Os pântanos estão a secar


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

Dizem as ciências do ambiente que manguezais ou mangues são ecossistemas em transição – de marítimos para terrestres –, berços de boa parte da fauna silvestre do planeta. Situam-se em fozes de rios e protegem o nascimento de peixes, crustáceos, ostras e certos predadores, os quais embora tenham seu habitat preferencial no continente, alimentam-se neste ambiente. Por sinal, informa-se aos novos gourmets que destes manguezais são extraídos, às vezes pela força, os ditos “frutos do mar”; aqueles de que se refastelam à mesa, ao sabor de bons vinhos.

De fato, a biodiversidade dos mangues é sensível a ações provindas de agentes externos, sobretudo aquelas cometidas pelo sapiens. Por volta de 300 anos atrás, a costa brasileira era rica, recoberta por inúmeros manguezais. Mas, em grande parte, foram desflorestados – deflorados – e sua fauna jovem acabou por se perder: ou foi predada pelos carnívoros mais atentos ou servida em restaurantes. É lamentável, mas muitos mangues se tornaram alimento para Estações de Tratamento de Esgotos – ETE. A Alegria dos esgotos Brizola

Existem manguezais em cerca de 123 países, a recobrir uma pequena área global, estimada em 152 mil km2. As principais ações que os impactam negativamente envolvem projetos portuários, industriais e de rodovias costeiras. Como se não bastassem, a própria população local descarta lixo nas áreas de mangue. Os efeitos diretos desse cenário são impactos adversos de larga escala: desmatamentos, alterações da drenagem superficial do solo, erosões, colmatações, assoreamentos, evasão da fauna, sua extinção local, além dos prejuízos sociais, estimados em US$ 42 bilhõesONU, 2014.

Imagem de manguezal devastado

Vista de um manguezal sem vida, devastado

O ambiente de manguezal responde às agressões que sofre, através de retroimpactos. Uma vez devastados, tornam-se pântanos, com tendência à secarem quando submetidos ao calor solar. Desse modo, com o roubo de suas fontes de nutrientes, merecem ser analisados como pântanos corrompidos. Portanto, deixam de ser observados pelas ciências do ambiente e, na qualidade de corrompidos, são explicados pela política.

Por que a política? Simples. As fontes estatais de nutrientes dos políticos secaram. Não há mais aonde roubar. Só lhes restaram os pântanos secos e corrompidos. Deseja-se aos suínos da política uma boa estadia no chiqueiro em que transformaram a nação. Alegria! Alegria!

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