Fim do mundo


Reinaldo M. de A. Lima

A notícia talvez já seja do conhecimento de muitos leitores. Porém, quanto mais penso sobre essa história, mais impressionado fico.

Chego a imaginar que, quem entender realmente todo o significado dessa história, facilmente entenderá toda a história e sentido da alma humana. Entenderá mensalões, entenderá guerras, brigas de trânsito, namoros e casamentos. Enfim, entenderá toda a complexidade e contradições do ser humano.

No Piauí, em um subúrbio de Teresina, um indivíduo disse ter recebido, através de um anjo, a notícia de que o mundo iria se acabar na sexta feira dia 12 de outubro de 2012, às 4 da tarde.

Reuniu um grupo de pessoas, algo em torno de cento e trinta pessoas, incluindo crianças, velhos e adultos em uma casa, que denominou “Arca da Salvação” e ficaram lá, esperando o fim do mundo, não sei por quanto tempo; creio que alguns meses.

Arca da Salvação, no Rio Poty

Nas notícias que li não ficou claro se as pessoas que estavam na tal arca se salvariam, e se essa salvação, caso houvesse, seria no plano espiritual ou no plano físico mesmo. Tipo: fim do mundo, mas nós vamos nos dar bem…

Como é do conhecimento geral, o mundo não se acabou na sexta feira dia 12 de outubro de 2012, às 4 horas da tarde.

A melhor parte: constatado que o mundo não havia acabado, os moradores da região, não sei se também alguns dos habitantes da “arca“, resolveram linchar o auto-declarado profeta. A polícia interveio para evitar que o tal profeta e três ou quatro de seus ajudantes diretos não vissem, de fato, o fim do mundo.

Profeta e ajudantes foram presos por estelionato, pois usaram os recursos das famílias que estavam na “arca” para se manterem, e mais alguns detalhes técnicos da polícia, que não interessam ser mencionados, posto não colaboram para a grande lição que este estranho episódio encerra.

Dissecar esta historia talvez estrague a áurea de incompreensão que ela guarda em si mesma. Mas, pode ser que alguns leitores tenham passado rápido demais pelas linhas acima, então, sumarizando: o mundo ia se acabar; como não se acabou, agora vamos matar o cara que nos convenceu que o mundo ia acabar. Eu ia morrer, como não morri, vou matar quem disse que eu ia morrer e em quem acreditei. Não estou feliz por não morrer, estou é pau-da-vida com o cara que inventou toda essa porcaria.

Isso é fantástico!

Ainda um aspecto para também dedicarmos uma reflexão: o “profeta“, teria mesmo visto ou pensado ter visto um anjo? Achava mesmo que o mundo ia se acabar? Sim, porque ele próprio fixou o prazo de validade para seus prenúncios! Ou teria sido mera empulhação, ou ainda, estava só “tirando um sarro” com a população.

Não sei por que, ao ler essa notícia me veio à lembrança algumas coisas de Woody Allen, como no início de Annie Hall, quando ele conta a história das duas velhinhas aposentadas que estão hospedadas em um resort e uma delas diz:

─ “A comida desse lugar é horrível“, e a outra complementa:

─ “É, e as porções são mínimas“.

Um pensamento sobre “Fim do mundo

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