O retorno do Chupa-Cabra


Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Lembro-me que surgiu nos Estados Unidos a estória do Pé-Grande ou Sasquatch, tido como parente próximo do “Abominável Homem das Neves”, o Ieti, “estoriado” na China e no Tibete. Esses dois paquidermes lideram a lista de bichos estranhos que, supostamente, vivem entre nós, em áreas frias recobertas por arremedos de floresta: as pobres matas de coníferas, sem meios para prover de alimentos os grandes omnívoros.

Porém, há outros animais que merecem atenção. Destaco o “Símio-de-Bondo”, que dizem ser encontrado na República do Congo. Os que o avistaram afirmam que é produto da cruza entre gorila e chimpanzé. Curioso, mas que eu saiba essas duas espécies de primatas não têm o hábito de acasalarem entre si. Mesmo assim, se o fizeram alguma vez, pergunto: como seus netos se reproduziriam até formarem uma nova espécie? Claro que nasceriam aleijados pela intensa consanguinidade e, obviamente, extintos pela fatalidade genética.

Mas também há o esdrúxulo Chupa-Cabra. Possui porte raquítico, com cara de cão sarnento e raivoso. Dizem que chupa todo o sangue de cabras, galinhas e outros animais domésticos. Porém, é deveras instigador o facto que o bicho marca sua presença apenas em certos países do terceiro mundo. Tanto é assim, que seus inventores afirmam tê-lo visto somente na República Dominicana, Costa Rica, em Honduras, El Salvador, Nicarágua, Panamá, Bolívia, no Brasil e Argentina.

Uma breve digressão: acredito que em Cuba e na Venezuela os “Chupa-Cabra” foram extintos. Decerto, foram assados para remediar a fome daqueles povos, que sobrevivem sem alimentos, em estado de miséria.

De toda sorte, há tempos que não vejo no noticiário mundial novos informes sobre a presença desses animais inventados. Nem dos primatas gigantes – Sasquatch e Ieti –, divulgados como habitantes das maiores potências mundiais, nem do Chupa-Cabra raquítico, sugador oficial depescoço de galinha”, considerado um “esperto” no terceiro mundo.

Movido por uma curiosidade matreira, própria dos velhos pescadores, passei a analisar com mais acuro as notícias provindas da América Latina. Até por que, desejava descobrir que fim levara o tal Chupa-Cabra oficial. Será que ele se metamorfoseara em outro sugador, agora de terno e gravata, com aparência doméstica e inofensiva?

Flagrante do Chefe dos Chupa-Cabra, em plena metamorfose no Planalto

Flagrante do Chefe dos Chupa-Cabra, em plena metamorfose no Planalto

Recortei notícias de jornais e revistas que poderiam ter conexão com “sugadores” em geral. Fiquei com uma montanha de informação inútil sobre “colibris”, “abelhas” e “borboletas”. Mas Quincas (meu neto postiço) salvou no seu computador fotos e vídeos encontrados na internet, quando pesquisava por “Chupa-Cabra” e “sugador”.

Foi assim que encontramos os “Sanguessuga”, tanto os da fauna silvestre em países tropicais, quanto os da política latino-americana. Estes últimos, sem dúvida, são Chupa-Cabra do Tesouro Nacional, de cofres públicos e das contas bancárias do povo.

Tenho quase duas toneladas de recortes de jornal que provam essa incontida situação imoral. Quincas fez um banco de dados para montarmos o Ranking Latino-Americano do Chupa-Cabra. O Brasil ganhou disparado a Medalha de Ouro, como proprietário da Maior Alcateia de Sugadores Oficiais Ativos da América Latina, quiça do mundo!