Teoria Geral das Quadrilhas


Por Zik Sênior, o ermitão

Zik Sênior

Zik Sênior

Confesso que por décadas senti um pouco de inveja de Karl Ludwig von Bertalanffy, o biólogo austríaco que concebeu a Teoria Geral dos Sistemas (TGS), publicada em todo o mundo a partir da década de 1950. Depois que a estudei a fundo, admirado por sua simplicidade, tornou-se meu livro de cabeceira durante mais de 5 anos.

Acontece que Bertalanffy não comungava com a visão racionalista, “meio quadrada”, de René Descartes. Também não era dialético, como Georg Hegel. Sua formação era biótica, orgânica, evolutiva. Acreditava em teorias capazes de explicar todos os entes vivos e não-vivos do planeta, bem como as relações que mantêm entre si, sempre a promover a evolução dos conjuntos que formam (sistemas).

Contudo, seu objetivo principal era elucubrar uma teoria capaz de analisar e demonstrar como funcionavam as organizações criadas pelo homo sapiens. Li que Bertalanffy despendeu mais de 25 anos nesta árdua labuta.

Hoje, a tomar por base a teoria criada por Bertalanffy, assim como inúmeros cientistas, acredito que posso ensaiar a Introdução à Teoria Geral das Quadrilhas (TGQ). Afinal, cursei Ciência Política em Coimbra (turma de 1932) e consigo analisar os atos inescrupulosos cometidos por quadrilhas, que calcinaram a ética, a moral e a economia do Brasil.

─ Conceito básico

De início, é essencial dizer o que entendo por “quadrilha”, segundo a ótica da TGS:

Quadrilha é toda corja de ladrões organizados que interage para alcançar fins comuns, a construir o rolo compressor da corrupção. Ela obtém melhores resultados do que se todos os corruptos envolvidos roubassem individualmente. Assim, todo conjunto de ladrões, a agir de forma imoral, devassa e integrada, constitui uma Quadrilha. Toda sua corja tem uma única finalidade: desviar dinheiro público para negócios pessoais e, de forma abominável, quebrar bancos e empresas estatais, fundos de pensão, autarquias ministeriais e tudo mais de valor que encontrarem pela frente”.

Óbvio que se trata de um conceito pragmático. Até por que, em meus 108 anos de idade, nunca assisti a algo semelhante no Brasil ou mesmo no mundo! Nos últimos 13 anos, o Estado tornou-se presa submissa da matilha predatória de hienas esfaimadas e selvagens.

Ao aplicar a teoria de Bertalanffy, verifica-se que uma “boa quadrilha (!?)” precisa ser um sistema fechado. Caso contrário, seria defenestrada por ações da Polícia e penas de prisão aplicadas pela Justiça. No entanto, os sistemas fechados descem ladeiras sem freios, rumo à autodestruição, graças à sua entropia. São incapazes de trocar de energia e matéria entre seus elementos e de absorver novas fontes de informação.

Em outras palavras, para a quadrilha não existe a hipótese da troca de informação e dinheiro com canalhas que não pertençam às suas corjas. Assim, a quadrilha destrói-se com a perda gradativa de seu “melhores sequazes”. Seu poder de ladroagem decai continuamente, até tornar-se incapaz de atender à fúria alimentar das Hienas Selvagens

A fundação do Partido das Quadrilhas

Hienas Selvagens são aquelas que, durante os últimos 13 anos, deixaram-nos estarrecidos por um fato: devoraram a poupança do povo brasileiro, de forma sumária e descarada.

Entretanto, foram apenas três hienas que, após aplaudidas por poucos “idiotas da sociedade”, se reuniram para criar uma pequena “súcia”. A trinca visava a transforma-la numa quadrilha especial, poderosa para permanecer imune às práticas da extorsão sistemática do erário.

Em suma, esse foi o processo adotado na formação das súcias, hoje investigadas pela Polícia Federal, pelo FBI, pela Interpol e instituições internacionais que, para sobrevivência dos povos que protegem, sabem enclausurar as corjas organizadas de salteadores públicos.

Porém, importa salientar que o mesmo processo inescrupuloso das súcias foi aplicado na formação do Partido das Quadrilhas Políticas, mais tarde conhecido pela curiosa sigla PQP.

E nasceu a hiena líder

Na década de 1960, as súcias limitavam-se a promover greves e fazer badernas nas portas de fábricas. As hienas esfaimadas ainda eram bandos desorganizados, dispersos e reduzidos. Todavia, havia uma matilha profissional de hienas selvagens que vigiava os acontecimentos e decidiu aderir às badernas. Até por que, durante essa década, tentaria implantar no Brasil a ditadura do proletariado. Não entro em detalhes sobre este fato, mas, naquela ocasião, foi devidamente escorraçada pela nação brasileira. Afinal, as hienas selvagens formavam uma matilha de hienas terroristas, disposta a tudo!

Uma família de Hienas Terroristas ─ ano de 1968

Naquele processo entre greves e badernas, foi da escória de hienas esfaimadas que se deu a escolha doentia da hiena líder. Em minha opinião, tinha uma aparência degradante: era uma figura nanica, com cabelos hirsutos e sujos, orelhas de abano (felpudas), a pança cheia de vermes, sobre um par de pernas secas…

Não acredito que essa liderança haja sido motivada por alguma “habilidade especial” da hiena pançuda. Até por que, era preguiçoso, analfabeto, alcoólatra, imoral, mentiroso, populista, manipulador de idiotas, traidor, dedo-duro, vigarista e cafajeste. Um fenômeno da desgraça!

Ademais ─ diziam os mais interessados de sua corja ─, portava um hálito tenebroso e quase não tomava banho. Assim, num raio de 20 metros, a súcia era obrigada a inalar e agradecer seu fétido olor.

PQP assume o poder: o desastre!

A hiena pançuda – fundadora do Partido das Quadrilhas Políticas (PQP) – iniciou em 1980 a perseguição obstinada por um cargo que lhe desse “máximo poder público”. Em seus “sonhos delirantes”, via-se, de forma compulsiva, a desviar fabulosas somas de dinheiro público para “empresas fajutas de hienas selvagens”. E, claro, a embolsar significativa parcela dos vultosos roubos realizados.

─ “Porra, ninguém é de ferro…”, justificava-se, a andar sonâmbulo pelas madrugadas, no barraco em que se escondia.

Por isso, durante mais de 20 anos, a hiena pançuda azucrinou a vida política e econômica do país. Mas, mesmo assim, não conseguiu o tal cargo de “máximo poder público”. Todavia, de forma miraculosa, metamorfoseou-se: “de pobre proletário em ricaço boçal”.

Pouco após a virada para o século 21, o boçal começou a “botar as manguinhas de fora”. O PQP, que fora fundado e presidido por ele, enfim elegeu-o para a presidência da nação; deu-se início ao desastre político-econômico do país. Em minha visão, o camarada boçal confundiu tudo. Ao invés de ser um Chefe de Estado, tornou-se o “Rei do Quadrilhão”! E é evidente a explicação disso, sobretudo, à luz da teoria de Bertalanffy. Vejam.

Relembrem algumas “habilidades do boçal”, já citadas: mentiroso, populista, manipulador de idiotas, imoral, vigarista e cafajeste. Como alguém dotado dessas “virtudes” comandaria um Estado Nacional, sem destruí-lo?

Assim que, em seu primeiro ato no poder nomeou várias hienas selvagens para dezenas de ministérios amestrados; todas indicadas por seu “indefectível braço esquerdo[1]”, treinado em Cuba e na União Soviética. Vale lembrar que o “braço esquerdo” foi uma proeza de ladravaz e tornou-se o “Príncipe das Súcias do Quadrilhão”.

Bertalanffy diria que a invasão do Estado por uma gigantesca organização criminosa foi uma decisão de desesperados. Com as inúmeras súcias roubando em todas as áreas públicas, a socialização das quadrilhas não poderia dar certo em um sistema fechado.

Explico com a seguinte analogia: dispõe-se de um saco, com capacidade para receber um quilo de vermes, dedicados à tarefa de se alimentarem de um corpo morto; ao multiplicar a quantidade de vermes ou eles se tornarão antropofágicos, comendo a si próprios, ou o saco arrebentará. Nos dois cenários, a Festança do Quadrilhão de Vermes é desmascarada.

Perspectivas

Com o tempo que já vivi (108 anos) minhas perspectivas são sempre para amanhã. Não posso me dar ao luxo de formular cenários político-econômicos de médio e longo prazos. De toda sorte, guardo a certeza que, de uma forma ou de outra, com o preço que custar, a nação unida haverá de desratizar a política brasileira.

——

[1] Aliás, o indefectível hoje se encontra “guardado num presídio”, condenado por promover a ação de “súcias deletérias”, em processos contínuos de corrupção planejada, durante quase uma década.

12 pensamentos sobre “Teoria Geral das Quadrilhas

  1. Pingback: Teoria Geral das Quadrilhas – martagoulart

    • Prezado Prof. Dr. Ítalo,
      Grato por suas palavras, fruto da expressiva experiência de práticas da vida filosófica e política. E, sobretudo, da nobre Academia superada, em tempos idos.
      Receba o forte abraço de
      Zik Sênior.

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  2. Concordo totalmente com o autor, alguns não o farão pois desconhecem de fato o passado; afirmo, com toda a certeza e convicção, que nunca se viu antes na Banânia esse número colossal de hienas famintas, como atualmente presenciamos e infelizmente constatamos já de mãos estendidas. Sim…, pois levaram-nos praticamente tudo e cá estamos como pedintes, por ao menos um pouco de retidão e respeito, senão à coisa pública, ao menos ao povo que a sustenta e há muito necessita de governantes decentes, preocupados com a Nação que implora pela divisão das riquezas que são muitas e, vale lembrar, são Nossas…

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  3. Pingback: Teoria Geral das Quadrilhas – martagoulart

  4. Caro Ricardo, sustento minha opinião, pois antes mesmo de 1980, sob uma outra bandeira antes denominada de movimento democrático, que abraçava a luta para romper os grilhões da escravidão ideológica e cultural, instalada em 1964, a quadrilha a que me refiro já tinha se instalado. E muitos de seus membros retomam agora o comando do país, para mais um assalto. Hiena morta, hiena posta.

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    • Prezado Senhor Rodrigo,
      Antes de responder ao seu comentário, preciso esclarecer um fato: o blog é coordenado por Ricardo Kohn, mas o artigo em referência é de minha autoria.
      Talvez pela nossa diferença de idade (talvez) e por questões de formação acadêmica, eu não concorde com “os grilhões da escravidão ideológica e cultural” a que o senhor se refere.
      Por outro lado, a sociedade brasileira ficou debaixo das patas de animais sanguinários, ditadores e, sobretudo, populistas, onde se destacou o gaúcho Getúlio Vargas.
      Devo salientar: as quadrilhas que se instalaram em nosso Estado Nacional foram todas populistas e algumas delas, assassinas. São anteriores a 1964.
      Cumprimento-o por sua firmeza de opinião. Nossa discordância não nos faz adversários.
      Saúda-o,
      Zik Sênior.

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  5. Perdão, mas não vejo dessa forma. A hiena-mor nem mesmo a quadrilha-mor é a que foi deposta, mas a que acaba de assumir. Essa quadrilha se instalou em 1986 e desde então preferiu não governar, mas passar despercebida como um abajur de canto de sala. Com luz apagada. O problema é que o vampiro se encantou com a luz do sol, ele está pronto a se esturricar. Só há um protetor solar que o protegerá, as penas azuis de uma espécie de tucanos endêmica de São Paulo. TRocaram-se as baratas, mas não os ratos. Mas os ratos agora estão famintos para roerem todo o queijo. O Rato Roeu a Corda da “Reine Rouje”. Colhendo as penas do ninho de Ramphastus paulistanus, os ratos pretendem retomar o controle que o maranhense lhes proporcionou há exatos trinta anos. Com o mesmo golpe eleitoral. Os que não vêem isso sofrem da Síndrome de Miura: não podem ver um manto vermelho pela frente que o atacam prontamente, sem perceber que é o toureiro, não o pano, que lhe enfiará a espada.

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    • Prezado Senhor Rodrigo, seja bem-vindo.
      Em respeito às tentações que me acometem a partir de sua doce parábola, pondero três fatos:
      1. Talvez o senhor fosse muito jovem ou então estivesse pouco interessado na política; mas a quadrilha a que me refiro, de fato, instalou-se no Brasil em 1980. Concordo que a de 1986 foi bastante danosa, dado que sua liderança ainda pertence à Máfia Maranhense (MaMAR), mas nunca se equiparou à quadrilha do PQP.
      2. Não falo na minha introdução teórica de baratas ou ratos, mas de hienas carniceiras, as esfaimadas e as selvagens. Assim, sua fauna é domiciliar, urbana; a que me refiro é assassina e brutal.
      3. Em consequência – Sr. Rodrigo –, sempre que uma Hiena Pançuda – preguiçosa, analfabeta, alcoólatra, imoral, mentirosa, populista, manipuladora de idiotas, traidora, dedo-duro, vigarista e cafajeste –, for retirada do palácio, ele se enche de ratos e baratas. É um fenômeno da desgraça completa!
      Dessa forma, receba meu carinhoso abraço,
      Zik Sênior.

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