Pena de morte?


Por Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

A sociedade brasileira ambiciona a paz entre seus cidadãos. Ao contrário, a mídia gosta de noticiar guerras, desgraças, acidentes com morte e, com menos ênfase, o sistema público da corrupção instalada. Dizem que esses temas, sobretudo quando apresentam imagens violentas associadas, ‘dão ibope’ e permitem ‘superfaturar’ o preço das publicidades veiculadas durante o noticiário televisivo.

No entanto, lembro-me que, em 1953, surgiu no Rio de Janeiro o jornal “Luta Democrática”. Seu proprietário preferia chocar os leitores e noticiar crimes de morte, da forma mais violenta possível. Esse veículo atingiu seu auge no início dos anos 1960, como o terceiro maior jornal do Rio; inacreditável. Os mais velhos parodiavam que, caso suas páginas fossem torcidas, pingaria sangue no chão [1]. Confesso que nunca as espremi dessa maneira.

O proprietário da Luta Democrática era um notório político, chamado Tenório Cavalcanti. Havia uma lenda que sempre portava uma metralhadora [2] sob a capa preta que usava.

Tenório com sua célebre capa preta, que cobria a “Lurdinha” engatilhada

Tenório com sua célebre capa preta, que cobria a “Lurdinha” engatilhada

Diziam as estórias que ele próprio seria o executor de uma lei particular de pena de morte. Era tipo um verdadeiro algoz. Por isso, era temido em Duque de Caxias, onde morava. Mas, por algum motivo factual, a comunidade da Baixada Fluminense o elegeu três vezes para deputado federal – de 1951 a 1964.

Cenário da segurança pública no Brasil

Segundo o ‘Mapa da Violência’, produto de trabalhos analíticos realizados pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), no ano de 2012 foram registrados 56.337 homicídios no Brasil. Ou seja, execução sumária de cidadãos realizada por assassinos.

Trata-se de genocídio, grave crime contra a Humanidade. Estou pasmado com os 12 anos da inação federal diante deste quadro aterrador. Decerto, sequer existe um rascunho da Política Nacional de Segurança Pública, elaborado por “técnicos ou ratos do governo”. Assim, pergunto-me:

A quem interessa a continuidade desse massacre anual?

Nesse período, a segurança pública não foi um processo prioritário a ser implantado no país, da mesma forma que a educação e a saúde; que a infraestrutura rodoviária, aeroportuária e portuária. Financiamentos pesados em infraestrutura houve – bilhões de dólares –, mas o brasileiro os pagou para Cuba, Venezuela, Bolívia, Angola e outros países africanos. A única certeza é que houve intermediários nesses financiamentos, locupletados com dinheiro público, provindo do BNDES.

Dessa forma, segundo a visão de estudiosos, a estimativa do número de homicídios para 2014 é crítica: cerca de 70.000 crimes de morte. Como o quadro da qualidade da educação pública é quase nulo, com a economia nacional em frangalhos, a perspectiva para 2015 é que a sanha assassina cresça. O bom senso já ligou o alerta vermelho: em apenas 12 anos, o Brasil deixou de ser civilizado e retornou ao estágio da barbárie.

Hoje adoto a filosofia “fogo contra fogo”, da barbárie para extinguir bárbaros. Por isso, diante deste cenário que alarma a parte educada da sociedade brasileira, penso até na formalização da pena de morte, se necessário.

Afinal, a nação clama pela inteligência de cidadãos sociáveis e não de assassinos. Decididamente, não lhe interessa uma guerra civil, tal como a que já ocorre. A ser assim, lanço um grito de vida para o cidadão civilizado:

Tudo, seja o que for, sempre em prol da sociabilidade nacional!

……….

[1] Após 1964, com a cassação do deputado Tenório Cavalcanti e a alta do preço do papel, foi inevitável a decadência do jornal ‘pinga-sangue’. Devo salientar, já foi tarde!

[2] Tenório apelidou, com carinho, sua “matraca” de “Lurdinha”. Ela parecia ter vida própria e o acompanhava 24 horas por dia, inclusive nas sessões do Congresso.

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