Castelos e Palácios de Governo


Castelos fortificados tornaram-se suntuosos palácios.

O Castelo de Windsor [1], construído entre 1070 e 1074, é maior castelo utilizado ainda existente no mundo. O normando Guilherme I, o Conquistador, foi seu primeiro proprietário. Por outro lado, vale acrescentar que, função de sua duvidosa origem paterna, à época foi apelidado de Guilherme, o Bastardo (William the Bastard).

Vista geral do Castelo de Windsor

Vista geral do Castelo de Windsor

A cerca de dois séculos atrás, monarcas e aristocratas da realeza habitavam suas fortalezas, cercadas por gigantescas muralhas de pedra, rodeadas por fossos largos e profundos. Assim protegiam-se dos povos a que oprimiam e, sobretudo, dos exércitos inimigos. Sua guarda encarregava-se de manter-lhes a vida, a aparência de sanidade mental e o poder.

Com a evolução dos hábitos e costumes os castelos monárquicos europeus deram lugar a palácios de governo. Entretanto – garantida a tradição – em cerca de onze países europeus as monarquias ainda existem. Porém, em sua essência, apenas para guarnecer culturas, parlamentos e estadistas.

Os similares do Novo Mundo

Claro que as três Américas quando recém descobertas herdaram boa parte da insanidade medieval. Por exemplo, muitas fortalezas foram construídas no Brasil, com destaque para as regiões dos estados de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro.

Visavam a permitir a exclusividade da pilhagem dos recursos naturais brasileiros por parte dos portugueses. Pilhagem ainda mais grave foi executada no restante das terras da América do Sul e Central, desta feita por forças espanholas.

Os habitantes nativos sequer foram considerados pelos assanhados descobridores. Tudo nos leva a crer que durante os séculos 14 e 15 a ordem real para as forças ibéricas era “dividir os territórios descobertos para pilhar mais e melhor”.

Fizemos uma pequena pesquisa na internet e encontramos 121 palácios ainda existentes no Brasil, distribuídos em quase todos os estados (veja Categoria: Lista de Palácios do Brasil). Alguns poucos são destinados ao turismo. A maioria absoluta é dedicada a sedes de governo e a residência oficial de presidentes, vice-presidentes, governadores e prefeitos.

Temos muitos quilômetros quadrados do território nacional brasileiro ocupados por palácios e residenciais oficiais de governantes. Nesses prédios especiais tudo é gratuito para seus ocupantes, respectivas famílias e milhares de amigos: uma longa lista de funcionários dedicados à limpeza e manutenção dos prédios, motoristas, jardineiros, garçons, auxiliares para tudo, roupa de cama e mesa, telefone, luz, gás, impostos, bebidas, alimentação, etc.

Isto sem considerar alguns equipamentos que são tidos como básicos para a vida de um bom gestor público brasileiro: piscina, sauna, churrasqueira com cara de churrascaria, quadras para jogos e outros et cetera inimagináveis. Tudo também de graça.

Residência oficial da Granja do Torto. Foto: Ichiro Guerra/

Residência oficial da Granja do Torto. Foto: Ichiro Guerra

Apenas para fazermos uma breve simulação dos ganhos obtidos pelos titulares desses cargos públicos, imaginemos que um deles perceba salário mensal de R$ 30.000,00. Porém, como tudo o que deseja é pago pelo contribuinte brasileiro, podemos admitir que durante 4 anos não precisará gastar sequer um centavo. Sendo assim, ao fim de um mandato teria acumulado uma poupança de R$ 1.560.000,00. Nada mal para quem realmente trabalha e é eficiente.

Mas vamos supor que o “inteligente” gestor público tenha conseguido aplicar esta quantia com ganhos de 10% ao ano! Após 4 anos terá convertido seu capital em R$ 2.283.996,00. Será quase um nababo, pois estará aposentado, ainda a receber mais R$ 30.000,00 por mês. Até seu último dia de vida viverá às custas dos “tributos dos contribuintes”.

Por analogia, se remontarmos aos tempos dos descobrimentos no Novo Mundo, viver às custas dos contribuintes é igual às pilhagens realizadas no patrimônio dos povos nativos.

Hábitos e costumes herdados

Tudo nos leva a crer que existem governantes eleitos acostumados com as bondades que se auto cometem durante seus mandatos. No Brasil, o fenômeno político do poder data pelo menos de meados do século 19, senão de antes. O que variou e cresce até os dias de hoje são sua intensidade e amplitude.

Se tomarmos como exemplo o mesmo “inteligente” gestor público (genérico), verificamos que, após o fim de seu mandato, ele parece ficar possuído pela saudade do poder. Essa possessão traz de volta imagens do passado, quando era reverenciado em tapetes vermelhos – por “palmas, sorrisos e abraços falsos, que me importa!?

Sonha com sua rápida locomoção para qualquer lugar do mundo, montado em jatos, jatinhos e helicópteros. Diverte-se ao relembrar as inúmeras vezes em que foi acusado de cometer delitos públicos e sempre soube como negá-los “acima de todas as suspeitas”. Dá sonoras gargalhadas ao rememorar entre amigos íntimos o fato de nunca haver sido processado. Nas madrugadas, boquiaberto e extasiado, vê queijos e vinhos importados chegando à sua mesa. Relembra as festas realizadas – que alguém patrocinou para ele – em sua residência oficial; a enxurrada de amigos e convidados, todos a admirá-lo em sua perfeição de governante.

Por fim, assomado de mentiras e conflitos, embebeda-se solitariamente e, ao amanhecer, está prostrado ao lado da velha esposa, longe da amante, a precisar de novos apupos, mesmo que mentirosos.

Só há duas saídas para este espécime de cidadão: passar por inúmeras seções de exorcismo, até que se lhes retirem as diversas possessões, ou continuar a vender-se na vida para os mesmos antigos compradores, correndo todos os riscos de ser descoberto.


[1] Castelo de Windsor: situado no condado de Berkshire, Inglaterra, continua a ter a função de Palácio Real, junto com o Palácio de Buckingham, em Londres, e o Palácio de Holyrood, em Edimburgo. Hoje ainda restam monarquias na Europa Ocidental, mas dotadas de poder predominantemente “esotérico”.

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