Microesculturas da Natureza


Ricardo Kohn, aprendiz de filósofo.

O fotógrafo londrino, Levon Biss, dedicava-se a produzir campanhas publicitárias de notórios ícones de sua geração. Após 18 anos dedicados a este gênero de fotos, sentiu a repetitividade das tarefas. Percebeu que suas fotos não mais lhe traziam prazer profissional; tinham a função de serem descartáveis. Até que um dia Sebastian, seu filho, lhe entregou um pequeno besouro que achara no jardim. Após examiná-lo em um microscópio, Levon fez diversos registros e verificou que, com lentes e iluminação adequadas, era possível ver detalhes de um inseto de 5 mm. Assim, teve início o “Projeto Microesculturas”.

Fez fotos de outros insetos e contatou a “Oxford University Museum of Natural History”, onde há uma bela coleção de espécimes da entomofauna mundial. O museu, ao ver a qualidade do trabalho fotográfico, permitiu que Levon registrasse 37 dos seus insetos. Após quase três anos de trabalho, estavam prontos e impressos a fotos dos pequenos animais. Todavia, em placas indoors de 2 a 3 metros de altura.

Scarab

Escaravelho – Amazoniam Purple Warrior

Este material já foi exposto em diversos países – Suíça, Dinamarca, Alemanha, Canadá, Itália, União dos Estados Árabes e Inglaterra, entre outros. O sucesso tem sido notável, em especial para os mais jovens, curiosos pela natureza primordial.

Para ter ideia do que foi necessário fazer, explorem o site de Levon: Microsculpture – The Insect Portraits of Levon Biss. Ele é dinâmico, as imagens dos 37 insetos se alternam na primeira página. Sugiro que iniciem pela palestra que Levon fez no TED Talk, Canadá. Depois, vislumbrem cada inseto da coleção, com o nível de zoom que desejarem. Por fim, assistam ao vídeo que consta na primeira página do site. Mostra o processo de produção dos espetaculares indoors.

Orchid Cuckoo BeeAbelha – Orchid Cuckoo

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Obra sobre Filosofia do Ambiente


Assim fala o Ambiente

Durante um ano supervisionei a redação do ensaio “Princípios da Filosofia do Ambiente”. É dedicado aos que argumentam objetivamente, com base na lógica diferenciada.

Neste ensaio a ótica está invertida se comparada à tradicional postura da filosofia, qual seja, aquela que mantém o Homo sapiens como um ser superior a todas as coisas e a decidir sobre como usar o Ambiente. Em sua visão ufanista tudo o existe é de sua propriedade e serve somente para servi-lo.

No entanto, em “Como o Ambiente vê o Sapiens” fica claro que o sujeito da filosofia é o Ambiente; o Sapiens, apenas seu objeto de uso. De fato, o Ambiente reflete, pratica e ensina sua própria filosofia. Caberá ao Sapiens agradecer e ovacioná-la; acaso a entenda.

Para adquirirem esta obra inédita, cliquem aqui ou então na imagem da capa abaixo. Seu preço de lançamento é R$ 24,90, menos que o prazer fugaz de uma taça de vinho.

Abraça-os, o eterno
Ambiente

Capa

 

Resgate do bom senso


Ricardo Kohn, Aprendiz de Filósofo.

Parece-me que bom senso não é uma habilidade inata do Homo sapiens. Creio que no seu DNA não há um gene responsável por esse traço de caráter. Aliás, não me recordo de portar “bom senso” ao nascer. Contudo, lembro-me bem de ouvir dos mais velhos uma sugestão diária: ─ “Menino, use seu bom senso”. Custei a perceber o que me diziam. Refletia indeciso sobre o que deveria ser bom senso. Porém, mesmo sem sabe-lo, acostumei-me à sugestão ancestral. Afinal, haveria de ter pelo menos uma razão lógica associada ao fato de possuir “bom senso”. Assim, em um dia perdido da juventude, a prudência aconselhou-me a aguardar o nascimento espontâneo desta sabedoria. Fiquei surpreso ao descobrir que bom senso era um tipo de sabedoria, mesmo ainda a desconhecer seu néctar.

Durante a adolescência ─ quando todos anseiam ser adultos ─, esqueci-me do bom senso. Graças a isso, presenciei atitudes insensatas de amigos. Fui imprudente em vários atos que cometi. Todos pagamos o justo preço das consequências. Diria hoje, da falta de bom senso. Aos poucos comecei a descobrir que esta faceta de caráter deve ser vista como uma arte da escultura. Entalha-se o bom senso através de processos de ensaio e erro, do aprendizado que provém das topadas que cometemos no caminho da maturidade.

Isto é Arte! A escultura quase perfeita de Lu Li Rong

Hoje ocorrem debates acalorados sobre algumas “exposições de arte viva”, por assim dizer. Ofereceram ao público variadas exibições de nudez humana. Não entro no mérito dessas exposições, foco apenas nos dois grupos que se digladiam com posturas opostas. De um lado,  os “progressistas”, que acham normais as demonstrações públicas feitas por homens pelados, pois constituem a livre expressão da arte. De outro, os “conservadores”, que acusam os donos desses eventos de destruidores da família, promotores da pedofilia, a afrontar princípios básicos de religiões. Ambas as argumentações me parecem esquisitas, fracas, pois nelas falta o bom senso, carecem de sensatez, são imprudentes.

A propósito, há uma íntima correlação entre bom senso, prudência e sensatez. Todos esses traços de caráter ─ que são artes da escultura ─ requerem capacidade de observar fatos, de refletir sobre eles, descobrir suas finalidades e entender os argumentos alheios, ainda que baseados em esquisitas alegorias[1], com vistas a embolsar dinheiro dos tolos.

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[1] Para a filosofia as “alegorias” são textos que encerram o valor simbólico das imagens e da narrativa, em decorrência das escolas a que pertencem.

Filósofo Aprendiz


Ricardo Kohn, Escritor.

Pelo menos durante um dia da vida, creio ser provável que um bom número de cidadãos haja sonhado em ser filósofo. Isto por que existe a leveza intelectual associada à prática da boa filosofia. Costumo dizer que fazer filosofia é duelar com a lógica e a razão das palavras, em busca de descobertas. Afinal, elas ganham vida própria assim que são escritas no papel. E o filósofo é o espadachim que se deixa levar, mas atento para manter a essência de seu texto, de modo a que ele não lhe escape e acabe seduzido pela dança das palavras.

Graças a esses aspectos, há questões a considerar:

  • Em sua origem, o que a filosofia significava para o cidadão comum?
  • Como o filósofo deve proceder perante seus discípulos?
  • Quais são as consequências de o cidadão ser parte do seleto grupo de filósofos, muito embora não haja sido convidado?

Antes tratar destas questões, acho importante mostrar onde se situa a filosofia. Para Bertrand Russel[1]todo conhecimento definido […] pertence à ciência; e todo dogma, quanto ao que ultrapassa o conhecimento definido, pertence à teologia. Mas entre a teologia e a ciência existe uma terra de ninguém, exposta aos ataques de ambos os campos: essa terra de ninguém é a filosofia”. Na literatura histórica, não encontrei reflexão mais objetiva do que esta.

A origem da filosofia acontece na Grécia Antiga – século VI a.C. –, por meio de uma escola fundada por Tales de Mileto, na Jônia, colônia grega situada no Mar Egeu. A Magna Grécia era notória como líder mundial do pensamento e a Escola de Mileto demarcou a origem da filosofia ocidental. Para cidadãos comuns, filosofia era o espaço em que ouviam e podiam questionar as reflexões de seus mestres. Foi o espaço semeado pelos pensadores gregos, onde havia a liberdade da palavra em prol da cultura, com vistas a educar cidadãos para descobrirem como pensar com a lógica.

Filosofia é exatamente isso: saber pensar, ponderar, refletir, argumentar, deduzir e inferir coisas sobre os temas oferecidos à mesa de diálogos. Deduzo que, para se tornar filósofo, não há regras ou normas que limitem qualquer cidadão comum. A prática da filosofia é aberta a todos, sem exceção. Dessa forma, infiro que ninguém precisa ser convidado para ser filósofo, basta saber qual espaço poderá ocupar com sua filosofia.

Como Filósofo Aprendiz optei por ingressar na filosofia, através de uma obra sucinta, Ícone da capaintitulada “Princípios da Filosofia do AmbienteComo o Ambiente vê o Sapiens”. É possível prever por este título que se trata de uma filosofia que inverte a egolatria filosófica presente nas reflexões de vários filósofos do medievo. Aqui o Ambiente é o sujeito e o Sapiens, seu objeto.

Os capítulos deste ensaio apresentam-se em 172 páginas, com a seguinte estrutura:

  • A Introdução da obra, onde parto de uma equação filosófica: Ambiente + Sapiens Impactos + Áreas Devastadas + Lixo + Restos do Ambiente.
  • O Sumário Histórico da Filosofia Ocidental, que visa a situar em qual espaço cultural a Filosofia do Ambiente poderá se assentar.
  • A Base Conceitual Científica, onde apresento conceitos que julgo relevantes sobre os processos ambientais, as características funcionais do ambiente e suas respectivas argumentações analíticas.
  • Os Primatas da Humanidade, onde busco compreender o comportamento do sapiens, como um reagente instável, às vezes espúrio, na equação filosófica enunciada.
  • Os Fundamentos da Filosofia do Ambiente, que apresenta algumas premissas em que devem se fundar a filosofia do ambiente. Essas premissas estimulam a realização de debates, os quais procuro formular através de questões com respostas provocativas, sobretudo, as relativas ao mundo em que se vive atualmente.
  • O Ambiente Terráqueo, onde revelo, através de constatações factuais, as principais ameaças à sua qualidade e, por óbvio, à vida de todos os seres vivos que habitam a Terra. Debato ameaças significativas impostas pelo homem aos espaços físico, biótico e antropogênico do ambiente terráqueo.
  • Como o Ambiente vê o Sapiens traz uma narrativa sumária da origem e evolução do Homo sapiens na Terra. Em “Assim fala o Ambiente”, coloco-me em seu lugar, com vistas a refletir sobre o sapiens como se eu fosse o ambiente. Esse exercício de lógica permitiu-me inferir sobre a conduta das espécies e subespécies do Homo sapiens, segundo a taxonomia do ambiente.
  • A Base Conceitual Filosófica apresenta a revisão dos conceitos científicos, segundo a ótica do ambiente, assim como sua argumentação analítica. A base filosófica está realizada a partir de “Assim fala o Ambiente” e do “Decálogo do Ambiente”.
  • Em Inferências Filosóficas procuro refletir sobre quatro temas: (i) as Religiões do Homem Dominante (Homo dominans); (ii) as Ciências do Ambiente; (iii) a Avaliação Filosófica de Impactos sobre o Ambiente; e ofereço (iv) Parábolas do Ambiente.
  • Em O Homem Primordial, apresento uma estratégia de ação para cooptar várias das subespécies do Homo dominans (Homem dominante) e torna-las Homo rarus (Homem raro), a espécie que, além de qualquer dúvida, é um bem do ambiente.
  • Concluo com o Epílogo, onde arremato conclusões e formulo expectativas.

Esperava lançar a versão digital deste livro em dezembro. Mas consegui publica-lo em 9 de novembro. Quem desejar conhece-lo clique aqui. Sugiro aos amigos que o adquiram e o divulguem nas redes sociais, no ambiente de trabalho, em faculdades e em escolas de nível médio. Desde já, feliz, agradeço a todos.

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[1]
Bertrand Arthur William Russell, matemático e filósofo, nascido a 18 de maio de 1872, no País de Gales. Prêmio Nobel de Literatura, em 1950. Atuou em vários países como professor de matemática avançada. Faleceu aos 97 anos, em 2 de fevereiro de 1970, na mesma nação britânica.

Choque frontal com o Ambiente


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

A finalidade deste artigo é demonstrar a importância do ambiente estabilizado para todos os seres vivos do planeta, inclusive os humanos; do ambiente  estável versus os impactos que sofre com as atividades que nele são implantadas, as quais tentam ser explicadas como “a adaptação e evolução do homo sapiens face à dinâmica deste espaço”. Bela retórica, porém, falsa como rocha líquida. Inicia-se o artigo com a desmistificação da expressão “meio ambiente”.

1. Introdução

O vocábulo “meio” possui diversos significados, os quais variam em função de seu uso: como adjetivo, substantivo ou advérbio. Por exemplo, como adjetivo pode significar “metade”; como substantivo, “lugar onde se vive” = “ambiente”; como advérbio, “mais ou menos”. A fonte usada é o Dicionário Priberam[1], onde se encontram outros significados para este mesmo vocábulo.

Na expressão “meio ambiente”, o vocábulo meio pode ser entendido como adjetivo, substantivo ou advérbio. Ou seja, faz com que a expressão signifique coisas esdrúxulas: metade do ambiente, ambiente ambiente e mais ou menos ambiente.

Não há dúvida que essas expressões trazem um erro trivial da gramática (o pleonasmo ambiente ambiente) e dois deboches com as ciências do ambiente (metade do ambiente e mais ou menos ambiente). Além de deixar evidente a pouca formação de seu criador e respectivos repetidores, destaca-se.

2. A expressão “meio ambiente”

A origem temporal de “meio ambiente” é bem discutível. Sobretudo, quando se visa a acentuar a relevância de entender o que é o ambiente diante das práticas de trabalho em consultoria, foco principal desse artigo.

No entanto, provém da academia uma pesquisa exaustiva que pretende justificar que o termo a ser usado pode ser meio ambiente[2], quando consideradas as óticas das ciências naturais e ciências humanas. Segundo o texto, da ecologia e da educação ambiental. Essa pesquisa remete-se à Idade Média e considera que o ambiente (meio ambiente) deva ser visto, analisado e trabalhado através da visão antropogênica.

Discorda-se frontalmente dessa afirmação. As ditas ciências humanas não se prestam para entender o que é o ambiente, dado que são mais discursivas, opinativas, simples retórica. Há que se buscar ciências que o detalham “como se fossem o próprio ambiente a esclarecer seu comportamento, as relações que nele se estabelecem, bem como suas funcionalidades”.

Afinal, educação ambiental não constitui ciência, apenas uma técnica ainda rudimentar. Além disso, seu título é um pleonasmo (toda a educação é ambiental), tal como Saneamento Ambiental. Por acaso existe um sistema de tratamento de esgotos que não seja oportuno para a qualidade do ambiente?!

As ciências do ambiente[3] que se destacam são ecologia, meteorologia, hidrologia, geologia, pedologia e a biologia. É através da aplicação delas que se pode trabalhar impune no ambiente.

Porém, enfatiza-se que a explicação das atividades antropogênicas precisa ser efetuada através dos processos da ecologia. Há décadas que notórios ecólogos mundiais demonstram que o ser humano é parte dos ecossistemas, embora neles cause rupturas ambientais que os degradam.

3. Como são conceituados meio ambiente e ambiente

Os conceitos abaixo, bem como suas análises de conteúdo, demonstram que há um severo choque frontal entre a desinformação de legisladores e juristas versus a visão de consultores especializados, cientistas e acadêmicos.

3.1. Conceito brasileiro de meio ambiente

Segundo a Lei no 6.938[4], em vigor até hoje, meio ambiente é “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

O conteúdo deste texto, tido como oficial, cria severas dúvidas ao leitor medianamente atento. Destacam-se algumas:

  • Qual o significado de “condições, leis, influências e interações” no contexto do ambiente?
  • Quais são as entidades do ambiente que promovem “influências e interações”?
  • Como “condições e leis” podem “permitir, abrigar e reger a vida em todas as suas formas”, senão apenas no papel?
  • As ditas “influências” significam o quê, provém de onde, de que fatos?
  • As “interações” seriam similares às relações ambientais ou ecológicas?
  • Ainda assim, seriam somente as “interações” de ordem física, química e biológica?
  • Delas resultariam o quê, currais ou ecossistemas limpos?!

Trata-se do conceito “sopa de pedra”. Nele cabe de tudo. Mas, afora colocar a pedra no meio do prato, nada esclarece. É um mero jogo de palavras que não conseguem se conectar. Por isso mesmo, com significado difuso, ambíguo, genérico, confuso. Em suma, é uma piada oficial sem qualquer significação.

3.2. Conceito profissional de ambiente

Segundo especialistas em gestão do ambiente e ecologia, ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem. Essas porções detêm distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são analisáveis através do desempenho de seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

A visão estável do ambiente

Engenharia inteligente, ambiente estabilizado

Segue a análise de conteúdo deste conceito:

  • Biosfera é a camada da Terra integrada à litosfera – que lhe serve de substrato –, onde ocorrem todos os seres vivos do planeta. A atmosfera e a hidrosfera são partes essenciais à biosfera e dela não são desvinculáveis. A ser assim, biosfera, litosfera, hidrosfera e atmosfera conformam o ambiente integrado do planeta.
  • Fatores ambientais ou fatores ambientais básicos são os componentes dos sistemas ecológicos da Terra. Estão presentes em qualquer porção que se delimite em sua biosfera. Estes fatores são associados aos espaços ambientais que lhes são afetos, pela ordem: espaço físico [o ar, a água e o solo]; espaço biótico [a flora e a fauna]; e espaço antropogênico [o homem e suas atividades].
  • As relações mantidas entre fatores ambientais são realizadas através de trocas de matéria e energia, que são dinâmicas, interativas e espontâneas. Isto garante a estabilidade e a evolução dos sistemas ecológicos que conformam. Denominam-se relações ambientais.
  • Importante destacar o que deveria ser evidente: as relações ambientais, que ocorrem há milênios, são energizadas pela luz solar, e possuem naturezas física, química, biológica, social, econômica e cultural.

Por existirem o ar, a água, o solo, a flora e a fauna no mesmo cadinho da evolução da vida, a raça humana, embora considerada sábia, é, se tanto, a 6ª parte do ambiente da Terra. Mas nem todos têm sã consciência desse fato.

Em tempo, sugere-se não esquecer: “o ambiente é ilegal“, pois não funciona conforme determinam as leis e os responsáveis por sua produção. De fato, estes não possuem o devido domínio das ciências do ambiente. Além disso, que soe como uma ameaça: a lei da gravidade nunca será abolida por qualquer decreto-lei.

4. Considerações do autor

Atuo há 31 anos em Planejamento e Gestão do Ambiente. Exatamente, desde janeiro/1986. Confesso que, naquela ocasião, chamava de “meio ambiente” o objeto dos planos que elaborava. Contudo, pela carência de literatura em português, pude recorrer a livros e artigos em inglês para estudar o tema. Neles, sempre li apenas “environment[5], pois não existe o vocábulo “meio” a agredir a gramática e os estudantes.

Intitulei este artigo “Choque frontal com o Ambiente” por achar uma covardia, cometida pelos que possuem plateias, repisarem esse erro crasso sobre a ciência do ambiente. Refiro-me, sobretudo, a professores universitários, que mais parecem jornalistas televisivos, a estrelarem em Shows de Espalha Ignorância e enganarem covardemente àqueles que os assistem de forma passiva.

Deixo para reflexão dos leitores uma breve observação acerca do conceito de ambiente: o ser humano precisa ter muito cuidado com as artes de sua engenharia, pois “qualquer porção da biosfera” é apenas o planeta Terra inteiro. Minha única fé é no ambiente estável!

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[1] Confira em: https://www.priberam.pt/dlpo/Meio.

[2] Um trabalho intitulado “Um olhar epistemológico sobre o vocábulo ambiente: algumas contribuições para pensarmos a ecologia e a educação ambiental”, realizado por dois profissionais na UNESP, Rio Claro, SP. Chega a considerações finais um tanto insípidas, muito embora constem da tese de doutorado em Educação para a Ciência, de Job Antônio Garcia Ribeiro, hoje professor da UNESP.

[3] Nota: não se usa o termo Ciências Naturais, pois implicaria admitir que existam Ciências Artificiais.

[4] Datada de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a “Política Nacional do Meio Ambiente”.

[5] Em países mais civilizados o vocábulo equivalente a “meio ambiente” é environment (Grã-Bretanha e EUA); environnement (França); umwelt (Alemanha); ambiente (Itália).

Para que serve a Gestão do Ambiente


Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Introdução

Segundo arqueólogos e pesquisadores, o homo sapiens surgiu no ambiente terrestre há cerca de 190.000 anos. Estimam que seu comportamento moderno date de 50.000 anos atrás. Sempre buscou construir seu habitat preferencial, dispondo dos meios de que se apropriava do ambiente. E ainda se comporta assim, mesmo a saber que o ambiente da Terra é finito.

O homo sapiens evoluiu de (i) pequenos grupos nômades de caçadores-coletores (10.000 anos atrás); (ii) passou pela fixação de grupos maiores, graças à agricultura ainda precária; (iii) até chegar a construir as cidades, com sistemas de transporte, moradias, fábricas, escritórios de trabalho, universidades, instituições científicas, etc.

Embora, no tempo e no espaço, esses três cenários sejam distintos, há um fato comum entre eles: tudo foi construído pelo “homem inteligente” sobre o ambiente terrestre, a despeito das consequências nefastas que resultaram nesse ambiente.

Há outra variável a ser considerada nessa evolução: a produção de ciências para que o homo sapiens pudesse melhorar, em proveito próprio, a apropriação dos bens de propriedade do ambiente, a que chama docemente de recursos naturais. Assim nasceram, a partir da filosofia e da matemática, as ciências que são consideradas básicas: geologia, hidrologia, pedologia, biologia, ecologia, física e química. No entanto, causa perplexidade que a evolução dessas ciências se deu, sobretudo, nos últimos 200 anos!

Infere-se assim que o homo sapiens moderno somente começou a usar sua inteligência nos últimos 4% de seu tempo de existência no ambiente do planeta. Nesse mesmo período aprimorou várias tecnologias derivadas das ciências. Merece destacar as diversas engenharias, em constante aprimoramento, que lhe permitiram construir cidades, bem como incontáveis artefatos de paz e guerra, de vida e morte.

Legado do homo sapiens

Seu mais importante legado foi a produção do conhecimento, não há dúvida. Todavia, esse conhecimento não é acessível para a maioria dos habitantes do planeta. Esse fato é explicado pela Economia, que estabelece valor monetário para todas as coisas que representem serviço ou produto, fruto do trabalho humano.

Porém, o “humano inteligente” criou outras áreas do conhecimento e difundiu-as como se fossem ciências: Antropologia, Arqueologia, Sociologia e “CiênciaPolítica, por exemplo. Deve-se refletir se constituem ciência ou tecnologia. Na ótica deste artigo, tratam-se de para-ciências[1]. Vejamos.

Classificação de Ciência, Tecnologia e Para-ciência

Há uma tendência na formação superior brasileira que precisa ser revista: chamar de ciências várias tecnologias que nelas se apoiaram para serem elaboradas.

Até por que, há os que entendem, da forma correta, a tecnologia como a ciência aplicada. Todavia, devem adotar redação mais apropriada: a tecnologia resulta da aplicação de ciências conhecidas e confirmadas.

A ser assim, uma ciência deve abordar temas acadêmicos, possuir conceitos próprios, bem como teorias que correlacionam conceitos e processos, os quais constituem estruturas que visam a melhorar o conhecimento humano.

Por sua vez, a tecnologia precisa ser destinada à realização de atividades práticas, com base nas ciências conhecidas. Pressupõe, por parte de seus usuários, o conhecimento razoável das ciências utilizadas.

Porém, tem-se a 3ª classe de abordagem ao conhecimento humano, que é a para-ciência. Possui conceitos e processos próprios, usa conceitos de outras áreas, possui uma abordagem teórica básica e metodologias para aplicação prática. Pode-se dizer que é próxima da ciência, mas usa tecnologias pré-existentes.

Esse é o caso de áreas do conhecimento humano, como Engenharia, Arquitetura, Medicina, Economia, Antropologia, Arqueologia, Sociologia, Política[2] e, mais recentemente, Gestão do Ambiente. Todas são “para-ciências”.

Homo sapiens no Ambiente

Há cerca de somente 45 anos, iniciou-se a preocupação crescente com a Natureza. A engenharia e a economia, conforme operavam, possuíam a capacidade de devastá-la. Dado a isso, vários movimentos de “ativismo ambiental” nasceram naquela oportunidade.

Em países do 1º mundo esse ativismo logo se transformou em cursos de nível superior. Leis foram promulgadas para determinar como o homo sapiens deve se relacionar com o ambiente. Porém, um fato chamou a atenção. As leis se baseavam nas ciências básicas e não duelavam com suas teorias, conceitos e processos. No mais das vezes, as leis foram regidas pela Ecologia, que trata da coleção de ecossistemas que conformam o ambiente.

No ocaso brasileiro, o ativismo ambiental foi carnavalizado. Leis foram promulgadas com propostas bizarras. Chocam-se frontalmente com as ciências que deveriam atender e criaram verdadeiras muralhas burocráticas, a duplicar o custo dos trabalhos de controle ambiental que determinam.

De início, empresas privadas e fundações começaram a oferecer cursos intensivos de 5 dias. Mesmo assim, somente ensinavam como aplicar as leis promulgadas em estudos ambientais. O primeiro curso de nível superior foi criado em 1976: Graduação em Ecologia, na (Unesp) Universidade Estadual Paulista, Campus de Rio Claro.

Hoje diversas universidades oferecem cursos de nível superior em Engenharia Ambiental, Ecologia e Gestão Ambiental, entre outros. Observa-se que o processo da gestão e da engenharia são distintos. Além disso, o conteúdo da Engenharia Ambiental não deve ser semelhante ao da Gestão do Ambiente. Até por que, o ser humano ainda não possui, que se saiba, a “habilidade” de projetar e construir o ambiente primitivo.

Conceito de Gestão

A gestão requer a existência de um objeto a ser gerido. Pode ser uma equipe de pessoas, uma empresa, uma escola, um serviço público, um município ou um estado, por exemplo.

Para efetuar a gestão são realizadas atividades que a antecedem. Eis o processo que culmina com a gestão propriamente dita.

  • Conhecer as entidades do objeto que se relacionam e de que forma se relacionam (diagnosticar);
  • Identificar as ameaças e oportunidades decorrentes dessas relações (análise SWOT[3]);
  • Baseado em variáveis críticas, internas e externas às entidades do objeto, estimar como elas se relacionarão (prognosticar e cenarizar);
  • Identificar e mensurar os efeitos positivos e negativos, presentes e futuros, sobre o desempenho das entidades relacionadas, bem como caracterizar os efeitos sobre as partes afetadas (avaliar);
  • Elaborar um plano de ação para otimizar os efeitos identificados (planejar);
  • Gestão: implantar o plano, monitorar e aferir os resultados alcançados, ajustando-o sempre que necessário (replanejar).

A Gestão do Ambiente

O processo mantém-se o mesmo, acima sumarizado. Seu objeto é o Ambiente. As entidades que se relacionam são “atividades humanas e o ambiente da região em que se localizam”.

A finalidade da Gestão do Ambiente é manter a Sustentabilidade da região afetada, a garantir que as atividades humanas apresentem Desempenho Ambiental adequado, de forma a manter a Estabilidade do Ambiente, como fora em sua origem.

Visando a esclarecer aos leitores, conceitua-se Ambiente da seguinte forma:

“É qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem. Essas porções possuem distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são analisáveis pelo comportamento de seus fatores físicos (ar, água e solo), bióticos (flora e fauna) e antropogênicos (homem e suas atividades)”.

Da mesma maneira, Sustentabilidade é um atributo exclusivo do Ambiente, que consiste em sua capacidade – e na de seus ecossistemas componentes – de manter e desenvolver relações ambientais estáveis entre seus fatores constituintes – ar, água, solo, flora, fauna e homem.

Tela do computador de um aficionado em Gestão do Ambiente

Tela do computador de um especialista na Gestão do Ambiente

Conclusões

Em síntese, quando bem aplicada, a Gestão do Ambiente é a ferramenta essencial para o controle de qualidade da Economia e da Engenharia. Sem aplicar suas teorias e práticas, as grandes decisões empresariais e públicas continuarão a se pautar no retorno financeiro de investidores e na factibilidade da engenharia em realiza-las a baixo custo.

Acredita-se que a “para-ciênciaGestão do Ambiente mereça ter espaço acadêmico e prático na Universidade Brasileira. Decerto não afetará os demais cursos e, sobretudo, o de Ecologia, pois foi concebida a partir de seus princípios conceituais.

Bibliografia

Este artigo tem como fundamento as teorias e práticas obtidos na seguinte obra:

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[1] O prefixo grego “para-” significa “proximidade, semelhança, intensidade”. Criou-se o neologismo “para-ciência”, de maneira a classificar um conteúdo teórico e prático que constitua a transição entre ciência e tecnologia.

[2] A pretensão humana, sempre arrogante, denominou a Política de Ciência Política!

[3] De forma simplificada, a análise SWOT identifica os pontos forte e fracos do objeto a ser gerido, bem como as oportunidades e ameaças que incidem sobre o objeto. Trata-se de tecnologia testada.

Soldado-raso da Matemática


Ricardo Kohn, escritor.

Ao fim da década de ’30, nascer na floresta Amazônica e, ainda assim, sobreviver, era “indicador de elevada espiritualidade”, segundo a crença dos moradores de Arapuruca. Mas foi o que aconteceu com o mais novo morador do vilarejo, batizado nas águas do igarapé que atravessava a comunidade. Em homenagem a seu avô português, foi nomeado Raul Simas Neto.

Dr. Reinaldo Simas, seu saudoso pai, foi um médico que abnegara a própria vida para cumprir o juramento da profissão. Embora residisse em Manaus, deslocava-se com a família e atendia a várias populações ribeirinhas, moradoras no interior do Amazonas. Dava consultas, fazia exames, distribuía remédios e aplicava vacinas para as zoonoses da região. Tudo às custas do “Consultório do Dr. Simas”.

Após 12 anos dedicados à clínica geral, o sisudo Reinaldo conversou com sua mulher. Pensava como seria possível criar condições para a vida futura de Raul. Disse-lhe:

─ “Ione, temos que pensar na vida do Raulzinho. Ele precisa cursar boas escolas e ter uma formação superior adequada. Os tempos futuros dele não nos pertencerão”…

Foi assim que o médico definiu, de forma lógica, quase matemática, a equação capaz de criar um futuro melhor para Raulzinho. E Dona Ione, munida do sentimento da bem-aventurança, iniciou o transporte da família para o Rio de Janeiro.

Instalaram-se no bairro de Ramos e matricularam Raulzinho no Colégio Cardeal Arcoverde. Lá ele cursou ginásio e científico, destacando-se nas disciplinas da matemática e estatística.

Após concluído o ciclo básico, Raul ingressou no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Morou durante 5 anos nos alojamentos do ITA, em São José dos Campos. Formou-se com louvor em engenharia eletrônica, turma de 1962.

Tinha sede de retornar para casa e conseguir trabalho adequado, onde aplicaria os complexos ensinamentos que recebera. Seu sonho era ingressar na Petrobras.

Fez concurso público para Engenheiro de Manutenção da Petrobras. Logrou êxito, mas foi alocado na Refinaria Duque de Caixas como “mero operário de manutenção da REDUC”. Lá permaneceu por dois anos, sem perspectivas de carreira.

Com a bagagem acadêmica que possuía, Raul resolveu dar tempo ao mercado de trabalho. Assim, matriculou-se no curso noturno da Faculdade Nacional de FilosofiaUniversidade do Brasil –, para se aprimorar em modelagem matemática. Do próprio ITA, já recebera bons conhecimentos de Pesquisa Operacional, porém, formou-se em Matemática na F.N.Fi.

equacoes-complexas

Na visão de Raul, abrira-se um novo segmento do mercado: o relativo ao desenvolvimento de algoritmos e modelos matemáticos destinados a otimizar projetos de engenharia. Junto com outros quatro especialistas, fundaram uma empresa dedicada, que ganhou o nome criativo de “Matema”.

Raul e eu conhecemo-nos em 1971, num seminário de Matemática Aplicada. Recebera um convite e decidi comparecer. Embora não fosse conhecedor da matéria – nada entendi dos algoritmos apresentados –, após concluído o seminário, a matemática tornou-se para mim a base da lógica, o fundamento do raciocínio: – “Quod erat demonstrandum[1], por assim dizer.

Nesse evento, meu então professor de Pesquisa Operacional, Frederico, apresentou-me Raul Simas Neto. Entre outras coisas, Fred gostava de citar o nome completo das pessoas, o que mostrava sua prodigiosa memória. Por outro lado, meu instinto notou que ele nutria admiração pessoal e acadêmica por Raul, muito embora, também fosse um cidadão consciente e houvesse obtido mais títulos universitários.

Passou algum tempo para que nos aproximássemos. Afinal, não pertencíamos a mesma geração. Raul é 10 anos mais velho. No entanto, acredito que a causa foi o interesse mútuo pela literatura e a obra de escritores universais. Ambos gostamos de escrever contos e crônicas; no eterno verão da cidade do Rio nunca postergamos uma conversa de bar, com petiscos, regada a chope gelado.

Bem, passaram-se 45 anos e chegamos ao final de 2016. Somos avôs com a cabeça quase branca. Atualmente, posso afirmar, somos da mesma geração, apenas com uma Grande Guerra entre as datas de nossos nascimentos.

Temo-nos falado mais por telefone, pois a economia não está a permitir a prática de exageros. Em nossa última conversa, Raul afirmou que precisava trabalhar, mesmo após aposentado. Seu interesse é aplicar “métodos quantitativos” para resolver problemas que hoje não faltam ao país.

Disse-lhe que ele continuava 10 anos luz à frente de nossa época. Mas respondeu-me com espanto:

─ “Que isso?!, sou um soldado-raso da Matemática”.

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[1] Em português, “como queríamos demonstrar” ou “cqd”.

Enfim, o Mar de Ross tornou-se Reserva


O Mar de Ross localiza-se ao sul da Nova Zelândia e recebeu esse nome em homenagem ao explorador britânico, James Clark Ross que, em 1841, liderou uma expedição à Antártida.

Em Ross, vivem 38% dos Pinguins-de-Adélia existentes no mundo, 30% da fauna de Petréis-Mergulhadores e cerca de 6% da população mundial de Baleias Minke[1].

Baleia Minke no Mar de Ross

Baleia Minke no Mar de Ross

Trata-se de decisão há muito desejada. O Mar de Ross, situado na Antártida, foi declarado nessa sexta-feira (28/10) a maior reserva marinha protegida do mundo.

A Reserva Marinha do Mar de Ross

A Reserva Marinha do Mar de Ross

Na prática, ocupa uma área de 1,57 milhões de km2 (equivalente à soma dos territórios da Espanha e da França). Contudo, representa apenas 2% do Oceano Antártico, mas ficará protegida da pesca industrial, durante 35 anos.

Após muitos anos de negociações e recuos, a decisão foi anunciada pelo ministro de Negócios Estrangeiros da Nova Zelândia, Sr. Murray McCully, ao fim de um encontro multilateral realizado em Hobart, na Austrália.

O acordo surge agora, após duas semanas de negociações entre os delegados de 24 países e da União Europeia, durante o encontro anual da Comissão para Conservação dos Recursos Vivos Marinhos da Antártida.

A Rússia sempre se opôs a essa classificação – de área marinha protegida –, mas desta vez votou a favor. Esperam todos os que subscreveram o acordo que o Sr. Putin não o transgrida, como habitua-se a fazer em tudo o que assina, o déspota comunista.

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[1] A Baleia Minke é também chamada Baleia-Anã, dado o seu tamanho reduzido: de 8 a 10 metros de comprimento.

Gestão informatizada do Ambiente


Nos primórdios, há cerca de 3,2 bilhões de anos, decerto após sucessivas mutações ainda hoje indecifráveis, começou a surgir na Terra sua fauna nativa diversificada. Nasceu imersa em um espaço desconhecido: o ambiente planetário.

Depois disso, somente na década de 1860, um espécime moderno dessa fauna – o alemão Ernst Haeckel –, resolveu entender, de fato, como esse espaço funcionava. Criou uma forma de analisa-lo e chamou-a Ecologia (do grego, “oikos + logos” ou “estudo do lugar onde se vive”).

Desde então, a ecologia não parou de evoluir. Dezenas de milhares de pesquisas científicas foram realizadas mundo afora e o homo sapiens começou a perceber que é essencial garantir a estabilidade do ambiente em que vive.

Professor Eugene Odum

Professor Eugene Odum

Com vistas a garanti-la, ao longo do século 20, nações desenvolvidas redigiram sua legislação ambiental. Porém, sempre com base no estado-da-arte da ciência. Afinal, ecologia é a lógica dos ecossistemas que conformam o ambiente planetário. Assim, leis ambientais de qualidade precisam ser seus reflexos no espelho, nunca o inverso.

Agora, ao início do século 21, que prioriza a produção e o domínio da informação, há uma questão pendente no imaginário da sociedade: ─ Algum dia o homo sapiens será capaz de informatizar o ambiente?

Sabe-se ser possível modelar a dinâmica do ambiente e até informatizar esse processo. No entanto, ainda não há como desenvolver um sistema computacional que contenha o teor desta dinâmica, pois ela é fruto da necessidade e do acaso e o homo sapiens não é “seu divino criador”.

De toda forma, reuniu-se um pequeno grupo de trabalho, com especialistas em Gestão do Ambiente e Ciência da Computação, para pensar a “questão pendente”. Logo ela foi invertida, posta de cabeça para baixo, e tornou-se uma tarefa factível: desenvolver um sistema de computador para agilizar a elaboração de estudos, projetos, pesquisas e serviços ambientais. Ganhou o apelido de sistema IDEA.

Sua arquitetura está a ser concebida para integrar diversos aplicativos, que permitam realizar os seguintes processos ambientais:

  • Identificação da transformação ambiental de um território, como função de um ou mais empreendimentos e suas intervenções da engenharia;
  • Caracterização ambiental de projeto de engenharia, obra ou empresa (atividade transformadora ou empreendimento) vis-à-vis o território em que será implantado ou que já se encontra em operação;
  • Programação, realização e gestão de atividades de campo no território em análise;
  • Elaboração de matrizes de impactos ambientais, de matrizes de itens de passivo ambiental ou das matrizes de riscos ambientais e de segurança;
  • Elaboração de diagnósticos temáticos e do diagnóstico ambiental consolidado do território em estudo;
  • Formulação dos prognósticos ambientais para o mesmo território;
  • Modelagem de seus cenários ambientais futuros;
  • Avaliação de impactos ambientais, ocorrentes e previstos nesse território. Trata-se de modelo especializado onde os impactos são numericamente estimados e pertencem ao conjunto de Números Reais (Rn);
  • Elaboração de planos ambientais para otimizar os efeitos de impactos significativos ou corrigir os itens de passivo ambiental identificados;
  • Elaboração de programas ambientais para controle, manejo e monitoração dos segmentos ambientais em um território;
  • Elaboração de projetos ambientais e ações imediatas para controle, manejo e monitoração dos fatores ambientais em um território.

Dessa forma, será capaz de informatizar processos ambientais demandados pela legislação ambiental vigente, tais como: Estudos de Impacto Ambiental (EIA); Realização/gestão de Audiências Públicas; Levantamento/gestão de Passivos Ambientais (LGPA); Elaboração, implantação/gestão de Plano Corporativo Ambiental (PCA); Auditoria de PCA (APCA); Plano de Ações Imediatas (PAI) para correção das não-conformidades identificadas pela auditoria; Elaboração, implantação/gestão de Plano Executivo para Gestão Ambiental de obras (PEXA).

Porém, acima de tudo, o IDEA será capaz de monitorar os perigos e riscos de empresas em operação, visando a impedir a ocorrência de desastres humanos sobre o ambiente, tais como o da Samarco, em Bento Rodrigues, Mariana, ou o desastre anunciado da Petrobras, em Vila Socó, Cubatão, ocorrido em 1984.

Mar de lama em 21nov2015

Dentro em breve, o grupo de trabalho lançará uma campanha de crowdfunding para captar os recursos necessários à realização do Projeto IDEA. Conta-se desde já com sua contribuição.

Boas festas a todos. Que 2016 seja o ano da Cultura Técnica!

Verão na Groenlândia


Por Equipe deSobre o Ambiente”.

Com a área de seu terreno no entorno de 1.166.000 km2, a maior ilha do planeta, Groenlândia, abriga o povo Inuit, há cerca de 4500 anos. Acredita-se que na pré-história da Groenlândia (a partir de 2500 a.C.) ocorreram repetidas migrações deste povo, do norte do continente americano para a ilha. Por habitarem o polo Ártico, já estavam adaptados às condições das regiões mais frias.

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

No entanto, dados indicam que, durante o ano 1000, o clima na região sudeste da ilha era relativamente ameno, tal como o de hoje: temperatura no inverno (chuvoso, fevereiro-março) variando entre -5 e -11 oC; e no verão (seco, julho-agosto), entre 11 e 4 oC. Tanto é assim que, naquela época, eram normais no sul da ilha o nascimento de árvores e espécies herbáceas. Desse fato provem seu nome em inglês, Greenland, ou Grönland, em dinamarquês.

Nuuk, a capital da Groenlândia

Nuuk, a capital da Groenlândia

Colonização norueguesa

Por volta do ano 895, a ilha foi invadida por barcos vikings, capitaneados por Erik, o Vermelho. Diz a lenda que se tratava de um criminoso norueguês, deportado para a Islândia por haver cometido um crime de homicídio em seu país. Presume-se que, desde há 1125 anos, a lei norueguesa já fora feita para todos, a ser cumprida fielmente.

Erik Vermelho, decidira colonizar a ilha. Colérico, invadiu e desmatou várias áreas para fazer dois assentamentos: o maior, no lado leste (Eystribyggd), onde se localizava Brattalid, a residência oficial de Vermelho“, protegida por 5000 vikings; o outro, na orla oeste (Vestribyggd), abrigava mais 1000 vikings de reforço.

Colonização dinamarquesa

Ainda sob os efeitos do fim da Idade Média, em 1536, Dinamarca e Noruega oficializaram sua integração nacional. A Groenlândia tornou-se colônia dinamarquesa e a Noruega, um anexo. Somente quase de três séculos após (1814), cada uma seguiu rumo como nação independente, mas a ilha permaneceu sob controle dinamarquês.

Durante o século 19, a Groenlândia foi região de interesse para os exploradores e cientistas. De toda sorte, afirmou-se a colonização dinamarquesa e as missões enviadas foram bem-sucedidas. No entanto, a justiça dinamarquesa só se aplicava aos colonos, sobretudo, aos Inuit.

Houve uma imigração de famílias Inuit canadenses, que se estabeleceram ao norte da ilha. Os últimos grupos lá chegaram em 1864. Nesse período, o comércio e as condições econômicas da ilha decaíram, a provocar sensível despovoamento na sua costa leste.

Porém, em 1863, realizaram-se as primeiras eleições democráticas da Groenlândia, a visar a eleger representantes distritais[1]. Mais tarde, já na primeira metade do século 20, foram criados dois conselhos de governança, um para gerir o norte da ilha e outro para o sul. Contudo, decisões importantes, que afetavam as condições de vida dos groenlandeses, eram tomadas em Copenhague. Permanecia “algo de podre no Reino da Dinamarca”.

A geopolítica da Groenlândia

Pelo menos em duas ocasiões de crise mundial a Groenlândia foi vista pelo mundo externo como uma região estratégica:

  • Durante a Segunda Guerra Mundial, quando Hitler orientou suas operações de guerra na direção da Groenlândia, foi firmado um tratado com os Estados Unidos para a instalação de bases na ilha, em abril de 1941. A Dinamarca não conseguia governar a ilha na 2ª guerra. Assim, a Groenlândia passou a ter status mais independente. Seus suprimentos foram garantidos pelo Canadá e os Estados Unidos.
  • Durante a Guerra Fria, a Groenlândia teve importância estratégica, por permitir o controle de parte dos acessos entre os portos árticos soviéticos e o Oceano Atlântico, bem como por ser área sensível para observação do eventual uso de mísseis balísticos intercontinentais, que deveriam sobrevoar o Ártico.

Groenlândia, nação do Reino da Dinamarca

O status colonial da Groenlândia foi revisto em 1953, quando se converteu em parte integrante do reino dinamarquês, com representação no parlamento dinamarquês. A Dinamarca iniciou também um programa para prover serviços médicos e de educação para os groenlandeses.

De sua parte, o governo local groenlandês se apresenta como uma nação Inuit. Os nomes de lugares em dinamarquês foram substituídos por nomes locais. Godthåb, que foi o centro da ocupação colonial dinamarquesa, agora é a cidade de Nuuk, capital de um governo quase soberano. Em 1985 foi criada a bandeira da Groenlândia. No entanto, o movimento que busca sua soberania ampla ainda não teve espaço político. Mas tem tudo para acontecer.

As relações internacionais, antes comandadas pela Dinamarca, são em sua maior parte geridas localmente. Depois de separar-se da União Europeia, a Groenlândia firmou tratados especiais com a UE, uniu-se em diversos assuntos com a Islândia, as Ilhas Faroe, assim como com a população Inuit do Canadá e da Rússia.

Também é membro-fundador da Organização Ambiental do Conselho do Ártico. Está pendente a renegociação do tratado de 1951 entre Dinamarca e Estados Unidos, desta vez com participação do governo local da Groenlândia. Por fim, é esperado que a base aérea de Thule converta-se em estação de rastreamento de satélites, para uso das Nações Unidas.

Por falar em satélites, o Aqua, satélite da NASA que monitora o ciclo da água, a precipitação das chuvas, sua evaporação, a umidade do ar, temperatura da Terra e dos oceanos, bem como o fluxo de energia radioativa, registrou imagens de resolução moderada da Groenlândia, em julho de 2015.

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

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[1] Um rápido destaque: há um século e meio já existem eleições distritais na Groenlândia.

O risco de dar cursos e palestras


Treinar no Setor Ambiental

Por Ricardo Kohn[1].

Cursos intensivos (de até 72 horas) e palestras de curta duração (1 hora) são processos complexos para serem realizados a contento. Satisfazer aos participantes (alunos) e à empresa promotora do evento não é tarefa simples.

Este artigo tem por finalidade analisar algumas variáveis que devem ser observadas pelo profissional convidado a dar um curso intensivo ou fazer uma palestra. Toma-se como base para análise o setor ambiental brasileiro.

Curso bem ministrado, sala de aula cheia

Infraestrutura de ensino correta, curso bem ministrado: sala de aula cheia e atenta

1. Definição do escopo

O mercado de treinamento oferece duas alternativas normais: o escopo do treinamento é definido pelo contratante do evento; ou o profissional de ensino estabelece o roteiro de sua fala. Não há dúvida, caso defina o escopo da “conversa saudável” que irá manter com o grupo, poderá criar empatia ao apresentar seu conhecimento.

E o motivo é nítido: ao estabelecer o conteúdo da apresentação, o profissional determina também a profundidade das abordagens que fará. Afinal, precisa deixar tempo para responder a questões, solucionar normais debates e esclarecer dúvidas remanescentes.

2. Foco objetivo

Sejam cursos ou palestras, se a finalidade é o ensino ou, diga-se, o despertar de mentes, o “professor” precisa ser focado no tema principal. Claro que pode fazer digressões, notas de rodapé ao conteúdo essencial. Sempre curtas e estimulantes.

Acredita-se que deva criar metáforas e até mesmo provocar risos de seu público. Assim constrói a empatia mútua e o interesse pelo conhecimento, além de facilitar a memorização dos que o assistem.

3. Técnico-científico ou legislação

Certa vez, alguém afirmou: “defina-se, ou Lei ou Ciência do Ambiente. As duas são incapazes de conviverem no Brasil”!

Em todos os países com sistema educacional sério, qualquer evento de treinamento para o setor ambiental possui cunho técnico-científico. E a causa é óbvia: nesses países a legislação é elaborada a partir do estado-da-arte das ciências de referência.

A ser assim, os treinamentos são mais produtivos, pois os profissionais aprendizes focam-se nas teorias, metodologias e exemplos práticos que recebem. Dessa forma, aprendem a dominar as práticas da Gestão do Ambiente.

Em nosso país, todavia, faz-se o inverso. A legislação, impositiva e burra, tem a pretensão de dizer como funcionam as ciências ambientais. Basta ler na maioria das ementas de cursos oferecidos ao mercado. Dão ênfase particular aos requisitos legais, associados aos temas do conhecimento que deveriam transferir aos alunos. Falam muito do “juridiquês ambiental” e propõem pouco para as ciências práticas que explicam o ambiente.

Toma-se o exemplo do caso mais simples: um curso com 16 h de duração sobre a operação que, no passado, era trivial: como obter licenças ambientais. Hoje, os diplomas legais afins a esse processo são tantos, provindos de inúmeras instituições públicas, que, em 16 horas, um “professor honesto” somente falará sobre as disparidades, controvérsias e conflitos criados pela lei vigente.

Ou seja, não restará tempo para transmitir aos alunos o essencial: o que e como fazer para obter as licenças necessárias. Será impossível detalhar como são elaborados e geridos os estudos ambientais, os processos de auditoria interna e um eventual levantamento de passivos ambientais; como programar e gerir audiências públicas, acompanhar as sofridas auditorias públicas e participar de inspeções ambientais feitas in loco, por “peritos públicos”.

Enfim, pode-se afirmar que, ao contrário, é possível realizar operações ambientais realmente simplificadas, sem perder a qualidade de seus resultados. Operações que, para reduzir custos cada vez mais elevados, podem ter um padrão teórico factível, a despeito do amontoado de normas legais que castram a criatividade.

4. Expectativa dos alunos

Em tese, a motivação para participar de um curso caro ou de um seminário de palestras – caríssimo – é conhecer técnicas modernas, aplicáveis ao trabalho diário. Os alunos são profissionais formados, que desejam obter meios de melhorar suas atividades produtivas.

No entanto, nem todos têm essa motivação. Há os que desejam saber das leis envolvidas, a interminável burocracia que criam e qual o melhor caminho para superá-la, desde que sem ônus para sua empresa.

Para quem crê em “Coelhinho da Páscoa” e “Papai Noel” existem soluções. Sem dúvida há somente uma: contrate um excelente escritório em direito ambiental, pois seus advogados conhecem bem o “Labirinto do Minotauro”. Mas pode-se adiantar que gastará mais tempo e dinheiro do que elaborar, da forma técnico-científica adequada, todos os estudos ambientais requeridos.

5. Bom para oprofessor

Para a maioria dos brasileiros alfabetizados, quem profere palestras, conferências, dá aula em cursos intensivos ou ministra cadeira em universidade precisa ser professor em alguma área do conhecimento. Isso é mais do que bom, é ótimo!

Outro fato que merece destaque positivo é a cidade em que acontece palestra ou curso intensivo. Após dezenas de experiências nesses eventos, verificou-se que nas capitais do Norte, Nordeste e Centro-oeste o povo é mais receptivo, empático e interessado em aprender.

6. Ruim para oprofessor

Palestras e conferências em geral, têm público com formação diversificada. De toda forma, aquele que não estiver satisfeito, levanta-se, sai e parte para outro rumo. Não há desgaste relevante na imagem do professor que as profere.

Já nos cursos intensivos as consequências podem ser danosas. Basta que a organização que solicita um treinamento – dado que pouco ou nada conhece sobre o tema – detalhe de forma ostensiva o curso em módulos que acredita serem relevantes. Estejam certos, sempre existe um “gênio interno” disposto a especificar seu futuro cursinho particular.

A partir daí a empresa de treinamento – contratada por menor preço – sai à cata de um “mestre” que a ampare. Pobre do professor que aceitar essa encrenca. Nessas condições é quase impossível satisfazer a turma a ser treinada.

Há empresas que tratam o professor de “instrutor”. O fato é que “instrutor” está mais associado ao amestramento de animais domésticos, do que à educação. A ser assim, trata-se de ofensa aos alunos de qualquer curso. Não importa se possuem nível superior ou se são idosos; durante as aulas todos são alunos e, por civilidade, devem receber as narrativas do professor, concordem com elas ou não.

Em cursos fechados (in house) o professor precisa saber o perfil da turma com que trabalhará: formação, setor de trabalho na empresa e tempo de empresa. É temerário dar aulas para turmas com perfis distintos, por vezes conflitantes: projeto de engenharia, gestão do ambiente e gestão de obras, por exemplo. Têm esperanças distintas de aprendizado e os conflitos se sucedem nas costas do professor.

Existem muitos outros aspectos de cursos intensivos que podem prejudicar o professor. Mas, no adiantado da hora, reserva-se apenas mais um: de novo, a cidade em que ocorre o curso. Sem risco de cometer generalizações, nas regiões sudeste e sul, paulistanos e cariocas se destacam na forma de se comportarem em sala de aula:

  • Paulistanos – embora dedicados a entender os conhecimentos do professor, são atentos e rigorosos. Via de regra, são informados acerca dos temas a serem tratados pelo curso. Com educação, interrompem quando não concordam e pedem explicação lógica. Debatem muito, mas são cordiais e têm como objetivo aumentarem seus conhecimentos.
  • Cariocas – são heterogêneos no domínio da informação ambiental; vão além da variação normal. Entretanto, há os bem-informados que auxiliam ao professor. Porém, dentre estes, é comum emergir uma espécie curiosa, que precisa dar demonstrações públicas de ampla “sapiência”. Por serem narcisos, mal-educados e provocadores conseguem prejudicar a fluência do curso. No mais, os cariocas são ótimos, salvo quando sorriem pela frente e, pelas costasmalham o professor.

7. Sugestão

Em vários países do mundo a profissão de palestrante é concorrida e suficiente para manter um bom nível de vida. Bons professores universitários tornam-se palestrantes em algum momento de suas vidas.

No Brasil essa profissão da educação tem relativamente poucos adeptos, talvez por falta de um mercado próprio. Ainda assim, a maioria dos palestrantes de sucesso parece composta por paulistas.

Pois, seja um palestrante! Assuma esse desafio, palestre sobre a Ciência do Ambiente e crie o espaço que ainda falta. Assim, deseja-se que sua palestra seja épica, um tanto misteriosa, mas de sua exclusiva autoria. Sobretudo, que seja motivadora, estimulante para aqueles que vão gostar dos desafios propostos por você, caro Professor.Ricardo Kohn

……….

[1] Ricardo Kohn, Especialista em Gestão, com trinta anos de trabalho dedicado à consultoria em estudos, projetos e práticas ambientais, bem como ao treinamento de analistas e gestores em modelos, metodologias e sistemas para a melhoria do desempenho ambiental das organizações produtivas.

Lançada a obra ‘Ambiente e Sustentabilidade’


GEN – Grupo Editorial Nacional | LTC Editora.

AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

A LTC Editora comunica o lançamento de mais uma obra técnico-científica:

Macedo, R. Kohn, AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão. GEN – Grupo Editorial Nacional, LTC Editora – Livros Técnicos e Científicos. ISBN 978-85-216-2731-9. Rio de Janeiro, RJ. 636 pg., julho 2015. 1ª edição.

Encontra-se disponível em formato impresso e em e-book. Docentes cadastrados no Grupo Editorial Nacional têm 30% de desconto.

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Ecossistema educacional


Por Ricardo Kohn, especialista em Gestão.

Não parece haver muita dúvida que a educação, para evoluir, precisa funcionar como se fora um ecossistema, ou seja: com todos os seus fatores constituintes em permanente interação; capacidade de auto-organização e evolução; a absorver tudo o que é capaz de produzir, mas sem gerar conhecimentos inúteis; capacidade de superar-se; e a garantir estabilidade nas relações mantidas por seus fatores básicos.

Na teoria, um sistema ecológico decorre das relações ambientais espontâneas mantidas entre seus fatores básicos, quais sejam, o ar, a água, o solo, a flora, a fauna e o homem. Embora diversos em essência, na educação também existem fatores que são lhes básicos para possuir desempenho: aluno, professor, escola, curso, comunicação e prática.

O aluno constitui o objetivo da educação. O professor, na qualidade de ator que o motiva a dedicar-se. A escola, através de instalações, oficinas, equipamentos e material didático, é o ambiente da educação. O curso, por meio de suas cadeiras, fornece a teoria essencial aos níveis do aprendizado básico. Por sua vez, a comunicação constitui o elo de interação entre todos os fatores. Tem-se por fim a prática, que aperfeiçoa e consolida o aprendizado. Esses fatores básicos, sem dúvida, conformam um ecossistema.

Colégio de Aplicação da UFV

Uma ótica

Muitas das ciências existentes, senão todas, decorreram da capacidade do homo sapiens em observar como os organismos e as coisas funcionavam. Essa assertiva fica mais evidente caso se tome como exemplos a Biologia, a Ecologia e a Geologia.

Os trabalhos realizados por Charles Darwin são uma bela demonstração desse fato. Foram feitos através da simples observação, por um homem disposto a explicar a evolução de seres vivos. Dessa forma, é possível concluir que Darwin foi, ao mesmo tempo, aluno, professor, escola e prática, um soberbo pesquisador.

Relação entre fatores

Nos ecossistemas primitivos as relações ambientais mantidas entre seus fatores componentes são de natureza física, química, biótica, econômica, social e política. Já no ecossistema educacional essas relações são, sobretudo, de caráter cultural.

A ser assim, educação de qualidade precisa obter a dedicação de alunos ao aprendizado, desde que motivados por seus professores, a qualidade da escola, a objetividade dos ensinamentos transmitidos e a imprescindível prática contínua do que foi apreendido.

Educação brasileira

Em geral, a educação pública no Brasil, nos níveis fundamental e médio, é de péssima qualidade. Lidera a evasão escolar no continente Americano. O MEC, bem como Conselhos federal e estaduais de educação, mantém exagerada burocracia, que impede a melhoria dos modelos de ensino, da renda dos professores e do interesse dos alunos.

O cenário atual é tão degradante, que não adianta fazer reformas ou revoluções no ensino atual. É necessário repensar a estrutura desta instituição, suas relações com a saúde, a ciência e o real desenvolvimento do país. Repensar, de forma a torna-la um ecossistema ambiental, capaz de evoluir por si próprio.

A visão sistêmica que se tem acerca da possível deste setor encontra-se sumarizada no artigo Ambientologia para a Educação, publicado em 8 junho de 2015. Leia e, caso acredite, ofereça suas contribuições e melhorias.

Cultura livre ou retorno à caverna


Por Ricardo Kohn, Escritor.

Ricardo KohnCrê-se que o principal desafio da humanidade no século 21 é anular líderes que disseminam o ódio entre as pessoas, através da ação de grupos terroristas que dominam. “Podemos fazer isto juntos”, assim dizia a canção da esperança, we can work it out[1].

Não há por que deitar falação sobre o terrorismo invasor: o dito Estado Islâmico, o grupo Al-Qaeda, o Hamas, o Talibã e outros mais. As atrocidades que cometem em diversos países, a dizimar famílias indefesas e destruir patrimônios históricos, de há muito são sabidas e veiculadas pela imprensa mundial. Resta, porém, uma indagação:

Para onde esses abomináveis seres querem conduzir a Humanidade?

Acredita-se que desejam regredir milênios. Involuir até a época em que caçadores-coletores abandonaram seu hábito nômade e predador para fixaram-se com produção de alimentos, através do próprio trabalho. A sudeste da Turquia, em uma região chamada “Göbekli Tepe”, foram descobertos indícios da primeira área agrícola da história e a consequente fixação humana.

Registro de Göbekli Tepe, com datações de 9 a 12 mil anos passados

Registro de Göbekli Tepe, com datações de 9 a 12 mil anos passados

Ao admitir, com base no trabalho de arqueólogos alemães, que Göbekli Tepe foi o primeiro assentamento do homem, deduz-se que neste local ocorreu o “início da convivência humana”. Conviver é um processo civilizatório, que cria estreitas relações sociais, mútua aceitação entre as pessoas. Assim acreditava a comunidade de Göbekli Tepe, há doze milênios.

Infere-se que a partir dos hábitos adquiridos por essa convivência milenar, provieram todas as culturas hoje existentes. À exceção de uma: a cultura invasora de terroristas abomináveis, que hoje permeia o mundo no século 21, de forma quase global.

Não se tenta explicar as motivações desta cultura traiçoeira. Sabe-se apenas que possui profundas raízes religiosas, além de impor às comunidades vitimadas seus trastes sociais e ideológicos, a impedir que se compreenda qual é sua estratégia de dominação.

E no Brasil…

Por absoluta falta de expressão geopolítica, o Brasil ainda não foi alvo do interesse desses terroristas. Aqui ocorre apenas “a invasão cultural de trastes políticos”. Porém, com resultados éticos e morais não menos desastrosos: aprisionaram o povo e arrasaram com sua economia.

Entretanto, recorda-se que em meados do século 20, a nação brasileira possuía sólida cultura. Na cidade do Rio de Janeiro ficava sua empresa matriz. Nela nasceram a poesia e a música moderna brasileiras. Houve outros criadores, mas João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Milton Nascimento – que viveram no Rio ou se lançaram nessa cidade – foram os alicerces da cultura nacional naquele período. Aliás, com cultura livre e consolidada, um povo jamais se deixa oprimir.

Sem entrar no mérito da questão, a partir de 1964 instalou-se a ditadura militar no país. E foi na cidade do Rio que a crítica a esse regime foi mais incisiva. Reação espontânea, pautada pela cultura da liberdade democrática. Mesmo a ser uma crítica com fundo musical, irradiou-se pelo país inteiro.

De início, os universitários não sabiam que, ao saírem para os movimentos de rua do “pós-1964”, carregavam sobre os próprios ombros o peso de oportunistas infiltrados; bandos deles, todos mal-intencionados. De fato, já era o prenúncio da invasora cultura abominável. Não se tornaram terroristas, na acepção atual da palavra. Contudo, os mais pervertidos sentiam-se honrados ao serem reconhecidos como “guerrilheiros urbanos”.

Mais tarde, universitários, músicos, poetas e atores, todos mais sensatos, abandonaram essa modalidade de crítica, própria da cultura libertária. Nas ruas ficaram os desavisados, além dos apátridas, guerrilheiros urbanos. Formavam grupos pequenos, sem expressão.

Ao sentirem-se “traídos” pelas circunstâncias, mudaram a tática. Passaram a roubar bancos, sequestrar embaixadores e executar cidadãos. Diziam ser os condutores dos destinos da nação, os fazedores da revolução. Na verdade, foi a primeira demonstração explícita da cultura invasora de guerrilheiros, com ações hostis, carregadas de terror.

Notórios analistas políticos acreditam que a ditadura militar teria durado menos tempo, não fossem as ameaças desses guerrilheiros, que, segundo entrevista de Fernando Gabeira[2], queriam implantar a “ditadura do proletariado” no país. Essa análise parece ser bem razoável.

De fato, após 21 anos de ditadura militar, a cultura libertária carioca arrefeceu. A rebeldia dos poetas e músicos foi abrandada. Certos atores deixaram o país, alguns ficaram idosos, outros faleceram, e ainda há os que optaram pela conivência, em troca de dinheiro público. Não aconteceu a tão esperada reposição dos valores culturais. Por fim, de forma meritória, São Paulo tornou-se a capital cultural do Brasil. Assim se mantêm, a exportar cultura liberal e democrática para toda a América Latina.

Porém, sem dúvida, os governos Sarney e Collor foram o fecho de ouro do período ditatorial. Esses dignos crápulas endossaram a corrupção pública e derrotaram a economia nacional. Nesse período teve início “a invasão cultural de trastes políticos”. Mas foi interrompida durante o governo Itamar Franco, com o processo de criação do Plano Real, que se tornou a salvação do país, então à beira da banca rota, após a passagem dos “anjos” Sarney e Collor.

Coube à governança de Fernando Henrique Cardoso implantar o Real e ajustá-lo à realidade do comércio entre as nações. Ao fim do mandato, Cardoso e sua equipe concluíram que estavam diante de um grave impasse: ou aprovavam a reeleição presidencial ou o Real correria o risco de ser destruído por lixos políticos. Por óbvio, optaram pela reeleição. Ao fim, lograram deixar para o Estado Brasileiro vários legados republicanos, dentre eles a moeda forte, a credibilidade internacional e as instituições que as sustentavam.

Hoje, após 12 anos de violência da “cultura invasora de trastes políticos”, o país encontra-se novamente à beira da banca rota. O principal desafio brasileiro neste século é extirpar líderes que disseminam o ódio entre cidadãos, através da ação dos cleptocratas da caverna.

Podemos fazer isto juntos”, diz a cultura da liberdadeWe Can Work it Out!

……….

[1] Lançada pelos Beatles a meio século atrás, em 1965.

[2] O vídeo desta entrevista está publicado no artigo “Comichão da mentira”. Pesquise no blog.

Gestão através do ambiente


Por Ricardo Kohn, Especialista em Gestão.

Após o artigo de Simão-pescador, “Conversas com o ambiente”, onde ele narra a visão de seu pai, o melhor “ambientalista” que conhecera na vida, decidi esboçar este ensaio. Nele tento iluminar um pouco uma questão conhecida, embora bastante sombria:

─ Dada a finitude dos bens naturais do planeta, será essencial a mudança nas atitudes das instituições produtivas? Continuarão a ser geridas com vistas a aumentar seu desempenho econômico-financeiro ou buscarão garantir a qualidade de seu desempenho ambiental?

Em tese, é fato que essa “dúvida” foi iniciada no século 18, a partir da Revolução Industrial. Desde então, amplia-se por diversos fatores, em especial quando governos e empresários adotam em suas organizações as ditas “tecnologias de ponta”, que surgem no mercado. No mais das vezes, usam tecnologia apenas por ser a nova tecnologia, sem prever vantagens específicas.

No entanto, em especial no sistema público, dizem que dessa forma aumentam a produtividade do trabalho. Porém, esquecem-se que as organizações precisam se apropriar de insumos para produzir, os quais são bens ambientais do planeta. Quando esses insumos não são renováveis, têm seu estoque limitado; quando se reproduzem de alguma forma, ainda assim são escassos. Sobretudo, em cenários produtivos que requerem mão-de-obra especializada (insumo produtivo limitado e escasso).

O “esquecimento” destes investidores foi ampliado com a ideia do “desenvolvimento sustentável”. Transformaram-na em mera retórica redundante. Se há desenvolvimento, precisa ser sustentável, por óbvio; caso contrário, é apenas crescimento. Aliás, insustentável é o crescimento pífio de empresas e a recessão de países desgovernados, tais como Brasil, Venezuela, Argentina e Grécia.

Todavia, assiste-se a nações social e economicamente desenvolvidas, cujos governos buscam consolidar e sustentar a qualidade de vida alcançada, sem a preocupação de aumentarem o PIB. Alemanha, Noruega, França, Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Japão, por exemplo, investem para manter o cenário em que a qualidade de vida do seu cidadão é a meta básica. O crescimento do PIB, ou não, é fato secundário.

Paris, na pintura do impressionista Jean Béraud - Belle Époque

Paris, na pintura do impressionista Jean Béraud – Belle Époque

Essas são nações que se encontram na vanguarda do desenvolvimento. Possuem cultura sólida, educação incomparável, criam e aplicam tecnologias que reduzam o consumo dos bens ambientais, buscam eliminar “lixos no ambiente”, enfim, executam a gestão através de seu próprio ambiente estabilizado.

Afinal, o Ambiente precisa ser estável para manter sua Sustentabilidade original, de modo a garantir as condições de sobrevivência a todos os seres vivos do planeta.

Crime e penalidade


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Trato neste artigo de temas relacionados bastante polêmicos: crime, penalidade e maioridade penal. Por ter opinião formada sobre eles, apresento meus argumentos. Em síntese, mostro que as penas da justiça nada devem ter a ver com a idade do criminoso, mas com a gravidade do crime cometido.

Crimes hediondos – aqueles que requerem do autor alta perversidade e demência – não são cometidos por crianças.  “Menino de 3 anos estrupa vizinha após degolá-la” não é manchete que se leia em jornal. Nem mesmo nos países sem qualquer arremedo de segurança pública, como o Brasil.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), instituído no governo Collor (o demente) – Lei No 8069, de 13 de junho de 1990 – clama por ser desmontado e reconfigurado com rigor. É um fato que mistura no mesmo caldeirão de fogo dois grupos muito distintos, tanto em atitude, quanto na conduta. Crianças são inofensivas e, como se assiste diariamente, adolescentes têm-se mostrado sanguinários.

ECA é uma sigla infeliz. Não faz muito tempo que se exclamava “eca” quando se via ou tocava em coisa nojenta; era gíria de meleca. E esse estatuto retrógrado tornou-se nojento, “eca!”, nocivo à sociedade brasileira. Embora haja certos governantes e políticos sórdidos, que o manipulam de forma sistemática, a confundir os reais direitos humanos com a obrigação do cumprimento de penas adequadas.

Afinal, criminoso no Brasil recebe “bolsa-presidiário”, em média maior que o salário-mínimo do trabalhador. Isto sem esquecer do dito ex-ministro que recebeu 39 milhões de reais (em propina), por “consultoria internacional prestada de dentro da penitenciária”. No meu entender, esse sim, é um crime bárbaro, estupro da sociedade.

─ “Tudo pelos direitos humanos! Então, como fica o direito das vítimas, calhordas populistas”?

Não concordo que haja maioridade penal para qualquer crime cometido. A meu ver, as penas precisam ser as mesmas para todos, sem depender da idade do autor. Todavia, repito: crianças com até 12 anos são inofensivas, não cometem crimes hediondos por iniciativa própria, nem devem ser penalizáveis pela justiça. Precisam receber educação gratuita de qualidade.

Conversas com o ambiente


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

A primeira vez que fui pescar em mar aberto tinha 6 anos de idade. Fiquei maravilhado com a imensidão do oceano à volta de nosso pequeno barco. Foi nele que recebi a primeira aula de meu pai, o melhor pescador da costa portuguesa, modéstia à parte. Hoje, aos 97 anos, estou consciente que mantive certos valores do “velho Macko” – como seus amigos o diziam.

Sem demonstrar pressa ou mudança no humor, Macko sempre me ensinou a conversar com o ambiente marítimo – o mar, os ventos, correntes marítimas e peixes em geral. Dizia-me ele, enquanto manejava linhas e anzóis: ─ “Filho, só não temos como conversar com o Sol; ele é absoluto, definitivo”.

A meu ver, na pesca artesanal portuguesa Macko foi definitivo em linhas, nós e laços. Sabia-os a todos, como poucos. Para o pai, anzóis eram meros adereços aplicados ao final de linhas. Na juventude, muita vez o vi pescar em quantidade, apenas com “laços de linha”, sem anzol.

Vista similar ao nosso ambiente marítimo

Vista similar ao nosso ambiente marítimo

Em certas noites, Macko fazia assados de peixe na praia para reunir amigos. Aos 10 anos, quando comecei a participar desses eventos, conversava com os animais que via, apelidados aqui nas Maçãs por “tatuíra“. Um tatu pequeníssimo, de peso imponderável, que é trazido pelo mar e se enterra na areia da praia, ao fim da rebentação.

Descobri que os tatuíras são crustáceos inofensivos; pobre deles. Eu cavava rápido a areia para captura-los. E ria sem parar com as cócegas de suas patinhas na palma de minhas mãos; aflitos, a esforçarem-se para fugir. Como eu só possuía instinto, não notava que “minha infantil brincadeira”, de facto, era tortura para eles.

De longe, Macko assistia meu comportamento. Um dia aproximou-se e, com interesse, explicou-me o que acontecia aos tatuíras, “prisioneiros de mim”. Disse-me como vivem, do que se alimentam, que auxiliam a outros seres vivos e são muito frágeis às mãos do homem. Entristeci ao entender que aquele pequenino também possuía amigos, que dele dependiam para sobreviver. Assim, aos 10 anos, firmei minha primeira decisão de vida: jamais capturarei tatuíras.

Velho Macko faleceu enquanto dormia; eu tinha 27 anos de idade, então. Senti demais sua partida, mas tive de assumir as rédeas do que ele deixara: seus amigos, nossa casa, mais de 2.000 livros, o pequeno barco, petrechos de pesca e sua intensa atividade.

Há tempos conhecera outro crustáceo com “atividades subterrâneas”, muito usado como isca para robalos. Um bicho estranho, com garras dianteiras, bem maior que os tatuíras. Aqui essa espécie é conhecida como “Corrupto” (Callichirus major). Sei que no Brasil tem o mesmo apelido, pois, conforme demonstram seus espécimes políticos, “Corruptos são inumeráveis, multiplicam-se de forma acelerada, nunca aparecem e são difíceis de capturar”.

Callichirus major

Callichirus major, vulgo Corrupto

Mas quando soube que seu processo de sua busca e captura destruía o solo e microrganismos, conversei com o ambiente e optei por não utilizá-lo como isca. Achei mais prudente deixar o “Corruptoenterrado nas profundezas. Afinal, meu velho Macko pescava sem iscas e anzóis! Os brasileiros deveriam fazer o mesmo: enterrar bem fundo os seus.

Com o tempo descobri que para conversar com o ambiente e obter informações úteis, precisava saber lê-lo e prever sua conduta futura. Mas, além de Macko, não tinha com quem conversar sobre esse assunto. Era tema restrito a pai e filho. Decerto, ele sabia lê-lo e prevê-lo como poucos, porém não teve tempo de me explicar como fazer.

Contudo, dentre os livros que herdara, encontrei textos sobre preservação e conservação do ambiente. Pasmem, todos traziam dedicatórias dirigidas a mim, assinadas por meu pai, o Velho Macko! Sugeriam que eu entendesse o rio que atravessa nosso terreno, bem como a mata e a fauna ocorrentes em suas margens, pois eram a parte do ambiente terrestre que tinha a preservar.

Resultado: ambiente terrestre preservado

Resultado: ambiente terrestre preservado

A partir de 1960, com minhas atividades de pesca já consolidadas, dediquei-me a estudar o “meio ambiente”, como aqui é chamado, de forma ignorante. Adquiri dezenas de livros sobre Ciências do Ambiente: ecologia, biologia, hidrologia, antropologia e filosofia. Estudo-os até hoje e aplico os ensinamentos que deles recebo, toda vez que os abro. Tornaram-se parte essencial de minha vida.

No início de 2013, recebi convite de Ricardo Kohn para escrever em seu blog, o Sobre o Ambiente. Confesso que tive dificuldades em aceitar: não tinha computador e sequer sabia o que seria “navegar na internet“. Mas após orientações de Quincas, meu neto postiço, enviei o primeiro artigo para o blog, uma sátira política intitulada “Carta Aberta da Estremadura – Portugal”.

Continuo a estudar e aplicar notórias práticas ambientais em tudo o que faço na vida. De facto, neste momento, estou ansioso paraImagem de divulgação adquirir o que parece ser a obra da vida de Ricardo Kohn, prevista para ser lançada ao final deste mês de julho:

  • Macedo, R Kohn, Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão. Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos , 636 pg., 1ª edição.

Afinal, meu pai, o Velho Macko, foi o primeiro “ambientalista” que conheci no mundo. Tenho, a correr em minhas veias, sua melhor herança.

O pomar


Por Ricardo Kohn, Escritor.

O fundador do pomar – Eustáquio Bruno e Thomaz de Aquino – nasceu no Brasil, em 1899. Era filho de pai português, um rico comerciante da cidade do Porto, e mãe italiana, uma linda artesã, especializada em fazer botas de montaria, nascida em Florença.

Dependendo do grau de intimidade, todos o conheciam por Aquino ou ‘seu Aquino’, embora seus irmãos o chamassem de ‘Taquinho’. Entretanto, após a morte do pai e, pouco depois, o debacle financeiro da família, Aquino viu seus projetos rolarem por água abaixo. Ainda assim, às duras penas, aos 27 anos concluiu a graduação na Escola Superior de Agricultura, situada em Viçosa.

Vista aérea da Escola Superior de Agricultura, em 1933

Vista aérea da Escola Superior de Agricultura, em 1933

De fato, abraçara a missão de cuidar de sua mãe viúva e cinco irmãos. Isso impediu-o de realizar seu projeto de vida: plantar a maior horta do país, a oferecer alimentos orgânicos gratuitos. Porém, sua vida transtornou-se. Resumira-se em acordar às 5 da madrugada, fazer rapidamente a barba com navalha, a higiene facial, sair para superar 14 horas de trabalho diário, retornar à casa, tomar um banho frio, comer algo e desabar na cama feito uma pedra.

Aquino não possuía tempo para laser, sua distração era andar a pé por toda a cidade, diariamente, de um local de trabalho para outro. Possuía sólida consciência política, até hoje de suma importância para a cidadania, mas nenhum interesse em participar dela. Até porque era introvertido e detestava se destacar aos olhos das pessoas. Além disso, ser mais uma patranha, jamais!

No entanto, Aquino foi um grande humanista. Ficava feliz ao doar seu trabalho à comunidade em que vivia, sempre a manter-se no anonimato. Resignava-se assim, ao fingir acreditar que cada cidadão era obrigado a deixar algo relevante para os mais jovens. No mínimo, exemplos concretos como sua ideia fixa: “horta a distribuir alimentos orgânicos gratuitos”.

Foi através dessa humanidade que construiu poucas, mas sólidas amizades. Seu maior amigo chamava-se Gumercindo, nome de guerreiro rebelde rio-grandense do sul. Juntos, Taquinho e Guma, a “convite” das forças armadas, atuaram na Revolução de 30, em terras mineiras. A contragosto, os dois liberais tiveram que lutar a favor do caudilho populista Getulio Vargas, e aguentar os 15 anos da cruel ditadura que se sucedeu no país.

Ao retornarem do quartel, após o mês que durou o “Golpe de 30”, aos 31 anos de idade, Taquinho e Guma estavam bem magros e com a cabeça branca. Não foram reconhecidos por suas famílias. Desiludidos com o futuro da nação, fizeram um pacto de vida: adquirir uma terra, longe de qualquer cidade, e plantar um grande pomar de frutas brasileiras.

Com dedicação e seriedade, Aquino conseguiu bons trabalhos para seus cinco irmãos. Para sua tranquilidade, todos se casaram em 1931 e deixaram a casa que compartiam com ele. Restou-lhe, então, sua doce mãe e a responsabilidade de mantê-la saudável e feliz.

Por outro lado, Gumercindo casara-se cedo e possuía um pequeno patrimônio. Assim, coube-lhe encontrar o terreno para negociarem as condições de pagamento. Enquanto isso, Aquino se desdobrava para economizar o dinheiro da entrada.

Mas eis que, para sua surpresa, em janeiro de 1932, Gumercindo disse-lhe que encontrara o terreno que buscavam. Situava-se próximo ao povoado de Conceição de Ibitipoca, a sudeste de Minas Gerais, num sopé da serra.

Aquino quis conhece-lo em detalhes. Junto com Gumercindo, percorreu a pé o terreno de 88 hectares; anotou as principais espécies de Mata Atlântica existentes, bem como localizou duas grutas, três rios que atravessavam o terreno, com nascente na serra, além de duas cachoeiras, dois lagos e várias corredeiras.

Cachoeira e lago formado no terreno

Cachoeira e lago formado no terreno

Ao fim, encantou-se com a biodiversidade de pássaros e polinizadores da região. Imaginou-se com o hábito de acordar às 5 da madrugada, mas naquele ambiente primitivo, a ouvir a cantoria da passarada. Começara a desenhar um mapa do terreno e de seu próprio futuro.

Pássaros encontrados na região

Pássaros encontrados na região

Foi mais difícil encontrar o proprietário do terreno do que adquiri-lo. Depois de quase um mês, descobriram que o senhor Lopes se mudara para São Paulo, a levar consigo sua doentia fé urbana. Na verdade, estava ansioso para vender a propriedade. De toda forma, o negócio foi bom para Lopes e para os agricultores novatos.

No entanto, Taquinho e Guma tinham muito trabalho a fazer para atingir o intento do “Sítio do Pomar”, conforme dizia a placa, na entrada da trilha de acesso ao terreno. Ou seja, antes de começar o plantio de mudas de árvores frutíferas, precisavam tornar operacional a logística daquele terreno: melhorar sua via de acesso, limpar a área do terreno a ser utilizada, construir uma moradia para três pessoas e um bom galpão de suprimentos. Em suma, faltava dinheiro no bolso dos sócios e foi a hora da decisão.

Tanto Aquino quanto Gumercindo não pestanejaram: para investir no Sítio do Pomar, viram-se obrigados a vender suas casas na cidade. Afinal, ainda eram jovens de 33 anos, sabiam dos riscos envolvidos, mas estavam convictos de empreender no ambiente rural.

Aquino, sobretudo, contou com a compreensão de sua mãe e o apoio inconteste de um irmão, que a acolheu em sua própria casa. Combinou com todos que, de 20 em 20 dias, enquanto estivesse a construir no sítio, retornaria para “estar com a mamãe durante três dias”, pelo menos.

Foram seis anos de trabalho duro, de sol a sol, sem fim-de-semana. Mas o Sítio do Pomar ficou excelente, com acesso seguro para pick-ups e margens floridas (ideia de Júlia, mulher de Guma), a moradia humilde com varanda de frente e o galpão novinho em folha, uma área para criação de cabras e galinhas, com vistas a obter esterco e adubar o solo. Além do belíssimo pomar, plantaram a tão sonhada horta orgânica comunitária, e adquiriram colmeias de abelhas produtivas e calmas. Tudo isso, a manter 48 hectares de Mata Atlântica primitiva intocada.

Os produtos do pomar no mercado mineiro

Os produtos do Sítio do Pomar no mercado mineiro

Todos os trabalhos no sítio requereram a contratação de mão-de-obra no povoado. Assim, Conceição de Ibitipoca viu sua economia começar a crescer. Os terrenos vizinhos ao sítio foram valorizados e as principais estradas de acesso foram asfaltadas pelo governo estadual. Guma aproveitou essas vias de distribuição e colocou os produtos do pomar em todo o mercado mineiro.

Enfim, Taquinho e Guma sempre foram recebidos de braços abertos pelos amigos que fizeram no povoado. Seus projetos, a manter a sustentabilidade do ambiente, muito embora com outras culturas, serviram a outros proprietários de Ibitipoca. Eles próprios participaram dos trabalhos de implantação. Enquanto viveram, tornaram-se referência de humanidade e da produção agrícola na região sudeste de Minas Gerais.

Adaptar-se ao mercado


Por Equipe de Sobre o Ambiente.

Em conversa com velhos amigos, a tratar da conjuntura e tendências do mercado de trabalho, observou-se certa “docilidade perante o cenário drástico” que se descortina. Uns perderam o trabalho, outros demitiram seus funcionários. Há os que pensam seriamente em fechar suas empresas.

No entanto, ainda há alguns que resmungam com certa indolência: ─ “Não posso fazer nada, sempre foi assim neste país”. E não adiante pedir-lhes que ponderem, que meçam as proporções do desastre social, político e econômico atual. Que, enfim, o compare a períodos menos obscuros da nação, ocorridos desde a 60 anos atrás.

Todavia, para garantir o vital otimismo, também se têm verificado relevantes mudanças na atitude de certos executivos da iniciativa privada, face às duas ameaças efetivadas sobre os brasileiros: a incompetência e a corrupção do governo.

Em síntese, gerem seus negócios de forma a se livrarem ao máximo dos terrores do sistema público instalado. Visam a obter a independência de suas empresas e equipes, de maneira a tocarem seus negócios, com metas factíveis e detalhadas, que não dependam do governo. Sem dúvida, isso é possível.

A resiliência empresarial

O conceito de resiliência provém da Física Newtoniana: constitui a capacidade de um corpo físico em recuperar sua forma original após haver sofrido choque e deformação. Outras áreas do conhecimento usaram esse conceito, entretanto, adequando-o aos atributos que lhes são pertinentes. Por exemplo.

Na Ecologia, constitui a capacidade intrínseca do ecossistema em suceder-se, após sofrer rupturas ambientais. Em função da dinâmica evolutiva do ecossistema, ele não retornará à sua forma original, porém, cumprirá com suas funções essenciais para relacionar-se de forma estável com os demais sistemas ecológicos que dele necessitam para evoluir.

De certa forma, a resiliência empresarial adota como fundamento o conceito da Ecologia. Para a Administração, a resiliência precisa constituir a capacidade de adaptação das empresas perante as oscilações do mercado, tanto comprador quanto concorrente.

Por não possuírem dinâmica espontânea para a evolução, tal como os sistemas ecológicos, as empresas demandam de seus executivos e equipes competências específicas: transparência nos negócios, capacidade para gestão da mudança, integração de equipes co-responsáveis, ampla abertura para novos negócios, bem como relacionamento dinâmico e frutífero com fornecedores, compradores e empresas concorrentes.

Há luz no fim do tunel: chama-se resiliência empresarial

Há luz no fim do túnel: chama-se resiliência empresarial

Assim se dá a evolução empresarial, através da resiliência inteligente, criada e mantida por seus executivos e equipes essenciais. É por meio da capacidade permanente de adaptação ao mercado que todas as empresas podem evoluir em nichos inter-relacionados, independentes das agruras do sistema público.

Consultoria é educação


Por Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente e Escritor.

Ricardo KohnEmbora desde meados do século 20 não pairassem dúvidas acerca da qualidade da consultoria no país, fatos recém descobertos pela polícia federal ameaçaram a reputação de milhares de consultores: presidiário fazendo ‘consultoria’.

Dessa forma, este artigo visa a mostrar o que é o verdadeiro Consultor, na exata acepção da palavra, a qual justifica sua expressiva contribuição nas nações desenvolvidas.

Em dicionários encontram-se significados congêneres para “consultor”. Mas, por ser genérico e universal, como ponto de partida optou-se por “pessoa qualificada (…) que trata de assuntos técnicos da sua especialidade” – claro, simples e objetivo.

Todavia, por detrás deste “conceito de consultor”, deve-se aportar certas atitudes básicas para ser um bom profissional, tais como: possuir sólidos princípios éticos e morais; estar sempre disposto a partilhar conhecimentos com terceiros; ser humilde na criatividade de suas descobertas; ser capaz de aprender enquanto auxilia; saber ouvir críticas; gostar de debates com fundamento; conhecer os próprios limites; nunca participar de discussões; e, sobretudo, dominar a lógica necessária para defender posições, sejam próprias ou de terceiros.

Consultores em trabalho de campo – Arqueologia, Geologia e Arquitetura 

Não quer dizer que todos os consultores possuam essas atitudes desde o nascimento. Elas precisam ser aprendidas pela convivência com sêniores que já as detém, no todo ou em parte. De fato, para desenhar as “atitudes básicas” acima, foi necessário memorizar as ações de uma equipe de cinco consultores sêniores[1]. Todos trabalhavam em projetos de engenharia de saneamento básico e resíduos sólidos. Receberam notoriedade nacional pela qualidade das soluções de engenharia que descobriram e dos projetos que desenvolveram para realizá-las.

No entanto, na história da consultoria não há menção à prática de lobby por parte de consultores. Aliás, para que o lobby tenha algum valor, precisa ser honesto. Caso contrário, os lobistas em ação, ao invés de lograrem êxito nas legítimas pressões para obter o que almejam, podem seguir como réus, rumo à justiça. Assim soe ocorrer nas nações mais desenvolvidas.

Da mesma forma, consultores que não sejam cientistas políticos, não atuam em cooptações[2], sobretudo, as que “envolvam transações monetárias”. Como a prática tem demonstrado largamente, no Brasil a legítima cooptação transformou-se num arranjo da “corrupção público-privada”.

Em suma, lobby e cooptação não são tarefas para consultores de qualquer área. Lobista não faz parte da consultoria. Aliás, no Brasil atual distribui ensinamentos para produzir lotes de ladrões.

……….

[1] Embora haja muitos outros, ressalta-se os engenheiros Enaldo Cravo Peixoto, Walter Rodemburg Ribeiro Sanches, Gastão Henrique Sengés, Fernando Penna Botafogo Gonçalves e Jorge Costa Nogueira, todos a atuar nas décadas de 1960 e 70. Sob a senioridade desses profissionais foram educados centenas, senão milhares, de bons consultores.

[2] Em tese, com base nas teorias da Administração Pública e da Ciência Política, o processo de cooptação de um indivíduo, grupo ou empresa é realizado através do convencimento lógico para se atingir a alvos legítimos desejados pela nação. No entanto, esses alvos são legais e não se traduzem em qualquer pagamento ou benefício ao cooptado. Ou seja, há riscos concretos para alcança-los e a cooptação sempre deve somar forças produtivas e honestas.

Como sair da lama


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Ricardo KohnNão é necessário ser economista para ver que a péssima gestão da macroeconomia não é uma variável, mas um dado do problema brasileiro. Dentre seus principais efeitos, destaca-se o crescimento contínuo do desemprego, sobretudo, na faixa de renda acima de 20 salários mínimos, ou seja: a partir de R$ 15.760,00 mensais.

O quadro geral de curto e médio prazo é grave para todos os setores econômicos. No entanto, função da experiência de trabalho, foca-se apenas em dois setores privados: os da consultoria de engenharia e de ambiente. Ambos se encontram a caminho do esfacelamento, com o fim e perda de contratos, a demissão de funcionários, sobretudo de alguns especialistas, além do inevitável fechamento de empresas, detentoras de boa parte do patrimônio da inteligência consultiva.

Projetos de engenharia e Estudos ambientais bem elaborados constituem a base da construção civil, setor que pode atender a um grande número de trabalhadores que pertencem à faixa de menor renda. Contudo, sem os serviços da consultoria[1], ou param-se obras indispensáveis ou seus prazos são dilatados, a justificar o famoso sobrepreço. E, assim, tem-se mais desemprego.

Por outro lado, o governo federal permanece na mesma toada: elevadas despesas de custeio, decerto superiores ao que arrecada para esta finalidade; nível de investimento muito baixo; e total incompetência na atração de investidores privados.

Em suma, o crescimento da inflação, bem além do teto superior da meta, resulta da manutenção de forte demanda pública – pressão de despesas do governo em atividades não-produtivas, sem alvos definidos, e mal explicadas. Por sinal, “lideradas” pela Presidência da República e seu malogrado Comboio de Mamutes: 39 ministérios com eternos resultados insipientes.

Recessão econômica, inflação elevada, taxa básica de juros absurda, desemprego em alta, enfim, o solo do lamaçal econômico, criado pela incompetência soberana, tende a se tornar um implacável pântano nacional. Acredita-se que a questão básica é a seguinte:

─ “Como a sociedade pode desvencilhar-se desta cilada”?

A resposta a esse quadro estrutural se resume em uma única ação: contra-atacar. Através de lideranças nacionais, notórias pela experiência pregressa bem-sucedida, a sociedade encontrará oportunidades potenciais de investimento, meio às ameaças que lhe são impostas.

Com o aumento de profissionais desempregados, o setor da educação brasileira, precário por definição, precisa oferecer “treinamentos úteis”, que aumentem a produtividade em todas as atividades humanas.

Aguardar do governo qualquer iniciativa neste sentido é perda de tempo. O setor público somente promete uma “Pátria Educadora”, falida antes do próprio nascimento. Há que se buscar investidores privados que, com criatividade, reencaminhem a educação às finalidades a que se destina, há séculos.

……….

[1] Não confundir consultoria com “propinaria travestida”, feita até por presidiário de penitenciária.

Qual é sua virose?


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

De volta à casa, cá estou em minha biblioteca, após passar 12 dias ao mar, preocupado com doenças transmissíveis. É coisa de velho, bem sei eu. Todavia, descanso a ler uma coleção de textos científicos que falam dos vírus: sua origem, forma de manifestação e possíveis tratamentos. Para objetivar essa conversa digo-lhes que, de facto, há três categorias de vírus nocivos no mundo: os biológicos, os cibernéticos e os políticos.

Os biológicos ocorrem no ambiente primitivo, mas podem afetar de forma nefasta o organismo de seres vivos, com destaque para o do ser humano: aids, ebola, meningite, malária, cólera e gripe são exemplos de doenças causadas pela ação desses monstrinhos ignóbeis. Algumas já possuem vacinas, todas elas são mais ou menos tratáveis, embora ainda haja enfermidades fatais, sobretudo nos países mais pobres.

Já os cibernéticos são programados por “dementes especializados” e destinam-se a acabar com a paciência de todo e qualquer cidadão, diacho! São milhares de malwares e spywares a inocular “graves enfermidades nos computadores”: a torto e a direita, imitam softwares para navegar pela internet e destroem programas e arquivos essenciais. Os mais atrevidos roubam contas bancárias de desatentos. Mas ainda há outras moléstias online virulentas que também realizam.

Entrementes, como pano de fundo das categorias de vírus controláveis, têm-se os furibundos vírus políticos. Estes são realmente hediondos, capazes de infestar a qualquer Estado-nação com intensa malignidade[1]. Ao fim da infestação, costumam ocorrer dois factos: a fuga do país, por parte daqueles que não deixarão vínculos pessoais, e a miséria do povo infectado, incapaz de possuir outra opção, senão submeter-se.

Tratamento

Por não ser médico, informata ou cientista político atuante[2], só conheço uma forma para tratar doenças viróticas: antecipar-se a elas, não permitir que se instalem. Veja como:

Ações proativas para vírus biológico. Vacine-se contra todas as viroses que a medicina já haja controlado. Afaste-se de regiões onde a incidência destas doenças é notória; se necessário, mude da moradia. Não se aproxime de pessoas que estão doentes, em quarentena. No mais, conte com a sorte e com o bom médico de família.

Ações proativas para vírus cibernético. Vacine seu computador com o melhor antivírus[3] do mercado. Caso desconheça qual seja, peça orientação a um bom informata, há milhões deles que as máquinas de busca encontram na internet! Evite abrir e-mails e nunca clique em links que lhe forem enviados. Jamais instale programas sem consultar seu informata. Nunca visite sites desconhecidos cuja matéria seja de risco. Use seu melhor bom-senso, aprendido desde a infância.

Todo ser humano do século 21 precisa ter, como amigos dedicados, um cão e um analista de informática. Deve agir e retribuir, no mínimo, com o mesmo carinho.

Ações proativas para vírus político. É trágico, não existe vacina no mundo que impeça a infecção por esses selvagens. O contágio sempre acontece, ainda que os benignos estejam distantes, a milhares de quilômetros. Afinal, eles já nascem famintos populistas, a roubar e a mentir de forma desbragada! Além disso, reproduzem-se feito ratos, a partir de 2 meses de idade; têm gestação de até 21 dias. Mas saibam de uma coisa: embora sejam fatais para cidadãos, não são infalíveis nas lutas que provocam numa nação e em sua sociedade civil.

A vacina possível é intrínseca a cada cidadão: ter educação e agir com sensatez. Porém, uma vez constatada a presença nociva de selvagens, torne-se implacável e inflexível em sua extirpação.

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[1] A malignidade é demonstrada com: (i) desvio de dinheiro público; (ii) distribuição de propina; (iii) evasão de divisas; (iv) lavagem monetária em paraísos fiscais; bem como, (v) a súbita e inexplicável riqueza nababesca de quadrilheiros públicos, que antes não tinham, sequer, aonde caírem mortos.

[2] Muito embora, haja cursado Ciência Política na Universidade de Coimbra (1932-1937).

[3] Quincas, neto postiço e meu professor particular de informática, aconselhou-me o antivírus alemão, NOD32. Baixou do site www.eset.com.br e instalou com sucesso em meu laptop.

Ambientologia para a Educação


Por Cláudia Reis e Ricardo Kohn, Consultores em Gestão.

Observa-se que há entre os cursos do ensino básico brasileiro – Fundamental [1 e 2] e curso Médio – um hiato de conteúdo educacional, sobretudo, entre o Fundamental 2 e o curso Médio.

Verifica-se que os módulos do ensino fundamental relacionados ao tema “Ciências”, embora oportunos, são superficiais e estanques entre si. Não formam o substrato educacional mínimo para capacitar os alunos às demandas do ensino Médio e Superior. Falta-lhes integração com a forma de raciocinar, a incitar ações subsequentes úteis e tangíveis. Informam, mas não motivam aos alunos a desejarem mais conhecimento.

Por sinal, cansam-nos com textos dispersos para decorar e, em vários casos, acabam por “aumentar a evasão das escolas”, tal o desinteresse que proporcionam aos jovens.

Infere-se a partir das premissas acima, que é possível preencher o hiato existente e, por exemplo, integrar os cerca de 30 temas da cadeira de “Ciências”, através de um único tema: a Filosofia do Ambiente, doravante chamada “Ambientologia[1]”.

Finalidades do projeto

Essa proposta de projeto possui quatro finalidades concretas e realizáveis, a saber:

  • Ampliar nos alunos do ensino básico o interesse pelo aprendizado diferenciado das práticas ortodoxas, há muito adotadas sem os efeitos satisfatórios.
  • Reduzir a evasão escolar, sobretudo no ensino Fundamental 2.
  • Internalizar na mente dos alunos, a partir da visão do Ambiente, a importância dos trabalhos em equipe, com o aumento da produtividade escolar de cada um.
  • Por fim, além de conferir o título de “Técnico em Ambientologia” aos alunos que concluírem o ensino médio, prepara-los para se superarem no ensino superior, caso desejem realiza-lo.

Foco do projeto

  • Estimular jovens a refletirem sobre as relações ambientais de causa, efeito, ações de pronta resposta, considerando-as no tempo e no espaço. Todas essas relações são vividas diariamente por jovens, embora nem sempre sejam consideradas, o que pode acarretar perdas de oportunidades e riscos em geral.
  • Além disso, ampliar a visão espacial e temporal dos eventos que ocorrem no Ambiente, como decorrência direta de ações humanas. O pacote educacional proposto pelo projeto deve capacitar aos alunos do ensino fundamental e médio a formar opinião sobre a importância do Ambiente em suas vidas, decerto mais amplo do que as engenharias e obras que o transformam a cada instante, não raro de forma danosa a seus sistemas ecológicos.
  • Por fim, demonstrar aos jovens uma premissa básica da atualidade no mundo ocidental: “o Ambiente finito do planeta, quando estabilizado com consumo adequado de seus bens ambientais (ar, água, solo, flora, fauna e homem), constitui o pilar essencial para a evolução dos seres vivos (flora, fauna e homem), desde que com a manutenção da dinâmica de seu substrato físico (ar, água e solo) ”.

Descrição do projeto

Para situar os leitores mais velhos desta proposta, o curso Fundamental 1 equivale aos antigos Pré-primário e Primário. O Fundamental 2, é similar ao antigo Ginásio. Por último, o curso Médio equivale aos cursos Científico e Clássico, como denominados no passado.

Salienta-se que, nessa etapa da educação de jovens, a Ambientologia será uma cadeira que possui como base pedagógica as respostas do Ambiente como resultado de ações praticadas pelo Homem, nem sempre inteligentes sob a ótica do Ambiente.

─ Curso de nível Fundamental [1]

Destinado a jovens de 6 a 10 anos, o projeto propõe-se a desenvolver 5 (cinco) cartilhas ambientais, a narrar histórias do dia-a-dia que os jovens dessa idade tenham interesse em descobrir e conhecer. O teor das cartilhas visa a motivar crianças Vista escolar da Ambientologiapelas descobertas.

Exemplo de temas para as cartilhas: i. Assim são plantadas as hortas comunitárias; ii. Mude o ambiente de seu bairro: plante flores nas praças; iii. Hortas na cobertura e flores na fachada dos prédios; iv. A alegria da Primavera é contagiante; v. Folhas e flores trazem borboletas e beija-flores para dentro das casas; vi. Sem flores não existem as frutas que adoramos; vii. Podemos lhe ajudar nessa tarefa?

Evidente que as cartilhas ambientais precisam de personagens que “conversam” com as crianças. A exemplo, podem ser duas famílias com filhos em aprendizado inicial.

No Fundamental [1] os módulos de aprendizado são três: Alfabetização em Português, Aritmética, Introdução à Ambientologia e, por opção do aluno, Inglês básico.

─ Curso de nível Fundamental [2]

Destinado a jovens de 11 a 14 anos, o projeto propõe-se a elaborar 4 (quatro) livros didáticos, específicos para o Fundamental 2. Os livros devem ter cunho evolucionista, a começar pelo roteiro educacional que apresentam para a Ambientologia, a qual precisa ser dinâmica: a evoluir do livro 1 até o livro 4.

O tema central também é o Ambiente, em todas as suas proporções e narrativas, por exemplo: como fazer e gerir um simples canteiro de plantas, passando por jardins, sítios e fazendas; perceber as ameaças dos processos de desmatamento, das erosões intensas, que resultam em áreas desertificadas; apresentar as características dos ecossistemas primitivos e sua capacidade de evolução aleatória; até chegar ao maior desafio, que seria algo tal como o Ambiente Primitivo: sem poluição do ar, sem contaminação hídrica, com solos férteis, rios e lagos de água pura, um povoado integrado à floresta e sua fauna silvestre.

Através de narrativas muito bem sequenciadas, amplamente documentadas por fotos e desenhos, a Teoria do Ambiente vai sendo gradativamente transferida aos alunos, como essencial à filosofia das suas vidas, sem ter que falar em Teoria ou Ciência.

A linguagem dos livros será simples e coloquial. Sua narrativa fará menções à linha do tempo da existência do Homem no planeta, ou seja, do paleolítico até os dias atuais: do antigo caçador-coletor ao atual “caçador-extrator”. Trata-se de oferecer para análise dos jovens alunos uma visão histórica e geográfica do homo sapiens, bem como sua evolução no Ambiente planetário.

No entanto, subentenderá questões ambientais práticas, que estimulem aos alunos perspicazes a encontrar soluções próprias, tanto para o momento em que vivem, quanto para seus futuros de maior prazo.

As coleções de cartilhas e livros serão impressos em papel reciclado. Porém, o projeto também prevê oferecer os livros também em formato digital (e-book).

Para finalizar, o projeto Ambientologia deverá atender à prática moderna da juventude, através de aplicativos para celular, tablets e computadores pessoais. Constituem jogos que demandam a decisão dos alunos diante das questões ambientais formuladas pela coleção de livros – “environmental games”. Jogos inteligentes estimulam o aprendizado.

No Fundamental [2] os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Português e Redação, Matemática, Ambientologia, História, Geografia e Inglês. Por escolha do aluno, ele pode selecionar aulas de Espanhol ou Francês.

─ Curso de nível Médio

Destinado a jovens de 15 a 17 anos, o projeto adotará práticas constantes em “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”, livro a ser publicado em breve para o ensino de Nível Superior.

Essa obra teria como título “Ambientologia – Metodologias para Gestão”. No entanto, o título foi trocado, pois o autor considerou que seu significado não seria claro, por referir-se a uma “prática pouco conhecida”.

No curso Médio os módulos de aprendizado seriam os seguintes: Redação e Literatura, Matemática avançada, Física, Química, Ambientologia, Inglês, Espanhol, Francês e, no último ano, Ambientologia avançada.

Benefícios do Projeto Ambientologia

A relevância de qualquer projeto se assenta na capacidade de responder às demandas de seu público-alvo, sejam elas explícitas ou não. Desse atributo derivam os benefícios que o projeto oferece à sociedade, que podem ser de variadas ordens.

No caso do ‘Ambientologia’, tratam-se de benefícios educacionais, dos quais deságuam efeitos positivos de ordem social, econômica e motivacional, pelo menos. Destacam-se cinco deles, a saber:

  • Internalização no raciocínio dos jovens da dinâmica do Ambiente, às vezes imprevisível, bem como de seu trato adequado, através do uso dos meios que estejam disponíveis, sejam os acatados pela ciência ou criados por eles próprios.
  • Demonstração aos alunos que as atividades dos ecossistemas humanos precisam possuir desempenho ambiental, visando a garantir a sustentabilidade dos ecossistemas primitivos, ou seja, manter o Ambiente estabilizado.
  • Ampliação da capacidade da lógica dedutiva na formação do conhecimento, com efeitos expressivos na autoestima dos jovens “alunos descobridores”.
  • Aumento da capacidade de antevisão de problemas de causas variadas, com estímulo à inventiva pessoal dos alunos em solucioná-los, no tempo e no espaço.
  • Introdução da variável ambiental na vida dos jovens, através da visão de seus espaços físico, biótico e antropogênico, como fundamento para a tomada de decisão em todas as suas futuras profissões.

Procura-se um Investidor-parceiro para melhorar a Educação dos jovens brasileiros.

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[1] Após 42 anos de consultoria em estudos e projetos, descobriu-se que a Ambientologia não seria propriamente uma ciência. Mas uma base filosófica, que facilita a orientação e coordenação da aplicação simultânea das inúmeras ciências que explicam o Ambiente.