Ineptocracia


Ricardo Kohn, Escritor.

Ineptocracia constitui o sistema político de governo onde os incapazes de liderar são eleitos por incapazes em produzir. Nesse sistema os membros da sociedade com menores chances de se sustentarem, são recompensados pelo governo com doações de bens e serviços pagos pela riqueza confiscada de um número cada vez menor de produtores.

Pode parecer paradoxal, mas é fato corriqueiro no país, sobretudo, com extrema frequência nos últimos 11 anos.

Esse conceito remete-nos a reflexões da filósofa russa, Ayn Rand:

Quando você perceber que para produzir precisa obter a autorização de quem nada produz; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia “por meio de favores”; quando ver que muitos ficam ricos pelo suborno e pela influência, mais do que pelo trabalho; que as leis não nos protegem deles, ao contrário, protegem-nos de nós; quando concluir que a corrupção é recompensada e a honestidade se torna ato de auto imolação, então poderá afirmar, sem medo de errar, que sua sociedade encontra-se condenada“.

Há estados brasileiros que ainda existem dessa forma, a viver sob o regime das Capitanias Hereditárias. Porém, o que mais salta aos olhos é o estado do Maranhão.

Numa terra sem lei, os Sarney comandam a capitania há 48 anos, com a glória da liberdade que dão a si próprios. Os maranhenses são seu gado mais manejável. A política que instalaram, com economia desastrosa, apenas serviu para “engordar os bolsos da Família”.

Dentre seus inúmeros bens imóveis e meios de comunicação, destacam-se a mansão na Praia do Calhau, situada na região mais cara da orla de São Luiz, e a Ilha de Curupu, onde construíram mansão de veraneio para receber “amigos e convivas especiais”.

Pequena mansão da Família na Ilha de Curupu

Pequena mansão da Família, na Ilha de Curupu

Mas um fato é no mínimo curioso. Nascido de família pobre, com o nome José de Ribamar Ferreira de Araújo Costa, o criador e chefe do clã era conhecido na juventude como José do Sarney”, numa referência ao nome de seu progenitor.

Todavia, quando resolveu seguir a “carreira política”, adotou o codinome “José Sarney”, por muitos interpretado como “José Sir Ney”. Talvez, dada sua “estranha nobreza britânica” no trato furtivo do dinheiro público e a poderosa riqueza particular que nele teve origem.

Percebendo uma remuneração de funcionário público eleito – governador, deputado, senador, governador e presidente da república, uma “puta carreira”, como dizem os portugueses – Zé de Ribamar tornou-se milionário – talvez bilionário – assim como seus três filhos, para quem realiza “doações de bens”, sempre que pode.

O filho mais velho, Zequinha, é político de baixa categoria. A filha Roseana, também política, está governadora do Maranhão pela segunda vez. Foi até mesmo candidata à presidência da república e, segundo as pesquisas de intenção de voto à época, liderava a campanha até que foram descobertos “1,34 milhão de reais”, em dinheiro vivo, no escritório de Jorge Murad, por sinal seu marido e secretário do estado, nomeado por ela. A propósito, não custa contar que Murad é conhecido no mercado como o “mala de Sir Ney”.

Por fim, o filho mais novo, Fernandinho, se diz empresário. Do quê, ninguém sabe ao certo. Trata-se de um empresário “faz-tudo”, que até já esteve encalacrado com a Polícia Federal [1]. Mas convém lembrar que os três filhos de Zé de Ribamar aparecem no cadastro do Ministério da Comunicações na qualidade de sócios de dezenas de emissoras de rádio e televisão. Quem sabe não foram doações do papai?

De volta a Roseana

Nessa última semana a imprensa denunciou acintes cometidos pela governadora na tentativa de adquirir víveres para seu cerimonial. Como chefe do governo do estado mais miserável do país, Roseana decidiu licitar a compra de 80 quilos de lagosta fresca, 2,4 toneladas de camarão, 750 quilos de pata de caranguejo, 50 potes de foie gras, 300 unidades de panetone, caviar, salmão e bateladas de champanhe importado, além de uísque escocês e vinho de qualidade – francês, italiano, espanhol, português ou chileno.

Esses viveres, de “primeira necessidade” para os Sir Ney, tinham o custo estimado de R$ 1,1 milhão de reais. Parece que se tratava de valor subfaturado ou, quem há de saber, de produtos contrabandeados

Mas isto sem contar com os obrigatórios talheres de prata, copos e taças de cristal, mesas e cadeiras de madeira, estilo Tiffany, Dior ou similares. E, para manter a sobriedade familiar, mesas forradas com toalhas de linho cru também faziam parte da lista de produtos a serem licitados.

Ainda que a licitação não haja ocorrido, trata-se de mais um exemplo da sociopatia que é acometida pelos cargos públicos no Brasil, não por seus ocupantes. Aqui, os cargos públicos costumam ficar delirantes, sem motivo aparente. É uma pena que ainda não sejam encarcerados em hospícios de segurança máxima.

Enquanto isso…

Dentre os 62 presos assassinados em 2013 no Maranhão, dia 17 de dezembro passado, três presos foram torturados e decapitados por internos rebelados, no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Há um vídeo na internet que comprova essa delinquência, que parece ser natural nesse estado.

Que postura arrogante... - Reprodução da Folhapress

Que postura safada e arrogante…

Mas, enquanto isso, dona Roseana e seus convivas, bebiam champanhe, vinhos importados, uísque escocês. Saboreavam caviar, lagosta, camarão, salmão, foie gras e outras iguarias, sempre em mesas forradas com toalhas de linho.


[1] Segundo o jornal Estado de São Paulo, Fernando Sarney foi indiciado em 2008 e 2009 pelos crimes de formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, evasão de divisas, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. O amoreco do papai está progredindo sempre, pois continua solto mesmo após haver enviado 1 US$ milhão para um banco na China.

Um pensamento sobre “Ineptocracia

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