Há um estranho no ninho


A cultura escrita é inseparável dos atos violentos que a reprimem” – Guillaume Chartier, pastor huguenote, século 16.

A “fé religiosa” sempre deixou Charles Darwin atônito e perplexo. Sobretudo por ter visto que todas as sociedades ancestrais criaram suas coleções de deuses universais distintos, sempre a explicar o que desconheciam e consideravam ser transcendental.

Podia ser uma sociedade mesopotâmica, africana, asiática ou americana, porém, com seres sobrenaturais sempre presentes na Terra, forçando-a a estranhas venerações e, não raro, a sacrifícios em sua “homenagem”. Meio a danças grotescas, cantavam cânticos para os deuses e ofereciam-lhe uma nova alma através da “degola de um eleito”. Ao fim, levantavam as mãos para o céu e agradeciam não ser “o degolado da vez”; tal como fazem hoje os jogadores da seleção de futebol após um raro gol.

O homem ergueu gigantescos monumentos, pirâmides, catedrais e templos para demonstrar as dimensões de sua temência e devoção. Em algumas sociedades, era nesses mesmos monumentos, que seus apóstolos realizavam sistemáticos rituais de sangue para satisfazer a insaciável sede dos deuses.

“Mas o tempo foi rodando nas patas” dos apóstolos mais poderosos, até que vários deles resolveram conversar diretamente com os deuses mais decididos. Quando eles retornaram disseram que haviam sido condecorados e empossados com o título de “Chefe da Sociedade”, que se haviam santificado e tornados quase divinos.

Assim foi instalado e aprovado o poder de um único homem sobre “sua sociedade”. Os “não santos” foram orientados (obrigados) a entubar a própria cauda, dando origem ao fenômeno político conhecido pela expressão “agora é que a porca torce o rabo!”.

Durante quase sete séculos, contados a partir do século 12 (Período da Inquisição[1]), os santificados europeus foram donos absolutos do poder nas nações que cresciam. O poder na Europa era eclesiástico e monarquista. Juntos, criaram formas severas de punição para todos que consideravam “sofrer de crise de fé”: da prisão, passando por torturas, até a pena de morte, realizada em assassinatos públicos.

No século 20 o poder monárquico-eclesiástico até então vigente cedeu lugar a duas guerras mundiais e a nefastas ditaduras, que logo se alastraram da Europa (Alemanha, Itália, Espanha e Portugal) para a América Latina (notórias em Cuba, Argentina, Chile e Brasil).

Enfim, após a IIa Guerra Mundial, a recém-nascida democracia começou a ganhar forma com ênfase na social-democracia europeia e no capitalismo democrático norte-americano. Esses dois sistemas de governo que, para serem bem implantados e mantidos, requerem grande habilidade e competência de seus Estadistas, cruzaram a entrada do século 21 com vários corpos de vantagem sobre os demais.

Verifica-se, no entanto, que o gigantesco Capitalismo de Estado Chinês, nada democrático, tornou-se a nova linha de conduta comercial para nações do terceiro mundo – sobretudo da África e da América Latina. São nações “em eterno arranque rumo ao desenvolvimento” porque lhes falta combustível de gestão pública, além da infraestrutura básica para a distribuição e exportação de seus produtos.

Todavia, este quadro poderá ser bem mais agravado, função do litígio causado pela Coreia do Norte, que segue cegamente para um elevado risco de guerra. O “nanico arrepiado”, Kim Jong-Un, decerto doente mental, segue a fazer ameaças um tanto desproporcionais a Coreia do Sul e aos Estados Unidos da América. Não considera o outro lado da mesma moeda: as perdas de vidas norte-coreanas em massa, seu território e patrimônio devastados, bem como os efeitos para a economia mundial que seriam muito danosos e não interessam a qualquer nação do planeta, incluindo Rússia e China.

O Brasil já optou por diversos regimes de governo depois da IIa Guerra. Hoje se encontra à beira do Capitalismo Intervencionista de Estado. Trata-se de uma espécie de ditadura de papel, que faz o Brasil aparecer para o mundo como pouco governado.

A mídia brasileira segue martelando que o deputado federal Marco Feliciano (Partido Social Cristão), também pastor evangélico do templo “Assembleia de Deus Catedral do Avivamento”, foi eleito para o cargo de Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, no parlamento nacional. Dá ênfase exagerada à PEC das Empregadas, às multas do lixo jogado nas ruas da cidade do Rio, ao estupro da turista francesa, à corrupção de ex-prefeitos, aos conflitos do poder judiciário, enfim, cria nuvens de fumaça que nublam fatos mais relevantes, como o destino final em aterro de lixo dos mensaleiros e sua tropa, provavelmente incompleta, e a satisfação que lograram com rituais de corrupção a acalmar sua insaciável sede de poder.

A propósito, lendo acima o invejável currículo de Seu Feliciano – deputado e pastor evangélico, homofóbico e racista, acusado de estelionato nas horas vagas – é normal concluir que se encontra no cargo errado. Ou no cargo certo, porém na Era Medieval. É possível que Seu Feliciano esteja sofrendo “uma crise de fé”. Seria medida razoável manda-lo a Coreia do Norte, para propor uma DR (Discussão de Relacionamento) com Kim Jong-Un.

Sir Jonh Lennon

Sir John Lennon


[1] Em tese, a Inquisição Romana ou “Congregação da Sacra, Romana e Universal Inquisição do Santo Ofício” existiu entre 1542 e 1965. Por ocasião do Concílio Vaticano II, em 1965, durante o pontificado de Paulo VI, assumiu seu nome atual – “Congregação para a doutrina da Fé”.

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