Procurador ou “Encontrador”?


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior, o eremita

Zik Sênior, o eremita

Com base em minha experiência de vida, que afinal não é pequena [mais de um século], sinto-me à vontade para afirmar que o Brasil perdeu as pernas para caminhar. Foram decepadas pela ação solerte da corja instalada no poder.

A sociedade civil está perplexa: financia, a pagar taxa de juros escorchantes, as práticas de um abominável setor público. Sabe que esse cenário foi causado pela corrupção continuada em autarquias, estatais e bancos públicos. Enfim, tem absoluta consciência que esse teatro de horrores foi montado por súcias associadas aos três poderes da República: “independentes, mas harmoniosos na ladroagem”.

Em síntese, uma previsão: graças ao decano desgoverno instalado há 12 anos, a estrutura do Estado foi saqueada de tal forma, que é razoável estarmos ancorados sobre uma pré-revolução civil[1]. A meu ver, este é o estado de ânimo de 200 milhões de brasileiros. Com essa intensidade, como arrotava o ladrão-apedeuta, “nunca na história desse país” ocorreu roubo similar.

Aos perdedores, a desonra e a cabeça

Aos perdedores, a desonra e a cabeça

Através da “Operação Lava-Jato” [iniciada em março de 2014], a Polícia Federal investiga o ataque frontal aos cofres da Petrobras e órgãos financiadores. Decerto, quer iluminar os meandros tortuosos seguidos pelas quadrilhas. Até por que, numa parceria público-privada, afanaram somas astronômicas.

Muito embora não tenha como estimar até onde chegaram esses criminosos, meu chute é que o roubo do Tesouro Nacional foi da ordem de 80 bilhões de dólares, no mínimo. Ao que tudo indica, não ocorreu somente na Petrobras. É bem provável que Eletrobras, BNDES, Fundos de Pensão, Caixa Econômica e Banco do Brasil, hajam sido saqueados pelas mesmas quadrilhas público-privadas.

Creio que no Ministério Público haja um grande número de procuradores, muito bem pagos com o nosso dinheiro. Procuram bastante em pilhas de papel, mas nada acham. Então, faço aqui uma proposta: mudem esse cargo para “encontradores” e soltem-nos nas ruas como cães de ataque.

Do contrário, as quadrilhas continuarão a saquear, inaugurar obras superfaturadas e sorrir descaradamente para fotos.

……….

[1] Conflitos dessa ordem no país sempre receberam apelido de movimento social, rebelião de massa ou mesmo títulos estranhos, como Balaiada, Cabanagem, Sabinada e Guerra Paulista, que nada significam para os ignorantes em história. Todavia, de fato, todas foram revoluções civis, sempre funestíssimas para os derrotados. Mas a propósito, será que a sociedade brasileira será mais uma vez derrotada?

6 pensamentos sobre “Procurador ou “Encontrador”?

  1. Parabéns. Expressou perfeitamente o sentimento público.
    Como Juiz Federal, devo fazer um pequeno esclarecimento: Os procuradores não fazem parte do Poder Judiciário. Eles pertencem ao Ministério Público, que não está integrado a qualquer 3 dos poderes (Executivo, Legislativo ou Judiciário). Apenas os magistrados e os servidores do Poder Judiciário integram este Poder. Antes da Constituição de 1868, o Ministério Público era subordinado ao Ministério da Justiça.

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      • Prezado Sr. Cláudio,

        Embora a rataria seja gigantesca, os gatos não se atreveriam em atacá-los. Até por que, dentre eles, há muitos “gatos do dinheiro público“.

        Receba minhas saudações,

        Zik Sênior, o eremita

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