O ambiente é ameaçado pelas commodities


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Desgovernos de “países subdesenvolvidos”, na pretensão de faze-los desatolar do pântano, colocar o focinho ao vento, dedicam financiamento público para o setor de produção primária. É assim que esses “atrozes senhores” implantam a “indústria de commodities”.

Dessa forma, a frágil produção agrícola e pecuária passa a sustentar a economia nacional, como no caso brasileiro. Entrementes, o preço das commodities é sempre definido por compradores mundiais. E é facto, não discutem a origem dos grãos, basta que encontrem matéria-prima de qualidade para alimentar seu setor industrial, provenha donde for.

Muito embora milhões de pessoas vivam em estado de miséria absoluta, é claro que a sobrevivência deles impõe o consumo dalgum “tipo de alimento”. No mais das vezes, retirado de “lixeiras socialistas”.

Imagem viva do “supermercado”

Imagem viva do “supermercado”

Ocorre que a produção primária demanda gigantescas áreas de culturas agrícolas, pastagens de bovinos, soberbos currais de porcos e granjas industriais para criação e matança indolor de aves.

Porém, o uso de “defensivos agrícolas tóxicos” esgota a qualidade do solo. Bovinos, porcos e aves “tomam bola” [hormônios] para crescimento rápido, a seguirem rechonchudos rumo ao abatedouro. É uma festança anual de bilhões de dólares!

Mas há o outro lado desta façanha. As regiões em que se encontram os grandes produtores agropecuários eram recobertas pelo bioma Cerrado, sobretudo, no planalto central brasileiro. Foram desmatadas e ainda sofrem queimadas para dar lugar às noviças commodities. Desde 1970, o Cerrado vem sendo devastado de forma inexorável. Junto com ele, suas espécies 100% endêmicas e a fauna abundante que nele havia.

É impossível que não haja solução inteligente para o agronegócio brasileiro. A de hoje é a mais barata e rentável, sem dúvida, mas tem horizonte limitado no tempo. O ambiente em que ocorre decerto será desertificado.

A propósito, lembro-me que a boca de um político analfabeto [pleonasmo] vomitou a seguinte frase: “fiz do Brasil o celeiro do mundo”. Porém, e o que é mais grave, até hoje o idiota regozija-se desta patranha. A ser desta forma, que o recolham, a seus companheiros e descendentes. Trancafiem-nos a todos numa granja de segurança máxima!

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