estabelece o roteiro de sua fala. Não há dúvida, caso defina o escopo da “conversa saudável” que irá manter com o grupo, poderá criar empatia ao apresentar seu conhecimento.

E o motivo é nítido: ao estabelecer o conteúdo da apresentação, o profissional determina também a profundidade das abordagens que fará. Afinal, precisa deixar tempo para responder a questões, solucionar normais debates e esclarecer dúvidas remanescentes.

2. Foco objetivo

Sejam cursos ou palestras, se a finalidade é o ensino ou, diga-se, o despertar de mentes, o “professor” precisa ser focado no tema principal. Claro que pode fazer digressões, notas de rodapé ao conteúdo essencial. Sempre curtas e estimulantes.

Acredita-se que deva criar metáforas e até mesmo provocar risos de seu público. Assim constrói a empatia mútua e o interesse pelo conhecimento, além de facilitar a memorização dos que o assistem.

3. Técnico-científico ou legislação

Certa vez, alguém afirmou: “defina-se, ou Lei ou Ciência do Ambiente. As duas são incapazes de conviverem no Brasil”!

Em todos os países com sistema educacional sério, qualquer evento de treinamento para o setor ambiental possui cunho técnico-científico. E a causa é óbvia: nesses países a legislação é elaborada a partir do estado-da-arte das ciências de referência.

A ser assim, os treinamentos são mais produtivos, pois os profissionais aprendizes focam-se nas teorias, metodologias e exemplos práticos que recebem. Dessa forma, aprendem a dominar as práticas da Gestão do Ambiente.

Em nosso país, todavia, faz-se o inverso. A legislação, impositiva e burra, tem a pretensão de dizer como funcionam as ciências ambientais. Basta ler na maioria das ementas de cursos oferecidos ao mercado. Dão ênfase particular aos requisitos legais, associados aos temas do conhecimento que deveriam transferir aos alunos. Falam muito do “juridiquês ambiental” e propõem pouco para as ciências práticas que explicam o ambiente.

Toma-se o exemplo do caso mais simples: um curso com 16 h de duração sobre a operação que, no passado, era trivial: como obter licenças ambientais. Hoje, os diplomas legais afins a esse processo são tantos, provindos de inúmeras instituições públicas, que, em 16 horas, um “professor honesto” somente falará sobre as disparidades, controvérsias e conflitos criados pela lei vigente.

Ou seja, não restará tempo para transmitir aos alunos o essencial: o que e como fazer para obter as licenças necessárias. Será impossível detalhar como são elaborados e geridos os estudos ambientais, os processos de auditoria interna e um eventual levantamento de passivos ambientais; como programar e gerir audiências públicas, acompanhar as sofridas auditorias públicas e participar de inspeções ambientais feitas in loco, por “peritos públicos”.

Enfim, pode-se afirmar que, ao contrário, é possível realizar operações ambientais realmente simplificadas, sem perder a qualidade de seus resultados. Operações que, para reduzir custos cada vez mais elevados, podem ter um padrão teórico factível, a despeito do amontoado de normas legais que castram a criatividade.

4. Expectativa dos alunos

Em tese, a motivação para participar de um curso caro ou de um seminário de palestras – caríssimo – é conhecer técnicas modernas, aplicáveis ao trabalho diário. Os alunos são profissionais formados, que desejam obter meios de melhorar suas atividades produtivas.

No entanto, nem todos têm essa motivação. Há os que desejam saber das leis envolvidas, a interminável burocracia que criam e qual o melhor caminho para superá-la, desde que sem ônus para sua empresa.

Para quem crê em “Coelhinho da Páscoa” e “Papai Noel” existem soluções. Sem dúvida há somente uma: contrate um excelente escritório em direito ambiental, pois seus advogados conhecem bem o “Labirinto do Minotauro”. Mas pode-se adiantar que gastará mais tempo e dinheiro do que elaborar, da forma técnico-científica adequada, todos os estudos ambientais requeridos.

5. Bom para oprofessor

Para a maioria dos brasileiros alfabetizados, quem profere palestras, conferências, dá aula em cursos intensivos ou ministra cadeira em universidade precisa ser professor em alguma área do conhecimento. Isso é mais do que bom, é ótimo!

Outro fato que merece destaque positivo é a cidade em que acontece palestra ou curso intensivo. Após dezenas de experiências nesses eventos, verificou-se que nas capitais do Norte, Nordeste e Centro-oeste o povo é mais receptivo, empático e interessado em aprender.

6. Ruim para oprofessor

Palestras e conferências em geral, têm público com formação diversificada. De toda forma, aquele que não estiver satisfeito, levanta-se, sai e parte para outro rumo. Não há desgaste relevante na imagem do professor que as profere.

Já nos cursos intensivos as consequências podem ser danosas. Basta que a organização que solicita um treinamento – dado que pouco ou nada conhece sobre o tema – detalhe de forma ostensiva o curso em módulos que acredita serem relevantes. Estejam certos, sempre existe um “gênio interno” disposto a especificar seu futuro cursinho particular.

A partir daí a empresa de treinamento – contratada por menor preço – sai à cata de um “mestre” que a ampare. Pobre do professor que aceitar essa encrenca. Nessas condições é quase impossível satisfazer a turma a ser treinada.

Há empresas que tratam o professor de “instrutor”. O fato é que “instrutor” está mais associado ao amestramento de animais domésticos, do que à educação. A ser assim, trata-se de ofensa aos alunos de qualquer curso. Não importa se possuem nível superior ou se são idosos; durante as aulas todos são alunos e, por civilidade, devem receber as narrativas do professor, concordem com elas ou não.

Em cursos fechados (in house) o professor precisa saber o perfil da turma com que trabalhará: formação, setor de trabalho na empresa e tempo de empresa. É temerário dar aulas para turmas com perfis distintos, por vezes conflitantes: projeto de engenharia, gestão do ambiente e gestão de obras, por exemplo. Têm esperanças distintas de aprendizado e os conflitos se sucedem nas costas do professor.

Existem muitos outros aspectos de cursos intensivos que podem prejudicar o professor. Mas, no adiantado da hora, reserva-se apenas mais um: de novo, a cidade em que ocorre o curso. Sem risco de cometer generalizações, nas regiões sudeste e sul, paulistanos e cariocas se destacam na forma de se comportarem em sala de aula:

  • Paulistanos – embora dedicados a entender os conhecimentos do professor, são atentos e rigorosos. Via de regra, são informados acerca dos temas a serem tratados pelo curso. Com educação, interrompem quando não concordam e pedem explicação lógica. Debatem muito, mas são cordiais e têm como objetivo aumentarem seus conhecimentos.
  • Cariocas – são heterogêneos no domínio da informação ambiental; vão além da variação normal. Entretanto, há os bem-informados que auxiliam ao professor. Porém, dentre estes, é comum emergir uma espécie curiosa, que precisa dar demonstrações públicas de ampla “sapiência”. Por serem narcisos, mal-educados e provocadores conseguem prejudicar a fluência do curso. No mais, os cariocas são ótimos, salvo quando sorriem pela frente e, pelas costasmalham o professor.

7. Sugestão

Em vários países do mundo a profissão de palestrante é concorrida e suficiente para manter um bom nível de vida. Bons professores universitários tornam-se palestrantes em algum momento de suas vidas.

No Brasil essa profissão da educação tem relativamente poucos adeptos, talvez por falta de um mercado próprio. Ainda assim, a maioria dos palestrantes de sucesso parece composta por paulistas.

Pois, seja um palestrante! Assuma esse desafio, palestre sobre a Ciência do Ambiente e crie o espaço que ainda falta. Assim, deseja-se que sua palestra seja épica, um tanto misteriosa, mas de sua exclusiva autoria. Sobretudo, que seja motivadora, estimulante para aqueles que vão gostar dos desafios propostos por você, caro Professor.Ricardo Kohn

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[1] Ricardo Kohn, Especialista em Gestão, com trinta anos de trabalho dedicado à consultoria em estudos, projetos e práticas ambientais, bem como ao treinamento de analistas e gestores em modelos, metodologias e sistemas para a melhoria do desempenho ambiental das organizações produtivas.

Lançada a obra ‘Ambiente e Sustentabilidade’


GEN – Grupo Editorial Nacional | LTC Editora.

AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

A LTC Editora comunica o lançamento de mais uma obra técnico-científica:

Macedo, R. Kohn, AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão. GEN – Grupo Editorial Nacional, LTC Editora – Livros Técnicos e Científicos. ISBN 978-85-216-2731-9. Rio de Janeiro, RJ. 636 pg., julho 2015. 1ª edição.

Encontra-se disponível em formato impresso e em e-book. Docentes cadastrados no Grupo Editorial Nacional têm 30% de desconto.

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Conversas com o ambiente


Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

A primeira vez que fui pescar em mar aberto tinha 6 anos de idade. Fiquei maravilhado com a imensidão do oceano à volta de nosso pequeno barco. Foi nele que recebi a primeira aula de meu pai, o melhor pescador da costa portuguesa, modéstia à parte. Hoje, aos 97 anos, estou consciente que mantive certos valores do “velho Macko” – como seus amigos o diziam.

Sem demonstrar pressa ou mudança no humor, Macko sempre me ensinou a conversar com o ambiente marítimo – o mar, os ventos, correntes marítimas e peixes em geral. Dizia-me ele, enquanto manejava linhas e anzóis: ─ “Filho, só não temos como conversar com o Sol; ele é absoluto, definitivo”.

A meu ver, na pesca artesanal portuguesa Macko foi definitivo em linhas, nós e laços. Sabia-os a todos, como poucos. Para o pai, anzóis eram meros adereços aplicados ao final de linhas. Na juventude, muita vez o vi pescar em quantidade, apenas com “laços de linha”, sem anzol.

Vista similar ao nosso ambiente marítimo

Vista similar ao nosso ambiente marítimo

Em certas noites, Macko fazia assados de peixe na praia para reunir amigos. Aos 10 anos, quando comecei a participar desses eventos, conversava com os animais que via, apelidados aqui nas Maçãs por “tatuíra“. Um tatu pequeníssimo, de peso imponderável, que é trazido pelo mar e se enterra na areia da praia, ao fim da rebentação.

Descobri que os tatuíras são crustáceos inofensivos; pobre deles. Eu cavava rápido a areia para captura-los. E ria sem parar com as cócegas de suas patinhas na palma de minhas mãos; aflitos, a esforçarem-se para fugir. Como eu só possuía instinto, não notava que “minha infantil brincadeira”, de facto, era tortura para eles.

De longe, Macko assistia meu comportamento. Um dia aproximou-se e, com interesse, explicou-me o que acontecia aos tatuíras, “prisioneiros de mim”. Disse-me como vivem, do que se alimentam, que auxiliam a outros seres vivos e são muito frágeis às mãos do homem. Entristeci ao entender que aquele pequenino também possuía amigos, que dele dependiam para sobreviver. Assim, aos 10 anos, firmei minha primeira decisão de vida: jamais capturarei tatuíras.

Velho Macko faleceu enquanto dormia; eu tinha 27 anos de idade, então. Senti demais sua partida, mas tive de assumir as rédeas do que ele deixara: seus amigos, nossa casa, mais de 2.000 livros, o pequeno barco, petrechos de pesca e sua intensa atividade.

Há tempos conhecera outro crustáceo com “atividades subterrâneas”, muito usado como isca para robalos. Um bicho estranho, com garras dianteiras, bem maior que os tatuíras. Aqui essa espécie é conhecida como “Corrupto” (Callichirus major). Sei que no Brasil tem o mesmo apelido, pois, conforme demonstram seus espécimes políticos, “Corruptos são inumeráveis, multiplicam-se de forma acelerada, nunca aparecem e são difíceis de capturar”.

Callichirus major

Callichirus major, vulgo Corrupto

Mas quando soube que seu processo de sua busca e captura destruía o solo e microrganismos, conversei com o ambiente e optei por não utilizá-lo como isca. Achei mais prudente deixar o “Corruptoenterrado nas profundezas. Afinal, meu velho Macko pescava sem iscas e anzóis! Os brasileiros deveriam fazer o mesmo: enterrar bem fundo os seus.

Com o tempo descobri que para conversar com o ambiente e obter informações úteis, precisava saber lê-lo e prever sua conduta futura. Mas, além de Macko, não tinha com quem conversar sobre esse assunto. Era tema restrito a pai e filho. Decerto, ele sabia lê-lo e prevê-lo como poucos, porém não teve tempo de me explicar como fazer.

Contudo, dentre os livros que herdara, encontrei textos sobre preservação e conservação do Ambiente. Pasmem, todos traziam dedicatórias dirigidas a mim, assinadas por meu pai, o Velho Macko! Sugeriam que eu entendesse o rio que atravessa nosso terreno, bem como a mata e a fauna ocorrentes em suas margens, pois eram a parte do ambiente terrestre que tinha a preservar.

Resultado: ambiente terrestre preservado

Resultado: ambiente terrestre preservado

A partir de 1960, com minhas atividades de pesca já consolidadas, dediquei-me a estudar o “meio ambiente”, como aqui é chamado, de forma ignorante. Adquiri dezenas de livros sobre Ciências do Ambiente: ecologia, biologia, hidrologia, antropologia e filosofia. Estudo-os até hoje e aplico os ensinamentos que deles recebo, toda vez que os abro. Tornaram-se parte essencial de minha vida.

No início de 2013, recebi convite de Ricardo Kohn para escrever em seu blog, o Sobre o Ambiente. Confesso que tive dificuldades em aceitar: não tinha computador e sequer sabia o que seria “navegar na internet“. Mas após orientações de Quincas, meu neto postiço, enviei o primeiro artigo para o blog, uma sátira política intitulada “Carta Aberta da Estremadura – Portugal”.

Continuo a estudar e aplicar notórias práticas ambientais em tudo o que faço na vida. De facto, neste momento, estou ansioso paraImagem de divulgação adquirir o que parece ser a obra da vida de Ricardo Kohn, prevista para ser lançada ao final deste mês de julho:

  • Macedo, R Kohn, Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão. Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos , 636 pg., 1ª edição.

Afinal, meu pai, o Velho Macko, foi o primeiro “ambientalista” que conheci no mundo. Tenho, a correr em minhas veias, sua melhor herança.

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Clique no título do e-book “PRINCÍPIOS DA FILOSOFIA DO AMBIENTE – Como o Ambiente vê o Sapiens“.

O pomar


Por Ricardo Kohn, Escritor.

O fundador do pomar – Eustáquio Bruno e Thomaz de Aquino – nasceu no Brasil, em 1899. Era filho de pai português, um rico comerciante da cidade do Porto, e mãe italiana, uma linda artesã, especializada em fazer botas de montaria, nascida em Florença.

Dependendo do grau de intimidade, todos o conheciam por Aquino ou ‘seu Aquino’, embora seus irmãos o chamassem de ‘Taquinho’. Entretanto, após a morte do pai e, pouco depois, o debacle financeiro da família, Aquino viu seus projetos rolarem por água abaixo. Ainda assim, às duras penas, aos 27 anos concluiu a graduação na Escola Superior de Agricultura, situada em Viçosa.

Vista aérea da Escola Superior de Agricultura, em 1933

Vista aérea da Escola Superior de Agricultura, em 1933

De fato, abraçara a missão de cuidar de sua mãe viúva e cinco irmãos. Isso impediu-o de realizar seu projeto de vida: plantar a maior horta do país, a oferecer alimentos orgânicos gratuitos. Porém, sua vida transtornou-se. Resumira-se em acordar às 5 da madrugada, fazer rapidamente a barba com navalha, a higiene facial, sair para superar 14 horas de trabalho diário, retornar à casa, tomar um banho frio, comer algo e desabar na cama feito uma pedra.

Aquino não possuía tempo para laser, sua distração era andar a pé por toda a cidade, diariamente, de um local de trabalho para outro. Possuía sólida consciência política, até hoje de suma importância para a cidadania, mas nenhum interesse em participar dela. Até porque era introvertido e detestava se destacar aos olhos das pessoas. Além disso, ser mais uma patranha, jamais!

No entanto, Aquino foi um grande humanista. Ficava feliz ao doar seu trabalho à comunidade em que vivia, sempre a manter-se no anonimato. Resignava-se assim, ao fingir acreditar que cada cidadão era obrigado a deixar algo relevante para os mais jovens. No mínimo, exemplos concretos como sua ideia fixa: “horta a distribuir alimentos orgânicos gratuitos”.

Foi através dessa humanidade que construiu poucas, mas sólidas amizades. Seu maior amigo chamava-se Gumercindo, nome de guerreiro rebelde rio-grandense do sul. Juntos, Taquinho e Guma, a “convite” das forças armadas, atuaram na Revolução de 30, em terras mineiras. A contragosto, os dois liberais tiveram que lutar a favor do caudilho populista Getulio Vargas, e aguentar os 15 anos da cruel ditadura que se sucedeu no país.

Ao retornarem do quartel, após o mês que durou o “Golpe de 30”, aos 31 anos de idade, Taquinho e Guma estavam bem magros e com a cabeça branca. Não foram reconhecidos por suas famílias. Desiludidos com o futuro da nação, fizeram um pacto de vida: adquirir uma terra, longe de qualquer cidade, e plantar um grande pomar de frutas brasileiras.

Com dedicação e seriedade, Aquino conseguiu bons trabalhos para seus cinco irmãos. Para sua tranquilidade, todos se casaram em 1931 e deixaram a casa que compartiam com ele. Restou-lhe, então, sua doce mãe e a responsabilidade de mantê-la saudável e feliz.

Por outro lado, Gumercindo casara-se cedo e possuía um pequeno patrimônio. Assim, coube-lhe encontrar o terreno para negociarem as condições de pagamento. Enquanto isso, Aquino se desdobrava para economizar o dinheiro da entrada.

Mas eis que, para sua surpresa, em janeiro de 1932, Gumercindo disse-lhe que encontrara o terreno que buscavam. Situava-se próximo ao povoado de Conceição de Ibitipoca, a sudeste de Minas Gerais, num sopé da serra.

Aquino quis conhece-lo em detalhes. Junto com Gumercindo, percorreu a pé o terreno de 88 hectares; anotou as principais espécies de Mata Atlântica existentes, bem como localizou duas grutas, três rios que atravessavam o terreno, com nascente na serra, além de duas cachoeiras, dois lagos e várias corredeiras.

Cachoeira e lago formado no terreno

Cachoeira e lago formado no terreno

Ao fim, encantou-se com a biodiversidade de pássaros e polinizadores da região. Imaginou-se com o hábito de acordar às 5 da madrugada, mas naquele ambiente primitivo, a ouvir a cantoria da passarada. Começara a desenhar um mapa do terreno e de seu próprio futuro.

Pássaros encontrados na região

Pássaros encontrados na região

Foi mais difícil encontrar o proprietário do terreno do que adquiri-lo. Depois de quase um mês, descobriram que o senhor Lopes se mudara para São Paulo, a levar consigo sua doentia fé urbana. Na verdade, estava ansioso para vender a propriedade. De toda forma, o negócio foi bom para Lopes e para os agricultores novatos.

No entanto, Taquinho e Guma tinham muito trabalho a fazer para atingir o intento do “Sítio do Pomar”, conforme dizia a placa, na entrada da trilha de acesso ao terreno. Ou seja, antes de começar o plantio de mudas de árvores frutíferas, precisavam tornar operacional a logística daquele terreno: melhorar sua via de acesso, limpar a área do terreno a ser utilizada, construir uma moradia para três pessoas e um bom galpão de suprimentos. Em suma, faltava dinheiro no bolso dos sócios e foi a hora da decisão.

Tanto Aquino quanto Gumercindo não pestanejaram: para investir no Sítio do Pomar, viram-se obrigados a vender suas casas na cidade. Afinal, ainda eram jovens de 33 anos, sabiam dos riscos envolvidos, mas estavam convictos de empreender no ambiente rural.

Aquino, sobretudo, contou com a compreensão de sua mãe e o apoio inconteste de um irmão, que a acolheu em sua própria casa. Combinou com todos que, de 20 em 20 dias, enquanto estivesse a construir no sítio, retornaria para “estar com a mamãe durante três dias”, pelo menos.

Foram seis anos de trabalho duro, de sol a sol, sem fim-de-semana. Mas o Sítio do Pomar ficou excelente, com acesso seguro para pick-ups e margens floridas (ideia de Júlia, mulher de Guma), a moradia humilde com varanda de frente e o galpão novinho em folha, uma área para criação de cabras e galinhas, com vistas a obter esterco e adubar o solo. Além do belíssimo pomar, plantaram a tão sonhada horta orgânica comunitária, e adquiriram colmeias de abelhas produtivas e calmas. Tudo isso, a manter 48 hectares de Mata Atlântica primitiva intocada.

Os produtos do pomar no mercado mineiro

Os produtos do Sítio do Pomar no mercado mineiro

Todos os trabalhos no sítio requereram a contratação de mão-de-obra no povoado. Assim, Conceição de Ibitipoca viu sua economia começar a crescer. Os terrenos vizinhos ao sítio foram valorizados e as principais estradas de acesso foram asfaltadas pelo governo estadual. Guma aproveitou essas vias de distribuição e colocou os produtos do pomar em todo o mercado mineiro.

Enfim, Taquinho e Guma sempre foram recebidos de braços abertos pelos amigos que fizeram no povoado. Seus projetos, a manter a sustentabilidade do ambiente, muito embora com outras culturas, serviram a outros proprietários de Ibitipoca. Eles próprios participaram dos trabalhos de implantação. Enquanto viveram, tornaram-se referência de humanidade e da produção agrícola na região sudeste de Minas Gerais.

Adaptar-se ao mercado


Por Equipe de Sobre o Ambiente.

Em conversa com velhos amigos, a tratar da conjuntura e tendências do mercado de trabalho, observou-se certa “docilidade perante o cenário drástico” que se descortina. Uns perderam o trabalho, outros demitiram seus funcionários. Há os que pensam seriamente em fechar suas empresas.

No entanto, ainda há alguns que resmungam com certa indolência: ─ “Não posso fazer nada, sempre foi assim neste país”. E não adiante pedir-lhes que ponderem, que meçam as proporções do desastre social, político e econômico atual. Que, enfim, o compare a períodos menos obscuros da nação, ocorridos desde a 60 anos atrás.

Todavia, para garantir o vital otimismo, também se têm verificado relevantes mudanças na atitude de certos executivos da iniciativa privada, face às duas ameaças efetivadas sobre os brasileiros: a incompetência e a corrupção do governo.

Em síntese, gerem seus negócios de forma a se livrarem ao máximo dos terrores do sistema público instalado. Visam a obter a independência de suas empresas e equipes, de maneira a tocarem seus negócios, com metas factíveis e detalhadas, que não dependam do governo. Sem dúvida, isso é possível.

A resiliência empresarial

O conceito de resiliência provém da Física Newtoniana: constitui a capacidade de um corpo físico em recuperar sua forma original após haver sofrido choque e deformação. Outras áreas do conhecimento usaram esse conceito, entretanto, adequando-o aos atributos que lhes são pertinentes. Por exemplo.

Na Ecologia, constitui a capacidade intrínseca do ecossistema em suceder-se, após sofrer rupturas ambientais. Em função da dinâmica evolutiva do ecossistema, ele não retornará à sua forma original, porém, cumprirá com suas funções essenciais para relacionar-se de forma estável com os demais sistemas ecológicos que dele necessitam para evoluir.

De certa forma, a resiliência empresarial adota como fundamento o conceito da Ecologia. Para a Administração, a resiliência precisa constituir a capacidade de adaptação das empresas perante as oscilações do mercado, tanto comprador quanto concorrente.

Por não possuírem dinâmica espontânea para a evolução, tal como os sistemas ecológicos, as empresas demandam de seus executivos e equipes competências específicas: transparência nos negócios, capacidade para gestão da mudança, integração de equipes co-responsáveis, ampla abertura para novos negócios, bem como relacionamento dinâmico e frutífero com fornecedores, compradores e empresas concorrentes.

Há luz no fim do tunel: chama-se resiliência empresarial

Há luz no fim do túnel: chama-se resiliência empresarial

Assim se dá a evolução empresarial, através da resiliência inteligente, criada e mantida por seus executivos e equipes essenciais. É por meio da capacidade permanente de adaptação ao mercado que todas as empresas podem evoluir em nichos inter-relacionados, independentes das agruras do sistema público.

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Consultoria é Educação


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente e Escritor.

Ricardo KohnEmbora desde meados do século 20 não pairassem dúvidas acerca da qualidade da consultoria no país, fatos recém descobertos pela polícia federal ameaçaram a reputação de milhares de consultores, tal como, ‘presidiário a vender consultoria‘.

Dessa forma, este artigo visa a mostrar o que é o verdadeiro Consultor, na exata acepção da palavra, a qual justifica sua expressiva contribuição para as nações desenvolvidas.

Em dicionários encontram-se significados congêneres para “consultor”. Mas, por ser genérico e universal, como ponto de partida optou-se por “pessoa qualificada (…) que trata os assuntos técnicos de sua especialidade” – claro, simples e objetivo.

Todavia, por detrás deste “conceito de consultor”, deve-se aportar certas atitudes básicas para ser um bom profissional, tais como: possuir sólidos princípios éticos e morais; estar sempre disposto a partilhar conhecimentos com terceiros; ser humilde na criatividade de suas descobertas; ser capaz de aprender enquanto auxilia; saber ouvir críticas; gostar de debates com fundamento; conhecer os próprios limites; nunca participar de discussões; e, sobretudo, dominar a lógica necessária para defender posições, sejam próprias ou mesmo de terceiros.

Consultores em trabalho de campo – Arqueologia, Geologia e Arquitetura 

Não quer dizer que todos os consultores possuam essas atitudes desde o nascimento. Elas precisam ser aprendidas pela convivência com os sêniores que as detém, no todo ou em parte. De fato, para desenhar as “atitudes básicas” acima, foi necessário memorizar as ações de uma equipe de cinco consultores sêniores[1]. Todos trabalhavam em projetos de engenharia de saneamento básico e resíduos sólidos. Receberam notoriedade nacional pela qualidade das soluções de engenharia que descobriram e dos projetos que desenvolveram para realizá-las.

No entanto, na história da consultoria não há menção à prática de lobby por parte de consultores. Aliás, para que o lobby tenha algum valor, precisa ser honesto. Caso contrário, os lobistas em ação, ao invés de lograrem êxito nas legítimas pressões para obter o que almejam, podem seguir como réus, rumo à justiça. Assim soe ocorrer nas nações mais desenvolvidas.

Da mesma forma, consultores que não sejam cientistas políticos, não atuem em cooptações[2], sobretudo, aquelas que “envolvam transações monetárias”. Como a prática tem demonstrado largamente, no Brasil a legítima cooptação transformou-se num arranjo da “corrupção público-privada”.

Em suma, lobby e cooptação não são tarefas para consultores de qualquer área. Lobista não faz parte da consultoria. Aliás, no Brasil atual distribui ensinamentos para produzir lotes de ladrões.

……….

[1] Embora haja muitos outros, dentre grandes consultores, ressalta-se os engenheiros Enaldo Cravo Peixoto, Walter Rodemburg Ribeiro Sanches, Gastão Henrique Sengés, Fernando Penna Botafogo Gonçalves e Jorge Costa Nogueira, todos a atuar nas décadas de 1960 e 70. Sob a senioridade desses profissionais foram educados centenas, senão milhares, de bons consultores.

[2] Em tese, com base nas teorias da Administração Pública e da Ciência Política, o processo de cooptação de um indivíduo, grupo ou empresa é realizado através do convencimento lógico para se atingir a alvos legítimos desejados pela nação. No entanto, esses alvos são legais e não se traduzem em qualquer pagamento ou benefício ao cooptado. Ou seja, há riscos concretos para alcança-los e a cooptação sempre deve somar forças produtivas e honestas.

Qual é sua virose?


Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

De volta à casa, cá estou em minha biblioteca, após passar 12 dias ao mar, preocupado com doenças transmissíveis. É coisa de velho, bem sei eu. Todavia, descanso a ler uma coleção de textos científicos que falam dos vírus: sua origem, forma de manifestação e possíveis tratamentos. Para objetivar essa conversa digo-lhes que, de facto, há três categorias de vírus nocivos no mundo: os biológicos, os cibernéticos e os políticos.

Os biológicos ocorrem no ambiente primitivo, mas podem afetar de forma nefasta o organismo de seres vivos, com destaque para o do ser humano: aids, ebola, meningite, malária, cólera e gripe são exemplos de doenças causadas pela ação desses monstrinhos ignóbeis. Algumas já possuem vacinas, todas são mais ou menos tratáveis, embora ainda haja enfermidades fatais, sobretudo nos países mais pobres.

Já os cibernéticos são programados por “dementes especializados” e destinam-se a acabar com a paciência de todo e qualquer cidadão, diacho! São milhares de malwares e spywares a inocular “graves enfermidades nos computadores”: a torto e a direita, imitam softwares para navegar pela internet e destroem programas e arquivos essenciais. Os mais atrevidos roubam contas bancárias de desatentos. Mas ainda há outras moléstias online virulentas que também realizam.

Virus político nocivo

Vírus político nocivo e corrupto

Entrementes, como pano de fundo das categorias de vírus controláveis, têm-se os corruptos vírus políticos. Estes são realmente hediondos, capazes de infestar a qualquer Estado-nação com intensa malignidade[1]. Ao fim da infestação, costumam ocorrer dois factos: a fuga do país, por parte daqueles que não deixarão vínculos pessoais, e a miséria do povo infectado, incapaz de possuir outra opção, senão submeter-se.

Tratamento

Por não ser médico, informata ou cientista político atuante[2], só conheço uma forma para tratar doenças viróticas: antecipar-se a elas, não permitir que se instalem. Veja como:

Ações proativas para vírus biológico. Vacine-se contra todas as viroses que a medicina já haja controlado. Afaste-se de regiões onde a incidência destas doenças é notória; se necessário, mude da moradia. Não se aproxime de pessoas que estão doentes, em quarentena. No mais, conte com a sorte e com o bom médico de família.

Ações proativas para vírus cibernético. Vacine seu computador com o melhor antivírus[3] do mercado. Caso desconheça qual seja, peça orientação a um bom informata, há milhões deles que as máquinas de busca encontram na internet! Evite abrir e-mails e nunca clique em links que lhe forem enviados. Jamais instale programas sem consultar seu informata. Nunca visite sites desconhecidos cuja matéria seja de risco. Use seu melhor bom-senso, aprendido desde a infância.

Todo ser humano do século 21 precisa ter, como amigos dedicados, um cão e um analista de informática. Deve agir e retribuir, no mínimo, com o mesmo carinho.

Ações proativas para vírus político. É trágico, não existe vacina no mundo que impeça a infecção por esses selvagens. O contágio sempre acontece, ainda que os benignos estejam distantes, a milhares de quilômetros. Afinal, eles já nascem famintos populistas, a roubar e a mentir de forma desbragada! Além disso, reproduzem-se feito ratos, a partir de 2 meses de idade; têm gestação de até 21 dias. Mas saibam de uma coisa: embora sejam fatais para cidadãos, não são infalíveis nas lutas que provocam numa nação e em sua sociedade civil.

A vacina possível é intrínseca a cada cidadão: ter educação e agir com sensatez. Porém, uma vez constatada a presença nociva desses selvagens, torne-se implacável e inflexível em sua extirpação.

……….

[1] A malignidade é demonstrada com: (i) desvio de dinheiro público; (ii) distribuição de propina; (iii) evasão de divisas; (iv) lavagem monetária em paraísos fiscais; bem como, (v) a súbita e inexplicável riqueza nababesca de quadrilheiros públicos, que antes não tinham, sequer, aonde caírem mortos.
[2] Muito embora, haja cursado Ciência Política na Universidade de Coimbra (1932-1937).
[3] Quincas, neto postiço e meu professor particular de informática, aconselhou-me o antivírus alemão, NOD32. Baixou do site www.eset.com.br e instalou com sucesso em meu laptop.

Ambientologia para educação básica


Cláudia Reis e Ricardo Kohn, Consultores em Gestão.

Observa-se que há entre os cursos do ensino básico brasileiro – Fundamental [1 e 2] e Ensino Médio – um hiato de conteúdo educacional, sobretudo, entre o Fundamental 2 e o ensino Médio.

Verifica-se que os módulos do ensino fundamental relacionados ao tema “Ciências”, embora oportunos, são superficiais e estanques entre si. Não formam o substrato educacional mínimo para capacitar os alunos às demandas do ensino Médio e Superior. Falta-lhes integração com a forma de raciocinar, a incitar ações subsequentes úteis e tangíveis. Informam, mas não motivam os alunos a desejarem mais conhecimento.

Por sinal, cansam-nos com textos dispersos para decorar e, em vários casos, acabam por “aumentar a evasão das escolas”, tal o desinteresse que proporcionam aos alunos.

Infere-se a partir das premissas acima, que é possível preencher o hiato existente e, por exemplo, integrar os cerca de 30 temas da cadeira de “Ciências”, através de um único tema: a Filosofia do Ambiente, doravante chamada “Ambientologia[1]”.

Finalidades do projeto

Essa proposta de projeto possui quatro finalidades concretas e realizáveis, a saber:

  • Ampliar nos alunos do ensino básico o interesse pelo aprendizado diferenciado das práticas ortodoxas, há muito adotadas sem os efeitos satisfatórios.
  • Reduzir a evasão escolar, em especial a que ocorre no ensino Fundamental 2.
  • Internalizar na mente dos alunos, a partir da visão do ambiente, a importância dos trabalhos em equipe, com o aumento da produtividade escolar de cada um.
  • Por fim, além de conferir o título de “Técnico em Ambientologia” aos alunos que concluírem o ensino médio, prepara-los para se superarem no ensino superior, caso desejem realiza-lo.

Foco do projeto

  • Estimular jovens a refletirem sobre as relações ambientais de causa, efeito, ações de pronta resposta, considerando-as no tempo e no espaço. Todas essas relações são vividas diariamente por jovens, embora nem sempre sejam consideradas, o que pode acarretar perdas de oportunidades e riscos em geral.
  • Além disso, ampliar a visão espacial e temporal dos eventos que ocorrem no Ambiente, como decorrência direta de ações humanas. O pacote educacional proposto deve capacitar alunos do ensino fundamental e médio a formar opinião sobre a importância do ambiente em suas vidas, decerto mais amplo do que as engenharias e obras que o transformam a cada instante, não raro de forma danosa a seus sistemas ecológicos.
  • Por fim, demonstrar aos jovens uma premissa básica da atualidade no mundo ocidental: “o ambiente finito do planeta, quando estabilizado com consumo adequado de seus bens ambientais (ar, água, solo, flora, fauna e homem), constitui o pilar essencial para a evolução dos seres vivos (flora, fauna e homem), desde que com a manutenção da dinâmica de seu substrato físico (ar, água e solo) ”.

Descrição do projeto

Para situar os leitores mais velhos desta proposta, o curso Fundamental 1 equivale aos antigos Pré-primário e Primário. O Fundamental 2, é similar ao antigo Ginásio. Por último, o curso Médio equivale aos cursos Científico e Clássico, como denominados no passado.

Salienta-se que, nessa etapa da educação de jovens, a Ambientologia será uma cadeira que possui como base pedagógica as respostas do ambiente ao resultado de ações praticadas pelo Homem, nem sempre inteligentes sob a ótica ambiental.

─ Curso de nível Fundamental [1]

Destinado a jovens de 6 a 10 anos, o projeto propõe-se a desenvolver 5 (cinco) cartilhas ambientais, a narrar histórias do dia-a-dia que os jovens dessa idade tenham interesse em descobrir e conhecer. O teor das cartilhas visa a motivar crianças Vista escolar da Ambientologiapelas descobertas.

Exemplo de temas para as cartilhas: i. Assim são plantadas as hortas comunitárias; ii. Mude o ambiente de seu bairro: plante flores nas praças; iii. Hortas na cobertura e flores na fachada dos prédios; iv. A alegria da Primavera é contagiante; v. Folhas e flores trazem borboletas e beija-flores para dentro das casas; vi. Sem flores não existem as frutas que adoramos; vii. Podemos lhe ajudar nessa tarefa?

Evidente que as cartilhas ambientais precisam de personagens que “conversam” com as crianças. A exemplo, podem ser duas famílias com filhos em aprendizado inicial.

No Fundamental [1] os módulos de aprendizado são três: Alfabetização em Português, Aritmética, Introdução à Ambientologia e, por opção do aluno, Inglês básico.

─ Curso de nível Fundamental [2]

Destinado a jovens de 11 a 14 anos, o projeto propõe-se a elaborar 4 (quatro) livros didáticos, específicos para o Fundamental 2. Os livros devem ter cunho evolucionista, a começar pelo roteiro educacional que apresentam para a Ambientologia, a qual precisa ser dinâmica: a evoluir do livro 1 até o livro 4.

O tema central também é o ambiente, em todas as suas proporções e narrativas, por exemplo: como fazer e gerir um simples canteiro de plantas, passando por jardins, sítios e fazendas; perceber as ameaças dos processos de desmatamento, das erosões intensas, que resultam em áreas desertificadas; apresentar as características dos ecossistemas primitivos e sua capacidade de evolução aleatória; até chegar ao maior desafio, que seria algo tal como o ambiente primitivo: sem poluição do ar, sem contaminação hídrica, com solos férteis, rios e lagos de água pura, um povoado integrado à floresta e sua fauna silvestre.

Através de narrativas muito bem sequenciadas, amplamente documentadas por fotos e desenhos, a Teoria do Ambiente vai sendo gradativamente transferida aos alunos, como essencial à filosofia de suas vidas, sem ter que falar em Teoria ou Ciência.

A linguagem dos livros será simples e coloquial. Sua narrativa fará menções à linha do tempo da existência do sapiens no planeta, ou seja, do paleolítico até os dias atuais: do antigo caçador-coletor ao atual “caçador-extrator”. Trata-se de oferecer para análise dos alunos uma visão histórica e geográfica do Homo sapiens, bem como sua evolução no ambiente planetário.

No entanto, subentenderá questões ambientais práticas, que estimulem aos alunos perspicazes a encontrar soluções próprias, tanto para o momento em que vivem, quanto para seus futuros de maior prazo.

As coleções de cartilhas e livros serão impressos em papel reciclado. Porém, o projeto também prevê oferecer os livros também em formato digital (e-book).

Para finalizar, o projeto Ambientologia deverá atender à prática moderna da juventude, através de aplicativos para celular, tablets e computadores pessoais. Constituem jogos que demandam a decisão dos alunos diante das questões ambientais formuladas pela coleção de livros – “environmental games”. Jogos inteligentes estimulam o aprendizado.

No Fundamental [2] os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Português e Redação, Matemática, Ambientologia, História, Geografia e Inglês. Por escolha do aluno, ele pode selecionar aulas de Espanhol ou Francês.

─ Curso de nível Médio

Destinado a jovens de 15 a 17 anos, o projeto adotará práticas constantes em “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”, obra já publicada, dedicada ao ensino de nível superior.

No curso Médio os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Redação e Literatura, Matemática avançada, Física, Química, Ambientologia, Inglês, Espanhol, Francês e, no último ano, Ambientologia avançada.

Benefícios do Projeto Ambientologia

A relevância de qualquer projeto se assenta na capacidade de responder às demandas de seu público-alvo, sejam elas explícitas ou não. Desse atributo derivam os benefícios que o projeto oferece à sociedade, que podem ser de variadas ordens.

No caso do ‘Ambientologia’, tratam-se de benefícios educacionais, dos quais deságuam efeitos positivos de ordem social, econômica e motivacional, pelo menos. Destacam-se cinco deles, a saber:

  • Internalização no raciocínio dos jovens da dinâmica do ambiente, às vezes imprevisível, bem como de seu trato adequado, através do uso dos meios que estejam disponíveis, sejam os acatados pela ciência ou criados por eles próprios.
  • Demonstração aos alunos que as atividades dos ecossistemas humanos precisam possuir desempenho ambiental, visando a garantir a sustentabilidade dos ecossistemas primitivos, ou seja, manter o ambiente estabilizado.
  • Ampliação da capacidade da lógica dedutiva na formação do conhecimento, com efeitos expressivos na autoestima dos jovens “alunos descobridores”.
  • Aumento da capacidade de antevisão de problemas de causas variadas, com estímulo à inventiva pessoal dos alunos em solucioná-los, no tempo e no espaço.
  • Introdução da variável ambiental na vida dos jovens, através da visão de seus espaços físico, biótico e antropogênico, como fundamento para a tomada de decisão em todas as suas futuras profissões.

Procura-se um investidor-parceiro para melhorar a educação dos jovens brasileiros.

……….

[1] Após 42 anos de consultoria em estudos e projetos, descobriu-se que a Ambientologia não seria propriamente uma ciência. Mas uma base filosófica, que facilita a orientação e coordenação da aplicação simultânea das inúmeras ciências que explicam o ambiente.

Gestão: ato ou processo


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Existe uma extensa literatura que trata da gestão e de seus elementos constituintes. Contudo, há várias formas de aborda-la, tanto função das inúmeras teorias da organização publicadas, quanto das escolas de administração seguidas por seus Ricardo Kohnautores.

Não se tem a pretensão de esgotar esse tema em um artigo, é evidente. Apenas situar alguns aspectos que auxiliem a esclarecer o que é o processo da gestão, às vezes mal interpretado como um simples “ato de gestão”.

Gestão é o processo de administrar alguma coisa; sinônimo de Administração. Essa “alguma coisa” é o “sujeito ou objeto da gestão”. Assim, pode-se gerir uma empresa, um órgão público, um jardim, um município, um paciente médico ou o ambiente em que todos estão inseridos, por exemplo. Enfim, a gestão é aplicável a qualquer entidade que se deseja organizar e otimizar. Essas são suas finalidades primordiais.

Há quem diga que os processos da gestão constituem uma ciência. Mas também existem aqueles que o consideram uma arte. Acredita-se que os mais corretos são os que entendem o processo da gestão como uma ciência que precisa de arte para ser bem-sucedida.

É uma ciência que pode ser aprendida em bons cursos universitários, não há dúvida. Mas requer de seu agente a arte da visão de futuro para ser aplicada com destreza, qualquer que seja seu objeto. Essa visão de futuro, entre outras coisas, demanda experiência do agente e arte para interpretá-lo.

O processo da gestão

Como qualquer processo, o da gestão demanda uma sequência de etapas para ser realizado com qualidade. Toma-se como exemplo a gestão executada por um jardineiro, chamado Burle Max[1]. O objeto da gestão é o jardim de uma residência sofisticada.

Gestão de Jardim

Segundo a escola que se segue, as etapas necessárias à gestão são assim descritas:

  • Diagnóstico do jardimBurle precisa conhecer bem o objeto da gestão. Pergunta ao proprietário se ele possui fotografias recentes do jardim num dia de festa; caso tenha, solicita que as empreste para ver como a família deseja que fique o “pátio de casa”.

Então, percorre todo o jardim e anota os problemas que sua experiência define como graves (impactos adversos). Como o jardim é grande (2.000 m2), desenha-o em planta baixa, a mostrar como se sucedem os canteiros, os vegetais que neles estão plantados, o que precisa podar e cortar, o que deve ser eliminado, os detalhes do pomar aos fundos do terreno, da área recoberta por “mata virgem”, junto ao portão de entrada da residência, os caminhos de serviço do jardim, etc.

Destaca o que o cliente considera relevante para melhorar as feições do jardim e faz um relatório (oral e escrito) para consolidar o diagnóstico documentado do jardim.

  • Prognósticos para o jardim – após o almoço, a tomar um cafezinho, o experiente Burle redige como ficaria o jardim caso ele próprio não houvesse sido contratado. Da mesma forma, relata como o jardim poderá ficar após usar suas habilidades de jardinagem. Destaca as ações normais que precisa realizar, bem como possíveis mudanças no jardim, que considera oportunas para emoldurar a beleza da residência.

Produz relatório contendo os prognósticos alternativos das feições do jardim, sem e com as ações de Burle Max. É recomendável que desenhe uma planta baixa, contendo a nova feição do jardim reabilitado. Entrega ao cliente e aguarda sua aprovação.

  • Cenário futuro do jardim – até agora, a gestão de Burle somente requereu atores internos ao jardim: a família proprietária da casa e ele próprio. Mas é na etapa da formulação de cenários que atores externos ganham relevância, de tal forma que, querendo ou não, participam das melhorias do jardim.

Burle precisará de equipamentos para jardinagem, por exemplo, tesoura de poda, cortador de grama, serra elétrica na área de mata, dentre outros. De toda forma, ruídos com maior intensidade e frequência serão emitidos e afetarão a vizinhança.

Além disso, Burle talvez tenha que adquirir equipamentos que a residência não possua. Nada garante que todos aqueles que precisa para o trabalho, estarão disponíveis nas lojas para jardinagem.

Embora tenha proposto uma nova feição para o jardim, o cenário futuro possível não será como o desejado. Assim, Burle Max precisará gerir o jardim com os equipamentos disponíveis. E mais, informar ao proprietário sobre a mudança nas atividades previstas e mostrar os resultados que podem ser efetivamente alcançados.

  • Desenvolvimento de plano para resultados – para ter eficiência na gestão de jardins, Burle deve elaborar um Plano de Ação para alcançar resultados objetivos, de curto prazo. À cada resultado fixado no tempo, estará associada uma meta de seu trabalho. Igualmente, a cada meta de trabalho deverá existir pelo menos uma ação imediata que a realiza.
  • Execução do plano – decerto, é um plano simples de ser elaborado, mas sua execução com a qualidade esperada precisa ser rápida e depende da sequência das ações imediatas a serem executadas. Recomenda-se que gestores de jardim criem critérios para priorizar as metas e suas ações imediatas. Para tanto, devem considerar, a dificuldade da ação, as medidas do terreno, o número de deslocamentos a fazer e a quantidade de equipamentos utilizados em cada ação.
  • Avaliação dos resultados obtidos – em tese, a esta altura a jardinagem está completa e Burle Max já deve estar em casa. Porém, de fato, ele ainda precisa avaliar o próprio trabalho, buscar falhas na execução das ações imediatas, erros nos prognósticos, em informes imprecisos ao cliente, enfim, Burle precisa rever todo o processo de gestão realizado.

Assim, uma boa forma de terminar o dia é na elaboração do Relatório de Avaliação de Resultados e arquiva-lo em casa, visando a futuras consultas.

  • Replanejamento – caso se estivesse no lugar de Burle, aproveitaria-se a oportunidade para replanejar o processo de gestão realizado. O próximo trabalho seria mais rápido e a experiência adquirida estaria incorporada a seu patrimônio profissional.

Conceito de Gestão

“Processo decisório que demanda conhecer os principais aspectos do objeto a ser gerido [Diagnóstico], a previsão de suas formas de comportamento futuro [Prognósticos], o cenário efetivo que pode ser realizado para o objeto [Cenário futuro], um plano capaz de realizar esse cenário [Plano de Ação], o acompanhamento da realização das ações prorizadas [Execução do plano] e a revisão completa do processo realizado [Avaliação dos resultados obtidos].”

……….

[1] Não se trata do notável paisagista Roberto Burle Max, mas de um jardineiro do Recife, cujos pais fizeram homenagem ao paisagista. Era conhecido por Burle, Burle Max de Souza Fecundo.

Instinto e razão


Ricardo Kohn, Gestor.

Há momentos em que é preciso interromper tudo o que se está a fazer e questionar-se:

A trilha que decidi seguir na vida pode me conduzir até aonde?A trilha

Para um jovem da “antiga classe média[1], amistoso e sociável, diversos caminhos perfeitos se abriram à frente. Assim os percebia – desafiadores, perfeitos –, pois sua vida começava a nascer: estudos, trabalhos, amores e muitas amizades.

Achava que detinha a razão, mas, de fato, apenas o instinto comandava suas decisões. Portanto, seguiu por todos os caminhos que pode, sem chegar aonde desejava. Aliás, sequer sabia quais eram os próprios desejos, por isso precisava testar as trilhas que descobria.

Todavia, faltava-lhe experiência, que somente a prática intensa consolida. É a partir desta experiência que começam a sobrevir os primeiros sinais da razão aplicada. E também das reais descobertas da vida, é evidente.

Então, com apenas 13 anos de experiência de trabalho, o jovem aceitou outro desafio. Mudar de estado para trabalhar em planejamento empresarial, numa organização que, em 1981, tinha cerca de 22 mil funcionários, distribuídos pelo país inteiro.

Lá descobriu que possuía “um tiquinho de razão” e bastante instinto. Cumpria muito bem com suas funções, embora em 1982 haja publicado um livro de contos, editado pela própria organização! Isso causou uma refrega com sua chefia, que era “enquadrada e oportunista”.

Porém, no ano de 1986, refletiu que já concluíra uma espécie de doutorado em planejamento. Portanto, de posse desse patrimônio, decidiu retornar a seu estado de origem. Queria voltar ao trabalho na consultoria de projetos de engenharia e ambiente, conforme iniciara há 14 anos, em 1972.

Já morando no Rio de Janeiro, diante de seu novo desafio, começou a escrever sem parar, com mais instinto do que razão. Mas não eram contos o que então sonhava. Eram textos técnicos pioneiros, voltados exclusivamente para sua área de trabalho.

Em 1989, com mais de 1000 páginas de textos teórico-conceituais redigidos, pensou que deveria voltar para a universidade. Mas não somente para estudar, também para dar aulas. Foi assim que, com quase 20 anos de experiência de trabalho, fez uma descoberta: “as trilhas da vida atravessam jardins, onde hora se bifurcam, ora convergem para resultados”. Cabe saber como encontra-las. Para isso precisa-se de muito instinto e razão.

Simplicidade e paz

De fato, os caminhos trilhados no passado não se extinguem, nunca se apagam. Ainda que não tenham deixado vívidos legados de felicidade com o trabalho realizado, retornam aos tempos atuais e participam da consolidação de novas experiências e legados.

Hoje, o jovem tem 67 anos. Possui a experiência que mais de 40 anos de trabalho lhe concederam. Busca com seu instinto uma nova bifurcação de sua trilha inicial; deseja ser capaz de encontrá-la na Universidade.

……….

[1] Trata-se da classe média do século 20, década de 1960: com renda familiar hoje equivalente a R$ 15.000,00 mensais e casa própria, numa sociedade que recebia do Estado bons serviços públicos, sobretudo, de educação e saúde.

Uma obra técnica e literária


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

Se bem me recordo, foi em janeiro de 2008 que o amigo e parceiro em estudos ambientais, Professor Antônio Carlos Beaumord[1] ou “Tu” (para os mais próximos), fez-me um desafio literário:

Cactos em floração

Cactos em floração

─ “Ricardo, você é escritor. Entãopor que não reúne todas as suas metodologias num único livro? Acho que seria uma bela contribuição para a Universidade”.

─ “Tu, eu precisaria de vários anos de dedicação para realizar esse trabalho. Mas tenho família e, para sobreviver, sou obrigado a fazer consultoria”, respondi-lhe, não sem certa tristeza.

Contudo, a ideia de publicar mais um livro técnico não me saiu mais da cabeça. Até por que, sou um otimista nato. Claro que o “diabinho pousado no ombro esquerdo” não parava de me aporrinhar o ouvido:

“─ No Brasil você não vai ter editora para publicar esse livro! Vai custar muito caro; duvido que você tenha cabeça fria para organizar esse livro…”

Porém, com a crise financeira global iniciada em fins de 2008, o mercado de consultoria no país começou a emagrecer. Senti que a dita “marolinha” era mesmo um longo e devastador tsunami. Pelo menos assim aconteceu com a conta bancária da família.

Com a forte redução dos serviços de consultoria, a única coisa que cresceu em minha vida foi o tempo vago. Confesso que sequer pensei em conseguir uma editora. Segui a ideia do Tu e comecei a organizar o livro. Precisava ocupar meu tempo livre.

Em 2010, exatamente no dia 31 de novembro de 2010, finalizei a obra, ainda que sem revisão. Ficara com 737 páginas A4, distribuídas nos 18 capítulos, que se seguem:

  • Capítulo 1: Conceitos Básicos para Estudos Ambientais.
  • Capítulo 2: Modelo para Identificação da Transformação Ambiental.
  • Capítulo 3: Estabelecimento das Premissas para Estudos Ambientais.
  • Capítulo 4: Caracterização Ambiental de Empreendimentos.
  • Capítulo 5: Programação e Gestão de Atividades de Campo.
  • Capítulo 6: Elaboração de Diagnósticos Ambientais.
  • Capítulo 7: Consolidação das Premissas de Estudos Ambientais.
  • Capítulo 8: Elaboração das Matrizes de Impactos Ambientais.
  • Capítulo 9: Formulação de Prognósticos Ambientais.
  • Capítulo 10: Formulação de Cenários Ambientais.
  • Capítulo 11: Modelo para Avaliação Quantificada de Impactos Ambientais.
  • Capítulo 12: Desenvolvimento e Gestão de Plano Corporativo Ambiental.
  • Capítulo 13: Auditoria de Plano Corporativo Ambiental.
  • Capítulo 14: Modelos para Estudos Preliminares de Viabilidade Ambiental; Estudo de Impacto Ambiental; Relatório de Impacto Ambiental; Programação e Gestão de Audiências Públicas; Elaboração e Gestão de Projetos Ambientais; Levantamento e Gestão de Passivos Ambientais.
  • Capítulo 15: Desenvolvimento e Gestão de Plano Executivo de Gestão Ambiental de Obras.
  • Capítulo 16: Modelos para Elaboração e Gestão de Procedimentos Ambientais; Organização e Operação de Comitês de Gestão Ambiental e da Sustentabilidade; Organização e Operação de Ouvidoria Ambiental; Código de Conduta Ambiental; Gestão de Licenças Ambientais; Elaboração de Termos de Referência.
  • Capítulo 17: Aprendizado com a consultoria.
  • Capítulo 18: Estudo Preliminar de Viabilidade Ambiental do Planeta Terra.

O acaso e a amizade

Em 2011, executava um projeto de gestão ambiental de obras civis em 12 capitais brasileiras, quando fiz a primeira impressão dos manuscritos em uma laser comercial. Resolvi dividir a livro em cinco volumes. Assim, ficaria mais fácil mostrar apenas um volume a pessoas que conhecessem editoras.

De fato, já houvera definido uma editora desejada, mas não consegui acesso a ela. Alguns “amigos”, na “ânsia de ajudar“, disseram-me: “─ Fala com a Josefa em meu nome’, ela dirige a editora. Mas acho que não há interesse nesse assunto”. Foi uma ajuda motivadora. Sequer telefonei para a dita senhora, embora, então, trabalhássemos na mesma organização.

Todavia, em novembro de 2012, fui convidado pela Professora Paula Marinho para fazer uma palestra na Universidade Estácio de Sá, no Campus de Del Castilho. O tema era “O Mercado da Engenharia Ambiental”. Cheguei quase no horário marcado: às 19:10 horas. Tinha 45 minutos para dar o recado, pois havia dois palestrantes à espera, ambos professores da universidade: o Professor Padilha[2], então Coordenador Nacional de Engenharia, e o Professor Luis Mauro, Coordenador Local de Engenharia Ambiental.

Durante minha palestra, sempre a provocar aos alunos, notei que o auditório estava a lotar, inclusive com pessoas sentadas nas escadas, espremidas na porta de entrada e no corredor. Falei por cerca de uma hora e fiquei quase outro tanto a responder perguntas. Nenhum professor que aguardava sua vez me interrompeu por ter ultrapassado meus 45 minutos, ao contrário. Ao fim, recebi uma saudável salva de palmas dos universitários e professores presentes. Emocionei-me, é claro.

Entretanto, meu único foco era publicar o livro, que até mesmo já batizara de “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Sem dúvida, a palestra havia sido proveitosa, conhecera bons professores, mas, é daí? Cadê a minha editora?!

Mal sabia eu que o Professor Padilha, com quem conversara acerca da busca por uma edição de qualidade, tinha como velho conhecido o Diretor Editorial de um grupo que reúne 10 editoras de obras técnicas e científicas. E mais, que ambos eram formados e pós-graduados no IME, em Engenharia Militar.

Assim, mais tarde obtive a informação que o Professor Padilha, por mera questão do acaso, insinuara ao Professor Severo que havia no mercado literário um manuscrito órfão, merecedor da análise de alguma editora do Grupo Editorial Nacional – GEN (clique o link para conhecer). E deu certo!

Mergulho na edição

Dessa forma, graças a uma palestra sem pretensão, proferida em novembro de 2012, assinei contrato com a LTC Editora no início de fevereiro de 2013! Ou seja, como dezembro é mês de festas, o GEN solicitou meus manuscritos para análise em janeiro; e, em 6 de fevereiro, contratou a edição da obra. No máximo, gastou dois meses para tomar a decisão.

Arte da 1ª capa de AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

Se desejar adquirir, clique na capa

A vida de autor seria difícil não fosse a qualidade da equipe dedicada à edição de livros. Em meu caso, acrescento: não fosse a educação, a competência e a presteza de todos com que mantenho relações profissionais, desde o início de 2013 até hoje, decerto teria adoecido dos nervos.

De início, afobado e feliz, fiz em casa a revisão completa dos manuscritos e encaminhei-os à LTC. Em seguida, respondi às dúvidas da revisora oficial da LTC. Após essa etapa, coube a uma artista gráfica modelar a capa e o miolo do livro. Gostei muito do resultado: parece um quadro abstrato, mas, nitidamente, orgânico e biótico. Ilumina o espaço e se destacará nas estantes de livrarias e bibliotecas.

Neste momento, estou a finalizar a revisão das 636 páginas da obra, diagramadas no formato final para impressão industrial. Somente a partir de então os capítulos serão integrados numa peça única. Terei poucos dias para rever a obra inteira, de modo a que esteja pronta no dia 27 de julho próximo, seguindo o cronograma de trabalho da LTC Editora.

Lançamentos da obra

O Grupo Editorial Nacional não realiza o lançamento físico da obra. Usa apenas seus sites na internet e conta com uma ampla rede de livreiros. No entanto, auxilia aos autores a realiza-lo. Por isso, minha proposta é fazer diversas palestras sobre os temas tratados no livro e ter um livreiro presente para oferecer os livros. Obviamente, autografarei cada um.

Dessa forma, meu projeto é divulgar nacionalmente o trabalho. Programar com universidades, fundações, associações nacionaisinstitutos para lançar o livro após uma palestra.

Adquira a obra no link abaixo

Kohn de Macedo, R., AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão. GEN – Grupo Editorial Nacional, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos. ISBN 978-85-216-2731-9. Rio de Janeiro, RJ. 636 pg., Julho 2015. 1ª edição.

……….

[1] Professor Beaumord, Doutorado em “Ecology, Evolution and Marine Biology na University of California, Santa Barbara”. É docente pesquisador do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar), Universidade do Vale do Itajaí – Univali, bem como consultor internacional em ecossistemas aquáticos.

[2] Professor Padilha, Mestrado em Engenharia Militar pelo IME – Instituto Militar de Engenharia. É docente na Universidade Estácio de Sá – Unesa.

Sete bilhões de sonhos e um planeta: consuma com cuidado


Por Ricardo Kohn, Escritor.

Há cerca de 12.000 anos, final da Idade da Pedra, os homens reuniam-se em grupos, a vocalizar entre si para tentar o cerco do alimento: outros animais vivos. Traziam às mãos artefatos que produziam para a caça e a luta. Abatiam os animais necessários à alimentação e guerreavam contra os grupos que julgavam ser inimigos, pois teimavam em invadir sua área de caça. Todos eram nômades, formados por “caçadores-coletores”.

A síntese acima contém elementos capazes de mostrar que, além de ser membro da fauna pensante, apesar da comunicação precária, o homo sapiens já possuía certa habilidade de “planejar ações imediatas” para grupos de hominídeos similares a ele.

Dessa forma, acredita-se que o processo de estruturar e executar ações quase organizadas, é nativo dos humanos, intrínseco à sua origem como espécie evoluída de primatas no planeta. A inteligência sempre esteve presente em sua árvore genética.

A ser assim, pode-se inferir que o homem pré-histórico já pensava de que maneira poderia sobreviver no ambiente do planeta. Era como se construísse em seu cérebro um “plano ambiental” de curto prazo, com base em habilidades intuitivas. Tudo leva a crer que, por agir dessa forma, conseguiu manter-se como “espécie faunística não ameaçada” até os dias atuais, na figura do “homem de terno e gravata”: o homo sapiens moderno.

Para este artigo, a questão que se impõe é a seguinte:

Por quais motivos as ações realizadas pelo homem pré-histórico eram similares às de umgestor do ambiente”?

A resposta empírica a esta pergunta considera que o Homem, em qualquer tempo de sua história, somente permanece a existir, a partir das relações que mantem com o ambiente. Por isso, sempre elaborou e executou ações para recolher e transformar “bens ambientais finitos”.

Entretanto, esse processo de transformação intensificou-se com o tempo, função da crescente população humana e do anseio consumista. Cada vez menos, o ambiente do planeta foi tido como essencial à vida humana. Embora o homem seja parte do ambiente e precise dele para sobreviver, já é antiga a visão de que necessita ocupar mais espaço na Terra e mercantilizar seus bens ambientais primitivos: tornou-se um “caçador-extrator”. Hoje chama de “recursos naturais”, bens que são gratuitos e próprios do ambiente. Diz que são “recursos com valor monetário”.

Onde vivem os que consomem o planeta

Onde vivem os que consomem o planeta

As lições da estratégia de guerra formuladas por Sun Tzu, constante de seus escritos em “A Arte da Guerra”, datadas de 2500 anos atrás, têm abordagem ambiental. Os planos militares que as sucederam, ainda hoje, dão ênfase ao que o General Sun Tzu chamava “conhecimento do terreno”, ou seja, do ambiente.

Seguiram-se os planos empresariais, com vistas a remunerar a empresa pelos produtos e/ou serviços que oferece ao mercado – o que equivale às ações de alimentação do homem pré-histórico –, bem como “guerrear no mercado com suas concorrentes”. Todavia, sem armas, somente por meio da inovação e produtividade.

Da mesma forma, muito embora sem guerras, com vistas a manter estáveis os sistemas ecológicos que compõem o ambiente, o homo sapiens moderno criou Planos para a Gestão do Ambiente. Uma de suas finalidades é otimizar o desempenho de empresas produtivas, sobretudo, nas relações que realizam com os espaços físico, biótico e antrópico do ambiente.

Afinal, enquanto as empresas produziram, baseadas em planos particulares, não pensaram na estabilidade dos ecossistemas, de onde se apropriaram de bens a eles vitais. Com visão egocêntrica, consomem o ambiente de forma adversa, não raro conduzindo-o a níveis de total degradação de seus bens ambientais.

Cabe ao Homem moderno saber até onde pode consumir o Ambiente Finito do Planeta. Até por que, o valor dos atuais sete bilhões de sonhos é prisioneiro absoluto dessa finitude.

Atenção! ‘Quatro planos ambientais’


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Leia o prefácio de nosso próximo livro técnico.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que a população mundial esteja na casa dos 7,2 bilhões de pessoas. PrevêRicardo Kohn que alcance a 8,2 bilhões de habitantes até 2025, devendo chegar a 9,6 bilhões, em 2050. A ser assim, a cada século que passa o espaço terrestre per capta reduz-se de forma significativa.

Porém, desde há milhões de anos que a Terra possui a mesma superfície, limitada em cerca de 510 milhões de km2. É composta por água e solo. Foi a evolução da dinâmica entre esses dois fatores, junto com sua atmosfera, que permitiu a instalação da flora no planeta e que sua fauna florescesse. Culminou com os primatas hominídeos, classe faunística em que, até agora, o homem é o fim da linha desta evolução.

Todavia, a partir de meados do século 19, após a consolidação da Revolução Industrial, a Terra começou a dar sinais mais nítidos de que a presença do homem, com suas habilidades construtivas e produtivas, precisava ser muito bem planejada. Sobretudo, no que concerne ao uso e alteração de seus fatores físicos: o ar, a água e o solo, que constituem o substrato da vida da flora, da fauna e do próprio homem.

Desde então, as habilidades da inteligência humana transformam “bens ambientais”, que são essenciais à evolução do Ambiente do planeta, em “recursos naturais” com valor econômico. Recursos estes, tratados como se fossem ilimitados, que após processados são oferecidos ao mercado de consumo, como “produtos de valor agregado”.

Em boa parte, o processo da transformação de bens ambientais em produtos com valor agregado é aceitável, desde que obedeça a certas condições restritivas. A mais relevante é o nível de desempenho ambiental alcançado pelo processo: precisa ser positivo para o Ambiente, sem causar rupturas nas relações ambientais impostas pelo homem aos demais fatores ambientais envolvidos: ar, água, solo, flora e fauna. Do contrário, fatos ocorrentes mostram que todos os bens e fatores serão extintos: não haverá produtos e valor, não haverá mercado. Ter-se-á tão-somente impactos ambientais negativos, a construir a chamada “terra arrasada”.

A visão do desenvolvimento que foca apenas a Economia como seu fundamento é majoritária no mundo. Mas também são conhecidos os efeitos nocivos desta abordagem. Nações frágeis, na miséria, como ocorre na África subsaariana. A pobreza crescente que se irradia pelas castas inferiores da Índia que, aliás, enriquece. Os investimentos brasileiros que redundam em obras megalômanas interrompidas, a corrupção instalada, a demolição sumária do Ambiente e o alto risco para a geração mínima de empregos são fenômenos ambientais comprovados e, de fato, indiscutíveis.

É paradoxal que o homem impacte de forma tão adversa o Ambiente que a ele deu origem e permite que beneficie a qualidade de sua própria vida. Afinal, é da qualidade do ar, da água e do solo que sobrevém a qualidade da vida na Terra: da flora, da fauna e do homem. Há que se trabalhar rapidamente para garantir a estabilidade de todos.

A contribuição teórica e prática a que se propõe o livro “Os Quatro Planos Ambientais” é fornecer ferramentas de gestão desenhadas para manter a estabilidade do Ambiente e de seus espaços – físico, biótico e antropogênico –, enquanto as relações ambientais realizadas entre os variados ecossistemas são mantidas na sua melhor plenitude.

Dessa forma, a Economia é um dentre os diversos segmentos ambientais antropogênicos a serem planificados, tais como: demografia, educação, saúde, segurança, uso e ocupação do solo, infraestrutura logística, infraestrutura de transporte, arqueologia, cultura, sociologia e antropologia.

O livro detalhará como os ‘quatro planos ambientais’ devem ser desenvolvidos, implantados e geridos através de seus resultados, segundo sua programação. Têm níveis e finalidades distintas, podendo serem adotados pelos setores público e privado. São eles:

  • Plano Corporativo Ambiental (PCA), para proporcionar a empresas públicas e privadas o estabelecimento de alvos estratégicos, táticos e operacionais a serem alcançados e as medidas necessárias para realiza-los. Além disso, sem perda de sua efetividade, pode ser adaptado para atender a governos nacionais e estaduais.
  • Plano Executivo para Gestão Ambiental de Obras, com estrutura similar à do PCA, é destinado a empresas de construção civil e montagem, com vistas à minimização ou anulação de impactos adversos proporcionados pelas obras em geral.
  • Plano para Gestão da Sustentabilidade, é destinado a governos municipais e grandes propriedades rurais. Parte das vocações ambientais e geoeconômicas do território, define alvos táticos, metas operacionais, programas e projetos e, se necessário, convida investidores a aportarem recursos com o retorno proporcionado pelo mercado.
  • Plano de Análise e Gestão de Riscos e Impactos Ambientais, que deve ser adotado por empresas que possuam processos e atividades com perigos, riscos e impactos adversos associados.

A crescente demanda não atendida por água, energia e alimentos pode tornar a Terra um planeta ingovernável. Sem planejar suas ações para médio e longo prazo, o homem caminha para o caos. Afinal, a ciência que desenvolveu ainda não construiu um “puxadinho terrestre” para esconder seus lixos e excessos.

Ambientologia


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

Há algumas décadas é observado o aumento das preocupações do homem com o destino da Terra. Não por força de agentes cósmicos, externos ao planeta; mas pela ação desastrada de atores internos. Mesmo o “homem comum” – aquele que não adquiriu conhecimento sobre a dinâmica do ambiente da Terra –, com ímpetos de solidariedade ao próximo, arrisca palpites e soluções caseiras, que chama de “sustentáveis”.

A dinâmica da Terra resulta de sua estrutura física e de sensibilidades nela identificadas por diversas ciências. Sobre essa dinâmica já foram publicadas toneladas de literatura científica e analítica. Contudo, todas são obras específicas; seus autores tratam o ambiente através dos espaços e segmentos que conhecem. Por exemplo:

  • No espaço físico tratam da climatologia [meteorologia], hidrologia, oceanologia, geomorfologia, geologia [vulcanologia], geotecnia, pedologia, qualidade físico-química da água, etc;
  • No biótico abordam a ecologia, a qualidade biológica da água, vegetação, botânica, fitossociologia, mais as várias classificações da fauna silvestre [mastofauna, avifauna, primatofauna, herpetofauna, ictiofauna, entomofauna, anurofauna, malacofauna, etc];
  • No antropogênico discorrem sobre a demografia, economia, educação, saúde, uso e ocupação do solo, infraestrutura logística, infra de transporte, segurança, arqueologia, cultura, sociologia e antropologia, dentre outros.

Cada profissional dessas áreas oferece uma explicação um tanto limitada para a dinâmica do ambiente. Mas não há dúvida que a ênfase dessa explicação resulta da formação acadêmica que cada autor recebeu, bem como do tempo de experiência que dispendeu em trabalhos específicos.

Adoto um conceito para Ambiente[1] (nota de rodapé) que mostra o que é necessário para entender e prever o comportamento da Terra ou de qualquer de suas áreas e regiões.

Dessa forma, com base em experiências pregressas na execução de trabalhos ambientais, creio ser complexo produzir uma boa visão global da dinâmica aleatória do ambiente. Ou seja, diagnosticar os processos que nele ocorrem, bem como ressaltar seus aspectos essenciais.

Ao longo dos últimos 30 anos, o melhor relatório-produto que pude ler nesta matéria, foi obra de uma rara equipe técnica, composta por 40 consultores. Por sinal, muito bem gerida pelo saudoso e memorável engenheiro, o também oceanógrafo, Fernando Penna Botafogo Gonçalves, a partir de 1986.

Nossa equipe, por definição, teria de ultrapassar sérios obstáculos para obter os resultados esperados pela chefia, tais como:

  • O estudo a ser realizado era para o projeto executivo[2] de uma Usina Hidrelétrica, a ser construída na Amazônia;
  • Nenhum de seus membros havia participado antes da elaboração de qualquer estudo ambiental, inclusive o mestre Botafogo, chefe da Divisão;
  • Apenas três dos 40 profissionais contratados conheciam-se entre si. Os demais eram desconhecidos, estranhos no ninho;
  • A maioria da equipe era recém graduada, sem experiência de trabalho na consultoria. Contudo, quatro dos inexperientes tinham curso de pós-graduação completo.

Em tese, minha função era assessorar a Botafogo: na programação das tarefas da equipe; na gestão dos trabalhos de campo; na análise dos resultados obtidos; e na integração dos relatórios produzidos pelas chefias dos setores físico, biótico e antropogênico.

Digo, em tese, por que isso não ocorreu “conforme combinado”. Posso explicar. Com calma e competência, Fernando arregaçou as mangas e assumiu a liderança direta dos trabalhos. Foi a campo aprender como deveriam ser realizadas as campanhas na mata amazônica e quais seriam as fórmulas para diagnosticar a dinâmica daquele ambiente. Por fim, delegou várias missões a cada membro de sua equipe.

Fazenda Boa Vista, tomada da Pousada

Com essa delegação, realizada à vera, a equipe foi obrigada a compartilhar conhecimentos; todos passaram a se auxiliar mutuamente, ou seja, a trabalhar juntos. Assim, em apenas três meses, os desconhecidos tornaram-se uma família de trabalho.

Entretanto, quando tudo entrava nos eixos, o Engo. Botafogo mudou minhas atribuições no trabalho. Disse-me que, dado meu interesse em elaborar metodologias e modelos, gostaria que eu trabalhasse no desenho de um Modelo para Avaliação e Gestão de Impactos Ambientais, desde que produzisse resultados consistentes.

Após quase dois anos de desenvolvimento, o modelo foi consolidado e ganhou o apelido de ‘MAGIA’. Funciona até hoje, tendo recebido ajustes e vários adendos. Por fim, tornou-se um livro técnico, a ser lançado em 30 de junho deste ano. Falo sobre isso ao final deste artigo.

Mas não criamos a Ambientologia

Trabalhei com Fernando Botafogo na consultoria de projetos, em várias empresas, desde 1972. Junto com nossas famílias, pudemos construir uma sólida amizade. A meu ver, tornou-se o irmão mais velho, dono de criatividade profissional que a todos impressionava.

Por volta de 1990, estava em sua casa de pescador, na lagoa de Araruama, quando iniciamos uma conversa sobre as inúmeras “logias” que os estudos ambientais requerem para serem elaborados, tais como: climatologia, hidrologia, geologia, geomorfologia, pedologia, ecologia, limnologia, fitossociologia, sociologia, arqueologia e assim por diante.

Sem assumir compromissos, nossa ideia era pensar sobre a possibilidade de existir uma ciência que fosse capaz de reunir o conhecimento de todas as Ciências do Ambiente. E foi entre areia, sal e as conchas secas da lagoa, que Botafogo encerrou a conversa:

─ “Ricardo, haveria de ser uma ciência imensa. Raciocine comigo: para uma equipe de 40 pessoas, só no curso da graduação os alunos teriam de estudar durante 160 anos! De toda forma, sugiro que tenha como títuloAmbientologia’. É justo para que essa inteligência tão desejada seja elaborada um dia. Todavia, preste atenção: que eu saiba, ainda não é possível desenvolve-la”.

Pensei nessas palavras durante mais de uma década. Concordei que 40 cursos de graduação demandariam, no mínimo, 160 anos para serem concluídos. Além disso, sem considerar o tempo de vida médio do ser humano (estimado em 79 anos), creio que são raros aqueles dotados de capacidade cognitiva para absorver tanta ciência. E mais raros ainda, se é que existam, os que conseguiriam integra-las em uma única ciência ambiental.

Até onde consegui chegar

De toda forma, segui a trabalhar no desenvolvimento de metodologias para aplicação no setor ambiental. Desejava oferecer a meus clientes novas soluções práticas, de preferência menos custosas e mais rápidas em gerar resultados.

Mas somente em 2012 notei que já houvera elaborado uma boa quantidade de abordagens teóricas e as aplicara com sucesso no mercado consultivo (Brasil, Chile, EUA, Espanha e Itália). Entendi que podia ser boa hora para publicá-las em um livro.

Assim, perguntei a Antônio Carlos Beaumord, um velho amigo dos anos 80 – então com título de “Doctor of Philosophy in Ecology, Evolution and Marine Biology” –, o que deveria fazer para conseguir uma editora que publicasse meu livro. A obra tinha 737 páginas de papel A4, organizadas em 18 capítulos.

A princípio, Beaumord me disse que seria mais fácil verter o livro para o inglês e publica-lo na Califórnia! Lá ele tinha diversos parceiros acadêmicos, que conhecera durante o doutorado. Nos Estados Unidos é normal que um professor se disponha a auxiliar na 1ª edição de bons livros técnicos, disse-me ele.

Porém, após ler os manuscritos, concluiu que tanto a envergadura do trabalho, a profundidade da narrativa, o nível de detalhes no tratamento das metodologias, os estudos de caso reais apresentados, bem como a qualidade pedagógica, dotavam o livro do mérito necessário para ser publicado:

─ “Sem dúvida, trata-se de trabalho que pode se tornar livro texto em cursos superiores sobre a Gestão do Ambiente e da Sustentabilidade. Atende aos preceitos da Academia, seja a brasileira ou a norte-americana”, ponderou o Professor Beaumord.

Edição e publicação do livro

Mas foi através da iniciativa do Professor Padilha, então membro do Centro de Conhecimento em Exatas e Engenharias da UESA, que a possível edição de meu livro teve início em 7 de novembro de 2013. A Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos, a pedido do “Mestre Padilha”, recebeu-me para uma conversa acerca das finalidades de meu manuscrito.

A Diretora Editorial da LTC, Professora Carla Nery, conduziu a reunião. Recordo-me que me foi solicitado responder ao “Formulário para Proposição de Obra“. Conforme acordado, junto com o formulário preenchido, enviei informações complementares: meu currículo profissional, a visão do mercado potencial do livro, a análise de pontos fortes e fracos da obra, das ameaças e oportunidades potenciais previsíveis, as formas de solução, etc.

Em 28 de janeiro de 2014 recebi a grata notícia de ter meu trabalho aprovado para publicação pela Editora LTC. Surpreendeu-me. Sim, por que nunca passara por um processo editorial analítico daquela qualidade, com tantas exigências. Por fim, pelo fato de editar e publicar no Brasil, com elevado padrão de excelência, sem arcar com qualquer custo.

Enviei à editora os originais do livro ao longo do mês de março de 2014. Cumpri com todos os padrões e a sequência editorial por ela estabelecidos: caderno-zero; 18 capítulos; e caderno pós-texto. Desde então mantenho contato com as coordenações que trabalham no processo de produção do livro. A primeira previsão de lançamento da obra ficou para trás, em setembro de 2014. A segunda, não aconteceu como prevista, em março passado. A terceira, que deve finalmente ser cumprida, soube que está garantida para 30 de junho de 2015!

E este será meu próximo livro: “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos. 650 pg. 1ª Edição”.

Após 42 anos de trabalho na consultoria de estudos e projetos, enfim descobri que a Ambientologia, como apelidada por Fernando Botafogo, não é uma ciência ambiental em si, tal as demais. Mas é uma sólida teoria, capaz de gerir a aplicação simultânea de todas as Ciências do Ambiente. Quatro anos de estudo dedicado são mais do que suficientes para seu pleno aprendizado.

……….

[1] Ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (ar, água, solo, flora, fauna e homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como devem ser analisados segundo seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

[2] Quero destacar um fato que considero de expressiva importância. Nos idos dos anos 60, 70, 80 e 90, século passado, projetos executivos eram desenvolvidos por empresas de engenharia consultiva. As empreiteiras se limitavam a construir e não “obravam” sem eles. O Brasil ainda operava como os países mais preparados para o desenvolvimento da “engenharia de precisão”.

Violenta erupção nos Três Poderes


Zik-Sênior, o Ermitão.

O desejo científico de geólogos e vulcanistas é descobrir como prever erupções vulcânicas com antecedência. Afinal, existem muitos povoados e mesmo cidades que ficam no sopé desses montes “vomitadores de lava”. Salvar pessoas é o principal objeto dessas previsões.

Um vomitador de lava em ação

O vomitador de lava em ação

Terremotos são ainda mais inescrutáveis para os cientistas da sísmica. É fácil afirmar que algum dia vão ocorrer em certas regiões da Terra, como no “Círculo de Fogo do Pacífico”. Mas ainda não há como determinar a data do evento, sua intensidade e muito menos onde será seu epicentro, bem com a que profundidade acontecerá. Só é sabido que os que ocorrem em menores profundidades causam maiores transformações no Ambiente. São as forças da natureza primordial a se manifestarem.

Todavia, há um “boato científico” no ar. Diz que certas espécies da fauna silvestre se evadem de áreas sensíveis, dias antes de terremotos e erupções vulcânicas ocorrerem. Acho ser boato porque nenhuma experiência realizada foi capaz de confirmar essa estória. Porém, assisti a uma “cerimônia” assaz curiosa: o serviço de xamãs andinos e seus pássaros-videntes, aprisionados em gaiolas. De posse desse “equipamento técnico”, os xamãs diziam ser capazes de prever eventos geológicos, aéreos e marinhos, com ocorrência aleatória no Ambiente da Terra, desde sua formação.

Assim, após uma sessão de cânticos rituais, cada vez que os pássaros sangravam contra as grades da gaiola, os “profetas espirituais” datavam e localizavam terremotos, maremotos, vulcanismos, tufões e tsunamis futuros. A verdade é que nenhum deles aconteceu, pelo menos conforme fora profetizado.

Mas é dessa maneira que os atuais xamãs políticos ganham a vida: através de “serviços” fornecidos por quadrilhas de profetas, a enganar o povo com seus “cânticos de palanque”. Mas há um detalhe que deduzi em minhas investigações. Eventos ambientais, que antes tinham origem estritamente geológica – erupções vulcânicas e terremotos –, ganharam também origem cidadã. Hoje podem ser marcados, datados e localizados com quase 100% de certeza. Por isso, dadas as severas fraturas morais promovidas pelo governo central, está marcada para outubro de 2018 uma grande erupção político-vulcânica que afetará a todas as “estruturas” do país. Seu horário de início está marcado para as 8:00 horas da manhã. Após esta erupção, acontecerá uma sequência de violentos terremotos, com epicentro em todas as capitais estaduais.

Por fim, ocorrerá o Terremoto Brasil, que irá sacudir de forma devastadora o planalto central do país. Porém, os cidadãos brasileiros conduzirão seu epicentro para cinco metros abaixo da Praça dos Três Poderes. Dessa forma, como é esperado, seus efeitos locais serão, por sorte, devastadores.

‘Maravilha’


Por João de Moura Macedo, de Nazareth da Mata, PE.

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Este breve relato é sobre uma nação muito pouco conhecida, mas que, em minha visão, é o “País da Maravilha“. Faço um resumo de tudo o que li acerca dessa inacreditável nação. Devo dizer que procurei selecionar seus aspectos de maior interesse.

Assim, tento mostrar a imensidão de seu território e a qualidade de seu ambiente; o terreno exclusivo que possui para acolher vegetação e fauna silvestre; e, bem assim, as linhas básicas de convivência de seus cidadãos, os dignos maravilhenses.

Nesse relato optei por seguir a sequência aceita como a história da formação do Ambiente da Terra, assim sintetizada:

  • Primeiro, aconteceram choques entre gigantescos blocos de rocha no espaço sideral, o que veio a dar origem a seu furioso Espaço físico: extremos tremores das rochas que se acomodavam, com fortes emissões de gases e lava, até tornar-se um colosso geológico;
  • Em seguida, após 2,5 bilhões de anos, encerrou-se o resfriamento da crosta colossal, bem como a formação de sua atmosfera. Assim emergiu a vida, o Espaço biótico, que teve origem em pequenas algas marinhas: as cianofíceas;
  • Por fim, estimados a partir da sua origem física, 5,5 bilhões de anos depois, emergiu a bravata do Espaço antropogênico, onde os humanos são os desastrados construtores.

Contudo, embora esta sequência também haja ocorrido na Maravilha, nela não aconteceram as deformações provocadas pelo homem. Seu ambiente ainda é o primitivo e, em grande parte, intocado.

Por isso, acredito que esse documento possa servir de parâmetro para avaliar a humanidade e a educação em mais de 160 países. Devo dizer, países ainda “repetentes no curso primário” promovido pelas Nações Unidas, desde 1945. Tenham a santa paciência, vão catar coquinhos, 70 anos de repetência é motivo para jubilação!

Espaço físico

A sorte geográfica desta nação foi absurda e, de certo modo, ingrata com a maioria dos países do globo. Imagine: seu território se estende por uma área de 8,5 milhões de km2! De norte a sul, o litoral maravilhense possui 9.200 km de extensão, com belezas cênicas inigualáveis.

Nele existem pequenas montanhas, falésias, planícies costeiras, milhares de enseadas, um estuário de mar aberto, dezenas de arquipélagos, centenas de manguezais e até regiões com o litoral rendilhado pelo artesanato da natureza.

O clima da Maravilha apresenta magníficas variações, do equatorial ao frio, com classes intermediárias bem definidas: tropical, subtropical, semiárido e temperado. Isso mesmo, condições de tempo que vão do clima tórrido até geadas e neve.

Na Maravilha não existem vulcões ativos. Todos são morrotes extintos há milênios. Em seu território e na sua costa marítima nunca ocorreram ventos fortes como tufões, ciclones ou furacões. Por outro lado, a Maravilha detém as maiores reservas mundiais de nióbio, vanádio e outros metais estratégicos, afora manchas das chamadas terras raras.

Afirmam pesquisadores do espaço físico que a Maravilha detém 12% da água doce do planeta. Pois, a caminhar terra adentro, é surpreendente o grandioso volume de água com que se depara. São rios, lagos, cachoeiras, riachos, corredeiras e lagunas marginais, todos a transbordar água mineral nativa, pura e potável. É incrível!

Por sua vez, seus solos são profundos em pelo menos ¾ de seu território. Além disso, possuem variados nutrientes, que não cabem ser enumerados aqui. Mas sua composição em nitrogênio, potássio e cálcio é de tal ordem estabilizada, que os torna aptos para a produção espontânea de vegetais e frutos comestíveis.

Essa é a síntese do que a Maravilha oferece como substrato físico à evolução de todas as espécies vivas nela ocorrentes.

Espaço biótico

Grandes manchas vegetacionais ocupam 85% do território maravilhense. Dado seu relevo “de suave a ondulado”, suas notórias vocações climáticas, mais o volume de água que se espraia por seu terreno e a notável qualidade de solos, as coberturas da flora possuem elevada biodiversidade, a apresentar biomas com grande extensão e complexas relações entre suas espécies – fitossociológicas.

Já a fauna ocorrente na Maravilha é soberba, tanto em sua abundância, quanto na extrema diversidade. Seus espécimes tentam encontrar na variedade de florestas, matas, savanas e campos existentes seus habitats ideais, feitos pelo acaso e sob medida.

No entanto, embora as regiões que são cobertas pela vegetação sejam de grande extensão, não é fácil para os incontáveis espécimes da fauna silvestre (mastofauna, avifauna, ictiofauna, primatas, herpetofauna, entomofauna, aracnofauna, malacofauna e anurofauna, dentre outras classes) permanecerem no mesmo “espaço domiciliar”, pois ocorrem os conflitos normais, por vezes, letais.

Mas, ao fim e ao cabo, é a seleção espontânea imposta pelo ambiente que desafia quais espécimes possuem habilidades para se adaptar, sobreviver e procriar.

Vale dizer, o povo maravilhense tem plena consciência da importância desse patrimônio ecológico e o mantém praticamente intacto, há séculos, sem necessidade de leis, polícias e ameaças. Procedem assim por que é um costume incorporado em cada cidadão, após 500 anos de democracia liberal.

Espaço antropogênico

A propósito, depois de criada a democracia ateniense, por volta de 2.700 anos atrás, com base nas propostas de dois pensadores gregos, Sólon e Clístenes, a Maravilha foi a primeira nação do mundo a constituir-se Estado Liberal Democrático, em 1515.

Desde então, nunca foi colônia de outro país, nem pensou em colonizar terras além mar. Sua única constituição federal está impressa em apenas uma folha de papel e até hoje não sofreu qualquer emenda. Por isso, os cidadãos maravilhenses recitam-na de cor, como o poema que mais lhes aprazem.

Na Maravilha não existem leis ou decretos públicos. Ela é regida conforme os costumes de seu povo que, desde sua origem, elegeu uma assembleia nacional para coordena-lo, sem a participação do que chamam grupelhos políticos. Essa instituição não possui um “mandato” e seus membros não recebem qualquer remuneração, apenas uma justa e pequena ajuda de custo.

Contudo, precisam ser substituídos por força da democracia liberal. Por exemplo, há saídas para resguardar intacta a missão assumida por alguém, que não a concluiu dentro do prazo. Há saídas espontâneas, pois qualquer membro sente-se eticamente motivado a substituir a si próprio, quando encontra um cidadão mais útil do que ele, que atenda melhor à sociedade maravilhense. E, por óbvio, acontecem as substituições por falecimento.

Desde seu nascimento como Estado, a constituição maravilhense (1515), redigida em praça pública, estabelece por consenso que serviços de educação e saúde são os pilares básicos de sua governança e evolução. E assim o é, até hoje.

Dessa maneira, não existe um único analfabeto perdido em seu território nacional. Todos os maravilhenses completaram, no mínimo, o ensino médio. E o que é mais notável: 95% deles possui pelo menos um título superior em Gestão do Ambiente, Medicina, Engenharia e Matemática Aplicada. Somente a graduação nessas áreas requer 8 anos de cursos intensivos, teóricos e práticos. A partir daí, formaram-se mestres e doutores, aos pelotões.

Para se ter uma medida, nas cidades maravilhenses existem mais bibliotecas do que lojas de loteria no Brasil inteiro! São instituições públicas, que recebem toneladas de livros de todas as nações cultas do mundo. Afinal, em média, o maravilhense sabe ler, escrever e falar com fluência pelo menos cinco idiomas, além da língua materna.

O hábito de ler, interpretar e aprender é uma tradição de cinco séculos naquela nação. Nas ruas e campos vê-se, diariamente, uma grande quantidade de pessoas a aprender com um livro às mãos. Por força de vários fatores, inclusive a bendita sorte, tornou-se uma epidemia nacional, sem condições de retorno à origem do homo sapiens, insipiente e destruidor agressivo.

Afinal, o que é a Maravilha?

É fruto da exuberante educação construída e distribuída a seus cidadãos, durante séculos. Os maravilhenses souberam organizar suas cidades em pequenas áreas, de forma a não destruírem seu santuário ambiental, tanto o físico, quanto o biótico. Saliento que sua divisão “geopolítica” possui somente dois níveis: o Estado maravilhense e suas cidades. Não existem os estados e os municípios.

Portanto, nunca houve governadores e prefeitos, deputados e vereadores. Eles eliminaram os gastos com o que chamam de “maldita máquina pública”. Para eles são apenas máquinas de produzir burocracia e confusão, enfim, “instrumentos da corrupção”.

As casas, equipamentos urbanos e serviços de uso público foram erigidos entre a vegetação nativa, de modo a mantê-la de pé. Por sinal, em cada cidade está instalado um viveiro de mudas de espécies nativas. São milhares de viveiros implantados na Maravilha. Assim foi criada uma de suas principais fontes de riqueza, pois exporta toneladas de mudas para países civilizados que desejam reflorestar seus territórios.

Os cidadãos maravilhenses são vegetarianos há séculos. Não há gado de corte no país. Em troca, cada cidade possui grandes hortas comunitárias, plantadas em harmonia com a mata. Se for feito um sobrevoo sobre a Maravilha, somente ressaltarão aos olhos do observador somente seus polos industriais, aeroportos e portos. Criará uma sensação curiosa: para que servem industrias e aeroportos se não existem pessoas?

A produção de energia elétrica do país adotou uma solução óbvia. Cada casa, unidade produtiva, unidade de serviço público produz a energia que consome. Há mais de século, cientistas maravilhenses desenvolveram fontes eólicas, solares e de biomassa, visando a consumidores de pequena e média envergadura. Portanto, não existem linhas de transmissão a atravessar o território da Maravilha.

Inversamente, a segurança pública possui uma solução antiquada, creio eu. Como a principal fonte de receita do país é o turista estrangeiro, que possui “costumes estrangeiros”, é o exército quem faz a segurança, pois lá não existem polícias. E ele mantém a tradição medieval da pena de morte para tudo o que a assembleia nacional considerar “crime contra a pátria“.

Não vou entrar no mérito dessa questão, mas há um benefício econômico para a nação: não existem penitenciárias, prisões, celas ou qualquer gênero de “armazém de criminosos”. Além disso, para desmotivar eventuais “intrusos”, todas as famílias do país possuem armas de fogo em casa. Entretanto, a taxa de criminalidade no país é zero e o tempo de vida útil do maravilhense é de 95 anos.

Concluo que essa foi a forma democrática e liberal que o povo do País das Maravilhas escolheu para viver, desde 1515. Suas comunidades são saudáveis, cultas, humildes e muito sociáveis. São capazes de criar soluções, simples ou complexas, que aumentem a produtividade de sua economia, bem como a qualidade de suas vidas. Dessa forma, deixo questões que não consigo responder:

─ “Por qual motivo os países associados às Nações Unidas não adotam essa forma digna de viver”? “Por que preferem se destruir e se corromper com extrema naturalidade“?

Concessões públicas ‘definitivas’


Empresa privada e economia de livre mercado são termos inadmissíveis para o “altruísmo” de líderes socialistas e comunistas. São expressões insuportáveis para ideólogos cubanos, norte-coreanos, venezuelanos e russos, que impõem a seus povos, se necessário pela força das armas, o que ainda chamam “ditadura do proletariado”!

Em nenhuma hipótese, admitem que grupos de pessoas tenham liberdade para se organizar, produzir e comercializar os produtos de seu trabalho. Segundo eles, essa prática precisa ser erradicada da face da Terra. Somente o Estado possui esse direito, inalienável e intransferível. Por óbvio, sob seu poder centralizado, todo o povo deve sentir-se feliz por ser operário do Estado.

A sociedade organizada a trabalhar com liberdade

A sociedade organizada a trabalhar com liberdade

Contudo, mesmo submisso a essa filosofia de escravização, há exceções. É o caso da Rússia, onde existem os imperadores do petróleo, único produto que exporta, além dos armamentos bélicos produzidos pelo Estado.

Observa-se que as poucas nações comunistas, que conseguiram sobreviver à consolidação mundial da economia de livre mercado, encontram-se em processo de decadência ou até mesmo de autodestruição – Venezuela, Coreia do Norte e Cuba.

Mesmo assim, há líderes do 3º mundo que, embora “governem” democracias capitalistas, têm pretensões ditatoriais e, se houver espaço, de implantar o comunismo, ainda que travestido de “populismo interventor”. Argentina e Brasil são dois exemplos que se destacam pelo triste estágio de decadência moral, política e econômica a que já chegaram.

Ocaso brasileiro

O aumento de tributos, tarifas públicas e cortes orçamentários recém realizados, demonstram que a economia encontra-se “quebrada”, em forte recessão. Em síntese, o desgoverno federal precisa “fazer caixa” com a máxima urgência.

Porém, não se crê que as medidas econômicas adotadas sejam suficientes para esse fim, uma vez que a oferta e consumo de bens e serviços encontram-se em queda vertiginosa. A única ação inteligente é retirar das patas do governo as empresas estatais e bancos públicos.

É fácil justificar essa posição. Em 2014, o déficit primário brasileiro foi da ordem de US$ 18,5 bilhões. A compara-lo apenas com o escândalo da Petrobras, se a “superavaliação de ativos” da estatal foi da ordem de US$ 88 bilhões[1], quantos bilhões terão sido pagos de propina às quadrilhas do planalto central?

Agora, imagine quais serão os efeitos para o crédito internacional do Brasil com o escândalo que decorrerá da soma do Petrolão com eventuais propinas das obras realizadas nos setores elétrico, rodoviário, ferroviário, aeroviário, esportivo e do paquidérmico PAC.

Não é necessário sequer pensar em “malfeitos” que tenham sido cometidos através da Caixa Econômica e Banco do Brasil. Basta apenas não esquecer que sua gestão é pública e ambos pertencem ao mesmo desgoverno interventor.

Concessões públicas definitivas

Essa é a escolha que se faz com relação a empresas estatais e bancos públicos: licitar suas “concessões definitivas” para investidores privados. Na linguagem da economia do livre mercado, privatizar tudo o que não é propriedade adequada de um Estado nacional decente, muito menos do Estado-corrupção brasileiro.

Os frutos econômicos desta privatização “ampla, geral e irrestrita” trará vários benefícios ao país, mas destacam-se dois: (i) cobrir com folga o “rombo de caixa” existente; (ii) eliminar sumariamente os processos de corrupção continuada que assolam empresas e bancos “dominados” pelo governo.

Dessa forma, o Estado fica tão-somente com os encargos da governança pública, tais como: relações com a sociedade, estratégia pública, planejamento, saúde, segurança, macroeconomia, relações internacionais, defesa e, acima de tudo, educação de primeira qualidade. Caso contrário, manter as quadrilhas no poder, será como permitir que se instale uma doença maligna na “Evolução das Espécies”:

─ “Os bebês ao nascerem baterão a carteirado obstetra”.

……….

[1] Nota: para ler mais detalhes clique aqui.

O Risco de Rotular


Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Para que entendam o que chamo “risco de rotular”, vou tomar como exemplo o trabalho de notórios cientistas que estudaram a Geologia da Terra. Em algum momento reuniram-se no campo para descobrir como, quando e por quê ocorreram mudanças significativas nas feições físicas do planeta: seus mesoclimas, suas rochas, seus solos e suas águas abundantes.

Após milhares de pesquisas de campo e incontáveis análises laboratoriais, concluíram que deviam classificar as variações periódicas sofridas pela geologia do planeta em quatro intervalos de tempo geológico, do mais amplo ao mais específico: Éon, Era, Período e Época foram os rótulos escolhidos para localizar no tempo a mudança geológica do planeta, ocorrida desde sua formação, estimada em 4,5, bilhões de anos passados, até a atualidade.

Por acaso encontrei um relógio que marca a História Geológica da Terra, o que facilitou-me a compreensão sobre o processo da Transformação do Ambiente Planetário. Sugiro que, para melhorar o entendimento, entrem neste link: Escala de Tempo Geológico. Diria ser necessário a leigos na matéria, tal como eu.

A ser assim, vive-se na Era Cenozoica, Período Neogênico, Época Holocênica. Até agora, o principal evento planetário ocorrido durante o atual Holoceno, também rotulado por Quaternário, foi o degelo da Terra (rotulado “fim da Era do Gelo”) e a expansão da dita civilização humana. Foi aí que se deu o maior perigo: a invasão dos sapiens. Porém, não se trata de “perigo geológico”. Significa “perigo de apedeutismo”, pois a maioria da população mundial ainda sequer foi civilizada, que dirá educada.

Há “cientistas”, que presumo salientes, a dizer que já se vive no Antropoceno, época em que as transformações planetárias seriam proporcionadas pelo “Homo sapiens”. Dizem que teria iniciado no século XVIII, com a Revolução Industrial, ocorrida na Grã-Bretanha.

Discordo frontalmente que o dito Antropoceno seja uma Época Geológica, que tenha no sapiens o único ou principal responsável. Afinal, que eu saiba, o Homem não é um ente geológico, a erupcionar, emitir trilhões de toneladas de gases de enxofre, calcinar a atmosfera, destruir rochas, mover continentes e oceanos.

Sem o auxílio considerável das Forças do Ambiente parece-me incapaz de “mudar as feições físicas do planeta”. Por enquanto, na minha lógica, o Antropoceno não passa de um rótulo arriscado, mera retórica de alarmistas.

Os “defensores do Antropoceno”, insuflados por jornalistas, defendem-no pelos impactos que dizem ocorrer na Terra, onde destacam o tal Global Warming. Por sinal, pela ignorância predominante, tornou-se o aterrador Aquecimento Global Antropogênico.

Com o medo crescente do dito aquecimento dos oceanos, a morte de peixes em caldeirões marítimos fervilhantes tornou-se o roteiro cinematográfico de meus pesadelos sistemáticos. Não conseguia dormir e passei várias madrugadas a andar na praia. Meu mais velho, preocupado com minha saúde, avisou-me que haveria um encontro de cientistas no Brasil para esclarecer esse “danoso boato“. Disse-me que eu deveria ir.

Assim fiz. Arrumei a maleta e segui para Recife. Consegui hospedagem num pequeno casebre na Praia de Porto de Galinhas. Um ambiente maravilhoso que, de chofre, anulou-me a insônia. Assisti a várias palestras sobre a hipótese da mudança climática. O “fim do mundo num buraco quente“, como rotulado de forma intempestiva por Al Gore, o Presidente do Global Warming. De clima o gajo nada entendia, porém, como artista do cinema mudo, até que não foi tão ruim.

Mas uma palestra pareceu-me precisa. Foi feita pelo Professor Dr. Luiz Carlos B. Molion, do Instituto de Ciências Atmosféricas. Em síntese, sobre o aquecimento global, disse ao plenário da academia, a comparar dados meteorológicos de 2013 e de tempos longínquos [1]:

“… as temperaturas da Terra já estiveram mais altas, com concentrações de CO2 inferiores às atuais. Portanto, não é possível afirmar que esteja a ocorrer um aquecimento global sem precedentes, como querem alguns. Muito menos que esse aquecimento seja provocado pelo aumento da concentração de CO2, decorrente da queima de combustíveis fósseis pelo Homem. Ao contrário, demonstro em meu trabalho que o CO2 não controla o clima global e que haverá um ligeiro resfriamento global nos próximos 20 anos”.

A farsa do aquecimento global

A farsa do aquecimento global

Ao retornar à praia das Maçãs fui direto molhar-me no mar. Meu inconsciente ficou tranquilo com a gelidez das águas. Agora, quase ao meio do dia, o termômetro de casa marca 5 0C. Durante a madrugada, -1 0C. Normal para início de inverno.

Que bosta dePátria Educadora“! Três Vivas ao Holoceno! Chega de rótulos safados!

……….

[1] Ele se referia a dados meteorológicos obtidos por pesquisadores de campo, há 320 mil anos, entre os últimos períodos interglaciares do planeta, “quando as temperaturas estavam de 6 a 10 0C mais elevadas do que as atuais”. Interessante, não acham?

Previsões e ‘profecias’ para 2015


Por Dr. Andrey, Psiquiatra e Vidente.

Um psiquiatra espanhol, de nome Andrey Porra y Porra, enviou para o blog suas previsões e “profecias” para o ano de 2015. Após ler-se o texto com curiosidade, durante dois dias revirou-se a internet à procura deste profissional. Mas nada se encontrou, sequer seu nome. Somente mais tarde, por obra do acaso, soube-se através de um amigo catalão que ele existe.

Por contingências da vida – que não se conseguiu obter detalhes –, Dr. Andrey abandonou a psiquiatria há mais de 40 anos. Desde então, dedicou-se a aprimorar suas habilidades de vidência. Por fim, tornou-se notório, respeitado internacionalmente.

Soube-se que Dr. Andrey é recatado e muito cuidadoso com sua “delicada” profissão. Não atende a clientes em clínicas ou consultórioOs fantasmas da Sexta 13 particular. Somente trabalha nas residências dos clientes. Segundo consta, cobra 1.200 euros por “hora de vidência”, fora transporte e estadia. Até por que, dizem que faz previsões nos cinco continentes, embora para o Brasil, dada nossa estranha verve política, somente faça “profecias”. Contudo, com amplo índice de sucesso, segundo comentam à sorrelfa grandes empresários e xeiques que o consultam.

É curioso, mas hoje em dia Dr. Andrey só aceita novos clientes se forem indicados por clientes antigos, com mais de “20 anos de vidência” com ele. Ele faz previsões sobre qualquer assunto: resultados eleitorais, falecimentos, julgamentos criminais, prisões, empresas fantasmas, novos contratos, receitas futuras, taxa de câmbio, oscilação dos juros básicos, aplicações financeiras e bolsas de valores são suas maiores especialidades.

Entretanto, segundo informes, tem evoluído bastante, pois já se encontra apto a prever quem recebe propinas no serviço público de países africanos e latino-americanos.

A partir daí, fez-se uma reunião editorial e, por consenso, decidiu-se publicar as “2015 Previsões e Profecias de Porra y Porra”, recebidas em 31/12/2014.

Previsões para 2015 – Internacionais

  • Variáveis críticas externas, manipuladas por atores violentos, criarão ameaças radicais para povos da Europa, mas servirão para unir e fortalecer as nações deste continente.
  • Cidades norte-americanas serão alvo de fundamentalistas isolados, os quais serão sumariamente mortos pela polícia local e o FBI, sem causar maiores danos pessoais e patrimoniais. Porém, a violência permanecerá a ocorrer, através de “cyber-ataques” a bases de informações secretas.
  • Grupos fundamentalistas, antes concentrados em certas áreas do planeta, foram desmembrados por força da ação militar. No entanto, alguns de seus remanescentes cometerão brutais ataques terroristas, com inesperadas vítimas fatais, em capitais da Europa Ocidental. Ainda estão na casa do milhão os fundamentalistas remanescentes, sem considerar os jovens que se encontram em treinamento.
  • Crescerão no mundo ocidental violentas fobias políticas, econômicas, culturais e religiosas, mas China, Índia e Japão não serão afetados, nem sequer participarão de respostas que serão tentadas por outros países. Todas sem o devido sucesso.
  • Com a total inversão de valores ocidentais, em países africanos as ações criminosas de grupos fundamentalistas, desencadeará a morte de milhares de civis inocentes, inclusive idosos e crianças.
  • Acontecerá a falência de inúmeras empresas sul-americanas, com ênfase nas dos “países baixos” – Argentina, Brasil e Venezuela. A Bolívia sobreviverá, por força do crescimento de seu PIB, beneficiado pela exportação da cocaína.
  • A Rússia entrará num período de franca decadência econômica, política e moral, a agravar suas relações com a Ucrânia, países do oeste europeu e os Estados Unidos. No entanto, num comportamento suicida, seu líder tornar-se-á ainda mais beligerante.

“Profecias” para 2015 – Brasil

  • O governo não superará as graves dificuldades para conciliar a “manada de ministros de baixa governança” que nomeou. Surgirão conflitos frontais de espaço entre os “donos de pastas”, que serão irremediáveis. Os “interesses difusos” de cada um, quando sobrepostos, não caberão na “área de pasto” que lhes foi concedida. Haverá choques sucessivos e desgastes fatais na governança pública, ampliados pela total incompetência de certos titulares.

A pancada do Azar

  • Em todos os escalões de certos ministérios acontecerá “a marcha da insanidade”, com a nomeação para cargos públicos de perigosos agentes que representam a esquerda radical: têm a missão de implantar a ditadura comunista no país. Tal como foram os desejos de seus ancestrais políticos, nas décadas de 1960 e 1970.
  • Após um decênio de escândalos da corrupção pública, divulgados com precisão pela imprensa mundial, sob a pressão do “FBI Brasileiro” e certos órgãos de controle, será ouvida a estrondosa erupção dos “escândalos subterrâneos”. Assim, serão aclaradas as relações escusas mantidas em instituições, bancos públicos e empresas de setores econômicos que permanecem estatizados no país. O grande tsunami da “extorsão organizada”, da “corrupção no atacado“, causará enorme depressão nas lideranças mundiais.
  • Não serão recuperadas as centenas de bilhões de dólares “afanadas” do setor público. Até porque, poucos serão aqueles que devolverão parte do dinheiro público roubado.
  • Será realizada a “Auditoria das Eleições de 2014”, por força das graves dúvidas de manipulação eletrônica do pleito. Para os auditores ficará comprovado que houve o desvio criminoso de milhões de votos. Porém, a instituição que detém o poder eleitoral sagrará a eleição como perfeita e arquivará o processo.
  • Serão “extintos partidos políticos” que possuem assento no Parlamento, por força da condenação e prisão de muitos de seus líderes e membros eleitos. Movimentos populares pedirão a queda do governo federal e o fechamento temporário do poder legislativo, com vistas a higienizar os quadros de corrupção e a falta de “conduta ética e moral”, estabelecida nesses poderes.
  • O Brasil sofrerá aguda crise social, política e econômica. Sua cambaleante liderança na América do Sul será definitivamente anulada, dando espaço a que potencias mundiais assumam o domínio produtivo e comercial neste continente. Assim nascerão a “América do Sul Made In China” e a América do Sul Made In USA”.

E Dr. Andrey concluiu seu relatório de “previsões e profecias” com três observações:

“Não uso bola de cristal e não sou presunçoso de afirmar que minhas previsões têm 100% de probabilidade de ocorrer. No entanto, Quadro de Pablo Picasso
trabalho num sólido “Banco da Dados e Informações Mundiais” de minha propriedade, que levei 40 anos para consolidar, de forma meticulosa. Atualizo-o diariamente”.

“As ferramentas de trabalho que utilizo são a Psiquiatria e o ‘Modelo Estocástico de Previsões Sócio-Políticas e Econômicas‘ que arduamente consegui desenvolver”.

“Enviei gratuitamente este relatório para vocês – Sobre o Ambiente – pelo fato de seguir seu trabalho e haver notado que já fizeram previsões no passado, embora a título de deboche. O que, por sinal, considero um direito do cidadão. Amanhã, 2 de janeiro, seguirei para os Alpes Suíços para descansar um pouco. Mas saibam, quando quiserem meu pequeno chalé encontra-se aberto para vocês. Aproveitem enquanto eu existo.

Bom trabalho e Felicidades a todos”.

Gestão da Sustentabilidade de Fazendas – 1ª parte


Por Ricardo Kohn, Cláudia Reis e Marcus Sampaio.

Economia somente se desenvolve quando em simbiose com o Ambiente. Constitui um processo de tal dependência que, caso o degrade, extinguirá a si própria.”

1. Introdução

Sabe-se que é um assunto pouco discutido: a sustentabilidade de fazendas produtivas. Sobretudo, é polêmico segundo a ótica das perturbações que uma propriedade rural pode promover no ambiente em que se encontra e também nas propriedades vizinhas.

É ideal que a gestão de uma área rural seja feita de maneira a que as práticas e meios de produção utilizados não promovam rupturas ambientais nos ecossistemas existentes em seu terreno, sejam primitivos ou alterados.

No mais das vezes, a prioridade do pequeno fazendeiro é produzir para alimentar a família e, para isso, investe em ferramentas de trabalho mais eficientes. O mais dedicado também tem um certo orgulho em possuir um pequeno imóvel urbano e um veículo de tração 4 x 4, que o permita trafegar no campo e na cidade. Isso é justo e normal. Mas, acima disso, está sempre interessado em saber um pouco mais sobre como manter a qualidade do ambiente de sua fazenda.

No entanto, há proprietários rurais que são bem curiosos. Têm como única preocupação com o ambiente de suas terras a simples contemplação, são ‘voyeurs ambientais‘. Nos fins de tarde, gostam de se sentar na varanda da casa, situada na cumeeira de um morro, e deslumbrar o visitante urbano a seu lado com a imensidão de seu terreno.

Não há dúvida de que se trata de uma vista maravilhosa. É óbvio que qualquer fazendeiro, produtivo ou não, dá sua vida para sentir isso. Resta saber se o terreno que se está a admirar possui condições espontâneas de manter seus cursos d’água, sua vegetação nativa e a fauna silvestre associada. Além de produzir economicamente, é claro.

Teve-se a oportunidade de conhecer espaços ambientais belíssimos nessas mesmas condições: da varanda numa cumeeira de morro. No entanto, acompanhando a um fazendeiro consciente, sabedor que suas terras perdem a capacidade de produção se não forem muito bem geridas ambientalmente. Esse fazendeiro é Lino Matheus, a quem se dedica este artigo [1].

Uma vista panorâmica da Serra da Mantiqueira

Uma vista panorâmica da Serra da Mantiqueira

2. Artigos correlatos de interesse

Já se publicou artigos que tratam de temas essenciais para a devida compreensão de como se faz a Gestão da Sustentabilidade de Fazendas. Sua leitura não é obrigatória, mas uma sugestão que facilitará bastante ao leitor interessado em se dedicar a essa prática.

Nestes artigos encontram-se conceitos e processos detalhados que fornecem as bases para a Gestão da Sustentabilidade de Fazendas e o plano ambiental que lhe dá suporte. Basta clicar nos links grafados em vermelho:

3. Elementos para o Plano Ambiental

A primeira tarefa para subsidiar a elaboração de um bom plano é realizar o diagnóstico ambiental da fazenda, que será o foco da gestão. Mas que fique claro, desde já: sem um plano não se pode fazer gestão; e sem gestão de boa qualidade, não há produção que mantenha a sustentabilidade do ambiente da fazenda.

Todavia, não se dispõe de uma fazenda concreta para diagnosticar. Sendo assim, seja uma fazenda hipotética, com terreno de 10 hectares (seu ambiente), assim ocupado: 6 ha de mata primitiva; 2 ha de mata alterada, conjugada com campo sujo; 1,5 ha de solo exposto; 0,3 ha de pasto; e 0,2 ha de área construída – casa da fazenda, galpão de suprimentos, pequeno estábulo, via interna de acesso à casa e área para manobrar veículos.

O diagnóstico ambiental precisa prever quais são as ameaças e oportunidades potenciais [2] que o ambiente externo pode impor à fazenda. No caso específico, há uma variável de extrema criticidade que precisa ter monitoração permanente: o clima da região em que se encontra a fazenda. A dinâmica do clima é aleatória, portanto, capaz de definir o sucesso ou a falência do fazendeiro.

Todavia, também precisa identificar quais as potencialidades e vulnerabilidades ambientais da fazenda [3]. Para isso, analisa sua disponibilidade de água, seu relevo, a qualidade dos solos, sua cobertura vegetal, a fauna que lhe é associada e, sobretudo, as expectativas de produção do fazendeiro e seus familiares. Todos esses fatores ambientais, sem exceção, comportam-se em função das variações do clima regional.

Em síntese, o plano para gestão da sustentabilidade precisa ser capaz de impedir que uma ameaça ambiental externa se relacione com vulnerabilidades do ambiente da fazenda. Além disso, precisa ser capaz de propiciar que as potencialidades do ambiente da fazenda sejam utilizadas na consecução das oportunidades ambientais externas.

Essas oportunidades são oferecidas pelo ambiente externo à fazenda, mas poucos são os fazendeiros que as identificam, a tempo e a hora. São rápidas ‘janelas de oportunidade’, que requerem decisões objetivas, mas nunca precipitadas.

3.1. Informações básicas da fazenda

São informações de ordem ambiental que todo fazendeiro precisa conhecer muito bem. No caso hipotético considerado, destacam-se os seguintes fatos e variáveis:

  • Relevo: De plano a suavemente ondulado, em 40% do terreno. Em sua extremidade, a nordeste, há uma cadeia de montanhas, com altitude máxima de 1.800 metros. O relevo é um fato, um dado do problema, pelo menos no tempo gerencial previsto por um plano ambiental.
Vista da cadeia de montanhas

Vista da cadeia de montanhas

  • Disponibilidade de água: Há dois cursos d’água (e seus afluentes) que atravessam a fazenda. Suas nascentes encontram-se na cadeia de montanhas. Logo abaixo do sopé das montanhas, forma-se um pequeno lago com boa vazão. A disponibilidade de água é variável e, se bem monitorada e controlada, constitui uma potencialidade ambiental.
  • Qualidade dos solos: Em 65% da parte plana a suavemente ondulada do terreno, os solos possuem qualidade para culturas agrícolas diversificadas. A qualidade dos solos é variável e, no momento, constitui uma potencialidade ambiental.
  • Cobertura vegetal: A mata primitiva está concentrada na cadeia de montanhas e seus arredores, tendo continuidade nas terras vizinhas. Faz parte do bioma Mata Atlântica. Trata-se da principal potencialidade ambiental da fazenda. Mesmo constituindo uma variável, mantê-la intocada é decisão tomada pelo fazendeiro e seu vizinho imediato.

A área de mata alterada e campo sujo ocupa 2 hectares, 20% do ambiente da fazenda. É uma variável que constitui grave vulnerabilidade ambiental da fazenda. Necessita sofrer intervenções ambientais bem planejadas, de forma a integrar-se ao vetor da sustentabilidade do terreno da fazenda.

  • Fauna associada: A fauna silvestre é abundante e diversificada, sobretudo na área de mata primitiva. Possui espécies raras e endêmicas da ornitofauna. No entanto, na área de mata alterada e campo sujo, ocorrem espécies de hábitos peridomiciliares, que são nocivas, podendo causar acidentes com peçonha e transmitir zoonoses: cobras, aranhas, várias espécies de mosquitos, ratos, carrapatos, etc.

Destaca-se ainda a invasão de espécie exótica à região (javalis e javalis mestiços). Os fazendeiros da região encontram-se prejudicados em suas culturas, ameaçados com a presença dos javalis. Portanto, devem tomar medidas integradas, visando a impedir sua proliferação e “retirá-los” de seus terrenos.

Este é um exemplo do sumário de informações requeridas para elaborar um plano de gestão da sustentabilidade. Mostra o que está adequado e o que necessita ser refeito, ambientalmente reabilitado.

4. Introdução ao Plano de Gestão

Para elaborar um plano que seja capaz de realizar, manter e beneficiar a sustentabilidade do ambiente de uma fazenda é necessário efetuar as seguintes atividades:

  • Identificar as vocações físicas e bióticas do ambiente da fazenda;
  • Identificar as vocações sociais e econômicas da região de inserção da fazenda;
  • Efetuar o levantamento da infraestrutura de acesso à região e à fazenda;
  • Efetuar o levantamento das atividades econômicas ocorrentes e potenciais na região;
  • Estabelecer metas de sustentabilidade para a fazenda;
  • Formular projetos para a sustentabilidade do ambiente da fazenda;
  • Monitorar, avaliar o desempenho e, se necessário, reprogramar os projetos implantados.

Na segunda parte deste artigo, essas atividades serão apresentadas em mais detalhes. De toda forma, convida-se aos leitores interessados a pensar acerca do que a descrição de cada uma dessas sete tarefas deverá conter.

……….

[1] Os registros fotográficos publicados neste texto foram tomados na Fazenda Boa Vista, de propriedade de Lino e Nívea, situada em Bocaina da Minas, MG.

[2] Tecnicamente, são denominadas “Variáveis Ambientais Críticas Externas”.

[3] Tecnicamente, são denominadas “Variáveis Ambientais Críticas Internas”.

Revolução do Ambiente


Por Ricardo Kohn, consultor em Gestão.

Introdução

Ao se analisar o atual cenário do Ambiente [1] do Planeta, verifica-se a ocorrência de uma série de fenômenos adversos (com impacto negativo), que se manifestam em grandes regiões da Terra (alta distributividade) e, possuem elevada potência de transformação (intensidade) das áreas em que ocorrem (degradação).

Se nada for feito para cessar as causas de boa parte desses fenômenos (eventos ambientais de ordem política e econômica), suas manifestações permanecerão a atuar até que os fatores ambientais por eles impactados [2] sejam extintos (duração máxima). Isso não é uma profecia, mas fruto de raciocínio lógico e factual. Senão, vejamos.

Classificação de eventos ambientais

Sempre que se deseja analisar esse cenário ambiental de forma mais consistente, organiza-se os eventos ambientais adversos em três classes distintas:

  • A classe dos eventos físicos, próprios de geodiversidade terrestre, é a que detém os eventos mais intensos e localmente violentos: terremotos, maremotos, erupções vulcânicas, tsunamis, incêndios florestais espontâneos [3] e grandes vendavais – tornados, tufões e ciclones. Estudiosos envolvidos em sua explicação ainda não encontraram qualquer ação humana que seja capaz de gerar a manifestação desses eventos.
  • A classe dos eventos bióticos é extremamente sensível e possui dois tipos básicos de causa. Ou decorre dos eventos físicos do planeta, até então incontroláveis, ou é promovida pelo próprio ser humano. De toda forma, impactos adversos sobre a biota trazem inumeráveis efeitos negativos. O que varia entre os dois gêneros de causação – físico e antropogênico – é a área de manifestação (distributividade) e o tempo de manifestação dos eventos causadores (duração).
  • Por fim, tem-se a classe dos eventos antropogênicos. É nitidamente a mais adversa e paradoxal. Não apenas graças à intensidade e distributividade planetária de seus impactos negativos, mas pela quantidade de naturezas que possuem seus eventos e a alta frequência diária com que ocorrem. É um paradoxo pelo fato que o Homem, seu único ator ativo, ameaça e destrói a si próprio, enquanto pensa que evolui. De fato, apenas tornou-se uma ‘subespécie da sub-fauna’.

Mundialmente, durante as oito últimas décadas, personificado pelos ‘governantes’ que elegeu, o ser humano tem dado mostras inequívocas de sua extrema ignorância e agressividade.

Democratizou-se o debate

Em março de 2004, ocorreu em Roma um fórum internacional que reuniu especialistas em Políticas para Gestão Ambiental, provindos de cerca de 110 nações. A ONU cedeu suas instalações, situadas na Via Termas di Caracalla. O fórum foi promovido pelo ‘Ministério do Território e do Ambiente da Itália’.

Recebi um convite do Chile para participar, com passagem de avião e despesas de hotel já pagas. Ao chegar em Roma, no prédio onde se iniciava o evento, fui avisado que deveria ir até a secretaria para receber textos impressos, alguns euros para despesas de alimentação e pegar crachá de identificação. Nele estava impresso meu nome e o país a que representava: Chile.

Solicitei a troca, mas esclareci que também não era representante formal do Brasil no evento, apenas um consultor brasileiro. Assim, naquela segunda-feira, prossegui rumo à abertura do encontro.

Não estava previsto na agenda dos debates, porém, por proposta do Ministro do Ambiente da Inglaterra, que abriu o fórum com fala direta e objetiva, o tema principal dos debates tornou-se “Principais impactos adversos promovidos pelo Homem e suas instituições – Discussão de casos e Paradigmas de solução”.

Dois dias depois, pensei que as seculares propostas da Democracia Ateniense talvez ainda estivessem a pairar sobre as ruínas do Fórum Romano e, com base nelas, os presentes fizeram a escolha. O fato é que o clima dos dois salões em que aconteceram os debates tornou-se amistoso e cooperativo. Decididamente, informal. Todos falaram com todos ou, pelo menos, tentaram.

Um pouco da participação

Na noite do segundo dia houve um coquetel de confraternização. Pessoas cordiais, vinhos de primeira linha, ótimos acepipes, quando alguém na multidão gritou meu nome:

─ “Quem é Ricardo Kohn, representante do Brasil?!

Virei-me e vi um jovem próximo dos 45 anos, com o braço esquerdo erguido e nele um copo de uísque com gelo; de fato, não se tratava de um escocês, conclui. Acenei de volta e tivemos um encontro brasileiro. Seu crachá trazia o nome Badaró, BP Gas, Bahia, mas ele tinha sotaque mineiro.

Expliquei-lhe que não representava o Brasil, mas fora convidado pelo Chile, graças aos contatos de um grande amigo chileno – Jaime Irigoyen. De toda forma, ao acaso, fomos brindados pelos presentes como ‘a delegação do Brasil’, numa espécie de ‘sacanagem internacional’.

Contudo, a maioria dos países de fato enviou delegações. Debati com algumas em ‘mesas de negócio’. Mas devo destacar as delegações da Costa Rica, Inglaterra, Alemanha e Austrália, tanto por haverem enviado Ministros do Ambiente como chefes de delegação, quanto pela forma objetiva e pragmática com que abordaram o tema ‘impactos antropogênicos adversos’.

Encerramento do Fórum Internacional

O Fórum encerrou-se no fim da tarde de sábado, 6 de março de 2004. O Ministro do Ambiente da Alemanha foi convidado para fazer o discurso de encerramento. Havia alguma ansiedade dos participantes, pois estavam presentes no auditório mais de 500 especialistas em políticas ambientais públicas. Suas últimas palavras foram marcantes e guardo-as até hoje:

─ “Para concluir, considero ‘a desflorestação de mata nativa e secundária’, quer por meio de seu corte irresponsável, quer através de incêndios criminosos, como o mais violento dos eventos antropogênicos que ainda ocorrem neste planeta. Os países que, de fato, possuam Governança do Ambiente, têm condições de impedir essa destruição. Os custos de mantê-la descontrolada deverá remeter qualquer nação rumo à completa miséria, tanto material, quanto ética e moral”.

Mesmo passados quase 11 anos, desde quando ouvi essas palavras, motivo-me cada vez mais a trabalhar para a Governança do Ambiente. Sobretudo, no Brasil, onde o cenário atual de seu ambiente está a ser destroçado de maneira impiedosa. Não há visão de seu futuro cenário ambiental, sequer para o médio prazo. Nenhum agente público responsável faz ideia como se encontrará o cenário do território brasileiro daqui a dez anos, em 2025.

Iniciar a revolução

Há uma questão original que precisa ter resposta imediata:

─ “Como estará o ambiente brasileiro em 2025, ou seja, como se comportarão seu clima, seu ecossistema aquático, seu solo, a vegetação, a fauna silvestre e a qualidade de vida de sua população?

Em minha opinião, esse quadro de fatores e suas relações ambientais estará bem próximo da extinção, se não colapsado por completo. De forma figurada, a tendência do país é tornar-se um imenso corpo estéril, mas pleno de insanidades: políticas, econômicas e produtivas.

Neste país, as instâncias de poder, públicas e privadas, ainda negam-se a conhecer a existência do ambiente brasileiro. Chamam-no de ‘meio-ambiente’ e acham que consiste em coleções de minas a explorar, de poços de petróleo a exaurir; de solos incansáveis a serem desnutridos até o fim dos tempos, desde que a baixo custo. Acham, enfim, que podem detonar à vontade suas jazidas pedra e calcário, derrubar suas florestas para fazer telhados de luxo, enquanto, na surdina, arquitetam ‘corrupções triplex’.

Em termos da qualidade de vida, desconhecem o que resulta para a população desfrutar do ambiente estabilizado. Mas vendem-no de forma torpe, por incontáveis dólares depositados em suas próprias contas bancárias.

Querem bilhões de dólares. Quanto mais lavados, melhor (a nota é falsa).

Querem bilhões de dólares. Quanto mais lavados, melhor (a nota é falsa).

A ser desta forma, a questão original muda seu foco e fica assim enunciada:

─ “Como será possível impedir e reverter a degradação do ambiente do território brasileiro, antes de 2025?

Trata-se de prever como ficará o ambiente brasileiro no futuro e de que forma se deve trabalhar pela Revolução do Ambiente, que precisa ser de ordem técnica e cultural. Há duas linhas de ação básicas e interligadas para realiza-la.

A primeira é de ordem técnica, de gestão pública, e precisa obter resultados em curto prazo. Visa a revolucionar totalmente o setor ambiental público brasileiro. Questões que envolvem sua estrutura atual, tais como ‘ministério ou agência nacional’, ‘instituição de Estado ou órgão de governo’, ‘dependência do poder executivo ou autonomia de ação’, devem ser debatidas com a sociedade civil realmente organizada.

A partir daí, é imprescindível a implantação de uma ‘política para gestão de pessoas’, desenhada de forma a trazer para os quadros públicos desse setor profissionais experientes e com a mesma ótica proposta pela segunda linha de ação, a seguir.

A segunda linha tem seus alvos para o médio e longo prazo, pois visa a transformar valores culturais consolidados no Brasil, há séculos. Em síntese, trata-se de revolucionar a educação em todos os níveis – do primário ao superior –, tornando-a capaz de demonstrar que “a Economia somente se desenvolve quando em simbiose com o Ambiente”.

Enfim, constitui um processo de tal dependência que, caso o degrade, a economia nacional extinguirá a si própria. Essa é a visão essencial da Governança do Ambiente.

Até numa nação pobre, o ambiente pode ser o substrato da civilidade

Até numa nação pobre, o ambiente pode ser o substrato da civilidade

Haveria uma terceira, mas de ordem policial e jurídica. Abro mão de considera-la, por ser um efeito e não causa da degradação ambiental do território brasileiro. Algemas e penitenciárias, eternamente aplicadas, resolvem o problema.

……….

[1] Conceito de Ambiente: “É qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (ar, água, solo, flora, fauna e homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como devem ser analisados segundo seus fatores físicos, bióticos e antropogênicos” (Kohn de Macedo, R.).

[2] Fatores ou bens ambientaisFísicos: Ar, Água e Solo. Bióticos: Flora e Fauna. Antropogênicos: o Homem e suas atividades, em especial habitação, produção e comércio.

[3] Os incêndios florestais espontâneos são classificados como eventos físicos, pois decorrem do contato de fagulhas elétricas provindas do espaço com grande volume de matéria natural comburente. Seus resultados adversos são de ordem física, biótica e antropogênica, mas próprios de matas específicas, como as florestas de eucaliptos da Austrália.

Professores através dos tempos


Pela essência do 15 de Outubro, Dia do Mestre.

São inesquecíveis todos aqueles que contribuem para a formação dos primeiros traços culturais na cabeça de uma criança. Parece-me normal que os “primeiros professores” sejam parte de sua família. São mais eficientes pelos exemplos que dão à criança, do que através de conversas e conselhos. É assim que vejo “brotar uma nova personalidade”.

Porém, há crianças que não possuíram pais. Ou ficaram órfãos ao nascer ou seus pais foram “incipientes no professorado”. Este foi o meu caso, com pais principiantes pela idade e total inexperiência em educação.

Contudo, faço-lhes homenagem nesta data. Se pelo lado materno recebi a sobrecarga do “amor egoísta”, que tanto me sufocava, do lado paterno conheci os efeitos dolorosos de um gratuito chicote a bater-me nas pernas. Sentia-me encurralado e não tinha para onde fugir. Mas, exatamente por isso, agradeço-lhes, pois foi assim que obtive o direito inconsciente de escolher, dentre as pessoas da família, quais seriam os melhores “primeiros professores”.

Hoje, analisando o ocorrido em minha infância, posso explicar meu interesse prematuro pelo aprendizado. Queria ler todos os jornais que pegava, mas permanecia analfabeto. Os adultos debatiam sobre o que liam, não raro brandindo um jornal nas mãos, e eu não podia participar. Com eles, percebi a importância de pitadas da crítica.

Foi assim que, em meados de 1952, aos 4 anos de idade, já sabia ler, escrever e fazer as quatro operações. Devo essa primeira “conquista do saber” aos exageros de minha mãe, pois durante seus ensinamentos, sem que eu tivesse consciência, estava a viver o processo da libertação. Aprender nunca me sufocou. Até por que, não queria ter um “crânio com cérebro baldio dentro”.

Desde o primário até a faculdade tive a sorte de ter bons professores. Cursei primário e ginásio em um pequeno colégio do bairro em que morava. Foi lá, durante o curso Primário, que minha personalidade começou a criar as primeiras raízes mais profundas, as boas e as más.

Nos cursos de Admissão e Ginásio, devo salientar os professores Wellington (Português), Aluízio (Geografia) e a inesquecível Dona Adélia, que ensinava História, a idolatrar os impérios Maia e Asteca. Dedicavam-se aos alunos de modo a vincar seus aprendizados com overdoses de moral e ética. A bula da época não descrevia dores ou qualquer efeito colateral nocivo para a moral e a ética, sobretudo quando aplicadas definitivamente na veia jugular.

Encerrei os estudos no bairro nessa oportunidade, pois no colégio não havia o Científico. Teve início, assim, uma pequena discussão em casa. Meu pai dizia que não tinha como pagar um colégio particular. Pelo lado oposto, minha mãe queria que eu cursasse o Científico no Liceu Franco-Brasileiro. Não vou entrar em detalhes, mas o chicote já fora vendido.

Como fruto das escolhas que fizera na primeira infância, um de meus “primeiros professores” pagou o curso no Franco-Brasileiro. Sofri um bom impacto diante desse fato:

  • Ter que sair diariamente do bairro, onde fora criado e a todos conhecia, e seguir de ônibus para Laranjeiras, a descobrir desconhecidos.

Porém, melhor que tudo, foi montar uma nova prateleira em meu quarto, com livros de Física, Química e Cálculo Matemático. Aos 14 anos senti a sede de obter conhecimentos e conhecer professores para o curso Científico. Pela lógica, imaginava que fossem cientistas.

As instalações do liceu eram superiores em tudo às do colégio do bairro. Mas a diretora era uma pessoa estranha, Dona Eliane “dos dentes verdes”. Os alunos mais velhos, que talvez tenham cursado o liceu desde o primário, chamavam-na pelas costas de “Lili”.

Apenas para mim é que tinha dentes verdes, além de ser autoritária. Por suas grosserias e gritos com alunos de todas as turmas, “Lili” não passava a imagem de 1ª Dama do Liceu. Em verdade, fazia do Liceu um forte com disciplina militar. Contudo, preciso salientar que, de forma quase paradoxal, tratava-se de uma qualificada humanista. Com ela aprendi a ter paciência, foco e disciplina.

Os professores do Franco de meu tempo tinham competência na educação. Um deles, que me cabe ressaltar, Professor Henrique de Paula Bahiana, foi realmente um cientista na área da Química. Na década de 1940, esteve a trabalho em diversos países europeus, convidado por governos para solucionar problemas de saneamento básico e aplicar cursos técnicos. Tive a honra de ter sido seu aluno, durante dois anos do curso Científico, em química inorgânica e orgânica.

Em 1967, com vistas a me qualificar para as provas do pré-vestibular, pesquisei bastante para saber em qual curso deveria matricular-me. Não foi difícil concluir que o Curso Bahiense era cotado como o de melhor desempenho, naquela oportunidade. Meu “primeiro professor” fez a matrícula e depositou o valor mensal do curso.

Recebi aulas dos melhores professores do curso. Os mestres titulares das cadeiras cumpriam um cronograma diário incrível, inclusive com testes nas manhãs de sábado. Porém, como as unidades do Bahiense eram dispersas em regiões e bairros do Rio, com sol ou chuva, eles rodavam diariamente pelas ruas mais do que taxistas, com trabalho repetitivo, dividido em dois turnos.

De início não consegui explicar a mim mesmo o porquê da assiduidade com que davam aulas. Mais ainda, a tranquilidade e elegância com que o faziam. Mas certo dia descobri, na pequena secretaria da unidade em que estudava, que eram os próprios professores que faziam seus planos de aula. Eles não eram impostos ou impositivos, mas sócios em uma única missão a que amavam: educar com qualidade seus alunos. Devo dizer que nunca em minha vida estudantil recebi um volume de conhecimentos similar ao do Curso Bahiense.

Apresento alguns professores do Bahiense daquela época, que acredito terem-me sido essenciais: Henrique de Saules (Trigonometria, Logaritmo e Análise Matemática), Otávio Guimarães Gitirana (Álgebra, Análise Combinatória e Cálculo diferencial), Ubirajara Pinheiro Borges (Geometria), Edgard Cabral de Menezes (Química orgânica e inorgânica), Antenor Romagnolo (Física Newtoniana, Ótica, Calor e Acústica), o próprio Norbertino Bahiense Filho, com suas surpresas da Geometria Descritiva, José Carlos Bazarella (Perspectiva Isométrica e Cavaleira) e Haroldo Manta (Desenho Geométrico). Todos são inesquecíveis em termos da razão e da lógica que diariamente me transmitiram, durante quase um ano. A boa educação é impagável!

Questões pessoais impediram-me de dar sequência imediata no curso universitário. Em síntese, precisava trabalhar para pagar contas e realizar minha liberdade. Assim, somente em 1969 ingressei num curso de Administração Pública.

Aula em anfiteatro de universidade

Aula em anfiteatro de universidade

Realmente, com poucas exceções, a pressão de estudar foi bastante reduzida, se comparada à do pré-vestibular. Talvez por que a ótica universitária fosse distinta, não sei. Mas, pelo menos para mim, isso tornou-se um problema. Estava acostumado com a pressão do Curso Bahiense e na faculdade quase não havia igual demanda.

Outro aspecto que me chamou atenção foi-me apresentado pelas Ciências Sociais, que nunca estudara. Recebi aulas de Metodologia de Pesquisas, Ciência Política e Sociologia. Os professores destas cadeiras tinham qualidades essenciais que desconhecia até então. Confesso que esqueci da engenharia a que me propusera cursar. E mais, praticamente abandonei as demais matérias da faculdade. Exceção feita à cadeira de Administração, função da qualidade do mestre que a lecionava, Professor Paulo Reis Vieira.

Dessa forma, destaco a competência e os ensinamentos que recebi de Simon Schwartzman, com quem estagiei na qualidade de seu assistente. Simon foi meu Mestre em Metodologia de Pesquisas. Com ele, mais que tudo, creio haver aprendido a pensar.

Na faculdade destaco, da mesma forma, os professores e amigos Maul e Fred, a lecionar Estatística, Álgebra Linear e Pesquisa Operacional. Com esses dois pude aprender que errar não é aconselhável.

Ainda assim, faltam importantes menções a professores através dos tempos. Desejava publicar esta crônica ontem, no Dia do Mestre. Mas perdi tempo a escarafunchar a memória, pesquisar documentos, para conclui-la somente hoje. De toda feita, esta é minha homenagem a meus professores.

Ricardo Kohn, Escritor.