Tudo podre no Distrito Fede-mal


Por Zik Sênior e Simão-pescador.

Zik Sênior

Zik Sênior

Recebi um convite inesperado de Simão para nos conhecermos. Teria que viajar a Portugal e seguir até a Praia das Maçãs, onde fica sua casa. Respondi-lhe que não tinha meios para fazer a viagem. Mas ele insistiu e conseguiu-me uma viagem num navio cargueiro até Lisboa, de onde segui de automóvel.

Simão descobrira que eu existia em algum lugar do mundo, ao encontrar na internet o texto de minha autoria, “Conversa ao pé do telefone”, que um site publicou.

Durante a longa viagem de navio, mesmo que na qualidade de carga, pude observar o poder e a imensidão do Atlântico. Enquanto isso, refletia sobre o que se passava diante de meus olhos. Somente uma dúvida acompanhou-me durante todo o percurso oceânico:

─ Aonde estou a ir, para fazer o quê? …

Só me entendi depois de percorrermos de carro uns 50 ou 60 km, saindo de Lisboa, passando por Amadora e Sintra, até chegarmos à Praia da Maçãs.

Quem dirigiu o auto foi o Quincas, amigo de Simão. Talvez por sua tenra idade, o menino tratava-o como se fosse seu próprio bisavô.

Terminal de carga do Porto de Lisboa

Terminal de carga do Porto de Lisboa

Quando chegamos, lá estava Simão, sorridente, sempre pendurado em seu velho cachimbo com fumo apagado. Como ele só tem 96 anos, diante dos meus 105 chamou-me de Sênior e, por natureza, concordei, diacho!

Junto com dois amigos, também pescadores, Simão estava a assar uns belos peixes para me receber. Foi o que deduzi, diante do quadro pintado à beira do mar, com um pequeno cais, barcos à vela e pequenas terras ao fundo. Pena que não tinha uma boa câmera para fazer esse registro.

O mais próximo que pudemos encontrar

O mais próximo que pudemos fazer

Conforme disse, tenho dificuldades para descrever pensamentos. Mas sendo objetivo, Simão queria mais informes de brasileiros. Queria saber os pormenores do Brasil. Tudo bem, passei-lhe minhas impressões políticas da atualidade. Porém, não esqueci que estava a flanar, pela primeira vez liberto da solidão dos eremitas, se é que me entendem.

Durante cerca de dez dias pudemos conversar à vontade. Nada com hora marcada, mas sempre em função das notícias diárias que Simão obtinha a vasculhar na internet. Algumas escandalosas, como o mais incrível recorde brasileiro no campo da imoralidade nacional: ter o único deputado-presidiário do mundo! Eleito, empossado, preso na penitenciária da Papuda pelo desvio de 8,4 milhões de dinheiros e a despachar sobre projetos de lei na cela 595, seu novo “gabinete“.

─ “E mais, o gajo é hiperativo!”, comentou Simão.

Lá no Brasil o povo aguarda que outros parlamentares sigam o mesmo caminho, a criar a famosa “Bancada da Papuda“.

Ao fim de nosso mútuo reconhecimento, combinamos escrever à quatro mãos uma história de ficção, a qual vem a seguir.

O fétido ambiente do lugar perdido

O cheiro é tão ruim que é caso de calamidade pública, a demandar ação imediata da agência que faz a vigilância sanitária do Distrito Fede-mal. É necessário executar rapidamente um violento “arrastão de limpeza” em toda aquela zona, pois é tudo mal cheiroso: instituições públicas, governantes, parlamentares e juízes com “trejeitos de não me toques”.

Porém, aconteceram os imprevistos movimentos populares de junho, que eram todos contra a corrupção que reina nos templos de Fede-mal. Foi então que governantes e parlamentares “fedemalistas” logo se agitaram, apavorados com os primeiros ruídos provindos das ruas. Da noite para o dia já tinham soluções para corrigir, em no máximo uma semana, todos os desvios cometidos em dez anos de “Fede-malança”. Contudo, que nos expliquem seriamente: porque precisaram de gastar dez anos para jogar impunemente suas fedentinas na cara do povo?

No entanto, desde o início de agosto, tal como se fossem times de futebol, os movimentos populares trocaram de técnico, que lhes mudou a escalação. Muitos milhares de cidadãos que protestavam com razão, foram substituídos por poucas centenas de vândalos e criminosos, pagos para destruírem patrimônios e criar medo nos cidadãos. Isto está a cheirar muito mal e talvez se trate de mais uma provocação.

Acresça-se a isso a longa guerra civil na Síria e os relatos recentes, de fontes com alta credibilidade, sobre o uso de gases tóxicos venenosos pelas forças do ditador Bashar al-Assad contra seu próprio povo. O ocidente propõe punições e bombardeios cirúrgicos contra o animal sírio.

Diante desse cenário, decerto com consequências pouco previsíveis, o Distrito Fede-mal e seus poltrões podem tornarem-se caso secundário, com ínfima expressão planetária. E todos sabemos que a maior parte da imprensa estabelece prioridades em sua pauta de notícias. Até porque, gritar no meio do deserto do Saara de nada adianta, pois ninguém ouve. E tudo leva a crer que o mesmo acontece na aridez mental e cultural do Distrito.

Simão-Pescador

Simão-Pescador

Surpresa da engenharia, por Simão-pescador

Um “paparazzo” filmou os primeiros testes de duas composições do Trem-Bala Brasileiro, que vai ligar os centros do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, ao custo módico de US$ 38 bilhões. O protótipo de uma delas foi construído em Cuba; o outro, na Venezuela. Uma beleza de tecnologia latino-americana. Parecem-me poderosas máquinas de levitação magnética.

O vídeo é imperdível, sobretudo quando um casal de galináceos atravessa os trilhos de ferro, qual um petardo balístico, à frente de uma composição silenciosa, que segue em velocidade máxima.

Ao que se sabe, estes protótipos custaram apenas US$ 12 bilhões. Quando desejar vê-los assista aqui.

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