Doutrinas totalitárias


Doutrinas com a finalidade de anular o livre arbítrio da sociedade.

Totalitarismo é o sistema político no qual o comando do Estado, sob o controle de uma só pessoa, que conta com o suporte de facções, não reconhece limites à sua própria autoridade e trabalha para regular todos os aspectos da vida pública e privada. É caracterizado pela “integração entre o autoritarismo e uma única ideologia imposta a todos os cidadãos”.

Como base para o exercício do totalitarismo, o direito de participar das decisões do Estado é retirado do cidadão. O supremo líder da doutrina “é divino e determina a fórmula obrigatória de vida de seus cidadãos”.

O verdadeiro resultado de doutrinas totalitárias e outras similares

Um dos trágicos resultado de doutrinas totalitárias e similares

O totalitarismo convencional foi representado na história mundial por três sistemas de poder: comunismo, fascismo e nazismo. Suas principais lideranças, que atuaram durante o século 20, foram Joseph Stalin e Mao Tse-tung (comunistas), Benito Mussolini (fascista) e Adolf Hitler (nazista).

Hitler, o hediondo, que teve como pretensão de poder dominar o planeta, a ser obtido pelas “forças de Weimar e da SS de Himler”, sempre a seu comando. Além disso, abençoadas por líderes menores e respectivas forças inferiores, tal como Mussolini, o fascista idiota.

Entretanto, embora distintos e opostos em seus fundamentos básicos, Fascismo e Nazismo apresentavam algumas características comuns, comprovadas pelo “eixo de sua união”, durante a Segunda Guerra Mundial:

  • Regime de partido único (o partido das massas: macarrão, na Itália, e batatas, na Alemanha);
  • Culto à personalidade dos líderes do Partido e do Estado;
  • Centralização dos processos decisórios no núcleo dirigente do Partido ou do Estado;
  • Burocratização espessa do aparato estatal;
  • Intensa repressão a dissidentes políticos e ideológicos;
  • Patriotismo e ufanismo extremados;
  • Intensa presença de propaganda estatal e incentivo ao patriotismo como forma de manipulação dos trabalhadores;
  • Censura aos meios de comunicação e expressão;
  • Paranoia social e patrulha ideológica;
  • Militarização da sociedade e dos quadros do Partido;
  • Ampliação da base territorial de domínio econômico (expansionismo).

A Propaganda Totalitária

Os regimes totalitários tratavam o indivíduo como um ser anômico que, para o cúmulo do resto do mundo não-totalitário, perdia até mesmo seu instinto de autopreservação.

Criada com total desprezo pela realidade dos fatos, a propaganda totalitária foi essencial para conquistar as “massas” e arregimentar uma notável quantidade de simpatizantes, que o Estado almejava mantê-los sob controle “até à eternidade”. Porém, quando já de posse da máquina governamental, a violência do Estado assume sua forma acabada e, com isso, constitui-se no instrumento de persuasão desses regimes sórdidos, a fornecer realidade às afirmações dos governantes, sempre falsas e ilícitas.

Como exemplo, Stalin, ao divulgar que acabara com o desemprego na URSS, cometeu uma patranha de fato, pois extinguiu todos os programas de benefícios para desempregados; os nazistas, ao propagandearem que os poloneses não tinham intelecto, logo após iniciaram o extermínio de judeus e de intelectuais poloneses.

Desta forma, o uso da propaganda nos regimes totalitários é tido como parte e fundamento da sua violência. Por garantia, só iria ser substituída pela violência quando a dominação do Estado estivesse finalizada.

No início, a propaganda era destinada aos elementos externos ao movimento, àqueles que ainda não eram dominados, como estrangeiros. Já o terror foi perpetrado contra os dominados e que não mais ofereciam resistência ao regime. Por fim, alcançou a “perfeição da brutalidade” nos campos de concentração, onde a propaganda foi substituída pela violência abjeta. Assim, o terror passa a ser a única “fonte de convencimento”, semelhante à da propaganda goebbeliana, ainda adotada por governos e partidos políticos de hoje.

“Ismos e Istas”

Não há certeza, mas é provável que os substantivos com esses sufixos hajam sido mais usados a partir do século 20, dada a emergência conjuntural dos regimes totalitários modernos.

Do regime comunista nasceram os movimentos do stalinismo, leninismo, bolchevismo e maoismo. Do regime fascista, talvez pela dificuldade de associar qualquer “ismo” ao nome do “divino Mussolini”, foi mantido apenas fascismo. Por fim, no regime nazista, dois enclaves devem ser registrados e jamais olvidados: nazismo e hitlerismo.

Parece claro que esses termos e seus asseclas foram obra da propaganda totalitária, a minar as mentes dos cidadãos europeus daquela época, especialmente os mais pobres, com Stalin, Stalinismo e Stalinistas, ou Hitler, Hitlerismo e Hitleristas, simples rótulos que, por desgraça, tornaram-se midiáticos, símbolos totalitários e assassinos em qualquer sociedade que se julgue civilizada.

Atualmente, ainda persistem certas posturas panfletárias e agressivas, com a mesma natureza fossilizada. Exemplos como Fidel Castro, Castrismo e Castristas ou Hugo Chaves, Chavismo e Chavistas são evidentes. Embora sejam panfletagens sem qualquer conteúdo – social ou econômico –, há notórios “corrupto-estadistas” que veneram esses ditos líderes, mesmo que com sérios riscos de levarem seu povo miséria. É óbvio que se tornam bilionários a partir do comando do poder.

Movimentos populares no Brasil

O fato é que movimentos pacíficos, de cunho realmente social, tiveram início agosto de 2012, com bandeira em defesa de passagens gratuitas para o transporte público, eliminando as concessões para esse serviço essencial. Sem dúvida, tratava-se de uma reivindicação inatingível. Alguns analistas consideraram prováveis manifestos da “esquerda brasileira”. A mídia não conseguiria vender seus veículos de informação, com ênfase nesses acontecimentos. Se tanto, redigiu “notas de rodapé” sobre o assunto.

Contudo, no dia 6 de junho de 2013, a mídia por fim cedeu o espaço merecido para protestos e movimentos mais amplos, de cunho social, econômico e político no Brasil. As redes sociais funcionaram como alavanca para os movimentos. Talvez – ainda não se sabe – tornem-se âncoras de futuras reivindicações populares mais amplas, saudáveis para toda a sociedade brasileira.

Desde então, os governantes do país estão sobrevivendo a diversas saraivadas de protestos de rua, que culminaram com quase três milhões de pessoas distribuídas em movimentos em mais de 120 cidades do Brasil. São manifestações de variadas naturezas, muitas vezes com cunhas afiadas e opostas entre si, algumas com a nitidez de “fogo amigo” contra governos e parlamentares, aliás instituídos pelo voto direto, democrático.

Por sinal, falta na legislação brasileira um processo  que permita “destituí-los por meio do voto direto”. Tal a troca obrigatória de peças e engrenagens de uma linha de veículos, que saíram da fábrica com “defeito de nascença”.  Quem sabe, um Recall de políticos.

4 pensamentos sobre “Doutrinas totalitárias

  1. Hei, Amigo Kohn

    Escrevi um comentrio no teu belo texto.

    Um grande abro

    Em 26 de junho de 2013 12:56, Sobre o Ambiente

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  2. Caro Ricardo

    Li com grande atenção o seu bem fundamentado texto, o qual lida com aspectos políticos ainda latentes no mundo, por incrível que possa parecer.

    Como pura e simples contribuição, gostaria de salientar certos elementos que são dúbios ou, talvez, redondamente equivocados. Criei-me escutando dizer que o nazismo era de Direita, e o comunismo de Esquerda. Na medida em que fui estudando-os convenci-me de que ambos são movimentos de ideologia de Esquerda, mormente quando analisando esses movimentos na época de Stalin e Hitler. Dentre outras coisas, porque ambos pegaram força e se fundamentaram entre operários, desempregados e trabalhadores de modo geral. Ambos “endeusavam” o mundo rural e seus componentes puramente simbólicos. Ambos eram racistas extremados (“pogrons” e holocausto), e inventaram “inimigos da pátria”, culpados de tudo, e que deveriam ser coletivamente combatidos. Os dois desprezavam a burguesia (comerciantes, profissionais liberais, professores universitários, etc.). O aparelhamento do Estado visando a eliminação da sociedade de toda a diversidade e dissidência. A organização administrativa – de qualquer nível – centralizada e ideologicamente dirigida. A busca ensandecida de uma igualdade mental, autômata e obediente entre as pessoas. Não teria fim…

    Se observarmos que, de maneira geral – como escreve Roderick Stackelberg – a “diferença essencial entre esquerda e direita está na atitude em relação à igualdade humana como um ideal social, isto é], quanto mais uma pessoa julga que a igualdade absoluta entre todas as pessoas é uma condição desejável, mais à esquerda estará situada no espectro ideológico. Quanto mais uma pessoa considerar que a desigualdade é inevitável ou até desejável, mais para a direita estará situada”.

    Na prática, dentro desse pacote a ideologia nazista era bem mais de esquerda do que o stalinismo. Bem assim, o fascismo italiano, uma bizarra república sindicalista monárquica (os italianos sempre foram muito bem humorados). A citação de Satckelberg está simplesmente como barramento acadêmico, pois, pessoalmente, não creio nem na correção universalidade desses conceitos ideológicos, altamente ofensivos à complexidade do pensamento humano.

    Perdoe-me pela extensão do comentário, mas quanto mais ignorante o escritor, mais extenso é o texto. Um abraço.

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    • Spencer,

      Comentários não têm extensão medida em “toneladas de letras” e, decerto, nada têm a ver com ignorância ou sapiência.

      Nada li da produção bibliográfica de Roderick Stackelberg. Porém, nesta citação dele, referida simplesmente à condição humana, ele trata academicamente, como se estivesse dando uma aula, e metaforiza acerca das ideologias de “esquerda e direita”. Particularmente, não aceito quaisquer doutrinas, dogmas e ideologias; portanto, o que se dirá dessas mesmas entidades na cultura brasileira aina indefinida e imprecisa?

      Forte abraço e agradeço sua leitura e comentários.

      Ricardo Kohn.

      Curtido por 1 pessoa

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