Gestão: ato ou processo


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Existe uma extensa literatura que trata da gestão e de seus elementos constituintes. Contudo, há várias formas de aborda-la, tanto função das inúmeras teorias da organização publicadas, quanto das escolas de administração seguidas por seus Ricardo Kohnautores.

Não se tem a pretensão de esgotar esse tema em um artigo, é evidente. Apenas situar alguns aspectos que auxiliem a esclarecer o que é o processo da gestão, às vezes mal interpretado como um simples “ato de gestão”.

Gestão é o processo de administrar alguma coisa; sinônimo de Administração. Essa “alguma coisa” é o “sujeito ou objeto da gestão”. Assim, pode-se gerir uma empresa, um órgão público, um jardim, um município, um paciente médico ou o ambiente em que todos estão inseridos, por exemplo. Enfim, a gestão é aplicável a qualquer entidade que se deseja organizar e otimizar. Essas são suas finalidades primordiais.

Há quem diga que os processos da gestão constituem uma ciência. Mas também existem aqueles que o consideram uma arte. Acredita-se que os mais corretos são os que entendem o processo da gestão como uma ciência que precisa de arte para ser bem-sucedida.

É uma ciência que pode ser aprendida em bons cursos universitários, não há dúvida. Mas requer de seu agente a arte da visão de futuro para ser aplicada com destreza, qualquer que seja seu objeto. Essa visão de futuro, entre outras coisas, demanda experiência do agente e arte para interpretá-lo.

O processo da gestão

Como qualquer processo, o da gestão demanda uma sequência de etapas para ser realizado com qualidade. Toma-se como exemplo a gestão executada por um jardineiro, chamado Burle Max[1]. O objeto da gestão é o jardim de uma residência sofisticada.

Gestão de Jardim

Segundo a escola que se segue, as etapas necessárias à gestão são assim descritas:

  • Diagnóstico do jardimBurle precisa conhecer bem o objeto da gestão. Pergunta ao proprietário se ele possui fotografias recentes do jardim num dia de festa; caso tenha, solicita que as empreste para ver como a família deseja que fique o “pátio de casa”.

Então, percorre todo o jardim e anota os problemas que sua experiência define como graves (impactos adversos). Como o jardim é grande (2.000 m2), desenha-o em planta baixa, a mostrar como se sucedem os canteiros, os vegetais que neles estão plantados, o que precisa podar e cortar, o que deve ser eliminado, os detalhes do pomar aos fundos do terreno, da área recoberta por “mata virgem”, junto ao portão de entrada da residência, os caminhos de serviço do jardim, etc.

Destaca o que o cliente considera relevante para melhorar as feições do jardim e faz um relatório (oral e escrito) para consolidar o diagnóstico documentado do jardim.

  • Prognósticos para o jardim – após o almoço, a tomar um cafezinho, o experiente Burle redige como ficaria o jardim caso ele próprio não houvesse sido contratado. Da mesma forma, relata como o jardim poderá ficar após usar suas habilidades de jardinagem. Destaca as ações normais que precisa realizar, bem como possíveis mudanças no jardim, que considera oportunas para emoldurar a beleza da residência.

Produz relatório contendo os prognósticos alternativos das feições do jardim, sem e com as ações de Burle Max. É recomendável que desenhe uma planta baixa, contendo a nova feição do jardim reabilitado. Entrega ao cliente e aguarda sua aprovação.

  • Cenário futuro do jardim – até agora, a gestão de Burle somente requereu atores internos ao jardim: a família proprietária da casa e ele próprio. Mas é na etapa da formulação de cenários que atores externos ganham relevância, de tal forma que, querendo ou não, participam das melhorias do jardim.

Burle precisará de equipamentos para jardinagem, por exemplo, tesoura de poda, cortador de grama, serra elétrica na área de mata, dentre outros. De toda forma, ruídos com maior intensidade e frequência serão emitidos e afetarão a vizinhança.

Além disso, Burle talvez tenha que adquirir equipamentos que a residência não possua. Nada garante que todos aqueles que precisa para o trabalho, estarão disponíveis nas lojas para jardinagem.

Embora tenha proposto uma nova feição para o jardim, o cenário futuro possível não será como o desejado. Assim, Burle Max precisará gerir o jardim com os equipamentos disponíveis. E mais, informar ao proprietário sobre a mudança nas atividades previstas e mostrar os resultados que podem ser efetivamente alcançados.

  • Desenvolvimento de plano para resultados – para ter eficiência na gestão de jardins, Burle deve elaborar um Plano de Ação para alcançar resultados objetivos, de curto prazo. À cada resultado fixado no tempo, estará associada uma meta de seu trabalho. Igualmente, a cada meta de trabalho deverá existir pelo menos uma ação imediata que a realiza.
  • Execução do plano – decerto, é um plano simples de ser elaborado, mas sua execução com a qualidade esperada precisa ser rápida e depende da sequência das ações imediatas a serem executadas. Recomenda-se que gestores de jardim criem critérios para priorizar as metas e suas ações imediatas. Para tanto, devem considerar, a dificuldade da ação, as medidas do terreno, o número de deslocamentos a fazer e a quantidade de equipamentos utilizados em cada ação.
  • Avaliação dos resultados obtidos – em tese, a esta altura a jardinagem está completa e Burle Max já deve estar em casa. Porém, de fato, ele ainda precisa avaliar o próprio trabalho, buscar falhas na execução das ações imediatas, erros nos prognósticos, em informes imprecisos ao cliente, enfim, Burle precisa rever todo o processo de gestão realizado.

Assim, uma boa forma de terminar o dia é na elaboração do Relatório de Avaliação de Resultados e arquiva-lo em casa, visando a futuras consultas.

  • Replanejamento – caso se estivesse no lugar de Burle, aproveitaria-se a oportunidade para replanejar o processo de gestão realizado. O próximo trabalho seria mais rápido e a experiência adquirida estaria incorporada a seu patrimônio profissional.

Conceito de Gestão

“Processo decisório que demanda conhecer os principais aspectos do objeto a ser gerido [Diagnóstico], a previsão de suas formas de comportamento futuro [Prognósticos], o cenário efetivo que pode ser realizado para o objeto [Cenário futuro], um plano capaz de realizar esse cenário [Plano de Ação], o acompanhamento da realização das ações prorizadas [Execução do plano] e a revisão completa do processo realizado [Avaliação dos resultados obtidos].”

……….

[1] Não se trata do notável paisagista Roberto Burle Max, mas de um jardineiro do Recife, cujos pais fizeram homenagem ao paisagista. Era conhecido por Burle, Burle Max de Souza Fecundo.

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