O Ambiente em que se evolui


EquipeSobre o Ambiente“.

Para iniciarmos esta conversa, vamos deixar bem claro um fato: esse lugar ainda não existe. Precisa ser projetado e requererá alto investimento de cérebros. Mas saibam, desde já, pode ser construído e só depende de nós.

Trata-se de um pequeno e simples espaço da natureza, talvez próximo a uma vila, dotado de segurança e estabilidade ambiental. Estas devem ser as prioridades daqueles que decidam participar de sua comunidade.

É importante que este Ambiente seja proprietário de bens fluviais e esteja localizado sobre uma área de planalto, sem vales acentuados, visando a reduzir o risco de inundações. Ademais, o restante de sua posição geográfica não é relevante, ou seja, pode se situar em qualquer região do planeta. Porém, é expressivamente relevante sua posição cultural. Suas comunidades, que de preferência devem provir de distintas origens, raças e etnias, enfim, biodiversas, precisam ter a capacidade de compartilhar amizade, amor e felicidade como membros de uma única e mesma família.

Utopia? Talvez, mas, sem dúvida, merece ser perseguida. Por isso, vamos batizá-lo de Utópia, o lugar que almejamos participar de sua evolução.

Vista noturna da Vila de Utópia

Suas dimensões territoriais não são importantes por um simples motivo: viverá em Utópia somente a população que seu Ambiente seja capaz de atender e ninguém mais. Como mais ou menos disse um poeta, “cada família terá direito a uma casa modesta, com um pequeno jardim de frente e uma menininha vestida de vermelho”.

Ressaltamos que vermelho não significa a cor de qualquer sistema político-econômico. Até porque os moradores de Utópia não aceitam que sejam inventadas ideologias e aplicadas goela a baixo, pois todos sabem pensar e discernir o que realmente desejam, ou seja, apenas serem capazes de refletir, decidir e viver em paz com a própria verdade.

As ruas internas de Utópia serão recobertas de pequenos seixos, compactados com seu solo. Nelas trafegarão ciclistas, táxis-charretes e veículos elétricos.

Todos os utopienses (nativos e importados) poderão frequentar a Universidade de Utópia durante toda a vida, desde quando crianças. Biblioteca, hospital e outros serviços básicos serão oferecidos e mantidos pela Universidade. No entanto, algumas formações não serão contempladas pela Escola. Com certeza o Direito não existirá, posto que não haverá conflitos a serem remediados e, caso haja, serão solucionados pelo Conselho de Utópia, formado por decanos da Universidade e notórios personagens convidados por sua comunidade.

Utópia não terá judiciário, legislativo ou executivo. Suas leis serão baseadas em seus melhores costumes e heranças éticas. A liberdade de viver e de não atrapalhar o próximo é um princípio pétreo. A única restrição legal, por sinal pétrea, diz que em Utópia não pode haver qualquer tipo de competição econômica, política e religiosa e que aqueles que tentarem transgredi-la serão banidos até o fim dos tempos. Esse é o texto completo de sua Constituição.

Quando visto de cima, o Ambiente  de Utópia parecerá um grande pomar, com frutas, hortas e flores, circundado e entrelaçado com matas primitivas. O clima da região assim será abençoado por sua própria natureza primordial.

Utópia: clima, água e floresta

Toda a produção de Utópia será artesanal, não haverá indústrias, chaminés, sindicatos e templos. As atividades mais adequadas estarão na educação, na filosofia, na arte da  sustentabilidade de seu território, na agropecuária familiar, no comércio e serviços.

Contudo, qualquer cidadão utopiense, arcando com eventuais riscos, poderá contratar negócios e produtos em outras regiões, não há restrições, poderá comercializá-los em Utópia. Um jornal e uma revista que detenha a visão humana e crítica de Utópia são dois bons exemplos de produtos imprescindíveis que serão editados alhures.

Diante do que vimos a assistir no Brasil da última década, nada mais razoável do que fazer uma crítica irônica ao estado de coisas a que conseguimos chegar, seja em silêncio, seja a participar. Para fechar este artigo deixamos um link para a música de Zé Ramalho, “Tô Vendo Tudo“.

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