Os Ninguéns e os Alguéns


A população mundial está próxima de 7.115.000.000 de “seres humanos”

O mundo está inundado e a transbordar de Ninguéns. Existem pelo menos sete bilhões deles, semeados pelos continentes e regiões insulares do planeta. No entanto, muito bem camuflados, escondidos nas trevas e ao centro dos cento e quinze milhões restantes de Ninguéns-Assessores, encontram-se poucos Alguéns que decidem de maneira pessoal os rumos e destinos da vida de toda a população mundial. Quantos são? Talvez não cheguem a uma centena.

Os Alguéns decidem, dão ordens, comandam, e os Ninguéns obedecem sem hesitar, dia após dia, a exercitar sua escravidão permanente para sobreviverem. Mesmo assim, em média, milhares deles morrem diariamente, por causas elementares. A maioria morre na miséria pela fome absoluta. É o cenário triste dessa tal de Humanidade.

Para efeito desta sátira, o gigantesco conjunto dos Ninguéns doravante será tratado por Zés-Ninguém. E por Doutores – Louvados o sejam – será chamado o pequeníssimo conjunto da Minoria dos Alguéns.

Os Zés-Ninguém lutam para que suas famílias não morram de fome. Mas são cruelmente obrigados, gostando ou não, a aceitar e até agradecer, com toda a vênia e subserviência, qualquer posição de trabalho que lhes seja oferecida. Embora a maior parte desta oferta seja exatamente a “falta de vagas para o trabalho”.

Normalmente, os Ninguéns-Assessores, bajuladores contratados dos Doutores (“puxa-sacos” remunerados), sempre os acusam de serem “vagabundos irresponsáveis”. Mas, na verdade, embora precisem desesperadamente de trabalho, muitos não conseguem um local para trabalhar, um espaço produtivo e digno, que tenha remuneração visível.

Graças a isso, no Brasil, muitos Zés-Ninguém imploram, aceitam e até agradecem ao populismo inconsequente e escravizante dos programas esmola-família e depois, como se estivessem em débito com o governo, votam repetidas vezes nos inclementes doadores políticos deste esquema imoral. Afinal, estes doadores são os responsáveis exclusivos pelo quadro decorrente da dantesca de miséria que novamente parece lavrar e crescer no país.

A preocupação da Minoria

Muito embora a acompanhar esses cenários de longe, através de informes selecionados pela mídia, os brasileiros têm conhecimento de que instituições internacionais de fomento – FMI, Banco Central da União Europeia e etc –, dirigidas por minorias de Doutores, impõem restrições econômicas a diversas nações da União Europeia – sobretudo Grécia, Espanha, Portugal e Itália, com a França na fila –, incapacitando-as de responder de forma produtiva à grave crise econômica mundial, irrompida há cerca de meia década.

Claro que a economia de cada um desses países tem variáveis próprias, que afetam suas capacidades de resposta às condições impostas para receberem empréstimos de órgãos internacionais. Todavia, muitos dos seus Zés-Ninguém assistem ao desmonte paralelo do mercado de trabalho. O desemprego atinge a níveis desesperadores na Espanha. Na Itália, além do desemprego em alta, havia quase três meses que a vaga para primeiro-ministro não era preenchida. Mas, para alívio (!) de todos os Zés-Ninguém italianos, ainda é elevada a chance do partido Povo da Liberdade interferir nas decisões do ocupante deste cargo durante todo seu mandato. Trata-se do partido dominado pelo ex-primeiro-ministro Berlusconi, o Super Maluf italiano, como definiu com extrema precisão um velho amigo.

O caso do Brasil

Nesse contexto mundial temos apreciado a queda lamentável do PIB brasileiro e o crescimento da taxa de inflação, que há tempos fora controlada. Trata-se de um quadro crítico, pois as exportações brasileiras são impedidas de serem realizadas de acordo com o fluxo econômico que seria normal e necessário. Os veículos de carga que transportam commodities e produtos industriais, tanto para exportação, quanto para o próprio mercado interno, criam quilômetros de filas nas estradas e, quando são para serem exportados, entopem os poucos portos sequer modernizados. Com essa situação desgovernada, as perdas da produção são imensas e não há perspectivas sólidas de solução no curto ou médio prazo.

Carga nas estradas brasileiras

Carga nas estradas brasileiras

Enfim, neste ano de 2013, os políticos da situação, tanto do legislativo, quanto do executivo, optaram por esquecer a qualidade da gestão pública esperada pela população que os elegeu e anteciparam suas campanhas para as eleições de 2014. O único foco é a própria manutenção do poder, qualquer que seja seu preço. Por isso, todos viajam sem parar pelo país, usando o dinheiro público. Mas – vale dizer – menos o Ministro da Economia que permanece em casa, discutindo com as moscas como deverá ampliar os retalhos da sua intervenção econômica. Chama-os de “medidas necessárias” e com elas pretende continuar a bordar sua enorme colcha de buracos. A propósito, as moscas não o respondem por que já faleceram. Nas últimas aparições do ministro nos jornais da Tv, ele está com aspecto vampiresco: magro, quase anêmico e sem qualquer luz. Parece precisar de melhor cota diária de sangue.

Nas andanças do executivo pelo país as mesmas promessas políticas das décadas de 1950 e 60 são sempre renovadas: — “Continuaremos a construir melhores hospitais para o SUS, daremos mais segurança pública a vocês para poderem andar pelas ruas, livremente e sem riscos. Mas, acima de tudo, seus filhos, enfim, terão escolas para estudar” (tradução nossa).

Caos na escola pública do interior - Maranhão

É triste ver o caos nas escolas públicas do interior do Brasil – Alcântara, Maranhão

Foi lendo essas “promessas” que o jornalista Augusto Nunes iniciou a publicar em seu blog, na seção Sanatório Geral, trechos de discursos e comentários feitos por “políticos brasileiros a passeio”.

Em termos de sintaxe, clareza e raciocínio lógico, são falas que envergonham àqueles que têm o português como língua materna. Augusto Nunes os descobre facilmente em fontes públicas, inclusive no próprio Portal do Planalto, notadamente quando não há qualquer revisão primária. Trata-se da vergonha nacional autodeclarada internacionalmente!

Segue um exemplo perpetrado pelo governo federal, que mostra como ele chama a atenção “do seu povo” para a importância fundamental da educação pública no Brasil:

“Eu queria dizer para vocês, nesta noite, aqui no Ceará, em Fortaleza e nessa escola, o compromisso forte, o compromisso que é um compromisso que eu diria o maior compromisso do meu governo. Porque é que o compromisso com a educação tem que ser o maior compromisso de um governo”. Fonte: Sanatório Geral.

Fazer uma completa análise desse parágrafo demandaria semanas ou meses de dedicação de um pós-doutorado em teoria sintática. Porém, o compromisso real nele contido está bastante claro: vamos continuar a produzir analfabetos aos lotes nas escolas públicas brasileiras.

Se desejarem ler “quadros surpreendentes, mas que, ao mesmo tempo, cheguem a serem cinicamente cômicos”, cliquem em Sanatório Geral. Afinal, tentar rir para não chorar ainda não é crime.

Aguarde nossa resposta...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s