A canalhice triplex


Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Fui convidado por amigos noruegueses a apreciar os métodos da pesca do Gadus, gênero de peixe do qual é feito o famoso prato de bacalhau. É um assunto que interessa somente à curiosidade de velhos pescadores, como eu próprio.

Assim, segui para Oslo, onde fiquei alojado numa vila de pescadores. A temperatura esteve próxima de zero graus, mas não me causou incômodo algum: havia calefação a funcionar.

Vila de pescadores, nos arredores de Oslo

Vila de pescadores, nos arredores de Oslo

Não vou entrar nos detalhes do que me foi mostrado: barcos, redes de cerco, pesca à linha e outras artes empregadas até hoje. De toda forma, como preparo um ótimo prato de bacalhau, consegui registros fotográficos do bicho, tanto em plena atividade, quanto já pescado. Guardo-os como recordações das tradições norueguesas da pesca.

Esse é o Gadus Morhua em ação

Gadus Morhua em ação

Um par de Gadus numa praia norueguesa

Um par de Gadus numa praia norueguesa

A ser assim, fiquei cerca de um mês afastado do noticiário mundial e, mais especificamente, do brasileiro. Lembro-me que o último texto que publiquei foi ‘Arrastão na Petrobras’, quando o noticiário já mostrava a operação de limpeza da corrupção generalizada, intitulada “Lava-Jato”. Por sinal, um título bem aderente aos factos.

Quando retornava às Maçãs, já próximo ao porto, parei para rever velhos amigos. As notícias que recebi me assustaram. De chofre, tomei conhecimento que, através do que os brasileiros chamam de ‘delação premiada’, um ex-diretor da Petrobras, quando interrogado por um juiz federal honesto, confessara os crimes de que participara e, em auxílio à justiça, contou detalhes do roubo de cerca US$ 28 bilhões da estatal. Falou o nome da coleção de comparsas, de dentro e de fora da companhia. Disse até mesmo quais eram suas funções no “esquema“, montado para roubar dinheiro do povo brasileiro.

Assim fiquei a saber do escândalo de Petrolão. Despedi-me dos amigos e segui para casa, preocupado com meus filhos e suas famílias: esposas, netos, bisnetos e tataraneto brasileiros. Eles têm negócios próprios no Brasil, mas podem sofrer graves adversidades com quedas do mercado consumidor.

Especulações

Precisava confirmar o que me fora dito, queria obter comprovações factuais. Porém, só obtive informações da imprensa. Creio que os inquéritos estão a ocorrer sob sigilo. Gastei mais de 8 horas seguidas a vasculhar a internet, a ler blogs, colunas e notícias desde um mês atrás. Ao fim, selecionara poucos jornalistas que eram “decentes entre si“.

Vejo que o quadro político brasileiro tornou-se o Inferno de Dante! Nele há luxúria, ganância, gula, ira, violência, fraude e traição. Além de outros atos infernais, a saber: ação de quadrilhas públicas organizadas, a corromper outros setores produtivos; conluio das quadrilhas com as maiores empreiteiras do país; três partidos políticos a entubar dinheiro público durante anos, através de doleiros e atravessadores; farta distribuição de propina para 28 políticos. Quer dizer, 28 até agora, mas devem ser mais.

O Inferno, visto por Dante Alighieri

O Inferno, visto por Dante Alighieri

Por outro lado, de facto há um quadro econômico arrasador para o Brasil: déficit recorde em conta corrente; um ano de inflação renitente no topo da meta; fechamento de vagas de emprego na indústria, na agricultura e na construção civil; dólar a escalar as alturas; aumento dos preços de energia, de combustível e de alimentos; calote governamental de bilhões de reais em obras de infraestrutura; alto risco do aumento da tributação; e, segundo as estatísticas de um órgão oficial (2013), ainda havia 10,45 milhões de brasileiros a viver em extrema pobreza.

Confesso que me é difícil entender a reeleição da “soberana”, ainda mais que teve como seu principal militante o “apedeuta”. Alguém deve ser responsável pela implantação do “socialismo da corrupção” no país. O Brasil está a viver um cenário de caos político-econômico! Decerto, o apedeuta e a soberana no mínimo devem pagar pelo crime da omissão pública. No Brasil chamam “crime de prevaricação”.

Acho curioso toda a população saber de um casal de notórios queprevaricaem público e dá em nada. Mas existe uma doutrina jurídica boa de ser aplicada a este caso: a do “Domínio do Facto“, como foi feito com êxito no tal escândalo do Mensalão.