A cultura aparente dos povos


Há traços culturais significativos em diversas sociedades do mundo ocidental que as distinguem entre si, por força de pelo menos três fatores: sua idade, história pregressa e sua situação geopolítica. Vamos abordar nesta rápida análise somente três exemplos: Europa Ocidental, Estados Unidos da América e Brasil.

Palácio de Buckingham

1. Europa Ocidental

Após ter sido o palco de duas guerras mundiais, a Europa Ocidental demonstra-se hoje mais tranquila, apesar da grave crise econômica por que está passando e das elevadas taxas de desemprego que acontecem em alguns países europeus. Acreditamos que nela reside o berço de toda a cultura ocidental, tendo a Grécia Antiga e o Império Romano como principais fundamentos da democracia em que vivem seus povos.

Mesmo assim, também devido basicamente a crises econômicas, nos últimos 100 anos vários países europeus viveram sob regimes totalitários, que somente tiveram fim após 1975. Entre eles citamos Alemanha, Espanha, Itália, Iugoslávia, Grécia e Portugal.

1.1 Ditaduras europeias

As ditaduras em geral quase sempre se utilizam da força bruta para manterem-se no poder. Para garantir sua permanência, os ditadores massacram sociedades com propaganda institucional e política constante. Propaganda que visa a cultuar a personalidade do líder e manter o apoio da opinião pública. Uma das formas mais eficientes de se impor à população um determinado sistema político é a propaganda subliminar. É feita através da saturação de todos os meios de comunicação. A censura também exerce papel importante, pois não permite chegar informações relevantes à opinião pública que está a ser manipulada. Desta forma, ficam atados os dois extremos dos cabrestos: primeiro satura-se o ambiente com propaganda a favor do regime, depois são censuradas todas as notícias consideradas “amargas”, que possam alterar a opinião pública favorável ao sistema imposto.

Na Europa Ocidental, especificamente, não foram diferentes os sistemas totalitários, com alguns casos extremados, tais como o nazismo, na Alemanha, o fascismo, na Itália, o “franquismo”, na Espanha, e o “salazarismo”, em Portugal.

No entanto, há  ditaduras que se apoiam em mecanismos mais sofisticados. Utilizam a legislação, seja vigente ou imposta, que admite uma “certa democracia”, com vários partidos políticos e até mesmo eleições. Permitem oposição ao regime, desde que seja controlada. Os preceitos legais passam a serem instituições de tal forma operacionais, que garantem que as principais eleições serão vencidas pelos partidos políticos daqueles que já se encontram no poder.

1.2. Cultura resultante

Depois de ultrapassar todo esse processo político e econômico, a Europa Ocidental mantém em sua cultura alguns traços próprios de um continente civilizado, com destaque para os países nórdicos, a Holanda e a Suíça. O exercício da cidadania, de forma sistemática, é um de seus principais elementos. Os povos de diversas sociedades europeias vão às ruas para enfrentar e duelar com as forças dos Estados sempre que se considerarem prejudicados por decisões de governo que tocam em seus bolsos ou em sua moral. A liberdade de expressão é o vetor de sustentação desta cidadania.

Para que ocorra novamente uma ditadura na Europa Ocidental haverá de ser pela força. “Meios sofisticados” não funcionam mais naquele continente.

Grand Canyon

2. Estados Unidos da América

Em 12 de outubro de 1492, o italiano Cristóvão Colombo, às expensas da coroa espanhola, descobriu diversas ilhas na região do Caribe, fazendo o primeiro contato com povos indígenas do continente americano. Essa é a informação oficial.

Durante quase três séculos, o território dos Estados Unidos foi motivo da ação predadora de diversos países exploradores – Espanha, França, Holanda e Inglaterra. Estes exportaram para a região uma grande quantidade de colonizadores, todos dispostos a explorá-la ao máximo. Basta tentar estimar qual seriam a força e a disposição destes senhores em “roubar, carregar e vender” as grandes riquezas que encontraram naquele território, durante séculos. Por fim, a partir de 1770, o território dos Estados Unidos tornou-se uma colônia quase que exclusivamente britânica, com parte sob o domínio espanhol.

2.1. Revolução da independência

As tensões entre colonos que residiam nos Estados Unidos e os políticos britânicos levaram à Guerra Revolucionária Americana, travada de 1775 até 1781. É importante ressaltar que todos eram oriundos da Grã-Bretanha.

Em 14 de junho de 1775, o Congresso Continental, criou um Exército sob o comando de George Washington, que proclamou todos os homens são criados iguais e dotados de direitos inalienáveis. Em 4 de julho de 1776, o mesmo Congresso aprovou a Declaração de Independência, redigida por Thomas Jefferson. É essa data em que até hoje é comemorado o Dia da Independência dos Estados Unidos, quando se tornou República Federativa Democrática.

2.2. Participação em guerras

Governantes e militares norte-americanos desde a origem sempre demonstraram interesse pelo belicismo. Viveram e participaram de diversas guerras, dentre as quais se destacam:

  • Guerra Civil Americana ou Guerra da Secessão, de 1861 a 1865.
  • Guerra Hispano-Americana, em 1898.
  • Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918.
  • Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945.
  • Guerra Fria, 1945 a 1991 (conflitos estratégicos entre EUA e URSS).
  • Guerra da Coreia, de 1950 a 1953.
  • Guerra do Vietnã, de 1965 a 1973.
  • Guerra do Golfo, de 1980 a 1988.
  • Guerra do Iraque, de 2003 a 2011.

A chamada “Guerra ao Terror” (Bush Filho) teve início em 11 de setembro de 2001 com o ataque da Al-Qaeda às torres do World Trade Center, em Nova Iorque, matando todos a  muitos dos que trabalhavam nos dois prédios. Ambas as torres desmoronaram em duas horas, destruindo construções vizinhas e causando graves danos. O terceiro avião de passageiros mergulhou contra o Pentágono, em Arlington, Virgínia. Nos arredores de Washington D.C. caiu o quarto avião, em um campo na Pensilvânia.

A Guerra do Afeganistão acontece como retaliação ao evento de 11 de setembro, tendo sido iniciada a 7 de outubro de 2001, com previsão de retirada total das tropas norte-americanas até o ano de 2014.

2.3. Cultura resultante

Os EUA participaram de dez grandes guerras no intervalo de apenas 151 anos. De 1861 a 2012 passaram 58 anos em guerra; um verdadeiro absurdo para sua civilização. Em nossa opinião, esse extremo belicismo auxiliou a produzir alguns nefastos vincos culturais em sua sociedade.

Todo o cidadão norte-americano tem o direito de possuir armas de fogo, inclusive armas de guerra. A disposição para usá-las em defesa própria é elevada. Isso indica que há uma predisposição dos cidadãos para enfrentar “ataques” de terceiros e defender suas famílias.

Porém, da mesma forma, significa que, se cidadãos normais adquirem suas armas, pessoas delinquentes também o fazem. Assim, pode-se dizer que foram criados dois lados antagônicos, capazes de realizar uma guerra permanente, no próprio seio da sociedade norte-americana.

É triste ver pelo noticiário mundial que o país mais democrático e libertário do planeta, com espetaculares centros de pesquisa e universidades, dotado das melhores e mais bem treinadas forças policiais, é também o maior produtor de assassinatos, de grandes roubos com armas de fogo, de assassinos seriais e de atos inesperados em que psicopatas aniquilam a vida de inúmeras pessoas em uma única e inexplicável investida.

Por outro lado, é, senão o maior, um produtor mágico de tecnologias aplicadas, de inventos com elevada funcionalidade social, de marcas e patentes notáveis.

Sua sociedade dá valor, sobretudo, à economia e à produtividade na indústria e nos serviços que oferece aos mercados interno e mundial. Sem dúvida, continua a ser a maior potência mundial.

3. Brasil

A frota comandada por Pedro Álvares Cabral chega às novas terras descobertas (no litoral baiano, em Porto Seguro) a 22 de abril de 1500. Essa é a data oficial dodescobrimento do Brasil”.

É estimado que, na chegada dos colonizadores portugueses, o atual território brasileiro era habitado por cerca de dois milhões de indígenas, organizados segundo várias “nações”, das quais se destacavam os tupi-guarani, macro-jê e aruaque.

Em 1534, Dom João III dividiu as terras descobertas em 12 Capitanias Hereditárias, iniciando a colonização e exploração do território descoberto. Um breve parêntesis: observa-se que a “hereditariedade das capitanias”, ocorrida há cinco séculos, já era a fundação do nojento nepotismo brasileiro, hoje consagrado como uma espécie de “bolsa-nobreza” para familiares e companheiros.

Os portugueses conviveram relativamente bem com algumas das tribos nativas. Mas outras foram escravizadas, enquanto muitas foram simplesmente exterminadas, tanto em longas guerras contra os colonizadores, quanto por força de doenças provindas da Europa, contra as quais os indígenas não eram imunes.

Em meados do século XVI, os índios escravizados, junto com os escravos africanos trazidos pelos portugueses, foram introduzidos no cultivo da cana de açúcar, pois a commodity respondia a uma demanda europeia crescente. Foi assim iniciado o denominado ciclo da cana-de-açúcar, responsável pela destruição das matas da região nordeste do Brasil.

No final do século XVII as exportações de açúcar começaram a diminuir, mas houve a descoberta de ouro por exploradores da região, que mais tarde seria chamada de Minas Gerais. Estava iniciado o ciclo do ouro, responsável pela destruição de parte do ambiente dos territórios de Minas, Goiás e Mato Grosso.

3.1. Independência e Império do Brasil

Em 1808, a família real portuguesa, e com ela a nobreza portuguesa, fugindo das tropas do primeiro imperador francês, Napoleão Bonaparte, que estavam invadindo Portugal e a maior parte da Europa Central, estabeleceram-se na cidade do Rio de Janeiro, que assim se tornou a sede do império ultramarino português. Em 1815, Dom João Maria de Bragança, então Príncipe-regente de Portugal (futuro Dom João VI), elevou o então Estado do Brasil, uma colônia portuguesa, a Reino soberano unido com Portugal.

Narra a história que “D. João VI retornou à Europa em abril de 1821, deixando seu filho mais velho, D. Pedro de Alcântara de Bragança, então Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, como regente para governar o Brasil. A Coroa portuguesa tentou transformar o Brasil mais uma vez em colônia. Os brasileiros se recusaram a ceder e D. Pedro ficou do lado deles, declarando a independência do país do Reino Unido de Portugal, em 7 de setembro de 1822. Em outubro de 1822, Pedro foi declarado o primeiro Imperador do Brasil e coroado D. Pedro I no mesmo ano, fundando, assim, o Império do Brasil”.

A primeira constituição brasileira foi promulgada em 25 de março de 1824. D. Pedro I abdicou em 7 de abril de 1831 e foi para a Europa, deixando em seu lugar o filho de cinco anos e herdeiro, que viria a ser o Imperador Dom Pedro II. Como o novo imperador não podia atuar até atingir a maturidade, uma regência foi criada. Disputas entre facções políticas (nunca vimos isso…) levaram a rebeliões e a uma instável e anárquica regência.

As facções rebeldes, no entanto, não estavam em revolta contra a monarquia, embora algumas declarassem a secessão das províncias como repúblicas independentes, mas só enquanto Pedro II era menor de idade. Assim, D. Pedro II foi declarado imperador de forma prematura. A monarquia foi derrubada em 15 de novembro de 1889 e o Brasil tornou-se uma “república democráticaatravés de golpe militar.

3.2. Ditaduras brasileiras

Os 29 anos de ditadura no Brasil foram realizados e mantidos com o uso da força, embora as cinco últimas hajam composto o chamado Período da Ditadura Militar, com motivos distintos da ditadura de Vargas, baseados, segundo a ótica dos militares da época, em “badernas políticas, conflitos ideológicos e atos de terrorismo”.

A exceção de João Figueiredo e talvez, em parte, de Castelo Branco, nenhum ditador usou de mecanismos sofisticados para abrandar suas ações. Apenas aplicaram pancada, tortura e execução pura e simples. Seguem os nomes e períodos dos ilustres ditadores.

  • Getúlio Dorneles Vargas, de 1937 a 1945.
  • Humberto de Alencar Castelo Branco, de 1964 a 1967.
  • Arthur da Costa e Silva, de 1967 a 1969.
  • Emílio Garrastazu Medici, de 1969 a 1974.
  • Ernesto Beckmann Geisel, de 1974 a 1979.
  • João Baptista de Oliveira Figueiredo, de 1979 a 1985.

3.3. Cultura resultante

Assim como os Estados Unidos da América, o Brasil possui uma sociedade multiétnica. No entanto, não possui universidades, centros de pesquisa e escolas em geral com o mesmo nível de qualidade. Aliás, nunca possuiu e vem se distanciando cada vez mais dos cenários norte-americano e europeu ocidental. Por essa razão, que é básica, o nível educacional dos cidadãos brasileiros é muito diferenciado dos aqui considerados, sobretudo, função de suas respectivas condições econômicas. Raça nunca foi um empecilho humano neste país. Mas o diálogo entre pessoas e instituições muitas vezes torna-se difícil e cria conflitos pela baixa educação de seu povo.

Em síntese, tem-se uma cultura média de verdadeiros papagaios, isto é, repetindo o que ouvem sem cuidar de conferir se trata-se de realidade ou apenas de um tormento ideológico. Mesmo nos estados mais ricos verifica-se que o discurso das pessoas e instituições não conduz à ação. É tão-somente uma prática retórica, fora de contexto, muitas vezes exagerada e falsa.

Considerando a educação que a nação recebeu, desde a tenra idade, em 1534, iniciada desde o período como colônia, sem querer culpar a nossos “descobridores”, atravessamos três dolorosas etapas em que fomos (i) colônia portuguesa, (ii) regidos por imperadores portugueses e (iii) transformados em república das bananas até quase o final do século XX. Por fim, foi tornada uma verdadeira República Democrática, aparentemente estável.

Contudo, em 2005 foi descoberto um esquema nacional de corrupção, que já durava quase três anos, envolvendo agentes públicos e privados. É muito triste ver pelo noticiário nacional e estrangeiro que um país democrático como o Brasil, encontrava-se desgovernado meio a corrupção, tanto pública, quanto privada. Com base nas descobertas realizadas pelo Ministério Público Federal, conclui-se que o país também foi o maior produtor de quadrilhas de corruptos, de impressionantes inovações na engenharia de crimes financeiros e de processos engendrados por sociopatas que aniquilaram a vida de cidadãos brasileiros em proveito próprio, através de uma sequência calculada de gigantescas investidas contra o erário público.

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