O Pintor e a Tela


Diziam que boas telas eram feitas de algodão cru, com textura rugosa. Completam pintores mais contemporâneos: mais a aplicação de resina especial e tratamento contra mofo.

Quando Paul Cézanne pintou «Les Joueurs de Cartes» (1890-1892) certamente não havia resinas acrílicas e qualquer tipo de trato da tela para protegê-la do tempo.

Les Joueurs de Cartes, Paul Cézanne

O que existia simplesmente era a vontade do artista em criar algo, pintando-o numa tela, que no mais das vezes era feito com óleo. Os quadros mais valorizados do mundo são óleos sobre tela.

Podemos admitir que a criação de uma pintura se baseia na relação primária entre uma tela em branco e o pintor que ainda não sabe o que pintará. Sua mente também inicia em branco.

Un Peintre au Travail, Paul Cézanne, 1875

Embora isto também aconteça em atividades artísticas como a literatura e a música, há uma boa diferença com a relação à pintura. Os textos podem ser apagados e as músicas refeitas, tudo de forma relativamente rápida. Mas, quadros de alta qualidade podem demandar anos para serem produzidos pelo artista. Durante milhares de horas o pintor os retoca, ilumina e cria sombras. É um trabalho longo, árduo, complexo e solitário. O pintor só conversa com seu próprio quadro e com mais ninguém. Precisa possuir vários dons inatos para conviver com todas as suas obras e nem sempre viver em função delas.

Temos a nítida sensação de que grandes pintores não planejavam suas pinturas, mas possuíam uma espécie de antevisão dos resultados, pintavam-nas na própria mente, aos poucos, uma de cada vez.

Das atividades normais do ser humano, acreditamos que arquitetura é a que mais se aproxima da pintura. Tivemos excelentes arquitetos que portavam o dom de bordar e iluminar seus projetos tal como se fossem pintores.

Sérgio Bernardes

Dentre todos, destacamos o arquiteto Sérgio Wladimir Bernardes (1919-2002), com quem tivemos oportunidade de conviver desde o ano de 1973 até o fim de sua vida.

Sérgio projetou maravilhas em diversas cidades do Brasil. Foram residências de personagens notórios, como Ivo Pintaguy; prédios, condomínios de prédios e de casas, centros de convenções, hotéis, clubes, aeroportos, pavilhões de feiras etc.

Foi premiado nacional e internacionalmente várias vezes: na 2ª Bienal Internacional de São Paulo, com a residência Lota de Macedo Soares; em 1952, na Bienal de Veneza; em 1958, na Exposição de Bruxelas, e em 1964, novamente na Bienal de Veneza. Nesta última, trocou o prêmio em dinheiro por uma Ferrari, pois gostava de correr em autódromos.

Sérgio Bernardes foi um arquiteto que soube fazer de sua vida profissional uma pintura de excepcional qualidade e plena de contribuições para a arquitetura brasileira.

Hotel Tambaú, em João Pessoa

Acreditamos que todas as demais profissões podem ser realizadas com a mesma plenitude de ideais, desde que sejam profissões reais. A propósito, um lembrete: política não é profissão.

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