Teoria Geral das Quadrilhas


Por Zik Sênior, o ermitão

Zik Sênior

Zik Sênior

Confesso que por décadas senti um pouco de inveja de Karl Ludwig von Bertalanffy, o biólogo austríaco que concebeu a Teoria Geral dos Sistemas (TGS), publicada em todo o mundo a partir da década de 1950. Depois que a estudei a fundo, admirado por sua simplicidade, tornou-se meu livro de cabeceira durante mais de 5 anos.

Acontece que Bertalanffy não comungava com a visão racionalista, “meio quadrada”, de René Descartes. Também não era dialético, como Georg Hegel. Sua formação era biótica, orgânica, evolutiva. Acreditava em teorias capazes de explicar todos os entes vivos e não-vivos do planeta, bem como as relações que mantêm entre si, sempre a promover a evolução dos conjuntos que formam (sistemas).

Contudo, seu objetivo principal era elucubrar uma teoria capaz de analisar e demonstrar como funcionavam as organizações criadas pelo homo sapiens. Li que Bertalanffy despendeu mais de 25 anos nesta árdua labuta.

Hoje, a tomar por base a teoria criada por Bertalanffy, assim como inúmeros cientistas, acredito que posso ensaiar a Introdução à Teoria Geral das Quadrilhas (TGQ). Afinal, cursei Ciência Política em Coimbra (turma de 1932) e consigo analisar os atos inescrupulosos cometidos por quadrilhas, que calcinaram a ética, a moral e a economia do Brasil.

─ Conceito básico

De início, é essencial dizer o que entendo por “quadrilha”, segundo a ótica da TGS:

Quadrilha é toda corja de ladrões organizados que interage para alcançar fins comuns, a construir o rolo compressor da corrupção. Ela obtém melhores resultados do que se todos os corruptos envolvidos roubassem individualmente. Assim, todo conjunto de ladrões, a agir de forma imoral, devassa e integrada, constitui uma Quadrilha. Toda sua corja tem uma única finalidade: desviar dinheiro público para negócios pessoais e, de forma abominável, quebrar bancos e empresas estatais, fundos de pensão, autarquias ministeriais e tudo mais de valor que encontrarem pela frente”.

Óbvio que se trata de um conceito pragmático. Até por que, em meus 108 anos de idade, nunca assisti a algo semelhante no Brasil ou mesmo no mundo! Nos últimos 13 anos, o Estado tornou-se presa submissa da matilha predatória de hienas esfaimadas e selvagens.

Ao aplicar a teoria de Bertalanffy, verifica-se que uma “boa quadrilha (!?)” precisa ser um sistema fechado. Caso contrário, seria defenestrada por ações da Polícia e penas de prisão aplicadas pela Justiça. No entanto, os sistemas fechados descem ladeiras sem freios, rumo à autodestruição, graças à sua entropia. São incapazes de trocar de energia e matéria entre seus elementos e de absorver novas fontes de informação.

Em outras palavras, para a quadrilha não existe a hipótese da troca de informação e dinheiro com canalhas que não pertençam às suas corjas. Assim, a quadrilha destrói-se com a perda gradativa de seu “melhores sequazes”. Seu poder de ladroagem decai continuamente, até tornar-se incapaz de atender à fúria alimentar das Hienas Selvagens

A fundação do Partido das Quadrilhas

Hienas Selvagens são aquelas que, durante os últimos 13 anos, deixaram-nos estarrecidos por um fato: devoraram a poupança do povo brasileiro, de forma sumária e descarada.

Entretanto, foram apenas três hienas que, após aplaudidas por poucos “idiotas da sociedade”, se reuniram para criar uma pequena “súcia”. A trinca visava a transforma-la numa quadrilha especial, poderosa para permanecer imune às práticas da extorsão sistemática do erário.

Em suma, esse foi o processo adotado na formação das súcias, hoje investigadas pela Polícia Federal, pelo FBI, pela Interpol e instituições internacionais que, para sobrevivência dos povos que protegem, sabem enclausurar as corjas organizadas de salteadores públicos.

Porém, importa salientar que o mesmo processo inescrupuloso das súcias foi aplicado na formação do Partido das Quadrilhas Políticas, mais tarde conhecido pela curiosa sigla PQP.

E nasceu a hiena líder

Na década de 1960, as súcias limitavam-se a promover greves e fazer badernas nas portas de fábricas. As hienas esfaimadas ainda eram bandos desorganizados, dispersos e reduzidos. Todavia, havia uma matilha profissional de hienas selvagens que vigiava os acontecimentos e decidiu aderir às badernas. Até por que, durante essa década, tentaria implantar no Brasil a ditadura do proletariado. Não entro em detalhes sobre este fato, mas, naquela ocasião, foi devidamente escorraçada pela nação brasileira. Afinal, as hienas selvagens formavam uma matilha de hienas terroristas, disposta a tudo!

Uma família de Hienas Terroristas ─ ano de 1968

Naquele processo entre greves e badernas, foi da escória de hienas esfaimadas que se deu a escolha doentia da hiena líder. Em minha opinião, tinha uma aparência degradante: era uma figura nanica, com cabelos hirsutos e sujos, orelhas de abano (felpudas), a pança cheia de vermes, sobre um par de pernas secas…

Não acredito que essa liderança haja sido motivada por alguma “habilidade especial” da hiena pançuda. Até por que, era preguiçoso, analfabeto, alcoólatra, imoral, mentiroso, populista, manipulador de idiotas, traidor, dedo-duro, vigarista e cafajeste. Um fenômeno da desgraça!

Ademais ─ diziam os mais interessados de sua corja ─, portava um hálito tenebroso e quase não tomava banho. Assim, num raio de 20 metros, a súcia era obrigada a inalar e agradecer seu fétido olor.

PQP assume o poder: o desastre!

A hiena pançuda – fundadora do Partido das Quadrilhas Políticas (PQP) – iniciou em 1980 a perseguição obstinada por um cargo que lhe desse “máximo poder público”. Em seus “sonhos delirantes”, via-se, de forma compulsiva, a desviar fabulosas somas de dinheiro público para “empresas fajutas de hienas selvagens”. E, claro, a embolsar significativa parcela dos vultosos roubos realizados.

─ “Porra, ninguém é de ferro…”, justificava-se, a andar sonâmbulo pelas madrugadas, no barraco em que se escondia.

Por isso, durante mais de 20 anos, a hiena pançuda azucrinou a vida política e econômica do país. Mas, mesmo assim, não conseguiu o tal cargo de “máximo poder público”. Todavia, de forma miraculosa, metamorfoseou-se: “de pobre proletário em ricaço boçal”.

Pouco após a virada para o século 21, o boçal começou a “botar as manguinhas de fora”. O PQP, que fora fundado e presidido por ele, enfim elegeu-o para a presidência da nação; deu-se início ao desastre político-econômico do país. Em minha visão, o camarada boçal confundiu tudo. Ao invés de ser um Chefe de Estado, tornou-se o “Rei do Quadrilhão”! E é evidente a explicação disso, sobretudo, à luz da teoria de Bertalanffy. Vejam.

Relembrem algumas “habilidades do boçal”, já citadas: mentiroso, populista, manipulador de idiotas, imoral, vigarista e cafajeste. Como alguém dotado dessas “virtudes” comandaria um Estado Nacional, sem destruí-lo?

Assim que, em seu primeiro ato no poder nomeou várias hienas selvagens para dezenas de ministérios amestrados; todas indicadas por seu “indefectível braço esquerdo[1]”, treinado em Cuba e na União Soviética. Vale lembrar que o “braço esquerdo” foi uma proeza de ladravaz e tornou-se o “Príncipe das Súcias do Quadrilhão”.

Bertalanffy diria que a invasão do Estado por uma gigantesca organização criminosa foi uma decisão de desesperados. Com as inúmeras súcias roubando em todas as áreas públicas, a socialização das quadrilhas não poderia dar certo em um sistema fechado.

Explico com a seguinte analogia: dispõe-se de um saco, com capacidade para receber um quilo de vermes, dedicados à tarefa de se alimentarem de um corpo morto; ao multiplicar a quantidade de vermes ou eles se tornarão antropofágicos, comendo a si próprios, ou o saco arrebentará. Nos dois cenários, a Festança do Quadrilhão de Vermes é desmascarada.

Perspectivas

Com o tempo que já vivi (108 anos) minhas perspectivas são sempre para amanhã. Não posso me dar ao luxo de formular cenários político-econômicos de médio e longo prazos. De toda sorte, guardo a certeza que, de uma forma ou de outra, com o preço que custar, a nação unida haverá de desratizar a política brasileira.

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[1] Aliás, o indefectível hoje se encontra “guardado num presídio”, condenado por promover a ação de “súcias deletérias”, em processos contínuos de corrupção planejada, durante quase uma década.

Gestão informatizada do Ambiente


Nos primórdios, há cerca de 3,2 bilhões de anos, decerto após sucessivas mutações ainda hoje indecifráveis, começou a surgir na Terra sua fauna nativa diversificada. Nasceu imersa em um espaço desconhecido: o ambiente planetário.

Depois disso, somente na década de 1860, um espécime moderno dessa fauna – o alemão Ernst Haeckel –, resolveu entender, de fato, como esse espaço funcionava. Criou uma forma de analisa-lo e chamou-a Ecologia (do grego, “oikos + logos” ou “estudo do lugar onde se vive”).

Desde então, a ecologia não parou de evoluir. Dezenas de milhares de pesquisas científicas foram realizadas mundo afora e o homo sapiens começou a perceber que é essencial garantir a estabilidade do ambiente em que vive.

Professor Eugene Odum

Professor Eugene Odum

Com vistas a garanti-la, ao longo do século 20, nações desenvolvidas redigiram sua legislação ambiental. Porém, sempre com base no estado-da-arte da ciência. Afinal, ecologia é a lógica dos ecossistemas que conformam o ambiente planetário. Assim, leis ambientais de qualidade precisam ser seus reflexos no espelho, nunca o inverso.

Agora, ao início do século 21, que prioriza a produção e o domínio da informação, há uma questão pendente no imaginário da sociedade: ─ Algum dia o homo sapiens será capaz de informatizar o ambiente?

Sabe-se ser possível modelar a dinâmica do ambiente e até informatizar esse processo. No entanto, ainda não há como desenvolver um sistema computacional que contenha o teor desta dinâmica, pois ela é fruto da necessidade e do acaso e o homo sapiens não é “seu divino criador”.

De toda forma, reuniu-se um pequeno grupo de trabalho, com especialistas em Gestão do Ambiente e Ciência da Computação, para pensar a “questão pendente”. Logo ela foi invertida, posta de cabeça para baixo, e tornou-se uma tarefa factível: desenvolver um sistema de computador para agilizar a elaboração de estudos, projetos, pesquisas e serviços ambientais. Ganhou o apelido de sistema IDEA.

Sua arquitetura está a ser concebida para integrar diversos aplicativos, que permitam realizar os seguintes processos ambientais:

  • Identificação da transformação ambiental de um território, como função de um ou mais empreendimentos e suas intervenções da engenharia;
  • Caracterização ambiental de projeto de engenharia, obra ou empresa (atividade transformadora ou empreendimento) vis-à-vis o território em que será implantado ou que já se encontra em operação;
  • Programação, realização e gestão de atividades de campo no território em análise;
  • Elaboração de matrizes de impactos ambientais, de matrizes de itens de passivo ambiental ou das matrizes de riscos ambientais e de segurança;
  • Elaboração de diagnósticos temáticos e do diagnóstico ambiental consolidado do território em estudo;
  • Formulação dos prognósticos ambientais para o mesmo território;
  • Modelagem de seus cenários ambientais futuros;
  • Avaliação de impactos ambientais, ocorrentes e previstos nesse território. Trata-se de modelo especializado onde os impactos são numericamente estimados e pertencem ao conjunto de Números Reais (Rn);
  • Elaboração de planos ambientais para otimizar os efeitos de impactos significativos ou corrigir os itens de passivo ambiental identificados;
  • Elaboração de programas ambientais para controle, manejo e monitoração dos segmentos ambientais em um território;
  • Elaboração de projetos ambientais e ações imediatas para controle, manejo e monitoração dos fatores ambientais em um território.

Dessa forma, será capaz de informatizar processos ambientais demandados pela legislação ambiental vigente, tais como: Estudos de Impacto Ambiental (EIA); Realização/gestão de Audiências Públicas; Levantamento/gestão de Passivos Ambientais (LGPA); Elaboração, implantação/gestão de Plano Corporativo Ambiental (PCA); Auditoria de PCA (APCA); Plano de Ações Imediatas (PAI) para correção das não-conformidades identificadas pela auditoria; Elaboração, implantação/gestão de Plano Executivo para Gestão Ambiental de obras (PEXA).

Porém, acima de tudo, o IDEA será capaz de monitorar os perigos e riscos de empresas em operação, visando a impedir a ocorrência de desastres humanos sobre o ambiente, tais como o da Samarco, em Bento Rodrigues, Mariana, ou o desastre anunciado da Petrobras, em Vila Socó, Cubatão, ocorrido em 1984.

Mar de lama em 21nov2015

Dentro em breve, o grupo de trabalho lançará uma campanha de crowdfunding para captar os recursos necessários à realização do Projeto IDEA. Conta-se desde já com sua contribuição.

Boas festas a todos. Que 2016 seja o ano da Cultura Técnica!

Verão na Groenlândia


Por Equipe deSobre o Ambiente”.

Com a área de seu terreno no entorno de 1.166.000 km2, a maior ilha do planeta, Groenlândia, abriga o povo Inuit, há cerca de 4500 anos. Acredita-se que na pré-história da Groenlândia (a partir de 2500 a.C.) ocorreram repetidas migrações deste povo, do norte do continente americano para a ilha. Por habitarem o polo Ártico, já estavam adaptados às condições de regiões mais frias.

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

No entanto, dados indicam que, durante o ano 1000, o clima na região sudeste da ilha era relativamente ameno, tal como o de hoje: temperatura no inverno (chuvoso, fevereiro-março) variando entre -5 e -11 oC; e no verão (seco, julho-agosto), entre 11 e 4 oC. Tanto é assim que, naquela época, eram normais no sul da ilha o nascimento de árvores e espécies herbáceas. Desse fato provem seu nome em inglês, Greenland, ou Grönland, em dinamarquês.

Nuuk, a capital da Groenlândia

Nuuk, a capital da Groenlândia

Colonização norueguesa

Por volta do ano 895, a ilha foi invadida por barcos vikings, capitaneados por Erik, o Vermelho. Diz a lenda que se tratava de um criminoso norueguês, deportado para a Islândia por haver cometido um crime de homicídio em seu país. Presume-se que, desde há 1125 anos, a lei norueguesa já fora feita para todos, a ser cumprida fielmente.

Erik Vermelho, decidira colonizar a ilha. Colérico, invadiu e desmatou várias áreas para fazer dois assentamentos: o maior, no lado leste (Eystribyggd), onde se localizava Brattalid, a residência oficial de Vermelho“, protegida por 5000 vikings; o outro, na orla oeste (Vestribyggd), abrigava mais 1000 vikings de reforço.

Colonização dinamarquesa

Ainda sob os efeitos do fim da Idade Média, em 1536, Dinamarca e Noruega oficializaram sua integração nacional. A Groenlândia tornou-se colônia dinamarquesa e a Noruega, um anexo. Somente quase de três séculos após (1814), cada uma seguiu rumo como nação independente, mas a ilha permaneceu sob controle dinamarquês.

Durante o século 19, a Groenlândia foi região de interesse para exploradores e cientistas. De toda sorte, afirmou-se a colonização dinamarquesa e as missões enviadas foram bem-sucedidas. No entanto, a justiça dinamarquesa só se aplicava aos colonos, sobretudo, aos Inuit.

Houve uma imigração de famílias Inuit canadenses, que se estabeleceram ao norte da ilha. Os últimos grupos lá chegaram em 1864. Nesse período, o comércio e as condições econômicas da ilha decaíram, a provocar sensível despovoamento na sua costa leste.

Porém, em 1863, realizaram-se as primeiras eleições democráticas da Groenlândia, com vistas a eleger representantes distritais[1]. Mais tarde, já na primeira metade do século 20, foram criados dois conselhos de governança, um para gerir o norte da ilha e outro, o sul. Contudo, decisões importantes, que afetavam as condições de vida dos groenlandeses, eram tomadas em Copenhague. Permanecia “algo de podre no Reino da Dinamarca”.

A geopolítica da Groenlândia

Pelo menos em duas ocasiões de crise mundial a Groenlândia foi vista pelo mundo externo como uma região estratégica:

  • Durante a Segunda Guerra Mundial, quando Hitler orientou suas operações de guerra na direção da Groenlândia, foi firmado um tratado com os Estados Unidos para a instalação de bases na ilha, em abril de 1941. A Dinamarca não conseguia governar a ilha na 2ª guerra. Assim, a Groenlândia passou a ter status mais independente. Seus suprimentos foram garantidos pelo Canadá e os Estados Unidos.
  • Durante a Guerra Fria, a Groenlândia teve importância estratégica, por permitir o controle de parte dos acessos entre os portos árticos soviéticos e o Oceano Atlântico, bem como por ser área sensível para observação do eventual uso de mísseis balísticos intercontinentais, que deveriam sobrevoar o Ártico.

Groenlândia, nação do Reino da Dinamarca

O status colonial da Groenlândia foi revisto em 1953, quando se converteu em parte integrante do reino dinamarquês, com representação no parlamento dinamarquês. A Dinamarca iniciou também um programa para prover serviços médicos e de educação aos groenlandeses.

De sua parte, o governo local groenlandês se apresenta como uma nação Inuit. Os nomes de lugares em dinamarquês foram substituídos por nomes locais. Godthåb, que foi o centro da ocupação colonial dinamarquesa, agora é a cidade de Nuuk, capital de um governo quase soberano. Em 1985 foi criada a bandeira da Groenlândia. No entanto, o movimento que busca sua soberania ampla ainda não obteve espaço político. Mas tem tudo para acontecer.

As relações internacionais, antes comandadas pela Dinamarca, são em sua maior parte geridas localmente. Depois de separar-se da União Europeia, a Groenlândia firmou tratados especiais com a UE, uniu-se em diversos assuntos com a Islândia, as Ilhas Faroe, assim como com a população Inuit do Canadá e da Rússia.

Também é membro-fundadora da Organização Ambiental do Conselho do Ártico. Está pendente a renegociação do tratado de 1951 entre Dinamarca e Estados Unidos, desta vez com participação do governo local da Groenlândia. Por fim, é esperado que a base aérea de Thule converta-se em estação de rastreamento de satélites, para uso das Nações Unidas.

Por falar em satélites, o Aqua, satélite da NASA que monitora o ciclo da água, a precipitação das chuvas, sua evaporação, a umidade do ar, temperatura da Terra e dos oceanos, bem como o fluxo de energia radioativa, registrou imagens de resolução moderada da Groenlândia, em julho de 2015.

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

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[1] Um rápido destaque: há um século e meio já existem eleições distritais na Groenlândia.

Soluções Ambientais


Por Equipe deSobre o Ambiente”.

Criou-se essa página para oferecer aos leitores soluções ambientais inteligentes, já realizadas por organizações de projetos feitos para atender ao ambiente. Ou seja, soluções de projeto que visam a finalidades produtivas e comerciais, mas, antes de tudo, à qualidade do ar, da água, do solo, bem como, à qualidade de vida da flora, da fauna e do homem.

Tenciona-se apresentar estudos e projetos inovadores já realizados, dos quais resultaram relações ambientais estáveis, mantidas entre um investidor e o ambiente que transformou. Na qualidade de principais agentes da transformação dos espaços físico e biótico da natureza, investidores responsáveis devem saber como construir em áreas adequadas. Por outro lado, precisam ser capazes de garantir a qualidade do ambiente onde implantam seus negócios.

Área alagada a ser trabalhada, mas somente por meio de um projeto inovador

Área alagada a ser trabalhada, mas somente por meio de um projeto inovador

Dentre os negócios mais comuns destacam-se turismo, hotelaria, indústria, construção civil, geração de energia, agropecuária, condomínios habitacionais, shopping centers e outros mais, todos a causar impactos sobre o ambiente.

Em suma, todas as atividades transformadoras promovidas pelo desenvolvimento precisam possuir desempenho ambiental adequado. Trata-se de um desempenho produtivo de tal ordem, que o ambiente para o qual são projetadas seja capaz de manter a sustentabilidade que lhe é inerente, a permitir a evolução espontânea e dinâmica de seus ecossistemas.

Visão de um resort projetado para uma área de ambiente nativo

Visão de um resort projetado para uma área de ambiente nativo

Equipes inovadoras

As organizações que projetam e implantam soluções ambientais – empresas de consultoria, fundações, institutos e associações –, precisam possuir gestores de alta qualidade, que hajam obtido notórios resultados em projetos inteligentes, desenvolvidos e executados.

Todavia, não basta tê-los em seus quadros técnicos. Eles precisam, sobretudo, de coordenar equipes inovadoras, nos trabalhos de escritório e campo. Apenas assim obtém resultados criativos, quase sempre requerendo investimentos menores. Além disso, mais efetivos no alcance das metas dos clientes[1].

Equipes técnicas inovadoras e criativas são cada vez mais complexas de serem montadas. Requerem dos empresários uma boa visão – de médio a longo prazo – de seus negócios e a aplicação de dois critérios na seleção de novos consultores: a personalidade e a competência profissional dos candidatos a futuro consultor.

Para identificar a personalidade profissional há um site que dispõe de ferramenta para essa finalidade. Muitas empresas de vanguarda o utilizam. É gratuito e não requer que se faça cadastro. Sugere-se realizar um teste clicando em 16Personalities. Gasta-se menos de 12 minutos e os resultados são atraentes. Quem o fizer, será surpreendido.

Quanto à competência técnica, precisa ser analisada em relação à da equipe já existente. Isto ocorre por que projetos de cunho ambiental demandam equipes de profissionais com distintas formações e óticas diferenciadas do que é o Ambiente.

Entretanto, com base nos dados e informações que dispõem, todas as equipes precisam se comunicar através da mesma linguagem conceitual: a da Teoria do Ambiente. Equipes de ecólogos, geólogos, arquitetos, de várias engenharias, climatólogos, botânicos, agrônomos, biólogos, hidrólogos, economistas e arqueólogos, dentre outras especialidades, além de seus conhecimentos específicos, precisam usar a teoria que é própria do ambiente.

A depender do ambiente que estão a tratar[2], essas equipes podem ser numerosas, o que amplia a dificuldade da comunicação multidisciplinar. A ser assim, a qualidade da solução ambiental identificada pode ser prejudicada em seu desenvolvimento, perder em inteligência e criatividade.Imagem de divulgação

Para integrar a competência multidisciplinar de equipes técnicas, sugere-se a aquisição de uma obra recém-publicada. Clique em LTC Editora e leia acerca do conteúdo deste livro de Engenharia Ambiental: “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Contém abordagens que permitem a qualquer profissional falar a linguagem da Teoria do Ambiente, necessária para criar, desenvolver e implantar soluções ambientais inteligentes.

Casos de soluções realizadas

Está-se pesquisando casos que mereçam ser divulgados neste espaço. As publicações envolvem a organização que projetou a solução, a razão social do cliente, o problema a resolver e a solução encontrada.

Aguardam-se contribuições enviadas para o e-mail ricardo.kohn@gmail.com.

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[1] Esta introdução de “Soluções Ambientais” pode parecer humanamente utópica. Mas, de fato, não é por dois aspectos: (i) o ambiente a realiza de forma espontânea e aleatória; (ii) perseguir esta utopia não é perda de tempo, ao contrário. Trata-se da melhor provocação para a evolução humana.

[2] Uma solução ambiental criativa para usina hidrelétrica localizada na Amazônia decerto é bem mais complexa do que a solução para uma indústria farmacêutica situada na capital São Paulo.

O risco de dar cursos e palestras


Treinar no Setor Ambiental

Por Ricardo Kohn[1].

Cursos intensivos (de até 72 horas) e palestras de curta duração (1 hora) são processos complexos para serem realizados a contento. Satisfazer aos participantes (alunos) e à empresa promotora do evento não é tarefa simples.

Este artigo tem por finalidade analisar algumas variáveis que devem ser observadas pelo profissional convidado a dar um curso intensivo ou fazer uma palestra. Toma-se como base para análise o setor ambiental brasileiro.

Curso bem ministrado, sala de aula cheia

Infraestrutura de ensino correta, curso bem ministrado: sala de aula cheia e atenta

1. Definição do escopo

O mercado de treinamento oferece duas alternativas normais: o escopo do treinamento é definido pelo contratante do evento; ou o profissional de ensino estabelece o roteiro de sua fala. Não há dúvida, caso defina o escopo da “conversa saudável” que irá manter com o grupo, poderá criar empatia ao apresentar seu conhecimento.

E o motivo é nítido: ao estabelecer o conteúdo da apresentação, o profissional determina também a profundidade das abordagens que fará. Afinal, precisa deixar tempo para responder a questões, solucionar normais debates e esclarecer dúvidas remanescentes.

2. Foco objetivo

Sejam cursos ou palestras, se a finalidade é o ensino ou, diga-se, o despertar de mentes, o “professor” precisa ser focado no tema principal. Claro que pode fazer digressões, notas de rodapé ao conteúdo essencial. Sempre curtas e estimulantes.

Acredita-se que deva criar metáforas e até mesmo provocar risos de seu público. Assim constrói a empatia mútua e o interesse pelo conhecimento, além de facilitar a memorização dos que o assistem.

3. Técnico-científico ou legislação

Certa vez, alguém afirmou: “defina-se, ou Lei ou Ciência do Ambiente. As duas são incapazes de conviverem no Brasil”!

Em todos os países com sistema educacional sério, qualquer evento de treinamento para o setor ambiental possui cunho técnico-científico. E a causa é óbvia: nesses países a legislação é elaborada a partir do estado-da-arte das ciências de referência.

A ser assim, os treinamentos são mais produtivos, pois os profissionais aprendizes focam-se nas teorias, metodologias e exemplos práticos que recebem. Dessa forma, aprendem a dominar as práticas da Gestão do Ambiente.

Em nosso país, todavia, faz-se o inverso. A legislação, impositiva e burra, tem a pretensão de dizer como funcionam as ciências ambientais. Basta ler na maioria das ementas de cursos oferecidos ao mercado. Dão ênfase particular aos requisitos legais, associados aos temas do conhecimento que deveriam transferir aos alunos. Falam muito do “juridiquês ambiental” e propõem pouco para as ciências práticas que explicam o ambiente.

Toma-se o exemplo do caso mais simples: um curso com 16 h de duração sobre a operação que, no passado, era trivial: como obter licenças ambientais. Hoje, os diplomas legais afins a esse processo são tantos, provindos de inúmeras instituições públicas, que, em 16 horas, um “professor honesto” somente falará sobre as disparidades, controvérsias e conflitos criados pela lei vigente.

Ou seja, não restará tempo para transmitir aos alunos o essencial: o que e como fazer para obter as licenças necessárias. Será impossível detalhar como são elaborados e geridos os estudos ambientais, os processos de auditoria interna e um eventual levantamento de passivos ambientais; como programar e gerir audiências públicas, acompanhar as sofridas auditorias públicas e participar de inspeções ambientais feitas in loco, por “peritos públicos”.

Enfim, pode-se afirmar que, ao contrário, é possível realizar operações ambientais realmente simplificadas, sem perder a qualidade de seus resultados. Operações que, para reduzir custos cada vez mais elevados, podem ter um padrão teórico factível, a despeito do amontoado de normas legais que castram a criatividade.

4. Expectativa dos alunos

Em tese, a motivação para participar de um curso caro ou de um seminário de palestras – caríssimo – é conhecer técnicas modernas, aplicáveis ao trabalho diário. Os alunos são profissionais formados, que desejam obter meios de melhorar suas atividades produtivas.

No entanto, nem todos têm essa motivação. Há os que desejam saber das leis envolvidas, a interminável burocracia que criam e qual o melhor caminho para superá-la, desde que sem ônus para sua empresa.

Para quem crê em “Coelhinho da Páscoa” e “Papai Noel” existem soluções. Sem dúvida há somente uma: contrate um excelente escritório em direito ambiental, pois seus advogados conhecem bem o “Labirinto do Minotauro”. Mas pode-se adiantar que gastará mais tempo e dinheiro do que elaborar, da forma técnico-científica adequada, todos os estudos ambientais requeridos.

5. Bom para oprofessor

Para a maioria dos brasileiros alfabetizados, quem profere palestras, conferências, dá aula em cursos intensivos ou ministra cadeira em universidade precisa ser professor em alguma área do conhecimento. Isso é mais do que bom, é ótimo!

Outro fato que merece destaque positivo é a cidade em que acontece palestra ou curso intensivo. Após dezenas de experiências nesses eventos, verificou-se que nas capitais do Norte, Nordeste e Centro-oeste o povo é mais receptivo, empático e interessado em aprender.

6. Ruim para oprofessor

Palestras e conferências em geral, têm público com formação diversificada. De toda forma, aquele que não estiver satisfeito, levanta-se, sai e parte para outro rumo. Não há desgaste relevante na imagem do professor que as profere.

Já nos cursos intensivos as consequências podem ser danosas. Basta que a organização que solicita um treinamento – dado que pouco ou nada conhece sobre o tema – detalhe de forma ostensiva o curso em módulos que acredita serem relevantes. Estejam certos, sempre existe um “gênio interno” disposto a especificar seu futuro cursinho particular.

A partir daí a empresa de treinamento – contratada por menor preço – sai à cata de um “mestre” que a ampare. Pobre do professor que aceitar essa encrenca. Nessas condições é quase impossível satisfazer a turma a ser treinada.

Há empresas que tratam o professor de “instrutor”. O fato é que “instrutor” está mais associado ao amestramento de animais domésticos, do que à educação. A ser assim, trata-se de ofensa aos alunos de qualquer curso. Não importa se possuem nível superior ou se são idosos; durante as aulas todos são alunos e, por civilidade, devem receber as narrativas do professor, concordem com elas ou não.

Em cursos fechados (in house) o professor precisa saber o perfil da turma com que trabalhará: formação, setor de trabalho na empresa e tempo de empresa. É temerário dar aulas para turmas com perfis distintos, por vezes conflitantes: projeto de engenharia, gestão do ambiente e gestão de obras, por exemplo. Têm esperanças distintas de aprendizado e os conflitos se sucedem nas costas do professor.

Existem muitos outros aspectos de cursos intensivos que podem prejudicar o professor. Mas, no adiantado da hora, reserva-se apenas mais um: de novo, a cidade em que ocorre o curso. Sem risco de cometer generalizações, nas regiões sudeste e sul, paulistanos e cariocas se destacam na forma de se comportarem em sala de aula:

  • Paulistanos – embora dedicados a entender os conhecimentos do professor, são atentos e rigorosos. Via de regra, são informados acerca dos temas a serem tratados pelo curso. Com educação, interrompem quando não concordam e pedem explicação lógica. Debatem muito, mas são cordiais e têm como objetivo aumentarem seus conhecimentos.
  • Cariocas – são heterogêneos no domínio da informação ambiental; vão além da variação normal. Entretanto, há os bem-informados que auxiliam ao professor. Porém, dentre estes, é comum emergir uma espécie curiosa, que precisa dar demonstrações públicas de ampla “sapiência”. Por serem narcisos, mal-educados e provocadores conseguem prejudicar a fluência do curso. No mais, os cariocas são ótimos, salvo quando sorriem pela frente e, pelas costasmalham o professor.

7. Sugestão

Em vários países do mundo a profissão de palestrante é concorrida e suficiente para manter um bom nível de vida. Bons professores universitários tornam-se palestrantes em algum momento de suas vidas.

No Brasil essa profissão da educação tem relativamente poucos adeptos, talvez por falta de um mercado próprio. Ainda assim, a maioria dos palestrantes de sucesso parece composta por paulistas.

Pois, seja um palestrante! Assuma esse desafio, palestre sobre a Ciência do Ambiente e crie o espaço que ainda falta. Assim, deseja-se que sua palestra seja épica, um tanto misteriosa, mas de sua exclusiva autoria. Sobretudo, que seja motivadora, estimulante para aqueles que vão gostar dos desafios propostos por você, caro Professor.Ricardo Kohn

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[1] Ricardo Kohn, Especialista em Gestão, com trinta anos de trabalho dedicado à consultoria em estudos, projetos e práticas ambientais, bem como ao treinamento de analistas e gestores em modelos, metodologias e sistemas para a melhoria do desempenho ambiental das organizações produtivas.

Conversas com o Ambiente


Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

A primeira vez que fui pescar em mar aberto tinha 6 anos de idade. Fiquei maravilhado com a imensidão do oceano à volta de nosso pequeno barco. Foi nele que recebi a primeira aula de meu pai, o melhor pescador da costa portuguesa, modéstia à parte. Hoje, aos 97 anos, estou consciente que mantive certos valores do “velho Macko” – como seus amigos o diziam.

Sem demonstrar pressa ou mudança no humor, Macko sempre me ensinou a conversar com o ambiente marítimo – o mar, os ventos, correntes marítimas e peixes em geral. Dizia-me ele, enquanto manejava linhas e anzóis: ─ “Filho, só não temos como conversar com o Sol; ele é absoluto, definitivo”.

A meu ver, na pesca artesanal portuguesa Macko foi definitivo em linhas, nós e laços. Sabia-os a todos, como poucos. Para o pai, anzóis eram meros adereços aplicados ao final de linhas. Na juventude, muita vez o vi pescar em quantidade, apenas com “laços de linha”, sem anzol.

Vista similar ao nosso ambiente marítimo

Vista similar ao nosso ambiente marítimo

Em certas noites, Macko fazia assados de peixe na praia para reunir amigos. Aos 10 anos, quando comecei a participar desses eventos, conversava com os animais que via, apelidados aqui nas Maçãs por “tatuíra“. Um tatu pequeníssimo, de peso imponderável, que é trazido pelo mar e se enterra na areia da praia, ao fim da rebentação.

Descobri que os tatuíras são crustáceos inofensivos; pobre deles. Eu cavava rápido a areia para captura-los. E ria sem parar com as cócegas de suas patinhas na palma de minhas mãos; aflitos, a esforçarem-se para fugir. Como eu só possuía instinto, não notava que “minha infantil brincadeira”, de facto, era tortura para eles.

De longe, Macko assistia meu comportamento. Um dia aproximou-se e, com interesse, explicou-me o que acontecia aos tatuíras, “prisioneiros de mim”. Disse-me como vivem, do que se alimentam, que auxiliam a outros seres vivos e são muito frágeis às mãos do homem. Entristeci ao entender que aquele pequenino também possuía amigos, que dele dependiam para sobreviver. Assim, aos 10 anos, firmei minha primeira decisão de vida: jamais capturarei tatuíras.

Velho Macko faleceu enquanto dormia; eu tinha 27 anos de idade, então. Senti demais sua partida, mas tive de assumir as rédeas do que ele deixara: seus amigos, nossa casa, mais de 2.000 livros, o pequeno barco, petrechos de pesca e sua intensa atividade.

Há tempos conhecera outro crustáceo com “atividades subterrâneas”, muito usado como isca para robalos. Um bicho estranho, com garras dianteiras, bem maior que os tatuíras. Aqui essa espécie é conhecida como “Corrupto” (Callichirus major). Sei que no Brasil tem o mesmo apelido, pois, conforme demonstram seus espécimes políticos, “Corruptos são inumeráveis, multiplicam-se de forma acelerada, nunca aparecem e são difíceis de capturar”.

Callichirus major

Callichirus major, vulgo Corrupto

Mas quando soube que seu processo de sua busca e captura destruía o solo e microrganismos, conversei com o ambiente e optei por não utilizá-lo como isca. Achei mais prudente deixar o “Corruptoenterrado nas profundezas. Afinal, meu velho Macko pescava sem iscas e anzóis! Os brasileiros deveriam fazer o mesmo: enterrar bem fundo os seus.

Com o tempo descobri que para conversar com o ambiente e obter informações úteis, precisava saber lê-lo e prever sua conduta futura. Mas, além de Macko, não tinha com quem conversar sobre esse assunto. Era tema restrito a pai e filho. Decerto, ele sabia lê-lo e prevê-lo como poucos, porém não teve tempo de me explicar como fazer.

Contudo, dentre os livros que herdara, encontrei textos sobre preservação e conservação do Ambiente. Pasmem, todos traziam dedicatórias dirigidas a mim, assinadas por meu pai, o Velho Macko! Sugeriam que eu entendesse o rio que atravessa nosso terreno, bem como a mata e a fauna ocorrentes em suas margens, pois eram a parte do ambiente terrestre que tinha a preservar.

Resultado: ambiente terrestre preservado

Resultado: ambiente terrestre preservado

A partir de 1960, com minhas atividades de pesca já consolidadas, dediquei-me a estudar o “meio ambiente”, como aqui é chamado, de forma ignorante. Adquiri dezenas de livros sobre Ciências do Ambiente: ecologia, biologia, hidrologia, antropologia e filosofia. Estudo-os até hoje e aplico os ensinamentos que deles recebo, toda vez que os abro. Tornaram-se parte essencial de minha vida.

No início de 2013, recebi convite de Ricardo Kohn para escrever em seu blog, o Sobre o Ambiente. Confesso que tive dificuldades em aceitar: não tinha computador e sequer sabia o que seria “navegar na internet“. Mas após orientações de Quincas, meu neto postiço, enviei o primeiro artigo para o blog, uma sátira política intitulada “Carta Aberta da Estremadura – Portugal”.

Continuo a estudar e aplicar notórias práticas ambientais em tudo o que faço na vida. De facto, neste momento, estou ansioso paraImagem de divulgação adquirir o que parece ser a obra da vida de Ricardo Kohn, prevista para ser lançada ao final deste mês de julho:

  • Macedo, R Kohn, Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão. Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos , 636 pg., 1ª edição.

Afinal, meu pai, o Velho Macko, foi o primeiro “ambientalista” que conheci no mundo. Tenho, a correr em minhas veias, sua melhor herança.

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Clique no título do e-book “PRINCÍPIOS DA FILOSOFIA DO AMBIENTE – Como o Ambiente vê o Sapiens“.

Consultoria é Educação


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente e Escritor.

Ricardo KohnEmbora desde meados do século 20 não pairassem dúvidas acerca da qualidade da consultoria no país, fatos recém descobertos pela polícia federal ameaçaram a reputação de milhares de consultores, tal como, ‘presidiário a vender consultoria‘.

Dessa forma, este artigo visa a mostrar o que é o verdadeiro Consultor, na exata acepção da palavra, a qual justifica sua expressiva contribuição para as nações desenvolvidas.

Em dicionários encontram-se significados congêneres para “consultor”. Mas, por ser genérico e universal, como ponto de partida optou-se por “pessoa qualificada (…) que trata os assuntos técnicos de sua especialidade” – claro, simples e objetivo.

Todavia, por detrás deste “conceito de consultor”, deve-se aportar certas atitudes básicas para ser um bom profissional, tais como: possuir sólidos princípios éticos e morais; estar sempre disposto a partilhar conhecimentos com terceiros; ser humilde na criatividade de suas descobertas; ser capaz de aprender enquanto auxilia; saber ouvir críticas; gostar de debates com fundamento; conhecer os próprios limites; nunca participar de discussões; e, sobretudo, dominar a lógica necessária para defender posições, sejam próprias ou mesmo de terceiros.

Consultores em trabalho de campo – Arqueologia, Geologia e Arquitetura 

Não quer dizer que todos os consultores possuam essas atitudes desde o nascimento. Elas precisam ser aprendidas pela convivência com os sêniores que as detém, no todo ou em parte. De fato, para desenhar as “atitudes básicas” acima, foi necessário memorizar as ações de uma equipe de cinco consultores sêniores[1]. Todos trabalhavam em projetos de engenharia de saneamento básico e resíduos sólidos. Receberam notoriedade nacional pela qualidade das soluções de engenharia que descobriram e dos projetos que desenvolveram para realizá-las.

No entanto, na história da consultoria não há menção à prática de lobby por parte de consultores. Aliás, para que o lobby tenha algum valor, precisa ser honesto. Caso contrário, os lobistas em ação, ao invés de lograrem êxito nas legítimas pressões para obter o que almejam, podem seguir como réus, rumo à justiça. Assim soe ocorrer nas nações mais desenvolvidas.

Da mesma forma, consultores que não sejam cientistas políticos, não atuem em cooptações[2], sobretudo, aquelas que “envolvam transações monetárias”. Como a prática tem demonstrado largamente, no Brasil a legítima cooptação transformou-se num arranjo da “corrupção público-privada”.

Em suma, lobby e cooptação não são tarefas para consultores de qualquer área. Lobista não faz parte da consultoria. Aliás, no Brasil atual distribui ensinamentos para produzir lotes de ladrões.

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[1] Embora haja muitos outros, dentre grandes consultores, ressalta-se os engenheiros Enaldo Cravo Peixoto, Walter Rodemburg Ribeiro Sanches, Gastão Henrique Sengés, Fernando Penna Botafogo Gonçalves e Jorge Costa Nogueira, todos a atuar nas décadas de 1960 e 70. Sob a senioridade desses profissionais foram educados centenas, senão milhares, de bons consultores.

[2] Em tese, com base nas teorias da Administração Pública e da Ciência Política, o processo de cooptação de um indivíduo, grupo ou empresa é realizado através do convencimento lógico para se atingir a alvos legítimos desejados pela nação. No entanto, esses alvos são legais e não se traduzem em qualquer pagamento ou benefício ao cooptado. Ou seja, há riscos concretos para alcança-los e a cooptação sempre deve somar forças produtivas e honestas.

Como sair da lama


Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Não é necessário ser economista para ver que a péssima gestão da macroeconomia não é uma variável, mas um dado do problema brasileiro. Dentre seus principais efeitos, destaca-se o crescimento contínuo do desemprego, sobretudo, na faixa de renda acima de 20 salários mínimos.

O quadro geral de curto e médio prazo é grave para todos os setores econômicos. No entanto, função da experiência de trabalho, foca-se apenas em dois setores privados: os da consultoria de engenharia e de ambiente. Ambos se encontram a caminho do esfacelamento, com o fim e perda de contratos, a demissão de funcionários, sobretudo de alguns especialistas, além do inevitável fechamento de empresas, detentoras de boa parte do patrimônio da inteligência consultiva.

LamaçalProjetos de engenharia e estudos ambientais bem elaborados constituem a base da construção civil, setor que pode atender a um grande número de trabalhadores que pertencem à faixa de menor renda. Contudo, sem os serviços da consultoria[1], ou param-se obras indispensáveis ou seus prazos são dilatados, a justificar o famoso sobrepreço. E, assim, tem-se mais desemprego, mais gente a tentar sair da lama.

Por outro lado, o governo federal permanece na mesma toada: elevadas despesas de custeio, decerto superiores ao que arrecada para esta finalidade; nível de investimento muito baixo; e total incompetência na atração de investidores privados.

Em suma, o crescimento da inflação, bem além do teto superior da meta, resulta da manutenção de forte demanda pública – pressão de despesas do governo em atividades não-produtivas, sem alvos definidos, e mal explicadas. Por sinal, “lideradas” pela Presidência da República e seu malogrado Comboio de Mamutes: 39 ministérios com eternos resultados insipientes.

Recessão econômica, inflação elevada, taxa básica de juros absurda, desemprego em alta, enfim, o solo do lamaçal econômico, criado pela incompetência soberana, tende a se tornar um implacável pântano nacional. Acredita-se que a questão básica é a seguinte:

─ “Como a sociedade pode desvencilhar-se desta cilada”?

A resposta a esse quadro estrutural se resume em uma única ação: contra-atacar. Através de lideranças nacionais, notórias pela experiência pregressa bem-sucedida, a sociedade encontrará oportunidades potenciais de investimento, meio às ameaças que lhe são impostas.

Com o aumento de profissionais desempregados, o setor da educação brasileira, precário por definição, precisa oferecer “treinamentos úteis”, que aumentem a produtividade em todas as atividades humanas.

Aguardar do governo qualquer iniciativa neste sentido é perda de tempo. O setor público somente promete uma “Pátria Educadora”, falida antes do próprio nascimento. Há que se buscar investidores privados que, com criatividade, reencaminhem a educação às finalidades a que se destina, há séculos.

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[1] Não confundir consultoria com “propinaria travestida”, feita até por presidiário de penitenciária, como no caso de José Dirceu, o petralha.

Ambientologia para a Educação


Cláudia Reis e Ricardo Kohn. Consultores em Gestão.

Observa-se que há entre os cursos do ensino básico brasileiro – Fundamental [1 e 2] e Ensino Médio – um hiato de conteúdo educacional, sobretudo, entre o Fundamental 2 e o ensino Médio.

Verifica-se que os módulos do ensino fundamental relacionados ao tema “Ciências”, embora oportunos, são superficiais e estanques entre si. Não formam o substrato educacional mínimo para capacitar os alunos às demandas do ensino Médio e Superior. Falta-lhes integração com a forma de raciocinar, a incitar ações subsequentes úteis e tangíveis. Informam, mas não motivam os alunos a desejarem mais conhecimento.

Por sinal, cansam-nos com textos dispersos para decorar e, em vários casos, acabam por “aumentar a evasão das escolas”, tal o desinteresse que proporcionam aos alunos.

Infere-se a partir das premissas acima, que é possível preencher o hiato existente e, por exemplo, integrar os cerca de 30 temas da cadeira de “Ciências”, através de um único tema: a Filosofia do Ambiente, doravante chamada “Ambientologia[1]”.

Finalidades do projeto

Essa proposta de projeto possui quatro finalidades concretas e realizáveis, a saber:

  • Ampliar nos alunos do ensino básico o interesse pelo aprendizado diferenciado das práticas ortodoxas, há muito adotadas sem os efeitos satisfatórios.
  • Reduzir a evasão escolar, sobretudo no ensino Fundamental 2.
  • Internalizar na mente dos alunos, a partir da visão do Ambiente, a importância dos trabalhos em equipe, com o aumento da produtividade escolar de cada um.
  • Por fim, além de conferir o título de “Técnico em Ambientologia” aos alunos que concluírem o ensino médio, prepara-los para se superarem no ensino superior, caso desejem realiza-lo.

Foco do projeto

  • Estimular jovens a refletirem sobre as relações ambientais de causa, efeito, ações de pronta resposta, considerando-as no tempo e no espaço. Todas essas relações são vividas diariamente por jovens, embora nem sempre sejam consideradas, o que pode acarretar perdas de oportunidades e riscos em geral.
  • Além disso, ampliar a visão espacial e temporal dos eventos que ocorrem no Ambiente, como decorrência direta de ações humanas. O pacote educacional proposto deve capacitar alunos do ensino fundamental e médio a formar opinião sobre a importância do Ambiente em suas vidas, decerto mais amplo do que as engenharias e obras que o transformam a cada instante, não raro de forma danosa a seus sistemas ecológicos.
  • Por fim, demonstrar aos jovens uma premissa básica da atualidade no mundo ocidental: “o Ambiente finito do planeta, quando estabilizado com consumo adequado de seus bens ambientais (ar, água, solo, flora, fauna e homem), constitui o pilar essencial para a evolução dos seres vivos (flora, fauna e homem), desde que com a manutenção da dinâmica de seu substrato físico (ar, água e solo) ”.

Descrição do projeto

Para situar os leitores mais velhos desta proposta, o curso Fundamental 1 equivale aos antigos Pré-primário e Primário. O Fundamental 2, é similar ao antigo Ginásio. Por último, o curso Médio equivale aos cursos Científico e Clássico, como denominados no passado.

Salienta-se que, nessa etapa da educação de jovens, a Ambientologia será uma cadeira que possui como base pedagógica as respostas do Ambiente ao resultado de ações praticadas pelo Homem, nem sempre inteligentes sob a ótica ambiental.

─ Curso de nível Fundamental [1]

Destinado a jovens de 6 a 10 anos, o projeto propõe-se a desenvolver 5 (cinco) cartilhas ambientais, a narrar histórias do dia-a-dia que os jovens dessa idade tenham interesse em descobrir e conhecer. O teor das cartilhas visa a motivar crianças Vista escolar da Ambientologiapelas descobertas.

Exemplo de temas para as cartilhas: i. Assim são plantadas as hortas comunitárias; ii. Mude o ambiente de seu bairro: plante flores nas praças; iii. Hortas na cobertura e flores na fachada dos prédios; iv. A alegria da Primavera é contagiante; v. Folhas e flores trazem borboletas e beija-flores para dentro das casas; vi. Sem flores não existem as frutas que adoramos; vii. Podemos lhe ajudar nessa tarefa?

Evidente que as cartilhas ambientais precisam de personagens que “conversam” com as crianças. A exemplo, podem ser duas famílias com filhos em aprendizado inicial.

No Fundamental [1] os módulos de aprendizado são três: Alfabetização em Português, Aritmética, Introdução à Ambientologia e, por opção do aluno, Inglês básico.

─ Curso de nível Fundamental [2]

Destinado a jovens de 11 a 14 anos, o projeto propõe-se a elaborar 4 (quatro) livros didáticos, específicos para o Fundamental 2. Os livros devem ter cunho evolucionista, a começar pelo roteiro educacional que apresentam para a Ambientologia, a qual precisa ser dinâmica: a evoluir do livro 1 até o livro 4.

O tema central também é o Ambiente, em todas as suas proporções e narrativas, por exemplo: como fazer e gerir um simples canteiro de plantas, passando por jardins, sítios e fazendas; perceber as ameaças dos processos de desmatamento, das erosões intensas, que resultam em áreas desertificadas; apresentar as características dos ecossistemas primitivos e sua capacidade de evolução aleatória; até chegar ao maior desafio, que seria algo tal como o Ambiente Primitivo: sem poluição do ar, sem contaminação hídrica, com solos férteis, rios e lagos de água pura, um povoado integrado à floresta e sua fauna silvestre.

Através de narrativas muito bem sequenciadas, amplamente documentadas por fotos e desenhos, a Teoria do Ambiente vai sendo gradativamente transferida aos alunos, como essencial à filosofia de suas vidas, sem ter que falar em Teoria ou Ciência.

A linguagem dos livros será simples e coloquial. Sua narrativa fará menções à linha do tempo da existência do sapiens no planeta, ou seja, do paleolítico até os dias atuais: do antigo caçador-coletor ao atual “caçador-extrator”. Trata-se de oferecer para análise dos alunos uma visão histórica e geográfica do Homo sapiens, bem como sua evolução no Ambiente planetário.

No entanto, subentenderá questões ambientais práticas, que estimulem aos alunos perspicazes a encontrar soluções próprias, tanto para o momento em que vivem, quanto para seus futuros de maior prazo.

As coleções de cartilhas e livros serão impressos em papel reciclado. Porém, o projeto também prevê oferecer os livros também em formato digital (e-book).

Para finalizar, o projeto Ambientologia deverá atender à prática moderna da juventude, através de aplicativos para celular, tablets e computadores pessoais. Constituem jogos que demandam a decisão dos alunos diante das questões ambientais formuladas pela coleção de livros – “environmental games”. Jogos inteligentes estimulam o aprendizado.

No Fundamental [2] os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Português e Redação, Matemática, Ambientologia, História, Geografia e Inglês. Por escolha do aluno, ele pode selecionar aulas de Espanhol ou Francês.

─ Curso de nível Médio

Destinado a jovens de 15 a 17 anos, o projeto adotará práticas constantes em “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”, livro já publicado para o ensino de Nível Superior.

Essa obra teria como título “Ambientologia – Metodologias para Gestão”. No entanto, o título foi trocado, pois o autor considerou que seu significado não seria claro, por referir-se a uma “prática pouco conhecida”.

No curso Médio os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Redação e Literatura, Matemática avançada, Física, Química, Ambientologia, Inglês, Espanhol, Francês e, no último ano, Ambientologia avançada.

Benefícios do Projeto Ambientologia

A relevância de qualquer projeto se assenta na capacidade de responder às demandas de seu público-alvo, sejam elas explícitas ou não. Desse atributo derivam os benefícios que o projeto oferece à sociedade, que podem ser de variadas ordens.

No caso do ‘Ambientologia’, tratam-se de benefícios educacionais, dos quais deságuam efeitos positivos de ordem social, econômica e motivacional, pelo menos. Destacam-se cinco deles, a saber:

  • Internalização no raciocínio dos jovens da dinâmica do Ambiente, às vezes imprevisível, bem como de seu trato adequado, através do uso dos meios que estejam disponíveis, sejam os acatados pela ciência ou criados por eles próprios.
  • Demonstração aos alunos que as atividades dos ecossistemas humanos precisam possuir desempenho ambiental, visando a garantir a sustentabilidade dos ecossistemas primitivos, ou seja, manter o Ambiente estabilizado.
  • Ampliação da capacidade da lógica dedutiva na formação do conhecimento, com efeitos expressivos na autoestima dos jovens “alunos descobridores”.
  • Aumento da capacidade de antevisão de problemas de causas variadas, com estímulo à inventiva pessoal dos alunos em solucioná-los, no tempo e no espaço.
  • Introdução da variável ambiental na vida dos jovens, através da visão de seus espaços físico, biótico e antropogênico, como fundamento para a tomada de decisão em todas as suas futuras profissões.

Procura-se um Investidor-parceiro para melhorar a Educação dos jovens brasileiros.

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[1] Após 42 anos de consultoria em estudos e projetos, descobriu-se que a Ambientologia não seria propriamente uma ciência. Mas uma base filosófica, que facilita a orientação e coordenação da aplicação simultânea das inúmeras ciências que explicam o Ambiente.

Instinto e Razão


Ricardo Kohn, Gestor.

Há momentos em que é preciso interromper tudo o que se está a fazer e questionar-se:

A trilha que decidi seguir na vida pode me conduzir até aonde?A trilha

Para um jovem da “antiga classe média[1], amistoso e sociável, diversos caminhos perfeitos se abriram à frente. Assim os percebia – desafiadores, perfeitos –, pois sua vida começava a nascer: estudos, trabalhos, amores e muitas amizades.

Achava que detinha a razão, mas, de fato, apenas o instinto comandava suas decisões. Portanto, seguiu por todos os caminhos que pode, sem chegar aonde desejava. Aliás, sequer sabia quais eram os próprios desejos, por isso precisava testar as trilhas que descobria.

Todavia, faltava-lhe experiência, que somente a prática intensa consolida. É a partir desta experiência que começam a sobrevir os primeiros sinais da razão aplicada. E também das reais descobertas da vida, é evidente.

Então, com apenas 13 anos de experiência de trabalho, o jovem aceitou outro desafio. Mudar de estado para trabalhar em planejamento empresarial, numa organização que, em 1981, tinha cerca de 22 mil funcionários, distribuídos pelo país inteiro.

Lá descobriu que possuía “um tiquinho de razão” e bastante instinto. Cumpria muito bem com suas funções, embora em 1982 haja publicado um livro de contos, editado pela própria organização! Isso causou uma refrega com sua chefia, que era “enquadrada e oportunista”.

Porém, no ano de 1986, refletiu que já concluíra uma espécie de doutorado em planejamento. Portanto, de posse desse patrimônio, decidiu retornar a seu estado de origem. Queria voltar ao trabalho na consultoria de projetos de engenharia e ambiente, conforme iniciara há 14 anos, em 1972.

Já morando no Rio de Janeiro, diante de seu novo desafio, começou a escrever sem parar, com mais instinto do que razão. Mas não eram contos o que então sonhava. Eram textos técnicos pioneiros, voltados exclusivamente para sua área de trabalho.

Em 1989, com mais de 1000 páginas de textos teórico-conceituais redigidos, pensou que deveria voltar para a universidade. Mas não somente para estudar, também para dar aulas. Foi assim que, com quase 20 anos de experiência de trabalho, fez uma descoberta: “as trilhas da vida atravessam jardins, onde hora se bifurcam, ora convergem para resultados”. Cabe saber como encontra-las. Para isso precisa-se de muito instinto e razão.

Simplicidade e paz

De fato, os caminhos trilhados no passado não se extinguem, nunca se apagam. Ainda que não tenham deixado vívidos legados de felicidade com o trabalho realizado, retornam aos tempos atuais e participam da consolidação de novas experiências e legados.

Hoje, o jovem tem 67 anos. Possui a experiência que mais de 40 anos de trabalho lhe concederam. Busca com seu instinto uma nova bifurcação de sua trilha inicial; deseja ser capaz de encontrá-la na Universidade.

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[1] Trata-se da classe média do século 20, década de 1960: com renda familiar hoje equivalente a R$ 15.000,00 mensais e casa própria, numa sociedade que recebia do Estado bons serviços públicos, sobretudo, de educação e saúde.

A base conceitual e seus conflitos


Por força do relativo distanciamento entre a academia e o mercado, no Brasil há muitos que ainda afirmam: “a teoria é diferente na prática“. Sem entrar no mérito desse “descuido“, acredita-se que as práticas do mercado, por serem mais ágeis, podem se tornar uma “teoria particular”.

No entanto, nas áreas em que as ciências ainda são menos consolidadas, a mídia cria conceitos próprios e os divulga a todo vapor. O setor ambiental, sem dúvida, é premiado com uma boa série de “equívocos conceituais”. Com somente um exemplo, é possível mostrar a sucessão de conflitos que pode ser criada.

─ O que é correto: meio ambiente ou ambiente?

Dicionários da língua portuguesa dão ao verbete “meio” inúmeros significados. Mas existem dois que são específicos e auxiliam na resposta a esta questão, quais sejam:Imagem de divulgação

─ “Meio”, a significar metade, e “meio” com sentido de ambiente. De outra forma, meio é, ao mesmo tempo, sinônimo de metade e de ambiente.

Com base nesses fatos, “meio ambiente” significa “metade do ambiente” ou então “ambiente ambiente”. De um lado seria estranho, de outro uma redundância explícita. Nas culturas reconhecidas como as mais evoluídas do mundo, não existe expressão com “meio” integrado a ambiente. Observe em três idiomas qual é o vocábulo equivalente a “meio ambiente”:

  • Em inglês: Environment.
  • Em francês: Environnement.
  • Em alemão: Umwelt.

Esse argumento já deveria ser suficiente para esclarecer a dúvida, no entanto…

1. Conceito oficial

Segundo reza a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a PNMA, Meio Ambiente é “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

1.1. Análise de conteúdo:

  • Qual o significado de “condições, leis, influências e interações” no contexto ambiental?
  • Quais são as entidades ambientais que promovem as “influências e interações”?
  • Como “condições, leis e influências” podem “permitir, abrigar e reger a vida em todas as suas formas”, senão apenas juridicamente, no papel?
  • As “interações” consideradas serão somente as de ordem física, química e biológica?

Conclui-se que esse conceito é similar a uma “Sopa de Pedra”. Nele cabe de tudo. Porém, afora colocar uma pedra no meio do prato, nada mais esclarece. Trata-se de um mero jogo de palavras, com significado ambíguo, genérico e um tanto confuso.

2. Conceito acadêmico

Ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem.

Essas porções detêm distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são observáveis através do comportamento de seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

2.1. Análise de conteúdo:

  • Biosfera é a camada da Terra integrada à litosfera – que lhe serve de substrato –, onde ocorrem todos os seres vivos do planeta. A atmosfera e a hidrosfera são partes essenciais à biosfera e dela não são desvinculáveis. Assim, biosfera, litosfera, hidrosfera e atmosfera conformam o Ambiente integrado do planeta.
  • Fatores ambientais ou fatores ambientais básicos são os componentes dos ecossistemas da Terra. Estão presentes em qualquer porção que se delimite em sua biosfera. Estes fatores são associados aos espaços ambientais que lhes são afetos, pela ordem: espaço físico [o ar, a água e o solo]; espaço biótico [a flora e a fauna]; e espaço antropogênico [o homem e suas atividades].
  • As relações mantidas entre fatores ambientais são realizadas através de trocas de matéria e energia, que são dinâmicas, interativas e espontâneas. Isto garante a estabilidade e a evolução dos sistemas ecológicos que conformam. Denominam-se relações ambientais.
  • Importante destacar o que deveria ser evidente: as relações ambientais, que se realizam há milênios, são energizadas pela luz solar, e possuem natureza física, química, biológica, social, econômica e cultural.

Por existirem o ar, a água, o solo, a flora e a fauna no mesmo cadinho da evolução da vida, a raça humana é, se tanto, a 6ª parte do ambiente do planeta. Mas nem todos têm sã consciência desse fato.

3. Conclusão

Em qualquer área do conhecimento é necessário estabelecer seus conceitos essenciais. Eles conformarão uma base sólida para a construção do conhecimento, a qual será a fundação de seus processos, metodologias e práticas, até ser beneficiada por acadêmicos visionários. A ser assim, a robustez de conceitos, sem ambiguidades, é fundamental ao aprendizado e à evolução das ciências.

A propósito, não se pode esquecer: o Ambiente não opera conforme determinam os diplomas legais e os juristas responsáveis por sua fabricação. Por sinal, fabricantes que não têm o devido respeito às ciências que o explicam. A Lei da Gravidade, com absoluta certeza, não será abolida por meio de Decreto-Lei.

4. Aos interessados, seguem as palestras

Está-se elaborando apresentações para a realização de palestras sobre o tema “Ambiente e Sustentabilidade”. Se a entidade promotora da palestra disponibilizar a logística necessária ao palestrante, serão conversas gratuitas, com duração de até 45 minutos, e tempo livre para debate. Seguem alguns dos títulos a serem inicialmente oferecidos:

  • Sustentabilidade versus Desempenho Ambiental.
  • Ambiente: a base conceitual e seus conflitos.
  • Identificação da Transformação do Ambiente.
  • Elaboração de Matrizes de Impactos Ambientais.
  • Programação e gestão de Atividades de Campo.
  • Formulação de Cenários Ambientais, atual e futuros.
  • Introdução à Avaliação de Impactos Ambientais.
  • Fundamentos para elaboração de Plano Corporativo Ambiental.
  • Fundamentos para Auditoria de Plano Corporativo Ambiental.
  • Introdução ao levantamento e gestão de Passivos Ambientais.
  • Produção e gestão de Procedimentos [Segurança, Ambiente e Saúde].

Após finalizado o ciclo de lançamento desta obra, que detalha esses e muitos outros temas, serão divulgados seminários e cursos intensivos. Espera-se o interesse dos atuais e futuros Gestores do Ambiente.

Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

CEA: 25 anos de evolução


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão e Escritor.

Este editorial é um depoimento externo à UnespUniversidade Estadual Paulista e seu Centro de Estudos Ambientais (CEA). Constitui a visão de um especialista em gestão, nascido no Paraná, criado e residente no Rio de Janeiro, e agradecido a instituições acadêmicas e professores de São Paulo. Creio que esses fatos comprovam a imparcialidade do texto que se segue.

Em 1991, na qualidade de “palestrante alienígena”, participei do 1º Simpósio Nacional para Análise Ambiental, realizado pela Unesp, em seu campus de Rio Claro. Fora indicado pelo Professor Dr. Miguel Petrere Jr. e aceito pelos organizadores, dentre os quais se destacava uma docente pesquisadora: a Dra. Sâmia Maria Tauk-Tornisielo.

Unesp, Campus Rio Claro

Unesp, Campus Rio Claro

A palestra que proferi intitulava-se “A importância da Avaliação Ambiental”. Fiz dois papers para deixar na universidade, aos cuidados da Professora Sâmia. Narravam os equívocos comumente cometidos por essa prática e propunha um novo modelo para realiza-la com mais robustez, o qual ficou conhecido por MAGIA – Modelo de Avaliação e Gestão de Impactos Ambientais (1986-1989).

Saliento que, naquela ocasião, o CEA – Centro de Estudos Ambientais era uma instituição recém-nascida: um ano de idade. Ainda assim, os professores Sâmia Maria Tauk-Tornisielo, Nivar Gobbi e Harold Gordon Fowler, reuniram e depuraram os papers dos palestrantes para publicar o livro “Análise Ambiental: Uma Visão Multidisciplinar”. Por sinal, esta obra recebeu, em 1992, o Prêmio Jabuti, como o Melhor Livro de Ciências!

As capacidades ecológicas da auto-organização e da coevolução já estavam no DNA do CEA e das relações ambientais mantidas entre os membros de sua notável equipe. Tanto é assim que, em 1994, a Unesp de Rio Claro realizou o 1º Congresso Brasileiro de Análise Ambiental.

Desta feita, fui convidado a proferir uma conferência, que intitulei “Metodologias para a Sustentabilidade Ambiental”. Mas preciso salientar que, por fatos imprevistos, passei a noite em claro, à procura de médicos e hospitais e, pela manhã, minha conferência foi um fracasso. Bem distinta da palestra que fizera em 1991.

Todavia, em 1995, de novo foi publicado o livro do evento – “Análise Ambiental: Estratégias e Ações” – organizado por Sâmia Maria Tauk-Tornisielo et alli. Assim, também tive um capítulo publicado, com o texto da conferência.

Como o congresso teve duração de 5 cinco dias, foi nos jardins da Unesp que lancei meu primeiro livro solo: “Gestão Ambiental – Os Instrumentos Básicos para a Gestão Ambiental de Territórios e de Unidades Produtivas” (1994)[1]. Essa obra foi editada pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), com sede na cidade do Rio de Janeiro. Mas, afinal, lancei-a em Rio Claro, São Paulo!

Devo dizer que, até então, desconhecia um fato muito expressivo: a primeira Faculdade de Ecologia do Brasil fora criada na Unesp, campus Rio Claro, em 1976. Dessa forma, os primeiros ecólogos graduados no país têm hoje 39 anos de formados. Sem dúvida, um importante mérito para o ensino superior brasileiro.

Mesmo não sendo Ecólogo, entendo o que diz o axioma: “tudo o que acontece no Ambiente se dá por necessidade e acaso”. Explico. Desde criança sentia uma imensa vontade de escrever. Aos poucos, essa vontade tornou-se imperativa. Aos 22 anos ganhei um concurso nacional de contos, somente para estudantes universitários. Aos 32 anos, lancei um livro de contos, intitulado “O Lapidador”. Sentia a necessidade de ser escritor. Mas foi por obra do acaso que encontrei Petrere, Sâmia e a Unesp na cidade de Rio Claro. Tornei-me escritor de livros técnicos e acadêmicos dedicados ao setor ambiental.

Mais tarde, em dezembro de 2003, lancei o segundo livro solo, intitulado SLAN – Sistema de Licenciamento Ambiental Nacional: é possível. Foi prefaciado pelo Professor Emérito de Ecologia na USP, Dr. Paulo Nogueira-Neto. Simplesmente, ele foi o fundador do Setor Ambiental Brasileiro, o qual geriu durante cerca de 12 anos, dirigindo a Sema – Secretária Especial do ‘Meio Ambiente’. Foi esse o órgão público, criado em 1973, que organizou o Conama. Depois a Sema foi transformada no Ibama e, mais tarde, de forma indireta, deu à luz ao próprio Ministério doMeio Ambiente’.

Parabéns, Paulo Nogueira-Neto! O senhor é um guerreiro, pois criou o mercado da consultoria ambiental no Brasil, abriu vagas de trabalho para milhares ou até milhões de brasileiros, ansiosos para atuar em prol da estabilidade do ambiente nacional. Porém, sobretudo, criou espaço para o surgimento de novas faculdades e cursos superiores em todos os estados do país!

É nesse contexto que me sinto honrado pelo convite da Dra. Sâmia Tauk-Tornisielo para redigir este editorial, a ser publicado em breve na Revista Holos Environment. A qualidade e aplicabilidade prática de seus inúmeros artigos científicos, sempre elaborados por notórios especialistas nas Ciências do Ambiente, dá sustentação à ideia que a gestão adequada do ambiente é cada vez mais um fato inadiável para a Humanidade.

Por fim, como não poderia deixar de ser, comunico o lançamento de meu terceiro livro: “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Esta obra tem previsão para estar pronta em 30 de junho de 2015, impressa e em formato digital. Tenho certeza que poderei fazer palestras sobre os inúmeros temas da Gestão do Ambiente. Aguardo receber convite da Unesp e retornar ao seu campus de Rio Claro.

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[1] Tenho orgulho deste trabalho; afinal, dentre outras coisas mais relevantes, creio que fui um dos pioneiros no uso do termo “Gestão Ambiental”, ao invés do anglicismo “Gerenciamento Ambiental”.

A derrocada do Ensino Superior


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Ricardo KohnO cenário da educação no Brasil ficou assustador: escolas básicas e fundamentais, bem como universidades públicas de todo o país, foram jogadas às traças por intelectualoides. Decerto, são seres que não foram civilizados na tenra idade – como é essencial a todas as crianças –, de forma a se tornarem mais sociáveis a partir dos cinco primeiros anos de vida.

Todavia, a meu ver este cenário é um processo planejado de destruição ética e moral, cujos pilares vêm a ser erigidos há pelo menos três décadas. No entanto, é somente em 2015 que se torna mais nítido. Aliás, segundo a apologia desonesta “Brasil, Pátria Educadora”, foram subtraídos, de forma abominável, cerca de 7 bilhões de reais do orçamento da pasta da Educação.

É óbvio que se as instituições de ensino em geral já estavam em estado lastimável; se seus professores continuavam a ser muito mal remunerados; se as matérias dos cursos são as mesmas – excessivas, estanques, superficiais e até mesmo desqualificadas –, um corte desta envergadura na educação, proporcionou a derrota final do ensino na dita “Pátria Educadora”.

Causa-me perplexidade, bem como ameaça a qualquer cidadão. Até mesmo àqueles já vacinados contra “analfabetite” (um tipo de degeneração do cérebro, infecciosa e transmissível, bastante comum no atual “Brasil político“).

Contudo, vou me ater apenas ao ensino superior, pois há um excelente artigo assinado por Cláudio de Moura Castro em que ele narra, segundo minha ótica, a asnice cometida contra o aprendizado normal de alunos do ensino médio brasileiro. Em suma, o Prof. Cláudio esgota o assunto em uma página de revista (recém-publicado em edição da revista Veja[1]).

Ensino universitário a desmoronar

A imprensa tem apresentado reportagens e notícias acerca do quadro em que se encontram inúmeras universidades públicas, tanto federais quanto estaduais. Em diversos estados há professores em greve (17), alunos revoltados com a situação, reitorias invadidas, faculdades fechadas, aulas suspensas, além de salas, corredores e banheiros imundos, sem serviços de limpeza.

A Universidade de São Paulo e a Universidade Federal do Rio de Janeiro parecem ser os mais graves problemas da gestão pública neste setor. Universitários e professores tornaram-se vítimas anômicas da mesma incompetência governamental. Dessa forma, é triste, diria mesmo, repugnante, ver o cenário vigente de calamidade educacional, com clara tendência a se agravar.

Confronto na Universidade Federal de Santa Catarina: parada e sem aulas

Confronto na Universidade Federal de Santa Catarina: parada e sem aulas

Ademais, esse quadro também atinge as universidades particulares. O governo federal criou uma série de mecanismos e “siglas paranormais” que servem para financiar estudos superiores nessas instituições: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (FGEDUC). Contudo, para complicar um pouco o estamento burocrático, foi criado o SisFIES, que deve ser o sistema para cadastro no FIES.

Ocorre que em 2015 toda essa parafernália não funcionou. Ficaram de fora do FIES cerca de 178.000 universitários. Simplesmente, não conseguiram se recadastrar pelo SisFIES. Dessa forma, sem o financiamento contratado, os que não puderam pagar do próprio bolso, trancaram matrícula nas faculdades que cursavam.

Um conselho de político velhaco

Afinal, meus jovens, resignem-se: o prejuízo poderia ser maiorSó lhes resta aguardar o dia em que o repasse do governo federal acontecerá. Contudo, agradeçam ajoelhados e de mãos postas. Trata-se da benção dos céus economicamente corrompidos.”

Reflexão universitária

Tenho amigos de longa data que são docentes e pesquisadores em diversas universidades brasileiras e instituições de pesquisa, públicas e particulares. Temos conversado muito sobre o temporal acadêmico que está a se formar sobre a cabeça de certos governantes velhacos.

Cada um de nós tem motivo específico para manter essa conversa. No entanto, sem interferência ideológica ou partidária, fomos unânimes nas seguintes posições:

  • A qualidade do setor da Educação é o principal fundamento para o desenvolvimento de qualquer nação do mundo.
  • O tenebroso balanço auditado da Petrobras 2014, aprovado por seu Conselho de Administração, demonstrou que, pelo menos, houve desvios ilegais de dinheiro público da ordem de R$ 50 bilhões: 6 bilhões pela corrupção oficial e 44 bilhões na “reavaliação de ativos”. De fato, esta “reavaliação” significa “ativos sobre avaliados que desapareceram no ar”, ou seja, por força dos mecanismos engendrados para a corrupção subliminar.
  • Teve-se quase certeza que a corrupção descarada na Petrobras, durante 10 anos, foi maior do que seu último balanço oficial demonstra. Por baixo, estimou-se que foi da ordem de R$ 90 bilhões.
  • Teve-se quase certeza que a cleptocracia entranhada no Estado desviou dinheiro de bancos públicos, de empréstimos internacionais do BNDES, de fundos de pensão, da Receita Federal, das obras do setor de energia elétrica, das obras do PAC, das obras da Copa do Mundo, do corredor de passagem da Ferrovia Norte-Sul, das obras da Transposição do Rio São Francisco e das obras do DNIT, Infraero e outras instituições públicas de infraestrutura. O montante desta extorsão criminosa é impensável.

Mas, por fim, restou-nos a indagação: ─ “Por quais motivos no Brasil a evolução das ciências, das pesquisas, das universidades e do ensino superior está a sofrer a mais catastrófica decadência de sua história?”

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[1] O título do artigo é “O pior ensino médio do mundo?” Observo que Cláudio de Moura Castro é Doutor em Educação, pela Cornell University, USA. Caso tenha interesse em ler seu artigo, encontra-se publicado na edição 2424 da Veja, referente a 6 de maio de 2015.

Reforma do Estado: urgente!


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Ricardo KohnEm passado recente (sobretudo, na década de 1960 e início da de 70), ocorria no Brasil o debate extremo sobre dois processos políticos: reformas ou revolução. Os marxista-leninistas defendiam a revolução armada, a extinção das classes não proletárias e a tomada do poder por líderes revolucionários. Mas sempre a dizer que atuavam em nome do proletariado, muitos deles fantoches da ignorância.

E para dar mais vigor a essa maldita proposta, a “propaganda goebbeliana” dos facínoras alardeava que Cuba era a demonstração cabal de uma revolução bem-sucedida!

Todavia, em contrapartida, também existiam os “reformistas”, com alvos mais claros e definidos: propunham um governo liberal e democrático, a melhoria da economia de livre mercado, baseada em atividades da iniciativa privada. Assim, caberia ao Estado tão-somente regular e fiscalizar os meios de produção privados, com despesas de custeio infinitamente menores.

No entanto, os marxista-leninistas alcunharam-na de capitalismo selvagem. Mais tarde, diga-se, com “rótulo acadêmico e intelectual”, chamaram-no de neoliberalismo conservador, pois se auto titulavam como “progressistas”.

Vale relembrar a frase irônica de Millôr Fernandes, quando afirmou das “relações humanas” entre o passado longínquo, ocorrido a cerca de 200 milênios atrás, e o mais próximo, há apenas 12 milênios. Disse Millôr:

─ “No Paleolítico ninguém acreditava no Neolítico”.

Sem dúvida, os últimos governantes do Brasil pensam como os embrutecidos do Paleolítico. No entanto, até mesmo o “homem da pedra“, que sobreviveu ao Neolítico, foi capaz de evoluir e construir artefatos de bronze e ferro. Porém, fez bem ao contrário da corja do planalto, que criou a era do Cleptolítico.

Afinal, o homem do Cleptolítico é uma forte degradação do homo sapiens. Sua vida resume-se em alcançar cargo público de maior destaque, não importa quanto e a quem vai custar. Ele é um idiota, contudo demente e furioso. Se consegue atingir o alvo sonhado, distribui cargos para “companheiros”, todos iguais a ele: cleptomaníacos, puros por cruza.

Assiste-se hoje no Brasil, não sem riscos de retorno, ao início da decadência da “cleptocracia populista” instalada no governo. O pânico do partido é de tal ordem que desistiu de ser revolucionário e passou a propor reformas disparatadas em seu governo. Mas lembre-se: tudo o que precisa de reformas é prédio prestes a tombar. E o partido quer fazer várias: uma reforma política, um “ajuste fiscal” e, pasmem, um “pacote anticorrupção” que seus próprios sequazes cometem sem parar, há mais de uma década.

No entanto, são as mesmas reformas contra as quais o partido atuou como furioso ruminante, a 30 anos atrás. Tanto é fato que a “soberana” – incluindo seu mentor apedeuta e asseclas de variadas súcias e facções – encontra-se perdida qual “cega num choque frontal de trens”. Em 2015, nas poucas vezes que conseguiu abrir a boca em público, não disse coisa com coisa, foi vaiada e recebeu panelaços.

É urgente apagar da história brasileira o Estado Cleptolítico implantado. Para começar, deve-se passar a borracha em partidos políticos – bastam três, desde que não tenham cometido crimes contra o Estado; borracha verde nos ministérios do executivo – bastam os doze essenciais; borracha inapelável em todos os cargos comissionados federais; borracha grossa na quantidade de parlamentares no Congresso e nas “escabrosas ajudas de custo” que recebem; por fim, borracha privatizante em todos as empresas estatais.

A maioria absoluta da sociedade brasileira exige a completa Reforma do Estado! É quase a Revolução

Homem: a 6ª parte do Ambiente


Por Ricardo Kohn, Escritor.

Ao observar o planeta Terra chega-se à conclusão que cada palmo do que é avistado faz parte do Ambiente[1] planetário. Pois, que assim seja: coloque sua mão sobre o teclado do computador e meça um palmo. Saiba que você acaba de se apoiar sobre uma pequena parte do Ambiente.

Agora, siga para mais longe. De posse de um bom binóculo, vasculhe as montanhas perdidas no horizonte. Com certeza, poderá encontrar rochas e matas que fazem parte do Ambiente biofísico da Terra.

Durante um voo de avião tudo o que se vê e respira são partes do Ambiente da Terra: oceanos e bacias hidrográficas, rochas e solos, florestas, faunas associadas, cidades, áreas rurais e o oxigênio da atmosfera são os elementos básicos que formam o Ambiente em que vivemos.

Dizem pesquisadores e cientistas que o Ambiente da Terra começou a ser criado a cerca de 13 bilhões de anos atrás. Segundo eles, através de uma teoria inacreditável, tudo o que se observa no Cosmos (estrelas, planetas, satélites, cometas, etc) estava concentrado em um único núcleo de matéria e energia, que caberia na palma da mão de uma pessoa. Porém, com o aumento da pressão e temperatura, esse núcleo explodiu para formar o Universo, sempre em expansão há bilhões de anos. Aonde deverá parar, quais serão suas fronteiras?…

As imagens do Hubble são indecifráveis e assustadoras

As imagens do Hubble são indecifráveis e assustadoras

Esse núcleo era como uma pesadíssima bola de gude, impossível de ser transportada, mesmo que se utilizasse os mais potentes guindastes e congêneres existentes do mundo. Por volta de 1929, esta teoria foi intitulada por cosmólogos de “Teoria do Big Bang”, a qual ainda tenta explicar a criação do Universo.

Contudo, há dois aspectos que o “Big Bang” não responde de forma clara e objetiva:

  • Em que local se encontrava esse núcleo de matéria e energia confinada, prestes a explodir por nada, sem ter vizinhos? Afinal, o Cosmos sequer existia.
  • Quais foram as causas concretas do aumento da pressão e temperatura deste núcleo nanico, a ponto de causar uma espetacular explosão e criar o Universo?

Por outra ótica, não menos científica, estudiosos dizem que o Universo sempre existiu e, dentro dele, a Terra imersa em seu Ambiente, que é formado pelas relações estáveis mantidas entre Ar, Água, Solo, Flora, Fauna e Homem. Esses são os componentes sistêmicos que criam e recriam sua estrutura, também chamados por fatores ambientais básicos, formadores de seus sistemas ecológicos primitivos.

Não há dúvida, é mais simples admitir que a Terra sempre existiu, a orbitar o Sol. Que nada tão complexo ocorreu para que ela tivesse um início, bem como nada será capaz de ocasionar sua derrocada. Essa visão dá mais tranquilidade aos seres humanos menos fantasiosos.

Mas, a propósito, gostar-se-ia de saber o que a confirmação da hipótese do Big Bang mudaria para os seres vivos do planeta? Talvez nada de relevante, pois, caso contrário, não existiriam os contadores de história que alardeiam a hipótese do “Big Bang”, hoje travestida de “Global Warming”.

Anotações de campo

Seriam necessárias muitas páginas para redigir décadas de anotações acerca da dinâmica evolutiva do Ambiente planetário, em especial a ocorrida nas regiões que já se conheceu pessoalmente. Assim, atem-se a algumas questões pouco debatidas. Senão vejamos:

─ “A evolução do Ambiente planetário tem o mesmo significado com que o homo sapiens trata sua própria evolução” ou a seus olhos constituiria uma involução do Ambiente?

─ “A ‘milenar evoluçãodo homo sapiens tem sido ou não compatível com a manutenção da estabilidade do Ambiente da Terra”?

─ “O Homem realmente é o único fator ambiental pensante ou as demais espécies da Flora e da Fauna possuem uma lógica de raciocínio que lhes é peculiar e, sobretudo, mais adequada a criar a estabilidade do Ambiente”?

─ “Será que a Flora e a Fauna têm alguma noção sensitiva que, para formarem o Ambiente, contribuem com 1/3 da estabilidade do Ambiente planetário”?

─ “Por outro lado, o homo sapiens tem ideia de que sua contribuição positiva proporciona, no máximo, 1/6 da estabilidade do mesmo espaço”?

Entrega-se aos leitores a análise dessas questões. Mas, desde já, garante-se que são simples e, algumas vezes, indubitáveis.

Relato de campo

Eventos ambientais de ordem física acontecem no planeta a todo instante. Estima-se, por exemplo, que a média de terremotos diários está entre 10 a 15 abalos sísmicos. Porém, com frequência menor, ocorrem eventos mais poderosos, como os que acabam de acontecer no Nepal, região de Katmandu.

Na verdade, do ponto de vista do Ambiente, é como se a Terra “espanasse a poeira do corpo” para realinhar suas placas tectônicas. Contudo, na visão do Homem, trata-se de uma tragédia, um desastre causado pela brutal incompetência do Ambiente.

O homo sapiens se esquece que, em inúmeros locais do planeta, ele habita áreas de extremo risco ambiental. Portanto, fica vulnerável a eventos ambientais naturais, todas as vezes que o Ambiente da Terra estremece ou é varrido por tufões, ciclones e tsunamis.

Chama-se atenção que dos seis fatores ambientais básicos que se relacionam para conformar os ecossistemas do planeta, apenas o Homem atua a destruir a todos: polui o Ar, contamina a Água, erode o Solo, desmata a Flora, extingue a Fauna e assassina a si próprio. É curioso, mas alguns cientistas o classificam como “primata inteligente“.

……….

[1] A legislação ambiental brasileira trata Ambiente por “Meio Ambiente”. Tudo leva a crer que é uma herança colonial. Da mesma forma, a língua espanhola trata-o de “Medio Ambiente”. É um equívoco indiscutível. Dentre outros significados, Meio significa Ambiente ou Metade. Como portugueses e espanhóis não costumam ser redundantes na linguagem, então Meio Ambiente significa Metade do Ambiente. Ou seja, o que restou do Ambiente primitivo após a “galera ibérica” perder suas colônias na América Latina.

Sete bilhões de sonhos e um planeta: consuma com cuidado


Por Ricardo Kohn, Escritor.

Há cerca de 12.000 anos, final da Idade da Pedra, os homens reuniam-se em grupos, a vocalizar entre si para tentar o cerco do alimento: outros animais vivos. Traziam às mãos artefatos que produziam para a caça e a luta. Abatiam os animais necessários à alimentação e guerreavam contra os grupos que julgavam ser inimigos, pois teimavam em invadir sua área de caça. Todos eram nômades, formados por “caçadores-coletores”.

A síntese acima contém elementos capazes de mostrar que, além de ser membro da fauna pensante, apesar da comunicação precária, o homo sapiens já possuía certa habilidade de “planejar ações imediatas” para grupos de hominídeos similares a ele.

Dessa forma, acredita-se que o processo de estruturar e executar ações quase organizadas, é nativo dos humanos, intrínseco à sua origem como espécie evoluída de primatas no planeta. A inteligência sempre esteve presente em sua árvore genética.

A ser assim, pode-se inferir que o homem pré-histórico já pensava de que maneira poderia sobreviver no ambiente do planeta. Era como se construísse em seu cérebro um “plano ambiental” de curto prazo, com base em habilidades intuitivas. Tudo leva a crer que, por agir dessa forma, conseguiu manter-se como “espécie faunística não ameaçada” até os dias atuais, na figura do “homem de terno e gravata”: o homo sapiens moderno.

Para este artigo, a questão que se impõe é a seguinte:

Por quais motivos as ações realizadas pelo homem pré-histórico eram similares às de umgestor do ambiente”?

A resposta empírica a esta pergunta considera que o Homem, em qualquer tempo de sua história, somente permanece a existir, a partir das relações que mantem com o ambiente. Por isso, sempre elaborou e executou ações para recolher e transformar “bens ambientais finitos”.

Entretanto, esse processo de transformação intensificou-se com o tempo, função da crescente população humana e do anseio consumista. Cada vez menos, o ambiente do planeta foi tido como essencial à vida humana. Embora o homem seja parte do ambiente e precise dele para sobreviver, já é antiga a visão de que necessita ocupar mais espaço na Terra e mercantilizar seus bens ambientais primitivos: tornou-se um “caçador-extrator”. Hoje chama de “recursos naturais”, bens que são gratuitos e próprios do ambiente. Diz que são “recursos com valor monetário”.

Onde vivem os que consomem o planeta

Onde vivem os que consomem o planeta

As lições da estratégia de guerra formuladas por Sun Tzu, constante de seus escritos em “A Arte da Guerra”, datadas de 2500 anos atrás, têm abordagem ambiental. Os planos militares que as sucederam, ainda hoje, dão ênfase ao que o General Sun Tzu chamava “conhecimento do terreno”, ou seja, do ambiente.

Seguiram-se os planos empresariais, com vistas a remunerar a empresa pelos produtos e/ou serviços que oferece ao mercado – o que equivale às ações de alimentação do homem pré-histórico –, bem como “guerrear no mercado com suas concorrentes”. Todavia, sem armas, somente por meio da inovação e produtividade.

Da mesma forma, muito embora sem guerras, com vistas a manter estáveis os sistemas ecológicos que compõem o ambiente, o homo sapiens moderno criou Planos para a Gestão do Ambiente. Uma de suas finalidades é otimizar o desempenho de empresas produtivas, sobretudo, nas relações que realizam com os espaços físico, biótico e antrópico do ambiente.

Afinal, enquanto as empresas produziram, baseadas em planos particulares, não pensaram na estabilidade dos ecossistemas, de onde se apropriaram de bens a eles vitais. Com visão egocêntrica, consomem o ambiente de forma adversa, não raro conduzindo-o a níveis de total degradação de seus bens ambientais.

Cabe ao Homem moderno saber até onde pode consumir o Ambiente Finito do Planeta. Até por que, o valor dos atuais sete bilhões de sonhos é prisioneiro absoluto dessa finitude.

Atenção! ‘Quatro planos ambientais’


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Leia o prefácio de nosso próximo livro técnico.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que a população mundial esteja na casa dos 7,2 bilhões de pessoas. PrevêRicardo Kohn que alcance a 8,2 bilhões de habitantes até 2025, devendo chegar a 9,6 bilhões, em 2050. A ser assim, a cada século que passa o espaço terrestre per capta reduz-se de forma significativa.

Porém, desde há milhões de anos que a Terra possui a mesma superfície, limitada em cerca de 510 milhões de km2. É composta por água e solo. Foi a evolução da dinâmica entre esses dois fatores, junto com sua atmosfera, que permitiu a instalação da flora no planeta e que sua fauna florescesse. Culminou com os primatas hominídeos, classe faunística em que, até agora, o homem é o fim da linha desta evolução.

Todavia, a partir de meados do século 19, após a consolidação da Revolução Industrial, a Terra começou a dar sinais mais nítidos de que a presença do homem, com suas habilidades construtivas e produtivas, precisava ser muito bem planejada. Sobretudo, no que concerne ao uso e alteração de seus fatores físicos: o ar, a água e o solo, que constituem o substrato da vida da flora, da fauna e do próprio homem.

Desde então, as habilidades da inteligência humana transformam “bens ambientais”, que são essenciais à evolução do Ambiente do planeta, em “recursos naturais” com valor econômico. Recursos estes, tratados como se fossem ilimitados, que após processados são oferecidos ao mercado de consumo, como “produtos de valor agregado”.

Em boa parte, o processo da transformação de bens ambientais em produtos com valor agregado é aceitável, desde que obedeça a certas condições restritivas. A mais relevante é o nível de desempenho ambiental alcançado pelo processo: precisa ser positivo para o Ambiente, sem causar rupturas nas relações ambientais impostas pelo homem aos demais fatores ambientais envolvidos: ar, água, solo, flora e fauna. Do contrário, fatos ocorrentes mostram que todos os bens e fatores serão extintos: não haverá produtos e valor, não haverá mercado. Ter-se-á tão-somente impactos ambientais negativos, a construir a chamada “terra arrasada”.

A visão do desenvolvimento que foca apenas a Economia como seu fundamento é majoritária no mundo. Mas também são conhecidos os efeitos nocivos desta abordagem. Nações frágeis, na miséria, como ocorre na África subsaariana. A pobreza crescente que se irradia pelas castas inferiores da Índia que, aliás, enriquece. Os investimentos brasileiros que redundam em obras megalômanas interrompidas, a corrupção instalada, a demolição sumária do Ambiente e o alto risco para a geração mínima de empregos são fenômenos ambientais comprovados e, de fato, indiscutíveis.

É paradoxal que o homem impacte de forma tão adversa o Ambiente que a ele deu origem e permite que beneficie a qualidade de sua própria vida. Afinal, é da qualidade do ar, da água e do solo que sobrevém a qualidade da vida na Terra: da flora, da fauna e do homem. Há que se trabalhar rapidamente para garantir a estabilidade de todos.

A contribuição teórica e prática a que se propõe o livro “Os Quatro Planos Ambientais” é fornecer ferramentas de gestão desenhadas para manter a estabilidade do Ambiente e de seus espaços – físico, biótico e antropogênico –, enquanto as relações ambientais realizadas entre os variados ecossistemas são mantidas na sua melhor plenitude.

Dessa forma, a Economia é um dentre os diversos segmentos ambientais antropogênicos a serem planificados, tais como: demografia, educação, saúde, segurança, uso e ocupação do solo, infraestrutura logística, infraestrutura de transporte, arqueologia, cultura, sociologia e antropologia.

O livro detalhará como os ‘quatro planos ambientais’ devem ser desenvolvidos, implantados e geridos através de seus resultados, segundo sua programação. Têm níveis e finalidades distintas, podendo serem adotados pelos setores público e privado. São eles:

  • Plano Corporativo Ambiental (PCA), para proporcionar a empresas públicas e privadas o estabelecimento de alvos estratégicos, táticos e operacionais a serem alcançados e as medidas necessárias para realiza-los. Além disso, sem perda de sua efetividade, pode ser adaptado para atender a governos nacionais e estaduais.
  • Plano Executivo para Gestão Ambiental de Obras, com estrutura similar à do PCA, é destinado a empresas de construção civil e montagem, com vistas à minimização ou anulação de impactos adversos proporcionados pelas obras em geral.
  • Plano para Gestão da Sustentabilidade, é destinado a governos municipais e grandes propriedades rurais. Parte das vocações ambientais e geoeconômicas do território, define alvos táticos, metas operacionais, programas e projetos e, se necessário, convida investidores a aportarem recursos com o retorno proporcionado pelo mercado.
  • Plano de Análise e Gestão de Riscos e Impactos Ambientais, que deve ser adotado por empresas que possuam processos e atividades com perigos, riscos e impactos adversos associados.

A crescente demanda não atendida por água, energia e alimentos pode tornar a Terra um planeta ingovernável. Sem planejar suas ações para médio e longo prazo, o homem caminha para o caos. Afinal, a ciência que desenvolveu ainda não construiu um “puxadinho terrestre” para esconder seus lixos e excessos.

Ambientologia


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Há algumas décadas é observado o aumento das preocupações do homem com o destino da Terra. Não por força de agentes cósmicos, externos ao planeta; mas pela ação desastrada de atores internos. Mesmo o “homem comum” – aquele que não adquiriu conhecimento sobre a Dinâmica do Ambiente da Terra –, com ímpetos de solidariedade ao próximo, arrisca palpites e soluções caseiras, que chama de “sustentáveis”.

A dinâmica da Terra resulta de sua estrutura física e de sensibilidades nela identificadas por diversas ciências. Sobre essa dinâmica já foram publicadas toneladas de literatura científica e analítica. Contudo, todas são obras específicas; seus autores tratam o ambiente através dos espaços e segmentos que conhecem. Por exemplo:

  • No espaço físico tratam da climatologia [meteorologia], hidrologia, oceanologia, geomorfologia, geologia [vulcanologia], geotecnia, pedologia, qualidade físico-química da água, etc;
  • No biótico abordam a ecologia, a qualidade biológica da água, vegetação, botânica, fitossociologia, mais as várias classificações da fauna silvestre [mastofauna, avifauna, primatofauna, herpetofauna, ictiofauna, entomofauna, anurofauna, malacofauna, etc];
  • No antropogênico discorrem sobre a demografia, economia, educação, saúde, uso e ocupação do solo, infraestrutura logística, infra de transporte, segurança, arqueologia, cultura, sociologia e antropologia, dentre outros.

Cada profissional dessas áreas oferece uma explicação um tanto limitada para a dinâmica do ambiente. Mas não há dúvida que a ênfase dessa explicação resulta da formação acadêmica que cada autor recebeu, bem como do tempo de experiência que dispendeu em trabalhos específicos.

Adoto um conceito para Ambiente[1] (nota de rodapé) que mostra o que é necessário para entender e prever o comportamento da Terra ou de qualquer de suas áreas e regiões.

Dessa forma, com base em experiências pregressas na execução de trabalhos ambientais, creio ser complexo produzir uma boa visão global da dinâmica aleatória do ambiente. Ou seja, diagnosticar os processos que nele ocorrem, bem como ressaltar seus aspectos essenciais.

Ao longo dos últimos 30 anos, o melhor relatório-produto que pude ler nesta matéria, foi obra de uma rara equipe técnica, composta por 40 consultores. Por sinal, muito bem gerida pelo saudoso e memorável engenheiro, o também oceanógrafo, Fernando Penna Botafogo Gonçalves, a partir de 1986.

Nossa equipe, por definição, teria de ultrapassar sérios obstáculos para obter os resultados esperados pela chefia, tais como:

  • O estudo a ser realizado era para o projeto executivo[2] de uma Usina Hidrelétrica, a ser construída na Amazônia;
  • Nenhum de seus membros havia participado antes da elaboração de qualquer estudo ambiental, inclusive o mestre Botafogo, chefe da Divisão;
  • Apenas três dos 40 profissionais contratados conheciam-se entre si. Os demais eram desconhecidos, estranhos no ninho;
  • A maioria da equipe era recém graduada, sem experiência de trabalho na consultoria. Contudo, quatro dos inexperientes tinham curso de pós-graduação completo.

Em tese, minha função era assessorar a Botafogo: na programação das tarefas da equipe; na gestão dos trabalhos de campo; na análise dos resultados obtidos; e na integração dos relatórios produzidos pelas chefias dos setores físico, biótico e antropogênico.

Digo, em tese, por que isso não ocorreu “conforme combinado”. Posso explicar. Com calma e competência, Fernando arregaçou as mangas e assumiu a liderança direta dos trabalhos. Foi a campo aprender como deveriam ser realizadas as campanhas na mata amazônica e quais seriam as fórmulas para diagnosticar a dinâmica daquele ambiente. Por fim, delegou várias missões a cada membro de sua equipe.

Fazenda Boa Vista, tomada da Pousada

Com essa delegação, realizada à vera, a equipe foi obrigada a compartilhar conhecimentos; todos passaram a se auxiliar mutuamente, ou seja, a trabalhar juntos. Assim, em apenas três meses, os desconhecidos tornaram-se uma família de trabalho.

Entretanto, quando tudo entrava nos eixos, o Engo. Botafogo mudou minhas atribuições no trabalho. Disse-me que, dado meu interesse em elaborar metodologias e modelos, gostaria que eu trabalhasse no desenho de um Modelo para Avaliação e Gestão de Impactos Ambientais, desde que produzisse resultados consistentes.

Após quase dois anos de desenvolvimento, o modelo foi consolidado e ganhou o apelido de ‘MAGIA’. Funciona até hoje, tendo recebido ajustes e vários adendos. Por fim, tornou-se um livro técnico, a ser lançado em 30 de junho deste ano. Falo sobre isso ao final deste artigo.

Mas não criamos a Ambientologia

Trabalhei com Fernando Botafogo na consultoria de projetos, em várias empresas, desde 1972. Junto com nossas famílias, pudemos construir uma sólida amizade. A meu ver, tornou-se o irmão mais velho, dono de criatividade profissional que a todos impressionava.

Por volta de 1990, estava em sua casa de pescador, na lagoa de Araruama, quando iniciamos uma conversa sobre as inúmeras “logias” que os estudos ambientais requerem para serem elaborados, tais como: climatologia, hidrologia, geologia, geomorfologia, pedologia, ecologia, limnologia, fitossociologia, sociologia, arqueologia e assim por diante.

Sem assumir compromissos, nossa ideia era pensar sobre a possibilidade de existir uma ciência que fosse capaz de reunir o conhecimento de todas as Ciências do Ambiente. E foi entre areia, sal e as conchas secas da lagoa, que Botafogo encerrou a conversa:

─ “Ricardo, haveria de ser uma ciência imensa. Raciocine comigo: para uma equipe de 40 pessoas, só no curso da graduação os alunos teriam de estudar durante 160 anos! De toda forma, sugiro que tenha como títuloAmbientologia’. É justo para que essa inteligência tão desejada seja elaborada um dia. Todavia, preste atenção: que eu saiba, ainda não é possível desenvolve-la”.

Pensei nessas palavras durante mais de uma década. Concordei que 40 cursos de graduação demandariam, no mínimo, 160 anos para serem concluídos. Além disso, sem considerar o tempo de vida médio do ser humano (estimado em 79 anos), creio que são raros aqueles dotados de capacidade cognitiva para absorver tanta ciência. E mais raros ainda, se é que existam, os que conseguiriam integra-las em uma única ciência ambiental.

Até onde consegui chegar

De toda forma, segui a trabalhar no desenvolvimento de metodologias para aplicação no setor ambiental. Desejava oferecer a meus clientes novas soluções práticas, de preferência menos custosas e mais rápidas em gerar resultados.

Mas somente em 2012 notei que já houvera elaborado uma boa quantidade de abordagens teóricas e as aplicara com sucesso no mercado consultivo (Brasil, Chile, EUA, Espanha e Itália). Entendi que podia ser boa hora para publicá-las em um livro.

Assim, perguntei a Antônio Carlos Beaumord, um velho amigo dos anos 80 – então com título de “Doctor of Philosophy in Ecology, Evolution and Marine Biology” –, o que deveria fazer para conseguir uma editora que publicasse meu livro. A obra tinha 737 páginas de papel A4, organizadas em 18 capítulos.

A princípio, Beaumord me disse que seria mais fácil verter o livro para o inglês e publica-lo na Califórnia! Lá ele tinha diversos parceiros acadêmicos, que conhecera durante o doutorado. Nos Estados Unidos é normal que um professor se disponha a auxiliar na 1ª edição de bons livros técnicos, disse-me ele.

Porém, após ler os manuscritos, concluiu que tanto a envergadura do trabalho, a profundidade da narrativa, o nível de detalhes no tratamento das metodologias, os estudos de caso reais apresentados, bem como a qualidade pedagógica, dotavam o livro do mérito necessário para ser publicado:

─ “Sem dúvida, trata-se de trabalho que pode se tornar livro texto em cursos superiores sobre a Gestão do Ambiente e da Sustentabilidade. Atende aos preceitos da Academia, seja a brasileira ou a norte-americana”, ponderou o Professor Beaumord.

Edição e publicação do livro

Mas foi através da iniciativa do Professor Padilha, então membro do Centro de Conhecimento em Exatas e Engenharias da UESA, que a possível edição de meu livro teve início em 7 de novembro de 2013. A Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos, a pedido do “Mestre Padilha”, recebeu-me para uma conversa acerca das finalidades de meu manuscrito.

A Diretora Editorial da LTC, Professora Carla Nery, conduziu a reunião. Recordo-me que me foi solicitado responder ao “Formulário para Proposição de Obra“. Conforme acordado, junto com o formulário preenchido, enviei informações complementares: meu currículo profissional, a visão do mercado potencial do livro, a análise de pontos fortes e fracos da obra, das ameaças e oportunidades potenciais previsíveis, as formas de solução, etc.

Em 28 de janeiro de 2014 recebi a grata notícia de ter meu trabalho aprovado para publicação pela Editora LTC. Surpreendeu-me. Sim, por que nunca passara por um processo editorial analítico daquela qualidade, com tantas exigências. Por fim, pelo fato de editar e publicar no Brasil, com elevado padrão de excelência, sem arcar com qualquer custo.

Enviei à editora os originais do livro ao longo do mês de março de 2014. Cumpri com todos os padrões e a sequência editorial por ela estabelecidos: caderno-zero; 18 capítulos; e caderno pós-texto. Desde então mantenho contato com as coordenações que trabalham no processo de produção do livro. A primeira previsão de lançamento da obra ficou para trás, em setembro de 2014. A segunda, não aconteceu como prevista, em março passado. A terceira, que deve finalmente ser cumprida, soube que está garantida para 30 de junho de 2015!

E este será meu próximo livro: “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos. 650 pg. 1ª Edição”.

Após 42 anos de trabalho na consultoria de estudos e projetos, enfim descobri que a Ambientologia, como apelidada por Fernando Botafogo, não é uma ciência ambiental em si, tal as demais. Mas é uma sólida teoria, capaz de gerir a aplicação simultânea de todas as Ciências do Ambiente. Quatro anos de estudo dedicado são mais do que suficientes para seu pleno aprendizado.

……….

[1] Ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (ar, água, solo, flora, fauna e homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como devem ser analisados segundo seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

[2] Quero destacar um fato que considero de expressiva importância. Nos idos dos anos 60, 70, 80 e 90, século passado, projetos executivos eram desenvolvidos por empresas de engenharia consultiva. As empreiteiras se limitavam a construir e não “obravam” sem eles. O Brasil ainda operava como os países mais preparados para o desenvolvimento da “engenharia de precisão”.

Babuínos e Petralhas: irmãos de sangue


Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Sempre tive interesse em conhecer o continente africano. Queria saber por que sua evolução foi lenta nos últimos três séculos, o contraste entre suas nações, talvez derivado da cultura dos povos que o colonizaram. Ingleses, franceses, portugueses e holandeses usaram a África como se fora uma torta recursos ambientais valiosos a ser fatiada, de acordo com fome de cada reino dominante.

Pelo que me foi dado a ler, a cultura holandesa foi a menos gananciosa. Ao contrário, deixaram marcas indeléveis de sua capacidade de produção, de comercio internacional e da arquitetura na bela Cidade do Cabo, África do Sul.

Vista panorâmica atual da Cidade do Cabo, cidade-irmã de São Francisco e Rio de Janeiro

Vista da Cidade do Cabo, cidade-irmã de São Francisco e Rio de Janeiro

Um pouco perdido como Bartolomeu Dias[1], no entanto, vincado pelo ímpeto de construir, próprio de Jan van Riebeeck[2], em 1989, juntei-me ao grupo de amigos que decidira navegar em comboio até a Cidade do Cabo, a descer o Atlântico e entrar pela Baía da Mesa.

Não conheceria o continente inteiro, mas já me bastava passar alguns dias numa das mais belas cidades do mundo, entranhada entre rochas milenares e vegetação africana. Queria sentir a expressão intensa de seu ambiente e o apelo cultural citadino. Sem dúvida, uma herança neerlandesa e, posteriormente, inglesa.

Desde a entrada na barra da baía, nosso comboio foi recepcionado por barcos de salvamento da marinha sul-africana. Decerto, avistaram a bandeira portuguesa à proa e seus marinheiros nos saudaram com acenos amistosos e apitos de convés. De facto, um carinho inesperado. Nelo e eu nos emocionamos, como de hábito.

Ao chegarmos ao centro da cidade já iniciara o anoitecer. Restava-nos comer um bom peixe assado e agendar o dia seguinte. Combinamos percorrer a cidade a pé, a sentir a alma do povo capetoniano; passar nossas rudes mãos nas paredes de prédios antigos e apalpar a obra do arquiteto; por fim, saber das lendas e mitos populares, caso ainda as tivessem.

Magnífica vista noturna da Cidade do Cabo – Cape Town

Magnífica paisagem noturna da Cidade do Cabo – Cape Town

No alojamento de pescadores, Nelo disse-me que concordara com o grupo, mas tinha outros factos que o motivaram para fazer aquela viagem: desejava conversar com os cientistas que, há 5 anos, faziam pesquisas sobre o comportamento dos babuínos, invasores selvagens que saqueavam casas e pessoas da cidade. Nessa circunstância, decidi acompanha-lo; avisamos ao grupo de nossa opção.

Pela manhã seguimos até a prefeitura, que nos deu permissão para conhecer grupos de babuínos. Porém, sempre com um biólogo que participava das pesquisas. Entrementes, avisaram-nos de pronto: ─ “Não levem nada que seja comestível”.

David, biólogo da prefeitura, explicou melhor: ─ “Babuínos invadem carros parados, roubam bolsas e pacotes de turistas abestados. E o mais grave: são agressivos e entram em conflito com as pessoas”.

Os babuínos ladrões

Seguimos por uma estrada em direção ao que parecia ser um subúrbio rural da cidade: menor número de casas, terrenos bem amplos e várias plantações de eucalipto para corte – habitat excelente para os babuínos, segundo David.

Nelo e eu notamos que havia pessoas fardadas nas laterais da estrada. Eram jovens que tinham nas mãos uma, digamos, “vara de marmelo”. Não foi difícil perceber o que faziam: eram os “monitores da prefeitura” a afugentar os babuínos que atacavam carros parados de turistas. Bastava apitar e brandir a vara no ar que os selvagens se afastavam um pouco.

Ecologia dos babuínos

Saímos da estrada por uma via vicinal e logo encontramos um casal de cientistas. Estavam entretidos com binóculos, à cata de primatas. Falaram-nos acerca da ecologia dos babuínos, às vezes com termos técnicos que não compreendíamos. Nelo ficou boquiaberto com o conhecimento que possuíam. Mas, em suma, foi isso que entendi sobre os ditos-cujos:

  • Grupos distintos deste primata são sociáveis entre si. Mas eu iria além: “são muito associáveis quando diante de bens alheios”.
  • Os grupos de babuínos se locomovem sempre e com grande rapidez. De tal forma, que parecem ser milhares deles, quando na verdade, de acordo com o último levantamento efetuado pelos cientistas, somam apenas 380 indivíduos. Assim, vou além: são enganadores e peteiros.
  • Há grupos deste primata que dormem cada noite em novo local. E é fácil de explicar: esses são osbabuínos perigosos”, procurados pela polícia do país.
  • Todos os babuínos da região possuem características similares às espécies silvestres cuja existência depende das atividades humanas, como hábitos de alimentação, descartes, etc. – espécies peridomiciliares.

A meu ver, o interesse do casal de cientistas era manter sua pesquisa ativa pela eternidade. Não me pareceram preocupados com a “formação das quadrilhas de babuínos” e as ignóbeis consequências sobre a população da Cidade do Cabo.

Flagrante do macho babuíno roubando uma cidadã

Flagrante do macho “petralha” a roubar uma cidadã indefesa

Já nas conversas com os monitores da prefeitura, enfim soubemos dos reais problemas causados pela arruaça desses primatas, ladrões quase humanos. Faço uma pequena síntese dos factos que nos foram narrados:

  • Babuínos invadem residências, ameaçam as famílias moradoras e roubam alimentos. Os mais jovens ficam sobre muros e telhados, de vigia, a fazer estardalhaço. Os machos adultos que lideram o bando são os ladrões mais violentos.
  • Babuínos adultos são mais agressivos com mulheres e crianças em suas casas. Ainda assim, os cidadãos locais não têm o hábito de abate-los. São muito raros os casos de fuzilamento de líderes.
  • Babuínos cercam carros parados nas estradas e tentam expulsar seus ocupantes. Roubam tudo o que encontrarem no interior do veículo e mostram os dentes em sinal de ameaça.
Babuínos saqueadores na Cidade do Cabo

Babuínos saqueadores na Cidade do Cabo

  • O comportamento agressivo e violento dos babuínos intensificou-se nos últimos 4 anos. A maioria dos monitores prevê um ataque em massa de todos os grupos deste primata deletério. Ou seja, o ataque de um “exército de babuínos” sobre a Cidade do Cabo. Para isso, basta ter um único chefe, o macho Alfa.

Sugestões revolucionárias

De volta a Praia das Maçãs, loucos para descansar, nosso grupo de amigos permaneceu dois dias em silêncio. Estávamos parvos com o que viramos na Cidade do Cabo. Porém, Quincas, meu neto postiço, promoveu uma reunião para debatermos o assunto. “Quem sabe não poderão dar sugestões para auxiliar na solução dos problemas?”, ponderava ele.

Fui eleito “cozinheiro do evento”. Preparei uma bela caldeirada de frutos do mar para acender os velhos amigos. O vinho ajudou bastante, não tenho dúvida. Todavia, meus medos fizeram vinculações entre a Cidade do Cabo e o Brasil. E posso explicar.

Enquanto Nelo explanava como trancafiaria os machos adultos de babuínos, a descrever as armadilhas a serem usadas, minha mente estava no Brasil, país em que vive minha família. Afinal, recentemente o molusco fez ameaças de “soltar seu exército de petralhas nas ruas do país”, para lutar contra os movimentos democráticos que pedem a saída imediata da “anta soberana”.

Não posso negar que associei grupos de babuínos às quadrilhas petralhas. As imagens das ações de ambos pareceram-me semelhantes, senão idênticas:

  • Adorar bens alheios versus roubar bens públicos.
  • Cercar residências para aterrorizar as famílias versus aparelhar a máquina pública para aterrorizar a nação.
  • Roubar alimento nas geladeiras versus roubar cofres de estatais.
  • Mentir e enganar desbragadamente, ambos o fazem.

Creio que já relatei o suficiente, embora haja outras semelhanças que deveria mostrar. Porém, sintetizo:

  • Babuínos e petralhas são irmãos de sangue. Os primeiros, definham se não roubarem bens das famílias. Os segundos, odeiam ao povo, que anseia sua saída do governo que capotou, quebrado.

……….

[1] Chamado de “o explorador”, diz a lenda que, em 1486, o português Bartolomeu Dias contornou a ponta sul do continente africano a caminho das Índias e relatou aquelas terras ao Rei. Isto é babosice! Porém, de toda forma, duas coisas devo lembrar: Bartolomeu era, de facto, uma “besta quadrada”, pois nunca quis saber por onde passava; e estava esfomeado para garantir ótimos resultados monetários de “seus negócios indianos”.
[2] Jan van Riebeeck foi o navegador holandês que, em 1652, rumo a Índia, criou um porto de apoio na Baía da Mesa e estabeleceu o primeiro assentamento europeu permanente na África do Sul, dando origem a Cidade do Cabo. Hoje é uma urbe industrializada, com quatro grandes centros comerciais, porto e aeroporto internacional privados, bem como transporte público de qualidade.

Martírio naval, o ocaso Petrobras


Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Sem dúvida, nada entendo de navios, sejam particulares, mercantes, científicos ou de guerra. Apenas sei que são pesados, possuem cascos possantes, um deque principal, e podem ter vários deques secundários, em parte submersos, abaixo da linha do mar.

No início do século 21, tive a oportunidade de conhecer um moderno navio francês, destinado à aquisição de dados sísmicos (foto abaixo). Embora estivesse a trabalho para a empresa que o utilizava na costa brasileira, guiado por dois tripulantes, fui apresentado à tecnologia de ponta instalada nos 6 deques submersos.

Moderno navio para levantamento de dados sísmicos off shore

Moderno navio para levantamento de dados sísmicos off shore

Ao fim, houve uma comemoração a bordo: pães, frios, queijos , vinhoschampanhe francês. Recebi, como prêmio por serviços prestados – o que agradeço até hoje –, uma medalha prateada, com a imagem gravada deste navio:  medalha pesada como uma âncora.

Através desta experiência, é lógico deduzir que se um navio estiver aportado em um cais, é por que suas âncoras foram lançadas. Navios de maior porte podem exigir várias âncoras, todas presas a eles por pesadas correntes de aço.

O binômio “âncora e correntes” possui seu peso calculado de forma precisa por engenheiros navais. E esse peso é específico para cada navio, de forma a mantê-lo firme junto ao porto ou fundeado, a flutuar sobre as águas, como na foto. Entretanto, é evidente que este peso não pode fazê-lo adernar, muito menos naufragá-lo.

Atualmente, esse cálculo é bem simples e preciso. Há muito tempo que a engenharia naval criou critérios, parâmetros e fórmulas para fornecer o peso da “âncora e correntes” de forma automática.

Porém, pensem nisso: ─ Mas se este cálculo fosse feito por uma quadrilha de ladrões navais? Será que saberiam balancear o peso das âncoras e correntes requeridas por um grande navio?

navio chamado Petrobras

O investimento no aumento da produtividade de uma empresa petroleira é o que a faz manter-se no disputado mercado internacional de óleo e gás. Pode-se fazer uma analogia: investir de forma produtiva, significa garantir o crescimento gradual do casco e dos deques da petroleira, bem como, sobretudo, de suas “âncoras e correntes”, para que aporte com destaque em qualquer cais do furioso mercado competitivo mundial.

O que foi descoberto na Petrobras, através da operação Lava Jato, é que houve investimento pesado no casco da empresa, não há dúvida. Porém, bilhões do dinheiro público que eram para ser investidos em “deques submersos, âncoras e correntes”, invisíveis aos olhos do povo brasileiro, foram desviados de forma organizada e criminosa por uma quadrilha de ladrões navais“.

O cenário atual da Petrobras mostra que ela se encontra à deriva nas águas do mercado internacional, sem condições de aportar em qualquer cais do mundo. Pode estar em linha de choque com rochedos. Pobre de sua tripulação e da multidão de seus fornecedores. Afinal, seus deques submersos, âncoras e correntes foram surrupiados e transformados em propriedades particulares: fazendas, milhares de cabeças de gado, aviões, caras obras de arte, residências e apartamentos de luxo, carros importadosinvestimentos em lavanderias off shore e, decerto, coisas bem leves como punhados de diamantes.

Fiquei a saber…


Ricardo Kohn, Escritor.

Hoje fiquei a saber do seguinte boato: a lista dos “fregueses denunciados (54)” pelo juiz federal Sérgio Moro, enviada para a Ricardo KohnProcuradoria-geral da República, é bem mais completa do que a “listinha para investigações (28)” que acaba de ser encaminhada ao Supremo Tribunal Federal pelo excelentíssimo procurador-geral, Rodrigo Janot.

Isso leva-me a crer que a lista dos futuros “investigados” (nunca serão denunciados) antes teria sido “filtrada” com maestria por uma “insinuante comissão de asseclas”, extraídos da nata da quadrilha do Petrolão. Somente a partir disso, a lista foi rubricada e assinada pelo senhor procurador-geral. Aliás, disse ele que “passou um pente fino”, mas nada encontrou contra o “casal de morubixabas”. E ainda se felicitou por isso! É um acinte às esperanças do pobre cidadão brasileiro.

Hoje também fiquei a saber que existe no Chile um furioso estrato-vulcão, o Llullaillaco, com cratera a 6.740 metros de altitude. Segundo uma lenda atribuída aos índios mapuche[1], “es un volcán que expele mierda caliente y limpia”. Porém, pelo que conheci e pesquisei, os mapuche respeitam como deuses do fogo os 28 vulcões que emergem do solo chileno. Acho que parte desta história deve ser outro boato.

    O amanhecer de Llullaillaco, por Lion Hirth

O amanhecer de Llullaillaco, por Lion Hirth

Por fim, fiquei a saber hoje que no Brasil há um pequeno monte que emite ruídos desagradáveis e cheiro pungente de enxofre, o Llullapatranha. Tem a garganta profunda situada a 1,5 metro de altitude e suas explosões derramam-se sobre seu sopé, mesmo quando usa megafone.

Segundo a lenda inventada por seus patéticos adoradores, está prestes a entrar na grande erupção final. Mas, ao contrário do que nos querem fazer acreditar, vai diluir-se em filetes de “mierda caliente”, que se desvanecerão pelas fétidas redes de esgoto do país. Não deixará vestígios de sua existência. A ser assim, fiquei a saber que essa história é uma notável predição.

……….

[1] Mapuche ou “gente da terra” são o povo indígena que ainda habita nos Andes chilenos.

Vagabundos invadem o Rio


Ricardo Kohn e Cláudia Reis, a quatro mãos.

Ontem, 1º de março de 2015, tivemos um bom domingo, até com temperatura amena. Coincidiu com mais um aniversário da cidade do Rio de Janeiro, que completou 450 anos. Parabéns à cidade que, por pura incompetência pública, vem sendo destruída [prostituída] por suas sucessivas prefeituras há 46 anos, desde 1969.

Porém, vamos ao assunto. Não sabemos por que a soberana veio ao Rio para as “festas da cidade“. Mas acreditamos que chegou cercada por carros blindados e escolta de policiais em motocicletas pesadas, com a sirene aberta. Tal como foi hábito de seu criador, o apedeuta.

Porém, em frente ao prédio onde moramos, foi estacionado um ônibus, com vidros negros e opacos. Era parte do pelotão municipal encarregado de dar segurança à matrona oficial. Seu motorista, com o veículo em ponto morto, pisava no acelerador sem parar, a roncar o motor, cada vez mais alto. Os ruídos infernais invadiram todos os prédios próximos.

Quartel da força de segurança, com "clima de montanha"

Quartel da força de segurança da soberana: “clima de montanha”

Vários moradores dos prédios severamente impactados pelo barulho começaram a gritar para que o motorista deligasse o ônibus. Mas nada aconteceu. Durante cerca de 15 minutos os apartamentos foram invadidos por roncos alienígenas. O ônibus parecia uma nave intrusa estacionada, múmia marciana a bufar agressiva como delinquente ameaçadora.

Cláudia, que é uma pessoa calma e equilibrada, diante dessa agressão, ficou possessa com o ruído incessante na rua tranquila. Foi assim que decidiu enviar uma mensagem para a rede social de que participa o “esperto prefeito“. Todo esse desconforto, sentido por diversas famílias, era em troca da “segurança à soberana de republiqueta”, em visita ao Palácio da Cidade. Afinal, o quê a atemoriza tanto? Tem pavor de quem? Por quais motivos?

Para este artigo, redigi destaques em azul, acerca de como penso que deva ser tratado o desacreditado “esperto prefeito” e sua “proba soberana“. Dessa forma, segue a mensagem enviada por Cláudia:

Prefeito Eduardo Paes

“Nada contra as comemorações natalícias da cidade, na qual infelizmente nasci. Digo assim, pois não aguento mais tanta anarquia e baderna na rua em que vivo, em função das festas que você realiza no Palácio da Cidade. Mais parece a boate em que se tornou a sua prefeitura! [Penso eu: uma provável casa de massagens negociais].

“Hoje, em especial, a prefeitura resolveu tomar a Rua da Matriz e, neste exato momento, há um ônibus lotado de guardas municipais. Sou obrigada a sentir o cheiro de óleo queimado e um barulho infernal. Na porta do meu prédio, de frente para as janelas do apartamento, o veículo está com motor ligado todo o tempo. Faz um ronco enorme para que esses “trabalhadores” descansem em ambiente fresco pelo ar condicionado. [Penso eu: Prefeito, uma pergunta rápida, até a sua guarda também gosta de frescura?].

“Já pedi com educação para desligarem o ônibus, mas não adiantou. Mandaram-me falar com o prefeito. Isso é total absurdo. Eu, na minha casa, pagando impostos, é que tenho que ficar com as janelas fechadas? [Penso eu: por que, caríssimo prefeito, você próprio não dirige esse ônibus de esterco para a frente do Batalhão de Polícia, que fica na porta de seu Palácio? Devo dizer-lhe, faz tempo que você esgotou a paciência da cidade!].

“Peço que você tome as devidas providências, imediatamente. O Rio em que nasci morreu há tempos, por força de tantos desmandos e pela total falta de respeito a seus cidadãos.

“Vivo em uma rua residencial, que já sofre bastante durante a semana com o movimento da Escola Britânica, para a qual nunca deveria ter sido autorizado o acesso por essa via. Hoje é domingo, prefeito [estúpido]. Idosos e crianças moram aqui. Cadê seu respeito à lei e seu mínimo instinto de civilidade?!

“A sua “Presidenta” não deveria causar transtornos aos moradores de Botafogo. [Penso eu: para ter uma garantia mais efetiva de sua já ameaçada segurança pessoal, após cumprir 4 anoscomo poste de seus apaniguados‘, a soberana somente deveria chegar ao Palácio de helicóptero, camuflado e blindado!].

“Vou continuar insistindo com você, prefeito [excelência de merda, penso eu]. Tire esse ônibus da frente de meu prédio ou mande trabalhar quem está no ar condicionado. Não existe outro espaço para esse povo ficar? Lugar de polícia municipal é na rua, a patrulhar, e não a se refrigerar dentro de ônibus. Ainda por cima, você está poluindo o ar que respiramos!

“Aliás, prefeito, por que sua guarda não “bicicleteia” pela cidade. Essa não é a sua campanha favorita? [Penso eu: pintar as mais equivocadas e estúpidas ciclovias do Brasil, sem respeito ao trânsito e aos idosos]. Vamos poluir menos, sem distúrbios sonoros e contaminação do ar! [Penso eu: afinal, somos ou não a tão proclamadacidade verde”?].

“Programar essa farsa [hipócrita e cínica, penso eu], no dia do aniversário da cidade é uma lástima! Vê-se que o Rio encontra-se à mercê de políticos incompetentes e não da cultura de seus habitantes – como sempre foi em seus tempos áureos. Isso é muito triste; é apavorante ver nossa cidade invadida por ignorantes.”

Resultado

Após cerca de 20 minutos de tortura cidadã“, proporcionada pela emissão de gases e ruídos do ônibus, o motorista foi autorizado a desligar a máquina da segurança. Enquanto isso, por óbvio, o “poste soberano” era vaiado pelo povo na entrada do Palácio da Cidade: “Fora Dilma! Fora PT!”. Até quando este estado de coisas vai durar?…

Ladrão-Geral da República


Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Acredito que liceus, universidades e bibliotecas são as principais instituições responsáveis pela Educação da Humanidade. Contudo, não basta que um país as possua em abundância.

É essencial que as crianças cheguem aos liceus já “civilizadas de casa“, de preferência por seus pais. Falo baseado em minha própria história de vida, filho de pais pobres mas educados.

Creio que a “civilização infantil” deve ocorrer até os 5 anos de idade. Dela resultam a curiosidade pelo conhecimento, interesse por descobertas e capacidade de memória. Caso a civilização seja bem feita, haverá maior chance de as crianças, ao chegarem à adolescência, concluírem os cursos que selecionarem – da graduação ao doutorado, se assim for seu desejo.

A partir de então, resta-lhes adquirir cultura para a vida, através de vários expedientes. Porém, sem parar de usar as boas e gratuitas bibliotecas públicas. A preguiça e o desinteresse pela leitura geram graves desvios cerebrais que, em minha opinião, são próprios de adultos que não foram civilizados na infância.

Creio que a assertiva sobre “desvios cerebrais”, associados à falta de leitura e da “civilização na infância”, deva ser estudada com mais afinco pelas ciências envolvidas. Tenho como tese que os cérebros da maioria dos indivíduos que não viveram esses processos também funcionam, porém, com fins degenerados e, não raro, delinquentes. Enfim, tornam-se as flores do mal, conhecidas pelo mundo afora.

Há inúmeros cenários de guerra no mundo, passados e presentes, que justificam essa especulação. Associo-os a atores degenerados e delinquentes como Saddam Hussein, George W. Bush, Muammar Kadhafi, Ali Khamenei, Mahmoud Ahmadinejad, Bashar Al Assad, os irmãos Castro, Hugo Chávez, Maduro-podre, o casal Kirchner, Wladimir Putin, o atual líder da Coréia do Norte (não escrevo o nome da besta!) e o brasileiro “inepto”, que tem como cognome Ladrão-Geral da República.

Aposto que a ameaça à integridade do Procurador-geral da República, caso haja sido factual, foi feita pelo Ladrão-Geral da República. Para não correr o risco de ser descoberto, claro que usou os sociopatas de sua quadrilha. Alguém duvida disso?!

……….

A Biblioteca do Congresso Nacional norte-americano, inaugurada há 215 anos, é tida como a maior biblioteca do mundo. Situada em Washington, D.C., oferece mais de 115 milhões de obras literárias, afora cerca de 63 milhões de manuscritos, para pesquisas em áreas de interesse ao conhecimento humano. Sua frequência diária é intensa e variada: professores, alunos, intelectuais, empreendedores, inventores e até mesmo políticos sempre estão bisbilhotando suas estantes.

Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos

Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos

Já no Brasil, a maior delas é a Biblioteca Nacional, instalada há 205 anos, na atual cidade do Rio de Janeiro. Oferece, aproximadamente, 9 milhões de obras, o que não é pouco. Por isso, está entre as 10 maiores do mundo, embora jogada às traças. Sua frequência de visita é baixa, no mais das vezes, os mesmos “ratos de biblioteca” que há décadas, desiludidos, tiram pó das suas estantes e bancadas.

O labirinto de Minotauro


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

A legislação brasileira é complexa e paquidérmica. Isto porque, desde sempre foi elaborada para impedir que qualquer cidadão comum entenda os dizeres de seus diplomas legais [1]. E, o que é ainda mais grave, saber quantos e quais cuidados precisa tomar para seguir a lei, em todas as “burocracias” que assina diariamente, durante toda a porra de sua vida.

Embora nascido bem aqui, na beira d’águas piscosas portuguesas, não tenho dúvidas que essa é uma das dezenas de podres heranças do império lusitano, largadas na Terra de Vera Cruz, desde de 1500, em troca das montanhas de ouro roubadas.

Todavia, preciso salientar que, cá em Portugal, a produção de leis nefastas vem a decrescer nos últimos 50 anos. Ao contrário, na “colônia vitalícia“, no mesmo período, foram paridas toneladas de leis absurdas, que servem tão-somente para atrapalhar a vida do cidadão brasileiro, agora “colonizado por falsa ideologia populista”.

Os caminhos legais no Brasil são cavernosos e apresentam situações difusas. A dizer, mostra trilhas desconhecidas às pessoas, verdadeiros labirintos. E ai daquelas que ousarem optar por alguma sem antes consultar um “advogado a preços extorsivos”. Caso queira testar o que afirmo, promova uma guerra campal contra um banco comercial. Ao fim, mesmo se demonstrar sua razão perante ao juiz, irá à bancarrota por ter perdido todas as batalhas.

Inúmeros caminhos legais cavernosos e desconhecidos

Inúmeros caminhos legais, cavernosos e desconhecidos

Outro facto que precisa ser muito bem observado são as “leis determinantes”. Tratam-se de textos legais que trazem imposições ideológico-arbitrárias, implantadas por governantes populistas, exímios mentirosos e, não raro, ladrões públicos insaciáveis. Observo ainda que, caso hajam permanecido muito tempo no poder, acham-se insuperáveis e eternos; tornam-se “porca eparafuso falanteda ditadura” que almejam comandar.

O povo de Pindorama [2] está a viver o momento crucial de sua história: ou permanece perdido no labirinto escuro de Minotauro, disposto a ter seu crânio devorado pela fera, ou, qual Teseu, levanta-se contra as barbaridades políticas que conduziram Pindorama ao desastre.

O ódio de Minotauro

O ódio de Minotauro

Ao que se sabe através da mídia internacional, Minotauro roubou tanto o erário público que, desesperado, para se ver livre da penitenciária futura, blefa de forma descarada e ameaça ao povo com seu “exército de marginais“. Em meu entender, por força do carisma com que distribui suas patranhas, deveria ser considerado “grave ameaça à segurança nacional” e conduzido para a prisão preventiva. De preferência, em uma ação pública do FBI brasileiro, transmitida ao vivo para o mundo.

Encerro aqui essa narrativa. Creio piamente que Minotauro sempre foi mais uma lenda de Pindorama. Tudo o que blasfemou durante sua vida, e ainda tagarela na atualidade, não é honesto e, muito menos, verdadeiro.

Afinal, seu fim está próximo. Ainda tenho fé na visão e na consciência do povo brasileiro, que, dentro da lei, conseguirá estripar qualquer “exército de marginais” e respectivos comandantes.

……….

[1] A expressão “diploma legal” possui um aspecto paradoxal, contraditório. De um lado, autointitula-se de diploma, documento que recebem os indivíduos que completaram o nível superior; de outro, o facto de que boa parte dos parlamentares que propõem as leis, que as debatem e que votam sua aprovação, são literalmente analfabetos funcionais. Pelo menos, parece-me ser assim no Brasil.

[2] Pindorama significa “Terra das Palmeiras”, nome que os indígenas da etnia Tupi davam às suas terras, antes da chegada dos portugueses, em 1500.