Outubro de 2012: o momento do país


O momento do país

Não seria através de um pequeno texto que um redator esgotaria a análise das complexas variáveis sociais, políticas e ideológicas que atuam no momento que passamos. O título acima, dessa maneira, é tão-somente uma provocação: franca, suave e intencional.

O que vivemos no Brasil não pode ser apreciado como um instante no tempo, mas o resultado do desembocar de um longo e áspero período sociopolítico. Fazendo uma analogia, tal como ocorre com o rio Amazonas, durante suas mais fortes pororocas. Nascente na cordilheira dos Andes, o rio desce por cerca de 7.000 km, sendo alimentado por inúmeros afluentes e, na foz, choca-se com o oceano Atlântico, com força de até 300 mil m3 por segundo. Um impacto fabuloso, equivalente a um choque frontal com 300 toneladas a cada segundo.

A pororoca no rio Amazonas

Seria até temerário pretender analisar o longo processo sócio-político brasileiro, mesmo que somente falássemos do Brasil República, instalado a partir de novembro de 1889. Basta dizer que, desde então, tivemos de tudo na política nacional: revolução militar, governos populistas, ditadura, um pequeno período democrático, tentativa de populismo, regime militar e, ao final, a dita “abertura do sistema político”, quando ficou famosa a declaração do então Presidente General João Figueiredo: “quem for contra eu prendo e rebento”. Por fim, com a sociedade civil estropiada, chegamos à atual Nova República, iniciada em 1985, mais de um século após a assunção da República.

Os dois primeiros governos democráticos na nova etapa tiveram o desempenho de “ótimos desastres”. A corrupção era o próprio sistema de governo para os presidentes Sarney e Collor. E, como se não bastasse, coberto por espessa calda de incompetência na gestão pública. No governo Sarney (1985-1990) foram implantados três “pacotes econômicos”, mas a inflação brasileira atingiu a patamares incontroláveis. Prosseguiu crescendo no governo Collor (1990-1992), mesmo com mais três desastrosos pacotes econômicos.

Collor foi deposto em 1992 pelo Congresso Nacional, acusado de corrupção pelo irmão, Pedro Collor. Assumiu Itamar Franco, então vice-presidente do governo. Impecável em suas decisões e comportamentos. Fez  de Fernando Henrique Cardoso Ministro da Fazenda, que gerenciou a elaboração do Plano Real. Finalmente, FHC conseguiu controlar a inflação e repôs o Brasil nos trilhos da economia mundial.

Em 1995, graças ao Real, Fernando Henrique Cardoso foi eleito Presidente da República, sendo reeleito em 1998 e permanecendo até 2002. Em 1999, porém, enfrentou o chamado Escândalo da Telebras, que envolvia, segundo as fontes, o seu aconselhamento ao então presidente do BNDES para orientar a um fundo de pensão estatal a consorciar-se com um banco privado para participar do leilão.

Fernando Henrique deu posse a Luís Inácio Lula da Silva em 2003, e o entregou um país resolvido em matéria de economia. Luís Inácio reelegeu-se em 2006, apesar do Escândalo do Mensalão, que teve início em 2003, com a corrupção envolvendo inúmeros partidos em âmbito nacional (a chamada “base aliada”) e com aparência de ser bastante organizada. Mesmo assim, dada sua popularidade, Luís fez a atual Presidente da República, Dilma Rousseff, passando-lhe o cargo em 2011.

Durante os governos militares, sob os auspícios de regime ditatorial, ficou decidido que no Brasil existiriam apenas dois partidos políticos e ponto final: a ARENA, partido da situação, e o MDB, na oposição. Aos poucos, com a permissão militar, esses partidos começaram a ser desmembrados e outros foram sendo criados nas décadas de 1980 e 1990.

Hoje, segundo informação obtida na internet, existem no Brasil cerca de 30 partidos políticos oficiais. E, bandalha final. É óbvio que não há ideologia e programa partidário para todo mundo, não há como diferenciá-los realmente. Partidos políticos em geral não têm cultura. Inexiste cultura partidária consolidada e o Congresso Nacional é tido mais como uma casa de negócios, onde o ato de legislar é um mero processo secundário e eventual, que funciona apenas a partir de interesses particulares e camaradas.

Curiosamente, no Congresso estão presentes com grande destaque o Senhor José de Ribamar Ferreira de Araújo Costa, vulgo José Sarney, Presidente do Senado Federal, e Fernando Collor de Mello, Senador da República, ambos participando ativamente da dita “base aliada” do governo.

Procuramos até agora fazer uma descrição sumária do cenário sociopolítico dos 27 anos da Nova República (1985-2012). Todas as informações que apresentamos são públicas e do conhecimento geral, inclusive da imprensa internacional. O cenário deste período, embora tenha tido alguns momentos de alguma relevância para a nação, apresenta uma resultante final pífia em termos de educação, saúde, segurança, infraestrutura em geral, moral e ética públicas. E o quadro parece que continua a se agravar.

Se formos pensar quem são os responsáveis por isso, não há dúvida de que os votos dos cidadãos mal informados ou ignorantes, os “cidadãos destelhados”, são a parte mais expressiva deste quadro. É certo também que existem a vileza de princípios, de moral e ética, realizada por “militantes políticos” radicais, que contribuem ativamente para o momento em que vivemos. Mas, mesmo assim, considerando os frágeis resultados que alcançam, ainda constituem o pó ordinário da minoria (ou “coco do cavalo do bandido”).

Não podemos nos esquecer do papel das redes sociais, que é importante na formação da opinião pública. A mídia as usa por esse motivo. Estamos cadastrados em algumas, embora somente acompanhando em detalhes uma delas. Claro que iniciamos convidando diversos amigos antigos para compartilhar opiniões acerca de diversos temas. No entanto, a maioria atual de nossos “amigos” na rede era até então desconhecidos. Convidamos e aceitamos convites como uma regra do jogo nessas redes. O que temos verificado é deveras interessante. Primeiro o fato de que os amigos desconhecidos nos surpreendem mais do que boa parte dos conhecidos. O que é normal, dado que as pessoas que já conhecíamos de longa data normalmente são previsíveis em atitudes e pensamentos. Mas, surpresa! Vimos recebendo postagens um pouco assustadoras e incompatíveis de alguns amigos de velha data.

Aqui não existe nenhuma crítica pessoal, ao contrário, pois somos humanistas, democratas e liberais. Odiamos dogmas e paradigmas! Detestamos preconceitos. Assim, verificamos que é necessário buscar as origens das mudanças aparentes no pensamento dessas pessoas, sobretudo as mais amigas. Não devemos julgá-las ou sequer responder ao que poderia ser entendido como agressões públicas. E, sinceramente, acreditamos que o cenário social e político que descrevemos na Nova República é o mais grave fato desorientador de princípios e valores da sociedade brasileira.

As redes sociais foram idealizadas por seus criadores como um instrumento honesto e inteligente para ganhar dinheiro justamente, através da aproximação de pessoas, de sua intercomunicação, todas amigas, sendo conhecidas ou não. Não devemos permitir que sejam criadas ilhas de comunicação. Buscamos continentes de informação e amizade. Com certeza, os acharemos.

Encerramos retornando à analogia inicial:

Se fosse possível congelar um cenário ambiental futuro por meio de uma foto, em nossa opinião a foto demonstraria  que o Amazonas alargará sua foz por desbarrancar suas margens, carreará sedimentos em direção ao mar, para formar mais ilhas no arquipélago de Marajó. Todas serão isoladas e de difícil integração. Todavia, resta lembrar que a geografia física é diversa da geografia humana. Na primeira, o ambiente se estabiliza espontaneamente. Na segunda, apenas destroça e produz o caos.

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