Os bestiários medievais e a atualidade mundial


Referência: As informações sobre Bestiários Medievais foram colhidas da Enciclopédia Itaú Cultural e encontram-se no texto grafadas entre aspas.

“Em sentido estrito, o termo ‘bestiário‘ faz referência a um gênero literário medieval, que se vale da descrição física e de comportamentos de animais, reais ou fantásticos, para a construção de fábulas de caráter moralizante. Em prosa ou verso, esses manuscritos ilustrados tomam a natureza como fonte de ensinamentos úteis ao homem e à sociedade, com uma visão cristã do mundo. A cultura medieval está repleta de animais, em textos e imagens, rituais, folclore, heráldica, canções, provérbios etc. Em geral, esses seres são representados por meio de duas visões distintas: a mais corrente considera o animal imperfeito e inferior e, nesse sentido, radicalmente diferente do homem; a outra, ao contrário, subentende a existência de uma comunidade de seres vivos e um parentesco – não apenas biológico – entre homens e animais. Repletos de sentidos negativos e positivos, representados muitas vezes de forma alegórica e grotesca, o fato é que os animais ocupam o primeiro plano no imaginário medieval cristão: dragões, crocodilos, leões, asnos, porcos, baleias, unicórnios, aves e peixes simbolizam o mal, a imortalidade, a astúcia, o poder etc., de acordo com os atributos de cada um deles.”

Chimera

Certamente, nas devidas proporções, se observamos o mundo atual sob a segunda visão, com certeza os bestiários medievais pareciam prever o futuro homem contemporâneo, especialmente o homem que realiza serviços públicos: a pretensa imortalidade, a astúcia e o poder transferidos de mão em mão para a prática do mal. Nossa iconografia atual guarda alguma similaridade – dragões, crocodilos, leões, asnos, porcos, baleias, unicórnios, parecem continuar presentes, senão nas artes, certamente na vida real.

A origem dos bestiários remonta ao século IX, com base em lendas indianas, hebraicas e egípcias, compiladas na Grécia. O resumo dos conhecimento sobre os bestiários possui diferentes versões e autores, produzidas ao longo do tempo, popularizadas em diversos países, em especial na Inglaterra e na França.

Um dos mais antigos bestiários conhecidos parece datar do século XII. No século XIII foram produzidos diversos. Mas, “O Bestiário do Amor, de Richard de Fournival, é um dos poucos totalmente desvinculados de implicações teológicas.”.

“Se o bestiário como gênero declina a partir do século XIII, as diferentes figuras animais que ele projeta passam a fazer parte da iconografia, podendo ser encontradas em vitrais, esculturas e frisos de igrejas de construções românicas e góticas, e em toda a arte posterior. Assim, com o tempo, o termo vai perdendo sua conotação específica para adquirir acepção mais ampla no vocabulário das artes visuais, sendo utilizado para fazer referência à presença de animais nas artes (…).”.

Os bestiários, embora hajam atravessados séculos, foram sendo ajustados em acordo com as culturas dominantes ao longo do tempo: da cultura teológica, com caráter moralizante e hipócrita, no século IX, à cultura da insanidade política, da guerra e da corrupção nos séculos XX e XXI. Mas esta última não se encontra retratada em obras literárias, desenhos, pinturas, músicas e folclore, senão como ironias e sátiras avulsas, que até agora têm-se desgastado mais do que a própria insanidade que desejam extirpar.

No Brasil, mesmo que animais integrem vários trabalhos, alguns artistas contemporâneos retomam especificamente o motivo animal, ensaiando o gênero dos bestiários. Caetano de Almeida é um exemplo que, no período 1986-1991, elaborou a série Bestiário, recriando ilustrações de livros e enciclopédias.

Cremos que é mais do que chegada a hora de retomar, com bastante ênfase, aos Bestiários Contemporâneos, assinalando e demonstrando a animalidade dos governantes que jogam para desgraçar o planeta. Não deveremos falar de fantasias, mas apenas da realidade, até por que não há mais a “Santa Inquisição”.

2 pensamentos sobre “Os bestiários medievais e a atualidade mundial

  1. Olá, Gostei da Matéria…

    Eu me interessei pelo o assunto. Por isso, em quais bibliografias pesquisou? Mesmo se não usou muitas, poderia me indicar algumas para eu me aprofundar?
    Gostaria de dar uma lida. Acho muito legal as representações medievais.

    Desde já, agradeço!!

    Att.

    Edilson Alves

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    • Prezado Edilson,

      Conforme está referido no início do artigo, as informações básicas sobre Bestiários Medievais foram colhidas da Enciclopédia Itaú Cultural. A partir dessa fonte buscamos novas informações na web, partindo de orientações da wikipédia e prosseguindo por vários outros websites que tratam do tema.

      Como se trata de um artigo crítico, usamos os bestiários medievais para fazer analogias com o Brasil atual.

      Forte abraço.

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