Indo além do trivial


Um pouco da história de Prados

O povoado que deu origem a Prados (MG), surgiu nos primórdios do século XVIII, por volta de 1704, quando dois irmãos bandeirantes, Manoel e Félix Mendes do Prado, chegaram à terra do ouro fácil com uma comitiva provinda de Taubaté. No entanto, a instalação do município de Prados data de 1981.

Vista do casario de Prados

Vista do casario de Prados

Matriz de Prados

Matriz de Prados

Seus principais produtos de exportação (nacional e internacional) são o artesanato e a cultura pradenses. Em Prados são produzidos “os mais variados tipos de artesanato, utilizando diversos materiais como: madeira, ferro, palha, linha, cerâmica, bambu, cabaça, papel machê, resíduos descartados, etc. Nas madeiras são entalhados animais como onças, tamanduás, jacarés, cavalos, bois, peixes e outros, além de frutas, legumes, flores e muito mais. Mas a peça mais tradicional trabalhada pelos artesãos pradenses é o Leão”.

“O Patrimônio Cultural de Prados é muito extenso. Suas manifestações vêm se realizando ao longo dos tempos e, até hoje, mantém muitas de suas tradições, conseguindo unir pradenses e turistas do Brasil e do exterior”.

Algumas das festividades da cidade são as seguintes: o Boi Mofado, o Carnaval, a Semana Santa, a Festa do Pradense Ausente (criada em 2005), o Passeio a Serra São José e o Festival de Música, dentre outros.

O Festival de Música de Prados merece destaque, com seus concertos já famosos. Ocorre na segunda quinzena de julho. Tendo a Lira Ceciliana (Sociedade dos Músicos de Prados) como organizadora, acontecem muitas apresentações pela cidade: no Teatro Municipal, na Igreja Matriz, na Capela do Rosário, na praça e em alguns bares. Trata-se de um Festival de Música organizado juntamente com a Prefeitura de Prados e a Universidade de São Paulo (USP), através da sua Escola de Comunicação e Artes. O festival teve início em 1977. São realizadas diversas oficinas com cursos intensivos de instrumentos de cordas, sopro, percussão, canto, coral, teatro, regência e composição.

É importante ressaltar que a mais antiga atividade ambiental do Brasil é o Passeio a Serra, que já possui mais de 150 anos. Desde sua origem, os interessados saiam de área com mata de cerrado, atravessavam campos rupestres e, seguindo por uma Estrada Real, entravam no Bioma de Mata Atlântica. Ainda hoje é assim, tanto para chegar ao delicioso Povoado do Bichinho, quanto à cidade de Tiradentes. E a Estrada Real encontra-se muito bem cuidada, com calçamento de pedra, defensas, pequenas pontes sobre córregos e “sistema de drenagem”. Tudo isso sem perder a magia da antiguidade da região.

Vista de parte da Serra São José

Vista de parte da Serra São José

Visitas a Prados durante 23 anos

Durante este carnaval, mais uma vez visitamos Prados. Lá vivem hoje cerca de 8.500 pessoas numa área municipal de 265 km2. Ou seja, afora o curto período dessa festa anual, nenhum cidadão vive empilhado sobre os demais, pois há espaço verde e espaço urbano muito bem cuidados, de sobra para todos, inclusive para “forasteiros”, sempre muito bem recebidos. Neste carnaval estiveram em Prados cerca de 20 mil pessoas, entre moradores e visitantes (estimativa nossa).

Além dos amigos que nos receberam – Ita e Uxy –, reencontramos muitos outros. Tivemos inúmeras surpresas agradáveis e observamos que havia, além de nós mesmos, mais quatro consultores ambientais em nosso grupo. E a geografia de Prados é um convite à prática da gestão ambiental, sobretudo para viciados na matéria como nós seis.

Seriam dias de solene descanso, mas deitamos falação, junto com boa cachaça. Por sinal, levamos duas garrafas da Magnífica, Reserva Soleira, para dar luz à criatividade do grupo e de seus descendentes interessados.

Em alguns fins de tarde debatemos acerca dos estudos ambientais que nem sempre são bem desenvolvidos no Brasil. Falamos da falta de outros estudos, tão ou mais importantes, que muito poucas empresas consultoras sabem executar. Concordamos que estudos ambientais somente são realizados por força da lei e não em função das necessidades do Ambiente, das inúmeras ciências que o explicam e, sobretudo, dos próprios investidores e dos retroimpactos sobre seus negócios.

Vista de um espaço conservado na Serra

Vista de um espaço conservado na Serra

Políticos, legisladores e juristas brasileiros acreditam pretensiosamente que o país possui a mais poderosa legislação ambiental do planeta. Afirmam que basta que sejam realizados os EIA/Rima para licenciamentos, as Auditorias Ambientais anuais de organizações produtivas, os Levantamentos de Passivos Ambientais de organizações, que sejam implantadas Medidas de Compensação Ambiental e, em casos especiais, assinados os quase nunca executados Termos de Ajuste de Conduta (TAC). Aliás, ficariam melhor titulados por “Meras Intenções de Ajuste de Conduta”, pois poucas organizações os cumprem e, mesmo assim, o fazem somente em parte.

São por meio desses frágeis procedimentos que os agentes públicos creem-se capazes de garantir e manter a estabilidade dos sistemas ecológicos ocorrentes no Brasil vis-à-vis as ameaças de devastação a que são submetidos diariamente. Balela e lorota! São pura burocracia caso não sejam acompanhados por outros estudos, às vezes até mais simples, porém essenciais à qualidade do Ambiente (Environment) e de seus ecossistemas constituintes.

Ecossistemas estabilizados

Ecossistemas estabilizados

Decerto, não são estudos de caráter político ou com formato legal. São estudos inteligentes, práticos e necessários para manter e garantir a Sustentabilidade do Ambiente (na região de interesse) e a Gestão Ambiental das organizações nele existentes. De outra forma, para serem executados aplicam várias das ciências que explicam o Ambiente, sem depender dos “preceitos legais vigentes”.

Em nossas conversas, sob as luzes da permanente Serra São José, concluímos acerca da necessidade de estudos ambientais que ainda não estão contemplados pela legislação do país. Dentre eles destacaram-se os seguintes, pela ordem:

  • Estudos da Transformação Ambiental – ETA;
  • Gestão de Atividades de Campo – GAC;
  • Formulação de Cenários Ambientais – FCA;
  • Avaliação de Impactos Ambientais (qualiquantitativa) AIAQ;
  • Elaboração de Plano Corporativo Ambiental – PCA;
  • Realização de Auditoria de Plano Corporativo Ambiental – APCA;
  • Estudos Preliminares de Viabilidade Ambiental – EPCA;
  • Elaboração de Plano Executivo para Gestão Ambiental de Obras – PGAO;
  • Elaboração de Plano para Gestão da Sustentabilidade Municipal – PGSM;
  • Organização da Função Ambiental – OFA.

Todos nós concordamos que estas dez práticas ambientais (1) sequer são consideradas pela maioria das empresas como meios vitais para sua existência produtiva. E o que é ainda pior: somente serão realizadas se forem obrigadas por lei específica.

Entretanto, também debatemos o caminho inverso da formulação legal brasileira, qual seja: produzir leis que, ao invés de impingir ônus e punições a empresários, premiem aqueles que procederem voluntariamente as práticas acima nos processos ambientais de suas empresas. Além de ser uma fórmula bem mais civilizada, reduz as oportunidades de “malfeitos”, comuns nos “países do futuro”.

Ainda longe da manguaça, mas já transformados em conselheiros ambientais do planeta, ugh…, decidimos criar um movimento mundial, via redes sociais, para solicitar (quem sabe, obrigar) ao Conselho Nacional do Ambiente a emissão de Resoluções Técnicas para cada uma das práticas acima listadas. Porém, sempre de forma civilizada e estimulante, tanto para investidores, quanto para o Ambiente. Assim, demos por encerrada a primeira sessão e nos dirigimos ao centro de Prados, que fica a exatos dois minutos de carro saindo do sítio onde estávamos situados.

Era hora de assistirmos ao desfile dos dois blocos tradicionais de Prados: de um lado, a UCA – União dos Consumidores de Álcool; de outro, seu arquirrival, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Gato Preto. Rival sim, mas não conquistou os dois carnavais a que assistimos!

Mais uma vitória da UCA!

Mais uma vitória da UCA!

Após passarmos cinco dias de sol na residência de Ita e Uxy, junto ao sopé da Serra São José, o retorno para o Rio de Janeiro é algo obrigatoriamente doloroso e cansativo. Foi como se perguntássemos assustados à brisa da manhã:

‒ E agora, o que faremos?!…

Segue o silêncio, pois não existe qualquer resposta além do silêncio. Restou seguirmos resignados pelas estradas rumo às ameaças diárias da “Cidade Maravilhosa” do Rio de Janeiro, em especial quando gerida por incompetentes públicos. Caso de gestão pública bem diversa da de Prados, segundo seus próprios cidadãos e em nossa humilde opinião.

Referências:


(1) À exceção do PGSM, todas as demais práticas acima, além de outras quinze, encontram-se detalhadas e demonstradas no livro A Arte da Sustentabilidade – Integrando a Organização ao Ambiente, com lançamento previsto para o próximo mês de março.

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