Abuso da Imoralidade


Ricardo Kohn, Escritor.

Interrompo minha faina literária para abrir uma discussão sobre um fato que considero sórdido: o Congresso Nacional vota uma lei para permitir que parlamentares corruptos punam o que considerarem abuso da autoridade, incluídos nesse contexto promotores, procuradores e juízes federais.

Um dos fatos mais escabrosos desse “projeto de lei” consiste em permitir que réus julguem seus acusadores e juízes, os quais, de acordo com o Estado de Direito, tenham estabelecido suas penas. Outra canalhice parlamentar – não há expressão mais adequada – é punir procuradores e juízes pela interpretação que fizerem do texto legal. Chamam a isso crime de hermenêutica.

A forma com que aceleram no Congresso o projeto de lei do “abuso da autoridade” apenas demonstra que os políticos corruptos e seus apaniguados encontram-se desesperados, diante do sério risco de habitarem penitenciárias por um longo período de tempo. Em minha visão, espero que isso aconteça o mais rápido possível, pois provas da corrupção cometida não faltam.

Não vou me alongar nesse tema. Faço apenas uma proposta objetiva. Creio que já passou a hora de a sociedade brasileira criar um projeto de lei popular: a lei para conter e punir severamente o Abuso da Imoralidade.

Sessão de socos e pontapés no Congresso Nacional

Pelo momento em que se vive


Ricardo Kohn, Escritor.

O mundo está virado de ponta-cabeça. Decisões de mandatários ameaçam o cidadão médio de todas as nações democráticas. Três casos chamam a atenção: a insanidade bélica do líder imprevisível da Coréia do Norte; a máquina de corrupção instalada no Brasil; e a estupidez ofensiva do novo presidente norte-americano.

Sobre o comportamento da Coréia do Norte não há previsões. Seu líder delinquente, além de ter iniciativas próprias, é massa de manobra de países próximos. No entanto, há o que analisar no Brasil e nos Estados Unidos.

Casa Branca, inaugurada a 1º de novembro de 1800

Casa Branca, inaugurada em 1º de novembro de 1800

O norte-americano médio possui um perfil pessoal bem definido: é inocente, acredita no que lhe dizem, dedica-se a fazer o que sabe, é sempre teimoso e produtivo, mas poucas vezes é hábil nas análises que efetua. Entretanto, é ativo na defesa de seus princípios democráticos e libertários.

Acredito que essa imagem espelha bem milhões de americanos. Basta recordar que, em 4 de julho de 1776, durante a Guerra Revolucionária (1775-1781), seus habitantes declararam a independência do jugo britânico e, naquele mesmo instante, tornaram-se uma República Democrática.

O povo americano é pragmático e luta contra qualquer decisão pública que possa submete-lo a cenários de desastre. Ouso dizer que, pela estupidez sequencial de seus recentes atos executivos, Donald Trump não ficará sequer um ano no cargo.

O brasileiro médio também possui seu perfil delineado: é metido a esperto, mente por motivos mesquinhos, crê saber de tudo, é indolente e improdutivo, adora criticar a quem acaba de conhecer. Por isso, está sempre preocupado com a defesa de seus direitos particulares, mas esquece de seus deveres diante da sociedade.

É essa curiosa criatura, filha imberbe da Nova República, que elege os membros dos poderes executivo e legislativo. Creio que há uma estreita ligação com nossa origem colonial e o tempo que o Brasil gastou para tornar-se República Independente: embora “descoberto” em 1500, colonizado durante 389 anos, foi somente em 15 de novembro de 1889 que se tornou uma república: às vezes ditatorial, outras democráticas, mas muitas vezes enredado pelo populismo porco e a corrupção pública organizada.

Palácio do Planalto, inaugurado em 21 de abril de 1960

Palácio do Planalto, inaugurado em 21 de abril de 1960

A única Constituição dos EUA foi ratificada em julho de 1788. Há 229 anos que independência e democracia caminham sólidas e inabaláveis no Estado norte-americano. Por outro lado, a última Carta Magna brasileira foi promulgada em outubro de 1988, dois séculos depois. Nos 36 anos que se seguiram ela não parou de receber “retalhos”, dada a imensidão de seus títulos, artigos e parágrafos, que só promovem controvérsias e conflitos.

O momento em que se vive é muito delicado. Assim como os norte-americanos, precisamos colocar milhões de brasileiros nas ruas, a gritar: ─ Programa Penitenciária para TodosÉ uma ordem!

Choque frontal com o Ambiente


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

A finalidade deste artigo é demonstrar a importância do ambiente estabilizado para todos os seres vivos do planeta, inclusive os humanos; do ambiente  estável versus os impactos que sofre com as atividades que nele são implantadas, as quais tentam ser explicadas como “a adaptação e evolução do homo sapiens face à dinâmica deste espaço”. Bela retórica, porém, falsa como rocha líquida. Inicia-se o artigo com a desmistificação da expressão “meio ambiente”.

1. Introdução

O vocábulo “meio” possui diversos significados, os quais variam em função de seu uso: como adjetivo, substantivo ou advérbio. Por exemplo, como adjetivo pode significar “metade”; como substantivo, “lugar onde se vive” = “ambiente”; como advérbio, “mais ou menos”. A fonte usada é o Dicionário Priberam[1], onde se encontram outros significados para este mesmo vocábulo.

Na expressão “meio ambiente”, o vocábulo meio pode ser entendido como adjetivo, substantivo ou advérbio. Ou seja, faz com que a expressão signifique coisas esdrúxulas: metade do ambiente, ambiente ambiente e mais ou menos ambiente.

Não há dúvida que essas expressões trazem um erro trivial da gramática (o pleonasmo ambiente ambiente) e dois deboches com as ciências do ambiente (metade do ambiente e mais ou menos ambiente). Além de deixar evidente a pouca formação de seu criador e respectivos repetidores, destaca-se.

2. A expressão “meio ambiente”

A origem temporal de “meio ambiente” é bem discutível. Sobretudo, quando se visa a acentuar a relevância de entender o que é o ambiente diante das práticas de trabalho em consultoria, foco principal desse artigo.

No entanto, provém da academia uma pesquisa exaustiva que pretende justificar que o termo a ser usado pode ser meio ambiente[2], quando consideradas as óticas das ciências naturais e ciências humanas. Segundo o texto, da ecologia e da educação ambiental. Essa pesquisa remete-se à Idade Média e considera que o ambiente (meio ambiente) deva ser visto, analisado e trabalhado através da visão antropogênica.

Discorda-se frontalmente dessa afirmação. As ditas ciências humanas não se prestam para entender o que é o ambiente, dado que são mais discursivas, opinativas, simples retórica. Há que se buscar ciências que o detalham “como se fossem o próprio ambiente a esclarecer seu comportamento, as relações que nele se estabelecem, bem como suas funcionalidades”.

Afinal, educação ambiental não constitui ciência, apenas uma técnica ainda rudimentar. Além disso, seu título é um pleonasmo (toda a educação é ambiental), tal como Saneamento Ambiental. Por acaso existe um sistema de tratamento de esgotos que não seja oportuno para a qualidade do ambiente?!

As ciências do ambiente[3] que se destacam são ecologia, meteorologia, hidrologia, geologia, pedologia e a biologia. É através da aplicação delas que se pode trabalhar impune no ambiente.

Porém, enfatiza-se que a explicação das atividades antropogênicas precisa ser efetuada através dos processos da ecologia. Há décadas que notórios ecólogos mundiais demonstram que o ser humano é parte dos ecossistemas, embora neles cause rupturas ambientais que os degradam.

3. Como são conceituados meio ambiente e ambiente

Os conceitos abaixo, bem como suas análises de conteúdo, demonstram que há um severo choque frontal entre a desinformação de legisladores e juristas versus a visão de consultores especializados, cientistas e acadêmicos.

3.1. Conceito brasileiro de meio ambiente

Segundo a Lei no 6.938[4], em vigor até hoje, meio ambiente é “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

O conteúdo deste texto, tido como oficial, cria severas dúvidas ao leitor medianamente atento. Destacam-se algumas:

  • Qual o significado de “condições, leis, influências e interações” no contexto do ambiente?
  • Quais são as entidades do ambiente que promovem “influências e interações”?
  • Como “condições e leis” podem “permitir, abrigar e reger a vida em todas as suas formas”, senão apenas no papel?
  • As ditas “influências” significam o quê, provém de onde, de que fatos?
  • As “interações” seriam similares às relações ambientais ou ecológicas?
  • Ainda assim, seriam somente as “interações” de ordem física, química e biológica?
  • Delas resultariam o quê, currais ou ecossistemas limpos?!

Trata-se do conceito “sopa de pedra”. Nele cabe de tudo. Mas, afora colocar a pedra no meio do prato, nada esclarece. É um mero jogo de palavras que não conseguem se conectar. Por isso mesmo, com significado difuso, ambíguo, genérico, confuso. Em suma, é uma piada oficial sem qualquer significação.

3.2. Conceito profissional de ambiente

Segundo especialistas em gestão do ambiente e ecologia, ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem. Essas porções detêm distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são analisáveis através do desempenho de seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

A visão estável do ambiente

Engenharia inteligente, ambiente estabilizado

Segue a análise de conteúdo deste conceito:

  • Biosfera é a camada da Terra integrada à litosfera – que lhe serve de substrato –, onde ocorrem todos os seres vivos do planeta. A atmosfera e a hidrosfera são partes essenciais à biosfera e dela não são desvinculáveis. A ser assim, biosfera, litosfera, hidrosfera e atmosfera conformam o ambiente integrado do planeta.
  • Fatores ambientais ou fatores ambientais básicos são os componentes dos sistemas ecológicos da Terra. Estão presentes em qualquer porção que se delimite em sua biosfera. Estes fatores são associados aos espaços ambientais que lhes são afetos, pela ordem: espaço físico [o ar, a água e o solo]; espaço biótico [a flora e a fauna]; e espaço antropogênico [o homem e suas atividades].
  • As relações mantidas entre fatores ambientais são realizadas através de trocas de matéria e energia, que são dinâmicas, interativas e espontâneas. Isto garante a estabilidade e a evolução dos sistemas ecológicos que conformam. Denominam-se relações ambientais.
  • Importante destacar o que deveria ser evidente: as relações ambientais, que ocorrem há milênios, são energizadas pela luz solar, e possuem naturezas física, química, biológica, social, econômica e cultural.

Por existirem o ar, a água, o solo, a flora e a fauna no mesmo cadinho da evolução da vida, a raça humana, embora considerada sábia, é, se tanto, a 6ª parte do ambiente da Terra. Mas nem todos têm sã consciência desse fato.

Em tempo, sugere-se não esquecer: “o ambiente é ilegal“, pois não funciona conforme determinam as leis e os responsáveis por sua produção. De fato, estes não possuem o devido domínio das ciências do ambiente. Além disso, que soe como uma ameaça: a lei da gravidade nunca será abolida por qualquer decreto-lei.

4. Considerações do autor

Atuo há 31 anos em Planejamento e Gestão do Ambiente. Exatamente, desde janeiro/1986. Confesso que, naquela ocasião, chamava de “meio ambiente” o objeto dos planos que elaborava. Contudo, pela carência de literatura em português, pude recorrer a livros e artigos em inglês para estudar o tema. Neles, sempre li apenas “environment[5], pois não existe o vocábulo “meio” a agredir a gramática e os estudantes.

Intitulei este artigo “Choque frontal com o Ambiente” por achar uma covardia, cometida pelos que possuem plateias, repisarem esse erro crasso sobre a ciência do ambiente. Refiro-me, sobretudo, a professores universitários, que mais parecem jornalistas televisivos, a estrelarem em Shows de Espalha Ignorância e enganarem covardemente àqueles que os assistem de forma passiva.

Deixo para reflexão dos leitores uma breve observação acerca do conceito de ambiente: o ser humano precisa ter muito cuidado com as artes de sua engenharia, pois “qualquer porção da biosfera” é apenas o planeta Terra inteiro. Minha única fé é no ambiente estável!

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[1] Confira em: https://www.priberam.pt/dlpo/Meio.

[2] Um trabalho intitulado “Um olhar epistemológico sobre o vocábulo ambiente: algumas contribuições para pensarmos a ecologia e a educação ambiental”, realizado por dois profissionais na UNESP, Rio Claro, SP. Chega a considerações finais um tanto insípidas, muito embora constem da tese de doutorado em Educação para a Ciência, de Job Antônio Garcia Ribeiro, hoje professor da UNESP.

[3] Nota: não se usa o termo Ciências Naturais, pois implicaria admitir que existam Ciências Artificiais.

[4] Datada de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a “Política Nacional do Meio Ambiente”.

[5] Em países mais civilizados o vocábulo equivalente a “meio ambiente” é environment (Grã-Bretanha e EUA); environnement (França); umwelt (Alemanha); ambiente (Itália).

Penitenciárias de alta segurança


Os pensadores brasileiros encontram-se atormentados. O lamentável quadro de insegurança prisional no Brasil dá margem a indagações. Dado que as notícias que obtemos da imprensa não são seguras, temos imensas dúvidas sobre a possível segurança nacional.

A tal “guerra de facções” acontece em presídios de diversos estados. Nas cidades de Manaus (AM) e Nísia Floresta (RN), por exemplo, chacinas foram cometidas em presídios, nas barbas do poder público. Se considerarmos que existem cerca de 2.000 unidades carcerárias no país, de que crimes essas ditas “facções” serão capazes de cometer, se não forem contidas pelas Forças Armadas?!

Surge a primeira dúvida: ─ “O termo facção significava o quê”?

Concordamos que no passado era referido às facções em que se dividiam partidos políticos: as facções conservadoras, as extremistas, as populistas e as “em cima do muro”. Para grupos organizados de criminosos, preferimos usar o termo malta. Tanto serve para se referir a traficantes e assassinos, quanto para as maltas políticas que, descaradamente, assaltam o Erário.

Chamou-nos a atenção o fato que existem pelo menos 27 maltas de traficantes, presos em penitenciárias. Por outro lado, há 35 partidos políticos registrados no TSE, com parlamentares soltos no Congresso.

E tem-se outra dúvida: ─ “Quem chefia as maltas de traficantes”?

Iniciamos a pensar que ainda existem os super-traficantes. Mas logo verificamos que ou estão recolhidos em presídios ou foram executados pela polícia e por seus rivais. Ficamos com a nítida sensação que as maltas de traficantes são comandadas pela cúpula de certas maltas políticas! Elas nos parecem intimamente entrelaçadas.

A matança no presídio de Alcaçuz, Nísia Floresta

Considere que basta pegar o telefone ─ a beber uísque na piscina do hotel 5 estrelas ─ e dar ordens ao traficante encarcerado. Obediente, ele cometerá a barbárie solicitada. Dessa forma, desde 1º de janeiro temos assistido, ao vivo, a matança dentro de penitenciárias. Virou seriado de televisão.

Debatemos sobre os ditos “presídios de segurança máxima”. Óbvio que, se existem essas unidades, é por que também há os de segurança mínima! Uma penitenciária construída sobre dunas é piada de segurança. Para fazer túneis de fuga basta dispor de uma colher de plástico!

Adveio desse debate outra dúvida especial: ─ “Fazem projetos de arquitetura para presídios”?

Encontramos diversos presídios de alta segurança que tiveram projetos de arquitetura, a garantir sua eficiência, ou seja, manter os presidiários em “celas individuais com 6 a 7 m2” ou células solitárias controladas pela administração do presídio.

Chamou-nos atenção a penitenciária ADX Florence, construída no Colorado, Estados Unidos. É considerada a prisão mais segura do mundo. Os detentos chamam-na “Inferno na Terra”; mas é questão de ponto de vista…

Imagem aérea da ADX Florence

Vista aérea da penitenciária ADX Florence

A ADX Florence está situada em região montanhosa e sem vegetação. Essa é a estratégia adotada para manter os criminosos de alta periculosidade presos, “sadios” iguais aos do Brasil.

A penitenciária chega a brilhar por sua limpeza e manutenção permanente. Seus corredores chamam atenção pela qualidade de suas instalações e equipamentos de controle.

O corredor da ADX Florence

O corredor da ADX Florence

Até hoje não há notícia da fuga de prisioneiros ou de motins internos na ADX Florence. De fato, cada detento tem sua área individual de sol e lazer, onde pode permanecer até uma hora por dia, sem contato com os demais presidiários.

De certa forma, achamos essa medida simples e relativamente fácil de ser aplicada. Basta ter um bom projeto de arquitetura e uma região montanhosa para instalar a penitenciária, com suas celas, corredores, bem como sistema de varrição por câmeras de vídeo e detectores de movimento.

Presídio Central de Porto Alegre

Presídio Central de Porto Alegre

O Brasil  optou por “novas tecnologias” de segurança. Existem várias modalidades de presídios no país: o “Queijo-suíço”, onde os detentos fogem pelos furos que cavam; o “Mercado-árabe”, com detentos soltos no pátio, a vender panos, maconha e outras iguarias. Porém, são incontáveis os presídios “Peneira”, cercados por grandes paredões modernos, que já vem furados de fábrica.

Se nada mais há para ser tratado, consideramos encerrada esta condenação.

Terroristas no Brasil


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Permaneci silencioso durante 2016. Rascunhei artigos para o blog, mas depositei-os na lixeira. Eram superficiais diante dos “desgovernos brasileiros” neste século XXI. Venderam ao mundo um país de mentira, criado a peso d’ouro pela propaganda oficial.

Entrementes, por motivos de família, cá de Portugal, acompanho o desempenho do Brasil desde março de ‘64, quando ocorreu a revolução militar. Interessei-me pelo facto de ter os dois filhos mais velhos a residir no Brasil. Pensava que poderiam ser vitimados por guerrilheiros urbanos, que lutavam armados para implantar a ditadura do proletariado. E meus meninos eram comerciantes da livre iniciativa que, em tese, poderiam ser executados, na qualidade de “inimigos da guerrilha marxista-leninista”, que então se ensaiava.

Com o retorno do Brasil ao Estado de Direito Democrático (1988), acreditei que tudo iria melhorar; sou otimista. A economia seria recuperada e a política tinha líderes competentes para conduzi-la. Enganei-me, tal “o quadrado que acredita rolar”… Os guerrilheiros-terroristas continuaram a tentar assumir o poder central, muito embora, desta feita, a usar “focinho de paz e amor”. Por fim, desgraçadamente, conseguiram-no em 2003.

Resultado: tudo o que acontece hoje no país assume dimensões descomunais. Em especial, ladroagem, corrupção, ataques ao erário, analfabetismo, miséria, desemprego, caos político-econômico e total insegurança pública. Estas são as “realizações nobres” de quadrilhas do “colarinho-branco”. Tratam-se de factos imundos, imensamente imundos.

O Brasil de hoje é terra quase arrasada. Mas estou pasmo, pois muitos dos “guerrilheiros marxista-leninistas”, dos ditos “anos de chumbo”, tornaram-se misteriosamente milionários!

A parte isto, recebi telefonema de meu mais velho no dia primeiro de 2017. Evidente que me desejou longa vida e um bom ano de pesca. Porém, falou-me acerca de um massacre em duas unidades prisionais de Manaus, cometido entre presidiários de duas facções criminosas: a tal Família do Norte (FDN) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). ─ “Pai, chacinaram e degolaram 60 membros do PCC nessas prisões”, disse-me ele assustado.

Ouvi estupefacto as notícias de Simãozinho. Interessei-me por conhecer mais detalhes da clamorosa barbárie. Após analisar o farto material que comenta esse genocídio medieval, cheguei a cinco conclusões elementares:

  • A FDN é a protagonista da barbárie, associada à facção do Rio de Janeiro, o chamado Comando Vermelho (CV);
  • O PCC é a maior facção criminosa brasileira; sediada em São Paulo, esse gigante do crime comanda o tráfico transnacional de cocaína e armas pesadas. É mais destruidora que as demais;
  • O objetivo desta “irmandade temporária” é destruir o PCC ou pelo menos vence-lo na região norte, justo por que faz fronteira com países produtores de cocaína em larga escala – Bolívia, Peru e Colômbia. A questão é baratear a rota do tráfico, afora contar com a obscura segurança da floresta amazonense;
  • O genocídio realizado em Manaus envolve tão-somente dois presídios; todavia, existem centenas deles espalhados pelos estados brasileiros, onde o litígio entre essas mesmas facções está prestes a rebentar;
  • Merece atenção a possível participação do executivo, legislativo e judiciário amazonense em esquemas de propina com a empresa que diz administrar presídios instalados no estado.

Diagnóstico sumário da grave ameaça

Em síntese, o Brasil está a ser tomado por facções de guerrilheiros-terroristas, semelhantes às da década de ’60. Não se trata de acionar as polícias civil e militar, pois o país vive um Estado de Guerra aberta contra o tráfico internacional. Sinto dizer, mas está prestes a se tornar uma grande Colômbia, onde o terrorismo das FARC formula práticas brutais para a FDN executar!

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Operações Especiais na selva e na cidade

Para enfrentar cenários de guerra, a pronta-resposta somente cabe às Forças Armadas. Não importa o que acham ou pensam o Ministro da Justiça, a Presidente do STF ou o próprio Presidente da República. O único a comandar esse quadro há de ser o Ministro da Defesa, a quem cabe garantir a segurança nacional com o uso da força, sempre que necessário.

Finalizo surpreso com o facto que o Brasil possui a melhor escola mundial de guerra na selva. Através do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), ao longo de seu meio século de existência, já formou milhares de profissionais da selva. Um dos paradigmas que orienta esses militares é eloquente, a meu ver:

─ “Pense e aja como caçador, não como caça”.

Para que serve a Gestão do Ambiente


Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Introdução

Segundo arqueólogos e pesquisadores, o homo sapiens surgiu no ambiente terrestre há cerca de 190.000 anos. Estimam que seu comportamento moderno date de 50.000 anos atrás. Sempre buscou construir seu habitat preferencial, dispondo dos meios de que se apropriava do ambiente. E ainda se comporta assim, mesmo a saber que o ambiente da Terra é finito.

O homo sapiens evoluiu de (i) pequenos grupos nômades de caçadores-coletores (10.000 anos atrás); (ii) passou pela fixação de grupos maiores, graças à agricultura ainda precária; (iii) até chegar a construir as cidades, com sistemas de transporte, moradias, fábricas, escritórios de trabalho, universidades, instituições científicas, etc.

Embora, no tempo e no espaço, esses três cenários sejam distintos, há um fato comum entre eles: tudo foi construído pelo “homem inteligente” sobre o ambiente terrestre, a despeito das consequências nefastas que resultaram nesse ambiente.

Há outra variável a ser considerada nessa evolução: a produção de ciências para que o homo sapiens pudesse melhorar, em proveito próprio, a apropriação dos bens de propriedade do ambiente, a que chama docemente de recursos naturais. Assim nasceram, a partir da filosofia e da matemática, as ciências que são consideradas básicas: geologia, hidrologia, pedologia, biologia, ecologia, física e química. No entanto, causa perplexidade que a evolução dessas ciências se deu, sobretudo, nos últimos 200 anos!

Infere-se assim que o homo sapiens moderno somente começou a usar sua inteligência nos últimos 4% de seu tempo de existência no ambiente do planeta. Nesse mesmo período aprimorou várias tecnologias derivadas das ciências. Merece destacar as diversas engenharias, em constante aprimoramento, que lhe permitiram construir cidades, bem como incontáveis artefatos de paz e guerra, de vida e morte.

Legado do homo sapiens

Seu mais importante legado foi a produção do conhecimento, não há dúvida. Todavia, esse conhecimento não é acessível para a maioria dos habitantes do planeta. Esse fato é explicado pela Economia, que estabelece valor monetário para todas as coisas que representem serviço ou produto, fruto do trabalho humano.

Porém, o “humano inteligente” criou outras áreas do conhecimento e difundiu-as como se fossem ciências: Antropologia, Arqueologia, Sociologia e “CiênciaPolítica, por exemplo. Deve-se refletir se constituem ciência ou tecnologia. Na ótica deste artigo, tratam-se de para-ciências[1]. Vejamos.

Classificação de Ciência, Tecnologia e Para-ciência

Há uma tendência na formação superior brasileira que precisa ser revista: chamar de ciências várias tecnologias que nelas se apoiaram para serem elaboradas.

Até por que, há os que entendem, da forma correta, a tecnologia como a ciência aplicada. Todavia, devem adotar redação mais apropriada: a tecnologia resulta da aplicação de ciências conhecidas e confirmadas.

A ser assim, uma ciência deve abordar temas acadêmicos, possuir conceitos próprios, bem como teorias que correlacionam conceitos e processos, os quais constituem estruturas que visam a melhorar o conhecimento humano.

Por sua vez, a tecnologia precisa ser destinada à realização de atividades práticas, com base nas ciências conhecidas. Pressupõe, por parte de seus usuários, o conhecimento razoável das ciências utilizadas.

Porém, tem-se a 3ª classe de abordagem ao conhecimento humano, que é a para-ciência. Possui conceitos e processos próprios, usa conceitos de outras áreas, possui uma abordagem teórica básica e metodologias para aplicação prática. Pode-se dizer que é próxima da ciência, mas usa tecnologias pré-existentes.

Esse é o caso de áreas do conhecimento humano, como Engenharia, Arquitetura, Medicina, Economia, Antropologia, Arqueologia, Sociologia, Política[2] e, mais recentemente, Gestão do Ambiente. Todas são “para-ciências”.

Homo sapiens no Ambiente

Há cerca de somente 45 anos, iniciou-se a preocupação crescente com a Natureza. A engenharia e a economia, conforme operavam, possuíam a capacidade de devastá-la. Dado a isso, vários movimentos de “ativismo ambiental” nasceram naquela oportunidade.

Em países do 1º mundo esse ativismo logo se transformou em cursos de nível superior. Leis foram promulgadas para determinar como o homo sapiens deve se relacionar com o ambiente. Porém, um fato chamou a atenção. As leis se baseavam nas ciências básicas e não duelavam com suas teorias, conceitos e processos. No mais das vezes, as leis foram regidas pela Ecologia, que trata da coleção de ecossistemas que conformam o ambiente.

No ocaso brasileiro, o ativismo ambiental foi carnavalizado. Leis foram promulgadas com propostas bizarras. Chocam-se frontalmente com as ciências que deveriam atender e criaram verdadeiras muralhas burocráticas, a duplicar o custo dos trabalhos de controle ambiental que determinam.

De início, empresas privadas e fundações começaram a oferecer cursos intensivos de 5 dias. Mesmo assim, somente ensinavam como aplicar as leis promulgadas em estudos ambientais. O primeiro curso de nível superior foi criado em 1976: Graduação em Ecologia, na (Unesp) Universidade Estadual Paulista, Campus de Rio Claro.

Hoje diversas universidades oferecem cursos de nível superior em Engenharia Ambiental, Ecologia e Gestão Ambiental, entre outros. Observa-se que o processo da gestão e da engenharia são distintos. Além disso, o conteúdo da Engenharia Ambiental não deve ser semelhante ao da Gestão do Ambiente. Até por que, o ser humano ainda não possui, que se saiba, a “habilidade” de projetar e construir o ambiente primitivo.

Conceito de Gestão

A gestão requer a existência de um objeto a ser gerido. Pode ser uma equipe de pessoas, uma empresa, uma escola, um serviço público, um município ou um estado, por exemplo.

Para efetuar a gestão são realizadas atividades que a antecedem. Eis o processo que culmina com a gestão propriamente dita.

  • Conhecer as entidades do objeto que se relacionam e de que forma se relacionam (diagnosticar);
  • Identificar as ameaças e oportunidades decorrentes dessas relações (análise SWOT[3]);
  • Baseado em variáveis críticas, internas e externas às entidades do objeto, estimar como elas se relacionarão (prognosticar e cenarizar);
  • Identificar e mensurar os efeitos positivos e negativos, presentes e futuros, sobre o desempenho das entidades relacionadas, bem como caracterizar os efeitos sobre as partes afetadas (avaliar);
  • Elaborar um plano de ação para otimizar os efeitos identificados (planejar);
  • Gestão: implantar o plano, monitorar e aferir os resultados alcançados, ajustando-o sempre que necessário (replanejar).

A Gestão do Ambiente

O processo mantém-se o mesmo, acima sumarizado. Seu objeto é o Ambiente. As entidades que se relacionam são “atividades humanas e o ambiente da região em que se localizam”.

A finalidade da Gestão do Ambiente é manter a Sustentabilidade da região afetada, a garantir que as atividades humanas apresentem Desempenho Ambiental adequado, de forma a manter a Estabilidade do Ambiente, como fora em sua origem.

Visando a esclarecer aos leitores, conceitua-se Ambiente da seguinte forma:

“É qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem. Essas porções possuem distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são analisáveis pelo comportamento de seus fatores físicos (ar, água e solo), bióticos (flora e fauna) e antropogênicos (homem e suas atividades)”.

Da mesma maneira, Sustentabilidade é um atributo exclusivo do Ambiente, que consiste em sua capacidade – e na de seus ecossistemas componentes – de manter e desenvolver relações ambientais estáveis entre seus fatores constituintes – ar, água, solo, flora, fauna e homem.

Tela do computador de um aficionado em Gestão do Ambiente

Tela do computador de um especialista na Gestão do Ambiente

Conclusões

Em síntese, quando bem aplicada, a Gestão do Ambiente é a ferramenta essencial para o controle de qualidade da Economia e da Engenharia. Sem aplicar suas teorias e práticas, as grandes decisões empresariais e públicas continuarão a se pautar no retorno financeiro de investidores e na factibilidade da engenharia em realiza-las a baixo custo.

Acredita-se que a “para-ciênciaGestão do Ambiente mereça ter espaço acadêmico e prático na Universidade Brasileira. Decerto não afetará os demais cursos e, sobretudo, o de Ecologia, pois foi concebida a partir de seus princípios conceituais.

Bibliografia

Este artigo tem como fundamento as teorias e práticas obtidos na seguinte obra:

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[1] O prefixo grego “para-” significa “proximidade, semelhança, intensidade”. Criou-se o neologismo “para-ciência”, de maneira a classificar um conteúdo teórico e prático que constitua a transição entre ciência e tecnologia.

[2] A pretensão humana, sempre arrogante, denominou a Política de Ciência Política!

[3] De forma simplificada, a análise SWOT identifica os pontos forte e fracos do objeto a ser gerido, bem como as oportunidades e ameaças que incidem sobre o objeto. Trata-se de tecnologia testada.

Gestão informatizada do Ambiente


Nos primórdios, há cerca de 3,2 bilhões de anos, decerto após sucessivas mutações ainda hoje indecifráveis, começou a surgir na Terra sua fauna nativa diversificada. Nasceu imersa em um espaço desconhecido: o ambiente planetário.

Depois disso, somente na década de 1860, um espécime moderno dessa fauna – o alemão Ernst Haeckel –, resolveu entender, de fato, como esse espaço funcionava. Criou uma forma de analisa-lo e chamou-a Ecologia (do grego, “oikos + logos” ou “estudo do lugar onde se vive”).

Desde então, a ecologia não parou de evoluir. Dezenas de milhares de pesquisas científicas foram realizadas mundo afora e o homo sapiens começou a perceber que é essencial garantir a estabilidade do ambiente em que vive.

Professor Eugene Odum

Professor Eugene Odum

Com vistas a garanti-la, ao longo do século 20, nações desenvolvidas redigiram sua legislação ambiental. Porém, sempre com base no estado-da-arte da ciência. Afinal, ecologia é a lógica dos ecossistemas que conformam o ambiente planetário. Assim, leis ambientais de qualidade precisam ser seus reflexos no espelho, nunca o inverso.

Agora, ao início do século 21, que prioriza a produção e o domínio da informação, há uma questão pendente no imaginário da sociedade: ─ Algum dia o homo sapiens será capaz de informatizar o ambiente?

Sabe-se ser possível modelar a dinâmica do ambiente e até informatizar esse processo. No entanto, ainda não há como desenvolver um sistema computacional que contenha o teor desta dinâmica, pois ela é fruto da necessidade e do acaso e o homo sapiens não é “seu divino criador”.

De toda forma, reuniu-se um pequeno grupo de trabalho, com especialistas em Gestão do Ambiente e Ciência da Computação, para pensar a “questão pendente”. Logo ela foi invertida, posta de cabeça para baixo, e tornou-se uma tarefa factível: desenvolver um sistema de computador para agilizar a elaboração de estudos, projetos, pesquisas e serviços ambientais. Ganhou o apelido de sistema IDEA.

Sua arquitetura está a ser concebida para integrar diversos aplicativos, que permitam realizar os seguintes processos ambientais:

  • Identificação da transformação ambiental de um território, como função de um ou mais empreendimentos e suas intervenções da engenharia;
  • Caracterização ambiental de projeto de engenharia, obra ou empresa (atividade transformadora ou empreendimento) vis-à-vis o território em que será implantado ou que já se encontra em operação;
  • Programação, realização e gestão de atividades de campo no território em análise;
  • Elaboração de matrizes de impactos ambientais, de matrizes de itens de passivo ambiental ou das matrizes de riscos ambientais e de segurança;
  • Elaboração de diagnósticos temáticos e do diagnóstico ambiental consolidado do território em estudo;
  • Formulação dos prognósticos ambientais para o mesmo território;
  • Modelagem de seus cenários ambientais futuros;
  • Avaliação de impactos ambientais, ocorrentes e previstos nesse território. Trata-se de modelo especializado onde os impactos são numericamente estimados e pertencem ao conjunto de Números Reais (Rn);
  • Elaboração de planos ambientais para otimizar os efeitos de impactos significativos ou corrigir os itens de passivo ambiental identificados;
  • Elaboração de programas ambientais para controle, manejo e monitoração dos segmentos ambientais em um território;
  • Elaboração de projetos ambientais e ações imediatas para controle, manejo e monitoração dos fatores ambientais em um território.

Dessa forma, será capaz de informatizar processos ambientais demandados pela legislação ambiental vigente, tais como: Estudos de Impacto Ambiental (EIA); Realização/gestão de Audiências Públicas; Levantamento/gestão de Passivos Ambientais (LGPA); Elaboração, implantação/gestão de Plano Corporativo Ambiental (PCA); Auditoria de PCA (APCA); Plano de Ações Imediatas (PAI) para correção das não-conformidades identificadas pela auditoria; Elaboração, implantação/gestão de Plano Executivo para Gestão Ambiental de obras (PEXA).

Porém, acima de tudo, o IDEA será capaz de monitorar os perigos e riscos de empresas em operação, visando a impedir a ocorrência de desastres humanos sobre o ambiente, tais como o da Samarco, em Bento Rodrigues, Mariana, ou o desastre anunciado da Petrobras, em Vila Socó, Cubatão, ocorrido em 1984.

Mar de lama em 21nov2015

Dentro em breve, o grupo de trabalho lançará uma campanha de crowdfunding para captar os recursos necessários à realização do Projeto IDEA. Conta-se desde já com sua contribuição.

Boas festas a todos. Que 2016 seja o ano da Cultura Técnica!

Commodities ameaçam o ambiente


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Desgovernos de “países subdesenvolvidos”, na pretensão de faze-los desatolar do pântano, colocar o focinho ao vento, dedicam financiamento público para o setor de produção primária. É assim que esses “atrozes senhores” implantam a “indústria de commodities”.

Dessa forma, a frágil produção agrícola e pecuária passa a sustentar a economia nacional, como no caso brasileiro. Entrementes, o preço das commodities é sempre definido por compradores mundiais. E é facto, não discutem a origem dos grãos, basta que encontrem matéria-prima de qualidade para alimentar seu setor industrial, provenha donde for.

Muito embora milhões de pessoas vivam em estado de miséria absoluta, é claro que a sobrevivência deles impõe o consumo dalgum “tipo de alimento”. No mais das vezes, retirado de “lixeiras socialistas”.

Imagem viva do “supermercado”

Imagem viva do “supermercado”

Ocorre que a produção primária demanda gigantescas áreas de culturas agrícolas, pastagens de bovinos, soberbos currais de porcos e granjas industriais para criação e matança indolor de aves.

Porém, o uso de “defensivos agrícolas tóxicos” esgota a qualidade do solo. Bovinos, porcos e aves “tomam bola” [hormônios] para crescimento rápido, a seguirem rechonchudos rumo ao abatedouro. É uma festança anual de dólares!

Mas há o outro lado desta façanha. As regiões em que se encontram os grandes produtores agropecuários eram recobertas pelo bioma Cerrado, sobretudo, no planalto central brasileiro. Foram desmatadas e ainda sofrem queimadas para dar lugar às noviças commodities. Desde 1970, o Cerrado vem sendo devastado de forma inexorável. Junto com ele, suas espécies 100% endêmicas e a fauna abundante que nele havia.

É impossível que não haja solução inteligente para o agronegócio brasileiro. A de hoje é a mais barata e rentável, sem dúvida, mas tem horizonte limitado no tempo. O ambiente em que ocorre decerto será desertificado.

A propósito, lembro-me que a boca de um político analfabeto [pleonasmo] vomitou a seguinte frase: “fiz do Brasil o celeiro do mundo”. Porém, e o que é mais grave, até hoje o idiota regozija-se desta patranha. A ser desta forma, que o recolham, a seus companheiros e descendentes. Trancafiem-nos a todos numa granja de segurança máxima!

Lançada a obra ‘Ambiente e Sustentabilidade’


GEN – Grupo Editorial Nacional | LTC Editora.

AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

A LTC Editora comunica o lançamento de mais uma obra técnico-científica:

Macedo, R. Kohn, AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão. GEN – Grupo Editorial Nacional, LTC Editora – Livros Técnicos e Científicos. ISBN 978-85-216-2731-9. Rio de Janeiro, RJ. 636 pg., julho 2015. 1ª edição.

Encontra-se disponível em formato impresso e em e-book. Docentes cadastrados no Grupo Editorial Nacional têm 30% de desconto.

Para os interessados em adquiri-la cliquem aqui.

Procurador ou “Encontrador”?


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior, o eremita

Zik Sênior, o eremita

Com base em minha experiência de vida, que afinal não é pequena [mais de um século], sinto-me à vontade para afirmar que o Brasil perdeu as pernas para caminhar. Foram decepadas pela ação solerte da corja instalada no poder.

A sociedade civil está perplexa: financia, a pagar taxa de juros escorchantes, as práticas de um abominável setor público. Sabe que esse cenário foi causado pela corrupção continuada em autarquias, estatais e bancos públicos. Enfim, tem absoluta consciência que esse teatro de horrores foi montado por súcias associadas aos três poderes da República: “independentes, mas harmoniosos na ladroagem”.

Em síntese, uma previsão: graças ao decano desgoverno instalado há 12 anos, a estrutura do Estado foi saqueada de tal forma, que é razoável estarmos ancorados sobre uma pré-revolução civil[1]. A meu ver, este é o estado de ânimo de 200 milhões de brasileiros. Com essa intensidade, como arrotava o ladrão-apedeuta, “nunca na história desse país” ocorreu roubo similar.

Aos perdedores, a desonra e a cabeça

Aos perdedores, a desonra e a cabeça

Através da “Operação Lava-Jato” [iniciada em março de 2014], a Polícia Federal investiga o ataque frontal aos cofres da Petrobras e órgãos financiadores. Decerto, quer iluminar os meandros tortuosos seguidos pelas quadrilhas. Até por que, numa parceria público-privada, afanaram somas astronômicas.

Muito embora não tenha como estimar até onde chegaram esses criminosos, meu chute é que o roubo do Tesouro Nacional foi da ordem de 80 bilhões de dólares, no mínimo. Ao que tudo indica, não ocorreu somente na Petrobras. É bem provável que Eletrobras, BNDES, Fundos de Pensão, Caixa Econômica e Banco do Brasil, hajam sido saqueados pelas mesmas quadrilhas público-privadas.

Creio que no Ministério Público haja um grande número de procuradores, muito bem pagos com o nosso dinheiro. Procuram bastante em pilhas de papel, mas nada acham. Então, faço aqui uma proposta: mudem esse cargo para “encontradores” e soltem-nos nas ruas como cães de ataque.

Do contrário, as quadrilhas continuarão a saquear, inaugurar obras superfaturadas e sorrir descaradamente para fotos.

……….

[1] Conflitos dessa ordem no país sempre receberam apelido de movimento social, rebelião de massa ou mesmo títulos estranhos, como Balaiada, Cabanagem, Sabinada e Guerra Paulista, que nada significam para os ignorantes em história. Todavia, de fato, todas foram revoluções civis, sempre funestíssimas para os derrotados. Mas a propósito, será que a sociedade brasileira será mais uma vez derrotada?

Gestão através do ambiente


Por Ricardo Kohn, Especialista em Gestão.

Após o artigo de Simão-pescador, “Conversas com o ambiente”, onde ele narra a visão de seu pai, o melhor “ambientalista” que conhecera na vida, decidi esboçar este ensaio. Nele tento iluminar um pouco uma questão conhecida, embora bastante sombria:

─ Dada a finitude dos bens naturais do planeta, será essencial a mudança nas atitudes das instituições produtivas? Continuarão a ser geridas com vistas a aumentar seu desempenho econômico-financeiro ou buscarão garantir a qualidade de seu desempenho ambiental?

Em tese, é fato que essa “dúvida” foi iniciada no século 18, a partir da Revolução Industrial. Desde então, amplia-se por diversos fatores, em especial quando governos e empresários adotam em suas organizações as ditas “tecnologias de ponta”, que surgem no mercado. No mais das vezes, usam tecnologia apenas por ser a nova tecnologia, sem prever vantagens específicas.

No entanto, em especial no sistema público, dizem que dessa forma aumentam a produtividade do trabalho. Porém, esquecem-se que as organizações precisam se apropriar de insumos para produzir, os quais são bens ambientais do planeta. Quando esses insumos não são renováveis, têm seu estoque limitado; quando se reproduzem de alguma forma, ainda assim são escassos. Sobretudo, em cenários produtivos que requerem mão-de-obra especializada (insumo produtivo limitado e escasso).

O “esquecimento” destes investidores foi ampliado com a ideia do “desenvolvimento sustentável”. Transformaram-na em mera retórica redundante. Se há desenvolvimento, precisa ser sustentável, por óbvio; caso contrário, é apenas crescimento. Aliás, insustentável é o crescimento pífio de empresas e a recessão de países desgovernados, tais como Brasil, Venezuela, Argentina e Grécia.

Todavia, assiste-se a nações social e economicamente desenvolvidas, cujos governos buscam consolidar e sustentar a qualidade de vida alcançada, sem a preocupação de aumentarem o PIB. Alemanha, Noruega, França, Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Japão, por exemplo, investem para manter o cenário em que a qualidade de vida do seu cidadão é a meta básica. O crescimento do PIB, ou não, é fato secundário.

Paris, na pintura do impressionista Jean Béraud - Belle Époque

Paris, na pintura do impressionista Jean Béraud – Belle Époque

Essas são nações que se encontram na vanguarda do desenvolvimento. Possuem cultura sólida, educação incomparável, criam e aplicam tecnologias que reduzam o consumo dos bens ambientais, buscam eliminar “lixos no ambiente”, enfim, executam a gestão através de seu próprio ambiente estabilizado.

Afinal, o Ambiente precisa ser estável para manter sua Sustentabilidade original, de modo a garantir as condições de sobrevivência a todos os seres vivos do planeta.

Crime e penalidade


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Trato neste artigo de temas relacionados bastante polêmicos: crime, penalidade e maioridade penal. Por ter opinião formada sobre eles, apresento meus argumentos. Em síntese, mostro que as penas da justiça nada devem ter a ver com a idade do criminoso, mas com a gravidade do crime cometido.

Crimes hediondos – aqueles que requerem do autor alta perversidade e demência – não são cometidos por crianças.  “Menino de 3 anos estrupa vizinha após degolá-la” não é manchete que se leia em jornal. Nem mesmo nos países sem qualquer arremedo de segurança pública, como o Brasil.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), instituído no governo Collor (o demente) – Lei No 8069, de 13 de junho de 1990 – clama por ser desmontado e reconfigurado com rigor. É um fato que mistura no mesmo caldeirão de fogo dois grupos muito distintos, tanto em atitude, quanto em comportamento. Crianças são inofensivas e, como se assiste diariamente, adolescentes têm-se mostrado bastante sanguinários.

ECA é uma sigla infeliz. Não faz muito tempo que se exclamava “eca” quando se via ou tocava em coisa nojenta; era gíria de meleca. E esse estatuto retrógrado tornou-se nojento, “eca!”, nocivo à sociedade brasileira. Embora haja certos governantes e políticos sórdidos, que o manipulam de forma sistemática, a confundir os reais direitos humanos com a obrigação do cumprimento de penas adequadas.

Afinal, criminoso no Brasil recebe “bolsa-presidiário”, em média maior que o salário-mínimo do trabalhador. Isto sem esquecer do dito ex-ministro que recebeu 39 milhões de reais (em propina), por “consultoria internacional prestada de dentro da penitenciária”. No meu entender, esse sim, é um crime bárbaro, estupro da sociedade.

─ “Tudo pelos direitos humanos! Então, como fica o direito das vítimas, calhordas populistas”?

Não concordo que haja maioridade penal para qualquer crime cometido. A meu ver, as penas precisam ser as mesmas para todos, sem depender da idade do autor. Todavia, repito: crianças com até 12 anos são inofensivas, não cometem crimes hediondos por iniciativa própria, nem devem ser penalizáveis pela justiça. Precisam receber educação gratuita de qualidade.

Conversas com o ambiente


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

A primeira vez que fui pescar em mar aberto tinha 6 anos de idade. Fiquei maravilhado com a imensidão do oceano à volta de nosso pequeno barco. Foi nele que recebi a primeira aula de meu pai, o melhor pescador da costa portuguesa, modéstia à parte. Hoje, aos 97 anos, estou consciente que mantive certos valores do “velho Macko” – como seus amigos o diziam.

Sem demonstrar pressa ou mudança no humor, Macko sempre me ensinou a conversar com o ambiente marítimo – o mar, os ventos, correntes marítimas e peixes em geral. Dizia-me ele, enquanto manejava linhas e anzóis: ─ “Filho, só não temos como conversar com o Sol; ele é absoluto, definitivo”.

A meu ver, na pesca artesanal portuguesa Macko foi definitivo em linhas, nós e laços. Sabia-os a todos, como poucos. Para o pai, anzóis eram meros adereços aplicados ao final de linhas. Na juventude, muita vez o vi pescar em quantidade, apenas com “laços de linha”, sem anzol.

Vista similar ao nosso ambiente marítimo

Vista similar ao nosso ambiente marítimo

Em certas noites, Macko fazia assados de peixe na praia para reunir amigos. Aos 10 anos, quando comecei a participar desses eventos, conversava com os animais que via, apelidados aqui nas Maçãs por “tatuíra“. Um tatu pequeníssimo, de peso imponderável, que é trazido pelo mar e se enterra na areia da praia, ao fim da rebentação.

Descobri que os tatuíras são crustáceos inofensivos; pobre deles. Eu cavava rápido a areia para captura-los. E ria sem parar com as cócegas de suas patinhas na palma de minhas mãos; aflitos, a esforçarem-se para fugir. Como eu só possuía instinto, não notava que “minha infantil brincadeira”, de facto, era tortura para eles.

De longe, Macko assistia meu comportamento. Um dia aproximou-se e, com interesse, explicou-me o que acontecia aos tatuíras, “prisioneiros de mim”. Disse-me como vivem, do que se alimentam, que auxiliam a outros seres vivos e são muito frágeis às mãos do homem. Entristeci ao entender que aquele pequenino também possuía amigos, que dele dependiam para sobreviver. Assim, aos 10 anos, firmei minha primeira decisão de vida: jamais capturarei tatuíras.

Velho Macko faleceu enquanto dormia; eu tinha 27 anos de idade, então. Senti demais sua partida, mas tive de assumir as rédeas do que ele deixara: seus amigos, nossa casa, mais de 2.000 livros, o pequeno barco, petrechos de pesca e sua intensa atividade.

Há tempos conhecera outro crustáceo com “atividades subterrâneas”, muito usado como isca para robalos. Um bicho estranho, com garras dianteiras, bem maior que os tatuíras. Aqui essa espécie é conhecida como “Corrupto” (Callichirus major). Sei que no Brasil tem o mesmo apelido, pois, conforme demonstram seus espécimes políticos, “Corruptos são inumeráveis, multiplicam-se de forma acelerada, nunca aparecem e são difíceis de capturar”.

Callichirus major

Callichirus major, vulgo Corrupto

Mas quando soube que seu processo de sua busca e captura destruía o solo e microrganismos, conversei com o ambiente e optei por não utilizá-lo como isca. Achei mais prudente deixar o “Corruptoenterrado nas profundezas. Afinal, meu velho Macko pescava sem iscas e anzóis! Os brasileiros deveriam fazer o mesmo: enterrar bem fundo os seus.

Com o tempo descobri que para conversar com o ambiente e obter informações úteis, precisava saber lê-lo e prever sua conduta futura. Mas, além de Macko, não tinha com quem conversar sobre esse assunto. Era tema restrito a pai e filho. Decerto, ele sabia lê-lo e prevê-lo como poucos, porém não teve tempo de me explicar como fazer.

Contudo, dentre os livros que herdara, encontrei textos sobre preservação e conservação do ambiente. Pasmem, todos traziam dedicatórias dirigidas a mim, assinadas por meu pai, o Velho Macko! Sugeriam que eu entendesse o rio que atravessa nosso terreno, bem como a mata e a fauna ocorrentes em suas margens, pois eram a parte do ambiente terrestre que tinha a preservar.

Resultado: ambiente terrestre preservado

Resultado: ambiente terrestre preservado

A partir de 1960, com minhas atividades de pesca já consolidadas, dediquei-me a estudar o “meio ambiente”, como aqui é chamado, de forma ignorante. Adquiri dezenas de livros sobre Ciências do Ambiente: ecologia, biologia, hidrologia, antropologia e filosofia. Estudo-os até hoje e aplico os ensinamentos que deles recebo, toda vez que os abro. Tornaram-se parte essencial de minha vida.

No início de 2013, recebi convite de Ricardo Kohn para escrever em seu blog, o Sobre o Ambiente. Confesso que tive dificuldades em aceitar: não tinha computador e sequer sabia o que seria “navegar na internet“. Mas após orientações de Quincas, meu neto postiço, enviei o primeiro artigo para o blog, uma sátira política intitulada “Carta Aberta da Estremadura – Portugal”.

Continuo a estudar e aplicar notórias práticas ambientais em tudo o que faço na vida. De facto, neste momento, estou ansioso paraImagem de divulgação adquirir o que parece ser a obra da vida de Ricardo Kohn, prevista para ser lançada ao final deste mês de julho:

  • Macedo, R Kohn, Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão. Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos , 636 pg., 1ª edição.

Afinal, meu pai, o Velho Macko, foi o primeiro “ambientalista” que conheci no mundo. Tenho, a correr em minhas veias, sua melhor herança.

Conflito entre licenças ambientais


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

A legislação brasileira é muito extensa, complexa, falha, por vezes redundante, contraditória e inaplicável. Um indicador dessa “impressão leiga” são as toneladas de processos atolados na burocracia da justiça, há décadas. Não há como contestar esse fato e o elevado custo que a sociedade brasileira é obrigada a pagar.

Pede-se desculpas aos bons juristas e advogados – eles ainda existem –, mas a causa dessa proeza se assenta na extrema ignorância de legisladores mal assessorados. Dessa forma, o Congresso Nacional tornou-se obtuso e continua a aprovar outras novas normas, muitas delas sem qualquer necessidade.

Observe-se o absurdo da chamada Lei da Palmada! Porém, dentre os 181 mil diplomas legais existentes no país, há outros que ressaltam a estupidez de seus proponentes, do plenário que as aprovou e do presidente que as sancionou. Isto sem considerar as normas legais que se encontram em tramitação, como a que institui o “Dia Internacional do Direito à Verdade[1]. Afinal, será que a população do planeta só tem direito a saber da verdade num dia por ano?!

Entretanto, o foco desse artigo é a legislação ambiental brasileira. Nesse setor específico tem-se uma profusão de instituições públicas a “regular o Ambiente do país”: Ministério, Conama, Ibama, órgãos ambientais estaduais e órgãos ambientais municipais. Afora organizações que criam regras ambientais particulares, como Iphan, Eletrobras, Petrobras e CNEN, dentre outras.

Não bastassem os escuros labirintos da burocracia nacional, para complicar ainda mais o cenário de investidores, que, por óbvio, desejam seus projetos licenciados, existem “Ong” com a missão de azucrinar o processo das licenças estabelecido como regra geral: licenças prévia, de instalação e de operação.

Em alguns casos, estas organizações têm excelentes motivos para denunciar o investidor. No entanto, dispendem tempo e capital para esclarecer à nação “impactos ou até crimes”, os quais batizam de “socioambientais[2], todos não controlados. Ao agirem de acordo com a regra ambiental vigente, não consideram que o problema se encontra justamente no próprio texto da lei que querem ver atendida. Mas, na visão deste blog, é impossível atende-la!

Para explicar melhor, analisa-se o caso factual da usina hidrelétrica de Belo Monte. Trata-se do “embate político” entre a estatal que paga a obra e é a proprietária da futura usina (Norte Energia[3]) e o Instituto Socioambiental (ISA), uma notória Oscip brasileira.

Vista da usina de Belo Monte ainda na etapa de construção

Vista da usina de Belo Monte ainda na etapa de construção

Em junho de 2015, o ISA divulgou um documento de sua autoria, com mais de 260 páginas, intitulado Dossiê Belo Monte – Não há condições para a licença de operação. Do ponto de vista técnico e científico, concorda-se com essa afirmação. Porém, por fatos bem diversos, muito anteriores aos narrados no dossiê.

Com base no levantamento das pendências ambientais remanescentes da Norte Energia e de impactos adversos não controlados (físicos, bióticos e antropogênicos) sobre a região afetada, ao afirmar que a usina não tem condições de operar, infere-se que os técnicos do ISA concordam que foram corretas as demais etapas do ciclo de vida da usina. Ou seja, que seus projetos de engenharia e sua obra foram legal e devidamente licenciadas.

Neste ponto, defende-se uma posição contrária: no rio Xingu, sobretudo naquela região, qualquer projeto de engenharia com a envergadura de uma hidrelétrica, simplesmente nunca receberia a Licença Prévia. Assim, é evidente que não aconteceria sua construção, nem os impactos negativos decorrentes da violenta cirurgia intrusiva em áreas primitivas da Amazônia.

Para solucionar o impasse, que é típico nesses conflitos de interesses, propõe-se algumas medidas administrativas, baseadas na lógica do ambiente:

  • Criar a Licença de Localização, que demandará um estudo preliminar de viabilidade ambiental (EPVA). Os EPVA, por possuírem caracterizações objetivas dos espaços físico, biótico e antropogênico, podem ser elaborados de forma mais rápida que os EIA e são conclusivos quanto à localização ou não do empreendimento na região desejada pelo investidor. Este não precisa possuir um projeto básico ou executivo de engenharia do empreendimento, bastam os traços e as dimensões de um projeto conceitual.
  • Objetivar o EIA, tornando-o estudo complementar do EPVA realizado, dotado de um processo detalhado de avaliação parametrizada de impactos, bem como de um Plano Executivo de Gestão (PEG) das relações promovidas pelas obras do empreendimento com sua área de impactos potenciais. O PEG deve ser estruturado com objetivos, metas, programas e projetos ambientais que visem à manutenção da qualidade ambiental da região afetada. Após a aprovação do EIA pelo órgão competente, é emitida a Licença de Construção.
  • Criar a Licença de Gestão Ambiental de Obras, que demandará do investidor e da empresa construtora firmarem o compromisso formal de implantar o Plano Executivo de Gestão das obras, com equipe não vinculada à empreiteira e com gerência própria. O gestor ambiental das obras emitirá relatórios ambientais periódicos para o órgão ambiental competente. Este, por sua vez, pode efetuar auditorias ambientais das obras para aferir a qualidade ambiental existente, apresentada nos relatórios. Uma vez finalizadas as obras, tendo sido aprovado o relatório ambiental consolidado da obra, será emitida a Licença de Operação.

Dois fatos são nítidos neste processo de licenciamento ambiental: (i) é menos burocrático, mais rápido e menos oneroso do que o existente; (ii) possui as ferramentas necessárias para garantir a qualidade do desempenho ambiental do projeto e de suas obras, bem como, manter ou, em certos casos, até mesmo beneficiar os níveis de sustentabilidade do ambiente afetado.

É claro que essa proposta de licenciamento objetivo, não romanceado, precisa ser detalhada. Todavia, por uma equipe que possua visão de futuro, com notória competência na gestão do ambiente e, sobretudo, liberta das amarras burocráticas brasileiras.

……….

[1] O parlamentar que propõe um projeto de lei desta natureza devia trajar camisa-de-força, isolado num sanatório para dementes.

[2] A expressão “socioambiental” é redundante por dois motivos. Primeiro, por que o segmento social é parte do Ambiente e, portanto, não precisa ser ressaltado, a não ser que haja “interesse político”. Segundo, bastaria dizer que os impactos ou crimes são “antropogênicos”, pois também são parte do Ambiente vitimado.

[3] Acionistas da Norte EnergiaEmpresas públicas: Eletronorte, Eletrobras, Chesf, Cemig, Light; Fundos de pensão da Petrobras e da Caixa Econômica, detendo 79,75% do capital social. Empresas privadas: Vale, Neoenergia, Sinobras e outras, com somente 20,25% do capital social.

Adaptar-se ao mercado


Por Equipe de Sobre o Ambiente.

Em conversa com velhos amigos, a tratar da conjuntura e tendências do mercado de trabalho, observou-se certa “docilidade perante o cenário drástico” que se descortina. Uns perderam o trabalho, outros demitiram seus funcionários. Há os que pensam seriamente em fechar suas empresas.

No entanto, ainda há alguns que resmungam com certa indolência: ─ “Não posso fazer nada, sempre foi assim neste país”. E não adiante pedir-lhes que ponderem, que meçam as proporções do desastre social, político e econômico atual. Que, enfim, o compare a períodos menos obscuros da nação, ocorridos desde a 60 anos atrás.

Todavia, para garantir o vital otimismo, também se têm verificado relevantes mudanças na atitude de certos executivos da iniciativa privada, face às duas ameaças efetivadas sobre os brasileiros: a incompetência e a corrupção do governo.

Em síntese, gerem seus negócios de forma a se livrarem ao máximo dos terrores do sistema público instalado. Visam a obter a independência de suas empresas e equipes, de maneira a tocarem seus negócios, com metas factíveis e detalhadas, que não dependam do governo. Sem dúvida, isso é possível.

A resiliência empresarial

O conceito de resiliência provém da Física Newtoniana: constitui a capacidade de um corpo físico em recuperar sua forma original após haver sofrido choque e deformação. Outras áreas do conhecimento usaram esse conceito, entretanto, adequando-o aos atributos que lhes são pertinentes. Por exemplo.

Na Ecologia, constitui a capacidade intrínseca do ecossistema em suceder-se, após sofrer rupturas ambientais. Em função da dinâmica evolutiva do ecossistema, ele não retornará à sua forma original, porém, cumprirá com suas funções essenciais para relacionar-se de forma estável com os demais sistemas ecológicos que dele necessitam para evoluir.

De certa forma, a resiliência empresarial adota como fundamento o conceito da Ecologia. Para a Administração, a resiliência precisa constituir a capacidade de adaptação das empresas perante as oscilações do mercado, tanto comprador quanto concorrente.

Por não possuírem dinâmica espontânea para a evolução, tal como os sistemas ecológicos, as empresas demandam de seus executivos e equipes competências específicas: transparência nos negócios, capacidade para gestão da mudança, integração de equipes co-responsáveis, ampla abertura para novos negócios, bem como relacionamento dinâmico e frutífero com fornecedores, compradores e empresas concorrentes.

Há luz no fim do tunel: chama-se resiliência empresarial

Há luz no fim do túnel: chama-se resiliência empresarial

Assim se dá a evolução empresarial, através da resiliência inteligente, criada e mantida por seus executivos e equipes essenciais. É por meio da capacidade permanente de adaptação ao mercado que todas as empresas podem evoluir em nichos inter-relacionados, independentes das agruras do sistema público.

Como sair da lama


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Ricardo KohnNão é necessário ser economista para ver que a péssima gestão da macroeconomia não é uma variável, mas um dado do problema brasileiro. Dentre seus principais efeitos, destaca-se o crescimento contínuo do desemprego, sobretudo, na faixa de renda acima de 20 salários mínimos, ou seja: a partir de R$ 15.760,00 mensais.

O quadro geral de curto e médio prazo é grave para todos os setores econômicos. No entanto, função da experiência de trabalho, foca-se apenas em dois setores privados: os da consultoria de engenharia e de ambiente. Ambos se encontram a caminho do esfacelamento, com o fim e perda de contratos, a demissão de funcionários, sobretudo de alguns especialistas, além do inevitável fechamento de empresas, detentoras de boa parte do patrimônio da inteligência consultiva.

Projetos de engenharia e Estudos ambientais bem elaborados constituem a base da construção civil, setor que pode atender a um grande número de trabalhadores que pertencem à faixa de menor renda. Contudo, sem os serviços da consultoria[1], ou param-se obras indispensáveis ou seus prazos são dilatados, a justificar o famoso sobrepreço. E, assim, tem-se mais desemprego.

Por outro lado, o governo federal permanece na mesma toada: elevadas despesas de custeio, decerto superiores ao que arrecada para esta finalidade; nível de investimento muito baixo; e total incompetência na atração de investidores privados.

Em suma, o crescimento da inflação, bem além do teto superior da meta, resulta da manutenção de forte demanda pública – pressão de despesas do governo em atividades não-produtivas, sem alvos definidos, e mal explicadas. Por sinal, “lideradas” pela Presidência da República e seu malogrado Comboio de Mamutes: 39 ministérios com eternos resultados insipientes.

Recessão econômica, inflação elevada, taxa básica de juros absurda, desemprego em alta, enfim, o solo do lamaçal econômico, criado pela incompetência soberana, tende a se tornar um implacável pântano nacional. Acredita-se que a questão básica é a seguinte:

─ “Como a sociedade pode desvencilhar-se desta cilada”?

A resposta a esse quadro estrutural se resume em uma única ação: contra-atacar. Através de lideranças nacionais, notórias pela experiência pregressa bem-sucedida, a sociedade encontrará oportunidades potenciais de investimento, meio às ameaças que lhe são impostas.

Com o aumento de profissionais desempregados, o setor da educação brasileira, precário por definição, precisa oferecer “treinamentos úteis”, que aumentem a produtividade em todas as atividades humanas.

Aguardar do governo qualquer iniciativa neste sentido é perda de tempo. O setor público somente promete uma “Pátria Educadora”, falida antes do próprio nascimento. Há que se buscar investidores privados que, com criatividade, reencaminhem a educação às finalidades a que se destina, há séculos.

……….

[1] Não confundir consultoria com “propinaria travestida”, feita até por presidiário de penitenciária.

Gestão: ato ou processo


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Existe uma extensa literatura que trata da gestão e de seus elementos constituintes. Contudo, há várias formas de aborda-la, tanto função das inúmeras teorias da organização publicadas, quanto das escolas de administração seguidas por seus Ricardo Kohnautores.

Não se tem a pretensão de esgotar esse tema em um artigo, é evidente. Apenas situar alguns aspectos que auxiliem a esclarecer o que é o processo da gestão, às vezes mal interpretado como um simples “ato de gestão”.

Gestão é o processo de administrar alguma coisa; sinônimo de Administração. Essa “alguma coisa” é o “sujeito ou objeto da gestão”. Assim, pode-se gerir uma empresa, um órgão público, um jardim, um município, um paciente médico ou o ambiente em que todos estão inseridos, por exemplo. Enfim, a gestão é aplicável a qualquer entidade que se deseja organizar e otimizar. Essas são suas finalidades primordiais.

Há quem diga que os processos da gestão constituem uma ciência. Mas também existem aqueles que o consideram uma arte. Acredita-se que os mais corretos são os que entendem o processo da gestão como uma ciência que precisa de arte para ser bem-sucedida.

É uma ciência que pode ser aprendida em bons cursos universitários, não há dúvida. Mas requer de seu agente a arte da visão de futuro para ser aplicada com destreza, qualquer que seja seu objeto. Essa visão de futuro, entre outras coisas, demanda experiência do agente e arte para interpretá-lo.

O processo da gestão

Como qualquer processo, o da gestão demanda uma sequência de etapas para ser realizado com qualidade. Toma-se como exemplo a gestão executada por um jardineiro, chamado Burle Max[1]. O objeto da gestão é o jardim de uma residência sofisticada.

Gestão de Jardim

Segundo a escola que se segue, as etapas necessárias à gestão são assim descritas:

  • Diagnóstico do jardimBurle precisa conhecer bem o objeto da gestão. Pergunta ao proprietário se ele possui fotografias recentes do jardim num dia de festa; caso tenha, solicita que as empreste para ver como a família deseja que fique o “pátio de casa”.

Então, percorre todo o jardim e anota os problemas que sua experiência define como graves (impactos adversos). Como o jardim é grande (2.000 m2), desenha-o em planta baixa, a mostrar como se sucedem os canteiros, os vegetais que neles estão plantados, o que precisa podar e cortar, o que deve ser eliminado, os detalhes do pomar aos fundos do terreno, da área recoberta por “mata virgem”, junto ao portão de entrada da residência, os caminhos de serviço do jardim, etc.

Destaca o que o cliente considera relevante para melhorar as feições do jardim e faz um relatório (oral e escrito) para consolidar o diagnóstico documentado do jardim.

  • Prognósticos para o jardim – após o almoço, a tomar um cafezinho, o experiente Burle redige como ficaria o jardim caso ele próprio não houvesse sido contratado. Da mesma forma, relata como o jardim poderá ficar após usar suas habilidades de jardinagem. Destaca as ações normais que precisa realizar, bem como possíveis mudanças no jardim, que considera oportunas para emoldurar a beleza da residência.

Produz relatório contendo os prognósticos alternativos das feições do jardim, sem e com as ações de Burle Max. É recomendável que desenhe uma planta baixa, contendo a nova feição do jardim reabilitado. Entrega ao cliente e aguarda sua aprovação.

  • Cenário futuro do jardim – até agora, a gestão de Burle somente requereu atores internos ao jardim: a família proprietária da casa e ele próprio. Mas é na etapa da formulação de cenários que atores externos ganham relevância, de tal forma que, querendo ou não, participam das melhorias do jardim.

Burle precisará de equipamentos para jardinagem, por exemplo, tesoura de poda, cortador de grama, serra elétrica na área de mata, dentre outros. De toda forma, ruídos com maior intensidade e frequência serão emitidos e afetarão a vizinhança.

Além disso, Burle talvez tenha que adquirir equipamentos que a residência não possua. Nada garante que todos aqueles que precisa para o trabalho, estarão disponíveis nas lojas para jardinagem.

Embora tenha proposto uma nova feição para o jardim, o cenário futuro possível não será como o desejado. Assim, Burle Max precisará gerir o jardim com os equipamentos disponíveis. E mais, informar ao proprietário sobre a mudança nas atividades previstas e mostrar os resultados que podem ser efetivamente alcançados.

  • Desenvolvimento de plano para resultados – para ter eficiência na gestão de jardins, Burle deve elaborar um Plano de Ação para alcançar resultados objetivos, de curto prazo. À cada resultado fixado no tempo, estará associada uma meta de seu trabalho. Igualmente, a cada meta de trabalho deverá existir pelo menos uma ação imediata que a realiza.
  • Execução do plano – decerto, é um plano simples de ser elaborado, mas sua execução com a qualidade esperada precisa ser rápida e depende da sequência das ações imediatas a serem executadas. Recomenda-se que gestores de jardim criem critérios para priorizar as metas e suas ações imediatas. Para tanto, devem considerar, a dificuldade da ação, as medidas do terreno, o número de deslocamentos a fazer e a quantidade de equipamentos utilizados em cada ação.
  • Avaliação dos resultados obtidos – em tese, a esta altura a jardinagem está completa e Burle Max já deve estar em casa. Porém, de fato, ele ainda precisa avaliar o próprio trabalho, buscar falhas na execução das ações imediatas, erros nos prognósticos, em informes imprecisos ao cliente, enfim, Burle precisa rever todo o processo de gestão realizado.

Assim, uma boa forma de terminar o dia é na elaboração do Relatório de Avaliação de Resultados e arquiva-lo em casa, visando a futuras consultas.

  • Replanejamento – caso se estivesse no lugar de Burle, aproveitaria-se a oportunidade para replanejar o processo de gestão realizado. O próximo trabalho seria mais rápido e a experiência adquirida estaria incorporada a seu patrimônio profissional.

Conceito de Gestão

“Processo decisório que demanda conhecer os principais aspectos do objeto a ser gerido [Diagnóstico], a previsão de suas formas de comportamento futuro [Prognósticos], o cenário efetivo que pode ser realizado para o objeto [Cenário futuro], um plano capaz de realizar esse cenário [Plano de Ação], o acompanhamento da realização das ações prorizadas [Execução do plano] e a revisão completa do processo realizado [Avaliação dos resultados obtidos].”

……….

[1] Não se trata do notável paisagista Roberto Burle Max, mas de um jardineiro do Recife, cujos pais fizeram homenagem ao paisagista. Era conhecido por Burle, Burle Max de Souza Fecundo.

Jonas, apenas uma amostra


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Dizem que Jonas nasceu predestinado, se é que isso existe, um indivíduo fadado desde a nascença a sofrer de supetão. Nem o Brasil é predestinado. Decerto, o destino daquele país nunca esteve escrito em qualquer lugar. Porém, há 13 anos, é operado por súcias de ladrões, comandadas por um grupo criminoso de safados. Isto não é obra de destino, mas da estupidez de seus eleitores.

Diante deste facto, Jonas encontra-se angustiado. Pois, sem trabalho, sem expectativa de serviço, não é possível sobreviver. Por sorte, ou por menos azar, que sei eu, Jonas é solteiro e não arca com custos de uma família. Tornou-se um ermitão, tal Zik Sênior, embora não possua o humor e visão do velho diante de factos inoportunos que, inclusive, já o levaram à beira da miséria, duas vezes na vida.

Numa de minhas viagens ao Brasil – justo a que fiz em dezembro de 2002 –, conheci Jonas numa roda de amigos de meus filhos. De início, ele me pareceu ser afável, diria mesmo, sereno. Até o momento em que foi comentado o resultado das eleições gerais no país, com a vitória catastrófica do “molusco sebento”. Então, filmei com meus olhos a sequência do desastre humano:

─ A face de Jonas enrubesceu, o cenho franziu-se e seu corpo tremia; a taça de vinho tinto que levara à boca derramou-se sobre o elegante paletó inglês que trajava. Formou-se a mancha eterna, “não há sabão ou pó químico que a retire sem corroer o tecido”, pensei eu, com meus botões.

Naquela oportunidade, Jonas não profetizava. Apenas antevia, com precisão de empresário, o que a sociedade brasileira deveria aguardar, após a assunção de um ser ignóbil e devasso ao mais alto posto público do país. Um ano depois, em fins de 2003, Jonas perdeu tudo o que conseguira construir: sua empresa, dezenas de contratos de serviço, os gestores e funcionários, bem como a renda de todos.

Desde 2008 – ano damarolinha” –, aconselho a meus filhos sobre como atuar para manter as oito lojas comerciais que conseguiram abrir, no Rio de Janeiro. Todavia, os atos do “molusco nefasto” sempre foram minha grande preocupação. Afinal, com o molusco em permanente ação traiçoeira, de que servem meus conselhos?

Em janeiro passado, meu mais velho – o Simãozinho – viu-se obrigado a fechar duas lojas: sumiram os fregueses. Nas outras, não sem dor, teve que demitir funcionários dedicados. Em suma, é duro demitir chefes de família, sobretudo, os que trabalham irmanados com meus meninos, há mais de dez anos.

Revolta-me o facto de uma soberba nação – o Brasil – está a ser esbagaçada, por atos de corrupção escancarada. Revolta-me não existirem leis para extirpar “donos de fortunas ilícitas”.

Por outro lado, sinto muita dor por Jonas, apenas a amostra de um cidadão torturado por ladrões incompetentes. Encerro essa narrativa com a mórbida indagação: quantos milhões de Jonas o Brasil terá ao fim do ano de 2015?

Instinto e razão


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão e Escritor.

Há momentos em que é preciso interromper tudo o que se está a fazer e questionar-se:

A trilha que decidi seguir na vida pode me conduzir até aonde?A trilha

Para um jovem da “antiga classe média[1], amistoso e sociável, diversos caminhos perfeitos se abriram à frente. Assim os percebia – desafiadores, perfeitos –, pois sua vida começava a nascer: estudos, trabalhos e muitas amizades.

Achava que detinha a razão, mas, de fato, apenas o instinto comandava suas decisões. Portanto, seguiu por todos os caminhos que pode, sem chegar aonde desejava. Aliás, sequer sabia quais eram os próprios desejos, por isso precisava testar as trilhas que descobria.

Todavia, faltava-lhe a experiência, que somente a prática intensa consolida. É a partir dessa experiência que começam a sobrevir os primeiros sinais da razão aplicada. E também das reais descobertas da vida, é evidente.

Então com apenas 13 anos de experiência de trabalho, o jovem aceitou outro desafio. Mudar de estado para trabalhar em planejamento empresarial, numa organização que, em 1981, tinha cerca de 22 mil funcionários, distribuídos pelo país inteiro.

Lá descobriu que possuía “um tiquinho de razão” e bastante instinto. Cumpria muito bem com suas funções, embora em 1982 haja publicado um livro de contos, editado pela própria organização! Isso causou uma refrega com sua chefia, que era “enquadrada e oportunista”.

Porém, no ano de 1986, refletiu que já concluíra uma espécie de doutorado em planejamento. Portanto, de posse desse patrimônio, decidiu retornar a seu estado de origem. Queria voltar ao trabalho na consultoria de projetos de engenharia e ambiente, conforme iniciara há 14 anos, em 1972.

Já morando no Rio de Janeiro, diante de seu novo desafio, começou a escrever sem parar, com mais instinto do que razão. Mas não eram contos o que então sonhava. Eram textos técnicos pioneiros, voltados exclusivamente para sua área de trabalho.

Em 1989, com mais de 1000 páginas de textos teórico-conceituais redigidos, pensou que deveria voltar para a universidade. Mas não somente para estudar, também para dar aulas. Foi assim que, com quase 20 anos de experiência de trabalho, fez uma descoberta: “as trilhas da vida atravessam jardins, onde hora se bifurcam, ora convergem para resultados”. Cabe saber como encontra-las. Para isso precisa-se de muito instinto e razão.

Simplicidade e paz

De fato, os caminhos trilhados no passado não se extinguem, nunca se apagam. Ainda que não tenham deixado vívidos legados de felicidade com o trabalho realizado, retornam aos tempos atuais e participam da consolidação de novas experiências e legados.

Hoje, o jovem tem 67 anos. Possui a experiência que mais de 40 anos de trabalho lhe concederam. Busca com seu instinto uma nova bifurcação de sua trilha inicial; deseja ser capaz de encontrá-la na Universidade.

……….

[1] Trata-se da classe média do século 20, década de 1960: com renda familiar hoje equivalente a R$ 15.000,00 mensais e casa própria, numa sociedade que recebia do Estado bons serviços públicos, sobretudo, de educação e saúde.

A base conceitual e seus conflitos


Por força do relativo distanciamento entre a academia e o mercado, no Brasil há muitos que ainda afirmam: “a teoria é diferente na prática“. Sem entrar no mérito desse “descuido“, acredita-se que as práticas do mercado, por serem mais ágeis, podem se tornar uma “teoria particular”.

No entanto, nas áreas em que as ciências ainda são menos consolidadas, a mídia cria conceitos próprios e os divulga a todo vapor. O setor ambiental, sem dúvida, é premiado com uma boa série de “equívocos conceituais”. Com somente um exemplo, é possível mostrar a sucessão de conflitos que pode ser criada.

─ O que é correto: meio ambiente ou ambiente?

Dicionários da língua portuguesa dão ao verbete “meio” inúmeros significados. Mas existem dois que são específicos e auxiliam na resposta a esta questão, quais sejam:Imagem de divulgação

─ “Meio”, a significar metade, e “meio” com sentido de ambiente. De outra forma, meio é, ao mesmo tempo, sinônimo de metade e de ambiente.

Com base nesses fatos, “meio ambiente” significa “metade do ambiente” ou então “ambiente ambiente”. De um lado seria estranho, de outro uma redundância explícita. Nas culturas reconhecidas como as mais evoluídas do mundo, não existe expressão com “meio” integrado a ambiente. Observe em três idiomas qual é o vocábulo equivalente a “meio ambiente”:

  • Em inglês: Environment.
  • Em francês: Environnement.
  • Em alemão: Umwelt.

Esse argumento já deveria ser suficiente para esclarecer a dúvida, no entanto…

1. Conceito oficial

Segundo reza a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a PNMA, Meio Ambiente é “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

1.1. Análise de conteúdo:

  • Qual o significado de “condições, leis, influências e interações” no contexto ambiental?
  • Quais são as entidades ambientais que promovem as “influências e interações”?
  • Como “condições, leis e influências” podem “permitir, abrigar e reger a vida em todas as suas formas”, senão apenas juridicamente, no papel?
  • As “interações” consideradas serão somente as de ordem física, química e biológica?

Conclui-se que esse conceito é similar a uma “Sopa de Pedra”. Nele cabe de tudo. Porém, afora colocar uma pedra no meio do prato, nada mais esclarece. Trata-se de um mero jogo de palavras, com significado ambíguo, genérico e um tanto confuso.

2. Conceito acadêmico

Ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem.

Essas porções detêm distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são observáveis através do comportamento de seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

2.1. Análise de conteúdo:

  • Biosfera é a camada da Terra integrada à litosfera – que lhe serve de substrato –, onde ocorrem todos os seres vivos do planeta. A atmosfera e a hidrosfera são partes essenciais à biosfera e dela não são desvinculáveis. Assim, biosfera, litosfera, hidrosfera e atmosfera conformam o Ambiente integrado do planeta.
  • Fatores ambientais ou fatores ambientais básicos são os componentes dos ecossistemas da Terra. Estão presentes em qualquer porção que se delimite em sua biosfera. Estes fatores são associados aos espaços ambientais que lhes são afetos, pela ordem: espaço físico [o ar, a água e o solo]; espaço biótico [a flora e a fauna]; e espaço antropogênico [o homem e suas atividades].
  • As relações mantidas entre fatores ambientais são realizadas através de trocas de matéria e energia, que são dinâmicas, interativas e espontâneas. Isto garante a estabilidade e a evolução dos sistemas ecológicos que conformam. Denominam-se relações ambientais.
  • Importante destacar o que deveria ser evidente: as relações ambientais, que se realizam há milênios, são energizadas pela luz solar, e possuem natureza física, química, biológica, social, econômica e cultural.

Por existirem o ar, a água, o solo, a flora e a fauna no mesmo cadinho da evolução da vida, a raça humana é, se tanto, a 6ª parte do ambiente do planeta. Mas nem todos têm sã consciência desse fato.

3. Conclusão

Em qualquer área do conhecimento é necessário estabelecer seus conceitos essenciais. Eles conformarão uma base sólida para a construção do conhecimento, a qual será a fundação de seus processos, metodologias e práticas, até ser beneficiada por acadêmicos visionários. A ser assim, a robustez de conceitos, sem ambiguidades, é fundamental ao aprendizado e à evolução das ciências.

A propósito, não se pode esquecer: o Ambiente não opera conforme determinam os diplomas legais e os juristas responsáveis por sua fabricação. Por sinal, fabricantes que não têm o devido respeito às ciências que o explicam. A Lei da Gravidade, com absoluta certeza, não será abolida por meio de Decreto-Lei.

4. Aos interessados, seguem as palestras

Está-se elaborando apresentações para a realização de palestras sobre o tema “Ambiente e Sustentabilidade”. Se a entidade promotora da palestra disponibilizar a logística necessária ao palestrante, serão conversas gratuitas, com duração de até 45 minutos, e tempo livre para debate. Seguem alguns dos títulos a serem inicialmente oferecidos:

  • Sustentabilidade versus Desempenho Ambiental.
  • Ambiente: a base conceitual e seus conflitos.
  • Identificação da Transformação do Ambiente.
  • Elaboração de Matrizes de Impactos Ambientais.
  • Programação e gestão de Atividades de Campo.
  • Formulação de Cenários Ambientais, atual e futuros.
  • Introdução à Avaliação de Impactos Ambientais.
  • Fundamentos para elaboração de Plano Corporativo Ambiental.
  • Fundamentos para Auditoria de Plano Corporativo Ambiental.
  • Introdução ao levantamento e gestão de Passivos Ambientais.
  • Produção e gestão de Procedimentos [Segurança, Ambiente e Saúde].

Após finalizado o ciclo de lançamento desta obra, que detalha esses e muitos outros temas, serão divulgados seminários e cursos intensivos. Espera-se o interesse dos atuais e futuros Gestores do Ambiente.

Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

CEA: 25 anos de evolução


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão e Escritor.

Este editorial é um depoimento externo à UnespUniversidade Estadual Paulista e seu Centro de Estudos Ambientais (CEA). Constitui a visão de um especialista em gestão, nascido no Paraná, criado e residente no Rio de Janeiro, e agradecido a instituições acadêmicas e professores de São Paulo. Creio que esses fatos comprovam a imparcialidade do texto que se segue.

Em 1991, na qualidade de “palestrante alienígena”, participei do 1º Simpósio Nacional para Análise Ambiental, realizado pela Unesp, em seu campus de Rio Claro. Fora indicado pelo Professor Dr. Miguel Petrere Jr. e aceito pelos organizadores, dentre os quais se destacava uma docente pesquisadora: a Dra. Sâmia Maria Tauk-Tornisielo.

Unesp, Campus Rio Claro

Unesp, Campus Rio Claro

A palestra que proferi intitulava-se “A importância da Avaliação Ambiental”. Fiz dois papers para deixar na universidade, aos cuidados da Professora Sâmia. Narravam os equívocos comumente cometidos por essa prática e propunha um novo modelo para realiza-la com mais robustez, o qual ficou conhecido por MAGIA – Modelo de Avaliação e Gestão de Impactos Ambientais (1986-1989).

Saliento que, naquela ocasião, o CEA – Centro de Estudos Ambientais era uma instituição recém-nascida: um ano de idade. Ainda assim, os professores Sâmia Maria Tauk-Tornisielo, Nivar Gobbi e Harold Gordon Fowler, reuniram e depuraram os papers dos palestrantes para publicar o livro “Análise Ambiental: Uma Visão Multidisciplinar”. Por sinal, esta obra recebeu, em 1992, o Prêmio Jabuti, como o Melhor Livro de Ciências!

As capacidades ecológicas da auto-organização e da coevolução já estavam no DNA do CEA e das relações ambientais mantidas entre os membros de sua notável equipe. Tanto é assim que, em 1994, a Unesp de Rio Claro realizou o 1º Congresso Brasileiro de Análise Ambiental.

Desta feita, fui convidado a proferir uma conferência, que intitulei “Metodologias para a Sustentabilidade Ambiental”. Mas preciso salientar que, por fatos imprevistos, passei a noite em claro, à procura de médicos e hospitais e, pela manhã, minha conferência foi um fracasso. Bem distinta da palestra que fizera em 1991.

Todavia, em 1995, de novo foi publicado o livro do evento – “Análise Ambiental: Estratégias e Ações” – organizado por Sâmia Maria Tauk-Tornisielo et alli. Assim, também tive um capítulo publicado, com o texto da conferência.

Como o congresso teve duração de 5 cinco dias, foi nos jardins da Unesp que lancei meu primeiro livro solo: “Gestão Ambiental – Os Instrumentos Básicos para a Gestão Ambiental de Territórios e de Unidades Produtivas” (1994)[1]. Essa obra foi editada pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), com sede na cidade do Rio de Janeiro. Mas, afinal, lancei-a em Rio Claro, São Paulo!

Devo dizer que, até então, desconhecia um fato muito expressivo: a primeira Faculdade de Ecologia do Brasil fora criada na Unesp, campus Rio Claro, em 1976. Dessa forma, os primeiros ecólogos graduados no país têm hoje 39 anos de formados. Sem dúvida, um importante mérito para o ensino superior brasileiro.

Mesmo não sendo Ecólogo, entendo o que diz o axioma: “tudo o que acontece no Ambiente se dá por necessidade e acaso”. Explico. Desde criança sentia uma imensa vontade de escrever. Aos poucos, essa vontade tornou-se imperativa. Aos 22 anos ganhei um concurso nacional de contos, somente para estudantes universitários. Aos 32 anos, lancei um livro de contos, intitulado “O Lapidador”. Sentia a necessidade de ser escritor. Mas foi por obra do acaso que encontrei Petrere, Sâmia e a Unesp na cidade de Rio Claro. Tornei-me escritor de livros técnicos e acadêmicos dedicados ao setor ambiental.

Mais tarde, em dezembro de 2003, lancei o segundo livro solo, intitulado SLAN – Sistema de Licenciamento Ambiental Nacional: é possível. Foi prefaciado pelo Professor Emérito de Ecologia na USP, Dr. Paulo Nogueira-Neto. Simplesmente, ele foi o fundador do Setor Ambiental Brasileiro, o qual geriu durante cerca de 12 anos, dirigindo a Sema – Secretária Especial do ‘Meio Ambiente’. Foi esse o órgão público, criado em 1973, que organizou o Conama. Depois a Sema foi transformada no Ibama e, mais tarde, de forma indireta, deu à luz ao próprio Ministério doMeio Ambiente’.

Parabéns, Paulo Nogueira-Neto! O senhor é um guerreiro, pois criou o mercado da consultoria ambiental no Brasil, abriu vagas de trabalho para milhares ou até milhões de brasileiros, ansiosos para atuar em prol da estabilidade do ambiente nacional. Porém, sobretudo, criou espaço para o surgimento de novas faculdades e cursos superiores em todos os estados do país!

É nesse contexto que me sinto honrado pelo convite da Dra. Sâmia Tauk-Tornisielo para redigir este editorial, a ser publicado em breve na Revista Holos Environment. A qualidade e aplicabilidade prática de seus inúmeros artigos científicos, sempre elaborados por notórios especialistas nas Ciências do Ambiente, dá sustentação à ideia que a gestão adequada do ambiente é cada vez mais um fato inadiável para a Humanidade.

Por fim, como não poderia deixar de ser, comunico o lançamento de meu terceiro livro: “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Esta obra tem previsão para estar pronta em 30 de junho de 2015, impressa e em formato digital. Tenho certeza que poderei fazer palestras sobre os inúmeros temas da Gestão do Ambiente. Aguardo receber convite da Unesp e retornar ao seu campus de Rio Claro.

……….

[1] Tenho orgulho deste trabalho; afinal, dentre outras coisas mais relevantes, creio que fui um dos pioneiros no uso do termo “Gestão Ambiental”, ao invés do anglicismo “Gerenciamento Ambiental”.

Uma obra técnica e literária


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão e Escritor.

Se bem me recordo, foi em janeiro de 2008 que o amigo e parceiro em estudos ambientais, Professor Antônio Carlos Beaumord[1] ou “Tu” (para os mais próximos), fez-me um desafio literário:

Cactos em floração

Cactos em floração

─ “Ricardo, você é escritor. Entãopor que não reúne todas as suas metodologias num único livro? Acho que seria uma bela contribuição para a Universidade”.

─ “Tu, eu precisaria de vários anos de dedicação para realizar esse trabalho. Mas tenho família e, para sobreviver, sou obrigado a fazer consultoria”, respondi-lhe, não sem alguma tristeza.

Contudo, a ideia de publicar mais um livro técnico não me saiu mais da cabeça; sou um otimista nato. Claro que o “diabinho pousado no ombro esquerdo” não parava de me aporrinhar o ouvido:

“─ No Brasil você não vai ter editora para publicar esse livro! Vai custar muito caro; duvido que você tenha cabeça fria para organizar esse livro…”

Porém, com a crise financeira global iniciada em fins de 2008, o mercado de consultoria no país começou a emagrecer. Senti que a dita “marolinha” era mesmo um longo e devastador tsunami. Pelo menos assim aconteceu com a conta bancária da família.

Com a forte redução dos serviços de consultoria, a única coisa que cresceu em minha vida foi o tempo vago. Confesso que sequer pensei em conseguir uma editora. Segui a ideia do Tu e comecei a organizar o livro. Precisava ocupar meu tempo livre.

Em 2010, exatamente no dia 31 de novembro de 2010, finalizei a obra, ainda que sem revisão. Ficara com 737 páginas A4, distribuídas nos 18 capítulos que seguem:

  • Capítulo 1: Conceitos Básicos para Estudos Ambientais.
  • Capítulo 2: Modelo para Identificação da Transformação Ambiental.
  • Capítulo 3: Estabelecimento das Premissas para Estudos Ambientais.
  • Capítulo 4: Caracterização Ambiental de Empreendimentos.
  • Capítulo 5: Programação e Gestão de Atividades de Campo.
  • Capítulo 6: Elaboração de Diagnósticos Ambientais.
  • Capítulo 7: Consolidação das Premissas de Estudos Ambientais.
  • Capítulo 8: Elaboração das Matrizes de Impactos Ambientais.
  • Capítulo 9: Formulação de Prognósticos Ambientais.
  • Capítulo 10: Formulação de Cenários Ambientais.
  • Capítulo 11: Modelo para Avaliação Quantificada de Impactos Ambientais.
  • Capítulo 12: Desenvolvimento e Gestão de Plano Corporativo Ambiental.
  • Capítulo 13: Auditoria de Plano Corporativo Ambiental.
  • Capítulo 14: Modelos para Estudos Preliminares de Viabilidade Ambiental; Estudo de Impacto Ambiental; Relatório de Impacto Ambiental; Programação e Gestão de Audiências Públicas; Elaboração e Gestão de Projetos Ambientais; Levantamento e Gestão de Passivos Ambientais.
  • Capítulo 15: Desenvolvimento e Gestão de Plano Executivo de Gestão Ambiental de Obras.
  • Capítulo 16: Modelos para Elaboração e Gestão de Procedimentos Ambientais; Organização e Operação de Comitês de Gestão Ambiental e da Sustentabilidade; Organização e Operação de Ouvidoria Ambiental; Código de Conduta Ambiental; Gestão de Licenças Ambientais; Elaboração de Termos de Referência.
  • Capítulo 17: Aprendizado com a consultoria.
  • Capítulo 18: Estudo Preliminar de Viabilidade Ambiental do Planeta Terra.

O acaso e a amizade

Em 2011, executava um projeto de gestão ambiental de obras civis em 12 capitais brasileiras, quando fiz a primeira impressão dos manuscritos em uma laser comercial. Resolvi dividir a livro em cinco volumes. Achei que ficaria mais fácil mostrar apenas um volume a pessoas que conhecessem boas editoras .

De fato, já houvera definido uma editora desejada, mas não consegui acesso a ela. Alguns “amigos”, na “ânsia de ajudar“, disseram-me: “─ Fala com a Josefa em meu nome’, ela dirige a editora. Mas acho que não há interesse nesse assunto”. Foi uma ajuda motivadora. Sequer telefonei para a dita senhora, embora, então, trabalhássemos na mesma organização.

Todavia, em novembro de 2012, fui convidado pela Professora Paula Marinho para fazer uma palestra na Universidade Estácio de Sá, no Campus de Del Castilho. O tema era “O Mercado da Engenharia Ambiental”. Cheguei quase no horário marcado: às 19:10 horas. Tinha 45 minutos para dar o recado, pois havia dois palestrantes à espera, ambos professores da universidade: o Professor Padilha[2], Coordenador Nacional de Engenharia, e o Professor Luis Mauro, Coordenador Local de Engenharia Ambiental.

Durante minha palestra, sempre a provocar aos alunos, notei que o auditório estava a lotar, inclusive com pessoas sentadas nas escadas, espremidas na porta de entrada e no corredor. Falei por cerca de uma hora e fiquei quase outro tanto a responder perguntas. Nenhum professor que aguardava a vez me interrompeu por ter ultrapassado meus 45 minutos, ao contrário. Ao fim, recebi uma saudável salva de palmas dos universitários e professores presentes. Emocionei-me, é claro.

Entretanto, meu único foco era publicar o livro, que até mesmo já batizara de “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Sem dúvida, a palestra havia sido proveitosa, conhecera bons professores, mas, é daí? Cadê a minha editora?!

Mal sabia eu que o Professor Padilha, com quem conversara acerca da busca por uma edição de qualidade, tinha como velho conhecido o Diretor Editorial de um grupo que reúne 10 editoras de obras técnicas e científicas. E mais, que ambos eram formados e pós-graduados no IME, em Engenharia Militar.

Assim, mais tarde obtive a informação que o Professor Padilha, por mera questão do acaso, insinuara ao Professor Severo que havia no mercado literário um manuscrito órfão, merecedor da análise de alguma editora do Grupo Editorial Nacional – GEN (clique o link para conhecer). E deu certo!

Mergulho na edição

Dessa forma, graças a uma palestra sem pretensão, proferida em novembro de 2012, assinei contrato com a LTC Editora no início de fevereiro de 2013! Ou seja, como dezembro é mês de festas, o GEN solicitou meus manuscritos para análise em janeiro; e, em 6 de fevereiro, contratou a edição da obra. No máximo, gastou dois meses para tomar a decisão.

Arte da 1ª capa de AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

Arte da 1ª capa de AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

A vida de autor seria difícil não fosse a qualidade da equipe dedicada à edição de livros. Em meu caso acrescento: não fosse a educação, a competência e a presteza de todos com que mantenho relações profissionais, desde o início de 2013 até hoje, decerto teria adoecido dos nervos.

De início, afobado e feliz, fiz em casa a revisão completa dos manuscritos e encaminhei-os à LTC. Em seguida, respondi às dúvidas da revisora oficial da LTC. Após essa etapa, coube a uma artista gráfica modelar a capa e o miolo do livro. Gostei muito do resultado: parece um quadro abstrato, mas é nitidamente orgânico e biótico. Ilumina o espaço e se destacará nas estantes de livrarias e bibliotecas.

Neste momento, estou a finalizar a revisão das 605 páginas da obra, diagramadas no formato final para impressão industrial. Somente a partir de então os capítulos serão integrados numa peça única. Terei poucos dias para rever a obra inteira, de modo a que esteja pronta no dia 27 de julho próximo, seguindo o cronograma de trabalho da LTC Editora.

Lançamentos da obra

O Grupo Editorial Nacional não realiza o lançamento físico da obra. Usa apenas seus sites na internet e conta com uma ampla rede de livreiros. No entanto, auxilia aos autores a realiza-lo. Por isso, minha proposta é fazer diversas palestras sobre os temas tratados no livro e ter um livreiro presente para oferecer os livros. Obviamente, autografarei cada um.

Dessa forma, meu projeto é divulgar nacionalmente o trabalho. Programar com universidades, fundações, associações nacionaisinstitutos para lançar o livro após uma palestra.

Referência bibliográfica

Kohn de Macedo, R., AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão. GEN – Grupo Editorial Nacional, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos. ISBN 978-85-216-2731-9. Rio de Janeiro, RJ. 636 pg., Julho 2015. 1ª edição.

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[1] Professor Beaumord, Doutorado em “Ecology, Evolution and Marine Biology na University of California, Santa Barbara”. É docente pesquisador do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar), Universidade do Vale do Itajaí – Univali, bem como consultor internacional em ecossistemas aquáticos.

[2] Professor Padilha, Mestrado em Engenharia Militar no IME – Instituto Militar de Engenharia. É docente na Universidade Estácio de Sá – Unesa.

A derrocada do Ensino Superior


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Ricardo KohnO cenário da educação no Brasil ficou assustador: escolas básicas e fundamentais, bem como universidades públicas de todo o país, foram jogadas às traças por intelectualoides. Decerto, são seres que não foram civilizados na tenra idade – como é essencial a todas as crianças –, de forma a se tornarem mais sociáveis a partir dos cinco primeiros anos de vida.

Todavia, a meu ver este cenário é um processo planejado de destruição ética e moral, cujos pilares vêm a ser erigidos há pelo menos três décadas. No entanto, é somente em 2015 que se torna mais nítido. Aliás, segundo a apologia desonesta “Brasil, Pátria Educadora”, foram subtraídos, de forma abominável, cerca de 7 bilhões de reais do orçamento da pasta da Educação.

É óbvio que se as instituições de ensino em geral já estavam em estado lastimável; se seus professores continuavam a ser muito mal remunerados; se as matérias dos cursos são as mesmas – excessivas, estanques, superficiais e até mesmo desqualificadas –, um corte desta envergadura na educação, proporcionou a derrota final do ensino na dita “Pátria Educadora”.

Causa-me perplexidade, bem como ameaça a qualquer cidadão. Até mesmo àqueles já vacinados contra “analfabetite” (um tipo de degeneração do cérebro, infecciosa e transmissível, bastante comum no atual “Brasil político“).

Contudo, vou me ater apenas ao ensino superior, pois há um excelente artigo assinado por Cláudio de Moura Castro em que ele narra, segundo minha ótica, a asnice cometida contra o aprendizado normal de alunos do ensino médio brasileiro. Em suma, o Prof. Cláudio esgota o assunto em uma página de revista (recém-publicado em edição da revista Veja[1]).

Ensino universitário a desmoronar

A imprensa tem apresentado reportagens e notícias acerca do quadro em que se encontram inúmeras universidades públicas, tanto federais quanto estaduais. Em diversos estados há professores em greve (17), alunos revoltados com a situação, reitorias invadidas, faculdades fechadas, aulas suspensas, além de salas, corredores e banheiros imundos, sem serviços de limpeza.

A Universidade de São Paulo e a Universidade Federal do Rio de Janeiro parecem ser os mais graves problemas da gestão pública neste setor. Universitários e professores tornaram-se vítimas anômicas da mesma incompetência governamental. Dessa forma, é triste, diria mesmo, repugnante, ver o cenário vigente de calamidade educacional, com clara tendência a se agravar.

Confronto na Universidade Federal de Santa Catarina: parada e sem aulas

Confronto na Universidade Federal de Santa Catarina: parada e sem aulas

Ademais, esse quadro também atinge as universidades particulares. O governo federal criou uma série de mecanismos e “siglas paranormais” que servem para financiar estudos superiores nessas instituições: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (FGEDUC). Contudo, para complicar um pouco o estamento burocrático, foi criado o SisFIES, que deve ser o sistema para cadastro no FIES.

Ocorre que em 2015 toda essa parafernália não funcionou. Ficaram de fora do FIES cerca de 178.000 universitários. Simplesmente, não conseguiram se recadastrar pelo SisFIES. Dessa forma, sem o financiamento contratado, os que não puderam pagar do próprio bolso, trancaram matrícula nas faculdades que cursavam.

Um conselho de político velhaco

Afinal, meus jovens, resignem-se: o prejuízo poderia ser maiorSó lhes resta aguardar o dia em que o repasse do governo federal acontecerá. Contudo, agradeçam ajoelhados e de mãos postas. Trata-se da benção dos céus economicamente corrompidos.”

Reflexão universitária

Tenho amigos de longa data que são docentes e pesquisadores em diversas universidades brasileiras e instituições de pesquisa, públicas e particulares. Temos conversado muito sobre o temporal acadêmico que está a se formar sobre a cabeça de certos governantes velhacos.

Cada um de nós tem motivo específico para manter essa conversa. No entanto, sem interferência ideológica ou partidária, fomos unânimes nas seguintes posições:

  • A qualidade do setor da Educação é o principal fundamento para o desenvolvimento de qualquer nação do mundo.
  • O tenebroso balanço auditado da Petrobras 2014, aprovado por seu Conselho de Administração, demonstrou que, pelo menos, houve desvios ilegais de dinheiro público da ordem de R$ 50 bilhões: 6 bilhões pela corrupção oficial e 44 bilhões na “reavaliação de ativos”. De fato, esta “reavaliação” significa “ativos sobre avaliados que desapareceram no ar”, ou seja, por força dos mecanismos engendrados para a corrupção subliminar.
  • Teve-se quase certeza que a corrupção descarada na Petrobras, durante 10 anos, foi maior do que seu último balanço oficial demonstra. Por baixo, estimou-se que foi da ordem de R$ 90 bilhões.
  • Teve-se quase certeza que a cleptocracia entranhada no Estado desviou dinheiro de bancos públicos, de empréstimos internacionais do BNDES, de fundos de pensão, da Receita Federal, das obras do setor de energia elétrica, das obras do PAC, das obras da Copa do Mundo, do corredor de passagem da Ferrovia Norte-Sul, das obras da Transposição do Rio São Francisco e das obras do DNIT, Infraero e outras instituições públicas de infraestrutura. O montante desta extorsão criminosa é impensável.

Mas, por fim, restou-nos a indagação: ─ “Por quais motivos no Brasil a evolução das ciências, das pesquisas, das universidades e do ensino superior está a sofrer a mais catastrófica decadência de sua história?”

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[1] O título do artigo é “O pior ensino médio do mundo?” Observo que Cláudio de Moura Castro é Doutor em Educação, pela Cornell University, USA. Caso tenha interesse em ler seu artigo, encontra-se publicado na edição 2424 da Veja, referente a 6 de maio de 2015.

Reforma do Estado: urgente!


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Ricardo KohnEm passado recente (sobretudo, na década de 1960 e início da de 70), ocorria no Brasil o debate extremo sobre dois processos políticos: reformas ou revolução. Os marxista-leninistas defendiam a revolução armada, a extinção das classes não proletárias e a tomada do poder por líderes revolucionários. Mas sempre a dizer que atuavam em nome do proletariado, muitos deles títeres pela ignorância.

E para dar mais vigor a essa maldita proposta, a “propaganda goebbeliana” dos facínoras alardeava que Cuba era a demonstração cabal de uma revolução bem-sucedida!

Todavia, em contrapartida, também existiam os “reformistas”, com alvos mais claros e definidos: propunham um governo liberal e democrático, a melhoria da economia de livre mercado, baseada em atividades da iniciativa privada. Assim, caberia ao Estado tão-somente regular e fiscalizar os meios de produção privados, com despesas de custeio infinitamente menores.

No entanto, os marxista-leninistas alcunharam-na de capitalismo selvagem. Mais tarde, diga-se, com “rótulo acadêmico e intelectual”, chamaram-no de neoliberalismo conservador, pois se auto titulavam como “progressistas”.

Vale relembrar a frase irônica publicada por Millôr Fernandes, quando afirmou das “relações humanas” entre o passado longínquo, ocorrido a cerca de 300 milênios atrás, e o mais próximo, há apenas 12 milênios. Disse Millôr:

─ “No Paleolítico ninguém acreditava no Neolítico”.

Sem dúvida, os últimos governantes do Brasil pensam como os embrutecidos do Paleolítico. No entanto, até mesmo o homem da pedra lascada, que sobreviveu ao Neolítico, foi capaz de evoluir e construir artefatos de bronze e de ferro. Porém, fez bem ao contrário das ações da corja do planalto, que criou a era do Cleptolítico.

Afinal, o homem do Cleptolítico é uma forte degradação do homo sapiens. Sua vida resume-se em alcançar cargo público de maior destaque, não importa quanto e a quem vai custar. Ele é um idiota, contudo demente e furioso. Se consegue atingir o alvo sonhado, distribui cargos para “companheiros”, todos iguais a ele: cleptomaníacos, puros por origem.

Assiste-se hoje no Brasil, não sem riscos de retorno, ao início da decadência da “cleptocracia populista” instalada no governo. O pânico do partido é de tal ordem que desistiu de ser revolucionário e passou a propor reformas disparatadas em seu governo. Mas lembre-se: tudo o que precisa de reformas é prédio prestes a tombar. E o partido quer fazer várias: uma reforma política, um “ajuste fiscal” e, pasmem, um “pacote anticorrupção” que seus próprios sequazes cometem sem parar, há mais de uma década.

No entanto, são as mesmas reformas contra as quais o partido atuou como furioso ruminante, a 30 anos atrás. Tanto é fato que a “soberana” – incluindo seu mentor apedeuta e asseclas de variadas súcias e facções – encontra-se perdida qual “cega num choque frontal de trens”. Em 2015, nas poucas vezes que conseguiu abrir a boca em público, não disse coisa com coisa, foi vaiada e recebeu panelaços.

É urgente apagar da história brasileira o Estado Cleptolítico implantado. Para começar, deve-se passar a borracha em partidos políticos – bastam três, desde que não tenham cometido crimes contra o Estado; borracha verde nos ministérios do executivo – bastam os doze essenciais; borracha inapelável em todos os cargos comissionados federais; borracha grossa na quantidade de parlamentares no Congresso e nas “escabrosas ajudas de custo” que recebem; por fim, borracha privatizante em todos os bancos e empresas estatais.

A maioria absoluta da sociedade brasileira exige a completa Reforma do Estado! É quase a Revolução