Debates dos Deuses da Grécia antiga


Tivemos uma inexplicável e exígua oportunidade de manusear restos de manuscritos acerca da mitologia grega e de seus deuses, características familiares, posturas pessoais e hábitos. Foi muito rápido, pois o papelório logo se esfarelou em nossas mãos. Pelos textos que conseguimos ler tudo nos leva a crer que o autor dos manuscritos era um deus da oposição.

Transcrevemos as preciosas informações que colhemos. Mas, não entramos no mérito das mesmas, pois não sabemos se são verdadeiras.

Os deuses gregos, embora mitológicos, viviam perto ou em torno do Supremo Panteon, local onde areavam as ideias e debatiam seguidamente, sem parar, qualquer que fosse o assunto colocado à mesa por Zeus.

Zeus, o deus líder

Somente quando estavam no interior do Panteon, tratavam-se por Vossa Excelência, Vossa Eminência, Sua Santidade e outros termos do Manual de Auto Ajuda da época. Sempre com a máxima nobreza, dignidade, elegância e delicadeza.

Sobre os deuses

Zeus foi o líder máximo de todos os deuses, Imperador da Deusedeia. Não sabemos onde se localizava esse império. É provável que ficasse na Atlântida…

Gaia, casada com Urano, pariu onze titãs, sendo Cronos o rebento mais novo e o mais terrível. Afirmam que Gaia foi a deusa mater da Terra, a mais pretensiosa que existiu. Houve outras, segundo historiadores locais.

Cronos, pai de Zeus, foi o deus do tempo, temido e temerário, encerrava debates apenas levantando o supercílio esquerdo. Cronos, quando casado com  Rhéa – para alguns Dia-Rhéa –, teve mais cinco filhos. Porém, visando a trumbicar politicamente com Zeus, engoliu-os a todos no momento em que nasceram. Foram eles:

  • Héstia, deusa da família e do lar. É doméstica dos deuses remanescentes.
  • Deméter, deus da agricultura e da colheita farta. Hoje planta milho seco nos EUA.
  • Hades, deus dos mortos e dos espaços subterrâneos. É coveiro em Madagascar.
  • Hera, a deusa protetora das mulheres e do nascimento. É parteira na Rocinha.
  • Poseidon, deus dos mares e de todos os oceanos. É Almirante de Esquadra da reserva, na Rússia. Comandou as forças navais da Atlântida.

Porém, mesmo tendo sido guloseimas infantis de Cronos, como se tratavam de “cinco deuses filhos do tempo”, seguiram deificando mesmo sem portar a certidão de nascimento. No entanto, convém informar: Cronos terminou a vida terrena exercendo o cargo de Puxa-Saco Executivo de Zeus, uma espécie de Secretário Geral do Gabinete Civil.

Vejam mais sobre outros deuses, sem a pretensão de esgotar a lista e as informações de cada um:

  • Afrodite, a deusa do amor, foi a amante não realizada por Zeus. Passeava sempre quase pelada para provocá-lo, mas ele era muito ocupado, não tinha tempo.
  • Ares, deus da guerra e terminou como bedel de Cronos.
  • Eros, deus do amor e da paixão. Sua mais forte característica era o narcisismo. Andava constantemente sem roupa por entre corredores de espelhos. Afirmam que hoje é o deus da sacanagem, embora use outro nome nas boates da capital.
  • Apolo, deus da luz do Sol, da poesia e da beleza masculina. Dizem que também era o deus da pré-viadagem.
  • Ártemis, a deusa da caça, da castidade e dos animais selvagens. Inimiga mortal de Afrodite.
  • Dionísio, o deus das festas, do vinho e das “estripulias”. Era íntimo de Eros e faziam intimidades. Dizem que odiava Afrodite. Algo estava estranho nessas relações inter-deuses.
  • Hermes, que era o mensageiro dos deuses, protetor dos comerciantes, dos viajantes e dos negociadores. Era o “Mensalion Main Operator of the Pantheon of Gods”, em português, Principal Operador do Mensalão do Panteon dos Deuses.
  • Hefesto, deus dos metais, da metalurgia e do fogo. Hoje, atua como lobista autônomo da Vale, na Grécia moderna.

Mesmo que este material seja uma falcatrua da oposição dos deuses (boa possibilidade), há de se convir que passados vários milênios, os perfis e hábitos humanos não mudaram tanto assim. Somos uma espécie única, burra e teimosa.

Tudo quanto vive provém daquilo que morreu. – Platão.

Para pensarmos no Ordenamento de Territórios


Histórico

Qualquer que seja o território a ser ocupado pelo homem, o conhecimento prévio de suas potencialidades ou vocações naturais (os motivos da ocupação), bem como acerca de suas vulnerabilidades (restrições à ocupação), constituem demandas essenciais para o planejamento e a gestão públicas.

É com base em um tipo matriz, relativamente complexa – pois possuirá várias variáveis envolvidas além das potencialidades e vulnerabilidades dos territórios –, que se torna possível elaborar um plano detalhado para a ocupação racional de qualquer território.

Há diversas ferramentas estabelecidas no Brasil dedicadas ao ordenamento territorial. Todas amparadas por legislação específica e denominadas por zoneamentos, com diversas adjetivações.

Em 1992, tivemos a oportunidade de participar de um importante trabalho: o zoneamento ambiental do município de Ubatuba (litoral norte do estado de São Paulo), que inaugurou a prática da gestão pública dos territórios brasileiros. Várias áreas do conhecimento foram requeridas pela gerência para realizar esse trabalho, cada uma identificando as vocações e restrições quanto ao uso do território municipal, neste caso.

Em 1998, coordenamos dois outros ordenamentos territoriais, em áreas do estado de Mato Grosso: Zoneamento Agro-Econômico-Ecológico do Programa Pronor (sobre área territorial de 120 mil km2) e Zoneamento Agro-Econômico-Ecológico do Programa Proparecis (120 mil km2). Ambos na classe dos zoneamentos regionais, adjetivados mais especificamente.

Sabemos que todos os Estados da região Amazônica foram tratados por um zoneamento ecológico-econômico (ZEE) integrado (setembro de 2009).

Imagem do ZEE da região Amazônica

Decerto houve outros, mas acreditamos que ainda são poucos. Tirando a Amazônia, talvez a maioria dos governos estaduais considere que gerir seus territórios sem o auxílio desta ferramenta que, uma vez elaborada torna-se lei estadual, é simples ou tranquilamente realizada. Com todo o respeito, nós discordamos.

Em verdade, sem ordenar seu território, o gestor de qualquer país, estado ou município está declarando aberta a estação de caça de terrenos para o uso e a ocupação desordenada. As invasões se sucederão, gerando problemas sociais de toda a sorte.

Os gestores públicos correm o risco de jogar a vidas de seres e muitos reais no lixo. É o que todos vemos ocorrer nas incontáveis pequenas comunidades e favelas do país, sem um mínimo de infraestrutura básica capaz de funcionar.

Cenários atual e futuro

Baseados na Política Nacional do Meio Ambiente – Lei 6.938/1981 -, que criou a figura do Zoneamento Ambiental, atualmente, segundo o Ministério do Meio Ambiente, através de seu website, existem as seguintes modalidades de ordenamento territorial:

  • Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) – O ZEE é instrumento para planejar e ordenar o território brasileiro, harmonizando as relações econômicas, sociais e ambientais que nele acontecem. Demanda um efetivo esforço de compartilhamento institucional, voltado para a integração das ações e políticas públicas territoriais, bem como articulação com a sociedade civil, congregando seus interesses em torno de um pacto pela gestão do território. O ZEE é ponto central na discussão das questões fundamentais para o futuro do Brasil como, por exemplo, a questão da Amazônia, do Cerrado, do Semiárido Brasileiro, dos Biocombustíveis e das Mudanças Climáticas. Uma das suas características principais é sobrepor todos os outros tipos de zoneamento existentes.
  • Zoneamento Ambiental – é o zoneamento que leva em consideração, inicialmente, apenas o aspecto preservacionista. É elencado como um dos instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente. O termo, posteriormente, evolui para Zoneamento Ecológico-Econômico, com a prerrogativa de englobar as questões social e econômica à ambiental.
  • Zoneamento Sócio-Ecológico-Econômico (ZSEE) – significa o mesmo que ZEE, a nomenclatura apenas tenta evidenciar a questão social que já faz parte do Zoneamento Ecológico-Econômico.
  • Zoneamento Geoambiental – zoneamento voltado para os elementos e aspectos naturais do meio físico e biótico.
  • Zoneamento Agroecológico (ZAE) – com essa forma de zoneamento é possível determinar o que e onde será possível plantar; quais as limitações de uso do solo, em atividades agropecuárias; quais as causas da poluição ambiental e da erosão do solo, o que pode ser feito para combater esses problemas; e como reduzir os gastos com insumos agrícolas, aumentando a produtividade e mantendo a qualidade da produção, facilitando o rendimento da mão-de-obra. É realizado o estudo do uso do solo para a agricultura, pecuária, silvicultura, extrativismo, conservação e preservação ambiental, a partir da elaboração de mapas na escala de 1:100.000 com informações sobre caracterização climática, solos, aptidão agrícola, cobertura vegetal e uso das terras, potencial para uso de máquinas, sustentabilidade à erosão, e potencial social para diferentes atividades.
  • Zoneamento Agrícola de Risco Climático – útil para a agricultura, mostra meios para planejar os riscos climáticos, direcionar o crédito e o seguro à produção. A Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Um mapa define o Zoneamento Agrícola de Risco Climático para o cultivo de algumas culturas.
  • Zoneamento Costeiro – zoneamento ecológico-econômico aplicado à Zona Costeira.
  • Zoneamento Urbano – zoneamento dos municípios de acordo com o Plano Diretor.
  • Zoneamento Industrial – zoneamento de áreas destinadas à instalação de indústrias. São definidas em esquema de zoneamento urbano, aprovado por lei. Visa à compatibilização das atividades industriais com a proteção ambiental.
  • Zoneamento Etnoecológico – instrumento de gestão territorial para populações tradicionais e indígenas.

O texto das descrições dos tipos de zoneamento existentes é transcrito do website do MMA. É fácil observar que essas categorias às vezes se superpõem. Outras vezes são partes de uma categoria maior. Até chegar ao caso do zoneamento etnoecológico, que é para aplicações bem específicas.

Julgamos que o MMA apenas apresenta as linhas gerais dos mecanismos que podem ser aplicados nos estados da federação, cabendo aos seus gestores identificar nesse cardápio de ferramentas o que coincide com as necessidades e demandas de gestão territorial de seus estados.

No entanto, cremos que a melhor solução seja organizar seu próprio modelo de zoneamento baseado na realidade de uso e ocupação do solo estadual, visando a garantir quadros territoriais futuros que apresentem condições básicas para a qualidade de vida e de existência de todos seus ecossistemas. Isto incluirá as relações estáveis entre seus espaços físico, biótico e antropogênico, proporcionando condições adequadas para habitar e produzir sem “consumir” o ambiente do território.

Apoio especializado

Por exemplo, considerando a região nordeste, visualizada através de suas unidades geopolíticas, não temos dúvida de que a abordagem de seus zoneamentos deverá contemplar três variáveis essenciais: a disponibilidade de recursos hídricos, a geração de energia renovável (sem hidrelétricas) e o turismo. Essas variáveis representam duas vocações naturais da região e uma restrição que pode ser atenuada por projeto federal ora em fase de implantação – Transposição do Rio São Francisco.

Os segmentos econômicos por elas contemplados têm poder de alavancar a produção dos setores extrativo, de transformação e de serviços.

Acreditamos que o Estado que sair na frente, desenvolvendo e implantando seu zoneamento ecológico-econômico considerando essas três variáveis como básicas, obterá resultados que beneficiarão de forma expressiva sua economia, sua sociedade e sua capacidade de gestão pública.