A amplitude do conceito de fenômeno


No passado, fenômeno foi entendido como um mistério religioso, insondável, ameaçador e até mortal, segundo algumas igrejas. Hoje, é tão-somente um processo racional, “fava contada”, de acordo com inúmeras ciências. Mas, perguntamo-nos: o quê o termo fenômeno significará amanhã?…

Não temos o dom da profecia, nem o desejamos. Contudo, acreditamos possuir alguma lógica para formular cenários futuros alternativos de uma sociedade, país ou território. Precisamos de alguns dados e informações. Desta forma, visando a analisarmos até onde o conceito de fenômeno poderá chegar, torna-se necessário saber como foi entendido na história e como se encontra no período em que vivemos. Somente a partir do conhecimento destes cenários torna-se possível realizar algumas previsões.

Vale dizer que, para os “esquecidos da cultura” em geral (política, jurídica, histórica, social etc), todas as previsões de qualquer ordem nunca são admissíveis e acusam-nas de serem “ilações ou meras conjecturas” (vide o voto do canalha revisor).

Na Antiguidade

Desde que o mundo humano existe (há muitos milênios) os únicos fenômenos relevantes eram de fundo religioso e foram tramados por grupos de indivíduos dominantes que, mais tarde, se transformariam em igrejas. Os fenômenos eram mistérios que não podiam ser contrariados em nenhuma hipótese, sob o risco de sofrer a pena de morte. Os povos da época viveram sob a ditadura das ameaças e dos milagres. As sociedades antigas produziam deuses a granel, vendidos ao povo de forma ostensiva e criminosa. Havia deuses no mercado a varejo e até no atacado.

A Igreja, provinda de todas as origens e com qualquer fundamento, foi a matriarca absoluta de todos os Estados nacionais. Seus líderes, com mínimos escrúpulos, consideravam que dominavam a razão a partir de suas utopias deístas e pseudo-religiosas. A razão era absolutamente religiosa e ai daqueles que discordassem de seus “princípios”, pois todos os fenômenos eram sumamente divinos.

Na pós-Antiguidade

Bem mais tarde, no período da Inquisição, milhares de cidadãos (“hereges”) foram mortos e torturados em diversos países (França, Espanha, Itália, Portugal e até Brasil) por tentarem pensar fora dos trilhos estabelecidos pela igreja católica.

A primeira unidade da Inquisição foi fundada em 1184, na cidade de Languedoc, situada no sul da França, e atravessou os tempos, contaminou vários outros Estados, reinando pelo menos até 1834, na Espanha. Foram quase sete séculos de atrocidades cometidas contra o povo que não aceitava “os mistérios do fenômeno religioso”.

No Passado

Com o início do desenvolvimento das ciências, hoje consideradas modernas, notadamente durante a Idade Média, na Itália, começaram a surgir respostas concretas insufladas pela inteligência de filósofos gregos da Era Clássica. Vejamos um bom exemplo: o italiano de Pisa, Galileu Galilei (de 1564 a 1642) foi bastante influenciado por Arquimedes (de 2287 a 2212 a.p.), nascido em Siracusa, na Grécia. A física newtoniana (Isaac Newton, de 1643 a 1727) não existiria sem as teorias desenvolvidas por esses dois filósofos, matemáticos e físicos mais antigos. Aliás, apostamos que as áreas pioneiras do conhecimento humano são Filosofia, Matemática e Física.

Isaac Newton foi um dos precursores da Era do Iluminismo. Junto com os filósofos Baruch Spinoza, John Lock e Pierre Bayle, fundaram uma espécie de movimento. Também chamada por Era da Razão, o Iluminismo foi decisivo no enfrentamento dos dogmas das igrejas (católica e islâmica) e da força desmedida aplicada contra as pessoas pelos Estados e governos de então.

Assim, iniciava-se o processo da desmistificação do “fenômeno dos milagres”.

A formação do processo científico se deu através da agregação dos conhecimentos elaborados por inúmeras gerações. Foi como se os estudiosos gregos transferissem seus dotes para italianos e estes para britânicos, em sucessivas gerações. Claro que outros povos também estiveram envolvidos neste fundamental delivery intelectual.

Assim foi sendo consolidado, de forma gradativa, o fenômeno humano do uso ainda precário da inteligência.

Hoje

O Iluminismo, força do simples pensamento, portanto cerebral e subjetivo, contrapôs-se às hostes concretas e violentas da Inquisição, minimizando-as e construindo sobre seus cacos as fundações e alicerces do que vivemos hoje em termos da razão e das ciências. Por sinal, razão e ciências que se tornaram capazes de explicar quase todos os fenômenos que ocorrem no planeta, em seus territórios e regiões, bem como em todas as nações.

A princípio, mesmo que precariamente, classificamos os fenômenos em três conjuntos:

  • Fenômenos naturais;
  • Fenômenos humanos; e
  • Fenômenos abstratos.

Essa classificação está longe de ser a ideal ou sequer adequada. Mas é a que nos permite demonstrar onde ela comete desvios essenciais e como podemos explicar todos os fenômenos do universo a partir da melhoria de sua abordagem metodológica.

Os fenômenos naturais são todos, sem exceção, de ordem física ou biótica. Fenômenos físicos são relativamente reduzidos, mas muito agressivos ao homem quando ele se encontra em seu habitat preferencial: são ventos, chuvas, descargas elétricas, tremores de terra, terremotos, vulcanismos e outros mais, também com intensidade violenta.

Já os fenômenos bióticos típicos são inumeráveis, pois ocorrem com todos os espécimes da flora e da fauna do planeta. E, com certeza, só trazem benefícios ao homem, esteja ele vivendo ou morando onde quiser.

Fenômeno da criação

Hoje temos ciências suficientes para explicar a todos os fenômenos da natureza, menos um: a origem da vida no planeta, que embora haja diversas teorias que tentam descobri-la, ainda constitui um mistério científico, embora sem quaisquer milagres.

O darwinismo foi capaz de dar uma explicação científica para a evolução das espécies, mas não para as causas da origem da vida. Vale ressaltar, porém, que esta não foi a missão que Charles Darwin estabeleceu para si próprio. De seus trabalhos, que resultaram de longas pesquisas, teve como resultado o livro On the Origin of Species by Means of Natural Selection, publicado em 1859. Foi traduzido como “A Origem das Espécies”, na língua portuguesa, e até hoje é aceito por autores, cientistas e pesquisadores que trabalham em diversas áreas do conhecimento.

Os fenômenos humanos típicos são sempre de ordem econômica, social e cultural. Também se manifestam em enormes proporções, dado que podem ser fenômenos demográficos, econômicos, políticos (abertura e fechamento do sistema, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilhas), sociológicos, antropológicos, arqueológicos, psiquiátricos, criminais e de mercado, dentre outras categorias que quase sempre estão presentes em ambientes primitivos, rurais e urbanos.

O homem em geral pode ser muito ruim em suas ações (noves fora nós todos, é claro!). Porém, mesmo assim, existem pseudociências que insistem em “contorcerem-se” para justificar seu comportamento. O que nos deixa feliz, no entanto, é que nem sempre recebem crédito da maioria dos humanos inteligentes. A capacidade crítica dessa ainda minoria vem crescendo e criando novos adeptos entre os indivíduos mais jovens.

Assim, acreditamos estar demonstrado que temos condições factuais de estimular a manifestação do fenômeno humano da inteligência aplicada.

Por fim, temos o conjunto dos fenômenos abstratos. Parecem muito complexos, mas são simples. Talvez sejam a única manifestação humana da qual devemos nos regozijar. Tratam-se dos fenômenos da criação pura, que se manifestam através da arte da filosofia, da pintura, da literatura, do teatro, da música, do artesanato histórico e de outras formas artísticas. Sem dúvida, também seriam fenômenos humanos, não fosse a beleza, a estética e os valores sublimes que chegam a alcançar.

Fenômenos abstratos hoje são mais raros, sobretudo nos países ditos “emergentes”, pois sofrem os efeitos adversos da manipulação pela publicidade, encarregada de vender obras de plástico ordinário no lugar da qualidade na criação. Mas, sem dúvida, são os fenômenos da criatividade. Neles os governos e os empresários precisam investir pesado, visando a melhorar de maneira efetiva e concreta a educação e a cultura nacionais, que se encontram em estado lastimável.

Amanhã

A visão geral do conceito de fenômenos vem sendo modificada desde o final do século passado. Tende a ser bem mais abrangente, na medida em que surgem novas propostas para o tratamento adequado de suas manifestações. Para explicar o que pressentimos para o amanhã, que decerto é muito em breve, precisamos fazer alguns esclarecimentos sobre a nossa ótica.

A maioria das pessoas no Brasil acostumou-se a chamar o Ambiente (Environment) de Meio-Ambiente. Achamos estranha esta forma  de referência. E para completar este apelido, foi feita uma infinidade de definições tentando explicar o que é o tal do meio-ambiente. Muitas delas, senão a sua totalidade, são controversas e até díspares. Nossa visão sobre o que é “meio-ambiente” e ambiente é a seguinte:

Meio-ambiente é um escorregão conceitual, dado que não existe em qualquer região do planeta. Ambiente, por sua vez, é qualquer porção da biosfera que resulta das relações físicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (ar, água, solo, flora, fauna e homem). Dessa forma, o ambiente é composto por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como observados segundo seus elementos físicos, bióticos e antropogênicos.

Com esta definição parece-nos mais lógico, compreensível e fácil de trabalhar na melhoria dos comportamentos e funcionalidades dos fatores ambientais, que constituem todos os eventos ou fenômenos típicos do planeta.

Deduz-se, portanto, que não há fenômenos humanos ou abstratos que não sejam naturais, dado que o homem é parte essencial do ambiente e não um agente externo, em oposição. De outra forma, todos os fenômenos deverão ser vistos e analisados como fenômenos ambientais, sejam eles físicos, bióticos, humanos ou abstratos.

Hoje já temos ciências suficientes para cuidar dos fenômenos do amanhã.

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