A comunicação parece insegura


A comunicação pode estar insegura, desde que distinta da assertiva: ─ “Não precisamos mais nos comunicar!”.

É evidente que não só precisamos quanto devemos assegurar a realização dos processos essenciais da comunicação. Há milhares de faculdades de comunicação espalhadas pelo mundo, com notória docência, tentando criar as consciências necessárias para esta finalidade. Porém, restam dúvidas se a cada dia que passa não fica mais difícil entender o que as pessoas estão tentando dizer umas às outras, independente de suas formações e dos meios de que se utilizam.

Na pré-história os serem humanos usaram berros nas cavernas, sinais de fumaça nas planícies e tambores nas matas; bem mais tarde, cartas nos correios postais, telefones fixos nas paredes e rádios sem fios; por fim, ontem, com o rápido avanço tecnológico do século 20 e grandes inovações, foram colocados satélites em órbita, chegaram os e-mails, a internet e os dispositivos móveis. Assim, a partir dos ruídos da linguagem monossilábica e gutural, parece ter ocorrido nossa evolução comunicativa. O Homem sempre teve certeza de que tinha necessidade de comunicar alguma coisa a alguém.

Atualmente, no entanto, apenas um pobre texto postado num blogue pode causar derrames fatais na comunicação: cidadãos são presos e torturados, países ameaçam-se com guerras e invasões, forças armadas são mobilizadas em vários pontos do globo terrestre, graças a uma simples fofoca publicada na web. É paradoxal e estúpida a racionalidade humana.

Os atores envolvidos, assim sendo, estão ficando cada vez mais tolos, surdos e impotentes, reagindo de forma inversamente proporcional à qualidade e quantidade das inovações que dispõem para realizar comunicações. Agem irracionalmente, tais animais selvagens ou povos bárbaros, a despeito da tecnologia que possuem e dizem dominar.

Sequer deveríamos considerar a mídia em geral (falada, escrita e televisiva), pois, no mais das vezes, faz o papel de porta-voz oficial da grande confusão (de informações) que se forma. Mas, de toda forma, é através dela que podemos criar alguma massa crítica em nossas mentes para revidar às várias tentativas do homicídio da informação.

As empresas deste setor buscam realizar o que chamam de “convergência da mídia”. Trata-se de levar e distribuir aos leitores (muitos dos quais amestrados) as notícias que juram ser de seu interesse, através de diversos veículos: canais de rádio, jornais, revistas, canais de televisão e internet. As empresas mais poderosas usam todos os tipos de aparelhos para distribuir notícias e informações. Em suma, oferecem um cardápio amplo e completo de veículos de comunicação, que podem ser acessados por todos os tipos de dispositivos e equipamentos disponíveis no mercado. Vendem “facilidades” para a divulgação de informações, claro.

Pensamos que aqui pode estar residindo a origem da “desinformação planetária“, obviamente conjugada com as características culturais dos leitores (ou a falta delas). Em nossa opinião, a quantidade de temas e notícias veiculadas é simplesmente absurda. A maior parte do que é publicado não interessa a ninguém que carregue uma consciência sadia.

Mas os editores julgam, a seu bel prazer, o que acham ser de interesse dos leitores. Esquecem-se que são os principais formadores de opinião, escultores da cultura da sociedade. Muitos deles funcionam tal como sistemas informatizados: colocam lixo não degradável na mídia, de um lado, processam e geram um tsunami de lixo cultural, no outro.

Sem deixar de “convergir a mídia” – talvez questão básica para desenvolvimento de suas empresas –, precisam, sobretudo, atender à “convergência da informação relevante”, estabelecendo os focos principais dos temas com que trabalham na comunicação. A este processo, chamado por “liberdade da imprensa”, em nosso entender, devem estar associadas ou a mídia informativa ou a mídia opinativa.

A primeira faz somente a descrição vulgar dos acontecimentos, livre de qualquer acento ou ideário, por isso é superficial e pálida; a segunda, realiza a narrativa dos fatos, analisa suas consequências com foco nos paradoxos, sempre através de críticas e reflexões.

Paradoxal

Estamos realmente preocupados com a plena formação de consciência dos jovens e adolescentes. Há que haver muita atenção e cuidado na divulgação de informações e opiniões. Informações, via de regra, são propriedade pública, mas pontos de vista são próprios e particulares. A ausência destes torna a comunicação incompleta e insegura. Às vezes, ordinária, safada, mentirosa e manipulada.

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