Obra sobre Filosofia do Ambiente


Assim fala o Ambiente

Durante um ano supervisionei a redação do ensaio “Princípios da Filosofia do Ambiente”. É dedicado aos que argumentam objetivamente, com base na lógica diferenciada.

Neste ensaio a ótica está invertida se comparada à tradicional postura da filosofia, qual seja, aquela que mantém o Homo sapiens como um ser superior a todas as coisas e a decidir sobre como usar o Ambiente. Em sua visão ufanista tudo o existe é de sua propriedade e serve somente para servi-lo.

No entanto, em “Como o Ambiente vê o Sapiens” fica claro que o sujeito da filosofia é o Ambiente; o Sapiens, apenas seu objeto de uso. De fato, o Ambiente reflete, pratica e ensina sua própria filosofia. Caberá ao Sapiens agradecer e ovacioná-la; acaso a entenda.

Para adquirirem esta obra inédita, cliquem aqui ou então na imagem da capa abaixo. Seu preço de lançamento é R$ 24,90, menos que o prazer fugaz de uma taça de vinho.

Abraça-os, o eterno
Ambiente

Capa

 

Valor do Sapiens ou Qualidade do Ambiente?


Ricardo Kohn, aprendiz de filósofo.

Parte-se da premissa que o homem [sapiens] atribui valor monetário a todas as coisas que deseja vender ou adquirir. Por sua vez, o ambiente terráqueo precisa manter a qualidade de sua natureza primordial. Portanto, infere-se que, em tese, tanto o sapiens quanto o ambiente, precisam trabalhar para obterem seus desejos e necessidades.

Todavia, nessas circunstâncias há que se optar entre o valor monetário do sapiens ou a qualidade do ambiente, pois esses cenários não costumam ocorrer ao mesmo tempo. Veja a imobiliária que lança um condomínio de prédios situado em ambiente de restinga; então, de forma evidente, remove a restinga e, em sua antroposfera, constrói o espaço valorizado para o sapiens. Assim, ganha o sapiens com ricos apartamentos, mas, de outro lado, o ambiente da restinga “segue rumo à contínua devastação”.

O que lhe parece este “belo cartão postal”?!

O que lhe parece este “belo cartão postal”?!

Prédios e lixos a consumir a restinga, esgotos in natura a escurecer o azul da lagoa que um dia fora translúcido, emissões gasosas que tonificam a respiração da fauna silvestre, quase extinta. De fato, pode ser um belo cartão postal, mas apenas segundo jacarés sobreviventes e sapiens que não lhes sentem o cheiro.

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Clique no título do e-book “PRINCÍPIOS DA FILOSOFIA DO AMBIENTE – Como o Ambiente vê o Sapiens“.

Filósofo Aprendiz


Ricardo Kohn, Escritor.

Pelo menos durante um dia da vida, creio ser provável que um bom número de cidadãos haja sonhado em ser filósofo. Isto por que existe a leveza intelectual associada à prática da boa filosofia. Costumo dizer que fazer filosofia é duelar com a lógica e a razão das palavras, em busca de descobertas. Afinal, elas ganham vida própria assim que são escritas no papel. E o filósofo é o espadachim que se deixa levar, mas atento para manter a essência de seu texto, de modo a que ele não lhe escape e acabe seduzido pela dança das palavras.

Graças a esses aspectos, há questões a considerar:

  • Em sua origem, o que a filosofia significava para o cidadão comum?
  • Como o filósofo deve proceder perante seus discípulos?
  • Quais são as consequências de o cidadão ser parte do seleto grupo de filósofos, muito embora não haja sido convidado?

Antes tratar destas questões, acho importante mostrar onde se situa a filosofia. Para Bertrand Russel[1]todo conhecimento definido […] pertence à ciência; e todo dogma, quanto ao que ultrapassa o conhecimento definido, pertence à teologia. Mas entre a teologia e a ciência existe uma terra de ninguém, exposta aos ataques de ambos os campos: essa terra de ninguém é a filosofia”. Na literatura histórica, não encontrei reflexão mais objetiva do que esta.

A origem da filosofia acontece na Grécia Antiga – século VI a.C. –, por meio de uma escola fundada por Tales de Mileto, na Jônia, colônia grega situada no Mar Egeu. A Magna Grécia era notória como líder mundial do pensamento e a Escola de Mileto demarcou a origem da filosofia ocidental. Para cidadãos comuns, filosofia era o espaço em que ouviam e podiam questionar as reflexões de seus mestres. Foi o espaço semeado pelos pensadores gregos, onde havia a liberdade da palavra em prol da cultura, com vistas a educar cidadãos para descobrirem como pensar com a lógica.

Filosofia é exatamente isso: saber pensar, ponderar, refletir, argumentar, deduzir e inferir coisas sobre os temas oferecidos à mesa de diálogos. Deduzo que, para se tornar filósofo, não há regras ou normas que limitem qualquer cidadão comum. A prática da filosofia é aberta a todos, sem exceção. Dessa forma, infiro que ninguém precisa ser convidado para ser filósofo, basta saber qual espaço poderá ocupar com sua filosofia.

Como Filósofo Aprendiz optei por ingressar na filosofia, através de uma obra sucinta, Ícone da capaintitulada “Princípios da Filosofia do AmbienteComo o Ambiente vê o Sapiens”. É possível prever por este título que se trata de uma filosofia que inverte a egolatria filosófica presente nas reflexões de vários filósofos do medievo. Aqui o Ambiente é o sujeito e o Sapiens, seu objeto.

Os capítulos deste ensaio apresentam-se em 172 páginas, com a seguinte estrutura:

  • A Introdução da obra, onde parto de uma equação filosófica: Ambiente + Sapiens Impactos + Áreas Devastadas + Lixo + Restos do Ambiente.
  • O Sumário Histórico da Filosofia Ocidental, que visa a situar em qual espaço cultural a Filosofia do Ambiente poderá se assentar.
  • A Base Conceitual Científica, onde apresento conceitos que julgo relevantes sobre os processos ambientais, as características funcionais do ambiente e suas respectivas argumentações analíticas.
  • Os Primatas da Humanidade, onde busco compreender o comportamento do sapiens, como um reagente instável, às vezes espúrio, na equação filosófica enunciada.
  • Os Fundamentos da Filosofia do Ambiente, que apresenta algumas premissas em que devem se fundar a filosofia do ambiente. Essas premissas estimulam a realização de debates, os quais procuro formular através de questões com respostas provocativas, sobretudo, as relativas ao mundo em que se vive atualmente.
  • O Ambiente Terráqueo, onde revelo, através de constatações factuais, as principais ameaças à sua qualidade e, por óbvio, à vida de todos os seres vivos que habitam a Terra. Debato ameaças significativas impostas pelo homem aos espaços físico, biótico e antropogênico do ambiente terráqueo.
  • Como o Ambiente vê o Sapiens traz uma narrativa sumária da origem e evolução do Homo sapiens na Terra. Em “Assim fala o Ambiente”, coloco-me em seu lugar, com vistas a refletir sobre o sapiens como se eu fosse o ambiente. Esse exercício de lógica permitiu-me inferir sobre a conduta das espécies e subespécies do Homo sapiens, segundo a taxonomia do ambiente.
  • A Base Conceitual Filosófica apresenta a revisão dos conceitos científicos, segundo a ótica do ambiente, assim como sua argumentação analítica. A base filosófica está realizada a partir de “Assim fala o Ambiente” e do “Decálogo do Ambiente”.
  • Em Inferências Filosóficas procuro refletir sobre quatro temas: (i) as Religiões do Homem Dominante (Homo dominans); (ii) as Ciências do Ambiente; (iii) a Avaliação Filosófica de Impactos sobre o Ambiente; e ofereço (iv) Parábolas do Ambiente.
  • Em O Homem Primordial, apresento uma estratégia de ação para cooptar várias das subespécies do Homo dominans (Homem dominante) e torna-las Homo rarus (Homem raro), a espécie que, além de qualquer dúvida, é um bem do ambiente.
  • Concluo com o Epílogo, onde arremato conclusões e formulo expectativas.

Esperava lançar a versão digital deste livro em dezembro. Mas consegui publica-lo em 9 de novembro. Quem desejar conhece-lo clique aqui. Sugiro aos amigos que o adquiram e o divulguem nas redes sociais, no ambiente de trabalho, em faculdades e em escolas de nível médio. Desde já, feliz, agradeço a todos.

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[1]
Bertrand Arthur William Russell, matemático e filósofo, nascido a 18 de maio de 1872, no País de Gales. Prêmio Nobel de Literatura, em 1950. Atuou em vários países como professor de matemática avançada. Faleceu aos 97 anos, em 2 de fevereiro de 1970, na mesma nação britânica.

Choque frontal com o Ambiente


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

A finalidade deste artigo é demonstrar a importância do ambiente estabilizado para todos os seres vivos do planeta, inclusive os humanos; do ambiente  estável versus os impactos que sofre com as atividades que nele são implantadas, as quais tentam ser explicadas como “a adaptação e evolução do homo sapiens face à dinâmica deste espaço”. Bela retórica, porém, falsa como rocha líquida. Inicia-se o artigo com a desmistificação da expressão “meio ambiente”.

1. Introdução

O vocábulo “meio” possui diversos significados, os quais variam em função de seu uso: como adjetivo, substantivo ou advérbio. Por exemplo, como adjetivo pode significar “metade”; como substantivo, “lugar onde se vive” = “ambiente”; como advérbio, “mais ou menos”. A fonte usada é o Dicionário Priberam[1], onde se encontram outros significados para este mesmo vocábulo.

Na expressão “meio ambiente”, o vocábulo meio pode ser entendido como adjetivo, substantivo ou advérbio. Ou seja, faz com que a expressão signifique coisas esdrúxulas: metade do ambiente, ambiente ambiente e mais ou menos ambiente.

Não há dúvida que essas expressões trazem um erro trivial da gramática (o pleonasmo ambiente ambiente) e dois deboches com as ciências do ambiente (metade do ambiente e mais ou menos ambiente). Além de deixar evidente a pouca formação de seu criador e respectivos repetidores, destaca-se.

2. A expressão “meio ambiente”

A origem temporal de “meio ambiente” é bem discutível. Sobretudo, quando se visa a acentuar a relevância de entender o que é o ambiente diante das práticas de trabalho em consultoria, foco principal desse artigo.

No entanto, provém da academia uma pesquisa exaustiva que pretende justificar que o termo a ser usado pode ser meio ambiente[2], quando consideradas as óticas das ciências naturais e ciências humanas. Segundo o texto, da ecologia e da educação ambiental. Essa pesquisa remete-se à Idade Média e considera que o ambiente (meio ambiente) deva ser visto, analisado e trabalhado através da visão antropogênica.

Discorda-se frontalmente dessa afirmação. As ditas ciências humanas não se prestam para entender o que é o ambiente, dado que são mais discursivas, opinativas, simples retórica. Há que se buscar ciências que o detalham “como se fossem o próprio ambiente a esclarecer seu comportamento, as relações que nele se estabelecem, bem como suas funcionalidades”.

Afinal, educação ambiental não constitui ciência, apenas uma técnica ainda rudimentar. Além disso, seu título é um pleonasmo (toda a educação é ambiental), tal como Saneamento Ambiental. Por acaso existe um sistema de tratamento de esgotos que não seja oportuno para a qualidade do ambiente?!

As ciências do ambiente[3] que se destacam são ecologia, meteorologia, hidrologia, geologia, pedologia e a biologia. É através da aplicação delas que se pode trabalhar impune no ambiente.

Porém, enfatiza-se que a explicação das atividades antropogênicas precisa ser efetuada através dos processos da ecologia. Há décadas que notórios ecólogos mundiais demonstram que o ser humano é parte dos ecossistemas, embora neles cause rupturas ambientais que os degradam.

3. Como são conceituados meio ambiente e ambiente

Os conceitos abaixo, bem como suas análises de conteúdo, demonstram que há um severo choque frontal entre a desinformação de legisladores e juristas versus a visão de consultores especializados, cientistas e acadêmicos.

3.1. Conceito brasileiro de meio ambiente

Segundo a Lei no 6.938[4], em vigor até hoje, meio ambiente é “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

O conteúdo deste texto, tido como oficial, cria severas dúvidas ao leitor medianamente atento. Destacam-se algumas:

  • Qual o significado de “condições, leis, influências e interações” no contexto do ambiente?
  • Quais são as entidades do ambiente que promovem “influências e interações”?
  • Como “condições e leis” podem “permitir, abrigar e reger a vida em todas as suas formas”, senão apenas no papel?
  • As ditas “influências” significam o quê, provém de onde, de que fatos?
  • As “interações” seriam similares às relações ambientais ou ecológicas?
  • Ainda assim, seriam somente as “interações” de ordem física, química e biológica?
  • Delas resultariam o quê, currais ou ecossistemas limpos?!

Trata-se do conceito “sopa de pedra”. Nele cabe de tudo. Mas, afora colocar a pedra no meio do prato, nada esclarece. É um mero jogo de palavras que não conseguem se conectar. Por isso mesmo, com significado difuso, ambíguo, genérico, confuso. Em suma, é uma piada oficial sem qualquer significação.

3.2. Conceito profissional de ambiente

Segundo especialistas em gestão do ambiente e ecologia, ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem. Essas porções detêm distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são analisáveis através do desempenho de seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

A visão estável do ambiente

Engenharia inteligente, ambiente estabilizado

Segue a análise de conteúdo deste conceito:

  • Biosfera é a camada da Terra integrada à litosfera – que lhe serve de substrato –, onde ocorrem todos os seres vivos do planeta. A atmosfera e a hidrosfera são partes essenciais à biosfera e dela não são desvinculáveis. A ser assim, biosfera, litosfera, hidrosfera e atmosfera conformam o ambiente integrado do planeta.
  • Fatores ambientais ou fatores ambientais básicos são os componentes dos sistemas ecológicos da Terra. Estão presentes em qualquer porção que se delimite em sua biosfera. Estes fatores são associados aos espaços ambientais que lhes são afetos, pela ordem: espaço físico [o ar, a água e o solo]; espaço biótico [a flora e a fauna]; e espaço antropogênico [o homem e suas atividades].
  • As relações mantidas entre fatores ambientais são realizadas através de trocas de matéria e energia, que são dinâmicas, interativas e espontâneas. Isto garante a estabilidade e a evolução dos sistemas ecológicos que conformam. Denominam-se relações ambientais.
  • Importante destacar o que deveria ser evidente: as relações ambientais, que ocorrem há milênios, são energizadas pela luz solar, e possuem naturezas física, química, biológica, social, econômica e cultural.

Por existirem o ar, a água, o solo, a flora e a fauna no mesmo cadinho da evolução da vida, a raça humana, embora considerada sábia, é, se tanto, a 6ª parte do ambiente da Terra. Mas nem todos têm sã consciência desse fato.

Em tempo, sugere-se não esquecer: “o ambiente é ilegal“, pois não funciona conforme determinam as leis e os responsáveis por sua produção. De fato, estes não possuem o devido domínio das ciências do ambiente. Além disso, que soe como uma ameaça: a lei da gravidade nunca será abolida por qualquer decreto-lei.

4. Considerações do autor

Atuo há 31 anos em Planejamento e Gestão do Ambiente. Exatamente, desde janeiro/1986. Confesso que, naquela ocasião, chamava de “meio ambiente” o objeto dos planos que elaborava. Contudo, pela carência de literatura em português, pude recorrer a livros e artigos em inglês para estudar o tema. Neles, sempre li apenas “environment[5], pois não existe o vocábulo “meio” a agredir a gramática e os estudantes.

Intitulei este artigo “Choque frontal com o Ambiente” por achar uma covardia, cometida pelos que possuem plateias, repisarem esse erro crasso sobre a ciência do ambiente. Refiro-me, sobretudo, a professores universitários, que mais parecem jornalistas televisivos, a estrelarem em Shows de Espalha Ignorância e enganarem covardemente àqueles que os assistem de forma passiva.

Deixo para reflexão dos leitores uma breve observação acerca do conceito de ambiente: o ser humano precisa ter muito cuidado com as artes de sua engenharia, pois “qualquer porção da biosfera” é apenas o planeta Terra inteiro. Minha única fé é no ambiente estável!

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Clique no título do e-book “PRINCÍPIOS DA FILOSOFIA DO AMBIENTE – Como o Ambiente vê o Sapiens“.

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[1] Confira em: https://www.priberam.pt/dlpo/Meio.

[2] Um trabalho intitulado “Um olhar epistemológico sobre o vocábulo ambiente: algumas contribuições para pensarmos a ecologia e a educação ambiental”, realizado por dois profissionais na UNESP, Rio Claro, SP. Chega a considerações finais um tanto insípidas, muito embora constem da tese de doutorado em Educação para a Ciência, de Job Antônio Garcia Ribeiro, hoje professor da UNESP.

[3] Nota: não se usa o termo Ciências Naturais, pois implicaria admitir que existam Ciências Artificiais.

[4] Datada de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a “Política Nacional do Meio Ambiente”.

[5] Em países mais civilizados o vocábulo equivalente a “meio ambiente” é environment (Grã-Bretanha e EUA); environnement (França); umwelt (Alemanha); ambiente (Itália).

Soluções Ambientais


Por Equipe deSobre o Ambiente”.

Criou-se essa página para oferecer aos leitores soluções ambientais inteligentes, já realizadas por organizações de projetos feitos para atender ao ambiente. Ou seja, soluções de projeto que visam a finalidades produtivas e comerciais, mas, antes de tudo, à qualidade do ar, da água, do solo, bem como, à qualidade de vida da flora, da fauna e do homem.

Tenciona-se apresentar estudos e projetos inovadores já realizados, dos quais resultaram relações ambientais estáveis, mantidas entre um investidor e o ambiente que transformou. Na qualidade de principais agentes da transformação dos espaços físico e biótico da natureza, investidores responsáveis devem saber como construir em áreas adequadas. Por outro lado, precisam ser capazes de garantir a qualidade do ambiente onde implantam seus negócios.

Área alagada a ser trabalhada, mas somente por meio de um projeto inovador

Área alagada a ser trabalhada, mas somente por meio de um projeto inovador

Dentre os negócios mais comuns destacam-se turismo, hotelaria, indústria, construção civil, geração de energia, agropecuária, condomínios habitacionais, shopping centers e outros mais, todos a causar impactos sobre o ambiente.

Em suma, todas as atividades transformadoras promovidas pelo desenvolvimento precisam possuir desempenho ambiental adequado. Trata-se de um desempenho produtivo de tal ordem, que o ambiente para o qual são projetadas seja capaz de manter a sustentabilidade que lhe é inerente, a permitir a evolução espontânea e dinâmica de seus ecossistemas.

Visão de um resort projetado para uma área de ambiente nativo

Visão de um resort projetado para uma área de ambiente nativo

Equipes inovadoras

As organizações que projetam e implantam soluções ambientais – empresas de consultoria, fundações, institutos e associações –, precisam possuir gestores de alta qualidade, que hajam obtido notórios resultados em projetos inteligentes, desenvolvidos e executados.

Todavia, não basta tê-los em seus quadros técnicos. Eles precisam, sobretudo, de coordenar equipes inovadoras, nos trabalhos de escritório e campo. Apenas assim obtém resultados criativos, quase sempre requerendo investimentos menores. Além disso, mais efetivos no alcance das metas dos clientes[1].

Equipes técnicas inovadoras e criativas são cada vez mais complexas de serem montadas. Requerem dos empresários uma boa visão – de médio a longo prazo – de seus negócios e a aplicação de dois critérios na seleção de novos consultores: a personalidade e a competência profissional dos candidatos a futuro consultor.

Para identificar a personalidade profissional há um site que dispõe de ferramenta para essa finalidade. Muitas empresas de vanguarda o utilizam. É gratuito e não requer que se faça cadastro. Sugere-se realizar um teste clicando em 16Personalities. Gasta-se menos de 12 minutos e os resultados são atraentes. Quem o fizer, será surpreendido.

Quanto à competência técnica, precisa ser analisada em relação à da equipe já existente. Isto ocorre por que projetos de cunho ambiental demandam equipes de profissionais com distintas formações e óticas diferenciadas do que é o Ambiente.

Entretanto, com base nos dados e informações que dispõem, todas as equipes precisam se comunicar através da mesma linguagem conceitual: a da Teoria do Ambiente. Equipes de ecólogos, geólogos, arquitetos, de várias engenharias, climatólogos, botânicos, agrônomos, biólogos, hidrólogos, economistas e arqueólogos, dentre outras especialidades, além de seus conhecimentos específicos, precisam usar a teoria que é própria do ambiente.

A depender do ambiente que estão a tratar[2], essas equipes podem ser numerosas, o que amplia a dificuldade da comunicação multidisciplinar. A ser assim, a qualidade da solução ambiental identificada pode ser prejudicada em seu desenvolvimento, perder em inteligência e criatividade.Imagem de divulgação

Para integrar a competência multidisciplinar de equipes técnicas, sugere-se a aquisição de uma obra recém-publicada. Clique em LTC Editora e leia acerca do conteúdo deste livro de Engenharia Ambiental: “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Contém abordagens que permitem a qualquer profissional falar a linguagem da Teoria do Ambiente, necessária para criar, desenvolver e implantar soluções ambientais inteligentes.

Casos de soluções realizadas

Está-se pesquisando casos que mereçam ser divulgados neste espaço. As publicações envolvem a organização que projetou a solução, a razão social do cliente, o problema a resolver e a solução encontrada.

Aguardam-se contribuições enviadas para o e-mail ricardo.kohn@gmail.com.

……….

[1] Esta introdução de “Soluções Ambientais” pode parecer humanamente utópica. Mas, de fato, não é por dois aspectos: (i) o ambiente a realiza de forma espontânea e aleatória; (ii) perseguir esta utopia não é perda de tempo, ao contrário. Trata-se da melhor provocação para a evolução humana.

[2] Uma solução ambiental criativa para usina hidrelétrica localizada na Amazônia decerto é bem mais complexa do que a solução para uma indústria farmacêutica situada na capital São Paulo.

Ambientologia


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Há algumas décadas é observado o aumento das preocupações do homem com o destino da Terra. Não por força de agentes cósmicos, externos ao planeta; mas pela ação desastrada de atores internos. Mesmo o “homem comum” – aquele que não adquiriu conhecimento sobre a Dinâmica do Ambiente da Terra –, com ímpetos de solidariedade ao próximo, arrisca palpites e soluções caseiras, que chama de “sustentáveis”.

A dinâmica da Terra resulta de sua estrutura física e de sensibilidades nela identificadas por diversas ciências. Sobre essa dinâmica já foram publicadas toneladas de literatura científica e analítica. Contudo, todas são obras específicas; seus autores tratam o ambiente através dos espaços e segmentos que conhecem. Por exemplo:

  • No espaço físico tratam da climatologia [meteorologia], hidrologia, oceanologia, geomorfologia, geologia [vulcanologia], geotecnia, pedologia, qualidade físico-química da água, etc;
  • No biótico abordam a ecologia, a qualidade biológica da água, vegetação, botânica, fitossociologia, mais as várias classificações da fauna silvestre [mastofauna, avifauna, primatofauna, herpetofauna, ictiofauna, entomofauna, anurofauna, malacofauna, etc];
  • No antropogênico discorrem sobre a demografia, economia, educação, saúde, uso e ocupação do solo, infraestrutura logística, infra de transporte, segurança, arqueologia, cultura, sociologia e antropologia, dentre outros.

Cada profissional dessas áreas oferece uma explicação um tanto limitada para a dinâmica do ambiente. Mas não há dúvida que a ênfase dessa explicação resulta da formação acadêmica que cada autor recebeu, bem como do tempo de experiência que dispendeu em trabalhos específicos.

Adoto um conceito para Ambiente[1] (nota de rodapé) que mostra o que é necessário para entender e prever o comportamento da Terra ou de qualquer de suas áreas e regiões.

Dessa forma, com base em experiências pregressas na execução de trabalhos ambientais, creio ser complexo produzir uma boa visão global da dinâmica aleatória do ambiente. Ou seja, diagnosticar os processos que nele ocorrem, bem como ressaltar seus aspectos essenciais.

Ao longo dos últimos 30 anos, o melhor relatório-produto que pude ler nesta matéria, foi obra de uma rara equipe técnica, composta por 40 consultores. Por sinal, muito bem gerida pelo saudoso e memorável engenheiro, o também oceanógrafo, Fernando Penna Botafogo Gonçalves, a partir de 1986.

Nossa equipe, por definição, teria de ultrapassar sérios obstáculos para obter os resultados esperados pela chefia, tais como:

  • O estudo a ser realizado era para o projeto executivo[2] de uma Usina Hidrelétrica, a ser construída na Amazônia;
  • Nenhum de seus membros havia participado antes da elaboração de qualquer estudo ambiental, inclusive o mestre Botafogo, chefe da Divisão;
  • Apenas três dos 40 profissionais contratados conheciam-se entre si. Os demais eram desconhecidos, estranhos no ninho;
  • A maioria da equipe era recém graduada, sem experiência de trabalho na consultoria. Contudo, quatro dos inexperientes tinham curso de pós-graduação completo.

Em tese, minha função era assessorar a Botafogo: na programação das tarefas da equipe; na gestão dos trabalhos de campo; na análise dos resultados obtidos; e na integração dos relatórios produzidos pelas chefias dos setores físico, biótico e antropogênico.

Digo, em tese, por que isso não ocorreu “conforme combinado”. Posso explicar. Com calma e competência, Fernando arregaçou as mangas e assumiu a liderança direta dos trabalhos. Foi a campo aprender como deveriam ser realizadas as campanhas na mata amazônica e quais seriam as fórmulas para diagnosticar a dinâmica daquele ambiente. Por fim, delegou várias missões a cada membro de sua equipe.

Fazenda Boa Vista, tomada da Pousada

Com essa delegação, realizada à vera, a equipe foi obrigada a compartilhar conhecimentos; todos passaram a se auxiliar mutuamente, ou seja, a trabalhar juntos. Assim, em apenas três meses, os desconhecidos tornaram-se uma família de trabalho.

Entretanto, quando tudo entrava nos eixos, o Engo. Botafogo mudou minhas atribuições no trabalho. Disse-me que, dado meu interesse em elaborar metodologias e modelos, gostaria que eu trabalhasse no desenho de um Modelo para Avaliação e Gestão de Impactos Ambientais, desde que produzisse resultados consistentes.

Após quase dois anos de desenvolvimento, o modelo foi consolidado e ganhou o apelido de ‘MAGIA’. Funciona até hoje, tendo recebido ajustes e vários adendos. Por fim, tornou-se um livro técnico, a ser lançado em 30 de junho deste ano. Falo sobre isso ao final deste artigo.

Mas não criamos a Ambientologia

Trabalhei com Fernando Botafogo na consultoria de projetos, em várias empresas, desde 1972. Junto com nossas famílias, pudemos construir uma sólida amizade. A meu ver, tornou-se o irmão mais velho, dono de criatividade profissional que a todos impressionava.

Por volta de 1990, estava em sua casa de pescador, na lagoa de Araruama, quando iniciamos uma conversa sobre as inúmeras “logias” que os estudos ambientais requerem para serem elaborados, tais como: climatologia, hidrologia, geologia, geomorfologia, pedologia, ecologia, limnologia, fitossociologia, sociologia, arqueologia e assim por diante.

Sem assumir compromissos, nossa ideia era pensar sobre a possibilidade de existir uma ciência que fosse capaz de reunir o conhecimento de todas as Ciências do Ambiente. E foi entre areia, sal e as conchas secas da lagoa, que Botafogo encerrou a conversa:

─ “Ricardo, haveria de ser uma ciência imensa. Raciocine comigo: para uma equipe de 40 pessoas, só no curso da graduação os alunos teriam de estudar durante 160 anos! De toda forma, sugiro que tenha como títuloAmbientologia’. É justo para que essa inteligência tão desejada seja elaborada um dia. Todavia, preste atenção: que eu saiba, ainda não é possível desenvolve-la”.

Pensei nessas palavras durante mais de uma década. Concordei que 40 cursos de graduação demandariam, no mínimo, 160 anos para serem concluídos. Além disso, sem considerar o tempo de vida médio do ser humano (estimado em 79 anos), creio que são raros aqueles dotados de capacidade cognitiva para absorver tanta ciência. E mais raros ainda, se é que existam, os que conseguiriam integra-las em uma única ciência ambiental.

Até onde consegui chegar

De toda forma, segui a trabalhar no desenvolvimento de metodologias para aplicação no setor ambiental. Desejava oferecer a meus clientes novas soluções práticas, de preferência menos custosas e mais rápidas em gerar resultados.

Mas somente em 2012 notei que já houvera elaborado uma boa quantidade de abordagens teóricas e as aplicara com sucesso no mercado consultivo (Brasil, Chile, EUA, Espanha e Itália). Entendi que podia ser boa hora para publicá-las em um livro.

Assim, perguntei a Antônio Carlos Beaumord, um velho amigo dos anos 80 – então com título de “Doctor of Philosophy in Ecology, Evolution and Marine Biology” –, o que deveria fazer para conseguir uma editora que publicasse meu livro. A obra tinha 737 páginas de papel A4, organizadas em 18 capítulos.

A princípio, Beaumord me disse que seria mais fácil verter o livro para o inglês e publica-lo na Califórnia! Lá ele tinha diversos parceiros acadêmicos, que conhecera durante o doutorado. Nos Estados Unidos é normal que um professor se disponha a auxiliar na 1ª edição de bons livros técnicos, disse-me ele.

Porém, após ler os manuscritos, concluiu que tanto a envergadura do trabalho, a profundidade da narrativa, o nível de detalhes no tratamento das metodologias, os estudos de caso reais apresentados, bem como a qualidade pedagógica, dotavam o livro do mérito necessário para ser publicado:

─ “Sem dúvida, trata-se de trabalho que pode se tornar livro texto em cursos superiores sobre a Gestão do Ambiente e da Sustentabilidade. Atende aos preceitos da Academia, seja a brasileira ou a norte-americana”, ponderou o Professor Beaumord.

Edição e publicação do livro

Mas foi através da iniciativa do Professor Padilha, então membro do Centro de Conhecimento em Exatas e Engenharias da UESA, que a possível edição de meu livro teve início em 7 de novembro de 2013. A Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos, a pedido do “Mestre Padilha”, recebeu-me para uma conversa acerca das finalidades de meu manuscrito.

A Diretora Editorial da LTC, Professora Carla Nery, conduziu a reunião. Recordo-me que me foi solicitado responder ao “Formulário para Proposição de Obra“. Conforme acordado, junto com o formulário preenchido, enviei informações complementares: meu currículo profissional, a visão do mercado potencial do livro, a análise de pontos fortes e fracos da obra, das ameaças e oportunidades potenciais previsíveis, as formas de solução, etc.

Em 28 de janeiro de 2014 recebi a grata notícia de ter meu trabalho aprovado para publicação pela Editora LTC. Surpreendeu-me. Sim, por que nunca passara por um processo editorial analítico daquela qualidade, com tantas exigências. Por fim, pelo fato de editar e publicar no Brasil, com elevado padrão de excelência, sem arcar com qualquer custo.

Enviei à editora os originais do livro ao longo do mês de março de 2014. Cumpri com todos os padrões e a sequência editorial por ela estabelecidos: caderno-zero; 18 capítulos; e caderno pós-texto. Desde então mantenho contato com as coordenações que trabalham no processo de produção do livro. A primeira previsão de lançamento da obra ficou para trás, em setembro de 2014. A segunda, não aconteceu como prevista, em março passado. A terceira, que deve finalmente ser cumprida, soube que está garantida para 30 de junho de 2015!

E este será meu próximo livro: “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos. 650 pg. 1ª Edição”.

Após 42 anos de trabalho na consultoria de estudos e projetos, enfim descobri que a Ambientologia, como apelidada por Fernando Botafogo, não é uma ciência ambiental em si, tal as demais. Mas é uma sólida teoria, capaz de gerir a aplicação simultânea de todas as Ciências do Ambiente. Quatro anos de estudo dedicado são mais do que suficientes para seu pleno aprendizado.

……….

[1] Ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (ar, água, solo, flora, fauna e homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como devem ser analisados segundo seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

[2] Quero destacar um fato que considero de expressiva importância. Nos idos dos anos 60, 70, 80 e 90, século passado, projetos executivos eram desenvolvidos por empresas de engenharia consultiva. As empreiteiras se limitavam a construir e não “obravam” sem eles. O Brasil ainda operava como os países mais preparados para o desenvolvimento da “engenharia de precisão”.

Boas Festas!


É o que se deseja aos Fatores Ambientais que realizam o Ambiente da Terra!

Que todos mantenham relações saudáveis, estáveis, com trocas espontâneas de matéria e energia! Que o Ar seja temperado e úmido; que não evapore Água em excesso. Que a Flora seja exuberante, umedeça o Solo e nutra-o pela decomposição de seus antepassados.

Neste voto de utopia é evidente que também estão inclusos a Fauna e o Homem, com todas as prerrogativas que merecem os seres destes fatores. Boas festas para todos, em igualdade de condições existenciais.

Dentre os homens, inclusive para aqueles dos quais se aguarda a regeneração de atitude, boas festas também! Não que sejam totalmente pervertidos, em absoluto. Afinal, que se saiba, nenhum se encontra perdido.

Entretanto, caminham por uma órbita estreita e particular, que não recebe a energia do Sol. Energia que é a catalisadora da evolução de tudo e todos. Para estes, espera-se que mudem de órbita e realizem apenas relações honestas e prósperas para os demais fatores ambientais.

De toda forma, chega de degeneração moral! Mesmo assim, deseja-se uma nova órbita para os corrompidos!

Nascer do Sol sobre o Ambiente da Amazônia

Nascer do Sol sobre o Ambiente da Amazônia

O Ambiente não possui intenções, independente do Homem intencional que dele é a sexta parte. Também não reflete emoções, pois não se importa com a emoção de seus seres vivos. Para Ele não existem festas ou contagem do tempo. Em suma, no Ambiente não há hipocrisia. Por isso, Ele às vezes aparece ao Homem intencional como um mistério implacável!

A ser assim, a equipe de Sobre o Ambiente deseja Boa Sorte aos fatores ambientais que realizam o Ambiente!

Aurora de 2015, vista da Janela da Mantiqueira – por Lino Matheus

Aurora de 2015, vista da Janela da Mantiqueira – por Lino Matheus

O ambiente na cidade


Surge novo mercado de trabalho.

1. Sumário da sátira – Brasil

Um enxame de abelhas é mais prudente do que seu similar humano: o enxame de sapiens, que acredita ser inteligente. As abelhas constroem suas residências, seu espaço domiciliar, sem impacto adverso sobre o Ambiente. Aliás, para ser exato, a ele se integram e quase desaparecem aos olhos dos menos treinados. Ferrões ardentes que o digam.

Por sua vez, nós humanos, pelo menos há dois séculos, construímos espaços procedendo justamente ao contrário: antes, devastamos o Ambiente para construir sobre “áreas mais limpas”; depois, já com as construções finalizadas, salpicamos alguns canteiros verdes, iluminações radiantes e aplicamos filas organizadas de árvores exóticas.

Por fim, certos de haver cumprido com algum tipo de dever, cravamos ao lado do portão de entrada do estande grandes cartazes incandescentes. O alvo é vender “Salas Espetaculares para seu Negócio. Invista aqui!

Parecemos “santos pagãos” tentando criar uma evolução que somente é própria da natureza. Talvez nunca tenhamos percebido que somos somente uma das partes ordinárias do Ambiente, tal como insetos e outras da fauna.

2. Sumário da realidade – Mundo

Em algumas cidades históricas do mundo o uso e a ocupação de seu solo ocorreu, digamos, sob a égide do cartesianismo, mesmo antes de Descartes nascer. Basicamente construíam uma praça, talvez como uma reverência espiritual a seu fundador ou colonizador, e com vistas a atender o crescimento populacional. Pois dela podem derivar diversas vias, a cortar o Ambiente primitivo que as circundam. Eram chamadas de “Cidades em Estrela”.

Com ou sem praça, castelos ou igrejas redentoras, também era comum iniciar a ocupação pelas margens de um rio, para ter acesso à água doce. Roma, Paris, Londres, Lisboa e, posteriormente, Nova York, apresentam pelo menos uma dessas duas características [1].

Na construção das cidades fica nítido que o Homem tenciona exercer Domínio sobre o Ambiente. Mas só aplica o processo que se adéqua a seus instintos dominantes. Em suma, sua ação básica é retirar toda a vegetação, nivelar o solo (terraplenar) e, sempre que necessário, desmontar as rochas que obstaculizem o crescimento da urbe. Depois constroem, destroem e reconstroem.

Esse processo ocorre com frequência nas maiores cidades do planeta, há pelo menos dois mil anos. Todavia, de forma paradoxal, enquanto forem mantidos os instintos humanos devastadores, a intensidade dos impactos ambientais negativos decorrentes crescerá, função da evolução tecnológica das modernas máquinas e potentes equipamentos construtivos.

Assim, não sobra Ambiente dentro da urbe. As cidades perdem a capacidade de acolher qualquer tipo de vida, inclusive a humana.

3. Tentativa vencedora

Tem-se conhecimento de profissionais que se dedicam a sanear corpos d’água e criar parques dentro de cidades consolidadas. É um desafio autoimposto por arquitetos, ecólogos, biólogos e voluntários em geral, visando a reintroduzir o Ambiente que fora riscado de seus mapas urbanos.

Essa iniciativa já ocorre em Nova York e Paris. Mas não é pioneira, pois o Central Park, na ilha de Manhattan, é obra feita por engenheiros e inaugurada em 1857. Hoje conta com cerca de 340 hectares de área verde e lagos, a receber manutenção permanente e de qualidade.

Vista aérea do Central Park

Vista aérea do Central Park

Na cidade de Nova York os próprios cidadãos são voluntários em atividades de limpeza de rios, recolhimento de detritos em corpos d’água, criação de hortas comunitárias, criação de jardins suspensos em edifícios, etc.

A monitoração da abundância e diversidade da fauna urbana é realizada em Nova York e já demonstra que o retorno de boas lascas do Ambiente primitivo aumenta a qualidade de vida de animais silvestres, turistas e cidadãos nova-iorquinos.

Mas o caso de Paris é mais complexo, pois praticamente não há áreas disponíveis para esverdear a cidade. Os profissionais envolvidos são obrigados a limitarem-se a áreas estreitas da margem de rios, a praças e bulevares mais amplos.

Vista aérea de Paris

Vista aérea de Paris

No entanto, a eterna teimosia francesa prossegue. O grito cidadão de guerra é sempre do seguinte gênero: ─ “Façamos o máximo pelo Ambiente da metrópole; mas vamos impedir, não importa a que custo, que o solo do entorno de Paris continue a ser tratado de forma desastrada!”

Porém, vale recordar que esta atitude possui passado histórico – a cidadania francesa –, conforme brada seu hino revolucionário: “Aux armes, citoyens!

4. Tentativa derrotada

Embora haja nascido do magnífico traço do urbanista Lucio Costa, Brasília foi mal executada em suas obras. Ou melhor, pessimamente executada! Considerando sua juventude como cidade, os donos dos obreiros então contratados – empreiteiros e seus capatazes – foram incapazes de assentar a cidade no Ambiente nativo que lá existia. Muito ao contrário, deformaram-no para receber as obras previstas.

Sem entrar no mérito dos efeitos nacionais perversos causados por “levar o desenvolvimento para o centro-oeste” dessa maneira, tornando a capital nacional distante da maioria das principais cidades brasileiras, Brasília parece ter sido pensada apenas para ser o sítio da absoluta distopia [2].

A tática utilizada em sua construção, graças à enorme pressa em construir a cidadela, foi a do “desbravamento com terra arrasada”. Quando tiveram a rara oportunidade de erguer uma verdadeira cidade, que se integrasse ao Ambiente que a recebia, optaram por esquecê-lo debaixo de tratores e joga-lo em lixões pela ação de pás-carregadeiras.

Por uma questão de princípio, era essencial garantir a convivência estável entre Brasília e o bioma Cerrado ocorrente na região, com suas belas formações florestais, savânicas e campestres.

Para finalizar a derrota, há períodos mais secos do ano em que a umidade relativa do ar chega a 12% ou pouco mais, o que demonstra o caráter desértico que a cidade desmatada possui.

5. Novo mercado de trabalho

Com as ações já realizadas pela iniciativa privada, através de profissionais norte-americanos e franceses, há sinais concretos de que um novo mercado de trabalho está a se abrir. Tratam-se de atividades destinadas a “reambientalizar cidades”, como instrumento essencial da Governança do Ambiente – artigo já publicado neste blog.

O alvo final dessas atividades é conseguir recriar, gerir e manter a qualidade ambiental dos espaços urbanos, ou seja, minimizar os potentes retroimpactos adversos do Ambiente sobre as cidades e seus cidadãos.

Pode-se garantir que os resultados da reambientalização de cidades são factíveis, desde que bem planejados em suas atividades de campo e contem com equipes de especialistas dedicadas, além de muitos voluntários. Que mais não seja, aguardem. Pretende-se publicar um artigo mais detalhado sobre “Como reambientalizar cidades”.

……….

[1] Há outras variáveis relevantes que afetam o processo de uso e ocupação do solo, mas não são relevantes para a argumentação deste artigo.

[2] Inaugurada em 21 de abril de 1960, com apenas 54 anos de idade, Brasília possui uma história política bastante ficcional. Senão, vejamos:

  • Seu pensador e fundador lá permaneceu a governar o país por menos de um ano.
  • É sucedido por um demente eleito pelo povo, que renunciou ao cargo em somente sete meses.
  • Tomou posse um ser imbuído de transformar o Brasil através do socialismo-sindical, que logo foi cassado por uma ação civil-militar.
  • Brasília tornou-se palco de ditadura durante 21 anos, de 1964 até 1985.
  • Morre em 1985, antes de tomar posse, o Presidente eleito pelo Parlamento – Tancredo Neves.
  • Assume democraticamente seu vice-presidente, um vigarista que comete inúmeros desvarios econômicos durante cinco anos e desagua o país num buraco-negro.
  • É sucedido pelo demente-mor, que completa os desvarios já cometidos e em dois anos é obrigado a renunciar para não sofrer impeachment. Outro vigarista.
  • Passados 32 anos da data da fundação de Brasília, assume a Presidência o primeiro brasileiro disposto a salvar o país da bancarrota, o que alcança às duras penas – Itamar Franco.
  • Tem-se oito anos de um novo Presidente, que mantém o país rumo à credibilidade internacional, o que também consegue, apesar da forte oposição delinquente.
  • A partir de 2003, durante os oito anos de um governante mentiroso e apedeuta, Brasília torna-se palco da corrupção generalizada, a ampliar programas sociais de caráter populista e eleitoreiro.
  • Em 2010, ao completar 50 anos, Brasília torna-se um antro de desgoverno e corrupção desvairada, que foram semeadas pelo apedeuta. O país retorna ao século 19, com a assinatura da “Lei da abolição da moral e da ética”.

É esse o cenário dos 54 anos de Brasília, que a demonstra ser uma distopia político-partidária, teatro de péssima ficção terrorista.

Não vou trocar de óculos


Por Ricardo Kohn, Escritor e Consultor em Gestão.

Diversas abordagens teóricas das Ciências do Ambiente pedem (quase imploram) para serem levadas aos educandos de maneira diversa da que tem sido tradicionalmente adotada.

Não há dúvida que a tradição universitária conseguiu alcançar um nível magnífico para seus cursos: salas de aula confortáveis, uso de notebooks por alunos, auditório para palestras de especialistas, seminários, coffee-breaks, slides de alta qualidade e belos vídeos projetados em telões. É bem verdade que esse é o cenário de pouquíssimas universidades brasileiras, mas a tendência é que seja replicado por mais Escolas.

Todavia, de forma mais específica, a teoria relativa à Gestão do Ambiente necessita de algo além do que essa excelente prática acadêmica é capaz de ensinar. É sobre essa afirmação que ofereço uma proposta.

Evolução

Em passado não muito remoto, as salas de aula só dispunham de quadro-negro, punhados de gizes coloridos e, no limite da tecnologia, um retroprojetor rotativo. Era uma engenhoca mecânica que, para funcionar direito, exigia a “cerrada marcação do mestre sobre a máquina”. A educação superior apresentava um quadro meio bizarro.

No entanto, até fins da década de 1970, quando ainda não existiam tecnologias capazes de dar suporte às aulas – similares às atuais –, a inventiva criava a ação. Por livre opção, visando a oferecer mais realidade às suas turmas, alguns “mestres especiais”, de forma espontânea e abnegada, conduziam seus educandos para investigar in loco, no campo, o objeto de estudo que antes fora debatido em sala. E olhem bem, davam aulas de graduação em administração, engenharia e arquitetura. Imaginem o que fariam com a Gestão do Ambiente?

"Sala de aula no campo"

“Sala de aula no campo”

Faço uma analogia ao deduzir que a educação universitária brasileira parece “jogar na retranca”. Pois, ainda hoje, subutiliza métodos educacionais conhecidos, esquecendo-se de transferir para o presente algumas das suas melhores práticas do ensino, criadas e aplicadas no passado.

Motivação

Não obstante a evolução de métodos e práticas de ensino, hoje capazes de produzir aulas presenciais magníficas, nelas, o Ambiente, foco principal do interesse dos alunos da Gestão do Ambiente, tem sido um “protótipo invisível”, uma abstração que, embora esteja carregada de tecnologia, somente traz cheiro de ar condicionado.

Não há terra molhada por perto, não se escuta o farfalhar das corredeiras, não há brisa, nem piado de pássaros. Os conceitos recebidos em sala não são vistos pelos alunos como coisas concretas! Assim, mestres e alunos mais parecem leões famintos trancafiados em jaulas. Falta-lhes espaço para a criatividade, pois necessitam de campos abertos.

Faltam alunos com disposição de aprender?

Faltam alunos com disposição de aprender?

Dizem alguns cientistas da teoria do conhecimento que tudo no Ambiente deve ser interpretado a partir da posição em que se encontrar o observador que o visualiza e da qualidade das lentes que se estiver portando. Em suma, trata-se de uma questão de perspectiva, para obter a capacidade de observa-lo em seus melhores detalhes.

Por analogia, quando se vai ao teatro, em tese é possível escolher a localização para assistir à peça: galeria, plateia, balcões, frisas, camarotes, etc. De cada posição selecionada tem-se uma perspectiva própria.  Os mais devotados a essa arte chegam a portar pequenos binóculos para aproximar o palco e assistir à peça em detalhes (herdei um deles de minha avó). Assim, ainda que eles próprios não saibam, confirmam, através de atos inconscientes, a experiência dos velhos gregos que fundaram a teoria do conhecimento – os epistemólogos.

Voltando à realidade, o mesmo pode ocorrer nas salas de aula. O ator principal é o “mestre” e a plateia são seus educandos. Porém, nas salas há limites severos: são menores e fechadas e, embora tenham janelas, ninguém ousa abri-las. Querem manter os efeitos do gélido ar condicionado em seu restrito ambiente.

Dúvidas e esclarecimentos

Seguindo a linha de raciocínio de epistemólogos atuais, antes de tudo é necessário encontrar a melhor posição para observar o Ambiente. Assim torna-se possível aprender algo acerca da dinâmica dos ecossistemas que o compõem, bem como conhecer os agentes e vetores que promovem sua permanente transformação.

Decerto, a melhor posição para obter esses conhecimentos não se encontra no interior de um prédio urbano, mas fora dele. Na verdade, encontra-se no interior do próprio Ambiente que se deseja conhecer. Em minha experiência foi importante “senti-lo na própria pele”, vivenciá-lo em sua performance, acompanhar de perto sua dinâmica. Diria mesmo, sentir seu cheiro real e o de suas comunidades naturais.

Mas ainda resta saber como identificar a lente de qualidade adequada, ou seja, a teoria ambiental através da qual é possível enxergar e detalhar o Ambiente que se deseja conhecer: o primitivo, o rural e o urbano. O setor da educação acredita piamente que existem muitas. Mas, francamente, discordo dessa posição e posso explicar o motivo.

Na área das ciências humanas e sociais a maioria das instituições públicas brasileiras ainda acredita que os “preceitos legais” devam determinar o que pode ser Teoria e Ciência. Na área das Ciências do Ambiente essa espécie de aberração existe há décadas e permanece a ser intensificada neste século.

Creio que, por mera questão lógica, deva ser exatamente o contrário: especialistas, teóricos, cientistas e pesquisadores independentes precisam propor as leis ambientais que, depois de muito debatidas, poderão ser acatadas pelo Parlamento do país. Nada me parece mais óbvio do que isso.

Curso Sobre o Ambiente

A partir dos argumentos apresentados decidi divulgar uma ideia que tenho há algum tempo, qual seja: realizar cursos Sobre o Ambiente com mais ênfase nas atividades de campo. Por exemplo, o professor apresentaria a teoria do tema em sala de aula durante 50% do tempo do curso. A outra metade seria realizada em campo, com os alunos aplicando, testando e vivenciando a teoria recebida. É lógico que a presença do “mestre” é essencial.

Claro que há questões de logística a serem superadas nesse processo. Mas nada que um bom planejamento não resolva.

Acredito que os resultados dessa prática beneficiarão a todos, alunos e professores. O velho chavão “a teoria é diferente na prática” seria anulado. Daria lugar a uma postura bem mais razoável e produtiva: “a melhor prática sempre resulta da teoria bem aplicada”.

Escolas de engenharia de minas, biologia, engenharia florestal, geologia ou agronomia, dentre outras, têm tudo para tornar mais concreta essa postura universitária.

Entretanto, instituições de ensino superior brasileiras ainda não oferecem uma grade de cursos ambientais com esse formato. Porém, há uma boa demanda, pois muitos brasileiros já frequentaram cursos desse gênero em escolas canadenses, europeias e norte-americanas.

Não pretendo trocar as lentes do meu óculos. Foi através delas que creio haver aprendido a me posicionar no Ambiente. Por isso acho que um projeto-piloto de curso intensivo, com características de sala e campo, deva ser testado por uma universidade brasileira ou mesmo por uma empresa de treinamento. Embora já esteja conversando com universidades, coloco-me à disposição para discutir essa ideia.

Vereda em mata de restinga

Vereda em mata de restinga

Enfim, saiu “A Arte da Sustentabilidade”!


E-book, em formato digital: técnico, fundamentado, útil para o aprendizado de metodologias ambientais, fácil de ser aplicado e com preço baixo no lançamento.

Precisei de três anos para redigir este livro. Desejava que fosse uma espécie de Romance para a Educação Técnica, acessível a universitários que desejam ingressar na Consultoria Ambiental.

No entanto, aos poucos fui verificando que o interesse nas questões do Ambiente cresce de maneira fantástica em todo o mundo. Assim, conclui que deveria ampliar os temas tratados no texto, sensibilizando uma boa gama de atores variados: professores e estudantes universitários; executivos de empresas; gestores de ambiente, segurança e saúde; consultores ambientais e de engenharia; especialistas ambientais; profissionais liberais de diversas áreas; e analistas ambientais de instituições públicas e estatais.

É percorrendo estradas sinuosas e íngremes que se criam sonhos

É percorrendo estradas sinuosas, áridas e íngremes que são encontrados os sonhos e as ideias – Estradas de los Caracoles, Chile.

Contudo, manteve-se com forte traço de Romance Técnico e um tanto autobiográfico. Despendi mais outros três anos a revisar o texto dos 18 capítulos – eram mais de 700 páginas A4. Em suma, dispus-me a ficar focado por longos 6 anos na Arte da Sustentabilidade.

Durante as revisões descobri alguns enganos de lógica e acredito havê-los corrigido. Entretanto, decerto escaparam erros de digitação nas 223.184 palavras contidas no texto. Embora isto não afete seu entendimento e a aplicação das 24 metodologias nele constantes, agradeço desde já aos leitores que nos enviarem as páginas onde encontrarem enganos.

Para os interessados em conhecer mais detalhes e até mesmo adquirirem um exemplar deste e-book, visitem o site www.kohn.eco.br e conheçam alguns detalhes. Para tranquilidade de todos, sua aquisição on line é totalmente segura.

Agradeço aos amigos que compartilharem esta notícia em suas redes sociais. Em tempo, votem nas “estrelinhas” da notícia.

Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Celular comercial: +55 21 9693-6147
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Fixo residencial: +55 21 2547-1174.

Don’t Let it Die


Hurricane e Don’t Let it Die

Essa música do início da década de 1970 foi uma composição maravilhosa que Norman “Hurricane” Smith, nascido em 1923, ajudou a compor e a lançou. Mas antes, apresentamos um pouco de sua biografia, para que fiquem registradas algumas de sua importantes contribuições à música moderna do Reino Unido.

Norman foi músico e produtor musical, tendo trabalhado como engenheiro de som das gravações dos Beatles até 1965, quando foi lançado o álbum Rubber Soul.

No início de 1967, começou a trabalhar com uma nova banda, Pink Floyd, produzindo seus primeiros três álbuns de estúdio. Em 1968, produziu um dos primeiros álbuns de rock, The Pretty Things: SF Sorrow.

Por fim, em 1971, Smith, usando seu pseudônimo Hurricane Smith, lançou a canção Don’t Let It Die, no Reino Unido, principal motivo desta postagem que consideramos um achado ambiental, da era em que, segundo dizem, o planeta “ainda não tinha ambiente”, mas que alguns fenômenos musicais conseguiram prever e cantar.

Hurricane ‘Norman’ Smith

Observem a interpretação desta melodia, gravada em 1971: Don’t Let it Die. É magnífica, suave e sutil, fruto de muita observação do ambiente e de uma mente quase profética.

Em 1972, sua música atravessou o Atlântico com o sucesso de Oh Babe What Would You Say, ficando em primeiro lugar nas paradas norte-americanas. Também gravou Who Was It?, que foi um grande sucesso de Gilbert O’Sullivan.

Norman faleceu em 2008, deixando grandes recordações de sua sensibilidade, musical e humana.

Os aquíferos brasileiros e a geopolítica mundial


Por Renato Eduardo F. de Medeiros, em 26/05/2010.

É membro do Programa de Educação em Relações Internacionais da Universidade de Brasília e do Laboratório de Análise de Relações Internacionais. Nota: as fotos foram aplicadas pelo site, não acompanhavam o artigo.

Neste mês de maio [2010], foi anunciada a descoberta de um enorme aquífero na região amazônica. Trata-se do “Aquífero Álter do Chão”, que, em realidade, já era conhecido por cientistas e pesquisadores, embora a recente descoberta esteja relacionada à quantidade de água existente no local. Segundo dados publicados, a disponibilidade desse Aquífero, localizado inteiramente em território brasileiro – abrange parte dos estados do Amazonas, do Pará e do Amapá –, é de 86 mil km³ de água doce. Até então, o Sistema Aquífero Guarani era tido como o maior reservatório de água doce subterrânea na região, e uma das maiores do planeta. Tal descoberta consolida definitivamente a posição do Brasil como maior reservatório de água potável do mundo. Quais seriam as implicações desse aspecto nas relações internacionais contemporâneas?

Águas que emergem do Aquífero Álter do Chão

Sabe-se que diversas áreas do planeta sofrem pela escassez de água, o que tem suscitado conflitos. Um caso exemplificativo seria aquele entre Índia e Paquistão, que, embora não seja a causa primordial dos embates entre esses países, levou-os à assinatura do Tratado da Bacia do Indo, ainda na década de 1960. Recentemente, projetos de construção de barragens por ambas as partes têm causado fortes protestos dos governos indiano e paquistanês. A presença da China como financiadora dos projetos no Paquistão surge como agravante, na medida em que a Índia não vê de forma positiva a ação dos chineses, que, entre outras variáveis, conflitam com os indianos pela posse do estado de Arunachal Pradesh, reconhecido pela China como parte do Tibet. Tensões a mais entre países, que já convivem conflituosamente, só vêm a agravar a situação. É importante observar que, após os ataques terroristas em 2008, realizados por paquistaneses, o governo indiano não descarta a possibilidade de resposta armada em forma de hot pursuit. A Bacia do Nilo é outro caso de conflitos que podem ocorrer em decorrência da falta de água, assim como a guerra civil no Sudão, que, não obstante seu alegado caráter religioso, é clara a intensão de ocupação de áreas ricas em água e petróleo.

Estudo feito pelo Dr. Peter H. Gleik, chamado “Water Conflicts Chronology”, publicado em 2008, aponta os embates causados pela disputa por recursos hídricos desde a antiguidade. Nesse trabalho, é importante mencionar a participação dos Estados Unidos em vários conflitos, geralmente de forma indireta, mas como evidência de que esta potência também sofre com a falta de recursos hídricos. Nesse sentido, Dupas e Oliveira apontam para a já evidente insuficiência de água de superfície não poluída para atender as necessidades da população norte-americana (Ayerbe; 2009). Por outro lado, estudos feitos no âmbito da U.S. Air Force, também citados por Dupas e Oliveira, afirmam que há uma redefinição em curso por parte da doutrina militar estadunidense, no sentido de que a atual luta contra o terrorismo deverá passar, progressivamente, para um novo conceito de segurança sustentável.

Diante do exposto, cabe refletir a respeito da presença militar norte-americana na América do Sul. A recente ampliação do acordo militar com a Colômbia, assim como a instalação de uma base no Paraguai, devem ser vistas com cautela. Naturalmente, não se trata aqui de afirmar que os Estados Unidos estão formando um cinturão militar ao redor do Brasil, semelhante ao que possuem na Ásia ou na Europa.

Trata-se, sim, de analisar criticamente as ações levadas a cabo pelo governo brasileiro para enfrentar um possível cenário de escassez global de água, o qual, ressalte-se, já é plausível em diversas partes do planeta. As atitudes norte-americanas em relação à obtenção de recursos que lhe são escassos são conhecidas pela comunidade internacional, e devem ser vistas sempre por suas várias faces, na medida em que o objetivo primordial de um Estado, principalmente em situação crítica, é sua sobrevivência, aspecto muito caro no que concerne aos Estados Unidos.

Pesquisas no aquífero paradas por falta $$$

No caso do Aquífero Guarani, por este abranger uma área comum a diversos países – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai –, é imprescindível e urgente a formação de um regime internacional que regule sua exploração e sua conservação, que será igualmente essencial para fazer frente – de forma conjunta, sem causar embates entre os países do Cone Sul –, a eventuais ameaças externas ao uso e à exploração dos recursos hídricos dessa área. Nesse contexto, alguns avanços têm sido alcançados com a criação de uma iniciativa conjunta de mapeamento da região, com vistas à formação de um projeto de exploração entre os países que o Aquífero abrange. Outrossim, cabe mencionar a criação de uma comissão interna a um dos departamentos do Ministério de Relações exteriores para tratamento do tema Aquífero Guarani.

No que concerne ao Aquífero Álter do Chão (…), por se tratar de área de soberania plena brasileira, não necessita de mecanismos de concertação internacional para sua gestão. Necessárias fazem-se, antes, ações contundentes visando à conservação e exploração sustentável dessa zona, de modo que a presença do governo e das forças armadas garanta essa plena soberania, posta em xeque pela presença de ONGs que atuam na região, muitas vezes disfarçadas de boas intenções, mas que, em realidade, guardam interesses externos que conflitam com os reais interesses brasileiros.

Nesse contexto, pode-se afirmar que esses reservatórios possuem não só características físicas diferenciadas, mas, também, apresentam características políticas distintas, as quais devem nortear seu tratamento. Com isso, iniciativas em nenhum dos lados devem ser dispensadas; que ambos aquíferos sejam tratados com a urgência que cerca o tema dos recursos hídricos, de modo que a inércia governamental não venha a favorecer ações privadas de terceiros interessados em sua exploração.

O que se observa, portanto, é que o crescente protagonismo do Brasil em âmbito externo vem demandando, progressivamente, maiores responsabilidades por parte do governo, o que é intensificado diante da amplitude de recursos, principalmente naturais, sendo alguns destes tidos como primordiais para a sobrevivência da humanidade em futuro não muito distante. Nesse sentido, as iniciativas de reaparelhamento de materiais bélicos das Forças Armadas Brasileiras devem ser vistas como benéficas para a nação, e não como aspecto que se contrapõe à segurança pública. Por ser um tema de suma importância, a participação militar, conjuntamente com a diplomacia e os demais aparatos estatais a serem aplicados nesse contexto, não deve ser dispensada, e deve, sim, assumir maior protagonismo em relação à defesa, tanto das instituições, como dos recursos ambientais brasileiros.

Bibliografia consultada

Ativistas ecológicos


Noite fria e nós curando a ressaca à beira da lareira. Decidimos descobrir um filme interessante para assistir. Viramos todos os canais a cabo e acabamos encontrando uma curiosa sinopse que dizia assim:

Ao investigar o desaparecimento de ativistas ecológicos, repórter descobre uma ligação entre uma companhia de energia e uma sucessão de terremotos”.

Era um tanto difícil de compreender o significado desse texto, mas a curiosidade foi de todos e resolvemos pagar para ver.

Ativistas discutindo os resultados dos terremotos

Não há dúvida que o responsável pela redação da sinopse fez a interpretação mais forte que podia, visando a aumentar a audiência do canal. Tal qual faziam jornais impressos de menor expressão, que colocavam na primeira página manchetes para aumentar suas vendas: “cachorro fez mal à moça!”.

Em primeiro lugar é necessário entender o que o autor da sinopse pretendia dizer com “ligação entre uma companhia de energia a uma sucessão de terremotos”. Para qualquer ecólogo que leia esta frase o entendimento imediato é de que não existem empresas de energia que possuam ligações com sucessão de terremotos! Há que existir uma série de fatos e acontecimentos aleatórios e independentes para que haja qualquer relação entre “empresa de energia e sucessão de terremotos”.

Depois de muito discutir, sem assistir ao dito filme, chegou-se à conclusão de que seria provável que o “sinopcista” estivesse tentando falar a respeito do “peso da massa de água do lago do reservatório de uma usina hidrelétrica, de propriedade de uma companhia de energia, que realmente pode induzir processos de sismicidade induzida”. De fato, isto pode acontecer, mas a sinopse assim escrita ficaria pouco sensacionalista e outro canal decerto comeria o ibope naquele horário.

Afora a alternativa das usinas hidrelétricas, era necessário considerar que explosões nucleares podem proporcionar a ocorrência de sismos. Mas, certamente, uma companhia de energia não seria a responsável por bombas atômicas.

A nova discussão foi sobre o uso e o significado do termo “ativistas ecológicos”.

Segundo alguns dicionários da língua portuguesa, Ativismo é uma “doutrina que admite alguma oposição entre a ação e os domínios diversos do conhecimento, e que dá primazia à ação, a qual comporta diferentes graus e definições”. Ativismo é sinônimo de militância política. Portanto, ativistas são aqueles chatos que atendem a qualquer doutrina. Mas, por incluir ações com “diferentes graus e definições”, ativistas podem ser militantes políticos, baderneiros, saqueadores ou oposicionistas, dentre outros.

Por sua vez, ecológico significa “pertencente ou relativo à Ecologia[1]”. Há várias definições para Ecologia. Dentre elas, de forma bastante sucinta, “é o estudo das interações dos seres vivos entre si e desses com o ambiente”.

Tentando estabelecer as prováveis relações entre Ativismo e Ecologia e conceituar “ativistas ecológicos”, várias são as possíveis conclusões, quais sejam: militante político em ecologia, baderneiro em ecologia, corrupto com princípios ecológicos, saqueador da ecologia e orador não convidado que só fala da ecologia. Optou-se pela proposta de “profissionais especialistas e civilizados”.

Admitindo que esta era a ideia do “sinopsista” ao utilizar o termo “ativistas ecológicos”, é provável que dentre eles – os ativistas –  houvesse apenas poucos elementos motivadores de movimentos ativos, mas vários profissionais com elevada especialização científica e técnica.

Por exemplo: para impedir a ocorrência de processos de “terremotos induzidos”, ativistas geológicos, representando o papel de ativistas da segurança, efetuam estudos para avaliar a integridade das rochas na área do reservatório e nas suas imediações, de forma a impedir a ocorrência destes eventos. Das rochas precisam conhecer a gênese, a estrutura e suas vulnerabilidades quanto aos diversos tipos de uso. Raros são os casos de sismos induzidos em usinas hidrelétricas, apesar das milhares de usinas existentes no mundo. Não sabemos de um registro de sismo induzido por hidrelétricas no Brasil, verdade seja feita.

Os ativistas da engenharia, por sua vez, com base nos pareceres dos ativistas geológicos, estudam soluções que visam a resolver eventuais fraturas e falhas na rocha e a tentar reduzir o tamanho e o peso dos lagos, aproveitando da melhor forma o potencial hidrelétrico do curso d´água utilizado. Engenheiros também se tornam ativistas ambientais e de segurança.

Os ativistas da arquitetura também são muito importantes. Quando chamados, concebem estruturas visualmente mais leves, com desenho adequado à integração dos equipamentos da usina ao ambiente em que será construída.

Mas muitos outros ativistas (ou profissionais) precisam ser envolvidos em todo o ciclo de vida de um aproveitamento hidrelétrico. Senão vejamos:

  • Na etapa dos estudos para inventário do potencial energético de um dado rio há um grande número de ativistas envolvidos. Basicamente são da engenharia, hidrológicos,  climatológicos, geológicos, ecológicos, biológicos, da demografia, da economia e sociológicos, dentre outros. Todos precisam ser ativistas especializados em estudos desta natureza.
  • O produto final desta etapa é a chamada divisão de quedas do rio, a qual define o número de usinas que serão construídas para melhor explorar o potencial energético do rio. Novamente serão necessários ativistas da engenharia, geológicos, hidrológicos e ecológicos. É importante incluir nesta equipe ativistas de planejamento energético.

Para cada uma das usinas componentes da divisão de queda seguirão as etapas de projeto, de licenciamento ambiental, de obras, de gestão ambiental e de segurança das obras, de comissionamento e de gestão ambiental e de segurança da operação de cada usina.

Para os “ativistas ecológicos” interessam diretamente as etapas referentes ao licenciamento ambiental, gestão ambiental e gestão de segurança. Os estudos e serviços demandados nestas áreas constituem condição legal de existência de toda e qualquer usina hidrelétrica e envolvem muitos “ativistas ecológicos” de diversas formações.

São ativistas da engenharia que caracterizam ambientalmente as usinas, a partir de seus projetos; ativistas de ecossistemas terrestres; ativistas de ecossistemas aquáticos; ativistas de ecossistemas antrópicos; ativistas de planejamento e gestão ambiental; ativistas de planejamento e gestão da segurança operacional, bem como ativistas inesperados, função dos ambientes em que se instalam as usinas.

A profissão de analista ou de gestor ambiental e de segurança é um fato consolidado no Brasil e no mundo. Há que se cuidar de sua integridade e de sua relevância, apesar dos processos ainda altamente burocráticos, lentos e onerosos dos licenciamentos ambientais de novos empreendimentos, sobretudo no Brasil.

Nas universidades, independentemente das finalidades dos cursos de graduação oferecidos, algumas cadeiras relativas a ambiente e segurança deveriam fazer parte do grupo de cadeiras básicas, junto com o português e a matemática. Todos os profissionais precisam ter alguma formação nestas áreas, de forma a melhor aplicar seus conhecimentos específicos no mercado de trabalho.

O autor da sinopse, ativista televisivo, deverá, na próxima oportunidade, desligar seus preconceitos e chamar os denunciadores das alterações indesejáveis ao ambiente de profissionais ambientais e de segurança ou então de ativistas da civilidade. Ficaria menos ruim se a sinopse do filme dissesse: “Ao investigar o desaparecimento de ativistas da civilidade, repórter descobre uma ligação entre uma companhia de energia a uma sucessão de terremotos”.

Em tempo: O filme que assistimos contendo a referida sinopse chamava-se Jogos de Poder e seu enredo nada tem a ver com os termos da descrição apresentada. Não há sucessão de terremotos, nem ativistas ecológicos. O sinopcista, ativista televisivo, decerto não estava com nenhum neurônio ativo no dia em que a escreveu.


[1] “A palavra Ecologia tem origem no grego “oikos“, que significa casa, e “logos“, estudo. Assim, por extensão, seria o estudo da casa, ou de forma mais genérica, estudo do lugar onde se vive. Foi o cientista alemão Ernst Haeckcel, em 1869, quem primeiro usou este termo para designar o estudo das relações entre os seres vivos e o ambiente em que vivem”.

E a selva decidiu se politizar


Selva politizada é algo tenebroso. Imaginem os irracionais querendo “fazer política”. Seria um desastre “selvacional”…

Tudo teve início quando o Dr. Leão afirmou em uma entrevista que já se achava idoso demais para continuar no Governo da Selva. Disse ainda que passaria este encargo a um novo governador.

O consciente Dr. Leão

Esta notícia correu pelas matas, veloz como um rastro incendiado de éter. E também, com a mesma rapidez, o Hiena-Velha soltou brutais gargalhadas para reunir seu Grupo de Amigos. Todavia, o hálito espargido foi tão ácido e mal cheiroso que as árvores à volta de sua clareira-palanque dobraram-se sobre os próprios troncos e secaram totalmente, num lapso de dois segundos. E, olha, eram árvores grandes e seculares, maiores do que os antigos baobás.

A Hiena-Velha e seus jagunços

Enquanto aguardava seus amigos, entre arrotos e risos, mastigava os filhotes das aves que ficaram caídas no chão. Ele se deliciava com os apetitosos petiscos enquanto assistia a seus camaradas e companheiros adentrando à clareira, formando sua grande matilha de hienas.

Na savana, antílopes, zebras, girafas e gnus corriam aterrorizados com o som estridente do Hiena-Velha. Nunca haviam ouvido nada parecido saindo do interior da selva. Por via das dúvidas, até mesmo os jacarés e hipopótamos saíram da lama e mergulharam no rio, mas sempre atentos a todos os ruídos e movimentos à sua volta.

Cidadão assustados, todos em fuga

Acerto particular, sem política

De minha parte, permaneci quietinho, em silêncio e agarrado em meu galho, a mais de 200 metros de distância daquela turma, bem uns 60 metros acima do solo. Pensava comigo, “macaco pequeno ninguém presta atenção”.

De minha parte…

Escutei então o que Hiena-Velha falou a seu Grupo:

─ “Estão pensando o quê?! É agora ou nunca! O Leão tá fora! Pra todos vocês saberem, a partir de hoje eu me emposso o Hiena Máximo! E vou governar tudo e, ou vocês vêm comigo, ou tão ferrados!”. ─ bradava ele, ainda babando o sangue dos filhotes de pássaros.

Foi quando o eterno Hiena-Conselheiro ponderou, em parte tentando mediar a estupidez:

─ “Perdoe-me, Máximo, mas acho que não é assim tão simples como você diz. Vamos ter que nos organizar muito bem para formar o melhor Grupo de Assalto da História da Selva”, afirmou, a ampliar a estupidez.

─ “Claro, concordo! Mas, isso eu deixo pra você, é sua especialidade. Vamos lá, arruma tudo isso ai pra eu podê mandar!”.

Foi nessa oportunidade que o Hiena-Conselheiro organizou o “Comitê das Hienas-Elite”, o qual se dedicou a montar o mais espetacular Grupo de Assalto da História da Selva, para confirmar a estupidez e mais a selvageria.

Eram poucos trabalhando, porém selvagens muito eficientes. Todos preocupados com a frase célebre e ameaçadora proferida por Lorde Hiena-Máximo: “A partir de hoje eu me emposso o Hiena Máximo! E vou governar tudo e, ou vocês vêm comigo, ou tão ferrados!”.

O Conselheiro deu as linhas gerais dos resultados que os Elites tinham que alcançar a qualquer custo ou preço:

─ “Precisamos que nosso Grupo de Assalto seja composto pelos seguintes predadores: um especialista em burlar o Direito da Selva, sem ele nós nos danamos. Um Hiena-Marketing que convença os Ovelhas que nós os amamos e só queremos dar a eles muita comida, para ficarem bem gordinhos e felizes. Um Hiena-Financeiro para comprar líderes e membros dos Grupos que logo se organizarão, em especial o gigantesco Grupo de Porcos Selvagens e seus afiliados menores. Teremos também o Hiena-Internacional, que nunca fará nada. Sua função será justamente desviar os olhares dos Ovelhas, que não conseguirão descobrir o que ele sabe fazer. Por fim, vamos precisar dum Hiena-Assessor, atuando amigado com os líderes do maior número de Grupos Adversários. Vocês me entenderam? Então saiam pela selva e retornem com os nomes que podem fazer parte de nosso querido Grupo de Assalto. O Hiena-Máximo vai decidir quem entra! Eu apenas faço algumas sugestões pra ele…”. 

O chefe dos Porcos Selvagens Esfomeados

O Hiena-Máximo escutava todas as orientações do Conselheiro, mas exclamou raivoso ao final da preleção:

─ “E eu porra! Como é qui eu ganho o ‘meu’?!”.

─ “Calma Máximo”, disse o Conselheiro, “você vai ganhar em tudo, de todos e para sempre, você é o máximo”.

Durante quase duas décadas de desgoverno e rataria (entre1672 e 1680), a Selva atravessou momentos muito difíceis, mesmo depois que o Grupo de Assalto e seus Hienas-Asseclas foi desbaratado. Por sinal, foi catapultado do continente, rumos às terras da Oceania, dentro de uma Arca de Noé movida a remo.

Um jovem Leão assumiu o Governo da Selva, não sem lutar contra uma infinidade de admiradores dos Grupos de Assalto e Grupos de Porcos Selvagens. Não fosse o fato de que muitos Hienas e esfomeados Porcos Selvagens se mataram em diversas oportunidades, diante do Grupo de Ovelhas-Espantados, certamente o domínio da Selva estaria até hoje perpetuado em favor de um Grupo de Assalto dos Hienas.

Para governar a Selva basta um filhote de Leão

De Zé Cochilo (da roça) para seu colega Luiz (da cidade)


De Zé Cochilo para seu colega Luiz. Estudaram juntos na infância…

A carta a seguir, adaptada por Barbosa Melo, foi escrita por Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal, especialista em direito sócio ambiental e empresário, diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF-Ibama, 88-89, detentor do primeiro Prêmio Nacional de Ecologia.

Prezado Luís, quanto tempo.

Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão, por isso o sapato sujava.

Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo… he he he, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luís?

Oi Zé Cochilo correno, sô…

Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro… Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.

Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro duma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.

Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luís?

Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né .) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, os bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?

Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luís? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.

Disseram também que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luís, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.

Depois que o Juca saiu, eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.

Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luís, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?

Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.

Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luís? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.

Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.

Tô preocupado Luís, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.

Eu vou morar ai com vocês, Luís. Mais fique tranquilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom porque pra vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.

Até mais Luís.

Ah, desculpe Luís, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.

Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa a atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.

Sopa de entulho da Rio+20


A sopa de entulho é um prato típico da culinária portuguesa, com origem na região de Estremadura. Entretanto, há muitos brasileiros que garantem serem capazes de fazer a melhor, maior e mais complexa sopa com entulhos, jamais vista na história desse planeta. Achamos que já ouvimos algo parecido algum dia…

Feijão manteiga, ossos de porco, nabos, cenouras, batatas, cacos de abóbora, couve, cebola, cravos, azeite, vinagre e sal, em certas medidas e na sequencia correta, dão como resultado a tal sopa da Estremadura.

Uma sopa com diversos entulhos

Na Itália há uma sopa parecida, conhecida como minestrone, recebe, dentre outras coisas, mais alguns ingredientes: macarrão, carne bovina, frango, paio, salsa, alho e queijo ralado.

Poderíamos falar ainda do “puchero” espanhol (com pedaços de toucinho e grão de bico no lugar do feijão branco) e do cozido brasileiro, mas não são exatamente sopas e já estão nos fazendo sentir fome.

Se juntássemos a sopa de entulho, o minestrone, o puchero e o cozido, regados com azeite à vontade e pimenta baiana forte, não teríamos o Entulho Total da Estremadura, mas uma pálida ideia do que estão sendo as reuniões dos Diálogos da Rio+20.

Sobre os temas dos diálogos, que foram publicamente apresentados em site próprio, há personagens capazes de palestrar e debater, integrando conhecimentos de antropologia, economia, climatologia, sociologia, ecologia, engenharia florestal, arquitetura, biologia, ciência política e outras ciências – que os agradam e também à plateia -, das quais resultam as melhores práticas para o “desenvolvimento sustentável”. Realmente formidável!

O que nos causa alguma dúvida é porque esse périplo de conferências da ONU, iniciado há cerca de 40 anos, somente agora acredita que possui as soluções corretas.

“Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável”

Ficamos pensando como devem estar se sentindo os ministros que abriram estes diálogos, bem como os políticos brasileiros que precisarão estar muito atentos a todos os detalhes, pois haverão de criar leis para atender à melhores práticas já demonstradas na Rio+20. Isso será um trabalho extremamente duro, ao fim do qual haverá parlamentares esparramados pelos vales e montes da Estremadura. Ou em Brasília, se quiserem e quando estiverem passando por lá.

Ou a lei ou a Ciência do Ambiente


Brasil, onde a Lei transgride a Ciência.

Observamos diariamente, em diferenciados meios da mídia, sobretudo a brasileira, várias notícias, entrevistas e debates acerca de novas “leis ambientais”, equivocadamente criadas por legisladores, com a pretensão de obrigar ao Ambiente a proceder de acordo com o que, doravante, fica estabelecido no diário oficial.

Uma vez promulgadas, é dever legal de todos os sistemas ecológicos, de todos os biomas, se adequarem automaticamente a elas. Do contrário, correrão riscos de sofrerem sanções e penas violentas que, no limite, chegam à “pena de morte”, como é o caso do novo código florestal, conforme sancionado pelo executivo.

Mas, não fomos pegos de surpresa pela aprovação do dito código, com vetos e mudanças em alguns parágrafos e alíneas que, em parte, facultavam o direito ao cometimento de crimes ambientais. Na verdade, ficamos muito assustados porque as ciências que explicam o ambiente não foram consultadas em momento algum ao longo desse processo, que vem desde a ideia de “atualizar” o código de 1965, em 2009, já adversamente alterado, até a sua última aprovação pelo congresso, em 2012.

Florestas sem o “auxílio de códigos legais”

Dizem os políticos que isso é fruto da democracia, servida “a la brasileira”. No entanto, nós acreditamos que isso é fruto da estultice, da falta de conhecimentos e da incapacidade de enxergar seus efeitos danosos, em médio e longo prazos, sobretudo para a agricultura.

Não desejamos continuar polemizando, mas apenas marcar claramente nossa posição. Até porque muitos brasileiros acreditam que o país possui a melhor legislação ambiental do planeta (!). Ainda assim, alguns a veem, como nós, uma gigantesca teia emaranhada de controvérsias e de ameaças civis e criminais, por sinal, muitas vezes relegadas a segundo plano pelos próprios legisladores. Quem sabe, em proveito próprio.

Riscos para “Florestas com Códigos Legais” mal feitos

Sobre o Ambiente, com 92 postagens


Observamos novas visitas a postagens passadas desde que aumentamos para 30 (trinta) a lista de postagens recentes. Por isso chamamos a atenção dos mais interessados no conteúdo deste blogue que, além destas trinta, existem mais 62. E é fácil descobri-las. Basta ir no Calendário e selecionar em cada dia os títulos que desejar.
Desde já, ficamos gratos pela atenção.

Benedito-de-Testa-Vermelha


Benedito-de-Testa-Vermelha (Melanerpes cruentatus)

 

Publicado no Facebook por Aves Brasil

Habitat: Matas de terra firme, várzea, igapó, galeria, ribeirinha, clareiras, plantações, ilhas fluviais, à altura da copa.

Característica: O macho tem manchas vermelhas na testa e na barriga, daí ser chamado também de pica-pau-de-barriga-vermelha. Mede 19 cm.

Comportamento: Alimentam-se de frutos e insetos. Fazem ninhos próximos, em troncos de árvores secas, e um ajuda o outro a cuidar dos filhotes. Estão sempre em grupo.

Sobre o Ambiente


Há muito que se discute sobre a origem e as tendências da vida do Planeta Terra e, nele, a vida dos seres, de suas espécies e comunidades. A questão principal que motiva a todos – pessoas em geral, cientistas e pesquisadores – é como estabelecer, na nossa complexa atualidade, quais são os principais elementos que fornecem estabilidade aos ecossistemas terrestres ou que, ao contrário, proporcionam rupturas ambientais em parte destes mesmos ecossistemas. Ou seja, que de alguma forma alteram e impactam a sustentabilidade de seu ambiente.

Há quem diga que os mares e oceanos, ocupando 3/4 da superfície da Terra, são os maiores responsáveis pelas oscilações climáticas permanentes do planeta, pois evaporam, sobretudo em sua faixa tropical, criando nuvens, ventos e chuvas, que irrigam todos os seres vivos.

Há também os que acreditam que as florestas e matas têm o poder de “agasalhar” o planeta, que vem sendo ameaçado com o crescimento incontrolado de suas áreas desertificadas. Alguns desertos decorrem da natural fragilidade de seus solos, bem como do calor e frio que incidem alternada e diariamente sobre eles. Outros, são fruto de desmatamentos e queimadas, conjugados com a “lavagem do solo”, que dissolve seus nutrientes (lixiviação do solo), apagando-os.

O gigantismo das principais metrópoles terráqueas, formando pequenas ilhas de calor, é entendido por alguns estudiosos como responsável pelas tendências do “aquecimento” do ambiente do planeta, sobretudo pela queima de combustíveis fósseis, alimentando com energia as indústrias, os transportes e os domicílios da sua população.

Como pode ser observado, há uma série de opiniões sobre as tendências da vida na Terra. Particularmente, nós acreditamos que essas tendências são explicadas por elementos que se encontram fora do nosso planeta e não em sua superfície. São ciclos externos que incidem sobre sua superfície, Sobre o Ambiente: o Ciclo do Sol e o Ciclo da Lua, este último em menor escala.

Esportes Radicais – Parte 3


Nesta terceira parte seguem alguns exageros cometidos no ar…

Base Jumping e Paraquedismo, em Utah, EUA

Loucuras… Highlining, na Noruega

Highlining, Rio de Janeiro, Brasil

Voando em Boston, Massachusetts, EUA

Parapente, em Moçambique