A imprensa e seu silêncio estarrecedor


Com raras exceções, por sinal, raríssimas, a sociedade mundial é enganada pela sistemática omissão de fatos, notícias e reportagens sobre acontecimentos diários que ocorrem no planeta e que sequer são aventados pela imprensa.

Diríamos que se trata de omissão consciente. A lembrar, a omissão é uma forma de conivência e que, em algumas situações, pode dar cadeia para os reis do silêncio. Aproveitando um processo jurídico, conhecido como Ação Penal 470, sua divulgação foi um “raro ato de ofício assinado” pela imprensa mundial.

No café da manhã abrimos o jornal diário para conhecermos a atualidade que seja relevante como informação em si. E o que vemos? Toneladas de papel-jornal, às vezes a cores, com as sucessivas notícias sobre crimes de morte, o tráfico de drogas e as guerras no oriente; segue um pouco da corrupção da véspera, ironias a granel, futebol, outros esportes, baboseiras e o jornal acabou. Só falta esfarelar-se em nossas mãos.

Ao cabo, resta-nos leva-lo para fora de casa e cobrir as urinas e cagadas do nosso querido cão. Um ato, por sinal, de pouca dignidade para o bichano.

A imprensa precisa trazer fatos

Jornais de televisão, diurnos e noturnos, nos trazem as mesmas informações dos jornais impressos da manhã. Muitas vezes dúbias e confusas, dado que as imagens nem sempre mostram o que o apresentador do telejornal está lendo. Claro que se atualizam durante o dia. Trazem imagens das catástrofes “mais recentes” – incêndios em favelas urbanas, derrames de óleo no mar, assalto a bancos, assaltos relâmpago, assassinatos ao vivo “com exclusividade”, acidentes espetaculares em estradas, explosões de refinarias e plataformas, a notícia do número total de mortos e feridos e até os hospitais em que deram entrada, informando o estado de cada vítima. E seguem em frente com esse noticiário épico. Dia após dia, é sempre a mesma ladainha.

Claro que em jornais impressos é possível encontrar colunistas que raciocinam antes de escrever. Publicam boas matérias e quase sempre com crítica lógica, clara e bem fundada. Mas isso deixa o resto do veículo fazendo o papel de gordura. Para quê assinar um jornal impresso de trinta a cinquenta páginas que traz duas ou três colunas de interesse?

Seria tal como adquirir um hipopótamo para usar ½ quilo da sua banha. O que sobrar não caberá no freezer. Agora, imaginem comprar um hipopótamo por dia! Ao fim da semana, faz-se o quê com seus restos?…

De volta ao caso das TV a cabo. Foram canais idealizados para serem economicamente viáveis, dado que até hoje cobram assinaturas dos espectadores. Tinham noticiário de qualidade, apresentavam filmes variados e não os dez ou vinte vezes reprisados de hoje.

Ademais, a quantidade atual de publicidade é avassaladora. Porém, vão além: em diversos canais há anúncios de si próprios, repetitivos, de seus programas diários, em vários horários. Todos são ditos espetaculares e os melhores do mundo. Na verdade, na maioria são reprises norte-americanas para desmiolados.

Mesmo assim, como se não bastasse, canais a cabo tentam criar “celebridades próprias”, a apresentar a história de funcionários com uma rápida “biografia”. Claro que não fazem com todos, somente aqueles que são úteis a algum objetivo, ainda não identificado. É como se fora uma inútil “masturbação mental”.

Nos dois meses do julgamento do mensalão nacional, os índices de audiência cresceram incrivelmente na TV Justiça. Sem dúvida, há muito não havia um seriado tão realista quanto aquele, justo Reality Show da política brasileira.

Ainda assim, alguns canais a cabo optaram pela filosofia do “morde e assopra”. Consiste em colocar no mesmo programa comentaristas políticos que são honestos nas críticas, junto com os que atuam para salvar os não tão simpáticos guerreiros da corrupção. Cremos que esta conduta não é inteligente, mesmo para as empresas mais abastadas e com formidáveis recursos de telecomunicação.

As empresas da mídia que não batem aonde deveriam bater e que continuam a fazer silêncio político, estão a andar sobre muros. Parece estar assustadas com a falta dos fartos lucros que haveriam de obter. Sobretudo, tendo adotado a estratégia de divulgar apenas o que areja, retira o cheiro das quadrilhas de políticos.

Aonde está a notícia que encanta?

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