Os veleiros Bounty


O veleiro canadense era uma réplica de um famoso barco inglês construído no século XVIII, chamado HMAV Bounty.

Os amotinados do Bounty

Este antigo veleiro, com tripulação 42 homens, possui uma história famosa acerca de um motim contra seu comandante – William Bligh –, quando retornava de uma viagem ao Taiti, atravessando o difícil Pacífico, em 1789.

Diz a história que somente ocorreram oito açoitamentos na viagem, o que era muito pouco para os padrões da época. O erro de Bligh foi permanecer cinco meses no Taiti e preocupar-se mais com a coleta de mudas de fruta-pão do que com o navio e a disciplina da tripulação.

William Bligh foi muito liberal quando estava aportado no Taiti, permitindo que quase todos os seus homens mantivessem relações afetivas e sexuais com as nativas. Este descuido custou-lhe elevado preço. Ao iniciar a viagem de regresso percebeu que a tripulação havia perdido o adestramento e a disciplina. Muitos logo estavam saudosos das amantes deixadas no Taiti e aborrecidos com o árduo trabalho no navio.

A reação de Bligh foi apertar mais a disciplina a bordo e não tolerar qualquer deslize. Após três semanas, a saudade do ócio e do sexo no Taiti, nove tripulantes, liderados pelo imediato do Bounty, tomaram as armas e se amotinaram. William Bligh foi colocado numa lancha de apenas 7 metros de comprimento e uma vela. Somente 18 homens puderam acompanha-lo em sua desventura, pois os quinze restantes não cabiam no escaler.

Nesta difícil situação William Bligh provou que era exímio navegante e conseguiu atingir ao Timor Ocidental, depois de posto à deriva nas imediações da ilha de Tofua, no arquipélago das Ilhas Fidji. Nesta viagem percorreu mais de 3.000 milhas náuticas em 48 dias, com escassa quantidade de água potável e comida. Não dispunha de cartas náuticas e calculou a rota confiando na sua memória, tendo como instrumentos de navegação apenas um sextante e um relógio de bolso.

Na viagem atravessou o perigoso Estreito de Torres, entre a Austrália e a Papua, contornando a grande barreira de coral australiana. Na história moderna não há outra façanha náutica como esta e, ainda por cima, realizada em condições tão adversas.

Se por um lado William Bligh errou em se concentrar somente na missão botânica e descuidar da tripulação, por outro, o imediato também errou ao abandonar o antigo amigo e mais 18 homens à própria sorte, em alto mar e com imenso risco de naufrágio e morte. A pena para o motim era a forca.

O imediato conduziu o Bounty de volta ao Taiti e desembarcou os homens leais ao comandante e que não quiseram se arriscar na revolta. Mas, sabendo que a Marinha Inglesa viria em seu encalço, aceitou alguns homens taitianos para suprir a falta daqueles que desembarcaram e se fez ao mar novamente.

Em síntese, os amotinados estabeleceram-se em uma ilha do Pacífico Sul (Ilha de Pitcairn), retiraram tudo que havia de valor e atearam fogo ao navio. Foi a forma de impedir que qualquer navio ao largo pudesse identificar o casco e os mastros do Bounty.

A réplica do Bounty

O novo Bounty, com 55 metros de comprimento, naufragou ontem ao ser atingido pelo furacão Sandy, nas águas do Atlântico. Estava com uma tripulação de 16 pessoas, das quais 14 foram resgatas pela guarda costeira norte-americana. Uma mulher foi encontrada morta e seu comandante ainda encontra-se desaparecido. Restam muito poucas chances de ser encontrado vivo.

HMS Bounty que naufragou ontem

Acima vê-se o veleiro HMS Bounty navegando próximo à costa de Chicago, em julho de 2003.

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