Cenas de rua do Renascimento Brasileiro


Os principais eventos de rua

No Rio aconteceu outra Marcha dos 100 Mil, que estava calada desde 1968. E pelo menos em mais dez capitais de estados ocorreram passeatas similares, feitas por cidadãos descontentes com governantes, políticos e seus “camaradas larápios”. Têm-se a estimativa de que a Grande Marcha Nacional possa ter alcançado a preciosa cifra de 300 mil pessoas. Todas, acima de tudo, pacificamente furiosas com a continuidade da incontrolável ladroeira pública, raramente punida ou reprimida.

Sem dúvida, trata-se do renascimento da consciência política nacional, embora na sua versão atualizada para o século 21. Por isso os manifestantes estão providos de sentimentos de indignação mais fortes. Assim, chamamos as ditas marchas de Passeatas da Vergonha.

Se os primeiros manifestos puderam ser acusados da falta de foco e da ausência de propósitos comuns – portanto difusos, como disse a mídia –, sua tendência clara é a da integração de finalidades. Porém, ninguém deve esperar que todas as capitais dos estados tenham o mesmo grito e a mesma forma de ação. As vergonhas são variadas e diversas.

Em essência, as Passeatas da Vergonha no país são movidas pela falta de calibre e decência de seus governantes e políticos, não importando em que estrato de poder se situem, nem em qual instância política atuem. O desengano popular está generalizado:

Basta! Chega! Estamos cansados de assisti-los em silêncio! – dizem as passeatas.

Passeata em 17jun2013, Av. Rio Branco

Passeata na Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro

Neste sentido, faço minhas as palavras de Felipe Brandão, um velho amigo desde quando éramos universitários, ao fim da tenebrosa década de 1960:

“Já não acreditava mais em termos do futuro do Brasil, apenas o imaginava mais negro do que as mãos do Zé Dirceu ou do Joaquim Barbosa, figuras (totalmente) opostas do nosso momento histórico”.

E concluiu:

─ “Via – e ainda vejo – o Brasil com um câncer agressivo, com metástases por todos os lados. Mas pode ter surgido uma quimioterapia milagrosa que nos ofereça a cura ou uma sobrevida com alguma qualidade (de vida) a partir do que vimos ontem”.

─ “Para quem – como eu – não tinha mais esperança de ver um país decente (…), o que aconteceu soa, de fato, tal como um milagre, tamanho foi o inesperado e sua expressão popular”.

Em São Paulo, após a violência policial ocorrida no evento anterior, houve um acordo entre o governo paulista e as lideranças do movimento. As 65 mil pessoas que se manifestaram puderam seguir pelos caminhos que quiseram e, basicamente, a passeata foi bem sucedida, fez protestos e deu todos os recados.

O vídeo da Estação do Metro do bairro de Pinheiros, tomado por volta da 10 horas da noite, é a melhor demonstração da postura adequada de ambas as partes, governo e manifestantes.

Passeata em São Paulo - reprodução da Veja

Passeata em São Paulo – reprodução da Veja

Em Brasília aconteceu um fato bastante agradável. As manifestações populares, formadas predominantemente por jovens, contaram com 15 a 20 mil pessoas. No entanto, cerca de 3 mil delas cercaram o Congresso Nacional e ocuparam sua laje superior, dançaram com alegria, a demonstrar que aquele espaço é do povo e não das ratazanas que o ocupam no momento. E que, aliás, vivem às custas dele (nós), por meio de incontáveis negociatas.

Não houve qualquer invasão ou tomada do Congresso. Ele é uma concessão temporária do povo brasileiro, feita através do voto e do pagamento irrevogável de tributos. Assim, pode ser cassada, sempre que este considerar que está a ser roubado. O que houve ontem foi um ato de Reintegração de Posse!

Passeata e cerco ao Congresso Nacional - Brasília

Passeata e cerco ao Congresso Nacional – Brasília

Diante desse quadro, o governo federal mandou “cercar e proteger” o Palácio do Planalto com sua “Guarda Pretoriana” e, sem dizer porquê, também o Supremo Tribunal Federal, como se ambos fossem peças do mesmo tabuleiro. Tenham a santa paciência!

Os infiltrados

Há certeza de que haviam muitos radicais infiltrados nas passeatas e que foram comandantes e/ou autores de atos gratuitos de vandalismo. Os mascarados, como se fossem terroristas da Al-Qaeda, cometeram o despautério de tentar destruir o Palácio Tiradentes e o Paço Imperial. Além de atear fogo a um automóvel, quebrar as vidraças e caixas de bancos, bem como destruir inúmeras lojas comerciais da Rua da Assembleia. O cenário hoje pela manhã era o de um campo de guerra.

Tentativa de queima do Palácio Tiradentes

Tentativa de queima do Palácio Tiradentes

O brutal radicalismo dos infiltrados (políticos)

O brutal radicalismo dos infiltrados (massa de manobra política)

Quase o mesmo aconteceu ao fim do movimento em São Paulo, nas duas entradas do Palácio dos Bandeirantes, onde tentaram arrombar os portões e invadir o prédio do governo estadual paulista.

Alguns inflitrados em São Paulo - Palácio dos Bandeirantes

Alguns infiltrados em ação – Palácio dos Bandeirantes, SP

Os “finalmentes”

O senhor Gilberto Carvalho, Ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, declarou-se “surpreso” diante do cenário nacional, que “está difícil de entender”. Tornou-se um cara-de-pau aparvalhado com os movimentos da Vergonha. Talvez pense e acredita que tudo acontece por causa de 20 centavos de Real…

Para ter certeza e não ficar mais surpreso com o atual cenário político, sugerimos que dê o braço à sua patroa e sigam juntos para o próximo evento, a perguntar a cada manifestante qual está sendo sua motivação. Tome cuidado, a resposta poderá doer na altura dos focinhos.

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