Corrupção: causa ou consequência?


O quadro geral da corrupção no Brasil é simplesmente bárbaro, com tendência a se tornar permanente e considerado natural, próprio do “sapiens brasileiro”. Mas resta saber se a corrupção é a causa da instabilidade das instituições públicas ou sua consequência. Será a causa da enorme quantidade de leis ameaçadoras e corretivas (nunca punitivas) ou a consequência delas?

Este assunto é complexo e não conseguiremos destrincha-lo por completo. No entanto, é possível pontuar um pouco a respeito.

Após a mudança do governo federal em 2003, amanheceram esperanças para a maioria da população votante brasileira. Esperança daqueles que acreditaram na força dos discursos, da retórica e da eloquência crítica a nosso dito “passado tenebroso”. Foi eleito um cidadão analfabeto, sem educação básica, mas bastante esperto. Isso porque, para ser eleito, foi capaz de associar-se aos piores políticos brasileiros, que ele sempre condenara aos berros na porta das fábricas. Mas essa foi a opção escolhida, mesmo a saber que o custo desta associação fosse perfeitamente previsível, pois os que nada fizeram em suas vidas, além de roubar o erário público, decerto iriam permanecer na mesma toada.

Durante os primeiros quatro anos foi sendo gradativamente implantado no Brasil o “SPCS – Sistema Planejado de Corrupção Socialista”. Ao invés de uma ou duas quadrilhas políticas agindo na mansarda, o Brasil foi sendo roubado democraticamente por uma coleção de quadrilhas, organizadas em incontáveis órgãos públicos, pertencendo a diversos partidos, e a formar feudos de pura trampolinagem. Toda a sociedade assistiu o que ocorria, mas a maioria permaneceu calada. Quem sabe, talvez a acreditar que haveria de chegar o seu momento: ─ “Agora, nós! Agora, nós!!!”…

Porém, dada a ausência de qualquer espaço (tudo já se encontrava dividido e herdado), na verdade, indignados, decerto algum dia dirão: ─ “E nós, caramba!”. A exclamação não seria exatamente esta…

Segundo dados publicados pela mídia, em oito anos, cerca de 67 bilhões de reais foram abocanhados pelas quadrilhas. Acreditamos que esses desvios estimados são pequenos, até simplórios, função da fome insaciável dos “infantes“. É possível que o PIB da corrupção seja muito próximo do Produto Interno Bruto real. É fato que temos dois “Brasis”: um efetivamente produtivo; outro, fruto da desvairada corrupção assassina.

Mas, por que assassina? – esta é questão básica.

Pelo fato de que nada foi investido no país em infraestrutura e serviços sociais considerados essenciais: rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, escolas, hospitais, segurança, habitação, acessibilidade de deficientes e sustentabilidade do território nacional. Em verdade, preferiram adotar o “Sistema Social de Esmolas Públicas”, a garantir votos futuros (e afirmaram que o Bolsa Escola do governo antecessor era safadeza), o qual vem sendo utilizado pelos beneficiados da nova Bolsa, sobretudo, para consumir bebidas alcoólicas!

Em especial no nordeste brasileiro, onde a escolha entre trabalhar duro ou frequentar um bar tornou-se óbvia, pela total ausência de educação pública. Conversando com diversos taxistas, ficamos surpresos com a indignação de um deles:

─ Mês passado estive em minha terra, no interior da Paraíba, e escutei coisas assim: “Vamos vagabundear e morrer bêbados. Isso é que é felicidade! Até meu irmão mais novo age assim”, disse-me ele.

O irmão tri-bêbado. É triste...

Ícone do cachaceiro

Alguém tem dúvida de que incutir essa atitude em um ser humano não é um ato criminoso e certamente assassino?…

Acreditamos que os Santos Espertalhões são marionetes amestradas na mão do Chefe Boçal. Este sim, o maior canalha brasileiro dos últimos 10.000 anos.

Neste momento assitimos ao julgamento do “Escândalo do Mensalão“, conforme é mundialmente conhecido. O quê devemos esperar?…

A miséria no lixão

Com liberdade, pela comunicação


Com liberdade, pela comunicação

O processo da comunicação humana é bastante complexo e relativamente lento, muito embora a cada segundo estejamos tentando realiza-lo mais uma vez, com uma ou com muitas pessoas. Tudo o que fazemos ou buscamos realizar depende de nossa capacidade de comunicarmo-nos com terceiros e, na outra ponta, dos receptores compreenderem os informes que estamos a emitir. E mesmo quando os compreendem, nem sempre concordam ou aceitam. Fazem remendos, colocam restrições, enfim, melhoram o comunicado.

Há diversas formas para realizarmos comunicação. Pode ser corporal, olfativa, sexual, oral, visual e escrita. Também pode ser presencial e à distância. Essas variações demonstram claramente sua complexidade. E, o melhor: é possível formular eternamente sobre a teoria da comunicação, sobre a linguística e a simbiótica e nunca chegaremos ao fim das hipóteses e teses acerca destes temas. A menos que nos silenciemos.

Muitas profissões dependem diretamente da comunicação humana. Dentre elas destacamos o marketing, a publicidade, a propaganda, o design, o jornalismo, o radialismo, a fotografia, a arte em geral e a política de qualquer ordem, mesmo aquela a que todos consideram torpe e vil.

Resultados da mentira política na comunicação

Sem a comunicação adequada e efetivamente recebida, todos os profissionais do mundo viveriam situações bastante esquisitas (em português, por favor). A propósito, de certa forma estamos sofrendo problemas de conceitos e hábitos, os quais, por não serem absolutos em nenhuma civilização, permitem a superposição de infinitas camadas de crenças, via de regra contraditórias e excludentes, embora convivam, mesmo que sem qualquer harmonia. Resta-nos saber até quando conviverão.

No mundo moderno a facilidade de estabelecermos comunicações com pessoas é fantástica. Contudo, seus resultados às vezes são imprevistos e desastrosos, apresentando nítidos indicadores de que está ocorrendo ruptura da comunicação entre muitas das partes. Parecem conversas de máquinas estragadas. E, não raras vezes, tornamo-nos uma delas.

Todavia, um fato interessante chama-nos a atenção. Jovens com até 20 anos de idade, portadores e usuários das mais modernas máquinas de comunicação, iniciam um novo processo de integração a que chamamos de “integração por afeição comunicativa”. Para esses jovens as redes sociais são instrumentos de vínculos aperfeiçoados. Brigam entre si, provocam-se através delas, mas tendem a se unir cada vez mais em fortes “grupos de inteligência”. Normalmente, não apresentam quaisquer traços de egoísmo, inveja, ódio ou superioridade. Ao contrário, são ponderados, conciliadores e benevolentes, tanto entre si, quanto com pessoas mais velhas ou menos jovens, as quais desejam que se agreguem a seus movimentos, legitimando-os ou não.

Outro aspecto que nos chama a atenção refere-se à alegria de viver que possuem, sejam estudantes, trabalhadores ou ambos. E buscam transferir toda essa alegria a todos a que conhecem.

Acreditamos que essa tendência resulta da liberdade para a comunicação que possuem desde que nasceram. São processadores e filtros seletivos de informações; jovens atentos a cada novo sinal percebido; presentes e críticos em cada mudança de ritmo de suas vidas, de seu grupo e de suas famílias.

Perguntaram-nos se há riscos para a liberdade da comunicação. Respondemos que sempre há riscos, mas que a falta desta liberdade é por demais onerosa, com sérios riscos associados, em especial a ausência da educação consequente.

Liberdade para a comunicação honesta

Sem educação consequente, a liberdade de expressão transforma-se em ameaça política, silenciando a democracia que levou mais de dois milênios para atingir ao estágio que possui hoje, fundamento da civilização humana.