Os casais históricos


Ricardo Kohn, Escritor.

1. O casal alemão

Atendo-se a Alemanha do século 19, verifica-se que o filósofo Karl Marx publicou o primeiro volume de Das Kapital, em 1867. No entanto, faleceu em seguida, aos 64 anos, e não viu os outros dois tomos teóricos serem revistos, alterados e publicados pelo também teórico revolucionário, seu parceiro e filósofo, Friedrich Engels.

Ambos provinham de famílias relativamente abastadas, que lhes deixaram de herança patrimônio e meios de produção privada. Portanto, pertenciam à “burguesia capitalista” de sua época, mas optaram por serem críticos, acampados sobre a defesa de teorias socialistas e comunistas.

Marx e Engels não foram propriamente pessoas benquistas e bem recebidas em diversos países da Europa onde tentaram morar e trabalhar. Foram expulsos de Bruxelas pelo governo belga, depois de redigirem e divulgarem o chamado Manifesto Comunista. Também foram expulsos da cidade de Colônia, Alemanha, por atacarem autoridades locais através de um jornal que era de propriedade dos dois amigos. Ao fim, o governo da França sequer admitiu a presença do “casal de comunistas teóricos” em seu território.

A teoria contida nos textos de Karl Marx parte da Crítica à Economia Política clássica, usada na Europa do século 19. É bastante complexa de ser lida e entendida, pois baseia-se em novos e discutíveis conceitos políticos, econômicos e filosóficos, tais como “concepção materialista da história, materialismo histórico e dialético, mais-valia, ditadura do proletariado, capitalista versus proletariado, socialismo científico, forças produtivas, relações produtivas, alienação do trabalho e luta de classes”, na esdrúxula visão filosófica de Karl Marx, o baderneiro. Engels, seu “pensador” enrustido, comungava com a mesma visão inelástica. Para ambos, esses conceitos eram os reais Fundamentos da Formação da Humanidade, a base de sua teoria derrotada pela dialética hegeliana, que é efetivamente lógica em seus fundamentos e princípios filosóficos.

2. O casal brasileiro

Atendo-se ao Brasil do século 21, verifica-se que o casal que se sucedeu na Presidência da República é incomparavelmente “mais criativo” do que o casal alemão que, segundo dizem, serviu-lhe de “base intelectual”. Se no passado próximo lutava nas ruas para instalar a ditadura do proletariado no Brasil, ao conseguir dominar o poder nacional, optou por uma “linha ideológica renovadora”, surpreendente para sua história pregressa: o neocapitalismo de Estado, fundado sobre uma espécie de oligarquia parlamentar.

Foi um passo temerário e arriscado, por demandar uma drástica mudança na dimensão da atitude e da ação do casal, uma antítese para a qual não estava preparado. Ou seja, se a tese inicial era a ditadura do proletariado, uma de suas antíteses seria o neocapitalismo.

Porém, na tentativa de criar uma síntese, um devir, um “vir-a-ser”, esqueceu-se de dois fatos fundamentais e óbvios:

  • Há uma sociedade que possui e espera que suas necessidades sejam atendidas por seus representantes eleitos; e
  • O casal não tinha a menor ideia do que seria governar um país, por força de sua frágil e combalida formação para serem estadistas.

Então foi necessário criar a “comissão de filósofos do partido” para desenhar um croquis da síntese habilidosa. Em suma, ficou definido que consolidar uma “base aliada”, para dominar o legislativo nacional e garantir em plenário as decisões do executivo, seria a medida pragmática a ser realizada em curtíssimo prazo. Houve reuniões com as lideranças dos partidos “mais maleáveis” e, por fim, foi montado o sistema da oligarquia parlamentar, um verdadeiro estupro da nação!

Os princípios para manutenção deste sistema de governo também foram determinados pela estulta comissão de filósofos, a saber:

  • Culto à personalidade dos líderes do Estado;
  • Centralização dos processos decisórios no núcleo dirigente do Estado;
  • Densa burocratização do aparato estatal;
  • Repressão a dissidentes políticos e ideológicos;
  • Manipulação dos trabalhadores sob pesada propaganda estatal;

A publicidade da exploração do pré-sal

A mentira da exploração do pré-sal

  • Busca da censura aos meios de comunicação e expressão;
  • Fomento da paranoia social e manutenção da patrulha ideológica;
  • Implantação de programas fisiológicos;
  • Ampliação da base territorial para obter domínio político e econômico.

O casal colocou os aconselhamentos de seus filósofos em prática. Qualquer semelhança com sistemas totalitários é mera coincidência, assim dirá a história. Os resultados desastrosos são vistos agora, em 2013, com os incandescentes protestos de rua em todo o país, cobrando as tomadas de decisão absurdas dos governos nos últimos dez anos.

3. Análise comparativa

O casal alemão foi sempre filosófico e teórico, embora a amedrontar várias conjunturas socioeconômicas europeias. Contudo, é inegável sua grande contribuição para o conceito de Humanidade, capacitando a todos os sistemas econômicos, que assim o desejarem, a inclusão dos direitos humanos inalienáveis em suas políticas. As nações levaram quase dois séculos para que suas ideias fossem traduzidas, relativizadas e colocadas em prática, quando possíveis.

Por outro lado, o casal brasileiro – um par de vagabundos aloprados – tenta ser prático, pragmático, mas sem qualquer fundamento humano, filosófico e teórico para nortear suas desastradas decisões públicas, sempre demagógicas e eleitoreiras. Resultado, rasgou a Constituição Federal e finge que gere o país, sempre a garantir sua própria invisibilidade, mantendo os princípios essenciais do Sistema Cleptocrático instalado, praticamente absolutista, muito embora haja democratizado a formação de quadrilhas.

A miséria do povo brasileiro face ao Sistema de Oligarquia Parlamentar

A miséria do povo brasileiro face a ação do Sistema Cleptocrático instalado

4 pensamentos sobre “Os casais históricos

  1. Gostei de tudo ,especialmente da frase de que ” s os canalhas dementes no esto apavorados”. Felipe

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  2. Muito bom Ricardo. Imagino que o nosso par de aloprados e seus asseclas quando bolaram seu Plano de Poder não se basearam nessas questões político-filosóficas, mas tão somente e simplesmente em saquear o Brasil, já que o país do carnaval e do futebol estaria deitado eternamente em berço esplêndido. O Sistema de Oligarquia Parlamentar está com os dias contados, sem futuro e ameaçado ferozmente pelos filhos do Brasil que não fugiram à luta e jamais o farão, graças a Deus…

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    • Capitão Cesar,

      Sem dúvida, todas as quadrilhas comandadas pelos aloprados têm a pior das intenções econômicas com a nação brasileira. Seu foco doentio é “tomar”do país e de sua sociedade tudo o que nunca produziram.

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