O idiota solitário


Ricardo Kohn, Escritor.

Desde o surgimento do sapiens moderno no planeta (há 10 mil anos), as agressões entre seus espécimes tornaram-se vitais à sobrevivência, sobretudo dos que se achavam mais poderosos. Matarem-se uns aos outros tornara-se o esporte favorito das tribos em conflito. Todavia, elas tinham chefe, o qual dava ordens à sua matilha de técnicos em matança.

O chefe-supremo era estratégico, por isso permanecia à distância, escondido nalguma caverna; os técnicos variavam a cada luta, mas somente faziam a ocupação tática do terreno, sem risco de serem pegos. Eram os operários que executavam a matança, cegos pela idolatria ao chefe. Por isso, tudo me leva a crer que o tal “lobo solitário” nunca existiu no planeta. Acho que por detrás de cada operário idiota, no mais das vezes abatido pelo inimigo, sempre houve uma quadrilha muito bem articulada.

Na Era Contemporânea, os casos de homicídio de pessoas públicas não são poucos. Destaco os de Abraham Lincoln e John Kennedy, quando foram presos apenas dois idiotas. Alguns investigadores, na tentativa de irem mais fundo, de descobrirem quem fora o chefe de cada quadrilha, só conseguiram criar a “Teoria da Conspiração”. Enfim, uma teoria que, diante do poderoso Estado Norte-americano, nada conseguiu elucidar.

A prisão do operário idiota

A prisão do operário idiota

Por outro lado, as tentativas de assassinato têm sido incontáveis, a ocorrer em várias nações. Mas vou me deter somente na de 6 de setembro passado. Em Juiz de Fora, o deputado Jair Bolsonaro estava nas ruas em campanha para a presidência, cercado por centenas de pessoas que o louvavam. Até que, inexplicavelmente, foi esfaqueado por um tal Adélio, a meu ver, um idiota amestrado por técnicos táticos, sob comando do chefe da seita vermelha. Por óbvio, o idiota foi preso em flagrante! Mas a Polícia Federal não sabe como encontrar os táticos e o chefe da seita assassina.

Creio que grande parte da população brasileira aposta que há um chefe que, com sua corja de corruptos, manobrou para executar este terrível atentado à vida. Todos precisam ser investigados, julgados e justiçados de forma exemplar. Sem dúvida, não se tratou da ação de “lobo solitário”, mas da submissão doidiota solitário” que, mesmo trancafiado, idolatra seu chefe-supremo. Resta a dúvida: ─ “Quantos inimigos este mesmo chefe já assassinou durante sua vida?”

Política dos Cofres Arrombados


Zik-Sênior, o Ermitão.

Zik Sênior

Zik Sênior

Nasci em 1908, filho de família abastada. Assim, em abril, completei 110 anos. Mas sinto-me bem de saúde e mantenho a paz dos eremitas, sem que tenha cumprido qualquer penitência. Nunca fiz penitências; sou ateu e gosto de viver no que chamam solidão. Nela – na solidão – não tenho vizinhos que me amofinem, nem intrusos que molestem o silêncio da mata que margeia minha pequena casa; aliás, casa que construí com pedras, ripas de madeira e muita vidraça. De dentro dela, em qualquer local, aprecio a fauna silvestre que perambula pela mata, os pássaros a gorjear, o cântico das águas. Com esta ótica, descobri que a solidão não existe.

Por outro lado, desde a adolescência, consegui manter-me atualizado com a tecnologia. Tanto é assim, que possuo um notebook, acesso à internet, e o tal do “celular inteligente”. Com eles mantenho-me informado sobre os acontecimentos diários. Sentado à minha mesa de trabalho, pesquiso o que desejo em websites. Quando preciso relaxar, basta elevar o olhar e, através da vidraça, ver a dinâmica da mata à minha frente.

Esta é minha humilde casa

Esta é minha humilde casa na mata

Em minhas pesquisas matinais, busco artigos sobre economia e política. O motivo é evidente: estou aposentado e vivo da renda que obtive com meu trabalho; 76 anos de trabalho. Assim, pensava que, caso as decisões políticas de governantes fossem nefastas, minhas economias seguiriam para o lixo. Acreditava que, na minha idade, isto seria fatal. Mas estava enganado. Explico por quê.

Durante a vida assisti a decisões políticas absurdas, a que chamo de genocidas: acompanhei inúmeras guerras, inclusive duas Mundiais; como outros, sofri efeitos maléficos do cracking da Bolsa de NY; durante cerca de três décadas, vivia angustiado com a dita Guerra Fria, pois o mundo estava à beira do embate nuclear. Aqui no Brasil, na qualidade de ferrenho opositor, enfrentei a ditadura de Vargas; convivi com 25 anos de ditadura militar; afora, com os 30 anos do populismo selvagem que conseguiu idiotizar a nação.

Ao fim, em pleno século XXI, Era da Informação, o país permanece dividido entre Esquerda e Direita. O que causa perplexidade é a existência de um tal Centrão; na verdade, Corruptão, aqui em casa conhecido como “Bloco do Pagou-Levou”. É formado por ladrões de nascença, com gene da corrupção gravado no DNA.

Reclamar do quê? Sobrevivi a tudo isso. Hoje, aos 110 anos, tenho credibilidade para narrar essas “peripécias políticas”, digamos assim. A um tempo atrás, acho que estraguei meu título de eleitor. Mas esse ano darei o meu voto. Sou democrata, conservador, e acredito no livre mercado que me trouxe até aqui: lúcido, com sanidade mental. Como nunca fui corrupto, votarei para presidente num cidadão que extermine a Política dos Cofres Arrombados.

Lembro-me que, certa vez, por saber minha idade, um catarinense me sugeriu: ─ “Trate bem o solo em que tu pisas; um dia ele será teu teto”. Assim espero.

Assim caminha o Brasil


Ricardo Kohn, Escritor.

Está-se a descer os últimos degraus do fosso profundo, após o quê abre-se a escuridão do irremediável.

Fosso Brasil

Fosso Brasil

Goste-se ou não, as leis, as relações humanas, as econômicas e tudo mais, nascem da política. Em tese, os parlamentares que redigem a legislação, logo em seguida submetem-se a ela, assim como toda a sociedade. Desse modo, quanto mais evoluída a nação, melhor será a rigorosa aplicação das leis aprovadas. Infere-se assim que o caminhar de qualquer nação, de forma indelével, é regido pela ação política.

A nação brasileira está muito bem servida de parlamentares; têm-se políticos a dominar seus três poderes. Tanto é assim que se construiu uma cidade-capital para dar boa-vida aos políticos, bem como, às suas trupes (ou corjas). Naquele Planalto Central, distante da civilização, foi criada a “Ilha da Fantasia”: além das assustadoras verbas de gabinete, nela os felizes políticos recebem mansões, potentes lanchas para passear no lago, além de carros do ano (com motorista).

Desde de abril de 1960, mesmo que aos trancos e barrancos, a “Ilha” tem sido operada por políticos. Deve-se salientar, no entanto, que por lá viveram notáveis atores da real-democracia, uns poucos deles dignos da função para a qual foram eleitos. Foi assim a partir dos anos ‘80, com o retorno de um modelo quase liberal de governo, por vezes democrático.

Após a passagem para o século XXI, amplamente comemorada pela população, em um evento patético a nação elegeu um ogro alucinado; dono de retórica carismática, com viés socialista-oportunista. Levou tempo, foi complexo, mas após quatro mandatos de seu partido, hoje o ogro xinga e vocifera contra as paredes de sua cela na prisão.

Durante cerca de 20 anos, assistiu-se a fatos não explicados: assassinatos e acidentes fatais de pessoas contrárias ao populismo oportunista do ogro. Cita-se, a exemplo, o assassinato do prefeito de Campinas, em 2001. O inquérito policial explicou que a execução se dera sem qualquer motivo identificado. No entanto, a família do defunto acreditava que fora cometido um crime político.

Segue o sequestro, seguido da tortura e execução, do prefeito de Santo André (2002), bem como a subsequente morte de sete pessoas que talvez pudessem esclarecer aquela brutalidade.

Na página dos acidentes tem-se a queda do avião que tirou a vida do ministro do STF, Teori Zavascki, ocorrido em Paraty (2017). Por sinal, na mesma região em que Ulysses Guimarães sofreu um acidente fatal (1992), com a queda do helicóptero em que viajava.

Outro acidente foi o que tirou a vida de um candidato à presidência nas eleições de 2014. Viajava em um jatinho novo, com seu primeiro voo realizado em 2011. No entanto, aquela aeronave se espatifou contra um prédio no bairro de Santos, sem sobreviventes.

Na atualidade, especula-se com a lógica: após receber a programação detalhada da ação e sofrer intenso treinamento, uma facção de assassinos comete um atentado terrorista contra o candidato Jair Bolsonaro (2018).

Há outros casos similares, onde as investigações nada concluíram. Todavia, segundo investigadores criminalistas, não há coincidências quando vários crimes são cometidos, sucessivamente. Parece que existe nos bastidores dos crimes políticos uma cabeça capaz de orientar e programar as execuções necessárias. Decerto, não é a do ogro.

Enfim, corre-se o risco de descer os últimos degraus do fosso profundo, após o quê abre-se a escuridão do desconhecido. Assim caminhará a nação brasileira se as ações policiais e da justiça não forem implacáveis.

De dois séculos, às cinzas


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

Embora quase tudo já tenha sido escrito e debatido acerca do inominável incêndio do Museu Nacional, faço um breve registro sobre as causas e resultados desta infame governança da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na qualidade de responsável pela integridade do museu, bem como de seu extraordinário patrimônio histórico: cerca de 21 milhões de itens cobiçados pela ciência.

Vista do Palácio, erguido em 1808

Palácio em que se encontrava o Museu Nacional, erguido em 1808

Às vésperas de completar 92 anos, o empresário Israel Klabin[1] disse à repórter de um jornal[2]: ─ “Este incêndio é fruto de um modelo arcaico de governança que não permite a modernização do país. Um funcionalismo que olha o Brasil de forma cartorial e funciona para si mesmo”.

O auge do incêndio

O auge da destruição

Todavia, há cerca de 20 anos, Klabin conseguiu aprovar junto ao Banco Mundial um investimento de US$ 80 milhões, com vistas a reformar e modernizar o Museu Nacional. No entanto, para liberar esta quantia, o banco solicitou que houvesse uma governança moderna, capacitada para gerir o museu.

Contudo, o investimento obtido por Klabin nunca saiu do Banco Mundial, pois a proposta foi rejeitada pelas “preciosas cabeças” da UFRJ. O motivo alegado foi a dita imposição do Banco para que uma instituição civil, sem fins lucrativos, administrasse o museu. Ou seja – na minha visão –, para manter a vida íntegra daquele gigantesco patrimônio público, o museu deveria ser retirado dos porões obscuros e ideológicos da UFRJ. Por sinal, “superatarefada” em administrar a dezena de prédios que, estranhamente, estão sob sua gestão. Aliás, oferecer cursos acadêmicos de qualidade para quê?! Melhor ser administradora de imóveis: demole, reconstrói; demole, reconstrói. A imprescindível manutenção predial, muito mais simples, pode ser esquecida.

Desde 1946, quando o museu passou a ser administrado pela Universidade do Brasil (atual UFRJ), a boa governança determinava que o prédio fosse devidamente inspecionado e, como resultado, elaborado um programa de manutenção permanente do que fora o Palácio Imperial, residência da família imperial portuguesa. Ou seja, quase sete décadas se passaram e nada de relevante foi feito. Ao contrário, pelo menos desde há 20 anos, o desleixo dos gestores tornou o prédio do Museu Nacional uma vala de gambiarras elétricas. O resultado, todos sabem.

Os destroços do Museu, após 200 anos

Os destroços do Museu, após 200 anos

Finalizo esse registro a comentar os vícios ideológicos da Reitoria da UFRJ e da Diretoria do Museu Nacional. Em todas as entrevistas que deram insinuaram que a culpa foi do governo federal, que não repassava dinheiro suficiente para manutenção do museu. No entanto, encheram o prédio do museu com laboratórios, pesquisadores e funcionários, os quais teriam espaço no próprio campus da UFRJ. Porém, para atores do apocalipse, erros e desvios cometidos sempre são culpa de terceiros, “dos inimigos“.

Nos últimos 15 anos, assisti ao absurdo aparelhamento ideológico de universidades federais do país. Competência em governança, definitivamente, não é critério de seleção.

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[1] Israel Klabin é engenheiro civil, matemático e gestor do ambiente. Em sua carreira, foi fundador do Instituto Superior de Estudos Brasileiros, onde serviu ao Estado Brasileiro como planejador do desenvolvimento regional, tendo sido coautor das diretrizes para o desenvolvimento do Nordeste brasileiro. Foi membro do Conselho de Desenvolvimento da PUC-RJ, além de membro do Conselho Superior da Sociedade Nacional de Agricultura. Dentre outras atividades, tais como Presidente do Grupo Klabin S.A. e Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, fez parte do Conselho Internacional da Universidade de Tel Aviv.
[2] Brazil Journal: leia o artigo “Como um plano para salvar o Museu Nacional fracassou”, assinado por Mariana Barbosa.

Armem-se, cidadãos!


Ricardo Kohn, Escritor.

Arme-se com argumentos sólidos, pois do contrário perderá o embate com os delinquentes! Use sua razão ao extremo. Porém, é básico escutar mais do que falar. Não gaste verbo à toa. Sempre tenha em mente reflexões que se contraponham à verborragia idiota dos delinquentes.

Desde já, saiba que estará sob ataque; às vezes cerrado! Afinal, esteja certo que os delinquentes são implacáveis. Todavia, têm pontos fracos: (i) mentem muito e, não raro, são descarados; (ii) acham-se famosos e insuperáveis; além disso, (iii) dizem possuir capacidade para produção em série de delinquentes. Mas tudo leva a crer que isto é blefe. De todo modo, tenha atenção, pois eles sonham atacar-lhe como quadrilha, dado que estão desesperados. Portanto, arme-se com argumentos fortes!

Cidadã que se defende

Esta cidadã se defende!

Esse cenário atingiu aos píncaros em certos países desenvolvidos. Por exemplo, nos Estados Unidos há muitos cidadãos comuns com porte legal de arma de fogo. Portam-na inclusive quando fazem compras em supermercado! É uma prática normal de precaução, na defesa da própria vida. Afinal, nunca se sabe se ao lado do cidadão encontra-se um delinquente. A ser assim, nada se compara à presença ostensiva de uma 9 mm na cintura. De fato, trata-se da ferramenta capaz de desestimular delinquentes audaciosos. É muito provável, aliás, que se todos os cidadãos de bem pudessem portar arma de fogo, não ocorreriam cerca de 60.000 assassinatos/ano no Brasil!

Entretanto, na nação brasileira a delinquência foi além, assumiu a política. O que não faltam no país são delinquentes políticos. É notório que muitos milhares deles tiveram a audácia de roubar cofres públicos. Pergunta-se: ─ Quantos foram investigados? ─ Quantos, indiciados? ─ Quantos se tornaram réus? ─ Quantos, condenados? ─ Quantos continuam presos?

Presos?! Que blasfêmia cometida contra “amáveis delinquentes políticos”! Apenas uma ninharia deles encontra-se a dormitar em celas de luxo. Porém, aguarda que certos “justiceiros da justiça” – todos delinquentes jurídicos, devidamente nomeados – votem em favor de sua debandada geral.

A ser assim, armem-se, cidadãos! Há que se contra-atacar com poderosos argumentos, a impedir que a nação continue a ser esta vergonha mundial, dominada por vagabundos!