Modelo para Gestão de Riscos e Impactos Ambientais


Uma abordagem qualitativa para processos construtivos

Introdução

A Análise e Gestão de Riscos e Impactos Ambientais (AGRIA) é um processo que envolve atividades relacionadas a projetos e/ou obras que possuam objetivos ou alvos a serem alcançados, visando a otimizar efeitos de diversas naturezas que podem incidir sobre seu andamento e seus resultados. Essas atividades podem ser assim sequenciadas:

  • Identificação do objetivo a que o projeto e/ou a obra tencionam alcançar;
  • Cronologia prevista para execução do projeto e/ou da obra;
  • Identificação das oportunidades e ameaças potenciais que podem afetar, de forma benéfica ou adversa, o alcance dos objetivos predefinidos;
  • Definição da classificação dos riscos segundo as seguintes naturezas ou dimensões:ambiental, de segurança, da saúde, de tempo e de custo associados ao projeto ou obra;
  • Identificação dos riscos ambientais derivados de cada oportunidade e ameaça identificada;
  • Análise dos riscos ambientais identificados;
  • Identificação dos impactos positivos e negativos passíveis de ocorrência a partir de cada risco ambiental realizado;
  • Estabelecimento dos intervalos de intensidade dos impactos;
  • Estimativa da intensidade de cada impacto identificado;
  • Previsão das chances de ocorrência de cada impacto (probabilidade de ocorrência);
  • Estabelecimento do nível de criticidade de cada impacto identificado (intensidade x probabilidade);
  • Elaboração do plano de ação para otimização dos riscos e impactos ambientais mais críticos identificados;
  • Monitoração e ajustes do plano de ação durante a sua aplicação.

Cada uma destas atividades encontra-se discutida e modelada em seu desenvolvimento e aplicação no processo de AGRIA contido no paper em formato pdf. Selecione-o ao final desse texto e faça o download do modelo.

Considerações

Em todas as obras de engenharia a tendência é que a maioria dos riscos e impactos seja adversos, negativos, tanto nas áreas de intervenção, quanto em suas vizinhanças. Mesmo assim, considera-se ser útil e justificável demonstrar que também existem eventos positivos e benéficos, pelo menos para o ser humano. Embora não seja possível transformar ameaça em oportunidade, muitas vezes é possível identificar oportunidades derivadas de ameaças e realiza-las.

Para que tal intento seja alcançado, é necessário que haja informação verídica atualizada e em quantidade suficiente. Por isso, nenhuma das informações solicitadas pelo modelo pode ser considerada desnecessária ao processo de AGRIA, ao contrário. Para os analistas de riscos e impactos, que trabalham fazendo previsões acerca de tendências e não de fatos consumados, são as informações mínimas para que os trabalhos não constituam profecias e possuam um mínimo de constatações das tendências das áreas de impacto das obras do futuro empreendimento.

Quadro de risco ambiental realizado

Por outro lado, nem sempre todas as informações solicitadas para a aplicação do modelo de AGRIA estarão disponíveis ou poderão ser coletadas. Ainda assim, deve-se propor e produzir ações preventivas e corretivas a partir do mínimo de informação disponível, mas sempre as consubstanciando com registros e documentação que as demonstrem como necessárias e até imprescindíveis para os objetivos e finalidades da obra.

Deve ficar claro para empreendedores que o investimento para realizar estas ações certamente serão inferiores aos gastos e despesas que serão impostos legalmente por não tê-las realizado.

Sempre visando à prática da sustentabilidade dos espaços alterados pelo Homem – tema que muitas vezes é considerado secundário e menos relevante –, há certeza de que este modelo acarreta economia no uso de recursos naturais, no dispêndio exagerado de energia, nos recursos financeiros dos investidores produtivos e, inversamente, aumenta de forma expressiva a qualidade de vida das pessoas que se relacionam direta e indiretamente com os processos de obras.

Faça o download do texto integral do ModeloModelo de Análise e Gestão de Riscos e Impactos Ambientais. Selecione este link e em seguida selecione o arquivo em PDF e grave em seu computador .

Encontradas primeiras evidências de fotossíntese em insetos


Pulgões podem ter sistema simples para coleta e transformação de energia solar.

por Kathryn Lougheed e Nature, publicado na Scientific American Brasil, 21/08/2012.

A biologia dos afídeos, conhecidos também como pulgões, é exótica: eles podem nascer gestantes e às vezes os machos não têm bocas, o que os leva à morte pouco após a cópula. Em adição à lista de excentricidades, um trabalho publicado semana passada indica que eles talvez possam capturar luz solar e usá-la com propósitos metabólicos.

Pulgões

Os afídeos são únicos por terem a capacidade de sintetizar pigmentos chamados carotenoides. Muitos animais dependem desses pigmentos para diversas funções, como manter o sistema imune saudável e produzir certas vitaminas, mas precisam obtê-los por meio da dieta. Agora o entomologista Alain Robichon, do Instituto Sophia de Agrobiotecnologia em Sophia Antipolis, na França, e seus colegas sugerem que, nos afídeos, esses pigmentos podem absorver luz do Sol e transferi-la para o maquinário celular envolvido na produção de energia.

Ainda que sem precedentes em animais, essa capacidade é comum em outros Reinos. Plantas e algas, além de certos fungos e bactérias, também sintetizam carotenoides – e em todos esses organismos os pigmentos formam parte do sistema fotossintético.

Coletores domésticos

Aproveitando a descoberta de 2010 de que os altos níveis de carotenoides encontrados em afídeos são produzidos pelos próprios insetos, Robichon e sua equipe decidiram investigar por que os pulgões produzem químicos que exigem tanto do metabolismo.

Os carotenoides são responsáveis pela coloração dos afídeos, o que determina o tipo de predador que pode vê-lo. A pigmentação corporal dos pulgões criados em laboratório por Robichon é afetada por condições ambientais: insetos verdes no frio e alaranjados em condições padrões. Quando a população é grande e os recursos limitados eles são brancos.

Quando os pesquisadores mediram os níveis de ATP dos afídeos – responsável pela transferência de energia em seres vivos – os resultados foram marcantes. Os insetos verdes, com altos níveis de carotenoides, produzem significativamente mais ATP que os brancos, que são quase destituídos desses pigmentos. Além disso, a produção aumentou quando os pulgões alaranjados – com uma quantidade intermediária de carotenoides – foram colocados à luz, e caiu ao serem transferidos para o escuro.

Em seguida, os pesquisadores extraíram e purificaram os carotenoides dos afídeos alaranjados, demonstrando que esses pigmentos são responsáveis pela absorção de luz e transferência de energia.

Maria Capovilla, uma das autoras do estudo e também entomologista, do Instituto Sophia, ressalta que são necessárias mais pesquisas antes de os cientistas terem certeza de que os afídeos realmente fazem fotossíntese, mas as descobertas levantam essa possibilidade. E a maneira como as moléculas de caroteno se organizam nos insetos dá peso a essa hipótese: os pigmentos formam uma camada que fica entre 0 e 40 micrômetros abaixo da cutícula dos animais, o que os deixa em posição perfeita para capturar a luz do Sol.

Nancy Moran, geneticista de insetos da Yale University em West Haven, em Connecticut, responsável pela descoberta original de que afídeos têm genes para a produção de carotenoides, aponta que há muitas perguntas sem respostas. “A produção de energia parece ser o menor dos problemas de um afídeo – sua dieta tem açúcar em excesso e eles não conseguem usar a maior parte disso”, explica ela.

O argumento leva à pergunta de por que os afídeos precisariam fazer fotossíntese. Segundo Maria, talvez o processo funcione como um sistema de emergência que poderia ajudar em momentos de estresse ambiental, como no período de migração para uma nova planta hospedeira.

Le Brésil ce n’est pas un pays sérieux


Em 1961, pescadores artesanais brasileiros denunciaram à marinha brasileira que barcos de pesca franceses estavam capturando lagostas em águas da costa pernambucana, sem qualquer autorização. Dado que já naquela oportunidade existia um acordo internacional, firmado por diversos estados nacionais, definindo a extensão dos solos marítimos que eram propriedade de cada um, os barcos franceses foram rechaçados de nossa costa.

Lagostas brasileiras andando no solo

Estava assim criado um forte embate diplomático entre Brasil e França, que durou até 1963 e ganhou o apelido internacional de “Guerra da Lagosta”. A marinha francesa, a título de “proteger seus barcos pesqueiros”, deslocou navios de guerra para proximidades da área, permanecendo em águas internacionais. Em resposta, o governo brasileiro destacou forças de terra, mar e ar para “proteger o pesqueiro nacional de lagostas”. Situação patética, tendo Charles de Gaulle defendendo o gol da França e João Goulart, o do Brasil.

Enquanto isso, o embaixador brasileiro na França, Carlos Alves de Souza, tentava negociar a solução da crise com seus pares franceses. No entanto, em uma conversa privada com o correspondente do Jornal do Brasil (JB) em Paris, o jornalista Luiz Edgard de Andrade, o embaixador disse a seguinte frase:

─ “Edgard, o Brasil não deve ser levado tão a sério nesta questão”, referindo-se à pouca habilidade do governo brasileiro em conduzir questões daquela natureza.

Luiz Edgard enviou sua matéria para o jornal, que estampou em letras garrafais na primeira página a seguinte manchete, atribuída ao presidente francês:

─ “Le Brésil ce n’est pas um pays sérieux”.

Dada a força que o JB possuía sobre a formação da opinião pública naquela época, a nação brasileira queria trucidar o presidente francês.

Após extenuantes conversas e debates diplomáticos, desmobilizadas as forças de ambos os países, ficou decidido que a França faria um trabalho científico sobre as lagostas brasileiras. Cerca de dez meses se passaram até que uma missão de biólogos marinhos franceses chegou ao Brasil para apresentar suas conclusões: basicamente, a taxonomia e a descrição das lagostas brasileiras, seus hábitos reprodutivos, sua forma de locomoção e seus habitats preferenciais.

O argumento dos franceses se resumia na forma de locomoção das lagostas brasileiras: se seus cardumes andavam pelo fundo ou nadavam pelas águas, aos pulos. Evidentemente, concluíram que “pulavam” em águas internacionais, podendo portanto ser pescadas, pois apenas o solo marinho pertencia ao Estado Brasileiro.

Neste evento a comissão brasileira foi assessorada pelo Almirante Paulo Moreira da Silva, especialista da Marinha do Brasil na área da Oceanografia Física e Biológica. Durante os debates, os especialistas franceses defendiam a tese de que a lagosta era apanhada quando estava nadando, ou seja, sem qualquer contato com o assoalho submarino, momento em que deveriam ser consideradas peixes.

Nesse momento, o Almirante Paulo Moreira tomou a palavra. Argumentou que para o Brasil aceitar a tese científica francesa, de que a lagosta podia ser considerada um peixe quando dá “pulos“, afastando-se do solo submarino, haveria a necessidade de uma nova explicação por parte dos franceses. Assim, questionou aos cientistas franceses:

─ “Senhores, para a biologia francesa canguru é pássaro?“.

Assim foi encerrada a patética Guerra da Lagosta, em favor do Brasil e sem disparar nenhum canhão.

Dedicamos esta história a Fernando Penna Botafogo Gonçalves, amigo do Almirante e membro da comissão brasileira que participou da preleção francesa.