Verão na Groenlândia


Por Equipe deSobre o Ambiente”.

Com a área de seu terreno no entorno de 1.166.000 km2, a maior ilha do planeta, Groenlândia, abriga o povo Inuit, há cerca de 4500 anos. Acredita-se que na pré-história da Groenlândia (a partir de 2500 a.C.) ocorreram repetidas migrações deste povo, do norte do continente americano para a ilha. Por habitarem o polo Ártico, já estavam adaptados às condições de regiões mais frias.

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

No entanto, dados indicam que, durante o ano 1000, o clima na região sudeste da ilha era relativamente ameno, tal como o de hoje: temperatura no inverno (chuvoso, fevereiro-março) variando entre -5 e -11 oC; e no verão (seco, julho-agosto), entre 11 e 4 oC. Tanto é assim que, naquela época, eram normais no sul da ilha o nascimento de árvores e espécies herbáceas. Desse fato provem seu nome em inglês, Greenland, ou Grönland, em dinamarquês.

Nuuk, a capital da Groenlândia

Nuuk, a capital da Groenlândia

Colonização norueguesa

Por volta do ano 895, a ilha foi invadida por barcos vikings, capitaneados por Erik, o Vermelho. Diz a lenda que se tratava de um criminoso norueguês, deportado para a Islândia por haver cometido um crime de homicídio em seu país. Presume-se que, desde há 1125 anos, a lei norueguesa já fora feita para todos, a ser cumprida fielmente.

Erik Vermelho, decidira colonizar a ilha. Colérico, invadiu e desmatou várias áreas para fazer dois assentamentos: o maior, no lado leste (Eystribyggd), onde se localizava Brattalid, a residência oficial de Vermelho“, protegida por 5000 vikings; o outro, na orla oeste (Vestribyggd), abrigava mais 1000 vikings de reforço.

Colonização dinamarquesa

Ainda sob os efeitos do fim da Idade Média, em 1536, Dinamarca e Noruega oficializaram sua integração nacional. A Groenlândia tornou-se colônia dinamarquesa e a Noruega, um anexo. Somente quase de três séculos após (1814), cada uma seguiu rumo como nação independente, mas a ilha permaneceu sob controle dinamarquês.

Durante o século 19, a Groenlândia foi região de interesse para exploradores e cientistas. De toda sorte, afirmou-se a colonização dinamarquesa e as missões enviadas foram bem-sucedidas. No entanto, a justiça dinamarquesa só se aplicava aos colonos, sobretudo, aos Inuit.

Houve uma imigração de famílias Inuit canadenses, que se estabeleceram ao norte da ilha. Os últimos grupos lá chegaram em 1864. Nesse período, o comércio e as condições econômicas da ilha decaíram, a provocar sensível despovoamento na sua costa leste.

Porém, em 1863, realizaram-se as primeiras eleições democráticas da Groenlândia, com vistas a eleger representantes distritais[1]. Mais tarde, já na primeira metade do século 20, foram criados dois conselhos de governança, um para gerir o norte da ilha e outro, o sul. Contudo, decisões importantes, que afetavam as condições de vida dos groenlandeses, eram tomadas em Copenhague. Permanecia “algo de podre no Reino da Dinamarca”.

A geopolítica da Groenlândia

Pelo menos em duas ocasiões de crise mundial a Groenlândia foi vista pelo mundo externo como uma região estratégica:

  • Durante a Segunda Guerra Mundial, quando Hitler orientou suas operações de guerra na direção da Groenlândia, foi firmado um tratado com os Estados Unidos para a instalação de bases na ilha, em abril de 1941. A Dinamarca não conseguia governar a ilha na 2ª guerra. Assim, a Groenlândia passou a ter status mais independente. Seus suprimentos foram garantidos pelo Canadá e os Estados Unidos.
  • Durante a Guerra Fria, a Groenlândia teve importância estratégica, por permitir o controle de parte dos acessos entre os portos árticos soviéticos e o Oceano Atlântico, bem como por ser área sensível para observação do eventual uso de mísseis balísticos intercontinentais, que deveriam sobrevoar o Ártico.

Groenlândia, nação do Reino da Dinamarca

O status colonial da Groenlândia foi revisto em 1953, quando se converteu em parte integrante do reino dinamarquês, com representação no parlamento dinamarquês. A Dinamarca iniciou também um programa para prover serviços médicos e de educação aos groenlandeses.

De sua parte, o governo local groenlandês se apresenta como uma nação Inuit. Os nomes de lugares em dinamarquês foram substituídos por nomes locais. Godthåb, que foi o centro da ocupação colonial dinamarquesa, agora é a cidade de Nuuk, capital de um governo quase soberano. Em 1985 foi criada a bandeira da Groenlândia. No entanto, o movimento que busca sua soberania ampla ainda não obteve espaço político. Mas tem tudo para acontecer.

As relações internacionais, antes comandadas pela Dinamarca, são em sua maior parte geridas localmente. Depois de separar-se da União Europeia, a Groenlândia firmou tratados especiais com a UE, uniu-se em diversos assuntos com a Islândia, as Ilhas Faroe, assim como com a população Inuit do Canadá e da Rússia.

Também é membro-fundadora da Organização Ambiental do Conselho do Ártico. Está pendente a renegociação do tratado de 1951 entre Dinamarca e Estados Unidos, desta vez com participação do governo local da Groenlândia. Por fim, é esperado que a base aérea de Thule converta-se em estação de rastreamento de satélites, para uso das Nações Unidas.

Por falar em satélites, o Aqua, satélite da NASA que monitora o ciclo da água, a precipitação das chuvas, sua evaporação, a umidade do ar, temperatura da Terra e dos oceanos, bem como o fluxo de energia radioativa, registrou imagens de resolução moderada da Groenlândia, em julho de 2015.

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

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[1] Um rápido destaque: há um século e meio já existem eleições distritais na Groenlândia.

Soluções Ambientais


Por Equipe deSobre o Ambiente”.

Criou-se essa página para oferecer aos leitores soluções ambientais inteligentes, já realizadas por organizações de projetos feitos para atender ao ambiente. Ou seja, soluções de projeto que visam a finalidades produtivas e comerciais, mas, antes de tudo, à qualidade do ar, da água, do solo, bem como, à qualidade de vida da flora, da fauna e do homem.

Tenciona-se apresentar estudos e projetos inovadores já realizados, dos quais resultaram relações ambientais estáveis, mantidas entre um investidor e o ambiente que transformou. Na qualidade de principais agentes da transformação dos espaços físico e biótico da natureza, investidores responsáveis devem saber como construir em áreas adequadas. Por outro lado, precisam ser capazes de garantir a qualidade do ambiente onde implantam seus negócios.

Área alagada a ser trabalhada, mas somente por meio de um projeto inovador

Área alagada a ser trabalhada, mas somente por meio de um projeto inovador

Dentre os negócios mais comuns destacam-se turismo, hotelaria, indústria, construção civil, geração de energia, agropecuária, condomínios habitacionais, shopping centers e outros mais, todos a causar impactos sobre o ambiente.

Em suma, todas as atividades transformadoras promovidas pelo desenvolvimento precisam possuir desempenho ambiental adequado. Trata-se de um desempenho produtivo de tal ordem, que o ambiente para o qual são projetadas seja capaz de manter a sustentabilidade que lhe é inerente, a permitir a evolução espontânea e dinâmica de seus ecossistemas.

Visão de um resort projetado para uma área de ambiente nativo

Visão de um resort projetado para uma área de ambiente nativo

Equipes inovadoras

As organizações que projetam e implantam soluções ambientais – empresas de consultoria, fundações, institutos e associações –, precisam possuir gestores de alta qualidade, que hajam obtido notórios resultados em projetos inteligentes, desenvolvidos e executados.

Todavia, não basta tê-los em seus quadros técnicos. Eles precisam, sobretudo, de coordenar equipes inovadoras, nos trabalhos de escritório e campo. Apenas assim obtém resultados criativos, quase sempre requerendo investimentos menores. Além disso, mais efetivos no alcance das metas dos clientes[1].

Equipes técnicas inovadoras e criativas são cada vez mais complexas de serem montadas. Requerem dos empresários uma boa visão – de médio a longo prazo – de seus negócios e a aplicação de dois critérios na seleção de novos consultores: a personalidade e a competência profissional dos candidatos a futuro consultor.

Para identificar a personalidade profissional há um site que dispõe de ferramenta para essa finalidade. Muitas empresas de vanguarda o utilizam. É gratuito e não requer que se faça cadastro. Sugere-se realizar um teste clicando em 16Personalities. Gasta-se menos de 12 minutos e os resultados são atraentes. Quem o fizer, será surpreendido.

Quanto à competência técnica, precisa ser analisada em relação à da equipe já existente. Isto ocorre por que projetos de cunho ambiental demandam equipes de profissionais com distintas formações e óticas diferenciadas do que é o Ambiente.

Entretanto, com base nos dados e informações que dispõem, todas as equipes precisam se comunicar através da mesma linguagem conceitual: a da Teoria do Ambiente. Equipes de ecólogos, geólogos, arquitetos, de várias engenharias, climatólogos, botânicos, agrônomos, biólogos, hidrólogos, economistas e arqueólogos, dentre outras especialidades, além de seus conhecimentos específicos, precisam usar a teoria que é própria do ambiente.

A depender do ambiente que estão a tratar[2], essas equipes podem ser numerosas, o que amplia a dificuldade da comunicação multidisciplinar. A ser assim, a qualidade da solução ambiental identificada pode ser prejudicada em seu desenvolvimento, perder em inteligência e criatividade.Imagem de divulgação

Para integrar a competência multidisciplinar de equipes técnicas, sugere-se a aquisição de uma obra recém-publicada. Clique em LTC Editora e leia acerca do conteúdo deste livro de Engenharia Ambiental: “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Contém abordagens que permitem a qualquer profissional falar a linguagem da Teoria do Ambiente, necessária para criar, desenvolver e implantar soluções ambientais inteligentes.

Casos de soluções realizadas

Está-se pesquisando casos que mereçam ser divulgados neste espaço. As publicações envolvem a organização que projetou a solução, a razão social do cliente, o problema a resolver e a solução encontrada.

Aguardam-se contribuições enviadas para o e-mail ricardo.kohn@gmail.com.

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[1] Esta introdução de “Soluções Ambientais” pode parecer humanamente utópica. Mas, de fato, não é por dois aspectos: (i) o ambiente a realiza de forma espontânea e aleatória; (ii) perseguir esta utopia não é perda de tempo, ao contrário. Trata-se da melhor provocação para a evolução humana.

[2] Uma solução ambiental criativa para usina hidrelétrica localizada na Amazônia decerto é bem mais complexa do que a solução para uma indústria farmacêutica situada na capital São Paulo.

O risco de dar cursos e palestras


Treinar no Setor Ambiental

Por Ricardo Kohn[1].

Cursos intensivos (de até 72 horas) e palestras de curta duração (1 hora) são processos complexos para serem realizados a contento. Satisfazer aos participantes (alunos) e à empresa promotora do evento não é tarefa simples.

Este artigo tem por finalidade analisar algumas variáveis que devem ser observadas pelo profissional convidado a dar um curso intensivo ou fazer uma palestra. Toma-se como base para análise o setor ambiental brasileiro.

Curso bem ministrado, sala de aula cheia

Infraestrutura de ensino correta, curso bem ministrado: sala de aula cheia e atenta

1. Definição do escopo

O mercado de treinamento oferece duas alternativas normais: o escopo do treinamento é definido pelo contratante do evento; ou o profissional de ensino estabelece o roteiro de sua fala. Não há dúvida, caso defina o escopo da “conversa saudável” que irá manter com o grupo, poderá criar empatia ao apresentar seu conhecimento.

E o motivo é nítido: ao estabelecer o conteúdo da apresentação, o profissional determina também a profundidade das abordagens que fará. Afinal, precisa deixar tempo para responder a questões, solucionar normais debates e esclarecer dúvidas remanescentes.

2. Foco objetivo

Sejam cursos ou palestras, se a finalidade é o ensino ou, diga-se, o despertar de mentes, o “professor” precisa ser focado no tema principal. Claro que pode fazer digressões, notas de rodapé ao conteúdo essencial. Sempre curtas e estimulantes.

Acredita-se que deva criar metáforas e até mesmo provocar risos de seu público. Assim constrói a empatia mútua e o interesse pelo conhecimento, além de facilitar a memorização dos que o assistem.

3. Técnico-científico ou legislação

Certa vez, alguém afirmou: “defina-se, ou Lei ou Ciência do Ambiente. As duas são incapazes de conviverem no Brasil”!

Em todos os países com sistema educacional sério, qualquer evento de treinamento para o setor ambiental possui cunho técnico-científico. E a causa é óbvia: nesses países a legislação é elaborada a partir do estado-da-arte das ciências de referência.

A ser assim, os treinamentos são mais produtivos, pois os profissionais aprendizes focam-se nas teorias, metodologias e exemplos práticos que recebem. Dessa forma, aprendem a dominar as práticas da Gestão do Ambiente.

Em nosso país, todavia, faz-se o inverso. A legislação, impositiva e burra, tem a pretensão de dizer como funcionam as ciências ambientais. Basta ler na maioria das ementas de cursos oferecidos ao mercado. Dão ênfase particular aos requisitos legais, associados aos temas do conhecimento que deveriam transferir aos alunos. Falam muito do “juridiquês ambiental” e propõem pouco para as ciências práticas que explicam o ambiente.

Toma-se o exemplo do caso mais simples: um curso com 16 h de duração sobre a operação que, no passado, era trivial: como obter licenças ambientais. Hoje, os diplomas legais afins a esse processo são tantos, provindos de inúmeras instituições públicas, que, em 16 horas, um “professor honesto” somente falará sobre as disparidades, controvérsias e conflitos criados pela lei vigente.

Ou seja, não restará tempo para transmitir aos alunos o essencial: o que e como fazer para obter as licenças necessárias. Será impossível detalhar como são elaborados e geridos os estudos ambientais, os processos de auditoria interna e um eventual levantamento de passivos ambientais; como programar e gerir audiências públicas, acompanhar as sofridas auditorias públicas e participar de inspeções ambientais feitas in loco, por “peritos públicos”.

Enfim, pode-se afirmar que, ao contrário, é possível realizar operações ambientais realmente simplificadas, sem perder a qualidade de seus resultados. Operações que, para reduzir custos cada vez mais elevados, podem ter um padrão teórico factível, a despeito do amontoado de normas legais que castram a criatividade.

4. Expectativa dos alunos

Em tese, a motivação para participar de um curso caro ou de um seminário de palestras – caríssimo – é conhecer técnicas modernas, aplicáveis ao trabalho diário. Os alunos são profissionais formados, que desejam obter meios de melhorar suas atividades produtivas.

No entanto, nem todos têm essa motivação. Há os que desejam saber das leis envolvidas, a interminável burocracia que criam e qual o melhor caminho para superá-la, desde que sem ônus para sua empresa.

Para quem crê em “Coelhinho da Páscoa” e “Papai Noel” existem soluções. Sem dúvida há somente uma: contrate um excelente escritório em direito ambiental, pois seus advogados conhecem bem o “Labirinto do Minotauro”. Mas pode-se adiantar que gastará mais tempo e dinheiro do que elaborar, da forma técnico-científica adequada, todos os estudos ambientais requeridos.

5. Bom para oprofessor

Para a maioria dos brasileiros alfabetizados, quem profere palestras, conferências, dá aula em cursos intensivos ou ministra cadeira em universidade precisa ser professor em alguma área do conhecimento. Isso é mais do que bom, é ótimo!

Outro fato que merece destaque positivo é a cidade em que acontece palestra ou curso intensivo. Após dezenas de experiências nesses eventos, verificou-se que nas capitais do Norte, Nordeste e Centro-oeste o povo é mais receptivo, empático e interessado em aprender.

6. Ruim para oprofessor

Palestras e conferências em geral, têm público com formação diversificada. De toda forma, aquele que não estiver satisfeito, levanta-se, sai e parte para outro rumo. Não há desgaste relevante na imagem do professor que as profere.

Já nos cursos intensivos as consequências podem ser danosas. Basta que a organização que solicita um treinamento – dado que pouco ou nada conhece sobre o tema – detalhe de forma ostensiva o curso em módulos que acredita serem relevantes. Estejam certos, sempre existe um “gênio interno” disposto a especificar seu futuro cursinho particular.

A partir daí a empresa de treinamento – contratada por menor preço – sai à cata de um “mestre” que a ampare. Pobre do professor que aceitar essa encrenca. Nessas condições é quase impossível satisfazer a turma a ser treinada.

Há empresas que tratam o professor de “instrutor”. O fato é que “instrutor” está mais associado ao amestramento de animais domésticos, do que à educação. A ser assim, trata-se de ofensa aos alunos de qualquer curso. Não importa se possuem nível superior ou se são idosos; durante as aulas todos são alunos e, por civilidade, devem receber as narrativas do professor, concordem com elas ou não.

Em cursos fechados (in house) o professor precisa saber o perfil da turma com que trabalhará: formação, setor de trabalho na empresa e tempo de empresa. É temerário dar aulas para turmas com perfis distintos, por vezes conflitantes: projeto de engenharia, gestão do ambiente e gestão de obras, por exemplo. Têm esperanças distintas de aprendizado e os conflitos se sucedem nas costas do professor.

Existem muitos outros aspectos de cursos intensivos que podem prejudicar o professor. Mas, no adiantado da hora, reserva-se apenas mais um: de novo, a cidade em que ocorre o curso. Sem risco de cometer generalizações, nas regiões sudeste e sul, paulistanos e cariocas se destacam na forma de se comportarem em sala de aula:

  • Paulistanos – embora dedicados a entender os conhecimentos do professor, são atentos e rigorosos. Via de regra, são informados acerca dos temas a serem tratados pelo curso. Com educação, interrompem quando não concordam e pedem explicação lógica. Debatem muito, mas são cordiais e têm como objetivo aumentarem seus conhecimentos.
  • Cariocas – são heterogêneos no domínio da informação ambiental; vão além da variação normal. Entretanto, há os bem-informados que auxiliam ao professor. Porém, dentre estes, é comum emergir uma espécie curiosa, que precisa dar demonstrações públicas de ampla “sapiência”. Por serem narcisos, mal-educados e provocadores conseguem prejudicar a fluência do curso. No mais, os cariocas são ótimos, salvo quando sorriem pela frente e, pelas costasmalham o professor.

7. Sugestão

Em vários países do mundo a profissão de palestrante é concorrida e suficiente para manter um bom nível de vida. Bons professores universitários tornam-se palestrantes em algum momento de suas vidas.

No Brasil essa profissão da educação tem relativamente poucos adeptos, talvez por falta de um mercado próprio. Ainda assim, a maioria dos palestrantes de sucesso parece composta por paulistas.

Pois, seja um palestrante! Assuma esse desafio, palestre sobre a Ciência do Ambiente e crie o espaço que ainda falta. Assim, deseja-se que sua palestra seja épica, um tanto misteriosa, mas de sua exclusiva autoria. Sobretudo, que seja motivadora, estimulante para aqueles que vão gostar dos desafios propostos por você, caro Professor.Ricardo Kohn

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[1] Ricardo Kohn, Especialista em Gestão, com trinta anos de trabalho dedicado à consultoria em estudos, projetos e práticas ambientais, bem como ao treinamento de analistas e gestores em modelos, metodologias e sistemas para a melhoria do desempenho ambiental das organizações produtivas.

Conversas com o Ambiente


Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

A primeira vez que fui pescar em mar aberto tinha 6 anos de idade. Fiquei maravilhado com a imensidão do oceano à volta de nosso pequeno barco. Foi nele que recebi a primeira aula de meu pai, o melhor pescador da costa portuguesa, modéstia à parte. Hoje, aos 97 anos, estou consciente que mantive certos valores do “velho Macko” – como seus amigos o diziam.

Sem demonstrar pressa ou mudança no humor, Macko sempre me ensinou a conversar com o ambiente marítimo – o mar, os ventos, correntes marítimas e peixes em geral. Dizia-me ele, enquanto manejava linhas e anzóis: ─ “Filho, só não temos como conversar com o Sol; ele é absoluto, definitivo”.

A meu ver, na pesca artesanal portuguesa Macko foi definitivo em linhas, nós e laços. Sabia-os a todos, como poucos. Para o pai, anzóis eram meros adereços aplicados ao final de linhas. Na juventude, muita vez o vi pescar em quantidade, apenas com “laços de linha”, sem anzol.

Vista similar ao nosso ambiente marítimo

Vista similar ao nosso ambiente marítimo

Em certas noites, Macko fazia assados de peixe na praia para reunir amigos. Aos 10 anos, quando comecei a participar desses eventos, conversava com os animais que via, apelidados aqui nas Maçãs por “tatuíra“. Um tatu pequeníssimo, de peso imponderável, que é trazido pelo mar e se enterra na areia da praia, ao fim da rebentação.

Descobri que os tatuíras são crustáceos inofensivos; pobre deles. Eu cavava rápido a areia para captura-los. E ria sem parar com as cócegas de suas patinhas na palma de minhas mãos; aflitos, a esforçarem-se para fugir. Como eu só possuía instinto, não notava que “minha infantil brincadeira”, de facto, era tortura para eles.

De longe, Macko assistia meu comportamento. Um dia aproximou-se e, com interesse, explicou-me o que acontecia aos tatuíras, “prisioneiros de mim”. Disse-me como vivem, do que se alimentam, que auxiliam a outros seres vivos e são muito frágeis às mãos do homem. Entristeci ao entender que aquele pequenino também possuía amigos, que dele dependiam para sobreviver. Assim, aos 10 anos, firmei minha primeira decisão de vida: jamais capturarei tatuíras.

Velho Macko faleceu enquanto dormia; eu tinha 27 anos de idade, então. Senti demais sua partida, mas tive de assumir as rédeas do que ele deixara: seus amigos, nossa casa, mais de 2.000 livros, o pequeno barco, petrechos de pesca e sua intensa atividade.

Há tempos conhecera outro crustáceo com “atividades subterrâneas”, muito usado como isca para robalos. Um bicho estranho, com garras dianteiras, bem maior que os tatuíras. Aqui essa espécie é conhecida como “Corrupto” (Callichirus major). Sei que no Brasil tem o mesmo apelido, pois, conforme demonstram seus espécimes políticos, “Corruptos são inumeráveis, multiplicam-se de forma acelerada, nunca aparecem e são difíceis de capturar”.

Callichirus major

Callichirus major, vulgo Corrupto

Mas quando soube que seu processo de sua busca e captura destruía o solo e microrganismos, conversei com o ambiente e optei por não utilizá-lo como isca. Achei mais prudente deixar o “Corruptoenterrado nas profundezas. Afinal, meu velho Macko pescava sem iscas e anzóis! Os brasileiros deveriam fazer o mesmo: enterrar bem fundo os seus.

Com o tempo descobri que para conversar com o ambiente e obter informações úteis, precisava saber lê-lo e prever sua conduta futura. Mas, além de Macko, não tinha com quem conversar sobre esse assunto. Era tema restrito a pai e filho. Decerto, ele sabia lê-lo e prevê-lo como poucos, porém não teve tempo de me explicar como fazer.

Contudo, dentre os livros que herdara, encontrei textos sobre preservação e conservação do Ambiente. Pasmem, todos traziam dedicatórias dirigidas a mim, assinadas por meu pai, o Velho Macko! Sugeriam que eu entendesse o rio que atravessa nosso terreno, bem como a mata e a fauna ocorrentes em suas margens, pois eram a parte do ambiente terrestre que tinha a preservar.

Resultado: ambiente terrestre preservado

Resultado: ambiente terrestre preservado

A partir de 1960, com minhas atividades de pesca já consolidadas, dediquei-me a estudar o “meio ambiente”, como aqui é chamado, de forma ignorante. Adquiri dezenas de livros sobre Ciências do Ambiente: ecologia, biologia, hidrologia, antropologia e filosofia. Estudo-os até hoje e aplico os ensinamentos que deles recebo, toda vez que os abro. Tornaram-se parte essencial de minha vida.

No início de 2013, recebi convite de Ricardo Kohn para escrever em seu blog, o Sobre o Ambiente. Confesso que tive dificuldades em aceitar: não tinha computador e sequer sabia o que seria “navegar na internet“. Mas após orientações de Quincas, meu neto postiço, enviei o primeiro artigo para o blog, uma sátira política intitulada “Carta Aberta da Estremadura – Portugal”.

Continuo a estudar e aplicar notórias práticas ambientais em tudo o que faço na vida. De facto, neste momento, estou ansioso paraImagem de divulgação adquirir o que parece ser a obra da vida de Ricardo Kohn, prevista para ser lançada ao final deste mês de julho:

  • Macedo, R Kohn, Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão. Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos , 636 pg., 1ª edição.

Afinal, meu pai, o Velho Macko, foi o primeiro “ambientalista” que conheci no mundo. Tenho, a correr em minhas veias, sua melhor herança.

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Clique no título do e-book “PRINCÍPIOS DA FILOSOFIA DO AMBIENTE – Como o Ambiente vê o Sapiens“.

Ambientologia para a Educação


Cláudia Reis e Ricardo Kohn. Consultores em Gestão.

Observa-se que há entre os cursos do ensino básico brasileiro – Fundamental [1 e 2] e Ensino Médio – um hiato de conteúdo educacional, sobretudo, entre o Fundamental 2 e o ensino Médio.

Verifica-se que os módulos do ensino fundamental relacionados ao tema “Ciências”, embora oportunos, são superficiais e estanques entre si. Não formam o substrato educacional mínimo para capacitar os alunos às demandas do ensino Médio e Superior. Falta-lhes integração com a forma de raciocinar, a incitar ações subsequentes úteis e tangíveis. Informam, mas não motivam os alunos a desejarem mais conhecimento.

Por sinal, cansam-nos com textos dispersos para decorar e, em vários casos, acabam por “aumentar a evasão das escolas”, tal o desinteresse que proporcionam aos alunos.

Infere-se a partir das premissas acima, que é possível preencher o hiato existente e, por exemplo, integrar os cerca de 30 temas da cadeira de “Ciências”, através de um único tema: a Filosofia do Ambiente, doravante chamada “Ambientologia[1]”.

Finalidades do projeto

Essa proposta de projeto possui quatro finalidades concretas e realizáveis, a saber:

  • Ampliar nos alunos do ensino básico o interesse pelo aprendizado diferenciado das práticas ortodoxas, há muito adotadas sem os efeitos satisfatórios.
  • Reduzir a evasão escolar, sobretudo no ensino Fundamental 2.
  • Internalizar na mente dos alunos, a partir da visão do Ambiente, a importância dos trabalhos em equipe, com o aumento da produtividade escolar de cada um.
  • Por fim, além de conferir o título de “Técnico em Ambientologia” aos alunos que concluírem o ensino médio, prepara-los para se superarem no ensino superior, caso desejem realiza-lo.

Foco do projeto

  • Estimular jovens a refletirem sobre as relações ambientais de causa, efeito, ações de pronta resposta, considerando-as no tempo e no espaço. Todas essas relações são vividas diariamente por jovens, embora nem sempre sejam consideradas, o que pode acarretar perdas de oportunidades e riscos em geral.
  • Além disso, ampliar a visão espacial e temporal dos eventos que ocorrem no Ambiente, como decorrência direta de ações humanas. O pacote educacional proposto deve capacitar alunos do ensino fundamental e médio a formar opinião sobre a importância do Ambiente em suas vidas, decerto mais amplo do que as engenharias e obras que o transformam a cada instante, não raro de forma danosa a seus sistemas ecológicos.
  • Por fim, demonstrar aos jovens uma premissa básica da atualidade no mundo ocidental: “o Ambiente finito do planeta, quando estabilizado com consumo adequado de seus bens ambientais (ar, água, solo, flora, fauna e homem), constitui o pilar essencial para a evolução dos seres vivos (flora, fauna e homem), desde que com a manutenção da dinâmica de seu substrato físico (ar, água e solo) ”.

Descrição do projeto

Para situar os leitores mais velhos desta proposta, o curso Fundamental 1 equivale aos antigos Pré-primário e Primário. O Fundamental 2, é similar ao antigo Ginásio. Por último, o curso Médio equivale aos cursos Científico e Clássico, como denominados no passado.

Salienta-se que, nessa etapa da educação de jovens, a Ambientologia será uma cadeira que possui como base pedagógica as respostas do Ambiente ao resultado de ações praticadas pelo Homem, nem sempre inteligentes sob a ótica ambiental.

─ Curso de nível Fundamental [1]

Destinado a jovens de 6 a 10 anos, o projeto propõe-se a desenvolver 5 (cinco) cartilhas ambientais, a narrar histórias do dia-a-dia que os jovens dessa idade tenham interesse em descobrir e conhecer. O teor das cartilhas visa a motivar crianças Vista escolar da Ambientologiapelas descobertas.

Exemplo de temas para as cartilhas: i. Assim são plantadas as hortas comunitárias; ii. Mude o ambiente de seu bairro: plante flores nas praças; iii. Hortas na cobertura e flores na fachada dos prédios; iv. A alegria da Primavera é contagiante; v. Folhas e flores trazem borboletas e beija-flores para dentro das casas; vi. Sem flores não existem as frutas que adoramos; vii. Podemos lhe ajudar nessa tarefa?

Evidente que as cartilhas ambientais precisam de personagens que “conversam” com as crianças. A exemplo, podem ser duas famílias com filhos em aprendizado inicial.

No Fundamental [1] os módulos de aprendizado são três: Alfabetização em Português, Aritmética, Introdução à Ambientologia e, por opção do aluno, Inglês básico.

─ Curso de nível Fundamental [2]

Destinado a jovens de 11 a 14 anos, o projeto propõe-se a elaborar 4 (quatro) livros didáticos, específicos para o Fundamental 2. Os livros devem ter cunho evolucionista, a começar pelo roteiro educacional que apresentam para a Ambientologia, a qual precisa ser dinâmica: a evoluir do livro 1 até o livro 4.

O tema central também é o Ambiente, em todas as suas proporções e narrativas, por exemplo: como fazer e gerir um simples canteiro de plantas, passando por jardins, sítios e fazendas; perceber as ameaças dos processos de desmatamento, das erosões intensas, que resultam em áreas desertificadas; apresentar as características dos ecossistemas primitivos e sua capacidade de evolução aleatória; até chegar ao maior desafio, que seria algo tal como o Ambiente Primitivo: sem poluição do ar, sem contaminação hídrica, com solos férteis, rios e lagos de água pura, um povoado integrado à floresta e sua fauna silvestre.

Através de narrativas muito bem sequenciadas, amplamente documentadas por fotos e desenhos, a Teoria do Ambiente vai sendo gradativamente transferida aos alunos, como essencial à filosofia de suas vidas, sem ter que falar em Teoria ou Ciência.

A linguagem dos livros será simples e coloquial. Sua narrativa fará menções à linha do tempo da existência do sapiens no planeta, ou seja, do paleolítico até os dias atuais: do antigo caçador-coletor ao atual “caçador-extrator”. Trata-se de oferecer para análise dos alunos uma visão histórica e geográfica do Homo sapiens, bem como sua evolução no Ambiente planetário.

No entanto, subentenderá questões ambientais práticas, que estimulem aos alunos perspicazes a encontrar soluções próprias, tanto para o momento em que vivem, quanto para seus futuros de maior prazo.

As coleções de cartilhas e livros serão impressos em papel reciclado. Porém, o projeto também prevê oferecer os livros também em formato digital (e-book).

Para finalizar, o projeto Ambientologia deverá atender à prática moderna da juventude, através de aplicativos para celular, tablets e computadores pessoais. Constituem jogos que demandam a decisão dos alunos diante das questões ambientais formuladas pela coleção de livros – “environmental games”. Jogos inteligentes estimulam o aprendizado.

No Fundamental [2] os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Português e Redação, Matemática, Ambientologia, História, Geografia e Inglês. Por escolha do aluno, ele pode selecionar aulas de Espanhol ou Francês.

─ Curso de nível Médio

Destinado a jovens de 15 a 17 anos, o projeto adotará práticas constantes em “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”, livro já publicado para o ensino de Nível Superior.

Essa obra teria como título “Ambientologia – Metodologias para Gestão”. No entanto, o título foi trocado, pois o autor considerou que seu significado não seria claro, por referir-se a uma “prática pouco conhecida”.

No curso Médio os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Redação e Literatura, Matemática avançada, Física, Química, Ambientologia, Inglês, Espanhol, Francês e, no último ano, Ambientologia avançada.

Benefícios do Projeto Ambientologia

A relevância de qualquer projeto se assenta na capacidade de responder às demandas de seu público-alvo, sejam elas explícitas ou não. Desse atributo derivam os benefícios que o projeto oferece à sociedade, que podem ser de variadas ordens.

No caso do ‘Ambientologia’, tratam-se de benefícios educacionais, dos quais deságuam efeitos positivos de ordem social, econômica e motivacional, pelo menos. Destacam-se cinco deles, a saber:

  • Internalização no raciocínio dos jovens da dinâmica do Ambiente, às vezes imprevisível, bem como de seu trato adequado, através do uso dos meios que estejam disponíveis, sejam os acatados pela ciência ou criados por eles próprios.
  • Demonstração aos alunos que as atividades dos ecossistemas humanos precisam possuir desempenho ambiental, visando a garantir a sustentabilidade dos ecossistemas primitivos, ou seja, manter o Ambiente estabilizado.
  • Ampliação da capacidade da lógica dedutiva na formação do conhecimento, com efeitos expressivos na autoestima dos jovens “alunos descobridores”.
  • Aumento da capacidade de antevisão de problemas de causas variadas, com estímulo à inventiva pessoal dos alunos em solucioná-los, no tempo e no espaço.
  • Introdução da variável ambiental na vida dos jovens, através da visão de seus espaços físico, biótico e antropogênico, como fundamento para a tomada de decisão em todas as suas futuras profissões.

Procura-se um Investidor-parceiro para melhorar a Educação dos jovens brasileiros.

……….

[1] Após 42 anos de consultoria em estudos e projetos, descobriu-se que a Ambientologia não seria propriamente uma ciência. Mas uma base filosófica, que facilita a orientação e coordenação da aplicação simultânea das inúmeras ciências que explicam o Ambiente.

Instinto e Razão


Ricardo Kohn, Gestor.

Há momentos em que é preciso interromper tudo o que se está a fazer e questionar-se:

A trilha que decidi seguir na vida pode me conduzir até aonde?A trilha

Para um jovem da “antiga classe média[1], amistoso e sociável, diversos caminhos perfeitos se abriram à frente. Assim os percebia – desafiadores, perfeitos –, pois sua vida começava a nascer: estudos, trabalhos, amores e muitas amizades.

Achava que detinha a razão, mas, de fato, apenas o instinto comandava suas decisões. Portanto, seguiu por todos os caminhos que pode, sem chegar aonde desejava. Aliás, sequer sabia quais eram os próprios desejos, por isso precisava testar as trilhas que descobria.

Todavia, faltava-lhe experiência, que somente a prática intensa consolida. É a partir desta experiência que começam a sobrevir os primeiros sinais da razão aplicada. E também das reais descobertas da vida, é evidente.

Então, com apenas 13 anos de experiência de trabalho, o jovem aceitou outro desafio. Mudar de estado para trabalhar em planejamento empresarial, numa organização que, em 1981, tinha cerca de 22 mil funcionários, distribuídos pelo país inteiro.

Lá descobriu que possuía “um tiquinho de razão” e bastante instinto. Cumpria muito bem com suas funções, embora em 1982 haja publicado um livro de contos, editado pela própria organização! Isso causou uma refrega com sua chefia, que era “enquadrada e oportunista”.

Porém, no ano de 1986, refletiu que já concluíra uma espécie de doutorado em planejamento. Portanto, de posse desse patrimônio, decidiu retornar a seu estado de origem. Queria voltar ao trabalho na consultoria de projetos de engenharia e ambiente, conforme iniciara há 14 anos, em 1972.

Já morando no Rio de Janeiro, diante de seu novo desafio, começou a escrever sem parar, com mais instinto do que razão. Mas não eram contos o que então sonhava. Eram textos técnicos pioneiros, voltados exclusivamente para sua área de trabalho.

Em 1989, com mais de 1000 páginas de textos teórico-conceituais redigidos, pensou que deveria voltar para a universidade. Mas não somente para estudar, também para dar aulas. Foi assim que, com quase 20 anos de experiência de trabalho, fez uma descoberta: “as trilhas da vida atravessam jardins, onde hora se bifurcam, ora convergem para resultados”. Cabe saber como encontra-las. Para isso precisa-se de muito instinto e razão.

Simplicidade e paz

De fato, os caminhos trilhados no passado não se extinguem, nunca se apagam. Ainda que não tenham deixado vívidos legados de felicidade com o trabalho realizado, retornam aos tempos atuais e participam da consolidação de novas experiências e legados.

Hoje, o jovem tem 67 anos. Possui a experiência que mais de 40 anos de trabalho lhe concederam. Busca com seu instinto uma nova bifurcação de sua trilha inicial; deseja ser capaz de encontrá-la na Universidade.

……….

[1] Trata-se da classe média do século 20, década de 1960: com renda familiar hoje equivalente a R$ 15.000,00 mensais e casa própria, numa sociedade que recebia do Estado bons serviços públicos, sobretudo, de educação e saúde.

A base conceitual e seus conflitos


Por força do relativo distanciamento entre a academia e o mercado, no Brasil há muitos que ainda afirmam: “a teoria é diferente na prática“. Sem entrar no mérito desse “descuido“, acredita-se que as práticas do mercado, por serem mais ágeis, podem se tornar uma “teoria particular”.

No entanto, nas áreas em que as ciências ainda são menos consolidadas, a mídia cria conceitos próprios e os divulga a todo vapor. O setor ambiental, sem dúvida, é premiado com uma boa série de “equívocos conceituais”. Com somente um exemplo, é possível mostrar a sucessão de conflitos que pode ser criada.

─ O que é correto: meio ambiente ou ambiente?

Dicionários da língua portuguesa dão ao verbete “meio” inúmeros significados. Mas existem dois que são específicos e auxiliam na resposta a esta questão, quais sejam:Imagem de divulgação

─ “Meio”, a significar metade, e “meio” com sentido de ambiente. De outra forma, meio é, ao mesmo tempo, sinônimo de metade e de ambiente.

Com base nesses fatos, “meio ambiente” significa “metade do ambiente” ou então “ambiente ambiente”. De um lado seria estranho, de outro uma redundância explícita. Nas culturas reconhecidas como as mais evoluídas do mundo, não existe expressão com “meio” integrado a ambiente. Observe em três idiomas qual é o vocábulo equivalente a “meio ambiente”:

  • Em inglês: Environment.
  • Em francês: Environnement.
  • Em alemão: Umwelt.

Esse argumento já deveria ser suficiente para esclarecer a dúvida, no entanto…

1. Conceito oficial

Segundo reza a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a PNMA, Meio Ambiente é “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

1.1. Análise de conteúdo:

  • Qual o significado de “condições, leis, influências e interações” no contexto ambiental?
  • Quais são as entidades ambientais que promovem as “influências e interações”?
  • Como “condições, leis e influências” podem “permitir, abrigar e reger a vida em todas as suas formas”, senão apenas juridicamente, no papel?
  • As “interações” consideradas serão somente as de ordem física, química e biológica?

Conclui-se que esse conceito é similar a uma “Sopa de Pedra”. Nele cabe de tudo. Porém, afora colocar uma pedra no meio do prato, nada mais esclarece. Trata-se de um mero jogo de palavras, com significado ambíguo, genérico e um tanto confuso.

2. Conceito acadêmico

Ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem.

Essas porções detêm distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são observáveis através do comportamento de seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

2.1. Análise de conteúdo:

  • Biosfera é a camada da Terra integrada à litosfera – que lhe serve de substrato –, onde ocorrem todos os seres vivos do planeta. A atmosfera e a hidrosfera são partes essenciais à biosfera e dela não são desvinculáveis. Assim, biosfera, litosfera, hidrosfera e atmosfera conformam o Ambiente integrado do planeta.
  • Fatores ambientais ou fatores ambientais básicos são os componentes dos ecossistemas da Terra. Estão presentes em qualquer porção que se delimite em sua biosfera. Estes fatores são associados aos espaços ambientais que lhes são afetos, pela ordem: espaço físico [o ar, a água e o solo]; espaço biótico [a flora e a fauna]; e espaço antropogênico [o homem e suas atividades].
  • As relações mantidas entre fatores ambientais são realizadas através de trocas de matéria e energia, que são dinâmicas, interativas e espontâneas. Isto garante a estabilidade e a evolução dos sistemas ecológicos que conformam. Denominam-se relações ambientais.
  • Importante destacar o que deveria ser evidente: as relações ambientais, que se realizam há milênios, são energizadas pela luz solar, e possuem natureza física, química, biológica, social, econômica e cultural.

Por existirem o ar, a água, o solo, a flora e a fauna no mesmo cadinho da evolução da vida, a raça humana é, se tanto, a 6ª parte do ambiente do planeta. Mas nem todos têm sã consciência desse fato.

3. Conclusão

Em qualquer área do conhecimento é necessário estabelecer seus conceitos essenciais. Eles conformarão uma base sólida para a construção do conhecimento, a qual será a fundação de seus processos, metodologias e práticas, até ser beneficiada por acadêmicos visionários. A ser assim, a robustez de conceitos, sem ambiguidades, é fundamental ao aprendizado e à evolução das ciências.

A propósito, não se pode esquecer: o Ambiente não opera conforme determinam os diplomas legais e os juristas responsáveis por sua fabricação. Por sinal, fabricantes que não têm o devido respeito às ciências que o explicam. A Lei da Gravidade, com absoluta certeza, não será abolida por meio de Decreto-Lei.

4. Aos interessados, seguem as palestras

Está-se elaborando apresentações para a realização de palestras sobre o tema “Ambiente e Sustentabilidade”. Se a entidade promotora da palestra disponibilizar a logística necessária ao palestrante, serão conversas gratuitas, com duração de até 45 minutos, e tempo livre para debate. Seguem alguns dos títulos a serem inicialmente oferecidos:

  • Sustentabilidade versus Desempenho Ambiental.
  • Ambiente: a base conceitual e seus conflitos.
  • Identificação da Transformação do Ambiente.
  • Elaboração de Matrizes de Impactos Ambientais.
  • Programação e gestão de Atividades de Campo.
  • Formulação de Cenários Ambientais, atual e futuros.
  • Introdução à Avaliação de Impactos Ambientais.
  • Fundamentos para elaboração de Plano Corporativo Ambiental.
  • Fundamentos para Auditoria de Plano Corporativo Ambiental.
  • Introdução ao levantamento e gestão de Passivos Ambientais.
  • Produção e gestão de Procedimentos [Segurança, Ambiente e Saúde].

Após finalizado o ciclo de lançamento desta obra, que detalha esses e muitos outros temas, serão divulgados seminários e cursos intensivos. Espera-se o interesse dos atuais e futuros Gestores do Ambiente.

Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

CEA: 25 anos de evolução


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão e Escritor.

Este editorial é um depoimento externo à UnespUniversidade Estadual Paulista e seu Centro de Estudos Ambientais (CEA). Constitui a visão de um especialista em gestão, nascido no Paraná, criado e residente no Rio de Janeiro, e agradecido a instituições acadêmicas e professores de São Paulo. Creio que esses fatos comprovam a imparcialidade do texto que se segue.

Em 1991, na qualidade de “palestrante alienígena”, participei do 1º Simpósio Nacional para Análise Ambiental, realizado pela Unesp, em seu campus de Rio Claro. Fora indicado pelo Professor Dr. Miguel Petrere Jr. e aceito pelos organizadores, dentre os quais se destacava uma docente pesquisadora: a Dra. Sâmia Maria Tauk-Tornisielo.

Unesp, Campus Rio Claro

Unesp, Campus Rio Claro

A palestra que proferi intitulava-se “A importância da Avaliação Ambiental”. Fiz dois papers para deixar na universidade, aos cuidados da Professora Sâmia. Narravam os equívocos comumente cometidos por essa prática e propunha um novo modelo para realiza-la com mais robustez, o qual ficou conhecido por MAGIA – Modelo de Avaliação e Gestão de Impactos Ambientais (1986-1989).

Saliento que, naquela ocasião, o CEA – Centro de Estudos Ambientais era uma instituição recém-nascida: um ano de idade. Ainda assim, os professores Sâmia Maria Tauk-Tornisielo, Nivar Gobbi e Harold Gordon Fowler, reuniram e depuraram os papers dos palestrantes para publicar o livro “Análise Ambiental: Uma Visão Multidisciplinar”. Por sinal, esta obra recebeu, em 1992, o Prêmio Jabuti, como o Melhor Livro de Ciências!

As capacidades ecológicas da auto-organização e da coevolução já estavam no DNA do CEA e das relações ambientais mantidas entre os membros de sua notável equipe. Tanto é assim que, em 1994, a Unesp de Rio Claro realizou o 1º Congresso Brasileiro de Análise Ambiental.

Desta feita, fui convidado a proferir uma conferência, que intitulei “Metodologias para a Sustentabilidade Ambiental”. Mas preciso salientar que, por fatos imprevistos, passei a noite em claro, à procura de médicos e hospitais e, pela manhã, minha conferência foi um fracasso. Bem distinta da palestra que fizera em 1991.

Todavia, em 1995, de novo foi publicado o livro do evento – “Análise Ambiental: Estratégias e Ações” – organizado por Sâmia Maria Tauk-Tornisielo et alli. Assim, também tive um capítulo publicado, com o texto da conferência.

Como o congresso teve duração de 5 cinco dias, foi nos jardins da Unesp que lancei meu primeiro livro solo: “Gestão Ambiental – Os Instrumentos Básicos para a Gestão Ambiental de Territórios e de Unidades Produtivas” (1994)[1]. Essa obra foi editada pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), com sede na cidade do Rio de Janeiro. Mas, afinal, lancei-a em Rio Claro, São Paulo!

Devo dizer que, até então, desconhecia um fato muito expressivo: a primeira Faculdade de Ecologia do Brasil fora criada na Unesp, campus Rio Claro, em 1976. Dessa forma, os primeiros ecólogos graduados no país têm hoje 39 anos de formados. Sem dúvida, um importante mérito para o ensino superior brasileiro.

Mesmo não sendo Ecólogo, entendo o que diz o axioma: “tudo o que acontece no Ambiente se dá por necessidade e acaso”. Explico. Desde criança sentia uma imensa vontade de escrever. Aos poucos, essa vontade tornou-se imperativa. Aos 22 anos ganhei um concurso nacional de contos, somente para estudantes universitários. Aos 32 anos, lancei um livro de contos, intitulado “O Lapidador”. Sentia a necessidade de ser escritor. Mas foi por obra do acaso que encontrei Petrere, Sâmia e a Unesp na cidade de Rio Claro. Tornei-me escritor de livros técnicos e acadêmicos dedicados ao setor ambiental.

Mais tarde, em dezembro de 2003, lancei o segundo livro solo, intitulado SLAN – Sistema de Licenciamento Ambiental Nacional: é possível. Foi prefaciado pelo Professor Emérito de Ecologia na USP, Dr. Paulo Nogueira-Neto. Simplesmente, ele foi o fundador do Setor Ambiental Brasileiro, o qual geriu durante cerca de 12 anos, dirigindo a Sema – Secretária Especial do ‘Meio Ambiente’. Foi esse o órgão público, criado em 1973, que organizou o Conama. Depois a Sema foi transformada no Ibama e, mais tarde, de forma indireta, deu à luz ao próprio Ministério doMeio Ambiente’.

Parabéns, Paulo Nogueira-Neto! O senhor é um guerreiro, pois criou o mercado da consultoria ambiental no Brasil, abriu vagas de trabalho para milhares ou até milhões de brasileiros, ansiosos para atuar em prol da estabilidade do ambiente nacional. Porém, sobretudo, criou espaço para o surgimento de novas faculdades e cursos superiores em todos os estados do país!

É nesse contexto que me sinto honrado pelo convite da Dra. Sâmia Tauk-Tornisielo para redigir este editorial, a ser publicado em breve na Revista Holos Environment. A qualidade e aplicabilidade prática de seus inúmeros artigos científicos, sempre elaborados por notórios especialistas nas Ciências do Ambiente, dá sustentação à ideia que a gestão adequada do ambiente é cada vez mais um fato inadiável para a Humanidade.

Por fim, como não poderia deixar de ser, comunico o lançamento de meu terceiro livro: “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Esta obra tem previsão para estar pronta em 30 de junho de 2015, impressa e em formato digital. Tenho certeza que poderei fazer palestras sobre os inúmeros temas da Gestão do Ambiente. Aguardo receber convite da Unesp e retornar ao seu campus de Rio Claro.

……….

[1] Tenho orgulho deste trabalho; afinal, dentre outras coisas mais relevantes, creio que fui um dos pioneiros no uso do termo “Gestão Ambiental”, ao invés do anglicismo “Gerenciamento Ambiental”.

Homem: a 6ª parte do Ambiente


Por Ricardo Kohn, Escritor.

Ao observar o planeta Terra chega-se à conclusão que cada palmo do que é avistado faz parte do Ambiente[1] planetário. Pois, que assim seja: coloque sua mão sobre o teclado do computador e meça um palmo. Saiba que você acaba de se apoiar sobre uma pequena parte do Ambiente.

Agora, siga para mais longe. De posse de um bom binóculo, vasculhe as montanhas perdidas no horizonte. Com certeza, poderá encontrar rochas e matas que fazem parte do Ambiente biofísico da Terra.

Durante um voo de avião tudo o que se vê e respira são partes do Ambiente da Terra: oceanos e bacias hidrográficas, rochas e solos, florestas, faunas associadas, cidades, áreas rurais e o oxigênio da atmosfera são os elementos básicos que formam o Ambiente em que vivemos.

Dizem pesquisadores e cientistas que o Ambiente da Terra começou a ser criado a cerca de 13 bilhões de anos atrás. Segundo eles, através de uma teoria inacreditável, tudo o que se observa no Cosmos (estrelas, planetas, satélites, cometas, etc) estava concentrado em um único núcleo de matéria e energia, que caberia na palma da mão de uma pessoa. Porém, com o aumento da pressão e temperatura, esse núcleo explodiu para formar o Universo, sempre em expansão há bilhões de anos. Aonde deverá parar, quais serão suas fronteiras?…

As imagens do Hubble são indecifráveis e assustadoras

As imagens do Hubble são indecifráveis e assustadoras

Esse núcleo era como uma pesadíssima bola de gude, impossível de ser transportada, mesmo que se utilizasse os mais potentes guindastes e congêneres existentes do mundo. Por volta de 1929, esta teoria foi intitulada por cosmólogos de “Teoria do Big Bang”, a qual ainda tenta explicar a criação do Universo.

Contudo, há dois aspectos que o “Big Bang” não responde de forma clara e objetiva:

  • Em que local se encontrava esse núcleo de matéria e energia confinada, prestes a explodir por nada, sem ter vizinhos? Afinal, o Cosmos sequer existia.
  • Quais foram as causas concretas do aumento da pressão e temperatura deste núcleo nanico, a ponto de causar uma espetacular explosão e criar o Universo?

Por outra ótica, não menos científica, estudiosos dizem que o Universo sempre existiu e, dentro dele, a Terra imersa em seu Ambiente, que é formado pelas relações estáveis mantidas entre Ar, Água, Solo, Flora, Fauna e Homem. Esses são os componentes sistêmicos que criam e recriam sua estrutura, também chamados por fatores ambientais básicos, formadores de seus sistemas ecológicos primitivos.

Não há dúvida, é mais simples admitir que a Terra sempre existiu, a orbitar o Sol. Que nada tão complexo ocorreu para que ela tivesse um início, bem como nada será capaz de ocasionar sua derrocada. Essa visão dá mais tranquilidade aos seres humanos menos fantasiosos.

Mas, a propósito, gostar-se-ia de saber o que a confirmação da hipótese do Big Bang mudaria para os seres vivos do planeta? Talvez nada de relevante, pois, caso contrário, não existiriam os contadores de história que alardeiam a hipótese do “Big Bang”, hoje travestida de “Global Warming”.

Anotações de campo

Seriam necessárias muitas páginas para redigir décadas de anotações acerca da dinâmica evolutiva do Ambiente planetário, em especial a ocorrida nas regiões que já se conheceu pessoalmente. Assim, atem-se a algumas questões pouco debatidas. Senão vejamos:

─ “A evolução do Ambiente planetário tem o mesmo significado com que o homo sapiens trata sua própria evolução” ou a seus olhos constituiria uma involução do Ambiente?

─ “A ‘milenar evoluçãodo homo sapiens tem sido ou não compatível com a manutenção da estabilidade do Ambiente da Terra”?

─ “O Homem realmente é o único fator ambiental pensante ou as demais espécies da Flora e da Fauna possuem uma lógica de raciocínio que lhes é peculiar e, sobretudo, mais adequada a criar a estabilidade do Ambiente”?

─ “Será que a Flora e a Fauna têm alguma noção sensitiva que, para formarem o Ambiente, contribuem com 1/3 da estabilidade do Ambiente planetário”?

─ “Por outro lado, o homo sapiens tem ideia de que sua contribuição positiva proporciona, no máximo, 1/6 da estabilidade do mesmo espaço”?

Entrega-se aos leitores a análise dessas questões. Mas, desde já, garante-se que são simples e, algumas vezes, indubitáveis.

Relato de campo

Eventos ambientais de ordem física acontecem no planeta a todo instante. Estima-se, por exemplo, que a média de terremotos diários está entre 10 a 15 abalos sísmicos. Porém, com frequência menor, ocorrem eventos mais poderosos, como os que acabam de acontecer no Nepal, região de Katmandu.

Na verdade, do ponto de vista do Ambiente, é como se a Terra “espanasse a poeira do corpo” para realinhar suas placas tectônicas. Contudo, na visão do Homem, trata-se de uma tragédia, um desastre causado pela brutal incompetência do Ambiente.

O homo sapiens se esquece que, em inúmeros locais do planeta, ele habita áreas de extremo risco ambiental. Portanto, fica vulnerável a eventos ambientais naturais, todas as vezes que o Ambiente da Terra estremece ou é varrido por tufões, ciclones e tsunamis.

Chama-se atenção que dos seis fatores ambientais básicos que se relacionam para conformar os ecossistemas do planeta, apenas o Homem atua a destruir a todos: polui o Ar, contamina a Água, erode o Solo, desmata a Flora, extingue a Fauna e assassina a si próprio. É curioso, mas alguns cientistas o classificam como “primata inteligente“.

……….

[1] A legislação ambiental brasileira trata Ambiente por “Meio Ambiente”. Tudo leva a crer que é uma herança colonial. Da mesma forma, a língua espanhola trata-o de “Medio Ambiente”. É um equívoco indiscutível. Dentre outros significados, Meio significa Ambiente ou Metade. Como portugueses e espanhóis não costumam ser redundantes na linguagem, então Meio Ambiente significa Metade do Ambiente. Ou seja, o que restou do Ambiente primitivo após a “galera ibérica” perder suas colônias na América Latina.

Sete bilhões de sonhos e um planeta: consuma com cuidado


Por Ricardo Kohn, Escritor.

Há cerca de 12.000 anos, final da Idade da Pedra, os homens reuniam-se em grupos, a vocalizar entre si para tentar o cerco do alimento: outros animais vivos. Traziam às mãos artefatos que produziam para a caça e a luta. Abatiam os animais necessários à alimentação e guerreavam contra os grupos que julgavam ser inimigos, pois teimavam em invadir sua área de caça. Todos eram nômades, formados por “caçadores-coletores”.

A síntese acima contém elementos capazes de mostrar que, além de ser membro da fauna pensante, apesar da comunicação precária, o homo sapiens já possuía certa habilidade de “planejar ações imediatas” para grupos de hominídeos similares a ele.

Dessa forma, acredita-se que o processo de estruturar e executar ações quase organizadas, é nativo dos humanos, intrínseco à sua origem como espécie evoluída de primatas no planeta. A inteligência sempre esteve presente em sua árvore genética.

A ser assim, pode-se inferir que o homem pré-histórico já pensava de que maneira poderia sobreviver no ambiente do planeta. Era como se construísse em seu cérebro um “plano ambiental” de curto prazo, com base em habilidades intuitivas. Tudo leva a crer que, por agir dessa forma, conseguiu manter-se como “espécie faunística não ameaçada” até os dias atuais, na figura do “homem de terno e gravata”: o homo sapiens moderno.

Para este artigo, a questão que se impõe é a seguinte:

Por quais motivos as ações realizadas pelo homem pré-histórico eram similares às de umgestor do ambiente”?

A resposta empírica a esta pergunta considera que o Homem, em qualquer tempo de sua história, somente permanece a existir, a partir das relações que mantem com o ambiente. Por isso, sempre elaborou e executou ações para recolher e transformar “bens ambientais finitos”.

Entretanto, esse processo de transformação intensificou-se com o tempo, função da crescente população humana e do anseio consumista. Cada vez menos, o ambiente do planeta foi tido como essencial à vida humana. Embora o homem seja parte do ambiente e precise dele para sobreviver, já é antiga a visão de que necessita ocupar mais espaço na Terra e mercantilizar seus bens ambientais primitivos: tornou-se um “caçador-extrator”. Hoje chama de “recursos naturais”, bens que são gratuitos e próprios do ambiente. Diz que são “recursos com valor monetário”.

Onde vivem os que consomem o planeta

Onde vivem os que consomem o planeta

As lições da estratégia de guerra formuladas por Sun Tzu, constante de seus escritos em “A Arte da Guerra”, datadas de 2500 anos atrás, têm abordagem ambiental. Os planos militares que as sucederam, ainda hoje, dão ênfase ao que o General Sun Tzu chamava “conhecimento do terreno”, ou seja, do ambiente.

Seguiram-se os planos empresariais, com vistas a remunerar a empresa pelos produtos e/ou serviços que oferece ao mercado – o que equivale às ações de alimentação do homem pré-histórico –, bem como “guerrear no mercado com suas concorrentes”. Todavia, sem armas, somente por meio da inovação e produtividade.

Da mesma forma, muito embora sem guerras, com vistas a manter estáveis os sistemas ecológicos que compõem o ambiente, o homo sapiens moderno criou Planos para a Gestão do Ambiente. Uma de suas finalidades é otimizar o desempenho de empresas produtivas, sobretudo, nas relações que realizam com os espaços físico, biótico e antrópico do ambiente.

Afinal, enquanto as empresas produziram, baseadas em planos particulares, não pensaram na estabilidade dos ecossistemas, de onde se apropriaram de bens a eles vitais. Com visão egocêntrica, consomem o ambiente de forma adversa, não raro conduzindo-o a níveis de total degradação de seus bens ambientais.

Cabe ao Homem moderno saber até onde pode consumir o Ambiente Finito do Planeta. Até por que, o valor dos atuais sete bilhões de sonhos é prisioneiro absoluto dessa finitude.

Atenção! ‘Quatro planos ambientais’


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Leia o prefácio de nosso próximo livro técnico.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que a população mundial esteja na casa dos 7,2 bilhões de pessoas. PrevêRicardo Kohn que alcance a 8,2 bilhões de habitantes até 2025, devendo chegar a 9,6 bilhões, em 2050. A ser assim, a cada século que passa o espaço terrestre per capta reduz-se de forma significativa.

Porém, desde há milhões de anos que a Terra possui a mesma superfície, limitada em cerca de 510 milhões de km2. É composta por água e solo. Foi a evolução da dinâmica entre esses dois fatores, junto com sua atmosfera, que permitiu a instalação da flora no planeta e que sua fauna florescesse. Culminou com os primatas hominídeos, classe faunística em que, até agora, o homem é o fim da linha desta evolução.

Todavia, a partir de meados do século 19, após a consolidação da Revolução Industrial, a Terra começou a dar sinais mais nítidos de que a presença do homem, com suas habilidades construtivas e produtivas, precisava ser muito bem planejada. Sobretudo, no que concerne ao uso e alteração de seus fatores físicos: o ar, a água e o solo, que constituem o substrato da vida da flora, da fauna e do próprio homem.

Desde então, as habilidades da inteligência humana transformam “bens ambientais”, que são essenciais à evolução do Ambiente do planeta, em “recursos naturais” com valor econômico. Recursos estes, tratados como se fossem ilimitados, que após processados são oferecidos ao mercado de consumo, como “produtos de valor agregado”.

Em boa parte, o processo da transformação de bens ambientais em produtos com valor agregado é aceitável, desde que obedeça a certas condições restritivas. A mais relevante é o nível de desempenho ambiental alcançado pelo processo: precisa ser positivo para o Ambiente, sem causar rupturas nas relações ambientais impostas pelo homem aos demais fatores ambientais envolvidos: ar, água, solo, flora e fauna. Do contrário, fatos ocorrentes mostram que todos os bens e fatores serão extintos: não haverá produtos e valor, não haverá mercado. Ter-se-á tão-somente impactos ambientais negativos, a construir a chamada “terra arrasada”.

A visão do desenvolvimento que foca apenas a Economia como seu fundamento é majoritária no mundo. Mas também são conhecidos os efeitos nocivos desta abordagem. Nações frágeis, na miséria, como ocorre na África subsaariana. A pobreza crescente que se irradia pelas castas inferiores da Índia que, aliás, enriquece. Os investimentos brasileiros que redundam em obras megalômanas interrompidas, a corrupção instalada, a demolição sumária do Ambiente e o alto risco para a geração mínima de empregos são fenômenos ambientais comprovados e, de fato, indiscutíveis.

É paradoxal que o homem impacte de forma tão adversa o Ambiente que a ele deu origem e permite que beneficie a qualidade de sua própria vida. Afinal, é da qualidade do ar, da água e do solo que sobrevém a qualidade da vida na Terra: da flora, da fauna e do homem. Há que se trabalhar rapidamente para garantir a estabilidade de todos.

A contribuição teórica e prática a que se propõe o livro “Os Quatro Planos Ambientais” é fornecer ferramentas de gestão desenhadas para manter a estabilidade do Ambiente e de seus espaços – físico, biótico e antropogênico –, enquanto as relações ambientais realizadas entre os variados ecossistemas são mantidas na sua melhor plenitude.

Dessa forma, a Economia é um dentre os diversos segmentos ambientais antropogênicos a serem planificados, tais como: demografia, educação, saúde, segurança, uso e ocupação do solo, infraestrutura logística, infraestrutura de transporte, arqueologia, cultura, sociologia e antropologia.

O livro detalhará como os ‘quatro planos ambientais’ devem ser desenvolvidos, implantados e geridos através de seus resultados, segundo sua programação. Têm níveis e finalidades distintas, podendo serem adotados pelos setores público e privado. São eles:

  • Plano Corporativo Ambiental (PCA), para proporcionar a empresas públicas e privadas o estabelecimento de alvos estratégicos, táticos e operacionais a serem alcançados e as medidas necessárias para realiza-los. Além disso, sem perda de sua efetividade, pode ser adaptado para atender a governos nacionais e estaduais.
  • Plano Executivo para Gestão Ambiental de Obras, com estrutura similar à do PCA, é destinado a empresas de construção civil e montagem, com vistas à minimização ou anulação de impactos adversos proporcionados pelas obras em geral.
  • Plano para Gestão da Sustentabilidade, é destinado a governos municipais e grandes propriedades rurais. Parte das vocações ambientais e geoeconômicas do território, define alvos táticos, metas operacionais, programas e projetos e, se necessário, convida investidores a aportarem recursos com o retorno proporcionado pelo mercado.
  • Plano de Análise e Gestão de Riscos e Impactos Ambientais, que deve ser adotado por empresas que possuam processos e atividades com perigos, riscos e impactos adversos associados.

A crescente demanda não atendida por água, energia e alimentos pode tornar a Terra um planeta ingovernável. Sem planejar suas ações para médio e longo prazo, o homem caminha para o caos. Afinal, a ciência que desenvolveu ainda não construiu um “puxadinho terrestre” para esconder seus lixos e excessos.

Ambientologia


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Há algumas décadas é observado o aumento das preocupações do homem com o destino da Terra. Não por força de agentes cósmicos, externos ao planeta; mas pela ação desastrada de atores internos. Mesmo o “homem comum” – aquele que não adquiriu conhecimento sobre a Dinâmica do Ambiente da Terra –, com ímpetos de solidariedade ao próximo, arrisca palpites e soluções caseiras, que chama de “sustentáveis”.

A dinâmica da Terra resulta de sua estrutura física e de sensibilidades nela identificadas por diversas ciências. Sobre essa dinâmica já foram publicadas toneladas de literatura científica e analítica. Contudo, todas são obras específicas; seus autores tratam o ambiente através dos espaços e segmentos que conhecem. Por exemplo:

  • No espaço físico tratam da climatologia [meteorologia], hidrologia, oceanologia, geomorfologia, geologia [vulcanologia], geotecnia, pedologia, qualidade físico-química da água, etc;
  • No biótico abordam a ecologia, a qualidade biológica da água, vegetação, botânica, fitossociologia, mais as várias classificações da fauna silvestre [mastofauna, avifauna, primatofauna, herpetofauna, ictiofauna, entomofauna, anurofauna, malacofauna, etc];
  • No antropogênico discorrem sobre a demografia, economia, educação, saúde, uso e ocupação do solo, infraestrutura logística, infra de transporte, segurança, arqueologia, cultura, sociologia e antropologia, dentre outros.

Cada profissional dessas áreas oferece uma explicação um tanto limitada para a dinâmica do ambiente. Mas não há dúvida que a ênfase dessa explicação resulta da formação acadêmica que cada autor recebeu, bem como do tempo de experiência que dispendeu em trabalhos específicos.

Adoto um conceito para Ambiente[1] (nota de rodapé) que mostra o que é necessário para entender e prever o comportamento da Terra ou de qualquer de suas áreas e regiões.

Dessa forma, com base em experiências pregressas na execução de trabalhos ambientais, creio ser complexo produzir uma boa visão global da dinâmica aleatória do ambiente. Ou seja, diagnosticar os processos que nele ocorrem, bem como ressaltar seus aspectos essenciais.

Ao longo dos últimos 30 anos, o melhor relatório-produto que pude ler nesta matéria, foi obra de uma rara equipe técnica, composta por 40 consultores. Por sinal, muito bem gerida pelo saudoso e memorável engenheiro, o também oceanógrafo, Fernando Penna Botafogo Gonçalves, a partir de 1986.

Nossa equipe, por definição, teria de ultrapassar sérios obstáculos para obter os resultados esperados pela chefia, tais como:

  • O estudo a ser realizado era para o projeto executivo[2] de uma Usina Hidrelétrica, a ser construída na Amazônia;
  • Nenhum de seus membros havia participado antes da elaboração de qualquer estudo ambiental, inclusive o mestre Botafogo, chefe da Divisão;
  • Apenas três dos 40 profissionais contratados conheciam-se entre si. Os demais eram desconhecidos, estranhos no ninho;
  • A maioria da equipe era recém graduada, sem experiência de trabalho na consultoria. Contudo, quatro dos inexperientes tinham curso de pós-graduação completo.

Em tese, minha função era assessorar a Botafogo: na programação das tarefas da equipe; na gestão dos trabalhos de campo; na análise dos resultados obtidos; e na integração dos relatórios produzidos pelas chefias dos setores físico, biótico e antropogênico.

Digo, em tese, por que isso não ocorreu “conforme combinado”. Posso explicar. Com calma e competência, Fernando arregaçou as mangas e assumiu a liderança direta dos trabalhos. Foi a campo aprender como deveriam ser realizadas as campanhas na mata amazônica e quais seriam as fórmulas para diagnosticar a dinâmica daquele ambiente. Por fim, delegou várias missões a cada membro de sua equipe.

Fazenda Boa Vista, tomada da Pousada

Com essa delegação, realizada à vera, a equipe foi obrigada a compartilhar conhecimentos; todos passaram a se auxiliar mutuamente, ou seja, a trabalhar juntos. Assim, em apenas três meses, os desconhecidos tornaram-se uma família de trabalho.

Entretanto, quando tudo entrava nos eixos, o Engo. Botafogo mudou minhas atribuições no trabalho. Disse-me que, dado meu interesse em elaborar metodologias e modelos, gostaria que eu trabalhasse no desenho de um Modelo para Avaliação e Gestão de Impactos Ambientais, desde que produzisse resultados consistentes.

Após quase dois anos de desenvolvimento, o modelo foi consolidado e ganhou o apelido de ‘MAGIA’. Funciona até hoje, tendo recebido ajustes e vários adendos. Por fim, tornou-se um livro técnico, a ser lançado em 30 de junho deste ano. Falo sobre isso ao final deste artigo.

Mas não criamos a Ambientologia

Trabalhei com Fernando Botafogo na consultoria de projetos, em várias empresas, desde 1972. Junto com nossas famílias, pudemos construir uma sólida amizade. A meu ver, tornou-se o irmão mais velho, dono de criatividade profissional que a todos impressionava.

Por volta de 1990, estava em sua casa de pescador, na lagoa de Araruama, quando iniciamos uma conversa sobre as inúmeras “logias” que os estudos ambientais requerem para serem elaborados, tais como: climatologia, hidrologia, geologia, geomorfologia, pedologia, ecologia, limnologia, fitossociologia, sociologia, arqueologia e assim por diante.

Sem assumir compromissos, nossa ideia era pensar sobre a possibilidade de existir uma ciência que fosse capaz de reunir o conhecimento de todas as Ciências do Ambiente. E foi entre areia, sal e as conchas secas da lagoa, que Botafogo encerrou a conversa:

─ “Ricardo, haveria de ser uma ciência imensa. Raciocine comigo: para uma equipe de 40 pessoas, só no curso da graduação os alunos teriam de estudar durante 160 anos! De toda forma, sugiro que tenha como títuloAmbientologia’. É justo para que essa inteligência tão desejada seja elaborada um dia. Todavia, preste atenção: que eu saiba, ainda não é possível desenvolve-la”.

Pensei nessas palavras durante mais de uma década. Concordei que 40 cursos de graduação demandariam, no mínimo, 160 anos para serem concluídos. Além disso, sem considerar o tempo de vida médio do ser humano (estimado em 79 anos), creio que são raros aqueles dotados de capacidade cognitiva para absorver tanta ciência. E mais raros ainda, se é que existam, os que conseguiriam integra-las em uma única ciência ambiental.

Até onde consegui chegar

De toda forma, segui a trabalhar no desenvolvimento de metodologias para aplicação no setor ambiental. Desejava oferecer a meus clientes novas soluções práticas, de preferência menos custosas e mais rápidas em gerar resultados.

Mas somente em 2012 notei que já houvera elaborado uma boa quantidade de abordagens teóricas e as aplicara com sucesso no mercado consultivo (Brasil, Chile, EUA, Espanha e Itália). Entendi que podia ser boa hora para publicá-las em um livro.

Assim, perguntei a Antônio Carlos Beaumord, um velho amigo dos anos 80 – então com título de “Doctor of Philosophy in Ecology, Evolution and Marine Biology” –, o que deveria fazer para conseguir uma editora que publicasse meu livro. A obra tinha 737 páginas de papel A4, organizadas em 18 capítulos.

A princípio, Beaumord me disse que seria mais fácil verter o livro para o inglês e publica-lo na Califórnia! Lá ele tinha diversos parceiros acadêmicos, que conhecera durante o doutorado. Nos Estados Unidos é normal que um professor se disponha a auxiliar na 1ª edição de bons livros técnicos, disse-me ele.

Porém, após ler os manuscritos, concluiu que tanto a envergadura do trabalho, a profundidade da narrativa, o nível de detalhes no tratamento das metodologias, os estudos de caso reais apresentados, bem como a qualidade pedagógica, dotavam o livro do mérito necessário para ser publicado:

─ “Sem dúvida, trata-se de trabalho que pode se tornar livro texto em cursos superiores sobre a Gestão do Ambiente e da Sustentabilidade. Atende aos preceitos da Academia, seja a brasileira ou a norte-americana”, ponderou o Professor Beaumord.

Edição e publicação do livro

Mas foi através da iniciativa do Professor Padilha, então membro do Centro de Conhecimento em Exatas e Engenharias da UESA, que a possível edição de meu livro teve início em 7 de novembro de 2013. A Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos, a pedido do “Mestre Padilha”, recebeu-me para uma conversa acerca das finalidades de meu manuscrito.

A Diretora Editorial da LTC, Professora Carla Nery, conduziu a reunião. Recordo-me que me foi solicitado responder ao “Formulário para Proposição de Obra“. Conforme acordado, junto com o formulário preenchido, enviei informações complementares: meu currículo profissional, a visão do mercado potencial do livro, a análise de pontos fortes e fracos da obra, das ameaças e oportunidades potenciais previsíveis, as formas de solução, etc.

Em 28 de janeiro de 2014 recebi a grata notícia de ter meu trabalho aprovado para publicação pela Editora LTC. Surpreendeu-me. Sim, por que nunca passara por um processo editorial analítico daquela qualidade, com tantas exigências. Por fim, pelo fato de editar e publicar no Brasil, com elevado padrão de excelência, sem arcar com qualquer custo.

Enviei à editora os originais do livro ao longo do mês de março de 2014. Cumpri com todos os padrões e a sequência editorial por ela estabelecidos: caderno-zero; 18 capítulos; e caderno pós-texto. Desde então mantenho contato com as coordenações que trabalham no processo de produção do livro. A primeira previsão de lançamento da obra ficou para trás, em setembro de 2014. A segunda, não aconteceu como prevista, em março passado. A terceira, que deve finalmente ser cumprida, soube que está garantida para 30 de junho de 2015!

E este será meu próximo livro: “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos. 650 pg. 1ª Edição”.

Após 42 anos de trabalho na consultoria de estudos e projetos, enfim descobri que a Ambientologia, como apelidada por Fernando Botafogo, não é uma ciência ambiental em si, tal as demais. Mas é uma sólida teoria, capaz de gerir a aplicação simultânea de todas as Ciências do Ambiente. Quatro anos de estudo dedicado são mais do que suficientes para seu pleno aprendizado.

……….

[1] Ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (ar, água, solo, flora, fauna e homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como devem ser analisados segundo seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

[2] Quero destacar um fato que considero de expressiva importância. Nos idos dos anos 60, 70, 80 e 90, século passado, projetos executivos eram desenvolvidos por empresas de engenharia consultiva. As empreiteiras se limitavam a construir e não “obravam” sem eles. O Brasil ainda operava como os países mais preparados para o desenvolvimento da “engenharia de precisão”.

A Toupeira


Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

As incontáveis espécies de toupeiras existentes no mundo chamaram-me a atenção, em especial pelas correlações positivas que encontrei ao compara-las com os seres humanos idiotas. Que me perdoem as toupeiras. Decidi ler um pouco sobre elas, mas não encontrei na biblioteca de casa um texto que as descreva e explique.

Após aguardar um mês, recebi da Universidade de Coimbra algumas anotações que solicitara. Falam de forma geral sobre a Família Talpidae. Fiz algumas observações e organizei-as a meu gosto para redigir esse artigo.

Vamos lá. A ciência garante que a classificação taxonômica das toupeiras em geral pode ser esta:

  • Reino: Animalia.
  • Classe: Mammalia.
  • Ordem: Soricomorpha.
  • Família: Talpidae.
  • Nome vulgarToupeira.

Como as anotações as identificavam superficialmente, detive-me em duas espécies, pois as achei com “sotaque de besta política”: a toupeira-nariz-de-estrela e a toupeira-gigante. Segue o breve relato do que conclui, enquanto bebia alguns golos de bagaceira para esquentar…

A toupeira-nariz-de-estrela (Condylura cristata) é um mamífero que vive em túneis e galerias subterrâneas que ela própria cava com suas garras fortes e afiadas. Esse bicho é notável pelo extremo olfato que detém. Seu nariz é repleto de apêndices, como se fossem pequenos tentáculos de molusco. São horríveis aos nossos olhos, mas servem como órgãos sensoriais do tato da “estrela”. Assim, ajudam-na a guiar-se no escuro dos túneis e galerias que esburaca durante a vida toda. A “nariz-de-estrela” usa tentáculos também na procura de alimentos, já que, como todas as espécies da família, é cega tal como as portas. Enfim, foi o mamífero mais atordoante que pude encontrar. Encontrei-as apenas uma vez na vida, na Península Balcânica, região da Sérvia.

A horripilante toupeira

A horripilante toupeira

A “estrela” tem “tamanho de merreca”, entre 15 a 20 centímetros de comprimento; seu pelo é oleoso, à prova d’água; traz uma cauda longa, acoplada num corpo cilíndrico. Vive próxima a rios e lagos, pois, além de cavadora obstinada, é uma estranha nadadora. Olhe a foto acima e imagine esta nanica extravagante em pleno nado livre. Ugh!Desculpe-me, é a bagaceira.

Em suma, a “nariz-de-estrela” habita certas regiões frias da Europa e da Ásia; possui hábitos noturnos e diurnos. Além disso, é ativa durante todo o ano, já que não “comete a hibernação”, se é que me entendem. Contudo, sua alimentação consiste de pequeníssimos insetos e larvas. É por isso, creio eu, que a “estrela” vive esfomeada. Esfalfa-se, alimenta-se mal, porém, ainda assim, não é uma espécie ameaçada. Difícil mesmo é encontrarmos com ela; anda desaparecida.

A toupeira-gigante (Talpa elephus[1])

Há severas dúvidas se a Talpa elephus realmente habita regiões brasileiras ou se é apenas uma horrenda imagem, desenhada para jogos de aterrorizar crianças. Recebi uma foto, mas não vou publica-la. Precisaria ter certeza de que essa coisa demente existe. Mesmo assim, sigo a descreve-la, sem cometer exageros, acreditem.

Características físicas. A toupeira-gigante mede até 1,40 metro de altura, com peso médio em torno de 130 kg. Não possui cauda, mas tem corpo cilíndrico, com ligeiro aumento da circunferência no meio do corpanzil. Em suma, é baixa, pesadíssima, gordurenta e detesta lagos. Por isso – falta-lhe banho –, é muito fedorenta.

A Talpa elephus pertence à classe dos quadrúpedes; porém, quando sofre ataque de predadores, faz inacreditáveis carreiras em duas patas, sempre a soltar seu odor fétido peculiar, capaz de enojar até mesmo hienas esfomeadas. Esta é sua principal arma de defesa para sobreviver, junto com seus enormes dentes centrais, ostensivamente ameaçadores.

Outra característica que julgo curiosa é o facto que gosta de vestir-se tal como se fosse gente. Dizem certos estudiosos que prefere usar vestidos ou saias. Talvez seja pelos grunhidos que emite, inaudíveis à audição humana, que os confunde com palavras e frases desconexas. Acho estranho, mas não posso confirmar. Afinal, nunca estive a conversar com um exemplar da “elephus falante“.

Habitat preferencial. Esta toupeira, embora goste de viajar, não vive bem em clima frio, a menos que esteja a usar proteções sobre o corpo cilíndrico. Por isso, suas áreas de ocorrência são cidades situadas no território brasileiro. Das anotações que recebi transcrevo essa parte: “Por ser um animal muito solitário, com hábitos domiciliares [tal as ratazanas], a toupeira-elefantasomente divide seu espaço com Talpas que tenham faro similar ao dela”.

Alimentação. Similar à “nariz-de-estrela”, possui faro muito aguçado. Todavia, não o usa para encontrar alimentos normais à sua família, mas sim para farejar caixotes de dinheiro a grandes distâncias. Segundo informações que recebi, houve espécimes ancestrais da “elephus” que se dedicaram “a assaltar residências e bancos” para amainar sua fome insaciável. Nesse aspecto ela se confunde com a “nariz-de estrela”: quer comer 24 horas por dia, mas só lhe sobram pequeníssimos restos.

Reprodução. “Todas as Talpa elephus são fêmeas hermafroditas”, afirmam as anotações de Coimbra. E dizem mais, “por serem muito arbitrárias, este facto condiz com sua decisão pela solidão autoritária e despótica”. Dessa forma, deduzo que se reproduzam pouco e a sós. Quiçá, em sessões de masturbação frente ao espelho.

Isso explica o facto de a Talpa elephus ser uma espécie faunística que enfrenta forte processo de extinção. E não é motivado pela fome de seus predadores, mas por suas atitudes idiotas: opta pela “solidão autoritária e despótica”.

Habilidades. Não recebi qualquer informe acerca das “habilidades da toupeira-elefanta”. Não me parece razoável que possa existir um animal silvestre desabilitado por completo. A ser assim, embora bastante cansado, decidi especular sobre o assunto, com base na lógica e na bagaceira.

Em resumo, essa criatura, ainda que hostil, possui três dotes naturais que a habilitam a ser uma política no Brasil:

  • Pode fazer bons discursos de palanque, a emitir seus grunhidos desconexos. Basta arreganhar a bocarra, mostrar a alegria na dentuça e ser adestrada para ter um bom gestual.
  • Como gosta de olhar-se em espelhos para procriar, um bom adestrador pode treina-la em bons modos, gentilezas, serenidade e convívio social. Assim, acompanhará seu próprio adestramento.
  • Em caso de desagrado da plateia, já é habituada a fugir com celeridade. Pode fazê-lo vestindo saias e acenando para seus predadores a fingir alegria.

Minha garrafa de bagaceira ousa dizer-me que a ciência terá um vasto campo de pesquisa e descobertas se fizer um criatório controlado de toupeira-elefanta. Depois dessa, com licença e boa noite. Vou dormir no barco.

Ugh! Matei o último litro da Adega Velha!

……….

[1] Como não descobri o nome científico desta espécie, para o texto não ficar um tanto “rasteiro”, sugeri o nome Talpa elephus que, em tradução literal, significa “toupeira-elefanta”.
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Fiquei a saber…


Ricardo Kohn, Escritor.

Hoje fiquei a saber do seguinte boato: a lista dos “fregueses denunciados (54)” pelo juiz federal Sérgio Moro, enviada para a Ricardo KohnProcuradoria-geral da República, é bem mais completa do que a “listinha para investigações (28)” que acaba de ser encaminhada ao Supremo Tribunal Federal pelo excelentíssimo procurador-geral, Rodrigo Janot.

Isso leva-me a crer que a lista dos futuros “investigados” (nunca serão denunciados) antes teria sido “filtrada” com maestria por uma “insinuante comissão de asseclas”, extraídos da nata da quadrilha do Petrolão. Somente a partir disso, a lista foi rubricada e assinada pelo senhor procurador-geral. Aliás, disse ele que “passou um pente fino”, mas nada encontrou contra o “casal de morubixabas”. E ainda se felicitou por isso! É um acinte às esperanças do pobre cidadão brasileiro.

Hoje também fiquei a saber que existe no Chile um furioso estrato-vulcão, o Llullaillaco, com cratera a 6.740 metros de altitude. Segundo uma lenda atribuída aos índios mapuche[1], “es un volcán que expele mierda caliente y limpia”. Porém, pelo que conheci e pesquisei, os mapuche respeitam como deuses do fogo os 28 vulcões que emergem do solo chileno. Acho que parte desta história deve ser outro boato.

    O amanhecer de Llullaillaco, por Lion Hirth

O amanhecer de Llullaillaco, por Lion Hirth

Por fim, fiquei a saber hoje que no Brasil há um pequeno monte que emite ruídos desagradáveis e cheiro pungente de enxofre, o Llullapatranha. Tem a garganta profunda situada a 1,5 metro de altitude e suas explosões derramam-se sobre seu sopé, mesmo quando usa megafone.

Segundo a lenda inventada por seus patéticos adoradores, está prestes a entrar na grande erupção final. Mas, ao contrário do que nos querem fazer acreditar, vai diluir-se em filetes de “mierda caliente”, que se desvanecerão pelas fétidas redes de esgoto do país. Não deixará vestígios de sua existência. A ser assim, fiquei a saber que essa história é uma notável predição.

……….

[1] Mapuche ou “gente da terra” são o povo indígena que ainda habita nos Andes chilenos.

‘Maravilha’


Por João de Moura Macedo, de Nazareth da Mata, PE.

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Erasmo e Euzélia, pais de João de Moura Macedo

Este breve relato é sobre uma nação muito pouco conhecida, mas que, em minha visão, é o “País da Maravilha“. Faço um resumo de tudo o que li acerca dessa inacreditável nação. Devo dizer que procurei selecionar seus aspectos de maior interesse.

Assim, tento mostrar a imensidão de seu território e a qualidade de seu ambiente; o terreno exclusivo que possui para acolher vegetação e fauna silvestre; e, bem assim, as linhas básicas de convivência de seus cidadãos, os dignos maravilhenses.

Nesse relato optei por seguir a sequência aceita como a história da formação do Ambiente da Terra, assim sintetizada:

  • Primeiro, aconteceram choques entre gigantescos blocos de rocha no espaço sideral, o que veio a dar origem a seu furioso Espaço físico: extremos tremores das rochas que se acomodavam, com fortes emissões de gases e lava, até tornar-se um colosso geológico;
  • Em seguida, após 2,5 bilhões de anos, encerrou-se o resfriamento da crosta colossal, bem como a formação de sua atmosfera. Assim emergiu a vida, o Espaço biótico, que teve origem em pequenas algas marinhas: as cianofíceas;
  • Por fim, estimados a partir da sua origem física, 5,5 bilhões de anos depois, emergiu a bravata do Espaço antropogênico, onde os humanos são os desastrados construtores.

Contudo, embora esta sequência também haja ocorrido na Maravilha, nela não aconteceram as deformações provocadas pelo homem. Seu ambiente ainda é o primitivo e, em grande parte, intocado.

Por isso, acredito que esse documento possa servir de parâmetro para avaliar a humanidade e a educação em mais de 160 países. Devo dizer, países ainda “repetentes no curso primário” promovido pelas Nações Unidas, desde 1945. Tenham a santa paciência, vão catar coquinhos, 70 anos de repetência é motivo para jubilação!

Espaço físico

A sorte geográfica desta nação foi absurda e, de certo modo, ingrata com a maioria dos países do globo. Imagine: seu território se estende por uma área de 8,5 milhões de km2! De norte a sul, o litoral maravilhense possui 9.200 km de extensão, com belezas cênicas inigualáveis.

Nele existem pequenas montanhas, falésias, planícies costeiras, milhares de enseadas, um estuário de mar aberto, dezenas de arquipélagos, centenas de manguezais e até regiões com o litoral rendilhado pelo artesanato da natureza.

O clima da Maravilha apresenta magníficas variações, do equatorial ao frio, com classes intermediárias bem definidas: tropical, subtropical, semiárido e temperado. Isso mesmo, condições de tempo que vão do clima tórrido até geadas e neve.

Na Maravilha não existem vulcões ativos. Todos são morrotes extintos há milênios. Em seu território e na sua costa marítima nunca ocorreram ventos fortes como tufões, ciclones ou furacões. Por outro lado, a Maravilha detém as maiores reservas mundiais de nióbio, vanádio e outros metais estratégicos, afora manchas das chamadas terras raras.

Afirmam pesquisadores do espaço físico que a Maravilha detém 12% da água doce do planeta. Pois, a caminhar terra adentro, é surpreendente o grandioso volume de água com que se depara. São rios, lagos, cachoeiras, riachos, corredeiras e lagunas marginais, todos a transbordar água mineral nativa, pura e potável. É incrível!

Por sua vez, seus solos são profundos em pelo menos ¾ de seu território. Além disso, possuem variados nutrientes, que não cabem ser enumerados aqui. Mas sua composição em nitrogênio, potássio e cálcio é de tal ordem estabilizada, que os torna aptos para a produção espontânea de vegetais e frutos comestíveis.

Essa é a síntese do que a Maravilha oferece como substrato físico à evolução de todas as espécies vivas nela ocorrentes.

Espaço biótico

Grandes manchas vegetacionais ocupam 85% do território maravilhense. Dado seu relevo “de suave a ondulado”, suas notórias vocações climáticas, mais o volume de água que se espraia por seu terreno e a notável qualidade de solos, as coberturas da flora possuem elevada biodiversidade, a apresentar biomas com grande extensão e complexas relações entre suas espécies – fitossociológicas.

Já a fauna ocorrente na Maravilha é soberba, tanto em sua abundância, quanto na extrema diversidade. Seus espécimes tentam encontrar na variedade de florestas, matas, savanas e campos existentes seus habitats ideais, feitos pelo acaso e sob medida.

No entanto, embora as regiões que são cobertas pela vegetação sejam de grande extensão, não é fácil para os incontáveis espécimes da fauna silvestre (mastofauna, avifauna, ictiofauna, primatas, herpetofauna, entomofauna, aracnofauna, malacofauna e anurofauna, dentre outras classes) permanecerem no mesmo “espaço domiciliar”, pois ocorrem os conflitos normais, por vezes, letais.

Mas, ao fim e ao cabo, é a seleção espontânea imposta pelo ambiente que desafia quais espécimes possuem habilidades para se adaptar, sobreviver e procriar.

Vale dizer, o povo maravilhense tem plena consciência da importância desse patrimônio ecológico e o mantém praticamente intacto, há séculos, sem necessidade de leis, polícias e ameaças. Procedem assim por que é um costume incorporado em cada cidadão, após 500 anos de democracia liberal.

Espaço antropogênico

A propósito, depois de criada a democracia ateniense, por volta de 2.700 anos atrás, com base nas propostas de dois pensadores gregos, Sólon e Clístenes, a Maravilha foi a primeira nação do mundo a constituir-se Estado Liberal Democrático, em 1515.

Desde então, nunca foi colônia de outro país, nem pensou em colonizar terras além mar. Sua única constituição federal está impressa em apenas uma folha de papel e até hoje não sofreu qualquer emenda. Por isso, os cidadãos maravilhenses recitam-na de cor, como o poema que mais lhes aprazem.

Na Maravilha não existem leis ou decretos públicos. Ela é regida conforme os costumes de seu povo que, desde sua origem, elegeu uma assembleia nacional para coordena-lo, sem a participação do que chamam grupelhos políticos. Essa instituição não possui um “mandato” e seus membros não recebem qualquer remuneração, apenas uma justa e pequena ajuda de custo.

Contudo, precisam ser substituídos por força da democracia liberal. Por exemplo, há saídas para resguardar intacta a missão assumida por alguém, que não a concluiu dentro do prazo. Há saídas espontâneas, pois qualquer membro sente-se eticamente motivado a substituir a si próprio, quando encontra um cidadão mais útil do que ele, que atenda melhor à sociedade maravilhense. E, por óbvio, acontecem as substituições por falecimento.

Desde seu nascimento como Estado, a constituição maravilhense (1515), redigida em praça pública, estabelece por consenso que serviços de educação e saúde são os pilares básicos de sua governança e evolução. E assim o é, até hoje.

Dessa maneira, não existe um único analfabeto perdido em seu território nacional. Todos os maravilhenses completaram, no mínimo, o ensino médio. E o que é mais notável: 95% deles possui pelo menos um título superior em Gestão do Ambiente, Medicina, Engenharia e Matemática Aplicada. Somente a graduação nessas áreas requer 8 anos de cursos intensivos, teóricos e práticos. A partir daí, formaram-se mestres e doutores, aos pelotões.

Para se ter uma medida, nas cidades maravilhenses existem mais bibliotecas do que lojas de loteria no Brasil inteiro! São instituições públicas, que recebem toneladas de livros de todas as nações cultas do mundo. Afinal, em média, o maravilhense sabe ler, escrever e falar com fluência pelo menos cinco idiomas, além da língua materna.

O hábito de ler, interpretar e aprender é uma tradição de cinco séculos naquela nação. Nas ruas e campos vê-se, diariamente, uma grande quantidade de pessoas a aprender com um livro às mãos. Por força de vários fatores, inclusive a bendita sorte, tornou-se uma epidemia nacional, sem condições de retorno à origem do homo sapiens, insipiente e destruidor agressivo.

Afinal, o que é a Maravilha?

É fruto da exuberante educação construída e distribuída a seus cidadãos, durante séculos. Os maravilhenses souberam organizar suas cidades em pequenas áreas, de forma a não destruírem seu santuário ambiental, tanto o físico, quanto o biótico. Saliento que sua divisão “geopolítica” possui somente dois níveis: o Estado maravilhense e suas cidades. Não existem os estados e os municípios.

Portanto, nunca houve governadores e prefeitos, deputados e vereadores. Eles eliminaram os gastos com o que chamam de “maldita máquina pública”. Para eles são apenas máquinas de produzir burocracia e confusão, enfim, “instrumentos da corrupção”.

As casas, equipamentos urbanos e serviços de uso público foram erigidos entre a vegetação nativa, de modo a mantê-la de pé. Por sinal, em cada cidade está instalado um viveiro de mudas de espécies nativas. São milhares de viveiros implantados na Maravilha. Assim foi criada uma de suas principais fontes de riqueza, pois exporta toneladas de mudas para países civilizados que desejam reflorestar seus territórios.

Os cidadãos maravilhenses são vegetarianos há séculos. Não há gado de corte no país. Em troca, cada cidade possui grandes hortas comunitárias, plantadas em harmonia com a mata. Se for feito um sobrevoo sobre a Maravilha, somente ressaltarão aos olhos do observador somente seus polos industriais, aeroportos e portos. Criará uma sensação curiosa: para que servem industrias e aeroportos se não existem pessoas?

A produção de energia elétrica do país adotou uma solução óbvia. Cada casa, unidade produtiva, unidade de serviço público produz a energia que consome. Há mais de século, cientistas maravilhenses desenvolveram fontes eólicas, solares e de biomassa, visando a consumidores de pequena e média envergadura. Portanto, não existem linhas de transmissão a atravessar o território da Maravilha.

Inversamente, a segurança pública possui uma solução antiquada, creio eu. Como a principal fonte de receita do país é o turista estrangeiro, que possui “costumes estrangeiros”, é o exército quem faz a segurança, pois lá não existem polícias. E ele mantém a tradição medieval da pena de morte para tudo o que a assembleia nacional considerar “crime contra a pátria“.

Não vou entrar no mérito dessa questão, mas há um benefício econômico para a nação: não existem penitenciárias, prisões, celas ou qualquer gênero de “armazém de criminosos”. Além disso, para desmotivar eventuais “intrusos”, todas as famílias do país possuem armas de fogo em casa. Entretanto, a taxa de criminalidade no país é zero e o tempo de vida útil do maravilhense é de 95 anos.

Concluo que essa foi a forma democrática e liberal que o povo do País das Maravilhas escolheu para viver, desde 1515. Suas comunidades são saudáveis, cultas, humildes e muito sociáveis. São capazes de criar soluções, simples ou complexas, que aumentem a produtividade de sua economia, bem como a qualidade de suas vidas. Dessa forma, deixo questões que não consigo responder:

─ “Por qual motivo os países associados às Nações Unidas não adotam essa forma digna de viver”? “Por que preferem se destruir e se corromper com extrema naturalidade“?

Concessões públicas ‘definitivas’


Empresa privada e economia de livre mercado são termos inadmissíveis para o “altruísmo” de líderes socialistas e comunistas. São expressões insuportáveis para ideólogos cubanos, norte-coreanos, venezuelanos e russos, que impõem a seus povos, se necessário pela força das armas, o que ainda chamam “ditadura do proletariado”!

Em nenhuma hipótese, admitem que grupos de pessoas tenham liberdade para se organizar, produzir e comercializar os produtos de seu trabalho. Segundo eles, essa prática precisa ser erradicada da face da Terra. Somente o Estado possui esse direito, inalienável e intransferível. Por óbvio, sob seu poder centralizado, todo o povo deve sentir-se feliz por ser operário do Estado.

A sociedade organizada a trabalhar com liberdade

A sociedade organizada a trabalhar com liberdade

Contudo, mesmo submisso a essa filosofia de escravização, há exceções. É o caso da Rússia, onde existem os imperadores do petróleo, único produto que exporta, além dos armamentos bélicos produzidos pelo Estado.

Observa-se que as poucas nações comunistas, que conseguiram sobreviver à consolidação mundial da economia de livre mercado, encontram-se em processo de decadência ou até mesmo de autodestruição – Venezuela, Coreia do Norte e Cuba.

Mesmo assim, há líderes do 3º mundo que, embora “governem” democracias capitalistas, têm pretensões ditatoriais e, se houver espaço, de implantar o comunismo, ainda que travestido de “populismo interventor”. Argentina e Brasil são dois exemplos que se destacam pelo triste estágio de decadência moral, política e econômica a que já chegaram.

Ocaso brasileiro

O aumento de tributos, tarifas públicas e cortes orçamentários recém realizados, demonstram que a economia encontra-se “quebrada”, em forte recessão. Em síntese, o desgoverno federal precisa “fazer caixa” com a máxima urgência.

Porém, não se crê que as medidas econômicas adotadas sejam suficientes para esse fim, uma vez que a oferta e consumo de bens e serviços encontram-se em queda vertiginosa. A única ação inteligente é retirar das patas do governo as empresas estatais e bancos públicos.

É fácil justificar essa posição. Em 2014, o déficit primário brasileiro foi da ordem de US$ 18,5 bilhões. A compara-lo apenas com o escândalo da Petrobras, se a “superavaliação de ativos” da estatal foi da ordem de US$ 88 bilhões[1], quantos bilhões terão sido pagos de propina às quadrilhas do planalto central?

Agora, imagine quais serão os efeitos para o crédito internacional do Brasil com o escândalo que decorrerá da soma do Petrolão com eventuais propinas das obras realizadas nos setores elétrico, rodoviário, ferroviário, aeroviário, esportivo e do paquidérmico PAC.

Não é necessário sequer pensar em “malfeitos” que tenham sido cometidos através da Caixa Econômica e Banco do Brasil. Basta apenas não esquecer que sua gestão é pública e ambos pertencem ao mesmo desgoverno interventor.

Concessões públicas definitivas

Essa é a escolha que se faz com relação a empresas estatais e bancos públicos: licitar suas “concessões definitivas” para investidores privados. Na linguagem da economia do livre mercado, privatizar tudo o que não é propriedade adequada de um Estado nacional decente, muito menos do Estado-corrupção brasileiro.

Os frutos econômicos desta privatização “ampla, geral e irrestrita” trará vários benefícios ao país, mas destacam-se dois: (i) cobrir com folga o “rombo de caixa” existente; (ii) eliminar sumariamente os processos de corrupção continuada que assolam empresas e bancos “dominados” pelo governo.

Dessa forma, o Estado fica tão-somente com os encargos da governança pública, tais como: relações com a sociedade, estratégia pública, planejamento, saúde, segurança, macroeconomia, relações internacionais, defesa e, acima de tudo, educação de primeira qualidade. Caso contrário, manter as quadrilhas no poder, será como permitir que se instale uma doença maligna na “Evolução das Espécies”:

─ “Os bebês ao nascerem baterão a carteirado obstetra”.

……….

[1] Nota: para ler mais detalhes clique aqui.

A ‘privataria’ no Parque do Flamengo


Por Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

Breve histórico

O Parque do Flamengo, que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico NacionalIphan, em 1965 – e, mais tarde, também pelo governo do município, através de lei de 1995. Mas, desde de julho de 2012, é considerado Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco. Vejam a cópia da planta oficial de tombamento feita pelo Iphan.

Perímetro de tombamento do Parque do Flamengo

Perímetro de tombamento do Parque do Flamengo

A questão básica é a seguinte: ─ “Por quais motivos esse equipamento urbano foi tombado e premiado pela Unesco com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade?”

Para responder a essa questão é necessário entender a magnitude do problema urbano que existia na cidade e, sobretudo, no bairro do Flamengo, ao fim da década de 1950. A população se avolumara pelo intenso fluxo de migração interna para a então capital federal. No entanto, seu sistema viário e seu saneamento básico, eram extremamente precários. Esgotos in natura eram lançados na orla marítima da cidade, criando as chamadas “valas negras” em suas praias.

Vista da Praia do Flamengo, com o aeroporto Santos Dumont ao fundo

Vista da Praia do Flamengo, com o aeroporto Santos Dumont ao fundo

Várias áreas da cidade foram aterradas desde cedo. A começar pela região do porto, fundo da Baía da Guanabara. O próprio aeroporto Santos Dumont foi construído sobre área de aterro. Boa parte da praia do Flamengo também sofreu o mesmo processo, mas foi em vão.

Somente em 1961, o governador do Estado da Guanabara, jornalista Carlos Lacerda, e seu Secretário de Viação e Obras, engenheiro sanitarista Enaldo Cravo Peixoto, receberam proposta da paisagista Lotha de Macedo Soares, que visava a criar um parque na praia do Flamengo. A proposta foi aprovada.

Para fazer frente a esse extremo desafio, foi criado um grupo de trabalho visando a planejar, projetar e gerir a construção e plantação da flora nativa no Parque do Flamengo. Notórios profissionais participaram deste grupo [1], que teve a frente o arquiteto Affonso Eduardo Reidy e a própria paisagista, Lotha de Macedo Soares.

Conforme projetado e finalizado, o Parque do Flamengo diferencia-se das belezas cênicas do Rio, todas elas herdadas da natureza, mero acaso das relações mantidas entre os sistemas ecológicos que nela se formaram, à revelia do ser humano.

Na verdade, o Parque do Flamengo a elas se integra sem perder suas funções urbanísticas vitais – mobilidade urbana, acessibilidade a pessoas com deficiência, educação, esportes, bem estar, laser, recreação e, acima de tudo, manter permanente seu enlace com os ecossistemas terrestres e marítimos da região.

Na visão de Reidy, obstinado pela equidade na ocupação do espaço urbano, o Parque do Flamengo, ao tornar-se um bem público, já justificava sua restrição plena como área non aedificandi. Infelizmente, Affonso Reidy faleceu jovem (54 anos, em 1964) e não acompanhou o processo de tombamento do Parque a que tanto se dedicou.

Vista aérea do Parque do Flamengo e suas vizinhanças

Vista aérea do Parque do Flamengo e suas vizinhanças

Manutenção do Parque

Desde quando foi inaugurado, nas festividades dos 400 anos da cidade, o Parque do Flamengo teve sua primeira manutenção realizada em 1999, feita pelo escritório do paisagista Roberto Burle Marx. Esses trabalhos envolveram o replantio da flora afetada, assim como a inspeção e eventuais obras civis nas passarelas do parque.

A poda de árvores e os cortes dos gramados sempre foram atividades sistemáticas realizadas por um órgão público chamado Parques e Jardins. No entanto, a prefeitura passou esta responsabilidade para a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). É evidente que esta empresa não é habilitada para realizar podas e replantios de vegetação, muito menos obras civis.

O descaso do atual prefeito com relação ao Parque do Flamengo é de tal ordem que, a pensar nas verbas para as obras destinadas aos Jogos Olímpicos de 2016, o Parque foi esquecido em estado lamentável.

Este é o estado das passarelas do Parque do Flamengo

Este é o estado das passarelas do Parque do Flamengo, ferragens aparentes…

Por sinal, caro Eduardo Paes, como andam as obras olímpicas nas cinco regiões de jogos que foram pactuadas com o Comitê Olímpico Internacional? Prometidas pela trinca de falcatruas: Lula, Sérgio Cabral e Paes, o inventor do tal “Porto Maravilha“.

Obra na enseada da Glória

Mas eis que surge uma “parceria público-privada”, obcecada em desconstruir um bem público, finalizado e tombado há 50 anos. Marqueteiros aliados ao poder público tiveram a desfaçatez de chama-la “Revitalização da Marina da Glória”.

Aos olhos do povo do Rio, com plena consciência de seus direitos humanos e legais, trata-se de “descarada negociata”. Tudo indica que sua realização conta com o conluio de instituições públicas – Iphan e prefeitura do Rio –, dado que permite a execução de um projeto ilegal, antes já rejeitado pelo próprio Iphan!

Um grupo de cidadãos brasileiros iniciou um movimento popular – clique em “Ocupa Marina da Glória” – visando a impedir a deformação urbanística do Parque do Flamengo. A finalidade desse movimento é simples: conservar um bem público tombado como área non aedificandi e impedir o desmatamento sumário da vegetação ocorrente na enseada da Glória, local da dita “revitalização da Marina”. Segundo informações públicas, cerca de 300 pés de árvores já foram decepados na área do canteiro de obras e suas imediações.

Signo do crime ambiental cometido pela Prefeitura do Rio

Signo do crime ambiental cometido pela Prefeitura do Rio

No entanto, a Secretaria Municipal de Ordem Pública, através de ameaças violentas por parte da Guarda Municipal, determinou a retirada de barracas, faixas e pessoas que protestam contra a invasão de seus direitos. Ressalta-se que esta violência já foi realizada contra os que participam do movimento “Ocupa o Golfe”, que ocorre na Barra da Tijuca.

É patético, mas na Barra pessoas foram agredidas e presas hoje, por expressarem seus direitos de cidadão e, sobretudo, seu dever de proteção da cidade do Rio de Janeiro. Afinal, a cidade, o estado e o país são nossa propriedade. Fomos nós que delegamos a prefeitos governadores e presidentes a obrigação de geri-los da forma como definirmos. Precisa-se, com urgência, de um “recall de políticos“!

Eduardo Paes, espera-se que a “privataria” do Parque do Flamengo já o haja “beneficiado” bastante. Até por que, no Rio de Janeiro você jamais chefiará qualquer instituição pública, sequer uma equipe de safados da sua laia.

……….

[1] Membros do Grupo de Trabalho: Affonso Eduardo Reidy e Lotha de Macedo Soares (direção); Sérgio Wladimir Bernardes, Jorge Machado Moreira, Hélio Mamede, Maria Hanna Siedlikowski, Juan Derlis Scarpellini Ortega e Carlos Werneck de Carvalho (arquitetos); Berta Leitchic (engenheira); Luiz Emygdio de Mello Filho, Magú Costa Ribeiro e Flávio de Britto Pereira (botânicos); Ethel Bauzer Medeiros (especialista em recreação); Alexandre Wollner (programação visual); Roberto Burle Marx & Arquitetos Associados, com Fernando Tábora, John Stoddart, Júlio César Pessolani e Maurício Monte (paisagistas).

Matriz de energias alienígenas


Por Cláudia Reis, Gestora Ambiental.

Estou encafifada desde ontem, após assistir a um debate entre três notórios especialistas em água e energia. Todos super-conceituados, inclusive com título de doutores.

Muito foi falado sobre o uso de diversas tecnologias para a transformação de esgoto em água potável, investimento em obras de novas usinas, educação da população, necessidade de aumentar o preço, tanto da energia, quanto da água, e ainda colocaram a culpa da crise atual (catástrofe?) no licenciamento ambiental e em ambientalistas xiitas.

O que muito me impressionou em todo o debate, foi não ter havido qualquer menção à necessidade da diversificação da nossa matriz energética (sem água, de nada adianta ter hidroelétricas), e muito menos da necessidade do “desmatamento zero“, sobretudo, em áreas de nascentes. Por óbvio, é daí que vem a falta d’água! Essa é sua principal causa.

Reflorestamento, sequer foi cogitado. Pelo contrário, fiquei com a impressão que a ideia é aumentar as “ilhas de calor” em que se transformaram nossas cidades, recheadas de concreto, com cobertura de asfalto. Falta a visão macro do problema, e que aliás não é só de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Assim, não verifiquei entre os interlocutores a imprescindível visão estratégica para agir de forma sistêmica sobre as causas da falta de água e energia.  O que é proposto, são medidas pontuais, que sequer resolvem problemas de curto prazo, como execução de obras, de mais usinas hidroelétricas, termoelétricas e, quem sabe, nucleares.

Linhas de transmissão, para atender aos parques eólicos já implantados, e o uso de energia solar domiciliar, em um país onde Sol é o que não falta, parece ser ainda visto, em pleno século 21, como algo extraterrestre, alienígena.

Energias alienígenas

Energias alienígenas

Revolução do Ambiente


Por Ricardo Kohn, consultor em Gestão.

Introdução

Ao se analisar o atual cenário do Ambiente [1] do Planeta, verifica-se a ocorrência de uma série de fenômenos adversos (com impacto negativo), que se manifestam em grandes regiões da Terra (alta distributividade) e, possuem elevada potência de transformação (intensidade) das áreas em que ocorrem (degradação).

Se nada for feito para cessar as causas de boa parte desses fenômenos (eventos ambientais de ordem política e econômica), suas manifestações permanecerão a atuar até que os fatores ambientais por eles impactados [2] sejam extintos (duração máxima). Isso não é uma profecia, mas fruto de raciocínio lógico e factual. Senão, vejamos.

Classificação de eventos ambientais

Sempre que se deseja analisar esse cenário ambiental de forma mais consistente, organiza-se os eventos ambientais adversos em três classes distintas:

  • A classe dos eventos físicos, próprios de geodiversidade terrestre, é a que detém os eventos mais intensos e localmente violentos: terremotos, maremotos, erupções vulcânicas, tsunamis, incêndios florestais espontâneos [3] e grandes vendavais – tornados, tufões e ciclones. Estudiosos envolvidos em sua explicação ainda não encontraram qualquer ação humana que seja capaz de gerar a manifestação desses eventos.
  • A classe dos eventos bióticos é extremamente sensível e possui dois tipos básicos de causa. Ou decorre dos eventos físicos do planeta, até então incontroláveis, ou é promovida pelo próprio ser humano. De toda forma, impactos adversos sobre a biota trazem inumeráveis efeitos negativos. O que varia entre os dois gêneros de causação – físico e antropogênico – é a área de manifestação (distributividade) e o tempo de manifestação dos eventos causadores (duração).
  • Por fim, tem-se a classe dos eventos antropogênicos. É nitidamente a mais adversa e paradoxal. Não apenas graças à intensidade e distributividade planetária de seus impactos negativos, mas pela quantidade de naturezas que possuem seus eventos e a alta frequência diária com que ocorrem. É um paradoxo pelo fato que o Homem, seu único ator ativo, ameaça e destrói a si próprio, enquanto pensa que evolui. De fato, apenas tornou-se uma ‘subespécie da sub-fauna’.

Mundialmente, durante as oito últimas décadas, personificado pelos ‘governantes’ que elegeu, o ser humano tem dado mostras inequívocas de sua extrema ignorância e agressividade.

Democratizou-se o debate

Em março de 2004, ocorreu em Roma um fórum internacional que reuniu especialistas em Políticas para Gestão Ambiental, provindos de cerca de 110 nações. A ONU cedeu suas instalações, situadas na Via Termas di Caracalla. O fórum foi promovido pelo ‘Ministério do Território e do Ambiente da Itália’.

Recebi um convite do Chile para participar, com passagem de avião e despesas de hotel já pagas. Ao chegar em Roma, no prédio onde se iniciava o evento, fui avisado que deveria ir até a secretaria para receber textos impressos, alguns euros para despesas de alimentação e pegar crachá de identificação. Nele estava impresso meu nome e o país a que representava: Chile.

Solicitei a troca, mas esclareci que também não era representante formal do Brasil no evento, apenas um consultor brasileiro. Assim, naquela segunda-feira, prossegui rumo à abertura do encontro.

Não estava previsto na agenda dos debates, porém, por proposta do Ministro do Ambiente da Inglaterra, que abriu o fórum com fala direta e objetiva, o tema principal dos debates tornou-se “Principais impactos adversos promovidos pelo Homem e suas instituições – Discussão de casos e Paradigmas de solução”.

Dois dias depois, pensei que as seculares propostas da Democracia Ateniense talvez ainda estivessem a pairar sobre as ruínas do Fórum Romano e, com base nelas, os presentes fizeram a escolha. O fato é que o clima dos dois salões em que aconteceram os debates tornou-se amistoso e cooperativo. Decididamente, informal. Todos falaram com todos ou, pelo menos, tentaram.

Um pouco da participação

Na noite do segundo dia houve um coquetel de confraternização. Pessoas cordiais, vinhos de primeira linha, ótimos acepipes, quando alguém na multidão gritou meu nome:

─ “Quem é Ricardo Kohn, representante do Brasil?!

Virei-me e vi um jovem próximo dos 45 anos, com o braço esquerdo erguido e nele um copo de uísque com gelo; de fato, não se tratava de um escocês, conclui. Acenei de volta e tivemos um encontro brasileiro. Seu crachá trazia o nome Badaró, BP Gas, Bahia, mas ele tinha sotaque mineiro.

Expliquei-lhe que não representava o Brasil, mas fora convidado pelo Chile, graças aos contatos de um grande amigo chileno – Jaime Irigoyen. De toda forma, ao acaso, fomos brindados pelos presentes como ‘a delegação do Brasil’, numa espécie de ‘sacanagem internacional’.

Contudo, a maioria dos países de fato enviou delegações. Debati com algumas em ‘mesas de negócio’. Mas devo destacar as delegações da Costa Rica, Inglaterra, Alemanha e Austrália, tanto por haverem enviado Ministros do Ambiente como chefes de delegação, quanto pela forma objetiva e pragmática com que abordaram o tema ‘impactos antropogênicos adversos’.

Encerramento do Fórum Internacional

O Fórum encerrou-se no fim da tarde de sábado, 6 de março de 2004. O Ministro do Ambiente da Alemanha foi convidado para fazer o discurso de encerramento. Havia alguma ansiedade dos participantes, pois estavam presentes no auditório mais de 500 especialistas em políticas ambientais públicas. Suas últimas palavras foram marcantes e guardo-as até hoje:

─ “Para concluir, considero ‘a desflorestação de mata nativa e secundária’, quer por meio de seu corte irresponsável, quer através de incêndios criminosos, como o mais violento dos eventos antropogênicos que ainda ocorrem neste planeta. Os países que, de fato, possuam Governança do Ambiente, têm condições de impedir essa destruição. Os custos de mantê-la descontrolada deverá remeter qualquer nação rumo à completa miséria, tanto material, quanto ética e moral”.

Mesmo passados quase 11 anos, desde quando ouvi essas palavras, motivo-me cada vez mais a trabalhar para a Governança do Ambiente. Sobretudo, no Brasil, onde o cenário atual de seu ambiente está a ser destroçado de maneira impiedosa. Não há visão de seu futuro cenário ambiental, sequer para o médio prazo. Nenhum agente público responsável faz ideia como se encontrará o cenário do território brasileiro daqui a dez anos, em 2025.

Iniciar a revolução

Há uma questão original que precisa ter resposta imediata:

─ “Como estará o ambiente brasileiro em 2025, ou seja, como se comportarão seu clima, seu ecossistema aquático, seu solo, a vegetação, a fauna silvestre e a qualidade de vida de sua população?

Em minha opinião, esse quadro de fatores e suas relações ambientais estará bem próximo da extinção, se não colapsado por completo. De forma figurada, a tendência do país é tornar-se um imenso corpo estéril, mas pleno de insanidades: políticas, econômicas e produtivas.

Neste país, as instâncias de poder, públicas e privadas, ainda negam-se a conhecer a existência do ambiente brasileiro. Chamam-no de ‘meio-ambiente’ e acham que consiste em coleções de minas a explorar, de poços de petróleo a exaurir; de solos incansáveis a serem desnutridos até o fim dos tempos, desde que a baixo custo. Acham, enfim, que podem detonar à vontade suas jazidas pedra e calcário, derrubar suas florestas para fazer telhados de luxo, enquanto, na surdina, arquitetam ‘corrupções triplex’.

Em termos da qualidade de vida, desconhecem o que resulta para a população desfrutar do ambiente estabilizado. Mas vendem-no de forma torpe, por incontáveis dólares depositados em suas próprias contas bancárias.

Querem bilhões de dólares. Quanto mais lavados, melhor (a nota é falsa).

Querem bilhões de dólares. Quanto mais lavados, melhor (a nota é falsa).

A ser desta forma, a questão original muda seu foco e fica assim enunciada:

─ “Como será possível impedir e reverter a degradação do ambiente do território brasileiro, antes de 2025?

Trata-se de prever como ficará o ambiente brasileiro no futuro e de que forma se deve trabalhar pela Revolução do Ambiente, que precisa ser de ordem técnica e cultural. Há duas linhas de ação básicas e interligadas para realiza-la.

A primeira é de ordem técnica, de gestão pública, e precisa obter resultados em curto prazo. Visa a revolucionar totalmente o setor ambiental público brasileiro. Questões que envolvem sua estrutura atual, tais como ‘ministério ou agência nacional’, ‘instituição de Estado ou órgão de governo’, ‘dependência do poder executivo ou autonomia de ação’, devem ser debatidas com a sociedade civil realmente organizada.

A partir daí, é imprescindível a implantação de uma ‘política para gestão de pessoas’, desenhada de forma a trazer para os quadros públicos desse setor profissionais experientes e com a mesma ótica proposta pela segunda linha de ação, a seguir.

A segunda linha tem seus alvos para o médio e longo prazo, pois visa a transformar valores culturais consolidados no Brasil, há séculos. Em síntese, trata-se de revolucionar a educação em todos os níveis – do primário ao superior –, tornando-a capaz de demonstrar que “a Economia somente se desenvolve quando em simbiose com o Ambiente”.

Enfim, constitui um processo de tal dependência que, caso o degrade, a economia nacional extinguirá a si própria. Essa é a visão essencial da Governança do Ambiente.

Até numa nação pobre, o ambiente pode ser o substrato da civilidade

Até numa nação pobre, o ambiente pode ser o substrato da civilidade

Haveria uma terceira, mas de ordem policial e jurídica. Abro mão de considera-la, por ser um efeito e não causa da degradação ambiental do território brasileiro. Algemas e penitenciárias, eternamente aplicadas, resolvem o problema.

……….

[1] Conceito de Ambiente: “É qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (ar, água, solo, flora, fauna e homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como devem ser analisados segundo seus fatores físicos, bióticos e antropogênicos” (Kohn de Macedo, R.).

[2] Fatores ou bens ambientaisFísicos: Ar, Água e Solo. Bióticos: Flora e Fauna. Antropogênicos: o Homem e suas atividades, em especial habitação, produção e comércio.

[3] Os incêndios florestais espontâneos são classificados como eventos físicos, pois decorrem do contato de fagulhas elétricas provindas do espaço com grande volume de matéria natural comburente. Seus resultados adversos são de ordem física, biótica e antropogênica, mas próprios de matas específicas, como as florestas de eucaliptos da Austrália.

Assim o ambiente vê o político


Dizem alguns especialistas que o ambiente observa o político como se fosse um ornitorrinco, Ornithorhynchus anatinus. Tal como a do político rasteiro, a existência deste bicho é difícil de explicar, quer seja através da teoria darwiniana ou da patranha criacionista.

O ornitorrinco é complicado de explicar

O ornitorrinco é complicado de explicar

De fato, o animal tem cauda natatória dos castores, pelagem para uso terrestre, bico de pato, é mamífero, possui membranas entre dedos, vive na água doce e na terra, põe ovos mas não voa, e é um carnívoro sem dentes. Estranho, incrível mesmo de entender.

Diante do primeiro exemplar que chegou à Inglaterra, em fins do século 18, zoólogos que o examinaram pensaram que se tratava de fraude, uma ‘espécie construída’ por taxidermistas asiáticos. Vejam esse bico, parece que foi encaixado e costurado.

Close do bico visto de frente

Close do bico visto de frente

No entanto, no século 20, após ter sido sequenciado o genoma do Ornithorhynchus anatinus, cientistas verificaram que cerca de 82% de seus genes são iguais ao do Homo sapiens. Tem-se algumas dúvidas a respeito.

Porém, pelos detalhes similares que apresenta, somente se for da subespécie Homo corruptus brasilianensis. Ou seja, teriam saído do planalto central, sabe-se lá como, e se acomodado em lagos na Austrália, do outro lado do planeta.

É bem verdade que, se fossem puros H. corruptuspolíticos da quadrilha –, teriam ido de jatinho emprestado. Mas, de toda forma, há características do animal que lembram muito as do H. corruptus: possui esporões venenosos para liquidar as presas; órgãos sensoriais que captam a presença de alimentos (US$ bilhões); temperatura corporal fria (27 0C); e o jeito sinuoso do réptil.

A propósito, neste exato momento deputados e senadores articulam o aumento dos próprios salários e de cargos do executivo. Sem dúvida, mais uma ação descarada do Homo corruptus brasilianensis. Pobre coitado do ornitorrinco, só serviu de modelo para criar aleijões morais.

Esqueleto de um político, digo, ornitorrinco

Esqueleto de um político, digo, ornitorrinco

Fauna urbana


O ambiente do território brasileiro, com cerca de 8,515 milhões de km2, já foi o primeiro do mundo em abundância e diversidade da fauna silvestre. Seus ecossistemas básicos e em transição garantiam espaços domiciliares para um sem número de espécies faunísticas.

Embora algumas competissem do ponto de vista trófico, a maioria das espécies compartilhava habitats, áreas de reprodução, de dessedentação, de caça e de fuga. Todas assim procediam, por necessidade e acaso, e contribuíram durante largo período para a manutenção da estabilidade ecológica do ambiente brasileiro.

Todavia, esse cenário foi gradativamente transformado pela ocupação humana, com usos variados, mas, sobretudo, visando à exploração dos recursos primitivos: tanto os minerais e fósseis, quanto as áreas de solo agricultável e para pastagens de gado.

Hoje esse mesmo ambiente, embora ainda de valor incalculável, é parcialmente ocupado por mais de 200 milhões de habitantes (fauna racional), mais concentrados em sua faixa litorânea, que possui 7.491 quilômetros de extensão, graças à sinuosidade de certos trechos.

Ao longo das três últimas décadas, teve-se a oportunidade de atuar em consultoria ambiental e aplicar treinamentos em todas as regiões brasileiras e seus biomas. Durante essas estadas deparou-se com cenários ambientais incríveis: eram remanescentes de sistemas ecológicos estabilizados, que formavam um ambiente dotado da sustentabilidade original.

Uma enseada e pescadores de subsistência

Uma enseada e pescadores de subsistência

Entretanto, e com maior frequência, também se registrou áreas totalmente alteradas pela ação inconsequente do homem. A pouca vegetação que ainda lhes restava era frágil, secundária e descontinua. A fauna primitiva evadira-se há muito, cedendo lugar às oportunistas, chamadas “espécies de hábitos peridomiciliares”, tais como ratos, baratas, larvas, aranhas e mosquitos. Estas vivem em qualquer local que encontrem restos deixados pela fauna dita racional.

O que causa perplexidade é o fato da degradação ambiental, promovida de forma insana pelo homem, impactar de forma adversa e significativa a vida das comunidades humanas locais, sobretudo indígenas e famílias paupérrimas, rurais e urbanas. Torna-se complexo sobreviver em áreas de terra arrasada; a vegetação, a fauna e o homem original estão a sofrer um processo, senão de extinção, decerto de tortura diária.

Há um garimpeiro de pó de ouro neste talude

Há um garimpeiro de pó de ouro neste talude

Desmatamento e destruição do solo

Desmatamento e destruição do solo

A espécie humana precisa, o quanto antes, aprender a coexistir em habitats públicos, áreas de trabalho, de cultura, de lazer, sem a necessidade de sofrer processos de caça e, para subsistir, ter que criar áreas de fuga. Mas é isto que se assiste nas regiões do país, tanto em cidades quanto no campo: o povo acuado, a sentir medo de sair de casa e ser “caçado por seu irmão”. É um quadro patético, porém factual, com aparência de crescer diariamente.

Pois é, ontem estava-se acuado em casa a trabalhar quando, de súbito, surgiu um belo tucano jovem na grande amendoeira da rua. “Este não faz parte da fauna urbana do Rio”, pensou-se. Decerto, tratava-se de um fugitivo da Floresta da Tijuca ou do Maciço da Pedra Branca.

Embora tenha-se avistado o jovem de corpo inteiro, foi difícil fotografa-lo, pois não parava quieto. Afinal, estava com fome, a buscar sementes, larvas, aranhas e insetos (fauna peridomiciliar) meio às folhagens da copa da árvore.

Quando se mostrou sem folhagem à frente, apresentou peito alaranjado, em contraste com a penugem negra do dorso. Estima-se sua altura em 30 cm; uma bela ave inesperada na urbe, em rua com razoável trânsito de veículos.

Fez-se oito registros do tucano ousado, mas apenas dois ficaram com melhor foco e menos tremidos. Mesmo assim, a ave encontrava-se envolta na “erva de passarinho”, o que dificulta ver nas tomadas sua imagem completa.

Um pouco mais tarde, como sempre, apareceram pombos em revoada, a largar excrementos na rua e sobre veículos, bem como egocêntricos saguis correndo sobre inúmeros fios desencapados. Negou-se fotografá-los a ambos.

A grande criação!


Durante 23 anos, a Uesel – Universidade de Estudos da Selva investiu no trabalho de cientistas especializados em “Comportamento Selvagem”. Contudo, seu amplo laboratório, construído no interior da floresta tropical, iniciou suas atividades com apenas oito acadêmicos voluntários.

Porém, a equipe cresceu gradativamente, com mais acadêmicos, doutorandos, assistentes e técnicos dedicados. Assim, foi erguida a Vila de Estudos, como se fora uma taba, que formava um círculo em torno do laboratório, inclusive com alojamentos sobre palafitas nas áreas molhadas ou inundáveis.

Vista aérea da área selecionada para o laboratório da Uesel

Vista aérea da área selecionada para o laboratório da Uesel

Nos últimos quatro anos, entre pesquisadores e cientistas, de laboratório e de campo, contou com a dedicação de 298 acadêmicos e respectivas equipes, provindos de vários países e eméritos conhecedores de ciências de interesse. Era o escol mundial em Comportamento Selvagem, reunido com o mesmo e único objetivo: criar a chamada “pílula dos predadores”. Mas o que seria isso?

Na década de 1940, um jovem mestre em biologia defendeu, na Uesel, sua tese de doutorado em Antropologia. Tinha ascendência alemã e era tratado por Müller. Foi aprovado com louvor, pela solidez de seus argumentos científicos e, sobretudo, pelos desafios futuros que criara para a ciência. A partir de então, Müller foi honrado com o título de Docente-Pesquisador da Uesel, onde permanece até hoje.

Em síntese, ele demonstrou à banca uma teoria que tornava possível criar uma substância orgânica (“pílula dos predadores”) capaz de docilizar até o mais implacável dos predadores selvagens. E mais, sem qualquer efeito colateral, que não fosse “o silêncio do comportamento selvagem”.

Mas somente em 1990, quase 50 anos mais tarde, o Conselho Universitário da Uesel aprovou por unanimidade o projeto de desenvolver a substância pensada por Müller. Assim, em 1991, foi iniciada a operação do Campus Mata Tropical, da Uesel, e de seu laboratório de experimentos científicos, com área útil de 3.000 m2.

O primeiro passo foi conhecer o estado da arte sobre o comportamento de animais silvestres, com ênfase nas espécies predadoras. Após três anos de intensivo levantamento bibliográfico, realizado em instituições científicas de todo o mundo, dois fatos ficaram evidenciados:

  • Havia uma boa produção de teorias a respeito, essenciais de serem analisadas com muito cuidado; e
  • Inúmeros pesquisadores estrangeiros demonstraram interesse em participar dos trabalhos da Uesel.

Como o processo da identificação do DNA ainda era recente e não considerava as espécies predadoras em seu cardápio, tornava-se mais complexo identificar “substâncias” que pudessem controlar o comportamento animal. Dessa forma, foram incorporados à equipe os melhores neurologistas, botânicos e químicos que se apresentaram interessados.

Na verdade, o Campus Tropical da Uesel ainda tateava no escuro, mas estava decidido que a pílula precisava ser predominantemente orgânica, conforme a teoria defendida no passado pelo Professor Müller. Por sinal, ele acompanhava os trabalhos com muito interesse, enquanto fazia seu primeiro pós-doutorado em Antropologia Animal. Realizou mais dois outros, com ênfase em substâncias relaxantes e substâncias excitantes para animais selvagens.

Diversos experimentos aconteciam em paralelo no laboratório. Eram processos de ensaio e erro, sem dúvida, mas botânicos e químicos, coordenados por neurologistas, começaram a conversar entre si de forma objetiva.

Mas o engano que muitos continuavam a cometer devia-se ao fato de acreditarem que substâncias narcóticas, como morfina, ópio, codeína ou heroína, eram capazes de controlar o comportamento animal. Porém, o Professor Müller lhes reconduzia ao eixo:

─ “Os senhores estão a entender o problema por um ângulo distinto do que a tese propôs. Se fosse assim, tão simples, bastava usar as anestesias já conhecidas”.

E Müller tornava a mostrar a diferença essencial contida na tese:

─ “Nosso objetivo é desenvolver uma substância capaz de, digamos, ‘amansar predadores’, encontrados em qualquer continente, mas sem causar nenhum efeito colateral, que não seja o de silenciar comportamentos agressivos e violentos”.

O ataque de um rinoceronte furioso

O ataque de um rinoceronte furioso

Em síntese, seu foco não era inibir ou estimular o sistema nervoso central de um animal com o uso de drogas, mas o de transformar seu estado, de selvagem e agressivo, para calmo e participativo, com meios encontrados na natureza.

Seguiram-se mais 8 anos de experimentos laboratoriais controlados. Após realizados os testes básicos em ratos das substâncias produzidas, ficou demonstrado que somente três delas talvez obtivessem resultados positivos.

Por outro lado, embora distintas em sua composição, as substâncias eram bem simples de serem produzidas. Apenas a mistura concentrada de seivas, obtida pela trituração de folhas e talos de jovens leguminosas, abundantes em matas tropicais.

Diante desse quadro, o Professor Müller passou a atuar diretamente nos trabalhos. As três substâncias precisavam ser testadas em espécimes da fauna terrestre mais agressiva, desde aracnídeos até grandes mamíferos.

Na falta da existência de uma “Arca de Noé”, a Uesel viu-se obrigada a fazer convênios com outras universidades e dividir os trabalhos, mantendo três de suas equipes na supervisão e controle dos testes, com o uso de cada substância e famílias de animais silvestres.

Iniciados os trabalhos em todos os continentes, logo ficou claro que nenhuma das substâncias produzidas era capaz de “amansar predadores” da forma esperada, sobretudo pela amplitude de espécies da fauna mundial. Todas somente deram certo para conter a fome dos ratos.

Mesmo assim, a teoria do Professor Müller não será esquecida por um fato. Uma das substâncias, apesar de seu resultado fraco, foi além dos ratos e ‘amansou’ crocodilos australianos, ofídios venenosos, aranhas e escorpiões. Não é nada, não é nada, mas significa que havia ciência em criação.

O crocodilo assassino docilizado pela substância orgânica

O crocodilo assassino docilizado pela substância orgânica

O Conselho Universitário da Uesel, diante dos resultados alcançados, decidiu encerrar o Projeto Pastilha dos Predadores e arquivar todos os levantamentos e relatórios executados. Organizou um evento de despedida do Campus Mata Tropical e transferiu os equipamentos de seu laboratório para a sede da universidade.

O Reitor da Uesel, falando em nome do Conselho, abriu o evento e agradeceu a todos os acadêmicos dedicados ao trabalho. Ao final de sua fala, passou a palavra para o Decano da Universidade de Uesel, o notório conhecedor da Antropologia Animal, Professor Müller, não sem antes desejar-lhe felicidades e saúde por aquela data, quando completava 90 anos de idade e 65 de docência na Uesel.

Foi então que Müller, bem tranquilo, falou ao microfone, com sua voz antiga e já rouca:

─ “Acho que a Uesel deve exportar esse raro conhecimento. Já pensaram no uso prático dessa substância para amansar corruptos?”…

Mergulho nas Ilhas Tonga e Fiji


Tonga ou Ilhas Tonga é um país regido por monarquia hereditária, que é a única do Pacífico. Trata-se de um arquipélago situado na Polinésia Ocidental, no continente da Oceania. Já as Fiji, oficialmente a República das Ilhas Fiji, conformam um arquipélago que se situa a oeste de Tonga, portanto, também localizado na Oceania.

Ambas são nações polinésias insulares. Já estiveram no passado sob o domínio da Grã-Bretanha. Talvez, por isso, seus povos, tonganeses e fijianos, convivam tão bem, a manter os mesmos hábitos ancestrais de atenção ao ambiente, à humildade e aos direitos humanos. Por sinal, de forma curiosa, hábitos incompatíveis com a Grã-Bretanha vitoriana.

Ilhas Fiji

No entanto, os tonganeses não recebem muito bem imigrantes asiáticos, especialmente comerciantes chineses provindos de Hong Kong. Vários foram os casos de litígios entre eles, o que resultou na emigração, de volta a China, de grande parte dos chineses.

Por outro lado, os fijianos não admitem o turismo de massa em suas terras. Para eles são terras sagradas que não podem ser vendidas a estrangeiros em geral.

Mas em Fiji também ocorreram problemas políticos com asiáticos. Por volta de 1987, seu governo tinha maioria de ministros indianos, levados para lá pela Grã-Bretanha. Seu povo mais nacionalista, os Taukei, correu com todos de suas terras e armou um golpe militar.

Esta introdução, um tanto confusa, talvez por força dos dois países serem “salpicões” de ilhas, dá lugar a memoráveis imagens tomadas nas profundezas do Pacífico, com sua incrível biodiversidade de espécies marinhas, recifes e corais.

São filmagens feitas por um grupo de mergulhadores ocidentais, com alta resolução e imagens em três dimensões. Espera-se que os monitores dos interessados sejam aptos para captar sua beleza e admirar surpresas em nitidez, cores, formas vivas e movimentos – © Nick Hope. Premiado como melhor vídeo submarino de 2011.

Lino Matheus e a Mantiqueira


A união de trabalho e perseverança há mais de 40 anos.

Fizemos uma visita de campo à fazenda Boa Vista durante três dias[1]. Ela possui cerca de 95 hectares e está situada no município de Bocaina de Minas. Encontra-se presente nos 729.138 hectares onde emergiu do solo a Serra da Mantiqueira. Ou seja, a serra brasileira que nasceu há cerca de 2,5 bilhões a 3,85 bilhões de anos, na era Arqueana.

Apesar de a Boa Vista possuir pequena expressão geográfica, sobretudo quando comparada ao mosaico de toda a Serra – ocupa apenas 0,013% da área da Serra –, a representa com extrema fidelidade. Diríamos mesmo, com extrema felicidade, graças à gestão adequada do ambiente fazendário que seu proprietário, o senhor Lino Matheus de Sá Pereira, já pratica há décadas naquelas paragens.

Uma vista panorâmica da Serra da Mantiqueira

Uma vista panorâmica da Serra da Mantiqueira

Dados básicos da Serra da Mantiqueira

A Serra encontra-se nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro e atravessa 39 de seus municípios, sendo 24 de Minas, 13 de São Paulo e 2 municípios do Rio de Janeiro. Possui diversos ecossistemas sensíveis, espargidos em relevo fortemente declivoso, que varia desde 700 metros até seu ponto culminante, a Pedra da Mina, situada na divisa de Minas Gerais e São Paulo, com 2.792 metros de altitude.

Por iniciativa de proprietários de fazendas, em contagem não atualizada e crescente, a Serra possuía, na entrada deste século, 18 Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPN. A fazenda Boa Vista é uma delas, declarada por órgãos oficiais como Refúgio da Vida Silvestre, dada a riqueza de sua vegetação, sua fauna abundante e diversificada, espécies endêmicas, as numerosas nascentes e cursos d’água, todos muito bem conservados. Aliás, muitos deles mantidos por Lino em seu estado primitivo.

Sobre a riqueza da vegetação da Mantiqueira ressaltamos alguns dados disponíveis:

  • Constitui a maior mancha contínua de Mata Atlântica remanescente no sudeste do Brasil;
  • Detém uma expressiva área ambiental protegida – a APA da Serra da Mantiqueira, com seus 434.108 hectares, ou seja, um terreno com cerca de 58% de toda a Serra. Não se trata de um brinquedo e há que ser muito bem gerido;
  • Dessa forma, precisa ser a ferramenta pública, à disposição da sociedade civil, visando a garantir a estabilidade das fitofisionomias da Mata Atlântica predominantes na Serra: (i) Floresta ombrófila densa; (ii) Floresta ombrófila aberta; (iii) Floresta ombrófila mista – “Mata de araucárias”; (iv) Floresta estacional semidecidual; e (v) Campos de altitude.

Ressaltamos que a APA foi resultado de antigas ações sistemáticas pela conservação da natureza, realizadas por um grupo de amigos de vários locais da Mantiqueira. Esse grupo tinha como líder, novamente o senhor Lino Matheus, então na casa dos 30 e poucos anos. Mas foi somente em 1985 que o governo central, a dizer “que atendia aos interesses da comunidade”, promulgou o Decreto Federal 91.304, para criar a área de proteção. Enfim!

Em 3 de junho de 2005, o então Superintendente do Ibama, Roberto Messias Franco, fez pessoalmente uma homenagem a Lino Matheus pelos 20 anos da criação da APA da Serra da Mantiqueira.

Lino Matheus em sua biblioteca na fazenda

Lino Matheus em sua biblioteca na fazenda

A Mantiqueira, que na língua dos indígenas pioneiros significava algo como “rochas que choram”, constitui um dos mais complexos sistemas orográficos e hidrológicos brasileiros. Suas águas, vertidas pelos ecossistemas, abastecem inúmeras cidades dos três estados mais desenvolvidos do país. As suas próprias capitais (São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro) dependem das nascentes da Mantiqueira para serem abastecidas, em todos os setores sociais, produtivos e comerciais.

Em suma, é importante observar, não como um dado sobre a Serra da Mantiqueira, mas como sua nítida obviedade: a hidrologia prolífica que até hoje lá existe só permanecerá a transbordar enquanto as matas que acolhem suas nascentes forem preservadas.

Caso contrário, a Mantiqueira se tornará estéril, capaz de esterilizar a economia brasileira. Isso é um fato, um dado sensível para o problema de manter a Serra Viva e continuar alimentando a economia do sudeste, a mais forte do país.

Para conceber uma nova era

Foi através de uma conversa telefônica com Ítalo Meneghetti, por acaso, que descobrimos como andava Lino Matheus e o que estava motivado a realizar na fazenda Boa Vista e vizinhanças. Assim , três dias após nossa conversa, chegamos à fazenda para conversar com Lino sobre seu novo projeto: a criação da Fundação Mantiqueira. Talvez seja o projeto mais complexo e importante idealizado por ele. De toda forma, interessamo-nos pelo convite em participar desse esforço.

Lino deseja ser o instituidor da Fundação e, para tanto, está disposto a doar uma área de sua fazenda para dotar a Fundação do patrimônio legalmente necessário. Da mesma forma, definiu sua finalidade, e objetivos que considera serem estratégicos, de forma a que seu desempenho na região seja compatível com a cultura lá existente.

Ao fundo, a futura sede da Fundação Mantiqueira

Ao fundo, a futura sede da Fundação Mantiqueira

Nossa equipe inicial, formada por Ítalo, Kohn, Marcus e Hernán, com base em um pacote de informações sobre a Fundação cedido por Lino, propôs realizar as seguintes atividades iniciais, básicas para instalar a Fundação:

  • Elaborar a descrição detalhada do projeto da Fundação, com suas finalidades e os setores em que deverá atuar – educação, capacitação de pessoas, desenvolvimento de projetos ambientais, implantação desses projetos, etc.
  • Elaborar um modelo de projetos para a Fundação, enfatizando a educação, o treinamento e serviços realizados para terceiros, através de convênios assinados com instituições privadas e públicas.
  • Realizar a análise SWOT da Fundação, ou seja, analisar seus pontos fortes e fracos, bem como as oportunidades e ameaças potenciais, provindas do ambiente externo à Fundação.
  • Estimar três cenários futuros alternativos para a Fundação Mantiqueira, considerando as visões pessimista, conservadora e otimista.
  • Elaborar o fluxo de caixa estimado da Fundação, até atingir seu ponto de equilíbrio, e prever, ano a ano, o aporte de capital necessário.
  • Selecionar instituições que podem oferecer financiamento a fundo perdido ou doações para a Fundação.
  • Aprovar o Estatuto consolidado e instituir a Fundação Mantiqueira.

Acreditamos que todas as partes envolvidas nesse processo concordam com a extrema importância da Serra da Mantiqueira para suporte à economia brasileira. Em outras palavras, a Mantiqueira precisa, tanto quanto possível, permanecer intocada, de forma a que continue a irrigar os principais centros do desenvolvimento do país.

As águas da irrigação da Mantiqueira são volumosas e puras

As águas da irrigação da Mantiqueira são volumosas e puras

Resta-nos agora realizar as atividades iniciais, usando das melhores técnicas disponíveis e dominadas pela equipe. Afinal, a ciência e as técnicas dela derivadas devem ser a poesia que espelha a humanidade e grandeza de pessoas como Lino Matheus. Por isso mesmo, já estão sendo aplicadas com dedicação.

Ricardo Kohn, Consultor em Gestão

[1] A visita de campo foi realizada nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 2014.