O Porto do Rio, nossa opinião


Embora quase todos os investimentos que estão a ser realizados na cidade do Rio careçam de um plano público integrado, o caso do “Porto Maravilha” é espetaculoso, a partir mesmo de seu estranho apelido que lhe foi dado. Como pensa o próprio prefeito:

─ “Porto Maravilha!… Ui, ui, ui…”

Várias são as variáveis que vêm sendo consideradas nas obras do porto. A principal é de caráter urbano, envolvendo a chamada “revitalização urbana da Zona Portuária do Rio”. Mas o Iphan e a Prefeitura concordaram que o patrimônio histórico e cultural daquela região precisa ser mantido e beneficiado com museus, centros culturais, reconstrução de prédios tombados e outros predicados relevantes, como o “circuito de cultura africana”. Tudo isso por apenas 3 bilhões de reais (!).

Região do Porto, em 1502

Afinal, foi nesta região que nossos colonizadores desembarcaram em 1502 e transformaram “numa zona” uma região pantanosa, coberta por Mata Atlântica, com sensibilidade ambiental extrema, que nunca deveria ter sido sequer tocada. Mas, fazer o quê? Quinhentos anos depois a política carioca repete a mesma destruição em várias áreas do território da cidade…

A celeuma

A celeuma do momento é a capacidade do porto para receber transatlânticos estrangeiros durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Vários estudos foram realizados pela Cia. Docas do Rio de Janeiro, que optou por construir um píer com formato em Y, de forma a receber, simultaneamente, até seis transatlânticos de maior porte.

Segundo o Iphan-Rio, com os navios atracados no píer, o Mosteiro do São Bento terá sua visão encoberta. Tratando-se de um bem tombado, tal fato não pode ocorrer. O IAB e a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto continuam a negociar com as Docas alternativas para a locação do píer em Y.

Exemplo de píer em Y: maquete do Porto de Manaus

Duas coisas chamam atenção neste caso:

─ Os grandes transatlânticos atracados no píer prejudicarão a visão de quem?

A visão de quem se encontre aonde? Talvez de outros transatlânticos menores ou da população de Niterói.

Ademais, os navios chegam, aportam durante um período e partem. Não são “paredões permanentes“, conforme insinua a mídia fofoqueira. E a visão do Mosteiro permanecerá a mesma, intacta, impecável, sempre disponível para qualquer cidadão do mundo.

Discutir os efeitos da atracação de navios no Y, conforme localizado, seria como impedir que ônibus parem em pontos localizados na frente de museus, centros de cultura, bibliotecas, praças e estátuas antigas no Rio. Apesar de ser indiscutível a importância das funções que definem o Iphan, já vivemos oportunidades em que dirigentes estaduais não foram capazes de interpretar a realidade dos fatos diante das normas da instituição.

Uma reflexão

Os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 serão realizados nos períodos de 5 a 21 de agosto de 2016 e 7 a 18 de setembro de 2016, respectivamente. Ou seja, terão duração total de 30 dias, mas em duas etapas subsequentes, com 17 e 13 dias. Entre elas haverá um intervalo vazio de 16 dias.

É bastante provável que não haja transatlânticos atracados durante estas duas semanas sem eventos esportivos. E mais, o período previsto com maior frequência de visitantes é, historicamente, o relativo aos Jogos Olímpicos. Ou seja, não será exagero prever que teremos o Porto do Rio cheio durante os 17 dias olímpicos, vazio ou quase, durante 16 dias, e parcialmente ocupado durante 13 dias paraolímpicos.

Oasis of the Seas, 6360 passageiros e 2000 tripulantes

Outro aspecto a considerar é a esperança da Prefeitura do Rio com relação ao turismo estrangeiro. Se em 2008, quando o Comitê Olímpico Brasileiro se preparava para fazer uma proposta da cidade candidata aos Jogos, a economia mundial ainda não demonstrava os primeiros sinais de uma crise, hoje todos têm certeza de que a crise é real, intensa e pode ser medida, sobretudo, no Brasil.

Conclui-se que, se a expectativa de visitação era de cerca de 800 mil visitantes estrangeiros, os recentes Jogos Olímpicos de Londres demonstraram que será difícil desembarcar 300 mil turistas estrangeiros, em 2016, no Rio de Janeiro, capital da insegurança pública.

Cabe assim uma questão objetiva:

Os investimentos previstos para oPorto Maravilhadevem ser mantidos ou revistos?

O problema parece-nos ser bem maior do que aquele que os “planejadores públicos” imaginaram que sabem resolver.

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